Sintra, 1985/2010

Nos números, nos sons e nas cores estão contidos todos os Mistérios da Vida.

Henrique José de Souza

Com título igual ao deste estudo, o Professor Henrique José de Souza escreveu um artigo magistral em 1936 que veio a ser publicado na revista “Dhâranâ”, órgão oficial da Sociedade Teosófica Brasileira. Consequentemente, muito do que aqui irei expor deve-se exclusivamente aos ensinamentos teosóficos desse mesmo e insigne Mestre, os quais viriam a servir de inspiração para posteriores desenvolvimentos de preclaros teósofos e teúrgicos ligados à Arte Musical da Musa Euterpe.

A Música possui a sua origem no 2.º Logos, o Cristo Universal, espraiando-se como Harmonia das Esferas que é mantida e promanada por três excelsas Hierarquias Criadoras: Leões de Fogo (Tronos – Vontade), Olhos e Ouvidos Alerta (Querubins – Sabedoria) e Virgens da Vida (Serafins – Amor), as quais operam sobre a Tríade Superior do Homem através da nota SOL ao ESPÍRITO, da nota MI à ALMA e da nota DÓ ao CORPO, afinizando-se perfeitamente com as exigências musicais da HARMONIA, MELODIA e RITMO, algo assim como se dissesse que, afinados por um só e mesmo diapasão de VERDADE, BELEZA e BONDADE, faz vibrar as “3 cordas da nossa lira”, que tanto valem por SATVA (amarelo) para o Espírito, RAJAS (azul) para a Alma e TAMAS (vermelho) para o Corpo, ou segundo o ocidentalismo, PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO, enquanto que segundo o orientalismo, BRAHMA (o Criador ou Construtor), VISHNU (o Conservador ou Equilibrante) e SHIVA (o Destruidor ou Transformador).

«A Música – já dizia o grande Beethoven, citado por Mateus H. Barroso em seu livro A Nona Sinfonia – é uma Revelação muito mais sublime do que toda a Sabedoria ou Filosofia. Ela é a única introdução incorpórea no Mundo Superior do Saber, esse Mundo que rodeia o Homem cujo significado interior não se percebe por conceitos reais; a parte formal daquela é simplesmente o veículo necessário que revela, por meio dos nossos sentidos, a vida espiritual.»

Pelo Som o Logos Solar deu-se à Manifestação Universal, materializou-se como Natureza Universal. Por isso João de Patmos abriu o seu Evangelho com as palavras célebres: «No princípio era o Verbo, e o Verbo se fez Carne…», cabendo a cada Plano da Natureza uma nota musical que é o tom da divindade arcangélica ou Dhyan-Choan que o dirige. A propósito, diz Laurentus no seu livro Ocultismo e Teosofia:

«A Teosofia ensina que “cada um dos SETE DHYAN-CHOANS dirige um dos sete estados de consciência que a Mónada tem de percorrer em toda a sua trajectória durante uma Ronda ou Ciclo”. Na arte musical – como expressão de tamanha verdade – a escala é formada de SETE NOTAS. E quantas vezes a mesma seja repetida (digamos 7×7 = 49, na razão de sete Raças-Mães e sete sub-raças para cada uma delas), um ACORDE – composto de três notas – aí também pode ser repetido, como se fora a referida Mónada deslizando do Divino (o Agudo) ao Terreno (o Médio) e ao Infraterreno (o Grave), ou seja, o SEIO DA TERRA, o SANCTUM-SANCTORUM onde se acha o Grande Mistério Espiritual do nosso Globo, pouco importando as opiniões contrárias… É o LUGAR onde elaboram as chamas do Fogo Sagrado, o FOGO SERPENTINO ou KUNDALINI. Aquele mesmo Fogo que, através da “sarça ardente”, falou a Moisés, ordenando-lhe que se descalçasse, pois estava pisando em terra sagrada

Pois bem, a Tradição informa que o nosso Logos Solar, o Maha-Ishvara (o Deus Eterno), observando o desenvolvimento adiantado do 4.º Sistema de Evolução Planetária, dirigido pelo 4.º Logos Planetário ou Ishvara (Luzeiro ou Dhyan-Choan), apelou ao 5.º Logos Planetário para que este começasse já a preparar, desde o Alto ou Mundo Informe, o Sistema futuro de maneira à Marcha da Evolução Universal prosseguir avante. Mas o 5.º Luzeiro agiu como um “Divino Rebelde”: sonegou a Ordem do Eterno, recusando manifestar-se sobre um estado tão grosseiro e vil, como era o Mundo das Formas, para o seu elevado estatuto; assim, negou qualquer tipo de ajuda e, como castigo kármico imposto pelo Eterno, acabou caindo nesse mesmo Mundo que recusara auxiliar, ficando agrilhoado ao 4.º Sistema de Evolução com a retirada da sua Consciência Superior pelo mesmo 8.º Logos Eterno. De deus poderoso viu-se um humano revoltoso… estrela apagada nos Céus e facho aceso no seio da Terra.

Então, o Eterno fez novo Apelo, dessa feita para o 6.º Luzeiro. Este respondeu prontamente. A sua Consciência Superior ficou no Mundo Monádico sobre a Terra, fazendo de Vigilante Silencioso à mesma, enquanto a Consciência Inferior tomava formas físicas para dirigir, visível e tangivelmente, como “Eterna Vítima”, a mesma. Desde então a direcção do 4.º Sistema de Evolução passou a pertencer ao 6.º Senhor, com a obrigação de ajustar o entretanto atraso do 4.º Senhor que começara a fenecer vítima da influência do “Anjo Revoltado”, assim fazendo o papel deste como 5.º Senhor, mesmo sendo o 6.º, de maneira que o pudesse resgatar no futuro, o que só aconteceu às 15 horas de 24 de Junho de 1956, aquando “os dois Irmãos beberam da mesma Taça”, firmando-se as Pazes do Céu com a Terra.

De maneira que esses acontecimentos cosmogónicos e antropogónicos originaram no 4.º Sistema de Evolução em que vivemos o envolvimento desses 3 Senhores Divinos (os 4.º, 5.º e 6.º), reflectindo-se em todos os seres e em todas as coisas que existem e evoluem em nosso planeta.

