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HEXALFA CIRCUM-GIRATÓRIO

É do conhecimento universal que quando os alquimistas, hermetistas, ocultistas e demais adeptos das ciências tradicionais foram perseguidos em toda a Europa pela Igreja Católica desde os finais do século XIV até aos fins do século XVI, só lhes restou um reduto protector: a cidade de Praga, na actual República Checa. Aqui deixaram os sinais insofismáveis dos seus “conhecimentos proibidos” pela cúria e os príncipes de Roma, de que é exemplo flagrante a estrela giratória esculpida em três baixos-relevos sobre os capitéis laterais do pórtico de entrada na antiga Corte do Bispo, actual palácio do Arcebispado de Praga.

A estrela giratória é composta de dois símbolos: o hexalfa ou hexagrama propriamente dito, como estrela de seis pontas resultante da união de dois triângulos entrelaçados de ápices opostos, e a chamada cruz suástica ou swástika (em páli e tibetano) cujos braços transversais marcam o seu movimento circum-giratório, motivo para chamar-se este símbolo de hexalfa circum-giratório.

Os dois triângulos do hexalfa expressam o entrelaçamento das duas Forças Universais chamadas Fohat e Kundalini pelos hindus e tibetanos, as quais são, respectivamente, a Energia Eléctrica Celeste (marcada pelo triângulo com o vértice para cima, tradicionalmente de cor verde esmeralda) e a Força Electromagnética Terrestre (assinalada no triângulo de vértice para baixo, tradicionalmente de cor vermelha viva). O Poder Gerador Activo de ambas as Forças é assinalado pela Swástika criando um oval amarelo dourado em volta do símbolo, indicativo da Energia Vital ou o Prana dos orientais que vivifica e anima a tudo e a todos no Universo.

Essa Tríplice Energia Universal agrega os elementos visíveis e invisíveis da Matéria Universal (Prakriti, em sânscrito) através de Três Hipóstases ou Atributos (do Logos Único) aos quais o Cristianismo deu forma chamando-as de “Pessoas”, as mesmas da Santíssima Trindade, mas que os hindus e tibetanos chamam Gunas ou “qualidades subtis da matéria”, como sejam: para o Pai a energia centrífuga de natureza espiritual, chamada pelos orientais Satva, marcada pelo triângulo superior que na manifestação material toma a cor amarela; para o Filho a energia centrípeta de natureza corporal, que os orientais denominam Tamas, assinalada no triângulo inferior que na manifestação material assume a cor vermelha; para a Mãe a energia rítmica ou equilibrante na Natureza, apelidada Rajas no Oriente e a ver com a Alma intermediária entre o Espírito e o Corpo, assinalada pelo círculo que une os dois triângulos.

Swástika - 3

Por esta razão, é que o Hexalfa é o símbolo da Alma Universal representada por Maria no Cristianismo e por Mahat, a “Mente Cósmica”, no Hinduísmo. Os dois triângulos opostos entrelaçados expressam o amplexo do Espírito e da Matéria, ou por outra, de Purusha (cor verde) e de Prakriti (cor vermelha), que são os mesmos Princípios Espiritual e Material para os sábios orientais, em suma, os Princípios Activo e Passivo cujo ritmo do seu dinamismo na Involução e Evolução Universal, aquela como “descida do Espírito à Matéria” e esta como “subida da Matéria ao Espírito” levando a consciencia que originalmente não possuía (donde, os “espíritos virgens” e os “espíritos sapientes”), é marcado pela Swástika.

É muito importante fazer a distinção entre Swástika e Sowástika (em páli e tibetano), ou seja na língua ocidental, Suástica e Sovástica, esta giranda da direita para a esquerda, considerada sinistra e involucional pelas religiões orientais e pelos povos antigos do Ocidente que, pelo contrário, tinham aquela Suástica, girando da esquerda para a direita, como símbolo benéfico e evolucional. Adolf Hitler e os seus pares apropriaram-se deste símbolo sagrado multimilenar e alteraram-o pervertendo numa maléfica Sovástica.

