agnusdei[2]

À semelhança do que acontece com as fases da Lua, a sucessão das estações do ano demarca e influencia de uma forma muito nítida o ritmo da vida, isto é, as etapas de um ciclo de desenvolvimento, e que são como é sabido: o nascimento, a juventude, a maturidade e a velhice. Este ciclo aplica-se não só aos seres humanos mas também às sociedades e às civilizações. A sucessão das estações ilustra igualmente o mito do eterno retorno, simbolizando a alternância cíclica e o perpétuo recomeço.

Quando a 20/21 de Março de cada ano o Sol retorno ao signo do Carneiro, primeiro signo do Zodíaco, inicia-se um novo ano astronómico e esse início assinala o começo da Primavera! Para trás ficou o signo de Peixes, décimo segundo e último do Zodíaco, e com ele a última fase do Inverno.

O signo do Carneiro significa, portanto, a ressurreição do ano e a aurora de um novo ciclo, o ciclo primaveril. Esse momento particular e à semelhança do alvorecer do dia, caracteriza-se pela ascensão e vitória do calor e da luz do Sol. É o jorrar das forças brutas da vida terrestre! As sementes rebentam e soerguem-se da terra atravessando a sua capa protectora. Os animais reproduzem-se, um sangue novo anima as criaturas em pleno processo de oxigenação e oxidação, e a Natureza é palco de um despertar e de uma movimentação geral de todas as formas vivas em evolução, sob o impulso expansivo do Fogo Original.

Nos Vedas, o Carneiro está associado a Agni, o regente do Fogo, e na Yoga Tântrica ao Chakra Manipura e o Plexo Solar, que também corresponde ao elemento Fogo e tem igualmente por símbolo um Carneiro ou Agnus.

Manipura

Signo positivo e masculino por excelência, Áries ou o Carneiro simboliza acima de tudo a virilidade, a energia, a independência e a coragem, qualidades estas que caracterizam o irromper da Primavera.

Todas as antigas religiões comemoravam de uma forma festiva o início da Primavera, tendo o Legislador ou Manu Ram instituído a 21 de Março do ano 1345 a. C. a Festa do Ano Novo. Os druidas, para quem o Sol era visto como a manifestação de um mistério maior, o Sol Espiritual, comemoravam o Equinócio da Primavera dividindo a cerimónia em três partes: a Vigília da Meia-Noite, Ritual da Alvorada e Ritual do Meio-Dia. O Ritual da Alvorada era o mais importante, já que ele representava a iluminação depois da alvorada da percepção.

No Antigo Egipto, as cerimónias e os rituais destinados a efectuar iniciações decorriam sobretudo nos alvores da Primavera, já que se pretendia simbolicamente sublinhar a analogia existente entre a morte do Inverno e o nascimento da Primavera, por um lado, e por outro a morte iniciática do candidato aos Mistérios, com o subsequente renascimento para a vida nova que a Iniciação prefigurava.

Actualmente e de uma forma simbólica, pode dizer-se que a Humanidade atravessa ainda o Inverno da sua existência, já que na sua generalidade o ser humano é espiritualmente inculto e depara-se, a cada passo, com enigmas para os quais procura soluções não raro mais ou menos fantasiosas.

Infelizmente, o estudo do Espírito ainda não atingiu o grau de ciência real e a independência desejável, se bem que seja não só o ramo mais elevado do Conhecimento Humano como ainda o mais importante e o mais interessante. Só quando as ciências e as artes se reunirem de novo, sob a visão alargada do investigador, estarão criadas as condições para que o estudo da verdadeira Vida, que transcende e ultrapassa tudo o que os nossos sentidos físicos conseguem apreender, só nessa altura, díziamos, estarão criadas as condições para que esse estudo se transforme numa verdadeira Ciência, capaz de lever de vencida a ignorância invernosa e possibilitando o nascimento primaveril do Homem Novo.

Mas para isso é preciso vencer a inércia espiritual a que rotineiramente nos remetemos. É necessário dirigir a atenção para os hábitos quotidianos e corrigi-los, despertar novos e mais importantes centros de interesse em sintonia com os objectivos da existência e que são: aumentar a experiência e crescer em sabedoria.

O pensamento deverá ser dirigido para a origem das coisas, o que não é fácil, porque a confiança está sufocada e o cepticismo e o descrédito abundam provocando a inacção.

Só a capacidade do discernimento permite distinguir as vantagens da acção. O investigador dos mistérios do Espírito não precisa de aparelhos porque conduz dentro de si a centelha do Conhecimento e a vontade de chegar ao fim.

Aproveitando-a bem, essa pequena centelha poderá a curto prazo transformar-se num foco irradiante de maravilhosa Luz espiritual, despertando a atenção dos Mestres que amorosamente velam pela evolução da Humanidade e servindo de farol para que todos os seus irmãos que, à face da Terra, como ele trilham o difícil mas sublime caminho da superior realização espiritual.

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Que o Novo Ano astrológico que ora se inicia possa assinalar uma nova etapa no progresso espiritual de cada um de nós ao serviço do nosso Mestre Interno, ao serviço da Hierarquia dos Mestres que dedicadamente velam pela nossa evolução, e ao serviço da Humanidade, nossa irmã, em evolução à superfície da Terra e que aqui luta, sofre e quantas vezes desespera, ainda inconsciente da Nova Terra e do Novo Céu que brevemente a todos estarão reservados, já que o inverno da dúvida, do erro e da ignorância serão, como acreditamos e embora com alguma dor, no Futuro próximo erradicados da face do nosso planeta.

Que a PAZ, a LUZ e o AMOR de CRISTO estejam connosco e com tudo quanto vive.

BIJAM

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