É este tríplice carácter de instrução, audácia e longa paciência que temos de salientar em Cristóvão Colombo.

No começo de uma nova era, sobre o limite incerto em que se confundem a Idade Média e os tempos modernos, esta grande figura domina o século, cujo movimento recebeu e que por sua vez vivifica. – HUMBOLDT.

 

MAIS UMA VEZ, COLOMBO…

 

A ninguém, por mais ilustre que seja, é dado fazer estudo aprofundado sobre certas personagens históricas, muito menos quando a própria História é a primeira a ignorar os menores detalhes das suas vidas, como no caso de Colombo, a sua pátria e filiação.

Quanto ao que do mesmo dissemos em nosso artigo anterior intitulado Colombo e Cabral – verdadeira Introdução aos outros dois que o seguiram, ou sejam, Paracelso e Cagliostro e S. Germano, para provar sua “origem aghartina” e, como tal, “Arauto da Missão Y”, ou seja aquela em que a S.T.B. há longos anos se acha empenhada e que abrange todo o continente americano – não passam de «fantasias teosóficas», como disseram muitos, a começar por alguém de responsabilidade que assim taxou os nossos estudos sobre os Lugares Jinas do Brasil, incluindo a Serra do Roncador que tantas vítimas tem ocasionado, não por lhe quererem descobrir os valores históricos mas pela ganância de todos os tempos por parte de certos desbravadores, do mesmo modo que de “missionários religiosos, propagadores da fé cristã, catequizadores, enfim, dos índios”. Pobres índios! Torpemente explorados por semelhante gente… em busca, sim, de ouro, diamantes e outros “achados”, por isso mesmo dignos de ser rebuscados pelas autoridades competentes…

Obrigados somos, porém, a volver a tão delicado quão precioso assunto, devido a pequenas falhas notadas no referido trabalho, dentre elas, a falta de comentário ao brasão de Colombo, mesmo que fazendo parte do texto original, mas que no entanto foi descurado devido ao excesso de trabalho, quer na composição, quer na revisão de dois números de grande responsabilidade, como foram os anteriores desta revista, o que permitiu que o mesmo “ficasse no rol do esquecimento”… Errare humanum est!

Mas, como não haja mal algum que não traga certas vantagens, aí está o presente e sacrificial esforço, que obriga o autor, embora doente, a volver à cena de uma peça mais do que fraca, para ser talvez vaiado por uma meia dúzia de exigentes, em tão selecta plateia, como é a formada pelos leitores desta revista. Acontece, porém, que o seu papel neste segundo acto da mesma peça é apenas de comentador da própria História, representada em mãos mais provectas como são as do ilustre poliglota e hebraísta português G. L. Santos Ferreira, e as do não menos ilustre genealogista António Ferreira de Serpa (há pouco falecido em Lisboa), por sua vez, comentadores da obra de Dom Tivisco intitulada SALVADOR GONSALVES ZARCO, e isso possa valer de “defesa”, de protecção ao confronto que de certos trechos o mesmo faz com as suas «petulantes e teosóficas afirmativas» que, a bem dizer, «não passam de fantasias».

Nesse caso, aproveitará ainda o autor tão generosa oportunidade para atingir outros pontos que, embora ligados estando à vida do Descobridor do Novo Mundo, vão alcançar a Obra em que a S. T. B. se acha empenhada. Razão, portanto, do presente estudo – segundo e último acto da peça COLOMBO E CABRAL – possuir o seguinte título: Símbolos e Brasões.

Comecemos pelo trecho principal do capítulo I, ao qual o autor dá o nome de Servindo de Introdução:

“Uma grande preocupação dominou o espírito do famoso descobridor do Novo Mundo até à hora da sua morte: a de ocultar qual era a sua pátria e o seu nome. E se uma vez afirmou “haver saído de Génova e ter nascido nela”, não deve concluir-se daí que fosse genovês, ou mesmo italiano de nação; pois, nesse caso, teria de admitir-se que, ao passo que cercava do maior mistério a sua personalidade e origem (ambos os grifos são nossos), ele próprio as denunciava espontaneamente, por inconcebível leviandade.”

Não se deve esquecer que ambos os comentadores do livro por nós citado procuram provar que Salvador Gonsalves Zarco era de origem portuguesa, por isso mesmo – embora tão valioso trabalho que a outros supera, além do mais, por se servir da mais preciosa de todas as chaves que é a filológica – bem longe está de expressar toda a verdade, ou seja aquela por nós apontada no nosso primeiro trabalho: que Colombo era de “origem aghartina”, no que diz respeito à sua maternidade, pouco importa que o pai tivesse sido um nobre de sangue ao mesmo tempo português e castelhano, para fazer jus “à descida das Mónadas ibéricas” – através do chamado “Itinerário de Io” – que deveriam formar a nova civilização ameríndia, cujo fenómeno é completado por uma outra misteriosa Personagem, também de estirpe aghartina (pouco importa o que diga a História a seu respeito), ou seja, Pedro Álvares Cabral. Donde intitularmos a sua missão de “codicilo do espiritual testamento de Colombo, legado ao mundo”.

Já nos referimos, em outros trabalhos, ao “fenómeno das trocas de certas crianças privilegiadas”, que variam de Hierarquia segundo o valor desses mesmos trabalhos que têm a desempenhar no mundo. Assim, existem os directamente provindos da Agharta, aos quais poderíamos denominar de “deuses”, os imediatamente inferiores, ou de trabalhos de origem mais terrena do que divina, como, por exemplo, o dos “descobridores”, etc., “semi-deuses” ou super-homens, se o quiserem, por isso mesmo, um pai terreno para uma mulher ou mãe aghartina. O mesmo termo Srinagar – já o dissemos em outros trabalhos – além dos seus sete sentidos cabalísticos (a chave filológica, portanto, figurando entre eles…), quer dizer: Sri ou senhor, do mesmo modo que senhora, e Agar, que bem claro se apresenta para o já conhecido termo Agharta. Nesse caso, o Templo Budista onde estivemos em 1899/1900 (ao Norte da Índia), compõe-se de “seres positivamente aghartinos”, além do mais, por as suas galerias subterrâneas alcançarem certas regiões da mesma Agharta 1, senão mesmo, a chamada “Ilha Imperecível ou Shamballah”, para muitos, infelizmente, apenas um mito, uma tradição de tempos remotos. Sim, “tempos remotos”, em que a Humanidade foi dirigida pelos próprios deuses. Haja vista, na Atlântida, sete regiões ou cidades para uma oitava, representando na Terra um Sistema Planetário, e que eram dirigidas pelos tradicionais “Sete Reis de Edom” (Dhyan-Choans ou Espíritos Planetários), enquanto na oitava, “por detrás de altíssimas muralhas”, a manifestação da própria Divindade, na sua Tríplice Forma

