Bretanha Sul: deuses, tradições e mistérios – Por Vitor Manuel Adrião Quarta-feira, Set 28 2011 

Alinhamento megalítico de Carnac

O núcleo megalítico de Carnac, situado na comuna de Morbihan, é o mais antigo da Europa e o mais extenso do mundo. Trata-se de um conjunto arqueológico datado do ano 1000 a. C. (II-I Milénio) constituindo um testemunho fascinante da cultura neolítica, composto por dólmens e 3000 menires em três grupos de alinhamentos repartidos por mais de 4 quilómetros de extensão.

O primeiro grupo, chamado Kermario, sendo o mais belo e conhecido, é composto de 10 fileiras ou linhas comportando um total de 982 menires, e nele que estão plantadas as maiores e mais altas pedras do alinhamento de Carnac, algumas superando os 7 metros de altura. O segundo grupo, o conjunto Le Menec, compreende 111 fileiras compostas por 1099 menires alinhados ao longo de 1165 metros de comprimento por 100 de largura, havendo menires que chegam a medir 4 metros de altura, vendo-se também túmulos, círculos de pedra e altares. Finalmente, o terceiro conjunto chamado Kerlescan, totalizando 540 menires repartidos por 13 fileiras, encontrando-se na sua extremidade um cromeleque de 39 menires com um grande menir no centro, chamado Gigante do Mano, com 6,5 m de altura.

O menir, por vezes de tamanho elevado, é uma pedra cravada verticalmente no solo (ortostáto). Daí que o seu nome menir, adoptado pelos arqueólogos dos século XIX, signifique em bretão antigo “pedra longa” (men+hir, idêntico ao gaélico maen hir, com o mesmo significado). No bretão moderno chama-se-lhe peulvan, e em português perafita, do latim pedra ficta, “pedra fixa, fincada”.

Aqui, em Carnac, os alinhamentos de menires possuíam dupla finalidade: uma, a de serem orientadores de locais, estando fincados sobre linhas telúricas a guisa de agulhas de acupuntura destinadas a revigorarem determinada zona, aqui o espaço agrícola de Carnac para que o terreno fosse sempre fértil, próprio para sementeiras e fartas colheitas. Ao mesmo tempo, os alinhamentos serviam de vedores do avanço das areias e do mar, o que sempre resultou e ficou provado que assim era quando, há cerca de 70 anos atrás, uns lavradores decidiram retirar alguns menires que estavam incomodando a sua actividade de lavoura. Pouco tempo depois, o mar avançou por essa fractura aberta inundando os campos. Reparou-se o mal recolocando imediatamente os menires retirados, e o mar recuou imediatamente.

A segunda finalidade dos alinhamentos de menires, destinava-os ao culto da fecundidade, tanto dos solos para os tornar produtivos quanto das mulheres para que fossem  férteis, enquadrando-se assim no tipo de culto à Grande Deusa-Mãe que na Pré-História se reconhecia como a Divindade Primordial nutridora dos seres vivos, portanto, a própria Natureza viva em cujos fenómenos geológicos e atmosféricos reconheciam as manifestações da própria Deusa-Mãe. Os menires de formato fálico ficam assim explicados: expressam a fecundidade da Natureza e os prodígios da fecundação, o que só pode ser representado pelo membro viril masculino.

A sedentarização das tribos neolíticas, praticando a pecuária e a agricultura, levou-as a um estado maior de civilização por interacção social mais próxima. Assim, criaram o culto ao seus mortos e construíram enormes sepulturas colectivas, estelas gigantescas, e fileiras de menires, isolados ou próximos. Sem dúvida que a Humanidade de então aprendeu a deslocar essas grandes pedras graças a roldanas, cordas e alavancas, tendo numerosas experiências actuais demonstrado que com poucos homens mas com a engenharia adequada, é possível deslocar grandes pedras pesando toneladas.

Servindo de calendário sazonal e astronómico, marcando as estações agrícolas, os alinhamentos megalíticos de Carnac por certo eram indispensáveis para os povos pastores e agricultores que aqui viveram nos primórdios da civilização humana. Que povos eram esses e como apareceram no Sul da Bretanha?

Tratar-se-iam dos Milésios (nome derivado de “Mil”, em referência à data da sua aparição no ano 1000 a. C.) ou Milesianos provindos da Península Ibérica (Galiza e Portugal), vindo dar origem este extraordinário conjunto lítico da Idade do Bronze. Aos Milesianos ou Mile Espaine se uniriam depois os celtas gaélicos fundadores da actual Gália. Após a conquista desta pelos romanos, a Bretanha passou a fazer parte da Armórica (Aremoricae, “que está defronte ao mar”). Cerca do ano 500 d. C., os bretões da Ilha Grande Bretanha, sendo atacados pelos anglo-saxões, emigraram para aqui, a Pequena Bretanha, trazendo os seus usos e costumes célticos, que cedo incorporaram-se nos dos autóctones também celtas, que nas Côtes-du-Nord, mas também nas do Sud, eram conhecidos como naturais do País de Dinan, o “Povo da deusa Dana”, isto é, a Grande Deusa-Mãe desses povos primitivos emigrados da Ibéria para a Hibérnia (Irlanda) mas também para a Bretanha, Grande e Pequena.

São numerosas as lendas locais que tentam explicar estes alinhamentos megalíticos de Carnac, porque durante muito tempo a origem destas estruturas permaneceu desconhecida. A maioria das lendas liga-se à fertilidade representada pelos menires, porque ela perpétua a lembrança dos primitivos cultos sagrados. Há a lenda de São Cornélio, que conta a má aventura dos legionários romanos que quando quiseram ocupar este espaço foram imediatamente petrificados e transformados em menires. O significado é o seguinte : o invasor romano foi dominado pela cultura local do invadido celta. Por norma, o mais forte fisicamente é dominado pelo mais fraco, cuja fortaleza reside numa cultura superior à daquele.

Só a partir de 1750 é que começou a haver interesse científico pelos alinhamentos de Carnac e as foram emitidas as primeiras hipóteses sobre a sua origem e finalidade. O conde de Caylus, em 1764, afirmava que os megálitos eram anteriores à época dos gauleses e dos romanos. F. de Pommereul, em 1790, por sua vez emitiu a hipótese de uma origem celta que durante muitos anos ocupou as reflexões arqueológicos sobre este conjunto megalítico. Mas no início do século XX, James Miln e Zacharie Le Rouzic, que estiveram na origem do Museu da Pré-História de Carnac que leva os seus nomes, Miln-Le Rouzic, introduziram novas interpretações fundadas na arqueologia. Eles verificaram e tentaram provar que o monumental conjunto lítico estivera ligado à prática de cultos, ou seja, à veneração de alguém ou de alguma coisa, o que já ficou clarificado atrás.

Durante a Ocupação, também a ideologia nazi interessou-se pelos alinhamentos de Carnac, vendo um sinal da «indo-germanização» da região pelas populações exteriores vindas do Norte para o Mar. Chegou a ser enviada uma missão ao local no Outono de 1940 e realizados levantamentos topográficos aéreos, com a ajuda da Luftwaffe. Essas pesquisas foram dirigidas directamente por Alfred Rosenberg, o principal ideólogo do ocultismo sinistro do partido nazi. Mas o decurso da guerra interrompeu definitivamente essas pesquisas nazis.

Depois de 1991, este sítio arqueológico foi fechado ao público e restringido o livre acesso, a fim de o preservar e conservar. Com efeito, o livre acesso provocava, sobretudo na época estival, numerosas degradações dos menires (fracturas e quedas) e do terreno. Hoje é possível visitar-se mas com marcação prévia e número restrito de visitantes de cada vez, tudo sob o olhar atento de zelosos vigilantes, muitos deles os próprios agricultores da região.

Túmulo de Saint-Michel em Carnac

Quem vem a Carnac, passando no meio dos alinhamentos de menires e pouco antes de chegar à povoação, avista à esquerda o túmulo de Saint-Michel. Trata-se de um monte artificial em cujo cume foi erigida em 1663 uma capela consagrada ao dito Arcanjo (possivelmente nascida de alguma ermida medieval entretanto desaparecida), a qual foi destruída em 1923 e reconstruída em 1927 semelhante à original. Vem daí o nome Saint-Michel. No seu topo, verdadeiro belvedere donde se domina toda a região, tem-se uma paisagem deslumbrante de Carnac.

Esta verdadeira colina artificial com mais de 30.000m3 medindo, a partir da sua base, 125 metros de comprimento por 60 de largura e 10 de altura,  é de facto um túmulo neolítico (tumulus) datado de entre o milénio 5000 e 3400 a. C. Este monumento é considerado do tipo dos tumulus carnacéens, pequena série de monumentos funerários ligada ao fenómeno mais geral dos tumulus gigantes.

O termo latino tumulus designa uma eminência artificial, circular ou não, cobrindo uma sepultura. Por vezes emprega-se a designação cabeço (tertre), quando é feito só de terra, e quando é elevado só com pedras chama-se cairn, “montículo rochoso artificial”. Este tumulus de Saint-Michel é feito de terra e pedras, e por ser uma câmara sepulcral megalítica bem elaborada é identificada como dólmen, por certo destinando-se a jazigo funerário da elite social do povoado neolítico de Carnac.

As primeiras escavações arqueológicas neste túmulo de Saint-Michel junto às Rochas de Carnac, deveram-se a Galles e Lefebvre em 1862-64, sendo a campanha seguinte dirigida por Le Rouzic, de 1900 a 1907.

No interior deste tumulus, há uma série de galerias com muitas covas anexas em torno do túmulo principal, rodeado por uma quinzena de pequenas sepulturas,  assim como também um corredor perto da extremidade oriental. Essas galerias foram consolidadas para puderem visitar-se com segurança, mesmo assim só acessíveis mediante marcação prévia no Museu de Carnac. As diversas covas desembocam no corredor central comprido e estreito, vendo-se uma capa térrea espessa amarela grisalha cobrindo tudo em volta da parte oriental do dólmen. Uma carapaça pedragosa superficial completa a estrutura e explica a sua boa conservação resistindo à erosão.

A cova central é característica das criptas dos grandes tumulus carnacéens. Construída sobre o solo, essa câmara «ciclópica» mede 2,4 m de comprimento por 1,4 m de largura e 0,9 m de altura. Dentro dela haviam 11 machados de pedra polida (de 37 cm de altura por 19 cm de comprimento, e um outro mais modesto de 9,7 cm em piroxenito), 25 machados em fibrolite, 97 pedras discóides e 10 pendentes piriformes em variscite. Acrescentam-se a isso 40 pequenas pedras discóides feitas de ossos de animais. Várias ossadas humanas e de animais foram igualmente recolhidas nas diversas covas, como também fragmentos de cerâmica do Neolítico Médio na zonal oriental do dólmen.

Tem-se discutido muito sobre a idade deste monumento, a sua cronologia relativa às covas laterais à sepultura central, e à finalidade do monumento parecendo ter tido a dupla função de templo e depois túmulo, de acordo com os seus dois tipos de estruturas. Pode muito bem ser assim, pois nessa época da “pedra polida” (neolítico) não raro um templo também servia de túmulo.

As pedras discóides encontradas no interior do tumulus sendo representações do próprio Sol, como círculo luminoso, pressupõem ter havido aqui um culto solar dos sacerdotes celtas, os druidas, ao deus Belenos ou Bel, que quer dizer «Senhor da Luz», identificado ao próprio astro-rei. Este deus e a deusa Dana ou Danu conceberam um filho que veio a ser o deus Lug, o «Luminoso», considerado a encarnação do próprio Espírito do Sol na Terra e que foi a divindade mais importante do panteão lígure, celta e celtibero.

Lug era o deus da vida por excelência, eternamente jovem e talentoso, dominando diversos campos, desde a Oratória à História, da Agricultura à Metalurgia, da Alquimia à Magia. Cantor e músico eternamente jovem, os diversos títulos que foram dados a Lug reflectem a sua importância, como esses de Maicnia (jovem guerreiro) e Samildanach (possuindo muitas habilidades). Enquanto deus solar e guerreiro, o seu atributo é a lança mágica (representando o fogo), sendo-lhe associados o lince e o corvo, esta a ave da memória e da profecia.

Quanto ao lince, o seu nome celta é o homónimo exacto do deus Lug: lug, genitivo loga. É possível que tenha sido considerado como um símbolo de Lug por causa da sua visão penetrante, dizendo a lenda que as cordas da harpa celta eram feitas de tripa de lince, sendo os seus sons considerados divinos. Uma crença medieval atribuía ao olhar do lince ou do lobo-cerval o poder de penetrar muros e muralhas; várias gravuras da Renascença representando os cinco sentidos, figuram a visão como um lince. Acreditou-se também que o lince percebia sobre as imagens o reflexo dos objectos que lhe eram ocultos, ou seja, escondidos da sua visão.

A festa propiciatória de Lugnasad, celebrada a 1 de Agosto, quando o signo solar do Leão se encontra no auge, dirigida ao culto dos mortos e à celebração da Natureza para fomentar boas colheitas, diz-se que foi instituída pelo deus Lug.

Com a cristianização da cultura celta, impondo-se a esta aquela como se vê neste túmulo carnaceano, com a capela por cima do dólmen, esse deus solar foi substituído por um Arcanjo também solar, Michel ou Miguel. Celebrado pela Igreja Católica em 29 de Setembro, este Arcanjo é considerado chefe das milícias celestiais e o que está mais próximo de Deus, a ponto de se confundir com a Sua Luz, donde a prerrogativa latina para o mesmo: Qui ust Deus, ou seja, Quem é Deus. Em hebraico, como Mikael é assinalado Maleak-Elohim, isto é, Aquele no qual é Deus.

Como Miguel também Lug se confundia com a Luz de seu Pai Bel. A estatura quase ou mesmo ciclópica de ambos os deuses, é sinal da sua elevada posição na cumeeira dos respectivos panteões deíficos representando para os mortais a própria Divindade Suprema. Sendo «ciclópicos», ciclópicas deveriam ser as edificações consagradas aos mesmos, particularmente a Lug, donde as proporções agigantadas do tumulus seu e do homónimo cristão.

Desse facto também provirá a origem do nome Carnac, de raiz celta car, “pedra”, que os antigos latinos identificavam à chorea gigantum, isto é, a “dança do gigante”. Como dança, possivelmente seriam essas sagradas em honra de Lug, e como gigante seria o próprio Lug, representado no gigantismo das pedras talhadas, os menires.

Finalmente, a elevação da colina artificial vem a expressar o próprio Monte Belos ou Bel, a “Montanha do Sol” a cuja Divindade elevam-se as almas dos defuntos para participar e ser Nela, antanho conduzidas post-mortem por Lug e hoje por Miguel, ambos divindades psicopompas, isto é, intermediárias entre o mundo dos vivos e o oceano dos mortos.

Os animais de São Cornélio

Quem visita a igreja de São Cornélio de Carnac não deixa de admirar-se e interrogar-se pelo facto deste santo aparecer ladeado por um boi e uma vaca na fachada do edifício. Quem era São Cornélio? Que tem o gado bovino a ver com ele? Haverá alguma relação com algum tipo de culto mais antigo, em que Cornélio possa ser decalque iconográfico de algum deus primitivo? Enfim, paira a pergunta geral: que significa tudo isso?

Na fachada desta igreja de Carnac, Cornélio aparece ostentando a cruz pontifical porque foi Papa desde 6 ou 13 de Março do ano 251 até Junho de 253, tendo sucedido a São Fabiano. A Igreja Católica dedicou-lhe e ao seu amigo São Cipriano o dia 13 de Setembro, se bem que tradicionalmente lhe fosse consagrado o 16 de Setembro, data do seu martírio segundo São Jerónimo. Iconograficamente, é atribuído a Cornélio o corno, em referência à origem do seu nome em latim: “corno” ou “chifre”. Este poderá ser a trompa de batalha usada no seu tempo na guerra contra os godos, feita de um chifre de boi ou de vaca. Com efeito, o nome Cornély provirá de corne e de leos, “povo”, como quem diz, o corno ou a força do povo.

Em A Lenda Dourada, obra latina do século XIII escrita por Jacques de Voragine, este autor dá uma interpretação teológica ao nome Cornélio, dizendo que significa “aquele que entende a circuncisão”. Com efeito, este Papa destacou-se pela advocação moral da virgindade monástica e da fidelidade conjugal, ambas distintas mas lícitas e necessárias. Algumas das suas relíquias foram levadas para a Alemanha durante a Idade Média, sendo a posse da sua cabeça reivindicada pelo mosteiro beneditino de Kornelimünster Abbey, próximo a Aachen. Na Renânia, ele é considerado padroeiro dos namorados. É também, universalmente, o santo padroeiro dos agricultores e do gado. É invocado contra a epilepsia e as aflições relacionadas com os nervos e os ouvidos.

Anteriormente a esse Papa houve um outro Cornélio, nada menos que o protagonista bíblico de dois dos capítulos dos Actos dos Apóstolos, X e XI. Aí é contada a sua história e o episódio de uma visão conjunta com Pedro, onde um Anjo lhes apresentou um grande mantel sustido pelas quatro pontas cheio de animais, répteis e aves, e concitou que os sacrificassem e comessem, ao que Pedro alegou não comer alimentos manchados e impuros. Então, a voz celeste repreendeu Pedro, «que não chamasse impuro ao que Deus purificara». O Apóstolo compreendeu finalmente: com essa mensagem os Céus anunciavam claramente a universalidade da ideia cristã, que devia estender-se não só entre os judeus mas a toda a Terra. Esta é a primeira referência nas Escrituras à expansão cristã mais além do âmbito restrito do judaísmo. Na continuação da história do São Cornélio do Novo Testamento, narrada a partir do relato de Simeão Metafraste que o tomou de Surio, ele foi predicar na Ásia Menor, na cidade de Skepsis, na actual Turquia, onde era prefeito do império romano um tal Demétrio o Filósofo, adorador do deus Júpiter. Ele quis obrigar Cornélio a venerar esse deus, mas o Apóstolo invocou o Deus dos cristãos que respondeu imediatamente reduzindo a cinzas a estátua de Júpiter e desmoronando o seu templo, ficando subterrados os familiares de Demétrio. O prefeito mandou prender Cornélio, mas logo lhe suplicou que rogasse ao seu Deus que lhe devolvesse sãos e salvos o seus familiares. Assim foi feito: o Deus cristão fez com com as ruínas se removessem por si mesmas e dentre elas saíram incólumes todos os familiares de Demétrio. O significado desse episódio miraculoso salta à vista: conversão e baptismo de todos os gentios, reconhecimento de Cornélio como porta-voz de uma fé imediatamente assumida e anos felizes da cidade e de todos os seus habitantes até à morte do mestre, que passou a uma vida melhor exortando a todos a preservarem na virtude que lhes havia inculcado. O seu sepulcro começou a ser fonte de milagres e o martiriológio conferiu-lhe como data litúrgica o segundo dia de Fevereiro.

O dia 2 de Fevereiro é o da Candelária, o da Festa das Candeias, que constitui um dos festejos mais decididamente pagãos entre as celebrações reconhecidas e convenientemente adaptadas pelas autoridades eclesiásticas. Curiosamente, a do Papa São Cornélio continua sendo uma curiosa mostra de paganismo assumido: observa-se a permissividade da Igreja que faz deste santo patrono dos animais cornudos que lhe são consagrados no dia da sua festa oficial, 16 de Setembro, próximo do Equinócio do Outono, em 20 de Setembro que se adjudica a São Caprásio, isto é, a Santa Cabra, que é um santo cornudo – pelo menos no nome – tanto como é São Cornélio. Penetra-se assim nos cultos agrários primitivos: tradicionalmente, no Equinócio do Outono faz-se a festa que feche as últimas vindimas, ou seja, as últimas colheitas; porém, paralelamente é a festa que invoca a protecção divina para os animais, sobretudo para o gado bovino, que serão especialmente protegidos durante o Inverno, porque constituem o alimento principal num tempo em que a natureza vegetal fica adormecida debaixo do frio.

Tem-se aí, em Cornélio de Carnac, a versão cristã do deus cornudo da religião celta, Cernumos ou Cermumnos, cujo nome significa “Cervo”, que nos tempo dos druidas era evocado para proteger o gado cornúpeto na festa do Equinócio do Outono. Era o deus celta protector dos animais, função depois transferida para Cornélio. A lenda conta que este percorreu o mundo numa charrete puxada por um boi e uma vaca enormes, e que ao alcançar o Sul da Bretanha foi perseguido pelos legionários romanos que o queriam matar. Conseguindo chegar a Carnac, escondeu-se na orelha de uma dos animais e daí transformou as fileiras de soldados pagãos em pedras, que são os enfileiramentos megalíticos.

Desde então, numerosos peregrinos vindos de toda a parte começaram a afluir a Saint-Cornély de Carnac para que este curasse os seus animais enfermos. Ele agracia a todos, por certo em memória dos dois animais que lhe prestaram tão precioso serviço quando fugiu para este lugar. O seu perdão celebrado na segunda semana de Setembro, dia 13, é dos mais importantes desta região agro-pecuária. Os peregrinos ajoelham-se na igreja diante das relíquias do santo, e depois fazem a romaria da fonte próxima, levando recipientes que enchem com água. Com ela, lavam os olhos e as mãos e levantam os braços para que a água corra ao longo do corpo. Em seguida, juntam o seu gado e levam-no em peregrinação à igreja de São Cornélio onde dão com ele uma volta completa ao edifício, e a seguir voltam à fonte onde derramam água sobre a cabeça dos animais. Muitos asseguram que os animais dão a volta por si mesmos sem que ninguém os conduza. Frequentemente os peregrinos fazem donativos de trigo, de dinheiro e também de gado a este templo.

A fonte, situada a oeste da igreja de São Cornélio, foi durante muito tempo o principal o ponto de abastecimento da povoação. A construção actual data do século XVII, está abaixo do solo e rodeada por um murete formando um recinto, a que se acede por quatro escadarias. Esta fonte de arcaria de ordem dórica é encimada por uma espécie de obelisco terminando numa esfera suportando uma cruz metálica. No seu interior, colocado num pequeno altar, está uma estátua de São Cornélio. A fim de proteger a fonte, foram instaladas grades sobre os seus três lados abertos, o que torna difícil a visão dessa representação do santo.

Também a igreja já não é a primitiva, pois data do século XVII. O seu curioso baldaquino do pórtico de entrada está ornado de volutas habilmente dispostas em forma de coroa real e repousa sobre colunas geminadas. Alude à realeza divina de Maria como Mãe do Mundo, estando alguns episódios da sua vida retratados em curiosas pinturas do século XVIII dentro deste templo. Este baldaquino monumental é obra de um mestre canteiro chamado Kergoustin e data de 1792.

O diabo de Campénéac

A igreja paroquial de Campénéac, consagrada à Natividade da Virgem Santíssima, fica não muito distante da floresta de Brocéliand, e talvez para acentuar ainda mais o carácter mágico dessa floresta esta igreja apresenta uma curiosidade única em França: um diabo ajoelhado suporta o púlpito do templo para que ele não o esmague.

Sendo o púlpito o lugar do Verbo, da Palavra Divina preferida pelo sacerdote representante do Eterno na Terra, o demónio ajoelhado vem a expressar a submissão e a conversão do Mal em Bem, pelo que alguns vêem na alegoria a Palavra de Deus esmagando Satan. Outros, vêem aí esconjuração das antigas e «diabólicas» tradições celtas pela nova religião triunfante, indo atribuir ao escultórico insólito a evocação do nascimento mítico do mago Merlin, gerado dos amores de um génio diabólico com uma mortal religiosa.

A imagem tradicional do diabo é exclusivamente cristã, e a sua forma convencional de todos conhecida (com chifres e corpo meio humano e meio bode) foi fabricada nos conventos medievais europeus, seguindo o modelo alegórico descrito em textos judaicos. Depressa se celebrizou essa imagem do ente maligno, graças à propaganda dos religiosos católicos destinada a amedrontar os prosélitos, assim fazendo com que não fugissem do redil da Igreja. A religião celta dos primitivos druidas desconhecia essa figura, mesmo aceitando a existência dos espíritos malignos que provocavam anomalias atmosféricas e psicológicas indo afectar tanto o meio natural como o ambiente pessoal. A sua esconjuração era motivo de uma celebração anual na noite de 31 de Outubro, o Halloween, quando a população realizava desfiles barulhentos destinados a amedrontar e repelir os espíritos malignos da Natureza. À meia-noite os druidas acendiam uma fogueira representando o Sol do ano novo celta, cujo calendário iniciava no dia 1.º de Novembro. A Igreja adaptou essa celebração céltica e transformou-a no Dia de Todos os Santos, altura da ida aos cemitérios prestar homenagens à memória dos entes queridos falecidos.

Portanto, o diabo na igreja de Campénéac é uma figuração cristã de inspiração judaica, completamente alheio à cultura celta. Pressupõe-se que seja o arquidemónio Asmodeus, que é representado como uma espécie de feiticeiro (donde a alusão a Merlin) e também pode adoptar a forma de uma aranha negra. A demonologia informa que o seu poder é tão grande que é considerado a arma de Lúcifer, o imperador do Inferno, para derrotar o Messias (por isto está representado em posição de subjugado sob o púlpito, para que não possa impedir o Segundo Advento do Senhor e possa se converter a Ele).