Com efeito, o sentido das rotações da Suástica e da Sovástica é quem determina o seu significado directo astronómico, cósmico: se for na direcção destrocêntrica, positiva, solar, marca a Evolução Universal, e é representada pela Suástica adoptada por Carlos Magno; se for no sentido sinistrocêntrico, negativo, lunar ou inverso à rotação dos ponteiros do relógio, assinalará a Involução Planetária e, no contexto mais imediato, o pretender sujeitar o intemporal e sagrado ao espaço estritamente temporal e profano, e é representada pela Sovástica adoptada e adaptada por Adolf Hitler.

Swástika e Sowástika

Por seus braços ou gamas que são ramas deixando um traço de fogo atrás de si no movimento circum-giratório, a Swástika é o símbolo da Acção Universal, do Ciclo manifestado em contínua transformação de toda a Vida-Energia em Vida-Consciência, levando o nome sânscrito tradicional Pramantha. Neste sentido, acompanhou sempre a imagem gráfica, pictórica ou esculpida dos Salvadores da Humanidade, os Messias ou Avataras como Cristo, que nas catacumbas romanas aparece geralmente concebido em torno de uma espiral ou da Swástika, como sendo o Pólo Espiritual no centro da mesma de cuja Divindade Única irradiam os deuses, os homens e demais seres vivos. Em suma, é o símbolo do turbilhão criacional em torno do qual estão dispostas as Hierarquias de Seres que do seu Centro Único (o Ponto Bindu, para os orientais) emanaram. Tal como Cristo, o Ungido, é o Centro Místico para o Cristianismo, assim mesmo é também Buda, o Iluminado, para o Budismo, marcando o Pólo Místico da Fé Budista – Budha-Vydia ou Sabedoria Crística, Búdhica ou de Inteligência Espiritual – o qual, no ser humano, é assinalado no Coração, expressivo da Consciência Espiritual, motivo suficiente para muitas imagens do Buda representarem-no com a Swástika gravada sobre o peito. Já os hindus shivaístas iconografam o Deus Shiva acompanhado da mesma Swástika, e igualmente a Ganesha, o Deus da Sabedoria filho Daquele. Se este mesmo símbolo aparece em muitas imagens religiosas do Oriente e até do Ocidente sob o aspecto inverso da Sowástika, deve-se à possível ignorância do sentido so simbolismo tradicional por quem a gravou, apesar de igualmente dever ser vista como “espelhando” a sua realidade oposta, a Swástika, esta para o Espírito (Purusha, em sânscrito) e o Pólo Espiritual do Homem, do Mundo e do Universo, e aquela para o Corpo (Prakriti) e o Pólo Material do Homem, do Mundo e do Universo.

Aranha d´Ouro

Aranha d´Ouro – movimento destrocêntrico do Universo

O simbolismo torna-se perfeito na figura do Hexalfa circum-giratório chamado pelos sábios hindus de Sri-Yantra, ou seja, o Grande Símbolo, dizendo-se que expressa ao próprio Deus Vishnu como a Segunda Pessoa da Trimurti indiana, a mesma que que Trindade cristã corresponde ao Filho incarnado como Cristo Deus, o mesmo que ocupa o centro do Pramantha, isto é, o Ciclo de Manifestação Universal de quem Ele é o Centro Místico como Espírito Supremo expressando ao Absoluto Eterno, o Pai, ou por outra, Brahma, o Deus Supremo do panteão hindu.

Como do Filho saiu o Espírito Santo como Terceira Pessoa da Trindade, segundo a teologia cristã, igualmente de Vishnu brotou à manifestação Shiva, e tal como o Espírito Santo se revelou por Jesus Homem e os Apóstolos, também Shiva deu à luz Ganesha, o Deus da Sabedoria Divina, que escolheu para símbolo da sua estirpe de Nagas ou “Homens-Serpentes”, isto é, Sábios Iluminados dos quais a Serpente ou Kundra é emblema, precisamente a Swástika, por expressar o movimento expansivo da Sabedoria de Deus no Ciclo ora em manifestação, originando a solução do progresso evolucional de toda a Vida.