Como Lohengrin, ocultando o seu nome e pátria, segundo as lendas escandinavas, Colombo fazia o mesmo, embora certa vez forçado, como afirma a História, a dizer que “havia saído de Génova e nela ter nascido”. Acaso ou não, o facto é que o Conde de Cagliostro dizia a mesma coisa, acrescentando, porém, que “a sua mãe o havia abandonado na sarjeta de uma das ruas de Génova”. Tal cidade – do mesmo modo que Veneza – foi outrora escolhida para residência profana de vários Adeptos, dentre eles, o conhecido no mundo teosófico como “o Veneziano”. Veneziano ou Venusiano, tanto vale, na razão de Venésia ou Venúsia, Velúsia ou Véu de Vénus, Véu de Akasha, etc. As escrituras sagradas do Oriente afirmam que “os Fundadores da grande Família Humana vieram de Vénus” (“Senhores de Vénus”, como são chamados), por sinal que “portadores de três valiosas ofertas ao mundo: Trigo, Mel e Formiga”, com a interpretação até hoje desconhecida, a não ser através de trabalhos anteriores por nós oferecidos ao mundo: Trigo, como alimento humano ou terreno; Mel, como alimento divino, a própria Teosofia ou Sabedoria dos Deuses, dos Super-Homens, Génios ou Jinas, também chamado “Licor de Shukra” (ou de Vénus), “Ambrósia dos Deuses”, etc. E quanto a Karma – o próprio Karma Universal ou aquele que provém de Cima, dos Céus (“Queda dos Anjos”, etc.), depois aumentado pelos homens, na razão do individual e do colectivo – nenhum animal mais apropriado para simbolizar o humano Karma do que a Formiga, se é justamente aquele que destrói, que aniquila o seu esforço, o seu suor, o seu trabalho. Sim, Karma, o mesmo que obriga o homem a renascer tantas vezes quantas sejam necessárias para esgotar, redimir, as suas faltas passadas…

Em resumo, o que ambos os autores do livro que estamos comentando desejam provar, é que o Descobridor do Novo Mundo era de origem portuguesa.

No estudo da sigla do grande navegador, revelam que ele na sua juventude cometera um crime, e foi a razão de usar desse processo para ocultar o seu nome e origem. Senão, vejamos:

“Vê-se que a assinatura se presta a duas leituras distintas: a do nome suposto que o navegador assumiu, e a de uma sentença, que foi a regra ou o programa da sua nova vida. A primeira poderia ser declarada, em caso de necessidade; a segunda, subentendida por uma forma misteriosa, reservava-a só para si, e a ninguém a terá revelado excepto aos seus confessores.

“Examinemos uma e outra. Se algum dia fosse obrigado a explicar a sua firma (e a Inquisição teve, por vezes, curiosidades semelhantes e bons argumentos para as apoiar), Colombo poderia responder: – Cristo, Maria e José são os meus patronos espirituais. Saúdo-os sempre antes de escrever o meu nome: Christo, salvé; Maria, salvé; Josephe, salvé; Xpo ferens é o santo de meu nome; o ponto e a vírgula, que são o cólon gramatical, representam o meu apelido Colón.

“Mas, lá no íntimo da sua alma, a interpretação era outra. Ele via a sentença que o condenara à morte civil, e voluntariamente se impusera: XPO FERENS, criptograma de Salvador; os SSS, passando em claro os nomes dos três patronos – Cristo salvo, Maria salva, Josephe salvo –, o criptograma de Consalvis; e o S, que fica isolado superiormente, criptograma de Zarco, por ter o acento zarco, da escrita hebraica, exactamente a forma do nosso S. As palavras

completavam o texto: “Salvador Gonsalves Zarco, aquele que roubou, desapareça”!

“E o leitor vai ver, no decurso deste pequeno estudo, quanto esta dolorosa confissão era tristemente verdadeira. Salvador Gonsalves Zarco morrera no dia em que saiu de Génova e nela nasceu o vagabundo Cristobal Colón, o homem sem pátria e sem família – mais tarde o maior do mundo, no seu tempo.

“Tudo quanto deixo escrito seria apenas uma série de conjecturas – honestamente deduzidas, sim, mas em todo o caso, uma série de conjecturas – se a feliz inspiração do Sr. Ferreira Serpa não houvesse chamado a minha atenção para o misterioso livro de D. Tivisco.”

De facto, mais adiante, comentando tal livro cita o texto hebraico que, “para o autor, concorre para tais conjecturas se tornarem mais ou menos prováveis. Transformavam-se numa realidade histórica”. E vem a tradução do referido texto:

“Este ímpio, tendo sido colocado em governador (magnificus) na ilha de Chios, maltratou e defraudou o seu príncipe, e fugiu vestido como jornaleiro do arrabalde e fingindo-se mudo; e correu mundo; mas envergonhado e arrependido, emendou-se e voltou para o seu país natal, e tomou o nome de Cristobal Colón.”

