Portugal Templário (Vida e Obra da Ordem do Templo) – Por Vitor Manuel Adrião Quinta-feira, Nov 24 2011 

APRESENTAÇÃO

No género da História Sagrada, este é um livro único que atravessa os séculos de Portugalidade sob o pendão da mais misteriosa e controversa organização que existiu na Idade Média: a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Cimento indispensável à formação político-social e ao crescente sentido de espiritualidade e religião em Portugal, a Ordem do Templo é apresentada neste livro por meio das cartas régias e bulas papais referentes a ela, numa vasta colectânea de textos inéditos escritos na época, incluindo-se o Louvor e a Regra de São Bernardo de Claraval aos Cavaleiros Templários, as opiniões dos reis de Aragão e Portugal sobre a Ordem e dezenas de outros depoimentos de quem conheceu de perto a Milícia de Monges-Cavaleiros. Dentre os diversos temas que preenchem esta obra inédita na abordagem que faz aos Templários, destacam-se: a missão espiritual e temporal do Templo, a gnose dos Templários, o processo de abolição da Ordem do Templo, o tesouro dos Templários, a Ordem de Cristo e o Infante Dom Henrique, o Preste João e a Jerusalém Celeste, o património Templário em Portugal, dentre centenas de outros.  Os santos, as celebrações, as lendas, as crenças e os mitos, tudo isso e muito mais tornam a leitura deste livro indispensável ao entendimento mais profundo do Portugal Templário.

EDITORA: MADRAS EDITORA, SÃO PAULO, BRASIL

ANO DE EDIÇÃO: 2011, Novembro

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos que tenho dedicado à História Sagrada de Portugal, a Intra-História ou a não-contada, positivamente marginalizada talvez por preconceitos e desconhecimentos tanto académicos como religiosos de mais alta e valorosa Sabedoria, ainda assim assistindo ela à Portugalidade hoje mesmo presente na diáspora dos portugueses no mundo, afigura-se-me quase permanentemente, nas investigações levadas a cabo tanto em terreno como em gabinete, a presença soberana da Ordem dos Templários nas últimas centúrias da Idade Média.

Assim, não deixa de causar estranheza que hoje seja tão pouco estudada nos manuais de carteira uma organização como a Ordem dos Templários que, mesmo se observada somente da perspectiva sócio-económica, teve papel tão determinante na formação dos futuros estados europeus. Talvez isso se deva a ser a Instituição monástico-militar mais assombrada ou de intenção vedada e velada da Idade Média, como se depreende dos parcos mas significativos documentos sobreviventes até hoje referentes a ela, o que lhe valeu o óbvio actual do descuro, repito, tanto académico como religioso.

As recolhas documentais e fotográficas que fiz até ao presente estão arquivadas e catalogadas, boa parte delas agora dadas à estampa, vindo a preencher várias prateleiras com material exclusivamente do foro da Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão (Pauperes Commilitonum Christi Templique Salominici), também conhecidos por  Cavaleiros Pobres de Cristo e da Santíssima Trindade (Pauperes Commilitonum Christi Santaeque Trinitatis). Através dessa documentação verifica-se ter havido no escrínio dessa Milícia determinado tipo de práticas que, chamemo-las assim, terá constituído o Ocultismo Templário, certamente exposto na fórmula da mentalidade religiosa da época mas, contudo, afigurando-se ser a própria Tradição Iniciática das Idades de que o Templo terá sido fiel depositário.

Ante tudo e desde 1997 quando foi escrita a primeira versão deste livro, agora revisto e aumentado, é obrigatório reconhecer ter aparecido nos últimos tempos um escol razoável de investigadores nacionais e estrangeiros que têm abordado e dado à lavra as suas conclusões, não raras dignas de mérito e aplauso. Mesmo assim, nessas conclusões não raro parece ficar, ad intempore, o etéreo flutuo da incoerência na conclusão dos documentos lidos, talvez por se os ler à luz do momento presente e não do tempo em que foram escritos e em que condições. Está nisto o célebre documento de Chinon, de que darei notícia num dos próximos capítulos.

A par desse escol de raros mas proveitosos investigadores, há o vasto leque dos que se arremessam ao incoerente exercício da arte de bem fantasiar, aproveitando os dados credíveis que a História conservou até hoje para, num delírio febril, lançarem-se à aventura infrutífera das mais inconsistentes conjecturas, seja por inocência mental própria ao estatuto «new age», seja por consciência mal-intencionada no pretendo de algum intento imediato mas ainda assim mais ou menos velado, indo converter-se em política obscura de aparência cultural. Nesta condição estão a invenção rasurada de imensas bulas, cartas e outras a par de razoável iconologia atribuídas aos Templários mas que, verdade se diga, o seu crédito não vai além de Setecentos, a maioria inventada por autores do século XIX e princípios do XX. Nesta precaríssima condição está o célebre bafometh, assim como as famigeradas Profecias de João de Jerusalém, dito profeta dos Templários, e de ambos darei notícia nos próximos capítulos.

Outros, jovens desejosos de seguir as pisadas acauteladas dos mais velhos em saber e idade mas num desejo incontido de receberem créditos públicos pela publicação constante das suas redacções de temáticas tão variadas e tão ao sabor juvenil do “sabe-tudo”, estatuto ardoroso que a idade experimentada acaso haverá de refrear e talvez revelar ridículo, acabam assimilando de tudo um pouco assim se dispersando sob a capa dum positivismo que se torna incoerente, quer por disporem o Sagrado no mesmo patamar do profano, quer por ostracizarem ou tão-só ignorarem o sentido do falar e do agir, não raro com a política aparelhando com a religião, do mundo medieval, falar e agir esse bem diverso do de hoje e que só encontra paralelo na permanência secular da religião continuar aparelhada com a política.

De maneira que ignorando ou então superficializando acerca dos motivos de determinadas manobras político-religiosas que nos bastidores sociais levaram a certos acontecimentos controversos relacionados aos Templários, como foi o caso da polémica batalha de Ascalon, vai-se desavisadamente redundar no erro factual do parcelar ser tomado pelo todo, e mesmo esse incompreendido por não se saber das pretensões veladas dos que assumiram posições determinantes que viriam a marcar os acontecimentos subsequentes. É o caso do imperador Frederico II, primeiro protegido do Templo e depois insurgido contra o mesmo, acusando os Templários de traírem a Cristandade por sua mancebia com o Xiismo islâmico, particularmente com os Assacis da Jordânia e do Líbano, estes que logo receberam da parte da Igreja romana os maiores vilipêndios vingando até hoje, como o de serem “fumadores de haxixe” e “assassinos” de punhal a soldo de quem tivesse bolsa mais gorda, e… nada mais errado! Mas por certo que esses vilipêndios romanescos aconteceram por o papa se sentir ensombrado com a presença desassombrada do Cheik Al-Djebel, o Iman Madhi Encoberto da Linhagem Al-Sabah, que Marco Polo celebrizaria como o “Velho ou Ancião da Montanha” (Bey Al Bordi, Senhor de Alborj, a Montanha Primordial, assim identificado por judeus e cristãos a Mikael, o arquétipo do Monarca-Pontífice de Salém, Melki-Tsedek, também igualado por hindus e budistas ao Chakra-Varti na Morada Santa de Monte Meru, que como Primordial também é o Pólo Norte magnético, figurado “Torre de Fé” pelo monoteísmo das três religiões do Livro), Chefe Supremo da Ordem dos Assacis. Este é assunto que desenvolverei nas páginas seguintes.

Ou então, não se precavendo do sentido da Regra diferir do de Estatuto, tal qual o cimento com que se faz a parede do edifício, confundir-se ambos e desfechar não se sabendo desse mesmo e primaz sentido. À Regra e aos Estatutos sujeitavam-se os Cavaleiros Templários, por norma gente culta provinda exclusivamente das melhores famílias nobres, fortemente brasonadas, da Europa. Se não fosse de sangue nobre, de Casa armoriada distinta, não poderia ser Templário. Menos ainda seria Monge-Cavaleiro se não contraísse antes os três votos perpétuos, espírito da própria Regra e lógica da mesma, de Pobreza, Obediência e Castidade. Ipso facto.  Aos Estatutos sem a Regra, logo sem votos contraídos, sujeitavam-se os cavaleiros laicos contratados pelos Tempreiros, como era uso chamá-los em Portugal, que mesmo assim também eram Templários pelo direito que os Estatutos lhes conferiam. Grande número destes viriam depois a tornar-se Templários de “corpo inteiro”, acrescendo ao direito a fé, pelo abraço além dos Estatutos da Regra e contracção dos votos perpétuos. Era-lhes então deposto o manto cruzio de Cavaleiro-Monge, certamente a ambição maior de qualquer um que entrasse na Instituição.

