Sintra, 1980

«No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Este estava com Deus, no princípio. Por Ele foram feitas todas as coisas; e nada do que foi feito, foi feito sem Ele. Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens, e a Luz brilha nas Trevas, mas as Trevas não a prenderam.» – Evangelho de São João, Prólogo, 1:5.

O Verbo é a Divindade manifestada como Logos Solar; as Trevas, a Substância Absoluta donde o mesmo brotou à Manifestação cíclica que tomou forma como Sistema Solar; por Ele ou Nele este Universo sistémico foi formado através dos seus Sete Filhos Autogerados em seu Seio, os Luzeiros, Dhyan-Choans ou Logos Planetários – Sete para um Oitavo, o Gerador.

À Substância Absoluta, “Trevas Primordiais”, os hindus chamam de Svabhâvat, os judeus de Ain-Soph e os gnósticos de Ab-Soo; à “Luz Vital” de Prana e Alento de Vida; ao “desprendimento da Luz das Trevas” de Manvantara ou Manifestação Universal; ao “Verbo que é Deus” de Maha-Vishnu ou Cristo Universal em sua Segunda Hipóstase Amor-Sabedoria – o Amor acalentador dos elementos e a Sabedoria iluminadora das consciências.

Saído da Substância Absoluta o 8.º Logos toma Vida como Prana e toma Luz como Fohat ou Electricidade Cósmica, o dínamo fundamental da dinamização e agregação dos elementos ou átomos primordiais recém-diferenciados ou saídos da Substância Informe.

Por sua vez, do Seio iluminado desse 8.º Logos assim elevado a Logoi como Espírito Universal, irromperam 7 Consciências que paulatinamente tomaram forma as quais constituem os Corpos do Logos Solar, os 7 Mundos deste Universo, do mais subtil ao mais espesso, servindo-se de Fohat como dinamizador dos elementos que foram agregando-se cada vez com maior intensidade até «densificar» essa Energia Primordial que, como Luz, se tornou Fogo Criador, o agregador dos elementos da Matéria ou Prakriti saída do Espírito ou Purusha, ou seja, o Electromagnetismo Cósmico possuído do nome tradicional Kundalini.

Cada uma das 7 Consciências promanadas da 8.ª Maior constitui uma Veste do Eterno. Os hindus chamam-lhes Dhyan-Choans, os judeus de 7 Espíritos Diante do Trono, os cristãos de 7 Arcanjos – os quais são representados no candelabro de sete tramos inflamados ou menorah – e os teúrgicos e teósofos de Logos Planetários ou Luzeiros. Possuem os seus nomes tradicionais associados aos planetas dos sete dias da semana, de domingo a sábado: Mikael (Sol), Gabriel (Lua), Samael (Marte), Rafael (Mercúrio), Sakiel (Júpiter), Anael (Vénus), Kassiel (Saturno).

As “Sete Vestes do Eterno” correspondem a sete estados vibratórios distintos, do mais subtil ao mais denso, assumidos pelas respectivas Consciências Cósmicas que por eles tomam forma. De maneira que tais estados são chamados de Planos ou Esferas. “Planos” por serem localizações onde a Alma evoluinte se fixa temporariamente de acordo com a sua afinidade ao meio cósmico circundante (um ser emocional fixa-se no Plano das Emoções, tal como um ser mental fixa-se no Plano dos Pensamentos…). “Esferas” por esses estados energéticos distenderem-se esfericamente até dado ponto, preenchendo tudo com a sua tónica afim, graduada em sete tonalidades distintas às quais se chamam Sub-Esferas ou Sub-Planos.

Consequentemente, há 7 Planos cada qual com 7 Sub-Planos, o que perfaz um total de 49 Planos, do mais material ao mais espiritual, indo compor o Esquema de Evolução Universal. O Jacob bíblico vislumbrou-o num sonho profético como uma infinda “Escada ligando a Terra ao Céu”, o que deu vazão ao conceito dos “Sete Céus” do Cristianismo, mas que já o Hinduísmo e o Budismo possuíam como as “Sete Lokas” ou “Mundos”.

