Com três caravelas conquistarei um reino que não é o meu.

(Palavras de Cristóvão Colombo, reveladas por Henrique José de Souza)

Assim foi, com a esquadra formada pela nau capitania Santa Maria (com 100 tonéis e 40tripulantes), a nau Pinta (com 55 tonéis e 26 tripulantes) e a nau Niña (com 60 tonéis – tonel é a medida náutica de capacidade – e 24 tripulantes), em 1492 apresentando o Novo Mundo ao Mundo.

Sobre a Epopeia Marítima dos Portugueses em Quinhentos, pela documentação historiográfica e iconográfica dada à luz por eminentes investigadores, muito já se sabe. Ainda assim, permanece obscuro um personagem insistindo em manter-se no contraditório da mesma documentação historiográfica, motivo da sua envolvência na bruma espessa do mistério, documentação essa referente ao mesmo não raro inconsistente e contraditória, quando não inventada, como foi o caso dos tristemente famosos «documentos» de Pontevedra, Galiza, forjados em 1914 por Enrique de Arribas y Turull. Refiro-me a Cristóvão Colombo (1451-1506).

Do muitíssimo que sobre ele já se disse e escreveu, permeio a polémicas acesas e apaixonadas, em que entram genoveses, espanhóis, galegos e portugueses desde os finais do século XIX, com a introdução recente dos estudiosos ingleses e norte-americanos na discussão colombina, a verdade é que, apesar de todos esses esforços, mantém-se aparentemente indecifrável a origem ou naturalidade e os lances principais, não raro controversos e contraditórios, sobre quem era e que missão teria Cristóvão Colombo, pois que os seus dados biográficos são escassos, e o que se respiga aqui e ali sobre os mesmos é susceptível de leituras diversas e igualmente, não raro, controversas e contraditórias. Com tudo isso, mesmo assim teima em permanecer sobre os demais factores o halo de sobrenatural e misterioso da pessoa e vida do almirante, indo inflamar ainda mais a polémica.

Primeiro acreditou-se ter ele nascido em Génova, Itália, de origens humildes; depois em Castela, de raízes judaicas e com foros tardios de nobreza, hipótese que logo passou à Galiza e veio a ser desmentida, quando se provou que os documentos sobre a mesma haviam sido inventados no começo do século XX. Logo que foi denunciado o logro, a autoria galega ficou desacreditada, como igualmente as hipóteses castelhana e genovesa, graças ao douto e creditado português da época o dr. Patrocínio Ribeiro, que foi quem iniciou a escola portuguesa de estudos colombinos. Com tudo isso, em plena confusão documental, a forjada e a não forjada, em que o dédalo dos políticos dos vários países interessados pretendia para si a origem da pessoa de Cristóvão Colombo, exclusivamente por razões de prestígio nacional em conformidade às políticas do momento, os investigadores do tema acabaram chegando a nenhuma conclusão definitiva.

Manteve-se o enigma, qual esfinge irritante ante a impaciência contínua do inquirido não sabendo que resposta dar. Qual era a origem de Cristóvão Colombo? Qual era a sua verdadeira missão? E, sobretudo, quem ele era realmente?

Esboçarei neste estudo algumas pinceladas contributivas, sem pretensões a definitivas mas tão-só contributivas, à decifração do “mistério Cristóvão Colombo”. Mais que a historiografia cronológica irei abordar a sua fácies oculta, mítica, iniciática, pois que nela decerto estará, como tentarei comprovar, a interpretação deste enigma secular.

Começo pelo elogio e referência obrigatória ao primeiro autor português que iniciou escola colombina: o já citado dr. Patrocínio Ribeiro, que em 1927 publicou um livro precioso referente ao tema e, por quanto sei, foi o primeiro devidamente ordenado em letras impressas pelo sistema bilíngue português-inglês, iniciativa do autor decerto para universalizar a sua tese. É obra rara mas que foi reeditada posteriormente (1).

No ano imediato, 1928, um seu condiscípulo nesta temática colombina, Pestana Júnior, antigo Ministro das Finanças, também publicou um livro dedicado ao tema, muito pouco conhecido mas do qual me satisfaço em possuir um exemplar rubricado pelo autor (2).

Essas duas obras pioneiras viriam a ser rematadas magistralmente pelo professor Mascarenhas Barreto em 1988, num livro de grossura razoável no qual procura provar, por exaustivo cardápio documental e assentando a sua tese na Kaballah judaico-cristã, nomeadamente a Gematria (3), ter sido português o almirante Cristóvão Colombo (4).

Contudo, para que o reconhecimento merecido vá para o seu legítimo donatário, quem mais aprofundou e clareou o esoterismo colombino, em três textos magistrais, foi o luso-brasileiro (ou que descende de portugueses, nomeadamente de Tomé de Souza, 1.º Vice-Rei do Brasil) Professor Henrique José de Souza (São Salvador da Bahia, 15 de Setembro de 1883 – São Paulo, 9 de Setembro de 1963) (5), polígrafo de raro talento com uma vida toda ela ao serviço incondicional da Cultura e do Espírito.

Ainda segundo Mascarenhas Barreto, prosseguindo a tese iniciada por Patrocínio Ribeiro, Cristóvão Colombo era filho [bastardo? – pergunto eu] do Infante D. Fernando, Duque de Viseu e de Beja, Mestre da Ordem de Cristo, e terá nascido no Baixo Alentejo, na herdade do Monte dos Columbais, perto das vila de Colos e Cuba, no actual concelho de Odemira, suspeição já levantada muito antes, cerca de 1926, pelo eminente galego D. Ricardo Beltran y Róspice, presidente da Comissão da Casa das Índias e da Academia Real de História, na sua obra Cristóbal Colon, Genovez?: «que o descobridor da América não nasceu em Génova e que foi oriundo de algum lugar da terra hispânica, situada na banda ocidental da Península, entre os Cabos Ortegal e São Vicente», isto é, entre o extremo Norte da Galiza e o extremo Sul do Algarve. Os autores portugueses instalam Colombo, com provas exaustivas, precisamente na citada herdade alentejana. O próprio Paolo Toscanelli, célebre cosmógrafo italiano que se correspondeu com Cristóvão Colombo, em carta dirigida de Génova a Lisboa, datada de 1474, exalta Portugal entusiasticamente e trata o almirante por português. Diz: «Não me surpreende, pois, por estas e muitas outras coisas que sobre o assunto poderiam ainda dizer-se, que tu, que és dotado de uma tão grande alma, e a mui nobre Nação Portuguesa, que em todos os tempos tem sido sempre enobrecida pelos mais heróicos feitos de tantos homens ilustres, tenhais tão grande interesse em que essa viagem se realize».

Dos seus dois filhos, Diogo e Fernando Colombo (em castelhano, Diego e Hernan Colon), este último, radicado em Espanha, manifesta o estranhíssimo do desconhecimento absoluto da naturalidade de seu pai, e tem as seguintes palavras flagrantes na sua obra biográfica Vida del Almirante: «Ele quis que fosse desconhecida e incerta a sua origem e pátria». Dentre outras razões, adianto eu agora, certamente por causa da lei do segredo de Estado que vingava em razão das políticas controversas e hostis entre portugueses, espanhóis e genoveses, os principais interessados na descoberta e conquista marítima de novas terras, consequentemente tomando para si ainda maiores riquezas. Como Portugal estava à dianteira do processo, e logo tudo quanto fosse português era francamente hostilizado pelos adversários, decerto conviu ao almirante esconder, por motivos políticos, essa sua pressuposta naturalidade portuguesa, para isso inclusive criando “blagues” à volta da sua origem verdadeira, tendo adoptado a língua castelhana como oficial pela mesma razão estatal da lei do sigilo, como também por ter sido bem acolhido na corte dos reis católicos, Fernando e Isabel, a cujo serviço esteve após ter fixado domicílio no país vizinho, em 1486. Em casa alheia adoptam-se os costumes dos hospedantes, assim mandam as regras da boa educação e ética nos países civilizados, o que prevalece até hoje. Tendo o retratado em 1479 contraído matrimónio com Filipa Perestrelo, filha do navegador Bartolomeu Perestrelo, como informam os autores portugueses, descobre-se que:

a) Pedro Álvares Cabral, redescobridor oficial do Brasil, casou-se com Isabel de Castro, neta de Isabel Perestrelo (mãe de Filipa Perestrelo), pelo que, por afinidade, era primo de Cristóvão Colombo;

b) Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, era bisneto de João Vaz de Camões, irmão de Gonçalo Vaz de Camões, avô do marido de Inês Dias da Câmara, e como esta era meia-irmã de Cristóvão Colombo, este era, por afinidade, em terceiro grau ascendente parente do poeta épico;

c) Vasco da Gama era bisneto de Estêvão da Gama, tio de Guiomar Vaz da Gama, portanto, seria tio-avô de Luís Vaz de Camões, que o tornou personagem principal da sua obra épica. E como a mesma Guiomar Vaz da Gama era tia-avó de Lopo Vaz de Camões, casado com Inês Dias da Câmara (meia-irmã de Cristóvão Colombo), o descobridor do caminho marítimo para as Índias Orientais era parente do almirante das Índias Ocidentais (6).