Dos nove Cavaleiros que originalmente fundaram a Ordem nenhum era analfabeto, pobre e de famílias minguas, não: provinham das melhores Casas da Europa, frequentavam as cortes mais ilustres, dominavam as letras com mestria igual às das armas sagradas pela Regra de Cavalaria que lhes legitimava os Dons adiante dos nomes próprios. O seu abraço à Fé beneditina, antes da Reforma de Cister, tornando-os protótipos dos futuros Monges e Cavaleiros, ainda assim não lhes concedia o direito canónico de aplicar os sacramentos e exercer o ofício da missa. O monge não detém esse direito sacramental, só o sacerdote. Este está sagrado, é pontífice ou “ponte” entre o Divino e o Terreno. O monge está consagrado à Ordem,  mas não sagrado no Ofício, e nisto reside toda a diferença: um sacerdote é sempre um monge, mas um monge nem sempre é sacerdote. Por isto, eram solicitados sacerdotes de outras Obediências (principalmente cistercienses) para ministrarem os ofícios divinos nas Casas do Templo, onde os cavaleiros certamente seriam monges, mas nunca sacerdotes. Isto não invalida os seus conhecimentos teológicos das escrituras e dos ofícios. Conheciam-nos mas não detinham o poder sacramental necessário à sua legítima e regular transmissão sacerdotal, ou seja, a “transmissão apostólica”.

Foi essa diferença, que é tudo, a levar à redacção da proibição, na alínea XXI da Regra, dos seculares não usarem dos mesmos trajes e insígnias impostos pela Religião dos Templários canonicamente investidos, a fim de evitar confusões e escândalos, tanto civis como religiosos, como aconteceu nos primeiros tempos da Milícia agrupada pelas armas e pela fé mas sem norma de vida, ou seja, desregrada, sem Regra. Assim, para separar o temporal ordinário do espiritual ordenado criando ordem distinta como vida regrada, São Bernardo doou aos Cavaleiros Pobres de Cristo a Regula Vitae, logo aceite, assumida e vivida, com o apartamento das vicissitudes antigas nascidas da desordem de não se ter norma condutora, reconhecidamente afiliada à Tradição e que pudesse ser lida, interpretada e vivenciada tanto como catequese quanto como gnose, para todos os efeitos, sempre vivenciada por todos que abraçassem a Religião. E todos quantos posteriormente, ainda assim excepcionalmente, quiseram passar por Templários mas sem o ser, aproveitando-se desse estatuto distinto para actos de banditismo e abusos de toda e qualquer espécie, tanto na Europa como no Ultramar, sabe-se terem sido os próprios e verdadeiros Templários a denunciá-los, combatê-los e desbaratá-los in definitivus.

Por vezes também se me revela um desconhecimento grasso dos usos e costumes medievais, estes geralmente saídos de preceitos religiosos, como esse dos Templários usarem barbas longas como “prova cabal” do seu “escasso asseio físico”, compensado pela “gula desmedida”! Afirmativas desse tipo vão além da ignorância: penetram bastamente o terreno risível do patético. Na sociedade medieval só os nobres e distintos usavam barbas longas, os demais nem sempre. Eram sinal de soberania viril e de potência espiritual, herança judaica transmitida à Europa e cuja fonte é o Sepher Dzeniutha, o “Livro Oculto”, indicando a “Barba” da “Cabeça Suprema”, ou o Eterno, como enfeitada com nove adornos gloriosos (sefiras). Logo, todo o nobre e todo o monge deixavam crescer as barbas para que fossem como as do Eterno em si mesmos, e assim lhes desse a potência viril indispensável tanto nas armas como na fé. O mesmo vale para a cabeleira basta. Quanto às regras alimentares, sabe-se pela Regra e pelos Estatutos que os Templários quando não eram rigorosamente comedidos, eram pouco mais que frugívoros, e o vinho era por norma terminantemente proibido nas mesas das suas refeições, segundo a mesma Regra.

Com tudo, e isto é muito positivo, mesmo assim denota-se o fascínio que a Ordem dos Templários exerce actualmente um pouco por toda a parte, certamente por causa do halo de mistério e segredo em que se envolveu, muito mais porque em casas militares não entravam civis, logo não se sabendo o que havia e fazia nelas, aventaram-se e inventaram-se lendas maravilhadas pela fantasia do misterioso, e na demanda do que ela terá sido resta-me convidar o leitor a acompanha-me no roteiro desfilado nesta obra, que voto lhe seja de grande proveito ao destrinçar ou, no mínimo, entender, do que foi e fez a Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão.

Vitor Manuel Adrião

 

ÍNDICE

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I

PATROLOGIA AFONSINA E CAVALARIA DE DEMANDA

CAPÍTULO II

OS TEMPLÁRIOS E A MATRIZ DE LOURES

CAPÍTULO III

AS SIGLAS DA MATRIZ DE LOURES

CAPÍTULO IV

“CIVITAS” E “TEMPLUM” SAGRADOS

CAPÍTULO V

REGRA DOS CAVALEIROS POBRES NA CIDADE SANTA [DE JERUSALÉM]

CAPÍTULO VI

DO LOUVOR DA NOVA MILÍCIA E DOS SOLDADOS DO TEMPLO

CAPÍTULO VII

TEMPLÁRIOS, OS GUARDIÕES DA “TERRA SANTA”

CAPÍTULO VIII

OS TEMPLÁRIOS E AS HERESIAS

CAPÍTULO IX

CARTA ERUDITA DE D. FR. BENITO JERÓNIMO FEIJÓO

CAPÍTULO X

OS TEMPLÁRIOS E OS CELTAS

CAPÍTULO XI

OS TEMPLÁRIOS E OS JUDEUS

CAPÍTULO XII

OS TEMPLÁRIOS E OS ÁRABES

CAPÍTULO XIII

SANTOS E PROFETAS DO TEMPLO

CAPÍTULO XIV

O TESOURO DOS TEMPLÁRIOS

CAPÍTULO XV

A PARÚSIA DOS TEMPLÁRIOS

CAPÍTULO XVI

A FREIRIA MILITAR DE JESUS CRISTO

CAPÍTULO XVII

CONSULTA DA REFORMAÇÃO DA ORDEM DE CRISTO

CAPÍTULO XVIII

A REGRA E DEFINIÇÕES DA ORDEM E MESTRADO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

CAPÍTULO XIX

RITUAL DE ARMAÇÃO NA ORDEM DE CRISTO

CAPÍTULO XX

O INFANTE HENRIQUE DE SAGRES

CAPÍTULO XXII

A DEMANDA DO REINO DO PAI JOÃO

CAPÍTULO XXII

CARTA DO PRESTE JOÃO DAS ÍNDIAS A MANUEL, IMPERADOR DE CONSTANTINOPLA

CAPÍTULO XXIII

PATRIMÓNIO TEMPLÁRIO EXISTENTE EM PORTUGAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Vida Elemental (“espíritos da Natureza”) – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Nov 15 2011 

Sintra, 1980

Falar do Mundo Elemental ou dos “espíritos da Natureza”, os chamados devas menores, é falar da “fácies” invisível da mesma Natureza, ou como diria o insigne Dr. Mário Roso de Luna, é penetrar o “Reino Encantado de Maya”.

Inspiradores de poetas e prosadores, razão última dos fenómenos naturais maravilhados e vazados tanto no conto infantil como na lenda antiga contada de velhos a novos, com um olho pregado na fogueira enfeitiçante, quente e acolhedora na invernia rija, e com o outro fitando as estrelas fascinantes do lácteo caminho de Santiago, frias no verão da noite, os elementais são, realmente, o “substractum” da Mãe Natureza assistindo à Vida Terrena, e que o imaginário colectivo das gentes do campo pintou com as cores mais garridas, não raro com a fantasia e a imaginação se entrelaçando quase ou mesmo inseparáveis.

Do muito já descrito e escrito sobre estes seres, a verdade é que muito pouco, ou mesmo nada, foi dito e escrito sobre como surgiram e se formaram…

Para explicar convenientemente essa questão, forçoso se torna que faça recurso das aulas teosóficas do professor António Castãno Ferreira (na verdade, engenheiro agrónomo) proferidas na Sede da Sociedade Teosófica Brasileira, em 1952, na época instalada na cidade do Rio de Janeiro.

