King-David[1]

“Segui a Palavra de David. É a Voz de Deus na Terra”

Os Salmos são um dos maiores legados iniciáticos deixados à Humanidade nesta Quinta Raça Ária, constituindo-se numa poderosa ferramenta de transformação na Vereda da Iniciação. Foram dados por um Rei de estirpe divina, o grande David ou Davi, cujo nome, anagramaticamente, pode ser desdobrado em VIDA, indicando-nos a sua missão entre os homens, ou seja, aquele que oferta a Vida espiritual ao seu povo, aos seus seguidores, ou aos seguidores da Lei, através dos seus 150 Salmos, como uma herança espiritual para toda a posteridade.

O Rei David, sucessor de Saul, foi o segundo rei dos judeus, e foi quem fundou Jerusalém. O seu filho Salomão levou o Império judeu ao apogeu, por volta de 1000 anos antes de Cristo. Na narrativa bíblica, ele aparece inicialmente como tocador de harpa na corte de Saul. “Como comandante militar, David tornou-se amigo de Jónatas, filho de Saul, e casou com a sua filha, provocando o ciúme de Saul que o exilou. Depois da morte de Saul, ele governou a tribo de Judá, enquanto o filho de Saul, Isboset, governou o resto de Israel. Com a morte de Isboset, David foi escolhido o rei de todo o Israel e o seu reinado marcou uma mudança na realidade dos judeus: de uma confederação de tribos, transformou-se em uma nação estabelecida. Ele transferiu a capital de Hebron para Jerusalém, que não tinha nenhuma lealdade tribal anterior, e tornou-a o centro religioso dos israelitas trazendo consigo a Arca Sagrada1.

Em poucos decénios, David retirou Israel do estado de aflição em que se encontrava sob os filisteus (como está simbolizado na derrota do gigante Golias ou Goliath, como diz JHS). “As tropas alinhadas frente a frente nas colinas de Judá não tinham se encorajado ao combate, mas o fanfarrão Golias não poupava os israelitas. Desde a derrota de Ebenezer, por volta de 1050 a. C., quando a Arca da Aliança foi capturada pelos filisteus, os judeus vinham amargando seguidas humilhações para os seus eternos rivais, e as bravatas do gigante Golias pareciam confirmar esse destino. Com quase 2 metros de altura, diariamente ele desafiava os guerreiros de Israel, sem jamais encontrar resposta. Um dia, porém, alguém resolveu aceitar o convite. Não um soldado, mas um jovem chamado David. Munido apenas com uma funda, o rapaz enfrentou o desafiante e conseguiu o que parecia impossível: a pedra lançada por sua arma atingiu a cabeça do gigante Golias, derrubando o mais bravo dos soldados filisteus e, com ele, o moral do seu exército”2.

David&Goliath[1]

Um aglomerado frouxo de tribos tornou-se uma nação, tendo David criado para esse Estado uma administração civil, com um Chanceler e um Escriba à frente. Organizou os Anais do Reino, que certamente constituíram as bases dos dados concretos da Bíblia sobre a administração pública durante o seu reinado.

David era dotado de uma multiplicidade de dons, sendo difícil dizer qual o mais admirável: estratega, construtor de uma nação, poeta, músico e compositor.

Os Salmos são parte constituinte da Kabbalah dos hebreus antigos, que sabiam de todo o seu poder taumatúrgico. São uma poderosíssima ferramenta nas mãos dos Iniciados, como escreveu o Dr. Maurus na sua obra A Bíblia e a Kabbalah: “Se a Bíblia se torna silenciosa sobre a virtude oculta dos Psalmos, é pelo facto dos mesmos serem um dos mais belos monumentos da Kabbalah dos hebreus. E que toda a Iniciação Kabalística sendo rigorosamente oral, o seu sentido esotérico deveria ser apanágio exclusivo dos Iniciados. Estes jamais poderiam revelar aquilo que lhes foi oferecido ‘de boca a ouvido’.”3

Em várias Cartas-Revelação de JHS vemos que o nosso Mestre utiliza a grafia Psalmo. Este era o modo antigo de se escrever tal palavra derivada do latim, assim como pharmácia, que se tornou farmácia, e muitas outras.