A famosa sigla com que Colombo se assinava na carta ao seu filho Diogo, fechada em Sevilha a 29 de Abril de 1498, parece ser a que contém, dentre outros elementos mais, o seu nome e a sua origem verdadeiros, tanto históricos como sagrados, usando da criptografia cabalística que, por si só, inquestionavelmente assinala o almirante como um hermetista.

O ilustre investigador Afonso Dornelas (possível descendente de um irmão do navegador João Gonçalves Zarco), ao examinar a sigla do almirante, verificou que o traço oblíquo terminal precedido de um ponto se chama colon, tanto em português como em castelhano. É o sinal gráfico de pontuação separador de frases num mesmo período, a que os antigos chamavam separador “imperfeyto” e os modernos chamam correntemente de “ponto e vírgula”, sendo o “perfeyto” os “dois pontos”.

Como Xpo, em grego, significa “Cristo”, e como Ferens, em latim, significa “aquele que leva, que transporta”, Afonso Dornelas concluiu que a sigla criptográfica deveria indigitar um nome. Traduzindo “Cristo-ferens” por Cristóvão e juntando-lhe o sinal colon (./), obteve: Cristóvão Colon (7).

Na continuação dessa análise mais criptográfica que paleográfica, o investigador Saul Santos Ferreira, ilustre poliglota e hebraísta português, verificou que o caracter gráfico ./ (colon ou “ponto e vírgula”) correspondia ao sinal < (aspa) da escrita hebraica, denominado zarga, zargo ou zarco.

Ora Zarco é o apelido português celebrizado pelo já referido navegador João Gonçalves Zarco que, ao serviço do Infante D. Henrique, juntamente com Tristão Teixeira descobriu o Arquipélago da Madeira (1419), vindo a ser nobilitado com o sobrenome de Câmara.

Um dos mais íntegros genealogistas do século XVII, Alão de Morais (8), alude a um rumor de que o nome zarco poderia provir da mutação da palavra zargo, significando “vesgo”, pelo que o apelido se deveria a uma alcunha, resultante dum defeito ocular.

Essa dedução, com base num rumor não fundamentado, está vazia de base filológica, pois ainda que a palavra significativa de “vesgo” ou “zarolho” seja zargo, já zarco adjectiva expressamente um homem que “tem os olhos azuis claros ou garços”, provindo do étimo árabe zarcá (9).

O investigador Saul Santos Ferreira considerou, coerentemente, que Cristoferens nada tinha a ver com São Cristóvão, o qual, segundo a lenda hagiográfica, transportara aos ombros o Menino Jesus de uma margem para outra dum rio caudaloso. Concluiu que, na linguagem da primitiva Igreja Moçárabe da Hespanha, a palavra Cristóbal significava “Cristo Senhor”, correspondente à própria pessoa do Salvador. Para ele, a sigla deveria exprimir:

“Cristo salve, Maria salve, José salve”, é expressão equivalente a “Cristo, Maria et Joseph consalvis”. Desta maneira, deparava-se-lhe a palavra consalves, ou seja, gonçalves.

Santos Ferreira considerou Xpo Ferens como sendo Salvador, os três SSS como Gonçalves, e ./ como Colon, Zarco, obtendo assim o nome civil do almirante das Índias Ocidentais: Salvador Gonçalves Zarco (10).

X M Y exprime, como se viu, Cristo-Maria-Yoseph, Joseph ou José, servindo de “santo-e-senha” entre os trinitários fundados por São João da Matha e São Félix de Valois em 17 de Dezembro de 1198, e que inicialmente antes de terem Regra própria adoptaram a de São Bento, dos quais seria donato ou irmão leigo o próprio Cristóvão Colombo (e nisto encontra justificativa o seu nome no grego Kolon, “membro, parte, participe”), pois que é a Cruz Trinitária que enfuna as velas das naus capitaneadas por ele na rota certa do continente americano. Além disso terá, tal como a Ordem da Santíssima Trindade ou, em diminutivo, Trinitária, perfilhado a ideia messiânica das três Idades do Mundo já propalada no século XIII por um outro beneditino mas da Regra de Cister: o abade Joachim do mosteiro de Fiore, na Calábria. Colombo chega mesmo a assumir-se joaquimita confesso, como bem atestam os seus escritos, ou melhor, os documentos que fez reunir para servirem de prova aos seus pontos de vista. Constituíam-nos trechos de João Rupescissa da Roca Talhada, condenado por heresia (11).

Os trinitários, cujo ideal paraclético e parúsico, futurista portanto, avizinhavam-nos ideologicamente dos bernardos e dos franciscanos “beguinos”, e até mesmo dos carmelitas no que têm de hipertúlico, e por seu pendor de expansão, centrífugo próprio a criar diáspora extracontinental, mesmo reservando-se na desculpa da sua principal missão ser resgatar cristãos escravos na África, desde muito cedo travaram-se de boas relações com a Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, vulgo Ordem de Cristo (sucessora directa e herdeira universal da Ordem dos Templários), e a própria insígnia do seu Instituto era muitíssima idêntica à Cruz pátea da Milícia Templária, esta que também portou o nome de “Cavaleiros Pobres de Cristo e da Santíssima Trindade” (Pauperes Comilitones Christi Santaeque Trinitatis). Tanto mais que quando do processo de legalização da Ordem de Cristo, quem o coordenou foi o trinitário Frei Estevão de Santarém, pregador e confessor da rainha D. Isabel e do monarca seu marido, D. Dinis. Aos seus conselhos, intercessão e indústria, escreveu Frei Manuel da Esperança, se atribui justamente parte notável da glória que rendeu a Portugal a fundação desta Ordem (12).

Translatio Trinitatis (Porto)

Não terá sido mero acaso, perante as evidências já expostas, o facto das primeiras ilhas norte-americanas avistadas pelo almirante serem baptizadas com os significativos nomes de San Salvador, Cuba e a cidade de Trinidad, além de a uma enseada e a um rio recém-descobertos baptizá-los com estes dois nomes inconfundíveis: Puerto de Santa Maria de Belen e Rio de Belen, que é dizer, Rio Tejo defronte a Santa Maria de Belém, por esse tempo um pequeno povoado ao ocidente de Lisboa.

Em outras e vastas toponímias dadas às terras recém-descobertas, há ainda mais indícios da origem portuguesa do almirante. Por exemplo: Vale del Paraizo – foi em Vale de Paraíso, povoação próxima de Vila Franca de Xira, que Cristóvão Colombo foi recebido por D. João II de Portugal e onde esteve hospedado três dias em Março de 1493, quando, vindo de regresso da descoberta do Novo Mundo, intencionalmente arribou a Lisboa. Isla de San Juan Bautista – São João Baptista, paróquia de Beja desde 1320. Castelo Verde foi a primeira fortaleza fundada por Colombo na América – indo identificar-se à toponímica de Castro Verde, ao sul de Beja. Cabo de San Vicente – Cabo de São Vicente, no extremo ocidental da província do Algarve. Por aqui fico, para não me alongar demasiado na similitude das toponímias lusa e castelhana e correr o risco de maçar o leitor…

Cristóvão Colombo – “Aquele que transporta a Pomba do Cristo” – tão-somente é o nome sacramental e não cartorial, portanto simbólico, do Iniciado que foi, ficando assim conhecido para a posteridade, enquanto o nome baptismal ficaria oculto em cifra gemátrica que, solucionada, desvelaria o seu de joaquimita confesso, muito possivelmente ligado ainda a um Instituto muitíssimo mais secreto: a Ordem de Mariz, a quem em Espanha a de Montesa (de função idêntica à de Cristo portuguesa) deu cobertura exterior.

