Saudação proferida pelo Venerável da Loja Maçónica de São Lourenço (MG), na época: Sr. RUBENS MONTEIRO DE BARROS

INTRODUÇÃO

A VERDADE – embora que sendo UNA – apresenta-se sob os mais variados aspectos, pois tem que atender aos mais diversos estados de consciência, a conjunturas históricas as mais contraditórias e a Ciclos evolucionais (conforme está repartida a Vida Universal) os mais díspares… Assim sendo, algum dia, que esperamos não estar muito longe, poetas, cientistas, religiosos e pensadores, falando uma linguagem diferente, se entenderão. A Verdade Eterna está oculta sob os mais variados simbolismos, estando contudo ao alcance de todos os homens Justos e Perfeitos… porquanto, para se apossar de tão fabuloso tesouro, não basta ao homem apenas desejá-lo, seja por mera curiosidade, seja por puro diletantismo intelectual. Mister se faz merecê-lo!

Numa demonstração dessa universalidade que deve caracterizar os cultores da Verdade Única, transcrevemos aqui as palavras do Sr. RUBENS MONTEIRO DE BARROS, pronunciadas quando exercia o alto cargo de Venerável da Loja Maçónica de São Lourenço, o que fazemos imbuídos do mais sincero espírito de Tolerância e Amor universal, certos de que, oriundos todos de uma única Fonte Primordial, a Ela algum dia retornaremos, após dolorosa peregrinação pela Mundo das Formas, o qual nos induz, enganadoramente, a pensar que somos algo diferentes do nosso próximo. Somente a Iniciação Real, entretanto, é que pode conduzir os humanos Seres a superarem a sua própria Personalidade, matando em si mesmos o atroz isolamento em que estamos todos enclausurados, impedindo que o SOL INTERIOR, que vibra no imo de cada criatura, se confunda com os dos demais, para, em uníssono, formarem o SOL ÚNICO, que resplandecerá em todo o Orbe Terrestre, no final do Ciclo… Para a consecução deste ideal é que lutam e sempre lutaram aqueles que logram transformar-se em homens Justos e Perfeitos!

(a) Roberto Luciola

SAUDAÇÃO

Venerável Mestre,

Luzes do Oriente!… Luzes que brilhais nas Colunas Norte e Sul, como dois faróis norteadores dos Homens de boa vontade a se tornarem sábios, justos e perfeitos, senão, em equilíbrio com o Templo… Luzes que, desde o Império de Ram, viestes protegendo, com vossos três mantos, aqueles que se fizeram grandes diante dos olhos do Eterno…

Luzes que, tendo se projectado nos imensos areais do Egipto, iluminastes a primorosa rota através da qual o mais excelso dos Grão-Mestres – AK-NATHON – conduziu seu povo ao pedestal do Deus Athon… Luzes que inspiraram HIRAM-HABIFF a construir o majestoso Templo de Salomão, em Jerusalém, cuja tradição até hoje continua como se fosse um  Livro Sagrado, apontando aos homens o Caminho da Verdade…

Luzes que amparastes aos preciosos Mestres de Obras e pedreiros de outrora na construção da imensa Ponte ou Elo entre o Egipto e a Grécia, entre esta e o resto da Europa e – quem sabe?… – entre a Europa e a América. E tudo isso através do Rito Egípcio… Luzes que quase vos apagastes na Idade Média, naquele obscurantismo medieval, mas que Cagliostro e honrados Maçons da sua época, ou da Franco-Maçonaria, fizeram rebrilhar com todo o fulgor aos olhos daqueles que desejavam ser sábios, justos e perfeitos…

Luzes que possuístes o poder coordenador de reunir todos os obreiros livres para constituírem sublimes Templos arquitectónicos, mas, também, majestosos Templos humanos, a fim de cultuarem a Sabedoria Eterna e cultivarem as Artes, as Ciências, a Filosofia, a Tradição do Passado e os Conhecimentos do Futuro… Luzes que, em vozes conselheiras vos transformastes, fazendo com que Monarcas, Imperadores, Reis, Regentes, Chefes de Nações – grandes e pequenas – e Estadistas conduzissem os povos ao auge da Glória e da Perfeição…