E depois de inúmeras páginas, procurando desvendar outros tantos textos hebraicos (extraídos do Teatro Genealógico que contém as Árvores de Costados das principais Famílias do Reino de Portugal e suas conquistas, tomo I do referido livro do prior D. Tivisco de Nasao), cita o seguinte: “Levanta-te, levanta-te, Salvador Gonsalves Zarco” (como valor numeral ou cabalístico de 1112). Para dizer logo abaixo:

“Não tenho, pois, dúvida em afirmar, e nisso convirá seguramente o crítico de boa fé, que o ano de 1692, segundo centenário do descobrimento da América, foi escolhido para a sensacional revelação, pelo facto de se prestar a esta interpretação profética: “O Mundo dirá: Retira-te, Colón. Levanta-te, levanta-te, Salvador Gonsalves Zarco”!

“Falhou o oráculo, como vimos, em razão de um caso imprevisto; mas, o ano da Justiça aproxima-se.”

E, contudo, dizemos nós, mesmo com o auxílio do Sr. Ferreira Serpa, tais conjecturas continuam de pé, pois que a ambos faltavam certos conhecimentos que, muitas vezes, para o mundo profano não passam – como já tivemos ocasião de dizer – de «meras fantasias teosóficas», ou mesmo ocultistas, se o quiserem.

Cagliostro também passou por ter roubado o “Colar da Rainha”, com o pseudónimo de José Bálsamo, de que se serviu alguém que lhe era contrário, ou mesmo que fosse um tulku (espécie de sósia) seu, para despistar, salvar situações, como aquelas em que poderia, também, cair o grande navegador, desde que, sendo “filho da Agharta”, não podia dizer, de facto, a sua pátria e filiação. O verdadeiro sentido esotérico já o demos em nosso estudo anterior, e dele não nos afastamos um só milímetro, em que pese as opiniões contrárias. Não é por simples prazer que terminamos os nossos trabalhos de maior responsabilidade com a frase latina VITAM IMPENDERE VERO, para não ter de dizer, embora sem arrogâncias nem humanas vaidades: Quod scripsi, scripsi.

Repetimos: por mais lógicas que sejam tais provas, não passam de meras suposições, para não dizer, especulações de quem não conhece a fundo os mistérios que envolvem a Vida Humana, muito mais as de certas Personagens, que a própria História é a primeira a desconhecer, chamem-se Colombo, Cabral, Paracelso, Cagliostro, S. Germano e até mesmo Napoleão Bonaparte, “o Leão do Naipe” (espadas, por ser um guerreiro) que desejava ter uma Buona ou Boa Parte nos destinos do Mundo, com a “formação dos Estados Unidos da Europa, como lhe foi encomendada sob juramento solene, nas galerias subterrâneas da Pirâmide de Gizeh…” E que hoje os “monstros do fim do ciclo” desejam, criminosamente, imitá-lo. Por isso mesmo, destruídos, aniquilados serão pelos próprios albores do Novo Ciclo, portador de melhores dias para o Mundo. Ninguém poderia acreditar que o apoteótico fenómeno cíclico (fim do século XV, ou Colombo, e começo do XVI, ou Cabral) dos respectivos descobrimentos da América e do Brasil, estivesse sujeito à “velha civilização europeia” e também à afro-asiática, se com o referido fenómeno se dava, justamente, a fusão racial do humano Passado com o Presente, para a realização do Futuro: o advento, quase simultâneo, da 6.ª e 7.ª Sub-Raças do Ciclo Ário, cujo espiritual movimento está nas mãos da S.T.B. desde o ano 1924, para não apontar o de 1900, quatro séculos justos depois do Descobrimento do Brasil.

Já em pleno século IX, a Península Ibérica encontrava-se sob o domínio (ou fusão) árabe, que tanto concorreu para a cultura de que ela mesma serviu de portadora aos povos ameríndios.

E séculos e mais séculos antes, ainda, o Manu Ur-Gardan (Ur, Fogo; Gardan, donde provém o Garden ou Jardim, na língua anglicana) conduzia um Ramo celta para o litoral europeu, ou seja, o “velho Portugal” – PORTUS-GALLIAE, de galos ou gauleses – que a intuição do insigne poeta lusitano cognominou de “Jardim da Europa à beira-mar plantado”.

E por termos falado dos “monstros do fim do ciclo”, seguidos por outros monstros ou degenerados que lhes são simpáticos, pouco importa a que país pertençam… tivemos ocasião de dizer, em velho estudo nosso publicado nesta revista, à guisa de profecia, que “em breve o imperador Hailé Selassié faria uma vilegiatura ao país donde fora destronado”, por conhecermos melhor do que outros a sua verdadeira origem… e, consequentemente, que o “Leão de Judá (que figura em vários brasões, inclusive no de Colombo…) acabaria apor vencer a Loba itálica”, o que de facto se deu, podendo ele mesmo cumprir o que havia prometido, isto é (servindo de eco à nossa voz…), “substituir a Loba itálica, da praça principal de Adis-Abeba, pelo Leão de Judá”, graças ao poder do “Cavalo alado”, ou seja, S. Jorge, precioso símbolo aghartino, ou do Cavaleiro Akdorge, Maitri ou Maitreya, como décimo Avatara de Vishnu, ou o Redentor-Síntese da Humanidade. E como S. Jorge também seja patrono da velha Albion, a velha Gália… tal acontecimento se deu com o valioso auxílio do referido país: a Inglaterra.

Quanto a Hailé Selassié, sempre protegido, viveu pelas duas iniciais de seu nome, ou sejam H e S, desde que o J que lhe falta ao termo Judá pertence… – Judá, Jove, Jeove ou Jehovah

Infelizmente, o precioso símbolo da velha Romakapura, ou seja, “a loba que amamenta Romulus e Remulus”, pseudo-fundadores de Roma, por mais sagrado que seja acabou por cair em mãos profanas, para não dizer, indignas… Mãos cobertas de crepe, ou de negra musseline… luto pesado sobre uma nação de génios, de artistas, e até de Adeptos…

Romulus e Remulus, Castor e Pollux, Helios e Selene, Gémeos Espirituais, amamentados com o precioso leite que deu nome ao continente Pushkara (o sétimo ou o nosso), ou seja, o de “mar de leite, de manteiga clarificada”, como dizem as velhas escrituras orientais. Sem falar do lugar em que a nossa Obra nasceu, “Montanha Sagrada”, projecção granítica da Serra da Mantiqueira ou “manteigueira”, como objecto que é de guardar tão precioso alimento…

Eram pais de Romulus e Romulus (pouco importa que o não saiba a História) Romulus e Kapura, donde provém o próprio nome da velha cidade atlante, mais acima apontada, ROMAKAPURA.

