Baalbeck

 

O hexagrama é também chamado hexalfa, estrela ou escudo de David (em hebraico, Maghen David, e em árabe, Dir´a Seyid-n Dawûd). É formado pelo entrelaçamento de dois triângulos equiláteros, um vertido e outro invertido, os quais simbolizam as naturezas espiritual e humana criadas à imagem do Divino (assinalado no emblema como todo). Os seus seis vértices correspondem às seis direcções do espaço (norte, sul, leste, oeste, zénite, nadir) assinalando a conclusão do movimento universal relativo aos seis Dias da Criação, sendo que ao sétimo o Criador descansou. Neste contexto, o hexagrama tornou-se o emblema do Macrocosmos (com os seus seis ângulos de 60 graus = 360 graus) representando a Fonte Única, desta maneira aludindo à harmonia universal entre os processos da Criação e da Reintegração, ou seja, da união da criatura com o Criador, pelo que frequentemente aparece nos vitrais e frontões de igrejas cristãs como referência simbólica da Alma Universal, neste caso, representada por Cristo, ou por outra, por Cristo-Maria, o Espírito e a Matéria, ficando Aquele para o triângulo superior e Esta para o triângulo inferior, resultando do entrelaçamento dos dois o sentido de Substância Universal presidindo à Vida de tudo e todos como Pater Aeternus Omnipotens, o Pai Eterno Omnipotente.

Muito apreciado como emblema profiláctico, o hexagrama foi frequentemente adoptado como amuleto pelos povos cristãos e islâmicos, e não apenas no contexto popular judaico (chamado mezouzah e colocado à entrada das casas judias, como está consignado na Escritura Velha, em Deuteronómio, VI, 4-8).

Aliás, convirá sublinhar que o hexalfa, embora presente na Sinagoga de Cafarnaum (século III d. C.), só a partir do ano 1148 surgiria na literatura rabínica, especificamente no Eshkol Hakofer do sábio caraíta (qaraim ou bnei mikra, “seguidor das Escrituras”, sendo o Caraísmo uma ramificação do Judaísmo que defende unicamente a autoridade das Escrituras Hebraicas como fonte da Revelação Divina) Judah Ben Elijah, onde capítulo 242 expõe os costumes de pessoas do povo que aos poucos mudaram o símbolo do escudo de David de simples selo para um tipo de signo ou amuleto místico: “E os nomes dos Sete Anjos foram escritos na mezouzah… O Eterno irá guardar-te e este símbolo chamado escudo de David contém escrito no final da mezouzah os nomes de todos os Anjos”. Sendo assim, já no século XII este emblema possuía carácter místico e profiláctico, sendo frequentemente gravado como forma de amuleto protector.

O hexalfa tornar-se-á, durante o século XIII, atributo de um dos sete nomes mágicos do Metraton, o Anjo da Face associado à figura do Arcanjo Mikael ou São Miguel como o Chefe das Milícias Celestiais e o mais próximo de Deus Pai. Daí a sua associação ao Nome Divino Schaddai, chegando, posteriormente, a ser confundido com a Menorah (o candelabro de sete braço ou tramos flamejantes indicativos dos Sete Espíritos Diante do Trono: Mikael, Gabriel, Samael, Rafael, Sakiel, Anael, Kassiel), assumindo uma função redentora destacada na sinagoga e sendo apelidado Selo do Deus de Israel. Por isto o hexalfa figura na bandeira desse país.

Com efeito, a identificação da Estrela de David com o Judaísmo começou na Idade Média. Em 1354, o rei Carlos IV (Karel IV) concedeu o privilégio à comunidade judaica de Praga de ter a sua própria bandeira. Então os judeus confeccionaram, sobre um fundo vermelho, um hexagrama em ouro, que desde então passou a ser chamado de Bandeira do rei David (Maghen David), e tornou-se o símbolo oficial das sinagogas e da comunidades e de todas as obras saídas da lavra judaica. Chegando-se ao século XIX, este símbolo já estava completamente difundido por toda a parte, figurando nos carimbos judeus, nos selos dos livros impressos pela comunidade judaica europeia e sobre as cortinas das Arcas Santas (Tebah) nas sinagogas.

A mística judaica levou à alegação da origem do hexalfa estar directamente ligado às flores que adornavam a Menorah, feitas na forma de relevo de lírios de seis pétalas, fazendo uma silhueta parecida à forma desse símbolo. Para os que acreditavam nessa suposta origem do hexalfa, ele havia sido feito pelas mãos do próprio Deus de Israel, argumentando que o lírio é composto por seis pétalas num estilo algo parecido com a Estrela de David. De facto, essa flor é identificada com o povo de Israel no livro bíblico do Cântico dos Cânticos.

