Se bem que a Maçonaria Especulativa assente as suas bases exclusivamente no sexo viril desde que foi fundada em 24 de Junho de 1717, dia de São João Baptista, na Inglaterra com a reunião de quatro Lojas formando a Grande Loja de Londres, e a efectiva presença feminina na mesma seja algo bastante tardio (aparte a iniciação de madame Elizabeth Aldworth em 1732, na Irlanda, o que deixa subentender a presença de senhoras na Franco-Maçonaria já no século XVIII, mas cujo registo não transparece), praticamente nos finais do século XIX (com a iniciação em França de Marie Deraismes, em 14 de Janeiro de 1882, posterior à fundação em Portugal, em 1881, da Loja Feminina “Filipa de Vilhena”, da Maçonaria de Adopção inscrita no Grande Oriente Lusitano Unido, precursor do Grande Oriente Lusitano que é a segunda potência maçónica mais antiga do mundo (1802), mas já antes a Marquesa de Alorna tendo sido iniciada maçona na Loja “Virtude” de Lisboa, em 1814), e isso por motivo mais laico e político que filosófico e metafísico, com a Mulher aparentando ter um papel subalterno quase marginal no seio da mesma Maçonaria, sempre alheada do Rito dos homens, acontece que tal ideia quase universalmente aceite no meio maçónico, ou pelo menos na maioria dos ritos, é completamente estranha à verdade original.

Elizabeth Aldworth (1732)

Primeiro de tudo, dando início à resposta aos amigos e amigas pertencentes a essa corrente de Tradição que me solicitaram este estudo, devo recordar que a Divindade Primordial entre os povos antigos era Feminina, tratando-se da Grande Deusa-Mãe como a consignavam os habitantes neolíticos da Estremadura ibérica, reconhecimento prolongando-se até à Europa Central.

Deusa agrária por suas qualidades de fecundação, propiciadora de boas semeaduras e colheitas, e também Deusa parturiente dando a vida e a saúde às criaturas, era, enfim, a incarnação da Força Fecunda da própria Mãe-Terra (Mater-Rhea ou Matéria). A Ela os lígures, celtas e lusitanos ergueram menires de formato fálico, atribuindo-lhe a fecundação que do Seio aflora à Terra inteira. A Ela os hindus neolíticos levantaram iguais pedras fálicas, a que chamaram shivalingas. Assume-se assim a Grande Mãe Criadora – Maha-Shakti – da Natureza viril por sua Força Ígnea – Kundalini – geradora e encausadora das vidas e das formas. Os cristãos haveriam de A conclamar Nossa Senhora da Conceição, isto é, a Concepção da Natureza inteira da qual é Alma. Sem Ela por certo nada haveria, nada existiria…

Portanto, a Divindade mais próxima ao Homem que a Ela deve a existência é, antes de tudo, MULHER, e este é predicado de ESPÍRITO SANTO, o que A associa à Shekinah ou “Presença Real de Deus” no mais sublime dos Tabernáculos, Sanctum-Sanctorum da Mãe-Terra, ou seja, o “Jardim das Delícias” tanto bíblicas como corânicas, para todo o efeito, AGHARTA.

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Todo o peregrino da vida que sobe uma Montanha em busca da Luz, acaso já pensou que essa Montanha é feminina e a Luz também? A Luz Celeste se manifesta por sua protuberância física que é toda a Montanha consignada Sagrada sinónima de Iniciação Real.

Por outras palavras, FOHAT como Luz da Mãe Divina que é o Segundo Logos, se corporifica como Filho na Força de KUNDALINI que é o Terceiro Logos. A Mãe se projecta no Seio da Terra e o Filho se eleva ao Cume do Céu. Eis a razão de, iconograficamente, a Virgem Eterna trazer sempre no regaço ao Divino Filho.

Assim, a subida da Montanha assume a equivalência da Scalae Coeli (“Escada do Céu”) que une a Terra ao Céu e por onde descem e sobem os Anjos (Gén., 28:10-22), sinónimo de demanda do Divino na Terra e da Terra ao Divino convertendo-se a Escada em Cruz e com esta, “carregando-a”, faz-se a assunção ao pico celeste: “Toma a tua Cruz e segue-me” (Mt., 10:38), quer dizer, segue-me para o Céu, evocação da plenitude divina e humana de Cristo, mas também equivalente, Scalae Coeli, da plenitude humana e divina de Maria. De maneira que a Senhora estando junta da Escada é Nossa Senhora da escada do Céu, a Cruz, áxis mundi do estado vivencial interior da Cristandade em um e devendo ser todos, para que seja efectivamente a Escada de Deus, Scalae Dei, e por ela, com toda a segurança de corpo e alma se suba certo de que é a Escada para o Céu, ou Scalae Paradisi, meta última suprema de todo o verdadeiro Kadosh ou “Consagrado”, em hebreu.

Scalae Coeli remete ainda para a Escada de Jacob, como a Bíblia descreve a sua revelação em sonho profético ao patriarca de Israel: a Escada unindo a Terra com o Céu por onde subiam e desciam os Anjos, ela é assim o Antahkarana ou elo de ligação entre o Divino e o Terreno. A teologia patrística, por via da hermenêutica, interpretou tal sonho profético ou jina como sendo prefiguração do Mistério da Incarnação e da Assunção (Pravritti e Nivritti Margas), partindo da perícopa joanina: “Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem” (Jo., 1:51). A ampliação exegética e hermenêutica levou a considerar que Deus desceu ao lugar do sonho, aí instituindo a Bethel, a “Casa de Deus”, Domus Dei, título que se atribui ainda a Maria, porque o seu ventre foi a primeira Casa de Deus no Mundo incarnado, o primeiro Altar, o primeiro Sacrário, onde o Senhor se expôs, real e presente, à adoração da Humanidade.