Referindo-se a Saul Santos Ferreira e ao ilustre genealogista António Ferreira Serpa, comentadores da obra de Dom Tivisco intitulada Salvador Gonsalves Zarco, o Professor Henrique José de Souza adiantou (13):

«Não se deve esquecer que ambos os comentadores do livro por nós citado procuram provar que Salvador Gonçalves Zarco era de origem portuguesa, por isso mesmo, embora tão valioso trabalho que a outros supera, além do mais por se servir da mais preciosa de todas as chaves, que é a filológica, bem longe está de expressar toda a verdade, ou seja, aquela por nós apontada: a de que Colombo era de “origem aghartina”, no que diz respeito à sua maternidade, pouco importando que o pai tivesse sido um nobre de sangue ao mesmo tempo português e castelhano, para fazer jus à “descida das Mónadas ibéricas”, através do chamado “Itinerário de Ió”, que deveriam formar a nova civilização ameríndia, cujo fenómeno é completado por uma outra misteriosa personagem, também de “estirpe aghartina” (pouco importando o que diga a História a seu respeito), ou seja, Pedro Álvares Cabral. Donde intitularmos a sua missão de “Codicilo do Testamento Espiritual de Colombo ao Mundo”.»

Quanto à relação do almirante com a presença do Divino Espírito Santo, o Professor H. J. Souza também a refere com a sua rara e preciosa pena (14):

«O Espírito Santo, manifestado em todas as religiões, lendas e tradições, é a Ave Sagrada da Sabedoria Divina. E, como tal, representa o Terceiro Logos. É a Voz que vem dos Céus e se manifesta na Terra como Palavra. A sua Morada é o Sanctum-Sanctorum da Mãe-Terra, Mater-Rhea ou Matéria. Algo assim como se disséssemos que o Espírito aí se une com a Matéria.

«Em nosso artigo dedicado a Colombo, ao estudarmos a sua sigla e brasão, citámos a saudação que o mesmo nela fazia, seja ao Espírito Santo (em forma de Pomba), como a Maria, em forma de Água, Mar, etc. Mesmo porque Maria provém de Mar, as Águas, etc. E a prova é que, nas pias de água benta, dois MM entrelaçados se encontram por cima delas, não apenas para simbolizar o nome de Maria mas também para expressar o signo de Aquário.

«E como Colombo pertencesse à Ordem de Avis (anteriormente houve uma outra mais secreta ainda, com o nome de Maris), o que nos obrigou a fazer os “iniciáticos trocadilhos” que se seguem: Ave, Maria! Ave, Espírito Santo! – dizia Colombo na referida sigla. Enquanto nós outros: Ave Maris, Aves Marinhas, Avis raris in Terris! De facto, o “Grande Navegador Aghartino ou Jina” não passava de Ave rara na Terra. O seu nome provém de Columba, a Pomba de todas as Iniciações, o Espírito Santo das homenagens divinas. Do mesmo modo que em grego chamando-se ele Christoferens Columbus, é “aquele que carrega consigo o Cristo”. Donde a lenda de São Cristóvão “que carregava, de um lado ao outro do rio, as pessoas que dele necessitassem, até que um dia carregou o próprio Menino Jesus”. O sentido verdadeiro, entretanto, dessa passagem “de um lado ao outro”, é aquele de salvar as almas, conduzindo-as ao Céu, do outro lado da Vida. Donde o termo pontífice, ou “construtor de pontes”, que é muito mais antigo que o Cristianismo.»

Esses dois excertos de estudos do Professor Henrique José de Souza poderão explicar muita coisa acerca de Cristóvão Colombo, a começar por querer manter incógnita a sua verdadeira origem, apesar de em dado momento se ter declarado natural de Génova, todavia ocultando os nomes do seu pai e da sua mãe, que não se sabe quem foram. Não creio que tenha mentido, mas antes criado não uma nova “blague” e sim “charada iniciática”, feita não em Génova, onde afinal não há qualquer sinal plausível da sua presença aí, mas possivelmente em Lisboa e com o encobrimento de um italiano seu amigo radicado na capital do país: Lorenzo Giraldi, comerciante e intermediário entre ele e Paolo Toscanelli, comerciante e cartógrafo que cedeu várias cartas marítimas a Colombo, que assim soube quanto os italianos conheciam do mar de longo e das ilhas que nele haviam. Quanto ao pressuposto da sua «origem genovesa», tal é expressamente alegórico e de sentido iniciático, senão repare-se: Génova fica, obviamente, na Itália, e sendo a Itália os «pés» da Europa, essa parte do corpo continental e humano é astrologicamente regida pelo signo dos Peixes, afinal, sendo o signo natal de Portugal. Génova é vizinha de Veneza ou Vénus que, só por «acaso», é planeta de natureza feminina e logo representa a Mãe Divina, Universal. Também, só por «acaso», Vénus rege Lisboa e Sintra, esta a Montanha de Eleição da Soberana Ordem de Mariz, ela mesma vinculada aos Arqueus ou venustos Kumaras com os quais Colombo era um, assim como Cabral… cuja espiritual Essência de ambos, desde Quinhentos, coroa o cume da árvore genealógica dos deuses, santos e heróis da Raça dos Lusos.

Ainda sobre Veneza, tive ocasião de proferir numa carta reservada escrita para São Lourenço de Minas Gerais do Sul, Brasil, em 7.06.2005: «Veneza tem relações íntimas com Lisboa, inclusive no aspecto astrológico. Ambas as cidades estão sob a égide de Vénus, ainda assim Veneza tendo por ascendente o Leão (de São Marcos, em latim, o mesmo Makara sânscrito… “omphalo” ou ponto central da cidade), enquanto Lisboa a Júpiter (em Peixes… os mesmos do Tejo).

«Durante muito tempo a gôndola foi o principal meio de locomoção pelas canais de Veneza (em Portugal, e da mesma maneira, temos Aveiro…), todos eles desaguando na grande laguna a que se liga a lenda do misterioso dragão ou crocodilo habitando nas suas profundezas. Mas esse último é simbólico de Makara, por habitar tanto na terra como na água, o que vai bem com a natureza psicomental do mesmo Makara de 1.ª categoria, vários deles dando protecção feroz (este termo fica bem com a lenda…) ao maior Dhyani português enquanto aí esteve, na segunda metade do século XIX, cujo nome também era leonino.

«O onomástico gôndola divide-se em gundu (alemão), “intrépido”, e dôia ou gôla, do alemão wurm, “serpente”. Portanto, representa a “serpente intrépida” vogando sobre as profundezas drágonas da laguna, na realidade e pelo formato da barquinha, expressando a própria Lua com a sua órbita serpenteante em volta da Terra a cujas águas e emoções ela assiste, transformando-as nas etéreas e no amor de Vénus, de cujas energias ela é ainda «espelho» para a mesma Terra. Mas gundu ou guntu também significa “guerreiro”, no mesmo dialecto alemão. Esse “guerreiro” é representado pelo gondoleiro com a sua espada, antes, remo arrastando a barquinha por águas seguras… para que não encalhe… no lodo doutros remos ou Ramos de Raças lunares, mais passionais que mentais. Assim, o conjunto expressa o Divino Kartikeya ou “Guerreiro Celeste” na sua Barca levando ao casal Enamorado (Arcano VI, o Andrógino em separado) ao Porto Seguro da Felicidade de um novo 5.º Sistema de Evolução Universal… exactamente o de Vénus, consequentemente, assenhoreado por Arabel

A sua devoção e culto ao Divino Espírito Santo, a Maria, ou melhor – por que não dizer? –, a obediência que devia à Ordem de Mariz, levou o almirante a conduzir a sua esquadra chefiada pela nau Santa Maria, para grande estranheza da maioria dos expedicionários, invés de directamente às ilhas Canárias sob domínio de Castela, ao arquipélago dos Açores, domínio português. Aqui, na ilha de Santa Maria, entrevistou-se com o seu governador, o capitão D. João Castanheira, antigo cavaleiro da Ordem de Avis passado à de Cristo, quase de certeza protector dos trinitários e franciscanos, pois que foram estes a povoar em primeira mão os Açores, levando o Evangelho Eterno guarnecido pelas Armas Temporais de Cristo. Há, inclusive, uma ilha açoreana dedicada à memória dos trinitários: a Terceira, não só por ser a terceira ilha do arquipélago a ser descoberta mas também, sobretudo, por evocar a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: o Espírito Santo.