Livro dos Salmos quer dizer “coleção de cânticos sagrados”, próprios para serem cantados ao som de um instrumento musical de cordas, o saltério. Pelo Salmo 32, versículo 2, e pelo Salmo 91, versículo 4, depreende-se que o saltério era um instrumento de dez cordas. Tanto a palavra salmo quanto saltério derivam do verbo grego psallo, que significa ferir ou tocar levemente. Saltério também é a designação que os Setenta (tradutores do Antigo Testamento do hebraico para o grego) deram ao Hinário de Israel, isto é, ao Livro dos Salmos.

Nem todos aceitam que os 150 Salmos sejam da autoria de David. Há historiadores, padres e exegetas que defendem a tese de que apenas 73 dos 150 Salmos foram escritos por ele. Isso deve-se a dois motivos básicos. Primeiro: os Salmos descrevem episódios históricos muito posteriores ao surgimento de David na Terra. Segundo: os títulos dos Salmos.

A dificuldade para traduzir os títulos dos Salmos vem de que umas vezes o título diz: Psalmus David; outras: Psalmus ipsi David. Quando a Vulgata (versão latina da tradução grega dos Setenta) diz Psalmus David, segundo o padre Antonio Pereira de Figueiredo, ela quer dizer que o tal Salmo tem por autor David; mas quando ela diz Psalmus ipsi David, parece que o que ela quer dizer é que o tal Salmo foi dirigido a David, ou que foi composto a favor em graça de David, e por conseguinte que foi outro que o compôs. Admitida porém essa hipótese, muitos poucos serão os Salmos que pelos títulos da Vulgata se devam atribuir a David. Dentre os 150 Salmos, os cabeçalhos atribuem 73 a David.

Sendo que nos títulos dos Salmos se declara muitas vezes o nome de quem teve parte neles, os antigos padres antigos dividiram-se entre si sobre quem foi o autor do Saltério, porque uns sustentavam que todos os Salmos foram compostos por David, outros o negavam. São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Filastro, Teodoreto, Cassiodoro e outros estão pela afirmativa. Eusébio de Cesareia, Santo Hilário, São Jerónimo e outros defendem a negativa. Para corroborar essa tese, a última estrofe do Salmo 71, “Acabaram-se os louvores de David, filho de Jessé”, sugere a alguns que esse foi o último Salmo que David compôs na sua vida.

Há fontes que dizem que os Salmos individuais foram escritos durante um período de cerca de 1000 anos, desde o tempo de Moisés até depois do retorno do exílio na Babilónia. A dúvida da autoria de todos os Salmos por parte de David, dá-se também pela descrição de eventos históricos ocorridos muitos anos e até séculos após a sua estadia na face da Terra. Isso faz também alguns autores afirmarem que os Salmos devem atender não à ordem histórica mas à ordem profética. Por exemplo: os Salmos 125 e 136 falam do cativeiro na Babilónia e e do retorno a Jerusalém; os Salmos 2, 21, 94, 109 referem as profecias da vida, morte e ressurreição do Cristo. O Salmo 64 tem por título Cântico de Jeremias e de Ezequiel, e o Salmo 145, De Ageu e de Zacarias. Todos esses são profetas posteriores que viveram séculos depois de David.

Diversos peritos acreditam que Esdras foi o responsável pelo arranjo do Livro dos Salmos na sua forma final. Alguns autores modernos, como Huet, dão por adjuntos a Esdras os escribas judeus que formavam a Grande Sinagoga, de sorte que foi Esdras quem compôs a colecção a qual, depois de feita, a Sinagoga recebeu e aprovou. Os hebreus reconheciam e davam o Saltério por um só volume que chamavam Sepher-Tihillim, que quer dizer Livro dos Cânticos.

