Sintra, Sexta-Feira de Paixão de 1988

A celebração da Páscoa familiar do espírito religioso judaico-cristão, contudo sob nomes e expressões diversas possui antiguidade difícil de situar a origem por se encontrar presente em quase todas as religiões tradicionais do mundo, muitas delas bastante anteriores aos cinco mil anos da fundação do Judaísmo.

Todavia, nós, ocidentais, por herança cultural transmitida através das gerações estamos mais familiarizados com o festejo pascal judaico-cristão, celebrando os judeus a memória bíblica de Abraão ter oferecido em sacrifício a Deus o seu filho primogénito Isaac, imolação impedida pelo Anjo do Senhor, Malachim, que pusera à prova a fidelidade do patriarca hebreu e assim preferiu a dádiva de um cordeiro, e é também a celebração do Êxodo hebraico da saída do escravidão do Egipto. Para os cristãos, na Páscoa celebra-se a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Mas, como em tudo, a Páscoa possui três leituras de natureza mais sapiencial que confessional que se completam entre si, sabido ser o número três o da perfeição da Unidade manifestada como Espírito, Alma e Corpo para os pitagóricos e platónicos, como aliás o disse há dias atrás no programa radiofónico Raio X da Páscoa, da Rádio Comercial – Antena 1, dirigido pela radialista Isabel Portugal.

Páscoa Teogónica – Mundo Divino – 1.º Trono – Pai (Espírito)… Ressurreição de Cristo.

Páscoa Cosmogónica – Mundo Celeste – 2.º Trono – Mãe (Alma)… Paixão de Cristo.

Páscoa Antropogónica – Mundo Terrestre – 3.º Trono – Filho (Corpo)… Morte de Cristo.

À primeira corresponde a transição do Logos Planetário da 4.ª para a 5.ª Iniciação Cósmica, Logoidal, do estado de Atlasbel (4.º) a Arabel (5.º), da Crucificação no seio da Matéria Universal (Prakriti), para a Ressurreição no Espírito Cósmico (Purusha), após transitar pelo vale de dores e paixões que é o Plano da Manifestação Universal (Manvantara). Esta Passagem, Pessach ou Páscoa da Matéria ao Espírito realiza-se tanto na Divindade, como na Natureza, como no Homem.

A nível cosmogónico, a influência cósmica das 12 Hierarquias Criadoras manifestadas pelas 12 constelações do empório zodiacal é determinante, posto ser o fundamento do simbolismo celeste da tradição e liturgia pascal judaico-cristã.

Com efeito, quando o Sol, devido à precessão dos equinócios, cruzou o equinócio vernal no signo do Touro fundou-se em Mênfis, Egipto, o culto de Ápis, a divindade zoomorfizada no touro alado (Tur-Zim-Muni) cuja estátua original era feita de ouro extraído da solução alquímica. Mais tarde, Moisés, junto ao Monte Sinai e quando o signo do Carneiro foi ocupado pelo seu equinócio vernal, substituiu o culto bodivo pelo abraâmico do cordeiro pascal.

Quando Jesus nasceu o equinócio vernal estava no quinto grau do signo de Peixes, com Carneiro em exaltação elevando-se ao Sol lenta e majestosamente na eclíptica do empório. Daí o Cristo ser consignado Agnus Dei, o Cordeiro de Deus, e dois peixes (em hebraico, ichthu, cuja pronúncia acerca-se de ioshua, isto é, Jesus) serem o signo esotérico e santo-e-senha dos primitivos cristãos. Como memória iconográfica, a própria mitra bispal conserva a forma de cabeça de peixe…

Jeoshua Ben Pandira, o nome verdadeiro do Jesus bíblico, segundo a Tradição Iniciática terá realmente nascido no equinócio da Primavera, pela Páscoa judaica. Cumprindo-se a inabalável Lei dos Ciclos por que se rege a Vida Universal, nasceu o pequeno Agnus ou Agni, o aguardado Messias ou Messiah, enfim, o Avatara ou Manifestação do Espírito de Verdade, que sendo o Quinto Bodhisattva expressava Verbo Solar, o Princípio Flogístico subjacente à animação da Natureza inteira, motivo para a Tradição Iniciática das Idades o apelidar prosaicamente de Mar de Fogo, a Grande Fogueira ou Mundo das Causas.

O solstício do Inverno marca o fim do nono mês (da gestação do Género Humano) contado a partir do início ou nascimento do ano astrológico, que se dá em 20/21 de Março com o Sol em Áries (Carneiro). Fecundada a Natureza pelo Astro-Rei (Helius ou Surya, em latim e sânscrito) através da impetuosidade e determinação de Marte, é nove meses depois que surge o Filho, o novo Sol que tomará o lugar do anterior, ou por outras palavras, o Sol da Meia-Noite (Capris, o Kumara ou Caprino, motivo vazando no costume popular de se comer cabra ou chivo no domingo de Páscoa) é sucedido pelo Sol do Meio-Dia (Áries, Agnus, o Kartikeya, igualmente motivo popular para inserir na dieta pascal o cordeiro ou carneiro). Sempre a Lei dos Ciclos presente na perpetuidade da transição ou passagem dos mesmos, acontecimento cósmico celebrado em festividades sazonais pelos povos.

Como já disse, Páscoa ou Pessach, em aramaico (a primitiva língua hebraica), significa precisamente passagem, trânsito.

No calendário lunar semita, a Páscoa judaica é realizada no equinócio vernal a 14 de Nisan, correspondendo ao nosso 6 de Abril, no período da Lua Cheia do Carneiro, sendo a Páscoa cristã celebrada no primeiro domingo após o Plenilúnio (de Peixes) incidindo no equinócio da Primavera, ou até 28 dias após essa data. Enquanto os levitas celebravam o Cordeiro Pascal, o Cristo levava a efeito o ágape ministerial da Última Ceia, ensombrada pela proximidade do martírio no Calvário.

