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Sintra, 10.02.2015

A História da Reconquista peninsular regista nos seus fólios gestas, demandas e vitórias militares assinaladas cronológica e geograficamente pelas maiores incertezas que lhes dão foros de “batalhas impossíveis”, ou seja, prelium mythica. Exemplo disso encontra-se no paladino Rolando e os seus pares encontrando a morte gloriosa no campo da honra de Roncesvales em 15 de Agosto do ano 778, na batalha travada na raia franco-espanhola, dizendo-se primeiro ter sido contra os vascões e depois, já em plena época das Cruzadas peninsulares da Reconquista, contra os mouros, mas vindo a batalha perdida a transformar-se em vitória retumbante do paladino de Carlos Magno por força do seu sacrifício exemplar celebrizado em canção de gesta por volta de 1100, ficando durandina, a sua “espada mágica”, como exemplo de quantas houveram antes e modelo das posteriores[1], tanto a excalibur ou caliburna do rei Artur como a flamejante de Santiago Matamouros, a encantada de Afonso Henriques e a sagrada do santo condestável Nuno Álvares Pereira[2].

A própria origem da milagrosa Cruz espatária de Santiago recua a 23 de Maio de 844, data da Batalha de Clavijo em La Rioja, durante as campanhas de reconquista cristã da Península Ibérica aos muçulmanos, o chamado Pelágio que daria vasão a muitas “batalhas impossíveis” tornadas famosas em narrativas militares fabulosas e efabuladas, contadas assim como método necessário para empolgar e incitar à luta a minoria dos guerreiros cristãos, narrativas essas onde sempre dezenas de cristãos desbaratavam centenas de mouros ou centenas de cristãos infligiam derrota estrondosa a milhares de infiéis.

Batalhas que aconteceram de facto mas posteriormente tornadas fabulosas devido ao seu empolgamento tocando as raias do exagero, sempre para ad majorem bellator christiani assim tomando a condição de prelium mythica. Tal aconteceu com a Batalha de Ourique, onde o factual veio a ser superado pelo mítico como “pedra angular” da Patrologia Lusitana, fonte erudita e literária do épico mitológico português.

Também na Batalha de Ourique a desproporção numérica dos contendores é inevitavelmente flagrante, de maneira a realçar a coragem e valor dos portucalenses: 1000 cavaleiros e 10.000 peões cristãos contra 400.000 ou mesmo 900.000 mouros, ficando um cristão para cem ou até quinhentos mouros!!![3] Trata-se de um óbvio encómio às armas portuguesas, à invencibilidade da sua afirmação. Exageros aparte, reconhecendo não haver qualquer alusão a esse confronto militar tanto na historiografia peninsular não portuguesa como nas fontes árabes, poderá concluir-se que a chamada Batalha de Ourique terá sido um dos habituais fossados em terras de mouros.

Os fossados, designados frequentemente pelos cronistas “correduras” ou “correrias”, eram incursões rápidas, que podiam entrar profundamente em terras sarracenas e que tinham como objectivo criar instabilidade e temor entre os mouros, enfraquecer o seu poder militar e diminuir os seus recursos, destruindo e incendiando fortalezas, casas e searas, e ainda obter lucrativos despojos e prisioneiros[4]. Estavam regulamentados nos forais que determinavam a sua duração, podendo ser de dias a semanas, e a época do ano para a sua realização (fim da Primavera). Neles participavam nobres e cavaleiros vilãos convocados pelo rei ou por um fidalgo (fossados régios ou fossados senhoriais), e também, quando se trata-se de expedições mais importantes, peões a quem cumpria apoiar os cavaleiros e realizar os trabalhos de defesa do acampamento. Uma explicação etimológica faz derivar fossado de fosso, aberto pelos peões como estratégia defensiva. O fossado distingue-se da algara, incursão mais rápida em que participavam apenas cavaleiros. De carácter obrigatório para os cavaleiros, era-lhes devido um imposto ou tributo compensatório, a “fossadeira”, em caso de falta ou de dispensa justificada em situações devidamente regulamentadas, como casamento recente[5].

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Obviamente que o êxito do fossado implicava uma quantidade numérica de guerreiros muitíssimo inferior à apontada pelo cronista cisterciense. E certamente o êxito do fossado de Ourique terá criado condições para a posterior campanha do Algarve de 1189 por D. Sancho I, que já antes, em 1178, fizera incursão na Andaluzia indo até aos arrabaldes de Sevilha[6], nessas surtidas e na de Ourique contando-se com o apoio da Ordem dos Templários na função militar que lhes era própria: a luta contra o agareno, aqui, na reconquista das Hispânias, ou seja, da Península Ibérica Oriental e Ocidental, o Chark aragonês e o Gharb andaluz[7].