Em Santa Maria, onde ordinariamente se diz que o almirante foi mal recebido, na realidade foi mal percebido pelos seus pares de Castela que o acompanhavam na aventura, feitas as saudações, feitos os relatórios à Ordem de Cristo, abonada de provisões e água de novo a esquadra se fez ao largo, em rota só conhecida do almirante que a soubera na Escola Náutica do Infante Henrique de Sagres, onde aprendera as “primeiras letras” da navegação de longo, e foi engolfar-se propositadamente, após passar as ilhas de Cabo Verde, nas correntes e ventos de noroeste, hoje conhecidas de todos quantos andam no mar, que inevitavelmente levariam às costas das Índias Ocidentais, assim chegando à actual América do Norte. Processo semelhante aplicou Pedro Álvares Cabral para alcançar a América do Sul, navegando um pouco mais de largo transversalmente indo aportar, ontem como hoje e inevitavelmente, ao areal de Porto Seguro na costa da Bahia brasileira.

Alguns, senão a maioria dos historiadores, poderão contrapor que durante largo tempo Cristóvão Colombo acreditou ter chegado à Índia Oriental, e depois passado a acreditar, com igual firmeza, que chegara ao Japão, e aí procurado avidamente o contacto com os indianos ou os japoneses. Pois sim, mas deveria não se esquecer ou ignorar que tais informações não são coevas do tempo da vida do almirante: foram escritas após a sua morte – para desacreditar a sua grande figura intentando mostrar o quão pouco afinal sabia de cartografia e navegação – por aqueles mesmos ingratos que o meteram a ferros e o deixaram morrer na doença e na miséria: os inquisidores da Igreja em Espanha, apoiados por uma nobreza enciumada, despótica e oportunista ávida das riquezas imensas do Novo Mundo.

Ademais, a prerrogativa “Três Índias” vai bem com o conceito geográfico medieval que adentrou a Renascença, pois essas subdividiam-se em Próxima Índia, Extrema Índia e Média Índia, correspondendo, respectivamente, às partes Norte e Sul do subcontinente indiano e à região africana hoje denominada Etiópia. Após a chegada ao continente americano por Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral, nos séculos XV-XVI, essas terras passaram a ser denominadas de Índias Ocidentais, contrapondo-as às Orientais, mas sempre realçando o designativo Ásia, tanto com o sentido imediato de território longínquo e exótico, para o viajante europeu, como, principalmente, com o de Assiah ou “Mundo”, cuja conquista espiritual teve a primazia da Gesta Dei per Portucalensis.

O professor Mascarenhas Barreto – assim como os seus seguidores portugueses, o último mas não menos valoroso professor Manuel da Silva Rosa em parceria com Eric J. Steele (15) – acredita no seu livro, que é a sua tese, ter sido Salvador Gonçalves Zarco um espião português de D. João II posto ao serviço dos reis católicos de Espanha. Não penso assim, pois nem os acontecimentos da época, com cronologia provada e documentada, e tampouco o direito canónico me permitem admitir essa ideia. Porque se Colombo pertencia à Ordem de Cristo, então só o Geral da mesma poderia decidir sobre o aprazar ou emprestar a prazo o navegador à Coroa, mas nunca o rei, pelo menos legitimamente, pelo que os conhecimentos detidos pelo almirante à Ordem os devia e à Ordem, na pessoa do seu Geral, devia prestar contas detalhadas, ou seja, os relatórios com todos os pormenores, e nunca à pessoa do monarca: este ficaria a par do indispensável, a fim de saber se o seu «investimento» corria ou não bem, e pouco mais. Foi sempre assim ao longo do processo das Descobertas Marítimas, pelo que a posição de independência de Cristóvão Colombo ante a Coroa não era excepcional. Por isso, tive ocasião de dizer algures: todos sabiam que a Escola de Sagres sabia, mas nem todos sabiam o que a Escola de Sagres sabia.

Mesmo assim e sabendo-se que a legitimidade do Instituto Militar de Cavalaria e Religião estava sujeita, por um lado, ao Governador e Mestre Geral, que era quem se correspondia directamente com o Rei, e por outro lado, à Mesa Bispal e logo ao Papa, ela veio a ser ostensivamente anulada e apropriada por D. João II, quando assassinou nos paços de Setúbal o seu cunhado D. Diogo, Mestre da Ordem de Cristo e 4.º Duque de Viseu, por pertencer ao partido da Casa de Bragança que o rei detestava e acabou extinguindo (só sendo restaurada no reinado de D. João IV), e por ambicionar o domínio da Ordem, então senhora dos mares e terras conhecidas, o que significava um incomensurável poder e uma indescritível riqueza exclusivos à sua real pessoa. Decepando a linhagem bragantina que conduzia até ao primeiro rei de Portugal, ordenando a execução em 1483 do duque de Bragança e levando à fuga do marquês de Montemor, do conde de Faro e de outros acusados; amordaçando o clero que se opunha a tal política de “quero, posso e mando”, ficando como exemplo geral a decapitação pública do bispo de Évora, D. Garcia de Meneses, em 1484, e executados, presos ou mandados para o degredo muitos outros; dominada a Ordem de Cristo pelo assassinato do seu Mestre e Governador, também em 1484, o qual também era irmão de D. Leonor, mulher do rei, declaradamente favorável ao partido da Casa de Bragança, ficava assim D. João II com o terreno político-social livre de opositores, inteiramente aberto para fazer o que quisesse e como entendesse… e com tudo isso não se livrou a morrer de forma estranha, diz-se, por envenenamento, ele que repetia constantemente do alto de sua prepotência e domínio: «Eu sou o senhor dos senhores, não o servo dos servos».

Foi nesse ambiente que se encetaram as negociações entre Cristóvão Colombo e D. João II, as quais continuaram depois dele já estar aprazado aos reis católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela. Estou mais em crer que terá havido uma concordata sobre o empréstimo do almirante português aos reis do país vizinho, negociações essas levadas a cabo com a ingerência directa, ainda assim discreta, das Ordens de Cristo e de Montesa, cujos embaixadores negociavam em nome dos seus administradores, e cuja ambição maior, secreta mas que se apercebe em várias partes dos escritos do almirante, seria a realização do velho sonho sinárquico dos antigos Templários, de quem eram descendentes directos: o de unir o Oriente ao Ocidente e neste edificar o Templo ou Casa da Jerusalém Celeste, visão propícia à III Idade, e o espaço da sua inauguração só podia ser numa terra virgem, livre e desconhecendo o que fosse mal e pecado, logo, num novo mundo, e a tanto ficou destinado o quinto continente – a América.

Provável retrato de Cristóvão Colombo. Pormenor do quadro “Virgen de los Navegantes” pintado por Alejo Fernández entre 1505 e 1536, exposto na “Sala de los Almirantes” do Alcazar Real, Sevilha.

Aliás, ainda em Baza o almirante teria assegurado a Fernando e a Isabel que a sua façanha seria consagrada «à reconstrução do Templo» (16). Adiantou mais na sua obra muito curiosa, que deixou inédita, intitulada Libro de las Profecias, em que se jacta de ter sido o escolhido do Céu para descobrir o Novo Mundo. Nesse livro de revelação divina escrito por Colombo há períodos interessantíssimos, como, por exemplo, os dois seguintes que traduzo do castelhano para português: «Quem duvida que este lume não foi do Espírito Santo, assim como de mim, o qual com raios de claridade maravilhosa consolou com a sua santa e sacra Escritura a voz muito alta e clara com 44 livros do Velho Testamento, e 4 Evangelhos com 23 Epístolas daqueles bem-aventurados Apóstolos, avivando-me a que eu prosseguisse, e de contínuo sem cessar um momento me avivam com grande pressa?» – «… e digo que não somente o Espírito Santo revela as coisas por vir às criaturas racionais, mas que no-las mostra por sinais do céu, do ar e das bestas quando lhe apraz.»

