Henrique José de Souza

AOS QUE ME COMPREENDEM

Onze anos se passaram depois da Queda da Bastilha – ainda mais sendo ONZE o Arcano da Força – e surge o ano de 1800, portador dos mais transcendentes acontecimentos. Século XIX, cujo alvorecer é levado a efeito por meio de apoteótico Avatara que o mundo desconhece por completo. Abre-se um túmulo para ser fechado logo em seguida… “E toda a Terra foi bendita com a sua momentânea presença”.

Oitenta e três anos depois (soma 11, ou seja, o mesmo Arcano…), já em outra região antípoda à primeira, novo túmulo que se abre, para transformar-se em berço. Visita Interiorae Terrae Rectificando Invenies Omnia Lapidem… Dir-se-ia que um Génio Planetário – chamemo-lo de Buda-Mercúrio, dirigente do Mental Superior ou Buda-Taijasi – humana forma houvesse tomado, a fim de poder melhor dirigir aqueles que ficaram fiéis ao Espírito de Verdade! Mercúrio e Vénus, HERMES-AFRODITE, o Hermafrodita ou Andrógino Divino. Assim, em vez de UM são DOIS que dão entrada no palco cénico da Vida: Castor e Pollux, Helius e Selene, os GÉMEOS ESPIRITUAIS. Tudo o mais quanto se pudesse conhecer a respeito não passa de densos véus encobrindo o excelso mistério dos Deuses!

O século XIX termina de um modo desastroso para a OBRA: uma cabeça que rola, como aquela de Eurídice chorada por Orfeu, porém, dessa vez em certa rua de Lisboa.

Ulisses chora a sua desdita na cidade por ele mesmo fundada, Ulissipa ou Lisboa, tanto vale. Mais uma vez, as directrizes divinas foram modificadas!

Percorridos, já agora, CENTO E ONZE ANOS, para aquela mesma Queda da Bastilha, à guisa de uma volta do Colar de SUTRATMA, surge o de 1900, século XX, o mesmo em que presenciamos, num misto de dor e de alegria, acontecimentos tão favoráveis à vida humana como à sua destruição, ao seu aniquilamento. Onze anos, também, da Proclamação da República Brasileira: 1889-1900. Um século justo para o Avatara de 1800. A OBRA começa a ajustar-se, a harmonizar-se pelo Heptacórdio Celeste. Sim, de sete em sete anos factos da maior transcendência vinham preencher as páginas em branco da sua História, pois que outras já o tinham sido desde tempos imemoriais. Nesse caso, a Matemática Divina em acção, o Carro, a Mercabah…

A maior apoteose do dealbar do século XX transcende das seguintes palavras que fazem jus não só à promessa de São Germano de volver ao mundo em tal época, como à profecia de Blavatsky na Introdução da sua Doutrina Secreta, por demais conhecida de Ocultistas e Teósofos, ou seja, “de um outro que deveria vir das margens do Nilo, etc., para completar o que a ela mesma não era possível revelar ao mundo”.

Brasil, Portugal, Índia! Índia, Portugal, Brasil! O Oriente funde-se no Ocidente!

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Sete anos depois do finalizar do século XIX (o mesmo da vinda de H.P.B.), que terminou, como se viu, de modo tão desastroso, tem lugar uma Ressurreição. Novo túmulo que se transforma em berço… 1899-1906. No entanto, para o de 1883, 23 anos decorridos, para fazer jus aos graus de latitude donde e para onde vieram. Daí o engano, a maya, a ilusão da diferença de idade de um para outra… Silenciemos o resto.

No ano seguinte, o sétimo depois de 1900, apagam-se as luzes que iluminaram durante algum tempo a vida de uma criança privilegiada. Duas almas em voo sereno pelo espaço infinito dos céus. Um espécie de voo nupcial post-mortem, não sob os acordes da Marcha Nupcial do Lohengrin de Wagner, mas da Fúnebre de Chopin. O jovem faz-se homem e as 3 prodigiosas iniciais J.H.S. passam a ser H.J.S., sim, porque o Filho do Homem não podia deixar de ter o H no começo do seu nome terreno.

