Faro e Lagos, 1985

Spes Messis in Semine

“A Esperança da Colheita está na Semente”

Há assuntos cuja premência e necessidade são tais que o próprio autor destas linhas é por eles obrigado a reflectir e a manifestar-se. É o caso do presente, muito mais quando o autor é o actual Dirigente da Comunidade Teúrgica Portuguesa, esta vocacionada dum modo muito especial para a Juventude, a Esperança da Sementeira Monádica que se faz hoje a fim de se  fazer a respectiva Colheita futura de uma Nova Humanidade; Juventude que é a Primavera da Vida, quantas vezes apodrecida e adiada numa invernia tempestuosa pelo flagelo fatal das drogas.

Observa-se hoje, através dos órgãos de comunicação social, a divulgação de variados programas de informação e formação anti-droga, cujos resultados positivos práticos, verdade se diga, são muito ínfimos em relação ao fracasso enorme – originado pelo desinteresse provocado pela incompreensão do que, afinal, as “sumidades especialistas” pretendem dizer e fazer – junto do número colossal de jovens toxicodependentes, ou os afligidos por tamanha dependência químico-psíquica.

No meu entender, carece-se de incentivos sérios e duradouros à Juventude que a impelem a ganhar força de vontade e a desintoxicar-se de vez para sempre. Falta o incentivo espiritual (não o religioso moralista, castrador da liberdade psicomental, que a arrojará de uma dependência noutra igualmente estreita), livre e amplo que a esclareça, por uma dialéctica clara e acessível ao entendimento imediato, sobre o porque dos malefícios e as consequências das drogas alucinogéneas, ou seja, essas que provocam alucinações psicofísicas por intoxicação orgânica, atingindo directamente o sistema nevro-cerebral. Falta, também, aos “doutos empedernidos” descerem do pedantismo cátedro da medicina e da psiquiatria e chegar junto da mentalidade juvenil, procurar entendê-la falando a sua linguagem, e também sem a pretensão de fazer a «caridadezinha» para alcançar notoriedade pública. Quem faz isso, é de imediato apercebido pela sagacidade do jovem que aquele “dá a esmola como o rico do Evangelho”, e de imediato o ignora, desprezando-o e ao seu “projecto de vida” para si, e é assim que tais “projectos de vida” por norma redundam em fracasso total.

Sim, falta à Juventude toxicodependente o incentivá-la como causa e o motivá-la como efeito, coisa que geralmente não é feita, pois que, como motivo quase ou mesmo exclusivo, só é ajudada a desintoxicar-se temporariamente, mesmo que sob o asseguro de definitivamente, e se esquece ou ignora o motivar o jovem a procurar entender o porque causal dos malefícios das drogas, porque com isto iria permitir-lhe aceder a compreensão mais vasta, logo, a maior consciência, do porque deve evitá-las, não só pelos seus sintomas psicossomáticos mas também psicomentais, espirituais. A par disso, deve realçar-se junto do jovem toxicodependente tanto a sua importância espiritual como social, invés de o rebaixar como um «coitadinho» traumatizado por a sociedade não o saber compreender, indo rebelar-se contra esta por em sua psique acaso haver um trauma infantil por seus pais terem-no educado mal, substituindo o afecto indispensável por bens de consumo. Poderá ser, mas não é tudo…

Sem dúvida que o jovem carece do afecto humano dos familiares e restante sociedade, tal como estes daquele, e não de repressões psicológicas e físicas, nisto carecendo-se do diálogo esclarecedor sem qualquer propósito, aberto ou encapotado, de impingir crenças pessoais – como é hábito em muitos «mais moralistas e sectários que o papa», indo aumentar a confusão, a neurastenia e a depressão no jovem ouvinte, logo deixando de ouvir e afastando-se enfadado com a «seca»…  – mas antes, se possível e de preferência, as impessoais mais latas da Sabedoria Eterna, logo, ideias universais.

