CAPELA DE SÃO ROQUE

No inventário dos prédios e outros bens pertencentes à Junta de Freguesia da Paróquia de Lagos da Beira, datado de 6 de Maio de 1870, consta o seguinte: “Capela de São Roque – Uma capela em sofrível estado material, em Lagos da Beira, e composta de um altar e sacristia; tem um adro e um campanário com sino pequeno. Não tem bens”.

Da primitiva capela de São Roque que, segundo a tradição oral, situava-se no largo ou nas imediações da antiga praça, pouco se sabe, mas devia ser antiquíssima (do século XV ou antes). António Augusto Carvalho Monteiro, para alargar a sua propriedade de Quintais, fez requerimento à Junta para demolir a antiga capela mas comprometendo-se a construir uma nova. O pedido foi aceite e mandou edificar um novo templo, igualmente consagrado a São Roque. Ficou encarregado do projecto o famoso cenógrafo e arquitecto Luigi Manini, “o italiano” como é conhecido em Lagos da Beira, igualmente responsável por outros trabalhos de nomeada: o Palácio-Hotel do Buçaco, o Teatro São Luís, em Lisboa, o próprio Jazigo da família de António Augusto Carvalho Monteiro no Cemitério dos Prazeres, também em Lisboa, o Palácio dos Condes de Castro Guimarães, em Cascais, enquanto em Sintra na Quinta da Regaleira, do consabido Carvalho Monteiro, no Cottage Sassetti, no Chalet Biester e no Chalet Mayer, etc. Também aqui, nesta aldeia beirã, executou uma bela obra de arte digna de ser vista e apreciada, com uma envolvência mística muito própria que caracteriza os seus trabalhos, muito mais ainda os realizados em parceria com António Augusto Carvalho Monteiro, por mostrarem-se sempre carregados de um aparente exotismo que realmente vem a ser esoterismo. Os trabalhos foram iniciados em 1900 e concluídos em 1910.

Exterior e interior da Capela de São Roque (Lagos da Beira)

Todavia, inexplicavelmente o novo templo apesar de pequeno demorou muito a ser entregue concluído, a ponto de em sessão de 23 de Março de 1919 o presidente da Junta de Freguesia de Lagos da Beira dirigir-se a Carvalho Monteiro pedindo-lhe, com o maior respeito, que se dignasse mandar entregar a nova capela à Igreja e ao povo. Não podemos indicar com precisão a data da sua entrega, porque lamentavelmente não consta do livro de actas da Junta de Freguesia. Igualmente não consta do livro de actas a inauguração da capela, mas presume-se ter sido em 1920. Realmente, não deixa de causar estranheza só ter sido inaugurada dez anos após a sua construção, precisamente no ano da morte do seu benemérito, ou seja, 1920. É apontada como razão do facto o período conturbado da instauração da República em 1910 que teve como consequência no País violentas convulsões sociais, nomeadamente contra a Igreja e a Monarquia envolvendo atentados, assassinatos, perseguições e prisões, como aconteceu a António Augusto Carvalho Monteiro, que por ter defendido sempre o ideal monárquico acabou preso e julgado à revelia no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, e só posteriormente, acalmada a tempestade revolucionária, ficariam reunidas as condições para a inauguração desta capela. Mas fica no ar a questão: porque 1920? Haverá nisso algum simbolismo especial? Será que Carvalho Monteiro sabia que iria falecer em breve e pretendeu inaugurar a capela antes da sua passagem final? São questões que permanecem em aberto.

No interior da capela podemos observar as imagens de alguns santos muito ligados às devoções particulares de António Augusto Carvalho Monteiro, que também encontramos na Quinta da Regaleira, como Santo António (não como é representado comummente com o Menino mas com a Cruz, trajando o hábito franciscano) e Santa Teresa de Ávila. Além destes, há ainda outros prendendo a nossa atenção, especialmente São Sebastião e São Roque. Também este último aparece representado aqui de forma diferente da habitual, porque ao invés e como é uso na iconografia religiosa apresentar a perna esquerda desnuda, como se pode observar na outra imagem de São Roque na matriz local, aqui apresenta a perna direita. Observa-se nisto o subentendido de um simbolismo iniciático, posto a perna direita (ou solar) destapada representar o acto de avançar “a direito”, com isso abrindo um “mundo de possibilidades” que só se criam pela acção mental do idealista na matéria imediata, ao invés da perna esquerda (ou lunar) desnuda expressiva da imobilidade, do que já se realizou e assim pertence ao passado. Tem-se, pois, duas posturas antagónicas mas interdependentes, tal qual o Catolicismo com as suas duas leituras: a confessional (lunar) e a sapiencial (solar), ficando a catequese para os simples e a teologia, para não dizer gnose, para os sábios.