Ademais, o H, como letra aspirada, é a única consoante que faz vibrar as vogais do OEEHAOO sagrado, na razão das “sete Vozes Celestes ou Dhyânicas”, e percebidas por Ezequiel na sua visão extraterrena! Momento de Êxtase, Samadhi ou União com a Consciência Universal!

Sete Trombetas capazes, ainda, de se transformarem em SETE TAÇAS EUCARÍSTICAS, através das quais aquela mesma Consciência, Princípio Átmico ou Crístico passará durante todo o ciclo evolucional da Mónada. E de modo sintético, diante do Altar onde tremeluz o mágico Triângulo da Iniciação, todos aqueles que puderam alcançar na Terra a Meta desejada: a da SUPERAÇÃO.

Juntando-se essas 3 consoantes (JHS) às referidas vogais descidas à Terra através do Hálito Divino, dentre outras palavras transcende a do mesmo Jeoshua Ben Pandira, sem falar nas que figuram na mesma Taça Eucarística, como é de todos conhecido, embora ignorando, sim, a sua verdadeira razão de ser. Nesse caso, envolvendo o mistério das 3 letras hebraicas: Jod – He – Shin (em outras línguas sagradas, Suss, Suos, etc.), que a bem dizer também se ligam ao da Tríplice Corrente ou Emanação Divina (Positiva, Negativa e Neutra, Pai, Mãe e Filho ou Espírito Santo), a ponto de tomar forma humana à qual se dá o excelso nome de Governo Oculto (ou Espiritual) do Mundo.

Sublime revelação àqueles que já sabem, que já conhecem os Mistérios Maiores.

O H equilibrante do OEEHAOO, ou aquele que fica em quarto lugar justamente quando se colocam tais letras da referida maneira (o que, aliás, ninguém até hoje fez…), indica a Direcção ou Governo do nosso Globo, como QUARTO do Sistema. É aquele cuja visão penetra através da Estrela Polar, e a quem se dá o precioso nome de Olho de Druva. Hermes, o Trismegisto, ou Três Vezes Grande, não podia deixar de ter o nome iniciado por um H. Hermes e Buda-Mercúrio possuem o mesmo significado. Qualquer dos dois representa o Planetário da Ronda. Por isso que, como o Quarto dentre os Sete Irmãos ou Autogerados do UNO-TRINO, é expresso na referida palavra composta de sete letras, no quarto lugar.

Na Atlântida, o Governo terreno era exercido entre os Sete Irmãos ou DHYANIS – os chamados Sete Reis de Edom (Éden ou Paraíso Terrestre), sendo que o Temporal se encontrava na Quarta Cidade, enquanto o Espiritual, representando o Mundo Divino, na Oitava, razão das suas altíssimas muralhas, que os Rakshasas negros, os lemurianos da Raça anterior, quiseram destruir para ver o que por detrás das mesmas se passava. Por isso procuraram construir a tradicional Torre de Babel, cuja verdadeira interpretação jamais foi aquela que lhe deu a Igreja, além do mais por ignorar, como a própria Ciência Oficial, a existência dos dois referidos continentes: o da Lemúria e o da Atlântida, sem falar dos dois anteriores, cujas Raças de humanas nem sequer tinham a forma.

1914! Começo da Conflagração Europeia, cujo epílogo, a bem dizer, está consubstanciado na Grande Catástrofe que ameaça destruir o Mundo inteiro, o que, diga-se de passagem, seria impossível, desde que a Evolução Humana se prolongará ainda durante verdadeiras eternidades. Um Ciclo que morre para dar lugar a um outro portador de melhores dias para o Mundo. Esta foi a razão do nascimento da nossa OBRA. Nesse mesmo ano (1914), a perda da fortuna material para a aquisição da espiritual, que outra não é senão essa mesma OBRA a que acabamos de nos referir. Na hora, porém, daquela exigida tragédia, não faltaram “o cabelo à nazareno” e uma cela de ermitão na cidade de Nazaré, no interior baiano. Assim, H.J.S. fazia o papel de Yokanan de si mesmo, por outro ter morrido em seu lugar. O mistério de João Baptista que se repete em todas as épocas: João – Herodes-Herodíades – Salomé, ou J.H.S.

