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SIGNIFICADO INICIÁTICO DO GRANDE SELO DOS E.U.A.

O Grande Selo dos Estados Unidos da América foi aprovado por Acto do Congresso no dia 20 de Junho de 1782, passando a ser o seu Brasão de Armas desde 4 de Fevereiro de 1790. Os movimentos carismáticos evangélicos norte-americanos consideram os símbolos do Grande Selo como sinais encriptados da presença de “Satan e da sua corte demoníaca” neste país através de uma misteriosa “Ordem de Illuminatis” que secretamente domina o Mundo, dentre outras teorias mórbidas revelando óbvia impuberdade mental orbitando entre o puritano e o ingénuo.

Os símbolos do Grande Selo têm origem na própria Maçonaria através daqueles maçons ilustres (Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, William Churchill Houston e William Barton) que ajudaram a esboçá-lo, nada tendo de sinistro nem diabólico ao contrário das tentativas de poluição do símbolo nacional que alguns têm tentado impor-lhe. No timbre, um halo dourado rompe de uma nuvem da sua cor envolvendo uma constelação de treze estrelas prateadas num campo azul, sendo o suporte uma água calva disposta de asas abertas segurando na garra direita um ramo de oliveira e na garra esquerda treze flechas, enquanto no bico segura o listel ondulante com o lema latino E pluribus unum (“De muitos, um”), evocativo da unidade nacional representada nas treze estrelas figurativas dos treze Estados originais da União. Esse halo de glória expressa o Grande Arquitecto do Universo abençoando e protegendo os Estados Unidos, e é por isso que se pode desenhar perfeitamente o hexalfa ou estrela de seis pontas sobre a disposição das estrelas, símbolo geométrico esse indicativo da própria Divindade Suprema que assiste a todos os povos e religiões, independentemente do nome que Lhe dêem. Imposto sobre o centro da águia tem-se o escudo palado de treze peças, alternadamente de prata e vermelho, com a banda chefe de azul. Trata-se da repetição alegórica dos treze Estados originais em guisa de materializados na Terra após projectados desde as estrelas do céu. Tal acaba sendo uma evocação velada do tema bíblico Jerusalém Celeste e Jerusalém Terrestre, no sentido de Paraíso Celestial e Paraíso Terreal como era crença inicial ao considerar-se a América do Norte como a Terra Prometida, a Nova Jerusalém dos movimentos carismáticos e também maçónicos. Por este motivo, a águia imperial não é unicamente símbolo evocativo do antigo império romano mas também e sobretudo da águia Kadosh ou dos “Perfeitos”, em hebreu, os verdadeiros Iluminados Espirituais (Illuminatis) que as antigas tradições cabalísticas representavam por uma águia, por ser simbólica do Sol cujos raios, aliás, carrega na garra esquerda, enquanto a direita com o ramo de oliva expressa a Paz dos Justos que participam da Essência de Deus na Terra Prometida, o Éden que é onde se manifesta a Luz de Glória (halo estrelado) e a Paz de Imortalidade (águia heráldica).

Grande Selo EUA

As cores do escudo imposto sobre o peito da águia são evocativas das virtudes cardinais que todo o maçom deve possuir e fazer com que a Humanidade também as possua: o vermelho de Marte expressa o valor, o branco da Lua revela a pureza, e o azul de Vénus transmite a justiça. Em Gemetria ou Cabala Fonética, o valor dessas cores é 103 que é o valor da frase hebraica Ehben Ha-Adam, “A Pedra de Adão”, sugerindo o Ashlar perfeito ou a Pedra Cúbica do Mestre Maçom indicativa da sua perfeição espiritual, sendo também 103 o valor do substantivo Bonain, palavra rabínica significando “construtor, mestre arquitecto”, isto é, o próprio Mestre Maçom. Nisto, a divisa E pluribus unum lembra ao maçom a unidade que o fez irmão de muitos.

No reverso do Grande Selo configura-se uma pirâmide cujo zénite está cortado de maneira a configurar um triângulo com o Olho da Divina Providência ao centro, circundado por uma auréola da sua cor dourada. Acima dele lê-se a frase latina Annuit Coeptis, “Ele (Deus) favorece-nos”, e abaixo da pirâmide lê-se a outra frase latina Novus Ordo Seclorum, “Nova Ordem dos Séculos”. Símbolo de força e perenidade, a pirâmide tanto evoca a origem egípcia da Tradição Iniciática do Ocidente como igualmente a Montanha da Iniciação que todo o Iniciado deve subir gradual ou paulatinamente até defrontar-se com com Deus no zénite ou cume da mesma e unir-se a Ele, assinalado no Triângulo com o Olho Esplendente. Símbolo cristão herdado pelos primitivos cristãos de Alexandria do Olho de Horus do Antigo Egipto, tem-se que os maçons norte-americanos eram originalmente todos católicos, luteranos ou calvinistas ligados à Igreja de Inglaterra, e por essa influência cultural e religiosa eles conhecessem e interiorizassem os símbolos cristãos, incluindo o caríssimo Olho da Divina Providência no centro do Triângulo figurativo da Santíssima Trindade, assim revelando Deus Uno-Trino, Um como Essência e Três como Hipóstases ou “Pessoas” na Sua manifestação. A primeira aparição do Olho da Divina Providência na iconografia maçónica surge apenas em 1797 com a publicação de Freemasons Monitor, por Thomas Smith Webb, como forma de recordar a todos os maçons que os seus pensamentos, sentimentos e actos são permanentemente observados por Deus, o Grande Arquitecto do Universo, e desde então esse símbolo ficou nos meios maçónicos como expressivo da Divindade Absoluta. Por isso inscreve-se no topo a frase Annuit Coeptis, por se atribuir a Deus o favorecimento da fundação dos Estados Unidos da América segundo a mística nacional, atendendo a que tal frase foi retirada do livro IX da Eneida de Virgílio, no momento em Acanius, filho de Eneias, reza ao Pai dos Deuses, o “poderoso Júpiter, pelo favorecimento da sua empresa”.

Sendo a pirâmide algo a escalar através dos seus treze degraus rumo à Luz de Deus, a esse sentido de trasladação de um espaço para outro não deixa de enquadrar-se a ideia de translatio imperii, “trasladação de impérios”, subjacente à frase Novus Ordo Seclorum, expressão retomada a partir da IV Écloga de Virgílio, que os cristãos medievais interpretaram como uma profecia da vinda de Cristo inaugurando uma nova Idade de Ouro no Mundo, motivo que serviu aos maçons construtores do Grande Selo para disporem o centro secular ou temporal dessa Idade de Ouro ou Satya-Yuga, em sânscrito, precisamente no norte do continente americano, como era sua crença aplicando propositadamente o nominativo plural possessivo seclorum latino, significando “da Idade”. Tal proposição partiu de Charles Thomson, perito latinista, em 1782, para significar “o início da Nova Era americana” a partir da data da Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776). Essa transladação de Oriente para Ocidente igualmente viria a ficar marcada pela marcha e conquista do Oeste durante o período aurífero norte-americano. A partir de 1935, esta alegoria iniciática do reverso do Grande Selo passou a figurar no reverso das notas de um dólar por aprovação do Presidente Franklin Delano Roosevelt, que também era maçom destacado.

nota de 1 dólar

Segundo os cabalistas versados em Gemetria, o conjunto alegórico de todas essas figuras tem o valor cabalístico 273, que é o valor da frase hebraica Ehben Mosu Habonim (“A pedra que o construtor recusou”), referência à chave perdida dos Mistérios Iniciáticos cuja origem recua ao primitivo culto de Melki-Tsedek, o Rei do Mundo, em que assentam todas as tradições confessionais e iniciáticas do Ocidente e do Oriente, parcialmente recuperadas pela Maçonaria Simbólica. Essa frase hebraica é familiar de todos os maçons do Rito de York ou do Arco Real, commumente chamado Rito Americano. O seu valor 273 é também o do substantivo próprio Hiram Abiff, o arquitecto do Templo de Salomão e o personagem principal da lenda afim ao 3.º Grau de Mestre Maçom.