Na mesma correnteza de pensamento, todo o Assura da Obra Divina de AKBEL tem a sua Consciência Superior como Makara, e todos os Makaras e Assuras constituem o Corpo de MAITREYA, o Cristo Universal, cuja Alma boníssima é a própria LAKSHAMI, a Mãe Divina, que é também Maria, à destra de seu Fruto Bendito, o Senhor do Amor-Sabedoria trazendo consigo todos os tálamos de Esperança e Redenção, e a quem Ela cobre com o seu cerúleo manto azul do Akasha preenchendo o firmamento.

Hominis postrate: o Siderius Crucis, Ave Maris Stella!

Os Grandes Avataras todos Eles tiveram as suas Contrapartes, assim se manifestando como Deva-Pis ou GÉMEOS ESPIRITUAIS: Akenaton e Nefertiti, Krishna e Krishnaya, Budha e Mayadevi, Cristo e Maria, HENRIQUE e HELENA, etc., etc.

No seio da própria Shuda-Dharma-Mandalam, a Grande Fraternidade Branca, sendo o modelo primordial de todos os demais Institutos credenciados pela Tradição Iniciática das Idades, os próprios Adeptos possuem as suas Contrapartes femininas, e vice-versa, para que Kartri (Criador) tenha sempre efectivação por Shakti (Criadora). De maneira que elas são as Grandes Mães da Humanidade como Shaktis Primordiais dos 7 Raios de Luz do Eterno, Deus Único e Verdadeiro – o Logos Solar, reconhecido como VISHNU, por uma parte, ou como CRISTO UNIVERSAL, por outra, para todo o efeito, a Segunda Hipóstase ou Aspecto AMOR-SABEDORIA do ANDRÓGINO PRIMORDIAL do Segundo Trono, Logos ou Mundo Intermédio, o Céu. Adianto que tal Fraternidade dos Superiores Incógnitos do Mundo é a mesmíssima Maçonaria Universal Construtiva dos Três Mundos, a dos Traixus-Marutas dirigindo os 22 Templos de Agharta, ou melhor, 21 Templos para um 22.º Central, Shamballah, o LABORATÓRIO DO ESPÍRITO SANTO donde o Rei e Rainha de Melki-Tsedek, Chakravartin e Chakravartini, dirigem os destinos do Mundo.

Das 49 “Flores da Maternidade” como Mães dos 49 Adeptos Independentes concebidos pelos 7+1 atributos de Kundalini ou o “Fogo Criador do Espírito Santo”, há 7 mais 3 que se destacam na Obra do Eterno levada a efeito no seio da Hierarquia Oculta e que ocupam lugar destacado nas páginas ilustres da augusta História da Obra realizada pela TEURGIA/TEOSOFIA Luso-Brasileira desde 1899. Muito parcialmente, deixo aqui o esquema seguinte das SHAKTIS Primordiais e das MÃES Universais, em conformidade aos SETE RAIOS de Luz como os depreende a Ala Feminina da ORDEM DO SANTO GRAAL, a ORDEM DAS FILHAS DE ALLAMIRAH (“Os Olhos do Céu” ou “O Olhar Celeste”):

As 7 Mães

As Grandes Mães são, hoje mesmo no primeiro domingo do mês de Maio em sessão branca ou flanqueada a convidados não maçons, homenageadas na Maçonaria no dia comemorativo das Mães terrenas (dia do Sol, domingo, em Taurus/Vénus, Maio, expressando a Mulher Iluminada), para todos os efeitos, expressivas das Mães celestes que têm a sua maior e mais sublime figuração nas Excelsas Mahatmas. Nessa data, o Templo maçónico deve estar ornamentado com a pompa possível, havendo o cuidado de evitar exageros para não se conciliarem com a solenidade da magna comemoração. Ao lado do Altar dos Juramentos deve estar posta uma coluna ou mesa pequena com um vaso ou recipiente próprio para receber as flores (rosas) destinadas às Mães que partiram para a Eternidade. Ainda no Oriente do Templo será colocada uma poltrona (“trono”), em lugar de destaque, para a Mãe presente mais idosa. São providenciadas rosas vermelhas e brancas suficientes para que cada Dama receba uma branca (pureza) e duas vermelhas (vida), e cada Irmão e profano receba uma branca e uma vermelha. Isto significa a Pureza de Vida pela Mulher inspirando o que recebe menos flores, ou seja, norteando os seus passos na Pureza de Vida. Expressa a Grande Educadora.

Mesmo numa sociedade patriarcal como foi a europeia medieval, a mística do Feminino impôs-se por via do culto tanto a Shekinah, como a Maria ou a Fátima, e logo, de maneira subtil, a primitiva sociedade matriarcal atlante urge, e mesmo se impõe, ao «império dos homens». Assim observa-se a admissão das mulheres à Iniciação, e mesmo virem a ser mais que Iniciadas, elas mesmas Iniciadoras. De maneira que se tinha na antiga Ordem do Templo as Templárias, vivendo próximas aos Templários e sendo a retaguarda auxiliadora destes; o mesmo acontecia com as monjas do Islão, onde os Assacis possuíam declarado apoio feminino, tanto humano como espiritual por parte dessas fatmas do Corão messiânico, sufi, e neste sentido escreveu Jean Reynor (in Initiation Féminine et Franc-Maçonnerie. Revista Études Traditionnelles, n.º 357, Janeiro/Fevereiro de 1960) reconhecendo sabedoria e santidade às mulheres iniciadas do Cristianismo e do Islão, “graças a Iniciações no interior de certas Ordens monásticas femininas, […] Iniciações comuns aos dois sexos”, fazendo recuando a Iniciação Feminina à própria Cavalaria Espiritual da Ordem do Santo Graal, cujas Damas e Sacerdotisas, aparelhando em conjunto com os Cavaleiros e Sacerdotes, eram certamente muitíssimo mais “do que as beatas de simples exoteristas”, sim, porque também eram Sibilas e Oráculos dos respectivos Arautos ou Profetas.

