A Estrita Observância e os Superiores Incógnitos – Por René Guénon Terça-feira, Jul 15 2014 

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Publicado originalmente, sem assinatura, em La France Antimaçonnique, n.os 20 de Novembro e 4 Dezembro 1913. Republicado em Études Traditionnelles, Junho 1952

As nossas investigações sobre o Regime Escocês Rectificado levaram-nos a empreender, como complemento indispensável, um estudo sobre a Estrita Observância tão profundamente quanto o permite um assunto tão obscuro propício a tantas controvérsias. Consideramos interessante juntar à edição deste estudo os documentos que apareceram noutra parte sobre o assunto, relacionando-os com os que já conhecíamos.

Em primeiro lugar, destacamos na Bastille de 6 e de 13 de Setembro de 1913, um notável artigo intitulado “Alguns impostores F∴ M∴: Strack e Coucoumous”, de Benjamin Fabre, autor da recente obra sobre Franciscus, Eques a Capite Galeato. Fala-se aí especialmente dos Clérigos da Lata Observância, sobre a qual dissemos algumas palavras a propósito do Rito fundado em Malta em 1771 pelo mercador jutlandês Kolmer. Eis aqui os termos com que Eques a Capite Galeato falou, “como um dos comissários dos Arquivos dos “Philatethes”[1], acerca dos Clérigos da Lata Observância[2]:

“Estes “clérigos” constituem no entanto um problema para quem seja observador imparcial. Tem-se dito que foram os “jesuítas” (!) quem, querendo perpetuar-se secretamente, formaram a “classe eclesiástica da ordem interior do Regime da Estrita Observância[3].

“Diz-se que se tratou de uma nova “Confederação” que, impulsionada por motivos de orgulho e cobiça, queria dominar no dito Regime por meio de algumas formalidades e de algumas ideias científicas recolhidas dos manuscritos e dos livros raros dos Rosa-Cruzes do século XVII[4].

“Tem-se dito que era o “Clero da Ordem dos Antigos Templários” que se haviam perpetuado e que, com exclusão dos simples “cavaleiros”, possuíam “a doutrina e a prática das Ciências Ocultas, das quais cada um desenvolvia o catálogo segundo o alcance das suas ideias e segundo os seus próprios gostos”[5].

“Na realidade, estes “Clérigos” favoreciam qualquer opinião que se quisesse formular sobre eles, dada a ambiguidade das suas respostas, da sua constituição e da astúcia da sua conduta”. E Benjamin Fabre acrescenta: “A finalidade que perseguiam havia sido a de “sobrepor-se” ao Regime da Estrita Observância[6] para assumir a direcção das suas Lojas estabelecidas em toda a Europa, inclusive no Novo Mundo. Exigiam dos seus adeptos que possuíssem todos os graus outorgados pela Estrita Observância.”

Foi em 1767 quando a dita cisão, “que parecia ter desencadeado um “Poder Oculto” que se manifestou primeiramente em Viena, ocorreu no Regime da Estrita Observância. A partir de então “parece que, por uma ou outra razão, o barão von Hundt, Eques ab Ense[7], perdeu a sua proeminência e o que até esse momento havia constituído a sua força, ou seja, a comunicação com os Superiores Incógnitos”. Quando se reuniu a Assembleia Geral Maçónica de Brunswick, em 1775, “o barão von Hundt, representante do Grão-Mestre Eques a Penna Rubra[8]… já não era mais que “a sombra de uma sombra”. É possível que a desgraça tenha golpeado mais além do chefe da “Estrita Observância” e haja alcançado a esse mesmo Grão-Mestre, intermediário entre von Hundt e os verdadeiros Superiores Incógnitos[9].

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Um dos líderes do cisma foi o I∴ Starck, pregador da corte da Prússia, doutor em teologia (protestante) e… em ciência maçónicas, nas quais teve como mestres a Gugumus e ao taberneiro Schroepfer. O primeiro (cujo nome também se escreve Gugomos, Gouygomos, Kukumus, Cucumus, etc., já que a ortografia é muito incerta), figura na lista dos membros da Estrita Observância com o nome de Eques a Cygno Triomphante[10] e com o título de “lugar-tenente ao serviço da Prússia”. Segundo uma carta do I∴ príncipe de Carolath ao I∴ marquês de Savalette de Langes[11], “Coucoumus (sic) ou Kukumus, proveniente de uma família procedente da Suábia, passou por quase todos os serviços na Alemanha, tanto militares como civis, foi admirado pelo seu talento, mas ao mesmo tempo também foi desapreciado pela sua inconstância e má conduta (…); foi camareiro do duque de Wirtemberg”.

“Gugomos – conta o I∴ Clavel[12] – havia aparecido na Alta Alemanha e dizia-se enviado de Chipre[13] pelos Superiores Incógnitos da Santa Sé (?). Ele se assinava com os títulos de grande sacerdote, de cavaleiro, de príncipe. Prometia ensinar a arte de fabricar ouro, de evocar os mortos e de indicar os lugares dos tesouros escondidos dos Templários. Porém, bem depressa se desmascarou. Quando quis fugir agarraram-no e obrigaram-no a retratar-se por escrito de tudo o que havia afirmado, a confessar não passar de um simples impostor[14].”

O que se segue não nos permite compartilhar inteiramente dessa conclusão: se com efeito Gugomos possa ter sido um impostor, no entanto também deverá ter sido outra coisa, pelo menos durante parte da sua carreira. Isso é o que parece depreender-se da continuação da carta já citada do I∴ príncipe de Carolath: “Já fazia muito tempo que professava as ciências ocultas, tendo sido em Itália que se formou nesse assunto. Pelo que se assegura, regressou à sua pátria possuidor dos mais extraordinários conhecimentos que nunca deixou de praticar. Por meio de certos caracteres, que sem dúvida não eram os verdadeiros, e de fumigações convocava os espíritos, os espectros. Inclusive assegura-se que possuía uma espécie de raio sob o seu controle”.

Pois bem, de acordo com testemunhos de que não temos nenhuma razão para duvidar, ainda existem no Norte de África certos rabinos[15] que possuem precisamente “uma espécie de raio sob o seu controle”, e que por meio de caracteres ou de figuras cabalísticas produzem, no espaço onde realizam tal “operação”, uma espécie de tormenta em miniatura, com a formação de nuvens, relâmpagos, trovões, etc.[16] Era pouco mais ou menos era isso que fazia Gugomos, e essa semelhança, significativa do ponto de vista de certas influências judaicas, por outro lado faz-nos lembrar esse “misterioso Adepto oculto sob o nome de Valmont, que frequentemente viajava desde África a Itália e a França, e que iniciou o I∴ barão de Waechter”[17].

Teria sido interessante contar com informação um pouco mais detalhada acerca dos “caracteres” de que se servia Gugomos nas suas “operações”. Ademais, tanto entre os “Philatethes” como entre outros II∴ de “Regimes” diversos e rivais que se esforçavam com muito fervor e tão pouco êxito em fazer surgir “a Luz das Trevas” e “a Ordem do Caos”, quem poderia vangloriar-se, sobretudo em tal época[18], de possuir os “verdadeiros caracteres”, vale dizer em suma, de remontar à emanação de uma “Potência legítima” aos olhos dos verdadeiros Superiores Incógnitos? Às vezes eram destruídos ou desapareciam arquivos muito oportunamente, demasiado oportunamente como se pretendesse não levantar suspeitas. Acaso a Grande Loja de Inglaterra não foi, desde os seus começos (1717-1721) e por inspiração do Rev. I∴ Anderson (ex-capelão de uma Loja Operativa), a primeira a dar o exemplo de semelhante procedimento?[19] Mas terminemos a citação: “A notícia de tantas coisas maravilhosas atraiu a atenção de todo o mundo, isto é, do mundo maçónico, pois deve-se reconhecer ele que nunca se dirigiu aos profanos”.

Tratava-se, por parte de Gugomos, de uma conduta conformada às regras da mais elementar prudência. De qualquer modo, mesmo nos ambientes maçónicos deveria ter-se mostrado mais circunspecto, no seu próprio interesse e no da sua “missão”, mas a ostentação que fez dos seus “conhecimentos” e poderes possivelmente foi uma das causas da desgraça que o esperava, como se verá de seguida: “Com uma permanente autoconfiança teve coragem para convocar um Congresso Geral, onde devia propagar os seus conhecimentos raros. Porém, prodigiosamente as suas forças abandonaram-no e deixou de estar em condições para produzir as coisas de que se havia vangloriado. Em consequência, foi expulso da Ordem pela sua má conduta. Hoje em dia o seu estado é o de um errar contínuo, apesar de assegurar que recuperou parte dos seus conhecimentos. Ignora-se o seu actual paradeiro”.

Gugomos, manifestamente abandonado por aqueles Superiores Incógnitos dos quais não havia sido mais que um instrumento, perdeu todos os seus poderes justamente no momento em que mais necessitava deles. É muito possível que recorresse então a certas fraudes com a intenção de manter a credibilidade daqueles títulos que já não podia justificar por poderes verdadeiros, dos quais não havia sido mais que o depositário momentâneo, e esses títulos não eram daqueles que podiam comprovar-se por algum documento escrito, o que por outro lado nunca foram capazes de decifrar aqueles II∴ dos Altos Graus[20]. Em tais circunstâncias, Gugomos, pressionado por questões indiscretas, não pôde subtrair-se delas senão declarando-se “impostor” e ser “expulso da Ordem”, ou seja, dos Altos Graus “conhecidos” da organização “interior” em relação à Maçonaria Simbólica, porém, sem dúvida ainda “exterior” em relação a outras, aquelas a que o mesmo Gugomos não conseguira manter-se ligado, apesar de mais como simples auxiliar do que como verdadeiro Iniciado.

Tal desventura não deve surpreender-nos, tanto mais que a Alta Maçonaria de então proporciona-nos vários outros exemplos: aproximadamente o mesmo aconteceu ao barão von Hundt, a Starck, a Schroepfer, etc., sem falar de Cagliostro[21]. Ademais, sabemos que mesmo na nossa época aconteceu algo parecido a alguns enviados ou agentes de certos “Superiores Incógnitos”, verdadeiramente “Superiores” e verdadeiramente “Incógnitos”: aqueles que se haviam comprometido e, mesmo sem cometerem outra falta, fracassaram na sua missão, imediatamente foram-lhes retirados todos os poderes[22]. Ademais, a desgraça, poderá ser somente temporal, e possivelmente esse foi o caso de Gugomos; mas o correspondente do I∴ Savalette de Langes equivocou-se ou expressou-se mal quando escreveu que, acto seguido, “recuperou parte dos seus conhecimentos”, pois apesar dos “poderes” poderem ser retirados ou desenvolvidos conforme a vontade dos “Superiores Incógnitos”, evidentemente o mesmo não acontece com respeito aos “conhecimentos”, que uma vez adquiridos é para sempre através da iniciação, por mais imperfeita que tenha sido.

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O príncipe de Carolath, tão severo com Gugomos, no entanto vacila em acusá-lo de impostor. Se bem que evite pronunciar-se parece duvidar mais da qualidade de tais “conhecimentos” que da sua realidade, pois diz: “Nesse Congresso Maçónico (de 1775) Waechter acaba por confundir a Kukumus[23]. Parece que Kukumus não possuía a “verdadeira Luz” e que persistiu na ligação que possivelmente teve com alguns “espíritos impuros”, contribuindo assim para aumentar a sua própria perversidade e a dos demais, criando novos encadeamentos invés de libertar-se deles”. Com efeito, parece que Gugomos seduzia sobretudo pela posse de certos poderes de ordem muito inferior e se dedicara quase exclusivamente a praticá-los. É possível que essa fosse uma das causas da sua desgraça, já que poderia muito bem não concordar com as determinações dos seus “Superiores Incógnitos”[24].

Em outra carta dirigida ao I∴ Savalette de Langes, em referência a Gugomos ou Kukumus, o I∴ barão de Gleichen chega a declarar que “é um impostor”, porém apressa-se a adiantar: “Todavia nada sei da sua “doutrina”, o que talvez parecesse menos interessante apesar de constituir um “conhecimento” bastante real, como sem dúvida acabou por compreender às suas próprias custas. De quem recebeu ele essa “doutrina”? A pergunta, muito mais importante que o tema do valor moral, eminentemente suspeitoso, de Gugomos, reduz-se exactamente ao seguinte: quem foram os seus “Superiores Incógnitos”? Certamente não podemos aceitar a solução que propõe o barão de Gleichen, atormentado pela obsessão de que já conhecemos exemplos: “A maioria acredita que ele foi um enviado dos jesuítas (!), os quais realmente tentaram várias vezes unir-se à Maçonaria”. Tentativa de igual teor pôde ser realizada no caso de outros que não eram jesuítas, por exemplo, os judeus, apesar de serem excluídos por uma parte da Maçonaria, como ainda o são na Suécia e em várias Grandes Lojas da Alemanha. Foi justamente neste país que viu a luz a maioria dos “Regimes” cujo protótipo foi a “Estrita Observância”, o que não significa que todos tenham tido a mesma origem “de facto”, o que nos parece pouco credível. Porém, compreende-se facilmente como se apoderando dos Altos Graus por intermédio de emissários destituídos de qualquer mandato oficial, se pudesse chegar a dirigir “invisivelmente” toda a Maçonaria, o que para todo o efeito é suficiente para explicar a multiplicidade de tentativas feitas para o conseguir[25].

Abramos agora um parêntesis: por vezes tem-se censurado alguns que pretendem ver a influência dos judeus em toda a parte. Isso poderá dever-se a uma maneira exclusiva de ver, mas no entanto há outros que, caindo no extremo oposto, não querem vê-la em parte alguma. Foi isto que ocorreu particularmente a respeito do misterioso Falc (assim o escreve o I∴ Savalette de Langes), que alguns “acreditavam que era o chefe de todos os judeus”[26]. Quis-se identificá-lo já não com Falk-Scheck, grande rabino de Inglaterra, mas com o I∴ Ernest Falcke (Epimenides, Eques a Rostro), burgomestre de Hannover, o que não explica minimamente os rumores que na época corriam acerca dele. Por outro lado, quem quer que tenha sido esse enigmático personagem, o seu papel, como o de muitos outros, aguarda clarificação, parecendo um assunto ainda mais difícil que o caso de Gugomos.

No que se refere a Falk-Scheck, encontramos numa Notícia histórica sobre o Martinesismo e Martinismo, a que voltaremos mais adiante, um facto que merece ser citado: “Mme. De la Croix, exorcista de possuídos, por sua vez ela mesma demasiado frequentemente possuída, gabava-se sobretudo de ter destruído um talismã de lápis-lazúli que o duque de Chartres (Philippe-Egalité, mais tarde duque de Orleans e Grão-Mestre da Maçonaria Francesa) havia recebido de Inglaterra da parte do célebre Falk-Scheck, grande rabino dos judeus, e esse um talismã que deveria ter conduzido o príncipe até ao trono, segundo ela dizia, foi destruído sobre o seu peito em virtude dos seus rogos”. Tenha ou não justificação tal pretensão, não é menos certo que a história resulta singularmente esclarecedora de algumas influências ocultas que contribuíram para preparar a Revolução Francesa.

Benjamin Fabre dedica a continuação do seu artigo[27] ao I∴ Schroepfer, “que teve uma carreira agitada” terminada em suicídio[28] mas “que, sob um aspecto muito curioso, oferece-nos a correspondência de Savalette de Langes”.

O I∴ Bauer descreve uma das suas evocações testemunhada por ele próprio “numa assembleia de II∴, tanto em Leipzig como em Frankfurt, composta por gente de letras, ciências, etc. Depois de haver ceado numa Loja ordinária, fez com que nos despojássemos de todos os metais e ele preparou-se numa mesinha aparte sobre a qual havia uma pintura que continha todo o tipo de figuras e caracteres, desconhecidos para mim. Fez com que recitássemos uma oração bastante extensa e “muito eficaz”, e encerrou-nos num círculo. Cerca da uma da manhã ouvimos um ruído de cadeias, e pouco depois três grandes pancadas de maneira assombrosa, na mesma sala onde estávamos estendidos no piso. Depois começou a recitar uma espécie de oração com a sua sineta “numa linguagem que eu não compreendia”. Logo pela porta, que antes fora fechada com ferrolho, entrou um fantasma negro que ele chamava “o espírito malvado” e com o qual “falou na mesma linguagem”. Por sua vez espírito respondeu-lhe e retirou-se à sua ordem. Cerca das duas, apareceu outro com as mesmas cerimónias, desta vez branco chamado “o espírito bom”, que se despediu do mesmo modo. Depois de tudo isso, cada um saiu entusiasmado com a cabeça cheia de quimeras…”

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“Ecques a Capito Galeato” declara que outro testemunho “deu-lhe a entender que todos esses feitos, de tanto renome, não eram senão o resultado prestígios físicos, com a ajuda da prevenção ou da credulidade dos espectadores”. No entanto, o Dr. Koerner confessa “todavia não ter conseguido conciliar os relatos contraditórios que se fizeram acerca deste homem”, e o I∴ Massenet assegura “que foi este mesmo homem que manifestou ante o príncipe Charles de Courland[29] o mariscal de Saxe[30], na presença de seis testemunhas que, na sua totalidade, declararam as mesmas circunstâncias e asseguraram a realidade do acontecimento, apesar de que antes não terem nenhuma tendência para acreditar em nada semelhante”.