Com essa cerimónia Jesus Cristo instituiu, para o Ciclo de Peixes, a Ordem do Santo Graal (ou de Melkitsedek), formalizando o Rito Eucarístico (ou Eu Crístico…) através do sacrifício do pão e do vinho (trigo e vinha ou espiga e vide), corporificações simbólicas da Lei corporal (Lex sed Rex) e da Sabedoria espiritual (Sapientia sed Sacerdos).

O pão é o alimento substancial extraído da espiga dourada, a carne fina ou fina camada do Corpo Sacrossanto da Mãe-Terra. Pão, panis, petra, pedra expressiva da Pedra Cúbica da Lei mantenedora da Ordem Universal incarnada no Supremo Instrutor de Homens e Anjos, o Cristo, Ele próprio a Pedra Viva ou Ara da Vida no Supremo Sacrifício de dirigir a marcha avante dos seres em evolução.

Se de Pedra Cúbica se trata ter-se-á então o Cubo Perfeito, posto desdobrar-se em seis superfícies quadradas iguais indo formar a Cruz coroada ao centro pela Rosa como Quinto Princípio ou Quintessência Crística, a que possibilita a passagem da Crucificação à Ressurreição, da Morte à Imortalidade. É o Vitriol alquímico.

Tanto a palavra búlgara quanto a russa veuzkressenié e veskressenié, pronunciadas na liturgia pascal da Igreja Ortodoxa oriental para expressar a Ressurreição, significam exactamente sair da Cruz.

– ESTE É O MEU CORPO. TOMAI E COMEI!

O vinho (iain, em hebraico) transubstanciado na santa liturgia vem a ser a bebida da imortalidade, o soma ou sod possuído do sentido de mistério, e pelo Santo Mistério Eucarístico torna-se igual ao Elixir da Imortalidade, à Panaceia alquímica igual à Quintessência da Natureza, esta despossuída de algum elemento químico grosseiro capaz de entorpecer os sentidos humanos invés de os exaltar como o faz o vinho eucarístico, expressivo do Espírito Glorioso do Cristo Universal.

O impacto do sangue humano, a parte mais densa do corpo etérico, com a energia vital presente no vinho sagrado, tem por fim a dilatação do estado de consciência imediata e possibilitar a comunhão com o Cristo Interno, no mais exaltante e puro dos êxtases espirituais chamado de Nirvi-Kalpa-Samadhi pelos Iluminados orientais, esse que derriba de vez a dúvida da Morte e finca a certeza da Imortalidade, da Vida infinda.

– ESTE É O MEU SANGUE. TOMAI E BEBEI!

No dia 19 de Abril de 1942, o Professor Henrique José de Souza, o Mestre JHS assim conhecido por Teúrgicos e Teósofos, instituiu no seio da sua Obra o Rito da Santa Eucaristia, dizendo aos seus discípulos ser chegada a hora de dividirem ao meio o pão e o vinho: “Estais há milénios sob a minha tutela, embora que somente na encarnação actual viésseis a saber tal coisa”. Com efeito, tal como Buda e Cristo instituíram Rito idêntico também JHS o fez, primeiro só com os seus 12 pares mas para ser prosseguido pelos vindouros afins ao seu Espírito e Obra, com inteligência e amor. Se os que adentram hoje a Instituição por Ele fundada estão ou não afins com esse mesmo Espírito e Obra, só os próprios poderão responder e os outros aperceber pelos seus actos e expressões. O Rito da Eucaristia ou Eu Crístico mantém sempre o mesmo padrão espiritual, independente dos que hoje o celebram acaso poderem não estar à altura de tamanha Comunhão. Repito: os seus actos e expressões revelarão se de facto é ou não assim. Na minha opinião pessoal, a melhor maneira de estar afim ao Espírito de JHS (AKBEL) é não deixar-se perder em correntezas e ideias completamente estranhas ao mesmo, é estudar e praticar, sempre no esforço permanente de procurar realizar a verdadeira Transformação da Vida-Energia em Vida-Consciência. É, enfim, procurar entender e integrar o mesmo Espírito de Amor e Sabedoria invés de perder-se em elucubrações animistas bizarras, sem sentido e estranhas ao mesmo Espírito, as quais arrastam sempre ao pior dos fanatismos e ignorâncias, com a agravante fatal de estar-se a misturar azeite puro com lodo podre. Motivo para o Mestre JHS solicitar em 6 de Maio de 1952: “Devo pedir aos Irmãos, a fim de não prejudicar a Yoga – a que estamos fazendo – o seguinte: deve-se evitar o espiritismo em nosso meio, a fim de não prejudicar a Yoga no nosso ambiente”.

Se acaso haja quem faça isso hoje na Instituição inicialmente fundada por JHS, o problema será de quem o faz, mas por certo não devendo ser muito saudável, logo, tampouco feliz e sem nenhuma certeza dos seus actos anómalos.  As palavras de JHS em 1952 dirigiram-se, em primeiro lugar, aos verdadeiros da sua Corte ou Família Espiritual (de igual modo as de Buda e Cristo em relação aos dos seus Movimentos), para que estes testemunhassem e perpetuassem o Santo Rito aos vindouros. Os vindouros são os presentes, e se os presentes estão à altura de tão grandiosa Comunhão Eucarística os seus actos e expressões, repito, o revelarão. Isto não só para a assembleia mas começando pelos próprios sacerdotes, sacerdócio que não é um cargo social dentro da Instituição mas um encargo espiritual para toda a vida. Não concordo que de tanto em tanto tempo sacerdotes e sacerdotisas se revezem nessas funções. Por exemplo, hoje é-se sacerdote ou sacerdotisa e amanhã deixa-se a função voltando ao “normal”, ficando outro ou outra no seu lugar, num rodízio permanente fora dos mais elementares princípios da disciplina e arte sacerdotal. Não tem sentido, não é canónico e logo não é investidura verdadeiramente sagrada, tão-só um proforma, pior ainda quando se assiste ao altar com os mais rudimentares e equivocados conhecimentos da Obra Divina (quando se os tem…), por se acreditar que basta estar presente para se estar isento de karma, ser salvo com direito garantido ao Céu ou Shamballah, não se precisando conhecer, estudar e praticar os Mistérios da Obra de Deus, o que é a mais notória e flagrante manifestação de ignorância e superstição com que se encapota o medo secreto do desconhecido porvir a qualquer momento da vida. Seja como for, e ainda que a Obra seja uma coisa e a Instituição bem outra, os Rituais e os Ensinamentos do Mestre JHS estão certos, certíssimos, cabendo a apreensão e compreensão dos mesmos àqueles que verdadeiramente os queiram abraçar e seguir.

