De Confraria Espiritualista a Sociedade Especulativa

 

Incontáveis autores, investigadores e comentadores apontam 1717 como o ano em que surgiu a Franco-Maçonaria, embora tudo indique que esta Sociedade Secreta, dita “Especulativa” (em oposição à Maçonaria “Operativa” dos antigos Monges Construtores), remonte ao século XVII, desenvolvendo-se simultaneamente com o surgimento e implementação do Movimento Iluminista.

Em 1714, com Anthony Sayer como Grão-Mestre, todas as Lojas em Inglaterra se colocam sob a autoridade federal do reino, constituindo assim uma Grande Loja que nasce, dessa forma, com base em conceitos políticos, em detrimento do princípio filosófico que a deveria regular.

Em 1714, com Anthony Sayer como Grão-Mestre, todas as Lojas em Inglaterra se colocam sob a autoridade federal do reino, constituindo assim uma Grande Loja que nasce, dessa forma, com base em conceitos políticos, em detrimento do princípio filosófico que a deveria regular.

As velhas Lojas Mães de Londres, de York e de Westminster não aceitam a posição tomada pela Grande Loja e muito menos a sua conduta, nada consentânea com a ancestralidade Iniciática e Tradicional da Ordem que, na realidade, já há muito se havia perdido. Origina-se, então, a primeira grande divisão no seio da Franco-Maçonaria britânica: “Modernos” inversus “Antigos”.

Em 1719, James Anderson, compactuando com o Grão-Mestre Jean-Théofhile Désaguliers, confessa ter consultado documentos antigos – os afamados Documentos Góticos – e ter destruído uma boa parte deles, com base em critérios pessoais e estratégicos, obviamente muito pouco imparciais. Essa iniciativa ilícita provocou enorme ira no seio dos “Antigos”, acentuando ainda mais as diferenças entre os dois grupos. Só em1813 se negoceiam tréguas entre as duas partes, dando origem à criação da Grande Loja Unida dos Antigos Franco-Maçons de Inglaterra. Para essa unificação concorreu o comprometimento de Anderson em restaurar a antiga Constituição Gótica. Inclusive, uma comissão de catorze membros foi eleita com a finalidade de super-visionar e rever esse trabalho.

Daniel Ligou, autor do Dicionário Universal da Franco-Maçonaria, afirma: «O Livro das Constituições de Anderson é considerado como o das autênticas constituições da Franco-Maçonaria Especulativa Tradicional. Se a parte histórica já não é levada a sério por ninguém, a sua parte doutrinal continua a ter uma base segura e forte».

 Sem pretender, de forma alguma, menosprezar o conhecimento do autor sobre esta matéria, verificamos, no entanto, algumas imprecisões na sua afirmação:

a) O termo “Franco-Maçonaria Especulativa Tradicional” surge-nos impreciso no sentido em que o adjectivo especulativa caracteriza um movimento que se assume como intelectual, empírico e dedutivo em relação à simbologia, ritualística e finalidades superiores da Maçonaria, em que cada um interpreta os símbolos a seu bel-prazer, isento de qualquer processo Iniciático verdadeiro e cujo principal pólo de interesse se encontra estreitamente ligado ao partidarismo político e ao “tráfico de influências”. Ou seja, “Especulativo” não poderá ser simultaneamente “Tradicional”, visto que este se refere ao princípio Espiritual que pressentimos há muito perdido para os franco-maçons modernos. 

b) A nós parece-nos o contrário: Se há algo na Franco-Maçonaria que se encontra frágil e inconsistente, é precisamente a sua parte doutrinal. Aliás, a Maçonaria não possui uma doutrina. Não existe um ensinamento iniciático efectivo, tão-só reuniões mais ou menos assíduas entre os membros, que se limitam a especular acerca da Ideia que os símbolos pretendem transmitir e, em alguns casos, até a duvidar do significado real da sigla G.A.D.U., que à luz da Tradição Iniciática das Idades significa GRANDE ARQUITECTO DO UNIVERSO.

No fundo, o que se passou com a Maçonaria a partir de determinado momento da sua História (momento crítico, devemos dizer), encontra-se bem patente nas palavras do Dr. Vitor Manuel Adrião, insertas na sua obra intitulada Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria, página 97:

«A Maçonaria foi invadida a partir dos inícios do séc. XVIII por certos elementos aburguesados sem a mínima qualificação espiritual e que transformaram boa parte dela numa sociedade especulativa».

Pressupõe-se, facilmente, que a Constituição de Anderson limita-se a estar de acordo com a realidade da Maçonaria Moderna, afastada da sua irmã mais velha, a Maçonaria Tradicional Operativa. Também ao que se sabe, não se conhecem todos os documentos de que Anderson se serviu… Os documentos com maior relevância que continuam a ser estudados pelos escassos maçons que ainda se preocupam com o código de conduta e os princípios superiores que devem reger a Franco-Maçonaria, são: o Manuscrito Regius, de cerca de 1390, e o Manuscrito Cooke, oriundo da primeira década do século XV.

Para além de tudo isso, existem várias raízes históricas e lendárias que se encontram na origem da simbologia franco-maçónica, predominando a tradição judaico-cristã, essencialmente através da lendária história de Hiram Abiff. Trata-se do relato bíblico, inserto no Livro dos Reis, que constitui o mito central comum a todas as Obediências e Ritos, cuja influência predominante é o cimento simbológico dos Graus da Maçonaria contemporânea. Essa história bíblica conta-nos o seguinte:

Cerca de 1000 anos a. C., o Rei Salomão decidiu edificar um monumental Templo às portas de Jerusalém, sobre o Monte MÓRIA (que em hebreu significa “Escolhido do Senhor”), para a Maior Glória de Deus Eterno. Hiram Abiff, foi o Arquitecto fenício escolhido pelo grande monarca para a realização desse magnificente e piedoso projecto. Foram convocados 100.000 operários, dos quais 8.000 eram pedreiros de ofício. Esta população foi dividida por Hiram em três categorias: aprendizes, companheiros e mestres, sendo cada um destes grupos portador de uma palavra de passe, uma palavra secreta apenas conhecida dos seus membros, e só se passava de um grupo para outro depois de um determinada período de tempo, o que significava “aumentar o salário” ou “passar de grau ou escalão”: os aprendizes só ao fim de 3 anos, os companheiros de 5, e os mestres de 7 anos (o que em princípio continua a vigorar na actual Maçonaria Simbólica).

Ora num dos seus passeios solitários, Hiram Abiff foi surpreendido pelo ataque feroz de três companheiros ambiciosos do imediato salário de mestres, e traiçoeiramente recorreram à violência extrema tentando extorquir a palavra secreta do Mestre. Este, não cedendo e mantendo-se corajosamente em silêncio, acabou por perecer às mãos dos traidores, incarnações dos principais vícios do Homem, sobre o que diz Jorge Adoum no seu livro Grau do Mestre Maçom e seus Mistérios:

«Sete anos durou a construção do Templo, porque o resultado da genuína e Verdadeira Iniciação obtém-se depois de sete anos (…). Ao aproximar-se o momento do Triunfo final, acometem ao Iniciado as três tentações no deserto da matéria, que são a IGNORÂNCIA, o FANATISMO e a COBIÇA, ou os três companheiros que querem o salário de Mestre. Cada defeito estava armado com um instrumento. A IGNORÂNCIA atacou o lado direito – projector do poder positivo – com uma régua de 24 polegadas, que representa o dia de 24 horas, e, ferindo a mão de Hiram, inutilizou a Obra, ou o instrumento da Obra, que é a mão. O FANATISMO golpeou o coração com o esquadro, que é o símbolo do homem inferior, dominado pelo seu fanatismo; o esquadro é a forma material, é o conhecimento intelectual, que é necessário ao homem, porém, este, na maioria das vezes, se esquece do compasso, que representa a Intuição Divina. Ao golpear o coração, mata nele a Tolerância e o Amor. A COBIÇA golpeou-lhe a cabeça com o malhete, representando neste acto a vontade mal dirigida e mal dominada. Uma vez morta a CONSCIÊNCIA, os três tratam de relegar o facto ao esquecimento, “sepultando numa gruta secreta o corpo do Mestre”. Mas as 12 Faculdades do Espírito, ou os 12 Mestres, começaram a sua busca. Os três primeiros são a FÉ, a ESPERANÇA e a CARIDADE, que eliminam do corpo os três vícios, e os outros nove exaltam a Luz Interior, sepultada.»