Por nossa parte, que devemos acreditar de tudo isso? Seguramente nos é mais difícil que aos seus contemporâneos formar uma ideia clara e definida sobre a natureza das “obras pneumatológicas” de Schroepfer, cujos próprios alunos, como o barão de Benst, camareiro do Eleitor de Saxe, ainda se encontravam, a acreditar em Savalette de Langes, “no mesmo ponto” que os “Philatethes” na busca da “verdadeira Luz”. Logo, “perante tantos Doutores, Teósofos, Herméticos,Cabalistas,Pneumatólogos”, trata-se na realidade de um resultado muito medíocre![31]

Tudo o que pode dizer-se com certeza é que, se em algum momento Schroepfer possuiu alguns poderes reais, tais poderes foram de uma ordem mais inferior que os de Gugomos. Em resumo, personagens como esses evidentemente não foram senão iniciados muito imperfeitos, e de uma ou outra maneira desapareceram sem deixar rasto logo depois de jogarem um papel efémero como agentes subalternos, e possivelmente indirectos, dos verdadeiros “Superiores Incógnitos”[32].

Como disse muito justamente Benjamin Fabre, “cabalistas judaizantes e magos, “ao mesmo tempo” impostores e velhacos, tais foram os mestres de Starck”. E acrescenta: “De tão boa escola este inteligente discípulo pôde tirar proveito, como veremos em seguida”.

Consequentemente, esse artigo[33] é dedicado ao I∴ Starck (Archidemides, Eques a Aquila Fulva”), o qual encontramos na Assembleia Geral de Brunswick (22 de Maio de 1775) enfrentando-se com o barão von Hundt (“Eques ab Ense”), fundador da “Estrita Observância”, e contra o qual “contribuiu para afastá-lo da presidência da Ordem” apesar de não conseguir que as suas próprias pretensões prevalecessem. Como voltaremos a este ponto mais adiante, por agora não insistiremos nele. Indicaremos antes que em 1779[34] Starck promoveu outra tentativa que tampouco resultou, a que Thory refere-se nestes termos: “O doutor Stark (sic) convocou em Mittau aos “Irmãos” e aos “Clérigos da Estrita Observância”. Apesar de ter tentado conciliar os seus debates, esse projecto fracassou”[35].

“Eques a Capite Galeato” assim relata o final, real ou suposto, dos “Clérigos da Lata Observância”:

“Numa das “Assembleias Gerais Provinciais” na Alemanha do “Regime da Estrita Observância”, pressionou-se os membros com questões que não souberam ou não quiseram contestar. Pelo que se diz, dois deles (Starck e o barão de Raven), que disseram ser os últimos (destes “Clérigos” ou “Clerici”), um e o outro apresentaram a demissão e renunciaram totalmente a propagar a sua Ordem Secreta.

“Alguns consideram que tal demissão foi simulada, porque não tendo encontrado na “Estrita Observância” propagadores do seu agrado fingiram renunciar, com o objectivo de não seguirem as suas pisadas e se os puderem esquecer. De qualquer modo, o I∴ Starck, sábio maçom e sábio ministro do Santo Evangelho, o qual foi-me assegurado ter sido um dos “Clerici”, publicou grande quantidade de obras nas quais não é possível deixar de apreciar, até certo ponto, os conhecimentos e o objectivo da sua Ordem Secreta. As suas obras de que tive conhecimento, são: A apologia dos F∴ M∴; A finalidade da Ordem dos F∴ M∴[36]; Sobre os Antigos e os Novos Mistérios. Há traduções das duas primeiras.”[37]

Falta acrescentar que em 1780 “atacou publicamente o ‘sistema dos Templários’, como contrário aos governos e sedicioso, num folheto intitulado ‘A pedra que entrava e a pedra do escândalo’[38].”

É possível que os “Clerici”se tenham perpetuado secretamente. Em todo o caso, Starck não desapareceu da cena maçónica, pois vemos ter sido convocado para a “Assembleia Geral Maçónica de Paris” em 1785[39]. Apesar da sua desventura conservava uma grande autoridade. Acaso devemos surpreender-nos quando vemos que, ao falecer o barão von Hundt, mandou-se cunhar uma medalha em honra deste outro “sábio maçom”[40], que por seu lado foi no mínimo suspeito de impostura e mistificação?

Quanto aos conhecimentos particulares que os “Clerici” pretendiam possuir exclusivamente, citamos o que disse a respeito o I∴ Meyer[41] numa carta a Savalette de Langes em 1780: “Vós sabeis que houve ‘Clerici’ no Capítulo de certa Ordem que não nomeio[42], e pretende-se que foram os únicos depositários da ciência ou do segredo. Isto não conforma os Maçons modernos que se roem de curiosidade: logo depois de terem sido armados “Cavaleiros” pedem, além da espada, o incensório. A facilidade com que se comunica este grau certamente não abona a seu favor, e ademais os que o possuem não sabem senão algumas palavras enigmáticas extras”. Portanto, os II∴ já admitidos nos Altos Graus que ingressavam nesse “sistema” mais “interior”, ou assim se autointitulado, sem dúvida que maioritariamente não encontravam o “segredo da Maçonaria” e assim não se transformavam em “verdadeiros Iniciados”.

Isso lembra-nos estas palavras do I∴ Ragon: “Nenhum grau conhecido ensina nem desvela a ‘Verdade’. Somente ‘roçará’ o véu… Os graus que se praticam até hoje produzem Maçons e não ‘Iniciados’[43]”. Portanto, só mais além dos diversos “sistemas”, e de nenhum modo em um ou outro deles, se pode descobrir os “Superiores Incógnitos”. Não entanto, no que respeita às provas da sua existência e da sua acção mais ou menos imediata, não são difíceis de achar senão para quem não as quer ver. Isto é o que queríamos destacar muito especialmente, e de momento abstemo-nos de formular outras conclusões.

NOTAS

[1] O mesmo foi secretário-geral da “Assembleia Geral de Paris” em 1785, e em tal oportunidade foi encarregue, primeiro só ele e depois junto com o I∴ barão de Gleichen, de iniciar contactos com Cagliostro para sondar as suas intenções. Não deixa de ser importante assinalar que partiu precipitadamente mal se o encarregou de escrever certa carta à “Loja-Mãe do Rito Egípcio”, tendo de ser substituído pelo I∴ de Beyerlé (Eques a Fascia, na “Estrita Observância”). Os documentos relativos a Cagliostro na “Assembleia Geral de Paris” foram publicados pelo I∴ Thory nas suas Acta Latomorum, tomo II, pp. 102-127.

[2] Ou “da Alta Observância” (?), segundo Thory (idem, tomo I, p. 103).

[3] O I∴ Ragon e vários outros autores maçónicos, inclusive o I∴ Limousin, encarregaram-se de propagar esta lenda, assim como aquela outra que atribui aos jesuítas a criação da “Estrita Observância”. O I∴ de Ribeaucourt também se refere aos “Superiores Incógnitos” de “jesuítica memória”. Com efeito, tem-se pretendido que as iniciais S. I. ou S. J. devem ser interpretadas como “Societas Iesu”, chegando-se até a criar uma espécie de jogo de palavras, provavelmente sabendo-as, sobre “clerici”, termo que deveria interpretar-se mais ou menos com o sentido de “sábios”, possuidores de certos conhecimentos particulares, em lugar daquele de “eclesiásticos”. Alguns chegaram até a ver igualmente os jesuítas na origem do “Grande Oriente de França”. Na verdade, parece tratar-se de uma verdadeira obsessão.

[4] Trata-se dos “Rosacrucianos” que publicaram cerca de 1610 a Fama Fraternitatis, seguida de vários outros manifestos, os quais Descartes procurou inutilmente por toda a Alemanha. Muitas sociedades modernas com pretensões iniciáticas, não se fundamentam mais que sobre o estudo das doutrinas e das teorias contidas em tais escritos. Os seus adeptos (?) acreditam que dessa maneira ligam-se “misticamente” com aqueles que foram os seus autores. As tendências destes foram muito claramente “protestantes” e “antipapais”, a tal ponto que Krauzer interpretou as três letras F. R. C. (“Frater Roseacrucis”) como “Frater Religionis Calvanistae”, “visto que decoram as suas obras com textos apreciados pelos Reformistas” (citado por Sédir, Histoire des Rose-Croix, p. 65). Tal explicação pode ser, se não mais exacta literalmente, pelo menos mais adequada que aquela outra que identifica os “Superiores Incógnitos” com os jesuítas, e daquela opinião do I∴ Ragon que atribui aos mesmos jesuítas a invenção do grau maçónico que leva precisamente o nome de “Rosacruz”.

[5] Queremos destacar esta passagem por ser particularmente importante no que respeita à “adaptação” do ensinamento iniciático às capacidades, intelectuais ou outras, de cada um daqueles que eram admitidos. Certos ocultistas contemporâneos, sempre perseguidos pela mesma obsessão, sustentam que os verdadeiros sucessores dos “Templários” nessa época foram os “Jesuítas”, que haviam retomado por sua conta o plano de vingança contra a Realeza e cujos agentes mais activos em tal empresa foram Fénelon (!) e Ramsay (ver Papus, Martinésisme, Willermosisme, Martinisme et Franc-Maçonnerie, pp. 10-11). Sob a influência de semelhantes ideias chegou-se, contra toda a verosimilhança, a converter os jesuítas nos inspiradores e chefes secretos dos “Iluminados da Baviera”. Por outra parte, é certo que nem sequer se vacila em apresentar o barão von Hundt como “o criador da Alta Maçonaria alemã” ou “Iluminismo alemão” (idem, p. 67). Maneira singular de escrever a História!

[6] Como por sua vez esse último se “sobrepunha”, como todos os demais “sistemas de altos graus”, à organização exterior da “Maçonaria Simbólica”.

[7] “Cavaleiro pela Espada” (nota do tradutor).

[8] “Cavaleiro da Pena Vermelha” (nota do tradutor).

[9] O misterioso Grão-Mestre de que se trata e que não deve ser confundido com o “Superior Geral” das Lojas da Estrita Observância, é o duque Frederico de Brunswick-Oels, Eques a Leone Aureo (“Cavaleiro do Leão de Ouro” – nota do tradutor), subido a tal dignidade em 1772 na Assembleia Geral de Kohlo, perto de Pforten, na Baixa-Lausitz (Acta Latomorum, tomo I, p. 103, e tomo II, p. 296). Tampouco se trata do “Grão-Mestre dos Templários”, reconhecido oficialmente pela Estrita Observância depois da “Reforma de Wilhelmsbad”, pois esse último personagem foi de 1743 a 1788 o pretendente Carlos Eduardo Stuart, Eques a Sole Aureo (“Cavaleiro do Sol Dourado” – nota do tradutor), que teve como sucessor o duque Fernando de Brunswick, Eques a Victoria, de 1788 a 1792, e a partir desta data o príncipe Charles de Hesse, Eques a Leone Resurgente (idem, tomo I, p. 283, e tomo II, p. 195, 333 e 384).

[10] (“Cavaleiro do Cisne Triunfante” – nota do tradutor) Thory (ob. cit., tomo II, págs. 136 e 328) escreveu “Cyano” em vez de “Cygno”, tratando-se sem dúvida de um erro.

[11] Citada no artigo de Benjamin Fabre.

[12] Histoire pittoresque de la Franc-Maçonnerie, p. 187.

[13] Talvez seja um erro tomar ao pé da letra a designação “Chipre”, já que a Alta Maçonaria do século XVIII tinha toda uma geografia convencional a que voltaremos oportunamente.

[14] O I∴ Clavel tomou quase textualmente esta passagem das Acta Latomorum de Thory (tomo I, pp. 117-118, ano 1775).

[15] Os judeus do Norte de África são “sefarditas”, ou seja, descendentes de judeus espanhóis e portugueses, e pretendem possuir a “Tradição” (Kaballah) muito mais pura que a dos “ashkenazim” ou judeus alemães.

[16] A este respeito lembramos a existência dos “fazedores de chuva” em grande número de povos, sobretudo entre os negros de África, contados entre os membros mais influentes de várias sociedades secretas.

[17] “O barão de Waechter, embaixador dinamarquês em Ratisbona, foi um ardente custódio do “Sistema da Estrita Observância” onde era conhecido pelo nome de Eques a Ceraso” (Thory, ob. cit., tomo II, p. 392). Benjamin Fabre dedicou outros artigos a este personagem.

[18] A carta do príncipe de Carolath data de 1781, o ano previsto para a Assembleia Geral de Wilhelmsbad.

[19] Podemos adiantar que esse exemplo ainda é seguido na nossa época, sempre que a ocasião se apresenta, por várias Obediências maçónicas.

[20] O próprio barão von Hundt não conseguia explicar a sua própria carta-patente cifrada. Mais tarde, os membros do “Grande Oriente de França” tiveram que renunciar à tentativa de ler as duas colunas de sinais convencionais que figuravam sobre o “título constitutivo” do “Rito Primitivo” (ver o cap. V da primeira parte da obra de Benjamin Fabre). A esse respeito, Eques a Capite Galeato disse “… que tais colunas encontrando-se em uma das nossas Lojas, por outro lado não possuem nenhum certificado nem indício da sua qualificação” (p. 63).

[21] Em relação a Cagliostro, essa opinião é exclusiva de René Guénon, porque segundo os documentos disponíveis aos quais o mesmo Guénon pôde aceder, esse personagem misterioso era ele próprio um mandatado dos Superiores Incógnitos, senão mesmo um Superior Incógnito agindo no palco do século XVIII europeu sob diversos disfarces ou mayas-vadas, como diriam os sábios hindus (nota da tradutor).

[22] Certamente tudo isto parecerá fabuloso a certo anti-maçons e historiadores escrupulosamente fiéis ao “método positivista”, para os quais a existência dos “Superiores Incógnitos” não é senão uma “pretensão maçónica conclusivamente falsa”. Porém, temos as nossas razões para não subscrever tal juízo demasiado… definitivo, e temos plena consciência de não propor aqui nada que não seja rigorosamente exacto. Os que não quiserem remeter-se senão a documentos escritos, são donos de defender todas as suas “convicções”… negativas!

[23] Nessa data, depois de falar de Gugomos (que lembramos ter recebido pelo menos uma parte da sua iniciação em Itália), Thory acrescentou: “O barão de Waechter (“Eques a Ceraso”) era deputado em Itália pela antiga “Grande Loja Escocesa da Francónia”. O motivo oculto dessa viagem foi o de reunir os maçons italianos com os da Francónia; o motivo aparente foi buscar o segredo da Ordem, que se dizia conhecido em tais paragens. Instituiu alguns Capítulos” (ob. cit., tomo I, p. 118).

[24] Citamos uma única frase de uma segunda carta do príncipe de Carolath que revela a inspiração judaica de Gugomos: “No Congresso de Wilhelmsbaden, Kukumus pretendeu realizar um sacrifício que seria consumido pelo fogo do céu no ardor da sua súplica”. Ideias semelhantes poderão ser encontradas quando se estuda tanto os curiosos ensinamentos dos “Élus Coens” como o “Rito Egípcio” de Cagliostro.

[25] Para finalizar este assunto de Gugomos, acrescentamos ainda que, segundo “Eques a Capite Galeato”, ele exigia “provas de todos os seus discípulos, que consistiam principalmente “em grandes jejuns e em proporcionar a solução de problemas muito subtis”. Deve-se lembrar a aplicação desses dois procedimentos iniciáticos, pois permite estabelecer analogias instrutivas às quais teremos oportunidade de voltar. Parece que, como disse o barão von Hundt, “Kukumos mostrou uma patente extraordinária” que, como vimos anteriormente, nada prova a favor ou contra a realidade da sua “missão”, como igualmente a negação esgrimida pelos II∴ dos Altos Graus em reconhecer os “Superiores Incógnitos” e comprometer-se na sujeição a eles (sem conhecê-los), não implica forçosamente a negação da sua existência, apesar do que possam dizer os historiadores “positivistas”.

