Peri amou Ceci

E Ceci a Peri amou..

E ambos partiram para Lisboa,

De início, numa palmeira,

E depois, numa canoa.

Ao chegarem no litoral

Já no Céu estava escrito

Como se fora um manuscrito:

Eis ali PORTUGAL.

Hino ao Amor (JHS)

A bruma espessa e sebástica envolvia a cidade de Barcelos quando aí chegámos, bem à noitinha, eu e a minha companheira Ilda, no dia 15 de Setembro de 1990. O nosso primeiro passo foi dirigido ao “omphalos” do antigo burgo: a catedral de Santa Maria Maior, primitivo ponto de encontro dos peregrinos a Sant’Iago de Compostela, capital da Galiza próxima, e dos antigos militantes da Ordem do Templo.

A nossa meta não era propriamente Barcelos – em pleno Minho, no Norte de Portugal – mas, antes, a pequena freguesia de MARIZ, distada dela cerca de cinco quilómetros, aonde nos dirigimos ao amanhecer ensolarado do dia seguinte.

Não deixei de sentir “um ar” de irónico e ridículo, face às circunstâncias superiores que me norteavam o pensamento, quando solicitei ao taxista: – «Faça o favor de nos levar a MARIZ». E ele lá nos levou…

Sabia, fundamentalmente pelas informações deixadas pelo Professor Henrique José de Souza, Mestre de Pensamento brasileiro de descendência portuguesa, que a Antiga e Soberana ORDEM DE MARIZ havia no Passado descido do Norte ao Sul de Portugal, deixando traços indeléveis da sua presença à sua passagem, inclusive originando famílias brasonadas as quais encheram de brilhantismo páginas palpitantes da nossa História Lusa.

Sendo a Ordem de Mariz de natureza francamente Luni-Solar, e tendo Barcelos por Totem exactamente o Galo, ave designativa do Sol que, aliás, faz jus ao Porto-Graal ou País dos Galos, Porto Gálio ou Portus Galiae, hoje Portugal, sabe-se que além da freguesia de Mariz no concelho de Barcelos, a supradita Ordem Soberana possuía disseminadas estrategicamente pelo País outras Comendas e Bailios. Tanto assim é que, para além desta em causa, tinha domínios no concelho de Carrazeda de Ansiães, abarcando o lugar de Pombal onde se dispõem dois enigmáticos monumentos: a sua igreja paroquial e a “fonte santa” de Pombal de Ansiães. Esse onomástico tem ligações íntimas com o idêntico de São Lourenço de Ansiães, junto às Azenhas do Mar, no Concelho de SINTRA. Não há a esquecer, ainda, os domínios de Redinha e Pombal, no distrito de Leiria, tendo apostolado na última, na centúria de Duzentos, o presbítero Pedro, o Mariz (“Pedro Omariz, presbítero – falecido aos XVIIº Kalendas Iannuarii Era Mª CCª XLª VIIIª” – in Liber anniversariorum Ecclesiae Cathedralis Colimbriensis (Livro das Kalendas), vol. II, p. 149. Edição de Pierre David e Torquato de Sousa Soares, 2 vols., Coimbra, 1947-48), de ligações íntimas à Ordem do Templo, na época em que havia desavenças ríspidas com o Cabido da Sé de Coimbra que queria assenhorear-se daqueles domínios, indo encontrar pela frente a forte oposição dos Templários (vd. Maria Alegria Fernandes Marques, O Litígio entre a Sé de Coimbra e a Ordem do Templo pela posse das igrejas de Ega, Redinha e Pombal, in Jornadas sobre Portugal Medieval, Leiria, 1983).

Não há a esquecer, como aditamento mais esotérico, que a Sede exterior ou exotérica da Ordem de Mariz foi durante muitos séculos a cidade de Coimbra (As Finis Galiciae), na qual os Gémeos Espirituais da Obra do Eterno na Face da Terra foram apresentados ao Mundo por Jesus e Maria no bendito Avatara Momentâneo do ano 1800 no “Morro dos Amores”, junto à “Fonte da Saudade” de quantos Gémeos Espirituais hajam enternecido com doçura e beleza os séculos de Portugalidade. E idos para a cidade da “Serpente ou Colubra” (um misto de mulher e serpente, uma melusina) que é Coimbra, desde o PICO DO GRAAL assinalado na Cruz Alta da Serra Sagrada de SINTRA!