São Roque na capela e na igreja matriz de Lagos da Beira. Atentar na posição das pernas desnudas

São Sebastião, no âmbito particular do simbolismo geral desta capela, deve ser observado como santo mártir conectado ao rei martirizado D. Sebastião, expressando a “religião pátria” ofendida e perigada com a nascente República, isto por saber-se que António Augusto Carvalho Monteiro perfilhava dos ideais sebásticos, sobretudo nas suas matizes espirituais ou iniciáticas, não tanto na forma literal de regresso dum rei morto em Alcácer-Quibir, mas com ele recrudescendo o mito do Desejado, mas antes e servindo-se da iconologia católica para apontar o advento do Encoberto, tema caro do Avatara futuro como Messias Redentor da Humanidade, assinalada até hoje carente de espiritualidade que torne realmente humana, levando assim a penetrar no tema subsequente do Império do Espírito Santo, o Quinto Império Português cantado por Luís de Camões e prosado pelo padre António Vieira, posto que para haver Imperador terá antes de haver Império para governar. Estes ideais messiânicos de Carvalho Monteiro são passíveis de confirmação na vastíssima simbologia presente na Quinta da Regaleira, e igualmente na vasta colecção de obras sebásticas e quinto-imperiais encontradas na sua biblioteca particular com mais de 32000 exemplares, actualmente propriedade da Biblioteca do Congresso de Washington, E.U.A., na qual imperam impressos, manuscritos e iconografias onde pontificam temas diversos, dentre eles o Templarismo, a Sebástica, a Camoniana e as Ciências Naturais.

Deve-se igualmente realçar no tecto da capela o pelicano alimentando os seus filhos, motivo que também encontramos à entrada do Palácio da Regaleira, símbolo crístico de adopção rosacruz mas de origem franciscana que é o tradicional do Amor ou Caridade e Sacrifício, alegorizado pelo mito do pelicano que dá a sua própria carne e sangue para alimentar a prole, caridade essa que também era exercida por António Augusto Carvalho Monteiro, benfeitor nunca escusando ajuda a quem lha rogava, jamais saindo do halo de bondade e humildade que o caracterizaram, predicados reveladores de pessoa espiritualmente elevada iguais aos dos raros mas distintos confrades da supradita misteriosa Ordem de Mariz, a qual esteve sempre presente acudindo encoberta aos destinos de Portugal desde a sua génese.

Pelicano alimentando os filhos, na Capela de São Roque e no Palácio da Regaleira

Sabemos, pelas informações internas disponibilizadas pela Comunidade Teúrgica Portuguesa, que António Augusto Carvalho Monteiro e D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha ao tempo desempenhavam funções importantes nessa Ordem, e não é de estranhar que houvesse amizade inter-famílias, particularmente através de Francisco Monteiro, partilha de ideais e até a realização de empresas comuns, como foi a da fundação do Jardim Zoológico de Lisboa. Na verdade, possivelmente a prova maior da sua afiliação efectiva à Ordem Soberana – onde só é partícipe dela não o de fantasia voluntariosa que pretenda sê-lo, mas o que realmente o seja pela prova dada de valor e mérito – seja a presença da cruz bordonada (pommée), que pelo seu simbolismo solar é parente da Grã-Cruz da Ordem do Santo Graal – que é a mesma Ordem Interna exteriorizada, ainda assim interiorizada no seio da Instituição – na capela de São Roque, igualmente avistada na capela da Quinta da Regaleira, ambas sob os altares, e assim também no Jazigo da família Carvalho Monteiro, no Cemitério dos Prazeres.

Cruzes bordonadas sob os altares das Capelas de São Roque e da Regaleira

Ainda sobre o tema Ordem de Mariz, não deixa de ser curioso haver nas imediações de Lagos da Beira localidades possuídas do topónimo São Paio (São Paio de Gramaços, São Paio do Mondego, São Paio de Gouveia), cuja família San Payo ou Sampaio, saída da Moniz de Lusignan, também andou de ligações com essa Milícia supra-secreta e supra-espiritual, diremos assim, e igualmente, pela proximidade ou vizinhança, quase de certeza com a família de Carvalho Monteiro. Para mais informações sobre o assunto, aconselhamos a leitura do estudo da nossa autoria publicado no link https://lusophia.wordpress.com/2010/08/22/ave-maris-nostra-o-legado-da-ordem-de-mariz-por-paulo-andrade/

