CARTA ABERTA (Resposta de Vitor Manuel Adrião a certa flora «eubiótica») Sexta-feira, Dez 28 2012 

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Sintra, Portugal, 27.12.2012

Eu, Vitor Manuel Adrião, português, face às atitudes reiteradas de lesa-pessoa e lesa-honra sobre mim provindas de alguns afiliados – todos identificados, no cadastro, actual morada, profissão e estado civil, de que será dada notícia no lugar previsto por Lei Jurídica pelos advogados ao juiz – na Sociedade Brasileira de Eubiose, entidade autónoma brasileira de carácter religioso como consta nos seus estatutos civis, os quais afiliados, cidadãos singulares em número colectivo, em atitudes persecutórias constantes à minha pessoa na praça pública e nas redes sociais, arrastando, mercê do seu carisma e da confiança depositada neles, outros tantos a imitá-los, a maioria confessando nunca ter sequer ouvido falar de mim até ao momento da difamação pública, argumentando acusações infundadas, improvadas e improváveis passíveis do requerimento queixoso (eu) da aplicação de sanções previstas no Código Penal da Lei Jurídica da República Federativa do Brasil – Parte Especial, Título I, Dos crimes contra as pessoas, Capítulo VI, Dos crimes contra a honra, Artigo 180.º (Difamação), Artigo 181.º (Injúrias), Artigo 182.º (Equiparação), Artigo 183.º (Publicidade e calúnia), Artigo 184.º (Agravação), Artigo 188.º (Procedimento criminal) – afirmo em plena posse das minhas faculdades mentais e psicomotoras:

1.º – Contrariamente ao afirmado publicamente e escrito publicamente por os ditos caluniadores e perseguidores da minha pessoa, em actos voluntariosos mas iguais aos do terrorismo dos fundamentalistas religiosos da espécie dos tabilãs, eu sempre reconheci e reconheço a legimidade da existência jurídico-legal da entidade colectiva Sociedade Brasileira de Eubiose, por consequência sempre reconheci e reconheço a legitimidade humana dos seus dirigentes e inclusive a legitimidade espiritual dos mesmos para com ela e os seus afiliados, aceitando tratar-se de uma entidade colectiva definida como de foro religioso, ou sejam, os respectivos senhores e senhora Hélio Jefferson de Souza, Jefferson Henrique de Souza e Selene Jefferson de Souza. Como tais, reconheci e reconheço o seu inteiro direito a nomear e a determinar como lhes aprouver no colectivo SBE.

a) Nada tenho a obstar ou a aprovar quaisquer acções dos citados dirigentes, sejam quais forem, por palavras ou acções suas, porque sou alheio às mesmas não sendo sócio da citada entidade, e tampouco privo pessoalmente com os supraditos dirigentes nomeados no parágrafo 1.º como está descrito.

b) Não sou sócio da SBE nem privo com os seus dirigentes, reitero o dito na alínea a. No entanto e por motivos exclusivamente de natureza religiosa ou espiritualista, várias vezes encetei diligências de aproximação pessoal aos mesmos, em todas as ocasiões sempre oferecendo a minha disponibilidade em préstimos exclusivamente de índole cultural-espiritualista, ou religiosa, a título absolutamente gratuito.

c) Reconheço que entre a minha pessoa e os dirigentes da entidade SBE nunca houve manifestação de hostilidade e acusação pública de nenhuma natureza. O respeito mútuo e a polidez social é permanente diante do público geral, que da minha parte nunca ouviu ou leu o que quer que fosse de ofensivo, reprovativo e também aprovativo, certamente por desprivar pessoalmente, dos citados senhores e senhora Hélio Jefferson de Souza, Jefferson Henrique de Souza e Selene Jefferson de Souza.

2.º – Dos três citados senhores filhos do finado senhor Professor Henrique José de Souza, fundador da entidade colectiva cultural-espiritualista Sociedade Teosófica Brasileira, e assim como todos o seu primogénito, senhor Hélio Jefferson de Souza, nunca teve comigo postura caluniadora e persecutória como têm repetidamente alguns afiliados na sua organização, e tampouco eu difamei-o publicamente por escrito ou oralmente, ou a algum dos seus familiares e descendentes.

d) Visitei várias vezes a cidade de São Lourenço no Sul de Minas Gerais, Brasil, onde está a sede da entidade SBE (Sociedade Brasileira de Eubiose). Dos encontros havidos, nunca houve atritos pessoais entre mim e os dirigentes da dita, inclusive com um filho do senhor Professor Henrique José de Souza com quem me entrevistei pessoalmente, tendo-o eu procurado na sua residência. Houve cordialidade e respeito mútuos. O mesmo aconteceu com um neto do Professor HJS (Henrique José de Souza), inclusive tendo-lhe transmitido o meu endereço e número de telefone pondo à sua disposição e da sua família a minha casa quando visitou Portugal recentemente, convite que preteriu mas foi feito.

3.º – Fiz parte dos quadros de sócios da SBE em 1994-1995, e cumpri no exigido pela mesma até à Apostila n.º 5 da sua Série Peregrino, recebendo a correspondência directamente de São Lourenço (MG). Ainda em 1987-1988 mantive relações com a representação portuguesa da SBE e recebi duas colecções policopiadas de textos sem indicativos de quaisquer graus. Foi uma relação muito esporádica que interrompi e deitei no lixo o dito recebido, motivos que esclarecerei no lugar próprio do queixoso se a tanto se chegar. Tudo isso apesar de já estar na entidade teosófica desde 1973-1974, com actividade total na mesma a partir de 1976 e que durou até 1978-84, já intercalada com as actividades culturais-espiritualistas da Comunidade Teúrgica Portuguesa em cuja fundação estive à dianteira, primeiro em Sagres (1978), depois em Sintra (1982) e finalmente em Lisboa com a sua abertura ao público (1984).

4.º – Conhecedores do meu trajecto teosófico empático com o pensamento de Henrique José de Souza, e a dedicação exclusiva ao mesmo, vários(as) discípulos(as) dele vieram consecutivamente e ao longo dos anos confiar-me o legado que receberam do líder da entidade Sociedade Teosófica Brasileira, sempre de espontânea vontade sem alguma vez eu ter pedido alguma coisa ou pressionado nesse sentido.

e) A prova da veracidade das minhas palavras no parágrafo 4.º está no acontecido no ano 2004 na cidade de São Lourenço (MG), propriamente no Hotel Jina, quando de livre e espontânea vontade, à vista de todos(as) que enchiam o apartamento, a maioria meus desconhecidos mas que estão identificados(as), um discípulo já finado do Professor Henrique José de Souza ofereceu-me todo o seu espólio literário pessoal, desde o mais privado ao mais público. Factos idênticos a esse passaram-se com muitos outros e muitas outras, cujos nomes reservo para a ocasião propícia e a convocação das respectivas testemunhas, se for caso disso.

5.º – O legado teosófico inteiro do Professor Henrique José de Souza que chegou à minha posse aconteceu da maneira descrita na alínea e), não da forma com que sou caluniado: por roubo ou plágio de bens e pessoas, destas boa parte de quem sou livre de discordar inteiramente das suas palavras e actos. Se não concordo como posso plagiar ou roubar aquilo que discordo?

f) Revela-se publicamente em alguns sócios da entidade SBE um “papismo” doentio, incoerente nas palavras e actos com as intenções aparentes, cuja habilidade de alguns para inventar feitos fantásticos revela a insanidade da sua natureza alucinada e fraqueza de carácter, como qualquer psiquiatra pode verificar no mais elementar exame, mas tudo isto à margem da postura pública dos dirigentes para com os quais, repito, nada tenho a favor ou a desfavor. Respeito-os como pessoas com responsabilidades no meio em que estão, e mais nenhum “pró ou contra”.

g) Os mesmos alguns sócios revelam publicamente as suas naturezas perversas e a ânsia de destaque público com a mania das grandezas em serem mestres sobre tudo e todos, talvez como satisfação pessoal da sua miudeza humana, social e espiritual, demonstrando uma tremenda confusão apesar de usarem e abusarem da lógica das ideias mas sem certeza alguma, havendo entre eles quem seja português e em Portugal deixou má-fama e proveito (o seu nome e o dos outros, repito, serão relatados pormenorizadamente com testemunhas abonatórias dos factos no lugar próprio, repito ainda, se aí se chegar). No entanto, pervertem os factos e querem ser donos exclusivos da entidade colectiva SBE no género “salvadores do mundo”, como demonstram nos seus actos, vindo apodar-me entre outros mimos de ladrão, de assassino e desejam abertamente a minha morte com todas as letras impressas, usando de todos os meios ao dispor para calar-me, como o têm feito com a maior  desfaçatez  escondidos na cobardia das redes sociais. Sobre isto e nisto, tenho a certeza, não são os dirigentes mas alguns dirigidos quem destróem a mais bela Obra espiritualista do século XX, a criada pelo Professor Henrique José de Souza.

Fica a presente Carta Aberta ao cuidado e apreciação parcial ou imparcial do público geral, reservando-me o direito de utilizá-la como entender e onde quiser.

Vitor Manuel Adrião

Comendador do Título da Cadeira Histórica e Filosófica da Sociedade de Estudos de Problemas Brasileiros – SP.

Licenciado em Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Lisboa.

Bacharel em Sociologia da História pela Universidade Internacional – Lisboa.

Professor e conferencista com mais de 40.000 aulas e conferências realizadas, em Portugal e no estrangeiro.

Escritor e articulista com mais de 50 livros escritos e editados, e cerca de 5.000 artigos escritos e publicados, em revistas e jornais, em Portugal e no estrangeiro.

Fundador da Comunidade Teúrgica Portuguesa em 1978, no Promontório de Sagres, Algarve, Portugal.

2012 e o Fatalismo Cósmico (Signos e Ciclos da Tradição) – Por Vitor Manuel Adrião Segunda-feira, Dez 10 2012 

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23.7.2012

Os astros inclinam mas não designam. – Paracelso

Fala-se e escreve-se, permeio a programas de rádio e televisão com cinema incluído, com uma profusão inquietante à escala planetária que este ano de 2012 será o último da vida na Terra, pois que no dia 21 de Dezembro (21 ou, engenhosamente ao contrário, 12.12.2012) o Mundo irá sofrer um acidente cósmico que o apagará do mapa sideral. Outros, contrapõem a esse terrível apocalipse próximo que será antes a data messiânica do início de uma Era nova marcada por um alinhamento de todos os planetas do Sistema Solar, fenómeno considerado raro correspondendo à manifestação súbita da Luz Cósmica que tornará todos os seres da Terra felizes e luminosos ante a vida extraterrestre que novamente volverá à vista de todos e será só paz e amor no Mundo.