Como disse mais atrás, das várias famílias nobiliárquicas irrompidas dessa Ordini Majorem há aquela que leva precisamente o nome MARIZ (a qual também existia na Região Centro de Portugal, precisamente em Sintra, no lugar do Lourel, e em Odivelas, cuja Quinta do Mariz pertenceu ao Concelho de Loures), a qual teve solar na povoação que hoje lhe herda o nome e sido durante séculos vigararia de Vilar de Frades, cujo convento oriundo do século XI foi sede-mater da Ordem de São Bento, a qual está por detrás da feitura monumental da Rota Portuguesa para Sant’Iago de Compostela, que primitivamente pertencia ao Condado Portucalense por doação de Afonso VI de Leão ao Conde D. Henrique de Borgonha, pai de Afonso Henriques. Ora, na Galiza, praticamente na fronteira com as Astúrias e na caminho para San Juan de la Peña, está a povoação que leva o mesmo nome desta barcelense: MARIZ, ocultamente relacionada às Dhyanis-Budhais  e às PLÊIADES, as KRITTIKAS, tal como esta portuguesa se relaciona aos Dhyanis-Budhas e aos RISHIS, e ambas as toponímicas idênticas assim prefigurando, divinamente, a UNIDADE ANDRÓGINA DA PENÍNSULA IBÉRICA… a antiga HISPÂNIA ou Jardim dos Pomos de Ouro das HESPÉRIDES, as mesmas PLÊIADES.

A procura de traços, de sinais esotéricos indicativos da Espiritualidade MARIZ em plena raia minhota levou-me, de imediato, a associar entre si três localidades: Barcelos – Vilar de Frades – Mariz, por razões que irão aparecendo ao longo deste estudo.

A igreja paroquial de Mariz, muitíssimo restaurada de cuja traça setecentista pouco resta e da românica nada, fora anteriormente unida ao convento de Vilar de Frades pelo Papa Júlio II, a instâncias do Cardeal de Alpedrinha no ano de 1507, mas já constando das Inquirições de D. Afonso II, de 1220, com a designação “De Sancto Miliano de Maariz” de Terra de Nevia, ainda que a Coroa não tivesse nenhuma jurisdição ou propriedade sobre os Marizes, e a que tinha era tão só para os proteger e apoiar, agindo como seu “Escudo Defensivo” ou “Círculo de Resistência”. Isso mesmo consta nas Inquirições de D. Afonso III, onde se diz: «In Judicato de Nevia in parrochia Sancti Miliani que el Rey non est patronus da ecclesia».

Como disse, a “Mui Nobre e Antiga Família Mariz” teve o seu solar nesta freguesia, cujo Paço era a Casa de Argemil, depois passada a Morgado dos Ferreiras da Casa de Cavaleiros.

Os Marizes dizem-se descendentes de Mengo de Mery e o mais antigo que se conhece do apelido, em Portugal, se chamou Afonso Nunes de Mariz, casado com D. Maria Carrilho Esteves, filha de Estevão Gonçalves e de sua mulher, Urraca Afonso.

Alguns autores dão a seguinte ascendência a Afonso Nunes de Mariz: Roberto Mengo de Mariz passou de França a Espanha, reinando Afonso VII, e esteve na batalha que Nuno Afonso, governador de Toledo, deu aos mouros de Córdova e de Sevilha, e cortou a cabeça ao rei mouro Bencarra, de Sevilha; seu filho, Pedro Mengo de Mariz, casou com uma filha de Nuno Afonso e seu neto, Nuno Peres Mengo de Mariz, viria a casar com Iria Gonçalves Palomeque, de cujas núpcias sairia o referido Afonso Nunes de Mariz.

Dentre as principais, os Marizes trazem por Armas: de azul, com cinco vieiras de ouro, postas em cruz, acompanhadas de quatro rosas de prata. Timbre: um leão sainte de azul, sustentando uma vieira do escudo.