Pão e Vinho, Lei e Sabedoria, Rigor e Compaixão, Justiça e Amor, Jairus e Jeffersus, Avataras Terreno e Celeste, Terra e Céu, Manasaputras e Matradevas, enfim, tais são os dois aspectos Temporal e Espiritual da Instituição e Obra do sublime e último Avatara de Piscis, cuja letra grega inicial do seu nome Yoshua, vem a a assinalar o próprio Itinerário de Yo ou Io, a Mónada peregrina de Jerusalém a Roma, e de Roma a Lisboa e Sintra, na rota certa do Extremo Ocidente do Mundo, buscando o final apoteótico da sua evolução nas Lavras do Sul de Minas Gerais, no Brasil, a “Nova Lusitânia” ou Terra de Luz como a consignou Pedro de Mariz no século XVII nos seus Diálogos de Vária História.

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Acerca dos Passos da Cruz e do Sangue Real da Divindade humanizada no Cristo posta emrelação tanto com o Corpo Vital como com o ciclo quaternário da Terra, tive ocasião de proferir recentemente:

O Corpo Etérico, Duplo Etérico, Corpo Vital, Corpo Energético, Corpo ou (e) Aura da Saúde, Linga-Sharira, etc., de acordo com as suas várias designações, para a Teurgia o REGATO VITAL, com efeito é percorrido por filamentos luminosos chamados “canais etéricos ou vitais”, em sânscrito nadhis, por onde discorre a energia vital chamada Prana e que, ao solidificar-se através do aparelho pléxico-glandular (exteriorização dos mesmos chakras , os “centros ou vórtices bioenergéticos”), revela-se como sangue. Dos inumeráveis nadhis que constituem a malha etérica destacam-se 14, conforme a Tradição Iniciática, intimamente ligados aos mesmos chakras. É pelo Corpo Etérico que se estabelece a ligação tanto com o Mundo visível quanto com o invisível. Ele existe? Façamos um pequeno exercício. Fechemos os olhos com intensidade e abramo-los de seguida e veremos o «fantasma» dos objectos, que aliás envolve todos. É a concentração vibratória do corpo energético e que confirma a interpretação simples da MATÉRIA ser ENERGIA CONCENTRADA. Ou então, principalmente nos dias de Verão e quando se está relaxado ou cansado, verem-se partículas luminosas no ar: são os globos ou átomos etéricos.

Pois bem, esses 14 nadhis (principais) do Duplo Etérico ou Físico Superior não deixam de ter uma relação efectiva com a Paixão de Cristo, no sentido da transubstanciação das ojas ou “acúmulos energéticos” circulando nos nadhis e pela qual o sangue torna-se de impuro e Jiva em puro e Jina, dando-lhe uma tonalidade dourada efectivando-o Sang Greal, sim, o Santo Real de todo o Messias ou Avatara contido na Taça do Santo Graal e que é o sentido último e supremo da Eucaristia, seja a católica, seja sobretudo a teúrgica, como medida elevada ritualística de comungar do Sangue Real, logo, Quintessência do Avatara, Bodhisattva ou Messiah Jeffersus que, sendo Sangue Real, Crístico, vem a cristificar o sangue do partícipe na liturgia da comunhão. Por isto, a importância dos Rituais Teúrgicos, sobretudo os Nobres quando a Taça se desvela, que estabelecem um vínculo profundo à Aura de Vida do Avatara por via do sangue que, afinal, é a densificação do éter vital circulando nos canais etéricos, estes que também se expressam no corpo físico como veias pelas quais circula o líquido vital.

O Logos Central do Sistema Solar cujo Corpo é o próprio Sol, tem sido pomo de devoção por todas as religiões em todos os tempos, sobretudo as chamadas “religiões solares” ou de natureza evolutiva, que são sempre fundadas no topo de montanhas, montes, em suma, lugares elevados. A assunção dolorosa do pé do monte ao alto da cruz por Jeoshua Ben Pandira, o Chrestus, corresponde à 4.ª Iniciação Real, ao ARHAT DE FOGO, este que é o de KUNDALINI em busca do Progenitor, FOHAT, promanado do Logos Solar, a quem o Divino Mártir invocará como Helion, Helius ou Eloy, o mesmo SURYA, e não como “Elias” na má interprestação das escrituras sagradas.