A tese do fossado também pode explicar o registo meramente informativo da primeira notícia que se conhece sobre a Batalha de Ourique, incluída no Livro de Noa I, ou Chronicon Conimbricense, escrito no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra pouco depois de 1168, ainda durante o reinado de Afonso Henriques. Notícia que se repete literalmente no Chronicon Lamacense, manuscrito da Sé de Lamego copiado já no século XIII mas a partir de um texto do século anterior, contemporâneo do Livro de Noa. Esses dois textos limitam-se a indicar a data e o local da batalha e o nome do rei mouro posto em fuga: Ismário e Examare, variantes de Esmar que, por sua vez, derivará de Ismael, o primogénito de Abraão e “pai” da raça islâmica. O mesmo nome é dado na Crónica dos Godos ao chefe mouro e irá perdurar, com ligeiras variações, nas ulteriores narrativas da Batalha de Ourique, apesar de não ser referido nas crónicas árabes, o que leva a supor tratar-se de um nome simbólico. Apesar da sua concisão informativa, os dois relatos não deixam de referir-se a Ourique como um combate ou mesmo uma grande batalha (prelium e lis magna), iniciando-se assim o engrandecimento deste efabulado confronto entre cristãos e islâmicos que, volvidos poucos anos e ainda em vida do seu protagonista, será exaltado como um grande feito bélico na Crónica dos Godos, escrita em Santa Cruz de Coimbra pouco depois de 1184.

O exército de D. Afonso Henriques teria saído de Coimbra (as finis Galiciae) avançando para Leiria e Santarém, donde arrancaria decisivamente para o Sul penetrando o território muçulmano indo travar-se a famosa batalha nas cercanias de Castro Verde, nos campos de Ourique, os mesmos onde outrora, durante o Inverno, o gado descia da Serra da Estrela procurando as pastagens daí. Depois, de acordo com o autor anónimo da Vida de S. Teutónio citado por José Mattoso[8], D. Afonso Henriques teria regressado a Coimbra com muitos despojos e prisioneiros, supondo-se que estes seriam antes cristãos moçárabes vivendo em regime árabe que acompanharam voluntariamente D. Afonso no seu regresso triunfal[9].

O sucesso da Batalha de Ourique e os acontecimentos sobrenaturais de natureza divina que a acompanharam e premiaram as hostes cristãs, foram tais e de tamanha monta que ela ficaria marcada como o momento charneiro da fundação e independência do reino de Portucale, com os guerreiros portucalenses aclamando Afonso Henriques como seu rex, assim confirmando o que Cristo dissera antes na visão da Cruz ladeada de Anjos pelo príncipe extasiado, já preanunciada na noite de vésperas da batalha por um misterioso ancião que o visitara em sua tenda no centro do arraial armado. Possivelmente seria um religioso moçárabe de alguma caneça (al-kenîssah) sob regime morabitino, que a obra do século XII, Vida de S. Teutónio, identifica como o ermitão Leovigildo, valendo o Leo ou Leão como signo do mês de Julho que marcou a data da batalha (25 de Julho de 1139).

Tão grande e fundamental importância ganhou a Batalha de Ourique como momento charneiro do País que várias localidades, além de Castro Verde, reivindicam para si o lugar da batalha mor, seja o Vale dos Ossos em Vila Chã de Ourique, no Cartaxo, Ribatejo, seja Campo de Ourique em Lisboa, às portas de Campolide (Campo da Lide), seja ainda próxima de Leiria, na Beira Litoral. Isso vem a assinalar o avanço triunfal afonsino de Coimbra a Ourique. Com efeito, os indícios históricos e arqueológicos mais plausíveis desse sucesso militar encontram-se em Ourique do Baixo Alentejo, em volta do cabeço de S. Pedro das Cabeças às portas de Castro Verde.

Carta da Batalha de Ourique

Também a realeza filipina ocupante de Portugal quis para si a glória das armas lusitanas em Ourique, tendo Filipe II de Espanha inaugurado em Lisboa um arco triunfal (desaparecido possivelmente com o terramoto de 1755) dedicado ao feito sobrepondo a grandeza da sua pessoa à de Afonso Henriques mas, diacronicamente, considerando-se seu sucessor apesar de maior que ele nos feitos[10], usurpo realengo que Filipe III prosseguiria em 1621, ano da sua morte, na igreja das Chagas do Salvador em Castro Verde, sob pretexto de obras de restauro impondo feição maneirista à primitiva ermida românica fundada por Afonso I de Portugal (cuja epopeia militar é aqui evocada em telas historiadas da Batalha de Ourique realizadas pelo pintor algarvio Diogo Magina, entre 1763 e 1767), e logo depois, em 1630, o templo recebe a nova invocação de Nossa Senhora dos Remédios. Parece ter pretendido apagar o vestígio afonsino e respectiva invocação primitiva, mas a memória e a tradição resistiram e sobreviveram. Será ainda do período filipino a invenção do lugar da batalha ter sido em território castelhano próximo de Madrid, em Colmenar de Oreja, a antiga Aurélia (Aureja) que os autores portugueses teriam «confundido» com Ourique (Aurik). Enfim, tentativas de usurpos de ocupantes de terra alheia querendo espoliá-la de todos os valores.