Com os mesmos 3 Ishvaras se ligam as 3 notas fundamentais dentre as 7 da escala musical que reflectem os 7 Ishvaras dirigentes deste 4.º Sistema de Evolução Planetária, um para cada Cadeia, ficando o Oitavo Eterno Senhor de toda a Escala.

Conforme revelou o Professor Henrique José de Souza, sabe-se que a nota Mi, da região média, produz no sector o símbolo de Mercúrio, o Equilibrante da Balança Celeste expressa por Vénus. A nota Mi é a expressão do Adam-Kadmon Celeste (2.º Trono) que se sacrifica pela Humanidade  através do Adam-Heve Terrestre (3.º Trono). Tudo em virtude da citada sonegação e consequente queda do 5.º Ishvara (Arabel), com a sua terça parte ou parte terrena (Aluzbel) agrilhoada no Cáucaso, antes, “cárcere carnal”.

Ora essa escala musical, composta de sete graus, tal como se apresenta actualmente, engloba na sua estrutura o mistério da queda lunar de Aluzbel ou Lúcifer, onde o intervalo é de meio-tom. Por que haverá nos terceiro e quarto graus (entre as notas Mi e Fá) um tom invés de um semi-tom? Porque através da terceira nota da escala, como já foi dito, vibra a Inteligência Cósmica, a expressão do Andrógino Celeste, muito bem traduzida no Agnus Dei que tolli peccata mundi. Sim, para salvar os que ainda sofrem as consequências da chamada Queda Lunar, e para preparar uma quinta etapa evolutiva, ligada ao Ciclo de Aquário.

O conhecimento iniciático referente à Cosmogénese e à Antropogénese permite estabelecer a analogia perfeita entre os conceitos básicos admitidos na harmonia musical clássica e o facto da chamada “Queda dos Anjos” e da Redenção Humana pelo Santo Graal, isto é, pelo Sangue Real da “Eterna Vítima”, AKBEL. Afirmam ainda os tratadistas da harmonia musical clássica que no encadeamento entre o acorde do quinto grau e o acorde do quarto grau se utiliza o acorde constituído sobre o quarto grau aumentado sobre o quinto diminuído, ou seja, o “encadeamento cromático”, quando se dá a “falsa relação do trítono”, cujo mau efeito é denominado Diabulus in Musica (“o Diabo na Música”), cuja tensão demasiada provocada pelo intervalo de três tons inteiros a partir da tónica, gerando efeitos psicosomáticos de ansiedade e desmaio nos ouvintes, principalmente nas senhoras (como se provocasse um estado precoce do despertar de Kundalini, como o fez Aluzbel no início da Evolução e que o lançou na perdição da sua Queda do Trono Celeste), fez com que durante largos séculos a Igreja cristã proíbisse a sua execução por a interpretar como uma invocação directa do Diabo. O “falso trítono” pode ser encontrado também em acordes diminutos e em acordes com sétima, e até mesmo na escala diatónica maior (no intervalo entre a 4.ª e a 7.ª, marcando a separação do Terreno do Divino).

Nota-se, portanto, uma perfeita analogia com aquilo que se observa na Harmonia Universal, quando entre o acorde do quinto grau e o acorde do quarto grau se utiliza o acorde sobre o quarto grau aumentado – nenhum nome será tão adequado para designar os maus efeitos observados nesta circunstância da harmonia musical como o de Diabulus in Musica. Embora este tenha sido empregado pela maioria dos antigos mestres musicais tão-somente por uma intuição feliz e não com conhecimento da causa oculta, já que a Queda Luzbelina traduz-se no facto das características de uma quinta etapa (5.º Plano Mental Superior) descerem («caírem») no Plano (Mental Inferior) de uma quarta etapa, além do mais com os restos da terceira (ou terceiro Sistema de Evolução Lunar, expressando o terceiro Plano Astral). Todos estes factos relacionam-se com o que geralmente é designado pela expressão Diabo ou Satan e quanto lhe diz respeito, factos esses que só podem ser integralmente compreendidos por aqueles que possuem o conhecimento iniciático do Novo Ciclo.

Também é conhecido na harmonia musical clássica o emprego do acorde de terceiro grau seguido do acorde de quarto grau para os casos em que, na melodia, a sensível em vez de subir à tónica, resolve descendo porque perde a sua característica de sensível da escala; é o seu sétimo grau, o qual, naturalmente, resolve no grau imediatamente superior, que é a tónica da escala.

Para o leitor não familiarizado com estas noções musicais, posso acrescentar que sempre que se faz soar o sétimo grau, este pede naturalmente resolução no grau imediatamente superior, ou seja, na tónica. Quando o sétimo grau desce em vez de subir, emprega-se o acorde do terceiro seguido do acorde do quarto grau.

Estabelecida a analogia entre os graus da escala e as sete etapas evolutivas, vejamos como se traduz, na linguagem sonora da harmonia musical clássica, a Redenção da Humanidade.

Desde a Queda Lunar, e principalmente desde a catástrofe atlante já na presente 4.ª Ronda da Cadeia Terrestre, a Divindade, como uma Oitava Coisa, Causa Primeira do Septenário na Natureza, tem sido sacrificada ao manifestar-se, ciclicamente, para a Redenção da Humanidade. Esse sacrifício da Divindade processa-se na manifestação dos seus Avataras cíclicos, e sendo Ela a Oitava Coisa, então manifesta-se através do chamado Sétimo Princípio (Espiritual) coordenando os Planos da Evolução Humana, que são sete como a escala musical septenária. Sempre que, a cada Ciclo em que se reparte a Manifestação Universal, os Avataras se manifestam, a Divindade, como Oitava Coisa, age através do Sétimo Princípio, a fim de livrar a Humanidade dos obstáculos que retardam a sua evolução, obstáculos esses originados, como se sabe, em consequência da aludida passagem da terceira para a quarta etapas (ou Cadeias, reflexos dos respectivos Sistemas de Evolução). De modo que o Sétimo Princípio, analogamente ao sétimo grau da escala (a sensível), em vez de tender naturalmente para o Oitavo Plano Monádico, desce para redimir a Humanidade.

Tudo isso apresenta perfeita correspondência com o que se observa na harmonia musical: quando se passa do acorde do terceiro grau para o acorde do quarto grau, que acontece na melodia? O sétimo grau, em vez de se elevar para a tónica, em obediência à sua característica de sensível, desce.