Estando imediatamente abaixo de Lúcifer (aqui entendido no sentido exclusivamente demonológico e não como Estrela da Manhã, que é o planeta Vénus), Asmodeus é o arquidemónio representante do último pecado, a Luxúria, concepção teológica dada ao pior dos pecados, e também ingere negativamente nas disputas entre casais, impelindo à desagregação das famílias. O nome Asmodeus provém do Talmud hebraico Aschmedai, “aquele que faz perecer”, e como Anjo destruidor, ou o mesmo Assura revoltoso da teologia hindu, aparece citado no Velho Testamento, em II Samuel, 24:16, em Sabedoria, 18:25, e também no Apocalipse, em 9:11. Reaparece no Livro de Tobias (3, 8, 17; 6:14; 8:2), como inimigo da união conjugal. O seu nome passou ao grego Asmaidos e ao latim Asmodaeus ou Asmodäus, sendo que na tradução de S. Jerónimo das escrituras sagradas para a Vulgata Latina aparece, no mesmo Livro de Tobias, o nome Asmodaios, descrito no Dicionário Bíblico como o assassino dos sete noivos de Sara, filha de Jacob e Raquel, tendo-os morto no dia do próprio casamento antes de consumarem a união conjugal. Sara, devido à vergonha que tal situação causava ao pai, pediu a Deus para morrer. Então Deus, ouvindo as suas súplicas, enviou o Arcanjo Rafael para resolver o problema e guiar Tobias até ela. O Arcanjo expulsou Asmodeus das proximidades de Sara e prendeu-o acorrentado de mãos e pés no alto da montanha mais elevada do deserto do Alto Egipto. Assim, Sara pôde casar com Tobias que posteriormente cegou, mas graças à interferência do Arcanjo Rafael foi curado.

A literatura apócrifa judaica diz que Asmodeus era filho de Adamah (Adão), o primeiro homem, e de Lilith, a sua primeira esposa antes de Eva. Quando Lilith se revoltou contra Deus e foi expulsa do Paraíso convertida em serpente, Deus deu a Adão a nova companheira Eva (Heve). Adão fecundou Eva que deu à luz Caim. Assim, Asmodeus e Caim serão os primogénitos da História Humana, ambos condenados aos domínios infernais, as talas do hinduísmo, por terem transgredido as leis de Deus. Uma outra lenda judaica, diz que Asmodeus era filho de uma mulher mortal, Naamah, fecundada por Lúcifer, o chefe dos Anjos caídos. E uma outra lenda faz nascer Amadeus do incesto de Tubalcaim com a sua irmã Noema ou Noêmia, nome que significa “Lua Nova”.

A presença de Aschmedai no judaísmo poderá ser herança da cultura parse ou iraniana, cuja religião mazdeísta chamava ao “Demónio da Ira” de Ashmedia ou Daeva Aesma. A ira demoníaca só era acalmada pela doçura da Deusa Mãe, esposa do Deus Sol Ahura Mazda, da religião parse. Aqui, em Campénéac, por certo só será sossegada pela candura da Virgem Santíssima a quem esta igreja é consagrada.

Se este templo reserva o insólito da presença do diabo dentro do seu chão santo, insólitos também têm sido vários episódios marcantes da História de Campénéac. Aqui nasceu Armelle Nicolas (1606-1671), chamada a boa Armelle, mulher humilde cuja piedade, caridade e extâses místicos suscitaram um movimento de culto em toda a Bretanha que perdurou até ao início do século XX. Esta localidade foi conhecida da corte de Luís XIV graças à canção dos “Gars de Campénéac”, composta em 1585.

Aqui fala-se mais o gallo, língua romana, que o bretão histórico, língua céltica. Talvez por isso o topónimo Campénéac provenha do latim Campaniacum, sendo acum um sufixo gaulês atestado pela forma documental Kenpéniac no ano 840 d. C., como está no cartulário de Redon, possivelmente inspirada em Campanius, primeiro senhor de Campénéac, como referência aos campos romanos situados perto da floresta de Brocéliand.

Campénéac é um fundus gallo-romano e pode a este título ser considerada como uma paróquia primitiva, citada assim desde o século IX (cartulário da Abadia de Redon, carta CVII). Outrora, esta paróquia dependia da diocese de Saint-Malo, mas com a elevação de Campénéac a comuna e cabeça de cantão em 1790, em 1802 a paróquia passou para o bispado de Vannes.

Da época celta de Campénéac, pode-se assinalar os restos de um dólmen com galeria situado perto de Brambellay. Da época romana, não há a assinalar nenhum vestígio até hoje. Até 1860 a actual igreja manteve as formas arquitecturais do primitivo edifício, altura em que foi restaurada. Mas quem se mantém até hoje, por certo contrariado mas nada podendo fazer, é o diabo que suporta a Palavra de Deus e, submisso, prova que no final é sempre a Luz a vencer a Treva.

A floresta mágica de Brocéliand

A floresta de Paimpont estende-se por 7000 hectares. É aqui que se encontra o bosque encantado de Brocéliand, que não figura em nenhuma carta topográfica (oficial) senão nos sonhos astrais de magia e encantamento de muitos. É a Terra do Nunca… Aqui se evocam e pressentem as fadas Morgana e Viviane da saga arturiana, Lancelote do Lago, Merlim o Mago, o rei Artur e os lendários doze cavaleiros da Távola Redonda. A Natureza: xisto vermelho, granito e quartzo com mais de 600 milhões de anos; crateras abissais no Vale Sem Retorno, florestas profundas ou extensas, ribeiras ou extensões de águas tranquilas, enfim, a paisagem é grandiosa.

Merlin, filho de um génio e de uma mortal, herdou os poderes sobrehumanos de seu pai dos quais se serviu para auxiliar o rei Artur da sua demanda do Santo Graal. Um dia, atravessando a floresta de Brocéliand, ele encontrou a fada Viviane perto de Barenton. Eles amaram-se. Ela aprisionou-o para sempre num túmulo após ter aprendido todos os seus segredos mágicos. Viviane passou a viver eternamente nas águas profundas de Comper. A outra fada, Morgana, que aprisionava para sempre os seus amantes nas profundezas do vale, está estreitamente associada ao Vale Sem Retorno, no fundo do qual encontra-se o Espelho das Fadas. O encantamento de Brocéliand é constante e total. Inclusive influenciou a iconologia patente na igreja de Tréhorenteuc, que sendo cristã mistura-se com tradições e lendas arturianas onde o tema celta se confunde com o cristão: o vitral da Acção de Graças mostra os Apóstolos em torno do Saint Vaisel, ao lado daquele outro da Aparição do Santo Graal, a Taça Sagrada ou Eucarística, aos cavaleiros da Távola Redonda em volta do rei Artur. O tema repete-se num dos quatro painéis presentes no coro, mostrando os cavaleiros da Távola Redonda em torno do Santo Graal, enquanto num outro vê-se Saint-Orenne, irmã do rei Judicael, numa cena familiar: tendo feito voto de pobreza, ela viveu reclusa em Tréhorenteuc. Este espaço encantado de Brocéliand convida ainda a descobrir o Castelo de Trécesson, o Túmulo dos Gigantes, a Casa de Viviane, o Túmulo de Merlin, a Fonte de Barenton e outros mais lugares escondidos no coração desta floresta mágica.

Sejam míticos ou reais, é sempre interessante fazer um tour pelos lugares mais notáveis da floresta mágica de Brocéliand, ex-libris do mundo mágico céltico-cristão :

A Fonte de Barenton. Diz-se que foi neste lugar que Merlin encontrou Viviane pela primeira vez. A lenda conta que o suave borbulhar que às vezes se vê sobre as águas são os suspiros das fadas que vivem no seu fundo, que realizam os desejos impossíveis de todos quantos por elas se apaixonam. Igualmente, a água desta fonte possui propriedades miraculosas, particularmente para as pessoas com doenças mentais: diz-se que se um doente mergulhar a sua cabeça nesta água, de imediato recuperará a clareza de espírito.

A Fonte da Juventude. Trata-se de uma modesta nascente de água situada perto do Túmulo de Merlin. Esta água possui, segundo a lenda, o poder de devolver a juventude a qualquer um que se banhe nela, e até mesmo conceder-lhe a vida eterna. Historicamente, os druidas celtas reuniam-se junto a esta fonte por ocasião do Solstício de Verão, a 21 de Junho, a fim de benzer as crianças, que após banhadas eram inscritas no marith, o registo da época. O mito da Fonte da Juventude provavelmente provém do facto das crianças recém-recenseadas serem consideradas nascidas só a partir do momento em que eram baptizadas. De certa forma, o Cristianismo adopta a mesma fórmula para os seus baptizados, os recém-nascidos na Igreja e em Cristo, não importando a idade real que possuam.

O Túmulo de Merlin. Este monumento é um vestígio neolítico de uma anta destruída em 1894 por caçadores de tesouros que procuravam o hipotético tesouro do Mago. Só sobreviveram os três pilares verticais, adossados a um velho azevinho, árvore sagrada para os celtas que marcava o nascimento de um novo ciclo sazonal e religioso, facto celebrado pelo Cristianismo na festa do Natal. Segundo a lenda, Merlin, o grande druida ou sacerdote da religião celta, deixou-se seduzir pela fada Viviane, a Dama do Lago, e confiou-lhe os segredos da arte sacerdotal. Viviane traçou nove círculos mágicos em torno de Merlin enquanto dormia, e aprisionou-o numa prisão invisível ou astral, e depois fechou-o para sempre num túmulo. Actualmente, numerosas pessoas ainda prestam culto a este monumento e evocam a memória de Merlin, fazendo-lhe pedidos para o que desejam ver realizar-se e deixando aqui objectos, lembranças a guisa de ex-votos.

O Túmulo de Viviane. Trata-se de uma anta reduzida aos alicerces, também ela vítima de pilhagem e delapidação no século XIX.

O Vale Sem Retorno. Este é o lugar mais famoso de Brocéliand. Trata-se de um vale apertado repleto de contrastes pela paisagem com gretas profundas no xisto vermelho, cor obtida pelo mineral de ferro que existe aqui e faz «enloquecer» as bússolas. Frequentemente apresentada como uma sedutora maléfica, a fada morgana era a meia-irmã mágica do rei Artur e sua adversária, como era igualmente de Guinièvre, esposa do rei, e dos cavaleiros da Távola Redonda. Merlin era o seu mestre de Magia. Segundo a lenda, traída pelos seus amantes, a fada Morgana encantou e aprisionou no Vale Sem Retorno todos os cavaleiros infiéis ao seu amor. O seu castelo estava construído nas alturas de uma montanha, donde vigiava os seus prisioneiros no vale. Os sortilégios de Morgana foram desfeitos por Lancelote que, fiel a Guenièvre, conseguiu libertar os cavaleiros escravos de uma paixão infiel.

O Espelho das Fadas. Segundo a lenda, é um lago, no fundo do Vale Sem Retorno, no qual as fadas podiam ler o futuro nas noites de Lua Cheia, lançando nele um grão de trigo. O nome de espelho provém do facto da floresta em volta ser de tal maneira espessa que o vento nunca consegue perturbar a superfície da água, que permanece lisa e imóvel como um espelho.

A Árvore d´Ouro. Em Setembro de 1990, a floresta de Paimpont ardeu durante cinco dias. Após a catástrofe, afluíram donativos de toda a França para financiar a reflorestação e novas plantações. Para assinalar este acontecimento, o artista François Davin criou esta obra, a Árvore d´Ouro, inaugurada em Agosto de 1991. Ele dourou um castanheiro com folha de ouro, e em volta ficaram cinco árvores negras simbolizando a floresta ardida, por descuido ou intenção. O ouro simboliza a imortalidade da floresta. O artista quis evocar as hastes de um cervo da antiga religião celta simbolizada em Merlin. O conjunto é rodeado por pedras aguçadas. A Árvore d´Ouro tornou-se a nova lenda de Brocéliand.

Imortalizada pelos trovadores e jograis da Idade Média, a floresta mítica e mística de Brocéliand ao transpor o tema arturiano da Grande Bretanha para esta Pequena Bretanha salvaguarda assim a tradição céltico-cristã do Santo Graal e, ao mesmo tempo, acompanhando a marcha precessional da civilização, parece querer demonstrar a supremacia espiritual da Bretanha sobre as ilhas britânicas ao plantar-se aqui o testemunho visível e tangível da Antiga Tradição que é Brocéliand ou Bresilianda, termo utilizado por alguns para designar a Bretanha Armórica por inteira, já que o topónimo provém do céltico brec´h, “colina”, tendo-se acrescentado o gálico tardio land, “terra”, por extenso, “colina de terra”, com o significado mais restrito de “país (bro, em bretão) dos montes”, estes, levando para o sentido castrejo, sendo os montículos megalíticos elevados que decoram a paisagem do Sul da Bretanha.

O primeiro texto a citar a floresta de Brocéliand foi o Roman de Rou, do poeta anglo-normando Robert Wace, cerca de 1160, mas sem dar uma localização precisa da mesma. A primeira localização física reivindicada remonta a 30 de Agosto de 1467, quando os Usemens et Coustumes de la foret de Brecilien foram escritos no castelo de Comper por um certo Lorence, capelão do conde de Laval. Antigamente, o Brocéliand era assimilada à floresta de Quintin, mas depois da primeira metade do século XIX os diferentes autores românticos preferiram associá-la à floresta de Paimpont, e assim ficaria para as gerações futuras poderem encantar-se nela e ter sonhos de magia e sortilégio.

O «menir cristianizado» de Saint-Uzec

O menir de Saint-Uzec, em Pleumeur-Bodou, surpreende pela sua talha e as suas esculturas. É um impressionante bloco de granito local com 8 metros de altura e 3,50 metros de largura, devendo pesar mais de 60 toneladas. Está colocado numa cerca a que se acede por uma pequena escadaria. Este monumento neolítico datará de entre 4000 e 2500 anos antes da nossa Era.

É um dos mais belos exemplares de «menir cristianizado», posto que está encimado por uma cruz e comporta na sua face sul baixos-relevos de cenas cristãs feitos cerca de 1674 aquando das missões evangélicas do Padre Maunoir, um jesuíta conhecido por ter destruído grande número de megálitos considerados pela Igreja como ídolos pagãos.

Esses baixos-relevos na face sul do monumento representam os instrumentos da Paixão de Cristo (martelo, cravos, lança, açoite, etc.), encimados pela Virgem ladeada pelo Sol e a Lua com rostos humanos. Em 1920 ainda se podia ver sob os baixos-relevos um Cristo colorido, pintura entretanto desaparecida apagada pelo tempo, mas cujo testemunho conserva-se em antigos cartões postais.

O facto de estarem retratadas aqui cenas da Paixão de Cristo é muito significativo e fácil de explicar segundo o entendimento jesuíta: o Senhor deu-se em holocausto pela redenção dos pecados da Humanidade, principalmente o pecado da idolatria, e com a Sua ressurreição a Humanidade redimida terá ressuscitado em Cristo e só em Cristo deve acreditar, pelo que os símbolos e monumentos dos primitivos cultos pagãos deverão erradicados da face da Terra, destruídos, ou então convertidos em objectos cristãos, como é este de Saint-Uzec assim exorcizado por um jesuíta fanático. Enfim, não há dúvida que o fanatismo gera o sectarismo, este produz a idolatria, onde o crer se impõe ao saber, e é assim que se provocam as perseguições a pessoas e objectos que não perfilhem da mesma crença, não raro apagando-se qualquer indício de saber e devoção alheias com a mais abjecta destruição dos corpos móveis e imóveis, querendo também atingir a memória e a alma dos mesmos, donde se recorrer ao vilipêndio e à mentira estropiando os factos históricos mais elementares.

Na face norte do menir, vê-se uma cova com 25 centímetros de profundidade originada pela erosão, prova de que no passado longínquo esta pedra esteve em posição resguardada. Também observam-se vários sulcos verticais formados desde que a pedra foi levantada. Até há pouco tempo, graças à campanha difamatória do Padre Maunoir, acreditava-se que esses sulcos naturais eram canais destinados a fazer correr o sangue das vítimas sacrificadas pelos druidas para actos de canibalismo.

Mas a História não regista positivamente nenhuma espécie de sacrifício humano nem de ritos canibalescos por parte dos druidas. Regista, sim, o sacrifício de soldados romanos aprisionados durante a ocupação romana, os quais eram declarados inimigos inconversos do povo celta, e quem os sacrificava eram os guerreiros não os sacerdotes. Também os romanos dizimaram milhares de autóctones locais (homens, mulheres, velhos e crianças), muitas deles sacrificados em actos públicos como motivo para diversão macabra. Tratou-se de selvageria provocada pela sanha da guerra, não de rituais religiosos preestabelecidos. Se acaso houve canibalismo entre os guerreiros de ambas as partes, também a excitação enlouquecida pela sanha da guerra pode explicar o facto, esporádico e não regular.

Como os celtas resistiram com bravura e heroísmo ao ímpeto da invasão romana, derrotada em muitas batalhas impossíveis de as perder, os escritores latinos (por exemplo, Júlio César) escreveram que os druidas celtas sacrificavam prisioneiros aos deuses e depois comiam-nos, obviamente omitindo que os romanos faziam exactamente o mesmo. A mentira pegou, e após a Era Cristã o escritor Plínio, o Velho, sugeriu a mesma coisa nos seus escritos, não por ter visto mas só por ter ouvido. Actualmente a Arqueologia, a Paleontologia e a História provam à saciedade que esse facto é uma invenção jesuítica.

A religião celta mostra os druidas como sacerdotes e filósofos adeptos do culto da Natureza, assumindo a função de directores espirituais dos ritos como mediadores entre os deuses e os homens, praticando uma espécie de «mono-panteísmo», ou seja, reconhecendo um panteão de vários deuses naturais subordinados a um Ente Supremo, a quem chamavam Oiw. Os druidas (termo oriundo da raiz indo-europeia wid, “saber”) repartiam-se em seis classes de acordo com a sua função e especialização:

Filid – A classe mais elevada dos druidas, que conhecia as disposições dos astros e os movimentos telúricos da Terra. Diz-se que o lendário Mago Merlim era um Filid.

Brithem – Druidas exercendo a função de juízes, mantendo a ordem e a justiça na população celta.

Liang – Druidas considerados curandeiros ou médicos, possuíam especializações entre si e conheciam a botânica pormenorizadamente, tendo inclusive praticado operações cirúrgicas delicadas, como transplantes de coração.

Scelaige – Druidas que narravam oralmente, e também por escrita ideográfica, a História da Nação Celta, os seus feitos religiosos e militares. Eram os conservadores da tradição e a memória.

Sencha – Druidas que percorriam as terras divulgando a tradição e a memória celtas e recolhendo novas histórias sobre o que estava acontecendo no momento.

Bardos – Druidas que eram arúspices e poetas, encarregados da tradição musical que partilhavam entre si e ensinavam ao povo.

Havia, pois, um alto grau de civilização entre os celtas, cuja cultura penetrou fundo a romana e até a «colonizou», tornando os colonizadores colonos, como se observa neste menir de Saint-Uzec, que sendo isolado é classificado como menir da fecundidade, o que liga-o aos ritos agrários da fertilidade, geralmente representados por uma figura divina feminina, a deusa Ceridwen, indicando a sua função de gestação e geração, para os druidas representada na própria pedra como o elemento mais duradouro e o primordial donde todos os outros saíram. Pegando nisso, os romanos associaram os menires à presença da Bona Dea, a «Boa Deusa» propiciadora da vida natural mantida por boas sementeiras e melhores colheitas. O cristianismo transformou a Bona Dea na própria Virgem Maria, e é assim que ela aparece insculpida neste menir.

Classificado monumento de interesse público em 1889, é conhecido indistintamente por Menir de Saint-Uzec, Menir de Saint-Duzec ou ainda Menir de Penvern. Constitui a prova mais flagrante de resistência à colonização religiosa cuja memória não evoca sanhas cristãs mas sagas celtas repletas de magia e encantamento de um povo cuja evocação ainda hoje maravilha.

O Calvário iniciático de Guéhenno

O único conjunto escultórico monumental de arte religiosa que existe em Morbihan, no território do Finistère, é o Calvário de Guéhenno, que está dentro da sua cerca paroquial (constituída de igreja, calvário, ossário e cemitério rodeados por um muro com porta triunfal).

Este Calvário reproduz as várias fases da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, e pela disposição exacta das suas imagens concluiu-se que o conjunto encerra uma dupla mensagem, tanto exotérica ou confessional como esotérica ou sapiencial. A confessional é dirigida a todos os crentes, para que através das figuras aprendam e interiorizem facilmente a mensagem religiosa que o conjunto expõe. A sapiencial dirige-se àqueles que além da catequese confessional sabem ler e interpretar o significado esotérico dos símbolos expostos, ou seja, “encontrar o espírito vivificador por baixo da letra morta”.

Este monumento apresenta um duplo entablamento em relevo ornado de baixos-relevos sobre os quatro lados:

Sobre a face oeste, o Cristo Ressuscitado em companhia dos Apóstolos. Representa a Imortalidade, a última fase da Obra Alquímica que é a fábrica da Pedra Filosofal, simbolismo da Iluminação Espiritual do Adepto Perfeito, representado no Cristo, após passar pelas doze fases da Grande Obra, representadas pelos doze Apóstolos, as quais são: Putrefactio, Coagulatio, Cibatio, Sublimatio, Fermentatio, Exaltatio, Augmentatio, Projectio, Calcinatio Solutio, Elementorum Separatio, Circulatio, Conjunctio, cujo resultado é a Quintessência da Natureza e do Homem, o chamado Azoto que é a propriedade natural etérica ou volátil afim à própria condição de Cristo Ressuscitado, o Espírito vivo vencedor da Morte corporal.

Sobre a face sul, o Cristo orando no jardim das oliveiras de Gethsemani. Esta palavra em aramaico significa “oliveira” e “azeite”, este com o sentido subentendido de óleo santo, o mesmo com que se unge o Messias assim chamado Christus, “Ungido”. Nessa hora de angústia, Jesus ora sozinho, suplica coragem ao Alto para suportar a Tragédia que se avizinha e um Anjo consola-o, dando-lhe a provar a Taça da Amargura, que é a da Lua reflectora das incertezas humanas, mas que logo se transforma na Taça da Exaltação, que é a de Vénus expressora das certezas espirituais. Alquimicamente, representa o destilatio, a “destilação” com que se separa os elementos químicos grosseiros das suas essências alquímicas subtis, operação figurada nas incertezas de Jesus Homem (“Pai, afasta de mim este Cálice!”) e nas certezas de Cristo Deus (Pai, cumpra-se a tua Vontade!”).

Sobre a face este, a flagelação de Jesus Cristo. O açoite feito de tiras de pele de boi com pontas metálicas nas extremidades chamava-se flagrum, donde proveio o nome flagelar, e depois da crucificação era o pior castigo que podia afligir-se aos condenados. Tanto a crucificação como a flagelação eram métodos de tortura exclusivamente romanos, destinados aos criminosos e figuras públicas consideradas perigosas para o Estado; os judeus usavam o apedrejamento e a lapidação. Alquimicamente, a flagelação equivale à mortificação dos elementos naturais, ou seja, à sua purificação dissolvendo os princípios grosseiros por um fogo lento mas constante até ficarem prontos para a fase seguinte da Obra Alquímica. Esta operação, chamada mortificatio, é representada no episódio da flagelação do Senhor.

Sobre a face norte, os ultrajes a Cristo. Os legionários caricaturam o Senhor como Rei de Israel de fancaria, impondo-lhe na cabeça a coroa de espinhos dolorosos que são o símbolo de Marte, que para os romanos era o deus guerreiro e mártir; colocam-lhe nas mãos como ceptro de escárnio uma cana verde, planta sob a influência planetária de Saturno; invés da capa imperial põem-lhes nos ombros o manto purpurado, cor de Júpiter, de um qualquer legionário. Por fim, esbofeteiam-no no rosto e na boca, como que querendo selá-la para não ouvirem a Voz da Verdade, atributo de Hermes ou Mercúrio, o deus da Sabedoria. Este episódio é retratado na fase alquímica chamada cibatio, tratando da adição de matéria nova preparada para juntar ao que já está no crisol ou vaso alquímico. Isso, transpondo para o episódio bíblico, depois de ser flagelado Jesus ainda foi ultrajado na sua dignidade divina, como Rei e Sacerdote do Eterno.

Por cima elevam-se as três cruzes do Gólgota, o “lugar da caveira” como o ponto mais elevado do corpo humano e onde o Mental tem o seu domínio.

A cruz do meio mostra Cristo em agonia no alto dos seus dez metros, suportada por um tronco de árvore seca com nós como símbolo tradicional da via seca da Alquimia, também chamada via ascética e via radical por determinar em breve prazo a iluminação espiritual graças à transformação dos elementos corporais de espessos em subtis, o que é marcado pela Morte de Jesus e a entrega de seu Espírito a Deus. Abaixo, St.ª Maria e S. João, testemunhos da Paixão, mas também representações da Arte Real que é a Alquimia, a quem os filósofos herméticos medievais (tendo por patrono S. João Evangelista) apodavam de Roseira dos Filósofos e Roseiral Mariano. Segue-se Jessé, pai dos reis de Israel, ancestral de Jesus descendente da linhagem ou tronco familiar daquele, e ainda hoje é dito que da árvore de Jessé advirá o Messias futuro.

As cruzes laterais carregam os dois ladrões que foram crucificados juntamente com Jesus, por certo fazendo as vezes de Colunas Vivas ou Ministros do Senhor. A tradição chama-lhes Gestas e Dimas, ignorando-se qual deles é o bom e o mau ladrão. Abaixo da cena do Calvário, o “monte calvo” como outra referência ao crânio, observa-se nas traseiras o Diabo esperando que os três morram para tomar as suas almas. Mas também significa a Inteligência “Diáblica” ou Superior que caracterizou a vida de JHS (Jesus Hominem Salvatorum, “Jesus Salvador dos Homens”) e que com a Sua morte ausentou-se do palco do mundo, e por isso o Diabo está à retaguarda.