Grã-Cruz da Ordem do Santo Graal na Capela da Regaleira

A título de curiosidade, fica a seguinte informação: durante as nossas pesquisas para a realização deste estudo, deparámo-nos com um insólito no Inventário Artístico de Portugal, de Virgílio Correia, 4.º Volume, 1953, respeitante ao Distrito de Coimbra. Esse insólito está em considerar que em Lagos da Beira a capela de São Roque será capela de São Jorge! Pensamos que não passou de uma errata do autor, pois não há qualquer informação que corrobore tal identificação, tampouco encontra-se no interior da capela alguma iconografia respeitante a São Jorge. No entanto, não deixa de ser curiosa a referência a esse santo sabendo-se da sua importância em determinadas correntes esotéricas que, como já vimos, não eram indiferentes a António Augusto Carvalho Monteiro. Fica a informação e o insólito da mesma.

QUINTAIS

Talvez a principal propriedade da família Mendes Monteiro, particularmente de António Augusto Carvalho Monteiro, em Lagos da Beira, tenha sido a Herdade de Quintais, recuando ao século XVI ainda que a sua parte habitacional e os respectivos portões de ferro sejam já dos fins do século XIX, inícios do XX. Foi o aumento dos limites do espaço desta quinta que levou à demolição da primitiva capela de São Roque, com posterior edificação de uma nova do mesmo Orago custeada por Carvalho Monteiro, como referimos anteriormente.

Portão de Quintais e respectivas torres

É curiosa a história dos seus proprietários posteriores à família Mendes Monteiro, que contamos sucintamente. Havia em Lagos da Beira um rapaz chamado António Gomes que era um simples pastor. Pelo seu carácter taciturno, antipático e rude, puseram-lhe a alcunha de Lobo. Mas ele gostou tanto da alcunha que passou a assinar o seu nome como Gomes Lobo. Contra todos os interesses e expectativas familiares, veio a casar com uma rapariga de Aveiro muito rica e culta diplomada em farmácia, de nome Carminda Chaves Maia, e como se não bastasse a sorte continuou a sorrir-lhe: apostou e ganhou um prémio de 600 contos na lotaria. A partir daqui, a narrativa da sua aquisição desta propriedade segue duas versões: uma, o de querer trazer a esposa para Lagos da Beira, ter comprado honestamente a quinta em meados de 1929/1930, possivelmente a Pedro Monteiro (filho de António Augusto Carvalho Monteiro, o alcunhado “Pedro dos Tostões” por com ele ter-se desbaratado toda a fortuna do seu pai), por 30 contos de réis, e a outra, a de que estando a herdade abandonada ter apresentado papéis legais dando-lhe direito a ficar com ela. Por possível herança não seria, pois não existe qualquer grau de parentesco com a família Monteiro. Actualmente a quinta é habitada por uma filha de António Gomes Lobo, Isabel Chaves Maia Lobo e respectivo marido, mas a sua posse é igualmente partilhada pelo seu irmão João Chaves Maia Lobo, residente em Lisboa. A forma como esta família veio a adquirir a Herdade de Quintais, é ainda um mistério (dos vários) por resolver em Lagos da Beira.

A razão de contarmos essa história motiva-se na tentativa de explicar as iniciais AGL (segundo a opinião geral) que se encontram forjadas no portão da quinta, e nisto começa o insólito após sabermos, no decorrer das nossas investigações, que esse portão e a respectiva torre são do tempo dos “Fidalgos”, e no entanto é voz corrente as iniciais AGL significarem apenas António Gomes Lobo. Mas se os portões são anteriores a António Gomes Lobo, como podem eles aparecer com as suas iniciais?! Será que serão mesmo as letras AGL, ou serão antes as iniciais ACL?…

A sigla “AGL” ou “ACL”, na nossa opinião, no portão de Quintais, e uma das conchas da torre