Será essa a mensageira derradeira do Hexalfa circum-giratório lapidado no pórtico dianteiro do Arcebispado de Praga, ou seja, numa leitura mais imediata e cristianizada, a de que a Vida Universal brotou do seio de Cristo Deus, evolui na fé e entendimento do mesmo e a Ele haverá de volver no Final dos Tempos, ou seja, no Fim do Ciclo actual, onde agora tudo e todos estão em evolução permanente.

Sobre o que seja Cristo, a Amorável Expressão Divina à dianteira das Hostes de Akbel, o Sexto Luzeiro assinalado pelo mesmo hexalfa, diz o Professor Henrique José de Souza no seu Livro Síntese (capítulo 37, Miscelânea Ocultista), citando o trecho de uma carta assinada por um dos Moryas, já do tempo de Helena Petrovna Blavatsky:

O 7.º Princípio é a Primeira Emanação do Absoluto. É o Unigénito Filho de seu Pai e da mesma Idade que o Pai, porque o Absoluto manifestado só poderia fazer-se “PAI” com o nascimento do FILHO. É o Verbo Vivo. É o Homem em quem o Filho de Deus se manifesta. É um Cristo. É o Eu Divino de cada homem; a sua própria semelhança etérea original, sem fragilidade alguma, porque esta pertence à FORMA. Não é uma personalidade, porém, pode individualizar-se no Homem e permanecer também como a sua Essência impessoal. É um Princípio Vivo, omnipresente, incorruptível e imortal…

Mas que

Ignorantes da minha Natureza Suprema, de quem sou Soberano Senhor das criaturas, os néscios só Me reconhecem quando me revisto de humanas aparências (IX – II).

HEXAGRAMA

O hexagrama é também chamado hexalfa, estrela ou escudo de David (em hebraico, Maghen David, e em árabe, Dir´a Seyid-n Dawûd). É formado pelo entrelaçamento de dois triângulos equiláteros, um vertido e outro invertido, os quais simbolizam as naturezas espiritual e humana criadas à imagem do Divino (assinalado no emblema como todo). Os seus seis vértices correspondem às seis direcções do espaço (norte, sul, leste, oeste, zénite, nadir) assinalando a conclusão do movimento universal relativo aos seis Dias da Criação, sendo que ao sétimo o Criador descansou. Neste contexto, o hexagrama tornou-se o emblema do Macrocosmos (com os seus seis ângulos de 60 graus: 6×60 = 360 graus) representando a Fonte Única, desta maneira aludindo à harmonia universal entre os processos da Criação e da Reintegração, ou seja, da união da criatura com o Criador, pelo que frequentemente aparece nos vitrais e frontões de igrejas cristãs como referência simbólica da Alma Universal, neste caso, representada por Cristo, ou por outra, por Cristo-Maria, o Espírito e a Matéria, ficando Aquele para o triângulo superior e Esta para o triângulo inferior, resultando do entrelaçamento dos dois o sentido de Substância Universal (Svabhâvat, em sânscrito) presidindo à Vida de tudo e todos como Pater Aeternus Omnipotens, o Pai Eterno Omnipotente.

Muito apreciado como emblema profiláctico, o hexagrama foi frequentemente adoptado como amuleto pelos povos cristãos e islâmicos, e não apenas no contexto da religiosidade popular judaica (onde é chamado mezouzah e posto à entrada das casas, como está consignado na Escritura Velha, em Deuteronómio, VI, 4-8).

Aliás, convirá sublinhar que o hexalfa embora presente na Sinagoga de Cafarnaum (século III d. C.), só a partir do ano 1148 surgiu na literatura rabínica, especificamente no Eshkol Hakofer do sábio caraíta (qaraim ou bnei mikra, “seguidor das Escrituras”, sendo o Caraísmo uma ramificação do Judaísmo que defende unicamente a autoridade das Escrituras hebraicas como fonte da Revelação Divina) Judah Ben Elijah, onde no capítulo 242 expõe os costumes das pessoas do povo, que aos poucos mudaram o símbolo do escudo de David de simples selo para um tipo de signo ou amuleto místico: “E os nomes dos Sete Anjos foram escritos na mezouzah… O Eterno irá guardar-te e este símbolo chamado escudo de David contém escrito no final da mezouzah os nomes de todos os Anjos”. Sendo assim, já no século XII este emblema possuía carácter místico e profiláctico, sendo frequentemente gravado como forma de amuleto protector.