Isso registou-se na admissão à própria Ordem de Cavalaria, gizada por Carlos Martel e regulamentada por Raimundo Lúlio, e apesar de marcial e viril exclusiva a homens nobres e bravos, foi a Iniciação Cavaleiresca igualmente Iniciação Mariana ou Senhorial, por o proposto à armação se consagrar a Santa Maria e ser consagrado por uma Rainha ou Dama distinta, que lhe impunha o gládio sobre a cabeça e os ombros sagrando-o, só após sendo efectivamente reconhecido armado Cavaleiro.

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De maneira que há duas correntes iniciáticas: uma histórica (mental) e patriarcal, outra espontânea (intuicional) e matriarcal, o que levou à separação dos sexos resguardados em casas próprias a cada qual, em princípio para distinguir essas duas correntes e depois, com a perda crescente do sentido iniciática da Tradição Primordial e o aumento da profanidade mesmo entre religiosos, para evitar tentações carnais, cuja órbita no passional impede sempre a marcha para o Divino!… Apesar disso, a forma mais correcta da operática esotérico será sempre a de homens e mulheres presentes juntos a um mesmo Altar, como acontece na Ordem do Santo Graal, pelo que a Maçonaria Mista ou Andrógina é a expressão mais perfeita de todas, tanto mais que ritos de homens ausentes de mulheres, e vice-versa, não raro, por Fohat estar apartado de Kundalini e esta isolada de Fohat, provocando anomalias de cariz sexual, impondo-se neles um mental volitivo, feminino ou emocional, expresso por actos dessa natureza, e nelas um mental fixo, masculino ou intelectual, expressando-se por atitudes másculas.

Deverá haver sempre um par de sexos desiguais em qualquer rito de qualquer espécie de prática espiritual verdadeira, para que a mente e o coração não andem desavindos um do outro e a Sabedoria do Homem aparelhe com o Amor da Mulher, e juntos sejam a semente da Vontade Criadora de uma Nova Humanidade, de uma Nova Alma que conduza à transformação de vez da Sociedade para o Bem, o Bom e o Belo.

Em relação com isso, escreveu René Guénon (in Initiation et Réalisation Spirituelle. Éditions Traditionnelles, Paris): “As duas cadeias iniciáticas. – Uma é histórica, a outra espontânea. A primeira comunica-se nos Santuários estabelecidos e conhecidos, sob a direcção dum Sheikh (Guru) vivo, autorizado, possuindo as chaves do Mistério. Tal é El-Talîmurrijâl, a instrução dominical ou dos homens. A outra é El-Talîmur-rabbânni, a instrução senhorial que me permito chamar “Iniciação Mariana”, porque foi essa que recebeu a Santa Virgem, a Mãe de Jesus, filho de Maria. Nesta há sempre um Mestre, mas ele pode estar ausente e mesmo já ter falecido há muitos séculos. Nesta Iniciação retira-se do Presente a mesma substância espiritual que os outros tiraram da Antiguidade. Actualmente ela é muito frequente na Europa, pelo menos em seus graus inferiores, mas quase desconhecida no Oriente”.

Além da vertente mística e filosófica, a profissional também foi exercida no campo operático da Idade Média, sim, como Maçonaria Operativa Feminina, onde mulheres construtoras incorporavam as guildas, agremiações operativas de pedraria e carpintaria vocacionadas ao trabalho de construção de catedrais, onde muitas vezes a presença feminina fundiu operativismo com corporativismo. Sobre isto e apesar de referir-se exclusivamente aos módulos da iniciação artesanal por herança doméstica, Paul Naudon observa (in Les origines religieuses et corporatives de la Franc-Maçonnerie, Paris, Dervy, 1953): “As mulheres eram admitidas à Mestria em dois casos bem distintos. De uma parte, certos ofícios eram exclusivamente compostos de mulheres (fiadoras de seda, trabalhadoras de tecidos de seda); em alguns outros ofícios as mulheres eram admitidas à Mestria em concorrência com os homens (remendões, trabalhadores em linho, criadores de galinhas). Por outro lado, as viúvas eram em geral autorizadas a continuar no ofício do marido falecido. Presumia-se, então, que tivessem adquirido uma suficiente experiência profissional”.

Mas houve mais que isso. Por Lionel Vibert (in La Franc-Maçonnerie avant l’existence des Grandes Loges, Paris, Gloton, 1960), sabe-se que na guilda dos carpinteiros de Norwich (por volta de 1375), à qual estavam ligados os maçons (pedreiros), “os Irmãos e as Irmãs deviam orar juntos do dia da Ascensão”. Por outro lado, é tradição que a filha do mestre-de-obras da catedral de Estrasburgo, Sabina de Steinbach, trabalhou na guilda dos maçons daquela cidade e esculpiu as estátuas do portal meridional da catedral, tendo com o seu marido, o mestre maçom Bernard de Sunder, trabalhado num grupo de estátuas da catedral de Magdeburgo (in Louis Lachat, La Maçonnerie opérative, p. 150, e sobretudo Le Magasin Pittoresque, p. 171, 1845).

Por fim, existe um texto de importância capital (em geral passado em silêncio pelos historiadores maçons) que é conhecido sob o nome de Manuscrito Inglês de 1693, pertencente à York Lodge n.º 236. A propósito da iniciação de um novo maçom, declara esse texto: “Um dos mais antigos toma o Livro; esse ou essa que se vai tornar maçom, põe a mão sobre o Livro e, em seguida, são dadas as instruções. Todo o maçom deve estar atento a isto”.

