La_Palud-Ste-Marie-Madeleine[1]

Sintra, 20.3.2005

Se há “calcanhar de Aquiles” no corpus teológico da Igreja Católica, ele só poderá   chamar-se Maria Madalena. É a personagem mais controversa do santoral cristão e o que foi e originou é algo, repito o que venho dizendo há tantos anos, capaz de abalar e derruir essa mesma Igreja pelos seus alicerces. Por isso a temem, e temem-na por ser a própria expressão hagiográfica e iconográfica da tão propalada como mal-entendida “Linhagem Sagrada do Santo Graal”, ademais e também representação da Apóstola dos Apostólos canonicamente investida, da Hierofantisa em que se retêm os Mistérios do Cristo, por um lado, e por outro do laico espírito livre da Mulher, estando tudo isso reunido na sua pessoa expressiva do “Eterno Feminino” junto ao Homem como expressão directa, pentecostal ou revelada do Espírito Santo, que é Sabedoria, Amor e Iluminação. Estes predicados contêm-se em Maria Madalena, a Santa Mulher pervertida “santa prostituta”, mesmo que “arrependida” ainda assim ostracizada, pela própria Igreja de Roma, avessa à do Amor ou Livre, esta que teve a sua maior expressão em Portugal e a quem o Real Convento de Mafra, enttre os séculos XVIII e XIX, serviu de abrigo seguro aos seus mais insignes pensadores e místicos do tempo, Casa de Deus, Domus Dei levantada à imagem e semelhança do primitivo Templo de Salomão mas aqui destinado à Parúsia Universal, ao tempo do Advento de uma Nova Idade que se quer V Império do Espírito Santo, unindo a “Velha Lusitânia” à “Nova Lusitânia”, no dizer de Pedro de Mariz, ou seja o Brasil.

Servindo de pretexto um certo Código de Da Vinci, sucesso literário com vários milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, romance ou “novela de cordel” que desaprecio sobretudo por ser decalcado de outras obras muitíssimo mais sérias e criteriosas que o seu autor não cita mas plagia e perverte ao sabor da aventura novelesca, mas que também aprecio quando obriga a Igreja a repensar Maria Madalena, como pressuposta esposa do próprio Jesus e já dita Apóstola dos Apóstolos (esta tradição é corrente no meio sinagogal de Jerusalém, e por isso o dito autor não fez senão “descobrir a pólvora”, antes, a “galinha dos ovos de ouro”, que, contudo e sem o saber, favorece a Tradição Iniciática e o Portugal Hermético, direi assim), dizia, servindo esse livro de pretexto acabo de presenciar, nesta data de 20.3.2005, na televisão um concilium inquisitorium reunido em mesa censória de dignitários da Igreja romana discutindo e censurando essa obra à porta fechada na… Biblioteca do Real Convento de Mafra. Chama-se a isso “atacar o ‘Mal’ na fonte”; chama-se a isso “descaramento não disfarçado”, mas também e sobretudo… medo! Sim, o velho medo que Maria Madalena inculca na consciência de Roma, a “babilónia do Ocidente” ameaçada de morte – mercê dos seus crimes de prostituição, homossexualidade e pedofília  que têm pervertido o sacerdócio de alter Christus em  inferius satanicus – pela “Senhora cheia de Graça” (Repanse de Schoye).

Não comentarei os queixumes (injustos…) desses pobres vigários apontando a sua “Igreja como eterna perseguida”, e que os “maiores malfeitores foram sempre os Magos, como já as próprias Escrituras se queixam”. Mas, a ir-se por aí, terei a replicar que foram os Magos Reis, isto é, Adeptos da Magia Real, os primeiros a adorar e proteger o Menino-Deus, como descreve o próprio Apóstolo Lucas!.. Mas logo os ilustres vigários, em alta berraria mal disfarçando o “amargo de boca” e nada disfarçando o descontrole emocional, reiteraram “perdoar aos ofensores”, porque, aumentando mais ainda a berraria, a “Igreja é toda Amor”… Pois sim, quão amorosa foi a sua “Santa” Inquisição cujos actos caridosos enviaram milhares de desgraçados e desgraçadas para os “anjinhos” através da tortura e da fogueira, a maioria só por pensar diferente do Eclesiástico possuído da eterna mania de ser “dono da verdade absoluta e só a verdade absoluta ser ele e o que resta, se resta, não passar de quimera e paganismo pecador onde se incluem todas as demais religiões tradicionais e correntes de Tradição”, vício secular nascido da arte e manha de conseguir conseguir apropriar-se de políticas estatais e respectivos governos, por vias de conflitos armados e conspirações sombrias, até ela mesma tornar-se “religião de Estado”, com uma catequese a mais filodoxa ou incoerente possível, inclusive no aspecto humanitário extensivo ao político-social. Tampouco comentarei os ainda presentes “autos-de-fé” de recambiar para o “Índex” proibitivo quantas obras artístico-culturais pareça ameaçar a catequese da sua teologia. Poderia citar vários exemplos recentes, não só com esse livro mas também com outros, não esquecendo filmes, pinturas, esculturas e músicas. Mas não o farei, ainda que, a despeito de tudo, esse concilium inquisitorium tenha se reunido sobre o “sol dourado” da Razão no solo literário da maior Biblioteca do Mundo de livros proibidos, declaradamente ocultistas ou hermetistas, dos primeiros séculos do Pensamento greco-romano ao Iluminismo europeu do século XVIII. Muitas dessas obras descrevem a saga de Santa Maria Madalena ao Ocidente, e vários dos altares laterais do Templo igualmente o fazem. Por isso chamei não anacronismo mas intenção não disfarçada de “atacar o ‘Mal’ no seu reduto ou fonte”, nesta Casa não por poucos eclesiásticos considerada “igreja de sarracenos”, isto é, de hereges, sim, por ser Domus Dei Fidelis ou IGREJA DOS FIÉIS DE AMOR plantada à beira da Montanha Sagrada de SINTRA… onde tudo começou e onde tudo haverá de desfechar, para Maior Glória do Género Humano.

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Resta-me esperar para ver o efeito do que, em termos ocultistas, se chama “choque de retorno”, pois que esses senhores ao plantarem-se sobre o Sol do Esclarecimento tomando atitude absolutamente contrária – medievalista e reaccionária crendo que ainda estão no período do Estado Novo quando a Igreja romana dominava tudo e todos por só ela ser a única e exclusiva detentora da verdade a que ninguém mais tinha direito, e se algum direito sobrava para quem se revoltava contra esse estado de coisas, era o de ser “graciosamente” recambiado para alguma prisão política por ordem do Clero junto do Governo de Salazar e de Caetano – encadearam-se psicomentalmente ao “Cone da Lua”, à “Zero Dimensão” ou o “Baixo Astral” que é o “Inferno” teológico, atraindo o contrário ou a sombra funesta de MAFRA que é RAFAK (ARFAK), aquela para a IGREJA DO AMOR, a Grande Loja Branca, esta para a IGREJA DA MORTE, que tanto vale por Grande Loja Negra.