Aos pés da Cruz está a Virgem da Piedade e, diante dela, o sudário apresentado por Santa Verónica, vendo-se ainda um soldado com a lança, possivelmente sendo o centurião Longuino, e um cavaleiro que poderá ser o prefeito da Judeia, Pôncio Pilatos. Esta cena conclui a Obra Alquímica na fase derradeira do conjunctio ou conjunção harmónica e perfeita dos elementos naturais, devendo esperar-se a seguir três dias até que a Pedra dos Filósofos aparece na retorta, o que equivale à Ressurreição de Cristo ao terceiro dia saindo sepulcro. Por este motivo, também aparece junto à Verónica a cena da Ressurreição, tendo abaixo, como cena oposta em alto-relevo, a deposição de Jesus no sepulcro. Nos ângulos laterais do altar, estão as quatro estátuas dos Profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel encimadas pelas dos Apóstolos Mateus, Marcos, Lucas e João, as quais foram acrescentadas quando da restauração deste conjunto monumental em 1853.

Adiante do Calvário, destacado dele, está uma coluna onde estão gravados os instrumentos da Paixão e que tem em cima um galo. Além de ser uma alusão a que antes do galo cantar Pedro negoria três vezes o Senhor, como este lhe vaticinara, é também referência a Cristo Ressuscitado da Morte como Messias ou Avatara Solar, assinalado por essa ave que anuncia o nascimento do Sol e cujo canto esconjura as trevas da noite. É obra de dois abades do século XIX.

Este Calvário monumental foi esculpido e erigido por um certo F. Guillonic em 1550 (como atesta a inscrição gravada sobre o pedestal), mas foi quase inteiramente destruído pelos revolucionários durante o Terror, em 1794: as cruzes abatidas, as estátuas mutiladas e as esculturas feitas em pedaços. Mas o povo da região recolheu cuidadosamente os fragmentos e guardou-os até 1853. Nesta data, o reitor de Guéhenno, o abade C. M. Jacquot, e o seu vigário Loumailler empreenderam eles mesmos a restauração do monumento. Foi uma tarefa árdua e longa, porque não somente se colaram os fragmentos guardados como também se esculpiram os elementos que faltavam. Hoje, com o passar do tempo, o antigo e o novo estão indissoluvelmente fundidos num conjunto harmonioso que encanta e desperta a fé de quem está ou visita Guéhenno.

A mansão dos Companheiros do Dever de Nantes

Quem chega junto às margens do canal Saint-Félix, próximo da gare Sul em Nantes, depara-se com um edifício enorme com aspecto apalaçado que se destaca dos outros pela sua elevada flecha torsa encimada por uma estrela de cinco pontas. Raros são os que não perguntam intrigados: porque aparece aí, único em Nantes, esse estranho pináculo? O que significa? A quem pertence o edifício e porque foi feito assim?

Essa mansão é a sede em Nantes dos Companheiros do Dever do Tour de França, organização de mestres de ofícios cuja origem recua além da Idade Média, ao período dos artífices da Roma dos césares, ao tempo do imperador Numa Pompílio (574 a. C. – 673 a. C.) que ajudou ao desenvolvimento e expansão, a partir do império, dos collegia fabrorum, que originalmente eram trinta e uma corporações de ofícios constituídas por arquitectos e artífices com influências das religiões e filosofias anteriores a essa mesma época, nomeadamente da Ásia, as quais adentraram a Idade Média dando origem a várias outras guirlandas de ofícios, como as confrarias francas que brilharam durante a época dos lombardos, povo germanizado, que foram conquistados pelos francos em 774 d. C. Os collegia fabrorum influenciaram, do século VI ao XII, as ordens monásticas europeias e os colégios bizantinos, sendo que estes receberam a influência do hermetismo e do neopitagorismo que os mestres de artes possuíam, e assim também muitas daquelas ordens religiosas. Foi quando muitos desses companheiros do dever abraçaram a religião cristã, sobretudo a beneditina ao início, e se tornaram monges construtores, isso para fugir ao lume mortal da Inquisição. Mas muitos deles acabaram por abandonar o hábito religioso, e foi assim que esses monges responsáveis de ofícios, sobretudo pedraria e carpintaria que ilustram as maiores obras-primas europeias, as suas catedrais, palácios e castelos, foram desaparecendo; é também assim que, no meado do século XV, eles tornam a reaparecer como mestres canteiros, mas isentos de filiação religiosa. Sobrevivem até meados do século XVII, e então também desaparecem. No século XVIII (1717) tornam a aparecer mas só no plano figurativo ou simbólico, isto é, como Maçonaria Especulativa, pretendida herdeira tradicional daquela Maçonaria Operativa.

Se bem que os símbolos e rituais do Companheirismo e da Maçonaria sejam muito diferentes, ainda assim há bastantes elementos comuns pelo motivo indicado, a desta ter copiado aquele.

Ainda assim, o termo compagnonnage não aparece na língua francesa senão cerca de 1719, para designar o período de estágio profissional que um companheiro deve fazer junto de um mestre. No plano geral e humano, ele evoca um compagnonnage de vie (companheirismo de vida), um agrupamento de pessoas cujo motivo é: entreajuda, protecção, educação, transmissão dos conhecimentos entre todos os seus membros. Este é o dever que têm entre si, por isto se chamam Companheiros do Dever, e com o dever de regularmente cumprirem o Tour de France acudindo aqui ou ali a restaurar ou construir um monumento. Portanto, a tradição operativa mantém-se viva em solo francês.

As lendas companheiras fazem referência a três fundadores míticos dos Companheiros do Dever: o Rei Salomão, o Mestre Jacques e o Padre Soubise. A lenda salomónica é particularmente importante nos mitos dos companheiros do “dever de liberdade”. Mas ela tem origem mais tardia que as outras, parecendo ter sido introduzida, no final do século XVIII e início do XIX, nas oficinas companheiras a partir do mito maçónico do arquitecto fenício Hiram Abiff ao serviço do Rei Salomão, antes de expandir-se através dos rituais das várias sociedades de companheiros.

Segundo a lenda principal dos Companheiros do Dever, o Mestre Jacques havia aprendido a talhar a pedra ainda criança, antes de partir em viagem com a idade de 15 anos para chegar ao estaleiro da construção do Templo de Jerusalém na idade de 36 anos. Aí tornou-se mestre dos canteiros, dos pedreiros e dos marceneiros, este cargo de carpintaria tendo-o repartido com o seu companheiro de viagem, Soubise, o qual ficaria conhecido em França como Padre Soubise. Se bem que os relatos bíblicos sobre a construção em Jerusalém do Templo do Rei Salomão não falem nem de Jacques nem de Soubise, contudo os relatos históricos medievais sobre a construção da catedral da Santa Cruz de Orléans descrevem a presença de dois mestres de obra nela, Jacques Moler e o beneditino Soubise, que, e aqui já é lenda, enfrentaram uma greve de trabalhadores que degenerou numa terrível batalha seguida de uma cissão. Parece que essa lenda apoia-se em factos históricos tardios, ou seja, na cissão entre os companheiros católicos e protestantes e na destruição por estes últimos da flecha da catedral de Orléans em 1568. Só em 2 de Julho de 1598, após assinado o Édito de Nantes, se pôs fim às guerras de religião.

A flecha torsa que se vê sobressaindo da mansão dos Companheiros do Dever em Nantes, é precisamente uma evocação da flecha de Orléans e, ao mesmo tempo, uma homenagem a esta cidade que terminou com as guerras entre confrades da mesma Ordem. Construída entre 1952 e 1957 pelo arquitecto Jean Maeder, esta flecha ou pináculo retorcido encimado por uma estrela de cinco pontas (símbolo das primitivas collegia fabrorum), parece uma campânula evolando-se em espiral.

A flecha é o símbolo da penetração, da cobertura. Simboliza também o pensamento dirigido às alturas do ideal superior, e é assim que representa o traço de luz (assinalado na estrela) que ilumina o espaço fechado (o edifício). Representação do raio solar, também ele elemento fecundador, a flecha assume-se como símbolo dos intercâmbios entre o Céu e a Terra. No seu sentido descendente, é um atributo do Poder Divino, tal como o raio punitivo, o raio de luz ou a chuva fertilizante; os homens que Deus pode utilizar para executar as suas obras são chamados, no Antigo Testamento, de filhos da aljava (Salmos, 127:5). No seu sentido ascendente, a flecha está ligada ao sentido da verticalidade espiritual, à realização da libertação das condições terrestres sinónimas de profanas.

De um modo geral, a flecha torsa é o símbolo universal da assunção em espiral ou gradual aos Mistérios Divinos que também divinizam o Homem. É uma libertação imaginária da distância e da gravidade, ou seja, uma antecipação mental da conquista de um bem aparentemente fora de alcance.

Esta mansão dos Companheiros do Dever foi reabilitada em 1994. Compreende um escritório, várias salas de cursos, uma biblioteca, uma sala de jantar e vários quartos com capacidade para acolher 125 jovens que querem aprender um dos 27 ofícios tradicionais dos companheiros, visando a excelência na prática de um ofício. A porta de entrada do edifício, decorada lateralmente por dois painéis mostrando companheiros do dever em trajes antigos, é uma obra-prima da arte metalúrgica ou do ferro forjado, inserida na obra-prima da stereonomia (traçado e talha de pedra). Também a biblioteca é uma obra-prima de carpintaria.

Se bem que esta mansão não seja um museu aberto ao público, ela acolhe excepcionalmente e sob reserva de visitas grupos ou pessoas interessadas pela obra dos Companheiros do Dever do Tour de França. Todos dão por bem empregado o seu tempo ao terem a oportunidade única de verem e aprenderem com o recheio deste edifício, que também é único em Nantes e obra-prima da monumentalidade francesa.

O túmulo alquímico de François II

O túmulo de François II (23.6.1433 – 9.9.1488), o último duque da Bretanha independente, e da sua mulher Marguerite de Foix (c. 1458 – 15.5.1486), é um monumento funerário que se encontra em Nantes, na catedral de São Pedro, tendo sido realizado em mármore de Carrara no início do século XVI por Michel Colombe (c. 1430 – c. 1513), renomeado escultor bretão, e Jehan Perréal (c. 1455 – c. 1528), dito Jehan de Paris, famoso arquitecto, pintor e decorador parisiense, “intendente artístico” do rei de França.

Este conjunto monumental, encomendado por Anne de Bretagne para honrar a memória dos seus parentes, é considerado uma obra-prima da escultura francesa. Inicialmente conhecido sob o nome de tombeau des Carmes, por ter estado inicialmente na capela dos Carmos em Nantes, como François II desejara, depois de ter sobrevivido à sanha destruidora do Terror no século XVIII, ele foi finalmente colocado neste lugar da catedral de Nantes no início do século XIX.

O monumento é constituído de um sarcófago massivo, rectangular, de 3,90 m de comprimento por 2,33 m de largura e 1,27 m de altura. Sobre as tampas tumulares e lado a lado, estão as estátuas jacentes de François e Marguerite deitadas de mãos juntas em prece. As suas cabeças repousam sobre almofadas espessas mantidas por três Anjos, e aos seus pés retêm-se o galgo, símbolo da fidelidade, e o leão, representando a força. Nos quatro cantos do túmulo vêem-se quatro estátuas erectas, representando as Virtudes Maiores ou Cardeais: a Força moral, a Temperança, a Justiça e a Prudência. Em volta do túmulo apresentam-se outras esculturas delicadas, em pequenos nichos de mármore rosa, representando os doze Apóstolos, vendo-se também os santos patronos dos dois falecidos, S. Francisco de Assis e St.ª Margarida, como também Carlos Magno e São Luís. Sob estas estátuas, dentro de pequenos medalhões, vêem-se monges penitentes vestidos de negro.

A iconologia exposta e o sentido que pretende transmitir perpassa o imediato da piedade cristã e dispõe as figuras no plano da simbologia alquímica notavelmente exposta neste túmulo assim convertido num liber mutus in memoriam (“livro mudo em memória”). Não há registo de que François II tenha sido um adepto da Alquimia, mas há registo de que a Alquimia como via penitencial ou purificadora da alma e do corpo (donde a presença dos frades penitentes) foi tolerada pela Igreja e praticada por muitos religiosos e nobres. Via Penitencial também se chamava ao Caminho de Santiago de Compostela, que os hermetistas consideravam caminho de realização alquímica sendo o Fogo dos Filósofos representado em Santiago Maior, o “Filho do Trovão”, que se vê aqui com um curioso elmo em forma de caracol que universalmente é considerado símbolo lunar, indicando a regeneração periódica através de várias etapas representadas no Caminho Jacobeo; por o caracol mostrar e esconder os seus chifres assim como a Lua que aparece e desaparece, ele assinala a morte e o renascimento, que é o tema do eterno retorno.

Neste túmulo do último governante da Bretanha independente, é-lhe feito o apologético encómio patrístico com foros que imortalizam a sua memória através da matéria-prima (representada na pedra trabalhada do monumento) que é a mesma com que opera a Alquimia. O escultor Jehan Perréal, patriota bretão, por certo seria quem conhecia a ciência alquímica e lavrou o seu simbolismo nas figuras piedosas deste túmulo cristão. O legado hermético de Geber, nome latino de Ibne Jabir Hayan (721 – 815 d. C.), pai da Alquimia islâmica e europeia, está notavelmente exposto neste túmulo de François II.

As quatro Virtudes Cardeais alegorizadas por mulheres, indicam o caminho virtuoso que o duque e todo o homem de bem são chamados a seguir. A Força, representada com armadura militar, por se tratar de uma virtude viril, é representada segurando uma torre donde arranca um dragão pelo pescoço. Representando o cavaleiro cristão na defesa da Fé, a figura representa a força moral que triunfa do vício e da tentação, num permanente combate interior onde se esforça por arrancar do dragão do Mal da torre do Bem, o foro íntimo. Alquimicamente, essa batalha mística é sustentada pelo domínio do Fogo dos Filósofos, assinalado no dragão, que rodeia ou envolve a torre, simbólica do athanor ou forno alquímico, que sendo cerrada como a Fé, portanto, fortaleza (donde força) inexpugnável, nela gradualmente vai se fabricando a Crisopeia do Senhor, isto é, o Ouro Filosófico representado por Cristo, o mais Puro Ouro dos Céus.

A Temperança tem na mão direita um freio de cavalo, símbolo de uma conduta equilibrada, porque há um tempo para tudo (Eclesiástico, 3,1-15), e na mão esquerda apresenta um relógio, simbolizando o tempo em que falta saber respeitar e atenuar as paixões. Simboliza igualmente a medida do tempo que não se deve gastar em futilidades, devendo haver equilíbrio em tudo para evitar o excesso. Ela lembra que a medida justa está precisamente no meio: o equilíbrio. O hábito quase monástico com que a figura se apresenta, exprime as tentações da carne que levam precisamente ao excesso. É nesta estátua que o duplo sentido da mesma faz-se sentir mais: o freio de cavalo faz estacar no sentido fonético de Cabala (cheval et Cabale, termos com sonâncias afins), a Tradição Hermética que entre os alquimistas europeus da Renascença era precisamente representada por Pégaso, o cavalo alado da mitologia grega. Por sua vez, o relógio ou, em francês, horloge, indica o reino solar de Heliogabale, o Mercúrio dos Filósofos, que também é representado pelo cavalo alado, indicando o Fogo Volátil ou Subtil intermediário ao Espírito (Enxofre) e à Matéria (Sal) que tempera e marca sem atraso nem adianto, como um relógio, o tempo certo da manifestação do Espiritual no Corporal para este revelar aquele.

A Justiça porta na mão esquerda um livro com uma balança esculpida abrangendo as duas páginas abertas, representando a Lei. Na mão direita carrega uma espada erecta cuja ponta é recoberta pela sua capa: “Faz a justiça, mas não destruas ou injustices ninguém”. A espada pune e a balança pesa a gravidade do crime ou o peso dos argumentos das duas partes. A estátua está coroada, para lembrar que o governante exerce o papel de juiz e de árbitro. Alquimicamente, esta estátua indica o equilíbrio entre o Solve e o Coagula, os princípios Volátil e Fixo assinalados no Mercúrio (Alma) e no Sal (Corpo). De maneira que a Justiça ou Themis representa o equilíbrio entre as forças ou correntes opostas, e da harmonia estabelecida entre ambas esta Virtude torna-se garante da vida eterna por assim ser a chave da imortalidade procurada pela Alquimia.

A Prudência tem na mão direita um compasso, símbolo da medida de todo o acto, e na mão esquerda um espelho reflectindo todo o pensamento e captando os conselhos sábios do Ancião, figurado no rosto duplo: o rosto traseiro da estátua é o de um velho representando a sabedoria do passado, e o rosto dianteiro é o de uma jovem assinalando a previsão que não dispensa a experiência do anterior. O espelho é igualmente aquele da verdade: nele se vêem as imagens das fraquezas humanas e se aprende a conhecer-se a mesmo, corrigindo a conduta pessoal. Aos pés da estátua acha-se uma serpente: “Sede prudentes como as serpentes” (Mateus, 10,16). A Prudência com duplo rosto vem a ser uma espécie de Janus, o deus bicéfalo dos gregos e romanos, sobretudo destes que o tinham como padroeiro dos seus collegia fabrorum, as escolas de artífices e arquitectos cujo símbolo de Arte Real é precisamente o compasso que a Prudência apresenta. Esta Virtude é a personificação da deusa grega Metis, a primeira esposa de Zeus, o deus dos deuses. Ela ofereceu ao deus Cronos uma poção mágica (o compost alquímico) que logo a bebeu, e a seguir obrigou-o a devolver os seus filhos (os elementos químicos) que ele havia devorado (devolução dos elementos já refinados, purificados de impurezas grosseiras, pois que a Alquimia não trabalha com os elementos químicos conhecidos mas com a essência dos mesmos, os seus «espíritos»). A serpente enroscada aos pés da Prudência vem a ser a alegoria do Fogo Radical ou Criador do Espírito Santo que vivifica e alimenta a natureza e o Homem, ascendendo do seio da Terra às alturas do Céu, mas temperado com a prudência que a Arte Magna impõe aos verdadeiros Filósofos do Fogo.

O galgo é o cão que acompanha e guarda o alquimista, tal como vela pela alma da Bretanha incarnada neste nobre casal, François e Marguerite, fazendo de par hermético, suportado pelos três Anjos alegóricos dos três “Espíritos Alquímicos”: Enxofre (Espírito), Mercúrio (Alma) e Sal (Corpo). O leão, como signo do Sol, vem a expressar a Iluminação Real do Adepto da Grande Obra que, no plano das realizações imediatas, será a própria Bretanha cabeça da França mágica.

Encruzilhada do momento actual: El Rike ou Herr Hitler? – Por Vitor Manuel Adrião Segunda-feira, Set 12 2011 

Lisboa, Maio de 2005

Em Maio de 2005 passaram 60 anos sobre a queda do regime nazi. Em homenagem a todas as vítimas desse momento tenebroso do século XX – sempre teimando na tentativa aqui e acolá de repetir-se – dedico este estudo que vai bem com o momento actual.

Na altura de 2005 fazia um ano exacto que estava eu desfolhando um livro na Avenida Angélica, em São Paulo, Brasil, e o conteúdo do mesmo, assaz perturbador e actual, impeliu-me então (2004) a escrever este estudo, que me parece ir bem com o momento actual por que passa a Humanidade em plena encruzilhada da sua existência, tendo dois caminhos ante si: o da Evolução e o da Involução.

Como não acredito no retrocesso do Género Humano à animalidade pura e simples, logo não perfilho, como partidário da Evolução, dos ideais sinistros das Forças da Involução, bem preferindo o esclarecimento e a concórdia a quaisquer tipos de confrontos e derramamentos de sangue, desde já dou por ponto assente a minha posição de sinarquista e teósofo, consequentemente, teúrgico. Muito mais porque sei de perto o quanto a presença do Mal pode influenciar as mentes e os corações com os argumentos mais argutos em que a Verdade se parece, mas… não é. Já agora, o livro era o seguinte: Sol Negro (Cultos Arianos, Nazismo Esotérico e Políticas de Identidade), por Nicholas Goodrick-Clarke.

Como a Madras Editora que lançou esse livro teve a prudência editorial de antecipar o aviso ao leitor do mesmo de que se distanciava de «quaisquer práticas racistas e movimentos de segregação», e como o seu autor é um escritor britânico que investigou esse campo mas isentando-se dos ideais do mesmo, essas são razões exclusivas para dar aqui o título da obra. Em contrário, nunca o faria.

Assim como há uma Grande Loja Branca igualmente há uma Grande Loja Negra, ambas com ramificações estendendo-se a todo o planeta, aquela inspirando um Ocultismo Branco e esta infundindo um Ocultismo Negro. Ambas acreditando nos mesmos princípios, mas… de formas diferentes, e logo lhes dando sentidos opostos. Também ambas têm uma influência tremenda sobre a Humanidade, como se a dividissem em duas partes iguais nesta Hora Intercíclica (Maio de 2005). Qual delas vencerá, eis a questão!

De há muito que conheço as políticas segregacionistas de identidade, justificadas por «o meu país é o melhor em tudo e em todo e qualquer sentido, logo, não precisa de ninguém, antes, todos precisam dele para que os governe». Isto vale por imposição xenófoba e isolacionista do patrioteiro «orgulhosamente sós», de que Portugal ainda arrasta as consequências de quase meio século de absolutismo dentro de si e isolacionismo fora de si, ou seja, politicamente tamásico ou “centrípeto” tanto interior como exteriormente. Foi essa «auto-suficiência» ultra-provinciana que fez o País regredir psicossocialmente, apesar de sonhar-se superior aos demais, por vezes usando, para justificar injustificáveis actos políticos, da mística imperialista do sebastianismo “vermelho” ou reaccionário, destoando largamente do sebastianismo “branco” ou iniciático, este mesmo o de Vieira ou de Pessoa, infelizmente tão mal lidos e pior interpretados hoje em dia em certos sectores da sociedade, nomeadamente os mais jovens sonhando e desejando o antigo «eldorado» do Estado Novo que, verdade se diga, nunca souberam o que realmente foi, porque… nunca o viveram. Assim, inconscientes, atiram-se nos braços de uma política ultra-direitista, sonhada «monárquica ou templária», mas que nada mais é que a política social eclesiástica encapotada, essa mesma «jesuítica que estende o capacho para logo após puxá-lo debaixo dos pés», como vi fazer algumas vezes com a maior desfaçatez e, pior ainda, quando se acreditava “estar fazendo um bem”…

Pois sim, graças a Deus que as gerações mais jovens de hoje desconhecem o que foi viver em tal período no qual, por exemplo, ser apanhado a ler um simples livro teosófico valia um «sarilho dos diabos» com as autoridades policiais. Mas a liberdade de expressão? Não havia. E a igualdade de direitos? Impensável. E o respeito religioso? Só o único e exclusivo católico apostólico romano. Tudo o mais, segregado, reprimido, presidiado… Enfim, graças a Deus que as gerações novas, mais evoluídas social e economicamente, em que a muitos hoje seria impensável alguma vez faltar o pão na mesa ou não receber a mesada mensal mesmo nada tendo produzido para usufruírem desses merecimentos, dizia, graças a Deus que não conheceram esses tempos difíceis até para um simples teósofo, que, após denunciado, teria o destino certo das prisões políticas de Caxias, de Peniche ou do Tarrafal, como aconteceu em Portugal com vários dos primeiros discípulos coevos do Professor Henrique José de Souza. Os que não foram presos, foi porque conseguiram fugir para o desterro de longos anos longe da Pátria amada… E são esses jovens de classe média, nada sabendo da vida real senão teorias e preconceitos próprios de quem nunca sofreu privações, os frutos apetecidos pelas forças sinistras que lhes invadem a alma e corrompem os sentidos.

Assim os vejo nos desvairos que vez por outra ainda praticam em Sintra, falando de coisas que ouviram da minha boca ou leram da minha pena mas que usam como património intelectual exclusivamente seu, assim desfavorecendo a Verdade, mas certamente esquecendo ou ignorando que tudo quanto eu profira de doutrina iniciática só tem sentido à luz da Obra Divina do Excelso Akbel (Sintra e os seus lugares consignados pela nossa Tradição desde a primeira hora, Graal, Mariz, Retiros Privados dos Adeptos, etc., etc.). Não sendo desta mesma Obra nunca se saberá mais que aquilo que eu possa promanar publicamente, e assim se comportam como aquele que usa o emblema do Benfica mas é adepto do Sporting, mesmo torcendo pelo Porto… ou seja, não são coisa alguma, e o mais que fazem é plagiar com maior ou menor arte, consoante as oportunidades que lhes apareçam, sempre ao sabor da fantasia e decerto com interesses só os próprios sabendo quais!… Antanho, em minha infância, brincava com os meninos da minha rua aos «cowboys»; hoje, vejo os meninos sem casa nem rua brincarem aos magos e ocultistas… impelidos por adultos bem sinistros. Também os vejo nos partidos políticos, extremistas e segregacionistas, indo atrás de líderes os mais radicais possíveis apregoando os slogans satânicos do «dividir para reinar» e «não importam os meios desde que se alcancem os fins».

Nada disso é Espiritualidade, nada disso é Verdade, nada disso é EL RIKE! Mas tudo isso é… HERR HITLER!

