13 - Fiat Lux e o Andrógino Perfeito

Sintra, 2007

Sim, o Mental Iluminado, Manas Taijasi, primeiro transformando o principal centro motor das atenções humanas, o interesse sexual, Kamas Taijasi, para finalmente o superar e se integrar a Budhi e Atmã Taijasi, o que vale pela assunção e metástase ao Homem Verdadeiro, o Andrógino Primordial como a sua própria Essência Divina, partícula individualizada do Andrógino Universal sendo o Segundo Trono ou Mundo Celeste.

Ainda que levando a data de 2007, altura da sua rectificação e aumento, que se repetiu agora (Julho de 2011), a verdade é que este estudo data de Julho de 1999, feito em consequência do primeiro Referendo Nacional acerca do “sim ou não” à aprovação da “lei do aborto”, em 1998. Na altura ganhou o “não”, apesar do pouco interesse que o assunto suscitou no público geral, assim mesmo com a Igreja Católica impondo a sua visão singular da Vida Humana através de grupos sociais afiliados a ela, maioritariamente liderados por senhoras que, parece, esqueceram-se da precariedade da sua condição feminina preferindo a masculinidade de um dogma varão, eterno redutor, reconheça-se, dessa mesma condição feminina. Assim, a crença impôs-se à razão, com mulheres perdendo as mulheres mas triunfando homens sexualmente auto-híbridos, por adopção e obrigação de dogma tardio do século XII, o do celibato, completamente estranho às escrituras sagradas, assumindo o velho padrão judaico ou semita geral do estado feminino ser de espécie inferior, aparentemente tolerando-o, realmente desprezando-o… os factos históricos o confirmam, a começar por esse da Mulher só ter direito a possuir Alma após o Concílio de Macom (Gália), em 585, no século VI, realizado pelos patriarcas da Igreja para fazer vingar o dogma da Virgem Maria que, ante uma ordem eclesiástica toda patriarcal, não sabiam onde a colocar… por ser mulher.

Ainda sobre a hibridez auto-infligida do celibato, adaptação espúria daquela lenda hagiográfica do “cinto de castidade” (cingulum castum) dado a Tomás de Aquino por dois Anjos, tal voto eclesiástico mas não sacramental fez de quem o pratica um estéril ante as palavras canónicas da própria escritura sagrada: “Amai-vos e multiplicai-vos”. Se no Dicionário de Língua Portuguesa celibato (caelibatu) “é o estado de solteirão em pessoa que não pretende casar-se”, de maneira alguma, ao contrário do que pensa a maioria, ele é sinónimo de castidade, porque um casto poderá não ser um celibatário, tal como um celibatário nem sempre é um casto. A castidade não implica obrigatoriamente a inibição física, sexual, mas implica sempre o regramento das acções, das emoções e dos pensamentos manifestos conscientemente como o melhor, o mais positivo que o homem tem, e é este o sentido da palavra casto (castu) no Dicionário de Língua Portuguesa: “puro, inocente, sem mescla”. Assim, o casto se faz na Terra um Agnus Castu ou “Cordeiro Inocente” que “tira (pelo exemplo que infunde) os pecados do mundo”, e nessa condição produtiva, verdadeiramente espiritual, faz-se um celícola ou “habitante do Céu” nesta mesma Terra. Este é, afinal, o estado de ser do verdadeiro Mestre e do verdadeiro Discípulo, acaso celibatários em momentos predeterminados, certamente castos em todos os instantes, isto é, verdadeiros Agnus Castus à imagem e semelhança do Cristo, do Budha, de Krishna, de Maomé, etc., enfim, de todos os Avataras ou “Espíritos de Verdade” que a este mundo já advieram desde os páramos celestes.