Luzes que, através de um gigantesco trabalho discreto, fizestes com que Oriente e Ocidente dessem as mãos, diante dos olhos do Supremo Arquitecto… Luzes que destes a Bolívar a genialidade capaz de fazer da América a Pátria unida dos Americanos. Luzes que fizestes com que houvesse a Independência do Brasil sem lutas, graças às ideias esclarecidas dos Irmãos da época; a Proclamação da República, sem derramamento de sangue daqueles cujo destino os faz nascer sob o signo da Liberdade e do Pensamento, e dispostos a fazer ressurgir uma nova vida em nosso Hemisfério…

Luzes que, finalmente, nos permitiram estar aqui reunidos, numa Ceia Fraterna e amiga, neste banquete que está alimentando, sem dúvida, os nossos espíritos, que, neste momento, despertam de seu sono para virem acordar em nossas mentes e em nossos Corações… Luzes que estais, nesta fase da Humanidade, despertando os Maçons para construírem novos edifícios humanos, mas sob as linhas de uma nova Arquitectura ou novo estado de Consciência!…

À vista de nosso destino, talvez orientado pelo Supremo Arquitecto, ter-nos permitido estar aqui reunidos, nesta cadeia de Maçons de escol, pedimos não tomeis este trabalho no grau de conferência, discurso ou aula, senão, no de “uma conversa em família”, porque conversando em família melhor se poderão entender os privilegiados obreiros livres do Sul de Minas.

Loja Maçónica de São Lourenço, Minas Gerais, Brasil

A nossa presença, através da palavra, simboliza e é um elo de fraternidade entre os Maçons e a nossa Instituição Cultural e Espiritualista. Uma confraternização entre Aqueles que gostam de construir!… O nosso intuito é o de sermos transmissores do respeito e da admiração que o Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA, Grão-Mestre da ORDEM DO SANTO GRAAL e fundador da SOCIEDADE TEOSÓFICA BRASILEIRA, tributa a todos aqueles que se acham sob a égide do Pelicano Sagrado.

Irmãos da outra Coluna!

Permiti-nos falar um pouco da ORDEM a que pertencemos, a fim de justificar o nosso trabalho no Brasil e, ao mesmo tempo, apresentar as nossas credenciais àqueles que nos merecem confiança. Como surgiu a Ordem do Santo Graal no cenário humano, no presente Ciclo, embora haja instituições com título semelhante?

Ela foi fundada no dia 28 de Dezembro de 1951, pelo nosso GRÃO-MESTRE J.H.S., mas, em verdade, as suas raízes vêm de longe, e de bem longe… para melhor clareza, somos forçados a fazer um estudo retrospectivo, mas sintético, do nosso Movimento, reportando-nos à sua Fundação Espiritual e Material.

Todos os Movimentos de natureza Solar obedecem à Divina Lei que se manifesta sob determinadas leis, chamadas de naturais… Na Natureza, verificamos que os rios nascem nas montanhas e as águas, aproveitando-se do declive do terreno, dirigem-se às planícies, formando grandes caudais, e estes caudais, serpenteando através de longas distâncias, vão mergulhar no seio do oceano. Destarte, a 28 de Setembro de 1921, em São Lourenço, o Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA, com a sua companheira de Missão, houve por bem fundar este Movimento de natureza Solar, portanto, no Morro da Esperança, fronteiro à cidade de São Lourenço. Aí, de joelhos, e diante de um círio aceso, ergueu a sua VOZ sobre a Pedra Cúbica daquele Monte, e com a sua VOZ prestou ao Supremo Arquitecto do Universo o JURAMENTO de realizar a OBRA da qual é o Chefe Supremo!

Desde então, tal como acontece com os rios, tomou a direcção da Capital Fluminense, onde a Obra foi fundada materialmente. De Niterói passou ao Rio, onde começou o ingente trabalho de aumentar o seu humano caudal, passando por várias vicissitudes, até que chegou, para nós, o grande dia de surgir como Ordem do Santo Graal. E como Ordem do Santo Graal tem por incumbência a Iniciação de adultos seleccionados. Sentimo-nos, portanto, perfeitamente à-vontade para usar a simbologia universal que encobre, aos olhos do viajante ignato, a preciosa Verdade que ela encerra.