1921! Os GÉMEOS ESPIRITUAIS no cume da Montanha Sagrada. Cume ou CUMARA, tanto vale… E isso aos 23º de Latitude Sul, Trópico de Capricórnio, ou outro que faz jus ao de Cumara ou Kumara, como já ensinámos tantas vezes. Sim, por terem eles vindo, como já foi dito, dos mesmos graus de Latitude Norte, Trópico de Câncer, ou seja, em pleno deserto da Líbia, de uma Fraternidade ou Colégio Iniciático com o nome de KALEB, que quer dizer Cão. Mas isso em relação com a constelação de ORION, ou seja, “o mesmo que com o seu cão foram transformados em estrelas…”, como diz a Mitologia Grega, cujo sentido já tivemos ocasião de dar em outros trabalhos.

No cume da Montanha Sagrada, outras Três Misteriosas Personagens concorreram para se manifestar novamente na Terra o Presépio ou Creche. Algo assim como os Três Reis Magos, portadores de preciosas dádivas. De facto, alguns anos depois tais dádivas vieram: um Livro, uma Frasqueira contendo o Licor de Shukra ou Vénus, e o precioso Símbolo mais conhecido como Chave de Pushkara, que esteve na Presidência Geral em São Lourenço durante sete anos, e depois em exposição na Matriz pelo período de três dias, por sinal que visitado por vultuoso número de pessoas, pertencentes ou não à OBRA. Por sua vez, o Cavaleiro da Capa Vermelha ou AKDORGE (Maitri, Mitra, Maitreya, etc.) aparecendo-lhes por três vezes, na mesma razão do já referido termo Trimesgisto, segundo o demos anteriormente. Nesse caso, Pai e Filho diante de seus Filhos e Pais… Palavras cruzadas que ninguém jamais descobrirá. No entanto, os Dois Deva-Pis, a que se refere a famosa profecia do Vishnu-Purana, respondem pelo mistério. Finalmente, São Lourenço e o silêncio profundo das suas cavernas. Um Sistema Celeste gravado na face da Terra. Montanhas, Embocaduras Aghartinas, Jinas, Todes e Totens.

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1928! O Homem integra-se em Si mesmo. Nova Ressurreição, Hossanah, Aleluia! O dia dos Imortais, ou seja, o 28 de Setembro do mesmo ano. 28, o prodigioso número dos asterismos lunares, duas vezes quatorze do mistério solar. Doze mais dois signos ocultos do Zodíaco: os 14 pedaços de Osíris procurados por sua esposa-irmã Ísis. Como na Batalha de Kurukshetra, segundo o poema épico, o Mahâbhârata, “cornos bélicos, tambores e tamborins… além do sopro nas divinas conchas”, que outras não são senão as narinas… a fim de madificar as forças subtis da Natureza, e com isso derrotar o inimigo… Mistério! A eterna luta entre lunares e solares, ou as Forças do Mal e as do Bem, agora mesmo em franco e decisivo combate. Por que não dizer: Herr Hitler de um lado, e El Rike ou Henrique do outro. Sempre o misterioso H na direcção do Globo, na sua dupla face: Destruere et Construere! Para bom entendedor, meia palavra basta.

1935! Corpo que baqueia em um leito de morte! E isso depois de acidentada viagem, parando de estação em estação, de Cruzeiro às costas! São Lourenço dessa vez não foi galgada. Agonizando num vagão especial da Central do Brasil, estação de Cruzeiro, Nova Ressurreição! Vitoriosa marcha para a Casa de Deus, Arcano 16, como o número dos degraus da Vila Helena, Presidência Geral da S.T.B. em São Lourenço. A sublime protecção dos Jinas e Todes da Montanha Sagrada. Veni, vidi, vinci!

Finalmente, depois de outras tantas provas no período cíclico de sete anos, como sempre acontecia, surge o ano de 1942, que em verdade, astrologicamente falando, começa a 22 de Março. VIDA NOVA! O Enigma do Futuro! A luta entre a Vida e a Morte! Na Balança do Humano Destino, uma das suas conchas penderá para o lado que há-de sair vitorioso: o do Bem ou o do Mal! As ameaças do privilegiado continente americano pelos representantes das civilizações decadentes, que tanto valem pelas Forças do Mal. Rari nantes in gurgite vasto! Raros náufragos nadando no vasto abismo! Os futuros destinos do Mundo!