De todas as escrituras, o Livro dos Salmos é o que foi mais vezes trasladado. Por isso, foi sujeito a inúmeras alterações feitas pelos copistas, umas vezes por ignorância, outras vezes por descuido e outras ainda por ousadia. Setenta e dois sábios gregos traduziram a versão hebraica para o grego. Essa versão ficou conhecida como a Versão dos Setenta. Dessa tradução surgiu a Vulgata Latina, versão em latim. Em 1790, o padre português António Pereira de Figueiredo conclui a tradução da Bíblia para o português, a partir da Vulgata Latina, publicada em 7 volumes. Segundo JHS, essa é a melhor tradução para a língua portuguesa e a que deve ser recitada, aliás, é a versão usada no Livro dos Salmos publicado pela Sociedade Teosófica Brasileira.

São João Crisóstomo observa que os primeiros Salmos são geralmente de assuntos mais tristes, e os últimos de assuntos mais alegres e mais consoladores. Santo Hilário crê que constando o Saltério de três cinquentenas está em conformidade à ordem que devemos seguir para chegarmos à Bem-Aventurança, em conformidade com o progresso que devemos fazer na virtude. O mesmo sentimento é partilhado por São Agostinho, para quem parece que os três Salmos quinquagenários dizem respeito à vocação, à justificação e à glorificação dos escolhidos; porque o Salmo quinquagésimo é o da penitência, o Salmo centésimo é o da misericórdia e do juízo, e o Salmo centésimo quinquagésimo é o do louvor de Deus nos seus santos.

As versões grega e latina diferem da versão hebraica dos Salmos quanto à forma de os numerar. Os hebreus, começando o seu Salmo décimo no verso 22 do Salmo número nove, seguem até ao que contamos como 113, um Salmo adiante da nossa numeração, e dividindo este Salmo 113 em dois, adiantam-se ainda mais. Então, juntam o Salmo 114 com o 115 e depois o 146 com o 147, terminando com 150 Salmos.

1…………9………………… 113 114 115………… 146 147………. 150

1……… 9 10……………… 114 115 116………… 147…………….. 150

150 é o número canónico de Salmos aceite pela Sinagoga e pela Igreja. Esse número deriva da multiplicação de 15 por 10. Segundo JHS, “Os Psalmos… fiz ver hoje… surgiram de uma multiplicação cabalística, ou seja, 10 MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS x o Arcano XV, que é o Andrógino Astaroth…”4

No início da Raça Ária a Divindade ditou aos homens os Dez Mandamentos, Regras Divinas que pautariam a conduta da Humanidade no seu caminhar evolutivo pelo Itinerário de IO, levando-a à iluminação, à Grande Luz, à Sabedoria de Astaroth expressa pelo Arcano XV. “O início da Raça Ariana, ou seja, a sua primeira Sub-Raça Ário-Hindu foi dirigida pelos Rishis ou os Sete Tirtânkaras Primordiais. (…) Pela primeira vez, o Manu em forma dual apresentou-se como criança. (…) No entanto, foi quando completou 21 anos de idade que se deu o seguinte fenómeno: (…) a Divindade manifestou-se em pessoa, (…) no sentido Eucarístico, Flogístico, posto que foi como um Raio que caísse do Céu. (…) O Raio fendeu a Pedra, e então a Divindade ditou os DEZ MANDAMENTOS.(…) A Pedra tomou a forma deumLivro, isto é, traçada ao meio em forma andrógina ou dual. (…) Esses Mandamentos, gravados na Pedra de AS-GARDI, deram origem às Regras da Grande Hierarquia Oculta ou do Pramantha, ao Código do Manu, ao Decálogo de Moisés, às Pradhanas e a quase todos os Códigos (…). Dos Dez Mandamentos originais, surgiram também os Salmos e os ARCANOS.”5