Os Passos da Cruz, a Via Crucis, só poderiam realizar-se na Pessah (Páscoa) ou “Passagem” da condição última de humana àquela onde efectivamente se torna um Adepto Perfeito, Mestre Real ou Jivatmã, unindo Kundalini a Fohat na sublime Boda Flogística assinalada no Cruzeiro ou Pramantha, sendo o Homem da Dor a própria Rosa vermelha assinalando Prana, o “Alento Vital” que irá dourar os palos da Cruz, tal se vê na abóbada do Santuário Akdorge. Pela sua Metástase Avatárica ao Divino, o Seu Sangue Real deslizando do Madeiro para o seio da Terra pelos póros da mesma, purifica o Globo e provoca um impacto da maior transcendência do Corpo Vital da Humanidade, alterando-lhe a consciência para um nível superior, mesmo sabendo, em conformidade à Lei do Livre-Arbítrio, que a vibração do Avatara é um coisa e a reacção dos homens à mesma, é outra bem diferente…

Como o Logos Solar ou o Eterno Absoluto (para nós, Humanidade) se reflecte no seio da Terra nas suas Três Hipóstases como Pai, Filho e Espírito Santo, ou os mesmos Brahmã, Vishnu e Shiva, ou ainda Osíris, Horus e Ísis, tem-se então que o caminho doloroso do Avatara desde a casa de Pilatos (Philos e também Phalos) ao topo do Gólgota ou Caveira (crânio) corresponde à subida paulatina de Kundalini desde o cóccix (Muladhara-Chakra) ao coronário (Sahasrara ou Brahmananda-Chakra), quando então se unindo ao Espírito Divino se une a Salém, a Shamballah que na Terra é o Céu.

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Acompanhando o Compasso Quaternário de Bhumi, a Terra, e as fases de solstícios e equinócios, tem-se que também as 14 estações da Via Sacra correspondem ao “desatar dos nós” ou nadhis e cada uma das quedas de Cristo corresponder a uma Pessoa da Trindade, com Ele de rosto contra o pó, ou não estivesse Deus no Centro da Terra… O desenrolar do caminho último da Paixão encontra as seguintes similitudes astro-teosóficas:

EQUINÓCIO DA PRIMAVERA

1.ª Estação = Jesus é condenado à morte

2.ª Estação = Jesus carrega a cruz às costas

3.ª Estação = Jesus cai pela primeira vez > Chakra Raiz > Manifestação do Espírito Santo

4.ª Estação = Jesus encontra a sua Mãe

SOLSTÍCIO DE VERÃO

5.ª Estação = Simão Cirineu ajuda a Jesus

6.ª Estação = Verónica limpa o rosto de Jesus

7.ª Estação = Jesus cai pela segunda vez > Chakra Cardíaco > Manifestação do Filho

EQUINÓCIO DO OUTONO

8.ª Estação = Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

9.ª Estação = Jesus cai pela terceira vez > Chakra Coronário > Manifestação do Pai

10.ª Estação = Jesus é despojado das suas vestes

11.ª Estação = Jesus é pregado na cruz

SOLSTÍCIO DO INVERNO

12.ª Estação = Jesus morre na cruz

13.ª Estação = Jesus morto nos braços de sua Mãe

14.ª Estação = Jesus é descido ao sepulcro

Como os solstícios são os períodos em que o Sol se “acende (Verão) e apaga (Inverno)” em relação à Terra, isso vem a representar a Tríade Superior imanifesta. Como os equinócios são os períodos em que o Sol se “apaga (Outono) e acende (Primavera)” relativamente ao nosso Globo, com isto representa-se o Quaternário Inferior manifesto. Por fim, a cada uma das estações da Via Sacra, da 1.ª à 14.ª, corresponde o nome sânscrito do nadhi respectivo.

Cosmogonicamente, na tessitura do drama representado neste vasto Esquema de Evolução Planetária pelo Logos Planetário, o “Homem das Dores” por sua Encarnação Divina no seio obscuro da Matéria, também Ele celebra a Páscoa ou Passagem entre dois estados de Consciência absolutamente inconcebíveis para o comum dos mortais, ou seja, o seu trânsito do Plano Mental Cósmico (Mahat) ao Plano Intuicional Cósmico (Alaya), algo equivalente à passagem da 4.ª para a 5.ª Iniciação (de Arhat a Asheka) ao nível humano e que, ao nível do Logos Planetário, valerá por sua Integração ou Ressurreição Cósmico no seio do Oitavo Logos, o Eterno Absoluto síntese dos Sete anteriores saídos Dele mesmo. Então, nessa altura finalmente a Terra brilhará na série dos Planetas Sagrados, o que não é até hoje. Haja vista as desarmonias que na mesma existem porque, afinal de contas, ainda está em formação… Por este motivo, a sazonalidade pascal existe tanto no Céu como na Terra, tanto para Deus como para o Homem.

Antropogonicamente, a Páscoa expressa em última essência a passagem do Arhat de Fogo (Crucificação, 4.ª Iniciação) ao Asheka de Luz (Ressurreição, 5.ª Iniciação), quando o discípulo torna-se efectivamente Mestre Real após unir a sua Personalidade humana à Individualidade espiritual e vice-versa, o que se chama Metástase Avatárica.

Antropologicamente, a tradição pascal é rica em detalhes e fartamente diversificada nos cultos e religiões tradicionais do Mundo.

Significativamente, fazendo jus à Lei de Causalidade, a letra P, indicativa de Páscoa, no alfabeto maçónico tem exactamente por hieróglifo o carneiro (pascal) sendo inicial de Puteal, o poço ou sarcófago sagrado contendo as cinzas das vítimas inocentes tombadas honrosamente ao serviço da Justiça e da Verdade, tal qual o Cordeiro de Deus (Agnus Dei) que se deixou imolar a favor da Redenção Kármica da Humanidade (Agnus Dei qui tollis peccata mundi). Para os maçons, a tradição das vítimas inocentes recua aos Templários imolados pela injustiça do rei Filipe IV e pela inclemência do papa Clemente V.

Os primitivos sacerdotes celtas, os druidas da estirpe de Ram, costumavam realizar uma celebração das mais importantes do seu calendário litúrgico pelo equinócio da Primavera nas proximidades da Lua Cheia do Carneiro: a Festa das Colheitas e das Flores, também chamadas das Maias, época em que a Natureza Mãe desperta plena e viçosa do seu longo sono invernal, e que ainda hoje encontra reminiscências em Portugal tanto na Festa dos Tabuleiros, em Tomar, como na Festa do Espírito Santo, em Sintra.