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Não resta dúvida que a mentalidade eclesiástica mantém-se igual a si mesma através dos séculos, medievalista e não progressista, hoje mais do que nunca temerosa quanto ao futuro do seu império temporal. de domínio das riquezas e das almas. Aparte o povo inculto de fé cega, não esclarecida, simples mas sincero na sua ingenuidade que perfaz o número maior do séquito da Igreja que, como Estado soberano, o Vaticano, necessariamente defende os seus próprios interesses temporais, mantendo catequese afim em todas as partes do mundo onde esteja, todos sabem que a escritura dos evangelhos canónicos é muito posterior ao período da vida de Jesus tendo sido realizada por via dos discípulos de S. Paulo, que não conheceu o Senhor pessoalmente, logo, são coevos da maioria dos evangelhos ditos gnósticos, depois heréticos e apócrifos.

Com efeito, os títulos dos evangelhos não provêm dos evangelistas, porque antigamente não se costumava exornar as obras históricas com os nomes dos autores; remontam, todavia, aos tempos dos Padres Apostólicos, e tanto assim que já os conhecia o autor do Fragmento Muratoriano (2.º século), bem como Santo Irineu (+ 202) e Clemente de Alexandria (+ 217). Os três primeiros evangelhos, ainda que literariamente autónomos e independentes, por apresentarem concordância no conteúdo e exposição, foram recebidos no cânone do Novo Testamento com um quarto evangelho, o de S. João, posterior. No intuito de pôr em relevo essa concordância, traçou-se um paralelo sistemático entre os três primeiros textos evangélicos dando em resultado uma interessante sinopse. Daí, vieram a chamar-se esses escritos de “evangelhos sinópticos”, e os seus autores, “os sinópticos”.

Os evangelhos gnósticos faziam parte da mesma corrente de tradição que os sinópticos, estes, mesmo assim, só aceitos oficialmente no século IV, quando do Concílio de Niceia, que afirmou decisivamente a Igreja como uma “religião de Estado” com sede definitiva em Roma, ou seja, quando Silvestre e Constantino firmaram a união entre o Papa e César e a corrente Gnóstica passou a ser marginalizada pelo novo cânone, quando não perseguida de maneira implacável. Esse foi um contrassenso total, visto a corrente Gnóstica, que quer dizer Sabedoria Perfeita, tanto valendo por Teosofia, ser a postulada por Jesus Cristo que a ensinou aos Apóstolos, a qual havia recebido dos Essénios agregados em comunidades religiosas, autónomas do poder estatal de Jerusalém, instaladas ao longo das margens do Mar Morto, cuja fundação histórica atribui-se a Zadock, 1.º Grão-Sacerdote do Templo de Salomão, junto dos quais Jesus terá aprendido as primeiras letras sacras. Por sua parte, a corrente Essénia deu os primeiros eruditos cristãos que, depois e por influência grega aliada à Mística judaica, seriam chamados Gnósticos ou Perfeitos, como os consignam vários Padres Apostólicos nas suas cartas epistolares às diversas igrejas locais (Santo Irineu, São Clemente de Alexandria, São Timóteo e ainda Jâmblico, dentre outros).

Havia, pois, um conhecimento público ou popular (catequese e confissão dos simples) e uma sabedoria reservada ou restrita (teologia e perfeição dos sábios) para se entender e promulgar o Cristianismo. Isso mesmo é explícito e claro nos evangelhos sinópticos: “E quando se achou só, os que estavam junto dele com os doze apóstolos o interrogaram acerca do sentido desta parábola. Ele disse-lhes: A vós é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas, para os que estão de fora, todas estas coisas se dizem por parábolas”. E mais adiante: “Assim, lhes anunciava a Palavra por muitas parábolas semelhantes, conforme os que eram capazes de o ouvir. Ele não lhes falava senão por parábolas, mas quando estava em particular explicava tudo aos seus discípulos” (Marc. IV, 10, 11, 33, 34; Mat. XIV, 11, 34, 36; Luc. VIII, 10). E mesmo com os discípulos mostrava a reserva que, como se verá adiante, não tinha com Maria Madalena: “Muitas coisas tinha ainda que vos dizer, mas estão muito acima do vosso alcance” (Jo. XVI, 12).

Orígenes viria a servir-se dessas palavras para fazer alusão ao ensinamento secreto mantido pela Igreja, ou seja, a Gnose. S. Clemente de Alexandria declara que a Gnose “comunicada e revelada pelo Filho de Deus é a Sabedoria… Ora, a Gnose é um depósito que chegou a alguns homens por transmissão: ela tinha sido comunicada oralmente pelos Apóstolos” (Stromata I, VI, cap. VII). E adianta: “O homem familiarizado com todos os géneros de Sabedoria será o Gnóstico por excelência” (Stromata I, VI, cap. XIII), rematando: “O Apóstolo, distinguindo a fé ordinária da Perfeição gnóstica, chama à primeira a fundação e, às vezes, o leite” (Stromata I, XII, cap. IV).

Consequentemente, como os quatro evangelhos sinópticos fazem parte de inúmeros outros remetidos à heresia, verifica-se haver inúmeros “hiatos” nas suas narrativas os quais só encontram comutação nos textos dos vários postos à margem. Trata-se de algo assim como um “puzzle” completo a quem retiraram várias peças, com o resultado de ficarem decididamente incoerentes.

Mesmo assim, a Igreja faz celebração do que não vem em parte alguma dos “evangelhos canónicos” e só exclusivamente nos “evangelhos apócrifos”, mais precisamente no Protoevangelho de Santiago, texto adaptado e resumido no escrito do século IX, e no Livro da Natividade de Maria: a Assunção da Virgem Maria.

Com efeito, se são numerosos os textos apócrifos que ressaltam a personalidade de Maria como mãe do Menino Jesus – e com um grau de protagonismo muito maior que nos evangelhos canónicos – são ainda mais numerosos os que incidem nesse acontecimento que o Novo Testamento nem sequer menciona, ou seja, o Trânsito ou Dormição da Virgem, a sua morte e a sua proclamada Assunção à Glória em corpo mortal, para que ele não padecesse a decomposição ou corrupção corporal igual a outros humanos defuntos, que assim não alhearia a santidade do pecado mortal. Isto vale pelo Mistério da Transubstanciação da Carne em Espírito, a desintegração molecular pura e simples como efeito da antimatéria sobre a matéria, algo assim como um “Sol Negro” engolir um “Sol Branco” e respectivo Sistema.