Esse preclaro autor, justamente consignado a Coluna J do Professor Henrique José de Souza (JHS), foi dos raros que penetrou mais fundo o âmago da questão. De maneira que ele remete-se ao seguinte: para além da existência que chamamos de Mineral, a Vida apresenta-se como energia tríplice informe e bioplástica que se pode chamar de PRIMÁRIA ou, com maior propriedade, ELEMENTAL.

Pois bem, devido ao próprio tipo de Evolução do nosso Sistema Planetário, as vidas informes do tipo elemental apenas podem existir nos três Mundos das Formas mais densas (Mental Inferior, Astral e Físico Etérico). O entendimento de uma Evolução paralela à dos 4 Reinos Naturais conhecidos, vistos e tocados por todos, está em que essas forças dévicas não são consciências individualizadas como as dos outros Reinos manifestados, e sim forças vivas da Natureza (os Marutas, como consigna a Tradição Iniciática) plenamente cegas e inconscientes, orientadas por Consciências mais elevadas que para isso possuem aptidões (os Traixus, assim consignados pela mesma Tradição Iniciática). Elas são, na essência última, o resultado da animação ou actividade dos Três Aspectos do Logos Planetário nos três Mundos da Matéria imediata (Mental, Emocional e Física).

Sendo vidas informes nenhuma possui forma, por serem pura energia. Quando assumem formas grotescas parecidas com as humanas, é porque tomam para si o modelo que os homens lhes emprestam, no comum da Humanidade inconscientemente, com a sua actividade psicomental (kama-manásica). Por isso, elas aparecem ao clarividente como silfos, salamandras, ondinas, gnomos, etc., segundo a nomenclatura criada no século XVI por Paracelso (Zurich, 1493 – Saltzbourg, 1541) e perpetuada nos seus tratados escritos sobre Alquimia e Espargiria.

Com efeito, essa nomenclatura serviu doravante para classificar e identificar os elementais à substância elemental ou atómica dos Reinos da Natureza e aos quatro temperamentos humanos, como sejam:

SILFOS – AR – MENTAL – REINO HUMANO – NERVOSO

SALAMANDRAS – FOGO – EMOCIONAL – REINO ANIMAL – SANGUÍNEO

ONDINAS – ÁGUA – ETÉRICO – REINO VEGETAL – LINFÁTICO

GNOMOS – TERRA – FÍSICO – REINO MINERAL – BILIOSO

Sempre que surge a hora de uma alma humana reencarnar, ela congrega para si, num acto mecânico mais ou menos consciente, as forças primárias de naturezas mental, emocional e física, fabricando uma nova personalidade, e assim as ligando, encadeando, dá início à construção dos respectivos veículos de manifestação.

É fácil compreender, neste momento, que tudo aquilo que o homem faz, seja um pensamento, um sentimento ou uma acção, é animado pela essência elemental respectiva, constituindo, por exemplo no primeiro caso, um elemental mental artificial ou “forma-pensamento”, essências essas que, como diria Ferreira, «lhe tecem a trama do destino».

Como a energia segue o pensamento, conclui-se que mais feliz será uma vida quanto mais positivos forem os pensamentos e emoções, e quanto mais negativos forem os pensamentos e emoções mais infeliz será uma vida, motivo para se encontrar no Alcorão o axioma capital: «Quanto mais pesado fizeres o mundo, mais o mundo pesará sobre ti».

Pois bem, na sua relação com o Homem o 1.º Reino Elemental relaciona-se com a actividade mental, agindo nos centros nervosos superiores (córtex cerebral). O 2.º Reino Elemental liga-se à actividade sensorial, actuando nos centros nervosos intermediários (base do cérebro, pedúnculo, bulbo). O 3.º Reino Elemental associa-se à actividade física, impressionando através dos centros medulares (acção motora externa ou da vida de relação).

Os elementais, ou “espíritos primários da Natureza”, dividem-se em “encadeados” e “livres”. Os primeiros constituem os nossos corpos físico, emocional e mental. Os segundos são os génios da Natureza. As Yogas e Tantras incidem sobre os “encadeados”, e a Magia Teúrgica sobre os “livres”. Mas agindo-se sobre um aspecto actua-se sobre o outro, fazendo jus à Lei da Reciprocidade.

Como disse, os elementais são extractos da animação dos 3 Aspectos do Logos Planetário dos Mundos Mental Inferior, Astral e Físico; possuem uma reduzida “inteligência artificial” a par de uma grotesca “forma artificial”, constituída pelas energias humanas do pensamento e da emoção, da ideia e da imagem de que se alimentam, assim tomando essas expressões etéricas. Sujeitos periodicamente à dissolução na Vida Informe ou a morte tal qual o Homem que imitam, eles são simples e cegas forças primárias naturais particularizadas pela acção, consciente ou inconsciente, do Homem na Natureza que as modela no tríplice Mundo em que vive. Portanto, os elementais são mortais, pois nascem, envelhecem e morrem. Por viverem junto da Humanidade sentem quase todas as necessidades desta, e apesar de serem denominados, para simplificar, «espíritos», não o são, antes são energias cegas, primárias, que adquiriram forma temporariamente, mas passado algum tempo retornam à Vida Informe. Quanto muito, poderei chamá-los de ALMAS EM FORMAÇÃO (sem Espírito!), no contexto mais primário. Por sua ligação permanente à criatura humana esta pode, se for um Iniciado verdadeiro, conferir-lhes pelo Poder de sua Vontade uma parcela da sua Substância Divina e torná-los imortais, assim entrando de imediato no Reino Angélico ou Barishad, sob cuja chancela ficam, iniciando um percurso evolucional paralelo ao da Hierarquia Humana (Jiva).

Os elementais estão ainda retratados na Lenda Maçónica como os “operários silenciosos” do arquitecto Hiram Abiff, construtor do Templo de Salomão.

Tendo falado de Magia Teúrgica, é meu dever destacar que esta Obra Divina (TEURGIA), por estar inteiramente conectada aos Poderes Celestes, sobrepõe-se e incide sobre a Laboração Mágica que se fundamenta, principalmente, no manuseio consciente das forças elementais constituintes dos Mundos Inferiores da Natureza através das correntes etéricas que cruzam o Globo impregnadas das energias astral e mental.

Quanto à Ideia Mágica, ela traduz-se em

LUZ para os olhos;

HARMONIA para os ouvidos;

PERFUMES para o olfacto;

SABORES para a boca;

FORMAS para o tacto.

Este tema da Vida Elemental, que ainda é parte da Antropogénese, pode ser esquematizado do modo seguinte, para melhor elucidação do respeitável leitor:

No seguimento do esquema apresentado e em resposta a questão relacionada ao mesmo assunto, tive a oportunidade recente de responder:

O saudoso amigo e Venerável Irmão Roberto Lucíola foi muito feliz na composição dos seus Cadernos Fiat Lux, nos quais os temas são apresentados de forma breve e sintética, apesar de expostos num linguagem clara, simples mas profunda. O tema dos elementais, espíritos da Natureza ou devas menores, porque criação doutros maiores, os próprios Barishads ou Hierarquia Angélica, é muito aliciante.

As Hierarquias Criadoras deram à Manifestação Universal os elementos naturais que saíram de si para formar a Matéria de que é composta a Natureza visível e tangível. Assim, temos:

ASSURAS ou ARQUEUS (cujo corpo mais denso é o Mental Concreto): projectaram os seus elementos atómicos na criação da Matéria Mental. Esses elementos são os devas encadeados ou princípios atómicos de que é feito esse Plano e que corresponde ao 1.ª Reino Elemental, o AR (VAYU). Colectivamente, como força elemental encadeada na Natureza antes de no Homem, corresponde ao tipo de vida formal primária chamada SILFO, os elementais do Ar projectados no 1.º Éter da Natureza desde o Plano Mental Concreto. São o resultado do esforço da Hierarquia Assúrica, uma espécie de “suor” da mesma.

Essa Matéria Mental primária vai interpenetrar a matéria mais densa seguinte, a Astral, encadeada pelos:

AGNISVATTAS ou ARCANJOS (cujo corpo mais denso é o Emocional ou Astral), que projectaram de si os seus elementos atómicos na criação da Matéria Astral. Esses elementos são os devas encadeados ou princípios atómicos de que é feito esse Plano e que corresponde ao 2.º Reino Elemental, o FOGO (TEJAS). Colectivamente, como força elemental encadeada na Natureza antes de no Homem, corresponde ao tipo de vida formal primária chamada SALAMANDRA, os elementais do FOGO projectados no 2.º Éter da Natureza desde o Plano Astral. São o resultado do esforço da Hierarquia Agnisvatta, uma espécie de “suor” da mesma.