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Todos os Avataras e Seres de Estirpe Divina são originários do Segundo Trono ou Mundo Celeste, aquele que separa o Mundo Divino do Mundo Humano. Sendo assim, a sua Missão é trazer para o Mundo Humano a Palavra, a Sabedoria daquele Mundo, impulsionando a Evolução nos Planos mais densos da Manifestação. Portanto, os Salmos expressam a Linguagem Divina, a Linguagem que provém do Segundo Trono. “O SALMO representa, sem dúvida, a Linguagem dos Deuses, dos Adeptos, dos que sabem manejar com a Lei da Evolução. Posto isto, compreendemos que se trata de um processo de comunicação do Segundo Trono (dos Quinto e Sexto Sistemas). Assim, a Linguagem dos Seres ou Deuses do Segundo Trono baseia-se nas odes, nos louvores, na poética, dado que a linguagem humana (Terceiro Trono) é muito rude, agressiva e baseada na eterna concorrência; linguagem da desconfiança, da insegurança, da falta de conteúdo. Daí os Deuses, as Consciências do Segundo Trono só poderem se comunicar através dos Salmos, da Divina Música. O Rei David, sendo de origem do Segundo Trono, usou a linguagem dos Salmos e foi esta a herança que deixou para o seu povo, herança constituída de 150 Salmos”6.

Se David ofertou os Salmos à Humanidade, e sendo os Salmos uma expressão da Linguagem do Segundo Trono, na sua essência quem foi verdadeiramente o Rei David? Está relacionado ele a algum Ser do presente ciclo da Obra? Ele era a expressão na face da Terra de um outro Ser, cuja função está ligada à evolução de toda a Humanidade. Em 21 de Dezembro de 1951, no terceiro dia dos Rituais referentes aos Salmos, JHS vê apresentarem-se 5 Reis: “JHS vê – no Ritual de 21 de Dezembro de 1951 – 5 Reis, cujo penúltimo era David e o último Akdorge. Este trazia nas mãos um livro aberto, que dizia o seguinte: ‘A Vida está na Vida. A Luz está na Luz. E Deus está no meu coração, estando no Templo de meu Irmão. Eu, Ele, Deus e nossos Pais – mesmo que separados – já estamos juntos’. Para terminar os Rituais são 5 Reis, com nomes diferentes mas com a mesma Essência. Psalmo de David ou Akdorge, hoje consciente da sua função”7. “Terceiro dia, 5 Reis, um atrás do outro, como manifestações na 5.ª Raça da mesma Essência, e sempre acompanhando um outro Avatara mais secreto… Acontece, porém, “que o fenómeno nunca se repete do mesmo modo”, pois que a Evolução caminha para a frente… A exaltação a Deus é cada vez maior, seja pela mão de RAM, de David, de Akdorge ou de outro qualquer. O PIVOT DO MISTÉRIO: um Rei sem coroa até chegar a sua hora. E outro Rei coroado. AKBEL e LUZBEL sentados em frente um do outro, qual aconteceu na sala julgadora de Pouso Alto”8.

Na Série Munindra, mais informações sobre David: “A Coluna J (Dr. Ferreira) explicou o valor dos Psalmos. Sim, o valor mágico e o encantamento produzido pelas vibrações dos Psalmos, quer falados, quer musicados. Disse: “Os Psalmos têm por fim transmutar os Irmãos em verdadeiros Taumaturgos. E essa Linha de Taumaturgos tem por objectivo guiar os homens, por isso que todos têm o direito de ser Makaras”. Essa Série de 49 mais 3 Rituais, logo, igual a 52, está relacionada com os Salmos, ou seja, a Série de 52 Rituais consecutivos expressa o trabalho, o fruto do esforço dos 49 Adeptos Independentes que auxiliaram a Obra na época de Dhâranâ, mais o valor do Theotrim Celeste, salvando aqueles que caíram e fizeram cair a divina Corte do Rei David, que no caso expressam o Quinto Senhor”9.

