Sintra, 2007

Vi uma escada de ouro que fulgia

e que se elevava tanto que os meus olhos

não podiam segui-la.

Vi descerem pelos degraus tantos esplendores

que pensei que todas as luzes do céu

se tivessem juntado ali.

(Dante, Paraíso, canto 21, 28-34)

 

Apelativo de assunção e conceição, sábio e terno, patrístico e matrístico, de leitura e interpretação tanto teologal quanto teosófica, esta que não é um «delírio mental» pretendendo-se que busca simbologia em tudo, mas sobretudo transcendência intuicional, cujas bases formais, estas sim, poderão ser símbolos concretos plenamente identificados à Tradição Primordial. O «delírio» só o será para alguns, acaso pretendendo discorrer sobre a transcendência vertical da Sabedoria Divina mas, anacronicamente, ficando-se pela horizontalidade da catequese teologal, acaso humanista, certamente religiosa, descaso iniciática e raramente espiritualista.

Muito sonhei com a Escada do Céu e o Cristo em minha infância, aquando vivi com os meus pais no Restelo – topónimo indo bem com o tema, pois que é corruptela de “Estrela” –, e isso enchia-me de terror, uma das vezes tendo ficado completamente cego durante algumas horas. Outras vezes, adoecia subitamente e os meus pais comigo no seu regaço corriam aflitos ao hospital… e não foram poucas as vezes que os aconselharam à encomenda de um caixão, pois “esta criança é demasiado débil, doente por tudo e nada, não vejo como possa sobreviver. Se sobreviver, será um milagre…” – palavras do conceituado e bondoso médico Sá Chaves, já falecido, na época com consultório no final da Calçada da Ajuda, junto ao Palácio de Belém, hoje sede da Presidência da República mas que outrora pertenceu aos Condes de São Lourenço.

Conto isto em público pela primeira vez, sendo coisa do foro estritamente pessoal, por na última Lua-Cheia dos Gémeos do ano de 2007, correspondendo à Festa da Humanidade que a Igreja celebra como Corpo de Deus e a Loja Planetária como o Ritual [do Vale] de Asala (situado entre o Norte da Índia e o Oeste do Tibete), o que vai corresponder à celebração do Terceiro Trono ou Espírito Santo, Divino Logos cujo Corpo é o próprio Homem e todos os seres viventes, e a qual (Loja) é dirigida pelo Excelso Mahachoan VIRAJ ou TAKURA BEY, o “Supremo Dirigente da Grande Hierarquia Branca dos Bhante-Jaul”, dizia, por nesse Plenilúnio ter-se realizado o Ritual do Odissonai no Santuário Akdorge de Portugal, em comunhão plena com a “Mansão dos Deuses” ou Shamballah que é o Céu na Terra, no seio desta alimentando-a tanto física como espiritualmente, logo, a todos e a tudo quanto nela vive em plena evolução, e após o qual dirigi-me à janela e vi sobre a abóbada do Templo um imenso cruzeiro formado pelas nuvens do céu. Chamei outros para testemunharem o fenómeno, tendo havido quem reclamasse: “Não há quem tenha uma máquina fotográfica?…”. De facto não havia, mas ficou o registo visual na mente de todos.

Se não ficou um comprovativo fotográfico desse fenómeno celeste, ficaram doutros e quase todos a ver com Escada do Céu, a Mãe Divina e o Espírito Santo o qual, um entre muitos acontecimentos transcendentes, na forma alada de Pomba vinda do Mundo Jina adentrou o Santuário da nossa Obra e ficou pairando sobre o Altar, docemente deixando que a pegassem. Após libertada, volveu para donde tinha vindo…

Olhando nessa hora para o cruzeiro celeste traçado pelo Dedo de Deus (Aca-Bangu), acudiu-me à memória o Hino Triunfal Santuário do Brasil (Prefixo do Cruzeiro do Sul), onde a dado passo é cantado:

Um jacto de luz

Projectado do Céu,

A Terra vem beijar, feliz,

Terra de Santa Cruz bem diz,

Desenhando num Céu de anil

O teu símbolo: Cruzeiro do Sul.

Cruzeiro, Cruziat ou Ziat é tão-só o ponto delicado do assento do Segundo Logos que sendo Mãe Divina projectada do Céu à Terra, também é o Divino Filho soerguido da Terra ao Céu. Eis a Parelha Primordial Adam-Kadmon, o Andrógino Divino como Cristo-Maria. Assim se revela o Mistério do Espírito Santo, assim se abre o Céu e pela Escala ou Escada da Evolução Universal os seus cerúleos Devas ou Anjos, Mensageiros do mesmo Céu, vêm beijar a Terra feliz com a sua presença, eles os intermediários entre o Divino e o Terreno garante da Aliança de Deus com o Homem nesta Terra Prometida do III Milénio, da Satya-Yuga ou Idade de Ouro que já começou fazem dois anos, só faltando o pleno da sua frutificação!…

A relação da Escada com os metais das Idades do Mundo é referida na Bíblia, em Daniel, 2, 32-36, e já no Talmude de Jerusalém faz-se alusão a duas escadas: uma curta, que é a de Tiro da Fenícia; e outra longa, que é a escada egípcia assim associada ao simbolismo ascensional da pirâmide. A escada que liga o alto ao baixo possui o sentido da oitava musical, pois a cada degrau corresponde um outro nível. Por sua vez, o mosteiro também é uma escada de introvivência, pois no interior do claustro é que o monge realizará a sua escalada ao Céu. Por isso há mosteiros cistercienses e cartuxos com os nomes de Scalæ Coeli e Scalæ Dei. A palavra hebraica sullam, que o latim traduz por scalæ, aparece frequentemente no Antigo Testamento onde também e além da Escada de Jacob aparecem outros exemplos significativos: os três andares da Arca de Noé (Génesis, 6, 16), os degraus do trono de Salomão (I Reis, 10, 19) e os degraus do Templo de Ezequiel (Ezequiel, 40, 26, 31), enquanto o Salmo 84, 6 menciona “as peregrinações no coração”, sendo os quinze Salmos graduais denominados Cânticos das subidas.

A Escada, já o disse, é a figura principal do simbolismo da assunção. No lugar onde o Alto e o Baixo, o Céu e a Terra podem unir-se, ela ergue-se como uma unidade. Estabelece uma ponte ou vau, no sentido a que Jâmblico (+ 330 d. C.) se refere, ao convidar “os homens a se elevarem às Alturas” como que “ao longo de uma ponte ou escada”. Toda a vida espiritual exprime-se num acto de elevação que é, igualmente, um estado de introvivência profunda. É por isto que Santo Ambrósio dizia que “a alma do baptizado sobe ao Céu”. Aos olhos de Santa Perpétua, no momento do seu martírio, a assunção aparece sob a forma de uma escada, e Santo Agostinho comentará essa visão dizendo “que a cabeça do dragão (impúdico) forma o primeiro degrau da escada” (Sermão, 180, I). Não se pode iniciar a ascensão sem primeiro esmagar aos pés o dragão da impudência.

Na concepção matrística, Scalæ Coeli é uma alusão a Maria, Mãe do Salvador, do Avatara ou Messiah destinado a através da Raça Hebraica inaugurar um Novo Ciclo de Consciência no Mundo. Na sua forma latina Scalæ Coeli, em português Escada do Céu, o que esse nome de imediato mais evoca é a Mãe de Jesus, pela qual a Divindade desceu à Terra e pela qual a Humanidade, por sua intermediação privilegiada, ascende à imersão no Todo Divino, que é a Trindade, Una e Trina, diferente nas Hipóstases mas igual na sua Trinitária Unidade, a Essência.