Detenhamo-nos um instante sobre a palavra Assunção, que parece definir de modo ortodoxo o que, nos outros escritos, aparece mencionado como Adormecimento, Dormição ou Trânsito da Virgem e que se diferencia essencialmente da Ascensãocom que se define a subida do Filho aos Céus. Quando é mencionada nos primeiros tempos, muito especialmente nas cópias que se conservaram desses apócrifos assuncionistas, a palavra aparece escrita uma vezes como Adsuntio Sanctae Mariae(in Codex Silensis Secundus), e outras vezes como Assumptio Sanctae Mariae. Curiosamente, em latim não existe nenhuma destas acepções com o sentido que a ortodoxia quis-lhe dar. Adsuntio não é mais que um arcaísmo de Assumptio e esta palavra tem significados distintos, a maioria deles cultos e próprios da expressão filosófica e, sobretudo, da lógica, como antecedente de um silogismo. Em linguagem processual, expressa a acção de apropriar-se de algo ou de usurpar uma função, ou seja, algo assim como um equivalente jurídico do termo assumir (ou, excepcionalmente, assunção, tal como se emprega ainda hoje, apesar de muito raramente). Unicamente os autores eclesiásticos, tendo à sua dianteira S. Jerónimo, foram quem associaram esse termo ao sentido que actualmente se lhe dá na Igreja, como próprio da subida ao Céu da Virgem Maria.

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Essa usurpação indesmentível dos textos apócrifos e consequente fantasia do Mistério da Transubstanciação, de maneira a melhor encantar as massas populares, eternas devoradoras de estórias sobrenaturais que por serem mistério descarecem de explicação ficando-se pelo deleite lúdico, mas não nos esquecendo que só no século V, no Concílio de Maçom, Maria foi reconhecida “Mãe de Deus” e a Mulher, por consequência, então ganhou o direito efectivo “a ter alma”, dizia, essa usurpação e deturpação do Mistério acabou, segundo entendo, por retirar a assunção ou direcção da Ala Feminina da Igreja ou Asembleia a Maria, consorte de Cristo Deus, Mater Dei desde logo Theotokos ou Christotókos – o “Verbo testemunho de Cristo” –, função que assume com a descida do Espírito Santo como Fogo, acto do Pentecostes. Ele que antes descera sobre o Pantocrator mergulhado na Água baptismal. Fogo e Água, ambos Baptismos – Sacramentos de Espírito Santo – cujo encontro ou fusão ir-se-á fazer pela Consorte de Cristo Homem: Maria Madalena, “porta-voz” de Maria a Mãe, consequentemente, bem merecendo o título de Odighitria, “Aquela que indica o Caminho” às “mulheres de Jerusalém”, início do Marialis Cultus.

Poderá se objectar: como poderia ser Maria Madalena personagem tão distinta se não passava de uma prostituta que se arrependeu diante do Salvador, ungindo os seus pés com bálsamo e secando-os com os cabelos, portanto, uma mulher ordinária, vulgar? Ainda hoje se diz, na vox populi, “chorar como uma Madalena arrependida”…

Poderei opor: em nenhuma parte dos evangelhos se escreve que Maria Madalena fosse prostituta. S. Gregório I, o Magno (c. 540 – 12.3.604), na sua compilação dos Sete Pecados Capitais, feita a partir das oito tentações descritas pelo monge Euagrios Pontikos dois séculos antes, e a Igreja Latina, que a celebra a 22 de Julho, é que a identificaram à pecadora anónima de S. Lucas (VII, 36-50) e a Maria de Betânia, irmã de Marta e de Lázaro. Um capítulo antes de falar de Madalena ou Magdala (cidade da Galileia), Lucas alude a uma mulher que ungiu a Jesus. No evangelho de Marcos há uma unção parecida por parte de uma mulher cujo nome não se indica. Nem Lucas nem Marcos identificam explicitamente essa mulher como sendo Maria Madalena. Porém, Lucas diz tratar-se de uma “mulher caída”, de uma “pecadora”. Comentadores e exegetas posteriores supuseram que fosse Madalena, dado que, segundo parece, tendo saído dela “sete demónios” (no texto grego: “sete génios, sete forças”, algo assim como os sete atributos da Energia Criadora latente no Homem a que os hindus chamam Kundalini) só poderia ser uma pecadora. Baseando-se nisso, a mulher que unge a Jesus e a Madalena foram consideradas a mesma pessoa. Na realidade, é possível que a fossem. Se Maria Madalena tinha a ver com um culto pagão, marginal ao dos fariseus e saduceus da capital Jerusalém onde estava o grande Templo, possivelmente essénio já na época ostracizado, certamente por isso haveriam de convertê-la numa “pecadora” aos olhos não só de Lucas, mas também dos autores posteriores.

A verdade é que as crenças essénias andavam próximas das fenícias no tocante à astrolatria e, ao tempo de Jesus, os cananeus davam o nome da deusa fenícia Astarte às prostitutas e às hereges, estas as mulheres contestadoras do ministério oficial exercido pelos levitas junto do povo. Recebiam o dito epíteto ou um outro por quem também se conhece Astarte: Astoreth, feminino de Astaroth, o “deus da perdição”, na realidade, o Deus da Inteligência, das “diáblicas interjeições mentais” que obrigam à Pureza e à Inteligência, ou seja, à posse efectiva da Gnose.

Se Madalena era uma pecadora, está muito claro que também era algo mais que a prostituta vulgar da tradição popular. Salta à vista que era uma mulher de bens. Diz Lucas, por exemplo, que entre as suas amizades se contava a esposa de um alto dignitário da corte de Herodes e que ambas as mulheres, juntas com várias outras, utilizavam os seus recursos económicos para apoiar Jesus e os seus discípulos. Também a mulher que ungiu a Jesus era pessoa de posses. No evangelho de Marcos insiste-se que o unguento aromático que ela utilizou no ritual era muito caro.

Madalena, por vezes a “mulher anónima”, é quem acompanha Jesus na Morte e quem testemunha a sua Ressurreição. Na função de ungir com ricos e raros óleos ao Salvador, de todos a única com autoridade para isso, e sendo esse um Rito de Passagem, então ela faz papel psicopompo, o que testemunha a sua presença na Morte e Ressurreição. É, pois, a Odighitria, função que prossegue após a Ascensão de Cristo aos Céus, instruindo os Apóstolos nos mistérios da doutrina que o Senhor confiara só a ela e a João. Ademais, a unção era a prerrogativa tradicional dos reis sagrados por ela, neste caso, a do Messias legítimo, ou seja, do Ungido, palavra esta que traduzida do grego, dá exactamente Cristo (Kristós e Christus, em grego e latim). Disto se depreende que Jesus se converteu num Messias autêntico em virtude da sua unção. E a mulher que o consagra em tão augusto papel impossivelmente poderá ser insignificante. Tanto mais que seria associada à Torre da Fé como coluna ou suporte da acção pastoral sobretudo no Ocidente europeu, onde o sobrenome da sua origem galileia, Magdala, foi associado ao diminutivo hebraico Migdal, significando precisamente Torre.