Ram, como bijam ou ”semente”, designa o Fogo e o Cordeiro é o seu lídimo representante como Agnus Dei, Cordeiro de Deus, expressão semelhante à de Agni Paroxa, Fogo Sagrado, também celebrado nesta época pascal pelos brahmanes hindus, a casta sacerdotal da Índia.

Na Igreja cristã do Oriente, os clérigos bizantinos e coptas costumam armar uma grande fogueira pascal feita com os círios da assembleia dos fiéis reunidos em Jerusalém junto ao Santo Sepulcro, cuja tampa ficou como modelo de todas as aras da Cristandade, aclamando Cristo como Rei Sol (Christus rex solis), Luz de todas as luzes (Luminem lux majorem).

No Antigo Testamento, Jacob (Yak-Ob), pai espiritual de Israel, tributa dízima a Melkitsedek como resgate kármico do seu povo, e levanta ao Eterno um bétilo ou ara sagrada a que chamou lusa. Nessa mesma ara Abraão (Ab-Ram), pai temporal de Israel, sofreu a provação de sacrificar o seu primogénito mas acabou para imolar um cordeiro sobre as achas ardentes da fogueira sagrada por onde se manifestava a presença do Altíssimo, “porque o nosso Deus é um Fogo consumidor” (Hebreus, 12:29). Neste episódio assenta a tradição pascal islâmica.

No Islão a Páscoa corresponde à Eid al-Adha, a Grande Festa ou Festa do Sacrifício, celebrada durante quatro dias a partir do décimo dia do mês de Dhu al-Hijjah (último mês do ano lunar islâmico). É quando se celebra a memória da disposição do Profeta Ibrahim (Abraão) em sacrificar o seu filho Ismael (e não Isaac, como diz a Escritura judaica) no Monte Arafat conforme a Vontade de Allah ou Deus. A partir daqui, o Alcorão segue semelhante à tradição hebraica, descrevendo que a Allah providenciou um cordeiro como substituto do sacrifício do primogénito do patriarca, este como 99 anos de idade e aquele com 13 anos. Vencida a provação, a tradição islâmica afirma que Deus concedeu que Abraão tivesse o seu segundo filho, Isaac. Nesta Festa do Sacrifício costuma-se dependurar nas mesquitas ovos decorados com motivos religiosos e é feita a troca de presentes entre amigos e familiares, sendo abundantes os sacrifícios de carneiros cuja carne é repartida com os familiares e os pobres.

Volvendo ao contexto cristão, tem-se o proto-Apóstolo João Baptista incarnando o Cordeiro Inocente sacrificado (donde a sua iconologia tradicional carregando um anho e vestido com pele do mesmo), enquanto Cristo é o próprio Cordeiro de Deus imolado em prol da Redenção do Mundo. Quando o Divino Bodhisattva sobe ao Calvário, a cena trágica vem a reproduzir o drama cósmico dos Luzeiros encadeados à crucífera Cadeira da manifestação do Espírito na Matéria.

Ele é despojado das suas vestes alvas (Vénus) e coberto com o manto escarlate do perjúrio (Marte). Impõem-lhe na cabeça a coroa do ridículo feita espinhos aguçados (Marte) e colocam-lhe entre as mãos o ceptro do escárnio, a cana verde (Saturno). Após O torturarem com bárbaro sadismo, obrigam-no a carregar o pesado madeiro da cruz (Terra) arrastando-o até ao monte escalvado (donde Calvário) do Gólgota (Júpiter), onde O crucificaram. Para aliviar-lhe as dores, num gesto raro de compaixão, os carrascos quiseram dar-lhe vinho com mirra (Mercúrio e Vénus), mas Ele recusou. À terceira hora, depois do meio-dia, Cristo despojou-se do corpo e desceu em Espírito ao interior da Terra (Plutão), ressuscitando ao terceiro dia de Páscoa em Corpo de Luz ou Vas Insignis envolto em vestes alvas (Sol em Vénus), sendo Maria Madalena (Lua) a primeira a avistá-lo.

Sendo a mensagem maior da Páscoa a Ressurreição de Cristo, por certo esta exige a superação do culto ao Homem das Dores (expressivo do 4.º Logos Atlasbel) pelo Homem dos Júbilos (indicativo do 5.º Logos Arabel), ou seja, transitar da Morte no Madeiro da Terra à Ressurreição do Imortal que é o futuro de todo o Homem Crístico ou Iluminado pelo Espírito Divino (Atmã Universal). Isto equivale, em termos antropogénicos, à transição da 4.ª para a 5.ª Ronda de Vénus do Globo Terrestre, o que na simbólica pascal fica assinalado em Cristo Ressuscitado, finalmente livre do fardo pesado do Karma Humano que carrega por erros nossos por seu infinito Amor a todos os seres viventes. Nesta hora de passagem intercíclica, de trânsito de Karma a Dharma para a realização integral do espírito pascal, mister se faz em um e todos a necessidade de aperfeiçoamento mental e moral para que, finalmente, haja a efectiva Redenção Espiritual da Humanidade.

Se bem que o Cristo Crucificado expresse e incarne ao próprio Homem das Dores, o Logos Planetário, como ficou dito, contudo não deve esquecer-se que Ele ressuscitou e vive por nós e em nós, Humanidade, a quem nos cabe a tarefa de sermos dignos de tamanha Graça encetando o esforço nobilíssimo da Transformação querendo ser como Ele, um Ser Crístico.