Já antes, também D. Sebastião, nas suas expedições ao Sul de Portugal, mandara fazer obras de monta de Castro Verde (topónimo herdado de primitivo castro da Idade do Ferro rodeado de floresta verdejante), tanto na igreja das Chagas do Salvador (como Afonso Henriques as viu na sua visão cristológica), como sobretudo na edificação da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, cerca de 1573, no lugar do primitivo templo da Ordem de Santiago mas mantendo esta sob o padroado da comenda santiaguista[11]. Posteriormente, entre 1727 e 1735, D. João V mandaria restaurar e amplificar este templo que passou à categoria de basílica real. São dessa época os painéis de azulejos que aí evocam a Batalha de Ourique, cuja autoria atribui-se a António de Oliveira Bernardes ou ao monogramista P.M.P.[12]. Certamente D. Sebastião conhecia as fontes cistercienses relativas ao texto do Milagre de Ourique, particularmente a parte onde fala da Assistência Divina cessar na 16.ª geração que era precisamente a do seu reinado, e, supersticioso e beato como era, talvez tenha pretendido a revogação da sentença celeste procurando a absolvição por tão vultuosas e significativas obras no chão sagrado de Castro Verde, das quais André de Resende fez copiosa descrição[13].

Codicilo espiritual de Portugal Sagrado, o texto do célebre Milagre de Ourique aparece publicado pela primeira vez nos Diálogos de Vária História de Pedro de Mariz, em 1597, que frei Bernardo de Brito viria a inserir na Crónica de Cister, livro III, capítulo II, Alcobaça, 1602, posteriormente reproduzido por frei António Brandão na Monarquia Lusitana, III Parte, livro X, capítulo V, Lisboa, 1632. Transcrevo de seguida in littera a versão textual de Pedro de Mariz, como já o fiz antes[14].

“Eu, Afonso, Rei de Portugal, Filho do Ilustre Conde Henrique, Neto do Grande Rei Afonso, diante de Vós bons Varões, Bispo de Braga e Bispo de Coimbra, e Teotónio, e outros principais Oficiais, Vassalos do meu Reino, postas minhas mãos nesta Cruz de metal, e nos Livros dos Santíssimos Evangelhos, juro, que eu mísero pecador vi com estes olhos a Jesus Cristo, Deus, e Senhor nosso, posto na Cruz desta forma: Eu estava com o meu Exército nas Terras do Além Tejo no Campo de Ourique, para dar batalha a Ismael, e outros quatro Reis Mouros, os quais tinham consigo infinitos milhares de homens; e a minha gente atemorizada com a multidão dos Mouros, estava muito afadigada, e triste, tanto que muitos diziam ser temeridade cometer tal guerra; e eu triste do que ouvia, comecei a cuidar comigo o que faria; e como tivesse na minha tenda um Livro, em que estava escrito o Testamento Velho, e o de Jesus Cristo, abri-o, e li nele a vitória de Gedeão, e disse comigo: Vós, Senhor Jesus Cristo, mui bem sabeis que por amor Vosso tomei sobre mim esta guerra contra vossos inimigos; e a Vossa mão dá forças a mim e aos meus, para que vençamos estes blasfemadores de Vosso Nome. Ditas estas palavras, adormeci sobre o Livro, e vi um Velho, que se chegava a mim, e me dizia: Afonso, tem confiança, porque vencerás, e destruirás estes Reis, e desfarás sua potência, e o Senhor se te mostrará. Estando nesta visão, chegou João Fernandes de Sousa, meu Camareiro, dizendo-me: Levantai-vos, Senhor, que está aqui um Velho, que vos quer falar. Respondi eu: Entre, se é fiel. E tanto que entrou, conheci ser aquele que tinha visto na visão, o qual me disse: Senhor, tende bom ânimo: vencereis e não sereis vencido. Sois amado do Senhor; porque tem posto sobre vós, e sobre vossos Descendentes os olhos de sua Misericórdia até à décima sexta geração, a qual será atenuada, mas nesta mesma quebra a atenuação, Ele tornará a pôr os olhos, e verá. Ele me manda dizer-vos que, quando na próxima noite ouvirdes a campainha da minha Ermida, na qual tenho vivido há sessenta e seis anos, guardado no meio dos Infiéis com o favor do Altíssimo, saiais fora do arraial só e sem pessoa alguma, porque vos quer mostrar Sua grande piedade. Obedeci; e prostrado por terra com grande reverência, venerei o Embaixador, e a Quem o mandava; e estando eu posto em Oração, esperando o som da campainha, na segunda vigília da noite a ouvi; e logo armado com espada, e rodela, saí fora do arraial, e subitamente vi para a banda direita contra o Oriente um raio resplandecente, cujo resplendor se fazia cada vez maior e pondo de propósito os olhos naquela parte, vi de repente no próprio raio o Sinal da Cruz, mais resplandecente que o Sol, e a Jesus Cristo Crucificado nela; e de uma e outra banda grande cópia de esplêndidos mancebos, os quais creio eu que seriam os Santos Anjos. Vendo pois esta Visão, pondo de parte o escudo, e a espada, e tirando as roupas, e calçado, me lancei de bruços na terra; e desfeito em lágrimas, comecei a rogar pelo esforço de meus Vassalos, e disse sem nenhum temor: A que fim me apareceis, Senhor? Quereis porventura acrescentar a Fé a quem tem tanta? Melhor será que vos vejam os Infiéis, e creiam que eu, que desde a fonte do Baptismo, vos reconheço por Verdadeiro Deus, Filho da Virgem, e do Padre Eterno. E a Cruz era muito grande, e estava levantada do chão quase dez côvados. O Senhor com um tom de voz suave, que meus ouvidos indignos ouviram, me disse: Não te apareci desta maneira para acrescentar a tua Fé, mas para fortificar o teu coração nesta batalha, e estabelecer os princípios de teu Reino sobre pedra firme. Confia, Afonso, porque não só vencerás esta batalha, mas todas as outras em que pelejares contra os inimigos de minha Cruz. Acharás tua gente alegre, e esforçada para a peleja; e te pedirá que entres na batalha com título de Rei. Não lhe ponhas dúvida; mas tudo quanto te pedirem, lhe concede facilmente. Porque Eu sou o Fundador, e Destruidor dos Reinos, e Impérios; e quero em ti e teus Descendentes fundar para Mim um Império, por cujo meio seja meu Nome anunciado entre as Nações mais estranhas. E para que teus Sucessores conheçam quem lhes deu o Reino, comporás o Escudo de tuas Armas do prego com que Eu remi o Género Humano; e daquele, por que fui comprado dos Judeus; e será Reino para Mim santificado, puro por Fé, e amado por Piedade. Eu tanto que ouvi estas coisas, prostrado por terra, O adorei, dizendo: Por que merecimentos, Senhor, me fazeis tão grande mercê? Tudo o que me mandais, farei. Ponde pois vossos benignos olhos nos Sucessores, que me prometeis, e tende em vossa guarda a Gente Portuguesa. E se acontecer que tenhais contra ela algum castigo aparelhado, executai-o antes em mim, e em meus Sucessores, e livrai este Povo, que amo como a filho único. Consentindo nisto o Senhor, disse: Não se apartará deles, nem de ti, a minha Misericórdia, porque por sua via tenho aparelhadas grandes searas, e a eles escolhidos por meus segadores em terras mui remotas. Ditas estas palavras, desapareceu; então, cheio de confiança e gosto, tornei para o arraial; e Eu Afonso, Rei, juro pelos Santíssimos Evangelhos de Jesus Cristo, tocados por estas mãos, que isto assim se passou na verdade. Por tanto mando a meus Sucessores, que ao diante hão-de ser, que em honra da Cruz e Cinco Chagas de Jesus Cristo, tragão por Brazão d´Armas cinco escudos, feitos em Cruz, e em cada escudo trinta dinheiros, e em cima a Serpente de Moisés, por ser figural de Cristo; e este seja o nosso Troféu, e Memorial em nossa geração. E se alguém intentar o contrário, seja maldito do Senhor, e atormentado no Inferno com Judas traidor. Foi feita a presente Carta em Coimbra aos vinte e nove de Outubro. Era de mil cento e cinquenta e dois.