Se pensarmos e permanecermos silenciosos, por ventura alguém saberá o que estamos pensando? Não! Como se revelam as ideias e os pensamentos, gerados no cérebro humano? Através dos símbolos, porque a própria palavra é um símbolo. A reunião de símbolos forma uma linguagem. As criaturas humanas não pensam uniformemente, por isso dizem as tradições ocultas que há, na grande massa humana, vários estados de consciência. Por conseguinte, há vários modos pelos quais se expressa a VERDADE ÚNICA. O Sol, reflectindo-se na superfície das águas tranquilas de um lago, apresenta uma imagem única, ao passo que se as águas estiverem revoltas as imagens se multiplicam indefinidamente. Apresentando-se a Ideia de vários modos e através de vários sistemas de conhecimento, naturalmente, há várias linguagens. Dentre elas, vamos escolher a simbólica, por estar mais de acordo com os nossos ideais. Verifiquemos o que há de comum entre o nosso ponto de vista e o dos Veneráveis Irmãos.

Sabemos que tudo parte da unidade para a multiplicidade. Chama-se Unidade quando a Vida Energia se mantém em estado essencial, e Multiplicidade quando essa mesma Energia se põe em movimento. Entre nós, há um símbolo que sintetiza todo o sistema da manifestação da Vida através dos Planos do Universo. Referimo-nos ao Triângulo com o Olho no centro. O Olho representa a Suprema Unidade ou o Ponto Germinal dos Universos, donde tudo e todos procedem. Para que Ele se possa manifestar, polariza-se em Positivo e Negativo – Luz e Força, Ideia e Forma. O Pólo Positivo representa a Subjectividade Absoluta, e o Pólo Negativo o Concretismo Absoluto. A Unidade representada pelo Olho polariza-se para realizar o fenómeno da Manifestação. Esta Lei está claramente expressa no quarto dos Princípios de Hermes, o Trimegisto: «Tudo é duplo. Tudo tem dois pólos. Tudo tem o seu par de opostos. O semelhante e o dissemelhante são uma só coisa. Os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados»!…

Posto isto, verificamos que esta expressão unitária a que denominamos de Eterno, Supremo Arquitecto, Deus, Brahma, etc., para se manifestar dividiu-se em dois Pólos ou em duas Colunas, ou ainda, em duas Faces – a do RIGOR e a da MISERICÓRDIA. A Face da Misericórdia, poderemos representar pela Pedra Filosofal, e a Face do Rigor, pela Pedra Cúbica. Esta, em toda a simbologia universal, traduz o Mundo material, o Mundo objectivado, ao passo que a Pedra Filosofal representa o Mundo das ideias, o Planejamento. Baseados no quarto preceito de Hermes, vemos que tudo é duplo, logo, vemos que o Supremo Arquitecto começou a construir o seu Universo agindo com as suas duas Faces, logo, passou a agir através das duas Colunas: a do Conhecimento e a da Actividade. Começou, pois, a objectivar o subjectivo, a dar forma às suas ideias. Com o poder da Pedra Cúbica criou a Natureza, e com o poder da Pedra Filosofal criou o Ser Humano. Daí podermos tirar o sentido de dois preciosos símbolos bastante conhecidos de todos nós – o Templo e o Triângulo com o Olho no centro. O Templo representa a Pedra Cúbica burilada através dos Tempos, a Natureza, os Globos, enquanto que o Triângulo representa a Inteligência humana, a Inspiração guardada nesse mesmo Templo. Esta ideia insirou Hiram-Abiff, em Jerusalém, a construir o seu Templo com as duas Colunas – JAKIM e BOHAZ. Estas duas Colunas, como todos sabem, representam os dois referidos Pólos. Analogicamente, poderíamos dizer que a cabeça expressa, no Homem, o Supremo Arquitecto, e os braços as duas referidas Colunas, muito bem simbolizadas em vosso Rito, no Primeiro e Segundo Vigilantes.