A par da sua função profiláctica, o hexagrama exerce a mágica, fama herdada da célebre Chave ou Clavícula de Salomão (em latim, Clavicula Salomonis ou Clavis Salomonis) que é um grimório pseudo-epigráfico, atribuído supostamente ao Rei Salomão, mas cuja origem muito provavelmente situa-se na Idade Média, com origem anónima em alguma escola judaica de estudos cabalísticos dentre as várias que então haviam na Europa, como se verifica no seu texto claramente inspirado em ensinamentos do Talmude e da Kaballah judaica. Essa obra contém uma colecção de 36 pantáculos (símbolos possuídos de significado de natureza mágica ou esotérica) destinados a possibilitar uma ligação entre o Mundo Físico e os Planos da Alma. Existem diversas versões da Clavícula de Salomão em várias traduções, com menores ou maiores variações do conteúdo entre elas, sendo que a maioria dos escritos originais que sobreviveram até hoje datam dos séculos XVI e XVII, no entanto havendo uma tradução em grego datada do século XV.

Como se disse, o hexagrama não constitui de todo um símbolo especificamente judeu. De facto, também no Alcorão (XXXVIII, 32 e ss.) e nas Mil e Uma Noites ele é apresentado como um talismã indestrutível por gozar da Bênção de Deus, proporcionando o poder total sobre os Djins, os “espíritos da Natureza”.

Conotado ao simbolismo do hexalfa, além deste exposto de forma clara, encontra-se nos templos cristãos o seu derivado hexafólio ou sexifólio, a estrela de seis raios e a rosácea ou roseta hexapétala, e apesar das suas numerosas variantes é normalmente interpretado como símbolo solar – o rosetão ou roseta do Sol, antigo símbolo mitraico herdado pelos cristãos para designarem Christus Sollis, o Cristo Solar ou Iluminado, e também a Rosa Mística da ladainha mariana, a Virgem Mãe de Deus, dependendo do sentido geral do simbolismo exposto a qual dos Dois se deve atribuir no caso particular esse símbolo.

Igualmente no Tibete e na Índia os lamas e brahmanes, que são os sacerdotes das respectivas religiões budista e hindu, adoptam este símbolo universal do hexalfa considerando-o o símbolo do Criador e da Criação. As cores originais dos dois triângulos entrelaçados eram o verde (triângulo superior) e o vermelho (triângulo inferior), apesar de posteriormente terem sido alteradas para as cores branca e negra, esta representando a Matéria ou Prakriti, em sânscrito, e aquela o Espírito ou Purusha, em sânscrito, duplo triângulo entrelaçado levando o nome inefável de Satguna Chakra ou Satkuna Chakram, o qual os brahmanes dão como sendo a insígnia do Deus Vishnu, cujas prerrogativas hipostáticas dispõe-no idêntico ao Filho na Trindade cristã.

Tem-se assim, na Trimurti hindu, para o triângulo superior do hexalfa, Brahma, Vishnu e Shiva, correspondendo na Trindade cristã ao Pai, Filho e Espírito Santo, enquanto triângulo inferior dispõe-se Shiva, Vishnu e Brahma, ou Espírito Santo, Filho e Pai. Por aqui se vê que o Filho ou Vishnu ocupa sempre o lugar do meio ou aquele que separa o Divino do Terreno como Hipóstase Celeste que é, e por isto a tal emblema se chama Satguna Chakra, que no Ocidente leva o nome gnóstico Estrela de Mercúrio, este no sentido mais que sideral, filosófico ao referir-se à Alma Oculta do Cristo, o que os Iniciados orientais chamam de Estrela Resplandecente de Maitreya – o Messiah ou Avatara Síntese manifestado sobre a Terra do Céu ou Sol Azul do Segundo Trono ou Mundo que é o de Vishnu, o mesmo Cristo Universal  e que vem a liderar as Hostes Luminosas de Akbel sobre a Terra, nesta onde no Presente se cria já o 6.º Sistema de Evolução Universal, sob a chancela de Mercúrio em cujo Gobo o Homem criará asas e será um Deva Luminosa, um Anjo Alado… depois de ser Andrógino Perfeito a caminho do Ser Flogístico com que findará a manifestação do Universo, dando lugar a outro sobre o qual todas as conjecturas revelam-se vãs e perdem-se em elocubrações dum longínquo Porvir.

Assim, resta defechar com breve trecho respigado a um Livro Sagrado, o qual resume de forma magnífica os princípios e finalidades da Obra Teúrgica sobre a Terra:

No dia em que a Estrela Luminosa de Mercúrio inclinar da fronte de Maitreya sobre a Terra e se ouvirem os cantos dos Dharanis e as palavras dos Dhyanis, e os homens sob o Pendão Universal  de Maiores Homens  a eles se unirem felizes três vezes, vendo o Redentor da Vida e da Morte em si mesmos, finalmente esse será o Dia do Sede Connosco!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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