O Rei Sábio Salomão não hesitou em homenagear, de forma grandiosa, a memória do Arquitecto Iluminado, ordenando que se lhe fizesse um funeral com honras de Estado que, por regra, só se concediam à realeza, tendo mandado erigir o seu túmulo no recinto do Templo. Durante a cerimónia fúnebre, os mestres usaram luvas e aventais de pele branca, como símbolo da sua inocência, num ritual demonstrativo de que as suas mãos se encontravam limpas do sangue de Hiram Abiff. Este dramático episódio teve como consequência a interrupção da magnificente obra, tendo o Templo ficado inacabado. Desde então, os maçons de todos os cantos do mundo vêm encetando uma demanda exesperadamente infrutífera: a da busca desesperada da palavra secreta do Mestre, sem a qual jamais poderão terminar a construção do Templo. 

Essa narrativa bíblica constitui, sem dúvida, uma alegoria muito interessante, bem representativa da busca incessante do Homem de si mesmo, de maneira a poder construir o seu próprio Templo, através da tomada de consciência dos seus veículos superiores. Mas a verdade é que a Palavra Secreta do célebre Mestre Arquitecto acompanhou-o silenciosamente para a escuridão fria do túmulo, e passou a constituir a Palavra Perdida adjacente ao Segredo Maçónico, cuja descoberta só será possível aos Eleitos Jivas em franca transformação consciencial realmente Iniciados nos Mistérios do Eterno.

Sem querer ferir susceptibilidades de espécie alguma, sentimo-nos na obrigação de revelar que só os maçons que venham a integrar as fileiras da ORDEM DO SANTO GRAAL, através da filiação efectiva nas Instituições que legitimamente A representam, terão a possibilidade de entender o verdadeiro significado da Palavra Perdida, e assim mesmo só muito poucos beneficiarão da revelação do Segredo Maçónico, que mais não é do que a expressão exotérica do esotérico MISTÉRIO DO SANTO GRAAL. Este tema da mais alta transcendência será abordado na 2.ª parte deste estudo.

Voltando à realidade nua e crua relativa à Franco-Maçonaria como Sociedade Especulativa, a partir de 1742 deu-se a criação de Altos Graus na Maçonaria Escocesa, atraindo e originando grande número de afiliações por motivos menos legítimos, logo, menos nobres, iniciática ou espiritualmente falando, como sejam:

– O fascínio por títulos pomposos e sonoros.

– Curiosidade acerca dos Grandes Mistérios da Antiguidade (curiosidade afectivo-emocional e sensacionalista, e não a curiosidade característica dos grandes pesquisadores, que a utilizam como ferramenta fundamental para a elaboração e aprofundamento dos seus estudos, usando o Mental Superior em detrimento das sensações psíquicas e pseudo-místicas, tão em voga hoje em dia nos denominados movimentos «new age» e que funcionam como uma verdadeira herança kármica de um Passado em que o mediunismo, o animismo e o psiquismo prevaleceram como praga de humanos impúberes sobre a Sabedoria Superior e Transcendente da Teosofia).

– O orgulho no uso da espada (privilégio apenas reservado à aristocracia).

– A possibilidade de poder vir a ser se armado cavaleiro, sem necessitar ser da nobreza.

A abordagem, no seio das Lojas, a assuntos relacionados com Cavalaria, Cabala e Alquimia, sem uma direcção verdadeiramente Magisterial, consequentemente, Espiritual sob a regra da Meditação Iniciática, levou a que a esmagadora maioria desses novos maçons se iludisse, ao convencer-se que bastaria a abordagem superficial a esses temas para se atingir a Iluminação Interior, confundindo “apetência devocionalista” com essa, facto que redundou num enorme logro de ordem doutrinária que se perpétua até aos dias de hoje. 

O famoso escritor francês Jean-Pierre Bayard, académico doutorado em Letras e historiador conceituado, apresenta no seu livro A Franco-Maçonaria um quadro cronológico desta Sociedade Secreta, do qual expomos um breve resumo, para que após possamos tecer o nosso comentário à luz da Tradição Iniciática, incidindo nas datas que nos parecem mais relevantes:

1275 – Primeira assembleia-geral dos maçons construtores alemães.

1649 – Henriette de França, filha de Henrique IV, depois da decapitação de Carlos I de Inglaterra, refugia-se em Saint-Germain-en-Laye. Inúmeros nobres escoceses e irlandeses são sem dúvida franco-maçons.

1689 – Jaime II Stuart, depois da sua capitulação Lie-rick, refugia-se em França, no castelo de Saint-Germain-en-Laye. Possibilidade de Lojas Jacobitas (Maçonaria Católica).

1710 – Formação da Grande Loja de Londres (Maçonaria influenciada pelos protestantes e pelos orangistas). Data convencional do nascimento da Franco-Maçonaria Especulativa.

1726 – Data em que se considera que a Franco-Maçonaria se constitui em França. Fundação de uma Loja em Paris, no Bairro de Saint-Germain-des-Prés.

1738 – (4 de Maio). Condenação pontifical dos franco-mações pelo Papa Clemente XII. 

1743 – Nascimento, que se presume em Palermo, de Cagliostro.

1754 – O cavaleiro de Bonneville (…) pretende prolongar a Loja de Saint-Germain.

1778 – Iniciação de Voltaire pela Loja das Nove Irmãs, em Paris.

1782 – O Convento da Estrita Observância, em Wilhelmsbad, cuja influência foi importante sobre o Rito Escocês Rectificado, rejeita a ascendência Templária.

1784 – Morte do Conde de Saint-Germain, em Gottorp, em casa do príncipe de Hesse-Cassel.

1786 – (1 de Maio). Segundo certos autores, elaboração, em Berlim, das Grandes Constituições, regulando os 33 Graus do Escocismo; foram atribuídas a Frederico II da Prússia.

1804 – Criação da Grande Loja Geral Escocesa de França do Rito Antigo e Aceite.

1851 – (2 de Janeiro). Decreto da Prefeitura de Polícia proibindo a Grande Loja Nacional de França.

1862 – O Rito de Mênfis é agregado ao Grande Oriente.

1865 – O Papa Pio IX, num Consistório secreto, condena de novo a Franco-Maçonaria.

1888 – Stanislas de Guaita constitui «A Ordem Cabalística da Rosa-Cruz» com Joséphin Péladan.

1901 – (29 de Maio). Criação pela Grande Loja de França da primeira «Loja de Adopção» (Loja Feminina). 

1945 – Primeira Assembleia-Geral da União Maçónica Feminina de França.

1953 – A Grande Loja de França torna obrigatória a presença da Bíblia na bandeja do Venerável.

1992 – O Partido Comunista Francês proíbe aos seus membros pertencerem à Maçonaria. 

Em termos históricos, este parece-nos ser um quadro cronológico didáctico e fiável no que diz respeito às fontes consultadas pelo ilustre autor. Mas o seu interesse não vai além disso mesmo, pois trata-se simplesmente do retrato da Maçonaria Especulativa, principalmente a partir do início do século XVIII, momento crucial em que, como já tivemos oportunidade de afirmar, esta Sociedade Secreta entrou em profunda crise Iniciática.

Naturalmente, o autor aprofundou a sua pesquisa no campo histórico. Mas não sendo ele, claramente, um Iniciado, não se lhe pode exigir que vislumbre o complexo enredo escondido no âmago de uma temática que facilmente se torna pantanosa para mentes e corações despreparados, no sentido de entender os caminhos velados do Ocultismo, sempre envoltos em espessa bruma.