Há um trecho de certo Livro Sagrado que diz: «Do Uno-Trino surgiram os Sete Autogerados». Isto quer dizer que do Supremo Arquitecto e das suas duas Colunas, surgiram os Sete Planos Universais, as Sete Hierarquias Criadoras, as Sete cadeias, etc. No Plano Humano, surgiram os Sete Estados de Consciência ou os Sete Dons Humanos, ou ainda, as Sete Ciências. Esses Sete Autogerados, os Cabalistas os denominam de ELOHIM, Sete Luzeiros, e são, enfim, as Sete Luzes saídas da Chama Única, impulsionadas pelo misterioso Hálito do Supremo Arquitecto, que caminha de Globo em Globo, de Universo em Universo, aprimorando a sua Criação.

Dentro da Evolução actual, vemos surgir, desses Sete Luzeiros, o precioso símbolo do Pentalfa ou Pentagrama, isto é, a Estrela de Cinco Pontas. Tanto vale dizer que, das Sete Luzes, cinco estão acesas e duas apagadas. Dos sete sentidos, cinco estão acesos, isto é, em acção, existindo dois embrionariamente. O trabalho da Iniciação tem por fim despertar os sentidos que nos faltam. Para isto, há necessidade de duas espécies de ensinamentos: o Estudo, como parte interpretativa dos símbolos ou da Tradição, e o Rito, como fixador do conhecimento transcendental. O Rito tem por fim agir como elemento condensador de energias superiores, e o acto de decifrar o conhecimento, encerrado nos símbolos, permite ao estudante ampliar as suas faculdades, também superiores. O idealista precisa movimentar, ou pôr em prática, os ensinamentos que recebe, a fim de que eles se objectivem. Possuir uma série de conhecimentos superiores sem ter oportunidade de aplicá-los provoca um distúrbio psíquico naquele que os armazena. Mais uma vez, vemos o quanto de sabedoria encerra o símbolo que analisamos. O idealista é como se fosse a expressão do Supremo Arquitecto e, como tal, ele precisa transmitir aquilo que apreendeu através dos métodos de ensino empregados (COLUNA J), e apresentar esses mesmos conhecimentos realizando-os através do carácter, do bom senso, em perfeita harmonia com o Templo (COLUNA B).

Se adquirimos muito conhecimento e o guardamos, estamos interrompendo a circulação da Vida ou da Cadeia de Conhecimento. Essa é a origem do axioma hermético: «A posse do conhecimento sem ser acompanhada de uma manifestação ou expressão em acção, é como o amontoamento de metais preciosos, uma coisa vã e tola. O conhecimento é como a riqueza, destina-se ao uso. A Lei do Uso é universal e aquele que viola esta Lei sofre, por causa do seu conflito com as forças naturais»…

Posto isto, o nosso Grão-Mestre, a fim de não causar perturbações psíquicas em seus Irmãos, aconselha a que estudem as tradições e filosofias comparadas e que, depois, procurem transmiti-las a outros Irmãos, pouco importa que não pertençam à mesma Coluna. Eis porque estamos realizando este trabalho, a fim de que a POMBA DO ESPÍRITO SANTO, símbolo da Ordem do Santo Graal, e o PELICANO SAGRADO, símbolo desta admirável Instituição, possam beber na mesma TAÇA as ÁGUAS PROMISSORAS DE UM NOVO CICLO, que estão em perfeito equilíbrio com a exaustiva marcha do Supremo Arquitecto através dos Sistemas em Evolução!

(a) Rubens Monteiro de Barros

MENSAGEM AOS MAÇONS

Para encerrar a nossa conversa em família, permiti-nos ler a Mensagem do nosso GRÃO-MESTRE J.H.S., dirigida aos Maçons:

– Maçons do Brasil! Maçons de toda a parte do Globo!

Quem vos dirige a palavra é hoje o fundador da SOCIEDADE TEOSÓFICA BRASILEIRA – O GRANDE OCIDENTE – para vos dizer que HIRAM, o “FILHO DA VIÚVA”, ressuscitou e traz consigo o mais precioso de todos os símbolos, que é o excelso TETRAGRAMATON, como expressão ideoplástica do Homem Cósmico que é JEHOVAH.