Em 1998, aquando do Referendo, as opiniões dividiram-se inconciliáveis e intolerantes, desencadearam-se os debates mais acesos, com ferocidade rara, e a Igreja Católica, através do seu séquito de venerandas senhoras, «virgens e puras», acabou ganhando, com o apoio claro dos partidos políticos de Direita. Agora, vem aí o segundo Referendo sobre a “lei do aborto”, em 2007. Duvido que desta vez a Igreja tenha tanta sorte como da primeira (e assim acertei, pois esse Referendo acabou de realizar-se e já se sabe que o “não” eclesial perdeu), sim, por a sociedade estar mais amadurecida na informação e a democracia mais consolidada, com as novas gerações repudiando abertamente conceitos castrantes e fascizantes ou ditatoriais sobre o direito da Mulher, o que não entende de todo, como esse de no século XXI ainda haverem mulheres que são atiradas na cadeia por terem feito o aborto. Fiquemos para ver… Ainda assim, também os partidos políticos de Esquerda se imiscuem, por oportunismo eleitoralista, em questões única e exclusivamente a ver com a Mulher, que decisivamente é quem deve decidir sobre o seu corpo e a sua vida e mais ninguém, pelo que ao esclavagismo machista dos políticos e dos religiosos, todos oportunistas psicossociais, deve-se pôr um término definitivo. O assunto deve ser levado a debate e a sua aprovação ou não, na Assembleia da República, caber exclusivamente às mulheres, as principais interessadas, as únicas visadas, e os homens, os deputados, tão-só deverão respeitar e cumprir democraticamente o decidido por elas, não se intrometendo, com os seus motivos políticos e religiosos, onde biologicamente não são tidos nem havidos, pois bem parece que até hoje nenhum homem engravidou… a não ser pelos ouvidos, por os ter dado a interesses os mais obscuros e autistas em matéria de conhecimentos teosóficos e eubióticos, estes no sentido da mais pura eugenia natural que dispõe o Homem em completa harmonia com a Natureza e vice-versa.

De maneira que não sou a favor nem contra a “lei do aborto”, pois em matéria de livre-arbítrio individual e colectivo todo o verdadeiro Teúrgico e Teósofo é intransigente no respeito devido ao mesmo.

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No ido 1998 foi solicitada a minha opinião sobre o assunto. Sendo este extremamente melindroso por variarem os casos de mulher para mulher que recorre a essa opção drástica, e não querendo ser fundamentalista favorável a qualquer das partes, lá fui dizendo isso mesmo, contudo salientando sempre que o aborto é culpável aos olhos da religião, apesar de desculpável nos casos onde não há possibilidade de evitá-lo.

Nesse sentido, já em 1975 a saudosa D. Helena Jefferson de Souza, então viúva do Professor Henrique José de Souza, proferira-se sobre o assunto (in revista Aquarius, n.º 3): – “Há pessoas que abortam naturalmente… e outras que provocam. Das que provocam o aborto, umas o fazem porque não podem ter crianças, e, aí é uma questão de saúde… e outras o provocam porque não querem os filhos… e isso é errado! Eu acho que a pessoa, mesmo não sendo casada, que arranja um filho, sendo saudável, deve criar o seu filho! Deve arcar com a responsabilidade do seu acto! Porque eu acredito que ninguém que vá sair com um rapaz vá fazer o que não deve… – é aí que vem a vigilância dos sentidos – repito, uma moça não vai sair com um homem e fazer o que não deve sem saber o que está fazendo. Ela sabe o que está fazendo… então, não é admissível que diga que não sabe o que faz”.

“Não sabe o que faz” só quem é vítima de violação ou sofra de demência, por vezes ambos os casos juntos, como resultados ou frutos amargos do karma contraído no passado próximo ou distante. No caso de violação, a mulher foi forçada violentamente (isto é o que significa violação, “acto violento”, “acto não consentido”), não teve opção, logo, está isenta de responsabilidade directa, imediata… mesmo que não ante algum facto similar passado que despoletou karmicamente o presente, fazendo jus à Lei de Talião do «olho por olho, dente por dente» (Lei de Acção e Reacção). Seja como for, por si só ela está inteiramente desculpabilizada perante o concreto e dramático facto presente.