Vez por outra e em conformidade ao acúmulo de Karma Grupal (ou seja, a Lei de Acção e Reacção, ou Causa e Efeito da Colectividade), manifesta-se na face da Terra um conjunto ou «enxame» de Mónadas destinadas a consumarem esse mesmo Karma da forma mais dolorosa. Tratam-se de almas no limiar da perdição absoluta dotadas de grande poder e carisma mas destituídas de algum amor e piedade ao seu próximo, à Humanidade. Em pouco tempo tornam-se “tulkus” ou expressões imediatas dos tenebrosos Nirmanakayas Negros, e à sua volta reúnem vasta plêiade de intelectuais cuja característica maior é a sua larga dialéctica e retórica… fria e impiedosa. São a guarda avançada das Forças do Mal sobre a Terra. O penúltimo «enxame» monádico desse género que a Terra testemunhou e sofreu teve à dianteira Adolf Hitler, Joseph Estaline, Benito Mussolini, Franco e Salazar, etc. Hoje, no término do Interregno Cíclico, temos novo enxame de fúrias opressoras e segregacionistas estrategicamente colocadas à frente dos principais países do Mundo. A sua missão é levar ao esgotamento definitivo do Karma Planetário e, acredito, com esse esgotamento irá desaparecer para sempre da face da Terra a presença das Forças do Mal. Portanto e como dizia Jesus, «o escândalo é preciso, mas… ai por quem ele vier». Quero com isso dizer que nenhum dos actuais líderes mundiais favoráveis à divisão e opressão do Género Humano irá terminar bem… o Futuro imediato provará as minhas palavras.

Na “Política de Identidade”, Portugal e o Brasil inserem-se num Plano Sinárquico estabelecido pela Grande Fraternidade Branca em conformidade ao Desígnio do Logos Planetário para esse Novo Ciclo de Evolução ou, por outras palavras, Novus Phalux ou Novo Pramantha a Luzir. Esse mesmo Projecto Sinárquico, que já em seu tempo a Ordem dos Templários executou, apesar do fracasso final, não visa a dissolução das fronteiras geopolíticas, o que é impossível a curto e médio prazo pelos factores da língua e cultura que caracterizam cada povo, mas antes a união, a Concórdia Universal dos Povos. Isto é Sinarquia. O seu lema: «Unir para Reinar»!

Portanto, mesmo que Portugal – Brasil ocupem a cumeeira dos interesses imediatos da Grande Fraternidade Branca por estarem conformados ao actual estágio evolutivo por que passa o Género Humano (Portugal para o 5.º Estado de Consciência, o Mental Superior, Manas Taijasi, e o Brasil para o Oitavo, Vibhuti ou o despertar da Consciência Divina correspondendo a Budhi e Atma), igualmente todos os países do Mundo, todos os povos, são do interesse supremo dos Irmãos Maiores da Humanidade que a protegem e dirigem, contrariando sempre os projectos das forças sinistras apostadas na sua exterminação, não sem antes a reduzir à escravidão nabalesca.

Exemplo flagrante disso está naquelas palavras escritas em 1987 pelo ultra-racista e nazista, porque adepto do ideal hitleriano, Ben Klassen (1919-1993), ucraniano naturalizado norte-americano fundador de um movimento de segregação racial nesse país: «Neste mundo único (…) nós nos preparamos para a guerra total contra os judeus e o resto das malditas raças de lama no mundo – política, militar, financeira, moral e religiosamente… Consideramos isso uma guerra santa até ao fim – uma guerra santa racial. É INEVITÁVEL. É a Solução Final e Única. Agora, somos nós ou eles. Este planeta é, de hoje em diante, todo nosso e será o único habitat de nossa futura progénie para todo o sempre».

Quão longe e opostas são essas palavras, inspiradas no Mein Kampf de Hitler, daquelas outras da sublime Helena Petrovna Blavatsky e que constituem o primeiro objectivo da Sociedade Teosófica: «Formar um núcleo de Fraternidade Universal na Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor».

As quais palavras viriam a estar presentes no Programa Sinárquico da Comunidade Teúrgica Portuguesa e, já antes, da Sociedade Teosófica Brasileira. A mais valia da Política para os Teúrgicos e Teósofos, tal como a mais valia da Religião para os mesmos, estão no sentido de trabalharem por uma Nova Renascença Sinárquica ou Concórdia Universal dos Povos, tal como pela Religião Universal, a Religião-Sabedoria, a mesma Teosofia cuja prática sempre foi e é Teurgia, e se o lema social desta é “Laudate Gloriam Dei” (Louvai a Glória de Deus), também poderia ser aquela do Iniciado de Benares, Índia: “Satya Nasti Paro Dharma”, ou seja: Não há religião superior à Verdade!

Por seu turno, o Professor Henrique José de Souza proclamou:

«RECONSTRUIR! É o brado que nos compete!

«Sim, reconstruir o homem, o lar, a escola, o carácter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. No mais, um só idioma, um só padrão monetário e uma só Verdade, que é a Teosofia, como Sabedoria Iniciática das Idades. Só assim a Humanidade se tornará digna do estado de consciência que é exigido pela Nova Civilização.»

Em oposição a JHS levantou-se a tríade “Flagelo de Deus” como reencarnação de outros e antigos flageladores da Humanidade, irmãos infiéis da Lei Suprema que a tudo e a todos rege: Hitler (Átila), Mussolini (Tamerlão), Estaline (Gengis Khan). Com os seus sistemas totalitários de governo, eles dividiram o Mundo em socialismo e capitalismo e desencadearam a Segunda Guerra Mundial, como prolongamento da Primeira. Esses três “Flagelos de Deus”, segundo o Professor Henrique J. Souza, usaram e abusaram do direito de destruição do Ciclo a favor do que agora urge, como aconteceu com Átila, Tamerlão e Genghis Khan. Hitler perdeu a guerra na Rússia, quando da 4.ª Cidade Aghartina subiram 777 Seres com a missão de pôr fim a um conflito que já extravasava largamente os limites impostos pela Lei Kármica.

Sobre o assunto, proferiu o Eng.º António Castaño Ferreira em 1-9-1948:

«Há 3 Egrégoras que têm papel cíclico de destruição, ligadas a manifestações do 4.º Logos (Planetário) em etapas da História em que a Lei exige destruições. São mantidas em certas regiões para esses ciclos. Tamerlão, Átila e Gengis Khan são manifestações dessas Egrégoras que tomaram forma humana. Os três foram profundamente cultos. Essas manifestações somente agem dentro da Lei do Equilíbrio Universal, pois à menor acção corresponde sempre uma reacção. A última manifestação de Tamerlão foi Mussolini, a de Átila foi Hitler e de Gengis Khan foi Estaline. Os três deveriam implantar regimes diferentes e se manterem unidos e harmónicos para em 1956 (data do Julgamento Cíclico da Humanidade) combaterem, unidos, o Mundo inteiro (dando consumação ao Karma Planetário, e logo depois serem resgatados ou retirados do palco terreno pelas Forças Serapicas da Agharta). As forças da Magia Negra, porém, que sempre interferem, arrastaram Mussolini e Hitler. Mussolini tinha um sósia que o substituía sempre: era um Adepto Negro. Somente Edda Mussolini sabia disso. Na Baviera, adormecido num caixão, estava um ser pavoroso: era o 4.º Nirmanakaya Negro que governava Hitler. Estaline tinha um sósia: um médico tibetano. Foi este que conseguiu fazer com que ele se mantivesse no caminho (isto é, não desse continuidade ao projecto de Hitler em conquistar o Mundo). Mussolini fez um avatara em Molotov, e não se admirem se Hitler (antes, o seu Nirmanakaya Negro) também estiver na Rússia!… O que está no Plano da Lei é realizado. As três Egrégoras são Látegos da Lei. Virão como cumprimento da Lei. Ódios, paixões, ambições dão vida à Egrégora do Mal. O Adepto (da Boa Lei) não cria nem Bem nem Mal: é cumpridor da Lei transcendente, acima do transitório. A Egrégora da Obra está em Shamballah.»

Falando sobre os três irmãos malditos e amaldiçoados, afirmou o Venerável Mestre JHS: «Todos os três caíram, mas outros se levantarão em pedaços. Uma Obra restará no Mundo: a nossa». É o que acontece hoje: os «pedaços corruptos» levando à solução final do esgotamento kármico planetário e a consequente instauração do Reinado do Espírito Santo sobre a Terra, e isso com a vinda para as ocidentais plagas, em 1963 (como antecipadamente anunciara o mesmo JHS), das três “Bênçãos de Deus”: Akdorge – Akadir – Kadir, os Três Reis do Oriente finalmente entronizados no Ocidente.

«… E os Três Cavaleiros, montados nos seus lindos cavalos alados, um branco, o de Akdorge, um castanho, o de Akadir, e outro negro, o de Kadir, eles contemplarão as angústias do Mundo, como o Quinto (Luzeiro) contemplou, vendo os destroços de uma Civilização que deveria ser a sua… e em má hora sonegou.»

Temos aí os Três Cavaleiros Alados (porque etéreos, como expressões de ainda mais altas Potências) representantes das três grandes naturezas objectivadas – as anteriores três Raças-Mães – e das três grandes naturezas por objectivar – as posteriores Raças-Mães. O cavalo negro representa a Raça Lemuriana e está para a Raça Ariana; o castanho a Raça Atlante (castanho aproxima-se do marrom avermelhado, e «vermelhos» eram os atlantes) cuja “oitava superior” é a 6.ª Raça-Mãe Bimânica (Budhi+Manas); e o branco a Raça Ariana (composta de 7 Sub-Raças, onde se inclui a SEMITA, que assim também é Ariana ou “Pura”, completamente fora da conscientemente tendenciosa má tradução nazista, sim, porque Ariano significa “Filho de Áries ou Marte”, o Sol da Terra, logo, toda a Raça Humana actual é Ariana, e não só um tipo eslavo específico como pretenderam os hediondos idealistas do Reich do Mal) cujo modelo é a 7.ª Raça-Mãe Atabimânica (Atma+Budhi+Manas), aquando a Tríade Superior ou Mónada Divina estará manifestada integralmente no Homem.

«Mas (diz ainda JHS)… aí estão os Três Reis Magos do Oriente em busca do Ocidente, para renovar as consciências e firmar os alicerces da Nova Era. E então, novamente se diz, embora que em sentido mais amplo: – Em verdade, em verdade vos digo que amanhã (um futuro próximo) estaremos todos juntos ao redor do Trono Celeste. Este Trono não é senão o do Avatara, o do Redentor do Mundo no presente Ciclo. Até lá, muitas coisas terão acontecido. Os homens enlouquecerão e morrerão, agarrados às suas religiões, aos seus credos políticos, à sua ciência materialista, aos seus próprios destinos kármicos…»

Esses “Três Reis solicitadores do Ciclo” vieram accionar o Karma Planetário pela afirmação da Lei Justa e Perfeita, Dharma, a fim de efectivar a limpeza do Ciclo para a implantação final da Sinarquia Universal, pois que todos os sistemas de governação, como todos vêem, mostram-se completamente falidos… ante o problema magno da Felicidade Humana. A limpeza ou purificação kármica vem sendo realizada através da guerra, da fome, da miséria e da doença, logo, da Natureza revoltada. Se o Homem não quis evoluir pelo Amor, resta-lhe evoluir pela Dor!… Os “Reis solicitadores do Ciclo” projectam a sua influência em vários seres na face da Terra: religiosos, políticos, militares, autoridades em geral e qualquer outra entidade que a Lei exija servi-La. Eles se incumbem de realizar a necessária depuração kármica dos seus respectivos povos, afectando os vizinhos, mas sendo, muitas vezes, quando abusam dos poderes que lhes foram confiados, eles mesmos aniquilados. Previne JHS: «Não esquecer que a Lei, na sua originalidade, é uma, mas os homens a podem fazer outra».

«Porta aberta aos Três Reis pelo Arcano Dezasseis», canta a estrofe da Exaltação ao Graal. O Arcano 16 é a “Rebeldia Celeste” que desfecha na “Ruína do Trono”, neste caso, o trono de todos os dirigentes humanos, de todos os sistemas político-religiosos vigentes. Os Três Reis vieram devido à Ira de Deus (Dies Irae), por imperar entre os homens Adharma, a Lei injusta e imperfeita. Nesse Arcano Aghartino, um Deva gesticula com uma espada e faz apagar todo o quadro à sua frente. É a ideia do Destruens et Construens, a preparação do terreno social para a Nova Semeadura, a Nova Era, a Nova Jerusalém… no Ocidente.

Dessa maneira, encontra-se a dicotomia EL RIKE – HERR HITLER nas Tríades Luminosa (Divina) e Sombria (Diabólica) primordiais ante os destinos imediatos do Mundo, em plena encruzilhada do Passado – Futuro na Hora Presente:

Como se não bastasse, a dita «Arianosofia», integrada ao Ocultismo Negro, foi toda ela copiada e completamente pervertida dos maiores paradigmas do Pensamento Tradicional dos séculos XIX-XX, que ficaram com os seus nomes injustamente associados aos horrores dum Reich ou Reino de Trevas. Refiro-me a Helena P. Blavatsky, Richard Wagner, Rudolf Steiner, René Guénon e outros nomes mais usurpados e vilipendiados pela vilania das Forças das Trevas.

O Ocultismo Negro postula exactamente o mesmo que o Ocultismo Branco. Só os motivos e as direcções é que são opostos… Por exemplo, enquanto nós afirmamos a existência dum Reino Interno sob a Terra, eles acreditam no mesmo Reino Interno (sob os nomes, usurpados aos Eddas nórdicos, de Valhala – SHAMBALLAH – e Asgardi – AGHARTA) mas sobre a Terra, o mesmo que os nazis procuraram adentrar em vários pontos do Globo (Antárctida, Tibete, Montségur, etc.), inclusive em Portugal, tentando arrombar debalde, à força de dinamite, uma pretensa «porta jina» nas cercanias da cidade de Tomar, antiga Casa-Mãe ibérica da Ordem dos Templários, e tendo até estabelecido uma Loja da Ordem do Vril – Sociedade dos Verdes, adeptos praticantes do «ocultismo nazi», nos inícios dos anos 40 do século passado, numa vivenda no Monte Estoril, na actual Rua do Viveiro, chegando mesmo a ter grande influência nos Estoris e Cascais à beira Sintra, por onde pretendiam adentrar e conquistar Asgardi ou Agharta.

Sociedade Vril - Estoril (2) - Cópia

Mesa de reunião da Sociedade do Vril no Hotel Monte Estoril, nos inícios dos anos 40 do século XX (foto de JAH)

Isso leva-me a afirmar, com conhecimento directo de causa, que a Fraternidade Negra conhece e muito bem as entradas para os Mundos Jinas. Só não sabe como franqueá-las… e não sabendo usa de mil e um artifícios, sempre redundando em tragédias de que a História é farta. Adentrar os Mundos Jinas não é tão fácil como andar de “metropolitano”. Exige muito mais… responsabilidade, conscientização, pureza de actos, emoções e pensamentos de maneira a ser novamente “criança”, saber calar contra tudo e todos, mesmo que sofra os maiores e mais injustos vilipêndios, e até acaso lhe possa custar a vida. Quantos há assim? Raríssimos. E fantasistas mais ou menos carismáticos? Campeiam. Serei eu também um «guru» ou «adepto jina»? Farei parte do rol desses últimos? A resposta é simples e directa: não tenho tempo nem saúde para brincadeiras tipo «new age bien rose». Faço o que tenho a fazer em prol da Obra do Eterno na Face da Terra, e é quanto me basta nesta vida. Ponto assente.

Os esoteristas negros, antes, satânicos hitlerianos, até uma Ordem Negra fundaram, decalcando o seu “corpus” da antiga Instituição teutónica de Santa Maria dos Alemães, mas aqui, invés de venerarem à Mãe Divina, prestavam culto ao Chefe máximo da Loja Negra: Baal-Babu.

Antes de dizer alguma coisa mais, devo esclarecer como se ordenam e manifestam hierarquicamente as Linhas Branca e Negra, neste momento crítico por que atravessa o Género Humano, e as nóveis gerações entendam que a feitura do seu destino, bom ou mau, depende inteiramente delas mesmas.

A Linha Branca constitui-se de 7 Nirmanakayas Brancos principais, Choans, cujo Chefe máximo é BAAL-BEY (aspecto superior de Júpiter), e cada um deles tendo 7 Discípulos principais, os Ashekas; por sua vez, cada um desses Ashekas possui 12 Sub-Aspectos ou Arhats, os quais se manifestam por multivariadas formas humanas e sociais a favor da Evolução verdadeira dos Povos, logo, impondo a Sinarquia à Anarquia.

A Linha Negra dispõe-se de 7 Nirmanakayas Negros principais, Adeptos das Trevas, cujo Chefe máximo é BAAL-BABU (aspecto inferior de Saturno), cada um com 7 Discípulos sinistros, os Rakshasas, poderosos Magos Negros; cada um desses Rakshasas tem 12 Sub-Aspectos ou Dad-Dugpas, feiticeiros e animistas, os quais se manifestam por multivariadas formas humanas e sociais, todas elas inversas da Evolução verdadeira, logo, a favor da Anarquia contra a Sinarquia.

Devo dizer mais alguma coisa sobre a questão controversa e melindrosa Ordem Teutónica – Herr Hitler – III Reich. Começo por citar um trecho, que a muitos passou desapercebido, do livro Hitler m’a dit (“Hitler ditou-me”), que na edição portuguesa encontra-se na página 232, capítulo XXXVI, intitulado “Magia Negra e Magia Branca”:

«Um dia em que o Führer estava bem disposto, certa senhora espiritualista (e não espirituosa, da má tradução que se fez para o português, o que não seria possível… diante dos seus próprios conselhos) das suas relações, arriscou-se a dar-lhe um conselho: – Meu Führer, não se entregue à Magia Negra. Hoje ainda pode escolher entre a Magia Branca e a Magia Negra. Mas se acaso o Führer se decidir pela Magia Negra, nunca mais sairá do seu destino. Não escolha a perigosa via do sucesso rápido e fácil. Ainda pode seguir o caminho que leva ao império dos espíritos puros. Não se deixe desviar desse bom caminho por criaturas do lodo, que lhe roubam a força criadora.»

Tal senhora (desconfio que tenha sido Cosima Francesca Gaetana (1837-1930), a viúva do compositor Richard Wagner (1813-1883), falecida na altura dos nazis tomarem o poder na Alemanha…), procurando a sua amizade, insinuando-se quanto lhe foi possível até chegar ao precioso momento de dizer ao Führer semelhantes palavras, verdadeiros conselhos de um Adepto Real (se é que ela aí estava, por sua vez, a conselho de algum… de quem era, talvez, discípula), nada adiantaram. Responde, com a maior clareza, o próprio símbolo por ele já adoptado, antes, roubado e pervertido de sua posição original, tal qual se faz nas missas negras que são perversões ou inversões das missas brancas, desde as palavras às posturas, às paramentas e aos símbolos: a Sovástica (ou Sowástika, em pali), e não a Suástica (ou Swástika, em pali), esta a Cruz Solar de Ram simbólica do Fogo Celeste, Fohat, e da Evolução. A outra, feita símbolo nefasto do Fogo Terrestre ou Kundalini desperto precoce e caoticamente, logo signo de Involução, como desde sempre afirmaram Jainos e Budistas no Oriente, e Teúrgicos e Teósofos no Ocidente, a par de Rosacruzes e Maçons esclarecidos. Não sei mesmo porque razão muitas pessoas ilustradas, a própria imprensa, continuam teimando em não distinguir uma cruz da outra, isto é, a Swástika da Sowástika. Sirva isto, ao menos, de um protesto em nome da Razão, ou da Cultura, se se o quiser, a quem faz jus a tão privilegiado Povo como é o Luso-Brasileiro.

Muita razão tinha Helena Petrovna Blavatsky em afirmar que «entre a mão direita e a mão esquerda, separa-as um ténue fio de teia de aranha». Sim, entre uma e outra Magias… De certo modo, pode agora compreender-se o motivo pelo qual os privilégios humanos e espirituais passaram, bruscamente, de um país para outro em relação ao Movimento Espiritual que se processa no Extremo Ocidente da Europa, Portugal, e no Extremo Ocidente do Mundo, o Brasil.

Ademais, não era com aleijões e neuropatas de toda a espécie prejudicados pela guerra, com famintos e pobres seres esqueléticos que perambulavam pelas ruas das cidades devastadas pelos combates, a começar pela Alemanha, que se «poderia firmar uma nova raça, fosse em que parte fosse da Terra». Fala bem alto a nova decisão desesperada do Reich, já com a chancelaria de Berlim cercada pelas forças aliadas, em relação às mulheres alemãs, inclusive as casadas, «de se entregarem aos soldados» (isto é, aos “degenerados da mesma guerra”), para que a tal «nova raça» não desaparecesse. Mas, respeitável leitor, de que valem os filhos, os rebentos, os produtos de semelhante união ilícita e mais que imoral? Respondam os simpáticos à guerra e às suas consequências funestas, seja ela em que tempo for…

Algo que vem confirmar o que disse anteriormente, é a seguinte passagem do mesmo livro citado, encontrada no capítulo “A criação do super-homem”, na página 225 e seguinte:

«– O homem novo vive a nosso lado. Está ali! – exclamou Hitler triunfalmente – Não lhe basta isso? Vou dizer-lhe um segredo. Vi o homem novo. É intrépido e cruel. Senti medo diante dele.

«Ao pronunciar estas palavras singulares, Hitler vibrava e tremia de êxtase ardente (todo o mago negro, sabe-se, é um epiléptico… e de epilepsia, juntamente com a “doença de Parkinson”, sofria Hitler). Recordei-me de uma passagem do nosso poeta alemão Stefan George – A visão de Maximin. Acaso Hitler teria tido também a sua visão?…»

Razão porque muito antes da II Guerra Mundial (1939-1945) lhe dedicou um templo em Berchesgaden, onde procurava, além do mais, ouvir os seus conselhos, nesse castelo possuidor de tal templo improvisado (com todas as regras da Baixa Magia). Em plena Guerra, quantas vezes ele partia de repente, para só voltar um ou dois dias depois? Ia ouvir o seu amo ou senhor… um títere, um boneco maquinado, uma espécie de Frankenstein por sua vez criado por um Nirmanakaya Negro: Baal-Babu, o 4.º sendo o 1.º por ter a ver com a chefia de todo o Mal nesta 4.ª Ronda Terrestre, fruto maldito das almas perdidas da 4.ª Raça-Mãe Atlante.

Quem apoiava externamente as avatarizações sinistras de Baal-Babu a Hitler? O próprio «grão-sacerdote» Dietrich Eckhart, iniciador externo do Führer como o decano principal do Ocultismo Negro do Reich ou “Império” das Trevas em plena zona gástrica do “corpo” da Europa, a Alemanha. Curioso e significativo, do ponto de vista oculto, as avatarizações sinistras darem-se pelo plexo solar, na região gástrica do corpo humano, como acontece com quaisquer tipos de «incorporações» mediúnicas… umas e outras inteiramente desfavoráveis à evolução verdadeira do Ser e da Raça.

Hitler é, pois, a síntese perfeita do final dum ciclo racial… como Átila também o foi. Ele mesmo, o tal «super-homem» – como eunuco da Guerra anterior (1914-1918) assinalado pelos estilhaços de uma granada… e por isso carecia insaciável da presença próxima do sexo feminino, cujo olhar mas não contacto físico o alimentava vitalmente, «mau olhado» esse que levou quase todas as «mulheres de Hitler» ao suicídio, com destaque para Eva Braun, que como falsa Eva  incorporou a antítese completa da verdadeira Eva, ADAMITA como “Primeira Mãe” do Género Humano – das suas visões macabras, era formado com os pedaços desses pobres aleijões da guerra que provocou e dos milhões de vítimas que a mesma espalhou por quase todo o Globo. Por isso mesmo, forma caótica do verdadeiro Super-Homem ou Adepto Espiritual que já então se desenvolvia ou processava em plagas luso-brasileiras, mesmo que secretamente nesses “Formigueiros de Adeptos” que constituem a Maçonaria Universal Construtiva dos Três Mundos, ou seja a dos Traixus-Marutas, a verdadeira por ser a original de Agharta. Mas não podia deixar de ser assim, pois onde está a Luz está a Sombra, onde se encontra o Bem manifesta-se o Mal, a Mentira para a Verdade… e assim por diante, na dicotomia das coisas irreais e reais como decerto é fácil observar por qualquer um.

Esse Super-Homem ou Homem Perfeito como Adepto Verdadeiro todo ele composto –  matematicamente perfeito, divino – “Vida-Consciência” (em hindustânico, Jivatmã ou Jivamukta),  assim o configura Fernando Pessoa, em palavras completamente opostas às de Hitler, no seu Ultimatum pelo heterónimo Álvaro de Campos (in Portugal Futurista, Lisboa, 1917):

«Proclamo a vinda de uma Humanidade matemática e perfeita!

«O Super-Homem será, não o mais forte, mas o mais completo.

«O Super-Homem será, não o mais duro, mas o mais complexo.

«O Super-Homem será, não o mais livre, mas o mais harmónico.

«Proclamo isto bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas para a Europa, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstractamente o Infinito!»

