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Sintra, 1980

 É necessário aprender a matar a Morte.

 Mário Roso de Luna

Quando se adentra o Caminho da Verdadeira Iniciação de transformação da Vida-Energia em Vida-Consciência, e pelo exemplo permanente se influencia positivamente os semelhantes em Humanidade, cada vez mais, pela espiritualidade inata, cresce a certeza de que a morte é uma grande mentira no sentido de fim absoluto de tudo, pois se o fosse a existência física com os seus multicoloridos de factos, progressos ou retrocessos, seria a maior das incoerências e o ser vivo algo sem sentido prático, se não e só o facto de existir porque existe, logo, só teria lógica o niilismo e a anarquia existencialista produtos de uma mecânica cega. Mas, até para um espírito pouco atento e sem quaisquer necessidades metafísicas, é fácil aperceber que a Mecânica Universal não é cega nem incoerente, pois que manifesta uma Inteligência lógica regendo a tudo e a todos. Chame-se-lhe Deus, Consciência Cósmica, Substância Universal, etc., o nome que se queira dar desde que se atenha ao seu sentido real.

Após adentrar o Caminho da Verdadeira Iniciação, o estudo e entendimento das leis ocultas regendo a Mecânica Universal torna-se uma necessidade tão premente para o Aspirante como a alimentação física, pois que na realidade está alimentando o seu Ego Superior. Transportando o estudo dessas leis da Natureza para o plano prático a fim de as experimentar tangível e sensivelmente em si mesmo, o Aspirante entrega-se de seguida à prática regular de uma série de exercícios espirituais (oração, meditação, ritual, etc.), aprovados e reconhecidos pela Tradição Iniciática para a tónica colegial a que se vincule por simpatia ou afinidade às suas carências interiores, e assim unindo a teoria com a prática satisfaz a sua fome de espiritualidade, ao mesmo tempo que abre caminho através da espessa floresta negra da personalidade até ao âmago mais profundo e divino de Si mesmo, percorrendo uma verdadeira Via Cristocêntrica até à união final ao seu Cristo Interno e, a rigor, afirmar: – Eu e o Pai somos Um!

Dessas duas necessidades sobressai uma terceira, consequência do seu refinamento mental e emocional, tendo pelos estudos superiores entendido que só será inteiramente feliz quando a Humanidade também for: preocupando-se com a evolução dos seus semelhantes, com as suas venturas e desventuras, germina nele o ensejo premente de servir.

Mas, servir como?…

De uma maneira genérica, aponto três modalidades: 1.ª) Realizando a verdadeira Caridade – o Amor incondicional aos seres viventes – através de meios materiais, sem exageros para que não seja o próprio a ficar descarecido, e saber a quem caridar, pois que muitos se escondem por detrás de uma pobreza aparente para ocultar os seus vícios e alimentá-los às custas da boa vontade alheia. E de maneira que o objecto ofertado vá impregnado das impressões magnéticas positivas da alegria e desprendimento no acto de dar, que descarece de ostentação e também de humilhação, tanto para o que dá como para o que recebe, pois senão a Caridade corrompe-se em esmolismo constrangedor e pueril.

2.ª) Se o discípulo possui dificuldades económicas inibindo-o de dar cumprimento à Caridade objectiva, pois então que a faça como Esperança, isto é, use da palavra consoladora e até, muitas vezes, curadora, semeando esperanças novas no ouvinte. Isto é verboterapia. Um conselho fraternal dado na hora certa, acaba valendo mais que todo o ouro do mundo e jamais será esquecido. Alguém está desalentado? Alguém chora e sofre? Coragem, ânimo, tudo passa – por detrás das nuvens pesadas de um dia carregado está sempre o Sol, e este não desaparece ao contrário daquelas. A Abundância Divina nunca deixou um ser vivo por atender, mesmo que nada pareça ser assim, pois quando os homens nos fecham a porta, Deus nos abre a janela… Nada está perdido para sempre, e só resta reconhecer que o sofrimento de hoje é a consequência do que originámos ontem, por conseguinte, restando-nos aceitar o nosso destino, não impassíveis de braços cruzados mas sim transformando a noite triste de hoje no dia alegre de amanhã, fazendo com o futuro se apresente sempre risonho trazendo melhores dias para um e todos. E isto é feito entre todos num serviço impessoal de boa vontade.

3.ª) Pela inquebrantável expressa como trabalho dedicado ao mundo em aflição, com a alma posta em Deus e os Deuses evocando-os a estenderem a sua Presença a quantos sofrem, seja de que maneira for, e assim, anonimamente, ajudando a secar as lágrimas do próximo infundindo-lhe misteriosos e suaves alentos como se fossem beijos etéreos do Céu à Terra.

Caridade

Regra geral, é por essas três modalidades que o Aspirante serve a Deus servindo à Humanidade. Humanidade carente da Luz Mental da Sabedoria Divina e da Luz Emocional do Amor Divino que é a Essência Única de Budhi, o Cristo Interno. Tal carência gera nela os mais díspares conflitos interiores cuja solução procurada leva a resvalar ou para o materialismo grosseiro ou para o religiosismo idolátrico, mantendo-se a cegueira espiritual e com esta as ilusões que, após desfeitas por um percalço qualquer da vida, redundam em tremendas desilusões.

