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Sintra, 13.5.2013

Dizer-se que a TEURGIA E A TEOSOFIA abominam o pietismo confessional da prece ou oração e se fixam em afirmações e invocações de poder mágico não é de todo exacto, como não é correcto proceder ao exclusivo desenvolvimento intelectual ostracizando o devocional ou coracional, posto que a cultura sem a moral vale por arremessar a alma numa espécie de campo árido descolorido marcado por impenitentes carrancas talhadas no granito cinzento do fanatismo que, assim mesmo, amanceba com o beatismo, seja religioso ou não. Motivo mais que suficiente para o Professor Henrique José de Souza ter proferido: “Quando a Mente e o Coração estiveram equilibrados na Terra, o Homem alcançará as maiores venturas do Céu”.

A mistagogia da oração introduz o crente no plano da inter-relação sagrada do visível com o invisível e é comum a todas as confissões religiões do mundo. Com efeito, a oração como acto religioso visa activar uma ligação, uma conversa, um pedido (donde prece), um agradecimento, uma manifestação de reconhecimento ou ainda um acto de louvor (como sucede no psaltério) diante de um Ser transcendente ou divino. Segundo os diferentes credos religiosos, a oração pode ser individual ou comunitária, ser feita em particular ou em público, e podendo envolver o uso de palavras ou música, ou a ambas. Quando a linguagem é utilizada, a oração pode assumir a forma de um hino, encantamento, declaração de credo formal, ou uma expressão espontânea da pessoa que ora. Existem, conforme as crenças, diferentes formas de oração, como a de súplica ou de agradecimento, de adoração/louvor, etc., e da mesma forma, consoante a crença, a oração poderá dirigir-se a um deus, a um santo, a uma alma ou pessoa falecida ou a uma ideia, com propósitos diferentes, havendo quem reze para benefício próprio ou para o bem de outros, e ainda pela consecução de determinado objectivo. Nisto entra a petição, promessa e oferenda de um objecto físico (círio, ex-voto, martírio corporal, etc.) a algum ente sobrenatural para que em troca satisfaça o pedido feito, estabelecendo-se assim um comércio psíquico entre o crente e o acreditado, facto muitíssimo comum na religiosidade popular inconscientemente retomando lugares e objectos de cultos ancestrais adaptando-os à crença simples por regra assente num florígero milagreiro regado por boatos indefinidos que por força do hábito oral onde “ao conto sempre se acrescenta um ponto”, aceitam-se indiscriminadamente como factos verídicos.

A maioria das confissões religiosas do Oriente e do Ocidente envolve momentos de oração. Algumas criaram ritos especiais para cada tipo de prece, exigindo o cumprimento de uma sequência estrita de acções litúrgicas e colocando restrições sobre o que é permitido rezar em conformidade com a catequese da confissão professada, dispondo ordem e regra ao intercâmbio entre o Divino e o Humano. Porém, há outras confissões mais carismáticas, urbanas e modernas que recusam alguma espécie de ordem e regra na relação com o Divino e advogam que a oração pode ser praticada por qualquer pessoa espontaneamente a qualquer momento e os milagres acontecerem indiscriminadamente dispensando a mediação sacramental preestabelecida de qualquer hierarquia eclesiástica.

Na crença cristã, a oração é a comunicação e o fruto consciente do relacionamento com Deus durante os quais a pessoa louva, agradece, intercede pela vida de outro, pede bênçãos para si e/ou para outrem, podendo assim desfrutar corporalmente da Presença de Deus (que é a mais citada no Pentecostalismo, focando-se mais no Espírito Santo do que em outras denominações evocatórias). As orações são dirigidas a Deus (às vezes, sobretudo no caso dos católicos, em nome de Nossa Senhora ou de santos como intercessores, o que não é feito pelos protestantes evangélicos em geral) por mediação única de Jesus Cristo, podendo ser feitas em voz alta, faladas, cantadas ou em silêncio. Segundo o Evangelho de S. Mateus, 6:5-13, o propósito da prece não é a de alterar a Vontade de Deus, mas o de obter para si mesmo e/ou para outros bênçãos e graças que o mesmo Deus já estaria disposto a conceder, mas devendo ser solicitadas para serem obtidas.