Essa é a expressão do próprio Mistério do Santo Graal, ou seja, ciclicamente a Pomba do Espírito Santo desce dos Planos Celestiais para renovar o influxo do Cálice Sagrado até ao Grande Dia da Redenção da Humanidade, quando finalmente ficará liberta das consequências prejudiciais à sua evolução (Queda Lunar ou Queda dos Anjos… da Corte de Aluzbel). E é exactamente entre os terceiro e quarto graus da escala que não encontramos o semi-tom intermediário existente entre os demais graus, do primeiro ao sétimo.

A manifestação da Divindade, relacionada a um só tempo com o terceiro e quarto graus da escala musical, compreende o Grande Ideal que deve ser alcançado por toda a Humanidade redimida, Mistério este que se dará no consórcio entre Mercúrio e Vénus, entre o Espírito e a Alma (Hermafrodita Divino, Andrógino Celeste), que, como expressão do Caminho, da Verdade e da Vida Universal, prepara o Grande Dia em que os seres humanos alcançarão a Redenção final, solucionando o vetusto e gravíssimo problema do Eu e não-Eu, do Ser ou não-Ser, da Personalidade e Individualidade.

Dadas essas explicações, compreende-se perfeitamente a sinceridade de propósitos dos compositores modernos quando procuram novas maneiras de expressão na sua arte. Esta compreensão estende-se, é claro, às demais artes, incluindo a literatura. Desejo deixar bem esclarecido que as causas determinantes dos novos aspectos produzirão efeitos positivos na Natureza somente a partir dos nossos dias, dos dias actuais. A razão está em que no Mundo Oculto só recentemente certas etapas foram vencidas, e agora inicia-se a viagem para outras mais avançadas.

Várias vezes afirmei aos distintos participes da Obra do Eterno, em Portugal e no Brasil, que as Revelações de JHS não se cingem unicamente a páginas literárias inéditas, pois que também há as Revelações Musicais, músicas e hinos como um bem maior Tesouro de quem só soube música por Intuição. Todas elas compostas em tonalidades para 6 sustenidos ou 6 bemóis na clave, qual homenagem ao Ishvara Akbel do 6.º Sistema, como harmonia, melodia e ritmo afinizadas às vibrações da Mónada, da Tríade e do Heptacórdio.

Pois bem, os 3 Excelsos Luzeiros (4.º, 5.º, 6.º) do Lampadário Celeste estão reflectidos na “excelsa trindade musical” que tomou forma humana na Terra, como seja: Bach (Harmonia), Beethoven (Melodia), Wagner (Ritmo), ficando Mozart como síntese dos três.

Johann Sebastian Bach (1685-1750), na sua última época, aproximadamente nos seus últimos dez anos de vida na face da Terra, ingressou no “mundo oculto da música”, numa Escola Iniciática de cariz Rosacruz onde os quesitos necessários permitindo a entrada dos músicos, era serem experientes em filosofia e matemática. Estes conceitos inseridos na música, em conjunto com pesquisas cabalísticas e alfabetos mágicos, foram a origem das enigmáticas fórmulas secretas utilizadas nas composições musicais de muitos Iniciados. Essa “formulação iniciática” nas músicas era aplicada nos intervalos, figurações rítmicas, harmónicas, etc.

Toda essa magia musical se cristalizou nas músicas de Bach, construindo catedrais na quarta dimensão (Astral), que vibrando na tónica do 4.º Senhor mas sob a influência do 6.º Luzeiro, serviu de sustentáculo de toda a música posterior a ele, tal como o 4.º Senhor (Atlasbel), figurado com o Globo-Mundi às costas, é o verdadeiro alicerce do nosso Sistema de Evolução.

Uma frase de Mozart perguntava como era possível Bach concentrar toda a sua alma no coração e nos ouvidos?… Como isso era possível ninguém explica, mas para Bach era possível. O seu Chakra Cardíaco (4.º Chakra, 4.º Senhor, 4.º Sistema – tudo se interliga) estava repleto de Amor Universal que florescia na sua música, cheia de “harmonia pura, exacta e perfeita” (Satva – 1.º Trono).

Beethoven falando sobre Bach: «Bach é o sublime mestre da harmonia, e a sua música chega directamente ao coração».

O mesmo Ludwig Van Beethoven (1770-1827) veio a ser considerado por muitos como o “herói dos heróis”. Ser ilustre e enigmático, com um imenso coração (romântico) e mais ainda incompreendido na sua época, deixou para as gerações futuras um imenso legado de sabedoria através da sua música. Beethoven musicava a Cosmogénese, cada nota e cada espaço da sua sublime música entoava a formação dos Mundos (Rajas – 2.º Trono), vibrando nessa sua vida esparsa com a tónica do 6.º Senhor, mesmo pertencendo ao 5.º. Há quem diga que a sua quinta sinfonia (aquela que qualquer mortal já ouviu pelo menos uma vez) é um aspecto do 5.º Senhor expressado pela revolta e sublimação contida na sua música. Com a descida de Mozart ao Mundo dos Imortais, há quem conclua que a retomada da música espiritual do 6.º Senhor foi passada para Beethoven, que possuía um veículo apropriado para tal missão, não precisando de ver e ouvir fisicamente o que via e ouvia espiritualmente.

O eminente polígrafo espanhol Mário Roso de Luna disse que Beethoven sozinho «passou os rigores da noite espiritual», abrindo os olhos da sua intuição ao “super-naturalismo” misterioso que rodeia a nossa existência, iniciando-se nos Mistérios do Ocultismo. Ele tinha na sua mesa de trabalho a Ísis egípcia, a inefável Neith e em sua cadeira, defronte ao piano, o Hexalfa, a estrela de 6 pontas.

Todo esse conhecimento ocultista de Beethoven pode ter sido ampliado por conhecimentos recolhidos no seio da Maçonaria de Heredom, pois que sendo ele admirador de Mozart (Iniciado Maçom), não será de admirar que também tenha passado por ela.