[26] Ver página 84 da obra de Benjamin Fabre.

[27] La Bastille, número de 13 de Setembro de 1913.

[28] Thory escreve o seguinte: “1768, 29 de Outubro, Schroepfer estabelece-se como proprietário de um café que abriu em Leipzig. Numa Loja da cidade instituiu o seu sistema, baseado em evocações e magia. Na continuação, foi perseguido e denunciado como impostor e vigarista. Seis anos mais tarde (em 8 de Outubro de 1774), fez saltar a caixa dos miolos no “Rosenthal”, perto de Leipzig, com a idade de 35 anos” (ob. cit., tomo I, p. 94).

[29] Carlos, duque de Corland, membro da “Estrita Observância” com o nome característico de “Eques a Coronis” (idem, t. II, p. 304).

[30] O facto deve ter ocorrido entre 1768 e 1774. O mariscal de Saxe, morto em 1750, também foi maçom e obteve (tal como o príncipe de Conti) numerosos votos para o Grão-Mestrado (da Maçonaria Francesa) na assembleia de eleição do conde de Clermont em 1743 (idem, t. II, p. 378).

[31] Pode fazer-se um juízo por meio das questões (“Proponenda”) submetidas à Assembleia Geral de Paris, convocada pelos “Philatethes” em 1785 (ver Thory, ob. cit., tomo II, pp. 98-99). Nos nossos dias, certos ocultistas trataram das mesmas questões de maneira demasiado fantasiosa, o que ademais comprova que também eles se encontram “no mesmo ponto”.

[32] Parece que o mesmo pode aplicar-se a Kolmer, já mencionado, e inclusive a Schroeder, mestre dos Rosacruzes de Wetzlar, por vezes erroneamente confundido com Schroepfer, que Thory descreve com estas palavras breves: “Schroeder, alcunhado o “Cagliostro da Alemanha”, introduziu na Loja de Sarrebourg, em 1779, um novo sistema de Magia, Teosofia e Alquimia” (ob. cit., tomo I, p. 141, tomo II, p. 379).

[33] La Bastille, número de 20 de Setembro de 1913.

[34] Precisamente o ano em que apareceu Schroeder, ou pelo menos o seu sistema. Talvez não passe de uma coincidência, apesar de também ser possível que houvesse uma ligação entre todos esses personagens, inclusive sem terem consciência disso.

[35] Ob. cit., tomo I, p. 141.

[36] Uber den Zweck des Freymauser Ordens, 1781 (Thory, ob. cit., p. 368).

[37] Thory cita ainda as seguintes obras: Saint-Nicaise, ou Lettres remarquables sur la Franc-Maçonnerie (“São Nicásio, ou Cartas notáveis sobre a Franco-Maçonaria”), Leipzig, 1785-1786 (idem, p. 373); Sur le catholicisme caché des Jesuites, et leurs machinations pour faire des prosélytes (“Sobre o catolicismo escondido dos Jesuítas, e as suas maquinações para fazer prosélitos”), (“Uber Kripto-Katholicismus, etc.”), Frankfurt, 1787-1789 (idem, p. 376).

[38] Der Stein des Antosses… etc. (Thory, ob. cit., t. II, págs. 146 e 367).

[39] Ver a lista proporcionada por Thory (ob. cit., t. II, p. 95).

[40] Thory (ob. cit., p. 123) acrescenta que a dita medalha “tem um retrato muito parecido do célebre maçom”.

[41] Este I∴ Meyer foi convocado para a Assembleia Geral de Paris em 1785, e Thory descreve-o deste modo: “de Meyer, major russo, de Estrasburgo” (ob. cit., t. II, p. 95). O mesmo autor identifica-o, talvez equivocadamente, com o escritor que traduziu do inglês para o alemão uma obra intitulada A Franco-Maçonaria não é mais do que um caminho para o inferno (idem, t. I, p. 153, e t. II, p. 354).

[42] Trata-se evidentemente dos “Templários”.

[43] Ritual do Grau de Mestre, p. 34. Ragon cita em continuação as palavras muito conhecidas do J. J. Casanova sobre “O segredo da Maçonaria”, que não fazem senão confirmar tal declaração.

Traduzido do original francês por Vitor Manuel Adrião

Acerca dos Superiores Incógnitos e do Astral – Por René Guénon Terça-feira, Jul 15 2014 

S. I.

Publicado originalmente em La France Antimaçonnique, Paris, 18 de Dezembro de 1913, assinado Le Sphynx. Republicado em Études Traditionnelles, Setembro de 1952

Quando escrevemos o nosso artigo precedente sobre A Estrita Observância e os Superiores Incógnitos, assinalando nele a singular obsessão que, em certos escritores maçónicos e ocultistas, faz ver por toda a parte a acção dos jesuítas na Alta Maçonaria do século XVIII e no Iluminismo, certamente não pensávamos ter que comprovar semelhante obsessão entre os próprios anti-maçons. Ora bem, é isso que nos assinala um artigo aparecido na Revue Internationale des Sociétés Secretes, na secção “Antimaçónica” do Índice documental[1], assinado por A. Martigue, no qual lemos esta frase verdadeiramente surpreendente: “Não se deve esquecer, quando se estuda aos Iluminados, que Weishaupt foi aluno, depois professor, com os jesuítas, e que inspirou-se muito neles deformando para os aplicar ao mal, entenda-se bem, os métodos que os Reverendos Padres de Ingolstadt aplicavam ao bem com tanto êxito… salvo quando se serviram deles para formar a Weishaupt e os seus primeiros discípulos!

Há aí insinuações que, apesar de todas as precauções que as rodeiam, revestem-se de um carácter particularmente grave sob a pena de um anti-maçom. M. Martigue estaria disposto a justificá-las? Poderia explicar-nos porque os reverendos padres do século XVIII serão responsáveis, mesmo que indirectamente, pelas doutrinas revolucionárias do I∴ Weishaupt e dos seus adeptos? Para nós, até que isso seja demonstrado, parece-nos ser um pouco como tornar responsáveis os padres do século XIX pelas teorias anarquistas desenvolvidas até aos nossos dias pelo seu ex-aluno e ex-noviço, o I∴ Sébastien Faure! Sem dúvida que poderia conjecturar bastante nesse sentido, mas isso não seria nem sério nem digno de um escritor que afirma possuir “métodos rigorosos e exactos”.

Com efeito, eis aqui o que escreve M. Martigue um pouco antes da frase já citada, a respeito de um estudo intitulado As Armadilhas da Seita: o Génio das Conspirações, publicado nos Cadernos RomanosdaAgência Internacional Roma: “O autor não parece conhecer mais que as obras do P. Deschamps, de Barruel, de Claudio Janet e de Crétineau-Joly. Isso é muito mas não é suficiente, pois apesar desses excelentes trabalhos, certamente devendo ser sempre consultados com resultados pelos estudantes em Antimaçonaria, terem sido escritos por mestres respeitáveis cujos esforços todo o mundo deve louvar e reconhecer, sem dúvida é impossível não dar fé de que datam de uma época em que a ciência e a crítica históricas não tinham avançado até ao ponto em que nos encontramos hoje.Os nossos métodos, que tendem a aperfeiçoar-se a cada dia, são mais rigorosos e exactos. Por isso, é perigoso, do ponto de vista da exactidão científica, desdenhar os trabalhos mais modernos, sendo ainda mais inoportuno desdenhá-los a-priori”.

É preciso estar muito seguro de si mesmo, e de tudo o que diz, para permitir-se reprovar uma falta de “exactidão científica” a quatro autores que estão entre os mestres mais incontestados do Antimaçonismo. Sem dúvida M. Martigue tem confiança no “progresso da ciência e da crítica”, porém, como esses mesmos “progressos” servem para justificar coisas tais como a exegese modernista e a pretensa “ciência das religiões”, é-nos muito difícil considerá-los como um argumento convincente. Não esperávamos ver M. Martigue fazendo uma declaração tão… “evolucionista”, e perguntamo-nos se os métodos que preconiza e que opõe “aos métodos e hábitos defeituosos de alguns” (a quem se refere?), não se aproximam singularmente do “método positivista” de que temos falado… Enfim, se ele conhece “os papéis do próprio Weishaupt”, como dá a entender, esperamos que não demore em comunicar-nos as descobertas que conseguiu fazer nesse sentido, especialmente no que respeita às relações de Weishaupt com “os Reverendos Padres de Ingolstadt”. Nada poderia provar melhor o valor dos seus métodos.

No entanto, não teria valido mais se tivesse dado preferência ao papel que os judeus terão desempenhado na origem do Iluminismo bávaro, assim como nos bastidores de certos “sistemas” da Alta Maçonaria? Com efeito, a esse respeito citamos a frase seguinte do estudo nos Cadernos Romanos: “As maquinações deste génio (Weishaupt) foram sem dúvida ajudadas pelos judeus, herdeiros dos ódios implacáveis da velha sinagoga, pois o famoso Bernard Lazare não retrocedeu ante esta confissão: “Houve judeus em redor de Weishaup” (O Antissemitismo, sua história e suas causas, pp. 339-340).

Assinalamos isso porque já tivemos ocasião de falar dessa influência dos Judeus, porém, há muitas outras coisas interessantes a assinalar nesse trabalho contra o qual o redactor da Revista Internacional das Sociedades Secretas dá prova de uma prevenção que raia a parcialidade. Depois de ter-lhe reprovado “a ausência de variedade na documentação”, apesar de reconhecer o seu “valor real”, acrescentou: “Há outra lacuna muito lamentável quando se quer estudar o Iluminismo, e que é a ignorância da Mística e do Ocultismo”. Voltaremos mais adiante a esse aspecto, e de momento somente sublinharemos que a Mística, que procede da Teologia, é uma coisa, e que o Ocultismo é outra totalmente diferente. Em geral, os ocultistas são profundamente ignorantes da Mística, e esta nada tem a ver com o seu pseudo-misticismo[2].

Desgraçadamente, algo faz-nos recear que as reprimendas de M. Martigue sejam suscitadas por um exclusivo acto de desagrado, como se repara no seu artigo nos Cadernos Romanos contendo uma crítica, muito justa na nossa opinião, da resenha dada por Gustave Bord na mesma Revista Internacional das Sociedades Secretas[3] sobre o livro de M. Benjamin Fabre, Um iniciado das Sociedades Secretas superiores: Franciscus, Eques a Capite Galeato. Falando de “alguns aventureiros maçónicos que procuravam impor-se aos “estúpidos” das Lojas, fazendo-se notar como mandatários dos misteriosos S. I. (Superiores Incógnitos), centro fechado de toda a Seita”, M. Bord comprova que esses aventureiros tão-só se gabavam e deduz que esses S. I. não existiam. A dedução é muito arriscada. Se os aventureiros em questão apresentaram-se falsamente como missi dominici dos S. I., isso não indica que esses últimos não existiam como, sobretudo, demonstra a convicção geral na existência de tais S. I., pois teria sido muito estranho que esses impostores tivessem inventado completamente o mandante antes do mandato. Evidentemente, os resultados do seu cálculo deveriam basear-se sobre essa convicção, pelo que com toda a evidência nada prova contra a existência dos Superiores Incogniti.

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Com efeito, isso é evidente para qualquer um que não esteja cego pela preocupação de sustentar a qualquer preço a tese contrária, porém, não será que o próprio M. Bord, negando a evidência mas pondo-se em contradição com os mestres do Antimaçonismo, desconhece totalmente (segundo as suas próprias expressões) “a disposição, a táctica e a força do adversário”?… “Há anti-maçons muito estranhos”. Era precisamente nessa pequena resenha de Gustave Bord, tão pouco imparcial como as apreciações de M. Martigue, que pensávamos quando fizemos alusão ao “método positivista” de certos historiadores. Mas eis que agora M. Martigue, por sua vez, reprova a Benjamin Fabre e a Copin-Albanceli “o desejo de apresentar o argumento de uma tese preconcebida sobre a existência dos dirigentes desconhecidos da Seita”, mas porque não reprova antes a M. Bord uma “tese preconcebida” sobre a não existência dos Superiores Incógnitos?

Veja-se o que M. Martigue responde a esse respeito: “Quanto à tese oposta à de M. Bord a propósito dos Superiores Incógnitos, é necessário distinguir: se o director dos ‘Cadernos Romanos’ entende por tais a homens de carne e osso, acreditamos que ele está errado e que M. Bord tem razão”. E depois de ter enumerado alguns dos chefes da Alta Maçonaria do século XVIII, continuou: “… Foram apresentados como mandatários de homens vivos, da mesma maneira que nos nossos dias têm o direito de fazê-lo, por exemplo, Mme Blavatsky, Annie Besant e outros chefes da Teosofia, quando nos falam dos Mahâtmâs vivendo numa Loja do Tibete”. A isso, pode-se muito bem objectar que os sediciosos Mahâtmâs foram precisamente inventados sobre o modelo, mais ou menos deformado, dos verdadeiros Superiores Incógnitos, assentando a maioria dessas imposturas numa imitação da realidade cuja mistura habilidosa torna-as mais perigosas e mais difíceis de desmascarar[4]. Por outra parte, como temos dito, nada impede de considerarmos como impostores, em certas circunstâncias, homens que no entanto puderam realmente ser agentes subalternos de um Poder Oculto. Já demos as razões disso e não vemos a necessidade de justificar tais personagens dessa acusação, inclusive da suposição de que “os Superiores Incógnitos não foram homens de carne e osso”. Nesse caso, então quem seriam para M. Martigue? Continuando a nossa citação, mais adiante vimo-lo a ensinar quem eles eram, o que para nós não foi o motivo menor de surpresa no seu artigo:

“Porém isso não é disso que se trata (sic), essa interpretação é totalmente exotérica para os profanos e para os adeptos não-iniciados”. Até aqui havíamos acreditado que o “Adeptado” era um estágio superior da “Iniciação”… mas prossigamos: “O sentido esotérico foi sempre muito diferente. Os famosos Superiores Incógnitos, para os verdadeiros Iniciados, existem perfeitamente, porém eles vivem… no Astral. E é daí que pela Teurgia, pelo Ocultismo, pelo Espiritismo, pela Vidência, etc., dirigem aos chefes das Seitas, pelo menos no dizer destes”. Logo, é a concepções tão fantásticas que deve conduzir o conhecimento do Ocultismo, ou pelo menos de um certo Ocultismo, apesar de todo o “rigor” e de toda a “exactidão” dos “métodos científicos e críticos” e das “provas históricas indiscutíveis exigidas hoje (!) pelos historiadores sérios e os eruditos”?

Das duas coisas, uma: ou M. Martigue admite a existência do “Astral” e dos seus habitantes, Superiores Incógnitos ou outros, e então temos o direito de admitir “que há anti-maçons muito estranhos” além de Gustave Bord, ou ele não admite, como queremos acreditar conforme a sua última restrição, e nesse caso não pode dizer que os que a admitem são “os verdadeiros Iniciados”[5]. Pelo contrário, pensamos que não são mais que Iniciados muito imperfeitos, e inclusive é demasiado evidente que os espiritistas, por exemplo, de maneira alguma podem ser considerados Iniciados!… Tampouco se deve esquecer que o Espiritismo não data senão da época das manifestações de Hydesville que começaram em 1847, sendo desconhecido em França antes do I∴ Rivail, chamado Allan Kardec. Pretende-se que este ”fundou a sua doutrina com a ajuda das comunicações que havia obtido, e que foram recolhidas, controladas, revistas e corrigidas por “espíritos superiores”[6], e teria sido isso, sem dúvida, um exemplo notável da intervenção dos Superiores Incógnitos, segundo a definição de M. Martigue, se desgraçadamente não soubéssemos que os “espíritos superiores” que tomaram parte nesse trabalho não estavam todos “desencarnados”, e ainda não o estão: se desde então Eugène Nus e Victorien Sardou “passaram a outro plano de evolução”, para empregar a linguagem espiritista, M. Camille Flammarion continua celebrando sempre a festa do Sol a cada solstício de Verão.