Apesar de todas essas provas flagrantes da presença feminina no operativismo filosófico e prático maçónico, tem-se que James Anderson (1679-1739), o organizador da Maçonaria Especulativa por via do seu Livro de Constituições que logo se tornaria a “bíblia” maçónica, escreveu nessa obra que dedicou a uma mulher, a Sr.ª Lagard: “As pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens de bem e leais, nascidos livres, de idade madura, circunspectos, nem servos, nem mulheres, nem homens sem moral, ou de conduta escandalosa, mas de boa reputação” (in James Anderson, Constitutions de 1723, artigo III). Convém lembrar, a propósito, que René Guénon e outros autores acusaram Anderson de haver feito desaparecer, voluntariamente, grande número de textos antigos. Os textos que mencionassem a presença de mulheres na Maçonaria Operativa, não poderiam estar entre esses?

Com tudo isso, mesmo assim vieram a constituir-se Lojas Femininas, a chamada Maçonaria de Adopção, no século XVIII, divagando muitos autores recentes, como Oswald Wirth (in Le rituel féminin, revista Le Symbolisme, n.º 219, Julho de 1937), sobre o que se exerceria nessa Lojas de Adopção do Antigo Regime por volta de 1770, nos quais se encontravam “alguns rituais diferentes dos rituais masculinos, mas visivelmente criados para lembrar o seu carácter simbólico, misterioso e educador” (in Gaston-Martin, Manuel d’histoire de la Franc-Maçonnerie française, Paris, 1929).

A criação da Maçonaria de Adopção deve-se a duas Preclaras Adeptas das mais insignes que o mundo já conheceu: Serafina Feliciani e Lorenza Feliciani. A primeira, aparelhando com o seu divino Consorte, o Conde de Cagliostro (AKADIR), ambos vindos de LUXOR, no Egipto, para Lyon, na França, fundaram o RITO ANDRÓGINO ou COPTA, juntando 12 senhoras e 12 senhores num mesmo Templo e ao mesmo tempo. Dessa Loja “SABEDORIA TRIUNFANTE”, nascida da antiga “A SABEDORIA” (1786), a TEURGIA do Insigne Casal veio a inspirar a abertura masculina à adopção de mulheres na Maçonaria.

Na retaguarda desse havia outro Casal cuja missão era juntar o Operático Teúrgico ao Entendimento Místico, antes, Teosófico: Lorenza Feliciani e o Conde de Saint Germain (LORENZO), provindos de KALEB, na Líbia, para Paris, na França, aí implantando a ROSACRUZ ANDRÓGINA.

Lorenza

Lorenza Paola Domiciani

Ambos os Casais em breve estenderiam a sua influência a Portugal, sabendo-se da presença de Cagliostro e Serafina em Lisboa em 1787, instalados no Café Central da Rua de Remolares, ao Cais de Sodré, que albergava a Loja “Heréticos Mercadores”, epíteto malfazejo dado pela inquisição aos maçons protestantes britânicos e irlandeses da mesma, apodo mal-grato prontamente acolhido e espalhado pelo intendente Pina Manique através dos seus “cães de fila”, e que assim mesmo passou aos manuais da História da Maçonaria em Portugal, mas o seu verdadeiro nome oculto seria: Loja dos “MESTRES HERMÉTICOS”.

Já Saint Germain, o Conde de Fénix (confundido com Cagliostro, o Conde de Lyon), esteve em Lisboa em 1788 e sabe-se ter estado ao largo de Setúbal, quiçá defronte à Serra da Arrábida, a bordo da fragata inglesa “FÉNIX” onde terá realizado várias “Iniciações Molhadas”, inclusive com a presença de senhoras, uma delas, possivelmente, a Marquesa de Alorna (ALCIPE).

Natália Correia (in Programa Mátria, n.º 10, 1988, Arquivo da Radiotelevisão Portuguesa, Lisboa) informou que a Marquesa de Alorna havia fundado a Sociedade da Rosa, “uma Ordem Maçónica mista, em que os Irmãos eram os Cavaleiros da Rosa e as Irmãs as Ninfas da Rosa”, sublinhando que “o marido (da Marquesa), tal como o seu primo, o Conde de Lippe, eram Maçons”. De maneira que, ainda segundo Natália Correia, “a primeira mulher ligada em Portugal à Maçonaria não é a Viscondessa de Juromenha, D. Maria da Luz, iniciada na Loja Virtude, de Lisboa, em 1814, mas a Marquesa de Alorna, aliás apontada […] por José Agostinho de Macedo como fundadora da Maçonaria das Damas” (in Jorge Morais, Bocage Maçom. Via Occidentalis Editora Lda., Lisboa, Fevereiro de 2007).

Mas será só em 1881 que levanta colunas em Lisboa a primeira Oficina maçónica feminina (uma “Loja de Adopção”, por ser constituída sob o patrocínio e no âmbito de uma Obediência masculina): a Loja “Filipa de Vilhena”, que trabalharia sucessivamente sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano Unido, da Grande Loja dos Maçons Livres e Aceites de Portugal e da Grande Loja Departamental Fortaleza do Grande Oriente de Espanha (in Jorge Morais, Com permissão de Sua Majestade. Via Occidentalis Editora, Lda., Outubro de 2005). Em 1885 essa Loja do Rito de Adopção abateu colunas, ou seja, cessou a sua actividade.

Em 1904 levantaram colunas em Lisboa, isto é, iniciaram actividade maçónica sob os auspícios do Grande Oriente Lusitano Unido, as Lojas do Rito de Adopção “Humanidade” e “Oito de Dezembro”, sendo na primeira dessas que será iniciada (em 1907) Adelaide Cabete (com o nome simbólico Louise Michel). Anos depois, em 1923, as Lojas Femininas do Rito de Adopção abandonam o Grande Oriente Lusitano e Adelaide Cabete, Venerável Mestra da Loja “Humanidade”, onde atingiu o 18.º Grau, pede e obtém filiação no movimento internacional da Maçonaria Mista, Le Droit Humain. Ao longo dos três anos seguintes, outras seis Lojas portuguesas (de Lisboa, Alcobaça, Portalegre e Beja) filiam-se no Droit Humain, constituindo uma Jurisdição Portuguesa presidida por Cabete (Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete, Alcáçova, Elvas, 25.1.1867 – Lisboa, 14.9.1935).