Passamos, então, a tecer os nossos breves comentários relativos a determinados tópicos insertos na cronologia de Bayard, na expectativa de esclarecer o respeitável leitor em relação ao lado oculto dos factos apontados. Reservamo-nos, no entanto, o direito e o dever de não divulgar mais do que a consciência nos dita e para além do que nos é permitido:

1) A constante referencia a Saint-Germain – O Castelo de Saint-Germain-en-Laye, o Bairro de Saint-Germain-des-Prés e a manutenção da Loja de Saint-Germain. Constatamos que Bayard não desenvolve no seu livro qualquer outra referência a le Comte de Saint Germain (Conde de São Germano), a não ser essas suas notas cronológicas, não fazendo a menor ideia, à imagem da quase totalidade dos maçons contemporâneos, de quem de facto foi e é esse Excelso Adepto da Grande Loja Branca. Os maçons continuam a não ter a mínima noção de quem era verdadeiramente o Adepto encapuçado, o misterioso Encoberto que compareceu no seio da Maçonaria nas vésperas da queda da Bastilha.

Um dos grandes Movimentos que contribuiu para a ruptura do Absolutismo monárquico em França e, consequentemente, no resto da Europa, em pleno século XVIII (em 4 de Agosto de 1789 coube aos jacobinos, na Assembleia Nacional, votar a eliminação de todos os direitos absolutistas), foi o Iluminismo.

Foi Martinetts de Pasqualys quem fundou o Movimento Iluminista, cujo propósito era infligir uma profunda mudança social, política e económica no mundo, através da iluminação mental do Colectivo Humano em contraposição ao obscurantismo religioso e ao poder absoluto do rei. Isto no que ao conceito humanista confere, porque o Movimento tinha, ocultamente, uma pretensão mais elevada: o aperfeiçoamento do Homem através da dilatação gradual do seu estado de consciência, que seria conseguido através da prática franca da TEURGIA.

Os iluministas, cuja linha de acção era muito mais filosófica que materialista, condenavam a violência político-social defendida pelos franco-maçons (já na altura de costas viradas à Maçonaria Egípcia), pretendendo uma revolução armada que levasse à decapitação dos reis de França e da sua família próxima.

Essa “Era das Luzes” foi secretamente inspirada precisamente pelo Adepto Real, o Conde de São Germano, reencarnação de Christian Rosen-Kreutz e cujo verdadeiro nome era Lorenzo Paolo Domiciani, nome que constitui um dos mais importantes significados do misterioso trigrama LPD, e que os franco-maçons interpretaram como a sigla de uma palavra passe, tal como nos descreve o magistral Professor Henrique José de Souza, o nosso Venerável Mestre JHS, na sua Carta-Revelação de 7 de Março de 1953:

«Não se deve esquecer que essas três iniciais (LPD) – como LILIUM PEDIBUS DESTRUE – é que destruíram a Bastilha, que também era uma Fortaleza-Prisão de quantos desagradavam aos Bourbons, com a sua Flor-de-Lis caótica… Mas que o LIBRE DROIT DE PASSER da Maçonaria Francesa, acompanhada da Ordem de Malta… estreitamente ligada à Maçonaria Egípcia, e esta, por sua vez, à dos Tachus-Marús Aghartinos… acabaram destruindo.»

O Grande Adepto Vivo Lorenzo Paolo Domiciani, tinha como principal objectivo a criação de um Movimento Espiritualista de cariz Rosa+Cruz a partir do Iluminismo, cuja Missão incidiria na redenção e resgate kármico dos Assuras envolvidos nas Tragédias do Gólgota e do Tibete, dos quais um número significativo de indivíduos se encontravam reencarnados na nobreza francesa e europeia, em risco eminente de sofrer um dramático derrame de sangue, o qual não foi possível evitar.

2) O parágrafo anterior demonstra que quando Stanislas de Guaita constituiu a «Ordem Cabalística da Rosa-Cruz» em 1888, foi inspirado na Verdadeira e Oculta Ordem Rosa+Cruz dos Invisíveis ou Encapuçados liderados pelo Conde de São Germano, da qual aquela representava simplesmente o seu aspecto exterior.

3) A morte do Conde de Saint-Germain, em Gottorp, na casa do príncipe de Hesse-Cassel. Relativamente a esta matéria, cabe-nos dizer que os Adeptos da Grande Loja Oculta ou Excelsa Fraternidade Branca operam no seio da Humanidade de diferentes formas: passam despercebidos, utilizando, por vezes, o corpo físico e a personalidade do mais miserável dos mendigos, sem que ninguém se aperceba do seu trabalho oculto; vivem e movem-se no meio dos homens sob falsas identidades, não deixando qualquer rasto histórico referente ao seu verdadeiro nome e função (há não muito tempo atrás, um membro demissionário da Comunidade Teúrgica Portuguesa, que simultaneamente encontrava-se filiado à Maçonaria através do Rito de York, não resistindo à curiosidade tentou seguir a pista do Adepto Malaquias, o Barão Henrique Álvares Antunes da Silva Neves, depois tendo confessado que quanto mais procurava mais perdido se sentia, como que num labirinto sem saída… A saúde física desse membro demissionário baqueou mal começou a tentativa de descobrir o paradeiro do Adepto, porque, em boa verdade, ele não se encontrava minimamente preparado psicomentalmente para seguir a pista dos Homens Perfeitos… e não poderá reclamar que não foi avisado com antecedência); simulam a sua morte através do poder de Maya-Vada, iludindo os presentes, tendo este sido o caso de Lorenzo, que sendo um Mestre exímio na Arte do Ocultismo, que é a “Ciência das Energias”, certa vez revelou aos seus discípulos:

«Vejo claramente que os historiadores e astrónomos nada sabem. Deviam ter estudado, como eu, nas Pirâmides. Há ali muito para se aprender, e… já nem falo das profecias que elas contêm internamente. No final deste século desaparecerei do Ocidente para volver no começo do próximo do Oriente. Essa será a minha Obra.»

Isso significa que a sua Obra foi iniciada externamente no século XVIII e prosseguida internamente no Mundo dos Deuses – o DUAT.

Lorenzo Paolo Domiciani, o último Príncipe de Rakowsky, sendo um Ser Aghartino, foi formado psicomentalmente no Mundo de Duat e o seu corpo físico cuidadosamente preparado em Badagas, nascendo na Face da Terra numa família nobre, precisamente a dos Rakowsky.

Ainda muito jovem, foi levado pelo Dhyani Paolo Krakowsky Pantagalos para o Egipto e daí para a Fraternidade de Kaleb, no Deserto da Líbia, onde foi iniciado nos Grandes Mistérios sob a vigilância do Governo Oculto do Mundo, que aí se encontrava sediado na época. 

Após a Revolução Francesa, a qual São Germano tentou evitar a todo o custo, o Adepto regressou a Kaleb por via subterrânea através de Sintra. Mais tarde dirigiu-se para o Norte da Índia, adentrando o Templo Sedote de Jara-Khan-Lhagpa, no escrínio do Tibete.

Segundo as Revelações do nosso Venerável Mestre JHS, em 1812 o Dhyani Bey Al Bordi ou Gilberto, filho primogénito de São Germano, terá encontrado o corpo do seu Pai, adormecido em Sono Paranispânico, num Templo subterrâneo sob uma pequena capela algures no coração da Alemanha. Não revelaremos o nome da capela nem o local geográfico onde a mesma se encontra, exorcizando-se a-priori o risco de alguns fanáticos despreparados se entregarem a uma demanda condenada ao fracasso, podendo mesmo redundar em desastre, pois o Caminho dos Adeptos não se trilha sem profunda preparação iniciática. Recomendamos aos estudiosos do Esoterismo, interessados na Vida e Obra do Venerável Conde de São Germano, que consultem o livro A Santíssima Trinosofia, o único e verdadeiro manuscrito da autoria do Grande Adepto, pois que tudo o resto não passam de devaneios psíquicos com base em pseudo-“canalizações mediúnicas”, que não são mais que fruto da fantasia precoce de mentes psíquicas auto-induzidas, criando, de maneira doentia, formas-pensamento fictícias que em nada correspondem à realidade.