As esferas religiosas aliadas às neo-espiritualistas, ambas não-iniciáticas, umas dogmáticas e outras de catequese fácil, popular, juntas apresentando débil preocupação verdadeiramente mental ou metafísica, são peremptoriamente unânimes na condenação do aborto, considerando-o crime de eutanásia tanto para o Ego como para o feto. Isto é meia verdade, em parte louvável e em parte censurável, nesta por a sua posição radical não levar em conta as mulheres que, por razões de saúde, não devem engravidar e acidentalmente engravidam. Melhor que condenar seria propagar uma cultura profilática, especialmente nos meios mais descarecidos socialmente e menos esclarecidos educacionalmente, mas sem quaisquer pressupostos, mais ou menos velados, religiosos ou políticos. Em suma, o exclusivo e descomprometido exercício da cultura sexológica despida de quaisquer inibições político-religiosas, isto é, psicossociais. Não se pense que por meios mais descarecidos socialmente eu pense só no factor económico, porque naqueles mais abastados a carência social e cultural também existe, como demonstram as visitas repetidas às clínicas abortivas espanholas serem habitués da «senhoras bem» portuguesas.

Questão de cinismo puritano, sim, mas igualmente herança multimilenar perdurando ao longo da Raça Ariana desde a queda psicossocial da Atlântida, cujos ritos sexuais, erroneamente chamados «tântricos», modificaram o sentido espiritual do acto gerador em erotismo psíquico. Este erotismo psíquico gerou o religioso. O erotismo religioso originou o sentimento de culpa e, para se livrar dele, surgiu a idolatria como tábua de salvação. É assim que a idolatria acaba apresentando em muitos sectaristas religiosos fortes tendências para a perversão sexual, como qualquer psicólogo ou psiquiatra poderá facilmente observar.

Mas vamos aos factos da geração no seio da mulher. O feto reage no ventre feminino por impulsos vitais através do cordão umbilical (formado da placenta, e que é a expressão somática ou celular do “cordão prateado” ou lunar, esse fio etérico que une o corpo vital ao denso e pelo qual é alimentado psiquicamente o embrião, estreitando-se a relação física à medida que os nove meses de gestação vão passando), e a mulher sentindo-o sente-se prematuramente mãe. Mas ele está inconsciente, não tem consciência própria e nem a pode ter, por ainda se estar a formar organicamente.

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Quanto ao Ego, o Espírito no feto, a verdade é que de maneira alguma o habita. Ele hiberna no Plano Causal, ou Mental Superior, e a única ligação que tem ao embrião é a vibração kármica dada pelo seu chitta, a “matéria mental”, que lhe irá moldar o cérebro e o sexo, masculino ou feminino, de acordo com o seu quinhão kármico assim o encadeando à Lei de Causa e Efeito, a mesma da Justiça Universal. Ele, o Ego, só se encadeia ao nado quando se corta o cordão umbilical logo após o parto. Desse instante até aos 21 anos de idade, é o período de se firmar, de se assumir completamente homem ou mulher, ou seja, de ter a consciência humana mais ou menos completa. Isto porque do nascimento até aos 7 anos de idade, desenvolve o corpo vital ou etérico; dos 7 aos 14, o corpo emocional ou astral; finalmente, dos 14 aos 21, é o período de formação do corpo mental, o intelecto que expressará pelo cérebro, então definitivamente formado, as ideias que lhe são próprias.

Quando se provoca o aborto, o Ego nada sofre (nem pode sofrer, por estar no Mundo da Tríade Espiritual, alheio aos prazeres ou desprazeres do Mundo da Personalidade), tão-só é interrompida a vibração kármica do seu chitta. O único sofrimento é o ter de recomeçar num outro feto escolhido para si pela Lei de Causa e Efeito, em conformidade à satisfação das suas necessidades kármicas acompanhando-o de vida em vida, até esgotar esse mesmo karma tornando-se um Ser Superado.