Assim, para os chefes da Alta Maçonaria no século XVIII o assunto não podia ser uma questão de Espiritismo, que ainda não existia, como tampouco de Ocultismo, pois, se então havia “ciências ocultas” não existia nenhuma doutrina chamada “Ocultismo”. Parece que foi Eliphas Lévi o primeiro a empregar essa denominação, açambarcada, depois da sua morte (1875), por certa escola sobre a qual, do ponto de vista iniciático, o melhor é não dizer nada. São esses mesmos “ocultistas” os que falam correntemente do “mundo astral” do qual pretendem servir-se para explicar todas as coisas, sobretudo as que ignoram. Foi também Eliphas Lévi quem espalhou o uso do termo “astral”, e se bem que esta palavra remonte a Paracelso parece ter sido quase desconhecida dos Altos maçons do século XVIII, que em todo o caso sem dúvida não a teriam entendido da mesma maneira que os ocultistas actuais. Estará M. Martigue, cujos conhecimentos em Ocultismo não contestamos, completamente seguro de que esses mesmos conhecimentos não o levaram a “uma interpretação “totalmente exotérica” de Swedenborg, por exemplo, e de todos os demais que cita assimilando-os, ou quase, aos “médiuns” espiritistas?

Citamos textualmente: “Os Superiores Incógnitos são os Anjos que ditam a Swedenborg as suas obras, são a Sophia de Gichtel, de Boehme, de Martines de Pasqually (sic), o Filósofo Incógnito de Saint-Martin, as manifestações da Escola do Norte, o Guru dos Teósofos, o espírito que se encarna no médium, que levanta o pé da mesa falante ou dita as elucubrações da ouija, etc., etc.” Por nossa parte, não pensamos que tudo isso seja o mesmo pelas suas “variações e matizes”, mas sendo talvez inútil procurar aí os Superiores Incógnitos. Com isso vê-se o que se pode esperar dos espiritistas, e quanto aos “Teósofos”, ou melhor, teosofistas, sabe-se muito bem o que pensar das suas pretensões. Além disso reparamos, a propósito desses últimos, que anunciam a encarnação do seu “Grande Instrutor” (Mahâguru), o que prova não ser do “Plano Astral” que contam receber os seus ensinamentos. Por outra parte, não pensamos que Sophia (que representa um Princípio) tenha alguma vez se manifestado de maneira sensível a Boehme ou a Gichtel. Quanto a Swedenborg, ele descreveu simbolicamente umas “hierarquias espirituais” nas quais todos os escalões poderiam muito bem estarem ocupados por Iniciados vivos, de maneira análoga ao que particularmente encontramos no esoterismo muçulmano.

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No respeitante a Martines de Pasqually, sem dúvida é muito difícil saber exactamente o que era o que ele chamava “a Coisa”. Porém, em todas as partes onde vimos essa palavra empregada por ele, parece não ter querido designar outra coisa senão as suas “operações”, o que mais vulgarmente se entende por a Arte. São os ocultistas modernos que pretendem ver aí “aparições” pura e simplesmente, em conformidade com as suas próprias ideias, apesar do I∴ Franz von Baader previne-nos que “será errado pensar que a sua Física (de Martines) reduzia-se aos espectros e aos espíritos”[7]. Havia nisso, como ademais no fundo de toda a Alta Maçonaria dessa época, algo muito mais profundo e mais verdadeiramente “esotérico”, que o conhecimento do Ocultismo actual não basta de modo algum para poder penetrar.

Contudo, o mais singular é quando M. Martigue nos fala do “Filósofo Incógnito de Saint-Martin”, quando o próprio Saint-Martin e o Filósofo Incógnito eram o mesmo, não sendo o segundo mais que um pseudónimo do primeiro. Conhecemos, é certo, as lendas que circulam a respeito em certos meios, porém veja-se como ele põe admiravelmente as coisas no seu lugar: “Os Superiores Incogniti ou S. I. foram atribuídos pelo um autor fantasista ao teósofo Saint-Martin, talvez porque este assinava as suas obras como um Filósofo Incógnito, nome de um grau dos Fileletos (regime de que por outro lado nunca fez parte). É certo que o mesmo fantasista atribuiu o livro Dos Erros e da Verdade, do Filósofo Incógnito, a um Agente Ignoto, que se intitulava ele mesmo como S. I. Quando alguém se atrela ao incógnito, não deveria atrelar-se demasiado!”[8] Vê-se assim bastante bem quanto perigoso é talvez aceitar sem controlo as afirmações de certos ocultistas, pelo que em semelhantes casos convém sobretudo mostrar-se prudente e, segundo o conselho do próprio M. Martigue, “não exagerar nada”.

Assim, seria um grande equívoco levar esses mesmos ocultistas a sério quando se apresentam como os descendentes e os continuadores da Antiga Maçonaria, e sem dúvida encontramos como que um eco de tais assertivas “fantásticas” na frase seguinte de M. Martigue: “Este assunto (dos Superiores Incógnitos) levanta problemas que estudamos no Ocultismo, problemas para os quais os Franco-Maçons do século XVIII perseguiram com tanto ardor a solução”, sem contar que esta mesma frase, interpretada demasiado literalmente, poderia fazer passar o redactor da Revista Internacional das Sociedades Secretas por um “ocultista” aos olhos “dos leitores superficiais que não têm tempo para aprofundar estas coisas”.

“Porém, continua ele, neste assunto não se consegue ver mais claro mesmo conhecendo-se a fundo as Ciências Ocultas e a Mística”. Isto é o que queria provar contra o colaborador da Agência Internacional Roma, mas porque não provou, sobretudo contra ele mesmo, que esse conhecimento deverá estender-se muito mais longe do que supõe? “É por isso que tão poucos anti-maçons conseguem penetrar nesses arcanos que nunca conhecerão os que pretendem permanecer no terreno positivista”. Isto é, na nossa opinião, muito mais justo que todo o precedente, porém, não estará um tanto em contradição com o que M. Martigue nos diz dos seus “métodos”? E se não se adere à concepção “positivista” da História, então porque toma a dianteira contra todos da defesa de M. Gustave Bord, mesmo quando este é menos defensível?

“É impossível compreender os escritos de homens que vivem no sobrenatural e deixam-se dirigir por ele, como os teósofos swedenborguianos ou martinistas do século XVIII, se não se fizer o esforço de estudar a língua que falam e as coisas que tratam nas suas cartas e nas suas obras. E de antemão menos ainda pretender-se negar a existência da atmosfera sobrenatural em que estavam submersos e que respiravam a cada dia”. Porém isto, além de voltar-se contra M. Bord e as suas conclusões, não é razão para passar de um extremo a outro e atribuir mais importância do que convém às “elucubrações” das tabuinhas espiritistas ou de alguns pseudo-iniciados, chegando ao ponto restringir todo o “sobrenatural” em questão, qualquer que seja a sua qualidade por outro lado, à estreita interpretação do “Astral”.

Outra observação, M. Martigue fala dos “teósofos swedenborguianos ou martinistas” como se essas duas denominações fossem quase equivalentes. Com isso, não estaria tentado a acreditar na autenticidade de certa filiação que sem dúvida está muito afastada de todo o “dado científico” e de toda a “base positiva”? “A este respeito, acreditamos dever dizer que quando Papus afirma que Martines de Pasqually recebeu a iniciação de Swedenborg no decurso de uma viagem a Londres, e que o sistema propagado por ele com o nome de rito dos Élus Coensnão é mais que um Swedenborguismo adaptado, esse autor abusa ou procura abusar dos seus leitores no interesse de uma tese muito pessoal. Com efeito, para expedir semelhantes afirmações não basta ter lido em Ragon, que por sua vez leu em Reghelini, que Martines tomara o rito dos Élus Coensdo sueco Swedenborg. Papus deveria ter-se abstido de reproduzir, ampliando-a, uma afirmação que não assenta sobre nada sério. Deveria ter procurado as fontes do seu documento e assegurar-se de que há escassas relações entre a doutrina e o rito de Swedenborg e a doutrina e o rito dos Élus Coens… Quanto à precedente viagem a Londres, não teve lugar senão na imaginação de Papus[9]. É enojante ver um historiador deixar-se atrapalhar pela sua imaginação… “em Astral”. Infelizmente, as mesmas observações podem aplicar-se a muitos outros escritores que se esforçam por estabelecer as comparações menos credíveis “no interesse de uma tese pessoal”, frequentemente demasiado pessoal!

Mas voltemos a M. Martigue, que mais uma vez nos adverte que “sem o socorro dessas Ciências, chamadas Ocultas, é de todo impossível compreender a Maçonaria do século XVIII e inclusive, o que surpreenderá aos não-iniciados, a de hoje”. Aqui, um ou dois exemplos nos teriam permitido apreender melhor o seu pensamento, porém, vejamos a continuação: “Desta ignorância (do Ocultismo) compartilhada não somente por profanos mas também por Maçons, inclusive os investidos nos Altos Graus, provêm erros como aquele de que nos ocupamos. Este erro lançou a Antimaçonaria na busca dos Superiores Incógnitos que, sob a pena dos verdadeiros Iniciados, são simplesmente manifestações extranaturais de seres viventes no Mundo Astral”. Como já dissemos, por nossa parte não acreditamos que os que possam sustentar essa tese sejam “verdadeiros Iniciados”, porém, se M. Martigue que a afirma acredita verdadeiramente nela, não percebemos muito bem porque se apressa a acrescentar: “O que não prejudica nada da sua existência (desses Superiores Incógnitos), como ademais tampouco do dito “Mundo Astral”, sem parecer dar-se conta que assim põe tudo em causa. Inclusive “não pretendendo indicar mais do que pensavam os Altos Maçons do século XVIII”, estará bem seguro de interpretar fielmente o seu pensamento, e de não ter simplesmente introduzido uma nova complicação num dos problemas para os quais esses II∴ “perseguiam ardorosamente a solução”, porque esta solução devia ajudá-los a tornar-se os “verdadeiros Iniciados” que ainda não eram, evidentemente enquanto não a houvesse encontrado? É que todavia os “verdadeiros Iniciados” são mais raros do que se pensa, mas isso não quer dizer que não os haja ou que só existam “no Astral”. E porque, apesar de viverem na Terra, esses “Adeptos”, no sentido verdadeiro e completo da palavra, não poderão ser os verdadeiros Superiores Incógnitos?

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“Por conseguinte, escrevendo as palavras Superiores Incógnitos, S. I., os Iluminados, os Martinistas, os membros da Estrita Observância e todos os Maçons do século XVIII falam de seres considerados como tendo uma existência real superior, sob a direcção dos quais cada Loja e cada adepto iniciado (sic) estão colocados.” Ter feito dos Superiores Incógnitos uns “seres astrais” depois indicar-lhes o papel de “auxiliares invisíveis” (invisible helpers), como dizem os teosofistas, não é querer aproximá-los demasiado dos “guias espirituais que dirigem igualmente desde um “Plano superior” aos médiuns e aos grupos espiritistas? Talvez não seja inteiramente “nesse sentido que escrevem Eques a Capite Galeato e os seus correspondentes”, e então poderá falar-se de uma “existência superior” que pode ser “realizada” por certas categorias de Iniciados, os quais não são “invisíveis” nem “astrais” senão para os profanos e os pseudo-iniciados a que já fizemos algumas alusões. Contudo, todo o Ocultismo contemporâneo, onde se inclui o Espiritismo, o Teosofismo e outros Movimentos “neo-espiritualistas”, não pode, diga o que disser M. Martigue, levar a mais que “uma interpretação totalmente exotérica”. Porém, se é difícil conhecer exactamente o pensamento dos Altos Maçons do século XVIII, e por conseguinte “interpretar as suas cartas como eles mesmos as compreendiam”, será indispensável que tais condições sejam cumpridas integralmente para não equivocar-se no decurso destes estudos, já de si tão difíceis, mesmo quando se está “no bom caminho”? Há alguém, entre os anti-maçons, que possa dizer que está “no bom caminho” com exclusão de todos os outros? Os assuntos estudados são demasiado complexos para isso, inclusive sem fazer intervir o “Astral” onde nada tem a ver. Portanto, é sempre “fastidioso desprezar a-priori”, inclusive em nome da “ciência” e da “crítica”, alguns trabalhos que, como disse muito bem o redactor dos Cadernos Romanos, não são definitivos, o que não impede que não sejam muito importantes “como o são”. Sem dúvida que M. Gustave Bord terá pretensões de imparcialidade, pelo menos supomos, todavia, terá ele verdadeiramente essa qualidade no grau necessário para realizar o ideal de M. Martigue, “o historiador advertido que sabe encontrar o melhor em todas as partes, cuja crítica sã permite julgar o valor dos documentos”? Ainda mais porque pode haver várias maneiras de estar “no bom caminho”, e basta estar nele, de uma ou de outra maneira, para não “equivocar-se completamente”, sem que inclusive seja “indispensável iluminar a boa rota das tenebrosas luzes (?!) do Ocultismo”, o que desde logo deixa muito claro!

M. Martigue conclui nestes termos: “No entanto, reconhecemos de bom grado que se compreende o poder oculto no sentido que acabamos de indicar, o redactor dos Cadernos Romanos tem razão ao escrever como o fez: “Comprovamos que nenhum documento comprovativo foi apresentado, até agora, contra o poder central oculto da Seita”. Porém se entender-se por tais palavras, contrariamente aos Franco-Maçons iniciados do século XVIII, um comité de homens de carne e osso, somos obrigados a retorquir: “Comprovamos que nenhum documento comprovativo foi apresentado até agora a favor desse comité dirigente desconhecido. E cabe aos que afirmam essa existência dar a prova definitiva. Aguardamos. O assunto permanece em aberto”. Com efeito, ele continua sempre em aberto, e se é certo que “é dos mais importantes”, contudo quem é que alguma vez pretendeu que os Superiores Incógnitos, inclusive “em carne e osso”, constituíam um “comité” ou até uma “sociedade” no sentido vulgar da palavra? Essa solução parece muito pouco satisfatória quando se sabe, pelo contrário, existirem certas organizações verdadeiramente secretas muito mais próximas do “poder central” que a Maçonaria exterior, cujos membros não têm nem reuniões, nem diplomas, nem meios de reconhecimento. É bom ter respeito pelos “documentos”, porém, compreenda-se ser muito difícil descobrir “comprovativos” quando se trata precisamente de coisas que, como escrevemos anteriormente, “não são de natureza que possa ser provada por um documento escrito qualquer”. Ainda nisso é preciso “não exagerar”, e sobretudo é preciso não deixar-se absorver exclusivamente pela preocupação “documental”, a ponto de perder de vista, por exemplo, que a Antiga Maçonaria reconhecia vários tipos de Lojas trabalhando “sobre planos diferentes”, como diria um ocultista, o que no pensamento dos Altos Maçons de então não significava de modo algum que o “acesso” a algumas dessas Lojas tivesse lugar “no Astral”, cujos arquivos, ademais, não são acessíveis senão aos “estudantes” da escola de Leadbeater. Se há hoje S. I. “de fantasia” que pretendem reunir-se “no Astral”, é para não confessar que simplesmente não se reúnem, e se com efeito os seus “grupos de estudos” têm sido transportados “a outro Plano”, não é senão da maneira comum a todos os seres: “em sonho” ou “desencarnados”, quer se tratem de individualidades ou de colectividades, de “comités” profanos ou de “sociedades” pretensamente “iniciáticas”[10]. Nestas últimas há muitas pessoas que querem fazer-se passar por “místicos” mas que não são mais do que vulgares “mistificadores”, às quais não importa juntar o charlatanismo ao Ocultismo[11], inclusive sem possuir os “poderes” ocasionais que às vezes exibiram um Gugomos ou um Schoepfer. Talvez também valesse melhor estudar um pouco mais acerca das “operações” e da “doutrina” destes últimos, por muito imperfeitamente iniciados que tenham sido, que as dos pretensos “magos” contemporâneos que não são de todo iniciados, ou pelo menos não o são em nada sério, o que vem a ser o mesmo.

Tudo isso, entenda-se bem, não significa que não seja bom estudar e conhecer o Ocultismo já “vulgarizado”, mas não lhe dando mais que a importância muito relativa que merece, mas sem procurar nele o que não possui e demonstrar, se houver oportunidade, toda a sua insanidade, a fim de precaver os que estiverem tentados a deixar-se seduzir pelas aparências enganosas de uma “ciência iniciática” completamente superficial e de segunda ou terceira mão. Não se deve criar nenhuma ilusão: se a acção dos verdadeiros Superiores Incógnitosexiste um pouco, apesar de tudo, até nos movimentos “neo-espiritualistas” tratados, quaisquer que sejam os seus títulos e as suas pretensões, não é mais senão de uma maneira tão indirecta e tão afastada como na Maçonaria mais exterior e mais moderna. Já provámos o que acabamos de dizer e teremos ocasião, em próximos estudos, de trazer a respeito outros exemplos não menos significativos.

NOTAS

[1] Número de Outubro de 1913, páginas 3 – 725 a 3 – 737.