Se o Natal é a Festa do Recolhimento (como então está recolhida a Natureza sob o manto invernal), a Páscoa é a Festa da Transição, da comunhão das famílias, dos amigos, da reconciliação dos entes desavindos (tal como a Natureza se reconcilia com a face da Terra em pujança primaveril). Todos vestem roupas novas (os fatos e vestidos feitos para serem estreados na ocasião) como se fosse a eubiótica tomada de um novo e bem viver. Os padrinhos, pais subjectivos ou espirituais (donde paraninfos), promovem as reconciliações dos familiares acaso dasavindos e provêm a educação e bem-estar dos afilhados. A Páscoa é a festa dos padrinhos e madrinhas, os promovedores da transição e ligação entre famílias. A ver com isso, tem-se igualmente no Ritual da Passagem de Grau dois padrinhos levando o neófito ao Altar da Iniciação.

Durante a fase lunissolar do Carneiro (Ram) os povos antigos trocavam entre si, como sinal de amizade e boa sorte, ovos cozidos pintados com várias cores representando o espírito da Primavera, e foi assim que nasceu a tradição popular dos célebres ovos da Páscoa que se oferecem nesta data, permuta fraternal em voga entre judeus, cristãos e árabes.

Com efeito, as tradições populares expressivas da concórdia e fraternidade carregam em seu imo diversos símbolos pertencentes à Tradição Iniciática das Idades, perpetuando-os no bojo da sua comum mas sã simplicidade. É o caso dos ovos, dos coelhos, das amêndoas e até do bolo tradicional da época, o folar, que ainda é confeccionado nas zonas rurais portuguesas. Falarei um pouco deles, começando por volver ao tema do ovo.

Fisiologicamente, o ovo é uma célula reprodutora original resultante da fusão numa só das células masculina e feminina. Tradicionalmente, é considerado símbolo da semente (ou bijam) geradora de um novo ciclo ou de um novo ser, macho-fêmea ao início, facto que levou os antigos egípcios a adoptarem o termo ovo alado para designar o estado primordial de andrógino, do que transitou do Plano Divino ao Humano e do que transita do Plano Humano ao Divino. Os hindus chamavam Hiranyagarbha ao “Ovo Luminoso ou d´Ouro da Criação”, e para os egípcios este “Ovo do Mundo” procedente da Divindade Incriada e Eterna, Knef, era representativo do Poder Criador expressado pela Deusa Ísis, a quem os ovos eram consagrados e por isso os sacerdotes isíacos nunca os comiam. Ísis era a mesma Ishtar, a Vénus babilónica, a qual incubou o Ovo do Mundo que caiu do Céu no Rio Eufrates, como era crença comum desse povo. Por isso, os ovos coloridos desde há milénios os ovos coloridos têm sido usados na Primavera, em todos os países especialmente no Médio Oriente e na Europa, permutando-os como símbolos sagrados nessa estação, a qual foi é e será sempre representação do nascimento ou do renascimento cósmico e humano, celeste e terrestre.

É precisamente nesse significado cósmico e humano, interligados, que está a razão de ser do “Ovo da Criação” (Hiranyagarbha) gerado por Atmã (o Espírito Universal), que ao despender o seu Tríplice Raio Espiritual (Sutratmã) como Atmã-Budhi-Manas (a Tríade Superior equivalente a Espírito, Intuição e Mental Abstracto) revestido das 3 “qualidades subtis da matéria” (gunas), como sejam Satva-Rajas-Tamas (energias centrífuga, equilibrante e centrípeta), vai gerar os princípios masculino e feminino (o germe ou gema) como essência do “Ovo da Criação” representada na clara que se fixa ou materializa tal qual a casca do mesmo. No homem, o Ovo Áureo que envolve a sua “casca” ou corpo é a sua própria Aura luminosa indicativa da sua evolução verdadeira, que de Manas Taijasi passa a Budhi Tajasi e depois a Atmã Taijasi, finalmente unindo numa só unidade essas três condições iluminadas ou despertas da Tríade Superior e então será efectivamente um verdadeiro Ser Atabimânico (Atmã-Budhi-Manas). Isto em consentâneo com o Globo Terrestre, que após desenvolver os seus 4 Princípios Inferiores (Físico, Etérico, Astral e Mental Concreto) está desenvolvendo os 3 Superiores em que se envolve a Mónada Divina, o mesmo Atmã Universal vindo a ser a própria Essência do Logos envolto no Ovo d´Ouro da Criação.

A questão Ovo d´Ouro reporta à velha historieta sobre quem nasceu primeiro, “a galinha ou o ovo”? Obviamente o ovo, por expressar a Substância Universal (o Magnus Limbus de Paracelso ou o Svabhâvat das escrituras orientais) donde nasceram todos os seres vivos, galinha inclusive.

O bolo folar (corruptela de furar, furo, com o sentido esotérico de aquilo que se inicia como Centro Primordial de Actividade, o chamado Centro Laya, tanto no Homem como no Globo ou no Universo) tem o formato de um círculo aberto ao centro, símbolo do Sol expressivo da Suprema Divindade. Com este sentido de luz, tem-se que decompondo as cinco letras da palavra folar com as mesmas compõe-se aquela outra farol, “o que ilumina”. Como tradicionalmente o folar contém dentro dois ovos cozidos, sinaléticos dos dois sexos, o facto de consumi-lo significa participar, não importa que inconscientemente, na alegria da mesa e no calor da família, no androginismo familiar (representado nas suas cabeças chefes, o pai-mãe juntos como juntos estão o Pai-Mãe Cósmico à cabeça da Criação), tão bem expresso no saudável convívio pascal.

Os “coelhinhos doces” remetem para a lebre lunar, por «acaso» totem zoomórfico de Sintra no Período Atlante da Humanidade. A lebre ou coelho selvagem representa a Força Criadora da Mãe-Terra, a fecundidade, o que se ajusta perfeitamente ao espírito da Primavera sob o impulso fogoso do Carneiro (signo), indo a Páscoa enquadrar-se no seu prolongamento festivo que é a Páscoa Rosada, pelo Pentecostes, então realizando-se um festejo genuinamente português: a Festa do Império Popular do Divino Espírito Santo, apontando o V Império Universal das Almas Salvas ou Integradas ao 5.º Reino Espiritual, imediato ao Humano.