Hiram, Ak-Nathon (Kunaton), Christian Rosenkreutz, São Germano… Pouco importa o nome, pois que “ELE JÁ VEIO E VÓS NÃO O RECONHECESTES”!… Mas em breve, Ele voltará à sua Santa Morada, para fazer jus à antiga palavra franco-maçónica – V.I.T.R.I.O.L. – composta de sete letras, com as quais formava-se a frase mais secreta que se conhece, verdadeira “palavra de passe”, cujo sentido real até hoje não foi decifrado senão por Aqueles que têm o direito de penetrar no mais sublime de todos os Tabernáculos: “VISITA INTERIORA TERRAE RECTIFICANDO INVENIES OMNIA LAPIDEM”!

Hoje, não mais conheceis a “palavra de passe” egípcia, que era pronunciada à entrada do Templo. Substitui-a, pois, aquela outra latina, que prova “estar justo e em perfeito equilíbrio com o Templo o obreiro ou construtor do Edifício Humano”. Sim, “JUSTUS ET PERFECTUS”! A mão direita e o pé do mesmo lado firmavam na Terra o compasso e o esquadro, além do mais, para significar o Quaternário Terreno. Este está representado, na Tragédia do Gólgota, nas quatro letras J.N.R.J., que não querem dizer apenas “Jesus Nazarenus Rex Judeorum”. O Triângulo Indeformável, que figura no Templo Maçónico, está expresso nas iniciais J.H.S. O Cristo colocado entre os dois ladrões (que não tem a interpretação que se lhe dá, mas outra bem diversa), representa o Grão-Mestre colocado entre as duas Colunas (Vivas) JAKIM e BOHAZ, cujas iniciais também figuravam nas duas cidades onde o mesmo Jesus nasceu e morreu: BELÉM e JERUSALÉM. São ainda as mesmas iniciais de João Baptista, que o baptizou no Rio Jordão, momento em que “desceu sobre Jesus o Fogo do Espírito Santo”, muito bem simbolizado na Ave ou Pomba. Jesus, como todos os Grandes Iniciados, foi verdadeira “AVIS RARIS IN TERRIS”.

Quanto ao termo “João Baptista”, hoje com significado mais misterioso que outrora, e relacionado com o CULTO DE MELKITSEDEK ou MAÇONARIA UNIVERSAL, cumpre esclarecer que se acha estreitamente ligado ao Rito ADONHIRAMITA (Adam, Hiram, Ita, Mita ou Mitra).

Maçons, construtores de pontes, obreiros, pedreiros do Edifício Humano, pedreiros das antigas iniciações do Egipto, cujo verdadeiro patrono foi Amenophis IV – KUNATON –, que não mais sejam interpretadas como outrora estas verdades, além do mais, estando implicitamente apontadas no termo “Filhos da Viúva”, porque, nas referidas tradições egípcias, Osíris, o Pai, morre e Ísis, a Mãe, ficando viúva, sai à procura dos pedaços do esposo desaparecido. Estes 14 Pedaços alegorizam os Sol, a Lua, os 12 Signos do Zodíaco e as 12 Horas de Realização.

Com o compasso e o esquadro, principais ferramentas dos Pedreiros ou Maçons, desde que entrelaçados e invertidos, forma-se o HEXÁGONO, símbolo precioso do Macrocosmo e do Microcosmo. Colocados em direcção horizontal e vertical apresentam, claramente, a Rosa e a Cruz, desde que, no centro, se firme a Folha de Acácia.

Maçons!… Que recebeis a minha Palavra. Tal como outrora, Eu vos saúdo, como se estivéssemos no Egipto! MENFIS, MISRAIM e MAISIM!

E com isto, aceitai, velhos irmãos e amigos, as homenagens de quem até hoje vos respeita e admira, mas que também pede que homenagens, por sua vez, sejam prestadas Àqueles que já se foram, e sobre cujos respeitáveis túmulos não devemos permitir que seque o desapareça a sagrada Flor da Acácia.