Face a quanto disse até aqui, não deixa de opor-se o que será o busílis da questão: se Cristóvão Colombo era português, por que optou por Espanha em vez, como seria natural, do seu próprio país?

Certamente em razão das ideias egocêntricas e das atitudes repressivas de D. João II e à maior aceitação do seu projecto por parte dos reis católicos, principalmente de D. Isabel, os quais certamente queriam tomar parte na diáspora marítima e respectivo empório que até então Portugal detinha como único donatário universal. De maneira que a concordata de ceder Cristóvão Colombo a Espanha só podia ser feita em primeira mão pelas Ordens de Cristo e de Montesa (17), vindo depois as Coroas interessadas. Assim se refrearia também a desmesurada ambição de D. João II e se abriria caminho para firmar, como esse acto legítimo, a posterior partilha do Mundo entre Portugal e Espanha pelo Tratado de Tordesilhas (1494). Tanto assim é que, após a chegada de Cristóvão Colombo às Antilhas em 1492, no ano seguinte iniciam-se de imediato conversações em Madrid sobre o domínio dos mares, requeridas pela Coroa portuguesa.

De acordo com Manuel J. Gandra (18), o conflito entre Colombo e D. João II deveu-se ao facto deste soberano entender controlar e orientar todo o processo para seu próprio proveito. Contudo, durante o reinado cesarista deste “Príncipe Perfeito”, como o alcunhou a História, ainda assim não deixando de ser assassino mesmo alegando razões de Estado, é incontestável que brilharam firmes as luzes de Cultura e Conquista, não tanto por mérito real mas mais por iniciativa da corte, resultado exclusivo das ideias “humanistas e iluministas” provindas de Itália, abrindo a Renascença, entradas em Portugal reinando ainda D. Afonso V.

As represálias contra a nobreza que se lhe opunha, paralelamente à supressão dos concelhos e à espoliação da Ordem de Cristo (19), que se transforma no centro de reacção antiprincipesca, de cujas caravelas as suas insígnias são substituídas pelas armas reais – das quais já eliminara também a Cruz de Avis –, enfraqueceram substancialmente as energias nacionais. D. João II não entendeu o simbolismo expresso nas Armas portuguesas, determinando a modificação da disposição dos escudetes dentro do Escudo de Armas de Portugal, na denominada “Operação de endireitar o Escudo”, efectuada em 1485.

O monarca deseja que Cristóvão Colombo o sirva incondicionalmente; sabe da sua sabedoria de mar e que, ademais, é conterrâneo alentejano pertencente à melhor cepa da árvore genealógica nacional. Isto mesmo explicita ele em carta ao almirante (20):

«Cristóbal Colon.

«Nós D. João […] vos enviamos muito saudar. […] E quanto à vossa vinda cá, certo, assim pelo que apontais como por outros respeitos para que vossa indústria e bom engenho nos será necessário e prazer nos há muito de virdes porque o que a vós toca se dará tal forma de que vós deveis ser contente. […] E por tanto vos rogamos e encomendamos que vossa vinda seja logo e para isso não tenhais pejo algum e vos agradeceremos e teremos muito em serviço. Avis, 20 de Março de 1488. A Cristóvam Colom nosso especial amigo em Sevilha.»

O certo é que Cristóvão Colombo (grafado na carta de dois modos diferentes, o último notoriamente em português arcaico) não atendeu ao pedido do monarca, pois ao dirigir-se a D. João II, escreveu-lhe: «Vós recebestes a Cristóvão Colombo como amigo, desejastes vê-lo, e o agasalhastes no princípio com muita humanidade. Depois disto não cometeu delito algum, e deliberais sobre tirar-lhe a vida: proceder assim é faltar ao direito das gentes, e querer atropelar sem pejo as leis mais santas da sociedade» (carta transcrita por D. Diogo de Souza em sua História de Portugal, p. 697, Lisboa, 1852). Referindo-se a este rei, Colombo já afirmara antes: «[…] digo milagrosamente, porque fui ter a Portugal, cujo rei entendia de descobrimentos mais do que nenhum outro: Ele (Deus) lhe atalhou a vista, ouvidos e todos os sentidos, que quase em 14 anos não lhe pude fazer compreender o que digo».

Carta de Cristóvão Colombo (21.3.1502)

Contudo também não foi fácil ao navegador tornar aceites os seus projectos na corte de Castela, como desabafa numa carta endereçada aos monarcas castelhanos: «Já sabem vossas Altezas que andei sete anos em vossa corte importunando-vos por isto; nunca em todo esse tempo se achou piloto nem marinheiro, nem filósofo, nem de outra ciência que todos não dissessem que a empresa era falsa; que nunca eu encontrei ajuda de ninguém salvo de Frei António de Marchena, depois daquela de Deus eterno».

Esse Frei António de Marchena professaria no mosteiro de La Rabida da Ordem Terceira de São Francisco na Província de Espanha, sendo português de nação, cujo nome nos documentos mais recentes não condiz com o nos mais antigos, que confirmam o na carta de Colombo, como demonstra com todo o rigor a resposta que lhe deu Isabel, a Católica: «Parece-nos que seria bom que levásseis convosco um bom astrólogo e parece-nos que seria bom para isso Frei António de Marchena, porque é bom astrólogo, e sempre nos pareceu que se conformava com o vosso parecer» (21).

Por seu turno, Las Casas também diz (22):

«Segundo parece por algumas cartas de Cristóbal Colon escritas por sua mão (que eu tive nas minhas) aos Reis desta Isla Espaniola, um religioso que tinha por nome Frei António de Marchena foi quem muito o ajudou, para que a Rainha se persuadisse e aceitasse a petição. Nunca soube a que Ordem pertenceu, mas creio que fosse a de São Francisco, por conhecer que Cristóbal Colon, depois de Almirante, sempre foi devoto daquela Ordem. Tampouco consegui saber quando, nem em que ponto, nem como o favoreceu ou que entrada teve com os Reis o já dito Padre Frei António de Marchena.»

É muito natural que o consignado autor desconheça que tipo de intervenção exerceu o religioso português junto da corte castelhana, e também não será de admirar que tivesse sido ele o intermediário nas negociações do aprazamento de Cristóvão Colombo entre a Ordem de Cristo, o rei português e os reis de Aragão e Castela. A verdade é que ele acompanhou sempre o almirante nas suas viagens ao Novo Mundo. Na primeira, e pela lista incompleta da equipagem que chegou até aos nossos dias, também figuravam os nomes de dois grumetes portugueses: «João Arias, filho de Lopo Arias, de Tavira, e Bernaldim, criado de Afonso, marinheiro do piloto João Rodrigues, de Mafra». Também a transacção comercial com os naturais fez-se em moeda portuguesa, como relata Colombo aos soberanos espanhóis: «Vi dar 16 novelos de algodão por três ceotis de Portugal, que é uma branca de Castela…» O ceotil (nome derivado de Ceuta) foi mandado cunhar por D. João I, em comemoração exclusiva da primeira empresa marítima dos portugueses em África no ano 1415, de que resultou a conquista dessa praça africana para o domínio português. Ademais, nos escritos que deixou à posteridade, em latim e castelhano, verifica-se nos escritos do almirante nessa última língua, bastando uma análise muito superficial, que a ortografia castelhana é arrevesada e a maioria dos termos são portugueses ou, então, aportuguesados, pois que muitos vocábulos pertencem, a rigor, à língua portuguesa, e a construção sintáxica, como era na época, é positivamente lusitana.