As vieiras, distintivas dos peregrinos a Sant’Iago de Compostela, realçam os Marizes como verdadeiros Tiagos, Iagos ou Bonergus, “Filhos do Fogo”, que é dizer, ASSURAS, elemento subjacente ao Sol representado pelo Leão. Dessarte, leão e vieira, no brasão, indicam a sua assistência real aos peregrinos de Tiago mas também, neste particular já mais iniciático, desde logo velado, a viseira da luz, correspondente ao sexto sentido: a clarividência, precisamente assinalada na sexta concha… no topo leonino.

É esse sentido natural, ainda adormecido ou latente na maioria dos homens mas já desperto ou patente nos Iniciados e Mestres, quem demonstra ao seu possuidor a permeabilidade da Matéria, atributo que se liga precisamente ao sexto estado da mesma ao qual a Química Oculta designa como Subatómico animado por Anupadaka-Tatva, segundo a Ciência Esotérica do Oriente que os Adeptos Perfeitos, através do eminente “Swami” Henrique José de Souza, trouxeram para o Ocidente Ibero-Ameríndio.

A presença leonina é uma constante no temário Mariz, não devendo esquecer dar-se um forte culto, em Vilar de Frades, a São Laurentino, santo claramente solar inspirado no mais antigo ligúrico: Lug.

Já as flores de rosa do brasão, unidas às vieiras em cruz, assinalam exactamente a ROSA+CRUZ, esta expressiva do TETRAGRAMATON como signa do “Homem Cósmico” ou Logos Planetário ADAM-KADMON, que na Terra é emblemática do supremo e alquímico mistério da Pedra Filosofal, lavrada e colhida da quintessência dos quatro elementos naturais (Terra, Água, Fogo, Ar), ou seja, o Éter, o mesmo Akasha dõs conhecimentos esotéricos do Oriente, portanto, o quinto elemento natural a quem os R+C chamavam de Vril e os priomitivos Iniciados atlantes de Mash-Mask. Trata-se, afinal, do 5.º Regato Vital ou PARDA por onde a 5.ª Corrente de Vida discorre promanada do seio do próprio “5.º Kumara em formação”, ARDHA-NARISHA-KUMARA – “O que está no Meio (Vau, expressivo do estado Andrógino) da Riqueza”. E Riqueza ou Relíquia é também a Tónica fundamental do 5.º Posto Sintriano Representativo da Obra do Eterno na Face da Terra (TEURGIA).

Essas mesmas rosas, já aqui herméticas (e significativamente todo o antigo tratado de Alquimia levava o sibilino mas significativo designativo de Roseiral Mariano… Maria, Maris, Mariz – Ave Mariz Nostra! – afinal, o Divino Espírito Santo, SHIVA, como a Terceira Hipóstase do Logos (donde SURA-LOKA, nome tradicional da Embocadura de Sintra, a hindustânica Kala-Shista ou Sishita, por manifestar o quinto estado de consciência Mental Superior, consequentemente manifestado desde o Sol Interno (Vishuda-Chakra) desta Montanha Sagrada pela Quinta Hierarquia Criadora dos Senhores do Mental, os ASSURAS, assessores directos de SHIVA, SIVA ou AVIS anagramaticamente, o Terceiro Logos, sim, a Avis Raris In Terris!), dizia, essas mesmas rosas estão patentes na abóbada do convento românico de Vilar de Frades, tendo ao centro os escudetes com a primitiva cruz de Portugal – assim designando o CRUZEIRO MÁGICO DE MARIZ A LUZIR nos céus da Lusitânia. E todo o corpo de nervuras abobadal prefigura a enigmática letra vatânica designativa do signo de Aquarius, mas também de Makara e de MAITREYA, o “Senhor dos Três Mundos”, o CRISTO UNIVERSAL.

Essa mesma letra está patente no pórtico românico da entrada dianteira na românica Sé de Barcelos, insculpida junta com rosáceas, vieiras e swástikas!… Ora a Confraria Mística da Rosa+Cruz, saída daquela outra dos Monges-Construtores que em Portugal foram os beneditinos e cistercienses feitores da monumentalidade arcaica e da espiritualidade arcana na Rota Jacobeia, constituiu-se um misto de ideário Templário e Grémio de Ofício que veio a coroar o final da Idade Média (século XV) e o início da Renascença (século XVI).