Com a destra voltada para o Céu, e o polegar invertido para a Terra, contrariamente a quantas saudações caóticas foram instituídas pelas decadentes ideologias deste ciclo em franco declínio, maiores homenagens devemos prestar ao mais Digno e Excelso de todos os Construtores, o SUP. .. ARQ.. .

(a) Henrique José de Souza

NOTAS FINAIS A GUISA DE REVELAÇÕES

É comum ouvir-se hoje em dia em determinados meios esotéricos a prerrogativa: “Só é iniciado quem for maçom”! Nada mais errado. Mas isso mesmo foi-me apontado há uns anos em Portugal, e depois me repetido em certos sectores maçónicos brasileiros acerca do Professor Henrique José de Souza (São Salvador da Bahia, 15.09.1883 – São Paulo, 09.09.1963) ter “sido Iniciado porque fora Maçom”. Fui obrigado a esclarecer que a passagem do Professor HJS pela Maçonaria fora a mais acidental possível, ainda jovem e pela mão do seu pai, Honorato José de Souza, e do seu avô, Jacinto José de Souza, ainda na primeira década do século XX (1906 ou 1907), sendo levado à Suprema Potência Maçónica do Brasil, o Grande Oriente do Brasil então sediado no Rio de Janeiro. Esse episódio esporádico desfechou pouco tempo depois com o seu desquite da Maçonaria (possivelmente em 1907, ano do falecimento do progenitor – 10.08.1907), pelo menos da sua parte visível ou social, e se depois manteve algum vínculo a essa Instituição terá sido exclusivamente como membro honorário (principalmente a partir de 1914, ano em que se mudou com a família para o Rio de Janeiro). Depois disso, já nas décadas de 40 e  50 do século XX, tentou inculcar profundas reformas espirituais – “Reformas Assúricas” – no seio da Maçonaria (inclusive enviando discípulos seus para ela com essa missão, depressa esquecida pela maioria deles que ficaram pela mesma mas com isso tendo ganhado forte animosidade contra JHS, como me confessou, com esgar de desagrado profundo, Roberto Lucíola), facto que lhe granjeou as homenagens da própria Grande Loja Branca em 11 de Julho de 1949, quando uma comitiva de Membros da Maçonaria Escocesa ligados ao Rito de York, liderados pelo Adepto Independente Mr. Ralph Moore, visitou JHS na sede da entidade Sociedade Teosófica Brasileira, na cidade do Rio de Janeiro, saudando-o e reconhecendo-o como o seu “Mestre Secreto Universal”, revelando ainda que o “santo-e-senha” dos confrades do Rito fora durante muito tempo Henrich, Henrique ou El Rike, o que é deveras significativo.

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Condecoração maçónica do Professor Henrique José de Souza

Henrique José de Souza nascera Iniciado mercê dos seus próprios esforços desenvolvidos em vidas anteriores. O único trabalho inicial que teve foi o de reassumir essa condição interior primordial que já portava consigo, ou seja, o de reintegrar-se na sua Consciência Espiritual, Divina, e para isso contou com o apoio imprescindível de elementos externos, de Mestres Espirituais ou Reais porque já plenamente reintegrados em si mesmos, o que se deu definitivamente em 28 de Abril de 1928, no Santuário de Dhâranâ – Sociedade Mental-Espiritualista, na Rua Otávio Carneiro, n.º 9, Niterói. Foi o dia da tomada da Conciência Integral, motivo de ter ficado como “Dia da Imortalidade ou da Vinda Definitiva do Mestre”, quando HJS torna-se de vez JHS de pleno direito espiritual, portanto, iniciático e mesmo Avatárico por realizar a Metástase Superior com o seu Ser Divino, o próprio Akbel. Não há menor nem maior no Caminho da Verdadeira Iniciação, tão-só os mais adiantados e os menos adiantados, todos rumando à Integração na sua Divindade e por esta na Divindade Absoluta. O mais, é nada!