Passemos agora à decifração das suas Armas, segundo o livro que estamos comentando, no capítulo intitulado Um pouco de Heráldica, para podermos, por nossa vez, dar a sua verdadeira interpretação esotérica ou oculta:

“Investigadores modernos, no empenho de apurarem a verdadeira origem de Cristobal Colón, têm estudado, sob os mais variados aspectos, o Brasão de Armas que julgam ter ele usado, unânimes na esperança de encontrarem, no quarto quartel desse escudo, ou ainda num quinto quartel, que lhe supõem embutido em ponta, alguma indicação que os conduza à descoberta do seu verdadeiro nome de família. Ainda até hoje nenhum resultado satisfatório foi obtido neste sentido (mais uma prova da sua “origem aghartina”, dizemos nós), apesar de um desses investigadores – Patrocínio Ribeiro – haver estado muito próximo de descobrir a verdade; e não a descobriu, talvez, por só ver em Cristobal Colón, como rudemente confessa, um plebeu enfatuado, desejoso de ostentar em público atributos de nobreza a que não tinha direito (embora, dizemos nós, “o seu reino não fosse deste mundo”!!!).

“O documento autêntico, que tem sido base do estudo de tais investigadores, é a Provisão de Isabel, a Católica, de 20 de Maio de 1493, reproduzida por Navarrete no 2.º volume da sua Colección de los viajes y descubrimientos que hicieron por mar los españoles desde fines del siglo XV, na qual se lê:

“… un Castillo es un Leon, que nós vos damos por Armas: conviene a saber, el Castillo de color dorado en campo verde, en el cuadro del escudo de nuestras Armas, en lo alto a mano derecha, y en a otro cuadro alto a Ia mano izquierda un León de púrpura en campo blanco rampando de verde, y en otro cuadro bajo a la mano derecha unas islas doradas en ondas de mar, y en outro cuadro bajo, a la mana izquierda las Armas vuestras que sabiades tener, las cuales sean conocidas por vuestras Armas y de vuestros hijos y descendientes para siempre, jamás…” etc.

“Conquanto seja um pouco confusa a redacção deste documento”, continua o autor citado, “é bem compreensível o seu sentido: concede-se ao primeiro almirante do Mar Oceano, por acrescentamento às Armas que ele sabia pertencer-lhe, um quartel de Castela, um quartel de Leão e um quartel comemorativo do descobrimento das Índias Ocidentais.

“Os quartéis de Castela e de Leão foram concedidos com alteração nos respectivos esmaltes, por não ser permitido em Espanha, naquela época, usar tais quartéis con los colores reales: assim, o de Castela (que é de vermelho com castelo de ouro) ficou de verde com castelo de ouro, e o de Leão (que é de prata com leão rampante de púrpura) ficou de prata com leão rampante de verde. O quartel comemorativo era azul, ondado de prata, semeado de ilhas de ouro, como deve dizer-se em boa linguagem heráldica.

“Consideremos agora o quarto e último quartel. Em primeiro lugar, é a existência deste quarto quartel que nos dá a ideia de se limitar a régia concessão a um simples acrescentamento de Armas, dado, portanto, à pessoa reconhecidamente nobre e que tinha Armas próprias, ficando assim posta de parte a hipótese de mercê nova concedida a um plebeu, com o fim de o nobilitar. Não descreve essas Armas a Provisão, nem tinha que descrevê-las, e deixa ao cuidado do agraciado debuxá-las como devessem ser debuxadas. Isso seria tarefa bem grata e bem fácil para qualquer outro; para Colón era, porém, uma verdadeira impossibilidade, visto haver muitos anos que deixara de ter pátria e família (?). Como poderia agora denunciar uma e outra, no escudo de suas Armas, se tinha o máximo empenho em ocultá-las? (é nosso o grifo).

“E foi talvez, por isso mesmo, que ele não se aproveitou da régia concessão, pois não consta que, em tempo ou lugar algum, usasse tais Armas. Mas se não as usou, nem por isso deixou de fornecer aos seus descendentes indicações precisas sobre os esmaltes e peças do seu quarto quartel, que uniformemente aparece em todos os armoriais como sendo de azul com cinco ancorotes de ouro postos em sautor. Digo ancorotes e não âncoras, por serem realmente ancorotes e não âncoras as peças ali representadas. O ancorote difere da âncora não somente por ser de menor dimensão, mas pela ausência do cepo transversal perpendicular à haste: é a empennete dos franceses, o kedger dos ingleses.

“Vejamos como este quarto quartel representa um dos cinco escudetes das Armas Reais de Portugal (não esqueçamos que o autor defende a ideia de Colombo ser português, quando ele está para Espanha como Cabral para Portugal, embora que ambos sejam “aghartinos”…). É de azul, como esses escudetes, e tem, como eles, cinco peças postas em sautor. As cinco peças são de prata no escudo real (Fig. A) e eram de ouro no de Salvador Gonsalves (Fig. B) por diferença de esmalte, pois não era menos rigorosa em Portugal do que em Espanha a proibição de usar qualquer quartel das armas reais sem diferença.

“As peças são, nos escudetes das armas reais, cinco besantes ou dinheiros, e no escudo do Almirante cinco ancorotes (Fig. C), palavra equívoca de agoroth ou angoroth, que na língua hebraica também significa dinheiros, moedas e, portanto, besantes. Mediante este artifício iludia Colón, sem faltar à verdade, a curiosidade que, aliás, não podia evitar, dos que lhe perguntavam como era o quartel das suas Armas a que a Provisão se referia.