Essa Matéria Astral primária, já animada pela MENTAL, apesar de distintas na Manifestação ou Manvantara, por sua vez vai interpenetrar a matéria mais densa seguinte, a Etérica, encadeada pelos:

BARISHADS ou ANJOS (cujo corpo mais denso é o Etérico ou Vital), que projectaram de si os seus elementos atómicos na criação da Matéria Etérica. Esses elementos são os devas encadeados ou princípios atómicos de que é feito esse Plano e que corresponde ao 3.º Reino Elemental, a ÁGUA (APAS). Colectivamente, como força elemental encadeada na Natureza antes de no Homem, corresponde ao tipo de vida formal primária chamada ONDINA, os elementais da ÁGUA projectados no 3.º Éter da Natureza desde o Plano Etérico. São o resultado do esforço da Hierarquia Barishad, uma espécie de “suor” da mesma.

Com a descida da Onda de Vida, ou antes, com a densificação gradual da Onda de Vida do Logos impulsionada pelas 3 Hierarquias apontadas e já dotada das 3 matérias indicadas, pela intercombinação destas o Éter densifica-se e surgem os elementos orgânicos, físicos densos, correspondendo ao 4.º Éter da Natureza onde se agita o 4.º Reino Elemental, a TERRA (PRITIVI), correspondendo ao tipo de vida formal primária chamada GNOMO, os elementais da TERRA. É partir desse que se dá a combinação cada vez mais complexa dos elementos químicos até que, mercê da Lei da Evolução, a Mónada toma um corpo físico, passando às fases Mineral, Vegetal e Animal até finalmente urgir no Reino Hominal. Por tudo isto, o Homem possui Corpos Físico, Etérico, Emocional e Mental, interpenetrados todavia distintos na funcionalidade. E os possui porque os seus elementos atómicos, elementais encadeados, constituem o seu organismo que vai da menor à maior densidade, ou seja, do Mental ao Físico.

Quando a pessoa morre, os elementais volvem ao seu ambiente natural no qual se dissolvem. A decomposição orgânica, física, leva mais tempo, a etérica um pouco menos de tempo, a astral ainda menos e a mental menos que a astral. Seja como for, o tempo de dissolução dos devas encadeados no meio afim é sempre relativo, de acordo com a evolução já alcançada pela Alma evoluinte. Essa dissolução corresponde a voltarem à condição de devas libertos ou elementais livres, agitando-se na Natureza. Quando a Alma volta a reencarnar, absorve para si elementos afins à sua evolução já alcançada, não significando que sejam os mesmos elementos da reencarnação anterior, mas podendo ou não ser da mesma qualidade, de acordo com a referida evolução consciencial da mesma. Digo que a Alma reencarna porque é construída pela Mónada, mas não digo que a Mónada reencarna, tão-só é transferida para ela a quintessência das vivências da Alma reencarnada, assim ganhando a Mónada Divina CONSCIÊNCIA PELA EXPERIÊNCIA.

Um Mago ou Teúrgico Tributário pode individualizar um elemental, mercê da sua Vontade poderosa, como, por exemplo, o seu “Génio da Espada”. Este Génio irá servir-lhe de “Anjo da Guarda” e vê assim aberta a sua entrada, invés de no Reino Humano (seguindo o curso natural dos Reinos anteriores), no Reino Dévico ou Angélico, e aí irá aparecer sob diversas expressões (desde espírito das nuvens até deva protector de dado aglomerado tanto elemental como doutrosReinos) até assumir a condição efectiva de um novo Barishad. Sim, porque o Homem na futura Cadeia de Vénus não será Anjo ou Barishad, tão-só deterá uma consciência algo similar à do Barishad, o que é bem diverso. Os elementais imortalizados pelos Iniciados cuja matéria mais densa é a ETÉRICA, nunca afloram o FÍSICO DENSO.

Põe-se agora outra questão: quais são os elementais dos corpos de manifestação dos ASSURAS, AGNISVATTAS e BARISHADS? Por certo serão de uma categoria superior à daqueles gerados por eles, e aí teremos a presença dos Tatvas Cósmicos (Orbaltara, Itabalalai, etc.) que agregam os Planos Cósmicos. Então, os elementais encadeados do Corpo Assúrico são os mesmos do Plano Mental Cósmico (MAHAT); os do Corpo Agnisvatta os do Plano Astral Cósmico (KAMA-FOHAT); os do Corpo Barishad os do Plano Físico Cósmico (PRAKRITI), mas no seu aspecto superior que corresponde, ao nível Humano, ao NIRVÂNICO – BÚDHICO – MANAS ARRUPA. O aspecto inferior do Plano Físico Cósmico (PRAKRITI) é o cenário da evolução o JIVA ou Homem, como sejam MANAS RUPA – KAMAS – LINGA SHARIRA – STUHLA SHARIRA ou PRITIVI, a matéria mais densa onde temos focados os nossos sentidos físicos.

Para além dos Planos Cósmicos e Terrenos, o ATMÃ UNIVERSAL, o LOGOS IMPERECÍVEL, a DIVINDADE UNO-TRINA dando de Si a Manifestação da Vida, da Consciência e da Forma, ao início no estado mais primário ou elemental. Donde Castaño Ferreira  dizer, como muita propriedade, que no fundo “os elementais são produtos saídos dos Três Aspectos do Logos”.

Os elementais estão sob a direcção de quatro Espíritos Soberanos que os ordenam no aglomerado dos 4 Reinos da Natureza. Tais Espíritos Soberanos actuam no Mundo da Forma ou TAMAS, sendo conhecidos como MAHA-TAMAS ou, mais genericamente, como Devas Lipikas, os “Anjos Registadores” do Karma Planetário cuja pena e tinta são os elementais, devas menores, e cujo papel é o próprio Homem, tanto individual como colectivamente.

Sendo de natureza e consciência cósmica, Kumárica, esses MAHA-TAMAS, como BUDAS PERFEITOS ou REALIZADOS dirigem as 4 Rondas desta 4.ª Cadeia Terrestre e são conhecidos sob diversas designações, uma delas a de “4 Anjos Coroados”, das quais só apontarei a designação teúrgica e a judaica cabalística:

BUDA MINERAL = MANU ou GOB = GNOMOS = 1.ª RONDA SATURNINA

BUDA VEGETAL = YAMA ou DJIN= SALAMANDRAS = 2.ª RONDA SOLAR

BUDA ANIMAL = KARUNA ou NICKSA = ONDINAS = 3.ª RONDA LUNAR

BUDA HUMANO = ASTAROTH ou PARALDA = SILFOS = 4.ª RONDA TERRESTRE

Por seu turno, esses 4 MAHA-TAMAS são dirigidos desde o Mundo Celeste ou RAJAS pelos respectivos 4 MAHA-RAJAS, os “Grandes Reis Celestes” encarregues da Evolução do Sistema de Evolução Planetária e do seu respectivo Karma, pelo que dirigem as 4 Cadeias já realizadas (a actual em realização…) deste mesmo 4.º Sistema. São conhecidos sob vários nomes, dos quais darei unicamente os nomes teúrgico e judaico-cristão, juntando os seus pontos cardeais com as cores respectivas, exotéricas (em letras minúsculas) e esotéricas (em letras maiúsculas).

DRITHARASTRA ou ARIEL – NORTE – Ouro e VERDE = 1.ª CADEIA SATURNINA

VIRUDAKA ou MIKAEL – SUL – Azul e VERMELHO = 2.ª CADEIA SOLAR

VIRUPAKHSA ou GABRIEL – LESTE – Branco e AZUL = 3.ª CADEIA LUNAR

VAISVARANA ou RAFAEL – OESTE – Vermelho e AMARELO = 4.ª CADEIA TERRESTRE

Dirigindo a todos desde o mais elevado Mundo Divino ou SATVA, estão os 4 MAHA-SATVAS ou Logos Planetários (Dhyan-Choans) directores dos 3+1 Sistemas de Evolução por que a Terra já passou e passa, e para além de tudo e todos… o INCOGNOSCÍVEL ABSOLUTO.

É com essas Divindades Soberanas do Universo que a TEURGIA, como OBRA DO ETERNO NA FACE DA TERRA, opera por cânones matematicamente justos e perfeitos, usando de dialéctica operática bem em conformidade às Revelações Avatáricas do Ciclo actual.