O mesmo Fernando Pessoa (in Associações Secretas, “Diário de Lisboa”, 4 de Fevereiro de 1935) ao sair a terreno em defesa da Maçonaria Tradicional contra o projecto de lei proposto pelo deputado conservador José Cabral, não deixou passar a oportunidade de se referir às perseguições implacáveis à  mesma Maçonaria por Mussolini e Hitler (assim como por Primo de Rivera em Espanha e Oliveira Salazar em Portugal), por ela ser completamente avessa, pelo seu cimento ou princípio e normas (“landmarks”), a quaisquer formas absolutistas de ditadura:

«Mussolini procedeu contra a Maçonaria, isto é, contra o Grande Oriente de Itália mais ou menos nos termos pagãos do Sr. José Cabral. Não sei se perseguiu muita gente, nem me importa saber. O que sei, de ciência certa, é que o Grande Oriente de Itália é um daqueles mortos que continuam de perfeita saúde. Mantém-se, concentra-se, tem-se depurado, e lá está à espera. O camartelo do Duce pode destruir o edifício do comunismo italiano; não tem força para abater colunas simbólicas, vazadas num metal que procede da Alquimia.

«Hitler, depois de se ter apoiado nas três Grandes Lojas cristãs da Prússia, procedeu segundo o seu admirável costume ariano de morder a mão de quem lhe dera de comer. Deixou em paz as outras Grandes Lojas – as que não o tinham apoiado nem eram cristãs – e, por intermédio de um tal Goering, intimou aquelas três a dissolverem-se. Elas disseram que sim – aos Goerings diz-se sempre que sim – e continuaram a existir. Por coincidência, foi depois de se tomar essa medida que começaram a surgir cisões e outras dificuldades adentro do partido nazi. A História, como o Sr. José Cabral deve saber, tem muitas destas coincidências.»

A saga dessa triste herança hitleriana deixada há mais de meio século arrasta-se até hoje, pois bem se vê actualmente não faltarem por todo o Globo prosélitos ou simpatizantes de tais ideias completamente avessas ao Progresso verdadeiro do Género Humano, além do mais, por o número de ignorantes no mundo ser bem maior do que o dos verdadeiros sábios…  e ademais porque tais doutrinas são tentadoras, nem todos sabem recusá-las, mesmo que depois tenham de chorar lágrimas de sangue, como já vem chorando número vultuoso de criaturas! Pobres criaturas, enganadas por promessas vãs de liberdade, de fartura e domínio sobre os seus semelhantes em Humanidade por uns quaisquer ditadores sanguinários, auto-suficientes, exclusivistas radicais e xenófobos preconceituosos, como se vêem, e com fartura libertina, hoje em dia! O Verdadeiro Caminho da Iniciação, o da Sabedoria Divina, jamais promete coisas impossíveis de realizar, enganadoras, mas antes as régias ou reais por terem a ver com a Realização verdadeira do próprio Homem através dos seus próprios esforços e méritos, e por provirem do Rei dos Reis – Melki-Tsedek – ou o Imperador Universal.

Sim, é a Hora de um Novo Ciclo, de uma Nova Era portadora de melhores dias para o Mundo, na medida em que todos nós contribuirmos para isso. Desgraçadamente, bem se sabe pela vivência e consequente experiência diária, tal Obra Magna – Opus Magnus – exige sacrifícios de toda a espécie, e assim – de acordo com o “faz por ti que Eu te ajudarei” – bem poucos a têm querido seguir, muito menos se esforçado em cumprir… sim, além do mais porque «muitos serão os chamados e poucos os escolhidos». Fazer parte destes últimos é a nossa meta suprema nesta vida transitória, em que só valem os valores que nos acompanharão além-túmulo, o nosso destino último e fatalmente certo: os do Bem, do Bom e do Belo.

E que ele, Hitler, por sua vez desejava formar uma «Ordem universal de origem germânica» com todos os mentecaptos desse ciclo agonizante, servindo-se dos mitos nórdicos, isto é, do Passado remoto, Involução portanto, aos quais tão bem e também se ajustaram e ajustam os fanáticos autistas, por muita cultura teórica que possuam mas nenhuma experiência de Vida que se traduz em Sabedoria vivida, conquistada ou arrancada com sangue, suor e lágrimas ao athanor enrubescido das experiências diárias, que são a maior Riqueza, sejam ou não dolorosas… e, na sua sandice, geralmente nem se apercebem das suas contradições palmares, não raro em menos de uma ou duas horas, quando não de uma frase para a outra, dizia, está visto através de um «novo segredo» que ele, Hitler, tinha para Hermann Rausohning, autor de Hitler m’a dit (“Hitler ditou-me”, na página 261 e seguinte desse livro, no capítulo intitulado “Revelações sobre a doutrina secreta”):

«– Vou confiar-lhe um segredo: fundo uma Ordem

«Essa ideia de Hitler já era minha conhecida. O seu autor era (Alfred) Rosenberg (sobre essa «novidade», de facto – direi agora eu em consonância com o que dizia o Professor Henrique José de Souza – na época actual a originalidade desapareceu: não se faz outra coisa senão copiar as ideias alheias e, ainda por cima, não raro, denegrir e tentar arremessar ao ostracismo o autor original vitimado, sendo os que agem dessa maneira espúria, cruel e desonesta algo assim como folhas secas arrastadas pela impetuosidade de uma cachoeira: a cachoeira deste mesmo ciclo em franca decadência prestes a desaparecer…). Pelo menos, da boca de Rosenberg a ouvi pela primeira vez. Rosenberg pronunciara, para número restrito de assistentes, uma conferência no salão de Marienburg, no antigo Castelo dos Cavaleiros Teutónicos. Recordando os acontecimentos históricos da grande época dos Cavaleiros, traçava um paralelo entre a sua acção na Prússia e o programa do Nacional-Socialismo, e sugeria que a Ordem poderia ser reconstituída. Um escol de valentes, que seriam ao mesmo tempo administradores hábeis (viu-se…) e sacerdotes, que resguardassem ciosamente uma doutrina secreta oculta ao mundo profano (poderiam ser todas menos a da Verdadeira Sabedoria Iniciática das Idades, direi eu absolutamente convicto face às atitudes que se viram… e se vêem ainda, desgraçadamente, tanto em Portugal como no Brasil e demais «pontos quentes» do Globo); a hierarquia daqueles monges-soldados, os seus métodos de governo, a sua disciplina – tudo isso poderia ser restaurado e servir de exemplo.»

Quando o mesmo Hitler se manifestou a respeito da nova religião (nova para ele, mas velhíssima, ultrapassada para a História da Evolução Humana…) que desejava instituir no mundo, várias rochas enormes começaram a despenhar-se nos montes da Floresta Negra (da personalidade, desencontrada com a individualidade espiritual no Homem), o Junfrau dos Eddas ou escrituras sagradas nórdicas. Algo assim como se os deuses estivessem revoltados contra ele,  apedrejando-o!…

Ontem e hoje, é facto reconhecido que nem todos podem ou devem manusear livros de Cavalaria antiga, pois tomam as coisas ao vivo, e… começam a matar, a destruir a torto e a direito mental, moral e fisicamente, para um dia, eles mesmos, compreenderem que tudo não passava de um sonho, ou antes, de terem criado um maldito pesadelo…

Decerto nós, teúrgicos, teósofos e demais espiritualistas e humanistas de escol, não seremos desses criadores de pesadelos malditos, mas criadores de realidades diáfanas que se fazem dos sonhos benditos. Assim, benditos seremos nos pensamentos e vozes dos nossos futuros em conformidade à boa Sementeira que lançamos agora à Terra inteira, para que a Colheita seja rica em frutos… sim, os Frutos benéficos de uma Nova Era plena de Paz e Prosperidade para o Mundo!

Pois, Lutemos pelo Dever!

Um correspondente carioca, portanto, do Rio de Janeiro, pressuposto confrade nesta Obra Divina, escreveu-me há tempos colocando várias e inquietantes questões que, todas elas, estão inteiramente relacionadas ao tema agora em estudo. Podem resumir-se no trecho seguinte da sua carta:

– Sobre Hitler. Sabemos que ele foi um Nirmanakaya Negro e que veio com a função ceifadora de mão de Yama, mas como ficamos quando a derrocada do Nacional-Socialismo alemão permitiu a ascensão e o domínio judaico do Sionismo Internacional? Não é esta situação de domínio económico (e perversão dos sistemas de comunicação), perversão mundial pior do que seria a condição económica e social com a vitória de Hitler? Os famosos “7 dias” em que JHS determinou (na sua função de Akbel) o afastamento de Hitler do seu “mestre” não foram perniciosos para o Mundo, a contar com essa ascensão Judaica e consequente consecução dos “Protocolos dos Sábios de Sião”?

Ao ilustre e pressuposto confrade brasileiro, parecendo-me preocupado com algum e íntimo «problema existencial» que não fica bem com a sua pressuposta condição de médico, respondi nos termos seguintes:

– Postas as suas questões pertinentes, bem melindrosas pela controvérsia que geram na turbulência dos dias que vivemos, dou-lhe as devidas respostas.

O Venerável Mestre JHS previu no Livro do Akasha que compõe a ambiência do Mundo de Duat, qual seja uma Biblioteca Planetária, o que viria a ser o Mundo actual, neste Interregno Cíclico que irá um pouco mais além de 2005, digamos, até aos inícios de 2017, aquando inicia o ciclo da Lua. Previu, interferiu e pouco depois estacou diante das investidas das Hostes Negras chefiadas na altura pelo saturnino ou satânico chefe dos Nirmanakayas NegrosBaal-Babu, maioral de todas as desgraças e dores na maior das Talas, Maha-Tala – de quem Adolf Hitler era um «médium de incorporação», em termos espíritas, ou um seu «avatara sombrio», em termos bem nossos, teosóficos.

Quando digo “JHS estacou”, a assertiva importa justificação com o seguinte episódio muito pouco conhecido nos anais da História da Obra do Eterno. Pois bem, pelos idos dos anos 40 do século passado, em plena 2.ª Guerra Mundial com Hitler conquistando toda a Europa, preparando-se para avançar na Ásia e investir contra o continente americano, exterminando implacavelmente tudo quanto fosse judeu ou similar, ante isso o Venerável Mestre JHS, como Avatara de AKBEL, Senhor Absoluto do AMOR e da SABEDORIA, detentor de todos os tálamos do PODER Divino, tomado de revolta e compaixão pelo que estava acontecendo à Humanidade, decidiu intervir por iniciativa própria.

JHS chamou para junto de si um vasto número de Irmãos Maiores da Obra, agregados pelo saudoso Dr. Eugénio MARINS (o nome vai bem com MAR, MARE, MARIS…), e dispô-los em 7 grupos de 7 pessoas em 7 pontos diferentes do Rio de Janeiro, tendo por centro a Baía de Guanabara. Penso que esses Irmãos ocuparam os pontos estratégicos do Sistema Geográfico Atlante de TERESÓPOLIS, a partir do Rio de Janeiro, a Terra CARIOCA, CÁRIA, MA-KÁRIA, tendo por “Vigilante Silencioso” pétreo a METARACANGA, ou seja, a Pedra da Gávea, do Gaveiro dos Céus plantado na Terra: EL RIKE, o antigo príncipe fenício YET-BAAL-BEY.

Então, deu-se início ao Ritual de obstaculizar, anular o Karma Atlante da Humanidade, indo travar os avanços sangrentos do antigo Átila (Hitler). Como foi feito? Visualizando jactos de luz irradiados da Terra para a estrela do “Saco de Carvão” (ALGOL) passando pelo Portal Celeste da constelação do “Cruzeiro do Sul” (ALLAMIRAH). As energias astrais roubadas ao 3.º Senhor LUZBEL pela Loja Negra, foram assim impedidas de descer à Terra em forma de jactos sombrios, e consequentemente Hitler começou a sofrer os primeiros revezes na sua pretensão de conquista militar do Mundo (os acordos com o Japão fracassaram, a conquista da Inglaterra falhou, a Rússia criou uma tenaz implacável às forças ocupantes, sofreu um atentado feito pelos seus próximos de que escapou por pouco, etc., etc.). Esse Ritual demorou 7 dias e deveria prolongar-se por 49 dias. Durante esse tempo, e isto é significativo, a América do Norte entrou na Guerra, logo também o Brasil, que é igualmente América. De súbito, a Grande Fraternidade Branca dos 49 Adeptos Independentes ordenou que esse Ritual cessasse imediatamente, pela simples razão de que a Humanidade tinha de pagar e bem caro o seu Karma Racial, e que quando dois terços da mesma Humanidade estivessem contra Hitler, este seria derrotado com a “sombra astral” de LUZBEL, ou seja BAAL-BABU, sendo fortemente vergastada ou castigada pelo 5.º Senhor ARABEL, este que é a “INDIVIDUALIDADE” da “PERSONALIDADE” do mesmo LUZBEL. Assim foi feito e assim aconteceu.

Quem ordenou a cessação imediata desse Ritual exorcizante dos poderes das Trevas? O próprio 7.º DHYANI-JIVA, como “8.º Choan da 7.ª Linha Saturnina”, o Dr. ISRAEL GORDON SCHMIDT (hoje, desde 1949, o 7.º  DHYANI-BUDA GODOFREDO, não vindo ao caso o seu nome aghartino). Ora o DR. ISRAEL GORDON SCHMIDT é quem dirige a Raça JUDAICO-ALEMÃ, saída da 5.ª Sub-Raça Ariana, a TEUTÓNICA, ou melhor, TEUTO-ANGLO-SAXÓNICA.

Túmulo de familiar do Dr. Israel Gordon Schmidt

E quem mandou o Dr. Schmidt ordenar a cessação do Ritual através do Templo-Túmulo da Pedra da Gávea, para cujo topo tem que se passar antes pelo “Pico do Papagaio” tendo em baixo, na encruzilhada dos trilhos do Horto Florestal, a capela MARIZ? O próprio jupiteriano ou divino BAAL-BEY, Senhor Supremo de todas as Regiões Celestes plantadas no Seio da Terra, como sejam as Lokas constituintes do Mundo de Agharta.

BAAL-BEY e BAAL-BABU, ou JÚPITER e SATURNO em oposição ou fricção de maneira a formar a conjunção astral ASGA-LAXA. Quando ela acontece e por muito poderoso que seja, não há Mal que resista.

Sobretudo, tal interrupção Ritualística implicou respeitar o LIVRE-ARBÍTRIO de cada um e de todos conforme o seu KARMA. A LIBERDADE de expressão ou manifestação, por muito dolorosa e revoltante que se possa aparentar, é o paradigma mais caro e respeitado por todo e qualquer Adepto da Evolução. Para este não há Deus maior do que a própria LEI, manifeste-se como se manifestar. Portanto, em última análise, não foi JHS quem derrubou Hitler, mas a própria Humanidade foi quem o recusou, e só após recusá-lo é que a Grande Fraternidade Branca interviu, não antes.

Na grande batalha planetária entre TEURGIA e GOÉCIA, LUZ e TREVA, SINARQUIA e ANARQUIA arrastando-se aos dias de hoje, acaba sobressaindo a tabela dos opostos “EL RIKE – HERR HITLER”, que assim considero:

 Concluiu-se: “SPES MESSIS IN SEMINE!” ou “SPES MESSIS IN SEMINE?”. Eis a questão. Compete a todos nós, os que nos consideramos espiritualistas de escol adeptos da Evolução e amigos verdadeiros da Humanidade, na parte que nos cabe no grande plano universal delineado pela Excelsa Fraternidade Branca para o momento actual ante o Futuro imediato do Mundo, dar a resposta e resolução a esse magno problema que é, afinal e tão-só, o da FELICIDADE HUMANA.

Com tudo, tudo está bem e vai bem com o momento crítico por que passa o Mundo, em plena “encruzilhada de caminhos”, ou seja, o INTERREGNO INTERCÍCLICO, onde não se é Peixe nem Aquário mas uma mistura de ambas as coisas. Com o tempo tudo se encarreirará no decurso normal da Marcha Evolutiva da Civilização. Antes de andar a criança gatinha, e antes de gatinhar, esbraceja. A Humanidade está esbracejando agora… deixemos o Tempo cumprir a sua função.

Ainda assim, respeitável senhor, sabe quem fez «Hitler assumir-se messias e salvador da antiga Germânia e conquistador do Mundo»? O próprio sionismo judaico, apesar de maneira absolutamente indirecta e involuntária. Foi neste que a mística ocultista racial alemã se inspirou para manifestar-se através do partido nacional-socialista, que era um «socialismo nacional» ou uma manifestação invertida da Sinarquia, tal como esse ocultismo, assumindo-se negro por os princípios universais do verdadeiro Ocultismo terem sido pervertidos, decepados para adaptação a conceitos estritamente pessoais e nacionalistas, abertamente xenófobos. Consequentemente, o nacional-socialismo germânico é fruto e igual do modernamente inventado sionismo judaico no seu pior, politicamente falando e levando as coisas para a segregação imposta pela força armada, mesmo assim o seu fundador sendo também um judeu alemão, Theodor Herzi (1860-1904).

A diáspora judaica na Europa, desde o ano 400 d. C., pontificando o Papa Adriano I, cedo se dividiu em duas facções: ao Sul, os judeus sefarditas (a Península Ibérica é chamada “Terra de Sefarad” por eles, inclusive associando o onomástico Ibero a Hebreu), de tendência mística e solar, inclusive tendo sido quem deu origem à Kaballah Profética, vulgo Hispânica; ao Norte, os judeus ashkenazim, de tendência materialista e lunar, os quais sendo práticos no mundo das finanças depressa se assenhorearam de boa parte da economia do Centro e Norte da Europa. Foi para resgatar o poder fiduciário aos judeus que se iniciou a perseguição e o seu consequente holocausto por parte dos «arianos puros». Também nisto há um erro crasso: não havia nem há «ariano puro», porque a maioria dos alemães, desde o século V, são ashkenazim, isto é, germano-judaicos.

De maneira que indo às origens filológicas do termo, buscando apoio em Helena Blavatsky e René Guénon, askenazi ou ashkenazim de maneira alguma é um pejorativo, antes o nome eslavo da comunidade sinagogal norte-europeia, mormente alemã. Nazir ou nazar é o seu diminutivo, e a origem provém do aramaico nazireth, nazireu ou nazareno, na época de Cristo não uma cidade perfeitamente sedentarizada mas uma comunidade móvel de pastores e comerciantes que acabou fixando-se nas proximidades do Mar Morto, antes de encetar diáspora para o Ocidente no tempo do imperador romano Tito, 60 d. C., sob o pretexto de estabelecimento comercial com outros povos. De maneira que o Ramo Nazireu da Raça de Judah nada tem de pejorativo no nome. O perjúrio veio muito depois de certos hodiernos dos séculos XIX-XX, tomando esse designativo para, numa habilidade filológica, alterar nazir para nazi, como contracção da expressão “national sozialismus” (NS).

Cedo a diáspora judaica (tefutzah, em hebreu) misturou o seu sangue com o de outras etnias, contrariando os princípios étnicos seculares vigentes em Jerusalém, pois se não o fizesse não poderia sobreviver em terras estranhas à sua raça, cultura e religião. Por isso observa-se a maioria das melhores famílias europeias terem herança consanguínea judaica. Não há mal nenhum nisso, tampouco «impureza de sangue», este o princípio básico de qualquer crença racial, que é sempre uma xenofobia atlante, consequentemente, retrógrada ante a evolução para Fraternidade Universal dos Povos, e isto é Sinarquia, sim, a mesma Concórdia Universal.

Quanto aos famosos Protocolos dos Sábios de Sião, eles são uma invenção redigida em 1897 pela Okhrana (a polícia secreta russa do czar Nicolau II) que se tornou pública em 1905. Ainda assim, também essa redacção é copiada de uma novela do século XIX (Biarritz, 1868) escrita por um novelista alemão anti-semita chamado Hermann Goedsche, sob o pseudónimo Sir John Ratcliffe. Por sua vez, ele havia roubado a ideia de outro escritor, Maurice Joly, cujos Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu (1864) envolviam uma conspiração do Inferno contra Napoleão III.

Portanto, os tais Protocolos foram escritos por xenófobos europeus «puros» e não pelos próprios judeus alemães que, mesmo assim e de há muito, pretendiam fundar uma “Nova Sião” ou “Nova Israel”, não na Palestina mas na própria Europa (tentativa feita várias vezes, inclusive em Portugal), o que foi pretexto mais que bem vindo para se incorporar essa redacção ao ocultismo nazi e à sua propaganda anti-semita. Esse livro é uma autêntica patranha da primeira à última página, um mal-entendido completo do grito de desespero pela Israel perdida que se queria (re)fundar em alguma parte do Mundo, mesmo que se diga que as emigrações maciças dos judeus europeus para a Palestina começaram no final do século XIX sob a influência dos ideais geopolíticos do Sionismo que, em boa verdade, não existia formado senão no pensamento perturbado de Theodor Herzi, inconformado em ser judeu e só querer ser alemão… Por fim, em 14 de Maio de 1948, os britânicos cederam o seu protectorado palestino, com sede em Jerusalém, aos judeus da diáspora (aliayah, em árabe) para aí, que de imediato fundaram o Estado de Israel.

Israel (ISIS-RA-ELLI, “Os da Realeza de Ísis”) era o nome primitivo desse iniciático “Colégio dos Patriarcas do Tabernáculo do Deserto”, em torno do qual as 12 Tribos se reuniram e acabaram fundando o país com o nome do mesmo. Depois perderam-no para outros povos, encetaram diáspora e quiseram (re)fundar Israel em Portugal, inclusive nos Açores, também no Sul da África, propriamente Moçambique, e logicamente no Norte da Europa, na Alemanha. Por isso se assenhorearam dos poderes vitais dessa última: a força económica, eles próprios eram o poder económico da Alemanha. Os idealistas germânicos «puros», ainda que todos eles com sangue judaico (inclusive Hitler, por parte paterna), revoltaram-se contra isso e foi o que se viu: o burguês judeu-alemão Karl Marx vendo o seu livro O Capital elevado a paradigma místico do doutrinário socialista germânico que, anacronicamente, afirmava-se anti-comunista. Todos os outros contrários a tamanha e insensata aberração racista (Gothe, Rudolf Steiner, Wagner, etc.) viram as suas obras desapropriadas ou destruídas e eles mesmos perseguidos. Foi o caso do supradito Richard Wagner, desapropriado das suas músicas pelo movimento nazi que as tocou à exaustão, escondendo de todos que os maiores amigos de toda a vida do grande compositor foram judeus, por exemplo: o maestro judeu Hermann Levi (o primeiro a reger a ópera Parsifal), o pianista judeu Joseph Rubinstein (assistente musical de Wagner desde 1872) e o pintor judeu Paul Jukovsky.

Wagner, para ser mitólogo e ocultista, teve que ir formar-se nas fontes tradicionais da época, e assim tomou contacto com a Antroposofia do austríaco Rudolph Steiner (1861-1925) através do seu amigo Theodor Reuss (1855-1923) que chegara a conhecer Helena P. Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica. Em Bayreuth, o grande compositor aprofundou os seus conhecimentos da mitologia germânica numa outra organização esotérica, a Thulle Geselschft, com a qual antipatizou profundamente por ela perfilhar ideias xenófobas estranhas ao seu projecto artístico.

A maioria das obras de Richard Wagner, notadamente Parsifal e Lohengrin, são parábolas ilustrativas dos mistérios esotéricos do Cristianismo sem pretensões anti-semitas (os desabafos racistas que o maestro teve, e foram vários, deveram-se exclusivamente a desavenças pessoais com conhecidos judeus e não que fosse um assumido anti-semita, que nunca o foi e isto mesmo o disse e provou nos seus convívios com amigos judeus de toda a vida). No Parsifal, por exemplo, o rei maléfico Klingsor e o seu jardim mágico representam a natureza inferior do homem contra a qual Parsifal, o protagonista “casto inocente”, deve lutar. Já a tentadora e sensual Kundry, ora servindo ao ideal superior do Santo Graal, ora servindo ao desejo inferior de Klingsor, expressa a luta entre as Magias Branca e Negra e a indefinição da alma humana, tanto pendendo para o bem como para o mal. Quando Parsifal cai em tentação, beija Kundry e depois sente as feridas causadas no rei bom Amfortas pelo rei mau Klingsor, representa o homem perdendo a inocência mas ganhando a virtude, alcançada após vencer a tentação e passar a discernir o bem do mal. No Lohengrin, filho de Parsifal e um dos seus cavaleiros, é retomado o tema da demanda do Santo Graal, o da conquista espiritual da Perfeição Humana. O Anel do Nibelungo, embora a sua acção não esteja ligada ao Cristianismo, ilustra a evolução passada, presente e futura da Humanidade, usando elementos da mitologia nórdica mas traçando paralelos com os livros da Bíblia, como o Génesis (equivalente à ópera O Ouro do Reno) e o Apocalipse (equivalente à ópera O Crepúsculo dos Deuses).

Em resumo, a Sinarquia não se faz com apetências xenófobas e centrípetas de coisas velhas (dessas só ficando a experiência, que é quem dá consciência), mas e só, por ser centrífuga, com coisas novas, novíssimas; então, aí temos a Terra Virgem (até no signo), a “Nova Lusitânia” de Pedro de Mariz no século XVII, enfim, o Brasil, este sim, a Nova Israel ou “Terra da Virgem Mãe”… Aparecida, o que vai bem com a Era do Espírito Santo que já iniciou em 24 de Fevereiro de 1954, cada vez mais fazendo-se sentir em toda a Terra.

Foi essa a minha resposta. No mais, repito:

“SPES MESSIS IN SEMINE!” ou “SPES MESSIS IN SEMINE?”

(“A Esperança da Colheita está na Semente”)

EIS A QUESTÃO!

Compete a nós, teúrgicos e teósofos, na parte que nos cabe no grande plano universal delineado pela Excelsa Fraternidade Branca para o momento actual ante o Futuro imediato do Mundo, dar a resposta e resolução a tamanho problema magno que é, uma vez mais, o da Felicidade Humana.