Os elogios a Nossa Senhora, como a começou a chamar tão familiarmente São Bernardo de Claraval, constituem um mundo, e encontram-se compilados e ordenados em textos litúrgicos e para-litúrgicos, as laudes pequenas, ladainhas, ou litanias, panegíricos de ternura e de singelas declarações de amor à Mãe. Singelas mas quase sempre plenas de grande doutrinal, porque essas litanias, jaculatórias ou advocações, foram criadas em embebência contemplativa, e porque as glosas escolásticas e doutrinais ampliaram e enriqueceram de simbólica, de anagogia e de analogia, simples díades vocabulares: Orvalho do Céu, Rorat Coeli, como se rezava em 4.ª Feira de Advento, ou Splendor Coeli, estes nomes são predicados, atributos, e cada um tem margem para glosas doutrinais da melhor e mais inesperada glosa, ou do mais sugestivo comento.

Scalæ Coeli tem origem bizantina, acha-se no Hino em Honra da Virgem, Mãe de Deus, chamado Akathistos (assim intitulado por ser um cântico que a tradição litúrgica manda entoar de pé), composto nos meados do século V após o Concílio de Calcedónia. O cântico narra a vida de Maria segundo os Evangelhos e interpola, entre cada episódio, uma litania, Klimax oúranoú, a expressão surgindo logo na segunda estrofe da segunda litania – Escada do Céu, ou, como os músicos por vezes traduzem por uma questão melódica, Escada Celeste – “por onde desce o Senhor”. Afinal, Escada do Céu por ser propriedade divina significa o mesmo que Escada de Deus, Scalæ Dei.

Scalæ Coeli remete ainda para o episódio bíblico da Escada de Jacob, como lhe foi revelada no seu sonho – uma escada que unia a Terra ao Céu e por onde desciam e subiam os Anjos (Gén. 28:10-22). A concepção patrística interpretou por via da hermenêutica esse sonho como sendo uma figura prefigurativa do Mistério da Incarnação, partindo da perícopa joanina: “Vereis o Céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem” (Jo., 1, 51). A ampliação exegética e hermenêutica levou a considerar que Deus desceu ao lugar do sonho, aí instituindo a Betel, a Casa de Deus, Domus Dei, título que se atribui ainda a Maria, porque o seu ventre bendito foi a primeira Casa de Deus no Mundo incarnado, e o seu ventre fecundo o primeiro Altar, o primeiro Sacrário, onde o Senhor se expôs, real e presente, à adoração da Humanidade – Belém ou Beithlehm, a Casa do Pão, do Maná ou Manu dando o alimento espiritual da Sabedoria Divina por sua Boca perfumada, sim, porque a palavra constitui-se daquelas duas hebraicas beth e alephe, indo designar a “Casa ou Boca da Verdade”, do Verbo Divino como Pão da Vida incarnado no Cristo, este assim transformado de Pedra ou Templo Divino em Pão no escrínio do mesmo como Verbo Solar ou Avatara incarnado, sendo a manifestação deifica do próprio Eterno entre os homens. Man´hu? “O que vem a ser isto?” – interroga o povo comum pasmado. Isto é o Pão da Vida, respondo eu, o alimento espiritual da Imortalidade para um e todos que o aceitem, e não tanto esse maná ou alimento físico como hoje em dia é interpretado por alguns abusadores e muitos abusados, ambas as partes iguais no desconhecimento dos Mistérios da Iniciação, logo, nos Arcanos da Vida.

A cada etapa do Caminho da Fé, para judeus e cristãos, corresponde um livro da Escritura. No início são os Provérbios, depois o Eclesiastes e, no ponto culminante, o Cântico dos Cânticos. Guillaume de Saint-Thierry, ao descrever os sete degraus da alma, diz que ela faz o seu anabathmon, a sua assunção, e atravessa os degraus do seu coração a fim de alcançar a vida celeste. Por sua parte, Dionísio, o Aeropagita, compara as três vias – purgativa, iluminativa e unitiva – às tríades da hierarquia eclesiástica. Como os degraus da Escada estabelecem a ligação entre a Terra e o Céu, eles são constantemente usados pelos padres da Igreja e pelos místicos da Idade Média sob a sua forma simbólica: é sempre por degraus sucessivos que a alma realiza a sua própria assunção. Os três degraus ou graus de noviço, de professo e de perfeito, ou de carnal, psíquico e espiritual, ou de vias purgativa, iluminativa e unitiva, são divisões originárias do Cristianismo dos primeiros séculos que, sob nomes diversos, viriam a tornar-se tradicionais. Posteriormente, Tiago de Sarug (m. 521 d. C.) alude à “cruz levantada qual escada maravilhosa entre o Terreno e o Divino”, associando a Escada à pessoa salvífica do Cristo.

Orígenes, nas suas Homílias sobre o Cântico dos Cânticos, descreve as sete etapas que a alma humana deve transpor a fim de poder celebrar as suas núpcias douradas com o Verbo, o Espírito Divino, o que vai bem com o sentido último do termo Raja-Yoga, por significar a “União Real da Alma (Psique) com o Espírito (Eros)”. Nessa conquista espiritual de si mesmo, do aspecto celeste ou imortal, a escada comporta dez degraus para Cassiano e doze para São Bento, que os cita no capítulo 7 da sua Regra. João Clímaco, no seu tratado intitulado Escada, fala de trinta degraus, em lembrança dos trinta anos da vida oculta do Cristo, e como símbolo ascensional (ascensus) de uma hierarquia tradicional em movimento da condição humana ou terrena à angélica ou espiritual, cuja Luz após obtida muitos optam pelo movimento descensional (descensus) para a vir dar aos “cegos de espírito”, aos “pobres pelo espírito” (Jesus conclamaria sobre esses Compassivos descidos do Céu: “Bem-Aventurados os Pobres pelo Espírito”, e não “de espírito” que são os tresloucados. Mais um erro crasso na tradução bíblica… agora rectificado).

Não sendo de bom-tom e para não parecer exclusivista ou limitado ao domínio judaico-cristão, devo indicar que no Islão também aparece o simbolismo da Escada para designar o êxtase espiritual ou subida às Alturas do Profeta Maometh. E quando o Anjo Jibraîl (Gabriel) o arrebatou aos Céus no momento da sua ascensão nocturna, uma Escada (Mi´radj) soberba apareceu: era aquela em direcção à qual os moribundos volvem o olhar, e que é usada pelas almas dos homens para subirem ao Céu. Para os Sufis, assim como para os Jainos budistas tomando como exemplo o ascenso e descenso de Budha do Monte Meru, a assunção é a representação da subida da alma que escapa aos vínculos do mundo sensível e chega à Sabedoria de Deus, assunção essa também assinalada pelo arco-íris ou “escada dupla” do simbolismo cosmogónico caldaico, ou pela estrela mais brilhante na curta visão que se tem do Empório – Vénus, a Stella Maris tanto do Profeta Elias quanto dos contemplativos Carmelitas.