Os antigos povos nórdicos da Europa prestavam culto à lebre como animal simbólico de Eostre ou Ostara (corruptela de Ishtar ou Astarte, deusa lunar da fertilidade e do renascimento entre os povos anglo-saxónicos e germânicos), cuja silhueta entreviam na Lua Cheia e em cujas entranhas do animal sacrificado as druidisas procuravam adivinhar o futuro (de que a actual versão comercial “coelhinho da Páscoa que trazes para mim?” é espécie de corruptela herdada da primitiva “lebre de Ostara que sorte as tuas entranhas reservam para mim?”). Com o avanço do Cristianismo na Europa, o culto primitivo à Deusa da Aurora (Ostara, nome dado ao planeta Vénus) foi sendo absorvido e dissolvido na comemoração judaico-cristã da Páscoa (ou Easter, em inglês, e Ostern, em alemão). O festival anglo-saxónico, teutónico, de Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) comemorava no dia 30 de Março a Primavera, a ressurreição ou renascimento da Natureza-Mãe. Ela deu origem ao Shabat dos antigos povos agrários celebrando o renascimento da Deusa da Aurora sob o nome Ostara, ficando a Primavera, os ovos pintados com runas (escrita hieroglífica dos povos nórdicos) e as lebres como símbolos de fertilidade e renovação dessa deusa nórdica.

A “toca ou loca do coelho” fez deste o guia do alquimista nas entranhas da Terra, afirmam as tradições herméticas. Com efeito, o coelho é simbólico da alma láctea (azoth, vril, mash-mask, akasha, éter, etc.) do peregrino iluminado descendo ao seio da Terra, por expressar a Lua Oculta, ou seja, a Mansão das Almas Salvas por seus próprios méritos, o Duat, Amenti, Boassucanga, enfim, o Paraíso Terreal.

Quanto à amêndoa, o seu significado profundo também deve ser buscado nos símbolos mais sagrados da Tradição Iniciática das Idades. Antes de tudo o mais, convém especificar existirem três tipos de amêndoas, esotericamente expressando os três princípios de Vida, Consciência e Forma do Homem:

Amêndoa de casca rija – Espírito

Amêndoa de casca mole – Alma

Amêndoa amarga, brava – Corpo

Sendo uma oleaginosa, a amêndoa vai juntar-se ao vinho (Mercúrio) e ao pão (Sal) como Sulfur ou Enxofre, completando a trindade alquímica e litúrgica, já que oleaginoso é o óleo santo.

A palavra hebraica luz tem ordinariamente o sentido de amêndoa (e também de amendoeira por extensão, assinalando tanto a árvore florida de branco com o seu fruto) ou de caroço; ora o caroço é o que há de mais interior ou mais oculto e está inteiramente inacessível, o que transmite a ideia de inacessibilidade que se vai encontrar no nome Agharta, o Centro Supremo da Terra oculto à vista dos olhares profanos por estar no seio da mesma Terra, tal qual o caroço está no interior da casca da amêndoa.

Por essa ideia de inviolabilidade é que a amendoeira, de brancas e perfumadas flores, toma-se como símbolo da Virgem, que no Zodíaco como sexto eixo (Virgem-Peixes) é o do Sacrifício: o duro trabalho dos pais pelos filhos, a devoção dos médicos e enfermeiras pelos doentes nos hospitais (Virgem), e a abnegação dos santos e sábios em salvar as almas humanas (Peixes).

No Homem, a Luz situa-se na extremidade inferior da coluna vertebral relacionando-se com a Força Electromagnética da Terra, Kundalini. Curioso, ou não tanto, ser o Algarve a “terra das amendoeiras” e situar-se na extremidade inferior de Portugal, significando o seu nome árabe Al-Garb precisamente “onde nasce a Luz”, enquanto Kundalini – o Fogo Criador do Espírito Santo – tem por símbolo a amêndoa sinalética da Ressurreição, que é o auge da Páscoa.

Hoje festeja-se a Páscoa portuguesa, a Páscoa universal em cândida e sentida homenagem ao Fogo Sagrado, ao Menino Agni na figura magnânima de Jeoshua Ben Pandira, o Cristo, que nascido em Belém e qual estrela candente de misteriosa ventura realizou o itinerário do Santo Graal até ao Gólgota, onde soltou uma risada na figura da Morte impotente da sua Ressurreição.

Os significados de três festejos tradicionais acabam desaguando como remate na Páscoa: o Natal, que é o do nascimento da criatura humana; o Carnaval, que é o do encontro da criatura impúbere com o mundo passional; a Quaresma, como a da fase amadurecida de reflexão e decisão, advindo finalmente a Páscoa, onde acontecerá a derradeira passagem da condição humana à divina, o que depois, pelo São João e os seus Fogos de Bacho ou Christus-Baal, será confirmada como Baptismo de Fogo ou Luz.

No calendário litúrgico, as sete semanas da Quaresma que antecipam a Páscoa estão iconograficamente assinaladas nas sete espadas cravadas no coração da Virgem Maria, facto que Laurentus (pseudónimo do Professor Henrique José de Souza) assim descreve:

“As sete espadas (ou dores) da Virgem Maria”, atravessadas no seu coração, representam as sete Raças Cósmicas, estados de consciência, e até as sete Plêiades, como “Amas, Mamas, Marias ou “Mães do Guerreiro Kartikeya” (o mesmo Maitreya, etc.), que receberam o nome de Kritikas nas Escrituras Orientais. A Igreja preferiu concebê-las como as “sete semanas da Quaresma”, dando-lhes os seguintes nomes: ANA, BAGANA, REBECA, SUSANA, LÁZARO, RAMOS e PÁSCOA. Em forma de verso:

“Ana, Bagana,

Rebeca, Susana,

Lázaro, Ramos,

Na Páscoa estamos.”