Seja como for, a sabedoria retirada das experiências sofridas amplia a consciência e com isso amadurece a alma até que desperta, finalmente no momento próprio, para a vida superior do Discipulado, reconhecendo que os seus erros passados a si mesma se deveram e que não deixaram de ser preciosas lições de vida para maior crescimento da consciência.

O estudante espiritual adiantado além de dar o seu contributo à Felicidade Humana no Plano Físico, também o faz nos Planos subtis como Auxiliar Espiritual ou Invisível… aos olhos físicos, assim continuando a agir anónima e discretamente.

É precisamente sobre o Auxiliar Invisível que irei discorrer neste estudo que já foi palestra várias vezes repetida há muitos anos, cerca de trinta e três, tanto em Sintra como em Lisboa e no Algarve (Lagos e Faro).

A presença do Auxiliar Espiritual justifica-se pelo factor DOR (física, moral ou ambas em simultâneo por uma acompanhar sempre a outra) que assiste à evolução do comum Género Humano, levando a perguntar: “A Evolução tem que se fazer com Dor ou a Evolução pode fazer-se sem Dor?”

“A Evolução faz-se pelo atrito” (Djwal Khul).

Essa pergunta já aparecia entre os membros inflamados por ela do extinto Ramo “Alvorada” da Sociedade Teosófica de Portugal, nos idos anos 80 século findado, sendo pomo de muita discussão, desentendimento e debandada quando aí cheguei. Volto a responder a essa antiga questão em termos bem actuais:

Primeiro que tudo, a Iniciação não é Religião, tal como Pensamento não é Sentimento, consequentemente, sendo a Iniciação superior à Confissão, logo também o Ideal supera a Moral tal qual o Pensamento vai além do Sentimento, a Ideia sobrepuja a Imagem. Sem repelir mas superar o afectivo moral, o entendimento da Dor como consequência do Mal tem explicação muito mais além da dogmática confessional: a teosófica ou racional (de Razão ou Inteligência no sentido de Manas Taijasi, “Mental Iluminado”) oriunda da Sabedoria Iniciática dos Deuses que, afinal, no Todo perfazem Deus.

A origem do Mal Cósmico e consequentemente da Dor começa no 3.º Sistema de Evolução Universal abruptamente terminado no 3.º Nódulo, segundo as Estâncias do Dhyani Mikael, por “demasiada pressa” do seu Logos em findá-lo, por assim dizer. A partir daí, o posicionamento normal das Hierarquias Criadoras do 3.º Sistema sofreu alterações profundas a fim de corrigir as alterações súbitas no Mapa da Evolução Universal, mesmo assim a Tragédia do 3.º Nódulo acabando por repercutir na 3.ª Cadeia já neste 4.º Sistema de Evolução Universal, mais uma vez cessando subitamente a sua Evolução, ainda por “demasiada pressa” de Lz., passando as Ondas de Vida à 4.ª Cadeia Terrestre de maneira precoce, apesar do mesmo Lz. “só” pretender o desenvolvimento do princípio Mental Humano, contudo antes do tempo previsto pela Suprema Lei, a fim de mais rapidamente libertar-se dos grilhões da Matéria em que estava incarnado e assim voltar à sua dignidade de Trono Celeste. Mas o Eterno (8.º Logos) “trocou-lhe as voltas” e ele teve de prosseguir na Matéria o trabalho inacabado que iniciara no longínquo 3.º Nódulo… Daí a lenda de Prometeu agrilhoado no Cáucaso ou “cárcere carnal”.

A Dor nasce assim, acompanhada do Mal que é a expressão da Revolta do 3.º Logos afectando a tudo e a todos, isto é, à multiplicidade das Ondas de Vida manifestadas, e até às Hierarquias Superiores mais afins à natureza daquele, o que até hoje se regista. Entretanto, respondendo ao apelo do Eterno para O qual por sua vez apelara Lz., desceu dos páramos celestes o 6.º Logos Ak. a fim de temperar o Rigor (Karma) com o Amor (Dharma), descida muito precoce em milhões de anos e que sucedeu só pela abnegação da sua natureza toda amorável mas também sábia, por expressar ao próprio Amor-Sabedoria do Logos Eterno de que é a 6.ª parte. Daí o Venerável Mestre JHS (de nome profano Henrique José de Souza) apelar constantemente ao equilíbrio entre Mente e Coração, pois quem pensa (e mal) que conhecer é saber e estar é integrar, realmente anda muito enganado… como Lz. se enganou, ainda assim acabando por favorecer à Evolução geral, justificando o axioma “Deus escreve direito por linhas tortas”.