A verdade é que não pudemos aquilatar muito mais sobre esse enigma, apesar dos portões apresentarem o singular de outras curiosidades invulgares ao uso comum, como sejam dois pentagramas forjados neles (o pentagrama ou pentalfa além de representar nos braços os 5 elementos naturais – terra, água, fogo, ar e éter – expressa igualmente o Homem em perfeito equilíbrio, além de popularmente ser o signo salomónico esconjurador das más influências psicofísicas) e absolutamente idênticos ao que está na saída subterrânea da capela da Quinta da Regaleira, também em ferro forjado. Já a presença da torre constitui o elemento mais significativo desta propriedade, posto ser factor comum presente em todos os imóveis da família Carvalho Monteiro, vendo-a dominando tanto na Quinta da Regaleira de Sintra como na demolida Quinta do Vadre, em São Domingos de Benfica. A torre desta herdade de Lagos da Beira funcionava como cisterna ou depósito de água (proveniente da nascente abundante existente aí, indo igualmente alimentar a fonte pública do povoado, como já referimos) e é decorada por conchas incrustadas nela (que não sendo as conchas vieiras, simbólicos do peregrino de Santiago de Compostela, aliás, Oliveira do Hospital está dentro do mapa das peregrinações santiaguistas, no entanto são conchas de mexilhão, o que remete para o sentido de pescador costeiro, que é onde há esse bivalve, e no sentido místico o pescador de perto ou costeiro é aquele que está junto das almas e as abriga na Torre da Fé, dessedentando-as com a Água da Vida que é a Palavra Viva da Igreja de Cristo).

Pentagramas nos portões de Quintais e no portão de acesso subterrâneo à capela da Quinta da Regaleira

A presença marcante da torre nas construções acasteladas da família Carvalho Monteiro recambia sempre e teimosamente para o mito de fundação da linhagem Lusignan (com a qual a família Carvalho Monteiro andou de proximidades) pela fada Melusina, que vivia num castelo e que da sua alta torre despediu-se dos filhos e do marido Raymond de Poitou, por este ter quebrado a promessa de nunca vê-la desnuda como mulher-sereia nas noites de sexta para sábado, lançando-se ao espaço tomando a forma de um dragão alado e desaparecendo para nunca mais voltar (para mais informações, consultar http://pt.wikipedia.org/wiki/Melusina). O mito cortês dos Lusignan parece ter sido decalcado pelo cronista francês Jean d´Arras no século XIV daquele outro mito bíblico, considerado apócrifo na sinóptica teológica, da suposta descendência saída do matrimónio entre Jesus Cristo e Maria Madalena, como também já referimos. Sendo assim, será que o L encontrado nas inicias AGL ou ACL não será designativo de Lagoense posto em relação com a sereia de Lusignan? Fica a pergunta no ar…

JAZIGO DA FAMÍLIA MONTEIRO

O jazigo da família Monteiro possivelmente data de 1890, pois pode ler-se nele a inscrição “1890-A.M.M.”, sendo que A.M.M. deve indicar António Mendes Monteiro. Já não conserva a estrutura original e foi objecto de obras de melhoramento, dando-lhe um aspecto completamente remodelado muito diferente do que era na origem, segundo pudemos apurar.

Jazigo da família Monteiro com o retrato de João Monteiro e sua esposa, Rita Correia, no interior

Neste jazigo estão sepultados Maria Jesus Monteiro, avó paterna de Carvalho Monteiro, e João Manuel Mendes Monteiro, seu primo, proprietário do edifício “Céu Aberto”, e provavelmente também jazerá aí a sua esposa Rita Correia, posto haver uma fotografia de ambos no interior do mausoléu.

BIBLIOTECA-MUSEU TARQUÍNIO HALL

A Biblioteca-Museu Tarquínio Hall (ocupando a casa onde viveu o grande investigador e escritor da História local, e que assim a autarquia encontrou uma forma justíssima de homenagear e perpétuar o nome deste filho da terra) é o principal pólo cultural de Lagos da Beira, encontrando-se nela um rico espólio literário de consulta acessível a todos que requeiram, além de uma exposição etnográfica permanente de grande interesse. Há também um vasto acervo fotográfico alusivo a acontecimentos e personalidades notáveis locais, que ao longo da História deram contributo importante para o desenvolvimento psicossocial de Lagos da Beira.

Biblioteca-Museu Tarquínio Hall onde está a foto de José João da Fonseca (ao centro) com a esposa e um dos filhos, Virgílio Hall

Estranhámos não ver nenhuma fotografia da família Mendes Monteiro, mesmo sabendo-se da importância dela na freguesia, algo que ninguém nos conseguiu responder, e assim tem-se mais um insólito entre os vários que viemos constatando sobre a mesma. No entanto, em uma das fotografias que observámos aparece um dos “herdeiros” que ficou com a maior parte dos bens de António Augusto Carvalho Monteiro em Lagos da Beira, nomeadamente o professor José João da Fonseca, pai de Tarquínio Hall. Ele fora uma espécie de feitor e secretário de Carvalho Monteiro, e aos poucos foi ficando com quase todo o seu espólio. Com o falecimento de José da Fonseca, os seus bens (incluindo os que pertenceram a Carvalho Monteiro) foram repartidos entre os filhos Virgílio Hall e Tarquínio Hall, sendo posteriormente vendidos a entidades particulares.