Felizes dos que não viram e creram. Sim, porque aqueles que até agora não compreenderam, jamais compreenderão. Sic transit gloria mundi!

FALANDO POUCO MAS DIZENDO MUITO, OU DENSOS VÉUS QUE SE RASGAM

Os dois números anteriores desta Revista Dhâranâ, um especial dedicado ao Panamericanismo, e outro relativo ao trimestre (Outubro a Dezembro de 1941, n.º 110), representam uma Apoteose da OBRA. Um ciclo que se finda para dar começo a outro, cheio de dúvidas e incertezas. O Exoterismo e o Esoterismo unem-se para revelar ao Mundo os reais valores desta mesma OBRA. Nem todos compreenderam o seu verdadeiro sentido, desde que a maioria – inclusive os altamente colocados na vida – se acha envolvida pelas formas grosseiras da matéria, aquelas que não permitem ao Homem discernir o falso do verdadeiro.

Sim, o número especial ultrapassou as possibilidades humanas. Basta dizer que, no mesmo dia em que teve lugar a inauguração da III Conferência entre as Nações Americanas, surgia ele como uma verdadeira apoteose, vitória retumbante na imprensa especializada do País, como tiveram ocasião de dizer alguns jornais, enquanto os próprios embaixadores: “Formidável sucesso! Será o único e mais valioso documento deste facto histórico que vai decidir os destinos do Mundo”. Mas, em verdade, a parte esotérica da questão ninguém, absolutamente ninguém, a soube ou quis compreender. Nem por isso ela deixou de produzir o efeito desejado onde, justamente, deveria produzir: no mundo verdadeiramente culto e digno, o mundo dos Adeptos, dos Iniciados, dos Homens Perfeitos. Quanto ao resto, pouco interessa, fiquem com os seus falsos galardões, hipotéticas posições, misérias de toda a espécie, que mais hoje, mais amanhã os colocarão no lugar a que estão destinados. Honny soit qui mal y pense!

Quanto ao número referente ao trimestre (n.º 110), é fácil fazer a sua síntese:

Colombo e Cabral, os grandes descobridores do Novo Mundo, os enviados da Agharta para as futuras realizações do Culto de Melki-Tsedek, ou o Templo de Jerusalém reedificado no Mundo. Sim, com o advento de uma Nova Civilização em substituição à decadente, desde que a Vida Universal, como se sabe, é repartida em Ciclos. Destruere et Construere, Corsi e Ricorsi.

Paracelso – tal como Nostradamus e outros mais – o sábio profeta anunciador e alicerçador de tão sumptuoso Edifício. Razão porque tanto cura os corpos como as almas. Serve-lhe de símbolo protector a Espada do Conhecimento e da Justiça que ele trazia sempre consigo, em guisa de Cruzeiro ou Pramantha que está sob a égide do Governo Espiritual ou Oculto do Mundo, diante do qual todos os reis, todos os dirigentes de povos não são mais do que simples escravos, sendo que aqueles que ultrapassam os ditames da LEI, mais hoje, mais amanhã serão destruídos. Haja vista a Queda da Bastilha, a Revolução Francesa por ele mesmo, Paracelso, prognosticada através da, por sua vez, Queda da Flor-de-Lis dos Bourbons. Na mesma razão, poder-se-ia dizer hoje: queda da Sovástica (adoptada por Herr Hitler) para exaltação da Suástica (adoptada por EL RIKE), embora a confusão estabelecida entre as duas por aqueles que já deviam ter aprendido a sua diferenciação. A primeira, símbolo da Involução, considerada nefasta por Jainos e Budistas na Índia. A segunda, símbolo precioso da Evolução considerado como protector do Mundo. Não fosse o Precioso Símbolo desse mesmo Governo Espiritual do Mundo, do qual Hitler quis roubar os privilégios mas acabou por se servir do que lhe competia: o mau e o falso. Outros que o acompanham, por sua vez, escolheram símbolos nefastos: camisas pretas, tíbias e caveiras, como nos pavilhões dos piratas de outrora e nos avisos dos lugares “onde a vida corre perigo”.