Túmulo de Adelaide Cabete, Cemitério Alto de S. João, Lisboa

Em 1926, perseguida pela Ditadura Militar a Maçonaria Portuguesa passa à clandestinidade e a Jurisdição no País de Le Droit Humain cessa actividade, com as suas sete Lojas abatendo colunas. Só em 1980 tornaria a levantar colunas em Lisboa a Loja Mista “Humanidade”, logo reiniciando os contactos com o Movimento Le Droit Humain, “O Direito Humano”, que é a Comaçonaria ou Ordem Maçónica Mista Internacional fundada em França cerca de 1882 por Georges Martin, após a Loja “Les Libres Penseures”, do Rito Escocês Antigo e Aceite, ter iniciado uma mulher, Marie Deraismes, que ficaria como principal referência da moderna Iniciação Maçónica Feminina.

Finalmente, em 27 de Março de 1996 é constituída a Grande Loja Feminina de Portugal, de obediência adogmática e cariz liberal. Embora não dispondo de Templo próprio, como informa Jorge Morais, algumas das suas Oficinas funcionam nas instalações e Templos do Grande Oriente Lusitano. Serão Grã-Mestras Maria Manuela Cruzeiro, Júlia Maranha, Maria Helena Carvalho dos Santos e Maria Belo. Essa Grande Loja nasceu da união de três outras Lojas: a Loja “Unidade e Mátria”, fundada em 1983 em Lisboa, a Loja “Lusitânia”, fundada em 1988 em Lisboa, e ainda a Loja “África”, também fundada em Lisboa.

Em Novembro de 2009 fundou-se em Portugal a primeira Ordem Maçónica Feminina do Rito Antigo e Primitivo Memphis-Misraim. Denominada Loja “Ísis”, instalada em Lisboa, é composta exclusivamente por mulheres que praticam o Rito Egípcio, com forte intensidade esotérica.

Annie Besant, Mestra Maçona na Comaçonaria

Apesar da Franco-Maçonaria não possuir qualquer tipo de doutrina e tão-só um vasto corpo de simbologia que fica ao cuidado de cada um interpretar segundo as suas capacidades mentais, de acordo com a sua evolução interior, a verdade é que é esse mesmo simbolismo acaba sendo a prova cabal de ter havido originalmente uma doutrina velada por esse mesmo corpo simbológico, doutrina essa certamente iniciática do conhecimento de homens e mulheres alumiados pelo Espírito. É ao retorno a essa Luz que a Maçonaria deve encaminhar os seus afiliados, e isso só será possível quando se eliminarem de vez as escórias psicossociais de interesses políticos pelo poder temporal e onde os intervenientes, por mais destacados acaso podendo ser na hierarquia maçónica, não raro têm comportamento abaixo do mais mísero profano, e isto por duas razões que vão dar numa terceira: 1.ª) ignorarem ou esquecerem que Maçonaria é sobretudo um Colégio de Iniciação Espiritual, e para se ser Iniciado verdadeiro tem que ser-se verdadeiramente Espiritualista; 2.ª) colocarem as mulheres numa posição subalterna relativamente à hierarquia maçónica, mesmo as maçonas, e estas acabarem aceitando essa condição e adoptarem os mesmos vícios dos homens, tanto psicomentais, como só emocionais e físicos; 3.ª) por levarem a política ao interesse próprio e não da colectividade, por adoptarem a filosofia dialéctica invés da dialéctica da Teosofia, e assim se ficando, quase na generalidade, pela aceitação do simbolismo como elemento decorativo secularizado e assumido costume lúdico, tudo isso levando um Instituto Espiritualista a converte-se em “laico e materialista”, certamente para desgosto dos seus Augustos Antepassados, os Superiores Incógnitos, os Encobertos KADOSH dirigentes da marcha sublime da Evolução Humana.

Para terminar, passo a descrever o resumo do Ritual da Loja Mista La Candeur (“A Candura”) do Oriente de Paris, 1779, nos três Graus da Maçonaria Azul, ou sejam Aprendiza, Companheira e Mestra, e nos dois posteriores, Mestra Perfeita e Eleita Escocesa.

Os Dignatários da Loja de Adopção, eram: um Grão-Mestre, uma Grã-Mestra; um Irmão 1.º Supervisor, uma Irmã Inspectora; um Irmão 2.º Supervisor, uma Irmã Depositária; um Irmão Orador; uma Irmã Tesoureira.

Como disse, havia cinco Graus: a Aprendiz Maçona; a Companheira; a Mestra; a Mestra Perfeita e a Eleita Escocesa.

A Loja do Grau de Aprendiza representa as quatro partes do Mundo: a Europa, a Ásia, a África e a América.

O Venerabilíssimo senta-se na Ásia, tendo diante dele um altar. A Grande Inspectora está à sua direita; veste-se de branco. O Venerabilíssimo acrescenta às suas vestes ordinárias uma faixa azul, de cuja parte inferior pende um martelo na forma de T.

Traz o chapéu na cabeça, segura uma espada com a mão esquerda e uma trolha com a mão direita. Sobre o altar encontra-se um vaso contendo pasta para pôr o selo da discrição, com a ajuda de uma trolha que deve estar dentro do vaso. À abertura da Loja, o Venerabilíssimo pergunta à Grande Inspectora:

P. – Quais são os deveres de uma Perfeita Maçona?

R. – Amar, socorrer, proteger e respeitar as suas Irmãs e Irmãos, sobretudo no infortúnio.

O Venerabilíssimo diz: “Continuemos, portanto, a nos amar, proteger e socorrer-nos mutuamente em todas as ocasiões”.

