Sintra, 1980

Disse anteriormente, no estudo dedicado à Cosmogénese, que a Evolução Planetária estagia actualmente na 4.ª Cadeia Terrestre em sua 4.ª Ronda na qual a Mónada Humana transcorre na 5.ª Raça-Mãe em sua 5.ª Sub-Raça.

Pois bem, quando a Mónada, Centelha ou Essência Divina penetrou o Reino Humano ao início desta Cadeia Planetária, ela já trazia consigo os princípios Mental, Emocional, Vital e Físico necessários para manifestar-se no Mundo Terreno, mas em semente, potente e não patente. Assim, na 1.ª Ronda de Saturno da Cadeia Terrestre os Assuras (Arqueus) activaram o átomo-semente mental do Jiva (Homem); na 2.ª Ronda Solar, os Agnisvattas (Arcanjos) activaram-lhe o átomo-semente emocional; na 3.ª Ronda Lunar, os Barishads (Anjos) operaram sobre o átomo-semente ou permanente vital. A partir desse átomo-semente vital ou etérico, foram originados os restantes elementos químicos da chamada “Tabela Periódica” os quais, por intervenção dessas três Hierarquias Criadoras juntas, deram origem ao corpo físico do Homem na 4.ª Ronda actual.

As Rondas recapitulam uma “oitava abaixo” o que foi feito uma “oitava acima”, ou seja, durante as Cadeias. É assim que na Cadeia de Saturno o Homem recebe o átomo-semente mental o qual será activado na Ronda de Saturno da Terra. O mesmo processo antropogenético acontece em relação à essência emocional, da 2.ª Cadeia Solar à 2.ª Ronda Terrestre, e com o princípio vital na 3.ª Cadeia Lunar «repetida» na 3.ª Ronda da Terra.

De maneira que quando começou a primeira das 7 Raças-Mães da actual 4.ª Ronda da Terra, o Homem já possuía os gérmens de todos os princípios necessários à sua manifestação visível e tangível. Assim, restava-lhe só manifestá-los gradualmente, o que foi constituir o “tónus” vital ou característica básica da consciência desenvolvida em cada Raça-Raiz, pelo que se tem na continuação da findada 3.ª Ronda Lunar da Terra, cuja densidade não passava do Plano Etérico:

1.ª Raça-Mãe Polar ou Adâmica. Tendo aparecido na área geográfica que é hoje o Pólo Norte, recapitulou a 1.ª Cadeia e a 1.ª Ronda. Desenvolveu os dois éteres superiores do Corpo Vital. Intervieram os Barishads ou “Filhos da Vida” junto ao Jiva.

2.ª Raça-Mãe Hiperbórea ou Hiperboreana. Aparecendo na zona em que se inscreve actualmente o Pólo Sul, recapitulou a 2.ª Cadeia e a 2.ª Ronda. Desenvolveu os 2 éteres inferiores do Corpo Vital. Intervieram os Barishads ou Anjos junto ao Jiva ou “Vida-Energia” encadeada, portadora do princípio de Consciência.

3.ª Raça-Mãe Lemuriana. Fazendo a sua aparição no que é hoje a África, recapitulou a 3.ª Cadeia e a 3.ª Ronda e tomou a forma grosseira do Corpo Físico. Intervieram os Agnisvattas, Arcanjos ou “Senhores da Chama” junto ao Homem. Este é o período da aparição real do Homem físico, tal como o concebe a Antropogénese e a Antropologia.

4.ª Raça-Mãe Atlante. Raça Equilibrante ou que estava entre as três passadas e as três futuras, portanto, sob a égide astrológica da Balança, surgiu na Ásia e foi nela que se iniciou verdadeiramente o trabalho antropogenético da 4.ª Ronda Terrestre indo desenvolver o princípio Emocional ligado ao Mental Inferior (Psicomental ou Kama-Manas), intervindo nesse processo do desenrolar da consciência imediata a Hierarquia Criadora dos Assuras, Arqueus ou “Senhores do Mental”.