Ainda que tenha oferecido a Espanha a glória inigualável da descoberta do caminho marítimo para a América, assim iniciando um novo ciclo da Civilização, contudo, os louros da vitória foram depostos na cabeça do mercador italiano Américo Vespúcio, que afinal, ao contrário do que é crença geral aceite, nem sequer deu o seu nome, Américo, ao continente descoberto, América, porque o seu nome verdadeiro era Alberico (23), e os naturais da costa americana onde Colombo chegou, os Amariques. Mas o poder do vil metal agitado pela política viciosa de sempre, fez cair o justo e levantar o injusto… De maneira que Vespúcio nada teve a ver com o processo marítimo, apenas o secundou ou menos que isso, se levar-se em conta que mesmo antes de Colombo os portugueses da Escola Naval de Sagres já haviam chegado à Terra Nova e ao Labrador (24). Vespúcio não era português nem de Sagres, mas Colombo era, e aí recolheu as informações necessárias ao sucesso da sua empresa. O italiano genovês (a quem alguns historiadores posteriores deram gratuitamente parentesco com Cristóvão Colombo, ponto de partida da ideia insubstanciada do almirante ter sido genovês) não passou de um comerciante fretador de navios, para ir sacar o que não lhe pertencia, perseguindo de longe a esquadra expedicionária, como também fez com a de Pedro Álvares Cabral. Como homem de negócios num país governado pelo papado, convinha aos reinos vassalos de Roma manter com esta as melhores relações político-económicas. O mais que Vespúcio fez foi aproveitar-se (deixando-se aproveitar…) de tudo quanto os outros fizeram, inclusive de boa parte do conhecimento de navegação e instrumentos náuticos. A sua fama assenta nisso, e nada mais!… Cristóvão Colombo, por sua vez, foi votado ao ostracismo e à miséria, que geralmente é a recompensa dada aos Grandes Homens pelos pobres de espírito cujo agradecimento nunca vai além do interesse imediato, e é assim que escreve no seu Diário esta frase dolorida, referindo-se a si próprio: «O que te está sucedendo agora é a recompensa dos serviços que prestaste a outros amos». Outros amos eram os reis de Aragão e Castela, o que desmente formalmente a origem espanhola de Colombo, porque o seu verdadeiro amo era o rei de Portugal.

Rei de Portugal repressor e narcisista, portanto, tirano e egocêntrico, cuja última fase da repressão foi preparada pelo Concílio de Tentro e executada pelos “cães de fila” da ortodoxia oficial cesarista, os dominicanos (domini canes), através da Inquisição.

A carta do monarca português ao almirante, citada anteriormente, era um “salvo-conduto” para ele entrar no reino «sem que sejais preso, retido, acusado, citado, nem demandado por nenhuma causa, ora cível, ora crime de qualquer qualidade». Isto demonstra que Colombo não andaria nas melhores relações tanto com D. João II como nas boas graças do Santo Ofício, talvez por suspeita de partidário da Casa de Bragança, e talvez também por suspeita de heresia por simpatia às ideias cabalísticas dos sefarditas judeus. Seja como for, o certo e que ele não atendeu ao convite do rei e ficou-se por Sevilha. Tudo isso leva-me a deduzir que terá sido com grande contrariedade que D. João II viu-se forçado a ceder “Cólon-Zarco” ao reino vizinho, só o tendo feito talvez por motivos políticos que as leis da diplomacia internacional impunham, assim não podendo dispor do almirante para espantalho dos seus «espalhafatos de navegação», ele que não era da Ordem de Cristo e tampouco alguma vez fora ao mar. «Só o estar em Sintra e sentir o cheiro do mar, causa-me náuseas», confessou uma vez quando, por razões de Estado, contrariado teve que ir aos paços de Sintra, pois que a detestava…

Pela leitura esotérica, antes, teosófica da sua sigla, Cristóvão Colombo desvela-se o Adepto Real que foi. Os três SSS da sua assinatura criptográfica são os mesmos da celebração pentecostal do Paracleto, que tanto os cátaros como os templários e os descendentes destes, os freires cavaleiros de Cristo, evocavam como Sanctus Spiritus Salvatorem, que inscreviam em listeis e representavam por três SSS. Essa celebração também esteve presente na Ordem Livery Collar, no País de Gales, colar esse formado por 18 letras S, numa sequência senária das iniciais do lema templário Sanctus Spiritus Salvatorem. Ela foi introduzida em Portugal pelo príncipe plantageneta John of Gaunt, ou João de Gante (25). O primeiro português a granjear a distinção do Livery Collar foi D. Afonso Furtado de Mendonça, em pleno reinado de D. João I.

Essa Milícia gália era para os ingleses o que a de Cristo era para nós, portugueses, e a de Montesa para os espanhóis. E tanto uma como as outras possuíam raízes joaquimitas, logo, parúsicas ou vocacionadas ao Advento.

Outra Ordem da mesma natureza e também gália, era a Rose Collar, colar esse constituído por 24 letras S, numa sequência senária do mesmo lema templário, tendo suspensa a “Rosa de cinco pétalas” (dobradas) a quem os ingleses chamam Tudor. Foi Grão-Mestre desta Ordem sir Thomas Moore (26), que ainda viveu no mesmo século de Cristóvão Colombo, este que, ao colaborar com a Coroa espanhola salvou a Aliança luso-britânica de dissolver-se, num subtil jogo diplomático, ao interferir junto da Coroa inglesa por intermédio dos reis espanhóis, evitando assim que D. João II causasse mal ainda maior à paccis política ibérica e europeia, e Portugal pudesse ter parte activa e a “parte de leão” na “partilha do Mundo”, que foi o resultado do Tratado de Tordesilhas entre os monarcas ibéricos.

A empresa marítima de Colombo foi, pois, planejada em Portugal e encetada em Espanha. Ele uniu a Península Ibérica e foi seu pontífice ante a América, o quinto continente, sob o signo de Aquarius, anunciando já o Ex Occidens Lux pelo prenúncio do Ex Oriens Umbra!

Igualmente é comum acreditar-se, nos meios de historiografia, que Cristóvão Colombo foi um converso judeu aventureiro (27), um marrano, castiço ou “cristão-novo”, por causa da sua documentação conhecida estar recheada de elementos mais judaicos que cristãos, de notórias características messiânicas, pelo que, sem mais nenhuma outra análise e aprofundamento necessário, é remetido para a Kaballah Sefardita, a hispânica.

Está provado que no sangue de Salvador Gonçalves Zarco corria a fina essência da Nobreza de Portugal, e também o facto dos judeus terem tido uma importância inquestionável nos vectores cultural, religioso, político e económico da Idade Média e Renascença. A tradição rabínica, patrística, era o elo de ligação entre a Sinagoga e a Igreja, entre as Escrituras Velha e Nova, como também o assento do Cognoscio Secretum que era a Tradição Iniciática Ocidental: a Kaballah, acasalada indissociavelmente com a Gnose, assim sendo o “espírito encoberto” tanto do dogma e magistério eclesial como sinagogal.

Decerto Cristóvão Colombo, pelas provas apresentadas nos seus documentos que sobreviveram aos cinco séculos, terá sido um marejador ou dominador dos arcanos mais profundos e sigilosos da Kaballah, certamente pela sua intimidade ao meio sinagogal de Beja e de Sevilha, lugares em cujas proximidades viveu. O seu mundo ideal, espiritual tão mal-entendido, o seu valor profético e teúrgico, davam-lhe um aspecto sobre-humano. Colombo não foi tão-somente o homem e o navegador, foi igualmente o génio inspirador advido, certamente, dessa mesma tão lendária quanto impenetrável Agharta, Terra Proibida (a profanos) e Terra Modelo do Paraíso Terreal (em que se inspira a famosa lenda do “Ovo de Colombo”), a Pátria de Eleição do tetramorfo Preste João.

Dela, Agharta, escreveu o almirante: «Não é possível a ninguém alcançar esse Paraíso Terrestre, salvo por Vontade Divina» (28).

Uma outra ideia sugestiva sobre o carácter cabalístico de Cristóvão Colombo reside nos seus livros predilectos e nas cartas que escreveu ao seu filho Hernan Colon, ou Fernando Colombo. É visível o seu grande interesse pelo Livro dos Profetas, que foi por ele copiado em grande parte, principalmente as Profecias de Isaías, que citava frequentemente nas cartas e no diário, conforme o seu biógrafo ulterior, o espanhol Las Casas (29). Depois (todos expostos no Museu Colombino de Sevilha) o livro do cardeal Pietro D´Aille, Imago Mundi; um livro de Plutarco publicado em Sevilha, em 1491; a Naturalis Historia, de Plínio, anotada por ele em português, em espanhol e um pouco de italiano (bem ao gosto de mostrar erudição como era costume na época, e que no século XVII Frei Jerónimo Munster demonstrou na sua Virgo Aurea); um Marco Polo latino, De Consuetudinibus et Conditionibus Orientalium Regionum; a Tragédia, de Séneca; um Tratado de Santo António de Florença e a Filosofia Natural de Santo Alberto Magno. Ainda um livro com muitas anotações sobre a vida do Papa Pio II, um Almanaque de Navegação e um livro de Abraão Zacuto, judeu português praticante de Astrologia cabalística e quem D. Manuel I deverá a inspiração de adoptar a Esfera Armilar, símbolo do deus egípcio Thot-Hermes, padroeiro do Hermetismo.