Finalmente, a presença dominante do valor 13 no verso e reverso do Grande Selo: reflecte o sentido de Morte profana e social para poder haver Ressurreição espiritual e com esta o ressurgimento de uma nova sociedade humana mais justa e perfeita que dentre as muitas existentes fosse única (E pluribus unum), o que deixa o subentendido da Sinarquia ou Concórdia Universal, acaso o principal motivo oculto da fundação dos Estados Unidos e por descaso do mesmo caído no esquecimento secular, tendo como consequência fatal até hoje viverem apartados dos deuses e assim em contínuas pelejas apesar de fustigados pelos avisos severos da Natureza que é Deus manifestado.

ESQUISSO ESOTÉRICO DE WASHINGTON

A cidade de Washington está situada na margem norte do Rio Potomac, no Distrito de Colúmbia, sendo John Smith de Jamestown um dos primeiros exploradores europeus da região em 1608, tendo encontrado o grupo nativo Nacotchtank. Foi este local que em 1791 George Washington escolheu para fundar a futura capital dos Estados Unidos com o seu nome, a partir da sua Vila de Georgetown ocupando uma área de 259 km2, situada entre os Estados de Maryland e Virgínia. Para a sua realização, Washington contratou o reputado arquitecto e engenheiro civil francês naturalizado americano, Pierre Charles L´Enfant (Anet, França, 9.8.1754 – Condado de Prince George´s, EUA, 14.6.1825), que era igualmente um distinto maçom. Pierre Charles, “Peter”, lançou mãos à obra e mesmo depois do seu afastamento continuou a seguir-se o seu projecto original, até que finalmente a cidade foi inaugurada em 1800 contando com 8144 habitantes.

Contudo, o esquisso de L´Enfant possuiu a originalidade de inspirar-se naquele outro para a Baixa Pombalina de Lisboa, Portugal, reconstruída após o terramoto de 1755. Tal como a rede da Baixa da capital portuguesa é formada por um conjunto de ruas rectas e perpendiculares organizadas para ambos os lados de um eixo central constituído pela sua Rua Augusta, também em Washington a cidade é centralizada no Capitólio funcionando as avenidas em diagonais onde os seus cruzamentos com as ruas que, ao contrário das avenidas, foram desenhadas perpendicularmente entre si, são realizadas através de rotatórias. Assim como a Baixa lisboeta termina na sua Praça do Comércio, aqui construiu-se um enorme National Mall (Passeio Nacional) a partir da ideia do arquitecto francês, e tal como a Baixa Pombalina obedece aos cânones maçónicos da geometria sagrada o mesmo se observa no esquisso de Washington, onde na interrelação dos seus principais edifícios e monumentos configuram sugestivas figuras geométricas sobre o mapa da cidade que, bem pode-se dizer, foi gizada de raiz a esquadro e compasso.

As especulações conspiracionistas saídas do carismático radicalismo evangélico poluíram sobremodo o sentido original dos símbolos iniciáticos presentes no esquisso de Washington. No traçado geométrico deste sobressaem o Hexagrama e o Pentagrama (primitivo símbolo dos Construtores Livres associado a Vénus como Estrela da Luz, ausente de qualquer noção diabólica saída da perturbada xenofobia puritana das inumeráveis seitas constituintes do “folclore religioso” norte-americano, onde grassa a ignorância dos Símbolos da Tradição que assistem a todas as religiões verdadeiramente tradicionais), o Compasso (simbólico do Tempo Sagrado), o Esquadro (simbólico do Espaço Sagrado), a Régua de Medição (simbólica da Rectidão, da Obra Justa e Perfeita) e o Delta Perfeito.

Esquisso Wahington - 3

Olhando no mapa da cidade, observa-se que o Capitólio está disposto na forma de um círculo, com isso representando a parte superior do compasso que originalmente era circular. A Avenida Pensilvânia, indo do Capitólio até à Casa Branca, representa uma perna do compasso. A Avenida Maryland, que vai do Capitólio até ao Memorial Thomas Jefferson, representa a segunda perna do compasso. Mas aqui é necessário o uso de uma régua para traçar uma linha sólida a fim de obter o efeito completo, pois Maryland não é perfeitamente recta, podendo no entanto observa-se que a direcção geral encaminha-se para o Memorial Jefferson. Nisto se esquissa o Compasso maçónico.

O Esquadro maçónico começa na Union Square, com a Avenida Louisiana formando um braço e a Avenida Washington constituindo o outro. Novamente faz-se necessário usar uma régua para traçar linhas pelas Avenidas Louisiana e Washington para ver o esquadro formado, pois Louisiana termina na Avenida Pensilvânia e a Avenida Washington culmina na Maryland, ficando faltando o ângulo de 90 graus. Mas se desenharem-se as linhas da continuação natural dessas Avenidas além dos seus pontos de terminação, o esquadro de 90 graus fica perfeitamente formado.

A Régua de Medição é claramente vista quando se traça uma linha recta de norte para o sul (assinalando o cardo da cidade) a partir do centro da Casa Branca até à base do Monumento de Washington, seguindo depois directo ao leste para o Capitólio. Ficam assim representados no layout das ruas de Washington os três símbolos sagrados da Maçonaria Iniciática.

O Delta Perfeito ou Triângulo Maçónico é formado pelas linhas imaginárias que ligam entre si o Capitólio, a Casa Branca e o Memorial Jefferson, cujo Olho da Divina Providência está representado no Monumento de Washington que é um obelisco iluminado no topo, sendo a estrutura mais alta da cidade possuindo 169,7 metros de altura.

Esquisso Washington - 2

As linhas do Pentagrama da Iniciação desenham-se no mapa a partir de Longan Circle onde se bifurcam as duas Avenidas de Rhode Island e Vermont indo ligar-se a Dupond Circle onde começam as Avenidas Massachusetts e Connecticut, sendo a linha horizontal traçada sob a K Street (marcando o decumano no sentido leste-oeste), ficando o ápice do pentagrama (estrela de cinco pontas) onde está a Casa Branca.

As linhas do Hexagrama da Iluminação (estrela de seis pontas) traçam-se a partir de Dupond Circle, onde se bifurcam a Avenida Massachusetts e a 19th Street, ligando-se a Longan Circle onde começam a Avenida Rhode Island e a 13th Street. Essas com a Avenida Pensilvânia e a Avenida New York formam dois triângulos entrelaçados, ou seja, o hexagrama, ficando a Casa Branca exactamente no ponto de interseção mais baixo entre os triângulos.

Todas essas são linhas de forças esquissadas para expressar a cidade de Washington como um grande Domus Liberi Muratori Illuminati – Sede de Mestres Maçons Iluminados – pelo Saber e a Moral, assim consagrando a urbe à Maior Glória do Supremo Arquitecto do Universo, a Divindade que a tudo e a todos assiste.

GEORGE WASHINGTON, MESTRE-MAÇOM FUNDADOR DOS E.U.A.

George Washington (22.2.1732 – 14.12.1799) é considerado com toda a legitimidade o “Pai fundador da Nação”, tendo sido o primeiro Presidente dos Estados Unidos (1789-1797) depois de ser o comandante-em-chefe vitorioso do Exército Continental durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos, tendo presidido à convenção que elaborou a Constituição que veio a substituir os Artigos da Confederação e a estabelecer a posição de Presidente. Foi “o primeiro na guerra, o primeiro na paz e o primeiro no coração dos seus concidadãos”, disse Henry Lee,  seu contemporâneo, no dia da sua morte.

Poderá causar uma profunda estranheza aos americanos dos dias de hoje o facto de quando George Washington tomou posse da Presidência, a Bíblia utilizada para o seu juramento ter sido a da Loja maçónica São João, de New York, na época em que era precisamente Venerável da Loja maçónica Alexandre, em Alexandria, na Virginia, podendo afirmar-se com toda a legitimidade que a Maçonaria Escocesa do Rito de York teve papel activo na fundação do País e na elaboração da sua Carta Magna que é a Constituição garante da independência nacional, tendo tido papel proeminente este considerado “Pai fundador da Nação” que era Mestre-Maçom de Grau elevado. Com efeito, George Washington foi iniciado na Maçonaria em 4 de Novembro de 1752 tendo pago 2 libras e 3 shellings; na Loja N.º 4 de Frederiksburg recebeu a elevação de Grau em 3 de Março de 1753 e foi exaltado a Mestre em 4 de Agosto de 1753. Presume-se ter sido o primeiro Venerável Mestre da Loja Alexandre N.º 22, em Alexandria, pois o seu nome aparece em primeiro lugar na lista da Comissão que recebeu a Carta Cosntitucional em 1788. Além de ter prestado o seu juramento presidencial ante o Ministro Robert Livingston, que era o Gão-Mestre da Grande Loja de New York, sobre uma Bíblia maçónica, promoveu a fundação do Capitólio e na cerimónia de lançamento da sua primeira pedra, em 18 de Setembro de 1793, apareceu com as insígnias de Venerável Mestre de Honra da sua Loja. Albert Gallatin Mackey (1807-1881), distinto escritor maçónico norte-americano, afirmou que Washington foi iniciado durante a guerra com a França na Loja Militar N.º 227 do Regimento 46. Mas, por motivo qualquer, Mackey não citou o mais importante da entrada e elevação maçónica de George Washington: a deste ter por paraninfo e conselheiro encoberto um Superior Incógnito ou Mestre Espiritual (Mahatma, efectivo Illuminati ou Iluminado), provindo da misteriosa Fonte Suprema do Mundo identificada pelos orientais como Shamballah ou Agharta, com severas semelhanças à Terra do Preste João dos templários e hermetistas medievais.