Sobretudo, o jovem carece de uma motivação incentivada que o faça sentir realmente útil e responsavelmente adulto invés de, e tão-só, uma «criança incorrigível». Essa motivação incentivada deve implicar o confiar-lhe responsabilidade através de algum método profissional em que se sinta bem, útil e compensado pelo seu esforço no meio social que o deve manter sempre integrado em seu seio e nunca o marginalizar.

Disse compensado e não reabilitado, pois que a reabilitação implica sempre um estado de inferiorização donde se saiu ou tenta sair, consequentemente inculcando o maldito sentimento de culpa pelo cometimento de um qualquer «pecado capital» aos olhos de uma sociedade puritana, castrada, castradora, preconceituosa e… sobretudo, podre e gasta pelos piores vícios que carrega e tenta esconder de si mesma. Não, esse é o pior dos métodos tentados e fracassados no sentido da «reabilitação», pois que se deve dar ao jovem aquilo que lhe cabe legitimamente e nunca, de maneira alguma, como se lhe estivesse fazendo um grande favor.

O consumo de drogas, a busca de estados alterados de consciência, é uma demanda inglória ou tentativa vã de compensação da ingrata lacuna social relativa à formação espiritual do Homem, sim, formação espiritual e não tão-somente religiosa convencional, pelo que não tem peias preconceituosas nem complexos neurasténicos, visto encarar, compreender e abarcar a vida e a consciência tais como são, e assim sendo a única fórmula para a condição humana puder alcançar naturalmente estados de gozo e felicidade verdadeiramente espirituais, sem necessidade de recurso a quaisquer estupefacientes viciadores das células nevro-sanguíneas, desta maneira ficando dependentes dos mesmos para atingir estados psicológicos ou disposições momentâneas absolutamente artificiais face à realidade imediata, e mesmo a subjectiva, indo acarretar, a curto ou médio prazo, a destruição do mais belo Templo que o Jovem possui: o seu Corpo-Alma.

Essa lacuna social da formação espiritual da mesma sociedade, no que toca à Comunidade Teúrgica Portuguesa, posso afirmar que ela está em condições de a satisfazer, nunca impondo, sempre propondo.

Ver o mundo social exclusivamente a duas cores, branco e negro, esquecendo haver outras intermitentes que fazem a “excepção à excepção”, logo, resumindo tudo a “crime e castigo” sem mais nem menos, é o primeiro grande passo para grandes desilusões na vida de qualquer sociedade humana, muito mais quando o estado de “Bem-Viver” ou Eubiose é ostracizado. Quanto ao crime propriamente dito, deve-se levar em conta, antes de tudo, o preconizado nas sábias palavras do Visconde de Bonald, citadas pelo Professor Henrique José de Souza na sua obra Os Mistérios do Sexo (III Parte, Capítulo I):

«Esperar o delito para o punir, quando é fácil corrigi-lo, é uma barbaria inútil, um crime de lesa-humanidade que desonra um código e um governo.

«A sociedade, já o dissemos, é responsável pelos crimes de que se queixa e que rebaixam o seu prestígio. Inconscientemente ou não, são os favorecidos que excitam os apetites das classes inferiores, pois nem sempre o facto de se arrojar aqui ou ali algum dinheiro ou uma carteira mais ou menos cheia será bastante para acalmar a sede de ouro entre os deserdados. O exemplo tem que vir de cima, se é que se deseja pôr termo aos sentimentos de inveja, que explodem em forma de roubo, assassínio ou anarquia.

«Quando um povo colocar a instrução acima do dinheiro; quando todas as honras pertencerem ao homem instruído, ao sábio, ao benfeitor, o pobre, atraído pelas radiantes fulgurações de semelhante ideal, imitará o exemplo que lhe apresentam, porque o povo é um grande imitador e segue o caminho que lhe traça os que vão à sua frente. Se nele encontra apenas o vício, ao vício se vê conduzido; se, ao contrário, é a virtude, para esta se voltará do mesmo modo.