No que temos a dar, para tanto estamos prontos, como demonstra este estudo começado em São Paulo e desfechado em Lisboa, separando, vez por todas, o Trigo do joio, a Verdade da mentira, a Luz das trevas neste momento crítico que tudo e todos atravessam.

À Humanidade:

– UNAMO-NOS PARA REINAR! NADA PELA ANARQUIA! TUDO PELA SINARQUIA!

Aos Tributários:

– LUTAI PELO DEVER (DA HUMANA REDENÇÃO)!

Aos Templários:

– QUE ADVENHA O VOSSO (DIVINO) REINO!

A Todos, com a destra espalmada no peito:

– PAX!

Sinarquia, a Concórdia Universal – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Set 6 2011 

Lisboa, 1984

Inicio este estudo actualizado, tendo estado presentes vários dirigentes políticos na hora da sua primeira alocução pública (Lisboa, 1984), recuando ao Período Quaternário que marcou a Civilização Atlante mãe da actual, ao momento em que os olhares da Humanidade enviesaram cobiçosos dos valores e posses de uns pelos outros, começando assim a perda gradual – cada vez tomando mais velocidade à medida que se precipitava na degradação psicossocial da Raça – da noção de inter-comunhão das criaturas e intercâmbio de relações justas até ao completo esquecimento do que fora o primitivo e universal sentido prático de Comunidade (de “comum+unidade”, a unidade comum ou universal equivalente ao lema aghartino At Niat Niatat, “Um por Todos e Todos por Um”), começando assim as guerras feudais, depressa tornadas nacionais até afligir todo o continente da Atlântida, que a ferro e fogo acabou afogando-se nas fúrias atlânticas do oceano implacável.

Não vai bem esse retrato com o panorama psicossocial dos dias actuais de um Ciclo podre e gasto, onde o vício é uma virtude e a virtude um preconceito, cada vez mais campeando a injustiça, a ignorância e todos os males à solta dos “4 Cavaleiros” do Apocalipse? Mas por certo, e a História o prova abundantemente revelando que após as crises advêm os sucessos, melhores dias haverão de vir para o Mundo…

Desde então, da Queda Atlante correspondendo ao Dilúvio Universal, a actual Raça-Mãe Ária ou Ariana que lhe sobreveio tem – através dos seus mais dilectos Filhos todos pertencentes ao mais que excelso Panteão dos Deuses ou Avataras, não importa se maiores ou menores, pois que todos têm subscrito a mesma mensagem de Concórdia Universal e assim impulsionado o progresso sócio-espiritual da Humanidade – se esforçado por fazer renascer a primitiva Comunidade ou Concórdia Universal dos Povos, que é dizer, a Sinarquia que brilhou na antiga “Arcádia dos Deuses” ou Idade de Ouro (Satya-Yuga), sob a égide da mais ampla Igualdade (dos corpos, em proposição), Fraternidade (das almas, em tese) e Liberdade (dos espíritos, em princípio), esse que, aliás, foi o lema psicossocial da Maçonaria em França no século XVIII e está lavrado nas cores tradicionais da bandeira desse país.

Já há seis mil anos Fo-Hi, criador da tese da imutabilidade Yin-Yang pela qual explicava o Equilíbrio Universal dos Opostos (Feminino e Masculino, Matéria e Espírito, Lua e Sol, etc.), juntava e guiava o povo chinês, até então disperso em tribos e clãs, para as planícies férteis junto do Rio Amarelo, ensinando-o, baseado nessa sua tese filosófica, a viver em harmonia com a Natureza e, consequentemente, consigo mesmo, o que ele chamava de Tao.

Por sua vez Orfeu, “Aquele que cura pela Luz”, iniciou a Grécia, num período de grande instabilidade social e religiosa, no culto a Apolo, o Verbo Solar, portanto, de cariz absolutamente evolutivo, ao mesmo tempo que estabelecia os fundamentos do Tribunal dos Anfitriões a quem a Grécia deve a sua unidade nacional até hoje.

Zarathustra (“Estrela de Ouro” ou “Esplendor do Sol”, nascido em Bactriana ou em Rhagés, não se tem a certeza, perto da actual capital do Irão, Teerão, talvez 1.000 a. C.), na Pérsia, Fundador e Legislador (donde, Manu) da doutrina monoteísta do Fogo Primordial ou Mazdeísmo (também conhecida por Magismo, Parsismo, Zoroastrismo ou “Culto do Fogo de Ormuz” ou Ahura Mazda, “A Luz das Luzes”), inculcou fundo na mente do seu povo Arya a noção importantíssima de «a união fazer a força», conseguindo criar a unidade nacional de características sinárquicas. Desenvolveu a agricultura das terras ensinando o método tradicional de melhor as cultivar para que dessem colheitas fartas, pelo que inventou novas alfaias agrícolas. Aos sábios do seu Colégio dos Magos revelou a doutrina astrosófica dos Espíritos Planetários (Kabires, sendo os mesmos Kumaras hindustânicos) e os segredos da Agricultura Celeste (Alquimia).

Todos seguiram e reconheceram a superioridade incontestável de Zarathustra ou Zoroastro (“Zero-Astro” indicativo do próprio Sol Central, o 8.º Espiritual deste Sistema Universal de Evolução). Isso em conformidade ao que afirmava há cinco mil anos Krishna a Arjuna: «Quando um homem nobre homem faz alguma coisa, os outros o imitam; o exemplo que ele dá, é seguido pelo povo» (in Bhagavad-Gïta, cap. 3, vers. 21).

Em concordância com Krishna, Lao-Tsé, “Velho Mestre” da China milenar, expôs na sua obra Tao-Te-King, o “Livro da Via e da Virtude”, no versículo 58: «Quando o governante é indulgente, o povo permanece puro. Quando o governante é intransigente, o povo torna-se transgressor». Foi esta a razão que levou Confúcio (551-479 a.C.) a opor-se à exploração socioeconómica exercida despoticamente pelos senhores feudais da China do seu tempo, e a procurar instituir um modelo de governação justa em moldes concordes e justos para todas as partes, ou seja, o modelo sinárquico.

Ainda voltando à Grécia, no século IV a. C. Pitágoras, “Espírito Vidente”, fundou na colina de Crotona a sua Escola de Filosofia, Ciência e Arte, admitindo indistintamente alunos de todas as classes sociais e raças como exemplo prático do que lhes pretendia incutir: o princípio da fraternidade universal. De maneira semelhante procedeu o Iluminado Platão na sua Academia de Atenas, resumindo-se nesta frase capital toda a sua política sinárquica: «Eu sou cidadão do Universo e procuro viver como bom cidadão cósmico». Axioma que Jesus utilizaria como «conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Reino de Deus».

Já na Idade Média europeia, o espírito de entrega do Franciscanismo cristão identificava-se pleno com o espírito de adoração do Sufismo islâmico, tendo a Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão (vulgo, Ordem dos Templários) tentado fundar a Sinarquia Europeia, ou melhor, Transeuropeia unindo aos dois hemisférios do Mundo numa verdadeira Conquista Espiritual, apesar da mesma ter gorado no plano das realizações imediatas.

Este pequeno e muitíssimo resumido historial destina-se a provar aos actuais e cépticos filodoxos, “amigos da opinião”, que a extraordinária República de Platão não é um caso literário isolado taxado de «utopia visionária», antes um facto concreto, efectivado e comprovado em numerosos períodos da História, inclusive tendo sido alavanca charneira do progresso avante da Civilização Humana.

E, acaso, teriam os Grandes Pensadores da Humanidade sido simples e vácuos «utópicos visionários»? Se assim foi, então porque os seus ensinamentos são ministrados nas cadeiras de filosofia e sociologia do sistema académico vigente? Será que é por esse ser um sistema vácuo, utopista e visionário? Talvez… E mesmo os maiores nomes da ciência positivista – antes, dialecticamente pedante por “motus próprio” – como Galileu, Descartes, Bacon, o próprio Einstein, etc., que acreditaram a seu modo na Sinarquia, também seriam eles «utópicos visionários»?…

Ademais, quem acaso nunca sonhou é porque acaso estará morto. A utopia de hoje poderá muito ser a realidade vivida por todos amanhã, como já aconteceu no passado… Sobre isso, Koot Hoomi Lal Sing, um dos Preclaros Adeptos Vivos da Grande Fraternidade Branca, deixou escrito no final do século XIX: «A “Fraternidade Universal” não é uma expressão vazia. A Humanidade, no seu todo, tem sobre nós direitos supremos. É o único fundamento sólido da moralidade universal. Se é um sonho, pelo menos é um nobre sonho para o Género Humano, e é a aspiração do verdadeiro Adepto».

Têm-se ainda obras literárias de alto e meritoso valor sobre o tema, decerto utópico no presente, repito, mas não se o tornar realidade no futuro próximo pelo trabalho esforçado de um e de todos, como sejam, dentre muitíssimas outras nas quais figuram Hipódamo, contemporâneo de Aristóteles, Saint-Yves d´Alveydre, Rudolf Steiner, René Guénon e mesmo Gerard Encausse, o famoso Papus: A Utopia, de Thomas Morus, A Cidade do Sol, de Campanella, A Nova Atlântida, de Francis Bacon, e até a Raça Futura, de Bulwer Lytton, não esquecendo a obra monumental de Henrique José de Souza, A Verdadeira Iniciação.

Falo de Sinarquia definindo-a como fundamentada em princípios universais em que se inscreve o Homem, considerado não neste ou naquele aspecto particular, não nesta ou naquela dimensão parcial, como a dimensão socioeconómica, por exemplo, mas na sua totalidade, como um ser integral, expressão e síntese da Lei Orgânica da Vida numa Colectividade ou Sociedade justa e perfeita, harmonizada ou conformada a essa mesma Lei Universal.

É aqui, pois, que o ideal da Utopia se concretiza, o de uma República governada por Filósofos. Convém entender o termo filósofo no seu sentido original, não como “amigo do saber”, dos vários saberes, mas como Filho da Sabedoria, numa palavra, do Conhecimento Supremo, dirigindo, conformado aos ritmos da Lei da Natureza, o Homem individual como microcosmos da Sociedade grupal, o seu macrocosmos, o que se revela da maneira seguinte no trinómio Homem – Sociedade – Natureza:

Esses princípios estão interligados pois existe uma interrelação permanente entre eles, porque onde um aspecto predomina os outros também existem como subsidiários, indo demonstrar que um povo, sendo uma colectividade, é um ser colectivo vivo, dotado de auto-consciência, cuja acção política do governo sobre ele não pode permanecer abstracta sem o perigo de dissolução. Na medida em que os sistemas político-sociais não souberam, até hoje, firmar-se numa filosofia científica conformada às estruturas biológicas das sinergias grupais, mas tão-só em concepções arbitrárias, fragmentadas e fragmentárias, afirmam-se, por consequência, como sistemas políticos de constituição anárquica, onde a injustiça e a imperfeição encontram campo livre para se impor. À ordem social orgânica do Reino de Agharta impõe-se a desordem sistemática dos regimes da face da Terra. No fundo, trata-se da problemática do binómio Autoridade Espiritual – Poder Temporal por não se saber quais os espaços da sua exclusividade para que, efectivamente, sejam legítimos e não se corra o risco de cair em qualquer espécie de prepotência ditatorial, seja religiosa, seja laica, seja, o que é o mais comum, religiosa e laica ao mesmo tempo, o que, para todo o efeito, revela ser leiga no entendimento e apercepção metafísica da política, cuja ciência é destinada exclusivamente a servir o Bem comum, ao contrário do que sucede hoje: a política ao serviço do bem só de alguns.

Exposta desta maneira, repara-se de imediato que a ideia político-social de Sinarquia não tem absolutamente nada a ver com quaisquer expressões partidárias, pois que é um estado de consciência social colectivo, eubiótico ou conformado ao “bem-viver” com o Todo e o Tudo auto-integrados harmonicamente um no outro, sob a égide de um governo único eleito pelo reconhecimento unânime da sua superioridade interior e capacidade exterior, capacitado a manter a ordem e a harmonia universal com justiça e perfeição. Por isto a palavra sinarquia tem a sua raiz nos fonemas gregos sun+arkhe, isto é, “com princípio” ou ordem justa e perfeita, o que vale por Concórdia Universal.

Consequentemente, todas as tentativas espúrias de fundar “partidos sinárquicos” (a “Sinarquia do Império”, francesa, o “Verdeamarelismo”, brasileiro, o “Imperialismo Lusitano”, português, etc.), iniciativa começada nos finais do século XIX (1872), geralmente com posteriores influências xenófobas e nacionalistas tanto fascistas como nazis, falangistas, vichyistas ou salazaristas, só puderam redundar em fracasso absoluto, como é um absoluto logro interpretar sinarquia como derivado do grego sun+arkhein, ou seja, “com comando”, com braço de ferro implacável, autoridade absoluta exercida por um único indivíduo por exclusiva dedicação ao poder pelo poder, que é a argamassa de qualquer ditador, grande ou pequeno, pouco importa.

Como tudo o que existe exteriorizado ao Homem está igualmente interiorizado nele, assim também o seu Theotrim, o seu “Deus Trino” se manifesta no Mundo das Formas por meio do Pensamento, do Sentimento e da Vontade. De facto, como diz com muita propriedade o professor Adhemar Ramos, o Pensar, o Sentir e o Querer são as três forças que a Humanidade utiliza constantemente, mas que no comum das gentes estão completamente baralhadas, de tal forma que se conclui:

Dessa maneira, tais forças psicomotoras do Homem colectivo que é a Sociedade se auto-enfraquecem. Para a aplicação correcta da inteligência emocional ou psicomental, o primeiro trabalho a ser feito será separar tais forças para que sejam controladas e potencializadas. Sim, porque ao manifestarem Deus na Terra ou Corpo têm a sua origem no mesmo Deus no Céu ou Espírito, sendo a Alma o cabalístico Vau, Vale ou Palco cénico da Evolução, singular e plural. Donde se tem:

Isso está em conformidade ao Projecto Sinárquico do Professor Henrique José de Souza, sintetizado nestas suas poucas mas preciosas palavras:

«A Teosofia é um plano universal de Evolução que segue três caminhos, desenvolvendo:

– A Inteligência pela Instrução;

– A Emoção pela Educação;

– E a Vontade pelo Trabalho.

Reconstruir! É o brado que nos compete!

Sim, reconstruir o Homem, o pensamento, a moral, os costumes; reconstruir o lar, a escola, o carácter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. Só assim a Humanidade se tornará digna do estado de consciência que é exigido pela Nova Civilização.»

O Discípulo verdadeiro só realizará integralmente a sua “Sinarquia Interior”, individual, atingindo positivamente a exterior social, colectiva, quando unir o Céu com a Terra em si mesmo e assim se iluminar espiritualmente, por via da dinâmica positiva ou evolucional do

Então a Sinarquia estará realizada, por o Homem, a Sociedade e a Natureza constituírem um todo inseparável, justo e perfeito. É utopia? Claro que é! Mas só no Presente, pois que o Futuro é mundo de possibilidades a realizar, sabendo-se que a maioria, se não a totalidade, das utopias do Passado de uma ou de outra maneira vieram a realizar-se.

Esta fórmula de política sinárquica mereceu do Padre António Vieira o seguinte encómio: «Oh! Que grande política esta, assim humana, como divina!», no seu Sermão de Santo António pregado em S. Luís do Maranhão, três dias antes de embarcar ocultamente para o reino.

É o mesmo Império Providencial, como Agregação Cultural e Civilização Espiritual, de que fala Fernando Pessoa no seu O Império Espiritual (texto com a menção Atlantismo, presumivelmente de 1913):

«Todo o Império que não é baseado no Império Espiritual é uma Morte de pé, um Cadáver mandando.

«Só pode realizar utilmente o Império Espiritual a nação que for pequena, e em quem, portanto, nenhuma tentativa de absorção territorial pode nascer, com o crescimento do ideal nacional, vindo por fim a desvirtuar e desviar do seu destino espiritual o original imperialismo psíquico.

«Criando uma Civilização Espiritual própria, subjugaremos todos os povos; porque contra as artes e forças do Espírito não há resistência possível, sobretudo quando elas sejam bem organizadas, fortificadas por almas de generais do Espírito.

«Criemos um Imperialismo andrógino, reunidor das qualidades masculinas e femininas: Imperialismo que seja cheio de todas as subtilezas do domínio feminino e de todas as forças e estruturações do domínio masculino. Realizemos Apolo espiritualmente.

«Esta é a primeira Nau que parte para as Índias Espirituais, buscando-lhes o Caminho Marítimo através dos nevoeiros da alma, que os desvios, erros e atrasos da actual civilização lhe ergueram!»

A Sinarquia resulta do melhor da Monarquia e do melhor da República, esta que, como Respública, “Coisa ou Causa Pública”, já é uma “Sinarquia exotérica”, no dizer do Professor Henrique José de Souza, e como “Respública Cristianíssima” consignava-se a Monarquia Lusitana no seu auge (séculos XII-XV), diferenciando a Autoritas da Potens, assim antecipando em centenas de anos o republicanismo jacobino francês. Por seu lado, Montesquieu afirmou que o princípio da Monarquia era a Honra, enquanto o da República seria a Virtude.

O regime político em Portugal foi sempre o monárquico misto de liberal e constitucional, com excepção de alguns períodos de absolutismo como aconteceram durante os reinados de D. João II ou D. José I, por exemplo, o que desgostou a todas as classes sociais do país acabando por se regressar ao velho e tradicional sistema, comprovado o mais eficaz no respeitante às suas sinergias psicossociais. Liberal por todas as classes participarem do poder, inclusive a nomeação real só ficar legitimada após o seu reconhecimento pelo poder popular (populi voluntatis), a fim de posteriormente a autoridade espiritual diocesiana incarnada no bispo legitimar o poder temporal assumido pelo monarca. A aclamação popular do rei aconteceu desde D. Afonso Henriques e só foi interrompida com a subida ao poder de D. João II. Constitucional por terem havido várias Regulas, inicialmente inspiradas no Direito Romano mas que D. João I reformou, pelas quais a lei e a ordem se regiam e eram mantidas, pelo que a Carta Constitucional de 1822, que tornou a Monarquia só Constitucional, como documento em si poderá ser o mais antigo texto constitucional português desde o final da Idade Média (século XV), mas não será o mais antigo texto jurídico nacional se levar-se em conta as Regulas por que se norteavam as lavras dos Forais (in Joel Serrão, Pequeno Dicionário de História de Portugal. Iniciativas Editoriais, Lisboa, 1976).

De maneira que, repito, o regime político tradicional do país foi sobretudo o da “Coisa ou Causa Pública”, a Respública ou República, que como “Cristianíssima” assim a consignava a Monarquia Lusitana no seu auge (séculos XII-XV), diferenciando sempre a Voluntatis (Povo) da Autoritas (Clero) e da Potens (Nobreza), cada qual com as suas especificidades e todas interagindo a favor do Bem comum (Respublica). De maneira que a “República Cristianíssima” portuguesa antecipou em centenas de anos o republicanismo jacobino nascido nas comunas de França. Montesquieu, como já disse, veio a afirmar que o princípio da Monarquia era a Honra, enquanto o da República seria a Virtude (in O Espírito das Leis. Paris, 1748): «Para melhor compreensão desta obra, é preciso que se observe que o que denomino Virtude na República, é o amor à Pátria, isto é, o amor à Igualdade. Não é, em absoluto, virtude moral, nem virtude cristã, e sim virtude política; é a mola que faz mover o governo republicano, assim como a Honra é a mola que faz mover o governo monárquico».

A Monarquia oferece várias formas de governo, como seja:

Monarquia Teocrática, dirigida exclusivamente pelo Clero, nunca aconteceu em Portugal. Monarquia Aristocrática, chegou a acontecer, tanto pela coroação de nobres indirectos à sucessão real como, consequentemente, por certa fidalguia próxima ao povo assumir as rédeas do governo da nação. Aristocracia é isto mesmo: quando o poder soberano está nas mãos de uma parte do povo. Monarquia Constitucional, é quando os poderes intermediários regulam-se por um poder central que emite as leis fundamentais. Se esse poder for de natureza despótica concentrando numa única pessoa todas as leis e poderes, tem-se a Monarquia Absolutista, que em Portugal sempre que tentou impor-se não correu bem. Em contrário, a repartição dos poderes e leis pelas classes subordinadas ao poder central, é característica da Monarquia Liberal em que desde a primeira hora assentam os caboucos político-sociais do país.

A República com a sua dinâmica política, trepidação ao ritmo sociológico, constante mudança de valores e maiores oportunidades para muitos participarem do governo, embala melhor as esperanças de todos em dias mais prósperos e venturosos. Tudo isso é também consentâneo com a época agitada que se vive, a indocilidade geral das gerações actuais, a mudança de ciclo e os avanços da ciência.

República Oligárquica (do grego, oligoi, “poucos”, e arche, “governo”) caracteriza-se pelo governo de uns poucos em benefício próprio, com amparo na riqueza pecuniária. As oligarquias são grupos sociais constituídos por aqueles que detêm o domínio da cultura, da política e da economia de um país, exercendo esse domínio no atendimento exclusivo dos seus interesses próprios em detrimento das necessidades da massa popular. Tem-se o exemplo dela no período final da Monarquia e no começo da República em Portugal, e também no Brasil, na chamada “República Velha” ou “República dos Bacharéis”, que só terminou com a subida ao poder do Presidente Getúlio Vargas (amigo próximo do Professor Henrique José de Souza), após a Revolução de 1930.

República Democrática é quando o povo, formando um só corpo indistinto, detém o poder soberano e exerce-o com direitos iguais. Isto vem a ser a democracia, como princípio, mas como desenvolvimento há sempre o vício de resvalar para o absolutismo oligárquico. Resta ao eleitor a arma política ao seu dispor no sistema democrático, que é o exercício do direito eleitoral: segundo o seu gosto ou desgosto, poderá votar ou vetar. Qualquer das medidas é válida e irrepreensível.

Hoje há em Portugal uma espécie de “contrafacção” dos modelos republicano e monárquico, que bem poderei apelidar misto de monarquismo espúrio com democratismo estéril. Este fenómeno político, claramente psicossocial, surgiu com a famosa Carta de Banimento de 19.12.1834 assinada pela D. Maria II e o qual teve o seu auge na pessoa absolutista do “Presidente Rei”, Sidónio Pais. A Carta de Banimento é também designada Lei da Proscrição do Ramo Miguelista da Casa de Bragança, por ter sido revogada no artigo 141.º da Constituição de 1822, quando esta Constituição foi reposta em vigor pelo decreto de 1º de Setembro de 1836. O Banimento subiu à Constituição de 1838, vindo a ser definitivamente revogado no estabelecimento da Carta em 1842, mas que o movimento jacobino do ministro Costa Cabral anulou pelo decreto de 10 de Fevereiro. Uma revogação confirmada, depois de 1851, em sucessivas revisões da Carta Constitucional até 5 de Outubro de 1910.

Aderindo ao sistema republicano num momento em que a Monarquia Constitucional Portuguesa vivia os seus momentos finais, corria o ano de 1898, tem-se Sidónio Pais (Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, Caminha, 1.5.1872 – Lisboa, 14.12.1918), doutorado em Matemática na Universidade de Coimbra, da qual chegou a ser vice-reitor em 1910. Cedo capultou-se para a carreira política, como republicano de nomeada, e distinguiu-se como ministro plenipotenciário (embaixador) de Portugal em Berlim desde 1912 até 1916, altura em que a Alemanha declarou guerra a Portugal. Regressado ao país, engrossou as fileiras dos que se opunham à participação de Portugal na I Grande Guerra Mundial, catalisando o crescente descontentamento causado pelo esforço de guerra e pelos maus resultados obtidos pelo Corpo Expedicionário Português no “front”.

Afirmou-se então como o principal líder da contestação ao Governo do Partido Democrático Republicano e, de 5 a 8 de Dezembro de 1917, liderou uma insurreição protagonizada por uma Junta Militar Revolucionária da qual era presidente. O golpe de Estado acabou vitorioso após três dias de violentos confrontos, nos quais o papel dos grupos civis foi determinante para a vitória dos revoltosos.

Na madrugada do dia 8 de Dezembro foi exonerado o Governo da União Sagrada liderado por Afonso Costa, transferindo-se o poder para a Junta Revolucionária presidida por Sidónio Pais. Então, em vez de iniciar a habitual consulta para a formação de novo governo, os revoltosos assumiram o poder, destituíram Bernardino Machado do cargo de Presidente da República e forçaram o seu exílio. Nesse processo, a 11 de Dezembro de 1917, Sidónio Pais tomou posse como Presidente do Ministério, acumulando as pastas de Ministro da Guerra e de Ministro dos Negócios Estrangeiros, e já em profunda ruptura com a Constituição de 1911, que ajudara a redigir, a 27 de Dezembro do mesmo ano assumiu as funções de Presidente da República, até nova eleição. Durante o golpe e na fase inicial do seu governo, Sidónio Pais contou com o apoio de vários grupos de trabalhadores, em troca da libertação de camaradas encarcerados e com a expectativa benévola da União Operária Nacional, parecendo posicionar-se como mais uma tentativa de consolidação no poder da Esquerda republicana.