Duas notas finais sobre a acção oculta da MAÇONARIA UNIVERSAL. A primeira, é que todos os Movimentos Iniciáticos provindos do Passado até hoje são, no fundo, UM ÚNICO e com DUPLA FUNÇÃO. Explico:

1.º – São “um único” por na realidade tratar-se do mesmo Espírito Colectivo de Makaras e Assuras reunidos pela mesma Egrégora que toma nomes e formas diversas de acordo com os ciclos históricos em que se manifesta (Maçonaria Escocesa, Rosacruz Andrógina, Ordem Órfica, Essénios e Nazarenos, etc.).

2.º – A “dupla função” DESTRUENS ET CONSTRUENS ou KARMA (LUA) e DHARMA (SOL), o primeiro aspecto é o da destruição das formas podres e gastas do Passado – acção Guerreira ou Tributária de ARABEL (RIGOR) – e a acção imediata do segundo aspecto: a da construção dos modelos de novas e mais amplas expressões evolucionais no Presente construindo assim o Futuro – acção Sacerdotal ou Templária de AKBEL (AMOR). O aspecto CONSTRUENS apresenta-se sempre através dum Avatara Divino cerceado por um Movimento Espiritual que constitui o seu reforço físico e até a sua expressão física imediata. O aspecto DESTRUENS manifesta-se desde que há Kali-Yuga ou Idade Sombria através dum Avatara Demoníaco apoiado por alguma Rama da Grande Loja Negra e que irá ser sempre a oposição do aspecto CONSTRUENS, mas que com o fel do mal aniquila o próprio Mal, isto é, agindo com RIGOR. Por isso se diz que muitas vezes AKBEL se disfarçou de “Príncipe do Mal” junto das hordas demoníacas para levar à perda destas, que o confundiam o seu verdadeiro Senhor, o Avatara Sinistro, também ele derrotado por essa estratégia da Divindade «travestida de Mal», no dizer do Venerável Mestre JHS.

As Forças da Involução agem desde o Akasha Médio no Akasha Inferior, e as da Evolução também, mas como Forças Vivas do Akasha Superior. Logo, é no Akasha Médio que se dá o embate estratégico entre a Evolução e a Involução, entre Fohat e Kundalini, e nos momentos que as Forças da Involução estão agindo exclusivamente no Akasha Inferior acontece por vezes que as Superiores do Akasha Médio se «travestem» com a máscara do Mal e assim descem ao junto daquelas indo dissipá-las no seu próprio meio. Trata-se da acção do RIGOR como Lei Justa e Perfeita, cuja mecânica e meios de acção na maioria das vezes escapa ao entendimento e à moral do homem comum.

A Revolução Francesa foi um desses exemplos: os 432.000 judeus que apoiaram a queda do Cristo e a Sua morte, vieram a pagar bem caro o karma terrível que contraíram então passando sob a lâmina afiada da guilhotina francesa, alguns sofrendo ainda mais que os outros, e esses alguns eram Assuras humanos no tempo de Cristo que sabiam da sua Missão e mesmo assim revoltaram-se contra Ele. Esse é o Karma Judaico em boa parte decepado durante o Terror francês, e a parte restante foi perdoada por JHS já nos anos 50 do século XX.

A segunda e última nota tem a ver com Mr. RALPH MOORE, um Adepto enigmático de quem pouco se fala e se sabe ainda menos. Juntamente com outro Adepto britânico têm uma relação íntima com o Trabalho dos Adeptos europeus para este continente e a América do Sul, particularmente o Brasil, aí onde esteve algumas vezes, no Rio de Janeiro e inclusive se deslocado a Santos, no litoral paulista. Chegou a entrevistar-se com várias personalidades pertencentes ao Colégio Português nessa cidade e marcou a presença maçónica aí, isto cerca dos finais dos anos 30 inícios de 40 do século passado. Na Praia do Embaré, onde está a escultura recente (6.3.1992) do esquadro e o compasso, defronte à baía, diz-se que foi onde atracou o navio britânico que trouxe esse insigne Superior Incógnito. Também o Professor Henrique José de Souza falou bastante de Monte Serrat, na mesma Santos, onde esteve várias ocasiões. Resta só somar dois personagens mais um, a própria cidade… com as suas casas inclinadas, ou perpendiculares ao Novo Mundo que ora se constrói, se alinha com o Sol Espiritual vibrando no seio da Serra da Mantiqueira, o que vai bem com o cabalístico METRATON – “Medida Perpendicular da Terra ao Sol”, ao Céu de Shamballah, cujo zimbório é a mesma Mantiqueira, “Manteigueira” ou Mantika onde se desenvolve o embrião da futura Raça Dourada, tão dourada (epiderme) como a mesma “manteiga” das Lavras do Sul de Minas.