4) Criação das Lojas Femininas a partir de 1901. O nosso comentário é o seguinte: uma Ordem Iniciática verdadeira terá que ser obrigatoriamente constituída por membros de ambos os sexos, de preferência em número igual, pois só dessa forma haverá a possibilidade de se assumir como Confraria Luni-Solar, isto é, Andrógina, onde a complexidade das sinergias opostas por suas características naturalmente contrárias, ao unificarem-se através da Ritualística Teúrgica – junção de Fohat (Feminino) com Kundalini (Masculino) no omphalo do Corpo, que é o umbigo, e no centro do Templo ocupado pelo trípode, em cuja “embocadura” trepida a Chama de Agni, o Fogo Sagrado – permitirão o Perfeito Equilíbrio e a Suprema Realização.

O Movimento Rosa+Cruz fundado pelo Conde de São Germano era de carácter misto ou andrógino, onde homens e mulheres se incluíam indistintamente. Desse Movimento fizeram parte célebres Damas como Maria Teresa de Áustria e a Condessa de Adhemar, dentre outras.

5) Nascimento, que se presume em Palermo, de Cagliostro em 1743. Em termos históricos, a data apontada para o nascimento de Louis Alexander Cagliostro poderá estar correcta, mas o local de nascimento foi Génova.

Tudo se passou da forma seguinte: lá por meados do século XVIII, a Marquesa Anne Louise de Tavernay, esposa do Marquês de Tavernay, desiludida com o seu casamento fantoche, viajou para Itália onde acabou envolvendo-se passionalmente com um conhecido “D. Juan” parisiense de nome Louis Armand, o Príncipe de Rohan. Desse colóquio amoroso nasceu Cagliostro, mas o Príncipe não quis assumir a paternidade da criança levando a Marquesa a cair em desespero, a ponto de pretender abandonar o recém-nascido à porta do palácio de uma qualquer família nobre.

Assim realmente aconteceu: numa noite escura e tenebrosa, já o sino da torre da igreja assinalava a meia-noite, o infeliz bebé Cagliostro, vestido com uma camisola azul onde se achavam bordadas uma flor-de-lis (símbolo da sua origem materna) e o trigrama LPD (símbolo da sua origem paterna, começando por significar “Louis Par Droit”), foi abandonado junto à sarjeta de certa rua de Génova, sendo de imediato recolhido pelo Adepto Paolo Domiciani de Veronesse, o Mestre Veneziano, que disfarçado de pintor vinha seguindo os acontecimentos de perto, pois sabia da origem Aghartina da criança.

Mas quem foi na realidade Cagliostro? Em que é que incidia verdadeiramente a sua Missão?

A par do Iluminismo, encontramos a influência da Maçonaria na queda da dinastia Bourbon. Esta influência foi liderada inicialmente pelo Conde de Cagliostro.

Mas a verdade à volta desta misteriosa personagem não é conhecida da esmagadora maioria dos autores que se têm debruçado sobre o tema. Isto porque existiram dois Cagliostros e não apenas um: o referido Alexandre que hoje é AKADIR e o seu «sósia» ou Tulku, cujo nome se conhece, no interior do Colégio Iniciático que ministra o Ensinamento Esotérico de JHS, como José Bálsamo, hoje KADIR.

Inteiramente prestados ao serviço do Governo Oculto do Mundo, Alexandre Cagliostro assumiu a função Judiciária (Karuna) e José Bálsamo a função Executiva (Yama), ficando este último incumbido da ingrata tarefa de accionar os mecanismos da Lei do Karma, o que levou a atitudes escandalosas e controversas, como, por exemplo, o famoso caso do desaparecimento do colar da Rainha Maria Antonieta, com o qual se levantou um problemático clima de suspeição ao redor da pessoa do verdadeiro Cagliostro (pois quando um aparecia em público o outro desaparecia, e vice-versa), que imediatamente teve que provar a sua inocência, mas ficando, ainda assim, definitivamente marcado por essa ocorrência, deitando por terra a bastante da credibilidade conseguida junto à Aristocracia e à Maçonaria, mesmo igualmente ficando provada, pelos relatórios da Polícia de Paris, realmente haverem dois Cagliostros.

A proveniência real desses dois Adeptos situa-se na Fraternidade Jina de Luxor, no Egipto. Alexandre Cagliostro como Grão-Copta da Ordem de Luxor, e José Bálsamo como Adepto Rosa+Cruz ao serviço da Maçonaria Egípcia. Ambos os Adeptos constituíam as Colunas Vivas de São Germano, na época. Actualmente fazem-no através do poderoso “Cavaleiro do Corcel Branco e detentor da Ígnea Espada Flamejante”, AKDORGE, empunhando o Gládio da Iniciação de seu Pai, AKBEL. Assim, temos:

                                                            AKTALAYA

                                                (Lorenzo – Lourenço)

                                                ↓                           ↓

                                     AKDORGE                 AKGORGE

                                     (Paolo – Paulo)          (Domiciani – Daniel)

                                     ↓           ↓

                               KADIR         AKADIR

                        (José Bálsamo)   (Alexandre Cagliostro)

Sabemos que José Bálsamo apareceu pela primeira vez no mundo profano em 1789, começando por comparecer numa reunião da Franco-Maçonaria, preparando assim terreno para o posterior surgimento do verdadeiro Cagliostro no seio da mesma.

Imediatamente, os franco-maçons procuraram submetê-lo às praxes e provações tradicionais da sua Confraria, mas o Adepto logicamente conhecia-as muito melhor que o próprio Grão-Mestre, provando facilmente a sua origem superior pelo seu elevado conhecimento tanto do mundo profano como dos Mistérios do Sagrado…. Restou aos maçons perguntar-lhe: “Quem sois?”, ao que o Adepto respondeu: “Ego sum qui sum”, que significa “Eu sou quem sou”.

Os franco-maçons rapidamente reconheceram José Bálsamo como Mestre Superior, tendo este de imediato encetado junto deles um profundo trabalho de conscientização, no sentido das mudanças que deveriam ocorrer a partir daquele momento, a começar em França e alastrando-se a toda a Europa e resto do Mundo.

O Tulku de Cagliostro insistiu, junto aos maçons, na necessidade de seguir uma via filosófica superior, que estes deveriam introduzir nas várias áreas de actividade humana, essencialmente na política, na economia, nas artes e na cultura.

Mas a Franco-Maçonaria, herdeira longínqua da Tradição Templária, preferiu o recurso às armas, a fim de consumar o seu acto de vingança pela morte do último Grão-Mestre da Ordem do Templo, Jacques de Molay, e os seus fiéis cavaleiros, perseguidos por Filipe o Belo (de cuja dinastia descendia o então Rei de França, Luís XVI) e condenados ao “fogo da expurgação” pelo Papa Clemente V.

Foi então que a 2 de Novembro de 1786, Cagliostro, vendo frustrados os seus intentos em França, rumou em direcção a Londres, Inglaterra, convocando os maçons britânicos e franceses para uma reunião extraordinária, brindando-os com um magnífico discurso, na expectativa de sensibilizá-los para a necessidade de se aliarem a ele:

«A todos os verdadeiros Maçons, em nome de Jehovah! É chegado o Tempo em que deve começar a construção do Novo Templo de Jerusalém. Este aviso é para convidar todos os verdadeiros Maçons em Londres e em Paris para se reunirem em nome do Grande Chefe, que se apresentará mascarado como sempre, se Ele representa na Terra uma divina Trindade, amanhã à noite, 3 do corrente ano de 1786, às 21 horas, na taverna de Reilly, para se tratar de um plano de grande valor, colocando assim a pedra fundamental do verdadeiro Templo visível. (Assinado) Cagliostro

Segundo as Revelações do nosso Venerável Mestre JHS, “o Grande Chefe mascarado” era o próprio Conde de São Germano, que aparecia sempre encoberto nas reuniões e assembleias rosa+cruzes e maçónicas.