“A estampa colorida representa, pois, o escudo de Armas de Salvador Gonsalves, como lho concedia a Provisão Régia de acrescentamento e assim se brasona:

Esquartelado: 1 de verde com um castelo de ouro, que é de Castela; 2 de prata com um leão de verde, que é de Leão; 3 de azul aguado de prata, semeado de ilhas de ouro, que é comemorativo do descobrimento das Antilhas, 4 de azul, com cinco besantes de ouro, postos em sautor, que é de Portugal. Timbre: um dragão de vermelho, que é dos Infantes do Reino.

“Pelo que respeita a um famoso quinto quartel, “embutido em ponta”, no qual se tem pretendido ver as Armas de variados Colomos, Colombos, etc. (ainda bem, dizemos nós, que aparecem diversos Colombos “sósias ou tulkus do verdadeiro”…), de não menos variadas Plasencias e outras terras de Itália e de Espanha (e não sei mesmo se de Portugal), não vale a pena discuti-lo (lá isso, dizemos nós, está certo, pois discutir o que se não conhece… é coisa bem difícil!); em primeiro lugar, e decisivamente, porque a Provisão lhe não faz a menor referência; e depois, porque o seu valor probativo – se algum lhe pudesse ser atribuído – correria parelhas com o de certos documentos supostamente autênticos, que aparecem inesperadamente nos arquivos públicos (todo o grifo é nosso), e com os quais se pretende dar como resolvidos graves problemas da História ou da Arte (apoiado!).”

Vejamos, agora, a revelação esotérica das Armas de Salvador Gonsalves Zarco, com o seu pseudónimo da mesma natureza ou de Cristos-Columbus – com o vero sentido exposto em nosso estudo anterior, sendo que o de Cristobal equivale a Cristos e Baal, ou o “Deus-Cristo”, o 7.º Princípio teosófico, a Consciência Universal, etc., etc.

O Dragão Vermelho, Dragão Tamásico ou Terreno, equivale ao do Seio da Terra das tradições transhimalaias (vide, por exemplo, a obra de Marques de Riviére, A l’ombre des monastères thibétains), “o Dragão Celeste” ou aquele que caiu do Céu arrastando com a sua cauda tudo quanto encontrou no caminho, até mesmo 22 Estrelas, que desde então se apagaram… e que na Cabala equivalem aos 22 Arcanos Maiores, etc. Simboliza, também, o Dragão da Sabedoria, pouco importa se alado ou marinho.

Por isso que tal Dragão pousa sobre o capacete de todos os Cavaleiros ou Guerreiros juramentados, pouco importa a Ordem a que pertençam. E tendo como armas de defesa a espada e a lança, por sua vez preciosos símbolos iniciáticos encontrados em todas as velhas lendas e tradições, dentre elas, a “lança de Longino ou Longuinho”, da qual se serviu a Igreja para a sua Tragédia do Gólgota. Sim, Lohan ou Chohan e Gina ou Jina, como se fora o próprio filho (um dos sete) alanceando ou fazendo sangrar o coração de seu Pai, o Cristo, Mitra, Maitri, o Sol, etc. Tradição esta que já provém dos tempos imemoriais da Atlântida… “Imemoriais”, sim, para o mundo profano, o vulgo, o que ignora a sua própria origem, os erros passados, até os dos próprios deuses… homens-dragões, centauros… deuses infundidos em homens, por sua vez, positivamente animais.

Dragões de Sabedoria, Leões de Fogo, Agnisvattas, Pitris Solares e também Kumaras. Não tem por origem a Humanidade a árvore Genealógica dos Cabiras ou Kumaras? Nesse caso, Dragões Marinhos os Barishads, como Pitris (ou Pais) Lunares.

Por isso que tanto o Brasão de Colombo como o de Cabral são cercados de ramos partidos do mesmo Tronco. Tronco Divino e não Humano. Tronco Deífico ou Aghartino. Cabral, Capris, Capricórnio, Cumara, etc. Cristóvão Colombo simbolizando a 3.ª Pessoa (que ele mesmo saudava de modo velado) da Trindade ou Espírito Santo, por isso mesmo, Colombina ou Pomba.

Razão porque, cinco dias antes de encontrar terra, ao ver alguns pássaros, sinal da sua proximidade, escreveu no diário de bordo: “que as mais ilhas que têm os portugueses, pelas aves as descobriram”. Sim, como aquela pomba solta por Noé, da sua Arca ou Barca (Agharta), para ver se as águas haviam secado, vindo ela ter novamente a bordo, portadora de um ramo de oliveira, “símbolo da Paz e da Esperança. Esperança de Porto e Salvamento”. Sic illa ad arcam reversa est!

Como já dissemos em nosso estudo anterior: Aves ou Avis, tanto vale. Por isso, Colombo (ou Colombina) outra coisa não foi senão AVIS RARIS IN TERRIS

Quanto aos cinco ancorotes, em substituição a cinco dinheiros, moedas, etc., a sua vida em jogo estava – como no jogo de dados – no descobrimento do Novo Mundo.

E cinco por estarmos em franco quinto Sub-Ramo ou Sub-Raça da 5.ª Raça-Mãe (a Ária), donde deveriam sair, respectivamente, como foi dito antes, os 6.º e 7.º Ramos sub-raciais… no quinto continente. Por isso ele, o grande clarividente aghartino, os contava pelos cinco dedos, como tivemos ocasião de dizer em nosso artigo anterior. Sim, Europa, Ásia, África, Oceânia e América… “Ovo de Colombo” ou Colombina, que dá ao Mundo a forma esférica…

E quanto ao termo ancorote (ou pequena âncora), de que o famoso hebraista se socorre, com muita propriedade, dos termos agoroth ou angoroth, estes mesmos, provenientes do termo grego ANGOS, que na antiga Medicina queria dizer “útero”, mas em verdade, “Seio da Terra” (Materno ou da Matéria, Mater Rhea). Sim, o Lugar donde o mesmo procedia. Nesse caso, a verdadeira e única Arca ou Barca para onde os Manus conduzem o seu Povo, tanto nas ocasiões de seleccionar as sementes, como nas horas trágicas, para que ele não sucumba com o restante, a plebe, os componentes de um velho ciclo… Não fez o mesmo Noé, conduzindo para a Arca a sua Família, o seu Povo, a Semente escolhida, pouco importa a falsa interpretação da Igreja?