A Tragédia Lunar da 3.ª Cadeia repercutiu na 3.ª Ronda da 4.ª Cadeia Terrestre que assim ecoou funestamente na 3.ª Raça-Mãe Lemuriana – mesmo provocando a Iniciação Colectiva do Género Humano por intervenção dos Kumaras como “personalidades” manifestadas dos 7 Ishvaras ou Logos, Iniciação essa que deu ao Homem o sentido do discernimento do Bem e do Mal pela separação dos sexos e dos hemisférios cerebrais; foi o início do princípio de “Ahamkara” ou da individualização como “conhecimento do bem e do mal de cujo fruto provaram Adam-Heve”, padrão da Humanidade física. Também aí agiu Ak. na forma elementar de animal fantástico que “um dia veio a morrer de inanição à entrada do deserto (egípcio)”, nas palavras enigmáticas do Adepto Ralph Moore. Por sua vez, a Tragédia Lemuriana levará milénios depois à revolta da 3.ª Sub-Atlante e esta da 3.ª Sub-Raça Ariana, ambas repercutindo no 3.º Sistema Geográfico da actual Raça Ária, como seja o Hindu-Tibetano (sendo os dois anteriores, respectivamente, o de Jerusalém – com as suas sete Igrejas – e o de Roma – com as suas sete Catedrais), onde Lz. travestido de “santo” Padmasambhava levou à queda dos Bhante-Yauls (discípulos de) ou “Irmãos de Pureza” que aí viviam. Mais uma vez, Ak. intervém depois – sempre respeitando a Lei do Karma, ou melhor, do Livre-Arbítrio – incarnado como o Santo Sábio Tsong-Kapa. Em tudo isso revela-se a multimilenar “batalha entre Mikael e Lúcifer”, até ao dia sacrossanto, já no início dos anos 50 do século XX, em que JHS levou os dois Irmãos desavindos a entender-se para sempre com as suas “duas Bocas bebendo da mesma Taça”. Esse foi o dia em que o Mal e a Dor findaram para sempre, e o que desde então até hoje se regista é o Karma Colectivo que um e todos têm de resgatar, pois depois de contraído não há maneira para animais, homens e deuses de o contornar senão pela sua “queima” que é a consciência individual (para homens e deuses; para animais, a consciência colectiva) ardendo na culpa do mal feito. Só a prática do bem aliviará a mesma consciência.

Consequentemente, a Evolução faz-se com Dor para o homem comum (mesmo para o anacoreta que se esconde da Humanidade em grutas, montanhas ou eremitérios, o seu karma não é anulado: é adiado), mas faz-se sem Dor para o Homem Iniciado que, parafraseando Camões, “já passou o Bojador, já foi além da dor”. Tudo isto não impede, pelo contrário, impele, que se auxilie a Humanidade em sofrimento sobretudo “ensinando-a a pescar”, isto é, transmitindo-lhe o conhecimento divino das Leis que regem o Universo e a tudo quanto nele vive. O afecto, carinho, afeição, enfim, simpatia para com as vidas que sofrem exigem intervenção de um e de todos, cada qual ao seu nível e nas suas capacidades, porque, para fechar, “todo o grito de dor é uma ordem de Deus”.

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Separarei agora o tema dos Colaboradores Espirituais em três classes: 1.ª) o Auxiliar inconsciente; 2.ª) o Auxiliar consciente; 3.ª) os Auxiliares não-humanos.

O Auxiliar que apesar de não ter desenvolvida qualquer faculdade psicomental (sidhi) que o leve a agir fenomenicamente sobre a matéria, no entanto é capaz de dirigir pela meditação e pela visualização a sua energia psicomental, pode colaborar de maneira simples mas de grande eficácia: como a meditação aclara a Voz da Intuição ou Budhi, a Fala do Cristo Interno, Filia Vocis, foca a consciência nela e dela irradia os mais nobres ensejos de Paz e Amor a alguém corpóreo ou incorpóreo, dirigindo pela imaginação ou “mente criadora” – a prática da mentalização acelera o desenvolvimento natural da clarividência – a energia despendida. De maneira que o Ser Crístico remete e o Auxiliar encaminha esse fluxo espiritual, o qual inevitavelmente alcançará o ente em causa, porque, como afirma o Mestre Djwal Khul, a energia segue o pensamento.

Por exemplo, no meio católico é costume rezar-se pelas almas em provação no Purgatório e no Inferno, neste caso, o Baixo Astral composto dos quatro sub-planos inferiores desse Plano, as quais estão “encalhadas” entre a Terra e o Céu, o Mundo Mental. Na Teurgia, antes, na Ordem do Santo Graal que a exerce – como nas demais doutrinas reconhecidas pela Tradição –, além de se cumprir o encaminhamento canónico da alma que parte daquele ou daquela que a ela esteve efectivamente ligado(a) pelos laços santos da Iniciação, também se faz o apelo a Deus e aos Deuses para que distendam a sua Divina Luz a essas regiões de sombra e dor e elevem as almas dos que aí estão.

Quando nos momentos de pausa o corpo é entregue ao repouso reparador, o Discípulo auxiliar não cessa a sua actividade. Isto porque ele já não se sente só o corpo físico, tendo o estudo e a vivência das “oitavas superiores” da sua consciência, símile microcósmico da do Universo, lhe outorgado a certeza inabalável de que além de sangue, carne e ossos é também uma inteligência subtil que se expressa pelo órgão cerebral.