6) Iniciação de Voltaire pela Loja das Nove Irmãs, em Paris, no ano de 1778. Julgamos pertinente a referência a este acontecimento na cronologia de Bayard, pelo simples facto de que Voltaire demonstrou ser um verdadeiro maçom, procurando informar e conscientizar o povo, numa altura em que a visão maçonista da sociedade já e tão-só se reduzia ao plano prático, materialista e ateu.

Voltaire, através das suas obras literárias, muitas delas aparentemente jocosas e cínicas, na realidade contribuiu, de forma efectiva, para a propagação dos novos princípios de liberdade política e social, destacando a igualdade entre todos os homens perante a lei.

7) A cronologia de Bayard limita-se a historiografar o espaço de tempo recente de escassos três séculos em que a Maçonaria se assumiu como Sociedade Especulativa.

Mas as raízes tradicionais da Maçonaria remontam a tempos muito mais antigos, descendendo dos Templos da Índia e do Egipto nos primórdios da Raça Ariana e sofrendo posteriormente, na Idade Média, a grande influência dos Monges Construtores, estreitamente ligados aos Templários.

Por sua vez, toda esta Tradição Ariana tem as suas origens no velho País de Mu, a Atlântida, segundo nos afirma Vítor Manuel Adrião:

“Nessas épocas faustosas existiam Confrarias Iniciáticas cujos membros conheciam os segredos do Espírito e da Matéria, e, como Grãos-Construtores, a eles se devem os sumptuosos Templos e Palácios, consagrados à Beleza Universal, espalhados pelo Mundo e recuando à veneranda Antiguidade que se perde na poeira dos Tempos.

Esses homens e mulheres constituíam, como em qualquer Confraria verdadeiramente Iniciática, a facção operativa do Trabalho da Matéria, sendo detentores dos segredos da Arquitectura Sagrada herdada dos Rishis ou Reis Divinos da fadada Atlântida (…). Essa facção temporal possuía os seus símbolos, sinais de reconhecimento e palavras de passe, a fim dos seus segredos d’Arte não virem a cair na posse de algum profano despreparado. Esta é a origem da simbologia visual, gestual e verbal da Maçonaria. A finalidade esotérica aplica-se ao desenvolvimento da consciência através desse mesmos símbolos que correspondem a realidades de ordem espiritual e a estados específicos de consciência interna.

Essa facção operativa no nível imediato, Maçónica portanto, era uma das vertentes de outra facção muito mais importante: A Templária, destinada à Obra subjectiva, no Plano do Espírito, sendo a verdadeira Matriz dos Construtores Livres cujos conhecimentos eram oriundos directamente do Templo.

Assim, a Maçonaria estava para o Plano da Matéria (Prakriti) como o Templarismo para o Plano do Espírito (Purusha).”

Ainda no que aos Monges Construtores diz respeito, a sua importância é bastante relevante em todo o processo histórico e tradicional da Maçonaria. Vemo-los, na Idade Média, no seio da Igreja Católica adoptando doutrinas hieráticas, constituindo agremiações operativas que deram origem às Confrarias (Lojas) de São João Baptista, pois tinham como Patrono precisamente Aquele que baptizou o Cristo no Rio Jordão e que testemunhou a descida do Espírito Santo sobre o corpo Sacro-Santo Deste.

Era precisamente nessas Lojas Operativas que se reuniam os Monges Construtores, cujas fileiras integravam exclusivamente membros iniciados nos segredos da sua Arte Real, a arquitectónica de “fazer cantar a pedra”, tendo por alicerce matemático e geométrico o Teorema de Pitágoras (a Proporção Dourada ou Número de Ouro), correspondendo sempre ao radical sagrado dos esquissos ou plantas das antigas catedrais, edificadas segundo os mais herméticos cânones iniciáticos, tornando-se imagens justas da perfeição geométrica do Grande Arquitecto do Universo. Isto quer dizer que só desta forma o Templo poderá ser a expressão estática da dinâmica do Logos Planetário, o Homem Cósmico – ADAM-KADMON.

Portal gótico do Mosteiro de S. Francisco, no Porto. Atente-se no Pentalfa Sagrado, símbolo francamente Iniciático, esculpido no topo, prova cabal da Arquitectura Sagrada na qual os Monges Construtores eram Mestres exímios, bem como a sua estreita relação com a Ala Esotérica ou a dos Espirituais da Ordem Franciscana. 

Portal gótico do Mosteiro de S. Francisco, no Porto. Atente-se no Pentalfa Sagrado, símbolo francamente Iniciático, esculpido no topo, prova cabal da Arquitectura Sagrada na qual os Monges Construtores eram Mestres exímios, bem como a sua estreita relação com a Ala Esotérica ou a dos Espirituais da Ordem Franciscana.

 

Atentemos nas palavras da Excelsa Upasika, a Venerável Mestrina Helena Petrovna Blavatsky:

«A Maçonaria era simplesmente, em sua origem, um Gnosticismo arcaico ou um Cristianismo esotérico primitivo.»

Na Idade Média, coube à Ordem dos Cavaleiros Templários velar e conservar os Mistérios do Cristianismo Primitivo, cuja Sabedoria provinha das Ordens Essénia e Nazarena. Consequentemente, eles vieram a apadrinhar e a proteger os Monges-Construtores, cujo legado espiritual encontra-se talhado no silêncio mudo e esfíngico das grandes catedrais românicas e góticas da Europa, mormente de Portugal.

Por sua vez, essa Ala Iniciática, francamente Tributária, quer como Monge e quer como Guerreiro, da Cristandade Iluminada medieval, veio a ter como descendente directa a Ordem Rosa+Cruz, a partir do século XIV, cuja Luz Divina fez-se sentir até ao final do século XVII.

Sabe-se hoje, através do enorme espólio documental e monumental exposto um pouco por toda a Europa, com especial destaque para a França, a Alemanha, as Ilhas Britânicas, a Espanha e Portugal, que tanto a Ordem dos Cavaleiros Templários como a dos seus protegidos, os Monges Construtores (donde deriva o Companheirismo de Dever), foram beber nas fontes da Sabedoria Iniciática dos Colégios do Oriente, os quais comportavam nas suas fileiras, como Instrutores e Iniciadores, Excelsos Adeptos Independentes oriundos da Grande Fraternidade Branca.

Por outro lado, a origem da Maçonaria Operativa remonta ao ancestral Egipto faraónico, cujos Hierofantes ou Grandes Teurgos mantinham vivos os primitivos Mistérios Atlantes do Governo Oculto do Mundo dirigido por uma Tríade Sagrada, oculta na sigla cabalística MISRAIM-MENFIS-MAISIM.

Entre a Antiguidade egípcia e a Época medieval europeia, a Maçonaria Operativa comportou, única e exclusivamente, os três primeiros Graus, representativos da Maçonaria Azul ou Simbólica, cuja Filosofia foi inicialmente impulsionada por Adeptos Reais, com a pretensão dela reflectir os estágios do Caminho da Verdadeira Iniciação.

Estes três primeiros, fundamentais e inicialmente únicos Graus – Aprendiz, Companheiro e Mestre – assinalam ainda hoje, apesar de só simbolicamente, a tradição filosófica dessas Confrarias Operáticas, que na Roma dos Césares ficaram conhecidas como Colegium Fabrorum.