O hexalfa tornar-se-á, durante o século XIII, atributo de um dos sete nomes mágicos do Metraton, o Anjo da Face associado à figura do Arcanjo Mikael, Mirrail ou São Miguel, como o Chefe das Milícias Celestes e o mais próximo de Deus Pai. Daí a sua associação ao Nome Divino Schaddai, chegando, posteriormente, a ser confundido com a Menorah (o candelabro de sete braço ou tramos flamejantes indicativos dos Sete Espíritos Diante do Trono: Mikael, Gabriel, Samael, Rafael, Sakiel, Anael, Kassiel), assumindo uma função redentora destacada na sinagoga onde é chamado Selo do Deus de Israel. Por isto, o hexalfa figura na bandeira dessa nação.

Com efeito, a identificação da Estrela de David com o Judaísmo começou na Idade Média. Em 1354, o rei Carlos IV (Karel IV) concedeu o privilégio à comunidade judaica de Praga de ter a sua própria bandeira. Então, os judeus confeccionaram sobre um fundo vermelho um hexagrama em ouro, que desde então passou a ser chamado de Bandeira do Rei David (Maghen David), tornando-se o símbolo oficial das sinagogas, das comunidades ou alfamas e de todas as obras saídas da lavra judaica. Chegando-se ao século XIX, o símbolo já estava completamente difundido por toda a parte, figurando nos carimbos judeus, nos selos dos livros impressos pela comunidade judaica europeia e sobre as cortinas da Arca Santa (Tebah) nas sinagogas.

A mística judaica levou à alegação da origem do hexalfa estar directamente ligado às flores que adornavam a Menorah, feita na forma de relevo do lírio de seis pétalas fazendo uma silhueta parecida à forma desse objecto. Para os que acreditavam nessa suposta origem do hexalfa, ele havia sido feito pelas mãos do próprio Deus de Israel, argumentando que o lírio ou flor-de-lis é composto por seis pétalas num estilo algo parecido com a Estrela de David. De facto, essa flor é identificada com o povo de Israel no livro bíblico do Cântico dos Cânticos.

A par da sua função profiláctica, o hexagrama exerce a mágica, fama herdada da célebre Chave ou Clavícula de Salomão (em latim, Clavicula Salomonis ou Clavis Salomonis) que é um grimório pseudo-epigráfico, atribuído supostamente ao Rei Salomão mas cuja origem muito provavelmente situa-se na Idade Média, com fonte anónima em alguma escola judaica de estudos cabalísticos dentre as várias que então haviam na Europa, como se verifica no seu texto claramente inspirado nos ensinamentos do Talmude e da Kaballah judaica dos séculos XII-XIII. Essa obra contém uma colecção de 36 pantáculos (símbolos possuídos de significado de natureza mágica ou esotérica) destinados a possibilitar uma ligação entre o Mundo Físico e os Planos da Alma. Existem diversas versões da Clavícula de Salomão em várias traduções, com menores ou maiores variações do conteúdo entre elas, sendo que a maioria dos escritos originais que sobreviveram até hoje datam dos séculos XVI e XVII, no entanto havendo uma tradução em grego datada do século XV.

Como disse, o hexagrama não constitui de todo um símbolo especificamente judeu. De facto, também no Alcorão (XXXVIII, 32 e ss.) e nas Mil e Uma Noites ele é apresentado como um talismã indestrutível por gozar da Bênção de Deus, proporcionando o poder total sobre os Djins, os “espíritos da Natureza”.

Conotado ao simbolismo do hexalfa, além deste exposto de forma clara também encontra-se nos templos cristãos o seu derivado hexafólio ou sexifólio, a estrela de seis raios e a rosácea ou roseta hexapétala, e apesar das suas numerosas variantes normalmente é interpretado como símbolo solar – o rosetão ou roseta do Sol, antigo símbolo mitraico herdado pelos cristãos para designarem Christus Sollis, o Cristo Solar ou Iluminado, e também a Rosa Mística da ladainha mariana, a Virgem Mãe de Deus, dependendo do sentido geral do simbolismo exposto a qual dos Dois se deve atribuir no caso particular esse símbolo.