5.ª Raça-Mãe Ária ou Ariana. Fez a sua aparição no Norte da Índia, transferiu-se para a Ásia Menor, teve o seu desenvolvimento na Europa e vem tendo a sua apoteose final no Finis Occidens, isto é, em Portugal. É nesta Raça que estamos actualmente a caminho acelerado do seu desfecho. A meta geral do Homem é desenvolver o seu Mental Superior, no que intervêm juntas as três Hierarquias anteriores e mais o escol da Humanidade no que tem de espiritual Perfeição Humana, ou sejam, os Preclaros Adeptos da Grande Loja Branca, constituída na Terra durante a 3.ª Raça Lemuriana por intervenção dos “Senhores da Chama”, no que foram auxiliados também pelos Excelsos Assuras. De maneira que na Raça actual lança-se já ao terreno do Futuro as sementes benditas da formação da 5.ª Ronda, da 5.ª Cadeia e, até mesmo, do 5.º Sistema de Evolução.

6.ª Raça-Mãe Bimânica (Budhi+Manas), Raça Crística ou Raça Dourada. Estando programada para aparecer na América do Norte, todavia, por desaires dos dirigentes desse Povo desobedecendo à Lei de Deus em não deflagrarem mais engenhos nucleares e acabarem de vez com o seu despotismo imperialista, dentre outros factores dramáticos do mesmo género, o lugar da sua aparição foi transferido em 1954 para a América do Sul, mais propriamente para o Norte e Centro do Brasil. Na 6.ª Sub-Raça Ariana, que já está acontecendo através da Semente Inca-Tupi reservada no escrínio do Monte Ararat na região do Roncador (Estado de Mato Grosso, Brasil), projecta-se a 6.ª Ronda da 5.ª Cadeia, e até a 6.ª Cadeia e o 6.º Sistema de Evolução. Nessa Raça-Mãe o Homem terá o domínio pleno do Intuicional (Budhi) e por ele iluminará plenamente o Mental (Manas). As Hierarquias Virgens da Vida (Serafins, “Senhores do Amor”) e Olhos e Ouvidos Alerta (Querubins, “Senhores da Sabedoria”) colaborarão no despertar da semente do Corpo Intuicional humano.

7.ª Raça-Mãe Atabimânica (Atma+Budhi+Manas), Raça Monádica ou Raça Purpurada, por causa do tom da epiderme, que de branca empalidece para dourada e esvai-se no tom púrpura, cor de “sol posto”. Os Leões de Fogo (Tronos, “Senhores do Poder”) ajudarão o Homem a desenvolver a semente do seu Atmã, Nirvânico ou Espírito, que junto à Intuição e à Mente perfaz a Tríade Superior ou Mónada Divina como sendo o Homem Verdadeiro. A Tradição Iniciática das Idades informa que esta Raça fará a sua aparição no Centro e Sul do Brasil, graças ao Trabalho Espiritual e Humano da 7.ª Sub-Raça Ariana que já está tendo a sua eclosão no escrínio do Monte Moreb na região de São Lourenço (Estado de Minas Gerais), e nela se projecta a 7.ª Ronda da 5.ª Cadeia, e até mesmo se lança ao terreno abstracto do Futuro a Semente Monádica da 7.ª Cadeia e do 7.º Sistema de Evolução.

Na Obra Antropogenética das 7 Raças-Mães da actual 4.ª Ronda Terrestre, observa-se a estruturação gradual dos 7 corpos ou veículos de expressão da consciência cada vez mais ampla e subtil do Homem, no qual hoje há um quaternário inferior formado e um ternário superior formando-se, como 7/7 da Perfeição Suprema de que 4/7 já estão formados, faltando os 3/7 restantes que, quando são realizados, transformam o Homem num Super-Homem, Adepto Perfeito, Jivatma ou Mahatma, “Grande Espírito”, por ter transformado integralmente a sua Vida-Energia (Jiva) em Vida-Consciência (Jivatmã), esta unida àquela mas dirigindo-a. A isto se chama Metástase Avatárica.

Um Ser Vivente dessa natureza é o que constitui o Preclaro Membro da Excelsa Loja Branca, o Paradigma da Perfeição Humana indicando o caminho a seguir à restante Humanidade. Com isto quero dizer que entre os homens comuns já existem “Vasos de Eleição” que, apesar de estarem fisicamente na 4.ª Ronda, todavia pertencem espiritualmente às Rondas e Cadeias futuras, tal o seu avanço extraordinário no Caminho Real da Evolução.