Isso, “fim do Mundo” ou “começo de novo Mundo”, como se queira, afirma-se que já fora previsto pelo povo maia da América Central há milhares de anos e cujo calendário termina abruptamente na data assinalada. O tema tendo tanto de inquietante como de fascinante, inclusive chega a atrair e a convencer as atenções de eubiotas e teosofistas lançados em largas elocubrações onde não faltam intrincados exercícios de matemática astrológica e a sua pressuposta relação com os “Ciclos Teosóficos da Obra de JHS”, procurando confirmar as ditas profecias maias por outros tantos testemunhos apocalípticos esparsos por vários lugares monumentais da Europa, como Hendaye, no País Basco Francês, ou mesmo o soalho geométrico da Catedral de Westminster, em Londres, Inglaterra, garantindo-se que Isaac Newton conhecia as profecias apocalípticas referentes a 21.12.2012 e as terá descrito com a maior clareza. Poderá ser, mas também poderá não ser, mas o que sei é que o Professor Henrique José de Souza jamais referiu em toda a sua vida esta data de 2012 como a de um evento extraordinário a qualquer título, ademais não podendo afirmar-se com veracidade que ele desconhecia o mecanismo intrincado da Astrologia, porque nos anos 20 e 30 do século passado foi um hábil astrólogo que exerceu publicamente essa ciência sob o pseudónimo de Professor ZIZUPH, palavra mágica que o próprio explica no seu Livro Síntese como representando o “Génio ou Jina dos Mistérios” (“ou seja, o 6.º entre os 7 da 8.ª hora, portando maravilhosa explicação respeitante ao futuro da Obra. Vide o Nuctameron, de Apolónio de Tiana”. – H.J.S. in L. S.).

Além disso, que não é pouco, parece querer ignorar-se propositadamente o facto de até hoje só se ter decifrado menos de metade da escrita maia, razão de menos de três quartos dos escritos maias sobreviventes só poderem ser lidos com graus variáveis de certeza, ficando-se apenas com uma ideia geral da sua estrutura consistindo num conjunto de glifos elaborados que vêm a revelar a escrita maia como sistema logossilábico. Os símbolos individuais (glifos) tanto poderão representar uma palavra, um morfema, como uma sílaba, e o mesmo glifo poderia ser utilizado das duas formas e até mais consoante a ideia que se pretendia grafar usando o mesmo caracter para representações completamente diferentes. Esta ambiguidade gerou leituras conflituosas à medida que a escrita foi adaptada a novas línguas, mormente as europeias pretendendo interpretá-la pelos padrões da sua própria gramática a partir dos fins do século XVII, mesmo sabendo-se que a maioria da literatura maia, incluindo o seu alfabeto descodificado ou com os respectivos significados, havia sido destruída no século XVI pelo zelo jesuíta dos invasores espanhóis.

O que sobreviveu do glifismo maia bastou para ser considerado o sistema de escrita mais desenvolvido da Mesoamérica, sabendo-se ser fruto do intercâmbio cultural estabelecido com a civilização olmeca que ocupou anteriormente a região mexicana entre os anos 1500 e 400 a. C. Desprovida de sistema alfabético, a escrita maia contou com um extenso conjunto de caracteres representando sons e símbolos onde um mesmo glifo servia para expressar a vários. Acreditando que a escrita era um presente divino de VORAKAN, KUKULKAN ou KETZALCOATL, a “Serpente Emplumada” ou a “Serpente Irisiforme”, KINEMELARATOZUS, que a trouxera de VÉNUS (referência velada aos Kumaras provenientes da Cadeia de Vénus), a estrela central do seu sistema astrológico por esse mesma razão iniciática, os sacerdotes maias ensinavam-na aos mais distintos e elevados da sua sociedade, principalmente às castas sacerdotal e militar mas também aos encarregues das acções comerciais. De maneira geral, utilizavam diferentes materiais para o registo de alguma informação, sendo a madeira, a pedra e a cerâmica os mais recorrentes, fabricando igualmente livros e códices confeccionados a partir de fibra vegetal, resina e cal. De forma geral, os documentos privilegiavam os registos dos acontecimentos quotidianos do povo, sendo igualmente função importante da escrita o registo do tempo sazonal e litúrgico, aplicando-se a astrologia centrada em Vénus para regular o período agrário das sementeiras e colheitas e o período das celebrações religiosas. Registavam-se também o desenvolvimento de novos conhecimentos e de novos rituais que acompanhavam a evolução deste povo. Era, pois, um calendário estritamente localizado sem outras pretensões transcontinentais que hoje se lhe pretendem dar apesar de desconhecidas para essa sociedade neolítica.

Actualmente só sobrevivem três obras da cultura letrada maia: os códices ou Codex Dresdensis, Tro-Cortesianus e Peresianus, que se encontram separados nos Museus Nacionais de Berlim, Madrid e Paris. O restante foi destruído durante a ocupação espanhola da América Central por ordem do bispo Diego de Landa no século XVI, que, numa contradição notável, com a sua curiosidade “pagã” esforçou-se por traduzir alguns documentos maias com a ajuda dos índios catequisados.

Após ter tomado conhecimento de maias católicos que continuavam a praticar o “culto dos ídolos”, Diego de Landa Calderón (12.11.1524 – 29.4.1579) ordenou uma inquisição em Maní (município do Yukatan, México) que terminou com um auto-de-fé. Durante a cerimónia efectuada no dia 12 de Julho de 1562, um número indeterminado de códices maias (Landa admite 27, mas outras fontes adiantam “99 vezes esse número”) e cerca de 5000 imagens de cultos maias foram queimados. Descrevendo e justificando as suas próprias acções, este bispo franciscano com alma jesuíta escreveria mais tarde: “Encontrámos um grande número de livros escritos com estes caracteres, e como não continham nada que não pudesse ser visto como superstição e mentiras do diabo, a todos queimámos, o que eles (maias) muito lamentaram, causando-lhes grande aflição”.

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Codex Dresdensis. Invocação dos Deuses, preparação das Profecias e antevisão do Dilúvio Universal, referência à descendência atlante do povo maia (incluindo olmecas e toltecas).

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Página da Relación de las Cosas de Yucatán, deDiego de Landa

Após o seu regresso a Espanha, Landa escreveu cerca de 1566 a Relación de las Cosas de Yucatán, obra em que cataloga a língua, religião, cultura e sistema de escrita maia, reconhecendo o autor que o conjunto continha inconsistências aparentes e duplicações que ele não sabia explicar. Ademais, esse manuscrito sofreu muitas alterações feitas pelos sucessivos copistas, sendo a versão conhecida actualmente datada de 1660 e sido descoberta em 1862 pelo clérigo francês Charles Etienne Brasseur de Bourbourg, que a publicaria dois anos depois numa edição blilingue intitulada Relation des choses de Yucatán de Diego de Landa. Os investigadores que mais tarde reviram esse material concluíram que o alfabeto de Landa além de impreciso era fantasioso em relação à cultura maia, e muitas tentativas posteriores de utilização dessa transcrição mostraram-se absolutamente incongruentes. Só muito mais tarde, nos meados do século XX, é que surgiu a ideia, depois confirmada, de que não se tratava da transcrição de um alfabeto mas antes de um silabário. A confirmação foi estabelecida apenas na década de 1950 pelo trabalho do linguísta soviético Yuri Knorozov e da geração seguinte de maianistas.

Apesar de impreciso e incompleto, o alfabeto de Landa é o utilizado universalmente para interpretar os códices maias e descobrir neles a terrível profecia apocalíptica de 21.12.2012, data em que termina o calendário desse povo no entendimento de alguns ocidentais milenaristas interpretando a seu modo o que foi interpretado nos códices por Landa, juntando à sua prerrogativa profética o reforço do Zodíaco maia exposto no Museu de Bogotá, Colômbia, contudo esquecendo o principal: o Zodíaco é um mapa geral do céu, não um código cifrado milenarista de «conta longa», como é dito por vários para justificar que a hora fatal deste ano é mais que certa, assim mesmo encontrando uma espécie de reprodução comprovativa desse Zodíaco maia no figurino geométrico visto no pavimento da Catedral de Westminster.

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Zodíaco maia no Museu de Bogotá, Colômbia

Trata-se do pavimento Cosmati, defronte ao altar-mor desta igreja colegial. Foi estabelecido em 1268 por ordem de Henrique III que para o efeito mandara vir de Roma o mestre-canteiro Odoricus Cosmati, pertencente a uma família distinta romana de artesãos possuidores de um estilo único cuja técnica chamava-se sectile opus, “cortar trabalho”, diferindo do anterior trabalho de mosaico romano antigo medieval que consistia em pedras quadradas de tamanhos iguais. Cosmati deixou aqui uma diversidade de tamanhos, formas e cores numa peça única de 7,58 metros. Crê-se que o desenhista dessa peça foi o famoso alquimista Roger Bacon (1214-1294), porque muitas das figuras expressas neste pavimento estão representadas no tratado alquímico Liber Secretum Secretorum (Livro do Segredo dos Segredos) que o famoso personagem tinha como um dos mais importantes da Arte Real por descrever a própria Pedra Filosofal.

O desenho do pavimento compõe-se de um quadrado exterior com quatro rectângulos direccionados ao Norte, Sul, Leste e Oeste e entre cada um deles cinco rodelas. No quadro interior aparecem novas quatro rodelas maiores que as exteriores donde despendem cordões que vão formar um quadrado perpendicular, ou melhor, um losango, dentro do qual surgem novas quatro rodelas donde irrompem cordões que vão ligar-se a uma quinta rodela central. No todo, as rodelas e os rectângulos perfazem o número 33 que é o da idade do Cristo, assim também chamado na Maçonaria Anglo-Escocesa, com os seus 33 Graus, o número do Mestre Perfeito. Cada rectângulo representa uma porta da Jerusalém ou Paraíso Celeste que na igreja tem no altar-mor a passagem do Plano Humano ao Divino. O facto das rodelas mais pequenas agruparem-se em número de cinco, indica os cinco “hálitos vitais” ou elementos naturais que animam o Universo manifestado: Éter, Ar, Fogo, Água, Terra. Estes princípios interligados (donde a presença do cordão) vão dar vida aos globos intermédios representando as várias fases da manifestação da Terra, desde etérica, aérea, ígnea, aquosa e física, cada um dele provido de um “Sol” ou Força Central (os globos do centro do desenho) que os anima, e todos animados pelo globo azul ao centro, representando a Quintessência da Natureza, o Quinto Elemento que é o Akasha ou Éter com que se fabrica a Pedra Filosofal. A Tradição Iniciática dá como cor do Éter o azul, que é o que se vê no globo central.