Nesse sentido, como remate final a esta presente, respeitante à Realização Teúrgica do Homem em Deus (JHS) e de Deus no Homem (HJS), trago aqui as oportunas palavras do insigne teósofo Sebastião Vieira Vidal:

THARANA corresponde ao nosso termo TEURGIA, sim, a Magia com que os antigos pretendiam alcançar a protecção das divindades benfazejas e produzir efeitos sobrenaturais. Compreendemos com isso que a TEURGIA tem por fim permitir à Humanidade ou à criatura humana numa escala menor, identificar-se com o Espírito, com a Consciência Superior, com a Divindade existente no interior dela…

Pondo em funcionamento a terceira (das 12+2) pétala (ou raio) do Chakra Cardíaco, de nome sânscrito THARANA, e realizando a Magia Ritualística (presente tanto na Igreja como na Maçonaria) está, naturalmente, comungando com a Divindade: seja Ela integral, o Logos, seja Ela parcial, o Jivatmã, o Cristo, o Peregrino Sereno…

Com a elaboração meditativa sobre a manifestação do seu JIVATMÃ alcançou, provavelmente, o Plano Búdhico (Intuicional ou Crístico). Se a Consciência Búdhica começou a vibrar no mesmo diapasão… então o discípulo passou a ter, naturalmente, uma visão mais ampla das coisas.

Se a Alma do discípulo foi envolvida pelo Espírito, naturalmente, identificou-se com ELE. Logo, a Alma, a personalidade do discípulo, entrou em sintonia com o “EU” Superior (Consciências Búdhica e Átmica ou Espiritual), sim, com o JIVATMÃ.

Assim sendo, é lógico, ficou à semelhança DELE. Se o discípulo passou a ter a estrutura semelhante ou afim à do “EU”, à do EGO, à do MESTRE, é bastante compreensível, passa a poder evocar a protecção DELE; há entre ambos uma identificação vibratória. Se o discípulo vive em sintonia com o “EU” Interno, Superior, logo, há identificação com a Consciência Búdhica e Átmica, posto que se está identificando com o Plano da Intuição, da Mente Universal.

OBRAS CONSULTADAS

António Castaño Ferreira, Cosmogénese e Antropogénese. Dois volumes com Aulas dadas à Série D da Sociedade Teosófica Brasileira em 1952-1953.

Roberto Lucíola, Elementais. Caderno “Fiat Lux” – 7, Maio de 1996, São Lourenço, Minas Gerais, Brasil.

Sebastião Vieira Vidal, Série O.S.G. Edição Sociedade Teosófica Brasileira.

Sebastião Vieira Vidal, Série Magia. Edição Sociedade Teosófica Brasileira.

Comunidade Teúrgica Portuguesa, apostilas reservadas do Grau Manu.

 

 

Os Irmãos menores da Humanidade (Evolução do Mineral ao Animal) – Vitor Manuel Adrião Domingo, Nov 6 2011 

orpheus-roman[1]

Lisboa, 1990

É voz corrente afirmar-se que o Homem é o “Rei da Criação”, o alter-ego dos Reinos abaixo de si, que são: Animal, Vegetal e Mineral.

Se o animal sente, o vegetal reage e o mineral estabiliza, o homem detém a consciência do “bem e mal”, isto é, a MENTE.

Com efeito, é o aspecto superior da Mente ou Manas, como quinto princípio ou faculdade de raciocínio abstracto perpassando o concreto, que distingue o humano do subhumano. Por isto é que ele é o “Rei da Criação” manifestada no Mundo das Formas em que evolui, tal como o estado de Anjo ou Deva (Barishad) caracteriza-se pela posse do sexto princípio da Intuição (Budhi), sendo o Reino imediatamente superior ao Humano que o toma por modelo a seguir e assumir e, assim, o considerando “Rei da Espiritualidade”!…

O Homem tem por direito e dever ser o INICIADOR dos Reinos Subhumanos, respeitando-os, amando-os e compreendendo-os ao nível coexistencial que lhes é próprio, como formas grupais animadas por princípio Espiritual ou Atmã semelhante ao seu, e apesar de comparativamente ser muito diminuto em vibração e expansão neles, contudo não deixa de existir… como Centelha Divina partida do Deus Único e Verdadeiro que, ao nível mais imediato para nós, é o Logos Planetário – células que somos do Seu Corpo que é o Globo físico a quem chamamos Mãe Terra.

Quando a criatura humana desrespeita os seus irmãos menores a Natureza fustiga-o (como se vê hoje por toda a parte), e então ela passa a ser um “rei sem coroa”, por não saber governar nem criar e tão-só tiranizar e destruir, o que fatalmente a converte em escrava da Criação, pois para que esta lhe obedeça submissa terá primeiro que lhe obedecer submisso, e não pretender prostituir a sua Mãe Única. Desgraçadamente, o Homem-homem tende a descender ao Homem-animal, escravo dos seus descontroles anímico-passionais em detrimento do Mental, invés de ascender ao Homem-espiritual e ser, verdadeiramente, Rei da Criação, porque efectivamente SENHOR DO MENTAL.

Ao servir-se dos elementos minerais para a construção de casas, pontes, etc., o Homem está iniciando esse Reino permitindo-lhe encarnações migratórias de transferência a formas cada vez mais complexas e perfeitas.

Os grãos de poeira como adubo permitem a entrada do Reino Mineral no Vegetal. O Homem plantando jardins e bosques admite a manifestação desse Reino, e servindo-se das suas flores para adornar, das suas madeiras para fabricar mobílias, etc., certamente o está iniciando e permitindo o movimento da Roda da Evolução Vegetal. Os vegetais mais adiantados penetram o Reino Animal ao serem devorados por espécimes deste, indo assim aglutinar elementos de natureza anímica ou animal e posteriormente, na Cadeia Planetária seguinte, começar nova escala evolutiva mais vasta e complexa que a anterior.

Os Reinos Mineral, Vegetal e Animal evoluem em grupo e as espécies manifestadas estão interligadas entre si, sendo as experiências de cada unidade dissolvidas no todo e não tomadas só para enriquecimento consciencial da parte, pois que a individualização consciente não existe. A isto se chama ALMA GRUPAL, dirigida pelo respectivo Buda Mineral, Vegetal, Animal, etc., que é o elevadíssimo Ser regente do Grupo que lhe compete dirigir e que está dotado de Supra-Consciência Kumárica ou da 1.ª Cadeia Planetária de Saturno.

Uma Alma Grupal apresenta-se nos Planos subtis da Matéria como uma espécie de “bolsão” encerrando os respectivos Grupos de Mónadas cujo “Sol” ou Núcleo Central é o próprio Ser Director do Reino que lhe compete. Esse “bolsão” reveste-se de um envoltório tríplice da mesma natureza da matéria que reveste o Grupo Monádico, ou seja:

1.º envoltório constituído de essência elemental do Plano Mental;

2.º envoltório constituído de essência elemental do Plano Astral;

3.º envoltório constituído de matéria etérica do primeiro Sub-Plano Atómico.

A Alma Grupal Mineral consiste no agrupamento das Centelhas ou Mónadas minerais encerradas no “bolsão” cuja borda é constituída da tríplice camada de substâncias mental, astral e física etérica. No início, essas Mónadas dentro da Alma Grupal ainda não estão ligadas a qualquer tipo de minério. Com o tempo, a partir da sua Matriz que paira no espaço etéreo, algumas Mónadas, não todas ao mesmo tempo, começam a mergulhar nas diversas massas de natureza mineral. Não é possível, por exemplo, um grande bloco de minério ser vivificado por uma única Mónada, pois tal coisa a individualizaria. Ao invés disso, encontra-se uma vasta massa mineral animada por grupos de Mónadas. Isto elimina qualquer ideia de individualização. É por isso que não se encontra uma alma individual num bloco de pedra, numa planta ou num animal.

Quando, por qualquer motivo, é destruída a massa mineral em que as Mónadas estão mergulhadas, portanto, servindo-lhe de veículo, estas retornam à sua Matriz levando consigo a experiência já vivenciada como Mineral, experiência essa que é compartilhada por todo o Grupo.

A evolução da Alma Grupal Mineral processa-se no nível mais denso do Universo, que é o Plano Físico. Todos nós, humanos, já passámos por essa etapa. Mas não expressa bem a realidade quando se diz: «Nós já fomos um mineral, uma árvore ou um animal», pois o correcto seria dizer que a nossa Mónada, através do seu tríplice envoltório inferior, já usou, no decurso da sua evolução, veículos minerais, vegetais e animais, e jamais que ela fosse isso, pois a sua origem e essência é de natureza Divina.