Igualmente no Tibete e na Índia os lamas e brahmanes, que são os sacerdotes das respectivas religiões budista e hindu, adoptam o símbolo universal do hexalfa considerando-o emblemático do Criador e da Criação. As cores originais dos dois triângulos entrelaçados eram o verde (triângulo superior) e o vermelho (triângulo inferior), apesar de posteriormente terem sido alteradas para as cores branca e negra, esta representando a Matéria ou Prakriti, em sânscrito, e aquela o Espírito ou Purusha, em sânscrito, duplo triângulo entrelaçado levando o nome inefável de Satguna Chakra ou Satkuna Chakram, o qual os brahmanes dão como sendo a insígnia do Deus Vishnu, cujas prerrogativas hipostáticas dispõe-no idêntico ao Filho na Trindade cristã, postado entre a Mãe e o Pai, saído Dela para que o Pai pudesse manifestar-se por Ele.

Swástika - 4

Tem-se assim, na Trimurti hindu, para o triângulo superior do hexalfa Brahma, Vishnu e Shiva, correspondendo na Trindade cristã ao Pai, Filho e Espírito Santo, enquanto no triângulo inferior dispõe-se Shiva, Vishnu e Brahma, ou Espírito Santo, Filho e Pai. O Odissonai dispõe as mesmas tríades como Pithis – Alef – Xadú = Espaço Sem Limites (Purusha), e Xadú – Alef, Pithis = Espaço Com Limites (Prakriti). Por aqui se vê que o Filho ou Vishnu ocupa sempre o lugar do meio ou aquele que separa o Divino do Terreno como Hipóstase Celeste que é, e por isto tal emblema é chamado Satguna Chakra, no Ocidente levando o nome gnóstico Estrela de Mercúrio, este no sentido mais que sideral, filosófico ao referir-se à Alma Oculta do Cristo, que os Iniciados orientais chamam Estrela Resplandecente de Maitreya – o Messiah ou Avatara Síntese manifestado sobre a Terra desde o Céu do Segundo Trono – o mesmo Cristo Universal liderarando as Hostes luminosas de Akbel sobre a Terra, nesta onde no Presente cria-se já o 6.º Sistema de Evolução Universal sob a chancela de Mercúrio, em cujo Globo o Homem criará asas e será um Deva Luminoso, um Anjo Alado… depois de ser Andrógino Perfeito a caminho do Ser Flogístico com que findará a manifestação do Universo, dando lugar a outro sobre o qual todas as conjecturas revelam-se vãs e perdem-se em elocubrações de um longínquo Porvir.

Assim, resta desfechar com breve trecho respigado a um Livro Sagrado Jina, o qual resume de forma magnífica os princípios e finalidades da Obra Teúrgica sobre a Terra:

No dia em que a Estrela Luminosa de Mercúrio inclinar da fronte de Maitreya sobre a Terra e se ouvirem os cantos dos Dharanis e as palavras dos Dhyanis, e os homens sob o Pendão Universal de Maiores Homens a eles se unirem felizes três vezes, vendo o Redentor da Vida e da Morte em si mesmos, finalmente esse será o Dia do Sede Connosco!

LAUBURU E SUÁSTICA

Lauburu é o nome que recebe em euskera a cruz suástica de braços curvilíneos que constitui o emblema representativo do País Basco. A sua origem europeia recua aos celtas que através das emigrações dos povos do Oriente para o Ocidente teriam herdado esse símbolo conhecidíssimo em todo o Oriente, particularmente na Índia onde o Hinduísmo e o Budismo fazem uso profuso dele.

Foi assim que o lauburu entrou na tradição céltica dos primitivos bascos, mas também asturianos, galegos e minhotos (como se observa na Citânia de Briteiros, Guimarães), chamando ao mesmo de tetrasquel pelos seus quatro braços curvilíneos circum-giratórios. Com efeito, o termo lauburu compõe-se das duas palavras bascas lau, “quatro”, e buru, “cabeça”, portanto, “quatro cabeças”, ou seja, quatro braços dirigidos às “cabeças” ou pontos cardeais do Mundo (Norte, Sul, Este e Oeste) num movimento contínuo. Quando no tempo do imperador Octávio Augusto os romanos invadiram e ocuparam a Bascónia ou País dos Bascos, chamaram ao lauburu de labarum, e deste etimólogo provém a denominação popular da estrela cantábrica, de origem celta, chamada lábaro.