No dia 17 de Outubro de 2007, o Venerável Irmão Maior da Obra de EL RIKE, Dr. Vitor Manuel Adrião, servindo-se da clarividência intuitiva, que é a única real por ser de natureza espiritual e não psíquica ou material, desenvolveu um magnífico e inédito esquema intitulado Meditações sobre Maçonaria Azul (Simbólica), que passamos a apresentar:

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Após toda a exposição realizada até ao momento sobre este tema, o respeitável leitor já deve ter se apercebido da diferença notável entre Maçonaria Operativa e Maçonaria Especulativa (Operativa – Ritualística, Teúrgica e Iniciática, logo, Espiritualista; Especulativa – Humanista, Dedutiva e Racionalista, logo, Intelectualista), bem como do contraste entre este estudo e as abordagens realizadas por ilustres académicos mas sem conhecimentos aprofundados das realidades subjectivas que a simbologia e tradição maçónicas reflectem, logo, não as podendo interpretar à Luz do Espírito de Verdade, sendo que a nossa interpretação iniciática deste tema toda ela se baseia no Conhecimento Transcendental legado pelo Venerável Mestre JHS aos seus Discípulos que, em princípio como é de seu Dever, o zelam e perpetuam.

Com isso, não pretendemos menosprezar o valor dos trabalhos de investigação histórica, nem tampouco a sensibilidade que reconhecemos demonstrada por Jean-Pierre Bayard em relação àqueles que são os valores reais de a Maçonaria nunca se deveria ter divorciado, pois segundo afirma o autor, «a Franco-Maçonaria deveria ser uma Sociedade Secreta sem ambições políticas ou financeiras, uma Sociedade fechada, com reuniões reservadas e longe da influência profana. Os seus rituais deveriam ser realizados por homens almejando um mesmo objectivo superior. Para além disso, o segredo da Franco-Maçonaria seria inviolável, pois só o maçom só o conheceria à força de frequentar assiduamente a Loja, observando, raciocinando e deduzindo».

É óbvia, nessa última frase, a diferença entre a visão racionalista do académico francês e a clarividência intuitiva dum verdadeiro Iniciado, que antes diria: o Discípulo tomaria contacto com o seu Mestre Interno, à força de frequentar assiduamente o Templo, visualizando, meditando e intuindo.

Ainda assim, reconhecemos interessante a afirmação seguinte do autor citado, no seu livro dedicado à Franco-Maçonaria:

«O segredo iniciático sofre uma influência espiritual; esse conhecimento abstracto só pode traduzir-se a partir dos símbolos que animam os ritos: esse segredo, a própria essência da iniciação, conduz lentamente o neófito em direcção à sua autonomia pessoal. (…) Esta sabedoria da profundidade (…) não se pode penetrar senão através das suas próprias possibilidades de compreensão, segundo o estado de avanço de uma realização interior.»

O autor coloca ainda uma questão pertinente: «O segredo maçónico pode estar ligado à procura da Palavra Perdida?»

René Guénon responde a essa questão quando defende que as palavras substitutas são todas imperfeitas e deformadas comparativamente à Palavra Original Perdida, a qual “abria o Portal do Paraíso Terrestre” (uma espécie de “abre-te Sésamo”… para não dizer Sus), e só quem descobrir a chave do entendimento perfeito da mesma a poderá escrever e pronunciar correctamente, sabendo do seu verdadeiro significado, que mais não é que o NOME DE DEUS, o Nome do Grande Arquitecto do Universo, implícito no Segredo Maçónico.

A chave hermética a que René Guénon alude, coisa que ele nunca soube, veio a estar muito bem expressa pela CHAVE DE PUSHKARA, entregue ao Professor Henrique José de Souza pelas mãos do Adepto Albert Jefferson Moore, filho de Mr. Ralph Moore, no dia 28 de Setembro de 1933, e que é a Chave que abre os Portais Dourados da Sétima Cidade Aghartina – Pushkara – a mais próxima do Centro Divino do Planeta – Shamballah – Morada do Rei do Mundo – Melkitsedek – e Laboratório do Espírito Santo. Shamballah é o Trono do Deus da Terra, o Logos Planetário, em Sua Terceira Hipóstase, emanação directa de SURYA, o Grande Logos Solar cujo Corpo Físico é constituído pelos Sete Grandes Luzeiros deste 4.º Sistema de Evolução Universal.

Significa isso que só depois da manifestação do Avatara JHS, plenamente integrado na Realeza Divina da Consciência Avatárica manifestada neste Plano mais denso da Matéria, a do Excelso Sexto Theo, o Luzeiro AKBEL ou mesmo Deus Mercúrio cujo foco irradiante de Consciência Omnisciente está no Segundo Trono ou Logos, o Mundo Celeste, é que a chave hermética que abre as Portais d´Ouro da Sabedoria Divina e desvela o significado da Palavra Perdida, assim revelando o Segredo Maçónico, se exteriorizou.

O Venerável Mestre JHS, realizando numa só vida terrena todo o trabalho de uma Ronda, legou aos seus Discípulos os mais transcendentes Conhecimentos Iniciáticos capazes, de forma inigualável, de dar resposta aos maiores Mistérios da Vida e da Morte, através de um sistema ímpar de ensinamentos no que concerne a religiões e filosofias comparadas, absorvendo o que realmente importa delas, numa magnífica síntese entre a Sabedoria Tradicional das Idades e a Revelação da Obra Magnânime de AKBEL, toda Ela projectada a partir do presente Novo Ciclo – a Era de Aquarius – apontando o Futuro e preparando o terreno, no seio da Humanidade, para o Grande Advento Aquariano: a manifestação na Face da Terra do Budha Branco do Ocidente, Supremo Instrutor de Homens e de Anjos, o Excelso Senhor CHENRAZI AKTALAYA MAITREYA, com o seu nome actual bem português, segundo as Revelações do Novo Ciclo: EMANUEL, MANUEL, EL MANU…

O Professor Henrique José de Souza, sob o pseudónimo Laurentus (que vem de Laurenta, o Arcano 22 expressivo do Ego-Síntese), escreveu Ocultismo e Teosofia, de cujas páginas 99 e 100 se retiram as seguintes palavras esclarecedoras, elucidativas em relação ao tema que aqui nos traz:

«Convém lembrar que Maria provém de Mare, “o mar, as águas”, além de tudo, para fazer jus ao signo de Aquarius, francamente feminino. Daí, “as águas do parto”. Isto pode ser comprovado verificando-se as pias baptismais das catedrais mais famosas do mundo, nas quais se acham dois MM entrelaçados, que o vulgo julga ser apenas o nome de Maria, mas que é a antiga maneira de se firmar o signo de Aquarius. Isto porque todas essas catedrais foram construídas por verdadeiros Mestres Maçons daquela famosa Ordem de Monges Construtores, da qual surgiu a própria Rosacruz.

«No frontispício da igreja da Cruz dos Militares, à Rua 1.º de Março, no Rio de Janeiro, figura um “girassol”, símbolo francamente maçónico. Como flor solar, o helianto corresponde ao mistério do nome de Cristo.»

O nosso Venerável Mestre JHS foi o Fundador Mor do GRANDE OCIDENTE. Rectificou o Rito Maçónico e inspirou à fundação ou refundação, com as reformas necessárias adaptadas ao Novo Ciclo, de várias Lojas, de que se destaca a Loja Ypiranga, do Rito Escocês Antigo e Aceite, originalmente fundada no Rio de Janeiro em 15 de Junho de 1874.

Parece-nos oportuno, neste preciso momento, fazer uma ressalva no que toca a essa relação do Mestre JHS com a Maçonaria Escocesa: o interesse fundamental de JHS em relação a essa Sociedade incidiu somente na restauração do seu Espírito Tradicional perdido, para que a mesma pudesse voltar a actuar junto dos vários ramos de actividade humana, como suprema conscientizadora, e angariar neófitos com valia suficiente para integrar as fileiras da Sociedade Teosófica Brasileira e, quiçá, posteriormente a Ordem do Santo Graal.