O aborto é totalmente o oposto da inseminação artificial, dos chamados “bebés-de-provetas”. O único problema nestes, na perspectiva espiritual (não confundir com religiosa, pois que religião será espiritualista mas nem sempre espiritual, e aqui entra novamente a dicotomia caelibatu ad castu), é muitas vezes não se saber a quem pertence o sémen paterno e como poderá tudo isso encaixar no Karma da Família a que o nado irá pertencer. Tal implica um reajustamento dos arquétipos kármicos, tanto os da criança como os da família, prolongando-se naquela até aos 21 anos de idade, período durante o qual poderá adaptar-se à situação criada artificialmente ou, então, vir a ser uma completa desajustada no meio familiar imposto, o mesmo valendo para essa família recebendo o nado gerado artificialmente.

É ainda D. Helena Jefferson de Souza, durante mais de 50 anos companheira inseparável de Missão do Professor Henrique José de Souza, a comentar o assunto (in ob. cit.):

P. – A criação em laboratórios de bebés-de-proveta encaixa-se nos ditames da Lei Universal?

R. – Sim e não… porque o certo é a pessoa ter os seus próprios filhos. Agora, há pessoas que têm complexos, justamente por não terem filhos… e o único jeito é esse. Elas sentem-se felizes em ter crianças… ou adoptadas ou dessa maneira, a inseminação artificial. A Maternidade é uma coisa muito Divina… e muitas pessoas se casam e não concebem… têm uma vontade louca de ter filhos… e a única maneira é: ou adoptar uma criança ou se submeter a esse tratamento moderno.

P. – Mas, no caso destes bebés-de-proveta, haveria alguma influência no carácter deles, mais tarde, de natureza espiritual?

R. – Bem, aí já não seria o mesmo sangue… Por exemplo: eu sou casada com um homem e o homem não me deu filhos… e eu vou arranjar com outro… quer dizer, sairia um pouco de dentro das nossas concepções teosóficas… do Karma da Família… entenderam? Porque seria uma coisa vinda de outra pessoa… por isso é que eu acho que certas coisas não se devem fazer!… Cada um tem o seu karma. Uns têm muitos filhos, outros não têm nenhum… e a pessoa tem que se conformar… e, às vezes, acontecem casos da criança ser problema… vir a ser uma criança-problema!…

“A Maternidade é uma coisa muito Divina”, disse a excelsa contraparte de JHS, o Professor Henrique José de Souza, e tanto assim é que o Hino ao Amor, da autoria desse mesmo Venerável Mestre dos Teúrgicos e Teósofos da sua Obra (já agora, é impossível, verdadeiro contrassenso, estar na Obra mas sem pertencer à Instituição… mesmo apregoando «ética eubiótica», mas cujo carácter e atitudes pessoais, não raro, chocam flagrantemente com tal «ética incorruptível», no dizer dos próprios assim revelando forçarem-se constantemente ao autoconvencimento de poder ser verdade o que afirmam sem certeza nenhuma, demonstração cabal da aparência não ter realmente absorvido a essência, e que quanto dizem e escrevem de «belo e extraordinário», memorizado mas não assimilado, afinal vem a ser de empréstimo à fonte legítima que não autorizou, por outras palavras, copiam, plagiam, imitam… como papagaios irracionais), diz a dado trecho:

A mulher que dá seu filho

Pelo bem da Humanidade,

Essa mulher não é mulher,

Mas a Flor da Maternidade.

Durante séculos e séculos, milénios mesmo, as religiões têm considerado o sexo uma coisa imunda, imoral, não espiritual a evitar o mais possível e a pronunciar quanto menos melhor. Isto tanto no Oriente como no Ocidente, apesar de ser uma das leis e princípios fundamentais da Vida.

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Prof. Henrique José de Souza, D. Helena Jefferson de Souza e filhos

Hoje mesmo, neste século XXI, há casais que apesar de casados há muitos anos contudo são-lhes completamente desconhecidos os corpos um do outro: pudicamente, por motivos de padrões morais redutores herdados de gerações e gerações, evitam despir-se na frente um do outro; evitam relacionar-se sexualmente à claridade, e fogem sempre ao prazer corporal por pudor ou vergonha pecaminosa; evitam, até, sozinhos tomar banho inteiramente despidos. Este é, como disse, o verdadeiro “fruto proibido da Árvore da Vida”, precocemente apodrecido por inúmeras gerações sujeitas ao mesmo puritanismo castrador (podendo desencadear, tarde ou cedo, psicoses irreversíveis, como as famosas “taras sexuais”, as quais, nos casos extremos, podem inclusive levar ao suicídio desesperado), envergonhado das reacções naturais do seu corpo que, afinal, é tão-só o templo do Espírito livre habitando nele.