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Com efeito, segundo Robert Allen Campbell na sua obra Or Flag (Chicago, 1890), em 1775 quando os fundadores da República nascente estudavam o projecto de uma nova bandeira, apareceu um homem estranho, espécie de Conde de Saint-Germain em notável e estranho desterro de França no continente americano onde circulava entre a hoje cidade de Washington e o actual Estado do Novo México, dizendo que possuía Hacienda del Destierro em El Moro, próximo a Cimarron, o qual ganhou imediatamente o respeito e a amizade de Benjamin Franklin e de George Washington. Esse personagem misterioso, a quem os memoralistas limitam-se a chamar o Professor, aparentava ter mais de setenta anos, embora fosse tão direito e vigoroso como no princípio da sua vida. De estatura alta e aspecto extremamente digno, falava com uma autoridade que se misturava com uma grande cortesia. O regime alimentar desse cavalheiro era curioso: não comia carne nem peixe, não bebia vinho nem cerveja e reduzia a sua alimentação aos que entendia chamar de alimentos da saúde: cereais, nozes, frutos e mel. À semelhança do Conde de Saint-Germain, o Professor falava frequentemente de acontecimentos históricos de tal modo que dava a impressão de ter sido sua testemunha. Depois de ter promovido a assinatura da Declaração de Independência em 1776 e passada a euforia do momento, quis-se conhecer a identidade do majestoso Professor e exprimir-lhe gratidão, mas ele havia partido e nunca mais tornou a ser visto. Aparentemente tinha voltado ao seio da sua misteriosa Fraternidade, após ter cumprido com êxito a sua missão, resumida nestas suas palavras proferidas em 4 de Julho de 1776: Deus deu a América para que ela seja livre!

Sem dúvida que o enigmático Professor assim como a moral maçónica marcaram irreversível e positivamente o perfil e conduta de George Washington, tanto espiritual como politicamente. No seu discurso de despedida da Presidência em 1797, chamou a atenção para o civismo e avisou contra o partidarismo e o envolvimento em conflitos externos, reafirmando a separação de poderes entre o Estado e a Religião. Ele que foi um dos primeiros a falar da tolerância religiosa e na liberdade de culto. Em 1775, ordenou às suas tropas que não mostrassem sentimentos anti-católicos quando queimaram a efígie do Papa na Noite de Guy Fawkes. Quando contratou operários para a sua mansão de Mount Vernon, escreveu ao seu agente: “Se são bons trabalhadores, podem ser da Ásia, da África ou da Europa, podem ser muçulmanos, judeus, cristãos ou de qualquer seita, e até podem ser ateus”. Em 1970, escreveu em resposta a uma carta da Sinagoga Touro que enquanto as pessoas permanecessem como bons cidadãos, não seriam perseguidas por terem diferentes crenças ou religiões. Isso foi um alívio para a comunidade judaica dos Estados Unidos, já que os judeus tinham sido discriminados e até expulsos em muitos países europeus.

Regressado a sua casa em Mount Vernon, dedicou os seus últimos dois anos à vida doméstica e à gerência de vários projectos, incluindo no seu testamento a libertação de todos os seus escravos. No ano seguinte, em 24 de Outubro de 1798, escreveu ao seu amigo G. W. Snyder, pastor evangélico em Maryland, uma carta pessoal (actualmente muito adulterada e pior interpretada), que realmente é o codicilo espiritual da sua verdeira posição ante a Maçonaria e os Superiores Incógnitos do Mundo promotores da fundação dos Estados Unidos da América:

Mount Vernon, 24 de Outubro de 1798.

Respeitável Senhor, o único motivo de o incomodar com a recepção desta carta, é o de explicar e corrigir um erro que apercebi ao escrever-lhe anteriormente, devido à pressa com que muitas vezes sou obrigado a fazê-lo.

Não era minha intenção duvidar que as doutrinas dos Iluminados e os princípios da Maçonaria não se tenham propagado nos Estados Unidos. Pelo contrário, ninguém está mais verdadeiramente satisfeito com esse facto do que eu estou.

A ideia que eu quis transmitir foi que eu não acredito que as Lojas da Maçonaria no País, como sociedades, tiveram como esforço propagar doutrinas diabólicas atribuídas aos primeiros como princípios perniciosos da última (se tais são susceptíveis de separação). Os indivíduos que delas têm essa noção e fazem isso, podem atribuir tal aos seus fundadores ou aos instrumentos utilizados para fundar sociedades democráticas nos Estados Unidos, mas serão eles próprios quem terão esses objectivos, tendo em vista pretenderem realmente uma separação entre as pessoas do seu Governo, motivo muito evidente que deve ser questionado.

Atenciosamente,

George Washington.

TEMPLO MAÇÓNICO DA CIDADE DE WASHINGTON

A Casa do Templo em Washington DC, é a sede do Rito Escocês da Maçonaria e localiza-se na 16th Street no bairro Dupont Circle. Possui o nome oficial de “Casa do Supremo Conselho, 33.º, Rito Escocês Antigo e Aceite da Maçonaria, Jurisdição Sul, Washington DC, EUA”, cujo o nome completo é “Supremo Conselho da Inspecção Geral dos Cavaleiros Comandantes da Casa do Templo do 33.º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceite da Maçonaria da Jurisdição Sul dos Estados Unidos da América”.

O edifício é projecto do arquitecto e maçom novaiorquino John Russell Pope (24.4.1874 – 27.8.1937), que o modelou reproduzindo as formas do Mausoléu de Halicarnasso ou Mausoléu de Mausolo construído entre 353 e 350 a. C. em Halicarnasso (actual Bodrum, Turquia) e que constituiu uma das sete maravilhas do Mundo Antigo. Esse Mausoléu constituiu uma obra-prima consagrada à imortalidade e construída nos mais rigorosos cânones da arquitectura sagrada dos mestres construtores da Antiguidade. Motivo suficiente para escolhê-lo como modelo deste edifício sede da actual Maçonaria Americana.

Foi escolhida propositadamente a data de 31 de Maio de 1911 para a escavação do terreno da nova Casa do Templo, por então se celebrar o 110.º aniversário da fundação do Supremo Conselho em Charleston, Carolina do Sul. Nesse dia 31, às 9:00 horas da manhã o Grande Comandante James D. Richardson virou “a primeira pá de terra na construção no novo Templo” (Transações de 1911, página 124), e em 18 de Outubro desse mesmo ano J. Claude Keiper, Venerável da Grande Loja do Distrito de Colômbia, lançou a pedra fundamental no canto nordeste do futuro edifício. Em 18 de Outubro de 1915 obra ficou concluída, cabendo ao Grande Comandante George F. Moore a honra de conduzir a cerimónia de consagração e abertura oficial da Casa do Templo.