De maneira que o Homem Integral, completo, é constituído de 7/7. Todavia, como foi dito, até ao momento só é consciente de 4/7 e inconsciente de 3/7. Esses 7 princípios ou expressões da Vida, da Energia e da Consciência humana, são:

3/7 Vida-Consciência – Individualidade – Tríade Superior

(MÓNADA – Natureza Divina do Homem ou PURUSHA)

ESPÍRITO:

ESPÍRITO

INTUIÇÃO

MENTAL SUPERIOR

4/7 Vida-Energia – Personalidade – Quaternário Inferior

(Natureza Terrena do Homem ou PRAKRITI)

ALMA:

MENTAL INFERIOR

EMOCIONAL

CORPO:

ETÉRICO

FÍSICO

O Quaternário Anímico não deixa de corresponder-se com os 3 Reinos Sub-Humanos que têm a sua correspondência na natureza do próprio Homem, desde o Mineral da 1.ª Ronda até ao Hominal da 4.ª Ronda. Daí, segundo a Tradição Iniciática, ele “dever matar a besta em si”, isto é, dominar, transformar e elevar a sua natureza inferior à superior, e a superior abarcar por inteiro a inferior. Chama-se a isto, repito, Metástase Avatárica.

MENTAL ……………………………………………………………………………….. HOMEM

EMOCIONAL ………………………………………………………… ANIMAL …….

ETÉRICO ……………………………..……………. VEGETAL ……………………..

DENSO …………………………… MINERAL ……….………………………………

Quando o Homem adquiriu o intelecto, o mental concreto ou inferior, a sua natureza divina interiorizou-se, e a sua natureza terrena exteriorizou-se. Houve, pode dizer-se, um desligamento dentro do Homem, isto é, a sua natureza divina desligou-se da natureza terrena. Portanto, a meta suprema da Magnus Opus ou Opera Magna como Teurgia é religar (donde os termos religião e yoga, com o mesmo significado: “tornar a ligar ou “religar” como “união” ao Divino”) os 3/7 aos 4/7, ou seja, realizar o Homem Integral.

Segundo António Castaño Ferreira, numa sua aula teosófica ministrada na cidade de São Paulo em 26.10.1956, a Kaballah hebraica considera que o Homem é animado de três Essências espirituais com os nomes respectivos de Nephesh (Corpo), Huac (Alma) e Neshamah (Espírito), sendo o conjunto deles chamado Tzelem (Trindade). Esses são os três veículos por onde se manifesta o Tríplice Aspecto de Deus (Caijah ou Haihah), que mesmo sendo sete apenas três se fixam no Homem.

As propriedades mental, emocional e física de que o Homem se reveste para poder manifestar-se no Mundo das Formas, são retiradas desses espaços ambientais a partir do átomo-semente da mesma natureza, que depois irá multiplicar-se num número infindo de átomos subsidiários os quais comporão os respectivos corpos mental, emocional e físico. O ponto de concentração e irradiação do átomo-semente constitui-se dum vórtice energético que, ao nível imediato, se revela como glândula, a contraparte física desse “vórtice vital” ou chakra, termo sânscrito significando precisamente “roda”, o que os místicos e ocultistas orientais e ocidentais assinalaram simbolicamente como “lótus”, “rosas” ou “selos” sagrados.

De maneira que, por exemplo, a veste astral, emocional ou psíquica do Homem é uma parcela da matéria astral do Logos Planetário da Terra que a comunica pelo chakra emissor dessa natureza ao afim humano, com o auxílio imprescindível das Hierarquias Criadoras. Por isso se diz que “o Homem foi feito à imagem e semelhança de Deus”.

Com o Perfeito Equilíbrio dos três atributos fundamentais da Mónada Divina (que é a soma da Tríade Superior expressa como Poder da Vontade, Amor-Sabedoria e Actividade Inteligente) e as consequências da sua manifestação através dos pensamentos, sentimentos e actos, o Homem torna-se verdadeiramente transformador da Vida-Energia em Vida-Consciência, de JIVA em JIVATMÃ, realizando assim, permanentemente, a Alquimia Suprema, a transformação da Pedra Cúbica (da Personalidade) em Pedra Filosofal (da Individualidade). Esta a razão do Professor Henrique José de Souza ter proferido: «Vontade, Inteligência e Amor. Para a Teosofia, a harmonia destes três princípios é a base da Evolução».