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Pavimento Cosmati na Catedral de Westminster, Londres

Estranhas ao estilo Cosmati, aparecem neste pavimento tês cartelas de latão com inscrições danificadas referentes ao fim do mundo em 1212 (que alguns milenaristas modernos crêem referir-se ao “apocalipse final em 2012”, recorrendo para isso a deduções numerológicas e matemáticas fantásticas). Essas inscrições latinas foram copiadas no século XV pelo cronista abade John Flete, podendo ser traduzidas como: “No ano de Cristo de 1212, mais 60 menos 4, o terceiro Henrique, Odoricus e o abade (Richard de Ware) juntos mandaram colocar estas pedras de pórfiro”. A explicação é simples apesar de engenhosa: 1212 mais 60 é igual a 1272, data da morte de Henrique III (em 16 de Novembro desse ano), e 60 menos 4 é igual a 56, a duração do seu reinado. Tudo indica que as inscrições foram adicionadas após a morte do monarca.

Desprezando as evidências simbólicas, artísticas e históricas desse pavimento, mesmo assim não poucos teimam na sua associação às «profecias maias» e que o próprio Isaac Newton (4.1.1643 – 31.3.1727) sabia disso e por tanto quis que o seu túmulo ficasse nesta catedral, acrescentam reforçando essa ideia. Familiar da Fraternidade dos Rosacruzes ou Colégio dos Invisíveis a quem a Academia Real de Londres deve a sua existência, de facto Newton também se interessou pelas profecias e o milenarismo, mas não da maneira que hoje é interpretada e, reconheço, com muitos factos absolutamente inventados nos tempos recentes. Na sua obra Escatologia, Newton dedicou-se a investigar a filosofia teológica relacionada com o Apocalipse (último acontecimento na História do Mundo, ou o derradeiro destino da Humanidade), vulgarmente chamado o “Fim do Mundo”. Para isso recorreu à matemática fazendo contas complicadas inspirado em profecias bíblicas e não bíblicas que relacionou com a história política e religiosa do seu tempo, tudo de acordo com o tema tradicional da translatio imperii, ou seja, da trasladação ou mudança dos impérios, onde um fenece e outro se levanta. Mas nisto não foi preciso e deixou somente hipóteses matemáticas sobre o eventual “Fim do Mundo”, também este assinalado no globo que ilustra o túmulo do seu corpo finado.

Num manuscrito que ele escreveu em 1704, Observations upon the Prophecies, está descrita a sua tentativa de extrair informações científicas a partir da Bíblia, partindo dos seis anos que ela dá à criação da Terra, acabando por estimar que o Mundo não iria acabar antes de 2060, mas deixando a hipótese em aberto como possível de acontecer ou de não acontecer, prova da sua dúvida quanto à possibilidade. Nesse documento, após analisar as profecias constantes no Livro de Daniel (no Antigo Testamento), Newton conclui evasivo que o Mundo deverá acabar por volta de 2060 mas “ele pode acabar além dessa data, e não há razão para não acabar antes”! Ou seja, está nas mãos do próprio Homem o seu destino pelo trato que dá à Mãe-Terra. Numa outra análise, o sábio interpreta as profecias bíblicas sobre o retorno dos judeus à Terra Prometida antes do Apocalipse: “A ruína das nações más, o fim do choro e de todos os conflitos, e o retorno dos judeus ao seu próspero reino”. Nisto acertou: o Estado de Israel existe desde 1948.

Também a chamada “cruz cíclica” de Hendaye, no País Basco Francês, é mote constante para evocar e provar a “certeza fatal do fim do Mundo em 2012”, como pressupostamente já auguravam as “profecias maias”.

A povoação de Hendaye passaria desapercebida se não fosse indicada como espécie de áxis mundi ou “centro axial do mundo”, sobretudo graças à misteriosa cruz no adro da sua igreja de São Vicente edificada em 1598, com as duas portas românicas portando as armas reais de França que recordam a assinatura do Tratado dos Pirinéus em 1659. De facto, Hendaye dispõe-se no centro exacto do Golfo de Biscaia, no território ocupado desde há milhares de anos pela etnia basca, estando esta igreja disposta estrategicamente junto à rota para Santiago de Compostela, vinda do Norte de França e atravessando o País Basco.

A supradita “cruz cíclica” de Hendaye, assim encravada estrategicamente dando aso a uma geografia sagrada, parece assinalar tudo isso na profusão dos símbolos que a decoram a ponto de ter levado o alquimista Fulcanelli a dedicar-lhe um capítulo inteiro no seu livro O Mistério das Catedrais. Segundo este autor, essa cruz também é conhecida por “Monumento ao Fim dos Tempos” e os seus símbolos indicam a passagem da actual Idade do Ferro ou Kali-Yuga, em sânscrito, caracterizada pelo materialismo e o afastamento das leis da Natureza, para a futura Idade do Ouro ou Satya-Yuga, em sânscrito, tipificada pelo espiritualismo e a reintegração do Homem na Natureza, por já então cumprir as leis por que a mesma se regula e manifesta. Então, o reinado universal da desarmonia dará lugar ao reinado da Harmonia Universal. Trata-se, pois, de uma mensagem apocalíptica mas realçando a esperança num tempo melhor, por certo utópico no presente ciclo profano mas não num ciclo sagrado que é a lógica da mensagem desse cruzeiro.

Cruz de Hendaye

Cruz cíclica de Hendaye, País Basco

No travessão horizontal da cruz lê-se a frase latina em letras maiúsculas: OCRUXAVES PESUNICA, anagrama da frase latina O CRUX AVE SPES UNICA, isto é, “Salve, ó Cruz, única Esperança”. A letra S, propositadamente disposta dessa forma que intriga o observador mais atento, é a chave da mensagem ocultada na cristianíssima frase: representa as “lágrimas alquímicas de Cristo”, que é uma expressão usada pelos alquimistas cristãos para definir a destilação ou extracção das virtudes naturais, as da Natureza mas também as da alma humana, durante a fase da Crisopeia ou “Fábrica do Ouro”, esta que em última instância refere-se à Iluminação do Adepto Filosófico, o Alquimista. No alfabeto hebraico o S é a inicial da letra Samekh, com o significado de “serpente de fogo” e associada ao Arcanjo da Luz, que sendo Samael ou Lúcifer exprime astralmente o planeta Vénus, este que os judaico-cristãos associam à manifestação do Messias ou Avatara nos Fim dos Tempos, isto é, na passagem de um Ciclo Planetário para outro. Portanto, a mensagem derradeira desta “cruz cíclica” dirige-se à evocação do Segundo Advento de Cristo sobre a Terra, a Parúsia Universal, com que inaugurará uma Nova Era de Paz e Progresso para o Mundo, e de forma alguma, como querem alguns alheios aos cânones rigorosos dos Símbolos da Tradição, contendo a mensagem bizarra de “2012 – Fim do Mundo”.

As quatro faces do pedestal estão figuradas e igualmente têm dado aso a interpretações fantasistas onde o incongruente é o dominador comum. Numa face, vê-se o Sol antropomórfico cuja boca parece vomitar quatro estrelas postadas nos cantos angulares. Representa a ciclicidade espaço/temporal por que se manifesta a Vida Universal, ou seja, os 4 Ciclos Universais assinalados pelas estrelas indicativas dos planetas regentes dos mesmos: a Idade do Ouro (Satya-Yuga) marcada pelo Sol; a Idade da Prata (Tetra-Yuga) assinalada pela Lua; a Idade do Bronze (Dwapara-Yuga) indicada por Vénus; a Idade do Ferro (Kali-Yuga) regida por Marte, cuja beligerância faz-se hoje sentir por toda a Terra. Por isso, o Sol Central, representando a própria Divindade, esboça um esgar de tristeza e repulsa, com o sentido moral de ver a Humanidade sua Criação hoje desavinda entre si e até O renegando. Contudo, a presença do Sol remete ao retorno às origens primordiais, a uma Nova Idade de Luz, à saída do caos intercíclico para a ordem da Harmonia Universal. Donde, o duplo sentido das iniciais INRI também gravadas nesta cruzeiro: se na interpretação teológica imediata significa em latim Ieseus Nazarenus Rex Ieduorum, “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”, igualmente significa Ignis Natura Renovatur Integra, “Pelo Fogo se renova a Natureza inteira”. O Fogo de Deus que é o Logos Solar, eterno mantenedor e transformador da Vida Universal, e que é assinalado pelo X no topo da Cruz, inicial grega de Xpõ ou Christus, em latim, ou seja, Cristo, “o Verbo que se fez carne”, que se manifestou na Terra.

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Noutra face do pedestal, está gravada a Lua crescente com rosto humano. Representa o aspecto feminino da Criação, a fecundidade e a nutrição que mantém e regula os Ciclos de Vida. É algo assim como a “contraparte” do Logos ou Divindade Criadora, que no aspecto mais imediato da religião confessional representa-se em Maria Mãe ao lado do Cristo Filho, incarnação de Deus Pai. Por isso, é aqui representada com rosto antropomórfico. Ademais, volvendo novamente ao sentido de “fecundidade e nutrição”, a Lua postada desta maneira representa tradicionalmente o quinto elemento natural, o Éter ou Akasha, a chamada Quintessência da Natureza que se associa astrologicamente a Vénus, planeta feminino por excelência segundo os antigos hermetistas que o ligavam à própria Virgem Mãe apodada Stella Maris, “Estrela-do-Mar” ou “sobre o Mar”, este figurativo das águas etéricas da Criação. Ainda hoje a ladainha mariana evoca Maria como Stella Maris, que sendo Vénus é considerado tradicionalmente o alter-ego da Terra, tal qual Maria é a Mãe Soberana do Mundo.

Essa prerrogativa é confirmada na terceira face do pedestal, onde vê-se uma estrela de oito pontas que é a figuração tradicional dada a Vénus, mas também, aqui, indicadora de ser este um lugar obrigatório de paragem durante a rota compostelana, ou seja, onde todo o peregrino deve reflectir sobre Compostela ou Campus Stellae, o “Campo da Estrela”. Por isto, a estrela de oito pontas também representa a Cavalaria Espiritual, ou por outra, o Companheirismo que caracterizou os antigos monges-construtores e igualmente os peregrinos de Santiago de Compostela, adoptando o caminho quer como forma de expiação dos seus pecados, quer como via para alcançar a Iluminação marcada pela Estrela do vasto Campo de suas almas peregrinas sedentas de Luz.