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Para o Teúrgico e o Teósofo a prece não é dirigida a almas nem a Egrégoras ou “construções psicomentais colectivas” do Passado, espécies de “almas artificiais grupais” que assistem aos grupos religiosos e outros criadas pelos pensamentos e emoções da colectividade afim à ideologia dos mesmos, tampouco à invocação de formas elementais e elementares acompanhando sempre tais Egrégoras e que são, no final de contas, a origem dos famosos «milagres» que saciam a crença popular. Aliás, o verdadeiro Ocultista desaprecia profundamente a fenomenologia psíquica considerando-a verdadeiro entrave à evolução verdadeira da Humanidade, por se travestir das mais variadas e insidiosas modalidades ilusórias, mayávicas, que arredam os simples da essência agrilhoando-os às impuberdades da aparência onde a fantasia inflamada destrona a imaginação criadora, e a crença a fé verdadeira. Quem hoje crê muito, acaso amanhã descrerá ainda mais… falta a substância, e esta é o Espírito de Verdade. Motivo pelo qual sempre que pediam ao Professor Henrique José de Souza fenómenos ou prodígios sobrenaturais, ele respondia incomodado: “Não sou saltimbanco, não faço mágicas”.

Para o Teúrgico e Teósofo o verdadeiro sentido da prece é aquele descrito por S. Mateus, portanto, dirigindo a sua oração “a seu Pai que existe em segredo”, e não a algo extracósmico, desde logo, finito. Esse Pai é o Deus Verdadeiro e Único latente no Homem: é a Tríade Superior (Atmã, Budhi, Manas, ou Espírito, Intuição e Mental Superior ou Causal) a quem o Grande Iluminado Paulo de Tarso chamava de Cristo Interno, sendo a própria particularização das Hipóstases da Divindade Suprema como Poder da Vontade, Amor-Sabedoria e Actividade Inteligente na razão de Omnipotência, Omnisciência e Omnipresença. Ou com outras palavras:

Deus que Tudo Vê – Vontade permanente: 1.º Logos, Pai.

Deus que Tudo Sabe – Sabedoria permanente: 2.º Logos, Filho.

Deus que É Tudo – Actividade permanente: 3.º Logos, Espírito Santo.

Tais Atributos Divinos não podiam deixar de estar inculcados na Alma Humana, posto que “o Homem foi feito à imagem e semelhança do Criador”. Tais Atributos Humanos, são: Mente (Inteligência), Emoção (Sentimento), Vontade (Corpo). O aprimoramento da Vontade se faz através da Actividade Superior, Teúrgica; o da Emotividade através da Educação Superior, da Moral da Alma reflectindo o Amor Universal; e da Inteligência através da Cultura do Espírito reflectindo a Lei de Deus como Vontade actuante no Universo. Estas qualificações empregadas definem, sine qua non, o critério teúrgico individual e colectivo, que são: Perfeição e Felicidade.

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Esses derradeiros propósitos de Perfeição e Felicidade levaram o Professor Henrique José de Souza a proferir no seu estudo Realização (in Dhâranâ, n.os 7 e 8, Fevereiro a Julho de 1959, ano XXXIV):

“Não falta quem julgue que REALIZAÇÃO não é mais do que empregar métodos (ou Yogas) apropriados a alcançar poderes para ser feliz, quando a verdadeira felicidade está em encontrar a Deus em seu Homem Interno.

“Não fez Ele o homem à Sua semelhança? Logo, o homem deve igualar-se a Deus em Perfeição e Inteligência. Adepto ou Homem Perfeito é o nome que se dá àquele que está em condições de guiar os demais à Suprema Síntese que é a SUPERAÇÃO da Alma, ou a que a liga ao Espírito. Na mitologia grega, Psike anda em busca de seu Bem-Amado Eros. Psike ou Alma, tanto vale. E Bem-Amado o Espírito, a Consciência Imortal, o Deus feito carne e transformado em Espírito. Sim, “busca dentro de ti mesmo o que procuras fora”.

“A Yoga é como uma prece; sem sentir Deus em si mesmo, jamais o discípulo se tornará um Adepto. Quereis uma prova mais definidora do que acabamos de expor? Ela está na sentença filosófica: “Aquele que ultrapassa o Akasha é fonte de toda a Riqueza”. Mas que vem a ser Akasha?