Em todo o caso, fica claro que Madalena, até ao final do ministério de Jesus, era figura de grande importância. Nos três evangelhos sinópticos o seu nome encabeça constantemente as listas de mulheres que seguiram Jesus, do mesmo modo que Simão Pedro encabeça as listas dos discípulos masculinos. Isso tem a ver com as duas Alas do primitivo Movimento encetado por Jesus Cristo, assim dispostas:

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Se fosse hoje, a essas Alas se chamaria a das Filhas de Allamirah e a dos Filhos de Akbel, segunda a estrutura interna da Ordem do Santo Graal, que se interiorizou ou ocultou e ficou só a Igreja de Roma, com a secularização desta e a sua cada vez mais notória queda espiritual e consequentemente psicossocial.

Esse binómio também explica o “antagonismo de Pedro em relação a Madalena”, se alguma vez o houve, e igualmente o facto de Madalena ser confundida com João, o “discípulo amado”.

Denota-se ao longo dos evangelhos sinópticos que Jesus instrui e ama Madalena como se sua esposa fosse, porque “Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será retirada” (Luc. 10, 38-42). O mesmo encontra-se na Pistis Sophia, a “bíblia” gnóstica, mas de maneira mais frisante: “Sucedeu, quando Jesus acabou de falar aos seus discípulos, que Maria Madalena se adiantou e beijando-lhe os pés disse: `Meu Senhor, tem paciência comigo e não te aborreças se te interrogo. Mostra-nos a tua misericórdia, meu Senhor, e revela-nos todas as coisas que te perguntamos´.” (Livro II, cap. 98). “Quando Maria Madalena disse isto, Salomé aproximou-se de Maria e abraçou-a de novo, dizendo-lhe: `O Salvador tem a faculdade de fazer-me entender, como faz contigo´. E aconteceu que, quando o Salvador escutou as palavras de Maria, lhe chamou Imensamente Bendita.” (Livro II, cap. 132).

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Tudo quanto expus até aqui e o mais que se seguirá, desmente cabalmente os doutos vigários do concilium inquisitorium na noite soturna de Mafra, quanto a afirmarem que os “hereges” acaso discordarão dos factos apresentados pela Igreja mas sem nunca contestarem as palavras dos evangelhos. Ora, em abono da verdade, declaro que o “herege” escritor destas linhas contesta tanto os factos como as palavras. Estas deturpadas do seu sentido original em centenas de traduções e interpretações que se têm feito da Bíblia, começadas com a transposição do aramaico ao grego e daqui, por S. Jerónimo, à vulgata latina, até chegar à versão autorizada do rei Jaime I de Inglaterra, de 1611, que é a utilizada actualmente pela maioria, senão a totalidade, dos movimentos evangélicos carismáticos, a qual foi o ponto de partida para cada país fazer a tradução bíblica na sua língua respectiva.

Além da última citação feita a Lucas, há vários outros indícios claros apontando Myriam Ben Magdala como esposa do homem Jesus, Jeoshua Ben Pandira, levando em conta que as Bodas de Caná poderão ter sido as suas, e o versículo 61 do evangelho de S. Tomé: “Disse Maria: Quem és tu, ó Homem? Como saído de Um só? Tu que usavas a minha cama e comias à minha mesa?”. Ou então as palavras flagrantes do evangelho de S. Filipe, 63:31: “E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Cristo a amava mais que a todos os discípulos e beijavam-se na [boca]constantemente. O restante dos discípulos se ofendia com isso e manifestava desaprovação. Diziam-lhe: `Porque a amas mais que a nós outros?´ O Senhor replicava-lhes dizendo: `Porque não vos amo a vós como a ela?’” Também na Imitação de Cristo, de Tomás de Kêmpis (1379-1471), há algo parecendo indicar o autor conhecedor deste mistério ocultado pela própria Igreja, quando diz no Livro Segundo, VIII – A amizade familiar com Jesus: “Não vês como se levantou logo Madalena do lugar em que chorava, quando Marta lhe disse: `O Mestre está aqui e chama-te?’”  Nos vectores pictórico e escultórico, há uma significativa pintura vitral, datada de 1906, de Stephene Adams, na igreja de Kilmore, na Escócia, onde se vê Jesus e Madalena de mãos dadas como esposais enamorados.

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Há ainda aquele trecho do Livro dos Evangelhos depositado em Biblioteca Jina (Secção VII – Códice VIII) que relata as palavras de Jeoshua à “mulher adúltera” (inteiramente ignoradas pela Igreja):

“Retira o punhal que atravessa o teu coração, mulher arrependida. Tu estás salva, porque acreditaste em Mim, nas minhas Palavras que, em verdade, são de meu Pai. Não há pecado que não se apague com a esponja do arrependimento e da razão. Em verdade, em verdade te digo, mulher de Cafarnaum! Que teu coração está dentro do Meu, estando dentro do de meu Pai. Nada digas a ninguém. Caminha sem olhar para trás. E vive feliz com a tua consciência. Se ainda o amor quiser tomar posse de ti, busca um filho, seja teu ou de outra, mas cuida dele, como se fora o teu próprio arrependimento, o teu próprio coração.”

Maria Madalena, na interpretação mística, revela-se a Alma. Nesta é que se processa toda a evolução, pois o Espírito é alimentado por ela e o Corpo a ela suporta. Sendo Alma, participa da natureza espiritual (esposa, esposal) e da natureza material (prostituta, antes, prostituída). A Igreja preferiu esta última, mesmo sabendo-a falsa. Tornou Madalena referência exclusiva da mulher perdida que se reacha no arrependimento e salvação na Igreja. Com isso, o Direito Canónico da Igreja Latina impôs o celibato sacerdotal a partir de 1123 (propagado devido à posterior campanha celibatária de Tomás de Aquino (1225-1274), talvez para castrar os insaciáveis apetites sexuais dos ministros da sua Igreja, do pároco ao bispo), argumentando com a pior e mais literal interpretação do espírito ortodoxo judaizante referente à mulher promanado em algumas epístolas de S. Paulo, assim  reduzida à condição servil da Igreja por incondição varonil do seu ministério. Por este motivo medievalista descontextualizado do Cristianismo original, é que os nossos santos padres da mesa censória mafrense em breve saltaram do livro maldito para o maldito preservativo… por o sexo ser coisa impura e diabólica. Pois seja, mas então eles terão nascido da impureza diabólica, ou não teriam almas reveladas tão polutas com tudo isso renegando e até amaldiçoando, mesmo que indirectamente, em primeiro lugar aos próprios progenitores.