Antes de se entregar ao sono reparador, o Discípulo volve o melhor do seu pensamento e sentimento para o seu Deus Interno pedindo desculpa por quanto fez de errado ao longo do dia e perdoando com sinceridade a quantos o magoaram, seja física ou moralmente. Após, fixa o seu pensamento em determinada imagem desejando firmemente realizá-la mal adormeça e a alma se desprenda temporariamente do corpo. Claro que essa intenção é variável: pode desejar encontrar-se com algum conhecido encarnado ou desencarnado, deslocar-se a algum país próximo ou distante, adentrar o Templo Interno cuja réplica física é aquele a que está ligado fisicamente, e aí ir receber do seu Mestre ou de Irmãos mais adiantados do seu Grupo Egóico, externamente representado pelo Grupo Esotérico, quanto necessita para a sua maior Realização Espiritual, etc., etc.

desdobramento

Tem-se o exemplo, digno do maior louvor, no Discípulo de tónica mais coracional, devocional, preocupado com a Paz no Mundo e consequentemente com o bem-estar dos seus semelhantes. É seu costume, antes de adormecer, visualizar as imagens de pessoas necessitadas (não importando a sua posição social, racial, política ou religiosa) com que tenha cruzado ao longo do dia, e desejar intensamente ir junto delas auxiliá-las com as suas melhores vibrações de amor e sabedoria.

A verdade é que incontáveis milhares de almas em sofrimento têm sido assim, pelas mãos carinhosas e perseverante paciência desses Auxiliares Espirituais, resgatadas ao limbo da dor para os páramos da Luz Eterna.

Apesar de quando volvido ao corpo físico não ter lembrança do sucedido nos Mundos subtis ou paralelos da Alma, excepto de quando em vez este ou aquele sonho assombroso, mesmo assim confirma fortificar-se cada vez mais nele a certeza da sua imortalidade. Se não detém a lembrança cerebral imediata do acontecido, é porque a consciência física residente nos dois éteres superiores do seu Corpo Etérico ou Vital ainda não conseguiu desprender-se temporariamente dos dois éteres inferiores em que reside a memória cerebral. De maneira que tem-se a memória imediata ou de estado de vigília mas não a consciência contínua, mormente acompanhando o estado de sono ou adormecimento da mesma memória cerebral assim, por momentos, apagando-se, desligando-se da consciência física da qual é repositório.

O Corpo Físico está composto da maneira seguinte:

cQuanto ao Auxiliar Invisível que se desdobra conscientemente levando consigo a memória física ininterrupta que assim se liga à memória astral e mental, conseguiu tal capacidade após ter desenvolvido à máxima potência as cinco qualidades seguintes:

1.ª) Unidade de Espírito. O reconhecimento e assimilação integral de que Espírito e Matéria são essencialmente uma só e mesma Substância energética, liberta e condensada, e da aceitação incondicional das ordens dos Grandes Mestres quanto à Obra que querem que realize, o que implica o seu auto-aperfeiçoamento ingerindo positivamente no de todos os seres viventes.

2.ª) Perfeito domínio de si mesmo. Isto nos níveis do pensamento, da emoção, da reacção vital e da acção física.

3.ª) Calma. Este é outro ponto importantíssimo: a ausência de toda a apoquentação e de depressão. Grande parte do trabalho consiste em acalmar os que estão perturbados e animar os que estão tristes. Como o poderá fazer um Auxiliar se estiver no estado de apoquentação, de incerteza e depressão?

4.ª) Conhecimento. O conhecimento exacto, tanto teórico como prático, dos Planos em que tem de trabalhar, assim como da composição oculta do Homem e de todas as coisas, animadas e inertes.

5.ª) Amor. Esta a última e a maior de todas as qualidades. Só dotado de intenso Amor genuinamente Espiritual o Auxiliar Invisível, em voluntário e sublime sacrifício, é capaz de mergulhar nas trevas mais densas ante as quais os próprios Anjos tremem, e arrancar daí para a Luz de Deus almas desgraçadas em sofrimentos indizíveis.

Essa última qualidade aporta-me à memória aquele episódio marcante ocorrido com um discípulo junto do seu Mestre em suas viagens pelos Mundos Internos. Em dado momento deparou-se-lhes uma alma dotada de rara beleza multicolorida mas que, para estranheza do discípulo, apresentava o semblante carregado de uma tristeza imensa. Inquirindo o seu Mestre sobre o facto, a resposta foi: – Quando essa alma estava encarnada, no mundo foi um homem de grande sabedoria, sabia de tudo e a tudo respondia, mas… não aprendeu a amar. Por isso está triste…

Remata o Professor Henrique José de Souza (JHS): “Tudo que morre cai na vida. Nenhum corpo, nenhum acto, nenhum pensamento pode cair fora do Universo, do Tempo e do Espaço… onde a Vida existe sempre. A dificuldade está apenas em saber morrer, para puder viver no palco cénico da realidade”.

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A terceira classe de Auxiliares Espirituais é a não-humana, despossuída de corpo físico e até numa evolução paralela à Humana, podendo pertencer aos tipos seguintes:

1 – Homens desencarnados ou Elementares;

2 – Elementais ou “espíritos da Natureza”;

3 – Anjos;

4 – Iniciados incorpóreos;

5 – Mestres incorpóreos.

Sendo tão-só o fenómeno natural da “morte a curva da estrada” (… da vida), citando Fernando Pessoa, a vida prossegue avante além-túmulo, levando a alma do falecido para o Plano da sua simpatia os mesmos vícios e virtudes que cultivou quando encarnada. Se foi um ente de bom carácter, virtuoso, amigo e leal, poderá, se for seu ensejo e para tanto estiver capacitado, colaborar no despertamento interior dos que ainda estão encarnados e inspirá-los aos estreitos mas rectos caminhos da vivência sã, virtuosa e sábia, agindo como «guia», ou melhor, como conselheiro invisível de uma só pessoa ou de toda uma família, ou, ainda, de um grupo vocacionado ao estudo dos Mistérios da Vida, tudo conforme as suas capacidades psicomentais (kama-manásicas). Segundo as informações recolhidas pelos Auxiliares Invisíveis encarnados, a actividade dessas entidades “não-humanas” (no sentido de estarem despossuídas do veículo físico, entenda-se) é vastíssima, tendo mais ou menos como base a afirmação positiva da imortalidade do Espírito Eterno e a necessidade de identificação com Ele.