Essa última corresponde à Semana Santa que inicia no Domingo de Ramos, onde se faz memória da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e termina no Domingo de Páscoa, celebrando-se a Ressurreição de Cristo.

Após a abertura solene da Semana Santa no Domingo de Ramos, segue-se a Segunda-Feira Santa, a Terça-Feira Santa onde se celebram as Sete Dores da Virgem Maria (sendo o dia de penitência no qual os cristãos cumprem promessas de vários tipos), a Quarta-Feira Santa (onde se celebra a procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, havendo igrejas de paroquias que neste dia celebram o Ofício das Trevas, lembrando que o Mundo já está em trevas devido à proximidade da Morte do Salvador), a Quinta-Feira da Ceia. Na manhã deste dia, nas catedrais das dioceses, os bispos reúnem-se com o seu clero para realizarem a Celebração do Crisma, na qual são abençoados os óleos que serão usados na administração dos sacramentos do Baptismo, Crisma e Unção dos Enfermos. Com esta celebração encerra-se a Quaresma. À noite, são relembrados os três actos de Jesus Cristo nesta data: a Última Ceia, a instituição da Eucaristia (com o exemplo do Lava-Pés segundo o Mandamento Novo) e a instituição do Sacerdócio. A igreja fica em vigília ao Santíssimo (relembrando os sofrimentos de Jesus que tiveram início nesta noite), e reveste-se de luto e tristeza desnudando os altares (quando são retirados todos os enfeites, toalhas, flores e velas), tudo para simbolizar que o Senhor já está preso e consciente do que vai acontecer. Também cobrem-se todas as imagens existentes no templo. Tal como no dia imediato, não se celebra a Eucaristia. As únicas celebrações são as que fazem parte da Liturgia das Horas, sendo proibido celebrar qualquer outro sacramento excepto o da Confissão, sendo permitidas exéquias mas sem celebração de missa. A distribuição da Comunhão Eucarística só é permitida sob a forma de Viático, isto é, em caso de morte. Na Sexta-Feira Santa (consignada Dia do Santo Graal ou o do Sangue Real) é quando a Igreja recorda a Morte do Salvador. É celebrada a Solene Acção Litúrgica, Paixão e Adoração da Cruz. A memória da Morte do Senhor consiste em quatro momentos: a Liturgia da Palavra, Oração Universal, Adoração da Cruz e Rito da Comunhão. Presidida pelo presbítero ou bispo, as paramentas da celebração são de cor de sangue, vermelhas. No Sábado de Aleluia, podendo cair entre 21 de Março e 24 de Abril, pela manhã em algumas paróquias realiza-se a Celebração das Dores de Maria, recordando a Hora da Mãe sem missa. É o dia da espera. Os cristãos junto ao sepulcro de Jesus aguardam a sua Ressurreição. No final deste dia é celebrada a Solene Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias”, como disse Santo Agostinho, que é iniciada com a Bênção do Fogo Novo e também do Círio Pascal; proclama-se a Páscoa através do canto do Exultet e faz-se a leitura de 8 passagens da Bíblia (4 leituras e 4 salmos), percorrendo-se toda a História da Salvação desde Adão até ao relato dos primeiros cristãos, começando no Genesis, passando pelo Êxodo, chegando à Paixão de São João e fechando no Apocalipse. Entoa-se o Glória e o Aleluia, que foram omitidos durante todo o período quaresmal. Há também o baptismo dos adultos que se prepararam durante a Quaresma. A celebração encerra com a Liturgia Eucarística, o ápice de todas as missas. É neste Sábado Santo que em algumas partes do País faz-se a tradicional Malhação de Judas, representando a morte de Judas Iscariotes. O Domingo de Páscoa ou Páscoa da Ressurreição, é o dia mais importante da confissão cristã, por marcar o triunfo de Cristo Vivo sobre a Morte, estendendo-se esse dia por mais 50 dias até ao Domingo de Pentecostes, a Páscoa Rosada ou Florida.

Em última análise em conformidade com o calendário litúrgico, a celebração da Páscoa é tanto dupla como quadrupla. Com efeito, se a Quaresma é a reflexão sobre a Morte (1.ª fase da Páscoa), a Páscoa será o entendimento sobre a Ressurreição (2.ª fase da Páscoa), acontecendo a absorção no Divino pelo João, no final das Maias. Aqui, mais uma vez, entra o tema da Festa do Divino Espírito Santo. Esta carrega consigo, na sua mensagem e coreografia, o conceito da translatio imperii em que assentam os Tempos do Mundo: as Idades do Pai, do Filho e do Espírito Santo, as quais de certa maneira enquadram-se nos espíritos do Natal, da Páscoa e de São João, neste sendo a Virgem Divina a carregar no regaço o seu Divino Filho, aclamando-se em apoteose a Parúsia realizada que marca o final da Evolução com a Integração do Homem em Deus e de Deus no Homem, na mais perfeita Metástase Avatárica, no mais perfeito Equilíbrio Universal.

Assim, a Páscoa é a Lux Gloriam marcando o crepúsculo do Tempo da Humanidade e a alva da Era da Divindade, a cada ano tornando-se a transição menos longa e mais ampla até que haja e só a Luz Gloriosa do Cristo Universal, o Sol Vivo palpitando nos peitos de todos os homens e no coração da Natureza, confirmando ser sempre o Divino Fogo a renovar a Natureza inteira (I.N.R.I.), sigla iniciática plena de sentidos velados que alguém escreveu na tabuleta que pregou na Cruz do Gólgota, tanto valendo por Monte da Páscoa: Ignis Natura Renovatur Integra.

Glória, pois, muita Glória ao Menino Agni que nasce e se renova a cada ciclo que transcorre no esteiro da Vida Universal, onde o Cordeiro de Deus sacrificado ressuscita Varão da Fé, esta a derradeira mensagem maior da Páscoa.

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