Os seus nomes tradicionais, são:

Português  –  Sânscrito

1.º) Mundo Espiritual – Nirvânico ou Átmico

2.º) Mundo Intuicional – Búdhico

3.º) Mundo Causal ou Mental Superior – Manas Arrupa

4.º) Mundo Mental Inferior ou Intelectivo – Manas Rupa

5.º) Mundo Emocional, Psíquico ou Astral – Kamásico ou Kama-Rupa

6.º) Mundo Etérico ou Vital – Linga-Sharira

7.º) Mundo Físico ou Denso – Stula-Sharira

Cada um desses Mundos recebe o impacto vivificador de um Raio Planetário emitido pelo respectivo Luzeiro, o que lhe confere tonalidade e vibração distintas dos demais. Mesmo assim, graças ao Raio Único ou Solitário de Fohat emitido pelo Eterno, depois diferenciando-se nas diversas correntes electromagnéticas unindo os 7 Mundos entre si, essa Luz Primordial ilumina a todos eles que, por sua natureza cada vez mais bioplástica por maior rarefacção, interpenetram-se a ponto parecerem uma só Esfera ultraluminosa trepidante, plena de vibração, motivo para Pitágoras a celebrar como “Música das Esferas” e os Iluminados hindus a consignarem “Shiva-Natarashi”, que é dizer em termos ocidentais, a “Dança do Espírito Santo”, ou seja, o 3.º Aspecto ou Hipóstase do Logos Único no acto universal de agregar os elementos atómicos para originar o Mundo das Formas em que tudo e todos evoluem como a manifestada Vida Universal.

Essa é a razão dos clarividentes menos aptos vislumbrarem o Mundo subtil como uma só Esfera, mas que os mais aptos verificam tratar-se não de uma mas de várias desdobradas a partir da Física densa e assim, apesar de interpenetradas, a Etérica sobressaindo da Física, a Astral da Etérica e a Mental da Astral. Os clarividentes bem desenvolvidos também apercebem que cada um desses Mundos possui a sua própria nota musical ou tom vibratório, a sua cor específica resultante do Raio Planetário, e a sua forma geométrica atómica dada pela órbita dos respectivos átomos.

Ao tipo de vibração específica de cada átomo primordial a Tradição chama tan-mâtra, e à sua vibração ondulatória ou móvel, de tatva. Cada um destes tatvas é animado pelo Raio Planetário de um Ishvara ou Logos, que lhe imprime a sua tónica. Por sua vez, o tipo de vibração específica (tân-mâtra) do átomo, podendo ser mais rápida, compassada ou lenta, é impressa pelas respectivas “qualidades subtis da matéria” chamadas gunas, que são: Satva (centrífuga), Rajas (rítmica, equilibrante) e Tamas (centrípeta). Estas “qualidades subtis” assistem às Três Hipóstases do Logos Único, da mais densa à mais subtil, como seja, da Terceira à Primeira Hipóstase ou Aspecto, sendo a Segunda o Mundo Intermediário que une ou desune, como Alma Universal, o Mundo Inferior da Matéria (Prakriti) e o Mundo Superior do Espírito (Purusha).

É assim que se obtém o número cabalístico do próprio Eterno: 137. Que é dizer, o Deus Único se triparte em Três Aspectos e manifesta-se através de Sete estados de Consciência, o que firma a palavra LEI como 137 transposto de números para letras:A soma e extracção do valor 137 dá 2, algarismo geminal do Pai-Mãe Cósmico manifestado como Fohat e Kundalini, para que do atrito de ambos nasça o Filho, o Universo físico, o Mundo das Formas, Ele que, amparado ou alentado pelos Progenitores, sendo o Terceiro Aspecto acaba figurando como Segundo, por ficar permeio ao Pai e à Mãe Cósmicos, como se pode observar na iconologia tradicional das várias Trindades (Brahma – Vishnu – Shiva; Osíris – Hórus – Ísis; Kether – Chokmah – Binah; Pai – Filho – Espírito Santo, etc.).

O esquema seguinte confere uma compreensão exacta do grande Plano Físico Cósmico (Prakriti) cujos 7 sub-planos – para nós, mortais, sendo grandes Planos, mas para os Deuses, os Excelsos Ishvaras, e muito mais para o Logos Solar, tão-só sub-planos – são os mesmos desde o Espiritual ao Físico:

TRÊS EM UM, O UNO-TRINO, O ABSOLUTO:

PAI (SATVA)

MÃE (RAJAS)

FILHO (TAMAS)

MUNDO ESPIRITUAL = SAKIEL – JÚPITER – ADI-TATVA (ATÓMICO)

MUNDO INTUICIONAL = RAFAEL – MERCÚRIO – ANUPADAKA-TATVA (SUBATÓMICO)

MUNDO MENTAL SUPERIOR – ANAEL – VÉNUS – AKASHA-TATVA (ÉTER)

MUNDO MENTAL INFERIOR – KASSIEL – SATURNO – VAYU-TATVA (AR)