“Dá-se o nome de Akasha ao Segundo Trono ou a parte que separa o Mundo Divino do Terreno. Na Cabala, é o Quod superius sicut quod Inferius. Nesse caso, atravessando o discípulo o Mundo que medeia o Terreno do Divino, neste se acha. O termo KAKIM, que se reparte em três e não em dois como julgam certas escolas decadentes, apresenta-nos: o KA para o Mundo Terreno, o AK para o Akasha como a sua própria radical, e o KIM para o Mundo Divino. Esse exemplo também equivale às 3 Gunas ou “qualidades de matéria”: TAMAS, RAJAS e SATVA, cujas cores são vermelha, azul e amarela. Com elas também se forma a Divina Tríade obedecendo às mesmas cores: Atmã (amarelo), Budhi (azul) e Manas (vermelho).”

Helena Petrovna Blavatsky, em sua obra A Sabedoria Tradicional, confirma quase in littera o que aqui se descreve sobre o sentido da oração para os Teúrgicos e Teósofos. Sobre o assunto, lêem-se nessa obra as respostas da insigne Teósofa a um clérigo católico:

“P. – Vocês acreditam na oração e rezam?

“R. – Não. Nós agimos ao invés de falar.

“P. – Vocês não acreditam na eficácia da oração?

“R. – Não nessa oração ensinada, composta de tantas palavras e repetida externamente como petição a um Deus desconhecido.

“P. – Existe outra espécie de oração?

“R. – Certamente. Chamamo-la ORAÇÃO-VONTADE, e é mais uma ordem interna que uma petição.

“P. – Então, a quem vocês oram quando o fazem?

“R. – Ao “nosso Pai do Céu”, em seu sentido esotérico.

“P. – Esse sentido é diferente do dado a ele em Teologia?

“R. – Muito. Um Ocultista ou um Teósofo dirige a sua oração a seu Pai que está em segredo (leia e tente entender Mateus VI, 6), e não a um Deus extracósmico e portanto finito; e esse Pai encontra-se no próprio homem.

“P. – Então, vocês acreditam que o homem é um Deus?

“R. – Por favor, diga Deus e não um Deus. A nosso ver, o homem é o único Deus que podemos conhecer. E como poderia ser de outra forma? O nosso postulado aceita como verdadeiro que Deus é um Princípio universalmente difuso, infinito, e sendo assim, como poderia o homem sozinho escapar de ser embebido por e na Divindade? Chamamos “nosso Pai do Céu” a essa Essência Deífica que reconhecemos dentro de nós, em nosso coração e em nossa consciência espiritual, e que nenhuma relação tem com a concepção antropomórfica que possamos fazer dela em nosso cérebro físico ou nas suas fantasias: “Não sabeis que sois o Templo de Deus, e que o Espírito de Deus (Absoluto) habita em vós?” (I Coríntios III, 16). Contudo, que nenhum homem antropomorfize essa Essência em nós. Que nenhum Teósofo, se ligado à verdade divina e não à humana, afirme que esse Deus que está em segredo como Essência Infinita seja distinto do homem finito, pois ambos são um. Que também não afirme, como também já foi observado, que a oração é uma petição. É antes um mistério, um processo oculto pelo qual pensamentos e desejos finitos e limitados, incapazes de serem assimilados pelo Espírito Absoluto que é ilimitado, são transmutados em pensamentos e desejos espirituais. Este processo é chamado de transmutação espiritual. A intensidade das nossas ardentes aspirações transforma a oração em pedra filosofal, ou naquilo que transmuta o chumbo em ouro puro. A Essência Única homogénea, a nossa ORAÇÃO-VONTADE, torna-se força activa ou criadora que produz efeitos de acordo com os nossos ensejos.

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“P. – Você quer dizer que a oração é um processo oculto que acaba produzindo resultados físicos?

“R. – Sim. A Força de Vontade transforma-se em Poder Vivo. Mas pobres dos Ocultistas e Teósofos se, invés de esmagarem os desejos do ego pessoal inferior ou homem físico e afirmarem, dirigindo-se ao seu EGO Espiritual Superior imerso em Luz Átmica-Búdhica, “Seja feita a Tua Vontade e não a minha”, etc., endereçarem ondas de força de vontade para fins egoístas e impuros. Pois isto é magia negra, abominação e feitiçaria psíquica.

“P. – Mas como pode explicar esses casos de sucesso completo? Onde o Teósofo procura poder para subjugar as suas paixões e egoísmo?

“R. – Em seu Eu Superior, o Espírito Divino ou Deus existente dentro dele mesmo, e em seu Karma. Quantas vezes teremos que repetir que a árvore é conhecida pelos seus frutos, a natureza da causa pelos seus efeitos?”