Um dos primeiros, se não o primeiro, que na Índia se opôs a tal estado das coisas foi o teósofo inglês Charles Webster Leadbeater, tendo ensinado as crianças a banharem-se nuas e a esfregarem-se com sabão invés do usual: mergulhar vestidas e logo sair da água, motivo para muitas epidemias por falta de higiene, as quais ainda hoje grassam nesse país. Mais, chegou mesmo a aconselhar a alguns adolescentes mais inflamáveis, como medida profilática, a masturbação, prática abominável para a época e particularmente para uma sociedade repressiva das leis e práticas sexuais. Resultado: até ao presente Leadbeater é considerado por muitos, inclusive teosofistas, um homossexual e até mesmo um pedófilo!

Não pretendo defendê-lo, mas também não acredito que o tenha sido. Ele próprio explica o seu ponto de vista acerca do assunto, em carta datada de 30 de Junho de 1906 endereçada à Presidente da Sociedade Teosófica de Adyar (Estado de Madras, Índia), a sua amiga inseparável Annie Besant:

“A minha opinião sobre o assunto, que tanta gente julga errada, formou-se muito antes dos dias teosóficos. Existe uma função natural do homem que, em si mesma, não é mais vergonhosa (a não ser que seja satisfeita à custa de outra pessoa) que o comer e o beber… Ocorre a acumulação, que se descarrega a intervalos – geralmente de quinze em quinze dias, conquanto, em alguns casos, a frequência seja muito maior, sendo que a mente na última parte de cada intervalo é constantemente obcecada pelo assunto. A ideia era tomar a iniciativa antes da idade em que o assunto se torna tão forte que é praticamente incontrolável, e instituir o hábito de descargas artificiais regulares, porém menores, sem nenhum pensamento durante os intervalos. O intervalo geralmente sugerido era de uma semana, posto que, em alguns casos, se permitisse por algum tempo a metade desse período. Recomendava-se sempre que se alargasse o intervalo até um ponto compatível com a evitação de pensamentos ou desejos sobre o assunto. Você compreenderá, naturalmente, que não se deu nenhuma importância especial a esse lado sexual da vida, apenas referido como uma entre muitas directrizes para a regulação da existência. Assim sendo, quando os meninos eram colocados aos meus cuidados, eu mencionava-lhes o assunto entre outras coisas, tentando sempre evitar toda a sorte de falsas vergonhas e fazendo com que tudo parecesse o mais simples e natural possível, embora, naturalmente, não fosse matéria que devesse tratar diante dos outros…”

Seis meses mais tarde, ele tornou a escrever-lhe:

“Creio que você, nesse particular, foi um tanto ou quanto enganada. Nunca tive o costume de despertar tais sentimentos (de sexo) antes que eles existissem; como lhe disse em carta anterior, nunca falei nesses assuntos antes de ter vislumbrado sintomas preliminares. Não tenho o menor desejo de persuadi-la a adoptar estas opiniões, mas sentir-me-ia muito grato se conseguisse tirar do seu espírito a ideia de que eu estava enganado…”

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Annie Besant e Charles W. Leadbeater

Seja como for, a masturbação quase ou mesmo diária acaba tornando-se um “vício solitário” indo criar um elemental artificial astral, o qual irá alimentar-se dessas energias libido-passionais despendidas até chegar ao ponto de seu desejo ser mais forte que a vontade do seu criador, assim cortando-lhe ou captando-lhe o domínio da mente, que é o que significa mentecapto.

O Professor Henrique José de Souza, em conversa particular sobre o assunto, teve ocasião de proferir:

“O sistema nervoso está estreitamente ligado ao Plano Astral, Emocional. E quando o elemento humano pratica o vício solitário tem uma sensação, uma emoção tangida para a epilepsia, decorrendo daí a “captação”, a castração da mente pelo sexo impróprio, se não prejudicada por essa função. E se houver deprimência dos sentidos, levará o praticante ao suicídio.”