Mas Beethoven, ao contrário de Mozart, “pensava muito a música”, as suas partituras musicais possuíam muitos acertos e riscos. Falando em “riscos em partituras”, a sua terceira sinfonia, Heróica, possui uma história muito interessante. Essa sinfonia tinha na sua primeira versão uma homenagem a Napoleão Bonaparte, pois Beethoven, como Iniciado que era, estava informado da importantíssima Missão Sinárquica desse Ser. Porém, quando Napoleão auto-proclamou-se imperador dos franceses com ânsia de sê-lo do mundo inteiro, assim se afastando dessa Missão que a Lei Suprema lhe confiara, Beethoven riscou a homenagem da sinfonia e colocou no seu lugar uma colossal Marcha Fúnebre. E bem se sabe como Napoleão acabou tristemente os seus dias…

Beethoven era um génio incontestável, possuidor de uma personalidade muito forte, pois sabia da sua superioridade aos demais. Em todas as suas obras, junto ao grande estudioso e pesquisador musical se encontra o filósofo ocultista, o pensador e o artista, tendo em cada compasso uma sequência de notas com um valor “espiritual” colocando a “alma triunfante perante a matéria”.

Ele, o libertador das formas tradicionais, baseando-se ainda em Mozart, transformou esses elementos em grandiosa Rebeldia Assúrica, Super-Humana, indo sublimar-se nessas três etapas: Transformação, Superação, Metástase. Ele serve de exemplo da palavra Renúncia. Uma das características de Beethoven são as pancadas como sforzatto, causando verdadeiros turbilhões de sílfides, dando a impressão de um gigante batendo no portal de uma montanha, pedindo entrada no mistério ali existente, como se gritasse: «Abre-te Sésamo da Terra!». O  grande poder da intuição deste génio musical revela-se na sua quinta sinfonia, chamada a Sinfonia do Destino, dando motivos de meditação sobre essas pancadas, querendo apontar justamente a contradição dos conceitos profanos. É a sua música dizendo: «Não há Destino que não se transforme!». Essas pancadas da quinta, quatro em conjunto, repetindo-se continuamente no primeiro tempo dessa sinfonia, apresentam o ritmo seguinte: “tá tá tá táááááá… tá tá tá táááááá…”, e nada mais são do que a causa do despertar de Kundalini no Chakra Muladhara (Raiz ou Sacro).

A sua Nona Sinfonia, na parte do coro, sintetiza todo o pensamento espiritual deste ilustre Ser que a História da Música jamais esquecerá. Ele titula o Jivatmã Universal, que jaze no peito de todos os homens como Faísca Divina sobre o cântico retumbante:

Cruzam os céus astros em fogo,

Alegria vitoriosa vos ilumina.

Que se abracem todos os seres!

Um beijo para o mundo!

Acima das estrelas o Criador nos protege:

Abraçai-vos, milhões de irmãos!

Já Richard Wilhelm Wagner (1813-1883) foi o compositor que musicou a Antropogénese, representando através das suas óperas os aspectos da polaridade do ser humano. Wagner estava sob a égide do 5.º Senhor mas vibrou com a tónica do 4.º (Tamas – 3.º Trono). Ele inspirou-se nos Eddas escandinavos que têm o seu símile nos Vedas hindus, trazendo assim às suas óperas os mitos nórdicos de “Parsifal, Lohengrin, Tanhauser, etc.” Wagner revelou-se ocultista e mitólogo, pois bem se sabe que detrás dum mito há sempre uma verdade oculta a quem tenha “olhos para ver”. Esse seu conhecimento esotérico recebeu-o de determinada Ordem de cariz Rosacruz sita perto de Nuremberga, onde foi iniciado, assim o tornando, mais que músico compositor, um verdadeiro Teósofo. Ele mesmo disse: «Pode dizer-se que onde a religião se torna artificial, é reservada à arte salvar o espírito da religião…».

Isso mesmo fez ao originar o chamado Drama Musical Wagneriano, pois em conjunto com a sua música dava valor com a mesma intensidade ao teatro. Passou assim uma “nova mensagem” ao panorama musical da época, criando uma linguagem de composição totalmente diferente. Ao longo de toda a sua obra, pode-se observar em várias passagens da sua musicalidade muito do aspecto do 5.º Senhor, passagens vigorosíssimas com violinos sendo tocados com uma rapidez alucinante aliados a sopros com timbres fortíssimos, resultando em músicas que retratam magnificamente a Ira e a Revolta.

Outro aspecto da relação de Arabel com Wagner, era “a sua relação intensa com as mulheres”, tal qual o 5.º Senhor desterrado na Terra deixando para trás Algol, a sua Shakti (contraparte feminina) que ficou solitária nos Céus. Casou uma vez, separou-se; teve relações ilícitas com a mulher de um amigo que lhe estendera a mão em seu exílio; manteve intimidades com a filha de Liszt, que na ocasião já estava prometida a outro grande amigo do mesmo, o que provocou grandes discussões entre os dois (houve a reconciliação mais tarde), sem falar em muitos outros episódios deste “romântico chamado Richard Wagner” que a História com certeza não teve oportunidade de registar. Ele foi uma vida esparsa sob a influência do 5.º Senhor mas colocada ao serviço do 4.º, da Terra mesma com todas as suas virtudes morais e vícios sexuais.

Finalmente, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). As músicas de Ama-Deus, “Aquele que ama Deus”, falam do Segundo Trono Divino (Adam-Kadmon) e Humano (Adam-Heve) fazendo sentir por detrás da Omnisciência a Omnipotência do Eterno na Natureza. Não como forma emocional mas como tom moderníssimo na sua facilidade e felicidade de conversação e doçura.

Este Ser especialíssimo correspondia exactamente ao valor ou potencial de 1/49 da Divindade na face da Terra. Para que esta relação cabalística fique clara é preciso colocar o Logos Solar ou Sol Maior como “1”, Único e Universal. Por sua vez, Ele reparte-se em 7 Emanações Divinas ou Sóis Menores que são os Logos Planetários, correspondendo cada um a 1/7 do Logos Solar, e como estes mesmos Sóis Menores se repartem em 7 Tónicas ou Raios cada um (logo, 7×7 = 49), consequentemente eles têm o valor de 1/49 em relação ao Sol Maior. Mozart vibrava exactamente com a Tónica do 6.º Senhor, mesmo pertencendo ao 7.º Ishvara, o mais próximo do 8.º Eterno, e assim ele era a síntese de Bach, Beethoven e Wagner, representando a “Música do 6.º Luzeiro na face da Terra”.