A tudo o dito se liga a pressuposta Linhagem Secreta de Jesus-Madalena e de sua suposta filha Sara Magdala, a “Negra”, antes, a “Morena”, como fui o primeiro a revelar nos anos 70-80 do século passado e aqui repito, a qual na Idade Média seria correlacionada à mítica fada-sereia Melusina de um nobiliárquico conto encantado, a qual também se chamou Lusina e foi geradora sobrenatural da Linhagem Lusignan, esta que parece ter andado de relações com os Saxe Coburgo-Gotha, se der fé à tradição franco-germânica dos Chevaliers au Cygne – “Cavaleiros do Cisne” – cantados e prosados nos lais medievais, herança da tradição céltica do Norte (veja-se o Nascimento de Conchobar, canção de gesta alusiva ao lendário rei do Ulster, e o conto irlandês Os Filhos de Finn, narrando a relação deste com uma fada que queria tomar o seu reino), que depressa chegou a Inglaterra e tomou forma no tema cavaleiresco da Távola Redonda e da fada Morgana, irmã encantada do druida Merlim, tema esse já cristianizado (nele o Celticismo de Merlim funde-se no Cristianismo de Artur) e onde a sempre presente fada Melusina acaso poderá ser a expressão romanceada da Apóstola Madalena.

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A Lenda de Dourada, de Jacobo Vorágine (1230-1298), obra medieval reunindo todas as tradições bíblicas ou tão-só cristãs chegadas à Europa, descreve precisamente a diáspora apostólica da Linhagem Sagrada desde a Terra Santa ao continente europeu, e se tudo isso não passa de simples imobiliário de lendas sagradas sem outro fundamento, então, por exemplo, a Igreja terá de reformular a sua posição oficial relativa à pressuposta chegada de Santiago Maior numa barca às costa da Galiza, vinda da Palestina, atracando em Padrón a escassos 60 km de Compostela. E até mesmo a muitíssimo constestada ida de S. Pedro a Roma para aí sofrer o martírio que pressupunha certo.

Segundo a mesma Lenda Dourada, quando aconteceram as primeiras perseguições aos cristãos na Palestina, José de Arimateia, que havia recolhido o Sangue de Cristo na tarde da Sexta-Feira Santa (assim consignado dia do Sangue Real, Sang Greal, Grial ou Graal), decidiu fugir juntamente com Lázaro, Máximo, Sidónio, Marta, Sara a “Negra”, Maria Madalena e as santas mulheres Maria Jacobé e Maria Salomé. Poderá situar-se essa viagem em torno do ano 40 d. C., por parecer certo que Lázaro encontrava-se em Marselha no ano 44 de nossa Era.

Todas as versões unem-se quanto à chegada apostólica no delta do Rhône, na Provença, onde iria nascer a pequena cidade que acolheria os discípulos sob as denominações sucessivas de Notre Dame de la Barque, Notre Dame de la Mer e depois, por fim, Saintes-Maries-de-la-Mer.

Maria Jacobé de Cléofas, Maria Salomé e Sara fixaram-se aí. A última, por seus feitos e prodígios, alcançou notoriedade superior às outras: acolheu em si os “judeus errantes” da Europa, esses mesmos ciganos que, desde então, vêm prestar-lhe homenagem todos os anos por meio de uma peregrinação no mês de Maio, que é o de Maria, aquando eles escolhem entre si uma rainha. O ritual cigano, apesar de poucos deles mesmos entenderem hoje o seu verdadeiro significado, ainda assim não deixa de ser bastante significativo: na aurora, um grupo importante se dirige para a cripta obscura onde está a imagem de Santa Sara (nome que em hebreu significa “Princesa”). À dianteira vai uma “velha”, a decana do grupo, acompanhada por um “velho”, uma “jovem bonita” e uma “criança”. A “mulher velha” tira água do poço que está na cripta, enche o recipiente que aperta conta o coração, iniciando assim a marcha precessional. São vários os significados herméticos desse ritual, mas um só me salta à vista agora: o casal de velhos, com ela detendo a frasqueira representativa do antigo vaso do bálsamo da unção do Senhor, acaso representará Jesus e Madalena, a jovem a própria Sara sua filha, e o menino a jovem dinastia que teve início aí… indo propagar-se por toda a Provença e Marselha, trespassando os Pirinéus até Aragão e as Astúrias atingindo a Galiza e daí descendo ao Sul, a Portugal, sempre com os Kara-Maras ou ciganos por perto, como se verifica em Sintra, em cujo Chão das Maias, que era fossa imensa, essa etnia deserdada ou perdida de sua Pátria original se fixou durante largo tempo. Hoje é o Largo de S. Pedro, lugar da feira mensal, com St.ª Eufêmia e a Sr.ª do Ó logo acima, isto é, a Mãe Soberana e Filha fruto da “heresia”.

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Na igreja de Saintes-Maries-de-la-Mer, com a aprovação papal, foram ordenadas escavações pelo rei René da Provença em 1448, indo permitir a descoberta de placas de mármore onde se podia ler: Hic jacet Maria Salomé et Hic jacet Maria Jacobé (“Aqui jaz Maria Salomé e Aqui jaz Maria Jacobé”). Debaixo encontravam-se as relíquias das santas mulheres, e, muito perto dali as de Santa Sara, recolhidas pelo cavaleiro de Arlatan antes da Assembleia Real de 2 de Dezembro de 1448 (compreendendo o rei, a rainha, o legado do Papa, cardeal de Albano, assim como numerosos bispos, abades e cavaleiros) contestasse por processo verbal a autenticidade das relíquias de Maria Jacobé e Maria Salomé, que seriam depositadas na capela superior da mesma igreja.

Por Maria Salomé chega-se a João Evangelista e Tiago Maior, por ser considerada mãe de ambos, e assim também se chega à Gnose cristã na Europa e ao sacro mito de Santiago de Compostela, como Coroa de Luz – Kether – do Portugal Jacobeo, o seu primeiro Orago antes de São Jorge, ambos simbólicos de Iniciação activa ou móvel, própria de Iniciação Senhorial ou Mariana afim ao tema Guerreiro ou Kshatriya, o que também explica o sentido iniciático da peregrinação.

Quanto a José de Arimateia acaso ter-se-á tornado S. Trófimo da Gália, possuindo grande importância na História da Provença. A cidade de Arles e a sua magnífica catedral prestam homenagem à sua memória.

Já Lázaro terá se transferido para Chipre, onde teria passado trinta anos como seu primeiro bispo e sendo aí enterrado. Após terem-se descoberto as suas relíquias no século IX, elas foram trasladadas para Constantinopla. Mais tarde, os francos as fariam chegar a Marselha, hipótese que parece inteiramente confirmada pelo facto de ter sido instituída uma importante peregrinação cipriota à basílica de São Lázaro.