Finalmente, volvendo ao Antigo Testamento, a Escada de Jacob serviu de tema fundamental a numerosos escritores cristãos medievais, dentre eles Gregório Magno e Isidoro de Sevilha. Seria a partir desse acervo rico e harmonioso que os autores da Idade Média iriam construir as suas diversas interpretações da Escada Mística, a unir Terra e Céu, que a alma humana é convidada a subir na medida da sua vontade, do seu amor e da sua sabedoria, não raro cada degrau associado a um portal celeste até chegar ao topo, à absorção no Absoluto. De maneira que assim se lê naquela parte já citada do Antigo Testamento referente ao sonho jina ou profético de Jacob, sendo minhas as anotações entre retos:

Portanto, tendo saído Jacob de Bersabé, ia para Haran. E como tivesse chegado a um certo lugar, e quisesse nele descansar depois do sol-posto, tomou uma das pedras que ali estavam, e pondo-a debaixo de sua cabeça, dormiu neste lugar [pedra e crânio = Mente “petrificada” ou expressando a 1.ª Manifestação Divina, a Mineral projectada pelo Mental]. E viu em sonhos [desdobramento psicomental] uma Escada posta sobre a Terra, e a sua sumidade tocava no Céu; e também os Anjos de Deus [Mensageiros divinos] subindo e descendo por ela [Manasaputras ascendendo, Matradevas descendendo, tal qual acontece ao nível imediato quando se realiza a Yoga Akbel: “subir escandas (skandhas) e descer escandas”], e o Senhor [Eterno Logos] firmado na Escada [no topo da Escada ou Escala Evolucional, composta de sete Degraus ou Planos de Vida, Energia e Consciência], que lhe dizia: Eu sou [Yahvé, Aheieh ou Eheieh, por extenso: Aheieh Ashr Eheieh, “Eu sou o que sou”, igual a Aham Ashmin] o Senhor Deus de Abraão [Ab-Ram igual a Ram, ou Ba-Ram igual a Brahma, o Eterno] teu pai, e Deus de Isaac: Eu te darei a ti e à tua descendência a terra em que dormes. E a tua posteridade será como o pó da terra: tu te dilatarás para o Ocidente e Oriente, e para o Setentrião e Meio-Dia; e serão abençoadas em ti e na tua geração todas as tribos [raças] da Terra: E serei teu guarda [Protecção Divina à Raça Eleita] para onde quer que fores, e te reconduzirei para esta terra; nem te desampararei sem cumprir tudo o que disse [Promessa Divina à Raça Eleita, representada em Jacob ou Yakub]. E como Jacob tivesse despertado do sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu o não sabia. E cheio de pavor [temor, respeito ante o Superior Absoluto] disse: Quão terrível [transcendente, expressão da pequenez humana de quem está subjugado pelo temor divino, temencia dei] é este lugar! Não há aqui outra coisa senão a Casa de Deus [Betel, de Beithel, constituída das duas palavras hebraicas beth e alephe, as mesmas ao inverso para Beithlehem, de forma a que a Casa de Deus seja repleta pela presença do mesmo como Pão da Vida] e a Porta do Céu [Embocadura Sagrada, Portæ Coeli]. Levantou-se pois Jacob logo ao amanhecer, tirou a pedra que tinha debaixo da sua cabeça, e a erigiu em padrão, derramando óleo sobre ela [crismando-a, benzendo-a ou santificando-a, tornada assim bétilo ou “pedra animada”, conforme Sanchoniaton e Filon de Biblos, igual ao que os hindus shivaítas chamam às suas pedras sagradas: shivalingas. Isso equivale também à construção de um Templo, assim e também ao estabelecimento ou fundação de um Colégio Iniciático, sapiencial e esotérico ou de sigilo]. E pôs o nome de Betel [Casa de Deus] à cidade [equivalente do estabelecimento dum culto público, exotérico e confessional] que antes se chamava Lusa [Casa da Luz, esta projectada do próprio Deus que depois incarnaria na mesma, assim prefigurando o Mistério da Auto-geração em que a nossa Lusitânia está profundamente envolvida por motivos iniciáticos ligados ao Terceiro e Quinto Luzeiros e em que, segundo o relato bíblico, se originaria Betel]. Também fez voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar no caminho [da rectidão ou da Lei Justa e Perfeita, evocando assim a Sua guarda ou protecção inspiradora], por que ando, e me der pão para comer, e vestido para me cobrir [as forças vitais necessárias para a conquista do “pão nosso de cada dia”, visando já a futura Belém ou Casa do Pão], e eu voltar felizmente para casa de meu pai: o Senhor será o meu Deus. E esta pedra que erigi em padrão se chamará Casa de Deus: e de todas as coisas que Tu me deres Te oferecerei o dízimo [a décima parte dos esforços físicos e psicomentais realizados pessoalmente como resgate kármico, e não tanto como simples tributo fiduciário conforme pretendem hoje muitos “lobos disfarçados com peles de ovelhas”].

A transliteração simbológica é sempre lícita porque parabólica envolvente de um duplo sentido, o dito em volta do que realmente quer dizer. A escada, de modo a permitir que alguém suba ou desça por ela, tem necessariamente de estar em posição de total estabilidade, ou seja, bem assentada na Terra e bem segurada no Céu. Não pode oscilar, nem abanar, nem inclinar, tal qual a Cruz de Cristo permanece bem fixa no Monte do Gólgota mas com Ele dirigindo a sua última evocação ao Céu, clamando por seu Pai a quem se entrega no derradeiro suspiro. Neste caso, a Cruz toma a feição da verdadeira Escada Celeste: por ela se ascende ao Céu – “Toma a tua cruz e segue-me” (Mt., 10, 38), quer dizer, segue-me para o Céu, para a Suprema Libertação Espiritual, o que se integra no apelo evocatório do Hino Exaltação ao Graal: “Se tua mente é pura de Luz, / Teu coração transbordante de Amor, / Carrega contigo a Cruz, / Peregrino da Vida, / Esta Lei que seduz…”. Permita-se-me, neste caso, que proponha esta ambivalência: Scalæ Coeli evoca Maria, a Natureza Divina revestida de Humanidade ao fazer recurso a essa Matéria Primordial ou Prakriti (fundo da Escada), mas também a Plenitude Divina do Cristo expressando a Humanidade revestida da Natureza de Deus como Espírito Supremo ou Purusha (cimo da Escada). Permeio os Anjos em circulação vaivém, o que se representa no Munindra que se faz de Anjo em Homem e após volta ao Céu, Devakan, Bardo ou Plano Mental transformado de Homem em Anjo ou Ser Espiritual. De maneira que o Cristo Universal, animando a Partícula Crística palpitando no peito de cada Munindra, é Ele mesmo a Escada para o Céu, ou a Scalæ Paradisi no dizer de Anjo Guigo II (fal. 1189). A Senhora que está junto da Escada é, direi, Nossa Senhora do Pé da Cruz ou Nossa Senhora da Escada, expressão da mesma Cruz. A forma genitiva Scalæ Coeli pode ler-se: Da Escada do Céu.

É sempre num lugar elevado, monte distinto que se fixa a escada, e assim foi com a Escada de Jacob assente no “Lugar da Luz”, a Lusa ou Lusitânia bíblica a qual, nestas partes ocidentais, é a cabeça ou parte mais elevada do corpo ou continente da Europa. Também o Cristo foi crucificado num monte, o Gólgota ou “Caveira”, o crânio como repositório da Mente então se desprendendo do cérebro por ela iluminado. É na Casa elevada que Maria e os Apóstolos recebem a Graça do Espírito Santo, no Dia de Pentecostes, descendo das Alturas sobre as suas Mentes como Chamas purpuradas de Kundalini que neles ascendeu e, qual cachoeira de Fogo Divino, voltou a descender. Foi assim que os antigos Profetas e os novos Apóstolos reuniram em si uma condição única doravante assumida e proclamada universalmente: Profetas Apóstolos.