Cagliostro e São Germano, famosos realizadores de todas as épocas, pouco importa os nomes com que se apresentem: Lilium Pedibus Destrue! Lorenzo Paolo Domiciani! LAUDATE PUERI DOMINE! LOURENÇO PRABASHA DHARMA! Ontem e Hoje, mas sempre os mesmos! As Ordens de Cavalaria ao serviço das Obras e dos Seres de procedência Divina.

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Repetimos: nem todos puderam descobrir “por baixo da Letra que mata o Espírito que vivifica”. O facto é que não podíamos, nem poderemos jamais, falar de outro modo. Lembramos apenas o margaritas ante porcos, atribuído ao meigo Nazareno. Houve até quem se revoltasse contra essa maneira de se iniciar os homens, que já provém dos memoráveis tempos da Atlântida, e hoje mesmo nas escolas oficiais, como um simples e apagado vislumbre, recebeu o nome de teste. E ninguém reclama nas escolas, talvez, quem sabe, por ser pago o ensino… Novas sentenças vêm juntar-se à primeira: “Não procures fora o que está dentro de ti mesmo”, “Quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece”. Homem, conhece-te a ti mesmo! Sim, triste revolta aquela contra A SUA PRÓPRIA RELIGIÃO, se se atribui ao mesmo Jeoshua o “faze por ti, que eu te ajudarei”. Nada pior que uma revolta dessa natureza, quando menos se conhece o seu próprio destino! Pobres representantes de uma Humanidade em franco declínio! Sim, porque os que ficaram fiéis ao Espírito de Verdade, bem se pode dizer, àquela não mais pertencem agora, com o dealbar do novo Ciclo.

Dentro em breve será tão tarde para ouvir a Voz da Razão e da Verdade como nos últimos dias da Atlântida, quando o povo ao suplicar ao sacerdote MU-KA que o salvasse, o mesmo lhe dizia: “Não vos preveni que este seria o vosso fim? Por muito tempo vivestes afastados da LEI, agora é tarde. O mais que posso fazer é morrer convosco”. E a terra, tremendo debaixo de seus pés, submergiu no seio das águas… Lá está ela ainda à espera da sua total redenção…

Algo parecido vos posso dizer nos dias que correm: há longos 18 anos vos prevenia de todas as coisas a que estais assistindo. Em artigos, por esta Revista e em diversos jornais do País, em mensagens que vos eram dirigidas, em sessões hebdomadárias, do mesmo modo, até agora a vós dedicadas. Não me quisestes ouvir, nem a quantos falaram em meu nome. E isso, além do mais, porque “santo da casa não faz milagre, nem ninguém é profeta em sua terra”, mesmo que ignoreis a minha verdadeira terra, em resumo, quem sou, donde venho e para onde vou… Ouvi bem: sorrisos zombateiros como os de hoje, tive ocasião de presenciar em outras épocas, mas também ajudeia a chorar os mesmos que pagaram de tal modo o bem que eu lhes queria fazer…

Quantas e quantas vezes, eu e aqueles que me acompanham – alguns deles desde vidas imemoriais – vos temos dito que “para pertencer às nossas fileiras, os deserdados da sorte não necessitam oferecer coisa alguma em troca do que de graça lhes damos?” A Verdade não se vende nem se compra… Não somos os vendilhões do Templo, expulsos a chicote pelo meigo Nazareno. Outros preferem sê-lo: religiões bastardas, espiritualistas do velho ciclo! Ricos e pobres, em nosso meio, são recebidos da mesma maneira. No Culto de Melki-Tsedek, o pão é dividido ao meio. Razão de adoptarmos por lema UM POR TODOS, TODOS POR UM!… E quanto ao da nossa Missão, ou seja, o SPES MESSIS IN SEMINE, a esperança da colheita está na semente, esta não é escolhida entre os abastados da vida, a menos que tal abastança fosse de bens espirituais concebidos por estas exigências: bom carácter, distribuição de favores onde quer que eles faleçam, o que tanto vale por ser fraterno para com todos os seres da Terra, aspirante, enfim, à LUZ SUBLIME DA VERDADE. Verdade esta que só se adquire por esforços próprios. Razão de nem um só dos Iniciados ter falado ao mundo senão por parábolas e símbolos.