A actividade da Alma Grupal Vegetal é o segmento evolutivo que sucede à formação do Reino Mineral. Na fase anterior trabalhava-se o Plano Físico, o nível máximo da descida da Onda ou Vaga de Vida. Nesta segunda etapa a actividade processa-se no Plano Astral, e a evolução na vitalização das partículas astrais que estão encerradas no envoltório da Alma Grupal Vegetal, agora possuída de apenas duas camadas:

A camada externa, constituída de essência elemental do Plano Astral;

A camada interna, constituída de essência elemental do Plano Mental.

A Alma Grupal Vegetal não é de constituição permanente. Ela divide-se e subdivide-se consoante a grande variedade de espécies. Devido a este fenómeno, a Alma Grupal, à medida que o Reino se aprimora, torna-se cada vez mais dilatada para atender à imensa multiplicidade de espécies que vão surgindo no decorrer da sua Evolução.

A presença do tríplice envoltório inferior cria uma aura etéreo-astral nas árvores e demais plantas, tornando-as sensíveis aos impactos ambientais externos: intempéries, incêndios, seca, chuva, bons ou maus tratos infligidos pelos homens, etc. Essas experiências vivenciadas pelo Reino Vegetal são assimiladas pelo átomo-semente astral do Grupo. Com a morte dos jardins, dos bosques, etc., as Mónadas recolhem-se para o interior da Alma Grupal Vegetal que paira no espaço etéreo, à semelhança do que acontece no Reino Mineral. Também os valores adquiridos são compartilhados por todas as Mónadas residentes no envoltório colectivo.

Na Alma Grupal Animal o “bolsão” formado pelo tríplice envoltório inferior agora só possui uma camada, constituída de essência elemental do Plano Mental (Inferior). O envoltório de natureza astral da Alma Grupal Vegetal foi absorvido para fortalecer o corpo astral das Mónadas agora no interior da Alma Grupal Animal. O mesmo fenómeno verificou-se com o envoltório etérico das Mónadas em evolução no interior dos “bolsões”. Tal acontece em virtude dessas substâncias já terem passado por uma diferenciação ao entrarem em contacto com as Mónadas evoluintes.

Como nos Reinos anteriores, os Devas maiores (Anjos) dirigem os devas menores (Elementais) na orientação das Mónadas vegetais para a integração nas formas animais. Até certo ponto, os animais, se forem das espécies mais desenvolvidas, possuem uma alma já em processo de individualização, e quando desencarnados conservam no Astral a sua «individualidade» por algum tempo, não muito. A diferença fundamental está em que, não estando ainda plenamente individualizados, retornam à Alma Grupal que é a reserva comum ao Grupo a que pertencem, levando as suas experiências. Com o decorrer do tempo, o conteúdo da Alma Grupal é modificado pelas múltiplas experiências trazidas para ela.

Com o decorrer da Evolução, as espécies animais multiplicam-se e aprimoram-se devido às crescentes e renovadas experiências. Isto reflecte-se no interior da Alma Grupal Animal, cujo número de Mónadas iguais diminui cada vez mais no “bolsão” gerando, consequentemente, maior quantidade de espécies para atender à selecção natural do processo evolutivo no interior do Grupo, indo originar novas variedades específicas de animais. A multiplicação das espécies no interior da Alma Grupal realiza-se por um processo de cissão, algo parecido com o fenómeno que se dá com a multiplicação das amebas ou a divisão celular.

No Homem, o Espírito Tríplice (Atmã BudhiManas, ou seja, a tríplice expressão da Mónada Divina) está activo ao seu elevado nível, agindo sobre si mesmo, e manifesta-se pela personalidade através da MENTE CONCRETA.

No Animal, existem as sementes do Espírito e da Intuição manifestando-se sensorialmente como interesse e instinto, o interesse instintivo, faltando-lhe a Mente para discernir.

No Vegetal, em seu âmago profundo, vibram as sementes da Mónada e do Espírito. A sua consciência é a reacção vital ou resposta grupal à vida que os Anjos lhe facultam, faltando-lhe os corpos de Emoção e Pensamento.

No Mineral, pulsa o Espírito ou Atmã em semente quase indefinida. O seu único corpo de manifestação é o físico denso, e as restantes reacções provêm dos devas minerais agindo por esse elemento. Os devas vegetais constituem a matéria da Alma Grupal Vegetal e processo análogo acontece com a Vaga de Vida Animal.

Só o Homem é dirigido por um ESPÍRITO GRUPAL, tanto racial, como continental e global, o qual se expressa pelas justas e fraternas relações entre todas as criaturas humanas como semente ou bija da CONCÓRDIA UNIVERSAL, isto é, da SINARQUIA. A Essência do ESPÍRITO GRUPAL da Humanidade é JIVATMÃ, assumido pelo MANU (Legislador da Raça Humana), o Divino VAISVASVATA, expressando-se através de seu Irmão o BODHISATTVA (Instrutor da Raça Humana), o Excelso Senhor MAITREYA, o CRISTO como “Bom Pastor do seu vasto Rebanho” que é a sua Alma Colectiva: a HUMANIDADE, cujo Corpo Colectivo é dirigido pelo Senhor da Civilização ou MAHACHOAN – o Augusto VIRAJ, também conhecido como TAKURA BEY manifestado no antigo TRAIXU-LAMA, no Tibete.

Quando os homens deixarem de faltar às leis naturais, porque cada falta é como uma pedrada repercutindo dolorosamente na Aura do Cristo, então Este deixará de ser o “Homem das Dores” para finalmente se manifestar, para maior glória do Género Humano, como o SALVADOR UNIVERSAL de homens, de anjos e demais seres viventes.

De maneira que o Homem, ao invés de atacar e destruir insensatamente a Mãe Natureza manifestada nos Reinos subhumanos, mormente como se vê na sua atitude para com os animais inocentes à mercê da sua intempestiva inclemência passional, deveria antes, como eubiótica solução única, respeitá-los, compreendê-los e amá-los. Assim fez São Francisco de Assis, como se repara na sua “Oração ao Irmão Sol”, chamando aos Reinos subhumanos de “irmãos”, expressando por eles RESPEITO – COMPREENSÃO – AMOR, estas que são as chaves-mestras para o Homem auxiliar a transição do Animal ao Hominal e este, por sua vez, poder finalmente alçar-se ao estado Angélico, ao 5.º Reino Espiritual.

Sendo efectivamente o “Rei da Criação” ou Natureza manifestada, por sua posse efectiva da gema preciosa do Mental, a Hierarquia Humana é coadjuvada por outras 3 Hierarquias Criadoras na direcção dos Reinos subhumanos, cada qual possuindo um estado de consciência que é lhe próprio, como seja:

SABER – ARQUEU (ASSURA) – HOMINAL – CONSCIÊNCIA DE VIGÍLIA – MENTAL

OUSAR – ARCANJO (AGNISVATTA) – ANIMAL – SONO COM SONHOS – EMOCIONAL

QUERER – ANJO (BARISHAD)– VEGETAL – SONO SEM SONHOS – VITAL

CALAR – HOMEM (JIVA) – MINERAL – TRANSE PROFUNDO – FÍSICO

As Mónadas, mesmo com o final da vida impessoal das Almas Grupais, continuarão, contudo, a ter as suas existências orientadas por princípios colectivos. Todos os seres dos 4 Reinos manifestados no Mundo das Formas estão sujeitos a essa Lei. Assim, quando uma pessoa desperta para a vida espiritual e por ela encaminha os seus dias terrenos sob a direcção de dado Movimento Espiritualista com o qual as suas necessidades interiores sejam afins, automaticamente passa a pertencer à Egrégora ou “Alma Colectiva Psicomental” da sua Organização, Ordem, Religião, etc. Os membros da Ordem do Santo Graal, por exemplo, estão todos inseridos no Ovo Áurico da Ordem. Numa escala mais ampla, os que pertencem à Santa Irmandade da Obra do Eterno, a Excelsa Fraternidade Branca, estão envolvidos no Ovo Áurico da mesma Obra Divina. A própria Humanidade, no seu conjunto, está envolta na Aura do Logos Planetário, o que equivale a que TODOS sejam, na última e suprema instância, IRMÃOS. De maneira que este princípio de Espírito de Grupo se estende por todos os níveis da existência, desde as Cadeias e Rondas até às Raças e Nações e, inclusive, às famílias e aos homens em si mesmos como agregados celulares perfeitamente organizados. Nada existe independentemente, pois uma gigantesca trama invisível enlaça toda a Vida organizada.