Ainda sobre o simbolismo da Pomba associada à Anunciação, ao Baptismo e ao Pentecostes, com isso representa sacramentalmente a Virtude Virginal, a Eleição Primordial e a Pureza Original, o que a transfere à ideoplasmação da Mãe Divina manifestada na Terra como Divino Espírito Santo, ou seja, o Filho que Ela dá à luz do Mundo. É assim que, iconograficamente, a Pomba ao irradiar Sete Raios de Luz (os Raios de Prakriti ou a Matéria, o que é expressado pelos Sete Espíritos Planetários manifestados) quer dizer que manifesta a Actividade Inteligente dos Sete Dons do Divino Espírito Santo: Sabedoria, Ciência, Entendimento, Conselho, Força, Piedade e Amor. Estes são os sete degraus canónicos da Scalae Potens ad Homnibus et Mundi in Spiritus Sanctus.

A Escada do Céu assume dessa maneira a feição de Monte Santo, Mons Sanctus, ou Montanha Sagrada, Mons Sacræ. Com mais ou menos verdade, com mais ou menos fábula e lenda, a verdade é que às Montanhas Sagradas foi sempre atribuído o privilégio raro de Moradas dos Deuses, dos Jinas ou Seres Superiores aí habitando invisível ou ocultamente, tendo o próprio Cristianismo dos primeiros séculos feito o seu culto através dos ermitãos e anacoretas reservando a sua vida à reclusão espiritual em covas e grutas, culto Jaino ou Jina no fundo, semelhante ao que os romanos faziam, por sua vez, no jaino Templo de Jano ou Janus. A esses Santos Jinas em seus Montes ou Retiros Privados, recorre ainda hoje a mesma Igreja cristã nos supremos momentos de angústia ou de calamidade geral, além de aí celebrar a sua inevitável e culminante festa anual conformada ao calendário litúrgico.

De facto, as montanhas ocupavam um lugar destacado no simbolismo das antigas religiões, sendo veneradas pelos povos fitando reverentes o horizonte onde se elevavam as suas massas gigantescas. Os seus cumes ocultos entre nuvens, frequentemente pareciam chegar aos céus; nas suas encostas irrompiam mananciais de ribeiras férteis ou torrentes impetuosas. Enquanto isso, os seus picos coroados de nuvens tempestuosas, tornavam-se o manadeiro de relâmpagos e raios. As montanhas, motivo de prazer e de terror, de temor e de esperança, como não haviam de reconhecer os homens primitivos um poder sobrenatural, uma divindade em todas elas? Foi assim que as montanhas se converteram em deuses, tendo recebido a homenagem de quase todos os povos da Terra.

Máximo de Tiro (c. 180) afirmou que no seu século acreditava-se que os primeiros mortais adoravam as montanhas como símbolos de divindades, e os que vieram depois persuadiram-se de que não havia montanha que não servisse de morada a algum deus… Esta adoração, já filha da ignorância espúria do vulgo beato e que foi mantida por força do hábito, tendo o costume sobrepujado a Tradição, chegou até aos séculos cultos e manteve-se entre os povos mais civilizados da Antiguidade. O mítico Monte Meru é uma suposta montanha erguida no centro do Svarga – o Olimpo dos hindus. Supõe-se mesmo que está situado ao Norte dos Himalaias, em boa verdade, “de 45 para 50 graus de latitude oeste no País de Shamballah”. Segundo a tradição hindu, o Meru era a Região da Bem-Aventurança dos primitivos tempos védicos, designado também com vários nomes, como: Ratnâsanu (Cume da Pedra Preciosa), Hemâdri (Montanha de Ouro), Karnikâchala (Montanha de Luz) e Amarâdri (Montanha dos Deuses). É indicado, ainda, no centro do Pólo Norte (magnético), lugar do primeiro continente da nossa Terra, mas que sendo transposto para a Terra Ariana estaria no centro da Índia, rodeado de outros Montes secundários. Simbolicamente, o cume deste Monte Místico está no Céu, a sua parte média na Terra e a sua base nos Infernos… e no seu cume se acha a Cidade de Brahma, BrahmapuraZyaus, Zeus, Deus ou Pater Aeternus. Interpretando esotericamente, faz supor que se refira aos limites que separam a atmosfera terrestre do éter puro, ou melhor, que o Meru é o círculo que limita a vitalidade terrestre.

Nos mais formosos tempos da Grécia, também se rendeu culto às montanhas. Os deuses moravam quase sempre no Monte Cásio, no Ida da Ilha de Creta e no Atabyris da Ilha de Rodes. Ainda hoje os gregos conservam os atributos de Júpiter reveladores da origem e afinidade desse deus com as montanhas. A águia, que acompanha a representação de tal deus, é uma ave dos cumes elevados que por sua pestana dupla pode fitar o Sol de frente sem cegar, o que a identifica tanto ao clarividente superior como àquele que detêm tal faculdade: o Iniciado Solar ou Iluminado conscientemente pela Luz Espiritual do Logos Único; a forma de raio de que está armada a mão de Júpiter (ou nas garras da águia), faz lembrar o poder ziguezagueante de Kundalini manifestado como relâmpagos e trovões que, segundo parece, partem quase sempre das montanhas.

Os Montes da Ásia Menor Ida, Dindimo, Pesinuto e Berecinto eram consagrados a Cibele, a mãe dos deuses. A esses tem que se acrescentar o do mesmo nome, Cibele, que obviamente foi consagrado a tal deusa, ou melhor, que era a própria deusa, pois a palavra Cibele significa, ao mesmo tempo, a deusa e a montanha desse nome, o que prova a identidade existente entre ambas. Saturno, pai de Júpiter, é o nome de uma montanha existente nas cercanias de Atenas, e também do Orago São Saturnino em Sintra, em cujo Monte foi celebrada a abertura do Ciclo de Aquarius, às 15 horas de 28 de Setembro de 2005. Segundo Justino e Rufo Festa Avieno, a montanha onde os romanos construíram o Capitólio também se chamava Saturno. De maneira que Saturno não era senão uma montanha antes dos lácios a confundirem com o Cronos dos gregos, o deus do Tempo. Os mitólogos alegoristas não tardaram em dar uma mulher a esse deus, a quem chamaram de Rhea, a própria Terra, mas cujo nome tão celebrado pelos poetas era igualmente o de uma montanha situada próxima de Lampsaco. Foi conveniente que ambos os deuses fossem de natureza semelhante.

Os antigos julgavam que o Monte Atlas e os Montes de Argea, de Anazarbia, o Brotis, o Quemis, o Hipo, o Gauro, o Líbano, o Anti-Líbano, o Panion (palavra que faz lembrar a vulgar panteon, ou lugar consagrado, pelos gregos e romanos, a todos os deuses ao mesmo tempo, como em nossos dias à memória dos homens ilustres e onde se recolhem as suas cinzas), o Peloria, o Ródepe, o Sipilo, o Taurus e o Viario fossem montanhas divinas. Os getos adoravam a uma montanha onde residia o seu soberano pontífice, cuja altura a tornava o santuário mais venerado do país e lhe dava a consignação de montanha santa. Também os trácios, seus vizinhos, tiveram a sua montanha sagrada, a qual foi conquistada por Filipe, rei da Macedónia. Os gauleses rendiam culto às montanhas e sobre os Alpes edificaram os seus santuários. Veneravam a São Gotardo como uma das suas divindades. Nos Pirinéus existiam muitas montanhas sagradas de cujo culto se aproveitou o Catolicismo, como esse do Caillou de l´Aragé situado sobre a montanha vizinha de Heas, célebre pelas fábulas religiosas e pelo culto supersticioso de que era objecto. Uma inscrição encontrada perto de Bagnères de Luchon e outra achada em Bakdan, nas proximidades de Bagnères de Bigorres, descrevem a oferenda de votos às montanhas, o que demonstra a existência desse culto pirenaico na Cordilheira Alpina. Os italianos adoravam ao Monte Soracto.