A Rosa+Cruz encontra-se igualmente representada, apesar de modo velado, na traça exterior da igreja paroquial de Mariz: sobre a entrada dianteira abre-se um óculo em rosácea, e a toda a volta do templo, como aro protector numa curta via crucis, dispõe-se uma fileira de 8 cruzes. Algarismo caríssimo aos Templários e seus protegidos, os Monges-Construtores, o 8 assinala a união do Sol com a Lua, do Macrocosmos com o Microcosmos, enfim, do Céu com a Terra como Aliança de Deus com o Homem!…

O Orago da aldeia de Mariz é Santo Emilião. A sua imagem está à esquerda do altar-mor da paroquial e apresenta-se vestido de beneditino com o báculo recto na sinistra e tendo à direita, aos pés, a mitra episcopal. A mitra deposta assinala a sua condição de bispo a qual terá recusado posteriormente, talvez por não querer trocar a sapiência pela confissão, a catequese dos simples pela teologia dos sábios, ou por outra, não querer recusar a Tradição da Cristandade pela Política do Clero.

O báculo erecto substitui aqui um outro seu atributo: uma trave de madeira, alusão hagiográfica a um milagre que terá feito: alongar uma trave que era curta para a construção de um templo. Esta é uma alusão clara à sua função de Arquitecto ou Grão-Mestre de Construtores, e mesmo que acaso não o tenha sido em vida certamente terá tido o padroado das Guildas de Ofícios em algum tempo da Idade Média. Talvez, ou decerto, por isso mesmo se apresenta à sua direita, no lado oposto do altar-mor, o Menino Cristo coroando com uma grinalda dourada (a Laurenta, Laurentino, Lourenço…) a São José, o Iose ou Ancião do Saber com a vara de medição na destra, deste modo assinalando a Cristandade patente no Companheirismo ou primitiva Maçonaria Operativa (donde descende a Maçonaria Especulativa), representada pela mesmo São José ou o Arche-Tekton, o “Grande Arquitecto”, que à pedra sobre pedra, dispõe trave sobre trave no levantamento do templo como Magister Carpentarius.

Santo Emilião (“Servo do Senhor”, em grego, Aimúlios, e por isso está à esquerda ou passiva do altar-mor para o Cristo na direita ou activa), tem ainda por atributos iconográficos dois leões deitados (não patentes nesta imagem na paroquial de Mariz), como memória de ter sido lançado às feras no coliseu de Roma e elas terem recusado atacá-lo (tal qual Daniel na Cova ou Loka dos Leões… de Fogo). Morreu às mãos do algoz, que só o pôde decapitar quando a Voz Divina chamou a si Emilião, o fiel Servo da Verdade Viva – Servitas fidelis vivum veritas.

O dia da sua festa litúrgica é o 8 de Fevereiro, logo após o dia da celebração das “Cinco Chagas do Senhor” (o Sangue Real ou Sang Greal, donde Santo Graal) e anterior ao de St.ª Apolónia, a Apola como mensageira e aspecto feminino (shakti) de Apolo, o Verbo Solar ou Deva-Vani.

Dessarte, tem-se Encarnação do Verbo Solar precisamente representada no Senhor das Chagas, crucificado sobre o altar-mor tendo atrás de si a sigla JHS, indicativa da Tríade Espiritual e de “Deus feito Homem”.

Revela-se neste templo um mundo de simbologia patrística ao par da Crística ou Galaica, no sentido de Ego Solar, não faltando um Sol dourado resplandecente sobre o “arco triunfal” separador da capela-mor da assembleia, o que me reporta à iconologia tradicional do galo, aliás, patente num silhar de azulejaria setecentista na igreja do Convento dos Beneditinos de Barcelos, vendo-se a ave fitando-se no speculum magicum e por debaixo a legenda: “Só se compõe Bem, quem se vê ao divino Espelho”.

Para cá do altar-mor apresentam-se dois altares laterais, interessando-me principalmente o da direita. Vê-se nele as duas imagens do Sagrado Coração de Cristo, ornado por um Sol dourado resplandecente e assente sobre peanha verde, e do Sagrado Coração de Maria, ornada com uma Coroa prateada e assente sobre peanha vermelha. Tem-se, pois, CRISTO-MARIA, a Parelha Andrógina Cristosófica (JEPHER-SUS e MORIAH) cujo Coração Místico foi sempre referência ao SANTO GRAAL, não ao Graal-Objecto mas ao Graal-Consciência, de que Eles, encarnando Sol e Lua, estão à sua frente.