Finalmente, na quarta face do pedestal vê-se uma cruz dentro dum oval e em cada quartel uma letra A. Será a inicial da letra grega Alpha, como igualmente da letra hebraica Aleph, ambas com o mesmo significado de “início, começo”, em latim initio, aqui certamente o das quatro Idades tradicionais do Mundo que o oval com a cruz assinalam, pois que é o símbolo tradicional do planeta Terra, como seja, uma cruz dentro de um círculo.

Aliás, da forma mais simples e imediata as quatro faces do pedestal marcam cada uma uma Idade do Mundo: a face com o Sol a Satya-Yuga; a face com a Lua a Tetra-Yuga; a face com a Estrela ou Vénus a Dwapara-Yuga; a face com a Terra afligida por Marte a Kali-Yuga. O cruzeiro no topo expressa o retorno da Humanidade à Idade de Ouro, a uma nova Satya ou Kryta-Yuga, a “Arcádia dos Deuses”.

Havendo cômputos calendarizados nesses e noutros monumentos direi “insólitos” espalhados pela Europa, os mesmos só podem ter tido uma de duas fontes clássicas para assinalar tanto o tempo litúrgico como o civil, e não um vaguíssimo pressuposto calendário mesoamericano absolutamente desconhecido neste mesmo continente tanto na Idade Média como na Renascença: refiro-me aos calendários juliano e gregoriano. O calendário juliano foi implantado pelo imperador romano Júlio César em 46 a. C., e recebeu modificações do imperador Augusto em 8 a. C., e até hoje é o utilizado pelos cristãos ortodoxos de vários países mediterrânicos, médio-orientais e do norte da Europa. Nele os anos bissextos ocorrem sempre de quatro em quatro anos, enquanto no calendário gregoriano não são bissextos os anos seculares excepto os múltiplos de 400, o que hoje acumula uma diferença de 13 dias entre ambos os calendários. Assim, o 10 de Setembro de 2012 no calendário gregoriano é 1 de Setembro no calendário juliano. Este calendário juliano provém do calendário romano estabelecido por Rómulo na época da fundação de Roma em 753 a. C. Tinha 10 meses que totalizavam 304 dias. Foi modificado por Numa Pompílio que o transformou em luni-solar, com 12 meses totalizando 355 dias. Para manter o calendário alinhado com o ano solar, adicionava-se um mês extra, mensis intercalaris, de dois em dois anos, fazendo dos anos uma sequência irregular de 355, 377, 355, 378 dias e ainda dependendo de ajustes. A decisão de inserir o mês extra era da responsabilidade do pontifex maximus, que procurava manter o calendário em sincronia com os eventos sazonais de translação da Terra, nem sempre sendo preciso. O calendário gregoriano usual na maioria dos países católicos romanos europeus, foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de Fevereiro de 1582 em substituição do calendário juliano. O objectivo da mudança era o de fazer regressar o Equinócio da Primavera para o dia 21 de Março e desfazer o erro de 10 dias existente na época em relação ao calendário juliano. Após cinco anos de estudos foi promulgada a bula papal Inter Gravissimas, tendo início a este calendário em 15 de Outubro de 1582. Foram omitidos os dez dias do calendário juliano, deixando de existir os dias entre 5 a 14 de Outubro de 1582. A bula ditava que o dia imediato à quinta-feira, 4 de Outubro, fosse sexta-feira, 15 de Outubro. Os anos seculares só são considerados bissextos se forem divisíveis por 400. Desta forma a diferença (atraso) de três dias em cada quatrocentos anos observada no calendário juliano, desaparece. Corrigiu-se a medição do ano solar: o ano gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, ou seja, 27 segundos a mais do que o ano trópico. O calendário gregoriano apresenta alguns defeitos, tanto sob o ponto de vista astronómico como no seu aspecto prático. Por exemplo, o número de dias de cada mês é irregular (28 a 31 dias), além disso a semana, adoptada quase universalmente como unidade laboral de tempo, não se encontra integrada nos meses e muitas vezes fica repartida por dois meses diferentes, prejudicando a distribuição racional do trabalho e dos salários. Outro problema é a mobilidade da data sazonal da Páscoa, que oscila entre 22 de Março e 25 de Abril, perturbando a duração dos trimestres escolares e de numerosas outras actividades económicas e sociais. Essas são as diferenças básicas entre os calendários juliano e gregoriano. Mas, voltando à questão, como se pode conciliá-los na datação com o pressuposto calendário maia para chegar à data 21.12.2012? Eis o busílis da questão.

A iconologia monumental católica revestida de símbolos astrológicos reveladores de alguma inter-relação entre o espaço sideral e a Natureza do Mundo e do Homem, não era tema estranho aos antigos tradicionalistas cristãos cuja autoridade eclesial inclusive permitia o exercício da chamada Astrologia natural (que é a origem da Astronomia moderna) e a sua aplicação aos movimentos telúricos da Terra em que se fincou a criação dos chamados tempos sagrados e sazonais (calendário litúrgico e calendário agrícola), o que em termos científicos actuais veio a chamar-se Astroarqueologia, sendo por esta ciência que pode-se explicar o fenómeno moderno das «profecias maias» acreditadas justificadas por determinados monumentos pré-colombianos e doutras partes do mundo cuja disposição geográfica alinha com certos planetas e constelações que virão a ditar o «fim do Mundo», seja como fim mesmo, seja como passagem para um novo período planetário, mas final para todo o efeito. Como a inteligência afectiva domina a razão natural e as imagens plásticas surtem mais efeito que as ideias puras na grande maioria da Humanidade pouco ou nada empática a explicações racionais, mesmo assim ante a gravidade de uma invenção romance-cinematográfica de péssimo gosto apocalíptico propensa a despertar algum tipo colectivo de espírito suicidário, descreverei o porque dos monumentos astrogeológicos e a sua finalidade nas primitivas sociedades tradicionais que os construíram baseadas nas ciências arcaicas dos seus sábios.

A Astroarqueologia, também chamada Arqueoastronomia, é aquele ramo da ciência arqueológica que estuda os monumentos megalíticos cuja planta nas suas coordenadas e direcções posicionasse intencionalmente numa relação directa ou alinhamento com determinados planetas e constelações, indo constituir o testemunho mais antigo do conhecimento astronómico do Homem paleolítico e neolítico cuja expressão religiosa orbitava entre a astrolatria e a geolatria, ou seja, o culto dos astros que considerava como “seres vivos”, deuses siderais, e o culto da Terra entendida como um corpo vivo nutridor de tudo e de todos por via das suas correntes e campos energéticos que são as linhas e nódulos telúricos, sobre as quais dispunham os seus menires alinhados, ou então as antas e antelas, ou ainda os cromeleques, estes as ancestrais «catedrais megalíticas» cuja feitura com precisão matemática é a maior prova actual do conhecimento astrogeológico do Homem primitivo, motivo dos estudos astroarqueológicos ou arqueoastronómicos por parte da especialidade actual.

De maneira que a Arqueoastronomia consiste no estudo dos monumentos arqueológicos relacionados com os conhecimentos astronómicos das culturas primitivas, e até que grau os possuíam. Pelo que um dos aspectos desta disciplina é o estudo do registo histórico dos conhecimentos astronómicos anteriores ao desenvolvimento da Astronomia moderna, saída directamente da Astrologia natural dos sábios medievais, por sua vez, com origem recuando à Astrolatria pré e proto-histórica.

Convém aqui fazer uma destrinça importante, para de antemão evitar quaisquer mal-entendidos futuros respeitantes a hodiernos fenómenos de crenças divinatórias e milagreiras que preenchem o espaço psicossocial do chamado «new age», caracterizado pela contra-cultura de superstições alimentadas indistintamente por certo urbanismo subdesenvolvido em matéria de cultura verdadeiramente tradicional, esta que caracterizou a espiritualidade e mesmo a religiosidade dos povos antigos na sua relação com o mundo sideral.

A Astrologia foi durante muitos séculos predominantemente mântica ou divinatória dos movimentos naturais. Com o tempo surgiu a sua variante genetlíaca ou judiciária, baseada num horóscopo natal e em outras técnicas posteriores aplicadas aos movimentos pessoais. Esta transição histórica foi muito importante. Para compreender a atitude de aceitação do factor astrológico por parte das teologias da Sinagoga e da Igreja, deve considerar-se a diferença entre Astrologia natural e Astrologia judiciária. A Astrologia natural, aceite e até exercida oficialmente na Universidade coeva da Escola Náutica do Infante Henrique de Sagres, estuda a alegada influência dos astros sobre a Terra, a Natureza, os organismos vivos e, portanto, sobre o carácter e a alma humanos. A Astrologia judiciária pretende, por meio de certas técnicas (particularmente por meio do horóscopo), levar a “julgamentos”, a “conclusões” sobre o destino dos indivíduos e dos povos segundo a posição e configuração dos planetas a partir de determinados momentos da sua vida ou história.

Igreja de S. Nicolau de Praga

Torre astrológica da igreja de S. Nicolau de Praga

A Igreja Católica não contestava a legitimidade da Astrologia natural. Dionísio Aeropagita, S. Cesário, S. Jerónimo, Alberto Magno, Tomás de Aquino e muitos outros admitiam a sua legitimidade. Em contraste, a Igreja e mesmo a Sinagoga reprovavam e reprovam a Astrologia judiciária que afirma estar o destino do Homem “lavrado nas estrelas que ditam o seu porvir”, porque tal posição vem a negar a liberdade humana de livre-arbítrio e direito de acertar e errar na experiência da vida onde cada um e cada qual evolui por seus próprios esforços e méritos sem necessitar depender a sua existência de quaisquer factores externos, astrolátricos.