Isto não tem nada a ver com as teorias espiritistas e até mesmo as desdiz: tanto neste Plano Físico como nos subtis existem pessoas bastante capacitadas para colaborar no auxílio à evolução dos que partem e dos que já partiram, pelo que não é necessário recorrer aos perigos físico-anímicos do mediunismo que mais aprisiona do que liberta as almas, tanto encarnadas como desencarnadas!… Ademais, o «espiritismo», quer ou não se queira, não deixa de ser culto psíquico ou animista da forma mayávica ou ilusória da personalidade subtil, nomeadamente no seu aspecto astral ou emocional, não deixando de arrastar a alma para baixo por ser centrípeto e lunar, desde logo, passivo (e é isto mesmo que a tradução grega da palavra médium significa); já o Auxiliar Espiritual iniciado nos Mistérios da Vida, impulsiona sempre à libertação do Mundo das Formas e à integração no Mundo Informal do Espírito Único e Verdadeiro, assim se mostrando centrífugo e solar, desde logo, activo.

Limito-me a constatar os factos e não a atacar coisa alguma em jeito de intolerância e despotismo para com as crenças alheias. Não, tanto mais que este estudo serviu como palestra pública várias vezes dentro e fora do meio Teúrgico e Teosófico, e foi assim que a sua primeira apresentação oral, no ano de 1976, realizou-se no Centro Espírita “Infante de Sagres”, na cidade de Lagos, Algarve, onde me defrontei com cerca de duas centenas de espíritas meio-assombrados e meio-decepcionados, com excepção de dois presentes: eu próprio e o distinto teósofo, saudoso amigo, coronel João Miguel Rocha de Abreu.

Quanto aos elementais, eles são os “espíritos da Natureza” de índole muitíssimo inferior à humana por estarem ainda na Fase Involutiva ou de descenso à Matéria na Cadeia em que vivemos. Inconscientemente, como energias primárias que são, estabelecem laços com os humanos pelas vibrações cegas de simpatia ou de antipatia. De maneira que os elementais mais desenvolvidos podem proteger e até auxiliar simpaticamente os homens cuja natureza seja afim às carências desses «espíritos», passando a funcionar, então, como «guias astrais».

Por norma as crianças, até aproximadamente os sete anos de idade, são extraordinariamente psíquicas, muitas até conseguindo ver os Mundos invisíveis aos nossos olhos físicos. Geralmente os seus «imaginários» companheiros de brincadeira, quando aparentemente estão sozinhas, são graciosos elementais compartilhando dos seus folguedos. À luz da Teurgia e Teosofia, a imaginação fantasiosa infantil, com os sentidos físicos ainda muito interiorizados, deixa de o ser para se tornar clarividência inata penetrando esses Mundos invisíveis, desde o Etérico até ao Astral e, às vezes, até o Mental.

Pertencendo a um esquema evolucional paralelo ao Humano, os “espíritos da Natureza” repartem-se, de modo geral, em quatro classes: gnomos e fadas, habitando a terra; ondinas e ninfas, habitando a água; silfos e sílfides para o ar; por fim, as salamandras e os vulcanos para o fogo, sendo a forma de todas essas criaturas constituídas das partículas subtis etéricas, astrais e mentais do respectivo elemento natural.

As fadas são formosas e prodigiosas criaturinhas que vivem nas florestas e têm a ver com o desenvolvimento da vegetação.

Os gnomos ostentam estatura pequena e atarracada. Operam sobre os minerais e vivem junto ou dentro das cavidades subterrâneas. Podem ser engenhosos e afáveis ao homem quando com ele simpatizam, mas perseguem-no implacáveis quando com ele antipatizam.

As ondinas e ninfas vivem nos arroios, lagos, rios e mares e apresentam grande beleza a par de intensa voluptuosidade.

Os silfos volitando nos ares acercam-se do mental humano, e quando simpatizam com este são dóceis e interessados pelos conhecimentos aglutinados na mente, pelo que sentem atracção pelos sábios; pelo contrário, são antipáticos e até hostis para com os ignorantes e os fracos cujo sistema cerebral e nervoso dominam à-vontade.

As salamandras rodopiando como chamas crepitantes e brilhantes, afinizam-se com os filósofos e religiosos de puras intenções e inflamam-se, furiosas e terríveis, com todos aqueles de paixões desregradas onde o emocional predomina sobre todos os sentidos.

Já disse que os elementais podem até viver séculos, mas não são imortais: são forças subhumanas que só num futuro muito longínquo alcançarão o grau evolutivo semelhante ao Humano.