Da união de dois dos três princípios fundamentais da Matéria (Mater-Rhea ou Mãe-Terra), as gunas (literalmente, “cordas”, o que faz o “cordame” ou encadeamento entre si das “qualidades subtis da Matéria”), isto é, de Satva (energia centrífuga, amarela) com Rajas (energia rítmica, azul), surge FOHAT (verde), que é o Fogo Frio Celeste como Electricidade Cósmica; da união de Satva com Tamas (energia centrípeta, vermelha), surge KUNDALINI (vermelha), que é o Fogo Quente Terrestre como Electromagnetismo Cósmico subjacente a todas as manifestações ou fenómenos telúricos do nosso Globo. Esses dois Fogos Primordiais – Luz e Chama – unem-se para dar origem a toda a Criação, transformando-se em 7 “hálitos vitais” ou “forças subtis da Natureza” (tatvas), os quais no Logos Planetário estão em relação directa com os seus 7 chakras, cujas “glândulas” respectivas são determinados Montes Santos no centro dos seus respectivos Sistemas Geográficos, os quais a Mónada Humana vai paulatinamente transpondo através do tradicionalmente chamado ITINERÁRIO DE IÓ ou YÓ, a mesma Mónada peregrina rumo ao 8.º Sistema, já hoje assinalado em São Lourenço de Minas Gerais do Sul, Brasil. Processo antropogenético idêntico, da relação dos tatvas com os chakras, acontece no Homem, visto o que «está em baixo ser como o que está em cima». Senão, observe-se:

Pritivi-Tatva (Elemento Terra) – Está ligado o Chakra Raiz e à veste Física, a quem ele transmite animação. Resulta de uma combinação de Satva com Tamas, e daí a sua cor alaranjada. É o Sol no Solo do Corpo Humano.

Apas-Tatva (Elemento Água) – Age na veste Vital ou Etérica, e vitalizando-a e por ela ao corpo Físico, dá a capacidade de perceber através dos sentidos. Está ligado ao Chakra Esplénico e é uma combinação de Rajas com Tamas, donde resulta a sua cor violeta, tónica afim à Lua.

Tejas-Tatva (Elemento Fogo) – De cor vermelha (Tamas), anima a veste Emocional, Psíquica ou Astral e está ligado ao Chakra Umbilical, sob a influência de Marte.

Vayu-Tatva (Elemento Ar) – Combinação de Satva e Rajas, é de cor verde própria ao seu planeta afim, Saturno, ligando-se ao Chakra Cardíaco e à veste Mental Concreta, que faculta a capacidade de raciocínio. Pelo Cardíaco, ainda, promanam os mais belos sentimentos de Amor por via do seu “pêndulo” místico chamado, tradicionalmente, Vibhuti.

Akasha-Tatva (Elemento Éter) – De cor azul índigo (Rajas). Liga-se ao Chakra Laríngeo e à veste Mental Abstracta, tudo sob o auspício de Vénus.

Anupadaka-Tatva (Elemento Subatómico) – Liga-se ao Chakra Frontal e à veste Intuicional. É de cor amarelo ouro (Satva), “tónus” que lhe é impresso pelo Raio Planetário afim, Mercúrio.

Adi-Tatva (Elemento Atómico) – É o equilíbrio entre Fohat e Kundalini. É a união de Satva, Rajas e Tamas, o que resulta na cor púrpura de Júpiter. Está ligado ao Chakra Coronário e à veste Espiritual.

Sendo os corpos do Homem as expressões limitadas dos Planos de Evolução Universal, também eles se interpenetram e não que estejam «encavalitados» uns nos outros, ainda que quem medita por vezes, para uma melhor visualização, sobreponha uns sobre os outros. Esta sobreposição é o desdobramento de uma Esfera única irradiando os tons do Arco-Íris até chegar ao branco como síntese de todas as cores, e quando imanifestada apresenta o negro como ausência das mesmas cores.

Já se viu de que matéria é constituído o chamado corpo Astral, designação dada por Paracelso por ele apresentar forma colorida semelhante a estrela brilhante, sendo o veículo dos sentimentos, emoções e sensações. Por ser aquele em que a Humanidade comum ainda vibra consciencialmente com maior intensidade, tratarei agora dessa mesma matéria astral.