SALMOS: A HOMEOPATIA ESPIRITUAL

Segundo Sebastião Vieira Vidal, “Salmo é a Verdade expressa simbolicamente”10. Os Salmos falam directamente à nossa Essência porque utilizam a Linguagem Universal da Natureza, expressa como linguagem simbólica. Esta é a linguagem pela qual o inconsciente colectivo comunica-se com o Ego, ou Eu Interior, através dos sonhos. Por isso, toda Ritualística está apoiada sobre símbolos, ou sobre uma simbologia transcendental. Os símbolos guardam em si o poder primevo místico e transcendental de algo que não pode ser totalmente elucidado através do intelecto, ou da mente concreta. Guardam aspectos que não podem ser esgotados pela mente racional, mas que são alcançados através da Intuição. E os Salmos são símbolos vivos que actuam em nossa psique. “Os Salmos são uma obra poética carregada de símbolos, por isso valem ainda hoje. Continuam a ser sublimes, autênticas “salas de símbolos e imaginação”, fonte de expressão para quem os reza, em tudo melhores do que as orações “pastosas” de falsos poetas”11. Os Salmos guardam e sintetizam toda a História da Obra.

A relação entre Salmos e Símbolos é muito estreita. Em 1951, iniciou-se um ciclo de 49 Rituais relacionados aos Salmos, onde JHS via sobre a cabeça dos Irmãos um número que se formava, e logo a seguir um símbolo. Esse número indicava o Salmo que aquele Irmão precisava recitar e meditar sobre suas palavras. Disse JHS: “Falemos da questão dos Psalmos e dos Símbolos: os primeiros revelam misticamente as questões frágeis de cada um, que merecem ser corrigidas. A repetição por muito tempo dos referidos Psalmos defende e equilibra os referidos defeitos. Os Símbolos completam o referido Equilíbrio, além do mais, para todos serem dignos de cantar a Yoga Universal. Akbel revela aos membros da S.T.B. os Psalmos que lhes cabe individualmente. Desse modo, os Símbolos estão revelando o que se passa NO MOMENTO, no ambiente de cada um. E a prova é que passam por modificações para alguns, e ficam na mesma para outros. Como fiz ver ontem, todos marcham para os verdadeiros Símbolos da Obra. (…) Lutemos para e pelo Simbolismo único: as Mulheres, as Filhas de ALLAMIRAH, o Coração de Maria, da Virgem ou Mãe Divina”12.

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Sebastião Vieira Vidal escreveu acerca de tal episódio: “Os Salmos, segundo o nosso grande Mestre JHS, determinam as boas e más escandas, tendências de cada um. Indica o que cada Irmão precisa modificar para destruir as más escandas e exaltar as boas, equilibrando dessa maneira o estado de Consciência individual com a Evolução da Obra, senão, com a sua Consciência Superior. Por isso que em primeiro lugar apareceram sobre cada Irmão, determinando o elemento positivo que cada um possuía no momento. Sim, os Símbolos que apareceram após os números dos Salmos determinaram a posição de cada Irmão, a sua afirmação perante o EGO ou o seu Si. Pois bem, os Salmos que apareceram sobre cada Munindra têm estreita relação com as escandas do Passado, e os Símbolos que surgiram logo depois têm relação com as escandas desta vida. Ora, sobre os Irmãos surgiram Símbolos diferentes, logo, isso demonstra que ainda há grande desequilíbrio entre os mesmos. Os Munindras devem ter como Símbolos os que o Venerável Mestre JHS lhes deu como Insígnias. Por exemplo, quando visse um Irmão e se esse estivesse equilibrado com a Obra, se estivesse em dia com a Evolução, Ele veria sobre a cabeça ou sobre o coração – se fosse homem – uma Cruz de Malta com a Flor-de-Lis, com a miniatura do Templo ou com a efígie de Akdorge. Se se tratasse de uma Irmã, Ele veria o Coração da Ordem das Filhas de Allamirah”13.