De maneira que a sigla criptografada de Cristóvão Colombo não deixa de possuir diversos segredos bem ocultados, todos eles de conteúdo iniciático profundo que se completam entre si como peças de um puzzle. Eles elevam o almirante muito acima das hipóteses, dos infundamentos e dos perjúrios, tão-só assinalando-o Ser de grandeza rara.

Nesse sentido, tal sigla mostra-se mais que simples assinatura criptográfica: possui características de mandala, isto é, “forma geométrica de função mágica”. Agora irei dar o meu contributo, à luz da Sabedoria Divina e segundo entendo, à descodificação do sentido hermético da mesma.

Pela Kaballah, termo hebraico significando “Tradição” e “Livro cerrado”, logo, sinónimo de “Tradição Secreta” judaico-cristã, Maurice Privat (30) afirma que o S repetido três vezes é igual a 15 vezes 3 (45), ou 4 mais 5 igual a 9, número cabalístico da Terra representada pelo… “Ovo de Colombo”, que se mantém erecto após cortar-se uma das extremidades, que no Globo equivale ao Pólo Sul em que o mesmo assenta.

Em Aritmosofia 45 exprime a herança, o legado. Com esse sentido, a Missão do Templo foi, consequentemente, legada a Cristóvão Colombo pela sua herdeira Ordem de Cristo. Por outro lado, 15 dividido por 3 dá 5, correspondendo no Tarot caldaico de São Germano ao Mestre dos Arcanos, o Grande Hierofante que está entre as duas tradicionais Colunas salomónicas (a da SabedoriaJnana ou Jakin – e a do AmorBhakti ou Bohaz), portanto, sendo o Iniciador.

Por conseguinte, Colombo expõe o seu título o grau sem rodeios com a letra A (alephe) ao centro da sigla, o que vale dizer: “Eu sou o primeiro de minha Ordem”.

Ele terá sido o continuador da Missão Templária na Península Ibérica levando-a ao Novo Mundo extremo-ocidental, ao Norte e Centro da América, tal como o seu primo, Pedro Álvares Cabral, também ligou a Península Ibérica ao Centro e Sul da mesma América, tomando por ponto de expansão ibero-ameríndia o Brasil.

De maneira que Colombo devia as cartas e os mapas, que lhe permitiram navegar de longo até ao Novo Mundo, não a Toscanelli (que alguns, por interesses pessoais, desde o início do século XX afirmam ter sido roubado por ele…) e sim à Ordem de Cristo e à Escola de Sagres, mas sempre sujeito à política inviolável da lei do sigilo.

Postas as coisas assim, é muito natural que se pergunte porque terá o almirante «roubado» as cartas náuticas de Toscanelli, que presumidamente indicavam a rota para as ilhas do extremo-ocidente, se após isso deu tantos passos para encontrar documentos seguros? É lógico que se responda, assim mesmo, que tudo isso terá sido uma invenção caluniosa urdida muitos séculos depois da sua morte, para se poder atribuir a origem do almirante à glória e prestígio deste ou aquele país sem glória e prestígios provados nas Descobertas Marítimas, aqui, claramente a Itália.

Quanto à sigla, como se viu, está assim predisposta:

Pelo que uma das suas interpretações iniciáticas, exclusiva de minha lavra, será:

1.º S = Salvador.

2.º S = Salvo, Consalo, Gonçalo, Gonçalves.

3.º S = Sarco, Çarco, Zarco.

A = Asgardi, Agharta, Terra Modelo, Omphalo do Mundo.

X = Xesed, Chesed, a 4.ª sephiroth, “esfera” ou “emanação divina” correspondendo ao “Governo ou Domínio Espiritual do Mundo”.

M = Metraton, o Primeiro Criador, o Senhor do Mundo.

Y= Yahvé, a Divindade.

Xpõ Ferens = “Portador da Pomba de Cristo”, Cristóvão Colombo.

No que resulta a mensagem seguinte:

Salvador Gonçalves Zarco, de Agharta!

Deus conceda o Senhorio Espiritual do

Mundo ao seu

Cristóvão Colombo.

Visto assim, trata-se, pois, da saudação laudativa dum dignitário eleito do Rei do Mundo, Melki-Tsedek, pois que deste Cristóvão Colombo teria sido uma projecção tulkuística ou “representação viva” no Mundo Humano destinada à Obra Maior da sementeira de futura e nova Civilização em novo Continente.

Essa não é uma afirmação “dada de barato”, pois por volta de 1480 Colombo escreveu aos monarcas espanhóis uma carta expressiva na qual se apresentava como o Príncipe do Mundo, o próprio Metraton: «Deus, que fez Ele de mais a Moisés ou a David?» E falando de si mesmo, adiantou: «Desde que nasceste sempre Ele (Deus) se preocupou contigo… Deu ao teu nome um maravilhoso eco sobre a Terra» (31).

Uma outra interpretação iniciática da sigla, completando-se com a primeira, será:

Que se traduz por:

Salve, Salve Deus Lustríssimo, Salve!

Deus Supremo Criador do Mundo,

A Ti o teu

Portador da Pomba do Cristo.

Adonai-Shadai é a fórmula evocatória da “Protecção Divina”, muito corrente entre cabalistas e templários afeiçoados à Gnose, e inclusive entre os hermetistas da Rosacruz.

«Ainda hoje – escreve Jean Marquès de Rivière – alguns judeus utilizam o chamado Shadai, que todas as crianças israelitas usam no momento da cerimónia dita Bar-Mitzwah. É uma medalha redonda na qual está inscrito o Nome Divino Shadai, cujo uso é de tradição imemorial. Este Nome Divino encontra-se, de resto, em muitos textos mágicos e simbólicos.» (32)

Finalmente, uma terceira interpretação da sigla, complementar das anteriores, será:

Assim se desvela, mais uma vez, o “santo-e-senha” de Joaquim de Flora, em cujo “Evangelho do Futuro” beberam várias correntes da Cristandade, nomeadamente os cistercienses, os templários, os trinitários e os franciscanos “beguinos”, sendo crível para judeus e cristãos que o III Templo de Salomão, correspondente à Jerusalém Celeste, deveria corresponder à III Idade do Espírito Santo, com começo na Península Ibérica, nomeadamente Portugal, mas estendendo as suas ramas frondosas a algum continente virgem, desconhecido mas não ignorado, de todos os males humanos criados durante as I e II Idades (33).

Com estas minhas hipóteses, cimentadas na documentação colombina disponível, as quais constituem a minha tese de Cristóvão Colombo ter sido um grande Navegador corporalmente nascido português e espiritualmente aghartino, creio deixar ao respeitável leitorado uma série de pistas historiográficas e de revelações iniciáticas, destarte coadjuvando em tornar a “História velada” História desvelada à Raça de quantos por este mundo afora mantêm viva a chama gloriosa da Portugalidade.

NOTAS

1) Patrocínio Ribeiro, A Nacionalidade Portuguesa de Cristóvão Colombo – The Portuguese Nationality of Christopher Columbus (Solução do debatidíssimo problema da sua verdadeira naturalidade, pela decifração definitiva da firma hieroglífica). Livraria Renascença, Joaquim Cardoso, 1927. Reedição pela Fundação Lusíada, cerca de 1992, na “Colecção Lusíada Documentos”, I.

2) Pestana Júnior, D. Cristóbal Colom ou Symam Palha, na História e na Cabala. Composto e impresso na Imprensa Lucas & Cia., Lisboa. A edição terá sido feita cerca de 26 de Maio de 1928.

3) A Kaballah compreende literalmente três espécies de operações, a saber: o Notarikon, ou a arte dos signos; a Gematria, consistindo nas comutações e combinações das letras e palavras; a Temurah, ou as transposições das letras, das palavras e dos números.