MUNDO EMOCIONAL – SAMAEL – MARTE – TEJAS-TATVA (FOGO)

MUNDO VITAL – GABRIEL – LUA – APAS-TATVA (ÁGUA)

MUNDO FÍSICO – MIKAEL – SOL – PRITIVI-TATVA (TERRA)

Pois bem, para que um Logos Planetário se transforme num Logos Solar tem que encarnar ou manifestar-se sete vezes através de um Sistema de Evolução Universal, também chamado de Esquema Planetário, acompanhando-o nessa marcha avante todas as Vagas de Vida evoluindo em seu seio. A Tradição Iniciática informa que o nosso Logos Planetário já encarnou três vezes e agora estamos no 4.º Sistema de Evolução Universal. Que este Sistema comporta sete Cadeias Planetárias (Manuântaras ou Manvantaras, em sânscrito, Períodos de Actividade Universal em que há, entre o anterior e o posterior, o respectivo Período de Repouso Universal ou de assimilação das experiências colhidas, o que em sânscrito se chama Pralaya), cada uma com uma duração tão longa que parece uma eternidade, a ponto dos hindus lhes chamarem “Dias de Brahma” e que são os mesmos “Sete Dias da Criação”, assinalados logo ao começo da Bíblia. A mesma Tradição Iniciática das Idades informa que estamos no 4.º Dia ou Cadeia, nesta onde tudo e todos paulatinamente vão realizando a marcha triunfal da Evolução.

Por seu turno, cada Cadeia ou processo de encadeamento de um Logos Planetário ao Mundo das Formas em que se manifesta – para o comum dos mortais, como Deus Absoluto – compõe-se de sete Globos que girando sobre si mesmos perfazem sete Voltas ou Rondas que são, afinal de contas, o dínamo, a alavanca charneira interior do movimento evolucional da Cadeia. Estamos na 4.ª Ronda da actual 4.ª Cadeia do presente 4.º Sistema de Evolução Universal. Em cada Ronda manifestam-se sete tipos de Consciência indo caracterizar 7 Raças-Mães distintas, cada qual com as suas sete sub-raças, ramos, tribos, etc., as quais também se manifestam gradualmente. Hoje estamos na 5.ª Raça-Mãe em sua 5.ª sub-raça.

No final de sete Sistemas de Evolução Universal nos quais o Logos Planetário se desenvolve, acompanhado da sua Criação, gera-se um 8.º Sistema ou Universo, ou seja, nasce um Sistema Solar das experiências realizadas ao longo dos sete Sistemas Planetários, indo Ele ocupar o centro do mesmo tomando a forma de Astro-Rei ou Sol Central.Por ordem, tem-se:

– Um Sistema Solar nasce de sete Sistemas de Evolução Planetária.

– Um Sistema de Evolução Planetária é composto de sete Cadeias Planetárias.

– Uma Cadeia Planetária compõe-se de sete Globos perfazendo sete Rondas.

– Uma Ronda engloba sete Raças-Raízes ou Mães.

– Uma Raça-Raiz é o total de sete Sub-Raças.

– Uma Sub-Raça é o todo de 7 Ramos Raciais indo constituir-se 8.º Ramo Síntese.

Na ordem cósmica actual, a Evolução do nosso Universo está nas seguintes posições:

– O Sistema Solar está na sua 2.ª Encarnação ou Manifestação sistémica.

– O Sistema de Evolução Planetária está na sua 4.ª Manifestação.

– A Evolução dentro do 4.º Sistema ocupa a 4.ª Cadeia.

– A Evolução na 4.ª Cadeia está no 4.º Globo em sua 4.ª Ronda.

– A Evolução na 4.ª Ronda já passou a metade e está na 5.ª Raça-Raiz.

– A Evolução na 5.ª Raça-Raiz está se fazendo na 5.ª Sub-Raça.

Com o término do 3.º Sistema de Evolução iniciou-se o actual 4.º Sistema na sua 1.ª Cadeia, passando as Vagas de Vida triunfantes da sua evolução ulterior para a posterior, nessa mesma Cadeia que veio a chamar-se de Saturno, por a Evolução se processar no espaço ocupado actualmente por esse planeta. Terminada a Cadeia de Saturno, a Evolução prosseguiu depois nas proximidades do Sol, e chamou-se de Cadeia Solar. Cumprida esta, veio a Cadeia Lunar cujo desenvolvimento fez-se no espaço ocupado pelo actual satélite da Terra, tornando-se planeta morto quando a Evolução reapareceu na presente 4.ª Cadeia Terrestre, onde o nosso Globo e os sete Tipos de Vida ou Hierarquias se desenvolvem sob o impulso de Marte. Para que o 4.º Sistema de Evolução fique completo faltam ainda realizar-se três Cadeias, as de Vénus, Mercúrio e Júpiter, respectivamente ocupando os espaços desses planetas, também eles, como todos, desenrolando-se na marcha avante.