Adiante dessas imagens, no altar levanta-se um crucifixo companheiril onde o Senhor, irradiando um hausto dourado, jaze pregado no madeiro azul desfechado em traços vermelhos. Tem-se nisto a referência velada às três “qualidades subtis da matéria” (as GunasSatva para o Espírito, Rajas para a Alma e Tamas para o Corpo) dominadas pelo Homem das Dores transformadas em Delícias, o que tanto vale por MAITREYA, o Vencedor dos Três Mundos ou Mayas!…

Não deixa de ser profundamente significativa a Homenagem que o nosso Venerável Mestre JHS presta à Ordem de Mariz por meio da mecânica interna da Ordem dos Tributários por Ele fundada em 1952. Com efeito, as cores verde e vermelha das Energias universais FOHAT e KUNDALINI estão patentes nas faixas dos(as) Tributários(as) como defensivo “Círculo de Resistência” da Obra Divina, e “Círculo” inicialmente constituído de 17 Membros, número que, só por «acaso», é o do Biorritmo de Portugal (Arcano 17, “A IMORTALIDADE”: «Eu via o Sexto Sistema. Um Sol Central, tinha por embrião enorme Borboleta saindo de um Ser de aspecto feminino. Tive a impressão de que chocavam enorme Ovo, que era aquele mesmo Sol.» – JHS)!… Sendo a Ordem de Mariz de natureza andrógina, inicialmente foi-lhe “Círculo de Resistência” a Ordem do Templo (assinalada pela cor vermelha da sua Cruz, representando o Poder Temporal e consequentemente a Força Terrestre, Kundalini) e a Ordem de Avis (indicada pelo verde da sua Cruz signatária, cujo Orago São Bento assinalava a Autoridade Espiritual e desde logo a Luz Celeste, Fohat), logo, ambas  montando guarda à original Ordem Tributária a Melki-Tsedek: a MAÇONARIA UNIVERSAL CONSTRUTIVA DOS TRÊS MUNDOS, a dos TRAIXUS-MARUTAS, como 1.ª Rama da Grande Loja Branca dos Bhante-Jauls – cuja 5.ª Rama é a mesma ORDEM DE MARIZ  – cujo Grão-Chefe, Takura-Bey (de quem era avatara o Traixu-Lama), veio a servir de Sub-Aspecto, Veículo ou Tulku da Consciência Planetária de JÚPITER, representada na Terra por SAKIEL, o 5.º Dhyani-Cumara (ou Cume-Maris…) que, bem sabem os da Obra Divina de AKBEL… está intimamente relacionado ao Quinto Posto Representativo de SINTRA sob a égide de ALLAMIRAH, a Mãe Divina (MARIS), por cuja Montanha Sagrada se acede ao Quinto Templo Universal dos Sedotes da respectiva Cidade do Mundo de Badagas. Confere!

No extremo do templo em análise, oposto ao altar-mor tem-se a imagem de um São Sebastião, cuja simboplogia é notadamente drágona ou alegórica das forças telúricas do interior da Terra, por isso mesmo ligando-se ao tema do Mundo de AGHARTA. No santoral cristão, este foi um dos santos da especial predilecção dos Templários ibéricos. Pelo visto e atendendo a quanto já se disse e sugeriu, razões não lhes faltavam…

É sabido que onde existe um culto solar exterior há um culto lunar interior (e vice-versa…). Encontram-se indicativos deste último, além das imagens da Virgem e de São Sebastião defronte ao qual, do lado oposto, há uma pia de água benta em forma de seio de mulher (mama, mamãe, mãe…), nas águas telurizadas correndo sob o templo, dizendo o Padre Carvalho, na sua Corografia Portuguesa, que «tem uma fonte onde vão buscar água que benze o vigário para doentes, e tem muita virtude, particularmente para o fastio».