[2] Opinião arbitrária do autor afim às controvérsias acesas do cenário ocultista dos fins do século XIX mas com a qual não concordamos, pois que na realidade a Mente e o Coração, a Cultura e o Carácter, deverão estar em perfeito equilíbrio entre si como “marca real” do verdadeiro Ocultista (nota do tradutor).

[3] Número de 5 de Setembro de 1913, página 3 – 071 e seguintes.

[4] Opinião nada imparcial do autor na época em desagravos pessoais com a Sociedade Teosófica, em parte devido a conflitos ideológicos com Papus, em parte devido a discordâncias abertas com Henry S. Olcott que tomara a defesa aberta da entretanto falecida Helena P. Blavatsky. Não fora isso, decerto M. R. Guénon teria aceitado de bom grado que os Superiores Incógnitos do Ocidente e os Mahatmas do Oriente são precisamente os mesmos Seres, ou seja, os preclaros Membros do Governo Oculto do Mundo instalados estrategicamente por todo o Orbe (nota do tradutor).

[5] Tanto M. Guénon como os autores alvos das suas críticas parecem desconhecer que o verdadeiro Iniciado relaciona-se ao Plano Astral Cósmico, Kama-Fohat, e não tanto ao Astral Planetário, Kâmico, o Mundo dos Desejos e Emoções campo de todas as modalidades psíquicas que por norma não lhes é motivo de empatia ou afinidade (nota do tradutor).

[6] Dr. Gibier, Le Spiritisme, pp. 136-137.

[7] Os Ensinamentos Secretos de Martines de Pasqually, p. 18.

[8] Notícia histórica sobre o Martinesismo e o Martinismo, pp. 35-36 em nota.

[9] Notícia histórica sobre o Martinesismo e o Martinismo, p. 17 em nota.

[10] Opinião arbitrária do autor que mesmo assim concordamos com ela em tudo, excepto não se poder afirmar categoricamente que uma pessoa, pensando e sentindo como normalmente o faz, que veja “de fora” o seu próprio corpo estendido no leito, por exemplo, isso seja um simples sonho ou devaneio sensorial por uma qualquer perturbação psicossomática. Sabemos bem que René Guénon teve muitos desses “sonhos djins”, para usar da sua linguagem islâmica, e logo sabia de antemão estar sendo muito pouco imparcial com tudo quanto se referisse ao Ocultismo e a Teosofia, isso mais por desavenças pessoais com alguns teósofos e ocultistas, nomeadamente Papus, do que qualquer outra coisa, criando assim uma inibição ou preconceito que destoa largamente do resto da sua obra analítica e crítica do mais extensivo valor simbológico e tradicional (nota do tradutor).

[11] Absolutamente de acordo! (nota do tradutor)

Texto traduzido do original francês por Vitor Manuel Adrião

Vida Nova – Por Henrique José de Souza Sexta-feira, Jul 4 2014 

Henrique José de Souza

AOS QUE ME COMPREENDEM

Onze anos se passaram depois da Queda da Bastilha – ainda mais sendo ONZE o Arcano da Força – e surge o ano de 1800, portador dos mais transcendentes acontecimentos. Século XIX, cujo alvorecer é levado a efeito por meio de apoteótico Avatara que o mundo desconhece por completo. Abre-se um túmulo para ser fechado logo em seguida… “E toda a Terra foi bendita com a sua momentânea presença”.

Oitenta e três anos depois (soma 11, ou seja, o mesmo Arcano…), já em outra região antípoda à primeira, novo túmulo que se abre, para transformar-se em berço. Visita Interiorae Terrae Rectificando Invenies Omnia Lapidem… Dir-se-ia que um Génio Planetário – chamemo-lo de Buda-Mercúrio, dirigente do Mental Superior ou Buda-Taijasi – humana forma houvesse tomado, a fim de poder melhor dirigir aqueles que ficaram fiéis ao Espírito de Verdade! Mercúrio e Vénus, HERMES-AFRODITE, o Hermafrodita ou Andrógino Divino. Assim, em vez de UM são DOIS que dão entrada no palco cénico da Vida: Castor e Pollux, Helius e Selene, os GÉMEOS ESPIRITUAIS. Tudo o mais quanto se pudesse conhecer a respeito não passa de densos véus encobrindo o excelso mistério dos Deuses!

O século XIX termina de um modo desastroso para a OBRA: uma cabeça que rola, como aquela de Eurídice chorada por Orfeu, porém, dessa vez em certa rua de Lisboa.

Ulisses chora a sua desdita na cidade por ele mesmo fundada, Ulissipa ou Lisboa, tanto vale. Mais uma vez, as directrizes divinas foram modificadas!

Percorridos, já agora, CENTO E ONZE ANOS, para aquela mesma Queda da Bastilha, à guisa de uma volta do Colar de SUTRATMA, surge o de 1900, século XX, o mesmo em que presenciamos, num misto de dor e de alegria, acontecimentos tão favoráveis à vida humana como à sua destruição, ao seu aniquilamento. Onze anos, também, da Proclamação da República Brasileira: 1889-1900. Um século justo para o Avatara de 1800. A OBRA começa a ajustar-se, a harmonizar-se pelo Heptacórdio Celeste. Sim, de sete em sete anos factos da maior transcendência vinham preencher as páginas em branco da sua História, pois que outras já o tinham sido desde tempos imemoriais. Nesse caso, a Matemática Divina em acção, o Carro, a Mercabah…

A maior apoteose do dealbar do século XX transcende das seguintes palavras que fazem jus não só à promessa de São Germano de volver ao mundo em tal época, como à profecia de Blavatsky na Introdução da sua Doutrina Secreta, por demais conhecida de Ocultistas e Teósofos, ou seja, “de um outro que deveria vir das margens do Nilo, etc., para completar o que a ela mesma não era possível revelar ao mundo”.

Brasil, Portugal, Índia! Índia, Portugal, Brasil! O Oriente funde-se no Ocidente!

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Sete anos depois do finalizar do século XIX (o mesmo da vinda de H.P.B.), que terminou, como se viu, de modo tão desastroso, tem lugar uma Ressurreição. Novo túmulo que se transforma em berço… 1899-1906. No entanto, para o de 1883, 23 anos decorridos, para fazer jus aos graus de latitude donde e para onde vieram. Daí o engano, a maya, a ilusão da diferença de idade de um para outra… Silenciemos o resto.

No ano seguinte, o sétimo depois de 1900, apagam-se as luzes que iluminaram durante algum tempo a vida de uma criança privilegiada. Duas almas em voo sereno pelo espaço infinito dos céus. Um espécie de voo nupcial post-mortem, não sob os acordes da Marcha Nupcial do Lohengrin de Wagner, mas da Fúnebre de Chopin. O jovem faz-se homem e as 3 prodigiosas iniciais J.H.S. passam a ser H.J.S., sim, porque o Filho do Homem não podia deixar de ter o H no começo do seu nome terreno.

Ademais, o H, como letra aspirada, é a única consoante que faz vibrar as vogais do OEEHAOO sagrado, na razão das “sete Vozes Celestes ou Dhyânicas”, e percebidas por Ezequiel na sua visão extraterrena! Momento de Êxtase, Samadhi ou União com a Consciência Universal!

Sete Trombetas capazes, ainda, de se transformarem em SETE TAÇAS EUCARÍSTICAS, através das quais aquela mesma Consciência, Princípio Átmico ou Crístico passará durante todo o ciclo evolucional da Mónada. E de modo sintético, diante do Altar onde tremeluz o mágico Triângulo da Iniciação, todos aqueles que puderam alcançar na Terra a Meta desejada: a da SUPERAÇÃO.

Juntando-se essas 3 consoantes (JHS) às referidas vogais descidas à Terra através do Hálito Divino, dentre outras palavras transcende a do mesmo Jeoshua Ben Pandira, sem falar nas que figuram na mesma Taça Eucarística, como é de todos conhecido, embora ignorando, sim, a sua verdadeira razão de ser. Nesse caso, envolvendo o mistério das 3 letras hebraicas: Jod – He – Shin (em outras línguas sagradas, Suss, Suos, etc.), que a bem dizer também se ligam ao da Tríplice Corrente ou Emanação Divina (Positiva, Negativa e Neutra, Pai, Mãe e Filho ou Espírito Santo), a ponto de tomar forma humana à qual se dá o excelso nome de Governo Oculto (ou Espiritual) do Mundo.

Sublime revelação àqueles que já sabem, que já conhecem os Mistérios Maiores.

O H equilibrante do OEEHAOO, ou aquele que fica em quarto lugar justamente quando se colocam tais letras da referida maneira (o que, aliás, ninguém até hoje fez…), indica a Direcção ou Governo do nosso Globo, como QUARTO do Sistema. É aquele cuja visão penetra através da Estrela Polar, e a quem se dá o precioso nome de Olho de Druva. Hermes, o Trismegisto, ou Três Vezes Grande, não podia deixar de ter o nome iniciado por um H. Hermes e Buda-Mercúrio possuem o mesmo significado. Qualquer dos dois representa o Planetário da Ronda. Por isso que, como o Quarto dentre os Sete Irmãos ou Autogerados do UNO-TRINO, é expresso na referida palavra composta de sete letras, no quarto lugar.

Na Atlântida, o Governo terreno era exercido entre os Sete Irmãos ou DHYANIS – os chamados Sete Reis de Edom (Éden ou Paraíso Terrestre), sendo que o Temporal se encontrava na Quarta Cidade, enquanto o Espiritual, representando o Mundo Divino, na Oitava, razão das suas altíssimas muralhas, que os Rakshasas negros, os lemurianos da Raça anterior, quiseram destruir para ver o que por detrás das mesmas se passava. Por isso procuraram construir a tradicional Torre de Babel, cuja verdadeira interpretação jamais foi aquela que lhe deu a Igreja, além do mais por ignorar, como a própria Ciência Oficial, a existência dos dois referidos continentes: o da Lemúria e o da Atlântida, sem falar dos dois anteriores, cujas Raças de humanas nem sequer tinham a forma.

1914! Começo da Conflagração Europeia, cujo epílogo, a bem dizer, está consubstanciado na Grande Catástrofe que ameaça destruir o Mundo inteiro, o que, diga-se de passagem, seria impossível, desde que a Evolução Humana se prolongará ainda durante verdadeiras eternidades. Um Ciclo que morre para dar lugar a um outro portador de melhores dias para o Mundo. Esta foi a razão do nascimento da nossa OBRA. Nesse mesmo ano (1914), a perda da fortuna material para a aquisição da espiritual, que outra não é senão essa mesma OBRA a que acabamos de nos referir. Na hora, porém, daquela exigida tragédia, não faltaram “o cabelo à nazareno” e uma cela de ermitão na cidade de Nazaré, no interior baiano. Assim, H.J.S. fazia o papel de Yokanan de si mesmo, por outro ter morrido em seu lugar. O mistério de João Baptista que se repete em todas as épocas: João – Herodes-Herodíades – Salomé, ou J.H.S.

1921! Os GÉMEOS ESPIRITUAIS no cume da Montanha Sagrada. Cume ou CUMARA, tanto vale… E isso aos 23º de Latitude Sul, Trópico de Capricórnio, ou outro que faz jus ao de Cumara ou Kumara, como já ensinámos tantas vezes. Sim, por terem eles vindo, como já foi dito, dos mesmos graus de Latitude Norte, Trópico de Câncer, ou seja, em pleno deserto da Líbia, de uma Fraternidade ou Colégio Iniciático com o nome de KALEB, que quer dizer Cão. Mas isso em relação com a constelação de ORION, ou seja, “o mesmo que com o seu cão foram transformados em estrelas…”, como diz a Mitologia Grega, cujo sentido já tivemos ocasião de dar em outros trabalhos.

No cume da Montanha Sagrada, outras Três Misteriosas Personagens concorreram para se manifestar novamente na Terra o Presépio ou Creche. Algo assim como os Três Reis Magos, portadores de preciosas dádivas. De facto, alguns anos depois tais dádivas vieram: um Livro, uma Frasqueira contendo o Licor de Shukra ou Vénus, e o precioso Símbolo mais conhecido como Chave de Pushkara, que esteve na Presidência Geral em São Lourenço durante sete anos, e depois em exposição na Matriz pelo período de três dias, por sinal que visitado por vultuoso número de pessoas, pertencentes ou não à OBRA. Por sua vez, o Cavaleiro da Capa Vermelha ou AKDORGE (Maitri, Mitra, Maitreya, etc.) aparecendo-lhes por três vezes, na mesma razão do já referido termo Trimesgisto, segundo o demos anteriormente. Nesse caso, Pai e Filho diante de seus Filhos e Pais… Palavras cruzadas que ninguém jamais descobrirá. No entanto, os Dois Deva-Pis, a que se refere a famosa profecia do Vishnu-Purana, respondem pelo mistério. Finalmente, São Lourenço e o silêncio profundo das suas cavernas. Um Sistema Celeste gravado na face da Terra. Montanhas, Embocaduras Aghartinas, Jinas, Todes e Totens.

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1928! O Homem integra-se em Si mesmo. Nova Ressurreição, Hossanah, Aleluia! O dia dos Imortais, ou seja, o 28 de Setembro do mesmo ano. 28, o prodigioso número dos asterismos lunares, duas vezes quatorze do mistério solar. Doze mais dois signos ocultos do Zodíaco: os 14 pedaços de Osíris procurados por sua esposa-irmã Ísis. Como na Batalha de Kurukshetra, segundo o poema épico, o Mahâbhârata, “cornos bélicos, tambores e tamborins… além do sopro nas divinas conchas”, que outras não são senão as narinas… a fim de madificar as forças subtis da Natureza, e com isso derrotar o inimigo… Mistério! A eterna luta entre lunares e solares, ou as Forças do Mal e as do Bem, agora mesmo em franco e decisivo combate. Por que não dizer: Herr Hitler de um lado, e El Rike ou Henrique do outro. Sempre o misterioso H na direcção do Globo, na sua dupla face: Destruere et Construere! Para bom entendedor, meia palavra basta.

1935! Corpo que baqueia em um leito de morte! E isso depois de acidentada viagem, parando de estação em estação, de Cruzeiro às costas! São Lourenço dessa vez não foi galgada. Agonizando num vagão especial da Central do Brasil, estação de Cruzeiro, Nova Ressurreição! Vitoriosa marcha para a Casa de Deus, Arcano 16, como o número dos degraus da Vila Helena, Presidência Geral da S.T.B. em São Lourenço. A sublime protecção dos Jinas e Todes da Montanha Sagrada. Veni, vidi, vinci!

Finalmente, depois de outras tantas provas no período cíclico de sete anos, como sempre acontecia, surge o ano de 1942, que em verdade, astrologicamente falando, começa a 22 de Março. VIDA NOVA! O Enigma do Futuro! A luta entre a Vida e a Morte! Na Balança do Humano Destino, uma das suas conchas penderá para o lado que há-de sair vitorioso: o do Bem ou o do Mal! As ameaças do privilegiado continente americano pelos representantes das civilizações decadentes, que tanto valem pelas Forças do Mal. Rari nantes in gurgite vasto! Raros náufragos nadando no vasto abismo! Os futuros destinos do Mundo!

Felizes dos que não viram e creram. Sim, porque aqueles que até agora não compreenderam, jamais compreenderão. Sic transit gloria mundi!

FALANDO POUCO MAS DIZENDO MUITO, OU DENSOS VÉUS QUE SE RASGAM

Os dois números anteriores desta Revista Dhâranâ, um especial dedicado ao Panamericanismo, e outro relativo ao trimestre (Outubro a Dezembro de 1941, n.º 110), representam uma Apoteose da OBRA. Um ciclo que se finda para dar começo a outro, cheio de dúvidas e incertezas. O Exoterismo e o Esoterismo unem-se para revelar ao Mundo os reais valores desta mesma OBRA. Nem todos compreenderam o seu verdadeiro sentido, desde que a maioria – inclusive os altamente colocados na vida – se acha envolvida pelas formas grosseiras da matéria, aquelas que não permitem ao Homem discernir o falso do verdadeiro.

Sim, o número especial ultrapassou as possibilidades humanas. Basta dizer que, no mesmo dia em que teve lugar a inauguração da III Conferência entre as Nações Americanas, surgia ele como uma verdadeira apoteose, vitória retumbante na imprensa especializada do País, como tiveram ocasião de dizer alguns jornais, enquanto os próprios embaixadores: “Formidável sucesso! Será o único e mais valioso documento deste facto histórico que vai decidir os destinos do Mundo”. Mas, em verdade, a parte esotérica da questão ninguém, absolutamente ninguém, a soube ou quis compreender. Nem por isso ela deixou de produzir o efeito desejado onde, justamente, deveria produzir: no mundo verdadeiramente culto e digno, o mundo dos Adeptos, dos Iniciados, dos Homens Perfeitos. Quanto ao resto, pouco interessa, fiquem com os seus falsos galardões, hipotéticas posições, misérias de toda a espécie, que mais hoje, mais amanhã os colocarão no lugar a que estão destinados. Honny soit qui mal y pense!