«Em resumo: debaixo do ponto de vista teosófico, o verdadeiro crime a se evitar, ou mesmo limitar os filhos, consiste em agir-se contrariamente às Leis da Natureza, onde se deve também incluir a do Karma, ou de Causa e Efeito. Sim, porque tudo na vida não é mais do que “estado de consciência”. Se o homem age deste ou daquele modo visando o bem, nenhum crime pratica; se, ao contrário, é o mal que ele visa, criminoso se torna e como tal, sujeito fica ao castigo, pouco importa se instituído pelos homens através dos seus códigos penais ou pelo Karma, como Lei de Causalidade, Retribuição, etc. Sim, porque se um criminoso aceita a pena que lhe foi imposta, como já dissemos, sofrendo as suas consequências, chorando a liberdade perdida, a separação da família e dos amigos, etc., ipso facto, o seu karma é esgotado. No entanto, se tal pena ou castigo é recebido com indiferença, muito pior, mantendo o ódio pelos seus juízes, pelo próprio mundo, do qual se acha separado, sem arrependimento algum do crime cometido, continua de pé um outro castigo muito mais severo e infalível, que é justamente o imposto pelo Karma, o qual terá fatalmente de pagar, nesta vida ou em outra… Donde a sentença atribuída a Jeoshua: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”, igual à do Corão: “Dente por dente, olho por olho”.»

Voltando ao problema das drogas, deve-se reconhecer que muitos líderes de seitas e logo também estas, fazem a maior propaganda sobre as mesmas – atribuindo-lhes «méritos transcendentais», a par do exercício da violência armada e do sexo desenfreado, tudo em nome da «metafísica iluminadora» (!!!), como, por exemplo, um certo Samael, um certo Castanheda ou um certo Rajnesh – incentivando os jovens impúberes a tomaram drogas para alcançaram o «Nirvana» (!!!), a praticarem modalidades sexuais de grande perigosidade física e psicomental, mas chamando-lhes «iluminação sexual através de Kundalini» (!!!), quando não armam e incentivam à violência xenófoba, ao estupro e ao assassínio «em nome do seu mestre e da verdade única portada pelo mesmo» (!!!). São esses sectaristas criminosos (aliás, abrangidos pelos códigos penais de todos os países civilizados) que devem ser denunciados às autoridades legítimas e evitados a todo o custo pela Juventude de todas as idades e de ambos os sexos.

Alguns fazem a eleição aberta «da cachaça (aguardente) e do charuto» para que «o “santo” (!!!) desça», isto é, para que um elemental de espécie inferior se manifeste; outros, fazem a apologia do haxixe e do ópio para «viajarem», ou seja, desdobrarem-se psiquicamente, sempre semi-conscientemente, do corpo físico, jamais passando da região anímica do Astral; outros ainda, inspiram cocaína ou injectam heroína para «se sentirem bem e estarem acima do mundo», e por aí fora, num rol de desgraças inspiradas em doutrinações animistas mais que dantescas verdadeiramente satânicas, mesmo que possuam aparências lógicas. Mas, bem se sabe, que em tempo algum lógica é obrigatoriamente sinónima de verdade!…

O mais que se consegue, pelo uso de alucinogéneos, é atingir um estado de desdobramento parcial e semiconsciente na região astral, cuja luz e vida anímicas elementais viciam quem nelas penetra e delas se embebe, sem qualquer domínio interior e superior auxílio exterior. Os Iniciados dominam-nas à-vontade por nelas não terem interesse algum. Dominam os elementais e convivem com os Anjos.

Na sua obra já citada (I Parte, Capítulo III), o Professor Henrique José de Souza não deixou referir-se ao assunto nos termos seguintes:

«Os estados de paz, de espiritual felicidade a que só os justos têm direito, podem às vezes ser obtidos pelo emprego de drogas entorpecentes que provocam os chamados “paraísos artificiais” resultantes de intoxicações ou estados patológicos deprimentes, altamente perigosos. O uso de tóxicos, combatido em todos os países civilizados, é absolutamente condenável também pela Lei do Espírito. Com a súbita paralisação da consciência, provocada artificialmente nos mundos inferiores, e o seu brusco despertar nos superiores, o homem transgride a Natureza, transpõe o ritmo normal, com evidentes prejuízos para o seu organismo e a sua própria evolução espiritual.»