Bate cinco vezes, repetindo cinco vezes: Eubolos (do grego, Prudência)!

A Loja está aberta.

Para se receber uma mulher no Grau de Aprendiza, põe-se a recipiendária numa câmara escura. Uma Irmã, colocada junto dela, prepara-a para resistir com firmeza às terríveis provas por que vai passar. Em seguida, tira-lhe a liga da meia esquerda e põe no lugar uma outra de fita azul; tira-lhe a luva direita, arregaça-lhe a manga direita e cobre-lhe os olhos com uma venda.

Assim feito, a Irmã apresenta a recipiendária à porta do Templo, na qual bate cinco vezes.

Após lhe perguntar o nome, a idade, a qualidade da postulante e se ninguém se opõe à sua admissão, o Venerabilíssimo diz então: “Levai-a à Câmara do Segredo e fazei-a passar pela prova da Serpente venenosa; em seguida, introduzi-a na Loja”.

A recipiendária é conduzida à Câmara de onde foi retirada e na sua mão esquerda é colocada uma serpente figurada.

Em seguida, a Irmã a reconduz à Loja e a entrega nas mãos do Grande Inspector, após haver batido na porta.

O Inspector deixa a recipiendária no meio do Templo e vai colocar-se à esquerda do Venerabilíssimo, dizendo-lhe: “É a Senhora que deseja tornar-se Maçona”. Pergunta então o Venerabilíssimo: “É de vossa livre e espontânea vontade, Senhora?” Após a resposta da recipiendária, pergunta-lhe: “Reflectistes bem, antes de vos decidir a entrar para uma Ordem tão respeitável?” Após a resposta, pergunta ainda: “Não vos aconteceu algum dia acreditar que os Maçons estão sujeitos a vícios infames, contrários à virtude e à probidade?” Após a resposta, volta-se para o Irmão Inspector e diz-lhe: “Irmão Inspector, fazei a recipiendária passar sob a abóbada de aço; em seguida, levai-a a viajar do Norte ao Ocidente, fazendo-a passar severamente pela prova do fogo”. O Inspector leva-a a viajar três vezes do Norte ao Ocidente e duas vezes em torno de dois fogaréus sobre os quais manda pôr a mão; após, anuncia: “Ela viajou”, e a faz voltar-se para o lado de um esqueleto. O Venerabilíssimo diz então ao Grande Inspector: “Fazei-a ver todo o horror de seu estado”. A venda é retirada e imediatamente os dois Irmãos Terríveis agitam os seus archotes. O Venerabilíssimo ordena em seguida: “Deixai-a reflectir por um momento sobre o seu estado actual”. Um instante depois, adianta: “Fazei-a passar da morte para a vida, conduzindo-a à Estrela do Oriente com cinco passos”. Então os dois Irmãos Terríveis voltam-na num instante, e até bruscamente, na direcção do Oriente; o Inspector manda-a dar os cinco passos na direcção do Venerável, dizendo-lhe para prestar atenção ao que vai dizer a Grande Inspectora.

Segue o discurso do Orador. – A recipiendária faz o seu juramento. Feito o juramento, o Venerabilíssimo transmite-lhe as palavras, sinais e toques.

Isso feito, o Venerabilíssimo abraça a recipiendária e diz-lhe: “Mudo a condição de Senhora para a condição de Irmã, apresentando-vos uma liga de meia na qual estão escritas as palavras Silêncio, Virtude”. Então a Grande Inspectora tira-lhe a que está usando e a substitui por esta. O Grande Inspector oferece-lhe, em seguida, as luvas e um avental brancos, como as suas vestes, dizendo-lhe: “Eu vos decoro com o avental de uma Ordem respeitável; o avental é duas vezes branco, para vos lembrar a candura que devem sempre apresentar um Maçom e uma Maçona”.

Depois disso, segue o beijo de associação de todos os Irmãos e Irmãs, com a palavra e o toque, passando, em seguida, a recipiendária ao clima da América, para ouvir a instrução que lhe é feita pelo Venerabilíssimo e a explicação do quadro colocado no meio do jardim.

No Grau de Companheira, os Dignatários são os mesmos e ocupam os mesmos lugares. Sobre a mesa do Venerabilíssimo está uma maçã artificial dentro de uma caixa; ao lado dessa caixa está um prato com maçãs; do outro lado, um vaso cheio de massa.

A Grande Inspectora conduz a candidata à Câmara de Reflexões, tira-lhe o brinco da orelha esquerda e diz-lhe: “Todo o Maçom deve desprezar os vãos ornamentos do mundo”. Cobre-lhe os olhos. Isto feito, a conduz novamente à porta da Loja, depois de haver batido cinco vezes, com batidas iguais.

O Grande Inspector pergunta: “Quem bate e o que deseja?” A Grande Inspectora responde: “É uma Aprendiza que deseja ser recebida como Companheira”. Introduzida, a Grande Inspectora manda-a fazer cinco voltas em torno da mesa diante do Venerabilíssimo; em seguida, a conduz à parte inferior da Loja, onde a Inspectora põe-lhe uma cadeia nas duas mãos, passando-a por cima do pescoço.

O Venerabilíssimo diz então: “Fazei-a ver a imagem da sedução e a origem do seu pecado, e conduzi-a, de seguida, ao Altar da Discrição”.