Era com as virtudes terapêuticas dessa “água santa” que se enchia a pia baptismal em formato de TAÇA octogonal representando, como recipiendário do Sacramento, o SANTO GRAAL dos Templários medievais cujos Grãos-Mestres Secretos eram os próprios Irmãos Maiores da Soberana ORDEM DE MARIZ, esses misteriosos Homens Representativos de nossa iniciática Portugalidade como Encobertos Obreiros do V IMPÉRIO no Mundo (ou o Quinto Reino Espiritual, na Terra representado pela própria supradita AGHARTA).

Acrescento, ainda, que a referida fonte hoje mesmo perdura no interior da sacristia da igreja. Tudo isso influindo no inconsciente colectivo local, levou a que a paróquia de Mariz fosse consagrada ao “Imaculado Coração de Maria” no dia 8 de Dezembro de 1987.

Ainda no sopé de uma cruz à entrada exterior do templo, lê-se uma inscrição semi-hieroglífica, semi-anagramática, traduzida como “M.el dOlivª 1727”, ou seja, “Manuel de Oliveira – 1727”, possivelmente nome do pároco na data possível da elevação de St.º Emilião a Orago da freguesia, significando a âncora num dos hieróglifos precisamente isso: a fixação patronal do santo.

Na verga transversal da porta dianteira, lê-se uma outra data: 1693, a da construção deste templo, pois a igreja paroquial desta freguesia era primitivamente no lugar das Fontainhas ou Lajinhas (de que há ainda vestígios), tendo sido mudada no século XVII para o sítio onde está: MARIZ, assento da venusta e Divina MÃE.

Junto à escada para a torre sineira, também na base e por baixo de uma caveira e duas tíbias gravadas no granito, lê-se a data: 1731, altura possível dos primeiros enterramentos no cemitério anexo.

Que Mariz (tanto a paróquia como a Ordem) era conhecida dos nossos egrégios mais insignes vinculados à Tradição do Santo Graal, é facto comprovado. O Condestável Santo do Reino, Nuno Álvares Pereira (intimamente relacionado à pessoa misteriosa de MALAQUIAS, Grão-Chefe dos Marizes), teve casa em Barcelos junto à Sé Catedral, e quase defronte à sua a dos Carvalho de Luzignano, ambas bem brasonadas para não restarem dúvidas!…

A escassos metros, na Catedral barcelense, lá está a capela lateral de São João Baptista que os peregrinos a Santiago de Compostela usavam e usam para as suas devoções ao Santo Yokanan ou “Arauto” da própria Divindade do Segundo Trono, imagem essa ladeada pelas de Nossa Senhora da Conceição e São Miguel, Orago Gémeo de Portugal, e cuja cabeça decapitada (tal como a de Santo Emilião) hoje mesmo é motivo de grande devoção que deverá recuar à época dos Templários e ao seu mistério terafínico da “cabeça falante”, ou seja, o baphometh, associado pelos Jacobeos a “Santiago Mata-Mouros” e que consta mesmo em dois outros brasões Marizes: um braço armado segurando uma cabeça de moiro, com barba ruiva, foteada de prata. Ou: um leão nascente, de azul, tendo na garra uma espada enfiada numa cabeça de moiro. Mas bafometaria era também o nome dado ao colégio de estudos corânicos, e nisto haverá uma aproximação entre os saberes da Cristandade e do Islão…

Ao simbolismo iniciático relacionado a São João Batista liga-se o Ritual de Iniciação do Chrestus ou Arhat de Fogo, geralmente celebrado pela Páscoa e que é, no final de contas, o Ritual Jina do Yokanan (DJINA-MASDHAR), em muito identificado ao Ritual  Maçónico do Adonhiramita de característica Andrógino (conforme testemunha a sua Lenda de Passagem, a qual se passa entre a Rainha de Sabá e o Rei Salomão), sendo o motivo sacrificial do pré-Apóstolo, J.oão B.aptista, quem estabelece a ponte entre as Escrituras Velha e Nova. No Ritual Djina-Masdhar o Yokanan sofre a “Degola” iniciática, isto é, faz florescer a Rosa no centro da Cruz quando o verbo por sua laringe entoa o ODISSONAI (“ESPAÇO SEM LIMITES” – PURUSHA, ESPÍRITO, PAI) e o ODISSONAL (“ESPAÇO COM LIMITES” – PRAKRITI, MATÉRIA, MÃE) a favor da defesa da Obra do Eterno na Face da Terra, logo também dele mesmo, Filho Eleito.