A ORAÇÃO-VONTADE dirigida ao Espírito no Homem como Partícula individualizada do Espírito Universal, a qual pode expressar-se como Laude, Evocação, Saudação e Ordem reconhecendo na Divindade Humana o Deus Absoluto a quem todos os Deuses tributam a vassalagem também como criações Dele, é absolutamente diferente da PRECE-DESEJO, sob a forma de invocação, encantamento e petição, dirigida expressamente a desconhecida Potestade exterior e a forças e entes igualmente exteriores e, em última análise, também desconhecidas. Esta é a fórmula do simples, e aquela a do sábio. Ambas são eficazes, posto que “a energia segue o pensamento”, na expressão magistral de Kut-Humi, mas uma sendo de natureza mais psíquica e outra sobretudo mental, logo, espiritual.

Adianta o Professor Henrique José de Souza, em sua obra O Verdadeiro Caminho da Iniciação:

“Não é outra a razão por que existem Yogas ou exercícios apropriados ao desenvolvimento de todas essas funções, inclusive as que despertam os “poderes psíquicos” latentes no homem, que é um septenário no seu todo e em cada uma das suas partes, como vimos.

“Tais Yogas ou exercícios devem, porém, obedecer a regras e preceitos que só um Guru, Mestre ou Instrutor pode dar, e só sob o seu controle podem ser feitos, a não ser que o discípulo esteja filiado a algum Colégio Iniciático, como o mantido pela Sociedade Teosófica Brasileira (e a Comunidade Teúrgica Portuguesa – N. A.) dotado dos 4 Vestíbulos, Portais ou Sessões onde tais exercícios, instruções e conhecimentos teosóficos são dados gradativamente e à medida que o discípulo sobe de categoria. Fora disso, como já dissemos, não é possível a aquisição dos conhecimentos superiores, nem de coisa alguma que se relacione com a Verdadeira Iniciação.

“E tais conhecimentos – está entendido – não são adquiridos para se desperdiçarem inutilmente como fazem as crianças com aquelas dádivas dos contos infantis, as quais, uma vez recebidas, logo são gastas ou destruídas, voltando as crianças ao anterior estado de pobreza e sofrimento. Muito ao contrário: esses conhecimentos, essas dádivas devem ser conservadas como skandhas ou “tendências”, sidhis ou “poderes psíquicos” que, “guardados para a vida futura”, como aconselhava Gautama, irão aumentando cada vez mais o poder de resistência e vitalidade do “ovo áurico” do discípulo, a ponto de ser possível, um dia, quando já Adepto ou Homem Perfeito, projectar o seu pensamento nas “seis direcções cósmicas”, já que a sétima é representada por quem o emite. Será assim não mais um simples ser humano ou mortal, mas um verdadeiro Ser Cósmico.

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“Na própria vida de Buda, existe uma passagem relacionada com tudo isto: encontrando, certa vez, um pobre homem que recitava diariamente as suas orações, dirigindo-as a alguma coisa que ele desconhecia, obedecendo à “lei do menor esforço”, como todos fazem (o que torna tais orações perfeitamente inúteis), Buda aconselhou-o a adoptar o seguinte método em substituição ao seu: virado para o Norte, procurasse homenagear os antepassados, os fundadores da Humanidade (os Pitris lunares), tornando mesmo extensiva esta homenagem aos seus próprios ascendentes; voltado para o Sul, homenageasse os seus descendentes, prole, família, etc.; para o Oriente, aos Grandes Iluminados, àqueles que vieram ao mundo como a missão de redimir a Humanidade; para o Ocidente, àquilo que ele mesmo aspirava fazer um dia em prol não só dos seus descendentes como do próprio mundo (missão espiritual, realização de um ideal, etc.); para o Zénite, a glorificação do seu próprio Eu, o seu Raio, o seu Cristo ou o seu Deus, existente em seu próprio seio; e, finalmente, para o Nadir, calcando sob os seus pés o tenebroso Passado que constituía o Karma de que se devia livrar.

“Não há, de facto, ritual mais apropriado aos que desejam viver dentro da Lei que a tudo e a todos rege, independentemente de qualquer outro exercício ou Yoga que lhe seja dada para ser feita em seu próprio lar (em aposento reservado que passará a constituir “o santuário de sua própria vida”), do que o augusto Templo da Mãe-Natureza, o melhor de todos para que a Voz da Consciência se manifeste como se fora a da mesma Divindade com aquela se confundindo.”