Os Reinos subhumanos contemplam o Homem como o seu deus, como o modelo perfeito de evolução a alcançar, tal como este contempla no Anjo a forma perfeita do seu devir, porque, quer ou não se queira, mesmo de «cabeça para baixo e pernas para cima» até que assuma a verticalidade de Ser Integral que é nesta imperturbável Escola da Vida de todos os dias, inevitavelmente O HOMEM ESTÁ CONDENADO A SER DEUS!…

sinotico11[1]

Todos temos obrigações para com todos os seres vivos, particularmente para com os animais como a espécie mais próxima de nós. Podemos servir-nos deles, porém, o serviço que nos prestam deve ser retribuído com atenção, carinho, amor e protecção, e não com crueldades francamente desumanas. Um animal doméstico que conviva connosco, recebe profunda e directamente as nossas influências (boas ou más) que o podem encaminhar para o bem ou para o mal, isto é, podem fazer com que ele engendre um karma ou consequência futura boa ou má. Por exemplo, um cão vindo para a nossa companhia, se o treinarmos na obrigação de caçar outros animais e até pessoas para nosso gáudio, certamente estamos fazendo com que gere um futuro mau karma, e com esse, por consequência, criamos um mau karma para nós mesmos. Se, pelo contrário, fazemos dele um amigo nosso, o instruirmos pelo lado do amor e da docilidade, ajudamos a sua (e nossa) própria evolução, criamos através dele um bom karma e fazemo-lo contrair bom karma ante os seus semelhantes do Reino afim, construindo assim um mundo melhor.

O que actua muito na individualização de um animal é sem dúvida a influência do ser humano. O impulso que leva um animal a individualizar-se pode ser de amor ou de ódio, antes, de sofrimento que ele manifestará como ódio às restantes espécies vivas. Assim, quando exercemos uma influência benéfica, amistosa e afectiva sobre o animal, ajudamos o seu crescimento natural, o seu desenvolvimento normal; é como um fruto que se deixa crescer naturalmente e só se colhe quando está maduro. Quando se colhe um fruto verde, a sua tendência será azedar e estragar-se. O mesmo se dá com o animal. Tanto podemos ajudá-lo a desenvolver-se normalmente como provocar a sua individualização prematura de maneira violenta. Os animais submetidos a muito sofrimento são obrigados, por temor e pavor, a desenvolver o sentido do sacrifício intenso que os obrigará a uma indesejável individualização prematura. Resulta disso que, ao tomar ele uma forma humana, venha a ser, por más samskaras ou “impressões psicomentais” aglomeradas em virtude de um mau karma, um indivíduo desajustado, um marginal, um rancoroso, um vingativo desejoso de destruir os seus semelhantes. Isto ensina-nos que em nossas relações com os animais deve haver sempre um recto senso de justiça, de amor e de fraternidade, se realmente nos pretendemos superiores a eles.

O animal vê o humano rodeado de uma aura azul anilada parecida a uma bruma suave, e apercebe as suas reacções para com ele pela mudança das cores vibratórias nessa aura astral. Um chamado terno ao bichano implica uma cor simpática rosa pálida; um aviso hostil faz exibir no corpo astral um antipático vermelho lívido que irá afugentar aterrorizado o animal.

Fitava Nusha, a pequena gata preta que já era membra da família e parte integrante do Lar; bem tratada, vivendo à soleira do Templo, fitava-me com os seus olhos expressivos enquanto escrevia estas linhas.

Quando veio para a nossa companhia, todos quisemos baptizá-la de “Princesa”. Certa noite, decidi adentrar mentalmente o respectivo embrião mental da bichana. Entre os seus “roms e suspiros” de satisfação, aflorou-me na mente o nome Nusha. A partir daí fui penetrando cada vez mais fundo na Alma Grupal do animal, e a imagem ou “cliché” astral que me sobreveio foi a seguinte: ela havia sido na encarnação anterior uma pantera andina (o famoso tipo “leão dos Andes”) domesticada, animal de estimação vivendo no palácio da nobre Nhusta ou “Princesa” de uma das últimas linhagens Incas, posteriormente identificada pelos povos autóctones do Peru, sob domínio católico, à própria Virgem Maria.

Habituada aos prazeres da vida palaciana, a ex-leoa Nusha foi até há pouco uma gata prazenteira decerto na última encarnação no Reino Animal, como denunciavam os seus hábitos e o olhar expressivo como que fitando já a entrada no Mundo Humano. Daí o Buda Animal ter permitido o seu último estágio num ambiente teúrgico, teosófico e mental que, por certo, a irá tornar na Cadeia futura (quando o Animal de hoje se tornará o Homem de amanhã) um homem refinado, sensível e, possivelmente, acabando por encontrar-se como filósofo ou sacerdote. Maneira de dizer, porque certamente a Vida Humana será absolutamente diferente, inimaginável na futura Cadeia de como hoje a conhecemos, ademais, de acordo com a Lei da Evolução o Reino Humano do Futuro será muitíssimo mais evoluído que o actual, tal como o Animal da Cadeia Terrestre é incomensuravelmente mais evoluído que o da Cadeia Lunar.

A gatinha morreu nos meus braços, meio-cega aconchegando-se ao meu peito como querendo um último refúgio ou alento protector, e após, com o natural desgosto da partida da gata amiga e companheira de largos anos, fui enterrá-la num esconso discreto da Serra de Sintra.

O que se faz para acelerar a evolução do animal que já foi doméstico? Geralmente é colocado de novo em contacto directo e íntimo com o ser humano, cuja influência acelera, apressa o desenvolvimento dessa alma ainda na forma animal, até galgar a etapa em que se individualiza e transfere ao Reino Humano. Passar para este não significa – mormente na época actual – que na próxima encarnação, passados anos ou séculos, tome uma forma humana; não, ela vai para o Plano Mental (o Devakan hindu como o mesmo Bardo tibetano) e aí aguarda a próxima Cadeia Planetária, e só então encarnará pela primeira vez na forma humana.

Como já disse, no Reino Animal (como nos Reinos anteriores a ele) cada forma não representa uma alma, mas a evolução das Mónadas animais por meio da Alma Grupal de animais da mesma espécie.

Numa Alma Grupal em evolução existe certa quantidade de Mónadas que encarnam em diferentes lugares. Umas podem encarnar na África, outras na Ásia, outras na Europa, outras nas Américas e todas pertencendo ao mesmo Grupo. A Alma Grupal recebe as experiências que essas Mónadas, ou melhor, que esses animais estão colhendo nos diferentes continentes e países. Um animal que esteja na África tropical evidentemente não colhe experiências iguais às do animal que esteja no Árctico, na zona glacial; as experiências são completamente diferentes. Também não colhem a mesma experiência do animal que esteja no Japão. Isto significa que onde quer que estejam os animais pertencentes à mesma Alma Grupal, estão colhendo experiências diferentes. À medida que eles vão morrendo, as suas experiências são acumuladas na sua Alma Grupal; isso vai se repetindo uma infinidade de vezes, e nessa etapa a evolução é muito lenta. Assim, à medida que os animais nascem, vivem e morrem, trazem ou levam sempre a bagagem de experiências acumuladas na sua Alma Grupal. É esta a causa de se verem animais mais ou menos inteligentes, mais ou menos dóceis.

No seu livro Compêndio de Teosofia, Charles Leadbeater usou de um exemplo muito feliz ao comparar a Alma Grupal a um balde com água. Diz ele: «Se nesse balde colocarmos uma certa quantidade de água, ali ela terá o seu tipo, a sua única cor e o seu único sabor, porém, se desse balde tirarmos cem copos de água, estes representariam, neste exemplo, cem animais. Se em cada copo puséssemos uma matéria corante ou certos elementos químicos, dando àquelas diferentes águas outras qualidades diferentes, quando despejássemos todos esses copos no balde evidentemente aquela água não seria a mesma de antes, pois estaria muito modificada. A água modificada representa as experiências colhidas pelos diferentes animais».