Dentro em breve, mesmo que o desejeis, a Porta do Templo estará cerrada àqueles que chegaram tarde, isto é, só se dignaram a procurá-la quando movidos pelo terror, pela visão macabra dos dias que vêm a caminho. A Verdade é procurada por amor à mesma Verdade, e não por interesses estranhos, sejam eles quais forem, para não se equiparar à criança que para cumprir os seus deveres escolares necessita que lhe prometam doces, brinquedos, passeios e outras coisas mais…

Com a entrada do novo ano astrológico, ou seja, a 22 de Março – que quando fizerdes esta leitura já terá ficado para trás nas vossas vidas – é bem provável que já vos seja interdito semelhante privilégio. Trata-se de fenómeno idêntico ao encontro das águas do rio com as do mar. No Amazonas, por exemplo, tal encontro ou choque tem o nome de pororoca, e o seu ruído é ouvido a grandes distâncias. No caso vertente, o ruído das águas passa a ser o das armas na luta renhida das Forças do Mal contra as do Bem. Já o dissemos anteriormente.

Amazonas, rio-oceano! Amazonas, toda a região privilegiada por ele banhada e que por si só pode servir de celeiro do Mundo. Fala bem alto o gesto amigo e fraterno da América do Norte, de parceria com o seu irmão gémeo Brasil, prevendo os horrores que terão lugar depois da mais terrível de todas as guerras que a História subscreve.

Brasil! Nova Canaan, Terra da Promissão. Abrigo seguro para todos os povos da Terra.

S. T. B., BARCA DE SALVAÇÃO…

Buda e Barca

Contrariamente ao que se possa julgar, a Barca de Salvação, que é a S.T.B., já existia desde o ano de 1900. Se para o mundo ela não tinha a forma objectiva que recebeu em 1924, para não dizer em 1921, era por estar encoberta pela mayávica (ou ilusória) cerração das formas grosseiras da matéria. Por isso existia no mundo dos Iniciados, o mundo dos Adeptos da Boa e Verdadeira LEI, a LEI que a tudo e a todos rege. O seu “cavername” foi fornecido pela Grande Barca ou MAHA-YANA, o Budismo do Norte, em cujo Templo – de SRINAGAR – este adolescente das 16 primaveras esteve, e a quem, ao dar entrada na praça principal da cidade, acompanhado de régia comitiva… uma boa samaritana oferece um pouco do líquido cristalino que jorra até hoje de uma fonte, que lhe fica à direita. No Templo, durante sete dias seguidos, o mistério de um Ritual jamais conhecido do mundo…

Vinte e um anos, ou antes, vinte e dois anos depois, se contarmos o da chegada que foi o de 1899, como se viu, os Gémeos Espirituais sobem à Montanha Sagrada. Os preciosos frutos de tão pródiga viagem ao Norte da Índia, por sua vez instalados até então no Mundo Aghartino, aparecem na face da Terra… Sendo sete e cada um deles possuindo os seus dois Ministros ou Colunas Vivas, perfazem o precioso número 21, que adicionando à Origem forma o total dos Arcanos Maiores: 3 x 7 = 21; 21 + 1 = 22. O mesmo se pode dizer da Palavra Sagrada, o AUM, e do próprio termo Maitri (Três Mundos ou Três Mayas, etc.), que serve de eco ao Apta, ao Templo, ao Lugar da Origem, como outrora na Atlântida as sete cidades e mais a oitavo ou última, onde se encontrava o Mistério Divino manifestado na face da Terra…

Eis aí a razão de se ter afirmado inúmeras vezes que o Templo – que é a S.T.B. – pode ser destruído pelos monstros actuais que governam o Mundo. Mas essa repercussão septenária da OBRA em sete partes do Globo, nem eles nem ninguém, absolutamente ninguém, será capaz de o fazer… Isso já era afiançado desde os primeiros dias da objectivação da OBRA: “Dhâranâ, do pedestal em que te achas erguida não há forças humanas, por mais poderosas que sejam, que te possam apear!” Assim, não há como experimentar tão ingrata façanha!…