Quanto aos Anjos, são imensamente superiores à Humanidade comum pertencendo a uma Evolução paralela à nossa, alguns deles não deixando de ser dedicados Auxiliares Invisíveis da Vaga Humana, principalmente daqueles cujas tradições consagradas a eles se liguem, apesar de só uma minoria da Classe Angélica estabelecer contacto com a Humana, principalmente através dos rituais e cerimónias tanto de cariz iniciático como religioso.

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Bem parece que a principal missão dos Anjos (Barishads) é a de unir Mónadas inter-relacionadas pelo Karma para que formem um agregado familiar, e depois ligar os componentes humanos desse agregado por meio do sangue (a expressão mais densa do corpo etérico que, por sua vez, é o corpo mais denso dos Anjos e pelo qual actuam junto dos homens) e afinidade psicomental. A segunda fase deste trabalho é a de unir todas as famílias numa só, como organismo celular único do Logos Planetário.

A Vaga Angélica divide-se em sete Linhas de acordo com a tónica planetária de cada um dos sete Arcanjos principais dirigindo cada uma das mesmas, sendo:

1 – Anjos do Poder ou do Cerimonial = Sol – Mikael

2 – Anjos da Maternidade ou da Forma = Lua – Gabriel

3 – Anjos da Ordem e da Arte = Marte – Samael

4 – Anjos da Cura ou Hospitalares = Mercúrio – Rafael

5 – Anjos da Natureza ou dos Elementos = Júpiter – Sakiel

6 – Anjos da Música ou da Harmonia = Vénus – Anael

7 – Anjos do Lar ou Domésticos = Saturno – Kassiel

Já o ente humano muito espiritualizado, verdadeiro Iniciado na Sabedoria Divina que avista em tudo quando existe aos olhos físicos e não físicos, estando o seu Ego Superior irreversivelmente ligado a algum Mestre de Amor-Sabedoria, só por si é um precioso e dedicadíssimo Colaborador Espiritual da Humanidade, esta que, descarecida de verdadeira espiritualidade, erra e sofre no limbo contínuo da dúvida e do ateísmo. De maneira que ele desce voluntário dos páramos de Luz às regiões sombrias da matéria, indo inspirar os homens a encarreirar decisivamente pelo caminho do Bem, do Bom e do Belo.

Fazendo do Cristo Interno ou do Budha Interior o ideal supremo de Realização de um e todos, o Servidor é ele mesmo um Ser Crístico, um Ser Búdhico como a invisível mas sensível Panaceia Viva viável e extensível a todos os males do corpo e da alma.

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Sobre o que seja, afinal de contas, um discípulo, o Professor Henrique José de Souza descreveu-o em poucas mas induvidosas palavras: “O verdadeiro discípulo é aquele que não faz perguntas indiscretas, que não vê erros nem crimes em ninguém, preferindo ver os seus próprios. Um ladrão que salve uma criança com o perigo da sua própria vida, vale mais que um religioso que passa a vida a examinar os erros alheios, achando mesmo que a sua religião é melhor que a dos demais. Pelo que, NÃO É A RELIGIÃO QUE FAZ O HOMEM, MAS O CARÁCTER”!…

Servir traz ao discípulo a Iniciação. Servir implica em dar, e dar acarreta uma maior expansão da consciência. “É dando que recebereis”, já dizia Jesus.

Acerca do que seja, no sentido verdadeiramente iniciático, um Mestre, este é o Ser que alcançou a pleniconsciência da Supra-Inteligência (Espírito), da Supra-Emoção (Alma) e da Supra-Vontade (Corpo) atingindo o pico da Perfeição Humana. É o Mahatma, a “Grande Alma” ou Super-Homem como Jivatmã, “Vida-Consciência” integral. Superou para sempre o ciclo das necessidades ou reencarnações e só voltará a reencarnar se for seu ensejo, graças a ter desenvolvido e desabrochado todas as suas potencialidades interiores de tal maneira que, ante qualquer homem comum e até o discípulo, ele é verdadeiramente um Deus Perfeito, em verdade e pela razão indicada da sua libertação definitiva do Mundo das Formas, um Adepto Independente. Desde já fique a advertência: todo aquele, no meio da sociedade humana, que se afirma “mestre” e se comporta de maneira avessa a tamanha condição espiritual, certamente não o é, pois… “pelo fruto (produção) se conhece a árvore (produtor)”, afirmava o mesmo Jesus.

Os Mestres Reais constituem-se numa Organização Hierárquica tradicionalmente conhecida pelo nome de Excelsa Fraternidade Branca, Grande Hierarquia Oculta, Hierarquia Santa e outros nomes similares mas cujo sentido é sempre o mesmo.

A origem da Fraternidade Oculta é antiquíssima, anterior mesmo à Civilização Atlante recuando aos meados da 3.ª Raça-Mãe Lemuriana. A sua Missão mais geral é a de impulsionar a Evolução, ensinando aos homens a direcção que têm que tomar em cada nova etapa ou ciclo. Outra Missão, mais restrita, é a de ser mantenedora das Consciências e Forças Cósmicas na face da Terra.