Após um discurso, a Inspectora manda-a fazer o seu juramento, que é o mesmo do Grau de Aprendiza. Isto feito, apresenta-lhe uma maçã e ordena-lhe: “Mordei esta maçã sem atingir a semente que é o germe e a fonte de todos os nossos vícios”. Após esta cerimónia, aplica-lhe o selo da discrição, pondo-lhe massa na boca com uma trolha, com cinco pequenos toques, e diz-lhe: “Aplico-vos o selo da Maçonaria na boca para vos fazer lembrar de jamais a abrir para divulgar os nossos Santos Mistérios”. O Venerabilíssimo limpa, em seguida, a boca da recipiendária, abraça-a e transmite-lhe as palavras, sinais e toques. O Venerabilíssimo manda, em seguida, reconhecer e aplaudir a cerimónia.

O dever das Companheiras é obedecer, escutar, trabalhar e se calar.

Para o terceiro Grau, a Loja é iluminada com treze luminárias: 7 ao Sul e 6 ao Norte.

O Inspector, instalado como nos dois Graus precedentes, tem atrás dele uma mesa, em cima da qual está uma caixa que se abre com uma mola. Essa caixa contém um coração, sobre o qual está escrito: Silêncio e Virtude. Ao lado dessa caixa, estão um pequeno maço e um pequeno formão de Maçom. A decoração para as Mestras é uma faixa de seda azul brilhante, um manto atravessado do ombro esquerdo para a direita da cintura, de cuja parte inferior pende uma trolha de ouro ou de cobre dourado.

Do mesmo modo que nos dois Graus anteriores, a recipiendária é retirada da Câmara de Reflexões, com um grande lenço no pescoço, símbolo da humildade. A Grande Inspectora introduz a candidata, depois de bater na porta e de ter respondido às perguntas feitas pelo Venerabilíssimo.

Introduzida no Templo, diz o Venerabilíssimo à Grande Inspectora: “Fazei ver à recipiendária o que deve encerrar a obra dos Maçons”. Os olhos da recipiendária são descobertos e, com cinco passos, é conduzida na direcção da mesa onde se encontra a caixa.

O Venerabilíssimo pergunta-lhe: “É da vossa livre e espontânea vontade ser recebida como Mestra e persistis na guarda do mais absoluto silêncio sobre tudo o que virdes e ouvirdes?” Após a resposta, continua o Venerabilíssimo: “Mandai-a trabalhar, Irmão Grande Inspector”. Este lhe apresenta o formão e o maço, mandando-lhe bater cinco vezes; a caixa se abre. Diz o Grande Inspector ao Venerabilíssimo: “A Irmã trabalhou”. Pergunta o Venerabilíssimo: “Que produziu o trabalho?” Responde o Inspector: “Um coração que encerra Silêncio e Virtude”.

Após o discurso do Orador, o Venerabilíssimo pergunta-lhe: “Persistis nos juramentos anteriores que haveis prestado diante de nós?” Após a resposta, o Grande Inspector a conduz ao pé do trono; ali, o Venerável recebe-a como Mestra, abraça-a e dá-lhe as palavras, os sinais e os toques que ela transmite ao Grande Inspector e à Grande Inspectora, que a abraçam e dão conta ao Venerabilíssimo.

Para encerrar os trabalhos, o Venerabilíssimo diz: “Meus Irmãos e minhas Irmãs, a Torre de Babel foi derrubada; a paz e a concórdia foram restabelecidas; ouvimos, obedecemos e trabalhamos; calamo-nos: a Loja de Mestra está encerrada”.

No quarto Grau, o de Mestra Perfeita, o trono do Venerabilíssimo está entre duas colunas de cinco pés de altura, em ferro branco. As duas colunas são unidas por um arco-íris transparente.

A coluna à direita do Mestre é cheia de orifícios na forma de estrelas, para deixar passar o brilho de uma luz que será colocada por detrás. Essa coluna representa aquela Coluna de Fogo que precedia os hebreus durante a noite, no êxodo pelo deserto.

A coluna da esquerda não é furada e representa aquela que escondia a luz do dia aos egípcios.

O altar do Venerabilíssimo deve estar colocado quase sob o arco-íris.

A recipiendária está sozinha na Câmara de Preparação, onde o Irmão Introdutor a vai buscar e fazer-lhe algumas perguntas sobre os três Graus precedentes. Pergunta-lhe, em seguida, se deseja sinceramente chegar à Perfeição. Após a sua resposta, dirige-lhe uma prelecção apropriada. Feita essa exortação, o Irmão Introdutor deixa a recipiendária por alguns instantes, entregue às suas reflexões. Vai buscar na Loja um vaso de metal opaco, emborcado sobre um prato, encerrando dentro dele um pássaro vivo.

De duas polegadas de espessura, o contorno do vaso é coberto de areia muito fina disposta da maneira mais uniforme possível. O Irmão Introdutor leva o conjunto nesse estado até à candidata, dizendo-lhe tratar-se de um depósito precioso, que lhe é confiado, com a proibição de tocá-lo sem ordem do Venerabilíssimo, a quem dentro em pouco será apresentada. A candidata é deixada durante algum tempo entregue a si mesma, para ver se será tentada a destampar o vaso. Se vier a fazê-lo, a areia se espalhará com o voo do pássaro. Então, sem qualquer consideração, o Venerabilíssimo faz-lhe graves reprimendas por sua leviandade, por sua indiscrição, por sua curiosidade e falta de palavra e acaba dizendo-lhe que estando, por esta vez, indigna da Perfeição, deverá lutar, por meio de novos trabalhos, para conquistar a felicidade de ser recebida como Perfeita; e, uma vez aberta a lousa de mesa, é condenada a uma pena pecuniária em favor dos pobres.

Se, pelo contrário, a candidata não descobre o vaso e nada é desarrumado, o Irmão Introdutor anuncia-lhe que, pelo preço da sua discrição, irá receber o Grau de Mestra Perfeita. Mandará que tome prudentemente o prato que contém o vaso e, depois de lavar as mãos, conduz a recipiendária à porta da Loja, na qual bate cinco vezes.

Procede-se, em seguida, à iniciação do Grau.