O Plano Astral, tal como todos os outros, divide-se em sete Subplanos, onde geralmente os três superiores são considerados o Astral Superior e os três restantes o Astral Inferior, sendo o quarto Subplano o elo de ligação ou desligação entre eles, assim repartidos e todavia interligados:

(PLANO ASTRAL SUPERIOR) – ATRACÇÃO

1.º Subplano – Da Energia Anímica

2.º Subplano – da Luz Anímica

3.º Subplano – da Vida Anímica

(PLANO ASTRAL INTERMÉDIO) – INTERESSE/INDIFERENÇA

4.º Subplano – do Sentimento

(PLANO ASTRAL INFERIOR) – REPULSÃO

5.º Subplano – dos Desejos

6.º Subplano – das Impressões

7.º Subplano – das Paixões

O Plano Mental que lhe está por «cima» em subtilidade energética e consciência vital, também reparte-se em sete Subplanos na ordem seguinte:

(PLANO MENTAL SUPERIOR)

1.º Subplano – da Energia Mental

2.º Subplano – da Luz Mental

3.º Subplano – da Vida Mental

(PLANO MENTAL INTERMEDIÁRIO)

4.º Subplano – dos Arquétipos Mentais

(PLANO MENTAL INFERIOR)

5.º Subplano – dos Arquétipos Emocionais

6.º Subplano – dos Arquétipos Vitais

7.º Subplano – dos Arquétipos Físicos

Muitos historiadores profanos afirmam que todas as religiões e tradições espirituais, de uma maneira ou de outra, a começar pelo Cristianismo com o seu “vinho eucarístico”, fizeram ou fazem uso das drogas. Tal conclusão é muitíssimo injusta e só revela ignorância constrangedora, pois que há uma diferença abissal entre um gole de “vinho eucarístico” e uma “garrafada de carrascão”…

Não irei historiar aqui, tampouco entrar em demasiados detalhes. Tão-só adiantarei o seguinte: quanto mais antigas são as raças (de descendência lemuriana e atlante), mais grosseiros são os seus métodos de desenvolvimento e aí, sim, encontra-se de facto o factor alucinogéneo, razão de se encontrarem referências a ele nos diversos textos das primitivas religiões e sociedades. Associado a isso, há também esse outro factor da degeneração psicofísica das raças em estado adiantado de agonia, perto do seu final, sendo nesses períodos, e só nesses períodos de agonia final, que se encontram as mais bizarras e aberrantes formas de culto, como essas dos assassinatos rituais, da antropofagia, da prostituição «sagrada», indiferenciando mulheres e homens e mesmo indistiguindo o comécio sexual entre partes iguais, do emprego de drogas entorpecentes, etc.

Quando essas mesmas raças estão no auge do seu desenvolvimento sócio-espiritual, é notória a ausência de tais recursos artificiosos e artificiais, pois que o desenrolar da evolução processa-se de maneira normal acompanhando par e passo os ritmos da Natureza.

Já o famoso e misterioso Soma, Haoma ou Hidromel (a Panaceia alquímica) é algo completamente distinto de quaisquer drogas entorpecentes (como essa do famoso “chá do saint daime”, cujos ingredientes alucinogéneos do seu composto estão na base da droga LSD, extraída do “cogumelo agárico”, e os quais fazem parte da cultura animista de tribos selvagens dos sertões africanos, sul-americanos e asiáticos cuja sobrevivência é caracterizada pela óbvia condição neolítica, assim mesmo afectando o neolitismo urbano, às vezes apodado «xamanismo», de certos grupos marginais da sociedade impúbere e consumista contemporânea), pois que se compõe da quintessência da Natureza cuja fábrica secreta só os Mestres Perfeitos conhecem. O nosso Mestre JHS, no seu Livro Síntese escrito entre 1951 e 1953, deixou impressa a fórmula de fabricação desse Elixir da Longa Vida, e posso garantir ao respeitável leitor que nele não entra o mínimo elemento alucinogéneo, pois que se trata de um, definindo muito frouxamente, «akasha solidificado».