Templo dc

À boa maneira da tradição operática da Maçonaria Primitiva, o edifício é inteiramente construída em pedra sem vigas de metal. Feito em maciço calcário, possui 130 metros de altura e é rodeado por 33 colunas jónicas (alusivas dos 33 Graus do Rito Escocês por sua vez representativos da idade espiritual do Adepto Superior ou Superius Incognitus) que suportam um magnífico telhado de pirâmide em degraus, representativos da escalada evolucional até ao topo da Realização Perfeita do Adepto, mensagem configurada pelo simbolismo da pirâmide e do obelisco, para todo o efeito, simbólica da Montanha da Iniciação. Ladeiam a entrada da Casa do Templo duas impressionantes e colossais esfinges de pedra calcária trazida de Indiana esculpidas no local, cada uma de um único bloco maciço que originalmente pesava mais de 89 toneladas. O artista que as esculpiu foi o famoso escultor Adolph Alexander Weinman (11.12.1870 – 8.8.1952), alemão naturalizado americano e membro da Ordem Maçónica. A Esfinge velada, como se vê aqui, representa o Mistério e a Iniciação dos quais é Guardiã silenciosa e fatal arredando do seu perto os profanos e curiosos de completo despreparo mental e moral.

Na parte traseira do edifício abre-se uma rotunda onde estão a Biblioteca e a Grande Escadaria que leva ao Salão do Templo. A entrada no Atrium revela o ambiente de um templo antigo num tempo passado, onde as influências gregas e egípcias preenchem esse espaço, tmbém elas propositadamente escolhidas, por a Grécia ser a Mãe da Cultura Ocidental e o Egipto o Berço da Tradição Iniciática do Ocidente. Para este andar do Atrium John Russell Pope utilizou belo mármore bege Tavernelle da França, incrostado com mármore negro grego da Ilha de Tinos. Adolph Alexander Weinman esculpiu com mármore negro, vindo das margens do Lago Champalin, as estátuas egípcias que ladeiam a Grande Escadaria no Atrium. O tecto e o friso na parte superior das paredes estão decorados por desenhos coloridos pintados à mão por Sherwin e Berman, de Nova Iorque, que eram conhecidos pelos seus trabalhos em madeira de arquitectura e pintura decorativa. A peça central do Atrium (Átrio) é uma grande mesa feita com mármore de Pavonazzo imporado de Itália e inspirado num quadro encontrado nas ruínas de uma casa de Pompeia. Um painel apresenta uma águia bicéfala, símbolo do Grau 33.º do Grande Conselho Escocês, com a frase latina Salve Frater, “Bem-vindo, Irmão”. A Grande Escadaria aumenta drasticamente a partir do Átrio para a rotunda de entrada no Salão do Templo. Este é um espaço volumoso com um tecto abobadado erguendo-se oito andares a partir do solo. A sua magnífica cúpula foi trabalho de Guastavino Fireproof Construction Company, fundada pelo arquitecto maçom Rafael Guastavino Moreno.

Nesta Casa do Templo repousam os restos mortais do famoso Mestre Maçom e Ocultista Albert Pike (1809-1891), trasladados para aqui em 1944 do Oak Hill Cemetery (na secção de Georgetown, Washington DC) quando a Maçonaria, por um acto do Congresso, obteve permissão de o fazer. Além da biblioteca preenchida por milhares de volumes dos quais inúmeros são obras raras, igualmente podem ser vistos artefactos maçónicos, vitrais com alegorias da Ordem, um deles retratando a Luz Divina espraiando-se sobre a Casa do Templo com os dizeres latinos Fiat Lux (“Faça-se Luz”) e Ordo ab Chao (“Ordem no Caos”). Vê-se uma grande pintura de George Washington colocando a pedra fundamental do Capitólio, trajando o avental maçónico, no Salão de Banquetes. Dezenas de retratos de maçons americanos famosos estão alinhados num corredor curvo de madeira de mogno: Sam Ervin, John Glenn, Harry Truman, Arnold Palmer, John Wayne e Will Rogers dentre outros.

vitral washington

Actualmente a Casa do Templo dá assistência e jurisprudência a cerca de 40 Lojas do Rito Americano. A Maçonaria foi introduzida nos Estados Unidos quando ainda era colónia inglesa, indicando os registos que os primeiros imigrantes maçons teriam chegado em 1682. Se bem que o Rito Inglês fosse o inicial, o sentido de independência crescente levou os autóctones a transformarem as Grandes Lojas Provinciais britânicas em Grandes Lojas Estaduais americanas, até que surgiu o Rito de York que é o predominante na Maçonaria norte-americana. Este Rito é de natureza teísta e está muito inculcado nos países onde os cultos evangélicos predominam, como é o caso da América do Norte onde boa parte do clero evangélico é igualmente maçónico. O Rito de York foi fundado em 1799 pelo famoso ritualista americano, Thomas Smith Webb (1771-1819), tendo contado com a colaboração de John Hanmer, maçom inglês, e do seu seguidor Jeremy Cross (fundador da Maçonaria Críptica), no início de 1800. Thomas S. Webb, inspirando-se nas conferências realizadas por William Preston (Illustrations of Masonry), organizou e publicou The Freemason´s Monitor, obra na qual simplificou e tornou mais práticas as cerimónias nas Lojas americanas. Pode-se afirmar que o trabalho de Webb é um Rito Inglês Rectificado a partir dos praticados pelos “Antigos”, sendo pois o Rito de Emulação ligeiramente modificado. O carácter cristão do trabalho de Webb no seu Monitor, tornou a revelar-se na sua Constituição dos Cavaleiros Templários apresentando as “regras para a orientação dos maçons cristãos”. A aceitação deste Ritual é genérica entre os maçons americanos, e mesmo havendo pequenas diferenças diz-se que as Lojas Simbólicas ou Azuis praticam os seus rituais à “moda Webb”.

Templo da Casa do Templo - Washington

Além do Rito Inglês, também chamado de York, e do Rito do Arco Real, a Maçonaria na América do Norte acha-se repartida em três grandes grupos: 1.º) Maçonaria Manual ou Instrumental, é constituída pelos três graus simbólicos de Aprendiz, Companheiro e Mestre que são conferidos em Lojas Azuis segundo o Rito Antigo de York. 2.º) Maçonaria Científica, é formada pelos graus crípticos do sistema do Rito do Arco Real, Mestre Real, e do Rito Escocês Antigo e Aceite, Mestre Eleito. 3.º) Maçonaria Filosófica ou Templária, é composta pelos Cavaleiros Templários formando as Comendas onde são conferidas as Ordens da Cruz Vermelha, Cruz de Malta e Cruz do Templo. Embora conferidas como Ordens na realidade são efectivamente graus da Maçonaria Cavaleiresca. Regulando esses três grandes grupos está o Supremo Conselho, que para o Sul dos EUA tem nesta Casa do Templo em Washington a sua sede reguladora.

MEMORIAL INICIÁTICO DE ALBERT PIKE

A estátua dedicada a Albert Pike localiza-se no centro de Washington na Judiciary Square, espaço apropriado à proeminência de advogado do homenageado, sendo administrada pelo National Park Service mas cuja construção e erecção foi patrocionada e paga pelo Supremo Conselho do Rito Escocês da Maçonaria, Jurisdição do Sul, em 9 de Abril de 1898 e inaugurada em 1901. Nesta estátua de bronze com onze metros de altura, obra do escultor e maçom italiano Gaetano Trentaove, Pike é apresentado sobre um grande pedestal de granito em trajes civis como líder maçónico, e não como general confederado que foi. Carrega na sua mão direita uma cópia da sua famosa obra Moral e Dogma do Rito Escocês Antigo e Aceite da Maçonaria. Abaixo dele apresenta-se uma senhora com traje grego, obra em bronze, sentada num nível inferior do pedestal segurando na mão direita o pau do pendão do Grau 33.º do Rito Escocês.

Obra concebida com perfeição, o facto de Albert Pike revelar-se erecto no topo do pedestal dá-o como o génio da Maçonaria Americana, o seu coordenador principal que mais fez pela sua compreensão e expansão no território norte-americano e até fora dele, sendo a senhora carregando o pendão maçónico a representação alegórica da Musa e Alma da própria Maçonaria, que os Ocultistas e Teósofos chamariam Egrégora ou Alma Colectiva dessa Ordem, isto é, uma “alma artificial” criada pelos pensamentos e sentimentos despendidos por todos os maçons em seus ritos desde a fundação do Movimento, continuamente alimentada e aumentada, tal qual acontece com todas as Ordens Iniciáticas e religiões tradicionais, cada qual com a sua Egrégora ou “Alma” própria.