Os Grandes Mestres a que me refiro, formando a Hierarquia Oculta, nada têm a ver com os «espíritos superiores» das doutrinas espiritistas. Claro que eles são Seres altamente espiritualizados com consciência supra-humana, mas dotados de corpos físicos resguardados nos seus Retiros Privados, logo não sendo almas incorpóreas de simples defuntos que em suas vidas foram pessoas virtuosas. Não, os Mestres Reais são infinitamente mais que isso… e mesmo quando consciente e livremente encarnam, tomando o aspecto de um homem comum, a sua evolução coloca-os em níveis de consciência e actividade insuspeitadamente muitíssimo acima do comum vulgar. Para alcançar esse altíssimo grau do Adeptado, tiveram que passar por quantas Iniciações existem no Caminho, transpondo todos os seus portais, adquirindo todas as experiências que a vida individual e colectiva pode proporcionar, aplicando integralmente as Leis Universais às suas acções, ao seu modo de sentir e de pensar.

A Excelsa Fraternidade Branca, como qualquer outro organismo hierárquico, possui uma Suprema Direcção, cabalisticamente constituída. O Supremo Dirigente, além do seu nome pessoal, possui um nome funcional, que é Manu (Legislador). É auxiliado por outros dois Seres da mesma craveira espiritual, os quais, em virtude das suas funções, denominam-se de Colunas Vivas: uma, o Mahachoan (Director), a Coluna B, e outra, o Bodhisattva (Instrutor), a Coluna J. Em seguida, um Ministério, constituído de sete Ministros, os Dhyanis-Budhas. Cada um desses Ministros é o Chefe de um determinado Grupo de Mestres, Grupo de quantidade sete que se denomina Linha de Adeptado.

Aplica-se o esquema seguinte:

Adtp.

Até ao ano de 1924, havia no Oriente, no Tibete, uma representação prodigiosa do Manu e suas duas Colunas Vivas, nas pessoas do 31.º Buda-Vivo, do Dalai-Lama e do Traixu-Lama, cujo poder repercutia até aos confins do Ocidente noutras tríades representativas. Nesse ano, foi transferida para o Ocidente a Missão que o Oriente vinha desempenhando desde o início da actual 5.ª Raça-Mãe Ariana. Três centros geográficos acham-se ligados àquelas personagens, a saber: ao 31.º Buda-Vivo (cujo nome pessoal foi Bogdo Gheghen), a cidade de Urga, na Mongólia; ao Dalai-Lama, a cidade de Lhassa, no Tibete, e ao Traixu-Lama, a cidade de Chigat-Tsé, no Pamir. Em certos meios menos adiantados nos estudos iniciáticos, julga-se que essa tríade era a própria Directora da Excelsa Fraternidade Branca, quando na realidade era a representação viva sobre a Terra da Suprema Tríade Directora – Brahmatma, Mahima e Mohima.

A Excelsa Fraternidade Branca nada tem de semelhante ou comum às organizações de natureza clerical ou eclesiástica, tampouco às sociais recreativas. O trabalho dos Mestres é, na mais ampla acepção do termo, eclético e universal. Eles não se limitam a determinado país ou região, nem professam determinada doutrina religiosa à qual desejem converter os homens.

Assim, há hoje e houve sempre Mestres em todas as regiões do Globo. Onde a História aponta uma determinada civilização, uma efervescência social, um núcleo cultural e humano, aí se encontram Eles.

De facto, se observar-se a vida e a obra dos seres superiores que deixaram o seu nome na História, os filósofos, os artistas, os grandes estadistas, os sociólogos, os cientistas, enfim, todos aqueles titãs que através de lutas sobre-humanas procuraram criar e estabelecer novas instituições, novos padrões de civilização, ter-se-á uma visão de como se faz a História.

Então, poder-se-á perguntar: mas por detrás de tudo isso haverá Seres ainda mais conscientes que sabem de antemão o que há-de vir, determinam as directrizes através das quais esses homens superiores agem para realizar um certo trabalho?

Sim, pois que é esse o trabalho oculto da Fraternidade Branca através dos melhores da Humanidade. São os componentes dessa Fraternidade os Mestres Vivos que preparam os homens, quando não são Eles a agir pessoalmente, desviando os obstáculos do Caminho da Evolução e do Progresso verdadeiros do Género Humano, para que assim o Mundo possa seguir a corrente marcada pelos ciclos da Natureza. E é assim que os acontecimentos vão surgindo…

Em face dessa jurisdição universal exercida pela Grande Fraternidade Branca, o Mestre não deve ser forçosamente, como muitos pensam, um oriental vestido com as roupagens características daquelas regiões, de longas barbas e apoiado num bordão. Há Mestres de todas as raças e de todas as nacionalidades – chineses, mongóis, hindus, etíopes, semitas, eslavos, latinos, saxónicos, etc. Os Mestres do Ocidente são tão ocidentalizados como qualquer um de nós, e tem-se registo de Mestres Orientais que, ao viajarem pelo Ocidente, assumem tão bem a atitude de um ocidental que não haverá quem os possa distinguir. Isto é válido, também, para o Adepto do Ocidente que indo ao Oriente, assume-se um oriental a pouco de confundir-se com um vulgar hindu ou tibetano… excepto na Consciência Superior que o distingue do humano ordinário.

Cada Adepto possui um número certo de discípulos, os quais, por sua vez, podem constituir um número qualquer de estudantes, primeiro laicos e depois aceites. A não ser a própria Fraternidade Oculta, cuja constituição só pode ser alterada em períodos muitíssimo lentos e espaçados entre si, o número de Adeptos e dos respectivos discípulos e estudantes pode variar mais amiúde, em face das circunstâncias locais e temporais.