O poder transformador dos Salmos e de seus Símbolos universais é evocado através do som. Desde Eras sem conta que os Iniciados falam a respeito do mistério do som na Manifestação e na Criação Divina: “O som é a grande arma dos homens e dos deuses. Em si não é bom nem mau, é o som. O seu emprego fasto ou nefasto, depende exclusivamente da vontade do homem”14.

A criação através do som manifesta-se na Natureza segundo várias gradações, indo desde as palavras por nós proferidas, às vibrações produzidas quando se entoa um mantram, até à palavra de passe que “abre” portais não penetrados pelo homem comum, culminando com a Palavra Perdida, que pronunciada da maneira correcta pode até alterar a ordem vigente do Universo: “O SOM aí toma um aspecto prático: físico, emocional, mental e projecta-se nos Mundos Inferiores. O SOM aí provoca a sensação e forma os símbolos que se transformam em palavras, com um sentido prático e útil à evolução dos seres. Este Supremo SOM manifesta-se em todas as gamas sonoras, desde o inaudível – Nahada – até às palavras mágicas e sagradas, surgindo daí as palavras de passe, as palavras sagradas e a síntese de todas elas, conhecida na nossa Tradição como a PALAVRA PERDIDA. Palavra Perdida, cantada e proferida em vários tons, forma o ápice de todos os Mantrans…15

“No aspecto exotérico, a Palavra torna-se eminentemente utilitária e é assim continuamente reestruturada e retorcida, conforme os interesses predominantes da psicofisiologia da nação nos vários períodos que atravessa. Essas transformações da Palavra ao adaptar-se, ou ao ser adaptada, às modificações regionais, ou mesmo nacionais, levam progressivamente a encobrir o seu significado original, mas não ao ponto de destruí-lo; esse significado original perdura para sempre e poderá ser encontrado nas suas raízes, constituindo o aspecto esotérico que se conserva e se revela em forma de Símbolo. No Símbolo estão as causas originais arcaicas ou arcanas (arca) que lhe deram origem, e a verbalização primordial que lhe deu manifestação intelectiva.”16

O valor mágico e o encantamento produzido pelas vibrações dos Psalmos, quer falados, quer musicados, evocam o Poder da Quarta Shakti – MANTRIKA-SHAKTI. É a Shakti predominante neste 4.º Sistema de Evolução Universal. “Mantrika-Shakti – Está ligada ao 4.° Raio. É o Poder Místico do Som, do Verbo. Expressa a Harmonia Cósmica, incluindo, portanto, tudo quanto diz respeito ao aspecto Beleza ou Arte. (…) Em verdade, a Palavra, o Verbo, é considerada por todas as tradições antigas a causa da manifestação do Mundo. É a Suprema Forma pela qual se objectiva o Ser Infinito. Este Verbo manifesta-se como Ritmo, Melodia e Harmonia”17.

Originalmente os Salmos eram cantados e bailados, como em muitas Ritualísticas transcendentais executadas nos Mundos Internos. Krishna representou, bailou, tocou e cantou na sua infância, na mesma razão de Gautama, o Buda. David, por sua vez, bailou diante da Arca da Aliança sentindo-se vil e abjecto perante o “seu Senhor”. Dhâranâ, depois S.T.B., durante muito tempo fez uso de bailados, cantos, mantrans ou hinos, músicas estranhas, longas e magníficas alocuções em línguas sagradas, dentre elas o páli e o sânscrito. Finalmente, as representações ao vivo dos Mistérios que a si mesma diziam respeito. Sendo assim, os Salmos não deixam de ser uma expressão de Arte, de Beleza, de Estética. Isso remete-nos à 4.ª Linha de Adeptos ligados às Artes, à Beleza – a Linha Hilarião.