Maria Madalena, Sidónio e Máximo irão para Aix, que esse último honrará com a dignidade episcopal, enquanto Marta irá evangelizar o baixo vale do Rhône, onde travará combate com a Tarasca, o terrível dragão que ela aprisionará, conforme a lenda acentua, e que dará o seu nome à cidade de Tarascon. Tem-se nisso o sinal Georgiano da tomada de posse da Tradição “Herética”, melhor dito, Hermética ancestral, por via da Ala Feminina da Cristianismo assumida por ela. Esse facto assinala-se na fundação aí de um mosteiro para mulheres pela própria Santa Marta. O seu túmulo acha-se numa igreja da cidade, datando do século XIII, consagrado por Jubert, arcebispo de Arles, e por Rostaing, arcebispo de Avignon.

Segundo a Lenda Dourada, Maria Madalena sentirá o seu destino atraí-la para uma solidão maior. Despedindo-se de Máximo, ela tomará o caminho cenobítico. Levará consigo “o Relicário tão querido, cheio de terra embebida do Sangue Divino que piedosamente recolhera ao pé da Cruz”. Sal ou Lágrimas de Maria e Sangue ou Seiva de Cristo preenchendo o Saint Vaisel, o Santo Vaso. Ela vai ungir a Dinastia que perpetuará a sua Linhagem a partir do Sul da França. O seu recolhimento significará o segredo e o secreto, e para os assegurar nada melhor que a Cripta Secreta ou Crypta Ferrata onde antes a Tarasca vivera. Tudo isto é simbolismo mais que evidente de uma Linhagem transitando entre a Face da Terra e o seu Interior, por meio de uma Ordem de que Maria Madalena se assume líder no Ocidente proto-cristão, a do Santo Graal.

Com efeito, ainda segundo a Lenda, a alguns quilómetros dali ela viu-se diante de uma imensa massa rochosa de 120 metros a pique. Nos dois terços dessa massa, justamente acima de uma magnífica floresta de coníferas, encontra-se o lugar de eleição divina que, pacientemente, a esperava. Vê-se que é uma cavidade natural: a Gruta Santa, ou na toponímia local, Saint Baume. A Lenda conta que a Tarasca vivia ali anteriormente, mas que os Anjos (ou Santos Jinas) expulsaram para que deixasse livre o lugar. Então o dragão fugiu para Tarascon, onde Santa Marta o abateu.

Na impressionante gruta de Saint Baume, Maria Madalena viverá trinta anos. A lenda piedosa informa que estando desprovida de mantimentos e sem água, Maria retirou-se em oração logo que chegou a esse sítio adverso. Então apareceu uma fonte jorrando água abundante logo abaixo da entrada da gruta. Vem a ser o sinal hermético do Elixir da Vida Eterna, da Fonte da Eterna Juventude como propriedade miraculosa afim ao próprio Graal, atributo do Espírito Santo que, no final de contas, expressa o Eterno Feminino. Mas a “fonte miraculosa” de Saint Baume  é igualmente sinal do início da acção pastoral dando a Água da Vida que é a Palavra da Salvação aos que dela se fazem merecedores e assim se tornam Imortais. Santa Catarina de Sena informa que “Maria Madalena recebia diariamente abundantes orvalhos da Graça, que as Escrituras denominam as Doçuras celestes, as quais fortificavam o seu espírito e o seu corpo”.

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Frequentemente ela subia, com a ajuda dos socorros angélicos, até ao cume da montanha, para ali se entregar à oração diária das sete horas canónicas. Aí encontra-se a pequena capela de Saint Pilon; uma rocha ainda marcada com o sinal dos seus joelhos,  é prova indesmentível do acontecido para o povo simples e crente.

A História “oficial” considera que “o seu corpo foi colocado no túmulo de Sidónio, em Saint-Maximin, e que reciprocamente o corpo deste ocupou o túmulo de alabastro da penitência” (possivelmente os monges pensavam que assim as relíquias da santa escapariam às pilhagens dos bárbaros). Esse túmulo foi reencontrado no século XIII graças às diligências do conde da Provença, Charles d´Anjou, sobrinho de São Luís, rei de França, em cuja época se começou a falar da demanda do Reino do Preste João.

Fala-se de que uma bula autêntica do Papa Pascoal II, datada de 28 de Março de 1102, autorizava o arcebispo Pierre III a levar o paládio a uma vintena de festas do ano, em particular às festas de Santa Madalena e de São Máximo. Acaso poderá ver-se nisso o reconhecimento papal da autenticidade das relíquias da santa? Se assim for, então será óbvio a Igreja saber deste “grande segredo” que, afinal, foi criado por ela própria, e para o manter assassinou milhares e milhares de pessoas. Estou lembrando aqui os infelizes cátaros da célebre Cruzada contra os Albigenses e a frase “piedosa” de Simão de Montfort, delegado do Papa Inocêncio III, o comandante das forças que cercaram Béziers em 21 de Julho de 1209 que proferiu a terrível sentença: “Matai-os a todos, Deus escolherá os seus!”

Porém, a lenda retoma os seus direitos e diz que sete dias após a sua morte, Santa Madalena visitou em sonho Santa Marta, conforme lhe prometera antes da sua separação ocorrida trinta anos antes… Na iconologia cristã, Maria Madalena é frequentemente representada com  um precioso Vaso de alabastro contendo o bálsamo que serviu para ungir Cristo e legitimar o seu reconhecimento como Rei de Eleição ou Messiah manifestado garante da salvação da humanidade dos fiéis, função crucial exercida pela Apóstola incarnando o mais belo exemplo de uma Alma que se purifica até à Perfeição, irradiando a Luz Divina – Shekinah – que à maneira de um “Vaso” ela acolheu plenamente.

Perante tudo isso, também a Igreja acaba acolhendo a Apóstola dos Apóstolos, a que investe Cristo Rei pelo Rito da Unção, que é de Pessah ou “Passagem”. Assim, para a celebração da santidade de Maria Madalena, apesar da sua memória hagiográfica estar muito alterada, encontra-se o seguinte no Missal Romano:

“22 de Julho – Santa Maria Madalena. Dúplice – Paramentos brancos. A Igreja celebra hoje a conversão da pecadora e depois grande santa, hoje venerada em toda a Cristandade. O arrependimento sincero dos nossos pecados há-de atrair a misericórdia de Deus como fez com Santa Maria Madalena. Missa: – Intróito da Missa Me expectaverunt (47). Prefácio comum. Glória sem credo.”

O facto de não haver credo na Missa de Santa Madalena acaso não será sinal de, mesmo aceitando-a, ela estar à margem dos cânones da catequese da Igreja e, consequentemente, à margem do que hoje crê ou pretende fazer crer a mesma Igreja?