CONCLUSÃO

Pensamos que a investigação realizada por nós em Lagos da Beira será uma mais-valia como contributo para conhecer um pouco mais da enigmática personalidade “exótica” de António Augusto Carvalho Monteiro, mesmo deixando muitas questões em aberto, algumas ainda em processo de investigação passíveis de outras que possam surgir. Acreditamos que este nosso modesto estudo possa servir de impulso para que outros, mais capacitados e com melhores meios que os nossos, venham a descobrir muito mais ainda e a corrigir eventuais erros de análise da nossa parte quanto a este “tesouro familiar” que é Lagos da Beira, pois, como referimos ao inicio, só conhecendo as origens e o ambiente envolvente poder-se-á um dia a chegar a conhecer realmente quem foi António Augusto Carvalho Monteiro. Nisto, é da maior importância investigar mais a pessoa de seu pai, Francisco Augusto Mendes Monteiro, e o seu trajecto de vida, que consideramos ter tido importância e influência determinantes nos interesses do filho.

Essa foi talvez a maior conclusão desta investigação. Concluímos também, e este estudo pretende prová-lo, que António Augusto Carvalho Monteiro possuía uma personalidade de inclinação sobretudo espiritual, era dotado de bondade e humildade invulgares, sempre pronto a ajudar o próximo, fosse quem fosse, e nunca usou tampouco abusou do seu título nobiliárquico, “Moço Fidalgo da Casa Real”, para impor-se aos demais, muito pelo contrário, contribuiu sempre, generosa e anonimamente, para o crescimento humano e espiritual de todos, indistintamente. Pelos testemunhos que tivemos, não duvidamos da sua afiliação sincera ao Cristianismo católico, mas igualmente não duvidamos de reservado ter apostolado o Cristianismo gnóstico, facilmente comprovável pelas mensagens “subliminares” deixadas no seu património edificado, inclusive em Lagos da Beira. Isso manifesta-se pelos seus provados interesses esotéricos, sobretudo a Alquimia e o Templarismo, e mais que tudo a sua visão sebástica de Portugal como peanha do Quinto Império de Portugal, tudo resultando numa religião pátria, ou pátria religiosa que um dia, no passado histórico, foi berço Mariz de uma Tradição Supra-Sagrada de que Carvalho Monteiro pode muito bem ter sido o mais notável difusor lusitano no século XX.

Não poderemos concluir este estudo sem citar todos aqueles que nos ajudaram a realizá-lo, pois sem eles tal não seria possível. Referimo-nos concretamente à extrema amabilidade e disponibilidade de várias personalidades de Lagos da Beira, nomeadamente o seu Presidente da Junta de Freguesia, dr. José António Guilherme (pela simpatia e disponibilidade em receber-nos pessoalmente), António Garcia de Brito “Carumas” (ancião de Lagos da Beira que nos contou pormenores sobre a vida dos “Fidalgos”), António Pereira (que nos facultou várias informações sobre a igreja matriz de São João Baptista, e sobretudo facilitou-nos o acesso aos “tesouros” existentes na sacristia), António Gomes Carvalho (que nos deu informações sobre a Herdade de Quintais), D. Delfina da Conceição (a anciã centenária de Lagos da Beira ainda com uma memória extraordinária, que teve o prazer de conhecer pessoalmente António Augusto Carvalho Monteiro, facultando-nos informações e histórias muito curiosas sobre os “Fidalgos”, nomeadamente sobre o suposto busto de Carvalho Monteiro que existe no solar da família Amaral Cabral, e sobre a suposta existência de uma estátua do mesmo em uma das suas casas em Lisboa, desconhecendo nós tratar-se do Palácio da Rua do Alecrim ou se da demolida Quinta do Vadre, em Benfica), e, claro (os últimos são os primeiros!), o incansável e prestável a todos níveis senhor Vitor Fernandes, de quem já falámos no início deste estudo, para o qual o melhor e mais sincero elogio que lhe podemos endereçar, é que sem ele nada teria sido possível!