A natureza da matéria astral é idêntica à da matéria física, só que de estrutura atómica mais subtil. Quero dizer com isso que a matéria do Plano Astral do nosso Universo é descontínua, ou seja, é constituída de pequeníssimas partículas, embora muito mais subtis que a mais elementar partícula do Plano Físico, e separadas umas das outras por espaços maiores ou menores de acordo com o estado particular de vibração da respectiva matéria, repartida em sete escalões apresentados numa correspondência harmónica com os sete estados da matéria.

Tal como a matéria mental interpenetra a matéria astral, esta interpenetra a matéria física. É fácil de se compreender essa interpenetração. Sabe-se que a matéria do Plano Físico é constituída de moléculas e estas de átomos. A Ciência Teosófica sempre afirmou a descontinuidade e a estrutura atómica da matéria física, a despeito da Ciência Académica chamar para si a glória dessa «descoberta». Contudo, ainda em nossos dias a teoria espiritualista não concorda inteiramente com a teoria materialista a respeito da estrutura da Matéria, porque enquanto essa última estuda somente o seu aspecto bruto, objectivo, tangível e visível exclusivamente pelos cinco sentidos ordinários, já a Ciência Teosófica nunca afasta a ideia do átomo físico ser animado por um aspecto particular da Vida Universal, que é a causa da sua própria evolução através dos grandes Ciclos Cósmicos. Em termos dialécticos, poder-se-á afirmar que Matéria e Espírito são polaridades de uma só coisa: a Substância Absoluta. Por isso Helena Blavatsky afirmou que «nenhum antigo filósofo, nem mesmo os cabalistas judeus, jamais separou o Espírito da Matéria ou a Matéria do Espírito» (in A Doutrina Secreta, vol. III, cap. X). Esse mesmo conceito foi perfilhado pelos antigos atomistas laicos, sendo os mais conhecidos o hindu Kânada, os gregos Leucipo, Demócrito e Epicuro e o romano Lucrécio.

A Ciência Académica define a Matéria como tudo que tenha extensão e seja impenetrável. Como, porém, a Matéria de que cogita essa mesma Ciência é exclusivamente a dos Sub-Planos mais densos do Mundo Físico, então a afirmação de que a Matéria é penetrável não contraria, propriamente, aquela definição. O átomo da Ciência moderna é um verdadeiro sistema solar em miniatura, constituído de um «sol» central e de «planetas» e «satélites» que giram em torno dele. Isto quer dizer que o átomo, ao invés de compacto, possui entre essas partículas espaços completamente vazios de matéria (do Plano Físico), os quais são preenchidos de matéria mais subtil (astral e mental). Dentro do átomo, a distância relativa entre as partículas que o constituem corresponde, com muita aproximação, à distância dos planetas do nosso Sistema Solar em relação ao volume dos mesmos; noutros termos, um átomo, apesar de ser tão minúsculo ao ponto de nenhum aparelho permitir ainda ao olho humano vê-lo com clareza absoluta, compreende muito mais espaço vazio do que partículas propriamente de matéria física. Esses enormes espaços vazios da matéria física acontecem porque os átomos que constituem as moléculas dos corpos não se justapõem, antes mantêm entre si, em geral, maiores distâncias do que o tamanho dos próprios átomos. Por sua vez, as moléculas também não se justapõem e guardam entre si distâncias relativamente grandes. Observa-se assim que mesmo numa barra do mais duro aço, dando a impressão de ser absolutamente compacta em virtude dos nossos sentidos limitados ao visível e tangível, há muitos mais espaços vazios do que partículas materiais. E é entre esses espaços vazios de matéria física que os átomos astrais podem infiltrar-se com toda a liberdade, por serem muitíssimas vezes menores ou mais subtis.

Repetindo: a matéria astral interpenetra a matéria física. Cada átomo físico flutua num oceano de matéria astral. Esta concepção fundamental deve ficar perfeitamente clara no espírito de todos, pois sem ela não será possível compreender um grande número de fenómenos ocultos.

Este princípio de interpenetração mostra-nos que os diferentes Planos da Natureza não são separados no espaço, mas sim que existem em torno e dentro de nós, de maneira que para os perceber e estudar não é necessária locomoção física: basta despertar ou apurar em nós os sentidos por meio dos quais eles possam ser percebidos. Donde a conclusão importante de que os Planos da Natureza são estados de Consciência.