assinaturas

Apesar dos propagados dotes teúrgicos e taumatúrgicos de Afonso Henriques que em Ourique os Céus investiriam Chefe Supremo da praticamente desconhecida da História de tão misteriosa e cerrada ao século que é a Ordem de Mariz, mesmo tendo algum fundo de verdade a descrição literária do Milagre poderá muito bem ser uma invenção sagrada de teor mítico-nacional saída da fonte cisterciense, empolgando uma surtida vitoriosa a terras do Islão e cobrindo-a de apologética mítica e milagrosa, para todo o efeito, abrindo caminho à posterior conquista cristã do Algarb.

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Destaca-se a presença templária ajudando Ibne Erriq (Afonso Henriques) no Pelágio triunfante, a mesma que terá tomado a iniciativa junto dos guerreiros portucalenses de aclamar-se o dux bellator como rex bellator – figuração terreal do Rei dos Reis, Imperator Maximus in Terris et Coelis – após a peleja decisiva para fundação de Portugal cristão, vitória que os agarenos atribuíram aos poderes sobre-humanos do monarca luso-borgonhês equiparando-o ao Diabo ou ao Mago invocando forças invencíveis e espíritos poderosos para colher vitórias impossíveis, apodando-o de “Terrível” e “Invencível”, ademais contando com o auxílio dos temíveis cavaleiros do manto branco em que se lavrava a cruz vermelha, os tempreiros ou templários. Serão os sucessores destes, os cavaleiros da Ordem de Cristo, quem recordarão e recontarão a Batalha de Ourique dispondo-a decisivamente no Baixo Alentejo a partir de 1319, reinando D. Dinis, trineto de Afonso Henriques.

Mais que um evento bélico, a célebre batalha é revestida de elementos simbólicos do mais transcendente significado que a dispõe como o mito fundacional português, como afirma com muita propriedade o professor Carlos Maurício citado por José Lopes Alves[15]:

“Os mitos fundacionais não se limitam apenas a explicar as origens, a passagem do incriado ao criado. Eles são também tentativas para perpetrar o que se criou. Ora, só o sagrado é originante, só ele faz durar o que se criou. A aparição de Cristo a Afonso Henriques, em Ourique, vinha rematar superiormente o mito da fundação de Portugal.”