Mestre e discípulo

Agora, o seguinte: quem procura feitos e factos fantásticos dentro desta Obra Divina, esquecendo ou ignorando que a sua doutrina e praxis são inteiramente vocacionadas à realização espiritual e nada à satisfação de qualquer curiosidade profana de acontecimentos extraordinários acontecidos no interior da mesma, inevitavelmente acaba tombando nas maiores desilusões, porque… nada de fantástico e extraordinário encontrará. O método não é esse, o de interpretar o espiritual à luz do material, pois que assim nunca resultará e, ademais, é prova cabal da imaturidade de consciência de quem se arremessa nesses «realismos fantásticos». Fique esta advertência, que certamente ajudará muitos a evitar dissabores desnecessários e desilusões dispensáveis.

Quanto à relação humana e espiritual da Ordem do Santo Graal, através da Ritualística canonicamente consignada para o efeito, com a Hierarquia Espiritual do Novo Pramantha a Luzir, isto é, o Novo Ciclo de Evolução Universal, ela mesma dispõe-se na ordem seguinte:

Linhas

Sendo para os da Obra do Eterno na Face da Terra (Teurgia) a figura de Henrique José de Souza a magistral de um Adepto Vivo, coloca-se a questão pertinente a ver com o que disse atrás sobre a curiosidade das manifestações fenoménicas: se ele e uns quantos raros (se contados, sobram dedos das mãos…) mantiveram contactos directos com os Grandes Mestres da Excelsa Loja Branca, então, como os mesmos se teriam processado?

Pois bem, houveram oito modos de inter-relação, a saber:

1.º) Os Adeptos projectavam o seu corpo Causal (Mental Superior, cujo átomo-semente é a causa dos restantes corpos constitutivos da personalidade ou “quaternário inferior”) na consciência mental (superior e inferior) do recipiendário, e aconteciam as mensagens e revelações.

2.º) O recipiendário projectava-se conscientemente ao Plano Causal, e daí trazia as mensagens e revelações dos Adeptos.

3.º) Os Adeptos projectavam escritos e objectos no ambiente do recipiendário, servindo-se do Éter (Akasha) da Natureza para os desmaterializar nos seus Retiros Privados e rematerializar junto do destinatário. Nisto não havia algum custo de energia vital (etérica, fluindo pelo chakra esplénico) do próprio, pois se tratava dum acto mecânico, apesar de oculto, manipulador das energias naturais.

4.º) O recipiendário, servindo-se da sua energia vital (esplénica, ligada ao baço) e do Éter da Natureza, com a sua vontade muito desenvolvida e pelo atrito de ambas as energias (a sua e a do ambiente) provocava os fenómenos de materialização de objectos junto a si, ou, então, desmaterializava-os para que aparecessem junto dos Adeptos visados no momento.

5.º) Os Adeptos visitarem fisicamente o recipiendário, trazendo-lhe, visível e tangivelmente, a sua presença, mensagens, revelações e objectos.

6.º) O recipiendário visitar fisicamente os Adeptos nos seus Retiros, e de lá trazer o testemunho da sua presença, mensagens, revelações e objectos.

7.º) O recipiendário ser visitado fisicamente por Emissários dos Adeptos que, por esta ou aquela razão, não puderam deslocar-se pessoalmente.

8.º) O recipiendário visitar fisicamente, em lugares predeterminados, Emissários dos Adeptos que, por esta ou aquela razão, não puderam estar presentes.

Para qualquer uma dessas modalidades, de certo modo todas interpenetradas, o recipiendário só poderá ser uma pessoa muito especial, um Verdadeiro e Grande Iniciado, tanto mais que a Hierarquia dos Adeptos Vivos se escusa veementemente a contactos directos, e até indirectos, com a Humanidade comum… hiper-poluída psicomentalmente, já para não falar fisicamente.

JHS

Resta ao Discípulo, ao Munindra, esforçar-se por ser, também ele, um Grande Iniciado da craveira de JHS, pois que assim, imitando o Mestre, ele mesmo é a manifestação visível e tangível do próprio Mestre. E tudo o mais advirá por acréscimo…

E é assim que

Ó Vida Oculta, vibrando em cada átomo!

Ó Luz Oculta, brilhando em cada ser!

Ó Amor Oculto, abraçando tudo numa Unidade!

Que cada um de nós

Compreenda que é Um contigo,

Sinta que é Um com todos os seres,

Viva para servir a Humanidade!

Bijam

 

OBRAS CONSULTADAS

 

Cartas dos Mahatmas M. e K.H., tradução portuguesa por Vitor M. Adrião da versão francesa de 1962. Edição particular, Lisboa, 1999.

Cartas dos Mestres de Sabedoria, anotadas por G. Jinarajadasa. Tradução portuguesa por Vitor M. Adrião da versão francesa de 1979. Edição particular, Lisboa, 1999.

Luzes da Iniciação Eubiótica, colectânea de textos de António Castaño Ferreira e Sebastião Vieira Vidal. Nova Brasil Gráfica e Editora Ltda, São Lourenço (MG), primeira edição em Fevereiro de 2006.

C. W. Leadbeater, Auxiliares Invisíveis. Editora Pensamento, São Paulo, 1976.

C. W. Leadbeater, O que há além da morte. Editora Pensamento, São Paulo, 1979.

 

 

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