Lauburu basco

Esta suástica basca por seu movimento sinistrocêntrico (da direita para a esquerda) será antes uma sovástica, e se bem que a cultura esotérica hindu e budista desaprecie tal símbolo por representar o movimento oposto ao destrocêntrico (da esquerda para a direita) em que se move a Evolução geral de tudo e todos, ainda assim é representativa do Poder Temporal oposto complementar à Autoridade Espiritual representada pela suástica. Por essa razão a sovástica expressa sobretudo o movimento da Matéria que, por ser limitada, está sujeita à lei da transformação pelo fenómeno natural da Morte. Esta, a Morte, é tradicionalmente representada pela Noite, a Lua, o astro nocturno predilecto dos povos antediluvianos ou atlantes que veio a ser o regente astral do povo basco, vasco ou “adorador da vaca”, que identificavam não como o planeta Vénus mas como a própria Lua cujas hastes do crescente associavam às do cornúpeto. Por este motivo, ainda hoje o País Basco é um grande produtor de gado bovino, herança de um passado longínquo onde se considerava a vaca animal sagrado, tal qual acontece na Índia. Se o basco é povo lunar, já o galego, adorador do galo, a ave do dia, é povo solar, enquanto o asturiano, astur ou assur é povo mercuriano, planeta de natureza andrógina ou bissexual que serve de permeio ao Sol e à Lua, representativos do masculino e do feminino como princípios activo e passivo de que ele, Mercúrio, é o neutro ou equilibrante. Por este motivo de inter-relação esotérica entre as três etnias ibéricas, é que a suástica faz parte da sua cultura espiritual.

Suástica lauburu

Como as cores verde e vermelha da bandeira basca são as mesmas que a Tradição Iniciática dá às Energias Celeste e Terrestre chamadas no Oriente de Fohat e Kundalini, será então a suástica expressiva do movimento universal dessa Energia dupla que, ao animar a Matéria como Electricidade e Electromagnetismo, vem a ser uma espécie de “incarnação” de Forças invisíveis que se tornam visíveis, alterando-se o movimento giratório dessa cruz celeste tornando-se na Terra sovástica. Por este motivo tornou-se símbolo da Morte, razão pela qual aparece em inúmeros monumentos funerários bascos. Já nas Astúrias e na Galiza (por exemplo, em Grullos, Quirós e Piornedo) ele também aparece, mas com menos frequência predominando a suástica, símbolo da Vida e do Sol. Utilizado como amuleto ou talismã pelos bascos, além das construções funerárias o lauburu igualmente surge gravado nos frontispícios das casas, para que o mal e a morte não invadam as mesmas. Nisto, é um signo mágico esconjurador de grande poder.

Apesar da sua grande antiguidade, o lauburu só aparece nas bandeiras e outras insígnias bascas desde o final do século XVI, ou dos inícios do XVII. Modernamente, é utilizado com profusão como símbolo da cultura basca, com carácter folclórico ou tradicional, e não necessariamente como emblema político, apesar do sentido excessivo que lhe foi imposto e lhe é absolutamente estranho atendendo às suas origens sagradas.

A tudo o dito se ajusta a bela evocação do Isa-Upanishad que assim reza e assim termino:

A face da Verdade mantém-se oculta por detrás de um círculo de ouro. Desvenda-a, ó Deus da Luz, para que eu, que amo o verdadeiro, a possa ver.

Ó Sol dador da Vida, produto do Senhor da Criação, profeta solitario dos céus! Espalha a tua luz e retira o esplendor que cega, para que eu possa ver a tua forma exultante: esse Espírito longínquo que está dentro de ti é também o meu mais interior Espírito.

Pelo caminho do bem, conduz-me à bem-aventurança final, ó Fogo Divino, tu, Deus, que conheces todos os caminhos. Livra-me de vaguear pelos maus caminhos. Preces e adorações te aferecemos a Ti.

OM TAT SAT

BIJAM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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