Quanto ao número referente ao trimestre (n.º 110), é fácil fazer a sua síntese:

Colombo e Cabral, os grandes descobridores do Novo Mundo, os enviados da Agharta para as futuras realizações do Culto de Melki-Tsedek, ou o Templo de Jerusalém reedificado no Mundo. Sim, com o advento de uma Nova Civilização em substituição à decadente, desde que a Vida Universal, como se sabe, é repartida em Ciclos. Destruere et Construere, Corsi e Ricorsi.

Paracelso – tal como Nostradamus e outros mais – o sábio profeta anunciador e alicerçador de tão sumptuoso Edifício. Razão porque tanto cura os corpos como as almas. Serve-lhe de símbolo protector a Espada do Conhecimento e da Justiça que ele trazia sempre consigo, em guisa de Cruzeiro ou Pramantha que está sob a égide do Governo Espiritual ou Oculto do Mundo, diante do qual todos os reis, todos os dirigentes de povos não são mais do que simples escravos, sendo que aqueles que ultrapassam os ditames da LEI, mais hoje, mais amanhã serão destruídos. Haja vista a Queda da Bastilha, a Revolução Francesa por ele mesmo, Paracelso, prognosticada através da, por sua vez, Queda da Flor-de-Lis dos Bourbons. Na mesma razão, poder-se-ia dizer hoje: queda da Sovástica (adoptada por Herr Hitler) para exaltação da Suástica (adoptada por EL RIKE), embora a confusão estabelecida entre as duas por aqueles que já deviam ter aprendido a sua diferenciação. A primeira, símbolo da Involução, considerada nefasta por Jainos e Budistas na Índia. A segunda, símbolo precioso da Evolução considerado como protector do Mundo. Não fosse o Precioso Símbolo desse mesmo Governo Espiritual do Mundo, do qual Hitler quis roubar os privilégios mas acabou por se servir do que lhe competia: o mau e o falso. Outros que o acompanham, por sua vez, escolheram símbolos nefastos: camisas pretas, tíbias e caveiras, como nos pavilhões dos piratas de outrora e nos avisos dos lugares “onde a vida corre perigo”.

Cagliostro e São Germano, famosos realizadores de todas as épocas, pouco importa os nomes com que se apresentem: Lilium Pedibus Destrue! Lorenzo Paolo Domiciani! LAUDATE PUERI DOMINE! LOURENÇO PRABASHA DHARMA! Ontem e Hoje, mas sempre os mesmos! As Ordens de Cavalaria ao serviço das Obras e dos Seres de procedência Divina.

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Repetimos: nem todos puderam descobrir “por baixo da Letra que mata o Espírito que vivifica”. O facto é que não podíamos, nem poderemos jamais, falar de outro modo. Lembramos apenas o margaritas ante porcos, atribuído ao meigo Nazareno. Houve até quem se revoltasse contra essa maneira de se iniciar os homens, que já provém dos memoráveis tempos da Atlântida, e hoje mesmo nas escolas oficiais, como um simples e apagado vislumbre, recebeu o nome de teste. E ninguém reclama nas escolas, talvez, quem sabe, por ser pago o ensino… Novas sentenças vêm juntar-se à primeira: “Não procures fora o que está dentro de ti mesmo”, “Quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece”. Homem, conhece-te a ti mesmo! Sim, triste revolta aquela contra A SUA PRÓPRIA RELIGIÃO, se se atribui ao mesmo Jeoshua o “faze por ti, que eu te ajudarei”. Nada pior que uma revolta dessa natureza, quando menos se conhece o seu próprio destino! Pobres representantes de uma Humanidade em franco declínio! Sim, porque os que ficaram fiéis ao Espírito de Verdade, bem se pode dizer, àquela não mais pertencem agora, com o dealbar do novo Ciclo.

Dentro em breve será tão tarde para ouvir a Voz da Razão e da Verdade como nos últimos dias da Atlântida, quando o povo ao suplicar ao sacerdote MU-KA que o salvasse, o mesmo lhe dizia: “Não vos preveni que este seria o vosso fim? Por muito tempo vivestes afastados da LEI, agora é tarde. O mais que posso fazer é morrer convosco”. E a terra, tremendo debaixo de seus pés, submergiu no seio das águas… Lá está ela ainda à espera da sua total redenção…

Algo parecido vos posso dizer nos dias que correm: há longos 18 anos vos prevenia de todas as coisas a que estais assistindo. Em artigos, por esta Revista e em diversos jornais do País, em mensagens que vos eram dirigidas, em sessões hebdomadárias, do mesmo modo, até agora a vós dedicadas. Não me quisestes ouvir, nem a quantos falaram em meu nome. E isso, além do mais, porque “santo da casa não faz milagre, nem ninguém é profeta em sua terra”, mesmo que ignoreis a minha verdadeira terra, em resumo, quem sou, donde venho e para onde vou… Ouvi bem: sorrisos zombateiros como os de hoje, tive ocasião de presenciar em outras épocas, mas também ajudeia a chorar os mesmos que pagaram de tal modo o bem que eu lhes queria fazer…

Quantas e quantas vezes, eu e aqueles que me acompanham – alguns deles desde vidas imemoriais – vos temos dito que “para pertencer às nossas fileiras, os deserdados da sorte não necessitam oferecer coisa alguma em troca do que de graça lhes damos?” A Verdade não se vende nem se compra… Não somos os vendilhões do Templo, expulsos a chicote pelo meigo Nazareno. Outros preferem sê-lo: religiões bastardas, espiritualistas do velho ciclo! Ricos e pobres, em nosso meio, são recebidos da mesma maneira. No Culto de Melki-Tsedek, o pão é dividido ao meio. Razão de adoptarmos por lema UM POR TODOS, TODOS POR UM!… E quanto ao da nossa Missão, ou seja, o SPES MESSIS IN SEMINE, a esperança da colheita está na semente, esta não é escolhida entre os abastados da vida, a menos que tal abastança fosse de bens espirituais concebidos por estas exigências: bom carácter, distribuição de favores onde quer que eles faleçam, o que tanto vale por ser fraterno para com todos os seres da Terra, aspirante, enfim, à LUZ SUBLIME DA VERDADE. Verdade esta que só se adquire por esforços próprios. Razão de nem um só dos Iniciados ter falado ao mundo senão por parábolas e símbolos.

Dentro em breve, mesmo que o desejeis, a Porta do Templo estará cerrada àqueles que chegaram tarde, isto é, só se dignaram a procurá-la quando movidos pelo terror, pela visão macabra dos dias que vêm a caminho. A Verdade é procurada por amor à mesma Verdade, e não por interesses estranhos, sejam eles quais forem, para não se equiparar à criança que para cumprir os seus deveres escolares necessita que lhe prometam doces, brinquedos, passeios e outras coisas mais…

Com a entrada do novo ano astrológico, ou seja, a 22 de Março – que quando fizerdes esta leitura já terá ficado para trás nas vossas vidas – é bem provável que já vos seja interdito semelhante privilégio. Trata-se de fenómeno idêntico ao encontro das águas do rio com as do mar. No Amazonas, por exemplo, tal encontro ou choque tem o nome de pororoca, e o seu ruído é ouvido a grandes distâncias. No caso vertente, o ruído das águas passa a ser o das armas na luta renhida das Forças do Mal contra as do Bem. Já o dissemos anteriormente.

Amazonas, rio-oceano! Amazonas, toda a região privilegiada por ele banhada e que por si só pode servir de celeiro do Mundo. Fala bem alto o gesto amigo e fraterno da América do Norte, de parceria com o seu irmão gémeo Brasil, prevendo os horrores que terão lugar depois da mais terrível de todas as guerras que a História subscreve.

Brasil! Nova Canaan, Terra da Promissão. Abrigo seguro para todos os povos da Terra.

S. T. B., BARCA DE SALVAÇÃO…

Buda e Barca

Contrariamente ao que se possa julgar, a Barca de Salvação, que é a S.T.B., já existia desde o ano de 1900. Se para o mundo ela não tinha a forma objectiva que recebeu em 1924, para não dizer em 1921, era por estar encoberta pela mayávica (ou ilusória) cerração das formas grosseiras da matéria. Por isso existia no mundo dos Iniciados, o mundo dos Adeptos da Boa e Verdadeira LEI, a LEI que a tudo e a todos rege. O seu “cavername” foi fornecido pela Grande Barca ou MAHA-YANA, o Budismo do Norte, em cujo Templo – de SRINAGAR – este adolescente das 16 primaveras esteve, e a quem, ao dar entrada na praça principal da cidade, acompanhado de régia comitiva… uma boa samaritana oferece um pouco do líquido cristalino que jorra até hoje de uma fonte, que lhe fica à direita. No Templo, durante sete dias seguidos, o mistério de um Ritual jamais conhecido do mundo…

Vinte e um anos, ou antes, vinte e dois anos depois, se contarmos o da chegada que foi o de 1899, como se viu, os Gémeos Espirituais sobem à Montanha Sagrada. Os preciosos frutos de tão pródiga viagem ao Norte da Índia, por sua vez instalados até então no Mundo Aghartino, aparecem na face da Terra… Sendo sete e cada um deles possuindo os seus dois Ministros ou Colunas Vivas, perfazem o precioso número 21, que adicionando à Origem forma o total dos Arcanos Maiores: 3 x 7 = 21; 21 + 1 = 22. O mesmo se pode dizer da Palavra Sagrada, o AUM, e do próprio termo Maitri (Três Mundos ou Três Mayas, etc.), que serve de eco ao Apta, ao Templo, ao Lugar da Origem, como outrora na Atlântida as sete cidades e mais a oitavo ou última, onde se encontrava o Mistério Divino manifestado na face da Terra…

Eis aí a razão de se ter afirmado inúmeras vezes que o Templo – que é a S.T.B. – pode ser destruído pelos monstros actuais que governam o Mundo. Mas essa repercussão septenária da OBRA em sete partes do Globo, nem eles nem ninguém, absolutamente ninguém, será capaz de o fazer… Isso já era afiançado desde os primeiros dias da objectivação da OBRA: “Dhâranâ, do pedestal em que te achas erguida não há forças humanas, por mais poderosas que sejam, que te possam apear!” Assim, não há como experimentar tão ingrata façanha!…

7 Anjos diante do Trono

Sim, no caso em que desaparecesse o Templo, seriam Eles – Trombetas da Visão de Ezequiel – que fariam repercutir por todo o Orbe Terrestre o próprio Verbo Solar, a Voz de Jehovah, para que o Mundo fosse novamente construído. Não prometeu, por sua vez, o Rei do Mundo, em sua última profecia, que se os homens fossem de todo destruídos, ou mesmo só ficassem os maus, “Ele viria à frente do seu Povo para extirpar as más ervas do vício e da loucura da face da Terra”? Assim, tais palavras hoje se aclaram.

Por tudo isso e muito mais ainda, a S.T.B. é o Sol Espiritual em torno do qual giram sete outros Sóis (ou astros) menores. Sempre o mesmo mistério dos Sistemas Solares! No céu, na face e no seio da Terra!

Tão privilegiada é Ela como a Pátria onde se firma. Nem se poderia conceber de outra maneira! Sim, algo superior tomando vida e forma, em lugar positivamente inferior ou sem a seiva espiritual de que carece tão excelso empreendimento.

Do mesmo modo que na Terra a Rosa e Cruz rutilam como um Cruzeiro no peito do Mestre de Obras, o Timoneiro que dirige tão valiosa Barca, assim também no céu o Cruzeiro do Sul resplandece no fulgor da sua magnificência todo o mistério que ele procura ocultar aos olhos profanos. No Cinturão de Hércules, por sua vez, lá está o Punhal ou Cruz, precioso símbolo do Quaternário Terreno, pois, como se viu, é o quarto Globo do nosso Sistema! Nesse caso, dirigido pelo Quarto Planetário, como se disse em outros lugares, dentre os Sete Irmãos ou Autogerados do Uno-Trino.

Oculta no cerúleo manto da Virgem, a constelação de ORION, aquele que foi transformado, juntamente com o seu CÃO (com vistas a Kaleb, Fraternidade no deserto líbio) SÍRIO, nessa forma estelar, olha dos lado oposto às Sete Plêiades a que ele perseguia na Terra, segundo a Mitologia Grega. Por sua vez, em oposição àquelas os chamados Rishis na Mitologia Hindu, como esposos-irmãos das Krittikas ou Amas do Karttikeya (o próprio Maitreya, Maitri, Akdorge, etc.)1, formando pares de sete na razão, ainda, dos 14 pedaços de Osíris, à parte o que já foi dito a respeito dos signos do Zodíaco.

Osíris, por sua vez, como outrora no Mundo (no Egipto) vagando em sua Barca pelas ondas rendilhadas do Nilo, já agora estelar Caminho dos Devas, Via Láctea, poeira cósmica tecida pelos cometários astros, no seu misterioso e trabalho de fecundadores dos Universos!

S.T.B., Barca da Salvação vogando no tempestuoso mar da vida, embora espiritualmente ancorada em Porto Seguro.

Brasil, Terra da VERA CRUZ, Rosa e Punhal, Pramantha protector do Mundo em torno do qual são tecidos os seus próprios destinos. Sim, deste mesmo Mundo na estertorosa agonia de um Ciclo para a espectacular Ressurreição de um outro capaz de lhe trazer a verdadeira e duradoura Paz, segundo exige a LEI que a tudo e a todos rege2.

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NOTAS

(1) As Plêiades, além de outros sentidos mais ocultos, simbolizam as 7 Raças-Mães ou os 7 estados de Consciência pelos quais deve passar a Mónada durante toda uma Ronda. Daí serem elas as Mães ou Amas de Maitreya, Karttikeya, etc., ou seja, do Planetário da Ronda ou a própria Tríade Superior. Maitri, como temos ensinado tantas vezes, não significa apenas Compaixão, como julga o grande sanscritista Burnouf, mas o de Tríplice Forma, que o mesmo é dizer Atma-Budhi-Manas, ou a própria Mónada, aquele que venceu os três Mundos ou as três qualidades de Matéria: Satva, Rajas e Tamas. É esta a razão dos Avataras ou Manifestações da Divindade que se fazem nas 7 referidas Raças-Mães, em Ciclos maiores ou menores, sem falar nos Manus grandes e pequenos das Sub-Raças, Ramos e Famílias, como Tulkus daqueles.

É aparente contradição dizer-se que o último Avatara Kalki (“Cavalo Branco”) é o décimo. Os Avataras apresentam-se como 7, correspondentes às 7 Raças-Mães ou estados de Consciência. A esses 7 junta-se o valor trino de Maitreya, como Tronco ou Origem dos outros, sendo esta a razão de se falar no décimo Avatara. A verdade, porém, sobre tão transcendental assunto é que os referidos Avataras não são 7 nem 10, mas 14, de acordo com os signos do Zodíaco que, ao contrário do que se pensa, são 12 visíveis e 2 invisíveis ou “secretos”.

É oportuno lembrar que os signos do Zodíaco, representando as próprias Hierarquias Criadoras, têm a forma de animais e coisas, para melhor encobrir ou velar o sentido oculto que eles exprimem. Nos antigos Colégios Iniciáticos, e ainda hoje no Mundo Jina ou Aghartino, ele é apresentado uniforme, isto é, ou todo constituído de animais, ou todo representado por objectos.

Se se não tomasse essa providência no mundo profano, e junto a Piscis se colocasse o animal substituído por Aquarius, seria fácil descobrir a sua chave interpretativa. O mesmo aconteceria se junto a Câncer e Leo não tivesse sido representado o signo de Geminis por dois animais sagrados.

Já mais de uma vez dissemos que os totens ou animais sagrados adoptados por todos os povos mais ou menos civilizados, e ainda hoje existentes entre os selvagens como vergônteas que são de velhas civilizações, acham-se relacionados com os signos do Zodíaco. Daí podermos considerar o termo Tode, dado aos guardiões dos lugares sagrados (montanhas, embocaduras aghartinas, etc.), como uma corruptela do termo Totem, visto em todas essas regiões também se adorar um animal sagrado.