Na sua Suma contra os Gentios, que começou a escrever em 1265 e deixou inacabada por sua morte, Tomás de Aquino apresenta um resumo da história da Astrologia. Dedica dois opúsculos aos horóscopos – De Sortibus e De Judiciis Astrorum. Neste último, pode ler-se: “Se alguém se serve do juízo dos astros para conhecer efeitos corporais, por exemplo, a ocorrência de tempestades ou de bom tempo, a saúde ou a doença dos corpos, a abundância ou a esterilidade das colheitas e outras coisas que dependem de causas naturais cognoscíveis, não há nisso pecado, pois todos os homens são obrigados a nisso submeter-se aos astros. O agricultor só pode semear ou colher prudentemente se se assegurar dos movimentos do Sol (…). Em contraste, é forçoso afirmar que a vontade do Homem não está sujeita à necessidade dos astros; se o estivesse estaria arruinada a liberdade, que, eliminada, não permitiria atribuir aos homens nem acto bom nem acto mau, meritório ou culpável… É um grande pecado recorrer aos horóscopos nestes assuntos”.

Pois bem, para deduzir qual o grau de conhecimento astronómico que possuíam os nossos ancestrais, os actuais arqueoastrónomos partem de duas Escolas Arqueoastronómicas muito diferentes entre si, mesmo havendo pontos de encontro entre ambas:

1.ª – A Escola chamada Arqueoastronomia Orientacionista, considerando como único objectivo estudar por esta disciplina as orientações em dias determinados do ano (nos solstícios e nos equinócios) com o Sol ou com a Lua, com as constelações ou com os planetas dos edifícios arcaicos, ou das passagens ou das portas das construções sagradas.

2.ª – A Escola chamada Arqueoastronomia Global, considerando como objectivo desta ciência tanto o estudo das obras de arte pré-históricas (esculturas, pinturas, gravuras, petróglifos, túmulos, edifícios e outras manifestações artísticas), como o estudo dos mitos, assim como os nomes das constelações e os rituais celebrados por diversos povos históricos herdeiros da mais remota Antiguidade, na qual os nossos ancestrais deixaram a prova dos seus conhecimentos astronómicos.

Ambas baseiam-se no facto de que desde os inícios da Cultura Humana os homens fizeram observações meticulosas de fenómenos naturais (clima) a par de observações muito precisas e sistemáticas dos ocasos e ortos, vespertinos e matutinos das constelações (movimento cíclico dos astros ao longo do ano). Com esses dois grupos de observações definiram uma relação. E nessa relação “científica” mostraram a regularidade dos fenómenos cíclicos associados a situações precisas das constelações ao longo do ano, que também eram cíclicas. Ou seja, os nossos ancestrais verificaram a regularidade dos fenómenos geológicos em compatibilidade com a regularidade dos movimentos astronómicos. Com estes dois grupos de observações definiram uma relação “científica”, umas regras pelas quais podiam retirar ilações, com certo grau de probabilidade, do clima esperado sob a influência de determinadas constelações vespertinas ou matutinas em determinados dias do ano, facto que daria origem ao calendário sazonal, afim às festas litúrgicas, da cultura agrária dos povos proto-históricos e que chegou até ao Presente.

Graças à observação astronómica os antigos conheciam o “tempo atmosférico associado às constelações”. De forma que com isso «adivinhavam» quando, por exemplo, era o tempo mais adequado para as sementeiras e germinarem as sementes, porque sabiam que em tal momento ia chover; ou «adivinhavam» quando era o melhor momento para as colheitas, porque sabiam quando ia ou não fazer calor que haveria ou não de amadurecer os frutos; ou «adivinhavam» quando era o melhor momento para viajar, porque sabiam se ia ou não haver tormentas ou tempestades, etc.

Esse conhecimento geoastronómico veio a ser codificado numa linguagem metafórica com uma explicação religiosa. Por isso celebravam determinados rituais em dias precisos do ano, a fim de convencer a Mãe Natureza a cumprir com a sua responsabilidade enviando o fenómeno esperado nesse preciso momento anual. Por isso, o fundamento dos seus mitos, rituais, etc., era “científico”, porém com a finalidade de pedir à Divindade que assegurasse de maneira “mágica” o alimento e a sobrevivência, de acordo com o período do ano em que estivessem (não pediam que os defendesse da geada no Verão ou do calor no Inverno, senão quando o calendário o indicava).

A repartição do tempo em grandes ciclos compostos de pequenos ciclos serviu para sistematizar o entendimento ordenado do tempo no espaço ocupado, e tal quadro geral reflectia-se no Homem entendendo-se como miniatura ou imagem reflexo do Cosmos afligido por este em maior ou menor proporção segundo o momento em que nascesse sob o domínio de determinado planeta reflector das sinergias de constelação afim a ele. Esta é a base da Astrologia que, diz a Tradição Iniciática das Idades, nasceu do Adepto ASSURAMAYA na Atlântida e viveu onde onde é o actual YUKATAN (“Lugar Lunar”, Io ou Yu+Katan), onde a mesma Raça encontrou o seu final com a queda fatal da meteórica “Estrela Baal”.

Sendo o Homem composto de sete estados de consciência (Espiritual, Intuicional, Mental Superior, Mental Inferior, Emocional, Vital e Física) afins às sinergias dos sete planetas tradicionais (Júpiter, Mercúrio, Vénus, Saturno, Marte, Lua, Sol) orbitando em torno do Sol ou Logos Central, tal qual a consciência humana orbita em volta da consciência espiritual até ao alinhamento ou metástase derradeira entre ambas, equivalendo ao despertar da Mónada Divina que transforma o Homem em Super-Homem ou Adepto Perfeito, tal qual numa escala incomensuravelmente maior o Logos Planetário se converte Logos Solar, tem-se que o esquema Hominal revela-se expressão microcósmica do macrocósmico esquema do Grande Homem, o Logos Planetário, de quem todos somos “células” do seu corpo de manifestação que é Globo da Terra. Este também evolui por 4 etapas cósmicas chamadas Idades ou Yugas, em sânscrito, cada uma reflectindo-se num dos 4 temperamentos do mesmo Homem e a ver com cada uma das 4 estações anuais. A Tradição Iniciática das Idades afirma que a Terra já realizou 3 Yugas e está na 4.ª (Kali-Yuga), facto atestado pelas escrituras védicas computando esses períodos incomensuravelmente longos em numerário de anos terrestres chamando-os as “4 Idades de Brahma” – o 1.º Aspecto do Logos Único. Tal cômputo desmente, descarta decisivamente a data de 21.12.2012 como a de algum evento cósmico extraordinário, a não ser que toda a Sabedoria Antiga esteja errada ante as recentes teorias apocalípticas.

Yugas e temperamentos

Ora, dentro de cada Idade Cósmica, por exemplo, a do “Inverno, Sombria ou do Ferro” que é a actual, não deixam de haver pequenos “Outonos, Verões e Primaveras”, e foi isto que aconteceu às 15 horas do dia 28 de Setembro de 2005 com o início de um novo Apex Solar (ou volta completa do Sol em seu movimento de translação, cumprindo a sua órbita em torno do centro chamado “Sistema Doméstico” pelos astrónomos modernos, que é ocupado pela estrela Sirius), iniciando-se um novo movimento de precessão dos equinócios de 27.000 anos e com ele a entrada do Sol num novo Ciclo ou Signo que demorará 2.250 anos a percorrer na sua longa marcha de travessia das 4 Idades Cósmicas (27.000 x 4), isto é e para não complicar demasiado, registou-se a saída definitiva do Sol ou Surya de Piscis e a entrada triunfal em Aquarius.

Registou-se, pois, o começo de uma “pequena Satya-Yuga de 10.000 anos” dentro desta grande Kali-Yuga de 432.000 anos começada há 5.000 anos atrás, facto marcado pela entrada do Sol em Aquário em 28.9.2005, o que também desmente que 21.12.2012 tenha algo a ver com o início de uma Era nova, cujo cômputo do pressuposto “calendário maia” revela-se estranho aos dados ancestrais sustidos pela Ciência Tradicional que são exactamente os mesmos que utilizou e divulgou o Professor Henrique José de Souza, Presidente-Fundador da Sociedade Teosófica Brasileira em 1928.

O calendário maia não é um mas um sistema de calendários e almanaques distintos utilizados por essa civilização mesoamericana pré-colombiana, e por algumas comunidades maias modernas dos planaltos da Guatemala. Esses calendários marcando o tempo religioso e civil baseiam-se no sistema de uso comum na América Central datado de cerca do século VI a. C., herança de povos anteriores mesoamericanos como os zapotecas e os olmecas, tendo sido adoptado por mixtecas, astecas e maias. O mais importante e comum desses calendários é aquele comportando 260 dias chamado tzolkin, ainda hoje em uso nas regiões de Oaxaca, México, e da Guatemala. O tzolkin é combinado com outro calendário de 365 dias, o haab, para formar um ciclo sincronizado durando 52 haabs conhecido como roda calendárica. Os ciclos menores de 13 dias e 20 dias (trezena e vintena) eram componentes importantes dos ciclos tzolkin e haab, respectivamente. Uma forma diferente de utilização do calendário era a de manter registos de longos períodos de tempo, conhecidos como “contagem longa”, que se baseia no número de dias transcorridos desde um ponto mítico. De acordo com a correlação entre a “contagem longa” e os calendários ocidentais, esse ponto inicial equivale ao dia 11 de Agosto de 3114 a. C. no calendário gregoriano proléptico, ou a 6 de Setembro no calendário juliano (menos 3113 astronómico). Pela sua natureza linear, a “contagem longa” pode ser estendida a qualquer data no futuro ou no passado distante pelo uso de um sistema de notação posicional, onde cada posição significa um múltiplo cada vez maior do número dias, a partir do sistema numérico vigesimal pressupostamente maia, e era assim que a unidade de dada posição representava 20 vezes a unidade na posição precedente. Uma excepção importante foi feita no valor de segunda ordem, que em vez disso representava 18 x 20 ou 360 dias, mais próximo do ano solar do que seriam 20 x 20 = 400 dias. Deve-se, contudo, notar que os ciclos da “contagem longa” eram independentes do ano solar, e foi assim que com grande engenhosidade o amadorismo maianista conseguiu obter a data fatal de 21.12.2012 a partir do pressuposto “ponto mítico”. Desta maneira, os calendários regionais mesoamericanos foram convertidos em oráculos proféticos à escala planetária, devendo acrescentar que essa data marcando o “fim do calendário” pode muito ajustar-se ao dito período como a outro qualquer, mais adiante ou mais atrás, dependendo de como se faça a “contagem longa” e o prazo que se pretenda estabelecer.