Cadeias

As sete Vagas de Vida que se transferiram do Sistema de Evolução anterior para a 1.ª Cadeia do Sistema actual, por ordem de entrada, foram as seguintes:

1.ª) Humana ou Jiva

2.ª) Animal

3.ª) Vegetal

4.ª) Mineral

5.ª) Elemental Aquoso

6.ª) Elemental Fogoso

7.ª) Elemental Aéreo

Tendo a dirigi-las três Hierarquias Espirituais, portadoras dos seguintes nomes tradicionais:

1.ª) Assuras ou Arqueus

2.ª) Agnisvattas ou Arcanjos

3.ª) Barishads ou Anjos

Por sua vez dirigidas por outras tantas Hierarquias Criadoras, como sejam:

1.ª) Leões de Fogo ou Tronos

2.ª) Olhos e Ouvidos Alerta ou Querubins

3.ª) Virgens da Vida ou Serafins

Acima de todas, o próprio LOGOS ETERNO, Deus Pai-Mãe, Fonte de toda a Vida e Consciência, meta última a alcançar por todas as vidas e consciências em evolução no Mundo das Formas.

Da 1.ª Cadeia de Saturno à 4.ª Cadeia Terrestre, a actual, a Evolução ou Iniciação Verdadeira das vidas e consciências manifestadas processou-se da maneira seguinte:

1.ª Cadeia → 2.ª Cadeia → 3.ª Cadeia → 4.ª Cadeia

Mineral → Vegetal → Animal → Humano

Vegetal → Animal → Humano → Anjo

Animal → Humano → Anjo → Arcanjo

Humano → Anjo → Arcanjo → Arqueu

Pelo que nas três Cadeias Planetárias que faltam cumprir-se, a Evolução deve prosseguir na mesma sequência:

5.ª Cadeia → 6.ª Cadeia → 7.ª Cadeia

Anjo → Arcanjo → Arqueu

Arcanjo → Arqueu → Serafim

Arqueu → Serafim → Querubim

Serafim → Querubim → Trono

Querubim → Trono → Logos

Trono → Logos → Absoluto

Se o Jiva, o Homem actual, começou a sua evolução no Reino Mineral no longínquo Manvantara saturnino até se tornar o que hoje é, então a sua meta presente é alcançar o estado de Barishad, de Anjo, o que equivale ao Andrógino Alado da futura Cadeia de Vénus, a da Exaltação da Divindade.

Antero de Quental, no seu poema Evolução, deixou muito bem e significativamente descrito o percurso da Mónada Humana pelos vários Reinos Naturais até ser o que hoje é, e aspirar a ter asas e voar como um Anjo no mar etéreo de uma nova Eternidade:

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo,

Tronco ou ramo na incógnita floresta…

Onda, espumei, quebrando-me na aresta

Do granito, antiquíssimo inimigo.
*
Rugi, fera talvez, buscando abrigo,

Na caverna que ensombra urzes e giesta;

Ou, monstro primitivo, ergui a testa

No limioso paul, glauco pascigo…
*
Hoje sou homem, e na sombra enorme

Vejo, a meus pés, a escada multiforme,

Que desce em espirais na imensidade…

Interrogo o infinito e às vezes choro…

Mas, estendo as mãos no vácuo,

Adoro e aspiro unicamente à liberdade.

OBRAS CONSULTADAS

Henrique José de Souza, Livro das Cadeias – A, Acervo Privado, 1953.

Henrique José de Souza, Livro das Cadeias – B, Acervo Privado, 1954.

Henrique José de Souza, Cosmogénese. Revista “Dhâranâ”, Ano LIII, Série Transformação, N.º 4 – 3.º e 4.º trimestre de 1978.

Helena P. Blavatsky, A Doutrina Secreta, Volume I – Cosmogénese. Editora Pensamento, São Paulo.

Roberto Lucíola, Cosmogénese. Caderno “Fiat Lux” – 1, Dezembro de 1994, São Lourenço, Minas Gerais, Brasil.

Sebastião Vieira Vidal, Série Astaroth. Edição Sociedade Teosófica Brasileira.

Comunidade Teúrgica Portuguesa, apostilas reservadas do Grau Yama.

Anúncios