Anchora-vitae ou âncora da vida é um velho símbolo que já provém da Atlântida, servindo sempre para designar algo que possa salvar seja a quem for, principalmente o Mundo. Donde o termo, SALVADOR, que se tem como verdadeiro de Colón ou Colombo, ou seja, Salvador Gonsalves Zarco.

A Âncora equivale, também, à Cruz e ao Coração. Neste caso, ela por si só, Esperança, Fé e Caridade!

Que dizer das oito ilhas de ouro em vagas oceânicas? Sete Dvipas ou Continentes, mais um, para representar a Evolução total da Ronda, como também um “Sistema Geográfico”, como fomos os primeiros a cognominar a cada um daqueles que formam as sete mais uma Embocaduras Aghartinas na face da Terra, por outro nome, Montanhas Sagradas… Sim, na descida de Norte a Sul, “Itinerário de Io”, das Mónadas ou Sementes de que são formadas todas as sete Raças-Mães e respectivas Sub-Raças, Ramos e Famílias.

Os vários Colombos de que falam, por sua vez, diversos escritores, dentre eles Harrisse, possuíam pais chamados Doménicos, Domingos, melhor dito, o Demiurgos, o Criador do Mundo entre os gnósticos, para não dizer desde logo, o Sol Espiritual, aquele mesmo Aton, o Disco Solar, do qual Amenophis IV tomou o nome, fazendo-se chamar Kunaton, ou seja, “o amado de seu Pai Aton”…

Falta falar no “castelo de ouro” com os seus 3 torreões, todos terminados em tríplice forma ou a da letra Shin, que o grande hebraista esqueceu de citar, senão ambos os autores do precioso livro que estamos comentando. Se ele mesmo reproduz os SSS da sigla do grande navegador, embora que lhe dando um sentido bem diverso do nosso.

Eis aí, mais uma vez, a comprovação do que denominamos de Governo Oculto (ou Espiritual) do Mundo, que, como agora o conhece o leitor, é composto de 3 Pessoas, simbolizando a própria manifestação da Divindade na Terra. Em vez de dizer: Salve, Jesus (ou Cristo), Salve, Maria, e Salve, Josephe (ou José) (que é, de facto, uma cobertura, um disfarce para a sua própria origem, e em nome de quem agia ele na face da Terra, e não que “fosse um criminoso a disfarçar, a encobrir seu crime passado”, como querem ambos os ilustres escritores), sim, deveria dizer: Salve, Pai, Salve, Filho, Salve, Mãe ou Espírito Santo. Mas, no escrínio de seu coração, três nomes bem diversos, que não podem ser aqui divulgados… Nesse caso, se o quiserem, apenas: Salve, L! Salve, P! Salve, D! Iniciais de tão preciosos Nomes que desde tempos imemoriais, através de mil transmutações e espirituais movimentos, vão tomando vários sentidos, na razão das sete chaves cabalísticas

Em relação à Trindade que envolve a vida de todos os Seres evoluídos, constata-se, por exemplo, que foi a 3 de Agosto de 1492 que Colombo partiu de Palos (sem falar nas 3 famosas caravelas) e em 12 (se o quiserem, soma reduzida novamente: 3…) de Outubro avista terra, a ilha do Guanay, Guanahan ou Guanahani 2, uma das Lucaias, dando-lhe o seu próprio nome (?) – Salvador (San Salvador): “A la primera que yo falle puso nombre de San Salvador a comemoración de su alta magestad (que majestade? Perguntamos nós…) el qual maravillosamente todo este andado (há dado?); los indios la llaman Guanahan”, assim deixou escrito no diário de bordo.

Interessante, ainda, que fosse um tal Lorenzo Girardi (florentino), negociante em Lisboa, como quer a História, quem apresenta Colombo a Toscanelli, que a este faz entrega da sua carta pedindo informações geográficas… Outro termo que, por sua vez, se repete a cada passo na História, especialmente na da nossa Obra, como o leitor já deve estar farto de o saber.

Haja vista: S. Lourenço dos Ermitãos ou Ansiães, no concelho de Bragança, e também em Sintra, em Portugal. S. Lourenço de Goa, ponto de passagem do “adolescente das 16 primaveras” para alcançar Ceilão, Calcutá e finalmente o Norte da Índia, ou Srinagar. E 21 anos depois, S. Lourenço no Sul de Minas, em cuja Montanha Sagrada nasceu espiritualmente a Obra em que a S.T.B. se acha empenhada. Sem falar naquele acidente em que o mesmo adolescente, com 3 anos apenas de idade, cai sobre uma grelha candente, ou seja, o conhecido martírio a que foi submetido o Santo da Igreja que traz o mesmo nome, e a quem Filipe II faz construir, como seu patrono, o Escurial, em forma de grelha. O mesmo Rei que possuía duas Colunas ou Ministros, ou seja, como J, Jnana, Conhecimento, Iluminação, etc., o grande Árias Montano (o Ário do Monte ou da Montanha), e o B ou Bhakti, como Justiça, ou aquela que traz a Espada, o famoso Duque d´Alba…

S. Lourenço a estância de águas minerais como a de Portugal, foi fundada por Lourenço da Veiga. E para que a causalidade fosse mais adiante, o construtor da Vila Helena, sede da Presidência Geral da S.T.B., se chama Vicente Lorenzo, e ainda continua na referida localidade o seu papel de “construtor ou obreiro”, mesmo que não seja um Iniciado

 

AS ARMAS DA CIDADE DO SALVADOR

 

No artigo anterior dedicado a Colombo e Cabral, já tivemos ocasião de falar sobre as Armas actuais da cidade fundada por Tomé de SOUZA, na razão da pomba que traz no bico o ramo da oliveira, cercada pelo conhecido lema Sic illa ad arcam reversa est (Assim voltou ela para a ARCA).