A vida de Mozart orbitou entre a excelsitude divina e a irrequietude terrena, numa mistura inextrincável de virtude e vício, tendo se portado como fosse um “Deva ou Anjo” virgem de consciência terrena, logo, virgem de qualquer experiência humana, consequentemente, procurando experimentar todas elas indo gerar a dicotomia da “dupla personalidade”, ora revelando-o génio divino, ora mostrando-o diabrete irresponsável… Adorava festas, mulheres, bebidas e tudo em excesso para a sua diversão, enquanto na música, pelo contrário, revelava a seriedade de criatura divina. Compunha e executava as suas músicas como nenhum outro antes havia feito: a sua música advinha-lhe à mente como um “ditado”, não apresentando falhas ou rasuras na partitura, o que demonstrava que a sua sintonia musical era directa com os Mundos Internos de Agharta,  traduzindo o Sonido Incessante do Logos que vibra  e faz trepidar o Akasha em Shamballah. Inteligentíssimo e dotado de uma memória acima dos padrões comuns, pode-se dizer que na música ele era o Ternário Superior absolutamente Divino, mas que na vida de homem comum, com o Quaternário Inferior inteiramente Humano, era o irresponsável irrequieto. Tudo isso como se quisesse equilibrar tanto de experiências espirituais como de humanas no mesmo corpo e na mesma vida. Foi, enfim, o Ser Psicomental que não absorveu inteiramente, enquanto criatura encarnada, o seu estatuto interno de participe da Corte Celeste de Akbel.

Mozart adquiriu os graus superiores da Maçonaria Egípcia tendo sido iniciado na Loja “A Serpente de Ouro”, em Viena. Posteriormente, reflectiu a Iniciação Egípcia na sua ópera A Flauta Mágica, descrevendo o ritual através de uma simbologia riquíssima e genial de compassos e notas no decorrer da música que identifica a Tradição Maçónica. Consagrou essa ópera ao seu Mestre Superior Sarastro, isto é, Cagliostro, o mesmo que lhe apresentou o Divino Rotan, ou seja, o Chakravarti ou “Rei do Mundo”, então representado no “encapuçado” Conde São Germano, sim, porque “encapuçado” ou “encoberto” se apresentou aos Maçons da Grande Loja de Londres pouco depois da sua fundação em 1717.

O comportamento errático e precipitado de Mozart precipitou a sua morte precoce. Assim aconteceu ao musicar a peça Don Giovanni (Don Juan), drama espanhol erótico que relata o heroísmo e a punição religiosa do libertino Don Juan, assim exaltando o sexo passional em detrimento do Amor Espiritual que o trouxera ao mundo, o que constituía crime de lesa-Divindade imperdoável para um Ser de hierarquia superior como era Mozart (a quem muito é dado… muito será cobrado). Consequentemente, três misteriosos Adeptos encapuçados provindos dos Mundos Aghartinos vieram ao seu encontro e encomendaram o Requiem da sua própria morte. Isto a despeito do que os historiadores contemporâneos dizem sobre esse misterioso episódio que serviu de epílogo final à vida conturbada, mas excelsa, do grande Amadeus.

Esses quatro músicos celebrizados para sempre nas esferas na Divina Arte, perfazem além de um triângulo uma cruzeta ou cruz musical, assim marcando o Pramantha em forma de Música, como seja:

Não posso deixar de aludir ao efeito maravilhoso da Música nos Mundos Espirituais, produzindo ela formas magníficas no Plano Astro-Mental quando está aliada ao pensamento e ao sentimento do compositor, expresso através do intérprete que usa do instrumento como veículo. As formas musicais variam de acordo com o género de música, o instrumento e a qualidade do executante. Elas ficam coerentes durante um tempo considerável, no mínimo uma ou duas horas, e durante esse período irradiam as suas vibrações características como uma forma-pensamento. A série de formas-pensamento que se vai formando durante a execução de uma ária ou sinfonia, por exemplo, corresponde exactamente ao simbolismo dos sons ou grupos de sons que o compositor quis emprestar aos mesmos, inspirados etereamente por esses “Anjos da Música” chamados no Oriente de Gandharvas (“Músicos celestes”) e Apsaras (“Bailarinas celestes”), cosmogeneticamente assinalando a vibração e movimento dos átomos. Se a música é subjectiva, as formas-pensamento descritivas começam a formar-se à medida que os sons são emitidos; se ela é descritiva, as formas-pensamento são representações exactas dos objectos que os instrumentos interpretam.

A parte da Ciência Iniciática que trata dos sons e da música, chama-se Mantrikashakti, a rigor, “Poder dos Sons”. Este “Poder dos Sons” tem a sua expressão na Ritualística Templária através de afirmações de poder, hinos e mantrans. A propósito, o mantram define-se como: composição em que harmonia, melodia e ritmo estão combinados de acordo com as leis da Natureza.

Ao encontro disso vem o Memorial dos Ritos, obra milenar chinesa expondo o seu conceito de Música, onde diz a dado passo: «A Perfeição Humana é obtida quando a conservação dos Ritos completa e modera o sentimento da Música. A Música é a Suprema Harmonia, os Ritos são a Suprema Conveniência. Quando os Ritos e a Música forem claros e completos, o Céu e a Terra cumprirão a sua finalidade».

Quer isso dizer, como informa a Tradição Iniciática das Idades, que nas próximas 5.ª e 6.ª Rondas da actual Cadeia Terrestre continuará a haver Música, e só na 7.ª, expressando o mais elevado estado de Consciência Espiritual, haverá um único entendimento, pelo que então a Música, indirecta ou instrumental, terá cumprido a sua função, porque tudo se terá tornado Luz e Som.