Sr. Vitor Fernandes e D. Delfina da Conceição, dois dos nossos colaboradores neste estudo

Agradecemos, mais uma vez, a simpatia e colaboração disponibilizada por todos, esperando que voltemos brevemente a reencontrar-nos em Lagos da Beira, neste ou noutro contexto, nunca esquecendo a amizade e a simpatia de quem tanto nos ajudou e esperando estar à altura de poder retribuir tamanhas gentilezas.

Terminamos, pois, reproduzindo o artigo que Vitor Fernandes publicou no Blog LB, Jornal de Lagos da Beira, noticiando a nossa visita aí: http://lb-jflb.blogspot.pt/2012/04/investigacao-historica-em-lagos-da.html

Quinta-feira, 5 de Abril de 2012

INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA EM LAGOS DA BEIRA

 No passado dia 31 de Março, Lagos da Beira teve a visita de uma equipa de investigadores de História liderada por Paulo Andrade. Os objectivos eram conhecer as origens de António Augusto Carvalho Monteiro, seu legado e sua importância na freguesia. Também importava investigar possíveis vestígios templários na região. O principal objecto de estudo foi a capela de São Roque mandada construir por Carvalho Monteiro com projecto de Luigi Manini, arquitecto italiano autor do Palácio da Regaleira. Foram também de grande importância os estudos feitos na igreja matriz e na quinta da família Maia Lobo. Tudo isto aliado a testemunhos das pessoas mais idosas da nossa terra que forneceram importantes dados aos visitantes. Não me cabe aqui revelar conclusões e hipóteses, mas adianto que os dados recolhidos constituirão um importante capítulo da reedição actualizada de um livro sobre a Quinta da Regaleira e seu ilustre proprietário.

Foram as minhas publicações em blogues e no facebook que atraíram estes estudiosos, e é quase certo que outros lhes seguirão o rasto. Sem qualquer ponta de imodéstia, fico contente por o meu trabalho de divulgação ter encontrado eco. Abre-se assim a possibilidade da obra de Carvalho Monteiro constituir um importante cartaz de turismo cultural para a nossa terra. Os contactos vão continuar, até porque faz parte dos objectivos da Biblioteca-Museu o estudo profundo da nossa História.

ADENDA

Este estudo não teria sido possível sem a ajuda dos nossos amigos senhores Hugo Martins e Daniel Oliveira, que nos acompanharam na visita e investigação em Lagos da Beira, colaborando na recolha de dados, entrevistas, registos audiovisuais e fotográficos, contando ainda com a colaboração do dr. Vitor Manuel Adrião, que posteriormente visitaria igualmente Lagos da Beira, como se pode confirmar pelo seguinte link: http://lb-jflb.blogspot.pt/2012/05/professor-doutor-vitor-adriao-visita.html

BIBLIOGRAFIA

Armorial Lusitano, por Afonso Eduardo Martins Zuquete. Edições Zairol Limitada, 4.ª edição, Lisboa, 2004.

As origens dos apelidos das famílias portuguesas, por Manuel de Sousa. Sporpress, Mem-Martins, Algueirão.

Benfica através dos tempos, por Padre Álvaro Proença. Editora Ulmeiro, 2.ª edição, Lisboa, Junho 2004.

Dicionário ilustrado de símbolos, por Hans Biedermann. Editora Melhoramentos, São Paulo, 1994.

Inventário Artístico de Portugal, por Vergílio Correia. Volume IV, Distrito de Coimbra. Academia Nacional de Belas Artes, 1953.

Lagos da Beira, Subsídios para a sua História, por Tarquínio Hall. Lagos da Beira,1997.

Monografias da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Nomes de Portugal, por Luís Amaral. Edição do semanário O Independente, 1998.

Quinta da Regaleira, a Mansão Filosofal de Sintra, por Vitor Manuel Adrião. Editora Occidentalis, Lisboa, Março 2007.

Os jardins iniciáticos da Quinta da Regaleira, por José Manuel Anes. Ésquilo, Edições Multimédia, 2.ª edição, Lisboa, Maio 2007.

Sebástica manuscrita na Biblioteca do Congresso, por Manuel Joaquim Gandra. Centro Ernesto Soares de Iconografia e Simbólica, Mafra, Abril de 2012.

WEBGRAFIA

http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=30525

http://lb-jflb.blogspot.pt/

https://lusophia.wordpress.com/2010/08/22/ave-maris-nostra-o-legado-da-ordem-de-mariz-por-paulo-andrade/

http://sintra-subterranea.blogspot.pt/2012/04/raizes-da-familia-carvalho-monteiro.html

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS

Paulo Andrade e Comunidade Teúrgica Portuguesa.

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