As montanhas, principalmente as limítrofes, eram preferidas para se fazer sacrifícios aos deuses: levar-lhes oferendas, dirigir-lhes orações e erigir templos e altares em sua honra. Tácito diz que como as montanhas estão próximas ao céu, os deuses se acham em melhores condições de ouvir as preces que daí lhes dirigem os mortais. Nas montanhas é onde nascem, educam-se e manifestam-se os deuses aos homens…

Jesus pregou o Sermão mais transcendente da moral cristã numa Montanha de Cafarnaum, e a sua morte teve lugar no Monte Calvário. Encontram-se na Bíblia numerosos exemplos de altares erguidos em lugares elevados. Os altares de Betel, do Monte Galaad, de Sichem e outros mais são provas bastantes. Deus entregou a Lei a Moisés num Monte: o Sinai. Agathias exprobra, no século VI d. C., aos alemães, súbditos dos francos, de adorar aos rios, às montanhas e às árvores. No século VII, Santo Eloi, bispo de Noyon, e São Gregório, papa, fazem o mesmo aos franceses. Tal facto pode ser ainda apontado noutros países possuidores das suas “montanhas místicas”.

Com certeza inspirado em todas essas coisas e em algo mais, foi que o genial mitólogo e músico compositor Richard Wagner desenvolveu o seu grande drama sacro apologético Parsifal no Mons Salvat, o Monte da Salvação, logo Montanha Sagrada que ele instala nos confins ocidentais da Europa, ou seja, SINTRA, esta a Lusa e Betel padronizada Escada do Céu desde a mais remota Noite dos Tempos a qual os Teúrgicos e Teósofos de Portugal, sob o timão seguro do Pensamento de Henrique José de Souza (EL RIKE), desde há muito têm a primazia na sua conclamação, culto e defesa privada e pública, jogando nela três datas decisivas cujos acontecimentos nelas ocorridos só são conhecidos dos Irmãos Maiores ou os partícipes da Câmara Interna da Comunidade Teúrgica Portuguesa: 1800 – 1900 – 2005.

O termo montanha pode ser dividido em dois:

MON ou MONAS – com o mesmo sentido da palavra Mónada: Una, Uno, Unidade. No sistema pitagórico é a Dualidade emanada de Monas (Unidade), se não o Monas Superior e Único, como seja o Mistério da Causa Primeira que é o Caijah, o Espírito ou Atmã Universal do Mundo de Duat, indo assim associar Betel ao Omphalo ou Umbigo do Mundo e à própria presença nela, sob os degraus enterrados no chão da Terra Santa por Deus prometida aos homens da sua eleição, da Shekinah ou “Presença Real da Divindade”, Morada ou Tabernáculo do mesmo Deus e seus Anjos elevado do mais profundo ao pico da mesma e edénica Montanha Sagrada, a Har Qadim árabe, que junta a outros Montes Santos da Herança constituem-se “Presépios de Belém” destinados à natividade de uma Nova Raça Dourada ou Bimânica (Budhi-Manas), Crística ou Cristina por excelência destinada a povoar toda a Terra desta Nova Era de Promissão sob a égide do Rei do Mundo – AKDORGE, veste deífica de ARDHA-NARISHA- KUMARA, “O Andrógino Primordial no Meio da Riqueza” (Segundo Céu, Trono ou Logos – o CRISTO UNIVERSAL).

TANHA – “sede de viver”, “apego à vida”. Este apego à vida é a causa do renascimento ou reencarnação. Pois bem, são atraídos para as Montanhas Sagradas e para os Montes Santos os que têm necessidade, sede de evoluir, perquirindo a Verdade através da dor kármica e do saber dhármico. Ora, para se subir à Montanha exige-se muito esforço e muita dor, pois não raro as quedas sucedem-se, mas também os levantares, sob o ânimo de uma vontade inquebrantável em chegar ao Pico. Sim, dor – Doutrina do Coração. Sim, ir sabendo o caminho – Doutrina do Olho.

É assim que a Montanha se torna símbolo de tudo quanto representa algo de positivo, solar, elevado. O simples facto de estar nela já é estar em consonância com o estado propício à elevação espiritual. Por esta razão primaz é que todas as Ordens e Movimentos de natureza Evolucional tiveram as suas fundações numa montanha, monte, outeiro ou quaisquer outras elevações. Eis o porque de se fazerem referências respeitosas aos Montes Serrat, Tabor, Gólgota, Líbano, Meru, Moreb, Airu, Ararat, Parimã, Sintra, etc., dentre muitos outros de natureza Jina ou Aghartina, divina.

Nesses lugares elevados escolhidos por sua biorrítmica de elevado padrão energético de natureza psicomental, nota-se a função da Lei da Polaridade em todos os eventos avatáricos: tudo aquilo que é da natureza do Mito Solar (Iniciação) é realizado nas Montanhas, e tudo o que é da natureza do Mito Lunar (Religião) é concretizado nas Planícies. Por esta razão a Obra Divina de JHS foi fundada na Montanha Moreb, em São Lourenço de Minas Gerais do Sul, Brasil, relacionando-se aos Mundos Interiores, Jinas, e só depois na planície à beira-mar, em Niterói, como Instituição de porta aberta aos Jivas, aos homens da face da Terra. O contrário aconteceu em Portugal com a Comunidade Teúrgica Portuguesa, entre 1978-1982: primeiro no espaço plano, ainda assim elevado, do Promontório de Sagres, e depois no espaço alto da Serra de Sintra. Significado: fundação Jina de Instituição Jiva, e fundação Jiva de Obra Jina… Mistérios da Obra, mistérios contidos no quem nasce em Portugal é por missão ou castigo.

Inclusive nas proximidades da cidade do Porto – importante por estar em primeiro lugar no nome Portugal e ter sido aí que se estabeleceu pela primeira vez os contactos directos dum escol de Portugueses com o Professor Henrique José de Souza e a Sociedade Teosófica Brasileira, de maneira esporádica nos idos 1948-1949, passando a regular desde 1956-1957 – tem-se Gondomar e a sua Serra, e nas proximidades desta São Pedro da Cova junto a NOVA CINTRA, em alinhamento perpendicular com a aldeia de BELOI à cabeça de um aro geo-gnoseológico cuja toponímia das localidades é deveras significativa para os entendidos nos Mistérios Maiores desta Obra Divina. Assim, por exemplo, aparecem povoações dotadas dos nomes seguintes: Fonte Arcada, Anho Bom, Gens (Jinas), Covelo (Cova, Embocadura), Ordins, SOUSA, Compostela, Sante, Oliveira do Arda (Ardes, Hades ou Agharta), São Miguel, São Lourenço, Serpente, Marinha (a Santa, origem de progénie lendária antediluviana, portanto, atlante), Madalena, MARIZ, São Tiago, Marmorial e JOVIM (Júpiter, Raio Espiritual do mesmo como “Jehovah Júnior”). A interpretação iniciática destes nomes bastaria para encher um livro, não de «delírio mental» ou «divagação poética» mas de iluminação intuicional, usando das chaves da Teosofia e do seu substractum, a TEURGIA.

Não haja dúvida que todos os Montes, sejam ou não Santos, todos os lugares, assim como cada corpo ou objecto, possuem determinadas frequências vibratórias. Há uns com menor potencial e há outros com maior. Os de maior potencial são denominados de Sagrados, muito mais quando transmitem exteriormente as suas energias interiores como Chakras e Sub-Chakras do Globo. Tudo o que representa valor nobre, elevado, é considerado Sagrado. O ser humano e os objectos têm maior valor pelo mais nobre e elevado que são capazes de representar e realizar.