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De todas as preces consignadas Voz de Comando do Deus no Homem, certamente as mais poderosas serão as inscritas no Psaltério constando de 150 Psalmos ou Salmos ditados pelos Deus ARABEL ao seu Tulku ou “projecção humana”, o rei David. Portanto, sendo orações de poder oferecidas pelo próprio Deus à Humanidade, sobretudo à comunidade dos fiéis. Milénios depois, já no século XX, o Deus AKBEL acrescentaria mais 6 Salmos (de 151 a 156) através do seu Tulku, Henrique José de Souza (posto que um Luzeiro impossivelmente pode incarnar integralmente num simples corpo humano, admitindo que a dimensão e grandeza de um Logos Planetário como AKBEL é igual à do planeta Mercúrio, e a de ARABEL à de Vénus, motivos exigindo coerência lógica na colocação e exposição dos elementos mais simples até aos mais intrincados do ensinamento iniciático, desta maneira eliminando a priori quaisquer incoerências nascidas do exagero de algum zelo devocional desapurado). A diferença entre o Tulku e quem actua por ele, é igual à diferença entre Individualidade espiritual e Personalidade material, entre Atmã e Jiva, entre Espírito e Corpo, entre Mestre e Discípulo, entre Makara e Munindra, entre El Rike e Henrique, entre Cristo e Jesus… motivo por que certa ocasião, nos inícios dos anos 50 do século anterior, o Professor Henrique José de Souza, no final de uma Cadeia Psicomental, afirmou que “mesmo sendo a sua Coluna J (António Castaño Ferreira) uma expressão do Quinto Senhor (ARABEL), se Este se manifestasse integralmente nele a mesma expressão humana de imediato explodiria”. A bom entendedor…

Os 150 Salmos ou Tehilim (do hebraico, louvores) como cânticos e poemas de encómio e sacrifício são o coração do Antigo Testamento, utilizados pela antiga Israel como hinário no Templo de Jerusalém e hoje aplicados como orações ou louvores no Judaísmo, no Cristianismo e também no Islamismo, onde o Alcorão refere os Salmos como “um bálsamo”. Não se excluindo para os Salmos a sua recitação em forma de leitura, todavia o seu género literário é sobretudo Tehilim, ou seja, “cânticos de louvores”, em grego psalmói, “cânticos acompanhados ao som do psaltério”, ou ainda, orações cantadas acompanhadas de instrumentos musicais. De facto, todos os Salmos possuem carácter musical que determina o modo como devem ser executados. Por isto, mesmo quando o Salmo é recitado sem canto, ou até individualmente e em silêncio, a sua recitação conserva esse carácter musical.

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Na Igreja Católica, os 150 Salmos formam o núcleo da oração quotidiana, a chamada Liturgia das Horas, também conhecida por Ofício Divino cuja organização remonta a S. Bento de Núrsia (séculos V-VI). A oração conhecida por Rosário, com as suas 150 Ave Marias (hoje 200), formou-se por analogia com os 150 Salmos do Ofício. Outra forma muito popularizada e penetrando já o domínio da Teurgia e sobretudo da Taumaturgia, foi o de organizarem-se listas de Salmos por finalidade, isto é, Salmos para serem rezados em determinadas ocasiões como festas, colheitas, doenças ou funerais. Historicamente, a primeira dessas listas foi organizada a partir da prática de St.º Arsénio da Capadócia (século V), que rezava os Salmos como orações com certas finalidades. A última lista psaltérica formalizada num trabalho de 14 páginas com o título Chave Mágica e Cabalística dos Salmos, é da autoria do Professor Henrique José de Souza, tendo-a iniciado no dia 23.12.1951 e concluído às 10 horas do dia 25, um domingo de Natal.

No dia 26 de Dezembro de 1951, no Rio de Janeiro, Brasil, na Sede da Sociedade Teosófica Brasileira o Professor Henrique José de Souza, reconhecido por Teúrgicos e Teósofos como Venerável Mestre JHS, anunciou aos discípulos presentes que o dia anterior (25.12.1951) seria consagrado Dia dos Gémeos Espirituais. Nessa segunda-feira foi dado prosseguimento à série de 52 Rituais relacionados com os Salmos de David, a qual iniciara no dia 19 do mesmo mês, aliás, dia em que às 17 horas, na Secretaria da S.T.B. e na presença de vários Makaras ou Irmãos Maiores da Obra do Eterno, o Excelso Mestre materializou o primeiro Ovo da Pomba do Espírito Santo, como o Embrião ou motivo para a fundação da ORDEM DO SANTO GRAAL.