Monumento Maçónico na Praia do Embaré, Santos, São Paulo, Brasil

RALPH MOORE, o “Velho Escocês” de que fala H. P. Blavatsky, além de Manu da Escócia é o Mestre Secreto dirigente da Maçonaria Escocesa e durante muitos anos esteve vinculado ao Rito de York, mantendo uma Loja de Adeptos na cidade de Washington – D. C., portanto, ligado aos Goros da Catedral daí e sobretudo ao Posto Representativo de EL MORO (Marus, Moryas…). Com efeito, este Adepto é o 4.º ASPECTO da 5.ª LINHA MORYA ou CABAYU, levando o nome esotérico ARA-AMANAÇU-CABAYU. Teve um casal de filhos: Ellen Moore (casada com o “6.º São Germano”, ou seja, SADHU OKAL, o antigo Jâmblico, etc.) e Albert Jefferson Moore (tio do Duque de Windsor, em quem vibrou ou inspirou inúmeras vezes), este que foi quem trouxe a Chave de PUSHKARA ao Venerável Mestre JHS em 28 de Setembro de 1933. Por sua vez, Albert Jefferson Moore teve uma filha, Heloísa (que chegou a ser professora no Colégio Beneth no Rio de Janeiro, nos meados dos anos 30 do século passado), a qual seria a mãe de Cafarnaum, o Chefe dos Yokanans de 1.ª categoria. Tudo isso feito do consórcio amoroso e espiritual entre os Adeptos e Adeptas da 5.ª Linha MORYA e da 3.ª Linha GERMANA ou RAKOWSKY.

Se Albert Jefferson Moore (Jorge V) é a representação de Ralph Moore (Jorge VI), tem-se Jorge VII no próprio Cafarnaum e todos formando “cadeia de união” ou “círculo de resistência” em volta de seu Pai comum – EL RIKE (Jorge VIII), expressando o próprio Eterno.

É ainda Mr. Ralph Moore quem disponibiliza o navio britânico que em 1899 trouxe de São Salvador da Bahia Henrique José de Souza para Lisboa, e depois de Lisboa a caminho do Norte da Índia, de SRINAGAR, Sede da ORDEM MAÇÓNICA DOS TRAIXUS-MARUTAS, dirigida pelo Traixu-Lama então representado nessa cidade indiana pelo Maharaja de Cachemira, nome este que vai bem com AKASHA-MIRA, sim, o “Olhar do Éter Universal”, o “Espelho do Akasha” pelo qual Mãe Divina ALLAH-MIRAH mira a Terra.

Enquanto o 1.º Aspecto da Linha MORYA (MORIA RAJPUT) vibrava desde Agharta sobre os restantes 6 Aspectos da mesma Linha, estes realizavam o Programa da Evolução em toda a Europa a partir de Portugal, do 5.º Posto de SINTRA, dirigindo os Sedotes de Badagas que são Tulkus dos Todes do Duat, tais como os Todes são Tulkus dos Munis de Agharta. Esses 6 Aspectos Moryas e seus respectivos Sub-Aspectos é que formam a Maçonaria dos Traixus-Marutas no território europeu tendo-a estendido ao continente norte e sul americano.

Chega de revelações. Com tudo o dito, fica o respeitável leitor com  bastante para se “entreter” espiritualmente em cogitações interiores a favor da sua realização verdadeira.

 (a) Vitor Manuel Adrião

Fonte de consulta: Revista “Aquarius”, N.º 12, Ano 3, 1977, Rio de Janeiro

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