A maioria da Humanidade e a maioria dos Discípulos ou Munindras estão na face da Terra mas sem deterem a posse efectiva dos seus Princípios Superiores, em formação, consequentemente, despossuem algum sentido superior permanente que lhes permita saber e constatar directamente o que se passa nos seus Mundos Interiores e nos do Globo, dos quais aqueles são a expressão. De modo que isso conduziu à necessidade do uso de posições geográficas – dando origem à chamada Geografia Sagrada – para que através delas se saiba o que se está processando dentro de si e no interior do Globo. Por exemplo: quando se refere a Montanha Moreb tem-se em mira o que está em baixo, e não as pedras e elevações da superfície de São Lourenço. Quando se fala na Serra de Sintra, o intuito é indicar, chamar a atenção não para os seus penedos e arvoredos mas para o que existe em baixo, onde a Tradição afirma viver o verdadeiro Mistério do Santo Graal, juntamente com o da Atlântida e do Gólgota.

Isso permite afirmar que a estrutura completa de uma Montanha Sagrada, de que só se avista a metade ou a sobre a Terra, penetra o seio mesmo da Terra e tem a sua raiz no Mundo de Duat, no respectivo Chakra e Loka donde o Kumara presidente à mesma envia à superfície o seu Raio de Vida, Energia e Consciência. Esse Kumara ou Espírito Planetário, para nós, Lusos, é Sakiel, apercebido como um pôr de sol purpurino detrás de uma Montanha, neste caso, Sintra. Esta é a Voz do Mundo e do Homem, o seu Chakra Laríngeo, canal ou vau por onde Kundalini se escoa e aflige positivamente o Mental Superior.

Assim, em relação ao Caijah e exprimindo o Chakra Laríngeo (Vishuda) da Terra e do Homem, Sintra, como Sura-Loka, exprime realmente a “medida perpendicular do Sol (Purpurino do Interior) à Terra (ou a sua Face)”, isto é, Metraton.

Por essa forma o simbolismo da Montanha, do Obelisco e da Pirâmide se identificam. A palavra pirâmide, posso revelar, deriva daquela outra aghartina purimidah, significativa de “medir a luz”, tanto a dos Astros como a da Sabedoria, o que aliás acontece com a função das pirâmides, as quais procedem filologicamente daquele termo mas que derivou no egípcio cóptico per ou pir-em-us. Esta expressão quer dizer “medida do fogo, do Sol para a Terra”, tal qual aquele Metraton hebraico a que o nosso Venerável Mestre JHS deu o significado de “medida entre o Sol e a Terra”.

De maneira que são idênticos os significados da Montanha, do Obelisco e da Pirâmide. Com efeito, se Montanha tem o sentido de elevação eis o porque da TEURGIA usar essa expressão real para avaliar o estágio evolutivo da criatura humana, pois que Montanha é símbolo da Evolução do ser humano. Realmente, quando se ouve a expressão “subir a montanha”, isso equivale a dizer: “ascender na Escala da Evolução”, nessa mesma Escada de Jacob cujos primeiros degraus se encontram enterrados nas trevas bem trevosas da Terra, do Terceiro Logos, e os últimos encobertos no esplendor do Céu, do Segundo Logos.

De passagem, em consonância com os dois últimos parágrafos, adianto ainda que em todo o Templo e Santuário consagrados o seu ZIMBÓRIO expressa o Cume da Montanha dentro do Templo, ou melhor, o Templo assumido Montanha Mística, em cujo Cume ou Pico está a LUZ DE DEUS.

Consoante a Sabedoria Iniciática das Idades, já se sabe que a estrutura humana é constituída de 7 Princípios de Vida, Energia e Consciência, e é pela tomada paulatina da consciência de cada um deles, determinados por um Atributo do Eterno, que se aprende, através dos 7 métodos da Iniciação, os 7 lances para a assunção da “Montanha Sagrada” ou “Iniciática” rumo à integração ou absorção no mesmo Eterno, Deus Único e Verdadeiro.

O método cristológico onde se encontra a noção da “Escada Mística” que leva à Iluminação Espiritual, chamado em grego de clímax, encontra-se nos Padres Apostólicos da Igreja, discípulos nomeados pelos próprios 12 Apóstolos do Cristo, assim mantendo a Sucessão Apostólica ao mesmo tempo que a perpetuidade do método de Iluminação, principalmente em São João Clímaco a quem devem o sobrenome. Para ele, trata-se de uma cuidadosa gradação dos exercícios espirituais, galgados degrau por degrau. “Desse modo se chegará – diz São Simeão, o Novo Teólogo – a deixar a Terra para subir ao Céu”. E Santo Isaac, o Sírio, desfeche: “A escada deste reino está escondida dentro de ti, na tua alma. Lava-te, pois, do pecado, e descobrirás os degraus por onde subir”.

Esse último trecho identifica-se com justa inteireza ao que Helena Petrovna Blavatsky escreveu na Voz do Silêncio ou Livro dos Preceitos Áureos: “Que tua Alma dê ouvidos a todo o grito de dor como a flor de lótus abre o seu seio para beber o sol matutino. Que o sol feroz não seque uma única lágrima de dor antes que a tenhas secado dos olhos de quem sofre. Que cada lágrima humana escaldante caia no teu coração, e aí fique; nem nunca a tires enquanto durar a dor que a provocou. Estas lágrimas, ó tu de coração tão compassivo, são os rios que irrigam os campos da caridade imortal. É a semente da libertação do renascer. A escada pela qual o candidato sobe é formada por degraus de sofrimento e dor; estes só podem ser calados pela voz da virtude. Ai de ti, pois, discípulo, se há um único vício que não abandonaste, porque então a escada abaterá e far-te-á cair; a sua base assenta no lodo profundo dos teus pecados e defeitos, e antes que possas tentar atravessar esse largo abismo da matéria, tens que lavar os teus pés nas águas da renúncia. Longa e fatigante é a senda ante ti, ó discípulo. Um único pensamento a respeito do passado que abandonaste puxar-te-á para baixo, e terás novamente de começar a ascensão. A Luz do único Mestre, a única, eterna Luz dourada do Espírito, derrama os seus raios fulgurantes sobre o discípulo desde o princípio. Os seus raios atravessam as nuvens espessas e pesadas da matéria”.