Sabe-se que o corpo físico de todos os seres existentes na face da Terra constitui-se das substâncias físicas que não lhes pertence e sim à própria Terra de onde provêm, pois ele desenvolve-se e é mantido pela assimilação das substâncias que, em última análise, saem da Terra. O mesmo se dá com o corpo astral. O conjunto de toda a matéria astral que integra os corpos dos seres que habitam o nosso planeta forma, juntamente com a matéria astral difusa, o corpo astral da Terra. O conjunto dos corpos astrais dos planetas do nosso Sistema constitui o corpo astral do Logos Solar. Eis aqui a razão do velho conceito panteísta.

Cada um dos sete tipos de matéria astral que constitui os sub-planos do Plano Astral, pode ser encarado como formando um todo, um veículo próprio como se fosse o corpo astral de uma das sete Entidades Cósmicas ou Logos Planetários do Sistema a que pertencemos. Sendo assim, conclui-se que sete Logos Planetários constituem um Logos Solar, como síntese suprema de todos eles.

Resulta dessa observação que o mais insignificante movimento, a mais leve modificação, seja de que natureza for, dessas Entidades é instantaneamente reflectida, de um modo ou de outro, na matéria do tipo correspondente. Tais mudanças têm lugar periodicamente e são análogas aos movimentos fisiológicos de um organismo vivo, tais como a inspiração e a expiração, as batidas do coração ou ritmos cardíacos, etc., porque, na verdade, o Universo é um Grande Ser Vivo. Os cabalistas judeus chamam-no Adam-Kadmon, o “Homem Celeste”.

Os movimentos relativos dos planetas físicos fornecem-nos as chaves das influências provenientes dessas mudanças psíquicas sobre o homem, como parte, e sobre a Humanidade, como todo. Eis a Astrologia vista por outro ângulo. Cada uma dessas mudanças deve afectar o homem proporcionalmente à quantidade de matéria em jogo que se ache no seu corpo astral. Desse modo, o mesmo tipo de mudanças no Cosmos afecta de maneira diferente os homens, como, por exemplo, quando observam diferentemente uma mesma obra de arte; outros, a impavidez ou a excitação nervosa diante de certos acontecimentos; noutros, o desinteresse ou o desejo instintivo, etc.

É essa proporção que determina em cada homem, animal, planta e mineral certas características fundamentais que nunca mudam e a que a Ciência Iniciática chama a sua “nota fundamental”, o seu Planeta ou Raio.

Observados os princípios fundamentais da mecanogénese do Universo e do Homem, resta desfechar este estudo sobre a Antropogénese, que tal como como o da Cosmogénese foram dados de maneira sintética, deixando as bases fundamentais dos mesmos para outros e mais latos aprofundamentos que aqui não cabem. Ante o Tudo no Todo e o Todo no Tudo, desfecho com dois significativos trechos de louvor ao Altíssimo respigados da Kether-Malkuth do rabi ibérico, o “Avicebrão latino” do século XII, Salomão Ben Gabirol:

VIII

Tu és o Altíssimo.

Os olhares enternecidos da inteligência elevam-se para Ti,

admirados de mal Te enxergarem,

nem Te poderem conhecer completamente.

XLII

Tu és Deus.

Nos altos Céus e em baixo na Terra, não há outro.

Que as palavras de minha boca e os pensamentos de meu coração

Te sejam agradáveis, Adonai, meu Protector e meu Redentor.

OBRAS CONSULTADAS

Henrique José de Souza, Antropogénese. Revista “Dhâranâ”, Ano LIII, Série Transformação, N.º 4 – 3.º e 4.º trimestre de 1978.

Helena P. Blavatsky, A Doutrina Secreta, Volume III – Antropogénese. Editora Pensamento, São Paulo.

Roberto Lucíola, Sistemas Planetários. Caderno “Fiat Lux” – 3, Junho de 1995, São Lourenço, Minas Gerais, Brasil.

António Castaño Ferreira, Série Astro-Mental. Acervo da Sociedade Teosófica Brasileira.

Comunidade Teúrgica Portuguesa, apostilas reservadas do Grau Karuna.

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