A Nilguíria, no Sul da Índia, tem por totem o Búfalo, com o qual conversam os Todes da região, segundo nos diz Blavatsky no seu livro Aux Pays des Montagnes Bleus. A tão pouco conhecido assunto, alguma coisa podemos ainda acrescentar: em todos esses lugares, lado a lado dos Todes, vivem seres que representam o último grau de degenerescência. Denominam-se, na Nilguíria, de Mulukurumbas, e são dotados da estranha faculdade de matar em 13 dias as pessoas por eles fitadas com essa intenção. Este facto levou as autoridades inglesas, depois de terem assim sucumbido dezenas de oficiais destacados para aquela região, a instituir severas penalidades àqueles que empregassem tais processos de assassinato.

Podemos concluir a este respeito que o Tode representa a semente de uma civilização futura, e o Mulukurumba o resto degenerado duma civilização desaparecida há milénios sem conta. Um e outro são aquilo que poderíamos chamar o Alfa e o Ômega da Evolução Humana. Os Mulukurumbas, tal como várias tribos do interior da África, apresentam-se disformes e como verdadeiros pigmeus, visto ser uma ideia geral que os filhos das raças em decadência diminuem de tamanho. Temos como exemplo desse fenómeno os japoneses, em marcha acelerada para o tipo Mulukurumbas atrás descrito, por serem uma das derradeiras vergônteas da grande Raça Lemuriana que floresceu há mais de 18 milhões de anos.

(2) A intuitiva e maravilhosa ideia de Roosevelt de “um só padrão monetário para todo o Continente”, para nós é mais do que velha, porquanto em plena sessão pública, há muitos anos, tivemos ocasião de dizer: “Quando o Mundo pensar em um só padrão monetário e um só idioma para todos os povos, dados terão sido os primeiros passos para o ideal da Fraternidade Universal da Humanidade”.

Demos nós, os do Continente Americano, tão sublime exemplo, e em breve terá surtido o desejado efeito.

Revista Dhâranâ n.º111 – 1942

 

Os Salmos de David – Por Maria Augusta Santos Vieira e Marcelo José Wolf Quinta-feira, Jul 3 2014 

King-David[1]

“Segui a Palavra de David. É a Voz de Deus na Terra”

Os Salmos são um dos maiores legados iniciáticos deixados à Humanidade nesta Quinta Raça Ária, constituindo-se numa poderosa ferramenta de transformação na Vereda da Iniciação. Foram dados por um Rei de estirpe divina, o grande David ou Davi, cujo nome, anagramaticamente, pode ser desdobrado em VIDA, indicando-nos a sua missão entre os homens, ou seja, aquele que oferta a Vida espiritual ao seu povo, aos seus seguidores, ou aos seguidores da Lei, através dos seus 150 Salmos, como uma herança espiritual para toda a posteridade.

O Rei David, sucessor de Saul, foi o segundo rei dos judeus, e foi quem fundou Jerusalém. O seu filho Salomão levou o Império judeu ao apogeu, por volta de 1000 anos antes de Cristo. Na narrativa bíblica, ele aparece inicialmente como tocador de harpa na corte de Saul. “Como comandante militar, David tornou-se amigo de Jónatas, filho de Saul, e casou com a sua filha, provocando o ciúme de Saul que o exilou. Depois da morte de Saul, ele governou a tribo de Judá, enquanto o filho de Saul, Isboset, governou o resto de Israel. Com a morte de Isboset, David foi escolhido o rei de todo o Israel e o seu reinado marcou uma mudança na realidade dos judeus: de uma confederação de tribos, transformou-se em uma nação estabelecida. Ele transferiu a capital de Hebron para Jerusalém, que não tinha nenhuma lealdade tribal anterior, e tornou-a o centro religioso dos israelitas trazendo consigo a Arca Sagrada1.

Em poucos decénios, David retirou Israel do estado de aflição em que se encontrava sob os filisteus (como está simbolizado na derrota do gigante Golias ou Goliath, como diz JHS). “As tropas alinhadas frente a frente nas colinas de Judá não tinham se encorajado ao combate, mas o fanfarrão Golias não poupava os israelitas. Desde a derrota de Ebenezer, por volta de 1050 a. C., quando a Arca da Aliança foi capturada pelos filisteus, os judeus vinham amargando seguidas humilhações para os seus eternos rivais, e as bravatas do gigante Golias pareciam confirmar esse destino. Com quase 2 metros de altura, diariamente ele desafiava os guerreiros de Israel, sem jamais encontrar resposta. Um dia, porém, alguém resolveu aceitar o convite. Não um soldado, mas um jovem chamado David. Munido apenas com uma funda, o rapaz enfrentou o desafiante e conseguiu o que parecia impossível: a pedra lançada por sua arma atingiu a cabeça do gigante Golias, derrubando o mais bravo dos soldados filisteus e, com ele, o moral do seu exército”2.

David&Goliath[1]

Um aglomerado frouxo de tribos tornou-se uma nação, tendo David criado para esse Estado uma administração civil, com um Chanceler e um Escriba à frente. Organizou os Anais do Reino, que certamente constituíram as bases dos dados concretos da Bíblia sobre a administração pública durante o seu reinado.

David era dotado de uma multiplicidade de dons, sendo difícil dizer qual o mais admirável: estratega, construtor de uma nação, poeta, músico e compositor.

Os Salmos são parte constituinte da Kabbalah dos hebreus antigos, que sabiam de todo o seu poder taumatúrgico. São uma poderosíssima ferramenta nas mãos dos Iniciados, como escreveu o Dr. Maurus na sua obra A Bíblia e a Kabbalah: “Se a Bíblia se torna silenciosa sobre a virtude oculta dos Psalmos, é pelo facto dos mesmos serem um dos mais belos monumentos da Kabbalah dos hebreus. E que toda a Iniciação Kabalística sendo rigorosamente oral, o seu sentido esotérico deveria ser apanágio exclusivo dos Iniciados. Estes jamais poderiam revelar aquilo que lhes foi oferecido ‘de boca a ouvido’.”3

Em várias Cartas-Revelação de JHS vemos que o nosso Mestre utiliza a grafia Psalmo. Este era o modo antigo de se escrever tal palavra derivada do latim, assim como pharmácia, que se tornou farmácia, e muitas outras.

Livro dos Salmos quer dizer “coleção de cânticos sagrados”, próprios para serem cantados ao som de um instrumento musical de cordas, o saltério. Pelo Salmo 32, versículo 2, e pelo Salmo 91, versículo 4, depreende-se que o saltério era um instrumento de dez cordas. Tanto a palavra salmo quanto saltério derivam do verbo grego psallo, que significa ferir ou tocar levemente. Saltério também é a designação que os Setenta (tradutores do Antigo Testamento do hebraico para o grego) deram ao Hinário de Israel, isto é, ao Livro dos Salmos.

Nem todos aceitam que os 150 Salmos sejam da autoria de David. Há historiadores, padres e exegetas que defendem a tese de que apenas 73 dos 150 Salmos foram escritos por ele. Isso deve-se a dois motivos básicos. Primeiro: os Salmos descrevem episódios históricos muito posteriores ao surgimento de David na Terra. Segundo: os títulos dos Salmos.

A dificuldade para traduzir os títulos dos Salmos vem de que umas vezes o título diz: Psalmus David; outras: Psalmus ipsi David. Quando a Vulgata (versão latina da tradução grega dos Setenta) diz Psalmus David, segundo o padre Antonio Pereira de Figueiredo, ela quer dizer que o tal Salmo tem por autor David; mas quando ela diz Psalmus ipsi David, parece que o que ela quer dizer é que o tal Salmo foi dirigido a David, ou que foi composto a favor em graça de David, e por conseguinte que foi outro que o compôs. Admitida porém essa hipótese, muitos poucos serão os Salmos que pelos títulos da Vulgata se devam atribuir a David. Dentre os 150 Salmos, os cabeçalhos atribuem 73 a David.

Sendo que nos títulos dos Salmos se declara muitas vezes o nome de quem teve parte neles, os antigos padres antigos dividiram-se entre si sobre quem foi o autor do Saltério, porque uns sustentavam que todos os Salmos foram compostos por David, outros o negavam. São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Filastro, Teodoreto, Cassiodoro e outros estão pela afirmativa. Eusébio de Cesareia, Santo Hilário, São Jerónimo e outros defendem a negativa. Para corroborar essa tese, a última estrofe do Salmo 71, “Acabaram-se os louvores de David, filho de Jessé”, sugere a alguns que esse foi o último Salmo que David compôs na sua vida.

Há fontes que dizem que os Salmos individuais foram escritos durante um período de cerca de 1000 anos, desde o tempo de Moisés até depois do retorno do exílio na Babilónia. A dúvida da autoria de todos os Salmos por parte de David, dá-se também pela descrição de eventos históricos ocorridos muitos anos e até séculos após a sua estadia na face da Terra. Isso faz também alguns autores afirmarem que os Salmos devem atender não à ordem histórica mas à ordem profética. Por exemplo: os Salmos 125 e 136 falam do cativeiro na Babilónia e e do retorno a Jerusalém; os Salmos 2, 21, 94, 109 referem as profecias da vida, morte e ressurreição do Cristo. O Salmo 64 tem por título Cântico de Jeremias e de Ezequiel, e o Salmo 145, De Ageu e de Zacarias. Todos esses são profetas posteriores que viveram séculos depois de David.

Diversos peritos acreditam que Esdras foi o responsável pelo arranjo do Livro dos Salmos na sua forma final. Alguns autores modernos, como Huet, dão por adjuntos a Esdras os escribas judeus que formavam a Grande Sinagoga, de sorte que foi Esdras quem compôs a colecção a qual, depois de feita, a Sinagoga recebeu e aprovou. Os hebreus reconheciam e davam o Saltério por um só volume que chamavam Sepher-Tihillim, que quer dizer Livro dos Cânticos.

De todas as escrituras, o Livro dos Salmos é o que foi mais vezes trasladado. Por isso, foi sujeito a inúmeras alterações feitas pelos copistas, umas vezes por ignorância, outras vezes por descuido e outras ainda por ousadia. Setenta e dois sábios gregos traduziram a versão hebraica para o grego. Essa versão ficou conhecida como a Versão dos Setenta. Dessa tradução surgiu a Vulgata Latina, versão em latim. Em 1790, o padre português António Pereira de Figueiredo conclui a tradução da Bíblia para o português, a partir da Vulgata Latina, publicada em 7 volumes. Segundo JHS, essa é a melhor tradução para a língua portuguesa e a que deve ser recitada, aliás, é a versão usada no Livro dos Salmos publicado pela Sociedade Teosófica Brasileira.

São João Crisóstomo observa que os primeiros Salmos são geralmente de assuntos mais tristes, e os últimos de assuntos mais alegres e mais consoladores. Santo Hilário crê que constando o Saltério de três cinquentenas está em conformidade à ordem que devemos seguir para chegarmos à Bem-Aventurança, em conformidade com o progresso que devemos fazer na virtude. O mesmo sentimento é partilhado por São Agostinho, para quem parece que os três Salmos quinquagenários dizem respeito à vocação, à justificação e à glorificação dos escolhidos; porque o Salmo quinquagésimo é o da penitência, o Salmo centésimo é o da misericórdia e do juízo, e o Salmo centésimo quinquagésimo é o do louvor de Deus nos seus santos.

As versões grega e latina diferem da versão hebraica dos Salmos quanto à forma de os numerar. Os hebreus, começando o seu Salmo décimo no verso 22 do Salmo número nove, seguem até ao que contamos como 113, um Salmo adiante da nossa numeração, e dividindo este Salmo 113 em dois, adiantam-se ainda mais. Então, juntam o Salmo 114 com o 115 e depois o 146 com o 147, terminando com 150 Salmos.

1…………9………………… 113 114 115………… 146 147………. 150

1……… 9 10……………… 114 115 116………… 147…………….. 150

150 é o número canónico de Salmos aceite pela Sinagoga e pela Igreja. Esse número deriva da multiplicação de 15 por 10. Segundo JHS, “Os Psalmos… fiz ver hoje… surgiram de uma multiplicação cabalística, ou seja, 10 MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS x o Arcano XV, que é o Andrógino Astaroth…”4

No início da Raça Ária a Divindade ditou aos homens os Dez Mandamentos, Regras Divinas que pautariam a conduta da Humanidade no seu caminhar evolutivo pelo Itinerário de IO, levando-a à iluminação, à Grande Luz, à Sabedoria de Astaroth expressa pelo Arcano XV. “O início da Raça Ariana, ou seja, a sua primeira Sub-Raça Ário-Hindu foi dirigida pelos Rishis ou os Sete Tirtânkaras Primordiais. (…) Pela primeira vez, o Manu em forma dual apresentou-se como criança. (…) No entanto, foi quando completou 21 anos de idade que se deu o seguinte fenómeno: (…) a Divindade manifestou-se em pessoa, (…) no sentido Eucarístico, Flogístico, posto que foi como um Raio que caísse do Céu. (…) O Raio fendeu a Pedra, e então a Divindade ditou os DEZ MANDAMENTOS.(…) A Pedra tomou a forma deumLivro, isto é, traçada ao meio em forma andrógina ou dual. (…) Esses Mandamentos, gravados na Pedra de AS-GARDI, deram origem às Regras da Grande Hierarquia Oculta ou do Pramantha, ao Código do Manu, ao Decálogo de Moisés, às Pradhanas e a quase todos os Códigos (…). Dos Dez Mandamentos originais, surgiram também os Salmos e os ARCANOS.”5

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Todos os Avataras e Seres de Estirpe Divina são originários do Segundo Trono ou Mundo Celeste, aquele que separa o Mundo Divino do Mundo Humano. Sendo assim, a sua Missão é trazer para o Mundo Humano a Palavra, a Sabedoria daquele Mundo, impulsionando a Evolução nos Planos mais densos da Manifestação. Portanto, os Salmos expressam a Linguagem Divina, a Linguagem que provém do Segundo Trono. “O SALMO representa, sem dúvida, a Linguagem dos Deuses, dos Adeptos, dos que sabem manejar com a Lei da Evolução. Posto isto, compreendemos que se trata de um processo de comunicação do Segundo Trono (dos Quinto e Sexto Sistemas). Assim, a Linguagem dos Seres ou Deuses do Segundo Trono baseia-se nas odes, nos louvores, na poética, dado que a linguagem humana (Terceiro Trono) é muito rude, agressiva e baseada na eterna concorrência; linguagem da desconfiança, da insegurança, da falta de conteúdo. Daí os Deuses, as Consciências do Segundo Trono só poderem se comunicar através dos Salmos, da Divina Música. O Rei David, sendo de origem do Segundo Trono, usou a linguagem dos Salmos e foi esta a herança que deixou para o seu povo, herança constituída de 150 Salmos”6.

Se David ofertou os Salmos à Humanidade, e sendo os Salmos uma expressão da Linguagem do Segundo Trono, na sua essência quem foi verdadeiramente o Rei David? Está relacionado ele a algum Ser do presente ciclo da Obra? Ele era a expressão na face da Terra de um outro Ser, cuja função está ligada à evolução de toda a Humanidade. Em 21 de Dezembro de 1951, no terceiro dia dos Rituais referentes aos Salmos, JHS vê apresentarem-se 5 Reis: “JHS vê – no Ritual de 21 de Dezembro de 1951 – 5 Reis, cujo penúltimo era David e o último Akdorge. Este trazia nas mãos um livro aberto, que dizia o seguinte: ‘A Vida está na Vida. A Luz está na Luz. E Deus está no meu coração, estando no Templo de meu Irmão. Eu, Ele, Deus e nossos Pais – mesmo que separados – já estamos juntos’. Para terminar os Rituais são 5 Reis, com nomes diferentes mas com a mesma Essência. Psalmo de David ou Akdorge, hoje consciente da sua função”7. “Terceiro dia, 5 Reis, um atrás do outro, como manifestações na 5.ª Raça da mesma Essência, e sempre acompanhando um outro Avatara mais secreto… Acontece, porém, “que o fenómeno nunca se repete do mesmo modo”, pois que a Evolução caminha para a frente… A exaltação a Deus é cada vez maior, seja pela mão de RAM, de David, de Akdorge ou de outro qualquer. O PIVOT DO MISTÉRIO: um Rei sem coroa até chegar a sua hora. E outro Rei coroado. AKBEL e LUZBEL sentados em frente um do outro, qual aconteceu na sala julgadora de Pouso Alto”8.