Todos os acordes da Natureza Universal compõem-se segundo um Acorde Maior, chamado pelos chineses o “Grande Acorde” ou Xin Kung. Esse Acorde tem a sua forma e é a síntese de todos os sons do Universo formando no seu conjunto harmonioso a Música das Esferas de que falou Pitágoras, matematicamente exacta, geometricamente perfeita. Segundo certos ensinamentos mais restritos, esse Som Primordial corresponde à nota da nossa gama… Fiat Lux… e o Homem se fez…

Um exemplo interessante é a música na sua forma de instrumentação: a Música de Câmara, que realmente é a das Câmaras de Iniciações (últimos quartetos de Beethoven – Música de Câmara). Neste género, tem-se o solo, a música uníssona de um instrumento, depois o duo, o terceto, o quarteto, o quinteto, o sexteto, o septeto e o octeto, que nada mais são que a Divindade em diversidade fazendo vibrar a unidade respectiva, ou mostrando o embate estratégico do Espírito e da Matéria para que volvam à Substância Única da “8.ª Coisa”, o mesmo Eterno resultando na tonalidade superior do Dó Maior ou escala da Realização Absoluta que não mais pode ser destruída.

Um outro exemplo de perfeição instrumental é o piano. Sobre este tive oportunidade de dizer à ilustre pianista Ilse Manita, em carta datada de 13.02.2003 remetida para São Paulo, Brasil:

Realmente a Música é a mais elevada e perfeita expressão do Mapa da Evolução Universal. Por ela, homens e deuses comungam na mais perfeita das uniões e a Essência Divina, em cada um, pode se manifestar apoteoticamente como Bem, como Bom e como Belo. O Bem como Harmonia – o Bom da Boa ou Elevada Música – que pode desvelar o Belo como Beleza Universal.

Nas Escolas Iniciáticas de outrora, e ainda hoje, a Música, com os consequentes cânticos e bailados sagrados “os mais gráceis”, era disciplina obrigatória capaz de desvelar ao discípulo o seu Sonido Íntimo, a Palavra Sagrada até ao momento Perdida, antes, esquecida, a Voz de seu Mestre, enfim, a vibração harmónica do Eu Divino em si como Atmã ou Parcela Espiritual que é toda ela Vibração, Luz e Cor, ou seja, Ritmo, Melodia e Harmonia.

Ritmo para o Corpo (Dó) – Melodia para a Alma (Mi) – Harmonia para o Espírito (Sol), este que é o Sol Espiritual em nós mesmos, o oculto mas todavia Sol Verdadeiro que cada um e todos portam, mesmo assim não deixando de ser Parcela sublime do Todo Poderoso MESTRE UNIVERSAL (JHS ou AKBEL, tanto vale), o Grande Sol Cósmico que se espraia em outros tantos Sóis menores individualizados: os seus verdadeiros Discípulos, os Munindras, Arautos de seu Verbo. E que melhor maneira para O expressar senão a Música, particularmente a Música (Espírito), o Cântico (Alma) e o Bailado (Corpo) que legou aos seus Filhos Espirituais?

A Venerável Irmã Sr.ª D. Ilse é mestrina na arte do piano, este que, no dizer do Venerável Mestre JHS, «é o mais sintético e iniciático de quantos instrumentos musicais se conhecem», e nada mais iniciático que um terceto composto por flauta (o Hálito ou Verbo Divino), violino (o “Véu Divino” acalentado por aquele mesmo Hálito) e piano, instrumento sintético que, no sublime consórcio entre flauta e violino, faz ao mesmo tempo, como nos humanos consórcios, o papel de Juiz e Sacerdote, unindo aos dois Poderes Espiritual e Temporal, neste caso, ao Sopro e à Fricção das 4 cordas marcando o Compasso Quaternário da Terra.

No seu conjunto, o piano possui: caixa de ressonância, que tanto vale por cabeça, em cuja parte interna já começa a influir o mistério do Septenário Divino; a configuração dos martelos que ferem as cordas as quais, por sua vez, estão dentro do mesmo mistério já que, tanto em escala ascendente como descendente, reproduzem sempre as mesmas notas.

No cérebro humano tal vibração septenária está na glândula pineal, cujo poder expansivo foi capaz de abrir SETE FENDAS ou BURACOS na caixa craniana, como sejam: 2 olhos + 2 ouvidos + 2 narinas + 1 boca = 7. Isso no que diz respeito aos SENTIDOS ou poderes que se manifestam de dentro para fora, embora espalhando-se por todo o corpo através de SETE CENTROS DE FORÇAS  ou CHAKRAS (Lótus, Rosas, Rodas, Sóis, etc.) que alimentam a Vida Humana, além de fortalecerem – cada vez mais – a união dos 3 Corpos entre si para que, um dia, o Homem possa alcançar a Perfeição Absoluta, possa fundir-se naquela mesma Vida Una.

A seguir vem o teclado, como ventre, que se estende em forma horizontal – contrariamente à vertical já descrita, que tanto vale pela descida da Mónada do Divino para o Terreno, realizando o mistério de uma Ronda através das suas 7 Raças-Mães e respectivas sub-raças, perfazendo o prodigioso número 49 (1 Raça-Mãe compõe-se de 7 sub-raças. Logo, 7 Raças-Mães comportam 49 sub-raças, o que é igual ao valor da realização de uma Ronda Planetária) – e com o qual, além do mais, pode-se executar qualquer música, por mais complicada que seja, por estar ele envolvido na Matemática Divina, para não dizer, na excelsa e prodigiosa Música das Esferas.

Depois vêm os pés ou pedais, como sustentáculo, alicerce ou base do peso contido em todo aquele «edifício» instrumental… E é assim que o executante entra em harmonia com o instrumento: pela cabeça ou parte mental, repetindo o que se acha diante dos seus olhos – a Música –, por sinal que figurada por outras teclas ou martelos menores, pouco importa se invertidamente brancas e negras inscritas em linhas e espaços (na razão de 5 por 4, como alegoria da actual 5.ª Raça-Mãe Ariana na obrigatoriedade de redimir os erros da sua antecessora – a 4.ª Raça-Mãe Atlante – negra do Karma que contraiu e que agora cabe tornar Dharma ou branco, fazendo-se isto pela Música Celeste, a da Harmonia das 7 Esferas de Evolução trilhadas pelo Homem, eterno Peregrino da Vida… Música celeste trazida ao concreto do Plano Terrestre pelos 7 tons ou qualidades do Éter ou Akasha Universal, as quais vibram no jogo das 7 notas do piano bem afinado).