Consequentemente, em conformidade aos Ciclos de Iniciação, esse Ritual é realizado não karmicamente mas dhármica ou voluntariamente, conformado à Boa Lis ou Boa Lei, inclusive por preclaros Adeptos Independentes nos meados do século XX, por exclusivo amor e devoção ao Trabalho Avatárico do Senhor AKBEL e da Senhora ALLAMIRAH, servindo o Sangue Real de tais Seres para purgar o peso kármico imposto pela Humanidade ignara a tamanha e divina Obra. Assim foi, por exemplo, com os Barões da Silva Neves… mesmo que hoje e desde 1949 em outros corpos, ainda assim conservando os primitivos no Mundo das “Estátuas Vivas” que é o DUAT. Mistérios da Obra, enigmas dos Deuses!…

Isso mesmo, ainda em relação com os “Barões Assinalados” e o seu «sacrifício kármico na Cidade Badagas de ITAPIRA (Ita+Pira = Pira de Fogo), sob o solo itaparicano brasileiro», é desmentido e reiterado em primeira mão pelo nosso próprio Venerável Mestre JHS, numa sua Carta-Revelação de 11.09.1941:

«Como Refugium Peccatorum, não quer dizer que seja Lugar de Castigo. Puro engano! Mas antes de Purgação, de Elevação, de Destruição dos erros ou Karma, como o próprio Henrique Antunes da Silva Neves (o Santo Condestável) e Helena da Silva Neves (a Rainha Santa Isabel – Ísis Babel, Abel, etc.) se ocultarem até hoje, cercados de sua Corte, alguns Adeptos que auxiliaram, como Eles… os primeiros dias dos Gémeos, quando ambos de 15 para 16 anos de idade material ou humana… assumiram conscientemente a responsabilidade, indo PURGAR-se na referida Ilha (de Itaparica), desde que não podiam fazê-lo em Shamballah, nem mesmo na Agharta … S. Salvador fica fronteiriça, e passa por ser a «terra natal» de ambos, os Gémeos Espirituais ou Henrique e Helena, e como Eles, os dois prodigiosos Seres.»

Pois bem, nessa capela joanina da Catedral de Barcelos, Refugium Salvatorum, acendemos, eu e a minha companheira Ilda, cinco círios alvos e, de mão espalmada sobre o peito, saudámos a Divindade e seus digníssimos Representantes agradecendo todas as dádivas concedidas, dando assim por encerrada a nossa peregrinação a Terras de Nevia.

Saímos para o exterior, acompanhados de dois Jinas e o seu cão. A bruma voltava a cerrar, e nela empreendemos o regresso a Terras de Sintra, também estas pertença de CORDO MARIZ.

OBRAS CONSULTADAS

– Jorge Campos Tavares, Dicionário de Santos. Lello & Irmão – Editores, Porto.

– Juan Atienza, Santoral Diabólico. Ediciones Martínez Roca, S.A., Barcelona, 1988.

– Batalha Gouveia, O Etimólogo Emília. “Jornal do Incrível”, 28 de Janeiro de 1986.

Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, volume XVI. Editorial Enciclopédia, Limitada, Lisboa – Rio de Janeiro.

Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, volume 12. Editorial Verbo, Lisboa.

– Raúl Proença, Guia de Portugal (II-Minho), 4.º volume. Edição Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

– Teotónio da Fonseca, O Concelho de Barcelos Aquém e Além-Cávado, volume I. Reprodução facsimilada da edição de 1948. Barcelos – 1987.

Armorial Lusitano (Genealogia e Heráldica). Lisboa, 1961.

– Manuel de Sousa, As Origens dos Apelidos das Famílias Portuguesas. Sporpress – Sociedade Editorial e Distribuidora, Lda., Mem-Martins.

– Vitor Manuel Adrião, História Oculta de Portugal, 1.ª edição. Editora Madras, S. Paulo, 2000. Mistérios Iniciáticos do Rei do Mundo (História Oculta de Portugal), 2.ª edição, Editora Madras, S. Paulo, 2002.

– Vitor Manuel Adrião, Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria. Edição Dinapress, Lisboa, 2002.

Textos Internos e Cartas-Revelações do Professor Henrique José de Souza e do Eng.º António Castaño Ferreira.

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