Para que o discípulo fosse conquistando paulatinamente a consciência plena do seu Eu Superior de maneira a tornar-se autónomo, independente como Adepto, o seu Mestre aplicava o crivo apertado e austero do método universal de Iniciação Real: a uma primeira fase cordial passava a uma outra fase aparentemente desdenhosa, crítica de preceitos e usos incorrectos até aí questão de «fé inquestionável» para o discípulo, assim se tornando para ele o período desinteressante, mas assaz perigoso por o puder levar a desistir antes de verdadeiramente começar a trilhar o Caminho da Iniciação verdadeira… Apenas os que estão na Verdade ou muito próximos dela possuem amplitude suficiente para apresentar as pistas falsas, entremescladas às verdadeiras, na vereda para Ela, de maneira que o discípulo aprenda a separar “o irreal do real, a mentira da verdade, o falso do verdadeiro”, e assim o discípulo incauto se confronte com o seu próprio erro que é, antes do mais, triplo como tudo na vida: em primeiro lugar, a vaidade, o querer-se superior aos demais, pretensão inglória que o Mestre lhe demonstrará não raro por dolorosas desilusões; em segundo, a pressa de chegar a algum lado, o querer conhecer tudo para tudo saber e egoisticamente impor aos demais como um “sábio da Grécia”, intenção que também lhe será esboroada pelo Mestre ou Professor, e a qual também implica, não raro, o coleccionar de troféus, distintivos, insígnias e outros objectos ostensivos de vaidade entremesclada a superstição, demonstrativos da sua pouca maturidade interior; e, em terceiro, o hábito de não pensar por si mesmo, deixando aos outros a destreza de manipulá-lo e, também não raro, confundi-lo e arrastá-lo à perdição definitiva no imenso limbo do erro em desfavor completo da Verdade, esta que implica sempre trabalho de auto-aperfeiçoamento pela Vontade, Sabedoria e Actividade, visto ninguém poder evoluir por alguém. Esta é a fase em que o discípulo, curioso e incauto, já tendo obtido muito mas ainda assim sempre insatisfeito, decerto por não ter assimilado e integrado em sua consciência e viver esse mesmo obtido, deseja, exige mais do Mestre, e na qual este não só exerce uma crítica construtiva cerrada sobre tudo e todos como também se recusa a avançar mais, permanecendo numa rotina aparente, monótona e cinzenta… própria para desistentes… os que, de Deus Interior adormecido, mantêm-se na observação de defeitos em tudo e em todos mas nada fazendo para transformar os seus próprios, na mais sublime prática da Teurgia que começa justamente pelo aperfeiçoamento pessoal, nas kumáricas palavras do misterioso Lorenzo Paolo Domiciani…

Vencidos esses obstáculos – quando vencidos… – o Mestre começa a mostrar a sua face mais íntima, não antes do discípulo habituar-se a respeitá-lo e reconhecê-lo. Irá encontrar nele uma inteligência vivíssima a par de um coração compassivo, um Ser adorável e belo. E é assim que o verdadeiro discípulo se faz à semelhança do Mestre.

Nisso consiste a Iniciação Avatárica, a Metástase da própria Iniciação Teúrgica, esta intimamente ligada à biorrítmica da Nova Civilização do Ciclo de Aquarius, aquela relacionada com a intemporalidade dos Supremos Mistérios dos Oitavos Seres, os Avataras… expressando a Suprema Neutralidade! No Mestre Verdadeiro vibram sempre, nítidas e alternadamente, essas duas faces do indivisível Oitavo: uma como Quinto ou Sábio, o Senhor da Civilização, do Conhecimento Humano que se aprofunda e se transforma dentro da Mente Universal; outra como Sexto ou Amoroso, como Sopro Incessante emanado da Cidade Eterna, Shamballah. Todo o Mestre Verdadeiro cultiva e vivencia essas duas faces e as ministra os que dele se acercam, consoante as suas potencialidades e realizações… transformações… ou Iniciação Real.

Sem esse método universal de Iniciação e levando as coisas para a Obra Divina do Excelso EL RIKE, acontece, como se diz na gíria popular brasileira, resvalar inevitavelmente para a condição improdutiva – egoísta, fanática e beata sempre cega ou vazia de consciência superior – de «puxa-sacos» e «vaquinhas de presépio». Por isso dizia o saudoso Sebastião Vieira Vidal: “Sim, muitos falam Dele, mas nem todos possuem o sinete JHS gravado na fronte!”, dando prosseguimento às palavras anteriores do mesmo EL RIKE (JHS): “Nem todos os que aqui estão [na Instituição], são [da Obra]… e muitos dos que não estão, são!”.

Ante tudo isso e para que os seus afiliados também pudessem ascender na Escala da Evolução Universal, e esse foi o propósito principal da sua fundação em 24 de Junho de 1717, igualmente a Maçonaria Escocesa comporta no seu corpus simbólico a Escada, esta que está logo ao início do seu compósito hierárquico, ou seja, no painel do 1.º Grau de Aprendiz. É aqui que a Escada representa as três virtudes cardeais ou graças a que o Maçom deve ir subindo, paulatinamente tomando posse inteira das mesmas assumindo-as em sua consciência como estados gratíficos que o farão, em boa verdade, um genuíno Construtor do Templo da Alma: a , representada pela Cruz, no 2.º Grau de Companheiro; a Esperança, assinalada pela Âncora, no 8.º Grau de Intendente das Construções; e a Caridade, apontada pela Taça, no 14.º Grau de Grande Eleito da Abóbada Sagrada.

A Fé não é crença, pois quem crê também descrê, é antes de tudo tomada da Consciência Verdadeira e entrega incondicional à mesma, sendo assim produto de anos, e até vidas, de amadurecimento interior pela sabedoria do sofrimento e pelo amor da entrega. Com Fé nunca se perde a Esperança, e havendo Esperança há sempre Caridade ou Amor incondicional.

Há nesses três Graus citados a referência numérica à Torre do Arcano 16, quando se soma e reduz os seus valores: 1+4 = 5 + 8 + 2 + 1 = 16. Tal como na Escada também na Torre se sobe e desce numa espiral de demanda que vai bem com a “Rebeldia Celeste”, aqui sendo o esforço do próprio Homem na conquista da Divindade, possuído de Fé na Esperança de que a Caridade ou Amor também torne a ele Divino. Essa Torre, idealmente, tal qual o ideal de sete graus para a Escada, deverá ter sete lances, e assim o 1+6 = 7 finda determinando o “Vencedor”… do Ciclo de Necessidade.

Símbolo precioso de ascensão e descensão, evolução e involução, a Escada de Jacob indica maçonicamente o “Caminho da Perfeição”, conceito integrado e completado por esse outro litúrgico: o “Caminho Sagrado para Deus”. Ambos os designativos significam o mesmo: o Caminho da Iniciação verdadeira, que cada um deve palmilhar por seus próprios esforços, e todos quantos estão no mesmo, subindo degrau a degrau, comutando as carências uns dos outros no espírito permanente e fraternal de entreajuda.

Na Maçonaria Escocesa há três tipos de Escada: a já assinalada Escada de Jacob, figurando emblematicamente no painel de Aprendiz, de maneira a lembrar as sete virtudes fundamentais que todo o Maçom deve cultivar logo desde o início: Temperança (Tolerância), Prudência (Descrição), Justiça, Fortaleza da Alma, Fé, Esperança e Caridade.

Segue-se a Escada de Mestres, possuída de dois lances de cinco degraus, cada um representando cinco virtudes como desenvolvimento daquelas outras iniciais: Temperança, Descrição, Franqueza (Sinceridade), Clemência (Piedade) e Candura (Doçura d´Alma). Os dois lances de cinco degraus significam as virtudes da Alma (lance superior) transformando as faculdades do Corpo (lance inferior), cada uma a ver com um dos cinco “elementos subtis da matéria” (tatvas), afligido positivamente por ela e que torna o Peregrino da Vida um Homem Sábio, aqui, um verdadeiro Mestre Maçom.

Por fim vem a Escada Misteriosa do 30.º Grau Kadosh, a do “Consagrado” ou Grande Eleito, a qual expressa a Assunção da Alma Eleita graças às skandhas ou virtudes desenvolvidas servindo-lhe de aeróstato espiritual para chegar ao Mundo de Deus Vivo, Único e Verdadeiro. Aí, em seu imo profundo após ter desenvolvido o carácter pela mais dilatada moral – não a castrante e puritana que faz do homem escravo de si mesmo, mas essa nascida da compreensão das causas suscitadoras dos efeitos e que, naturalmente, sem imposição de espécie alguma, faz a criatura casta e pura – torna-se ciente da Sabedoria Divina, e, qual Bodhisattva Compassivo ou verdadeiro Cristo (assim deve ser o Kadosh…), volta a descer ao mundo dos homens portador da mais vasta cultura que lhes revela através das sete ciências tradicionais de que se compõe o trivium e o quadrivium, indispensáveis para compassar e esquadrar com justeza e perfeição o cardus e o decumanus do Novo Edifício Humano nesta Nova Betel, Casa de Deus, que é esta Terra Aquariana em que tudo e todos vivem, na dinâmica permanente da Marcha da Evolução sempre avante.