144mil[1]

Contudo, procura-se justificar a “contagem longa” terminando em 21.12.2012 por uma série de fenómenos siderais a ocorrerem dentro do nosso Sistema Solar no presente ano. O “fim do Mundo”, diz-se, será provocado por uma gigantesca tempestade solar que destruirá todo o Sistema. Mas a única tempestade geomagnética solar, a chamada “ejecção da massa coronal do Sol”, já aconteceu em Maio deste ano, prevista desde Janeiro pelos astrónomos, não estando prevista mais qualquer outra tempestade, esta que sucede de sete em sete anos com a função benéfica de higienizar o Sistema dos Planetas que orbitam em volta do Sol. Em oposição, afirma-se que a “Era nova do Mundo” será marcada no final deste ano pelo “alinhamento planetário do Sol Central das Plêiades (inverossímil, porque essas são Sóis) com o Sol, a Lua, a Terra e o centro da Galáxia” (inverosímil, porque astronomicamente esse existe sempre a partir da Terra em relação ao centro), facto absolutamente desconhecido e improvado cientificamente, ademais deixando de fora outros planetas importantes do nosso Sistema Solar (para os quais não está previsto nenhum alinhamento próximo), como Saturno e Júpiter, e mesmo Marte e Vénus. E tal “alinhamento cósmico” irá provocar um eclipse solar no próximo 21 de Dezembro, o que não confere com os dados astronómicos: este ano houve um eclipse anular do Sol em 20 de Maio, haverá um eclipse total do Sol em 13 de Novembro e o próximo será em 10 de Maio de 2013. Não vejo como isso possa ser, ao contrário do que alguns vêem, algum sinal cósmico da vinda do “Avatara da Era de Aquarius” ainda este ano ou nos meses a seguir, pois que o SINAL DA VINDA DE MAITREYA, segundo as Revelações de JHS, é um imenso ARCO-ÍRIS envolvendo a Terra inteira. Isto ainda não aconteceu, nem está previsto acontecer nos tempos mais próximos enquanto a Humanidade não se alinhar consigo mesma, e quando acontecer então – porque o que está em baixo (microcosmo) é como o que está em cima (macrocosmo) – por certo acontecerá o alinhamento planetário à escala de todo o Sistema Solar. Por enquanto, o único ARCO-ÍRIS que envolve o Globo por inteiro é o psicomental da OBRA DO ETERNO NA FACE DA TERRA, porque esse é o formato da EGRÉGORA desta mesma OBRA.

Ao contrário dos cômputos mesoamericanos controversos por não serem inteiramente conhecidos, a Teurgia e a Teosofia servem-se dos cômputos tradicionais hindus – considerados os mais perfeitos e antigos do mundo – para definir os Ciclos por que se manifesta a Vida Universal. Pelo calendário tamil, o Tirukkanda Panchanga, o Sistema Solar e, consequentemente, a Terra como Centro do Sistema Hominal, tem 1.985.884.792 anos (base 1992). Segundo este calendário, a Humanidade conhecida teve início na 1.ª Raça-Mãe Adâmica ou Polar há 1.664.501.092 anos atrás, após a realização dos protótipos dos Reinos Mineral, Vegetal e Animal nos primeiros 291 milhões de anos (complemento da data). Pelo calendário tâmil esse é o tempo de duração da evolução da Cadeia Planetária, Manvantara ou “Período de Manifestação Universal”. Comparando com a evolução do mesmo Manvantara este está próximo da sua metade, porém isso é ilusório, porque o que cosmicamente conta é a duração e não o tempo, senão que as últimas fases são aceleradas em relação às primeiras.

A cronologia brahmane posiciona actualmente a Humanidade num ciclo de Kali-Yuga, iniciado no ano 3.102 a. C. com a morte de Yeseus Krishna, completando 5.000 anos em 1898/1899. Falta ainda cumprir, com referência a essa data, 427.000 anos de Kali-Yuga.

Tempo hindu

Porém, como disse mais atrás, existem ciclos dentro de ciclos e neste início de século e de milénio desde 2005 que abandonámos um ciclo menor de Kali-Yuga para um novo ciclo menor de Satya-Yuga. Esta fase corresponde ao 8.º Ramo Racial de 10.000 anos da actual 5.ª Raça-Mãe Ariana durante o qual se processa a transição da 5.ª Sub-Raça Anglo-Teutónica ou Germânica para as 6.ª e 7.ª Sub-Raças Gémeas Ibero-Ameríndia, que se manifestarão juntas tal qual o Atmã não se manifesta sem o apoio de Budhi, este a Intuição servindo de sustentáculo ao Espírito.

Ciclos das Raças

Cada Raça-Mãe perfaz-se de 7 sub-raças. Estamos na 5.ª Raça-Mãe que procedeu a 4.ª Atlante. Nesta 5.ª Raça-Mãe tem-se: 8.000 a. C. a 6.000 a. C. – Câncer, 2.250 anos – 1.ª sub-raça Ário-Hindu; 6.000 a. C. a 4.000 a. C. – Gemini, 2.250 anos – 2.ª sub-raça Ário-Semita; 4.000 a. C. a 2.000 a. C. – Taurus, 2.250 anos – 3.ª sub-raça Ário-Parse; 2.000 a. C. a Ano O – Áries, 2.250 anos – 4.ª sub-raça Ário-Celta; Ano 0 a 2.000 d. C. – Piscis, 2.250 anos – 5.ª sub-raça Ário-Teutónica; 2.000 d. C. a 4.000 d. C. – Aquarius, 2.250 anos – 6.ª e 7.ª sub-raças (gémeas, tal qual Budhi e Atmã, onde aquele não se manifesta sem este) Ibero-Ameríndia.

Essa tabela vem pôr o problema do ano solar ao qual se dá, geralmente, o prazo de 2160 anos. Pois sim, mas… se dividir-se uma circunferência em 12 partes e dado que a circunferência tem 360º, verifica-se que cada parte (a que corresponde um signo do Zodíaco) terá 30º. Como cada grau do “caminho” do Sol leva 71,85 anos a percorrer, é lógico que cada signo do Zodíaco leve 30 x 71,85 = 2.155,5 anos a percorrer, e que com a passagem interciclos ou signos anterior e posterior, prolongue essa numeração à demora de 2.250 anos a percorrer uma casa e entrar inteiramente noutra. Por isso se diz que quando surge uma Raça a anterior ainda existe…

Como a Vida Universal é repartida em grandes e pequenos ciclos, nos mesmos vibram as “forças subtis da Natureza” conhecidas como Tatvas, em sânscrito, que são sete relacionadas aos sete Planetas tradicionais (Adi-Tatva (Atómico) / Júpiter; Anupadaka-Tatva (Subatómico) / Mercúrio; Akasha-Tatva (Éter) / Vénus; Vayu-Tatva (Ar) / Saturno; Tejas-Tatva (Fogo) / Marte; Apas-Tatva (Água) / Lua; Pritivi-Tatva (Terra) / Sol) representativos, nas Pessoas dos respectivos Logos Planetários, dos sete estados de consciência humana (Espiritual, Intuicional, Mental Superior, Mental Inferior, Emocional, Vital, Física).

Esses chamados ciclos astrológicos constituem-se de “circuitos” entre os 7 Tatvas e os 7 Planetas, sendo cada ciclo regido por um desses durante um período de 36 anos (segundo a astrologia caldaica introduzida no Ocidente por Cornélio Agrippa, John Dee e outros). Este é o número dos 7 Planetas multiplicados por 5, que expressa o valor dessas “forças subtis” em função na actualidade acrescido de mais 1 (em semente e duplo, como seja Anupadaka contendo Adi Tatvas). O ciclo astrológico triparte-se em pequeno, médio e grande ciclos. Cada Planeta rege por um ano o pequeno ciclo, os sete Planetas por sete anos o médio ciclo e por trinta e seis anos o grande ciclo.

Ciclos 36 anos

Pela tabela verifica-se que actualmente está-se no grande ciclo do Sol, que iniciou em 1981 e terminará em 2016. O anterior foi o da Lua, que começou em 1945 e terminou em 1980. Antes desse foi o de Marte, começado em 1911 e terminado em 1944. Deve-se frisar que o ciclo astrológico de 36 anos é apenas um entre outros tantos que marcam o Tempo no nosso Planeta, desde o ciclo horário ao ciclo do Apex Solar.

Mudança de Ciclos

De facto, actualmente está-se no grande ciclo do Sol que iniciou em 1981 e terminará em 2016. O anterior foi o da Lua, que começou em 1945 e terminou em 1980. Antes desse foi o de Marte, começado em 1911 e terminado em 1944. Deve-se frisar que o ciclo astrológico de 36 anos é apenas um entre outros tantos que marcam o Tempo no nosso Planeta, desde o ciclo horário ao ciclo do Apex Solar. Mesmo que o alinhamento do Sol Sistémico com o Sol Central da Galáxia – no Equador Galáctico por motivo de Gegenschein ou “luz de oposição” – acaso tenha acontecido em 1980, quantos alinhamentos não houveram antes e quantos não haverão depois? E quando não há esses alinhamentos cósmicos, porque mesmo assim o Universo mantém-se matematicamente harmónico nas suas leis inalteráveis? Se recorrer-se aos pequenos ciclos planetários de 7 anos e fixar-se a “convergência harmónica” em 1987, certamente os cômputos sequentes irão bater certo! Mas, põe-se a questão: será que a lógica da probabilidade coincidirá com o facto provado?

Por certo a astronomia maia era divinatória mas sobretudo agrária, e para esta sociedade de base matriártica Vénus ou Ixchel era muito mais importante que o Sol que aquela “parira”, ou seja, saíra dela o “deus serpente” Hurucan ou Kukulkan. Sendo uma sociedade que sedentarizou e passou a depender das águas para a agricultura, a sua mitologia religiosa deu sempre mais importância aos deuses do Inframundo ou Xibalba que ao do Supramundo ou Bitol, e para isso representou a serpente telúrica enlaçando a Terra com a cabeça erguida a Ixchel. Eis aí a analogia do Filho na Terra e da Mãe no Céu, analogia que se encontra também nos ciclos planetários de 36 anos regidos por Sol, Lua e Marte, ou seja, Pai (Alom), Mãe (Ixchel) e Filho (Kukulkan).

Mas as crenças geralmente não conferem com os factos, ainda que em questões de fé as discussões sejam inúteis, como essas dos “ets” terem visitado e colonizado civilizações antigas como as dos maias. Nisto, sem dúvida entra-se no “realismo fantástico” e na “arqueologia fantástica”, e sem dúvida também ambos os vectores são absolutamente estranhos aos cômputos da Tradição Iniciática das Idades. Como igualmente dizer-se que Alcyone, na constelação das Plêiades, é o Sol Central na nossa Galáxia Via Láctea, e que o alinhamento da Terra e do Sol Sistémico com ela será o evento extraordinário de 21.12.2012 que marcará o início de uma Era nova!