Aliás, JHS deixa bem claro que a Maçonaria deve prestar vassalagem à O.S.G. e inspirar-se na Sabedoria Suprema Desta para a realização da sua Missão no Mundo, através das suas misteriosas mas muito eloquentes palavras (para bom entendedor…) insertas na sua Carta-Revelação redigida em São Paulo, no dia 13 de Agosto de 1962:

«ALEA JACTA EST. A sorte está lançada. Outrora, Delenda Cartago. Hoje, Delenda Mundi. Destrua-se o MUNDO FALIDO para sobrexistir o Mundo por nós redimido, para a APOTEOSE FINAL dos 3 Cavaleiros vindos do Oriente. Sim, Oriente e Ocidente UNIDOS, a começar num esforço ÚNICO e PODEROSO da MAÇONARIA. Dois dilemas: ou ela se une a nós, ou morre asfixiada nas suas velhas tradições inoperantes…»  

Portanto, dizer-se que o Professor HJS era maçom por tradição familiar, porque o seu avô também o havia sido, etc., é mera especulação, pois Ele encontrava-se muito acima dos mais Ilustres Grão-Mestres da Maçonaria e representava, em relação a estes como Poder Temporal, a Autoridade Espiritual, o que lhe conferia o título de Mestre Supremo, fosse em relação à Maçonaria, à Ordem Rosacruz ou a qualquer outra Confraria de cariz iniciático, pois Ele era o próprio AVATARA.

Para provar o que acabamos de afirmar, atente-se no seguinte episódio datado de 11 de Junho de 1949: uma comitiva norte-americana pertencente ao Rito de York, chefiada pelo Adepto Ralph Moore, o “Velho Escocês”, visitou o Professor Henrique José de Souza na Sede da S.T.B., sita no Rio de Janeiro, para o saudar como Chefe Secreto da Maçonaria, à imagem do “Grande Chefe Encapuçado” a que Cagliostro se referiu aquando da Assembleia extraordinária realizada em Inglaterra, que já aqui referimos.

Mais tarde, por volta de 1960, o Venerável Mestre da Loja do Rito Escocês Antigo e Aceite, Sr. Rubens Monteiro de Barros, preparou uma recepção especial a JHS no interior da mesma, para o saudar como Grão-Mestre Supremo do Grande Ocidente e Rectificador do Grande Oriente. Em resposta, o nosso Venerável Mestre proferiu um grandieloquente discurso, “prancha”, que passamos a transcrever:

“Maçons do Brasil! Maçons de toda a parte do Globo!

Quem vos dirige a palavra é hoje o Fundador da Sociedade Teosófica Brasileira – o Grande Ocidente – para vos dizer que Hiram, o “Filho da Viúva”, ressuscitou e traz consigo o mais precioso de todos os Símbolos, que é o Excelso Tetragramaton, como expressão ideoplástica do Homem Cósmico que é Jehovah.

Hiram, Ak-Nathon (Kunaton), Christian Rosenkreutz, São Germano!… Pouco importa o nome, pois que “Ele já veio e vós não O reconhecestes”!… Mas em breve Ele voltará à sua Santa Morada, para fazer jus à antiga palavra franco-maçónica VITRIOL, composta de sete letras, com as quais se forma a frase mais secreta que se conhece, verdadeira “palavra de passe”, cujo sentido real até hoje não foi decifrado, senão por aqueles que têm o direito de penetrar no mais sublime de todos os Tabernáculos: “Visita Interiora Terrae Rectificando Invenies Omnia Lapidem”!

Hoje não mais conheceis a “palavra de passe” egípcia, que era pronunciada à entrada do Templo. Substitui-a, pois, aquela outra, latina, que prova “estar justo e em perfeito equilíbrio com o Templo o obreiro ou construtor do Edifício Humano”. Sim, “Justus et Perfectus”! A mão direita e o pé do mesmo lado firmavam na Terra o compasso e o esquadro, além do mais, para significar o Quaternário Terreno. Este está representado, na Tragédia do Gólgota, nas quatro letras: J.N.R.J., que não quer dizer apenas “Jesus Nazarenus Rex Judeorum”. O Triângulo Indeformável, que figura no Templo Maçónico, está expresso nas iniciais J.H.S. O Cristo colocado entre os dois ladrões (que não tem a interpretação que se lhe dá, mas outra bem diversa), representa o Grão-Mestre ladeado pelas duas Colunas (Vivas), Jakim e Bohaz, cujas iniciais também figuravam nas duas cidades onde o mesmo Jesus nasceu e morreu: Belém e Jerusalém. São ainda as mesmas iniciais de João Baptista, que o baptizou no Rio Jordão, momento em que “desceu sobre Jesus o Fogo do Espírito Santo”, muito bem simbolizado na Ave ou Pomba. Jesus, como todos os Grandes Iniciados, foi verdadeira “Avis raris in Terris”.

Quanto ao nome João Baptista, hoje com significado mais misterioso que outrora e relacionado com o Culto de Melki-Tsedek ou Maçonaria Universal, cumpre esclarecer que se acha estreitamente ligado ao Rito Adonhiramita (Adam, Hiram, Ita, Mita ou Mitra).

Maçons, construtores de pontes, obreiros, pedreiros do Edifício Humano, pedreiros das antigas Iniciações do Egipto, cujo verdadeiro patrono foi Amenophis IV – que não sejam mais interpretadas como outrora estas verdades, além do mais, implicitamente apontadas no termo “Filhos da Viúva”, porque, nas referidas tradições egípcias, Osíris, o Pai, morre e Ísis, a Lua, ficando viúva, sai à procura dos pedaços do esposo desaparecido. Estes 14 pedaços alegorizam o Sol, a Lua, os 12 signos do Zodíaco e as 12 horas de realização.

Com o compasso e o esquadro, principais ferramentas dos pedreiros ou maçons, desde que entrelaçados e invertidos, forma-se o Hexágono, símbolo precioso do Macrocosmos e do Microcosmos. Colocados em direcções horizontais e verticais, apresentam claramente a Rosa e a Cruz, desde que, no centro, se firme a Folha da Acácia.

Maçons!… Que recebeis a minha Palavra, tal como outrora, Eu vos saúdo como se estivéssemos no Egipto:

– Menfis, Misraim e Maisim!

E com isto, aceitai, velhos irmãos e amigos, as homenagens de quem até hoje vos respeita e admira, mas que também pede homenagens, por sua vez sejam prestadas Àqueles que já se foram e sobre cujos respeitáveis túmulos não devemos permitir que seque ou desapareça a simbólica e sagrada Flor da Acácia.

Com a destra voltada para o Céu e o polegar invertido para a Terra, contrariamente a quantas saudações caóticas foram instituídas pelas decadentes ideologias deste Ciclo em franco declínio, maiores homenagens devemos prestar ao mais Digno e Excelso de todos os Construtores, o SUP. ARQ.”

Mais de 3 décadas após o desenlace físico do Venerável Mestre, ocorrido no dia 9 de Setembro de 1963, A Maçonaria reconhece o Avatara. Este acontecimento, o qual julgamos de suma importância para aquelas que seriam as aspirações reais de JHS em relação à Maçonaria, encontra-se descrito na revista Dhâranâ, n.º 231, 1996, págs. 29 e 30, com o subtítulo: Os Cavaleiros Kadosh reconhecem Henrique José de Souza como Avatara Integral e o Anunciador do Avatara da Era de Aquarius, de cujo texto transcrevemos, agora, um breve resumo em consonância com o que nos parece mais oportuno para os objectivos deste estudo:

“O dia 2 de Maio de 1995 entrou para a história da Sociedade Brasileira de Eubiose, e também para a da Obra do Eterno na Face da Terra.

Nessa data, a partir das 20 horas, na pré-abertura da III Convenção Internacional de Eubiose, que teve como tema “Maçonaria Eubiótica”, no salão de conferências do Hotel Ipanema, na cidade do Porto, Portugal, uma delegação de maçons, representando o Grande Oriente de Santa Catarina e o Supremo Concelho do 33.º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito do Rio Grande do Sul, Brasil (…), reconheceu o Professor Henrique José de Souza como Avatara Integral e preparador da Humanidade para a vinda do próximo Avatara da Era de Aquarius.