O mito fundacional em Ourique confirma:

método

O 25 de Julho de 1139 ficaria para sempre assinalado como dia do aniversário da aclamação real de Afonso Henriques, cujo Dom senhorial teria a graça divina do Santo também celebrado nesta data, Tiago Maior, Patrono das Hispânias, assim unindo o bellator temporal ao piscator apostólico, que Afonso I também foi ao fundar as Ordens de Avis e de São Miguel da Ala (ou Asa), seu Padroeiro pessoal, como familiar (donato) do Templo e protector das Letras agostinhas em Santa Cruz de Coimbra, motivos mais que suficientes para ser considerado rei santo pelo Prelado português que desde D. Dinis, com maior insistência nos reinados de D. Manuel I e D. João III, acorre junto da Santa Sé com processo de beatificação que eleve aos altares da santidade Afonso Henriques (1111? – 1185).

A partir do século XVI, esse processo de beatificação – cuja aprovação teria como consequência imediata o reconhecimento pela Igreja Ocidental de Portugal como Terra Santa escolhida por Deus para pedestal da Vera Cruz – teve como maior activista frei Nicolau de Santa Maria convicto de que os cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra e os monges cistercienses de Santa Maria de Alcobaça “sempre tiveram para si, e piamente creram, que o invicto Rei D. Afonso Henriques vivia glorioso na Bem-Aventurança, e como tal lhe compuseram uma comemoração de Bem-Aventurado com Antífona, Verso e Oração”. As tentativas para a sua canonização resultaram da sacralização das origens e da promessa escatológica de um destino, consubstanciadas no Milagre de Ourique. No Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, em Guimarães, está depositado um importante conjunto de manuscritos relativos a este processo, com destaque para a transcrição dos dez argumentos constantes da tese do teólogo vimaranense, José Pinto Pereira, publicada em Roma em 1728, Apparatus Historicus de Argumentis Sanctitatis Regis Alfonsi Henrici, pretendendo provar que D. Afonso Henriques foi pio, beato e santo. No conjunto documental incluem-se ainda as transcrições da Crónica do Conde D. Henrique, de Duarte Nunes de Leão (1677), e os capítulos da História de Afonso Henriques escrita pelo arcebispo de Braga, em 1542. Trazendo à memória toda essa documentação numa obra importante, diz o padre António José Ferreira Caldas[16]:

“D. Afonso Henriques (…) foi sepultado no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em humilde monumento, que el-rei D. Diniz principiou a ornar, e D. Manuel tornou magnífico, nas paredes da capela-mor do mesmo mosteiro. Todo o português o chorou, como restaurador da sua liberdade, fundador da monarquia, pai da pátria, modelo de réis, terror de inimigos, coluna da Igreja lusitana. Como tal, querem alguns escritores, exaltando a sua piedade e virtudes, honrá-lo com título de santo, sendo neste sentido tentada por mais que uma vez a sua beatificação. Destes “tentamens”, como pouco conhecidos, darei breve notícia, extraída dum notável e curiosíssimo trabalho do meu erudito mestre e indefeso investigador Pereira Caldas: em 1556 tratou o prior de Santa Cruz de Coimbra – com os cónegos do mosteiro – de promover curialmente a beatificação de D. Afonso Henriques, fazendo as provanças do estilo, com autorização do bispo-conde D. João Soares e com a protecção del-rei D. João III. Já não era esta a primeira tentativa, porque nas anteriores, promovidas sem as provanças do estilo e sem a protecção real, nenhum deferimento se havia obtido em Roma a tal respeito. Tinham sido sempre os cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra, enviando à capital pontifícia alguns religiosos grados, os que mais dedicadamente se empenharam nestas tentativas. No entanto a mesma improficiência que se malfadara até então, veio a malfadar ainda estas tentativas do século XVI. O que não deixa de ser singular, no meio da inacção de Roma, é o alvitre a este respeito, vulgarizado entre os monges de Santa Maria de Alcobaça e os cónegos de Santo Agostinho de Santa Cruz de Coimbra. Num mosteiro e noutro girava composta uma comemoração de bem-aventurado em relação a D. Afonso Henriques – com antífona, verso, responso e oração – como se a Igreja o houvera catalogado na lista dos santificados. Em 1728, ano em que o Aparato Histórico – livro do padre José Pinto Pereira sobre a santidade de D. Afonso Henriques – fora publicado em Roma, sendo então oferecido à santidade do papa Benedito XIII e à majestade do nosso rei D. João V, activaram-se de novo os trabalhos neste sentido. No entanto até hoje nada de definitivo. Em 1752 tornaram-se a activar ainda de novo em Roma alguns trabalhos análogos. Lêem-se mencionados na Gazeta de Lisboa de 1753, n.º 1 de 4 de Janeiro, as seguintes palavras: “Na vila de Guimarães se ajuntou a Academia Vimaranense no dia 6 de Dezembro, aniversário do falecimento do venerável e santo rei D. Afonso Henriques, natural da mesma vila; e aplaudiu com eloquentes discursos, e discretas poesias, a notícia de se tratar em Roma da sua beatificação”. Mas apesar de tão repetidas instâncias ainda é lícito duvidarmos da santidade do nosso mais ilustre patrício.”

Essa “dúvida de santidade” certamente virá das controversas relações do nosso primeiro monarca com a Santa Sé ao longo de todo o seu reinado, revelando espírito de independência espiritual e temporal relativo à mesma, cujos episódios picarescos seriam recolhidos e publicados no século XIX pelo anticlerical Alexandre Herculano[17].