Resta-nos fazer o mesmo com as velhas Armas, que agora nos chegam às mãos pela gentileza de um grande Irmão e amigo, o Dr. Jaddo Couto Maciel (o mesmo que enviou as usadas actualmente), ilustre e digníssimo funcionário da Prefeitura da mesma cidade, além de incomparável propagandista da Paz Universal, como fundador do Núcleo Pacifista Vínculo Internacional de Amizade, cultuado através do Esperanto, por toda a parte do Globo. Por isso mesmo, um nome de grande projecção no mundo espiritualista, inclusive na Índia, através do Mahatma Gandhi, que lhe dedica a maior consideração, respeito e amizade. A ele, pois, se deve o comentário que vamos fazer das referidas Armas:

Os mesmos torreões do Brasão de Colombo são aí vistos, sendo que para formar o central ou do meio, é substituído pela mesma âncora: a anchora-vitae a que nos referimos anteriormente, na descrição, por sua vez esotérica, das Armas do grande descobridor da América. O símbolo actual da cidade já figurava no centro, sem falar nos mesmos ramos da Árvore dos Cumaras, dos Cabiras, dos Caprinos ou Cabralinos… existentes tanto no Brasão de Colombo como no de Cabral. De envolto aos referidos ramos e alongando-se para fora, dois golfinhos, por sinal que encontrados não só em velhas fontes daquela cidade, como em outras do mundo. Haja vista, as duas fontes de S. Lourenço dos Ansiães, como já tivemos ocasião de descrevê-las. Aquela de certa praça de S. Lourenço de Goa e, finalmente, à direita da praça principal de Srinagar, província de Cachemira, no Norte da Índia, onde uma jovem – espécie de Samaritana – nos oferece e aos demais da comitiva, em seu púcaro de barro, um pouco do precioso liquido saído da boca dos referidos animais. Golfinhos, no Zodíaco exclusivamente animal, correspondem ao Geminis do Zodíaco misto ou vulgarmente conhecido. Os “Gémeos nascidos das águas”, como são todos os Manus que se apresentam sempre em forma-dual (“irmãos-esposos”, como dizem as lendas). Por isso também tidos como Peixes ou PISCIS. Nessa razão, Manco-Capac e Mama-Oclo ou Coya, fundadores de Cuzco, ou seja, a primeira dinastia inca. O mesmo termo Manchu ou Machu-Pichu que se dá à cordilheira ali existente, já o dissemos em vários estudos nossos, provém do mesmo étimo, isto é, Manu-Piscus ou Piscis, Peixes, etc.

Pelo que se vê, as velhas Armas da cidade fundada por Tomé de Souza possuem ensinamentos grandiosos, por isso que muito maiores do que julgam os profanos, ou aqueles que se atrevem a falar de assuntos que lhes são completamente desconhecidos.

Uma outra causalidade interessante, que figura no nome de Tomé de Souza:

O Souza da família de quem estas linhas escreve (a família humana ou terrena…) e o T, que também ressalta do nome de “Dom Tivisco de Nasao Zarco e Colona, apelidos do 1.º donatário do Funchal”. Sendo que Tivisco de Nasao é anagrama de Jacinto de Souza (nome já conhecido do avô de JHS), dando a um dos ii de Tivisco o valor de J, o que então era vulgar, como se pode ver na página 99 do livro de que tivemos de comentar alguns trechos, por serem capazes de testemunhar as nossas próprias afirmativas, no rápido estudo que fizemos no número anterior desta revista, sobre Colombo e Cabral, servindo, como foi dito, de Introdução aos demais que o seguiram: Paracelso e Cagliostro e S. Germano.

Em resumo, BAHIA – TOMÉ DE SOUZA, na razão anagramática para SRINAGAR – TEMPLO BUDISTA, no Norte da Índia onde estivemos, ou então S.T.B. – SOCIEDADE TEOSÓFICA BRASILEIRA.

 

A BANDEIRA OU AS ARMAS DA S.T.B.

 

Qualquer pupilo do nosso Colégio Iniciático, sem tergiversação alguma, responderia imediatamente a quem lhe perguntasse sobre as cores e as Armas da Bandeira da S.T.B.:

Amarelo e azul, na razão da própria Missão Y em que está empenhada a mesma S.T.B. Sim, o azul de Budhi e o amarelo ouro de Atmã, desde que os dois não se podem manifestar em separado. É o Budhi-Taijasi, ou o Mental Iluminado pelo 7.º Princípio teosófico, o Cristo, se assim o quiserem, de todas as religiões, desde que não concebido apenas como individualidade, mas o maior grau de elevação a que qualquer pessoa pode chegar na vida. Já dizia S. Paulo que “todo o ser bom pode falar ao Cristo, em seu homem interno”, e não especificava religião alguma. Nesse caso, as duas doutrinas, a do Olho (ou da Mente) e a do Coração (o Carácter), bastantes para ser alcançado o referido grau, ou sejam as duas conchas da Balança da Vida, em fiel ou equilíbrio.