Curioso que 22 de Julho é mês tocado por dois signos, um de Água e outro de Fogo, ou seja Caranguejo e Leão, um expressando a Unção balsâmica do reconhecimento como Rei e outro a Unção ígnea ou pentecostal de reconhecimento como Messias. Em ambos está presente Maria Madalena, a Iniciadora, a Vénus-Urânia que era a Stella Matutina como a ela e a Sara as pretendem os ciganos, ambas incarnação de Kali, a “Virgem Negra”, espécie de Ísis ou Deusa-Mãe Primordial – de onde o valor do dia do mês que taroticamente é o do Arcano 22, “A Vitória” – cujo culto concorreu em pleno para o Porto-Graal, ou seja, o Portugal Central, a Estremadura, cuja Mama fecunda é Sintra, afinal, a hindustânica Kala-Sishita.

Por isso, num momento em que Maria Madalena era quase ignorada pela Igreja, sobretudo no período do Iluminismo esclarecido europeu, contudo observa-se a devoção a ela no Convento de Santa Cruz dos Capuchos na Serra de Sintra, postada à entrada do mesmo como se fosse a guardiã dos mistérios que o lugar e a serra ocultam. Eis aí presença franciscana fortemente ligada a Madalena, o que prossegue em Mafra e em Lisboa, em meio a uma Europa católica romana e protestante de silêncio comprometedor ao seu culto.

Igualmente não são poucas as santas mulheres muito ou pouco conhecidas, como se fossem frutos ideológicos da Árvore de Madalena que a Igreja Católica Portuguesa assumiu, não raro malquista pela de Roma, geradas em Terra Lusitana e boa parte no seio de uma Monarquia Divina porque sagrada por Cristo no campo de lide em Ourique (1139), dispondo Portugal como país mais cristão do que católico, porque nele primeiro assentou Cristo e só depois o Eclesiástico. Também nisto e sempre, é a Mulher quem mantém a linhagem, seja sagrada ou profana. Passo a enumerar algumas do florigério de santidade:

Acácia da Paixão. Franciscana natural de Alenquer, falecida em 1578.

Adeodata ou Deodata. Santa portuguesa, natural de Santarém.

Adosinda. Filha de St.ª Aldara ou Ilduara e de D. Guterres Arias, conde de Águeda e governador do Porto, irmã de S. Rosendo. Viveu no século X no Condado Portucalense.

Águeda. Virgem e mártir, natural de Lisboa.

Alda, Aldonsa ou Dulce. Santa portuguesa natural de Alenquer.

Aldara ou Ilduara. Mãe de S. Rosendo e Santa Adosinda. Viveu no séc. X no Condado Portucalense.

Alsanda ou Assanda. Santa portuguesa natural de Braga.

Ama. Santa portuguesa natural de Setúbal.

Ardinga. Santa portuguesa natural de Lamego.

Bataça ou Vataça. Princesa bizantina aia da Rainha Santa Isabel. Jaze na Sé Velha de Coimbra.

Beatriz da Silva. Irmã de João de Meneses (Beato Amadeu), terá nascido em Campo Maior em 1424. Acompanhou, como dama de honor, a princesa D. Isabel, que casou com D. João II de Castela. Fundou a Ordem da Conceição de Maria, seguindo a Regra da Ordem de Cister, após a Virgem Maria lhe ter aparecido durante uma experiência mística. Morreu em 1490 após vida exemplar.

Comba (20 de Julho). Santa de origem portuguesa. Virgem e mártir em Coimbra. Foi sepultada na igreja de Santa Cruz dessa cidade.

Comba e Anonimata. Santas alentejanas, que sofreram perseguições no tempo do imperador Diocleciano. Eram irmãs de S. Jordão, que era bispo. Foram martirizadas em Tourega.

Dumia. Santa portuguesa natural de Coimbra.

Elvira de Lisboa (25 de Janeiro). Os restos mortais desta virgem foram achados em Lisboa em 1587, juntamente com os de outros santos. Nada de positivo se sabe sobre ela.

Godinha. Portuguesa, abadessa do Convento de Vieira, e tia de Santa Senhorinha.

Iria de Santarém (20 de Outubro). Religiosa portuguesa, nascida em Tomar no século VII. É padroeira de Tomar e de Santarém.

Isabel de Portugal (4 de Julho). A rainha que se fez franciscana santa (1271-1336). É padroeira de Coimbra, Saragoça e Portugal.

Joana, princesa de Portugal (12 de Maio). Filha de D. Afonso V e da rainha D. Isabel. Faleceu em 1490, com 38 anos, no seu convento em Aveiro.

Mafalda, princesa (2 de Maio). Princesa portuguesa filha de D. Sancho I de Portugal e de Dona Dulce de Aragão. A sua memória religiosa, assim como a das suas irmãs Teresa e Sancha, celebra-se desde 1692 a 20 de Junho.

Olaia ou Eulália. Santa peninsular nascida em Braga.

Placência. Santa peninsular, mártir em Coimbra.

Quitéria de Coimbra (22 de Maio).

Sancha, infanta (13 de Março). Filha de D. Sancho I e de Dona Dulce de Aragão.

Senhorinha (22 de Abril). Nasceu em Vieira do Minho no ano 924. Chamar-se-ia Domitília ou Genoveva, mas ficou conhecida pelo diminutivo carinhoso que o pai lhe pôs quando enviuvou, pois passou a chamar-lhe “a sua Senhorinha”. Morreu em 982 e foi sepultada no Convento de S. Jorge de Basto, para onde se transferira.

Teresa, infanta de Portugal (17 de Junho). Filha de D. Sancho I e de Dona Dulce de Aragão.

Teresa de Vila Nova de Ourém. Santa portuguesa casada com S. Zambujal.

Para terminar, passarei de imediato a palavra ao preclaro Juan García Atienza (vd. bibliografia no final) que entendo ser o melhor hagiógrafo de Maria Madalena, e muito do que escreve fica claro nas palavras que me coube escrever.

– Há um longo caminho a percorrer entre as costas palestinas e as praias de Marselha, quase tanto como de uma a outra das Marias que – aparte Nossa Senhora – vão aparecendo esporadicamente nas páginas dos evangelhos. Nunca houve nenhum documento que pudesse provar, sem dar lugar a dúvidas, quantas Marias houve e que caminhos teve de transitar essa personagem aparentemente múltipla e oblíqua, porém é certo que, analisada desde a perspectiva das manipulações que sofreu para que se cumprissem as verdades emanadas de uma Igreja fundamentalmente empenhada em urdir as suas próprias certezas, esta Maria Madalena que aparece sob os aspectos mais distintos nos relatos evangélicos será já para sempre um mistério impenetrável, um segredo sem solução, uma suspeita que, quanto mais se trate de esclarecer, com mais véus haverá de se cobrir. Como uma espécie de contraponto histórico à Salomé que se descobriu para obter o seu desejo de ver morto o Baptista, a Madalena se vela e se revela para ocultar, talvez, que Jesus não se totalizou em si mesmo e em sua mensagem, mas que deixou atrás dele uma dinastia que poderia reclamar o seu património, acumulado ao longo de dois mil anos de silêncio.