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Situando-se quase no centro de zona espacial alentejana em guisa de inserção numa geografia sagrada (Entradas, Panóias, Aracelis, etc.) como lugar-consciência nacional, também o nome Ourique possui significado mitogénico: provém do sumério Uruku, “Touro do Céu”, um dos vários nomes que os hebreus davam a Iavé (Touro de Israel ou Touro de Jacob) como refere um texto bíblico, e por esta razão onomástica Ourique só poderia apresentar como seu Orago o Salvador[18]. A conquista do Touro Divino, a tomada da própria Divindade quer por cristãos, quer por mouros, teria como taurobólio a planície alentejana de Ourique em volta de S. Pedro das Cabeças, onde estava armada a tenda de campanha de Afonso Henriques e onde alçado sobre o seu escudo ou pavês seria aclamado rei, daí nascendo a veneração ao pavês real depois colocado junto ao seu túmulo em Santa Cruz de Coimbra.

Prelium mythica sinónima de Iniciação Cavaleiresca, igualmente chamada Senhorial e Mariana, ou Talîmur-rijâl, a “instrução dos crentes” em árabe, oposta complementar da Talîmur-rabâni, a “instrução dos professos”, próximas mas distintas como Arte Real e Arte Sacerdotal, nela tomariam parte duas forças representativas postas em pé de igualdade. Por uma parte, as cristãs tendo à cabeça a Milícia Templária que aí recepcionou já investido cavaleiro pelo próprio rei, o jovem escudeiro real Gualdim Pais, futuro Mestre do Templo na Província de Portugal (1159-1195), cujo Mestrado ficaria marcado pelo realce de independência e primazia da Ordem relativamente às outras Províncias europeias e até ultramarinas. Nessa ocasião era Mestre Provincial D. Frei Pedro Froiaz (1135-1143), que incumbia os seus comendadores de observarem os jovens guerreiros portucalenses avaliando-lhes a valentia, quando lhe pareciam úteis à Milícia. Tal deve ter acontecido com o adolescente Gualdim Pais, filho segundo de D. Paio Ramires, da linhagem dos Ramirões de Braga[19]. Por outra parte, opondo a Crescentada e a cimitarra à espada e à Cruzada, estavam os melhores guerreiros almorávidas das taifas de Elvas, Évora, Beja, Sevilha e Badajoz ou Badalhouce (os famosos “cinco reis” mouros), nesta última governando o emir Ismar, Esmar ou Ismário, ou seja, Ali ibne Yusuf ibn Tashfin (m. 1143), pressupondo-se da descendência de Az-Zubayr bin Omar al-Lamtûmi (n. 594 – m. 656), comandante-em-chefe e companheiro de Maomé[20]. Tinha-se, portanto, a fina-flor da Cristandade e da Islamidade presente na batalha crucial pela posse de um território onde se continham saberes e iniciações disputados pelas partes, ambas crentes de serem assistidas pela Virgem Mãe Divina, seja Maria ou seja Allatah, na gesta e demanda e comum aos contendores, facto remetendo para o exclusivo exercício Kshatriya ou Guerreiro que é sobretudo Arte Real, tanto de reis quanto de emires. A ver com isto, Juan G. Atienza escreveu[21]:

“Portugal era, com a Galiza, a terra que continha, junto à Irlanda e à Bretanha francesa, o testemunho secreto de uma civilização portadora da Tradição Arcana, esta Tradição que logo se estenderia para o interior da Península marcando-a com a sua imensidade de mitos, de ritos e de símbolos. Lusitânia – a Terra de Lug – era o País que desde o Oceano se abria ao desconhecido, o que continha as páginas e até as chaves – ou parte delas – de um mundo remoto pressupostamente implicado na posse sincrética de uma forma de Saber transcendente de que nasceram no mais obscuro Passado as formas religiosas reitoras universais da espiritualidade e do conhecimento. Possuir Portugal, ou estar assente nele, era estar em contacto imediato com as fontes e os mais velhos vestígios daquela Tradição. Colaborar na sua independência era tomar parte imediata dela, intervir directamente na conservação, sem ingerências, da personalidade espiritual daquele pedaço fundamental da franja atlântica, preservar a sua integridade oculta, recuperar e isolar a sua Tradição.”

Brasão mariano

A conquista da fonte da Tradição Primordial penderia aqui, em Ourique, para as hostes afonsinas cuja batalha foi, segundo a Crónica dos Godos, uma reprodução da Batalha de Ponte Mílvida, Roma, em 28 de Outubro de 312 d. C., que opôs os imperadores romanos Magêncio e Constantino, tendo Deus se revelado a este último em forma de Cruz luminosa dizendo: In hoc signo vinces (“Com este sinal vencerás”), lema que a Ordem de Cristo, sucessora da Templária, viria a adoptar[22].