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Albert Pike (Boston, 29.12.1809 – Washington, 2.4.1891) desde cedo revelou o seu grande génio intelectual e sobretudo espiritualista. Poeta e ensaísta falava dezasseis línguas, como afirmam os seus biógrafos, tendo se filiado na Maçonaria cerca de 1840 e em 1859 sido eleito Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Jurisdição Sul, cargo de Grau 33.º onde permaneceu o resto da sua vida dedicando a maior parte do tempo ao estudo e desenvolvimento dos graus e rituais da Ordem Maçónica. Em 1871 causou impacto nacional e internacional ao publicar o livro Moral e Dogma do Rito Escocês Antigo e Aceite da Maçonaria, obra composta por orientações e ensaios de Pike  que recopilou e estabeleceu as bases filosóficas, sociológicas, históricas, políticas, simbólicas e religiosas do Rito Escocês Antigo e Aceite, onde elaborou os ensinamentos para os seus 33 Graus, onde segundo o seu entendimento explica explica o simbolismo e a alegoria dos mesmos. Trata-se de uma obra imponente pelo volume e pelos ensinamentos compilados, com 861 páginas de textos de moral e dogma mais um índice de referências com 218 páginas, possuindo 32 capítulos onde em cada um discute-se detalhadamente o simbolismo filosófico de cada grau maçónico.

Albert Pike - 3 (1)

Esta estátua de Albert Pike é certamente a que maiores querelas e virolências tem suscitado em Washington da parte dos seus adversários, acusando-o de membro principal da seita racista Ku Klux Klan (fundada em 1865 em Pulaski, Tennessee, no final da Guerra Civil Americana) e de satanismo. Essas teorias nascidas da hostilidade das seitas carismáticas puritanas, principais propagadoras das «teorias de conspiração» à escala internacional, à Maçonaria e ao Iluminismo Racional, arrastam-se até hoje com violência inusitada demonstrativa da origem e desenvolvimento psicossocial de um país jovem virado para si mesmo com excuso total das culturas e tradições mais antigas que assim dispõe-o na linha do radicalismo evangélico, num modo sui-generis de xenofobia religiosa e social fortemente marcada por posturas anti e pró esclavagistas desde a Guerra de Sucessão (1861-1865) que nunca ficaram inteiramente resolvidas até hoje dividindo por fortes complexos psicológicos a postura psicossocial norte-americana. Não há provas conclusivas nenhumas de Albert Pike ter sido o grande dragão ou chefe do Klan no Estado do Arkansas após 1865, tendo essa história aparecido a primeira vez no livro Authentic History Ku Klux Klan to 1865-1877 escrito por Susan Lawrence Davis em 1924, sem notas de rodapé e sem citar as fontes, assim tornando as afirmações avulsas. O que se sabe e está documentado é que Albert Pike foi um dos primeiros defensores dos nativos norte-americanos e teve graves desentendimentos com o presidente confederado Jefferson Davis sobre os direitos humanos dos negros e dos índios, como ficou registado antes da batalha de Pea Ridge, Arkansas, que levou à vitória das tropas da União. Com respeito às actividades satanistas de Albert Pike, espécie de evocação do famoso episódio supersticioso e histérico de foro psico-sexual das bruxas de Salém em Outubro de 1692, não há nenhuma prova de tal, sendo a sua relação com Ordens Esotéricas europeias de natureza maçónica o único pretexto para acreditar-se nisso, confundindo ou querendo confundir organizações secretas mas não não iniciáticas que existiram nos séculos XVII-XVIII (Franco-Juízes e Perfectabilistas ou Iluminados da Baviera, por exemplo) com conspiradores satânicos actuais que desejam dominar o mundo a partir de Washington. Há nisso um claro exagero parecendo propositado, tanto que tais organizações franco-germânicas extinguiram-se ao longo dos séculos XVIII e definitivamente no XIX, como regista a História.

Aparte essas controvérsias pós morte de Albert Pike, valem as inscrições nos oito cantos da base do seu monumento evocativas das principais actividades, e sobretudo a frase latina que remata toda a sua vida dedicada à Glória do Grande Arquitecto do Universo e do benfazer aos seus semelhantes em Humanidade: Autor, Poeta, Erudito, Soldado (General de Brigada), Filantropo, Filósofo, Jurista, Orador, e na frente a dita legenda latina: Vixit laborum ejus super stites sunt fructus, ou seja, Ele viveu, os frutos do seu trabalho vivem através dele.

DEUSES E HERÓIS NO CAPITÓLIO

O edifício governamental do Capitólio marca o centro da cidade de Washington donde irradiam todas as direcções e para onde concorrem todas as direcções dos EUA. O local onde está implantado obedece à escolha no esquisso original do arquitecto Pierre Charles L´Enfant, sendo a sua pedra fundamental lançada em 18 de Setembro de 1793 numa cerimónia maçónica presidida pelo próprio George Washington. Hoje não se tem a certeza onde esteja a pedra original sendo comum apontar-se aquela situada junto à passagem na galeria do Senado perto da antiga sede da Suprema Corte gravada com o esquadro e compasso maçónicos aí colocada cerca de 1893, deslocada do seu local original posto as pedras angulares disporem-se tradicionalmente no sentido sudoeste, o que já não é o caso. O edifício é projecto do arquitecto William Thornton, afiliado maçom, tendo as obras durado desde 1794 até praticamente Janeiro de 1866. William Thornton inpirou-se no formato do antigo Capitólio romano e no Panteão de Roma para a construção desta sede norte-americana que assim ficaria como centro de um novo império no Novo Mundo originalmente espiritual ou transcendente como revelam os símbolos esotéricos que o decoram, retirados à mitologia greco-latina e à tradição hermética adoptada pela Maçonaria Escocesa.

Washington e Capitólio

O primeiro sinal da invulgaridade deste edifício é dado pela estátua da Liberdade concluída em 1863, sobre a sua cúpula de 88 metros de altura projectada pela arquitecto Thomas Walter e construída entre 1855 e 1866. A estátua da Liberdade apresenta-se erecta sobre o Globo da Terra onde se inscreve a legenda latina E pluribus unum (“De muitos, um”), nisto aludindo a um só Império de Almas Livres indistinguindo crenças, raças e posições sociais. Com a mão direita segura o punho de uma espada embainhada significando “pacífica mas vigilante”, enquanto uma coroa de louros da vitória e o escudo dos Estados Unidos estão entrelaçados na sua mão direita, indicando o triunfo do império de glória. Traja um vestido semelhante ao sari indiano como se ela própria fosse uma deusa hindu (que na mitologia americana do século XVII seria associada à princesa índia Pocahontas), nisto ajustando-se ao sentido da evolução da Raça Humana desde o Oriente ao Ocidente através de etapas sucessivas chamadas simbolicamente “impérios”, motivo porque enfrenta o Oriente em direcção à entrada principal do edifício, significando que o Sol nunca se põe sobre a Liberdade.

domo do capitólio

Essa figura feminina da Liberdade é a alegoria mitológica da própria América, sendo a deusa Colúmbia (nome deste distrito herança toponímica de Cristóvão Colombo, o descobridor da América), termo que acerca-se do latino Columba e do espanhol Paloma, donde o português Pomba, esta a ave consagrada do Espírito Santo cuja prerrogativa maior é a Liberdade. No peito da estátua há um medalhão onde estão gravadas as iniciais S dentro de um U, indicativas de Unitd States mas também, pela sua posição quase gemátrica ou cabalística, podendo indicar ISI, isto é, Ísis, a Grande Deusa Mãe do Antigo Egipto que os primitivos cristãos vieram a associar à Virgem Maria como modelo da própria Columba, isto é, do Espírito Santo. É interessante verificar que a constelação de Columba apresenta-se sobre o horizonte desta estátua como se tivesse predominância intencional sobre ela, sendo que no empório celeste Columba é vizinha da constelação do Cão Maior cuja estrela Sirius é o dominante de ambas as constelações. Segundo a Tradição Iniciática, Sirius ou Sothis, em copta, age através de Vénus, Marte e Lua na Terra onde toma a forma feminina ideal da Grande Deusa Mãe (seja Ísis, Maria ou simplesmente Colúmbia) como antropomorfização do próprio Deus Criador manifestado como Espírito Santo. Tal como Vénus, Sothis era simbolizada pela estrela de cinco pontas e representava entre os egípcios a antiga Deusa da Fertilidade, esta que, mais uma vez, se revela como Natureza fecunda alimentando a tudo quanto vive na Terra.