Na Série Munindra, mais informações sobre David: “A Coluna J (Dr. Ferreira) explicou o valor dos Psalmos. Sim, o valor mágico e o encantamento produzido pelas vibrações dos Psalmos, quer falados, quer musicados. Disse: “Os Psalmos têm por fim transmutar os Irmãos em verdadeiros Taumaturgos. E essa Linha de Taumaturgos tem por objectivo guiar os homens, por isso que todos têm o direito de ser Makaras”. Essa Série de 49 mais 3 Rituais, logo, igual a 52, está relacionada com os Salmos, ou seja, a Série de 52 Rituais consecutivos expressa o trabalho, o fruto do esforço dos 49 Adeptos Independentes que auxiliaram a Obra na época de Dhâranâ, mais o valor do Theotrim Celeste, salvando aqueles que caíram e fizeram cair a divina Corte do Rei David, que no caso expressam o Quinto Senhor”9.

SALMOS: A HOMEOPATIA ESPIRITUAL

Segundo Sebastião Vieira Vidal, “Salmo é a Verdade expressa simbolicamente”10. Os Salmos falam directamente à nossa Essência porque utilizam a Linguagem Universal da Natureza, expressa como linguagem simbólica. Esta é a linguagem pela qual o inconsciente colectivo comunica-se com o Ego, ou Eu Interior, através dos sonhos. Por isso, toda Ritualística está apoiada sobre símbolos, ou sobre uma simbologia transcendental. Os símbolos guardam em si o poder primevo místico e transcendental de algo que não pode ser totalmente elucidado através do intelecto, ou da mente concreta. Guardam aspectos que não podem ser esgotados pela mente racional, mas que são alcançados através da Intuição. E os Salmos são símbolos vivos que actuam em nossa psique. “Os Salmos são uma obra poética carregada de símbolos, por isso valem ainda hoje. Continuam a ser sublimes, autênticas “salas de símbolos e imaginação”, fonte de expressão para quem os reza, em tudo melhores do que as orações “pastosas” de falsos poetas”11. Os Salmos guardam e sintetizam toda a História da Obra.

A relação entre Salmos e Símbolos é muito estreita. Em 1951, iniciou-se um ciclo de 49 Rituais relacionados aos Salmos, onde JHS via sobre a cabeça dos Irmãos um número que se formava, e logo a seguir um símbolo. Esse número indicava o Salmo que aquele Irmão precisava recitar e meditar sobre suas palavras. Disse JHS: “Falemos da questão dos Psalmos e dos Símbolos: os primeiros revelam misticamente as questões frágeis de cada um, que merecem ser corrigidas. A repetição por muito tempo dos referidos Psalmos defende e equilibra os referidos defeitos. Os Símbolos completam o referido Equilíbrio, além do mais, para todos serem dignos de cantar a Yoga Universal. Akbel revela aos membros da S.T.B. os Psalmos que lhes cabe individualmente. Desse modo, os Símbolos estão revelando o que se passa NO MOMENTO, no ambiente de cada um. E a prova é que passam por modificações para alguns, e ficam na mesma para outros. Como fiz ver ontem, todos marcham para os verdadeiros Símbolos da Obra. (…) Lutemos para e pelo Simbolismo único: as Mulheres, as Filhas de ALLAMIRAH, o Coração de Maria, da Virgem ou Mãe Divina”12.

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Sebastião Vieira Vidal escreveu acerca de tal episódio: “Os Salmos, segundo o nosso grande Mestre JHS, determinam as boas e más escandas, tendências de cada um. Indica o que cada Irmão precisa modificar para destruir as más escandas e exaltar as boas, equilibrando dessa maneira o estado de Consciência individual com a Evolução da Obra, senão, com a sua Consciência Superior. Por isso que em primeiro lugar apareceram sobre cada Irmão, determinando o elemento positivo que cada um possuía no momento. Sim, os Símbolos que apareceram após os números dos Salmos determinaram a posição de cada Irmão, a sua afirmação perante o EGO ou o seu Si. Pois bem, os Salmos que apareceram sobre cada Munindra têm estreita relação com as escandas do Passado, e os Símbolos que surgiram logo depois têm relação com as escandas desta vida. Ora, sobre os Irmãos surgiram Símbolos diferentes, logo, isso demonstra que ainda há grande desequilíbrio entre os mesmos. Os Munindras devem ter como Símbolos os que o Venerável Mestre JHS lhes deu como Insígnias. Por exemplo, quando visse um Irmão e se esse estivesse equilibrado com a Obra, se estivesse em dia com a Evolução, Ele veria sobre a cabeça ou sobre o coração – se fosse homem – uma Cruz de Malta com a Flor-de-Lis, com a miniatura do Templo ou com a efígie de Akdorge. Se se tratasse de uma Irmã, Ele veria o Coração da Ordem das Filhas de Allamirah”13.

O poder transformador dos Salmos e de seus Símbolos universais é evocado através do som. Desde Eras sem conta que os Iniciados falam a respeito do mistério do som na Manifestação e na Criação Divina: “O som é a grande arma dos homens e dos deuses. Em si não é bom nem mau, é o som. O seu emprego fasto ou nefasto, depende exclusivamente da vontade do homem”14.

A criação através do som manifesta-se na Natureza segundo várias gradações, indo desde as palavras por nós proferidas, às vibrações produzidas quando se entoa um mantram, até à palavra de passe que “abre” portais não penetrados pelo homem comum, culminando com a Palavra Perdida, que pronunciada da maneira correcta pode até alterar a ordem vigente do Universo: “O SOM aí toma um aspecto prático: físico, emocional, mental e projecta-se nos Mundos Inferiores. O SOM aí provoca a sensação e forma os símbolos que se transformam em palavras, com um sentido prático e útil à evolução dos seres. Este Supremo SOM manifesta-se em todas as gamas sonoras, desde o inaudível – Nahada – até às palavras mágicas e sagradas, surgindo daí as palavras de passe, as palavras sagradas e a síntese de todas elas, conhecida na nossa Tradição como a PALAVRA PERDIDA. Palavra Perdida, cantada e proferida em vários tons, forma o ápice de todos os Mantrans…15

“No aspecto exotérico, a Palavra torna-se eminentemente utilitária e é assim continuamente reestruturada e retorcida, conforme os interesses predominantes da psicofisiologia da nação nos vários períodos que atravessa. Essas transformações da Palavra ao adaptar-se, ou ao ser adaptada, às modificações regionais, ou mesmo nacionais, levam progressivamente a encobrir o seu significado original, mas não ao ponto de destruí-lo; esse significado original perdura para sempre e poderá ser encontrado nas suas raízes, constituindo o aspecto esotérico que se conserva e se revela em forma de Símbolo. No Símbolo estão as causas originais arcaicas ou arcanas (arca) que lhe deram origem, e a verbalização primordial que lhe deu manifestação intelectiva.”16

O valor mágico e o encantamento produzido pelas vibrações dos Psalmos, quer falados, quer musicados, evocam o Poder da Quarta Shakti – MANTRIKA-SHAKTI. É a Shakti predominante neste 4.º Sistema de Evolução Universal. “Mantrika-Shakti – Está ligada ao 4.° Raio. É o Poder Místico do Som, do Verbo. Expressa a Harmonia Cósmica, incluindo, portanto, tudo quanto diz respeito ao aspecto Beleza ou Arte. (…) Em verdade, a Palavra, o Verbo, é considerada por todas as tradições antigas a causa da manifestação do Mundo. É a Suprema Forma pela qual se objectiva o Ser Infinito. Este Verbo manifesta-se como Ritmo, Melodia e Harmonia”17.

Originalmente os Salmos eram cantados e bailados, como em muitas Ritualísticas transcendentais executadas nos Mundos Internos. Krishna representou, bailou, tocou e cantou na sua infância, na mesma razão de Gautama, o Buda. David, por sua vez, bailou diante da Arca da Aliança sentindo-se vil e abjecto perante o “seu Senhor”. Dhâranâ, depois S.T.B., durante muito tempo fez uso de bailados, cantos, mantrans ou hinos, músicas estranhas, longas e magníficas alocuções em línguas sagradas, dentre elas o páli e o sânscrito. Finalmente, as representações ao vivo dos Mistérios que a si mesma diziam respeito. Sendo assim, os Salmos não deixam de ser uma expressão de Arte, de Beleza, de Estética. Isso remete-nos à 4.ª Linha de Adeptos ligados às Artes, à Beleza – a Linha Hilarião.

Os Salmos possuem a característica de Magia Teúrgica ou de Medicina Teúrgica, a Taumaturgia, que auxilia-nos na Vereda da Iniciação na busca da nossa verdadeira Essência: “A TAUMATURGIA é o acto de se pôr em acção, em actividade, digamos, em actividade objectiva a CONSCIÊNCIA SUPERIOR, os atributos do Espírito, consequentemente, uma activação, em todos nós, do SOM ETERNO da Vida Universal – processo que possibilita manter em equilíbrio a parte veicular da Individualidade. Isso é tornar a Mônada indivisível, não permitir que os seus veículos se desintegrem, conduzindo-os ao sentido da “verdadeira imortalidade”, ou seja, a não divisão, senão, a não desintegração dos veículos conhecidos: Espírito ou Inteligência, Alma e Corpo. Por isso se fala em Corpo Eucarístico. (…) O nosso insubstituível Senhor legou-nos o ensinamento de que os “Salmos são a Verdade expressa simbolicamente”. O conhecimento da TAUMATURGIA requer o conhecimento e o entendimento do valor dos Salmos, das palavras e ervas sagradas. É preciso ter virtudes, amor à Natureza, ao Universo, para a prática da verdadeira TAUMATURGIA, e ainda o coração bem à semelhança do AMOROSO do Segundo Trono e ser de descendência directa do BIJAM DOS AVATARAS”18.

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Para entendermos a real importância dos Salmos como poderosa chave mágica em nossas mãos, nada melhor do que reproduzirmos aqui o trecho da Carta-Revelação de 27 de Abril de 1952: “Falemos da questão dos Psalmos e dos Símbolos: os primeiros revelam misticamente as questões frágeis de cada um, que merecem ser corrigidas. A repetição por muito tempo dos referidos Psalmos defende dos referidos defeitos e equilibra-os”.

Os Salmos funcionam como uma homeopatia espiritual: recitando-os constantemente estamos vibrando os valores dos mesmos, resultando na transformação da nossa psique. Acerca do poder transformador dos Salmos, diz-nos Sebastião Vieira Vidal: “Essa transformação opera-se praticando, recitando e meditando através dos Salmos. Os Mandamentos e os Salmos têm por fim criar causas que tenham como exaltação, como efeito positivo, a sublimação das Nidhanas. Escandas e Nidhanas são expressões de uma linguagem oriental. No Ocidente denominamos de Salmos. Observamos coisas boas e coisas más”19. “Os Salmos, segundo nosso grande Mestre JHS, determinam as boas e más escandas, as tendências de cada um. Indicam o que cada Irmão precisa modificar para destruir as más escandas e exaltar as boas, dessa maneira equilibrando o estado de Consciência individual com a Evolução da Obra, senão, com a sua Consciência Superior”20.

No ano de 1952, JHS deu a interpretação e indicação dos Salmos de David. Tais interpretações foram retiradas de um pequeno e velho livro da Biblioteca do Mundo de Duat chamado Ritual de Magia Divina. JHS fez comentários e acréscimos a essas interpretações. Anos mais tarde, no dia 11 de aAgosto de 1956, tal livro foi materializado nas mãos de JHS. Não foi JHS quem o materializou, mas este apareceu nas suas mãos. Essa efeméride é conhecida como A Parada dos Três Relógios, pois no momento em que tal livro foi materializado três relógios pararam, indicando o horário (20:30 h): o da sala da casa de JHS, que estava em cima da rádio-vitrola, o do Dr. Eugênio Proclan Marins, que visitava JHS na ocasião (segundo o Mestre, o seu relógio era magnético e nunca parava…), e o terceiro na parede da secretaria da S.T.B., na Rua Buenos Aires, Rio de Janeiro. Na Carta-Revelação de 12/08/1956, JHS discorre sobre tal efeméride.

Além do poder taumatúrgico dos Salmos, as suas indicações, constantes no Livro de Salmos da S.T.B., constituem um rico manancial para as nossas vidas. No capítulo Chave Mágica e Cabalística dos Salmos, JHS deixa-nos, na indicação de cada Salmo, riquíssimos temas para meditação, muitos deles de uma beleza indescritível que apenas um Avatara conseguiria ofertar aos seus discípulos. Assim, o Livro de Salmos constitui-se numa fonte inesgotável de pérolas de Sabedoria para a meditação dos discípulos de JHS. “E os Salmos, em si, constituem uma grande iniciação meditativa, por isso o Excelso Maliak lançou mão deles… seguindo o mesmo estilo de JHS”21.

Quanto à forma correcta de se recitar os Salmos, JHS diz no Livro dos Makaras: “No momento em que estiverdes recitando o vosso Psalmo, as vossas mãos devem estar cerradas, sob a contracção muscular do vosso desejo e força de vontade. Outrossim, os pés com os dedos contraídos, na mesma razão das mãos. Por acaso já pensaste que em cada lado de vosso corpo o número 10 ou IO está figurado, como agora no Kamapa?”22

A leitura pode ser feita em pé ou sentado, de acordo com a vontade ou conveniência daquele que irá recitar o Salmo. É preferível que se faça tal leitura voltado para o Norte, como nas Yogas ministradas no nosso Colégio Iniciático. Segundo a orientação dada pela Grã-Mestrina da Ordem das Filhas de Allamirah, de acordo com a Carta-Revelação acima citada, todos os dedos das mãos devem estar fletidos, e a ponta do dedo médio pressionando o ponto central da palma.

Também não é demais lembrar que sendo os Salmos uma poderosa ferramenta de Taumaturgia, de Transformação, a sua recitação deve ser feita em ambiente harmónico, tranquilo, com a pessoa em estado sereno, concentrada naquilo que vai realizar, concentrando-se no poder da sua vontade.

Cabe aqui transcrever um trecho muito importante do Livro de Salmos da nossa Obra Divina, acerca das indicações de cada Salmo e do seu uso: “Contudo, desaconselhamos formalmente o seu uso à guisa de um bulário de remédios: ‘para tal doença, tal Salmo’… é mister que, localizado o assunto do seu interesse, o consulente faça a leitura atenta dos comentários e indicações de JHS; só depois, consciente das virtudes e sobretudo da mensagem contida no Salmo eleito, passe a recitá-lo”23.

BIBLIOGRAFIA

  1. UOL Bibliotecahttp://www.uol.com.br/bibliot/linhadotempo/till6text3.htm
  2. Cadu Ladeira, Filisteus, o legado do gigante Golias. Revista Super-Interessante, n.º 04, ano 7, Abril de 1993.
  3. CR de 12/12/1951.
  4. CR de 10/08/1956.
  5. Sebastião Vieira Vidal, Série Cadete, Aula n,º 02, Os Dez Mandamentos do Manu Primordial.
  6. Sebastião Vieira Vidal, Série Juventude, Aula n.º 37, Falar sobre o sentido do Salmo 154.
  7. CR de 21/12/1951.
  8. CR de 22/12/1951.
  9. Sebastião Vieira Vidal, Série Munindra, Aula Oitavo Ritual dos Psalmos de David.
  10. Sebastião Vieira Vidal, Série Cadete, Aula n.º 16, Salmo 78.
  11. http://padreze.no.sapo.pt/estudo/estudo.htm
  12. CR de 27/04/1952.
  13. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Os Salmos.
  14. António Castaño Ferreira, Série Magia, Aula n.º 2.
  15. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Os Salmos.
  16. Eglé Packness de Oliveira, Antigo e Verdadeiro Livro das Iniciações. Editora Madras, 1997.
  17. Ivone Bruno, A Mulher na Era de Aquário, Departamento de São Lourenço.
  18. Sebastião Vieira Vidal, Série Ritualística, Aula n.º 46.
  19. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Escandas e Nidanas II.
  20. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Os Salmos.
  21. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Como surgiu a Guarda da Taça do Santo Graal.
  22. CR de 27/12/1951, Livro dos Makaras.
  23. Salmos de JHS – Salmos de David. Editora Arabutã, 1.ª Edição, 1994.
    • CR de 22/10/1956.
    • CR de 09/02/1960.
    • CR de 12/02/1960.
    • CR de 16/12/1951.
    • CR de 23/04/1952.
    • CR de 14/04/1952.
    • CR de 17/12/1951.
    • CR de 26/08/1959.
    • CR de 28/08/1958.
    • CR de 25/05/1952.
    • CR de 20/10/1958.
    • Sebastião Vieira Vidal, Série Revolução Francesa e os Ciclos da Obra.
    • Revista Dhâranâ, N.º 125, de Julho a Setembro de 1945.
    • Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.