Os Salmos possuem a característica de Magia Teúrgica ou de Medicina Teúrgica, a Taumaturgia, que auxilia-nos na Vereda da Iniciação na busca da nossa verdadeira Essência: “A TAUMATURGIA é o acto de se pôr em acção, em actividade, digamos, em actividade objectiva a CONSCIÊNCIA SUPERIOR, os atributos do Espírito, consequentemente, uma activação, em todos nós, do SOM ETERNO da Vida Universal – processo que possibilita manter em equilíbrio a parte veicular da Individualidade. Isso é tornar a Mônada indivisível, não permitir que os seus veículos se desintegrem, conduzindo-os ao sentido da “verdadeira imortalidade”, ou seja, a não divisão, senão, a não desintegração dos veículos conhecidos: Espírito ou Inteligência, Alma e Corpo. Por isso se fala em Corpo Eucarístico. (…) O nosso insubstituível Senhor legou-nos o ensinamento de que os “Salmos são a Verdade expressa simbolicamente”. O conhecimento da TAUMATURGIA requer o conhecimento e o entendimento do valor dos Salmos, das palavras e ervas sagradas. É preciso ter virtudes, amor à Natureza, ao Universo, para a prática da verdadeira TAUMATURGIA, e ainda o coração bem à semelhança do AMOROSO do Segundo Trono e ser de descendência directa do BIJAM DOS AVATARAS”18.

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Para entendermos a real importância dos Salmos como poderosa chave mágica em nossas mãos, nada melhor do que reproduzirmos aqui o trecho da Carta-Revelação de 27 de Abril de 1952: “Falemos da questão dos Psalmos e dos Símbolos: os primeiros revelam misticamente as questões frágeis de cada um, que merecem ser corrigidas. A repetição por muito tempo dos referidos Psalmos defende dos referidos defeitos e equilibra-os”.

Os Salmos funcionam como uma homeopatia espiritual: recitando-os constantemente estamos vibrando os valores dos mesmos, resultando na transformação da nossa psique. Acerca do poder transformador dos Salmos, diz-nos Sebastião Vieira Vidal: “Essa transformação opera-se praticando, recitando e meditando através dos Salmos. Os Mandamentos e os Salmos têm por fim criar causas que tenham como exaltação, como efeito positivo, a sublimação das Nidhanas. Escandas e Nidhanas são expressões de uma linguagem oriental. No Ocidente denominamos de Salmos. Observamos coisas boas e coisas más”19. “Os Salmos, segundo nosso grande Mestre JHS, determinam as boas e más escandas, as tendências de cada um. Indicam o que cada Irmão precisa modificar para destruir as más escandas e exaltar as boas, dessa maneira equilibrando o estado de Consciência individual com a Evolução da Obra, senão, com a sua Consciência Superior”20.

No ano de 1952, JHS deu a interpretação e indicação dos Salmos de David. Tais interpretações foram retiradas de um pequeno e velho livro da Biblioteca do Mundo de Duat chamado Ritual de Magia Divina. JHS fez comentários e acréscimos a essas interpretações. Anos mais tarde, no dia 11 de aAgosto de 1956, tal livro foi materializado nas mãos de JHS. Não foi JHS quem o materializou, mas este apareceu nas suas mãos. Essa efeméride é conhecida como A Parada dos Três Relógios, pois no momento em que tal livro foi materializado três relógios pararam, indicando o horário (20:30 h): o da sala da casa de JHS, que estava em cima da rádio-vitrola, o do Dr. Eugênio Proclan Marins, que visitava JHS na ocasião (segundo o Mestre, o seu relógio era magnético e nunca parava…), e o terceiro na parede da secretaria da S.T.B., na Rua Buenos Aires, Rio de Janeiro. Na Carta-Revelação de 12/08/1956, JHS discorre sobre tal efeméride.

Além do poder taumatúrgico dos Salmos, as suas indicações, constantes no Livro de Salmos da S.T.B., constituem um rico manancial para as nossas vidas. No capítulo Chave Mágica e Cabalística dos Salmos, JHS deixa-nos, na indicação de cada Salmo, riquíssimos temas para meditação, muitos deles de uma beleza indescritível que apenas um Avatara conseguiria ofertar aos seus discípulos. Assim, o Livro de Salmos constitui-se numa fonte inesgotável de pérolas de Sabedoria para a meditação dos discípulos de JHS. “E os Salmos, em si, constituem uma grande iniciação meditativa, por isso o Excelso Maliak lançou mão deles… seguindo o mesmo estilo de JHS”21.