O empório celeste é assinalada pelo próprio domo do Capitólio cuja pintura na sua cúpula interior demonstra uma óptica extremamente significativa indicadora do sentido profundamente espiritual que assistiu aos objectivos iniciáticos dos fundadores da nação. Essa pintura tem o nome de A Apoteose e é obra de Constantino Brumidi, artista italiano famoso pelas suas pinturas encomendadas pelo Vaticano e o Papa Pio IX, que em 1848 refugiou-se nos EUA após a tentativa de derrubar o poder papal onde perfilou ao lado das forças revolucionárias lideradas por Giuseppe Manzini. Foi então contratado para pintar a cúpula deste edifício governamental em conformidade ao estatuto de “anti-Vaticano”, isto é, dispondo o Capitólio como espelho ou reflexo da Religião dos Mistérios oposto ao Vaticano, sede da Religião Confessional, ou por outra, impondo o Esoterismo ou “velado, privado” como superior ao Exoterismo ou “desvelado, público”. A Apoteose define-se como a exaltação máxima ao nível divino, onde se vê a elevação de George Washington ao nível de semi-deus, de Homem Perfeito, Adepto Real ou Mahatma como Grande Alma, sentado em postura hierática tendo por detrás o esplendor da Porta do Céu que abre para a Jerusalém Celeste, para o Oriente Eterno, ou seja, o Mundo de Deus. Abaixo dele está significativamente a figura alegórica da Liberdade, neste caso, representando a Libertação Espiritual do verdadeiro Iluminado que das cadeias da escravidão dos vícios e do materialismo se libertou definitivamente.

Abóbada - Capitólio

Ladeia George Washington em seu trono de glória uma vasta corte de deuses do panteão greco-latino, destacando-se Hermes ou Mercúrio, Poseidon ou Neptuno, Vulcano, Liberdade, Ceres e Minerva, respectivamente representando o Comércio, a Pesca, a Indústria, o Exército, a Agricultura e o Conhecimento. Além disso, essas figuras possuem um significado hermético, aliás, afim à filosofia dos antigos Rosacruzes que originaram a Maçonaria e afectaram as noções gnósticas dos construtores do Capitólio. Tem-se Hermes, Vulcano, Poseidon e Ceres representando os quatros elementos naturais que são Ar, Fogo, Água e Terra, elementos indispensáveis à prática alquímica cujo objectivo é alcançar, mediante o esforço pessoal, a fábrica da Pedra Filosofal, ou seja, a verdadeira Iluminação Espiritual cuja Sabedoria Divina (Minerva) dá a Imortalidade ou Libertação (Liberdade) ao Adepto Perfeito, aqui representado idealmente em George Washington cujo trono de glória é o centro da Sabedoria de Deus, figuração comparável ao Selo da Grande Obra Alquímica representado por uma Mulher (Alquimia, Tradição Hermética ou de Hermes-Thot) com a cabeça envolta em nuvens (Revelação Divina), a qual está sentada num trono tendo na mão esquerda um ceptro, símbolo do Poder Temporal, enquanto a mão direita apoia dois livros, um fechado (esoterismo, religião dos mistérios) e outro aberto (exoterismo, religião confessional). Aqui, em vez do ceptro Washington carrega uma espada apontando para baixo em guisa de Verbo Divino em forma de Língua ou Espada de Fogo como revela o Apocalipse, motivo reforçado pela outra mão cujo indicador aponta um livro aberto, que Pairando entre nuvens luminosas e deuses etéreos vem a ser o Livro da Luz, o Livro dos Arcanos Celestes revelados desde o empório sideral aos heróis da Evolução sob o domo do Capitólio por eles edificado e cuja mensagem última de fazer o bem comum aí se revela no sentido ocultado nas formas artísticas.

Se o domo representa o Céu e o edifício a Terra, a Cripta assinala o Inferno ou Inferius, “Lugar Inferior, Subterrâneo”, na sua relação directa com o Céu trespassando a Face da Terra. Pois bem, directamente sob a cúpula está a cripta do Capitólio em forma circular formada por 40 colunas dóricas que sustentam o andar cimeiro. Vê-se no solo, no centro do círculo de colunas, uma espécie de bússola de bronxe em forma de estrela marcando literalmente o áxis-mundi, o centro geomagnético da cidade de Washington. Também aí está o túmulo de George Washington, no entanto encontrando-se vazio por o corpo estar em Mount Vernon. Isto suscitou igualmente uma interpretação esotérica associando o túmulo vazio ao conceito de Ressurreição e à ideia de Advento, mais uma vez dispondo o primeiro presidente da América como espécie de “Rei Encoberto” que um dia volverá desde o Reino dos Deuses no Seio da Terra, a mesmíssima Agharta, para restaurar os princípios da Concórdia Universal na Humanidade. Trata-se de uma figuração mítica, pois que de maneira alguma George Washington foi o próprio Rei do Mundo ou Melkitsedek mas tão-só e quanto muito um inspirado pelas luzes Daquele, conforme a sua evolução pessoal e educação iniciática.

MEMORIAL LINCOLN, UM OUTRO PARTHENON

O Memorial Lincoln porventura será dos monumentos mais conhecidos de Washington e com certeza desconhecido no sentido profundo dos seus símbolos que o dispõem como equivalente do antigo Parthenon grego tanto nas funções como no significado significado.

Se o Parthenon de Atenas era um templo dórico com elementos arquitectónicos jónicos que abrigou a colossal estátua de Atenea Partenos do escultor Fídias, consagrada entre 439 e 438 a. C., sendo tal deusa o Genius Loci ou “espírito do lugar” dos cultos antropomórficos gregos herdados pelos romanos, este Memorial de Washington segue o traçado da primitiva arquitectura grega com destaque para os estilos dórico e jónico, como quis e conseguiu com êxito o seu arquitecto Henry Bacon, tendo as obras iniciado em 12 de Fevereiro de 1914 até à inauguração em 30 de Maio de 1922 na presença de Robert Todd Lincoln, filho de Abraham Lincoln.

Sendo Atenea Partenos o espírito ou génio assistente e protector de Atenas, aqui a estátua de Lincoln representado sentado em postura hierática à maneira dos antigos imperadores romanos ou dos deuses do Parthenon, exerce função idêntica à daquela antiga deusa, protegendo não só a cidade como todo o país cuja união deve-se à sua política identitária de um só povo e uma só nação, ademais liberta dos grilhões do esclavagismo e das políticas segregacionistas. Neste sentido, pode muito bem afirmar-se que Abraham Lincoln é o Genius Loci de Washington e de todo o EUA.

Memorial Lincoln - 1

Enquanto a fachada do Parthenon era decorada por figuras de deuses e guerreiros da mitologia e história grega, neste Memorial vêem-se no seu friso os nomes dos 36 Estados da União (também representados nas 36 colunas dóricas que suportam o edifício) no momento da morte de Lincoln e as datas em numeração romano da sua entrada na mesma União, estando separados por medalhões de grinalda dupla em baixo-relevo, significando a Vitória que Une, título significativo por ser o mesmo com que os antigos gregos apodavam a própria Atenea Partenos. A cornija é composta de um pergaminho esculpido regularmente intercalado por cabeças salientes de leões ornamentadas com palmas coroando ao longo da borda superior. O pergaminho representa a Declaração de Independência de 4 de Julho de 1776 que marcou o início do país independente sob o Sol da Liberdade representado pelo leão coroado como signo sideral do próprio Astro-Rei bafejando a América, em breve impondo-se como império político-económico sobre as bases ideológicas primitivas que eram inteiramente filosóficos e espirituais em guisa de o destinarem a berço de um novo tipo de civilização mais justa e perfeita para a Humanidade, o que até hoje não conseguiu realizar. Por isso vêem-se no topo do Memorial águias de asas abertas (herança simbólica da águia imperial romana) unidas em guirlanda por fitas e folhas de palmeira, representando o país indivísivel. Toda essa ornamentação é obra do escultor Ernest C. Bairstow.

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Na parede sul do Memorial o pintor Jules Guerin retratou as alegorias da Liberdade, Imortalidade, Justiça e Direito, enquanto na parede norte retratou a Unidade, Fraternidade e Caridade, ambas as cenas contendo um fundo de ciprestes, árvore simbólica da Eternidade. Isto tem levado muito a considerararem que Abraham Lincoln (12.1.1809 – 15.4.1865), 16.º Presidente dos Estados Unidos da América, assassinado tragicamente dispondo-o assim em analogia com o nome da 16.º Arcano do Tarot, A Torre Tombada, como membro da Maçonaria e que aplicou politicamente aqueles mesmos princípios retratados por serem os mesmos da Ordem Maçónica.