7 Anjos diante do Trono

Sim, no caso em que desaparecesse o Templo, seriam Eles – Trombetas da Visão de Ezequiel – que fariam repercutir por todo o Orbe Terrestre o próprio Verbo Solar, a Voz de Jehovah, para que o Mundo fosse novamente construído. Não prometeu, por sua vez, o Rei do Mundo, em sua última profecia, que se os homens fossem de todo destruídos, ou mesmo só ficassem os maus, “Ele viria à frente do seu Povo para extirpar as más ervas do vício e da loucura da face da Terra”? Assim, tais palavras hoje se aclaram.

Por tudo isso e muito mais ainda, a S.T.B. é o Sol Espiritual em torno do qual giram sete outros Sóis (ou astros) menores. Sempre o mesmo mistério dos Sistemas Solares! No céu, na face e no seio da Terra!

Tão privilegiada é Ela como a Pátria onde se firma. Nem se poderia conceber de outra maneira! Sim, algo superior tomando vida e forma, em lugar positivamente inferior ou sem a seiva espiritual de que carece tão excelso empreendimento.

Do mesmo modo que na Terra a Rosa e Cruz rutilam como um Cruzeiro no peito do Mestre de Obras, o Timoneiro que dirige tão valiosa Barca, assim também no céu o Cruzeiro do Sul resplandece no fulgor da sua magnificência todo o mistério que ele procura ocultar aos olhos profanos. No Cinturão de Hércules, por sua vez, lá está o Punhal ou Cruz, precioso símbolo do Quaternário Terreno, pois, como se viu, é o quarto Globo do nosso Sistema! Nesse caso, dirigido pelo Quarto Planetário, como se disse em outros lugares, dentre os Sete Irmãos ou Autogerados do Uno-Trino.

Oculta no cerúleo manto da Virgem, a constelação de ORION, aquele que foi transformado, juntamente com o seu CÃO (com vistas a Kaleb, Fraternidade no deserto líbio) SÍRIO, nessa forma estelar, olha dos lado oposto às Sete Plêiades a que ele perseguia na Terra, segundo a Mitologia Grega. Por sua vez, em oposição àquelas os chamados Rishis na Mitologia Hindu, como esposos-irmãos das Krittikas ou Amas do Karttikeya (o próprio Maitreya, Maitri, Akdorge, etc.)1, formando pares de sete na razão, ainda, dos 14 pedaços de Osíris, à parte o que já foi dito a respeito dos signos do Zodíaco.

Osíris, por sua vez, como outrora no Mundo (no Egipto) vagando em sua Barca pelas ondas rendilhadas do Nilo, já agora estelar Caminho dos Devas, Via Láctea, poeira cósmica tecida pelos cometários astros, no seu misterioso e trabalho de fecundadores dos Universos!

S.T.B., Barca da Salvação vogando no tempestuoso mar da vida, embora espiritualmente ancorada em Porto Seguro.

Brasil, Terra da VERA CRUZ, Rosa e Punhal, Pramantha protector do Mundo em torno do qual são tecidos os seus próprios destinos. Sim, deste mesmo Mundo na estertorosa agonia de um Ciclo para a espectacular Ressurreição de um outro capaz de lhe trazer a verdadeira e duradoura Paz, segundo exige a LEI que a tudo e a todos rege2.

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NOTAS

(1) As Plêiades, além de outros sentidos mais ocultos, simbolizam as 7 Raças-Mães ou os 7 estados de Consciência pelos quais deve passar a Mónada durante toda uma Ronda. Daí serem elas as Mães ou Amas de Maitreya, Karttikeya, etc., ou seja, do Planetário da Ronda ou a própria Tríade Superior. Maitri, como temos ensinado tantas vezes, não significa apenas Compaixão, como julga o grande sanscritista Burnouf, mas o de Tríplice Forma, que o mesmo é dizer Atma-Budhi-Manas, ou a própria Mónada, aquele que venceu os três Mundos ou as três qualidades de Matéria: Satva, Rajas e Tamas. É esta a razão dos Avataras ou Manifestações da Divindade que se fazem nas 7 referidas Raças-Mães, em Ciclos maiores ou menores, sem falar nos Manus grandes e pequenos das Sub-Raças, Ramos e Famílias, como Tulkus daqueles.