Quanto à forma correcta de se recitar os Salmos, JHS diz no Livro dos Makaras: “No momento em que estiverdes recitando o vosso Psalmo, as vossas mãos devem estar cerradas, sob a contracção muscular do vosso desejo e força de vontade. Outrossim, os pés com os dedos contraídos, na mesma razão das mãos. Por acaso já pensaste que em cada lado de vosso corpo o número 10 ou IO está figurado, como agora no Kamapa?”22

A leitura pode ser feita em pé ou sentado, de acordo com a vontade ou conveniência daquele que irá recitar o Salmo. É preferível que se faça tal leitura voltado para o Norte, como nas Yogas ministradas no nosso Colégio Iniciático. Segundo a orientação dada pela Grã-Mestrina da Ordem das Filhas de Allamirah, de acordo com a Carta-Revelação acima citada, todos os dedos das mãos devem estar fletidos, e a ponta do dedo médio pressionando o ponto central da palma.

Também não é demais lembrar que sendo os Salmos uma poderosa ferramenta de Taumaturgia, de Transformação, a sua recitação deve ser feita em ambiente harmónico, tranquilo, com a pessoa em estado sereno, concentrada naquilo que vai realizar, concentrando-se no poder da sua vontade.

Cabe aqui transcrever um trecho muito importante do Livro de Salmos da nossa Obra Divina, acerca das indicações de cada Salmo e do seu uso: “Contudo, desaconselhamos formalmente o seu uso à guisa de um bulário de remédios: ‘para tal doença, tal Salmo’… é mister que, localizado o assunto do seu interesse, o consulente faça a leitura atenta dos comentários e indicações de JHS; só depois, consciente das virtudes e sobretudo da mensagem contida no Salmo eleito, passe a recitá-lo”23.

BIBLIOGRAFIA

  1. UOL Bibliotecahttp://www.uol.com.br/bibliot/linhadotempo/till6text3.htm
  2. Cadu Ladeira, Filisteus, o legado do gigante Golias. Revista Super-Interessante, n.º 04, ano 7, Abril de 1993.
  3. CR de 12/12/1951.
  4. CR de 10/08/1956.
  5. Sebastião Vieira Vidal, Série Cadete, Aula n,º 02, Os Dez Mandamentos do Manu Primordial.
  6. Sebastião Vieira Vidal, Série Juventude, Aula n.º 37, Falar sobre o sentido do Salmo 154.
  7. CR de 21/12/1951.
  8. CR de 22/12/1951.
  9. Sebastião Vieira Vidal, Série Munindra, Aula Oitavo Ritual dos Psalmos de David.
  10. Sebastião Vieira Vidal, Série Cadete, Aula n.º 16, Salmo 78.
  11. http://padreze.no.sapo.pt/estudo/estudo.htm
  12. CR de 27/04/1952.
  13. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Os Salmos.
  14. António Castaño Ferreira, Série Magia, Aula n.º 2.
  15. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Os Salmos.
  16. Eglé Packness de Oliveira, Antigo e Verdadeiro Livro das Iniciações. Editora Madras, 1997.
  17. Ivone Bruno, A Mulher na Era de Aquário, Departamento de São Lourenço.
  18. Sebastião Vieira Vidal, Série Ritualística, Aula n.º 46.
  19. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Escandas e Nidanas II.
  20. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Os Salmos.
  21. Sebastião Vieira Vidal, Série Akbel, Aula Como surgiu a Guarda da Taça do Santo Graal.
  22. CR de 27/12/1951, Livro dos Makaras.
  23. Salmos de JHS – Salmos de David. Editora Arabutã, 1.ª Edição, 1994.
    • CR de 22/10/1956.
    • CR de 09/02/1960.
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    • Revista Dhâranâ, N.º 125, de Julho a Setembro de 1945.
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