Vem depois uma segunda encarnação da Alma Grupal, isto é, «pegamos nos mesmos cem copos, enchemo-los de água e colocamo-los em pontos diferentes, fazendo outras combinações químicas e despejando os copos no mesmo balde. A água daí resultante ficará ainda mais modificada, e as modificações irão operando-se sucessivamente. É o que, analogamente, acontece a uma Alma Grupal. À medida que os animais vão acumulando experiências, a sua Alma Grupal vai se bipartindo, fragmentando, e assim uma Alma Grupal pode dividir-se em duas Almas Grupais de Mónadas com experiências específicas. Se na primeira Alma Grupal houvesse 100 Mónadas e ela se bisseccionasse, haveria 50 Mónadas em cada Alma Grupal, cada qual colhendo experiências de um tipo diferente. Depois, se essas duas se bisseccionassem novamente, teríamos quatro Almas Grupais cada qual com 25 Mónadas. E assim sempre fraccionando-se até chegar ao ponto de animal doméstico, em que este tem uma alma só, porém, ainda ligada à Alma Grupal, a qual continua recolhendo as suas experiências».

O Karma presidente à evolução dos quatro Reinos é essencialmente o mesmo, no sentido em que todos trazem débitos do Passado que tanto podem ser de sofrimento como de felicidade.

Por isso, numa mesma Alma Grupal, um cão pode ser um vadio sem eira nem beira cuja vida faz jus ao seu nome animal, e um outro ser um mimado rodeado de afagos. Ambos colhem experiências, um mais de sofrimento e outro mais de felicidade, e quando voltam à mesma Alma Grupal levam a sua respectiva contribuição.

A Lei é Justa, Perfeita e Sábia, e daí também devemos tirar lições para nós, humanos, principalmente em relação aos animais, partículas de vida a quem devemos amor impessoal sem idolatrias que possam, por exagero emocional, afectar o Arquétipo ou Alma Grupal Animal e com isso prejudicar a sua evolução.

evolução

Os animais encarnam mas não reencarnam. A evolução progressiva de um canino, por exemplo, é: lobo, raposa e cão. Por sua natureza agressiva e carnívora, o lobo e a raposa matam e devoram os seus semelhantes mais fracos, por necessidade natural, e quando o excesso assassino inatural se impõe, o Karma vai impassivelmente registando todos os seus actos. De sorte que, quando a raposa encarna como cão, este pode ser um vadio abandonado, pagando assim o seu karma, ao passo que outro, presumivelmente não tendo sido um lobo ou uma raposa de excessos assassinos, ou por ter resgatado nessa etapa as suas dívidas mais pesadas que o Karma da Alma Grupal lhe impôs, portanto não trazendo mau karma, irá viver uma vida de afagos e mimos entre os humanos.

Cabe, pois, compreender que os animais também têm karma. O gato antes de o ser já havia sido leão, tigre e leopardo, sendo os seus débitos então contraídos processados de maneira idêntica aos do cão: gato mimado ou gato vadio, residindo a decisão no seu karma em posse da Alma Grupal, dirigida pelo respectivo Buda Perfeito ou Realizado.

Há ainda grupos de espécimes animais que passam por fases transitórias ou de vivenciação de experiências anteriores não devidamente assimiladas. São grupos estéreis, não reproduzíveis, como é o caso da mula híbrida, que antes de o ser fora burro e agora recapitula essa fase antes de passar ao estado de cavalo.

Acerca desse assunto quase desconhecido das espécies intermediárias, o Professor Henrique José de Souza proferiu no seu Livro do Loto (Carta-Revelação de 15.07.1951):

«Como foi dito anteriormente, entre uma classe e outra figuram os chamados INTERMEDIÁRIOS, ou metade de um Reino e metade de outro. Haja vista: Gnomos, Sereias ou Ondinas, estas positivamente “humanas e animais ou peixes”, e assim por diante. No Plano visível ou material, nós vemos animais, por exemplo, com essa dupla feição e vida, como sejam: os pinguins, as focas, etc. E até os pássaros, cópia fiel dos peixes: penas em lugar de escamas, barbatanas (dos peixes) em lugar de asas (dos pássaros). E assim por diante.»

Se o Reino Humano está sob a direcção de ASTAROTH e o Animal de KARUNA, o Angélico ou 5.º Reino Espiritual é dirigido por ARDHA-NARISHA na pessoa de AKDORGE, já hoje o REI DO MUNDO (Melkitsedek ou Chakravarti), por ser o mais próximo da Divindade ou LOGOS PLANETÁRIO, sendo como que a Personalidade para a Individualidade.

Todos os Reinos da Natureza estão repartidos em 7 Tipos ou Classes animadas por 7 Fluxos Vitais ou Raios de Vida emanados do Logos Planetário, que diferenciam e dirigem essas 7 Classes evoluintes, do Mineral ao Arqueu, conferindo o seu tom e colorido à Vida em desenvolvimento. Se um animal pertence actualmente ao 5.º Raio, isso significa que anteriormente, nos Reinos Vegetal e Mineral, ele também pertenceu a esse Raio e por ele colheu as experiências inerentes à sua Classe, vindo possivelmente a ser um homem de 5.º Raio quando penetrar o Reino Humano.

Como todas estas Linhas de Evolução atravessaram os vários Reinos da Natureza, cada uma delas culminou o seu trajecto, Reino a Reino, num tipo inexcedivelmente perfeito da sua categoria. Como resultado, existem pedras preciosas, plantas e animais «encabeçando» a sua Espécie respectiva, permutando com os seres humanos do seu Raio uma benéfica influência magnética. Um diamante nunca brilhará tanto como no diadema de um chefe, o rubi num religioso, a safira num instrutor. Um cavalo a ninguém obedecerá com maior submissão do que a um velho médico, ungido dos conhecimentos das leis da Natureza. Se o dono de um cão for um devoto sincero de sua causa, não importa qual, o animal terá encontrado o seu deus; um gato encontrá-lo-á num diplomata, rodeado de conforto e etiqueta.

Em resumo, a tabela seguinte predispõe a ligação simpática ou afim dos 7 Raios de Luz Divina aos tipos principais dos 4 Reinos da Natureza:

A) DOMINGO – SOL – OURO – SÂNDALO – SIRIEMA – ALQUIMIA

B) 2.ª FEIRA – LUA – PRATA – JASMIM – CÃO – ARTE

C) 3.ª FEIRA – MARTE – FERRO – VERBENA – GALO – POLÍTICA

D) 4.ª FEIRA – MERCÚRIO – AZOUGUE – CRAVO – CERVO – MECÂNICA

E) 5.ª FEIRA – JÚPITER – ESTANHO – AÇAFRÃO – RAPOSA – LITERATURA

F) 6.ª FEIRA – VÉNUS – COBRE – MIRRA – JAGUAR – FILOSOFIA

G) SÁBADO – SATURNO – CHUMBO – ALECRIM – ANTA – TEURGIA

↑↓

1.º RAIO PLANETÁRIO (LARANJA) – CARBÚNCULO – GIRASSOL – LEÃO – SABER

2.º RAIO PLANETÁRIO (VIOLETA) – AMETISTA – BONINA – GATO – BELEZA

3.º RAIO PLANETÁRIO (VERMELHO) – RUBI – ESTORAQUE – LOBO – BONDADE

4.º RAIO PLANETÁRIO (AMARELO) – TOPÁZIO – GARDÉNIA – MACACO – PUREZA

5.º RAIO PLANETÁRIO (PÚRPURA) – RUBINA – MAÇÃ – ELEFANTE – RIQUEZA

6.º RAIO PLANETÁRIO (AZUL) – SAFIRA – ALFAZEMA – TOURO – VENTURA

7.º RAIO PLANETÁRIO (VERDE) – ESMERALDA – ALECRIM – CABRA – SUBLIMAÇÃO

SETE ANIMAIS

Posto tudo quanto se deve dizer, resta terminar reiterando o pedido insistente de que os nossos irmãos menores, os animais e demais Reinos subhumanos, merecem o nosso inteiro RESPEITO, AMOR e COMPREENSÃO. Pois que fique bem gravado que o homem só será realmente Homem quando essas Vagas de Vida alcançarem a individualização consciencial através do seu apoio directo, pelo entendimento real de que o Deus que palpita nele é o mesmo que pulsa em toda a Natureza, ficando assim demonstrado que a Sua Criação é bem maior do que pressupõem os limitados sentidos físicos!… Amar e defender aos seus irmãos menores, só se nutrindo deles nos limites da lei natural da necessidade, não os fazendo sofrer desnecessariamente, é quanto a condição humana necessita para puder alcançar esse estado ideal de FRATERNIDADE UNIVERSAL entre tudo e todos, e finalmente o Reino de Deus seja restaurado sobre a Terra.

OBRAS CONSULTADAS

Henrique José de Souza (JHS), Livro do Loto, 1951.

Laurentus, Ocultismo e Teosofia. Edição Sociedade Teosófica Brasileira, Rio de Janeiro, 1966.

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