É aparente contradição dizer-se que o último Avatara Kalki (“Cavalo Branco”) é o décimo. Os Avataras apresentam-se como 7, correspondentes às 7 Raças-Mães ou estados de Consciência. A esses 7 junta-se o valor trino de Maitreya, como Tronco ou Origem dos outros, sendo esta a razão de se falar no décimo Avatara. A verdade, porém, sobre tão transcendental assunto é que os referidos Avataras não são 7 nem 10, mas 14, de acordo com os signos do Zodíaco que, ao contrário do que se pensa, são 12 visíveis e 2 invisíveis ou “secretos”.

É oportuno lembrar que os signos do Zodíaco, representando as próprias Hierarquias Criadoras, têm a forma de animais e coisas, para melhor encobrir ou velar o sentido oculto que eles exprimem. Nos antigos Colégios Iniciáticos, e ainda hoje no Mundo Jina ou Aghartino, ele é apresentado uniforme, isto é, ou todo constituído de animais, ou todo representado por objectos.

Se se não tomasse essa providência no mundo profano, e junto a Piscis se colocasse o animal substituído por Aquarius, seria fácil descobrir a sua chave interpretativa. O mesmo aconteceria se junto a Câncer e Leo não tivesse sido representado o signo de Geminis por dois animais sagrados.

Já mais de uma vez dissemos que os totens ou animais sagrados adoptados por todos os povos mais ou menos civilizados, e ainda hoje existentes entre os selvagens como vergônteas que são de velhas civilizações, acham-se relacionados com os signos do Zodíaco. Daí podermos considerar o termo Tode, dado aos guardiões dos lugares sagrados (montanhas, embocaduras aghartinas, etc.), como uma corruptela do termo Totem, visto em todas essas regiões também se adorar um animal sagrado.

A Nilguíria, no Sul da Índia, tem por totem o Búfalo, com o qual conversam os Todes da região, segundo nos diz Blavatsky no seu livro Aux Pays des Montagnes Bleus. A tão pouco conhecido assunto, alguma coisa podemos ainda acrescentar: em todos esses lugares, lado a lado dos Todes, vivem seres que representam o último grau de degenerescência. Denominam-se, na Nilguíria, de Mulukurumbas, e são dotados da estranha faculdade de matar em 13 dias as pessoas por eles fitadas com essa intenção. Este facto levou as autoridades inglesas, depois de terem assim sucumbido dezenas de oficiais destacados para aquela região, a instituir severas penalidades àqueles que empregassem tais processos de assassinato.

Podemos concluir a este respeito que o Tode representa a semente de uma civilização futura, e o Mulukurumba o resto degenerado duma civilização desaparecida há milénios sem conta. Um e outro são aquilo que poderíamos chamar o Alfa e o Ômega da Evolução Humana. Os Mulukurumbas, tal como várias tribos do interior da África, apresentam-se disformes e como verdadeiros pigmeus, visto ser uma ideia geral que os filhos das raças em decadência diminuem de tamanho. Temos como exemplo desse fenómeno os japoneses, em marcha acelerada para o tipo Mulukurumbas atrás descrito, por serem uma das derradeiras vergônteas da grande Raça Lemuriana que floresceu há mais de 18 milhões de anos.

(2) A intuitiva e maravilhosa ideia de Roosevelt de “um só padrão monetário para todo o Continente”, para nós é mais do que velha, porquanto em plena sessão pública, há muitos anos, tivemos ocasião de dizer: “Quando o Mundo pensar em um só padrão monetário e um só idioma para todos os povos, dados terão sido os primeiros passos para o ideal da Fraternidade Universal da Humanidade”.

Demos nós, os do Continente Americano, tão sublime exemplo, e em breve terá surtido o desejado efeito.

Revista Dhâranâ n.º111 – 1942

 

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