Como disse, o embate terá acontecido junto a Castro Verde, ao pé do Rio Cobre em volta do cabeço de S. Pedro das Cabeças, também chamado Cabeço dos Reis, primitivo castro da Idade do Ferro onde D. Sebastião mandaria construir uma ermida consagrada ao primeiro bispo de Roma, o apóstolo S. Pedro, e um arco triunfal já desaparecido (se alguma vez o houve) com o encómio apologético legendado da vitória milagrosa do seu antepassado, como conta André de Resende (ob. cit.). Segundo a lenda que vem a inscrever uma geografia sagrada, esta ermida pertence ao grupo de sete capelas irmãs avistando-se umas às outras: Senhora do Amparo, em Mértola, Senhora de Guadalupe, em Serpa, Senhora da Cola, em Ourique, Senhora do Castelo, em Aljustrel, Senhora da Saúde, em Martim Longo, Senhora da Piedade, em Loulé, e Senhora de Aracelis (“Ara ou Altar do Céu”), em Castro Verde.

Ermida e S. PedroO factor “cabeça” é constante no mito bélico de Ourique, desde as cabeças degoladas dos cinco reis mouros (pura lenda só destinada à exaltação do feito), configuradas nas cinco quinas da bandeira nacional tanto para as assinalar quanto às cinco Chagas do Salvador na Cruz (Sang Greal, San Grial, Santo Graal, Sangue Real…), até à famosa cabeça de São Fabião algo a ver com o controverso Baphometh, o “crânio-oráculo”, possuído pelos templários que o fizeram a partir do saber hermético arábigo, pressupostamente. Mas isto exige algumas palavras acerca do significado do pressuposto “ídolo”.

Com efeito, diz-se que os templários cultuavam um crânio misterioso que emitia oráculos e teria ditado a sua pressuposta “regra secreta”, recheada das mais inimagináveis blasfémias. Claro que tudo isso é pura invenção dos escritores românticos do século XIX, pois não existem provas de nenhuma “regra secreta” (o secretismo estará na leitura e interpretação pessoais feitas da Regra Latina do geral) e nenhumas provas de ter havido um crânio satânico na Ordem do Templo, inclusive a palavra baphometh não fazia parte do vocabulário medieval: era desconhecida da Igreja e do Templo e terá sido inventada por alguns trovadores da Occitânia que, mesmo assim, aplicaram-na com muita parcimónia em óbvias efabulações poéticas. Se acaso os templários tiveram a relíquia de algum crânio, e eles foram grandes coleccionadores de relíquias sagradas, então é preciso dar-lhe outro significado.

O crânio tem duplo sentido, apesar de para o Catolicismo só significar a lembrança da morte. Mas o crânio contém o cérebro e está na parte mais alta do homem. Por isso é o lugar sagrado do corpo humano por excelência e o símbolo da descoberta do Saber Supremo.

O termo baphometh provém do árabe ouba-al-fometh, a “boca do Pai”, com o sentido de Saber Supremo verbalizado pelo Pai. Como o Pai contém o Filho e o Espírito Santo, Ele é também a Luz da Sabedoria a que alguns deram o sentido grego tardio de Baphêmétous. Nisto residirá o sentido da frase no poema Ira et Dolor, escrito em 1265 por um trovador occitano: “E Baphometh obra de son poder” – E Baphometh fez brilhar o seu poder. Na língua mourisca da Península Ibérica herdada do mudéjar, escrevia-se Abufihamat (e pronunciava-se soando Buphimat), com os sentidos de “Pai, Fonte, Compreensão”. Uma expressão derivada, Ras-el-fah-mat, significando “Cabeça do Conhecimento”, refere-se à capacidade mental do homem após a sua consciência ter sofrido um aprimoramento. A tal processo reporta-se precisamente a expressão “Eu construo uma cabeça”, usada por algumas Escolas Corânicas da Península Ibérica que os cristãos medievais, a maioria de catequese e confissão simples, chamaram depreciativamente Bafometarias e Carvoarias, no sentido impopular de “negras e diabólicas”, pois aí ensinavam e praticavam conhecimentos secretos ou ininteligíveis aos simples para os quais, por isso mesmo, só podiam ser “coisas do Diabo”[23].

É assim que o crânio «baphomético» vem a prefigurar uma Iluminação Mental, muito próxima da finalidade da oração mental dos jerónimos, tal qual como no simbolismo da Brigite celta presidindo ao Imbolc, a festa da purificação celebrando o fim do Inverno, representando a iluminação do Mundo após as trevas estéreis. Eis o motivo de, por vezes, Santa Brígida também aparecer iconografada com um círio na mão e uma vaca aos pés, esta expressando a lactação, no caso, referindo-se ao retorno da vida na Primavera[24].

cabeça S. Fabião

Com a Iluminação Mental tem igualmente a ver a cabeça-relicário de prata (contendo crânio humano) de São Fabião (20.º Papa), oferecida nos finais do século XIII pela princesa bizantina (origem assinalada pela cruz oriental gravada sobre a cabeça) Vataça Lascaris à Rainha Santa Isabel, em Santiago do Cacém. Depois, por episódios que a História conserva obscuros, a peça acabou por ir parar a São Cucufate de Panóias, depois à igreja de São João Baptista (o proto-apóstolo degolado) de Casével, e finalmente à basílica real de Castro Verde[25]. Esta cabeça «baphomética» leva o nome de Saudador, por servir de comunicação psicopompa entre o Mundo dos Vivos e o Mundo dos Mortos, além de possuir a propriedade de curar as moléstias do gado, sobretudo vacas e novilhos, o que recambia para o sentido transcendente já assinalado do “Touro Celeste”, o mesmo que se manifesta na Terra sob feição telúrica de ondulação serpentária (donde os topónimos Cobre e Cola ou Cobra) animando e nutrindo a vida dos seres corporais.