As mãos do(a) pianista, que devem ficar à altura do seu ventre e do instrumento, justamente na parte média ou equilibrante, representam as próprias garras da Esfinge (símbolo da Sabedoria Divina e a antiga, lemuriana ou da 3.ª Raça-Mãe, criação físico-anímica do deus Akbel), em defesa à região umbilical ou astral, enquanto os seus pés apoiando-se sobre os do piano ou pedais, além do mais representam a forma dual ou andrógina que cada Ser humano porta consigo em potência e latência, o que lhe cabe despertar para que, realmente, se torne um Maestro, Mestre ou Jina Perfeito na Divina Arte vibrando em todo o Universo: a MÚSICA.

Essas duas polaridades sexuais não deixam de estar assinaladas no instrumento. Com efeito, o lado esquerdo ou lunar do piano mas que no pianista é o direito ou solar – que tanto vale pelo Grave, referente à voz Masculina (donde o termo “nota de cabeça”) –, é onde executa o Baixo e o Ritmo  a mão esquerda do pianista. É, pois, a parte do instrumento referente à Alma, ou aquela que descreve todos os seus sentimentos (de dor ou prazer) por este mundo de provas onde é obrigada a viver. O lado direito ou solar do piano mas que no pianista é o esquerdo ou lunar, como o Agudo referente à voz Feminina, indica o Ego, o Espírito que acompanha, guia ou protege a sua companheira, tal qual Eros com Psique, o Espírito e a Alma. E o Médio, onde as duas mãos se tocam, se confundem, representando o Androginismo Perfeito, por ser justamente o lugar onde a Alma e o Espírito realizam o místico consórcio musical, tal como acontece no Mundo Humano quando o Homem alcança tamanha realização que o torna um Ser Superior, um Adepto Perfeito ou Iluminado Integral participe do 5.º Reino Espiritual, o “Angélico” ou dos Barishads!… O mesmo piano, repartindo-se em três partes, quer vertical quer horizontalmente (formando um Cruzeiro ou Pramantha), reproduz os três Mundos cabalísticos, como os três Corpos de que o Homem se compõe. Quanto aos termos Gravíssimo e Agudíssimo, representam o Alfa e o Ómega do que se pode chamar Involução (descida do Espírito ao seio da Matéria – Mãe) e Evolução (subida da Matéria ao seio do Espírito – Pai) da mesma Mónada Peregrina (“o Filho pródigo que regressa à Casa Paterna”).

E se um Maestro souber executar, com maestria, a Obra Musical ou Magnus Opus de JHS, então o próprio termo o diz: Mestre, Adepto, Génio ou Jina…

Satisfazendo a sua pergunta pertinente sobre «como JHS conseguiu obter a 10.ª Sinfonia de Beethoven?», esta que não é lavra do nosso Mestre pois que há uns anos atrás foram descobertas, salvo erro em Viena, na Alemanha, partituras soltas ou incompletas da mesma (mas que estão completas no Lugar dos Deuses, o DUAT, para onde Beethoven foi definitivamente), revelo (pois que é uma revelação) o seguinte:

Morando JHS com a sua família na Rua de Santa Rosa, 426, em Niterói, no dia 20 de Julho de 1924 ele deu início ao 5.º RITUAL de uma série de SETE referentes às Iniciações Planetárias. Quando chegou a esse dia, 4.ª FEIRA, DIA DA INICIAÇÃO DE MERCÚRIO, poucas horas antes de iniciar o Ritual sentiu-se muito mal, foi até junto da janela do seu quarto para tomar ar fresco, mas logo caiu inanimado no soalho. Ouvindo o barulho, os da casa e os amigos e conhecidos presentes correram para junto dele. O médico da família, membro da Obra presente na ocasião, tomou-lhe o pulso e confirmou-o morto. Outros também o fizeram, seja por não acreditarem no inevitável diante dos olhos, seja por duvidarem do médico, talvez julgando tratar-se de um embuste. Mas confirmou-se: JHS havia falecido de síncope cardíaca súbita. Ergueram-no e depositaram-na na cama e, em meio à consternação geral, deu-se início aos preparativos finais. Nisto, passados cerca de dez a quinze minutos e para espanto de todos, JHS recuperou a vida, levantou-se da cama como se nada tivesse acontecido e dirigiu-se para o piano, passando a executar maravilhosamente, pela primeira vez, a 10.ª Sinfonia completa de Beethoven, a que depois chamou de “RESSURREIÇÃO” e “REINO” (de AGHARTA), ou seja, “A RESSURREIÇÃO DO REI DE AGHARTA”. Após a Revelação da 10.ª Sinfonia, a LUZ DE CHAITÂNIA (RABI-MUNI) falou doce pela Voz de JHS (AKBEL): «Eu animei Beethoven, pousei no ombro de Newton, vivi no peito de São Germano».

Cada um desses 7 Rituais Maiores completou-se com outros tantos Rituais menores, e assim se manifestaram as 49 Forças Cósmicas em 49 memoráveis Rituais. Hoje, tudo isso se comprova no cimento ou argamassa da Opus-1 da Obra Musical de AKBEL na forma humana de JHS: o ODISSONAI.

Por fim, à guisa de desfecho final desta presente, remata o Professor Henrique José de Souza na sua obra magistral, A Verdadeira Iniciação:

A Música é o esquema filosófico intuitivo do Universo inteiro; o plano ou mapa da Metafísica universal. Toda a música emana de um Foco e se estende em ondas, como os eflúvios vitais do Astro do dia; como o despregar do Cosmos no momento da Criação, se é que as deduções da mente humana, em presença da imensidade, possuem algum valor. Essas ondas espalham-se no espaço por uma ordem harmónica em séries regulares: é a Lei do Ritmo. E como esta Lei Universal, acham-se representadas na Música todas as essências, todas as categorias filosóficas, todas as substâncias universais, excepto a matéria, que na mesma não actua senão como veículo de manifestação, ou antes, da perceptibilidade para outros.

A música de ordem artística mais elevada começa pelo princípio harmónico. Tal espécie de música não age somente sobre as mais elevadas emoções, como também sobre o intelecto. O Ritmo é uma manifestação puramente física. A Melodia, que sem determinado fim nenhum sentido possui, é uma simples série de sons… que conduz as nossas emoções de um lado para o outro. A Harmonia, porém, afecta simultaneamente o coração e a mente. Sim, porque a Harmonia é a própria Lei da Natureza. E com a combinação dos princípios harmónicos e rítmicos, são formadas todas as coisas dentro da Criação.