Inicia então a emissão de um conjunto de decretos ditatoriais, sobre os quais nem consulta o Congresso da República, que suspendem partes importantes da Constituição dando ao regime um cunho marcadamente presidencialista, fazendo do Presidente da República simultaneamente Chefe de Estado e Líder do Governo, o qual, significativamente, deixa de ser constituído por Ministros para integrar apenas Secretários de Estado. Nesta nova arquitectura do sistema político, que os seus apoiantes designavam por República Nova, o Presidente da República era colocado numa posição de poder idêntica à do Absolutismo monárquico. Daí o epíteto de Presidente Rei que lhe foi aposto. Nos seus objectivos e em muitas das suas formas, a República Nova foi precursora do Estado Novo de António de Oliveira Salazar.

Numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja Católica Romana, em guerra aberta com o regime republicano desde 1911, a 23 de Fevereiro de 1918 Sidónio Pais alterou a Lei de Separação entre a Igreja e o Estado, suscitando de imediato a reacção feroz dos republicanos históricos e da Maçonaria, mas colhendo o apoio generalizado dos católicos, dos republicanos moderados e da população rural, então a vasta maioria dos portugueses. Com essa decisão também conseguiu o reatamento das relações diplomáticas com o Vaticano, sendo enviado monsenhor Benedetto Aloisi Masella (que mais tarde seria núncio apostólico no Brasil, cardeal e camerlengo) que assumiu as funções de encarregado dos negócios da Santa Sé em Lisboa, a 25 de Julho de 1918.

Noutro movimento inconstitucional, a 11 de Março de 1918 por decreto estabeleceu o sufrágio directo e universal para a eleição do Presidente da República, subtraindo-se à necessidade de legitimação no Congresso e enveredando por uma via claramente plebiscitária. Fazendo uso da sua popularidade junto dos católicos, a 28 de Abril desse ano foi eleito por sufrágio directo dos cidadãos eleitores, obtendo 470.831 votos, uma votação sem precedentes. Foi proclamado Presidente da República a 9 de Maio do mesmo ano, sem se dar ao cuidado de consultar o Congresso – eterno opositor e negador de si mesmo, estado negativo ou de negação mas auferindo desse direito legitimado pela própria Constituição da República – e passando a gozar de uma legitimidade democrática directa, que usou sem rebuços para esmagar qualquer tentativa de oposição.

Entretanto, em Abril de 1918 as forças do Corpo Expedicionário Português, apesar da sua honra e destemor que arrancou ao próprio inimigo a maior admiração, são chacinadas na Batalha de La Lys (travada de 9 a 29 desse mês e ano), sem que o Governo português consiga os reforços necessários nem a manutenção de um regular aprovisionamento das tropas. A situação atingiu um extremo tal que, após o Armistício que marcou o final da Guerra, o Estado português não foi capaz de trazer de imediato as suas forças de volta ao país. A contestação social aumentou de Norte a Sul ao ponto de se viver uma situação permanente de sublevação.

Essa situação foi o fim do estado de graça: sucederam-se as greves, as contestações e os movimentos conspirativos. A partir do Verão de 1918, as tentativas de pôr fim ao regime sidonista vão escalando em gravidade e violência, o que levou o Presidente a decretar o estado de sítio a 13 de Outubro desse ano. Com esse acto e a dureza da repressão sobre os opositores, conseguiu recuperar momentaneamente o controlo da situação política, mas o seu regime estava notoriamente ferido de morte.

Entrou-se então numa espiral de violência que não poupou o próprio Presidente: a 5 de Dezembro de 1918, durante a cerimónia de condecoração dos sobreviventes do navio-patrulha “Augusto de Castilho”, sofreu um primeiro atentado, do qual conseguiu escapar ileso; o mesmo não aconteceu dias depois, na Estação Central Ferroviária do Rossio, onde a 14 de Dezembro de 1918 foi morto a tiro por José Júlio da Costa, um militante republicano.

O assassinato de Sidónio Pais foi um momento traumático para a Primeira República, marcando o seu destino: a partir daí qualquer simulacro de estabilidade desapareceu, instalando-se uma crise permanente que apenas terminou 8 anos depois, com a Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926 que pôs termo ao regime.

O funeral de Sidónio Pais foi momentoso, reunindo muitas dezenas de milhares de pessoas de todas as classes, num percurso longo e tumultuoso interrompido por múltiplos e violentos incidentes. Com este fim, digno dum verdadeiro Presidente Rei pretendido conciliador da Ordem com a Tradição, Sidónio Pais entrou no Imaginário Português, em particular nos sectores sebásticos e míticos de alguns católicos e não católicos, como Fernando Pessoa, assumindo-o um misto de salvador e mártir, o que levou ao surgimento dum culto popular fazendo de Sidónio Pais um santo com honras de promessas e ex-votos que ainda hoje se mantêm, sendo comum a deposição de flores e outros elementos votivos junto ao seu túmulo no Panteão Nacional.

Tanto a Monarquia como a República exprimem em seu corpus o Poder Nacional característico da independência e auto-gestão de qualquer país, estando organizado da maneira seguinte:

Poder Nacional cujo ideal é a sua elevação global, por reconhecimento unânime de todos os povos para que se crie uma Sociedade Humana justa e perfeita, a utópica República de Platão, a:

Para a Teurgia e a Teosofia, os 3 Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, reunidos num 4.º Coordenador, têm o seu princípio jurídico no Código do Manu, obra ancestral hindu com o título Manava-Dharma-Shastra, onde tais Poderes político-sociais aparecem com os nomes Manu, Yama, Karma (ou Karuna, como o baptizou o Professor Henrique José de Souza) e Astaroth (assim consignado pelo mesmo HJS), e que nessa obra milenar aparece não com esse nome hebraico mas identificado ao Ishvara ou Luzeiro. Esses 4 Poderes corporizados por 4 Budas Perfeitos ou Seres Realizados representando a Evolução dos 4 Reinos naturais, vêm a estar presentes nos nomes dos Graus Iniciáticos da Comunidade Teúrgica Portuguesa, dando prosseguimento ao que já figurava na antiga Sociedade Teosófica Brasileira. Quanto ao Coordenador como “Imperador do Mundo”, para a mesma Teurgia e Teosofia resume-se ao Advento e Entronização do Cristo Universal na Peanha do Mundo, chame-se-lhe Maitreya, Jeffersus ou Emanuel, isto é, El Manu, o Divino Legislador na função de Melkitsedek, Rotan ou Chakravarti. O “Governo do Mundo” dirige-se exclusivamente à sua direcção pela própria Excelsa Fraternidade Branca dos Mestres Espirituais da Humanidade, os consignados Apóstolos do Cristo Universal, exercendo as suas funções de directores da Evolução da Vida Planetária com proposição mas sem imposição, nas mais concordes e harmónicas interrelações humanas. Utopia? Por certo que sim, mas só por enquanto…

E por enquanto mantêm-se em vigor as castas ou classes tradicionais constituintes da Política Global, dispostas na sua interrelação aos quatro Poderes Políticos:

CLERICALISMO (BRAHMANE) – FUNÇÃO COORDENADORA (ASTAROTH)

PRESIDENCIALISMO (KSHATRIYA) – FUNÇÃO JUDICIÁRIA (KARUNA)

PARLAMENTARISMO (VAISHYA) – FUNÇÃO EXECUTIVA (YAMA)

PARTIDARISMO (SHUDRA) – FUNÇÃO LEGISLATIVA (MANU)

A Sinarquia funciona com os três poderes sociais juntos, numa simbiose harmónica que não se tem revelado nos sistemas monárquico e republicano. Tais poderes são a Economia, o Poder e a Autoridade.

Reúna-se toda a riqueza de um povo com todos os seus meios de acção (agricultura, pesca, comércio, indústria, etc.), e obter-se-á o ventre desse país, constituindo a fonte da sua economia.

Reúna-se num povo todo o exército, todos os magistrados, e ter-se-á o peito desse país, constituindo a fonte do seu poder.

Reúna-se num povo todos os professores, todos os sábios, todos os membros de todos os cultos, todos os escritores e artistas, e obter-se-á a cabeça desse país, constituindo a fonte da sua autoridade.

Pois bem, relacionando esses três poderes sociais com as funções do organismo humano, que acontece quando o cérebro recusa dar satisfação às reclamações do estômago? O estômago faz sofrer o cérebro e o organismo acaba por morrer. O mesmo acontece num país: os governados farão sofrer os governadores e a nação perecerá.

De maneira que qualquer sistema social que não siga analogamente a evolução natural, não passa de uma desilusão constante. Tanto assim é que na anatomia da Sociedade colectiva como na do Homem individual, existe uma corrente dupla que a anima:

1.ª – Corrente dos governantes para os governados, análoga à corrente do sistema nervoso ganglionário para os órgãos viscerais;

2.ª – Corrente reaccional dos governados para os governantes, análoga à corrente das funções viscerais para as funções nervosas.

Os poderes Docente, Jurídico e Económico constituem a segunda corrente. A primeira é formada pelos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. Tais são os dois pólos, os dois pratos da Balança Sinárquica.

Essa expressão orgânica da Política Universal na sua pureza máxima, posta ao serviço da Lei e da Grei dos homens por Deus, a caminho da integração na Harmonia Universal, tem a sua origem no próprio Governo Oculto do Mundo, conforme o esquema seguinte:

Enquanto esse primado não for fundado, a Humanidade exterior prosseguirá criando utopias enquanto persegue os seus ideais. Mas em Agharta os Filósofos, os Grandes Iniciados, de há muito que vêm realizando objectivamente a Utopia. E na medida em que a Utopia transcende a contingência das instituições humanas exteriores, em mutação permanente, ela opõe a Sinarquia à Anarquia.

Como já foi dito, desde o início desta 5.ª Raça-Mãe Ariana que a sua implantação à escala planetária foi tentada várias vezes. Falando de Ariana, não estou referindo um biótipo particular germanista, não, antes todas as sub-raças que compõem esta Raça-Mãe e que são:

1.ª – A ÁRIA-HINDU, que atravessou em vagas sucessivas a cordilheira dos Himalaias, instalando-se no Norte da Índia. O Legislador ou Manu desta sub-raça foi RAM ou RAMA, o “Inspirado da Paz”.

2.ª – A BABILÓNICA-ASSÍRIO-CALDAICA, que se estabeleceu na Arábia, no Egipto e no Sul da África, tendo por Manu MOISÉS.

3.ª – A PARSE ou IRANIANA, a qual acabou fundando o grande Império Persa que abarcou a Mesopotâmia chegando a dominar toda a Ásia Ocidental, sob a Legislação de ZOROASTRO.

4.ª – A CÉLTICA-GRECO-LATINA, guiada por ORFEU, em sua marcha para o Oeste; fixou-se durante muito tempo nas montanhas do Cáucaso, das quais depois desceu para o Sul, para formar os povos Bretão, Grego e Latino em geral.

5.ª – A TEUTÓNICA (TEUTO-ANGLO-SAXÓNICA). ODIN faz descer os anglo-saxões, depois de se terem detido com a sub-raça anterior nas montanhas do Cáucaso, as encostas destas estabelecendo-se na Europa Central, dando origem aos Eslavos, Polacos, Teutões, Escandinavos e demais povos nórdicos.

Uma sub-raça aparece estando as anteriores ainda em função, e o seu destaque deve-se ao seu maior desenvolvimento consciencial, logo, predominando sobre as demais. Pois essas descritas são as sub-raças arianas já manifestadas e formadas. Para que a actual Raça-Mãe fique completa, resta ainda formarem-se as 6.ª e 7.ª sub-raças, portadoras das consciências Intuicional e Espiritual que se manifestam juntas, donde esses tipos raciais futuros serem também conhecidos como Raça-Gémea, tal qual a natureza Luso-Brasileira que já hoje concorre para a sua eclosão plena, dando início à Raça Cristina, Crística ou Dourada.

“Dourada” devido ao tom da pele, de branca tornando-se cor de bronze, dourada, e não com qualquer sentido xenófobo mais ou menos encapotado. Foi isto mesmo que ouvi do Professor Henrique José de Souza, numa sua gravação oral datada de 1962.

Portanto, Sinarquia é a harmonia social disciplinada, hierárquica de todos os poderes sinergéticos da sociedade, de todas as forças sociais construtivas tendo por meta um fim comum através de uma orientação previamente definida: a Felicidade Humana. A sua forma de governação política rege-se e funciona em conformidade com os ritmos naturais da Lei Orgânica da Vida, não parcial mas integralmente, como já acontece no Império Universal de Agharta sob a coordenação do Supremo Pontífice Soberano: Melkitsedek, o Imperador do Mundo.

O mecanismo do metabolismo sinergético das linhas de forças da estrutura psíquica da Terra, a sua Alma, emotivada por acções e reacções de todos os Reinos da Natureza com potência conformada ao seu grau de evolução, individualização e auto-determinação, principalmente do Género Humano e Supra-Humano, predetermina, predispõe e até dá o sentido de presciência e premonição subconsciente aos dirigentes dos grupos humanos e, directa ou indirectamente, aos respectivos governos, daquilo que mais convém à predestinação dos seus povos, no conjunto, de toda a Humanidade.

O anseio de um Governo Único do Mundo que faça prevalecer para sempre a Felicidade no seio dos seres viventes, é o caso típico dessa aspiração comum ao exterior já antes inspirada ao interior de um e de todos.

O altruísmo gera o Amor Universal, e com ele, a confraternização dos povos, a compreensão e a tolerância mútuas, a unidade da Ordem, e com Sabedoria – a Sabedoria Iniciática das Idades – a Humanidade terá sobre a Terra um estado de permanente Felicidade.

As sínteses sociológicas, as sínteses políticas, as sínteses idiomáticas e culturais geram e fortalecem as sínteses religiosas, as sínteses teológicas, diga-se assim, a Síntese Evolutiva Iniciática de toda a Humanidade. Esta foi a previsão de JHS, Mestre Vivo em toda a sua existência sendo intimorato paladino da Pax Universal.

Com isto

Um por Todos e Todos por Um!

Tudo pela Sinarquia, nada pela Anarquia!

OBRAS CONSULTADAS

Comunidade Teúrgica Portuguesa, apostilas dos Graus Karuna (Judiciário) e Astaroth (Coordenador).

Carlos Lucas de Souza, O Raiar de um Novo Mundo. 1.ª edição, Brasília, Junho de 1968.

Lupércio Gonçalves e Aulus Ronald Cirillo, A Doutrina da Escola Superior de Guerra à luz das Leis e Princípios Universais. Edição dos autores, São Paulo, 1978.

Vários autores, Os Grandes Iluminados. 2.ª edição, Aquarius Fundo Editorial, Rio de Janeiro.

Roberto Lucíola, Sinarquia. Caderno “Fiat Lux” n.º 22, São Lourenço (MG), Fevereiro 2000.

Paulo Albernaz, A Grande Maiá – A Realização. Prefácio e um poema na contracapa por Vitor Manuel Adrião. São Paulo, 2003.

Wladimir Ballesteros, Missão Terra – Revelações. Princípio Editora, São Paulo, 2007.

Papus, O Ocultismo. Edições 70, Lisboa.

René Guénon, Autorité Spirituelle et Pouvoir Temporel. Guy Trédaniel, Éditions Véga, Paris, 1984.

Saint Yves d´Alveydre, Missão dos Judeus, dois tomos. Edições Tradicionais, Paris, 1985.

A crise «neo-espiritualista» – Por Vitor Manuel Adrião Quinta-feira, Set 1 2011 

Sintra, 13.8.2008

Ι

Boa tarde, Exm.ª Sr.ª ……

Tendo apreciado o seu telefonema, respondo-lhe de seguida por carta datada de 30.7.2008, conforme combinado, a propósito da envolver-me directamente nesse próximo evento místico dito “888 – Portal de Orion”. Reitero: por norma respeito a todos os seres humanos e às suas crenças, mas, respeitar não significa que vá me EMISCUIR.

Ainda assim, é meu dever alertar a Exm.ª Sr.ª quanto aos pressupostos de «mestres ascensionados» saídos de lavras de pessoas que, permita-me, dever-se-ia analisar séria e descomprometidamente qual o seu estado interior, psíquico e mental. Relativamente a datas messiânicas, bem parece agora vingar essa última do “888 – Portal de Orion”, sobre o que me inibo sequer comentar, porque, bem parece como todas as outras, irá resultar em NADA… absolutamente NADA, cujo único bem-estar individual resultará de uma espécie de catarse colectiva. Mas, bem se sabe, que QUANTIDADE não é o mesmo que QUALIDADE.

Sugiro-lhe, se me permite, ter a maior das prudências com essas ditas «mensagens transcendentais» recebidas por «canalização mediúnica» as quais acabam revelando, em boa verdade, o estado de espírito de quem as escreveu ou gravou, pois que nada confere com nada em matéria de Linguística, de Astronomia, de Geografia e, sobretudo, de Espiritualidade, ou por outra, de TRADIÇÃO INICIÁTICA DAS IDADES.

Muito teria a dizer sobre o famoso 888 e o misterioso ORION, o deus QUIRON da mitologia greco-romana, palavra tornada esdrúxula, desconexa e fantasiosa nessa outra KRION (???). Mas, falar mais para quê? Para me sujeitar a ver, mais uma vez, quanto emito de público completamente adulterado? Então, não vale a pena…

Também o mais que fantasioso planeta “Hercóbulus” (???) esteve ainda este ano para chocar com a Terra, dizem. Os «canalizadores» e os seus «mestres» garantiram a “pés juntos” que tal iria acontecer. Mas, bem se sabe, não aconteceu coisa alguma e nem se sabe que planeta é esse… Então, porque os meios «new age» não retomam agora o assunto que foi tão falado ainda este mês, altura em que o tal planeta iria chocar com a Terra?…

Tudo isso recorda-me o caso de cometa Kohoutek em 1973, episódio contado em 2007 por Miguel Henrique Borges na sua revista 2016 – Sol de Aquário. Quem descobriu esse corpo celeste a aproximar-se da Terra, em Março daquele ano, foi o astrónomo checo Lubos Kohoutek. Ele anunciou a descoberta de forma sensacional, porque, segundo garantiu, aquela aparição provinha da Nuvem de Oort, uma região nos confins do Sistema Solar. Empolgado, o cientista disse que o astro daria um espectáculo no céu, ao se aproximar do Sol e passar «raspando» a órbita da Terra. Ele “prometeu” a magnífica visão do cometa no céu nocturno, várias vezes maior e mais luminoso do que a Lua Cheia.

Personalidades, entidades e movimentos místicos apoderaram-se do assunto. Os meios de comunicação social abarrotaram-se de matérias sobre a abertura do «portal cósmico» que traria objectivamente a Nova Era. A Humanidade ia-se iluminar na cauda do cometa… Ignorância, injustiça, violência, guerra e doença, tudo de ruim seria descartado pela vassoura cósmica.

Numa bela manhã de domingo do mês de Setembro, foi-se formando entre as colunas do Templo de Maitreya, em São Lourenço (Minas Gerais do Sul, Brasil), um ajuntamento de jovens eubiotas, rapazes e raparigas que conversavam animadamente sobre a aproximação do Kohoutek como sendo um belo e definitivo lance para a Humanidade.

A certa altura, Sebastião Vieira Vidal, Instrutor desta Obra Divina e Discípulo do Professor Henrique José de Souza com quem conviveu por mais de 50 anos, chegou e sentou-se na escadaria. Com as costas apoiadas numa das colunas, ficou ouvindo a conversa, em silêncio. Lá para as tantas, um rapaz dirigiu-lhe a palavra:

– Dá licença, Professor Vidal? Todos os movimentos espiritualistas estão saudando e festejando a chegada do Kohoutek. Só a Eubiose (em Portugal, Teurgia) não se manifesta. Parece que está por fora.

O Mordomo do Templo finalmente falou naquela manhã:

– Esse pessoal todo que diz que o cometa vai fazer e acontecer, todos têm razão, todos estão certos. Só quem está errado é o cometa… porque nada disso vai acontecer.

Quatro meses depois, o Kohoutek foi desapontamento e fiasco. No final de Dezembro de 1973 e durante Janeiro de 1974, com um pouco de sorte nos olhos e sem nuvens no céu, algumas pessoas viram-no, mas sem a monumental cauda de gases benfazejos.

Que eu saiba, só o Professor Vidal teve notícia desse anti-clímax, meses antes. E ele nem era adivinho…

Portanto, ante este novo acontecimento algo semelhante ao anterior e a tantos outros do género, só posso afirmar: NADA PODERÁ ACONTECER E TUDO DE NADA ACONTECERÁ!

Abro aqui um parêntese: agora, em 2011, temos a “nova moda” que diz que “o mundo vai acabar em 21 de Dezembro de 2012” como constam das “profecias maias”. Essa teoria nasceu no Texas (E.U.A.), espalhou-se por toda a América do Norte, depois a Central e finalmente a do Sul. Da América do Sul e do Norte, em simultâneo, chegou à Europa, inclusive Portugal. Fora o facto óbvio de ser um negócio chorudo onde alguns ganham milhões à custa da credulidade de milhares, eis mais uma demonstração, que redundará em ABSOLUTAMENTE NADA, de insanidade e incultura tanto académica quanto esotérica: a astrologia do povo Maia e as respectivas ilações proféticas fornecidas pela mesma nessa época tinham a ver exclusivamente com esse povo, as preocupações imediatas com o seu presente e devir, não com as do mundo em geral que era coisa completamente abstracta para essa sociedade pré-colombiana. Assim foi também com outros povos, inclusive o Português medieval, cuja astrologia tinha a ver com o meio ambiente rural (preocupações agrárias de semeaduras e colheitas) e não tanto com o estado geral do mundo, dos continentes com os quais não havia a menor afinidade na época, e a maioria tampouco os conhecia. Qual o português ilustrado do século XII ou XIV que conhecia o Japão, por exemplo? Mais: como é possível que não especialistas em epigrafia e línguas antigas pré-colombianas (como é o caso dos pressupostos «sábios» norte-americanos que propalaram essa ideia peregrina) deterem um conhecimento exacto da tradução das estelas maias, onde estão gravadas as ditas “profecias”, se confessaram só terem conhecimento rudimentar da língua maia, ignorando o quichua, o nahoa, etc., e ademais sem nenhum enquadramento das epígrafes no contexto temporal em que foram insculpidas? É, de facto, extraordinário… em 22 de Dezembro de 2012 voltarei a falar do assunto, advertindo desde já que a seguir a essa vão aparecer novas datas apocalípticas e messiânicas, se não estiverem já a ser forjadas por uma indústria rendosa que vive do «new age» e se serve dos novos métodos e redes de comunicação electrónica para afligir a impuberdade psicomental humana.

Respeitante à Missão de Portugal e à Iniciação da Península Ibérica, a primeira desenvolve-se por si mesma com a intervenção dos melhores da Raça, inspirados nos seus Maiores, sem que necessite de «meditações transcendentes» para a consecução de algo que existe por si mesmo e é intrínseco à função cíclica do Ibérico; quanto à segunda, Portugal – Espanha desde há milénios, ainda havia o culto neolítico ao deus Endovélico, fazem parte de um todo chamado PENÍNSULA IBÉRICA, cuja Iniciação Racial absolutamente nada tem a ver com «profecias canalizadas» de quem há muito me copia, primeiro encapotada, depois abertamente…

Sem mais de momento, com os meus maiores respeitos e votos de muita saúde e sorte no que seja verdadeiramente Espiritual, atenciosamente sou

V. M. A.

ΙΙ

Nos últimos tempos tenho sido assediado com ditas revelações «new age» provindas do meio dito «neo-espiritualista», umas mais fantásticas que as outras e todas destituídas de qualquer solidez tanto psicomental como psicossocial, ainda que neste aspecto parte do colectivo social seja bastante afectado pelas mesmas, mormente boa parcela de jovens e menos jovens lançando-se nos abismos do fantástico e da fantasia, assumidos auto-suficientes, esclarecidos e iluminados que, por via do seu maior ou menor carisma, acabam induzindo a outros tantos as mesmas patologias d´alma. Todos, é facto, sem a mínima formação verdadeiramente espiritual, teosófica ou esclarecida, a par de uma religiosidade que de facto a seja, mas, em contraposição, assumindo a maior e febril, notoriamente afectada, postura da óbvia “alucinação mística”.

Isso mesmo pude confirmar há poucos dias atrás (8.8.8, data que serviu para mais um invento místico que resultou… em nada!) em Santa Eufêmia da Serra de Sintra, onde fui interpelado por um número crescente de cidadãos que andavam à procura da “entrada para Agharta”, sem mais nem menos, permeio a estados d´alma visivelmente alterados. Tratei-os com o respeito que se deve a uma criança…

E de facto são crianças comportamentalmente, «abduzidas» ou não, certamente abusadas por certas e distintas individualidades nacionais e internacionais que aqui vêm fazendo o seu negócio à margem da lei jurídica do País e que já deviam ter sido interpeladas pelas respectivas autoridades, pois que facturam milhares e milhares de euros isentos de impostos, enganando os Ministérios das Finanças e da Justiça da maneira mais clamorosa e descarada possível.

Se Jesus afirma nas Escrituras “DAI DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA RECEBESTES”, essa gente «distinta» faz precisamente o contrário: inventa o que lhe apraz na presa do lucro fácil e da satisfação pessoal, e por via de uma coreografia colorida destinada a dar mais intensidade psicológica ao discurso, confunde o auditório ou o leitorado a ponto deste não aperceber sequer que está sendo roubado económica e espiritualmente e que, tal o estado neurológico em que fica, ainda por cima agradece… e pede mais.