Devo ainda acrescentar que o conhecimento desse Hidromel, na Idade Média, foi transmitido a alguns dos Cavaleiros Templários pelo Senhor da Montanha (Alborj), o Grão-Mestre dos Assacis do Líbano que alguns exegetas modernos os traduzem como “assassinos” e “fumadores de haxixe” (hassassins e hashasis), o que está completamente errado, pois que o termo exacto é Assaci, ou seja, “Guardião”, no seu caso, da Terra Santa… de Agharta, representada pela Fraternidade Jina do Monte Líbano. Mas os profanos, por mais distintos e carismáticos que aparentem ser, de maneira alguma e em tempo algum têm acesso a esses conhecimentos que transcendem a sua pequenez humana.

Fale-se agora do tabaco. Helena Petrovna Blavatsky, por exemplo, devido ao seu estado de extrema sensibilidade e para puder manter o seu corpo astral ligado ao físico, fumava tabaco (cujas partículas são altamente grosseiras), exclusivamente esse e mais nenhum outro ingrediente, inclusive bebidas alcoólicas, que a pudesse levar à alucinação e à inconsciência. O tabaco é a única droga que os teósofos e ocultistas toleram relativamente, além do chá e do café. O recurso a bebidas alcoólicas, ainda que não interdito completamente, só com muita restrição e em pequenas doses, sempre acompanhadas de alimento.

O caso de Fernando Pessoa, que recorreu ao álcool em grandes doses e por isso é criticado por muitos beatos e cegos de espírito, é o exemplo típico do indivíduo isolado que alcançou um estado de elevada supra-humanidade, de Génio ou de Jina, estando a sua consciência fixa nessa condição interior completamente alheia aos factores somáticos exteriores. Para restabelecer a consciência orgânica recorria ao tabaco e ao álcool, o que lhe causou a morte por consumo excessivo. Esse é o perigo que correm todos aqueles que vivem mais na 4.ª Dimensão ou Mundo dos Jinas que neste, sem o apoio de alguma Ordem Iniciática exteriorizada capaz de os ajudar a equilibrar as suas energias físicas e psicomentais, principalmente a do Fogo Criador Interno, Kundalini, que estava desperto em Fernando Pessoa, como confirmam todos os seus sintomas psicossomáticos. Mas isso não retira o valor que lhe é inerente. Tão-só faltou-lhe o apoio material imediato de um Grupo Esotérico ordenado (donde Ordem…) à face da Terra, porque a evolução em grupo é extremamente benéfica em todos os sentidos.

Há ainda certos ocultistas seguidores de ideias wiccas, crowleyanas, gurdjiefianas, daimes, etc., que para alcançarem o êxito pleno nas suas operações mágicas fazem recurso ao consumo de estupefacientes. Honestamente falando, não são práticas recomendáveis a ninguém que queira seriamente iniciar os passos da Verdadeira Iniciação, pois que as mesmas não passam de modalidades operáticas a ver exclusivamente com o Mundo Elemental, jamais com o Espiritual. Sei de muitos casos de jovens homens e mulheres que, fascinados com espagírias e magias, acabaram completamente drogados, com a vida feita em farrapos.

A Ordem do Santo Graal, por sua natureza Templária e vocação Crística, nada disso utiliza e tampouco aconselha, pois que o desenvolvimento interior rumo à Felicidade Eterna faz-se por práticas absolutamente espirituais, sem recurso a químicos de espécie alguma.

Quanto à pretensão de certos exegetas católicos, evangélicos, metodistas e afins, todos afirmando que os Iluminados Yoguis do Oriente, os Hierofantes do Antigo Egipto, os Iniciados do México e do Peru, em suma, a totalidade dos mais insignes baluartes humanos da Sabedoria Divina manifestados nos cinco continentes que abrilhantaram as páginas da História Humana, recorreram e viciaram-se nos alucinogéneos para alcançar estados de alma que, verdade se diga, foram conquistados com suor, sangue e lágrimas, é das mais ímpias infâmias que a xenofobia  erótico-religiosa de uns quantos transmite ao crencismo supersticioso de muitos de vidas traumatizadas psicomentalmente paralisados, assim aceitando incondicionalmente tamanha mentira, prova cabal do favoritismo de todos esses à destruição de qualquer iniciativa de libertação e independência psicossocial que haja na Juventude, mormente a Luso-Brasileira, para que livremente demande horizontes de saber e realização mais amplos e duradouros.