Mas Abraham Lincoln nunca foi maçom. É ele mesmo quem o revela a um dos primeiros membros da Loja maçónica de Springfield, cidade natal de Lincoln: “Eu não sou maçom, Dr. Morris, embora nutra um grande respeito pela Instituição”. Quando a Grande Loja de Illinois decidiu apoiar a campanha presidencial de Abraham Lincoln em 1860, ele agradeceu com as seguintes palavras: “Senhores, eu sempre tive um profundo respeito pela Fraternidade Maçónica e de há muito acalento o desejo de tornar-me um membro dela”. Após a morte de Lincoln, o Grão-Mestre da Maçonaria no Distrito de Columbia, o francês Benjamin B., amigo do finado presidente, escreveu ao editor do The Masonic Espátula, que também fora o Grande Secretário da Grande Loja de Illinois, que “ele (Lincoln) uma vez contou-me que respeitava muito a nossa Ordem e ao mesmo tempo formulava em sua mente a admissão nela”, confissão que repetiu ao Vice-Grão-Mestre da Grande Loja de Nova Iorque: “O Presidente Lincoln uma vez disse-me, na presença do Mestre-Maçom o Irmão J. W. Simons, que formulara em sua mente solicitar a admissão na nossa Fraternidade, mas temia não poder atender ao seu dever como um Maçom como gostaria de fazer, e por isso não realizou a sua intenção”.

A enorme estátua em mármore de Abraham Lincoln solitário sentado em contemplação, localizada no hall central entre as câmaras do norte e do sul (simbolizando a união nacional), foi esculpida pela firma Piccirilli Brothers sob a supervisão do escultor Daniel Chester French, levando quatro anos para ser concluída. Sobre ela correm algumas lendas urbanas que apesar de infundamentadas merecem ser contadas pelo seu pitoresco: sendo impossível descortinar ainda assim alguns afirmam que o rosto do general Robert E. Lee foi esculpido na parte de trás da cabeça de Lincoln e olha para o outro lado de Potomac na direcção da sua antigas ca, Arlington House, actualmente dentro dos limites do Cemitério Nacional de Arlington. Outra lenda urbana é a de que Abraham Lincoln esboça com as suas mãos o A e o L, iniciais do seu nome, na linguagem gestual dos surdos-mudos, como homenagem do escultor Daniel Chester French ao presidente por ter assinado a lei federal que dava uma universidade para surdos-mudos com autoridade de conceder graus. Há ainda quem vá mais longe e veja os pressupostos A e L como as iniciais latinas de Alter Lux, “Luz Suprema”, identificando-a às mais fantásticas e fantasistas teorias afins à impuberdade criativa que assim mesmo torna o ser humano criatura singular, tanto quanto este sui generis Memorial Lincoln em presença, conteúdo e significado afim à maravilha antiga que foi o Parthenon.

HISTÓRIA SECRETA DA CASA BRANCA

Quem visita Washington DC certamente já visitou ou passou junto à residência presidencial dos EUA, a famosa Casa Branca (em inglês, Withe House). Nisso não há quem não a conheça, seja presencialmente, seja virtualmente. Já a sua história secreta não é do conhecimento comum, como surgiu e com que finalidade? Terá sido projecto de intenções esotéricas destinado a sede governamental ou cabeça dirigente de uma sociedade utópica, justa e perfeita, que se desejou fundar logo ao início da criação do país mas que por vicissitudes humanas o tempo vem adiando, quiçá, irreversivelmente? Pode-se afirmar que sim, bastando evocar-se a intenção superior moral e racional que esteve na origem deste imóvel.

O local onde a Casa Branca está plantada foi escolhido propositamente pelo arquitecto urbanista Pierre L´Enfant com o auxílio de Goeorge Washington, dizendo-se que ter sido erguido sob uma galeria subterrânea que comunicaria com outras sob a cidade de Washington e se prolongariam pelo território americano, algumas aprofundando o seio da Terra em fundura incalculável. Verdade ou mentira, o facto é que essa galeria subterrânea serviu para a sua transformação em bunker sob a Ala Leste do edifício que o Presidente Franklin Delano Roosevelt (notável franco-maçom do Grau 33.º do Rito Escocês) mandou construir durante a Segunda Guerra Mundial, obra que só terminou em 1946, um ano após o seu falecimento.

casa branca - bunker

O termo Casa Branca é usado como uma metomínia para o Gabinete Executivo do Presidente, apesar do edifício estar pintado de arenito esbranquiçado construído no estilo georgiano característico das grandes mansões coloniais da época da sua construção inspiradas nas casas senhoriais da antiga Roma que por sua vez se inspirou na arquitectura dos templos e palácio da Grécia antiga. George Washington escolheu o arquitecto irlandês James Hoban (County Kilkenney, 1758 – Washington, 8.12.1831) para o projecto de edificação da Casa Branca, a qual começou com a colocação da pedra fundamental em 13 de Outubro de 1792 e ficou concluída em 1 de Novembro de 1800. Desde aí o edíficio recebeu muitos restauros e ampliações e quem o vê de fora não imagina hoje a sua extensão: com três andares (térreo, andar de aparato e segundo andar) possui 132 salas, destacando-se a Sala Azul, a Sala Vermelha, a Sala Verde e a Sala Oval Amarela. Tem 132 quartos e 35 banheiros, havendo 412 portas, 147 janelas, 8 escadas e 3 elevadores. As dependências incluem ainda quadra de ténis, piscina, cinema, pista de corrida e pista de boliche.

James Hoban não era um arquitecto vulgar nem fora escolhido ao acaso por George Washington: era um Mestre Maçom de alto Grau da Maçonaria do Real Arco (onde permaneceu activo até à sua morte), organizador e líder da Federal Lodge N.º 1, motivo porque se apresentou com trajes maçónicos na cerimónia maçónica do lançamento da pedra fundamental ou angular da Casa Branca. Para a construção do edifício contratou mão de obra especializada entre os emigrantes escoceses escolhidos a dedo, tendo sido estes quem ergueram as suas paredes de arenito assim como fizeram as decorações com grinaldas em alto-relevo por cima da entrada Norte e o padrão em “escama de peixe” sob os frontões dos remates das janelas. Neste Pórtico Norte desenvolveu-se uma variação da Ordem Jónica incorporando rosas entre as volutas por cima da entrada. Há nisto um significado só conhecido dos entendidos na Arte Real: a Ordem Jónica, também conhecida por Ordem de Atenas, representa a Sabedoria, que aliada às rosas entalhadas vêm estas a expressar o Amor, sendo que a posição Norte é tracionalmente associada ao Pólo Primordial (magnético) onde os antigos situavam o Paraíso Terreal, a mesma Asgardi ou Agharta dos nórdicos europeus e dos hindus e tibetanos, Reino mítico de felicidade eterna cuja capital identificavam como Walhallah ou Shamballah.

James Hoban - Maçom

Depois do incêndio que devastou este edifício em 1814, o novo arquitecto anglo-americano Benjamin Henry Latrob (1764-1820) procedeu ao restauro respeitando a intenção oculta do seu predecessor James Hoban, tendo chegado a afirmar que “os dias da Grécia podem ser revividos nas terras da América, e Filadélfia se tornará a Atenas do mundo ocidental”. Assim, a sua influente posição direcionou o Neoclassicismo norte-americano para a arquitectura grega, a ponto de toda essa fase ficar conhecida como a Renascença Grega.

Com tudo isso, o sentido oculto da edificação da Casa Branca foi o de prefigurar uma espécie de representação alegórica do Governo Oculto do Mundo ou Grande Fraternidade Branca constituída de Santos e Sábios que desde os alvores da Humanidade dirigem a evolução física e espiritual desta. Será algo assim como o Palácio da Utopia assente sobre profunda caverna de que fala Platão. Só assim se entende a profundidade das palavras de John Adams (1735-1826), o primeiro Presidente americano a residir no edifício (1797-1801), que no segundo dia que passou nele escreveu numa carta à sua esposa Abigail uma oração pela casa: “Rezo ao Céu para conceder a melhor das bênçãos a esta Casa e a todos que a habitarão. Ninguém pode, senão homens honestos e sábios, governar debaixo deste telhado”. Franklin Delano Roosevelt, o Presidente Iniciado, mandou esculpir a bênção de Adams na cornija da lareira da Sala de Jantar de Estado.