4) Mascarenhas Barreto, O Português Cristóvão Colombo (Agente secreto do rei Dom João II). Edições Referendo, Lisboa, 1988.

5) Henrique José de Souza, Colombo e Cabral, revista “Dhâranâ”, n.º 110, 1941, Brasil. Símbolos e Brasões, revista “Dhâranâ”, n.º 111, 1942, Brasil. A Pomba do Espírito Santo, revista “Dhâranâ”, n.os 142/144, 1951, Brasil.

6) Mascarenhas Barreto, ob. cit.

7) Afonso Dornelas, Elementos para o estudo etimológico do apelido Colon. In “Boletim da Academia das Ciências de Lisboa”, Classe Letras, vol. XX, pp. 407-422.

oito) Cristóvão Alão de Morais, Pedatura. Lisboa, 1670.

9) António de Morais Silva, Dicionário da Língua Portuguesa, vol. II. Rio de Janeiro/Lisboa, 1891.

10) Saul Santos Ferreira, Salvador Gonçalves Zarco (Cristóbal Colon). Os Livros de Dom Tivisco. Lisboa, 1930.

11) John Leddy Phelan, The Millenial Kingdom of the Franciscans in the New World – A Study of the writings of Gerónimo Mendietta (1525-1604). Berkeley and Los Angeles, Univ. of California Press, 1956.

12) Abade Correia da Serra, Os verdadeiros sucessores dos Templários e o seu estado em 1805. In “Archives de l´Europe”, tomo VIII, 1805. Texto reeditado em Sintra, na revista “Graal”, Verão/Outono de 1982, com notas de Manuel J. Gandra.

13) Henrique José de Souza, Símbolos e Brasões. Revista “Dhâranâ”, n.º 111, 1942, Brasil.

14) Henrique José de Souza, A Pomba do Espírito Santo. Revista “Dhâranâ”, n.os 142/144, 1951, Brasil.

15) Manuel da Silva Rosa, Eric J. Steele, O Mistério Colombo Revelado. Ésquilo – Edições e Multimédia, Lisboa, 1.ª edição Outubro de 2006.

16) Salvador de Madariaga, Christophe Colombe. Ed. Calmann-Lévy, Paris.

17) A Ordem Militar de Montesa, no país vizinho do nosso, teve desempenho público semelhante ao da Ordem Militar de Cristo, em Portugal. Extintos os Templários, Jaime II de Aragão, temeroso de que os imensos bens dessa Ordem caíssem em mãos estranhas ao seu reino, solicitou de Clemente V autorização para constituir um Instituto que substituísse aquela e tomasse a seu cargo as propriedades da mesma. Nada conseguiu desse papa, porém sim do seu sucessor, João XXII, que para tal fim expediu uma bula em 1317, adjudicando à Ordem de Santa Maria de Montesa todos os bens que os Templários possuíram nos domínios do monarca aragonês. O castelo de Montesa, no reino de Valência, foi a sede da Ordem nascente, motivo do nome adoptado. Os seus componentes deram muitos exemplos de heroísmo e esplendor, lutando em campanhas, tanto dentro como fora da Península Ibérica. A insígnia usada, após várias vicissitudes, é a de Alcântara, em sabre, carregada com uma cruz plana de goles.

18) Manuel J. Gandra, Martinets de Pasquallys e a tradição Quinto Imperial. Texto inserido na sua tradução do livro Tratado da Reintegração dos Seres Criados, de Martinets de Pasquallys. Edições 70, Lisboa, 1979.

19) Não é demais repetir que a principal base de sustentação da Coroa, capaz de competir com ela, era a Ordem de Cristo, que se encontrava, quando D. João II subiu ao trono, solidamente ligada às mais nobres Casas do Reino. A sua administração andava, então, no ramo real que D. João II detestava. Como exemplo, repito, D. Diogo de Almeida, 4.º Duque de Viseu e Administrador da Ordem, foi apunhalado até à morte dentro dos paços de Setúbal pelo próprio rei, seu cunhado, com o apoio de três fidalgos desejosos dos favores reais, que seriam atendidos conforme descreve o teólogo Diogo Paiva de Andrade (1528-1575) nas suas Memórias inéditas: D. Pedro de Eça, alcaide-mor de Moura (em cujo Museu Municipal está hoje a adaga assassina de D. João II), homem forte que foi quem manietou o Mestre da Ordem de Cristo para o rei poder matá-lo à-vontade a punhaladas, Diogo da Azambuja e Lopo Mendes do Rio, todos agraciados com os favores reais depois do crime. Houveram outros mais implicados na armadilha fatal estendida ao Mestre da Ordem de Cristo, que pensava ir a uma entrevista amistosa com o rei quando, na realidade, o esperava uma fatídica câmara escura com o real assassino escondido num canto dela e os três comparsas prontos a agarrá-lo e dominá-lo. Cf. D. Diogo de Souza, História de Portugal desde os tempos primitivos até à fundação da Monarquia e desta época até hoje. Lisboa, 1852.

adaga

20) Esta carta, cuja autenticidade foi comprovada por diversos autores nacionais e estrangeiros, é transcrição parcial do texto completo inserto nos livros citados de Patrocínio Ribeiro e de Pestana Júnior. Cf. ainda o mesmo texto em Navarrete, Collecion de los viajes y descubrimientos, e em Teixeira de Aragão, Memória acerca do descobrimento da América, 1852; a mesma carta no opúsculo de Luciano Cordeiro, De la decouverte de l´Amerique, 1876, e em Henri Vignand nos Nouvelles etudes critiques sur la vie de Christophe Colombe, Paris, 1911.

21) In “Carta-mensageira” dirigida pelos reis católicos ao almirante, em 25 de Setembro de 1492, dando-lhe várias instruções para a sua viagem ao Novo Mundo, publicada por Navarrete nos Documentos Diplomáticos.

22) In Historia general de las Indias, parte 1.ª, capítulo XXXII.

23) Vitor Manuel Adrião, História Secreta do Brasil – Flos Sanctorum Brasiliae. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2004. E A Ressurreição de Portugal (Ser, Identidade, Pensamento). Edição da Academia de Letras e Artes, Estoril, 2009.

24) Jaime Cortesão, Os Descobrimentos Portugueses, vol. II, cap. “Viagens para Ocidente”. Edição Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, Dezembro de 1990.

25) Duque de Lencastre, quarto filho do rei Henrique III de Inglaterra e pai de D. Filipa de Lencastre que viria a casar com D. João I, rei de Portugal, matriz da “Ínclita Geração” e origem da Aliança Luso-Britânica, que hoje a mais antiga do mundo.

26) Sendo Lord Chanceler do rei Henrique VIII de Inglaterra, sir Thomas Moore recusou-se a reconhecer a autoridade do seu soberano como chefe supremo da Igreja inglesa, assim separada da Igreja romana, e também não dando o seu consentimento a que aquele monarca se divorciasse da rainha D. Catarina de Aragão. Por isso foi preso, tendo estado um ano na Torre de Londres, e depois decapitado, em 1535, sendo posteriormente canonizado como São Tomás Maurus, um dos mais ilustres pensadores do seu tempo, a quem se deve a obra literária, de inspiração Rosacruz, Utopia, onde na mesma coloca à cabeça do enredo um navegador português, Rafael Itlodeo.

27) Simon Wiesenthal, A Missão Secreta de Cristóvão Colombo. Editorial Futura, Lisboa, 1974.

28) Salvador de Madariaga, Christophe Colombe, p. 268. Editions Calman-Lévy, Paris.

29) Colombo era judeu, artigo não assinado. In revista “Planeta”, n.º 22, Junho 1974. Editora Três, Brasil.

30) In Le Grand Nostradamus, n.º 1, Maio, 1934. Esta revista deixou de publicar-se em 1936.

31) Salvador de Madariaga, ob. cit., p. 554.

32) Jean Marquès de Rivière, Amullettes, Talismans et Pantacles. Editions Payot, Paris.

33) Vitor Manuel Adrião, As Forças Secretas da Civilização (Portugal, Mitos e Deuses), capítulo “O misterioso Cristóvão Colombo”, pp. 171-190. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2003.

Advertisements