Para se tomar posse efectiva e integral da Escada da Iniciação verdadeira, aliás, iconografada tanto em Igreja quanto em Loja – jamais devendo esquecer-se que sobretudo O TEMPLO É LUGAR DE REALIZAÇÃO, NÃO DE RELIGIÃO –, ou seja, para unir o Celeste ao Terrestre, o Superior ao Inferior, o Segundo ao Terceiro Trono ou Logos, a Alma ao Corpo, para que se manifeste o Primeiro Trono como Espírito do Homem e do Mundo, o ser humano em evolução precisa escalar, atravessar os sete estados de consciência afins à sua natureza inteira. Esses sete estados mais os cinco atributos em pleno funcionamento (equivalentes aos cinco sentidos e os cinco tatvas), formam o grupo de 12 skandhas, as virtudes cardeais ou tendências superiores, positivas gravadas na “Flor de Ouro”, mais duas ocultas (representadas nos catorze degraus da Escada Kadosh), formando na realidade as catorze “pétalas” do Centro Vital Cardíaco (Anahata Chakra).

Segundo a Tradição Iniciática, esses cinco atributos são:

RUPA: Forma.

VIDÂNA: Percepção.

SANJNÂ: Consciência.

SANSKARA: Acção.

VIDYÂNA: Conhecimento.

Os sete estágios ou estados de consciência, são:

1.º ESTÁGIO – SHUBAICHA – MENTAL CONCRETO:

– Quando se adquire um Mental capaz de investigar.

2.º ESTÁGIO – VISHRANA – MENTAL CONCRETO-ABSTRACTO (MANAS TAIJASI):

– Quando se estabelece a ruptura com o Passado.

3.º ESTÁGIO – TANU-MÂNASI – MENTAL ABSTRACTO:

– Quando se perde a “muleta” do Mental Concreto e se adquire o Mental Abstracto. Neste estado, a Mente fica mais livre e pode dominar os seus vrittis (“turbilhões kama-manásicos ou psicomentais”) e pensamentos, apercebendo a Omnipresença do Eterno.

4.º ESTÁGIO – SATTVÂPATTI (GRAU DO ARHAT OU CHRESTUS) – MENTAL ABSTRACTO-BÚDHICO (BUDHI TAIJASI):

– Quando Budhi (Intuição) está actuando e se alcança a Omnisciência de Deus. É o grau mais elevado que o Homem pode alcançar neste Ciclo de Evolução. A seguir corta todos os liames kármicos à Cadeia Planetária ou Manifestação Terrestre, podendo ou não, conforme queira, passar a auxiliá-la em sua Evolução, já como Adepto Real ou Mahatma.

5.º ESTÁGIO – ASSANSHAKTI BUMIKA – BUDHI-ATMÃ:

– Quando a Consciência Búdhica está focada no Plano Átmico (Espiritual), tomando noção da Omnipotência do Eterno, logo tornando-se senhora dos Três Aspectos Divinos.

6.º ESTÁGIO – PADÂRTHA BHÂVÂNA – ATMÃ:

– Quando se descobre ou revela a Palavra Perdida, o Nome de Deus, logo o seu próprio Nome, porque Dele é partícula individualizada (Jivatmã, “Vida-Consciência”) – os três primeiros sons que deram origem ao Universo e ao Homem.

7.º ESTÁGIO – TURYAGA-BUMI – ANUPADAKA:

– Quando o discípulo já é Adepto, estando integrado em sua Mónada Divina (Anupadaka), consequentemente, na Mente Universal (Mahat). Daqui em diante o Adepto pode desaparecer no Espaço Sem Limites ou prosseguir no Espaço Com Limites em qualquer dos sete caminhos operáticos tradicionais, um deles o de ajudar os seus irmãos em Humanidade no impulso da Evolução.

Tudo o dito revela-se claro no trecho seguinte, respigado a obra literária depositada na Biblioteca do Mundo de Duat:

“LIVRO SUTRA DHARMA – … Os dois existem: um como Espírito e outro como Matéria…  Nenhum dos dois se entende, porque um anda em busca do outro! O que está em baixo, nunca sobe… o que está em cima, desce sempre para salvar a sua sombra, sob a tutela do Divino… A um sobra esta parte; ao outro, esta falta. O Mundo caminhará às tontas, até que Deus se faça uno com ele!…”

Resta fazer o bom voto que um e todos iniciem em si mesmos, quanto antes, o descobrir ou o assumir da sua Scalæ Coeli, começando a escalada da sua assunção a fim de resolver-se de vez o problema magno até ao momento afligindo aos mesmos um e todos: o da FELICIDADE HUMANA.

 

OBRAS CONSULTADAS

 

Bíblia Sagrada, traduzida em Português segundo a Vulgata Latina pelo Padre António Pereira de Figueiredo. Da edição aprovada em 1842 pela Rainha D. Maria II com a consulta do Patriarca Arcebispo Eleito de Lisboa. Depósito das Escrituras Sagradas, R. das Janelas Verdes, 32, Lisboa, 1911.

J. Pinharanda Gomes, Génese e percurso da Cartuxa de Évora. Separata de Eborensia, revista do Instituto Superior de Teologia de Évora, Ano XV – 2002 – N.º 29.

Jorge Adoum, A Magia do Verbo ou o Poder das Palavras. Edição Fundação Educacional e Editorial Universalista (FEEU), Porto Alegre (RS), Outubro de 1975.

Jorge Adoum, A Génese reconstruída. Edição FEEU, Porto Alegre (RS), Janeiro de 1980.

René Guénon, O Rei do Mundo. Editorial Minerva, 2.ª edição / 1978, Lisboa.

Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário de Símbolos. José Olympio Editora, 2.ª edição, Rio de Janeiro, 1990.

J. M. Ragon, La Misa y sus Misterios (comparados com los Misterios Antiguos). Muñoz Moya y Montraveta, Editores, Sevilla, 1984.

H. P. Blavatsky, As Origens do Ritual na Igreja e na Maçonaria. Editora Pensamento, São Paulo, 1972.

Helena P. Blavatsky, A Voz do Silêncio (e outros fragmentos extraídos do Livro dos Preceitos Áureos). Versão portuguesa de Fernando Pessoa. Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro, 1969.

Mário Roso de Luna, O Tibete e a Teosofia – Os Shamanos do Gobi e de outras partes. Revista Dhâranâ n.º 77, Julho a Setembro de 1933, Ano VIII, Rio de Janeiro – Niterói.

Henrique José de Souza, Interpretação Teosófica Marajoara. Revista Dhâranâ n.º 91-94, Janeiro a Julho de 1937, Ano XI, Rio de Janeiro – Niterói.

Livro de Hinos da Ordem do Santo Graal. Edição Interna, São Lourenço (MG).

Os Atributos da Alma Humana – I, apostila n.º 16 do Grau Astaroth da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Da Montanha ao Caijah, apostila n.º 89 do Grau Munindra da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Vitor Manuel Adrião, Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria. Editora Dinapress, Lisboa, Setembro de 2002.

Vitor Manuel Adrião, A Ordem de Mariz, Portugal e o Futuro. Editorial Angelorum, Lda., Carcavelos, Maio de 2006.

 

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