As Plêiades são descritas tanto na Bíblia como noutras escrituras sagradas, elas que como aglomerado estelar estão na constelação do Touro e são denominadas “estrelas azuis quentes”, como nebulosa de reflexão formada por poeira em torno das estrelas mais brilhantes (donde receberem o nome alternativo de Nebulosa Maia, da estrela Maia como a terceira dentre as sete Plêiades), sendo que Alcyone é a mais brilhante das Plêiades na, repito, constelação do Touro. Não vejo como Alcyone seja o Sol Central da Galáxia, tal como não vejo como a Ursa Maior também o possa ser, ainda que elas (Krittikas ou Plêiades) e eles (Rishis ou Ursa Maior) possam se completar em relação ao Sol Central da Galáxia, tendo mais a ver com Orion que com outra coisa e cujos dois braços principais são Centaurus e Perseus. Em relação à Terra, as Plêiades têm relação com o Pólo Sul e a Energia Electromagnética (Kundalini), enquanto a Ursa Maior relaciona-se com o Pólo Norte e a Energia Eléctrica (Fohat). E o Equador Terrestre em relação com o Equador Celeste, relaciona-se com quê? Com o Sol Central do Globo alinhado e alimentado pelo Sol Central do Sistema. Mas conheço muito bem a teoria interessantíssima da senhora Alice Ann Bailey – assim como do senhor Max Heindel – e a sua disposição de Alcyone como “estrela central da galáxia”. Para fazer isso, sem dúvida ela teria os seus motivos que desconheço, mesmo evocando o nome do pressuposto «Mestre Tibetano», ou seja, Dwjal Khul Mavalamkar. Diz-se até que uma das sete Plêiades está se apagando nesse aglomerado. Poderá ser e não é de estranhar… atendendo a que expressam as Dhyanis-Barishads que como Budais são Mães dos Dhyanis-Budhas que se manifestaram na Terra no início do século XX, e assim também os Rishis ou Dhyanis-Agnisvattas, Pais daqueles. Se se manifestaram na Terra, deixaram de brilhar no céu… é o que diz a Tradição Iniciática. Se há outras interpretações, e as há, resta analisá-las e ver o que possuem de lógicas e coerentes, porque se as “profecias maias – 2012” só se justificam pela sua origem «extraterrestre», então, repito, em questões de fé a ciência não tem lugar, pois a discussão é aboslutamente inútil. Voto, sim, perante este fenómeno apocalíptico urbano à escala mundial afectando as mentes mais jovens e despreparadas, que na vizinhança de 21.12.2012 não venha a provocar uma onda suicidária, como já aconteceu com outros fenómenos estelares, como esses da passagem de cometas vistos da Terra.

Com tudo isso, desabafo, como é possível que certos ditos eubiotas de Portugal e do Brasil dêem atenção a uma fantasia urbana querendo legitimar um mito e elucubrem sobre ele, a guisa de se querer construir uma casa no ar ou pretender que ela se fixe no vazio? Tudo isso acaso ultrapassa a minha compreensão… ou acaso talvez não.

Isso porque seguindo os dados astrológicos deixados pelo Professor Henrique José de Souza (que os ia revelando à medida que a sua Obra discorria), torna-se facto que a Nova Era já iniciou há sete anos atrás. A entrada do Sol em Aquarius deu-se às 15 horas de 28 de Setembro de 2005 tendo correspondido a uma quarta-feira, dia de Mercúrio (AKBEL), sendo as 15 horas a hora tátvica de Saturno (BELOI) e o mês esteve sob o signo da Balança, que tendo como planeta Vénus tem expressão vibratória em Sintra como 5.º Tatva (Akasha) e como 5.º Raio Espiritual de Júpiter (ASHIM). Donde Mercúrio “Andrógino” para os Assuras; Júpiter “Macho” para os Agnisvattas; Saturno “Fêmea” para os Barishads; ou por outra, YOVE AMOLTZ KAPRUM envolvendo essas três Hierarquias Criadoras que o judaico-cristianismo chama Arqueus, Arcanjos e Anjos, reunidas na sigla JHS. O Matra-Akasha assinalando o “Renascimento de Akbel” marcou nesse dia 17.700 (Arcano 15, “A Grande Luz”). Para celebrar o dia, houve da parte da Comunidade Teúrgica Portuguesa o Ritual do Odissonai no Santuário Akdorge, indo corresponder a Mercúrio (H); seguiu-se o mesmo Ritual do Odissonai na Capela de São Saturnino de Sintra, indo corresponder a Saturno (S); finalmente um lanche em convívio entre todos na Lagoa Azul desta Serra Sagrada, indo corresponder a Vénus e Júpiter (J), assim envolvendo as Três BRUMAS CELESTES a ver com os Três Logos PAI – MÃE – FILHO, ou por outra, ORION – CRUZEIRO DO SUL – SIRIUS.

Para todo o efeito, é pelo ciclo astrológico que se poderá entender e aprofundar os CICLOS DE AKBEL, os da Sua Obra do berço à tumba e os quais, lamentando contrariar alguns eubiotas e teosofistas, absolutamente nada têm em comum com a supradita data de 21.12.2012. Resta saber se realmente sabem o que sejam os CICLOS DE AKBEL ou DE JHS, também chamados CICLOS DE TEOSOFIA ou hodiernamente CICLOS DE “EUBIOSE”, pois em contrário não cometeriam erro tão grosseiro neste tema elementar para quem conheça suficientemente a História da Obra. Os CICLOS DE AKBEL são exclusivamente os seguintes:

Ciclos passados de Akbel

A Definição Pró-Maitreya (o próximo Avatara ou Messias como o mesmíssimo Cristo Universal) leva-me a transcrever o precioso excerto de uma Carta-Revelação (24.1.1953), com o título Mistérios de Mitra-Deva, do Professor Henrique José de Souza (JHS):

“No quadro que apresento abaixo encontra-se a razão de ser desta minha Revelação. Ou seja, de um Livro que tem o nome de CICLO DOS AVATARAS. E do qual também extraio um trecho de grande importância. Inútil dizer que… tal Livro está, presentemente, na BIBLIOTECA do Bairro Carioca. Vejamos o que diz o referido Livro:

“MITRA-DEVA (na Índia o verdadeiro Nome do “Messias esperado no presente Ciclo”. MAITREYA é nome genérico, pois, como sabemos, refere-se a qualquer dos Avataras cíclicos, por ser o do REDENTOR-SÍNTESE) virá cercado de ASSURAS luminosos. E se reflectirá nas TRÊS REGIÕES que se completam por serem o NINHO da AVE DE HAMSA (tanto se refere aos 3 Mundos, donde Maitri, Mitra, etc., como aos Mundos Inferiores: a Face, ou o nosso Templo, o Caijah e Shamballah ligada a AGHARTA). Os seus TRÊS TEMPLOS o receberão de portas abertas (mais que claro). No começo nem todos O RECONHECERÃO (como agora mesmo, uns julgando que Ele nasceu há mais tempo, outros esperando que Ele nasça…). E depois, o seu Irmão Terreno (aí é onde está a grande revelação) tomará o SEU LUGAR, para que o TRONO DE DEUS SE FIRME NA TERRA. Os TRÊS REIS DO ORIENTE virão antes como SOLICITADORES DO CICLO (?).”

“E segue-se o quadro relacionado com o momento da manifestação de MITRA-DEVA:

horóscopo de Maitreya

“Não é para qualquer interpretar semelhante quadro, mas o facto, porém, é que a manifestação de MITRA-DEVA foi assinalada por todos esses sinais: nasceu sob a influência de JÚPITER e SATURNO (cujos planetas já eram os dos Gémeos Akdorge e Akgorge). Chamar Júpiter de Guru ou Pai de Maitreya, está certíssimo. Do mesmo modo que, Saturno seria o seu Avô. SOL e LUA (“À SUA FRENTE”, como canta “O Graal”) são os seus Pais terrenos, embora que no Segundo Trono o sejam também, como Bijam dos Avataras, na razão de Mercúrioe Vénus ou Hermes-Afrodite. BUDA-MERCÚRIO faz valer o próprio Templo, tanto o do Tibete como o nosso. Buda-Mercúrio é o Dirigente da Raça Ariana ou do Mental… Muito mais, da BÚDHICA que vem em caminho. MARTE e VÉNUS… como Filho e Mãe, mas esta no sentido de TERRA, e aquele com o de REI DO MUNDO, Planetário, etc… Do mesmo modo que foram os planetas dirigentes da Raça Lemuriana, ou a TERCEIRA, quando se manifestaram os verdadeiros Seres da Terra, depois do Mistério da ESFINGE, onde estiveram os Gémeos cercados pelos quatro Animais ou Maharajas… Daí começou a Grande Hierarquia Oculta, digamos, logo a seguir, nos Filhos do Mental ou MANASAPUTRAS. O termo LAGNA que se vê sobre o termo GURU-JÚPITER, significa ASCENDENTE CELESTE, em relação ao próprio planeta JÚPITER. Em inglês, como está no Livro, é: RISING SIGN, ou “signo celeste, signo ascendente”, etc. KETU – além de ser DESCIDA ou manifestação do Céu para a Terra – é a cauda do Dragão Celeste, que se liga ao Sol durante os eclipses. No caso vertente o eclipse é o espiritual entre os 3 Mundos, que depois se iluminam com a Manifestação do Avatara. É, ainda, o nó descendente da Lua… Tudo isso equivale à própria manifestação, sob os auspícios celestes deJÚPITER e SATURNO. E terrestre, de SOL e LUA. RASI, além de se ligar à terceira TALA, ou melhor, à matéria tamásica, é oposição a JANAH-LOKA ou 7.ª (Jnana-Loka, é termo de maior emprego para o caso). Como signo do Zodíaco, este chamado em sânscrito RASI-TCHAKRA, equivale ao terceiro ou GEMINIS, que, de facto, semelhante Avatara o é… para todos os efeitos. RAHÚ é o nome de um ASSURA que “quis destronar os Deuses do MRITA”. Logo se depreende que o nome de Luzbel, assim disfarçado… comprova a sua intervenção no referido fenómeno avatárico. RAHÚ também é ascendente da Lua, nesse caso, um como descendente e outro como ascendente. Sim, a Terra dá o Buda. O Céu dá a 5.ª Essência Divina, embora que também seja a 8.ª Parte de SURYA, ou Ele mesmo. Com outras palavras, o 8.º Raio de Visvakarman.