Nesse dia 26, após o Ritual ser iniciado com a música Hino de David, da autoria de JHS, e a recitação do Psalmo 18 com todos a uma voz, prática que se manteve durante os 52 Rituais, a Coluna J (Eng.º António Castaño Ferreira) explicou o valor mágico e o encantamento produzido pelas vibrações dos Psalmos, quer falados, quer cantados ou musicados. Disse: “Os Psalmos têm por fim transmutar os Irmãos em verdadeiros Taumaturgos. E essa Linha de Taumaturgos tem por objectivo guiar os homens, por isso todos têm o direito de ser Makaras. As vibrações destes Rituais dos Psalmos vão permitir a reunião, aqui, das potências encerradas neles. É como se cada Makara ressuscitasse o seu EU INTERIOR com a pronúncia do Psalmo adequado, ou indicado pelo nosso Mestre JHS”.

De facto, durante o ciclo psaltérico da S.T.B. o Venerável Mestre JHS olhando para os Munindras presentes, e fitando as fotos dos propostos, no caso dos discípulos ausentes, viu em Quarta Dimensão ou Mundo Astral sobre a cabeça de cada um, de cor rubra, ígnea, o número do Psalmo que lhe correspondia. Então, o Mestre aconselhou aos discípulos a lerem em voz alta ou recitarem o Psalmo que lhes indicava.

Esses Psalmos de David, praticados sob a orientação de JHS, restituíam a cada Munindra o Dom do Espírito Santo, que representa o Poder de Agharta, de Kundalini assinalada na Sarça-Ardente em que Deus se revelou a Moisés.

O Munindra, recitando o Psalmo indicado pelo Mestre JHS, exaltava o seu Deus Interior, exaltava nele o Dom do Espírito Santo, consequentemente, operava-se uma completa transformação em seu interior, no seu modo de conceber, compreender, encarar e vivenciar a Obra do Eterno, a Vida, a existência e toda a Criação, dando-lhe uma ética moral, um comportamento ajuizado relativo à Hierarquia a que pertencia e, naturalmente, ao reconhecimento da manifestação no Mundos dos Homens do Rei e Rainha do Mundo, o geminal Melki-Tsedek como os mesmos Gémeos Espirituais. Havia, por assim dizer, o domínio do Dom do Espírito Santo com o retraimento das nidanas ou tendências negativas, das dúvidas, das suspeitas, dos maus julgamentos…

Ficou doravante instituído no seio da Obra do Eterno o Ritual Psaltérico levado a efeito todas as quartas-feiras por ser um dia dos intercâmbios entre o Divino e o Terreno como é afim à natureza de Mercúrio, planeta do mesmíssimo AKBEL.

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Há um precioso Salmo de Defesa no acervo interno da Comunidade Teúrgica Portuguesa cuja letra ofereço ao respeitável leitor em guisa de tema de meditação e desfecho como “chave d´ouro”:

Que TER-EB, o Tríplice Universal de PRANA, FOHAT e KUNDALINI originado do Seio do ETERNO Absoluto, vibrando pelo Tronco da Árvore de KUMA-MARA e se manifestando pelo Sagrado TETRAGRAMATON que vibra no Excelso Peito do Cavaleiro das Idades, AKDORGE, se projecte nas monádicas expressões humanas da Augusta ORDEM DO SANTO GRAAL, todas elas onde quer que estejam, protegendo-as de todo o Mal visível e invisível do Corpo, da Alma e da Mente, para que se defendam e vençam todos os obstáculos, todas as forças contrárias aos desígnios da LEI, para BEM poderem realizar, vitoriosa e gloriosamente, um e todos, a Missão Única favorável ao Advento do CRISTO UNIVERSAL, inaugurando na Terra a Idade da Perfeição, com o esplendoroso florescimento das Raças Bimânica e Atabimânica, sob o influxo dos Divinos ARABEL e AKBEL. Que isto se cumpra em Nome do TETRAGRAMATON e do EXAGONON Sagrados, como Perfeito Equilíbrio entre o Mundo Divino e o Mundo Terreno, na saúde, santidade e sabedoria da humana expressão que é um e todo o MUNINDRA!

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EXAGONON – TETRAGRAMATON

TETRAGRAMATON – EXAGONON

AKALIM – ZITCAF – MORCAF

ASGARTOCK

MIREB – MAREB – TEREB

MAITREYA

SAT VIDAG KARUNA

BIJAM

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