A Harmonia estimula no homem o amor ao Belo e faz vibrar nele uma célula correspondente ao seu idealismo. Ouvir uma sinfonia é proporcionar imensa energia mental. Ouvindo-se as composições dos grandes Génios, goza-se de uma música divinizada que nos conduz aos reinos místicos da mais transcendental espiritualidade. A grande Música não requer apenas compositores que tenham penetrado no mundo intuitivo, para poder compô-la. Mas também de artistas criadores de primeira ordem, que a saibam interpretar.

O amante da música emotiva deverá dar preferência às de Schubert, Weber, Schumann, Mendelssohn, Chopin e poucos mais dos melhores românticos que se conhece. Ouvindo-se a Beethoven e a Brahms, experimenta-se um sublime sentimento e uma excelsa aspiração. Com Bach, tem-se a impressão de estar construindo uma catedral de pedra e cal. Com Tchaikowsky, o mestre que sabe dar colorido aos sons, é-nos possível, quase, desenhar imagens tão brilhantes como as etéricas luminosidades do Arco-Íris. O espírito da música criada pelo génio adorável de Ricardo Wagner, é impossível analisar-se fora da sua própria poesia, pois, como ele disse: «Cresceram juntas»… Foi Wagner, provavelmente, quem mais se aproximou, dentre todos os compositores, das mais sublimes emoções da natureza humana.

Como vemos, a Música exerce influência poderosa na Educação Emocional, Mental e Espiritual do Género Humano. Debaixo da sua misteriosa influência, a Humanidade pode agitar-se comovida por múltiplas emoções. Pode ir do mais baixo ou inferior ao mais alto ou superior!…

Como foi dito, dentre os grandes Génios inspiradores da Humanidade, destacam-se Wagner e Beethoven.

Wagner, através do seu drama litero-musical, como um gigantesco comentador dos Eddas – os Vedas escandinavos –, como sejam: “O Anel de Nibelungo”, “O Ouro do Reno”, “Valquíria e Sigfredo”, “Os Mestres Cantores de Nuremberga”, “Parsifal e Lohengrin”, etc., imprime na Música toda a Epopeia grandiosa das Iniciações Humanas através da Vereda da Vida.

Quanto ao “menino-prodígio” com o nome de Wolfgang de Amadeus Mozart, seria o protótipo desses excelsos Filhos da “Divina Arte”, se não houvesse cometido o grande erro de musicar o “D. João”. A Lei não poderia jamais perdoar ao autor do “Desposório de Fígaro”, de “A Flauta Mágica”, das “33 Sinfonias” e de um sem-número de músicas clássicas, emprestar o seu talento para consolidar ainda mais os falsos e tenebrosos alicerces do amor inferior, que há milénios domina o mundo! Daí, três misteriosos Seres que o procuraram para que compusesse o seu próprio “Requiem”, como provam estas suas palavras: «Dentro em breve esta música será cantada no meu funeral». E assim foi!… Bem razão teve o grande Roso de Luna em afirmar no seu valioso trabalho intitulado “Quando se muere”: «Todo aquele que traz missão elevada mas que, por um motivo qualquer, não afina consigo mesmo, com a sua missão, morre! Não importa como, porém, é forçado a deixar o mundo!…».

Do mesmo modo, na arte musical, foi Beethoven quem levou a palma da Vitória sobre os demais, até ao fim da sua vida de Iniciado. Ele não foi apenas o maior músico e o mais puro artista que existiu. Foi o generoso coração ferido por todos os infortúnios, que se fez mais forte que todos eles, consagrando a sua vida às gerações futuras!

Tal como os Cristos e Budas, que deixam, após as suas passagens por este mundo de dores em que vivemos, os seus corpos celestes, o perfume das suas vidas santas e potentes, para que a Humanidade se auxilie mutuamente nessa luta constante por ascender ao Divino, Beethoven deixou-nos, também, o seu corpo e a sua alma no que de prodigioso existe nas suas Nove Sinfonias. Elas representam não só uma Bênção para todos os homens, como também uma prova palpável de que, por maiores que sejam as dores que nos afligem, haverá sempre uma porta aberta por onde nos poderemos elevar para os Céus e participar, internamente, da gloriosa ALEGRIA que ali existe. A sua Décima Sinfonia, que o mundo desconhece, por ter sido escrita em língua sagrada ou “Jina”, é bem a Décima Sephiroth kabalística – “Malkuth” ou o REINO – por ser justamente para onde evolou a sua Alma de Artista incomparável: o Reino da Verdade!…

E assim como ele, que soube transformar uma vida de dores, acalentado pelo seu próprio Génio, numa extasiante ALEGRIA, que o conduziu – herói entre os heróis – pela Harmonia das Esferas, assim deverá ser a ALEGRIA que devemos buscar: a do humano Titanismo.

OBRAS CONSULTADAS

Henrique José de Souza, Que é Intuição? Revista “Dhâranâ”, n.º 87/88, 1936.

Henrique José de Souza, Cabala Musical. Revista “Dhâranâ”, n.º 99/101, 1939.

Henrique José de Souza, Números, Cores e Sons. Revista “Dhâranâ, n.º 99/101, 1939.

Walter Smetack, A Teosofia na Música. Revista “Dhâranâ”, n.º 7/8 g, 1955.

Carlos Meireles Osório, A Obra em que se acha empenhada a STB através da Música. Revista “Dhâranâ”, n.º 13/14, 1956.

Célio Corrêa de Almeida Filho, A Música e seus efeitos nos corpos subtis do Homem. Revista “Dhâranâ”, Ano LXI, Série Superação, N.º 1, 1987.

Nilton Schutz, Iniciação Esotérica Musical. Edição do autor, São Paulo, 2007.

Ramanadi, Fonosofia. Fundação Educacional e Editorial Universalista, Porto Alegre, Novembro de 1979.

Mário Roso de Luna, Wagner, Mitólogo y Ocultista (El Drama Musical de Wagner y los Misterios de la Antigüedad). Librería de la Viuda de Pueyo, Madrid, 1917.

 

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