“Esta Revelação vale por um TESOURO INESGOTÁVEL… de Sabedoria.”

Entre 2005 e 3005 transcorrem 1000 anos necessários à reintegração definitiva da Terra e dos seres viventes nela ao estado de consciência MENTAL SUPERIOR como padrão superior da Raça Dourada ou do Ciclo de Maitreya já fazendo sentir a sua presença um pouco por toda a parte. Em 3005, dizem Revelações de JHS, o Quinto Luzeiro de VÉNUS está definitivamente integrado no seu Retro-Trono em Shamballah, a “Mansão do Amanhecer” como o mesmíssimo Laboratório do Espírito Santo, de onde se projectará sobre a Terra que, certamente, daqui a um milénio estará irreconhecível comparada com o presente. Até lá, conforme revelou o próprio Mestre JHS, haverão 8 Vidas Integrais ou Avatáricas dos Gémeos Espirituais Henrique e Helena, exclusivamente a ver com a direcção do Novo Ciclo de Evolução Planetária (Novis Palux ou Pramantha) através da Hierarquia Planetária até à manifestação final do mesmo Quinto “Senhor da Ara da Luz”, ARABEL.

Ora de 1800 a 1925 – ano em que Dhâranâ – Sociedade Mental-Espiritualista, fundada no ano anterior, iniciou a sua acção social no mundo – como datas do nascimento espiritual dos Gémeos e da sua manifestação plena na sociedade humana, são transcorridos 125 anos de Definição Pró-Gémeos Espirituais, correspondendo ao seu ciclo de actividade oculta manifestando-se paulatinamente na Face da Terra. Pois bem, pegando no número 125 (1+2+5 = 8) e repartindo-o em períodos de igual valor entre 2005 e 3005, obtêm-se os 8 CICLOS DE VIDAS AVATÁRICAS DOS GÉMEOS ESPIRITUAIS:

Ciclos futuros de Akbel

Convém dizer que as datas assinaladas nesse período de 1000 anos são padrões não se podendo afirmar que os Gémeos Espirituais reencarnarão nas épocas indicadas, pois só a Lei e os próprios implicados sabem quando acontecerá tal. Que fique afastada a dogmática messiânica sobre datas precisas que são sempre o fermento impúbere para sofrer grandes desilusões… como certamente irá acontecer em 21.12.2012.

Ademais, sabe-se pelas Revelações de AKBEL que o Tempo varia nos Mundos Subterrâneos dando inteira razão à famosa lei da relatividade espaço-temporal. Cem anos em Agharta podem valer mil anos em Duat. No Mundo de Duat o movimento é mais perceptível, por isso se diz que ali há mais movimento, sendo que no Mundo de Badagas ainda mais, e na Face da Terra tudo é movimento, ou seja, que é absolutamente visível, perceptível. Para efeito de compreensão fácil, poder-se-á estabelecer a seguinte proporção: enquanto na Face da Terra a Mónada vive 777 vidas, em Badagas vive 111, em Duat 14 e em Agharta, 7. Shamballah é imóvel na sua mobilidade absoluta e aí a Mónada vive 1 vida, isto é, mergulha na Luz dela absorvendo-se na Unidade Suprema.

Como se processa o valor dos Avataras ou Manifestações do Espírito de Verdade? Tem-se Shamballah com o Logos relacionado à Cosmogénese. Após vem Agharta, que é a própria Vida Universal funcionando dentro da Antropogénese relativamente à Humanidade futura. No Mundo de Duat existe o esquema do Futuro, e no Mundo de Badagas resguarda-se a colheita monádica da Face da Terra. Esta última é o campo de experiências, de aprendizagem das Mónadas Humanas. As civilizações são as encarnações da Divindade na própria Humanidade em evolução. O Mundo de Duat é alguma coisa que está para se completar, é aquilo que existirá amanhã ou depois, futuramente. Badagas representa o que haverá amanhã na Face da Terra, porque nela se faz a conquista natural da Evolução.

Toda esta Cabala Avatárica por certo será conhecida da Fraternidade Jina do Yukatan, México, que no século XVII se organizou secretamente como Ordem dos Astecas Cabalistas a que pertenceram, dentro outros, José Damián Ortiz de Castro e Miguel Constanzó, personagens ligados à construção da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Assunção na cidade do México. O pêndulo que se vê dentro desta catedral além testemunhar o equilíbrio perfeito da sua construção, igualmente significa o nível perfeito ligando a Face da Terra ao Mundo dos Sedotes – assim mesmo chamados os “homens-deuses serpentes de fogo” (Badagas) que a lenda diz terem-se escondido nas entranhas da Terra à chegada do invasor estrangeiro – da primitiva Tenochtitlán, capital do império asteca, sobre cujas ruínas foi construída a catedral, escondendo assim a Embocadura que liga à Grande Pirâmide de Kukulkan, em Itchen-Itza, na Península do Yukatan.

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Catedral da Cidade do México sobre as ruínas astecas da primitiva Tenochtitlán

A Tradição Iniciática das Idades aponta essa Grande Pirâmide como centro axial ou “ponto bindo” do Chakra Esplénico da Terra, antes, do Logos Planetário, exteriorizando-se por Itchen-Itza (nome maia significando “sobre o lugar profundo”, commumente interpretado “à beira do poço”) que assim está sob a total influência da Lua correlacionada com esse Chakra.

Este Posto Representativo tornou-se importante pelos acontecimentos do passado histórico deste lugar onde viveu o Avatara Alado Quetzalcoatl, simbolizado no colibri maia que é a Serpente Irisiforme esculpida na base da Pirâmide consagrada a esse Deus de Vénus, o mesmo Kukulkan no Ocidente identificado a Vulcano ou Votan, cujo santuário está no cume da mesma.

Houve nesta região o trabalho adéptico da família de Mores Vega. Helena Petrovna Blavatsky também foi auxiliada pelos Adeptos Independentes deste Posto Representativo quando teve apresentar ao mundo a sua Obra, inicialmente através de fenómenos estranhos, de natureza jina, desconhecidos da ciência empírica. Começou a sua Missão no Cairo através do chamado “Clube dos Milagres”, este depressa sendo rectificado e transformado em Sociedade Teosófica fundada em Nova Iorque, E.U.A., e por percalços contra a Lei por parte dos homens, H.P.B. foi obrigada a recuar a S.T. para Adyar, Estados de Madras, Índia, invés de avançar para a América do Sul como estava previsto pela mesma Lei marcando a compasso avante da Evolução.

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Grande Pirâmide de Itchen-Itza, México

Foi deste Posto Representativo que os Adeptos do mesmo permitiram o surto de fenómenos psíquicos no século XIX que redundou no vulgarmente chamado espiritismo, e isso para contrariar o avanço imparável da vaga de materialismo assumido anti-deísta provocada pela chamada Revolução Industrial, que então parecia querer tomar o mundo, ficando a tecnologia e banindo a espiritualidade. Essa foi uma excepção que a Lei permitiu, posto ser proibido pelas Regras da Grande Loja Branca qualquer espécie de culto animista por ser carácter involucional a toda a linha.

A fenomenologia provocada por H.P.B. e pelos espiritistas era exclusivamente de natureza elemental, por recurso aos “espíritos da Natureza” que vivem no Mundo Etérico da Terra sob a influência da Lua, ou seja, do que sobra do Globo morto da 3.ª Cadeia Lunar. A influência oculta desse planeta é afim a propiciar profecias e a clarividência anormal provocadas pelo estado onírico ou psíquico que é o lunar. Este aspecto inferior da Lua reflecte-se na Terra, e o seu aspecto superior reflecte Neptuno que dota os grandes artistas de poderosa imaginação ou mente criadora, completamente diferente da fantasia ou mente errante provocadora das maiores “ilusões dos sentidos” que estas, sim, são as verdadeiras MAYAS, neste caso, apocalípticas ou messiânicas, por todos os efeitos, em absoluta conformidade à manifestação de mentes sofríveis, perturbadas pela ignorância da Sabedoria Divina e a crença cega em gurus de ocasião mas que, prevejo, em breve se tornará gigantesca onda revoltosa de desiludida cegueira descrente.

Tem-se nisso, de maneira absolutamente indirecta, a causa oculta do aparecimento das famosas “profecias maias” precisamente na região do Yukatan. Não acontecendo as suas previsões fatais, com certeza absoluta ir-se-ão fabricar novas invenções apocalípticas e messiânicas, negócio que só terá fim definitivo quando verdadeiramente o Homem amadurecer, crescer mental ou espiritualmente e encontrar finalmente o equilíbrio consigo mesmo, consequentemente com a Natureza e seja verdadeiramente feliz, sem mais dúvidas nem temores.

Até que isso aconteça, e para manter o padrão profético, termino com essa outra Profecia respigada a um Livro Jina de nome LIVRO DO GRANDE IMPÉRIO UNIVERSAL – Capítulo Os Sete Dedos de Deus (Secção 5 – Códice 16):

A Anarquia e as Trevas seguirão – com a Alma de Judá e o Corpo do Judeu Errante – até que as memórias da Tragédia se tornem cinzas, para que uma Nova Idade e um Novo Salvador no Mundo venham reinar.

OBRAS CONSULTADAS

Monografias dos Graus Astaroth e Munindra da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Henrique José de Souza, Livro Síntese, 28.9.1935. Obra composta por 52 capítulos pertencente ao acervo privado da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Henrique José de Souza, Os Mistérios do Sexo. Associação Editorial Aquarius, Rio de Janeiro, 1995.

Henrique José de Souza, Idade Negra ou Idade do Ferro ou Idade da Dor ou Kali-Yuga. Artigo publicado na revista Aquarius, Rio de Janeiro, ano 13, n.º 33, 1987.

Vitor Manuel Adrião, A Ordem de Mariz – Portugal e o Futuro. Editorial Angelorum, Lda., Carcavelos, Maio de 2006.

Vitor Manuel Adrião, A Ressurreição de Portugal (Ser, Identidade, Pensamento). Edição da Academia de Letras e Artes, Cascais, 2009.

Paulo Albernaz, A Grande Maiá – Os Mistérios do Homem. Edição do autor, São Paulo, 1991.

Sebastião Vieira Vidal, Akbel – Novo Pramantha a Luzir (Novo Paluz). Edição da Sociedade Teosófica Brasileira, São Lourenço, 1965.