MISTÉRIOS OCULTOS DA CATEDRAL NACIONAL DE WASHINGTON

A Catedral de São Pedro e São Paulo, mais conhecida por Catedral Nacional de Washington, é a sede da diocesa da Igreja Episcopal nesta cidade de Washington DC com jurisdição canónica sobre outras regiões da Virgínia e de Maryland. O projecto da sua edificação já aparece no esquisso de Pierre L´Enfant em 1792, reservando nele espaço para “a construção de uma grande igreja com fins nacionais”. Mas só em 6 de Janeiro de 1893 é que os sete bispos principais da Igreja Episcopal em Washington receberam a aprovação do Congresso dos Estados Unidos em carta passada para a edificação da catedral. A construção começou em 29 de Setembro de 1907, quando a primeira pedra foi colocada na presença do Presidente Theodore Roosevelt e de uma multidão de mais de 20.000 pessoas, só terminando 83 anos depois quando a pedra final de remate foi colocada na presença do Presidente George W. Bush, em 1990.

O projecto original deste templo catedralício é da autoria do arquitecto britânico George Frederick Bodley (1827-1907), e por sua morte o seu companheiro também britânico, o arquitecto Henry Vaughan (1845-1917),  prosseguiu a obra seguindo o projecto original. Sendo a sexta maior catedral do mundo feita no modelo neo-gótico inspirado no estilo gótico inglês do final do século XIV, foi feita com calcário branco provindo do Estado de Indiana com a particularidade de não possuir nenhuma armação de ferro sustentando o seu peso. É um monumento religioso único nos Estados Unidos e no mundo, carregando o simbolismo velado que a insere no roteiro esotérico das Catedrais do Santo Graal conforme afirma a Tradição Iniciática das Idades. Resta confirmar tamanha prerrogativa arredando a poluição mental imposta aos seus símbolos fruto da degradação e dessacralização psicossocial, motivo que até levou a postar, após 1980, numa esquina exterior da catedral um busto de pedra de Darth Vader, personagem fictício do filme Guerra das Estrelas. Também por tudo isso esta catedral merece bem o seu nome oculto de Templo da Penitência

Ex Nihilo - Portal Washington

Logo na sua entrada principal repara-se que este não é um templo qualquer. No seu tímpano configura-se a escultura do Ex Nihilo, ou seja, a Criação do Mundo pelas Almas ou Hierarquias Criadoras que Deus enviou à Manifestação a partir do Nihil ou a Substância Informe Universal. Por cima configuram-se rosáceas carregando cruzes, o que evoca a presença Rosacruz cujo misticismo cristão assistiu aos Mestres Construtores desta Sede Prelatícia, dizendo-se que todos eles estariam ligados à Casa dos Moore próxima da família real britânica. O portal de bronze que abre para o interior do templo está decorado com figuras bíblicas do Antigo e Novo Testamentos e é ele mesmo quem deu o nome sacerdotal a este templo, como diz a Tradição Oculta: Capacete de Aço (representativo de Marte ou o Filho corporizado em Cristo) ou Portal de Bronze (representativo desta Catedral Canónica). Este portal transpõe-se após os Passos do Peregrino, nome da longa escadaria de 12 metros de largura. No ponto de interseção do templo, elevando-se 91 metros acima do solo como o ponto mais alto de Washington, tem-se a Gloria in Excelsis Turris (“Glória da Excelsa Torre”) da catedral, assinalando a assunção das almas dos fiéis à absorção no Mundo de Deus.

altar-mor catedral de Washington

 No interior, parece vogar-se num templo medieval evocativo das maravilhas góticas dos tempos de outrora, mas aqui pretendendo-se que seja um novo Templo de Salomão com matérias extraídas do mesmo lugar donde se extraíram as pedras para construir o primitivo. Com efeito, o altar-mor desta catedral tem o nome significativo de Altar de Jerusalém e é feito com pedras extraídas da Pedreira de Salomão, próxima de Jerusalém, trazidas para aqui. No solo defronte ao altar-mor dispõem-se dez pedras trazidas da Capela de Moisés no Monte Sinai, na Terra Santa, representando os Dez Mandamentos que se vêem num vitral próximo representando Moisés com as Tábuas da Lei ladeado por um faraó e um sacerdote egípcios com o “Olho Alado de Horus” (que na teologia cristã equivale ao Filho) em baixo, representando assim a transmissão da Tradição Primordial do Antigo Egipto à primitiva Israel, tema de Êxodo igualmente afim à ideia de translatio imperii. O belíssimo púlpito e o trono do bispo, a cathedra, foram esculpidos com pedras trazidas para aqui desde a Inglaterra, da Catedral de Canterbury e da Abadia de Glastonbury, esta de quem o mito arturiano medieval diz ter estado nela o Santo Graal vindo de Jerusalém para a Grã-Bretanha, no seu périplo pela Europa. O Graal é a Taça Sagrada com que Cristo celebrou a Última Ceia e verteu o seu Sangue Real na Tragédia do Gólgota, recolhido por José de Arimateia que foi quem carregou o objecto sagrado para a Europa, diz o mito sagrado. O facto significativo é que o Graal aparece aqui num vitral retratando José de Arimateia e a deposição do corpo de Jesus Cristo na cripta.

Capela de José de Arimateia - Washington

No centro do cruzeiro da planta do templo defronte ao altar-mor, dentro de um hexágono em ladrilhos tem-se no solo uma enorme Cruz de Cristo (idêntica à da Ordem de Cristo portuguesa) ladeada nos cantos cardeais por outras quatro da mesma feição, a qual nos fins da Idade Média possuía o sentido de Cruz Primacial e era a mais milagrosa de todas. Além dela, também aparece repetidamente a Coroa Real atravessada pela Cruz ou por instrumentos de Arquitecto, o que transposta para os símbolos da Arte Real ou Maçonaria, tanto mais que a Coroa e a Cruz são no sistema dos Altos Graus do Rito de York, chamado de Real Arco, o símbolo da Maçonaria Templária ligada à Ordem da Cruz Vermelha. Também nisto há proximidade à Tradição Iniciática dos Iluminados ou Superiores Incógnitos da verdadeira Ordem Rosacruz que igualmente encaminharam a Maçonaria Especulativa nos seus primórdios. Tais Adeptos Reais ou Mestres de Sabedoria guias ocultos da Humanidade nada têm de tenebroso e diabólico, eles constituem-se em Grande Loja Oculta ou Excelsa Fraternidade Branca que, diz a Tradição, circulam subterraneamente sob a cripta desta catedral entre ela e o Parque Nacional de El Moro, em Cimarron no Novo México, onde também se diz que possuíam Retiro Privado ocultado sob a aparência de uma exploração rural agropecuária. São histórias que se contam à boca pequena por certo difíceis de serem provadas, mas ainda mais certo aumentado a maravilha e insólito deste templo singular.

São Paulo e o Real Arco - Washington

Esta Catedral Nacional de Washington não deixou de ser construída com algumas «falhas» intencionais, de acordo com a tradição medieval dos monges construtores que procuraram ilustrar só Deus ser perfeito nas Suas obras. Tais «falhas» vêem-se na forma de assimetrias intencionais de maneira a provocar distorções visuais, como se repara no corredor principal da catedral no ponto onde se encontra com a secção transversal estando um pouco ddesviado do seu eixo, de maneira que uma pessoa que olhe directamente para o corredor experimente uma ligeira distorção visual tornando o edifício mais curto do que é.

Como último apontamento insólito, dentre os seus 200 vitrais, a maioria recentes, sobressai aquele que retrata a chegada do homem à Lua tendo incrostada no seu centro uma pequena pedra trazida daí para a Terra. Tudo isso misturado com as cenas principais da história de Cristo, dos Apóstolos e de alguns Presidentes mais importantes dos EUA. É realmente um esforço quase titânico conseguir separar hoje neste espaço devocional os símbolos sagrados da Tradição das especulações da poluição profana. Acreditamos que aqui conseguimos, restando o convite à visita demorada a esta Mansão Divina de Washington que tem tanto para mostrar e talvez revelar “a quem tenha olhos de ver”.

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