Tal como as drogas são prejudicais ao desenvolvimento verdadeiro do ser humano, igualmente há a droga de certa literatura que arremessa o leitor para campos experimentais verdadeiramente sinistros. Já alguém dizia: Diz-me o que lês e te direi quem és. Razão mais que suficiente para o Professor Henrique José de Souza aconselhar: «Um livro tanto pode ser um poderoso auxiliar como um formidável destruidor da tua mente: tem cuidado na sua escolha».

Mesmo sem querer ser puritano e censor, a verdade é que há livros prejudiciais à evolução espiritual do leitor, dos quais destaco: o Kama-Sutra, título que é o primeiro a dizer do seu conteúdo – Kama, “paixão”, e Sutra, “livro”, logo, “livro das paixões” ou “dos sentidos inferiores, baixos”, etc., que por norma se satisfazem na passiva cama do comércio sexual; e o pernicioso Livro de São Cipriano, que travestido de processos de magia campesina ou rural, na verdade ensina os baixos processos da necromancia e magia negra, precisamente os previstos nos códigos penais de todos os países civilizados.

Há livros benéficos à evolução espiritual do leitor, de que destacarei alguns por estarem dentro do Programa Teosófico «em prol do engrandecimento físico, moral e intelectual do Género Humano, combatendo o analfabetismo, os vícios e os maus costumes sociais, o fanatismo, a superstição e o erro, onde quer que se manifestem», segundo o Professor Henrique José de Souza.

Seguindo as directrizes do mesmo Mestre (JHS), aos místicos recomendo a leitura do Bhagavad-Gïta (“O Canto do Senhor”), que é uma das mais belas passagens do poema ário-hindu, Mahâbhârata; A Voz do Silêncio, de Helena Petrovna Blavatsky; A Luz do Caminho e Idílio do Loto Branco, de Mabel Collins; A Vida Superior ou Regras da Raja-Yoga, por Rajaram-Tukaram, etc. E aos que preferem continuar fiéis às suas religiões, recomendo a leitura das biografias dos Santos das suas Igrejas, a Imitação de Cristo, etc., onde poderão encontrar exemplos eficazes para a sua própria conduta, uma vez que, como disse o Professor Henrique J. Souza, «não é a religião que faz o homem mas o carácter».

Aos que possuem espírito tão digno como a sua própria estirpe superior ou divina, mas não tendo ainda os conhecimentos que os possa conduzir à meta desejada, enumero o seguinte guia literário:

Novelas, contos, viagens e estudos biográficos: – Zanoni, de Bulwer Lytton; Adonai, de Jorge Adoum; Nos Templos do Himalaia, O Santuário, O Mago de Baltazar, de Van der Naillen; Os Grandes Iniciados, por Eduard Schuré; A Vida do Buda, por F. Harnold; Dans le Thibet (Dans la Tartarie, Dans la Chine), por Pe. Huc; Animais, Homens e Deuses, por Ferdinand Ossendowsky; A l´Ombre des Monastères thibetains, por Marques de Rivière.

Essas duas últimas obras citadas descrevem situações que têm ligações estreitas com a Missão dos Teúrgicos e Teósofos luso-brasileiros, mormente da C.T.P. e da S.T.B., ou seja, indo “descobrindo através da letra que mata” o “espírito vivificador”. Ambos os autores citados deram desempenho a missões muito especiais no mundo.

Místicos e Magos do Tibete, por Alexandra David-Neel. Obra na qual se inspirou Mário Roso de Luna para escrever O Tibete e a Teosofia, de parceria com Henrique José de Souza que escreveu inteiramente os seus últimos 30 capítulos, conforme a vontade póstuma daquele eminente polígrafo e teósofo ibérico, sócio n.º 7 da Sociedade Teosófica Brasileira.