Haverá de fazer constar como, aparte os estudos mais recentes em torno da verdadeira função de Maria Madalena no contexto evangélico, há toda uma tradição paralela – que a Igreja tem silenciado, mas não desmentido – dessa Madalena presumida – e só presumida – pecadora com a Maria irmã de Marta e Lázaro. E é igualmente desta tradição de onde parte a lenda de uma também presumida viagem sua desde a Palestina às terras do Golfo de Lyon, em que supostamente as acompanharia também aquele José de Arimateia que recolheu o Cálice da Cena com o Sangue Real do Crucificado e o trouxe ao Ocidente, originando com esse acto o mito graálico cristão, que comoveu como nenhum outro a espiritualidade esotérica da Idade Média europeia.

A esta Maria de Magdala ou de Betânia a encontramos nos evangelhos lançando-se aos pés de Jesus para lavá-los, perfumá-los e secá-los com os seus próprios cabelos; a vemos seguindo-o em suas viagens, alojando-se em sua casa, presenciando a sua morte, velando junto ao sepulcro e descobrindo, a primeira dentre todos, a desaparição do seu corpo. Maria é também a primeira a ver o Mestre novamente, depois da sua Ressurreição. Certamente nenhum apóstolo nem nenhum discípulo, nem sequer a sua própria mãe, teve ante si tantas oportunidades de encontrar-se com Ele, de permanecer à sua beira, de conviver em cada instante fundamental da sua missão. Se esta for a realidade, ninguém com mais autoridade que esta personagem poderia converter-se em porta-voz da Mensagem Crística. Aqui pode residir o silêncio da Igreja, as suas reticências na hora de definir a sua personalidade, incluso o seu empenho em degradá-la ao papel de pecadora arrependida que, ao longo da História, haveria de converter-se em patrona de cortesãs e prostitutas.

Algo por demais significativo: o que a Igreja oculta tão zelosamente, o que se tem tratado de escamotear à obediente freguesia, o que poderia ser posto como subentendido, com ares de induvidável verosimilhança, todo o grande enredo fabricado sobre os textos evangélicos manifestamente manipulados, pode chegar a aclará-lo uma aparente lenda a que a autoridade romana jamais concedeu crédito, apesar de tampouco poder evitar que o povo a aceitasse como certa e que incluso membros do colectivo eclesiástico fora de toda a suspeita, como Jacobo de Vorágine, a incluíssem em suas recompilações da história dos santos cristãos.

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A viagem ao Ocidente da família de Lázaro e José de Arimateia, seja certa ou não, dá razão e sentido aos silêncios mantidos pela postura ortodoxa romana e, por detrás da sua aparência de fábula piedosa, esconde toda uma série de chaves – simbólicas – que podem ser esclarecedoras. A que dentre elas que resulta mais significativa é a da coincidência entre o Cálice que transporta supostamente José de Arimateia – o Santo Graal – e a própria pessoa de Maria Madalena, a qual, se foi esposa de Jesus, haveria herdado dele o Sangue Real da sua ascendência Davídica. Neste sentido, a viagem milagrosa sobre uma barca sem timão, conduzida pelas forças celestiais, seria como a peregrinação da própria essência do Cristianismo original, a exportação ao Ocidente de uma ideia transcendente – e até, eventualmente, de uma realidade transcendente e palpável – que haveria de se unir à tradição atlântica para engendrar o ideário graálico, possivelmente a mensagem simbólica mais profunda dos que se criaram a partir da comunhão espiritual entre a tradição ocidental arcaica e a síntese transcendente aportada pela mensagem cristã original.

Vários acontecimentos significativos rodeiam a história mítica de Maria Madalena em sua singradura ocidental. Em primeiro lugar, é aqui onde se materializa a sua suposta penitência, o seu retiro para a solidão do deserto, porém, não por arrependimento ante a vida dissoluta que lhe engajou a Igreja, mas sim por estar mais perto de Deus. Jacobo de Vorágine, citando um texto de que ouvira falar, que atribui duvidosamente a Josefo ou a Hegesipo, conta que Maria Madalena “fosse já pela intensidade do seu amor a Cristo, fosse já pela tristeza e vazio que a ausência do Salvador produzia em sua alma, não queria ver ninguém, e que quando chegou à terra de Aix refugiou-se num deserto em que, escondida e isolada do mundo, viveu trinta anos, ao longo dos quais sete vezes a cada dia um Anjo subia-a ao Céu para que assistisse à celebração das Horas canónicas que em Glória se cantavam”.

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Neste lugar e nesta situação, tanto em vida como depois do seu trânsito, a Madalena não é em absoluto invocada como tem sido a pecadora arrependida que a Igreja tem-se empenhado em mostrar-nos, e sim, significativamente, como veladora ante o Céu para proporcionar partos felizes e para conceder a fertilidade às mulheres estéreis. Mal desembarcou, intercedeu – sempre segundo a lenda – pela fecundidade da esposa do governador de Marselha, em cuja terra penetrou. Depois de morta, Gerardo, duque de Borgonha, pediu relíquias da santa porque “carecia de descendência e ansiava vivamente que a sua esposa lhe desse um filho”. Em outra ocasião, salvou uma parturiente que se estava afogando e a qual lhe prometeu consagrar o seu filho num mosteiro se chegasse a tê-lo.

Sem dúvida tratam-se apenas de meras suspeitas, impossíveis de esclarecer porque a manipulação dos textos ou a sua própria obscuridade têm tornado impossível qualquer raciocínio válido. Contudo, é significativo que o movimento graálico converta indirectamente estes temas em chave simbólica, e que os textos mais obscuros desta aventura espiritual nos dêem chaves tais como chamar a Parsifal o Filho da Viúva, ou fazer constante alusão sobre a Família guardadora da Relíquia.

Atributos iconográficos de Santa Maria Madalena:

Cabelo (longo) A largura do cabelo, como a da barba, é sinal de identificação com o meio ambiente cósmico, e a negação em transformar de fora o contexto natural em que se vive e se crê em consciência. Simbolicamente, o cabelo crescido (por exemplo, o de Sansão) confere força, enquanto que o seu corte debilita a quem sofre a amputação. Os anacoretas que se envolviam no seu próprio cabelo como única vestimenta buscavam uma identificação com o meio ambiente e com a Consciência Universal, enquanto a sua era um meio para alcançar, mediante aquela prática, o estado de Consciência Transcendente que perseguiam.

Crânio – Com duplo significado, ainda que o Cristianismo lhe tenha dado unicamente o de lembrança da morte. O crânio contém o cérebro e está situado no cume do ser humano. É por isso o lugar sagrado do nosso corpo e o sinal da descoberta daquilo que se mantém secreto: o Saber Supremo.

BIBLIOGRAFIA

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