O Venerabilíssimo faz as seguintes perguntas ao Inspector ou à Inspectora:

P. – Irmão Inspector (ou Irmã Inspectora), que resultado obteve a Irmã ….. de seu trabalho?

R. – Venerabilíssimo, no primeiro dia apliquei o formão para afastar e eliminar o ócio e todos os falsos preconceitos sobre a Maçonaria. No segundo dia, começou a fortalecer o meu trabalho e me fez conhecer a excelência de nossa Ordem. No terceiro dia, ensinou-me a arte dos Maçons Livres, isto é, de amar a honra e tornar doces e complacentes os corações mais duros e mais cruéis. No quarto dia, abriu-me o coração dos Maçons, que distribui os seus benefícios com todos os seus semelhantes e evita, como um dever, fazer críticas a qualquer dos seus Irmãos que se afaste dos verdadeiros princípios.

O Venerabilíssimo ordena: “Irmão Inspector (ou Irmã Inspectora), trazei a recipiendária, que lhe darei a recompensa por seu trabalho”.

O Venerabilíssimo dá-lhe então um par de meias de seda azul, nas quais estão bordados dois corações e as seguintes palavras partilham as duas meias:

A Verdade nos uniu

O Céu nos recompensa

Passa-lhe também um pequeno martelo de ouro, com um anel que se abre e sobre o qual está escrito o segredo.

Em seguida, adorna a Irmã com uma estrela de cinco pontas, sobre as quais são colocadas estas cinco letras: D.C.V.P.L.; a estrela pende de uma faixa branca a tiracolo.

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Para o quinto Grau, o de Eleita Escocesa, a Loja deve estar atapetada em amarelo e ser iluminada por quatro luminárias, um livro do Evangelho está sobre o Altar do Respeitabilíssimo.

O avental é branco, com forro amarelo, e uma estrela bordada em prata acima do peito: a estrela está encerrada num quadrado.

O Mestre da Loja toma o título de Respeitabilíssimo.

Para ser recebida, a candidata está só, entregue às suas reflexões durante um quarto de hora; em seguida, é conduzida, com os olhos cobertos, à porta da Loja, pela Grande Inspectora, que lhe retira a touca e lhe põe um grande lenço no pescoço.

A Inspectora manda-a lavar as mãos e a testa e lhe prende os dois braços em torno do corpo com uma faixa amarela; em seguida, a conduz à porta da Loja, na qual bate duas vezes, e a entrega nas mãos do Inspector que veio recebê-la, que a faz descrever quatro voltas diante do Respeitabilíssimo e a um pé do quadrado da Loja. Começa então o interrogatório para saber se ela é realmente Maçona, e é dada a ordem para lhe ser retirada a venda dos olhos para que veja a luz.

Imediatamente lhe é retirada a cobertura dos olhos; todos os Irmãos lhe apontam a espada ao coração e o Mestre diz-lhe: “Minha cara Irmã, todas estas espadas que vedes serão tantas armas contra vós, se algum dia vos tornardes perjura; mas serão, ao contrário, para a vossa defesa, se continuais a perseverar no bem”.

Quando a candidata acaba de prestar o seu juramento, o Respeitabilíssimo manda que se levante, retira-lhe a faixa que prendia os braços e diz: “Eu vos liberto dos grilhões do vício para vos conduzir pelos caminhos da virtude”.

Ordena-lhe, em seguida, que vá abraçar todos os Irmãos e Irmãs, a começar pelos Oficiais, e depois venha ficar ao seu lado.

De volta para junto do Respeitabilíssimo, ele diz-lhe: “Recebo-vos na Dignidade de Eleita Escocesa, pelo poder que esta Respeitável Loja me conferiu, depois de me haver julgado digno”. Ele abraça-a quatro vezes, adorna-a com o avental e as luvas e lhe transmite as palavras, sinal e toque.

OBRAS CONSULTADAS

Vitor Manuel Adrião, Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria. Editora Dinapress, Lisboa, 2002.

Vitor Manuel Adrião, Lisboa Secreta – Capital do Quinto Império. Via Occidentalis Editora, Lda., Lisboa, Abril de 2007. Reedição da mesma obra em Lisboa, 2011, Bubok Publishing, S.L.

J. Pinharanda Gomes, Génese e Percurso da Cartuxa de Évora. Separata de Eborensis, revista do Instituto Superior de Teologia de Évora, ano XV – 2002 – n.º 29.

Jean Palou, A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática. Editora Pensamento, São Paulo.

M. Gomes, Manual do Mestre-Maçom. Editora Aurora, Rio de Janeiro.

Eleutério Nicolau da Conceição, A Maçonaria na História e no Mundo (Origens – Lutas – Actuação). Madras Editora Ltda., São Paulo, 2004.

Jean-Pierre Bayard, A Espiritualidade da Maçonaria (Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências). Madras Editora Ltda., São Paulo.

Foster Bailey, L’Esprit de La Maçonnerie. Association Lucis Trust, Genève.

Joaquim Gervásio de Figueiredo, Dicionário de Maçonaria. Editora Pensamento, São Paulo.

M. Borges Grainha, História da Franco-Maçonaria em Portugal. Editora Vega, Lisboa.

A. H. de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, 2 vols. Editorial Delta, Lisboa, 1986.

Jorge Morais, Com permissão de Sua Majestade. Via Occidentalis Editora, Lda., Lisboa, Outubro de 2005.

Jorge Morais, Bocage Maçom. Via Occidentalis Editora, Lda., Lisboa, Fevereiro de 2007.

Conde de Saint-Germain, A Santíssima Trinosofia. Comentários de Manly P. Hall. Editora Mercuryo Ltda., São Paulo, 2003.

Dr. Marc Haven, Cagliostro – O Grande Mestre do Oculto. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2005.

Ritual da Maçonaria Egípcia. Editora Pensamento, São Paulo.

 

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