Pelas Grutas e Selvas do Industão, por Helena P. Blavatsky, com comentários de M. Roso de Luna. Para conhecimento das potentes individualidades de Mário Roso de Luna e Helena Petrovna Blavatsky, leia-se daquele: El Mago de Logrosán e Helena Petrovna Blavatsky o una Mártir del Siglo XIX.

Quanto a livros didácticos: – A Chave da Teosofia, de H. P. Blavatsky; Karma e Reencarnação, Plano Astral e Devakan, Sabedoria Antiga, todos de Annie Besant; O Duplo Etérico, O Corpo Astral, O Corpo Mental, O Corpo Causal e o Ego, O Sistema Solar, todos de Arthur E. Powell.

As obras dos dois últimos autores referidos são muito recomendáveis por terem sido inspiradas nas monumentais Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta, de H. P. Blavatsky.

Magia Branca e Negra, de Franz Hartmann. Interessam, reitero, todos os livros do inconfundível teósofo e cientista Dr. Mário Roso de Luna, a começar por La Esfinge, que é bem uma introdução à sua “Biblioteca das Maravilhas”, monumento literário que é dos maiores do mundo. A seguir: De Sevilha ao Yucatan (ou uma viagem ocultista através da Atlântida de Platão); El Tesoro de los Lagos de Somiedo; De Gentes del Otro Mundo; El Libro que mata a la Muerte o El Libro de los Jinas (que ele mesmo dizia «ser a sua melhor obra e onde tinha sempre o que aprender»); En el Umbral del Mistério; Simbologia Arcaica o Simbolismo de las Religiones del Mundo;  Conferencias Teosóficas en América del Sur, etc.

Ísis Sem Véu, de H. P. Blavatsky. Portentosa obra de crítica litero-científico-filosófica, que só por si bastava para imortalizar o nome da sua principesca e incompreendida autora. No Prefácio da mesma, a augusta Iniciada assim a apresenta: «A presente obra é fruto das íntimas relações com os Adeptos Orientais e do estudo da sua Ciência. Dedicamo-la a todos os que estão prontos a aceitar a Verdade, onde quer que se encontrem, e estejam dispostos a defendê-la, sem temor, desafiando, se necessário, as preocupações do vulgo. O seu objectivo é ajudar o estudante a descobrir o fundo oculto que jaze nos antigos sistemas filosóficos».

A Doutrina Secreta, obra fundamental da mesma autora. «A Doutrina Secreta – diz Roso de Luna – estava destinada a ser, na sua origem, uma versão ampliada e correcta de Ísis Sem Véu, porém, como sucede sempre com a obra do génio, a ideia rompeu aqui, como na obra do colosso de Bonn, os moldes da forma, desbordando-os e exigindo um plano de acção completamente novo».

A verdadeira compreensão dos ensinamentos profundos encerrados nas páginas dessa obra ciclópica, torna-se impossível para o leitor se não possuir um guia seguro capaz de comentar A Doutrina Secreta, e também Ísis Sem Véu, através dos seus mil e um véus, a sua complexidade metafísica e conturbadora erudição. Posso afirmar que a Comunidade Teúrgica Portuguesa não apenas conhece em seus ínfimos pormenores todo o fundo oculto da Doutrina Secreta senão que veio completar, de acordo com as Revelações do Novo Ciclo para o qual trabalha, os ensinamento entesourados nessa obra formidável.

O Verdadeiro Caminho da Iniciação, obra monumental de Henrique José de Souza. E também do mesmo autor, em seguimento: Ocultismo e Teosofia (assinando-o com o pseudónimo Laurentus) e Os Mistérios do Sexo.

Termino com votos sinceros de que estas minhas palavras cheguem ao conhecimento do maior número possível de pessoas e que elas possam contribuir de algum modo para fazer perdurar, risonha e feliz, a eterna Primavera da Vida Humana que é a Juventude, afinal de contas, a Semente da Colheita do Futuro.

 

 

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