Batalha impossível possibilitada pelo Mito que faz a História, Luís de Camões não a esqueceu no apologético pátrio de Os Lusíadas (Canto III, estâncias 42-53), tampouco Fernando Pessoa no encómio patriótico da Mensagem (Bellum Sine Bello Os Castelos, Quinto) descurou Afonso Henriques em poema lapidado (1989) junto ao padrão de 1940 erguido no outeiro de S. Pedro das Cabeças.

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NOTAS

[1] Gerard J. Brault, La Chanson de Roland – Oxford Text and English Translation. The Pennsylvania State University, 1984.

[2] Vitor Manuel Adrião, Santiago de Compostela – Mistérios da Rota Portuguesa. Editora Dinapress, Lisboa, Maio de 2011.

[3] Frei Bernardo de Brito, Crónica de Cister, 1602. Manuscrito de 1597, Biblioteca Nacional de Lisboa.

[4] José Mattoso, Dicionário Ilustrado de História de Portugal, vol. I. Publicações Alfa, Lisboa, 1985.

[5] Mário Jorge Barroca, História das Campanhas in Nova História Militar de Portugal, vol. I. Edição Círculo de Leitores, Lisboa, 2003.

[6] M. Lourdes Cidraes, A Tradição Lendária de Afonso Henriques. Edição Câmara Municipal de Castro Verde, 25 de Julho de 2008.

[7] Duarte Galvão, Crónica del rey Dom Affonso Hemriquez (escrita entre 1500 e 1550). Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, cota original “Armário 11 da Casa da Coroa”, cota actual “Crónicas n.º 1”, cota antiga 346; CF107. E ainda, Chronica do mui alto, e muito esclarecido principe D. Addonso Henriques, primeiro Rey de Portugal, por Duarte Galvão. Lisboa Ocidental, na Oficina Ferreiriana, 1726. Obra reeditada e actualizada, com uma Introdução de A. de Magalhães de Bastos, pela Livraria Civilização, Porto, 1945.

[8] José Mattoso, D. Afonso Henriques, p. 115. Edição Círculo de Leitores, Lisboa, 2006.

[9] António José Saraiva, A épica medieval portuguesa. Instituto de Cultura Portuguesa, Lisboa, 1979.

[10] João Baptista Lavanha, Viagem da Catholica Real Magestade del Rey D. Filipe II ao Reino de Portugal e rellação do solene recebimento que nele se lhe fez. Madrid, 1622.

[11] João José Alves da Costa, As Visitações da Ordem de Santiago no concelho de Castro Verde no século XVI. Edição Câmara Municipal de Castro Verde, Setembro de 2010.

[12] Paulo Pereira, Lugares Mágicos de Portugal – Paraísos Perdidos e Terras Prometidas. Edição Círculo de Leitores, Lisboa, 2004.

[13] André de Resende, As Antiguidades da Lusitânia, Évora, 1593. Reedição pela Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1996.

[14] Vitor Manuel Adrião, História Oculta de Portugal. Madras Editora Ltda, São Paulo, 2000.

[15] José Lopes Alves, A Batalha de Ourique – 25 de Julho de 1139, p. 87. Editora Europress, Lisboa, 2008.

[16] Padre José Ferreira Caldas, Guimarães – Apontamentos para a sua História, parte I, pp. 149-152. Edição Câmara Municipal de Guimarães, 2.ª edição, 1996.

[17] Alexandre Herculano, Terceira Crónica Breve in Portugaliae Monumenta Historica, Scriptores, I.

[18] Batalha Gouveia, A origem do nome Ourique. Jornal do Incrível, Lisboa, 1985.

[19] Maria Helena Ventura, Afonso o Conquistador. Editora Saída de Emergência, Parede, 2007.

[20] Maria Jesús Viguera, Los reinos de taifas y las invasiones magrebíes – Al-Andalus del XI al XII. Editorial Mapfre, Madrid, 1992.

[21] Juan G. Atienza, La mística solar de los Templarios. Ediciones Martínez Roca, S. A., Barcelona, 1983.

[22] Vitor Manuel Adrião, Introdução à Portugalidade. Academia de Letras e Artes, Cascais, 2002.

[23] Vitor Manuel Adrião, Lisboa Secreta – Capital do Quinto Império. Bubok Publishing S. L., Lisboa, 2011.

[24] Vitor Manuel Adrião, Lisboa Insólita e Secreta. Editorial Jonglez, Versailles, Abril de 2010.

[25] Joaquim Boiça e Cláudio Torres, A Cabeça-Relicário de São Fabião. Castro Verde, s/d. João José Alves da Costa, O Termo de Castro Verde. Um contributo para a sua História, volume I. Edição Câmara Municipal de Castro Verde, 1996.

 

 

 

 

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