Este assunto melindroso arrastou-se por algumas sessões internas da Comunidade Teúrgica Portuguesa, e sempre fui dizendo que os “negócios da casa alheia são alheios aos nossos”, mas que, mesmo assim, mais dia, menos dia, acabaria por tornar público este assunto e levá-lo ao conhecimento das autoridades legítimas da Nação, participando à comunicação social e envolvendo o Parlamento e a Presidência da República. Sim, porque Portugal – assim como o Brasil, nossa exclusiva Pátria-Gémea – não merece tamanho flagelo sempre redundando em desgraças atrás de desgraças psicossociais (ele é o “rei dos gnomos” de Torres Vedras que estuprou e assasinou, ele é o jovem satanista que matou os pais em Ílhavo, ele é a jovem assassinada num ritual satânico em Carcavelos, ele é o fulano que assassinou dezenas de pessoas na Noruega, etc., etc., etc.) feitas de negócios ilícitos escudados no princípio constitucional da “liberdade de exercício religioso”. Pois sim, mas exercício religioso é uma coisa e negócios financeiros chorudos, isentos de fiscalização, encapotados na alegação da legalidade desse exercício, é coisa bem diversa, como diversa é a “Fábrica da Igreja” (chama-se assim mesmo o organismo encarregue da manutenção e rentabilidade económica dos móveis e imóveis da religião católica) do Espírito do Evangelho.

É bom que se saiba que as organizações espiritualistas classificam-se em três classes distintas, pouco tendo a ver umas com as outras no modo de estar e de agir, como sejam:

ORDENS (Ex.: Teosofia, Rosacruz, Maçonaria, etc.)

| |

Qualidade: MENTAL-ESPIRITUAL – SAPIENCIAL

Versus

INICIAÇÃO PELO ESPÍRITO > Esclarecimento pelo Estudo e aplicação do mesmo.

RELIGIÕES (Ex.: Judaísmo, Catolicismo, Islamismo, etc.)

| |

Quantidade: PSICOMENTAL – CONFESSIONAL

Versus

SALVAÇÃO PELA ALMA > Consolação pela catequese e elevação pela prece.

SEITAS (Ex.: “Manás”, “Universais”, “Animistas”, etc.)

| |

Disparidade: PSICOFÍSICA – IDOLÁTRICA

Versus

CONFUSÃO PELO CORPO > Redundando em doenças alucinatórias psicossomáticas.

A TEURGIA pertence à 1.ª classe, respeita a 2.ª e separa a verdade da mentira em relação à 3.ª. É nisso que se diferencia o JIVATMÃ (“Vida-Consciência”) do JIVA (“Vida-Energia”), tal como o JIVA é absolutamente diferente do JINA (“Génio”, Adepto Perfeito). Isso leva à dedução da existência de duas Humanidades: a dos Perfeitos (JINAS) e a dos imperfeitos (JIVAS), estes norteados por alguns daqueles que sacrificialmente, a guisa de Bodhisattvas compassivos, a vão ajudando desde os bastidores da Evolução Humana. Entra aqui a acção do PRAMANTHA-DHARMA ou GRANDE FRATERNIDADE BRANCA, e a diferença capital entre as crenças dos homens e a cultura dos deuses. Poderia até dizer: esta OBRA DIVINA (TEURGIA) forma uma Humanidade Jina ou Assura através da Iniciação JHS ou AKBEL, e as obras dos homens valem o que valem, mesmo com o deus cifrão no comando de muitas crenças que tanto mal fizeram e fazem a quem se deixa iludir pelo canto da sereia… esta que, na mitologia, é um ser devorador de carne humana. Aqui vale pelos sereios e sereias que devoram o corpo e alma de quem por eles se deixa fascinar.

A saudosa D. Helena Jefferson de Souza, Venerável Contraparte do Mestre JHS, o Professor Henrique José de Souza, repetia amiúde o conselho: VIGILÂNCIA DOS SENTIDOS! E eu só posso reiterar o constante, que vai dar ao mesmo, de OLHOS E OUVIDOS ALERTA!

A pedagogia psicossocial da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA, respeitando a inteira liberdade de pensamento e acção dos seus membros, onde o colectivo interage sem pressões nem opressões de espécie alguma, vem a impossibilitar toda a hipótese de converter-se numa maníaca «fábrica de falsos profetas e messias mancos», o que, mesmo assim, insatisfaz a alguns desejosos de poder e mando que por ela têm passado.

Neste tempo de acentuada crise «neo-espiritualista» acerca da qual e dos seus causadores desde há muito é do conhecimento público a opinião da Comunidade Teúrgica Portuguesa, acabei dando com uma antiga reportagem no matutino Correio da Manhã (17.2.93), assinada pelo jornalista Victor Mendanha, a qual expressa opinião idêntica à da C.T.P. sobre este fenómeno psicossocial. De maneira que será nessa reportagem que me basearei para descrever quanto se segue, num momento em que nenhum Santo ou Grande Iluminado, seja Jesus, a Virgem Maria ou outro Maior do Género Humano, escapa ao limbo poluído e poluidor das «mensagens e canalizações mediúnicas» que, não raro, nem isso são: tão-só exercícios fantasistas de dar forma a imagens oníricas do subconsciente, isto quando não se inventa simplesmente para enganar e roubar o próximo.

Esta questão já era abordada por René Guénon na “crise da moderna civilização ocidental”, mas não é só o Ocidente mas também o Oriente, todo o mundo que está atravessando uma das suas grandes crises de identidade, equivalente a uma Iniciação Planetária de passagem de um estado de 4.º Grau para o 5.º, equivalente à transição da 4.ª Ronda Terrestre para a 5.ª de Vénus do mesmo Globo. De modo idêntico, também o ser humano atravessa as suas crises de crescimento, seja físico, psíquico ou mental. Tudo o que se pode observar na criatura humana pode se encontrar no Globo e no Universo, de uma forma ou de outra, visto o “Tudo e o Todo estarem interligados”.

Se bem que René Guénon fosse um homem admirável, notável tradicionalista e cabalista, os seus passos desacertaram com os do movimento cíclico da Evolução Planetária, pois voltou-se do Ocidente para o Oriente ao contrário da Grande Fraternidade Branca que já se encontrava, justamente na sua época, a promover a transferência dos valores humanos e espirituais do Oriente para o Ocidente com o grande Movimento Teosófico.

Esse Movimento, liderado por Helena Petrovna Blavatsky, como se sabe, tinha como objectivo chegar a um certo ponto do Sudoeste dos Estados Unidos da América do Norte, a El Moro, próximo à cidade de Cimarron no Estado do Novo México, naquela época representativo de toda a Evolução no Hemisfério Norte.

Se a Missão Teosófica de Blavatsky não alcançou o êxito desejado nos E.U.A., isso deve-se a múltiplas razões, dentre elas a falta de apoio ou compreensão dos sectores espiritualistas europeus e, sobretudo, dos norte-americanos ao trabalho de sementeira espiritual dessa Grande Mestra que, perseguição após perseguição, uma mais injusta e cruel que a outra, foi obrigada a regressar ao Oriente e a interromper, adiar a sua Missão.

Além disso, as experiências atómicas realizadas pelo Governo norte-americano, nos inícios da década de 50 do século XX, no vasto deserto daquela região privilegiada do Novo México, prejudicaram seriamente e invadiram, devido à radiação libertada, o espaço interior, subterrâneo da Fraternidade Jina dos Rosacruzes de El Moro, a qual seria suposto dar o grande impulso para o surgimento da 6.ª Sub-Raça desta 5.ª Raça-Mãe Ariana, usando a terminologia teosófica.

A partir desse momento dramático, a América do Norte ficou como que “viúva dos Deuses” indo activar-se, antes do seu tempo próprio, o Grande Posto Representativo da América do Sul, no Brasil, no Roncador em Mato Grosso, passando essa Missão de fundação da 6.ª Sub-Raça e da 7.ª simultaneamente, logo a ver com o futuro imediato do Mundo, para aí, de modo a servir de apoio à fusão dos valores iniciáticos e civilizacionais entre o Oriente e o Ocidente.

Desde então a Missão Espiritual do Brasil revestiu-se de extrema importância nos meios espiritualistas contemporâneos, graças ao pioneirismo do trabalho de sapa da Sociedade Teosófica Brasileira liderada pelo Professor Henrique José de Souza, brasileiro de ascendência lusitana. Mas também Portugal já desde muito antes, o que não significa que aqui, no solo pátrio, importemos ou copiemos os exclusivos valores brasileiros do dia-a-dia para atingir a compreensão de tão importantes conhecimentos, pois cada um pode continuar a ser o que é dentro do seu espaço pessoal e civilizacional, porque semelhantes valores estão acima de quaisquer características nacionais, pessoais, etc.

Aliás, pode-se dizer mesmo que, em termos esotéricos, Portugal e o Brasil são uma e mesma coisa, agindo e comportando-se como se fossem duas conchas de uma mesma balança, duas faces de uma mesma moeda… sim, moeda ou moneda expressando a Mónada Imortal cujo Centro Único é Shamballah, o Fiel da Balança da Lei, e por isso são estes Países que passam por esta Obra Divina, graças à marcha precessional dos Ciclos de Evolução Universal, e não a Obra Divina, intemporal não-geográfica, que passa por eles…

Note-se: os portugueses, provenientes de um espaço geográfico minúsculo, desde cedo encetaram diáspora, espalharam-se por todo o Mundo, miscigenaram-se com todos os povos e deixaram os seus filhos adaptar-se, bem como eles próprios, em grande medida, aos usos e costumes dos naturais, assimilando-os, criando novas experiências, etc. No Brasil dá-se precisamente o inverso, mas essencialmente o mesmo: num espaço geográfico gigantesco, maior que a Europa, estão a concentrar-se e a misturar-se todas as raças, costumes, religiões, filosofias, etc. Não é admirável?

O protótipo do Homem Universal, o Homem-Síntese, está no Português como anseio, como ideia, e no Brasileiro como concretização ou realização desse Inconsciente Colectivo, numa escala gigantesca, à medida continental. Donde, não se dever confundir a Missão Iniciática de Portugal com a do Brasil, mesmo que se completem como início e final de uma e mesma Missão Espiritual à escala planetária…

Enquanto isso, continua a grassar a grande crise de identidade no mundo, o que é oportuna e oportunistamente aproveitada por toda a espécie de messianismos, seitas, animismos, etc., a divulgarem «mensagens» da Virgem Maria, do Arcanjo Miguel, de Jesus, de pressupostos extraterrestres, etc., e até de organizações fantásticas, claramente inspiradas em novelas ficcionistas ou em cinematografia ficcional, mas com nomes pomposos pretendendo anular as Escrituras Antigas para impor escrituras novas… levando muitos a pensar, ante o caos geral e a esperança cada vez mais rara, que é já o “fim do mundo”.

Todavia, contrariamente ao que muitos acreditam, não se trata do fim do mundo mas da passagem de um grande Ciclo Planetário para outro, dos muitos em que é repartida a Vida Universal, e mesmo que já se tenha adentrado o novo Ciclo as influências do antigo persistirão por mais algum tempo, até que a consciência do Homem integre os novos valores. Desse modo é que se fala hoje muito – ainda que muitíssimo mais de modo ininteligível e fantástico, dando forma ao absurdo – da Idade do Aquário, a Nova Era, etc.

Realmente sucede que muita gente, desejando fortemente a mudança para algo que pressente instintivamente mas que não consegue compreender mentalmente, deixa a imaginação correr ao acaso, cair no fatalismo e tornar-se, não raras vezes, vítima fácil dos que pretendem explorá-la psíquica e materialmente, dos messianistas de todo o tipo, etc. O grande teósofo espanhol Mário Roso de Luna dizia mesmo que «o messianismo é o achaque dos débeis que esperam de outros a salvação que só pode vir de si próprios».

É assim que, na mesma linha, ultimamente têm surgido grupos iniciados em «reikis siderais» (!!!) que vendem «iniciações cósmicas» (!!!) por alto preço, a pregar colisões de planetas, cometas e asteróides com a Terra, o que em princípio pode ser cientificamente possível. Certamente que sim, mas se a Matemática e, dentro dela, a Teoria das Probabilidades são exactas, poderão não o ser as premissas ou pressupostos que entram nos cálculos. Em boa verdade, hoje está-se numa civilização tecnocrática e tecnológica que vive basicamente dos estímulos físicos, e então, quando algo parece ameaçar as estruturas físicas, advém o horror pelo desconhecido, o horror à morte, à aniquilação, que são coisas que não existem verdadeiramente… O que é a morte física senão o fim de mais um ciclo da vida do Eu Imortal, que voltará a nascer vezes sem conta até completar todas as experiências necessárias à sua realização neste mundo?

Se, para além do físico, aprender-se a cuidar também da sensibilidade e da inteligência como “corpos” que são, certamente haverá mais lucidez, mais serenidade e menos angústia quanto ao futuro e, sobretudo, mais acções em todos os quadrantes para dotar os povos de condições de vida mais consentâneas com a qualidade de seres humanos.

O medo da morte nasce do desconhecimento da vida e das leis que a regem. Muito do que acontece de nefasto ao Homem é desencadeado pelo seu próprio desequilíbrio com a Natureza, ou seja, com a Vida Universal, que nele se manifesta como consciência, inteligência, etc. Se ele passar a estar em equilíbrio com o seu Deus Interior, que é dizer, consigo mesmo, está-lo-á com a Natureza. Ter que ter medo de quê, então?

Por inexistir esse equilíbrio vital como o único factor capaz de estabelecer a harmonia entre Homem-Natureza, é que se pretende substituir a ele o factor das profecias sobre profecias, todas fatalistas reveladoras do estado neurológico depressivo, gerando o hipocondríaco que resvala sempre para o maníaco, de quem as emite, respeitantes ao «fim do mundo»… Mas, em boa verdade, desconheço profecias minimamente credíveis sobre o «fim do mundo» como aniquilação pura e simples de todas as formas de vida na Terra. Desde já adianto que a profecia é um campo muito sensível, muito sibilino e propenso a várias interpretações, para cuja correcta decifração são necessárias as chaves que presidem à sua criação.

De resto, toda a gente pode fazer profecias… ou antes, dizer-se profeta. Vamos dar crédito a todas as profecias, venham de onde vierem e em nome de quem vierem, deixando que outros conduzam a nossa vida, ou vamos utilizar a nossa inteligência, a nossa vontade própria e a nossa sensibilidade para nos conduzirmos como seres pensantes? Esta, sim, é a Filosofia de Vida apregoada por todos os Grandes Iluminados, Sábios, Génios e Avataras que o mundo já conheceu: confiar em si mesmo em primeiro lugar, embora sensível a tudo o que está à sua volta, aprendendo com tudo e com todos, com humildade, sem preconceito.

É comum ouvir profetizar em nome dos deuses, dos mestres, etc., quaisquer que eles sejam, mas é raro, raríssimo deparar com atitudes e comportamentos de natureza divina, superior, por parte dos seus pretensos intérpretes. Ipso facto.

Donde se poderá concluir que vive-se ainda sob a influência dum período intercíclico repleto de falsos messias, profetas mancos e iniciados falsários, indo confirmar aquelas outras palavras de Jesus Cristo na Escritura: “ACAUTELAI-VOS, NO FINAL DOS TEMPOS (Ciclo) MUITOS SE DIRÃO POR MIM MAS SERÃO CONTRA MIM. SERÃO COMO LOBOS TRAVESTIDOS COM PELES DE CORDEIROS NO MEIO DO REBANHO (Humanidade)”. Ainda assim, inibo-me completamente a dar nomes e a citar factos que desde logo possam identificar os seus intervenientes, pois a ninguém cabe o direito de julgar os outros ou de colar etiquetas na testa de alguém, especialmente em público, pois isso constitui um grave atentado, ou censura, à boa reputação a que todos têm direito. Então, longe de mim apontar que “A” é falso e “B” é verdadeiro. Nem poderia nunca a Comunidade Teúrgica Portuguesa alicerçar o seu bom nome em detrimento de todos quantos sentem, tal como nós, ser sua missão a de valorizar e dignificar a vida humana em todos os seus quadrantes.

Mas todas essas coisas são naturais numa época em que os valores estão em transformação, e em que tudo é posto em causa, sobretudo porque se verifica hoje uma divulgação maciça de todo o género de conhecimento, num processo em que cada um é livre de interpretar o que quiser como muito bem entender. É assim, por exemplo, que a “partícula mínima da matéria”, o quantum, vê-se em breve transformada “quantum estelar”, porque o nome soa bem e o delírio pode campear à-vontade… Parece algo caótico, e na realidade é, mas também é algo admirável, por se tratar do nascimento de uma nova mentalidade – ainda em “bruto” ou não apurada – que não está agrilhoada a dogmas de qualquer espécie.

É claro que se verificam excessos mas, na adolescência da espiritualidade, como não haver excessos? Então, as curiosidades acabam por ser estimuladas e, dado o hábito muito ocidental de querer e fazer as coisas depressa, ou de comodamente as obter em troca de um simples pagamento, toda a gente passa a julgar que se faz um Iniciado nos Mistérios Maiores da Natureza por simples idas a “cursos pagos” ou “lendo muitos livros”, sem mais e qualquer disciplina.

Querer ser mais e melhor é uma aspiração admirável, mas querer ser algo supostamente superior à força, a contra-relógio, é enganar-se a si próprio e, assim, enganar todos os que seguem atrás. Mostrar sucesso aos olhos dos outros no campo espiritualista, iniciático, etc., não corresponde, de forma alguma, aos valores defendidos pelas Escolas de Iniciação genuínas, porque a transformação interna não se confunde com valores económicos, empresariais, quantitativos, etc. Enfim, a Espiritualidade não cabe nos gráficos.

Ainda assim, nestes dias conturbados por que passa o Mundo, permeio às verdadeiras Escolas de Iniciação coexistem as falsas como autênticas correntes de contra-Iniciação e contra-Tradição, mas, como dizia Jesus, “pelos frutos conhecereis a árvore”!… Por Colégios de Iniciação genuínos entendem-se todos aqueles que, ao longo da História, foram criados ou mantidos pelos Avataras e Grandes Iluminados ou Adeptos da Boa Lei, independentemente de serem ou não conhecidos da ciência historiográfica actual. De notar que essa manutenção não é eterna, ou seja, uma dada Instituição desse tipo tem uma vida sempre limitada: pode ser 50 anos, um século, dois séculos ou mesmo mais, mas o seu fim é sempre certo.

O que acontece depois é que alguns “discípulos menores”, laicos presos às rotinas do pensamento e não percebendo as mudanças operadas, vão tomando as rédeas dessas Instituições, mantêm-lhes os nomes – ou inclusivamente criam novas Associações dando-lhes os mesmos e prestigiados nomes de outras mais antigas – mas a sua actividade não é mais, absolutamente, do que “restos de Iniciação”. De maneira que esses estudiosos persistentes no Passado em detrimento do Futuro, são incapazes de iniciar os seus discípulos na Iniciação Real, mas tão-somente na chamada Iniciação Simbólica, quanto muito. Isto porque a “coisa viva” já não está lá, já passou para outro lado, e por isso são “restos”, o que não significa que não possam ser de extrema utilidade aos que começam a dar os primeiríssimos passos no Caminho da Iniciação, como alternativa às religiões de Estado, às rotinas intelectuais, etc.

Mesmo isso absolutamente nada tem a ver com livraria e mensagens, escritas ou orais, «psicografadas ou canalizadas mediunicamente» de alegados santos dos santorais cristão, hindu, budista, etc., a par de nomes como Morya, Kut-Humi, São Germano, etc., onde a Verdadeira Iniciação não tem lugar e sim a confusão caótica de se julgar o singular perfeito igual ou simpático ao plural imperfeito, como se a qualidade e a unidade fossem iguais à quantidade e à disparidade. Tampouco tem a ver com “curas estelares” e coisas do género arvoradas por alguns como “a missão da sua vida”, a de ajudar (isto é louvável) e de curar os outros – isto é duvidável, pois que muitos carregam doenças psicofísicas, mais ou menos notórias, o que me reporta àquelas palavras de Jesus Cristo: “MÉDICO, CURA-TE A TI MESMO”! Quer dizer, como é possível uma pessoa doente, logo, portadora de um prana ou “energia vital” doentia cuja vitalidade orgânica remete para uma carência notória da mesma, poder curar a doentes sem mais nem menos? Não confere…

Como não confere o próprio nome «mensagens psíquicas», que diz tudo. Se são psíquicas, ou se têm a ver com o Mundo Psíquico, como ver nelas a influência dos referidos Adeptos da Boa Lei, fidedignas expressões do Espírito, do Mundo Espiritual? Existe uma enorme confusão entre “espiritual” e “psíquico”, começando pelos próprios espíritas e demais animistas, para os quais todas as entidades que se manifestam nas ditas sessões psíquicas são «espíritos», quando não são mais do que habitantes do “mundo dos mortos” ou Plano Astral, que é um simples prolongamento deste Plano Físico e que nada tem de Espiritual, Transcendente ou Superior. Conhecedor profundo das Leis da Natureza, nenhum Adepto Real, Mestre de Sabedoria, etc., utiliza um “médium psíquico” para se manifestar, por conhecer como poucos os efeitos nefastos da mediunidade para o próprio “médium”, tanto física como emocionalmente.

Inclusivamente tenho lido alguns trechos atribuídos ao referido tipo de «mensagens psicografadas ou canalizadas» (como actualmente é moda dizer-se) e, sem qualquer intenção de hostilizar os seus possíveis leitores eventualmente simpatizantes desses métodos, não vi neles nada de novo, nada que não tenha sido já escrito ou falado nos meios esotéricos de ontem e de hoje, aparte o rol imenso de fantasias e invenções linguísticas, geográficas, astronómicas, etc. Ora os Mestres de Sabedoria não se especializam em copiar-se uns aos outros, ou em repetir indefinidamente o que ensinaram no Passado, pois se assim fosse não haveria dinâmica alguma no Conhecimento Iniciático, não existiria Evolução.

Bem sei que as mensagens «recebidas» nas clássicas sessões espíritas diferem no método e no conteúdo dessas «canalizadas», ainda que no fundo ambas vão dar no mesmo. Aqui, devo chamar a atenção para os perigos da fantasia… A mente humana possui uma riqueza extraordinária e um enorme poder de encadeamento e reprodução autónoma de imagens a partir de um simples estímulo, razão porque o nosso Mestre, o Professor Henrique José de Souza, chamava a atenção dos seus discípulos para “não tomarem a nuvem por Juno”, aconselhando reiteradamente a VIGILÂNCIA DOS SENTIDOS.

Contudo, apesar de utilizarem na sua generalidade uma linguagem algo adolescente e até ingénua em muitos casos, também é verdade que em nenhuma dessas «mensagens» li ensinamentos reprováveis ou moralmente duvidosos. Mas atribuir tais trabalhos ou alocuções a Mestres de Sabedoria parece-me até um insulto a tais Seres, os quais merecem de todos o maior respeito e que sempre ensinam aos seus discípulos a tornarem-se seres livres e emancipados através de princípios activos como “sejam iguais a Mim”, e nunca a ser cordeirinhos dóceis e passivos através de conselhos do género “esperem pela próxima mensagem”…

Leiam-se os grandes monumentos da literatura universal, como o Bhagavad-Gïta, atribuído a Ieseus Krishna, o Tao Te King, de Lao Tsé, os ensinamentos atribuídos a Jesus Cristo no Novo Testamento – apesar das múltiplas mutilações e enxertos efectuados aos textos originais –, os Diálogos de Platão e ainda os textos atribuídos a Hermes o Trimegisto, as Cartas dos Mestres de Sabedoria editadas pela Sociedade Teosófica de Adyar, os estudos sobre Maçonaria do grande Joseph Marie Ragon, o monumento literário, filosófico e científico que é toda a obra de Mário Roso de Luna, etc., etc., e compare-se a vivacidade, a originalidade, a autoridade de cada um deles com alguma dessas «mensagens» atribuídas aos verdadeiros Mestres. Cada um, se quiser, faça a comparação por si mesmo, e certamente aperceberá não existir qualquer semelhança.

Sem dúvida que o principiante no Caminho Espiritual em sua busca está permanentemente sujeito a cair em grandes logros e erros, uns induzidos por ele próprio, e outros aduzidos por outréns. O extraordinário teósofo, Sebastião Vieira Vidal, desde cedo discípulo do Professor Henrique José de Souza, dizia que «o (neo) espiritualismo é o ambiente onde existe o maior número de falsificações porque é o reino do improvável», não significando que não tenha probabilidades de existir ou de fazer parte da realidade mas, sim, porque não pode dar provas imediatas da veracidade de um dado conhecimento adquirido.

Daí, ser facilmente explicável a proliferação de mestres, avataras, gurus, instrutores vindos do espaço sideral e messias que dão revelações públicas ou se escondem para não serem reconhecidos. Neste sentido, hoje existem cursos de todo o género e literatura de todos os feitios, toda a matéria possível à venda, acessível a qualquer pessoa com bom sentido de liderança, expressão fácil e cuidada e alguma cultura, para se tornar um iniciado, um guru, um mestre aos olhos do mundo geralmente desconhecedor de todas estas matérias.

Encaixa também nisso a tão propalada vinda do Novo Avatara ou Messias (Paracleto, Maitreya, etc.), cada qual reivindicando para si a exclusividade do Advento. Mas este é um assunto muito sério…

Correndo o risco das minhas palavras serem demasiado sibilinas, ainda assim direi que para alguém reconhecer um Avatara deverá tê-lo despertado antes em si mesmo… Se for assim, não é necessário, como nas aventuras que devorávamos na nossa meninice, ter um mapa do tesouro, porque caso haja, no nosso interior, algum valor espiritual, seremos atraídos para o Tesouro, ou seja, para o Avatara, para o Messias, para o que lhe quiserem chamar desde que corresponda à medida exacta. E, normalmente, Eles, os Avataras, não publicam nenhum itinerário…

Tenho dito.