Não são, ainda, essas duas cores agindo no ovo áurico de cada indivíduo, na parte superior da cabeça, que indicam essa mesma elevação? O azul sobrepujando o lado esquerdo ou “olho de Vénus” ligado à narina do mesmo lado ou lunar, enquanto o amarelo ouro do lado direito sobre o “olho de Budhi”, este, por sua vez, relacionado com a narina do mesmo lado ou solar, na razão secreta de que “Budhi ou Mercúrio é o Sol Espiritual que se oculta por trás daquele que se eleva e declina, diariamente, no horizonte celeste”. Oriente e Ocidente!… Dia e Noite! Luz e Sombra! Espírito e Matéria! Em se fundindo ambos, a Vida Una, a Consciência Universal, o Hálito Divino fazendo pulsar o Coração do Mundo!…

Sete régias coroas, todas elas terminadas em tríplice forma, como os torreões dos mais famosos brasões, inclusive o de Colombo, além de representarem as sete Raças-Mães, os sete estados de Consciência por que a Mónada tem de passar durante uma Ronda completa, multiplicando-se por si mesmas formam o precioso número 21, ou seja, a letra Shin hebraica, de que tanto se falou neste trabalho. Salvador, Srinagar, Souza… e outros termos. Para formar o número 22, o Thau, o Mundo, a Laurenta, etc., ou seja, a 8.ª Coisa, Cidade, Dvipa, o nome que lhe quiserem dar, todo o conjunto central do Brasão: em cima, o tradicional Dragão, já antes explicado no de Colombo, porém, o nosso Dragão amarelo, de Ouro ou Átmico… sobrepujando as 3 iniciais JHS, tantas vezes reveladas e discutidas para termos de falar a seu respeito. Por baixo, a Flor-de-Lis, com as suas 3 pétalas, Lírio ou Loto Sagrado dos Lagos Iniciáticos, da própria Shamballah, e não “o lírio do brejo” da profecia de Paracelso, que foi destruído com a Bastilha, com os Bourbons de França, com a Revolução Francesa, para que fossem “lançados os alicerces do novo Templo de Jerusalém”, que nada tem de comum com a actual cidade da Palestina, mas com a própria Shamballah, “Cidade da Luz”, Morada dos Deuses, por isso mesmo, interdita aos mortais, aos homens vulgares, àqueles cujo coração está repleto de maldade, e a mente envolta nos densos véus da ignorância.

Quanto ao LPD 3, que enfeixa ou serve de remate a tão excelso quão misterioso Brasão, os preciosos Nomes com que, desde tempos imemoriais, é conhecido o Governo Oculto ou Espiritual do Mundo, como já foi dito, passando por diversas metamorfoses de acordo com a própria Evolução Humana, inclusive aquelas da nossa última Revelação no número anterior desta revista, que servem para expressar o Manu da 7.ª Sub-Raça: LOURENÇO-PRABASHA-DHARMA.

E quanto aos Pupilos, como preciosa SEMENTE figurada no lema SPES MESSIS IN SEMINE, por sua vez revelado na mesma ocasião: LAUDATE PUERI DOMINE.

Terminada a peça, pouco importa se fraca, não há como repetir mais uma vez, em lugar do Ridi pagliacci, mesmo que a chorar:

VITAM IMPENDERE VERO!

 

NOTAS

 

1) Vários jornais acabam de publicar o seguinte telegrama proveniente de Barca de Amieira (e logo Barca!…), em Portugal:

“Perto da povoação de S. Jorge (?) das Matas, existem uns terrenos denominados “Algarve da Sobreira” pertencentes ao Sr. João Gonçalves. Há nesses terrenos um buraco largo e profundo – coisa para quatro metros de boca – cuja origem nem as pessoas mais idosas do sítio sabem explicar.

“O Sr. João Gonçalves, curioso e decidido, já por várias vezes convidara alguns indivíduos para descerem com ele ao fundo do misterioso buraco, mas todos recusavam.

“Há dias foi mais feliz. Perto de 160 pessoas reunidas, munidas de cordas, baldes, roldanas e luzes, dirigiram-se com o Sr. João Gonçalves para junto da grande abertura. O Sr. João Gonçalves desceu e com ele, outros. A trinta metros de profundidade encontraram uma sala espaçosa, cavada na rocha, e de onde partem diversas galerias em diferentes direcções, muito compridas e terminando junto de grandes lagos.”

São as tais “regiões jinas” a que nos referimos em vários artigos desta revista, inclusive as do Brasil em Mato Grosso (Serra do Roncador, das Ararinhas ou, simplesmente, Araras, etc.), no Paraná (Vila Velha, Ponta Grossa) e em Minas Gerais (S. Lourenço, S. Tomé das Letras, etc., etc.).

2) Em tupi, Guanandi é uma árvore que dá precioso leite, um tanto viscoso como a mangabeira. Neste caso, mais uma vez fazemos lembrar o termo Pushkara, do nosso continente, ou aquele que as escrituras orientais denominam de “mar de leite, de manteiga clarificada”, etc.

3) O mistério do L.P.D. é tão antigo que se perde na noite dos tempos e relacionava-se, no ciclo anterior da Evolução Humana, com as iniciais de LORENZO PAOLO DOMICIANI e com as da sua esposa de todos os tempos, LORENZA FELICIANI DOMICIANI, sendo a diferença do P (masculino) para o F (feminino) simbolizada pelas duas formas da CRUZ ANSATA (das quais, diga-se de passagem, apenas uma é conhecida do mundo profano, a masculina…), representadas a seguir:

Com efeito, a significação verdadeira da CRUZ ANSATA ou CRUZ DE ANKH, símbolo dos mais preciosos do velho Egipto, onde, reza a tradição, tiveram origem todos os Movimentos em prol da Redenção Humana, nos tempos áureos de KUNATON e NEFERTITI, é o CAMINHO, a ROTA, apontada pelo Espírito de Verdade, periodicamente, e seguido por todos quantos Lhe são fiéis.

Efectivamente, o símbolopode ser decomposto em

que são dois hierogramas sagrados dos egípcios, denominados e Tau, significando, respectivamente, a boca por onde se manifesta o Verbo e o caminho que esta Voz Divina aponta.

Desse modo, pode ser traduzido, como vocábulo, pela palavra ROTA (associação de e Tau), que em nossa própria língua significa “Caminho”. Além deste sentido, lendo anagramaticamente a palavra ROTA, vamos encontrar, entre outras, TARO E ATOR, palavras sobejamente conhecidas dos leitores desta revista e de quantos se dedicam ao estudo da Teosofia, para que tenhamos necessidade de insistir sobre o seu valor oculto.

 

(Revista Dhâranâ n.º 111 – Janeiro a Março de 1942 – Ano XVII)

 

 

 

 

 

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