(…) Do discurso do professor Eduardo Búrigo de Carvalho, destacamos o seguinte trecho:

“Estamos aqui representando o Grande Oriente de Santa Catarina, ligado à Confederação Simbólica da Maçonaria Brasileira, através da Loja Simbólica “Ciência e Trabalho”, ao Oriente de Tubarão, Santa Catarina, jurisdicionado ao Supremo Conselho do 33.º e último Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito do Rio Grande do Sul.

Os Cavaleiros Kadosh, na fundação do Conselho, escolheram para sua denominação o nome de Henrique José de Souza, fundador de Dhâranâ e da Sociedade Teosófica Brasileira, hoje Sociedade Brasileira de Eubiose, por reconhecê-lo em sua hierarquia de Avatara Integral e preparador da Humanidade para o próximo Avatara da Era de Aquarius.

“A Maçonaria Universal, através dos seus verdadeiros maçons, sempre deu cobertura velada ao Movimento Eubiótico. No dia 11 de Junho de 1949, o presidente da Sociedade Teosófica Brasileira, Henrique José de Souza, na Sede da Entidade, no Rio de Janeiro, recebeu uma delegação americana da nossa Augusta Ordem, pertencente ao Rito de York, um dos que fazem parte da Maçonaria Universal, que O saudou como seu Chefe Secreto.”

Respeitável Loja Graal do Ocidente Respeitável Loja Graal do Ocidente

Os Cavaleiros Kadosh ou Cavaleiros da Águia Branca e Negra, representam o 30.º Grau da Maçonaria Escocesa. São os legisladores e mantenedores dos Ritos, pois que os 3 Graus posteriores constituem o Tribunal Maçónico, onde é assumida, fundamentalmente, a função de regulação das leis insertas nos protocolos da Ordem, e onde é legado o poder para activar os mecanismos que as façam cumprir. Os Kadosh, por sua vez, são os templários da Maçonaria e os únicos que estabelecem alguma relação, mesmo que só simbólica, entre a Maçonaria moderna e a antiga Ordem do Templo.

O Grau Kadosh sintetiza os anteriores e os posteriores Graus do Escocismo. Por isso tem como divisa Nec Plus Ultra, que significa “Nada mais Além”, aludindo ao Espaço Sem Limites de onde provém a Lei do Eterno, que actua junto da Hierarquia Jiva através do Manu. Derivam deste supra-conceito os “landmarks” do Código Maçónico, cujo intuito fulcral é transformar o maçom num Obreiro Justo e Perfeito do novo Edifício Humano.

A tão almejada Concórdia Universal entre os Povos, encontra-se patente na legenda da bandeira dos Cavaleiros Kadosh: Ordo ab Chao, “A Ordem saída do Caos”, lema francamente iniciático, pois o Kadosh é o “Santo Consagrado”, o Cavaleiro da Águia Branca e Negra, logo, Andrógina, e, segundo as palavras sábias de V.M.A., “Ele expressa ocultamente o Kadoshim ou o Construtor Encapuçado (Adepto Real) de Kaleb”, o mesmo Grande Chefe encoberto pela sua misteriosa capa e capuz – Lorenzo.

Portanto, lá estão Eles, os verdadeiros Kadosh (não os simbólicos), marcando a sua presença no escrínio de todas a Ordens Iniciáticas, velando pela manutenção da actividade Sacerdotal e Templária das mesmas, expressando assim aos próprios Bhante-Jauls ou Irmãos de Pureza – os preclaros Adeptos Perfeitos da Grande Loja Branca. 

No que diz respeito à sua origem, é justo afirmar que os Kadosh apareceram no início do ciclo maçónico, aquando da construção do Templo de Salomão. E como realizadores dos Supremos Ritos desde essa época, são Eles quem fazem mover o Pramantha nos 4 pontos cardeais do Planeta através da Ciência Teúrgica da Merkabah, que é a própria dinâmica da Obra do Eterno na Face da Terra.

O termo Kadosh tem a sua raiz etimológica no hebraico Zadock, precisamente o nome do 1.º Grão-Sacerdote do Templo de Salomão. Por isso, afirma V.M.A.: «Tamanha era a importância dos Zadokitas ou Sacerdotes Eleitos de toda a Israel, como Kadosh ou Santos Sacerdotes e Sábios Instrutores, que logo ocuparam o lugar primaz da mesma, e em quem todos reconheciam os méritos do Espírito Santo».

Em jeito de conclusão e em nome de todos aqueles que de forma desinteressada, corajosa, persistente e, em muitos casos, sacrificial (sacrifícios compensados com alegrias inimagináveis para o homem comum, pois só através da introspecção espiritual, a que chamamos Meditação Iniciática, se encontra algo inexplicável, sem dúvida superior ao que o vulgo idealiza como felicidade), trilham o Caminho da Verdadeira Iniciação, através da praxis francamente Teúrgica e da Sabedoria Iniciática Transcendental legada pelo Venerável Mestre JHS aos seus Discípulos, Membros consagrados da Ordem do Santo Graal, deixamos aqui uma mensagem, que definimos como de suma importância, aos maçons de todo o mundo, particularmente aos que tiverem atingido o 30.º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceite:

O Mundo Maçónico ibero-europeu, confere grande importância e elevado estatuto a este 30.º Grau do Escocismo. Por isso existe sempre o perigo do maçom que o atinja, mesmo que simbolicamente (pois este Grau implica obrigatoriamente um Ritual de Iniciação específico, prescrito na legislação maçónica, mas que sabemos ser actualmente simplesmente simbólico, por já não existir, há muito, uma Ordem Sacerdotal REAL, EFECTIVA no seio de uma Sociedade que se tornou Especulativa, logo, de costas viradas à Tradição Iniciática Primordial e sem qualquer representação viva por um pontífice capaz de estabelecer a ligação ou ponte que “liga-desliga” aos Planos mais subtis da Existência), se envaidecer com a patente conquistada, usando-a em proveito próprio, principalmente do ponto de vista político e económico, depressa esquecendo qual o verdadeiro sentido espiritual do Grau alcançado.

Desfechamos, assim, a 1.ª parte deste estudo com as palavras de um verdadeiro Kadosh, o Grão-Mestre da Ordem do Santo Graal em Portugal, Dr. Vítor Manuel Adrião:

Com efeito, sendo este o último Grau Filosófico, presume-se que, em principio, o Maçom ao alcançá-lo seja um Espírito Eleito ou Sancionado, o que tem a ver com a palavra Santo, como tal encontra-se Purificado (Kadosh), e logo, por sua mente e coração iluminados, naturalmente considerará os trabalhos maçónicos sobretudo coisa divina que, em verdade e essência, o são.  

 LADAK PRABASHA DHARMA!

LUTA PELO DEVER!

BIJAM

              

OBRAS E DOCUMENTOS CONSULTADOS

 

Monografias dos vários Graus da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Revista Dhâranâ, Ano 72, nº 231, 1996.

Livro Chuva de Estrelas – I, por Henrique José de Souza.

Livro Vitória dos Bhante-Jaul, por Henrique José de Souza.

 Ocultismo e Teosofia, por Laurentus. Central de Publicações – Cep – S.B.E., São Lourenço, MG, Brasil.

 Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria, por Vítor Manuel Adrião. Editora Dinapress, Lisboa.

 Portugal Templário, por Vítor Manuel Adrião. Editora Occidentalis, Lisboa.

 Grau do Mestre Maçom e seus Mistérios, por Jorge Adoum. Editora Pensamento, São Paulo, Brasil.

 A Franco-Maçonaria, por Jean-Pierre Bayard, Publicações Europa-América, Mem Martins, Portugal.

 

Créditos fotográficos – Autor e Arquivo da Comunidade Teúrgica Portuguesa.