Quanto a acabar com a própria vida, preclaro Adepto Serapis Bey, em carta de 1876, é peremptório: “… o maior de todos os crimes – o suicídio”.

Sim, por ser o único acto não previsto nos arquétipos kármicos da entidade, tornando-se, por isso, um verdadeiro atentado à Lei da Natureza. O suicidado terá que esgotar o tempo que ainda deveria cumprir na Terra, dessa feita nos subplanos mais baixos do Plano Astral, em meio de um sofrimento indizível assim projectando os dispositivos de miséria e dor que povoarão a sua próxima reencarnação. Negando a Vida, a Vida o flagela. Ademais, a Lei jamais impõe à criatura esforços maiores que aqueles que possa suportar: poderá ir aos extremos das possibilidades, mas nunca ultrapassando os seus limites. Portanto, o suicídio acaba sendo um acto de cobardia, espiritual e humana, face à Vida… mesmo que se negue convictamente essa mesma existência espiritual, para depois ir confrontar-se com ela na mais dolorosa das surpresas.

Isso leva-me ao místico que morre pela Humanidade. Tem valor, sim e muito, mas muitíssimo mais valor tem aquele que vive pela Humanidade, visto ser fácil morrer e difícil viver, mais ainda – mas com quanta glória – quando se trata de servir o Género Humano, sem esperar nada em troca. É como diz H. P. Blavatsky: “Aquele que vive para a Humanidade faz muito mais do que aquele que por ela morre!”, quiçá inspirada naquelas outras palavras do Alcorão – Sura III:

“Ó Tu, Senhor, que fazes entrar o dia na noite e a noite no dia! Ó Tu, Senhor, que fazes entrar a vida na morte e a morte na vida! A Ti, mais preciosa é a tinta do sábio que o sangue do mártir.”

Este assunto do uso e abuso do vício sexual é coisa que já levou muitos espiritualistas, não só católicos e maçons mas inclusive teosofistas e teurgistas (não lhes chamo teósofos e teúrgicos por real ou objectivamente não o serem, ainda assim observando-se em alguns deles o “rigoroso moralismo pietista” cuja natureza própria notoriamente violada na sua condição natural de ser perverte-os em egocêntricos idolátricos deles mesmos arrastando-os ao autoconvencimento enjeitado de “salvadores da pátria”, mas que, mais dia menos dia, com esses ingredientes psicológicos poderão muito bem descambar, se já não descambaram, em alguma doença irreversível de natureza psicomotora eclipsando de vez a lucidez mental e a saúde orgânica, posto que qualquer sentimento que não seja pelos seus próprios interesses é coisa aparentando inexistir neles), por não estarem minimamente integrados à sua Consciência Superior, ao enredo nas malhas falazes, magneticamente atrativas, do sexo passional eclipsando o mental espiritual, quando deveria ser precisamente o contrário: o sexo encadeado ou sujeito ao domínio do mental. Há o caso daquele personagem (apesar de reiterada e antecipadamente alertado por mim mas que contra mim se rebelou, acabando por renegar à Obra Divina na Face da Terra) tombado ingloriamente no centro dum triângulo kamásico ou caótico, neurasténico, hipocondríaco e pornográfico, em suma, paranóico constituído de pessoas absorvidas nos mais baixos padrões libidinosos que o perderam para sempre, nesta vida, para a espiritualidade do Caminho da Iniciação Verdadeira. Invés de cultivar o sexo natural, humanamente espiritualizado ou enquadrado no seu próprio nível, preferiu desenquadrá-lo pervertendo-o inatural, pornográfico, onde os casais se trocavam como se troca algo de menos valia. Deprimente…

Kama-Taijasi e Mana-Taijasi

Tanto como ver essas pobres «madalenas» vendendo o seu corpo em obscuras vielas incertas, em troca de algumas moedas pelo «serviço» prestado a imprestáveis homens de “cintura frouxa”, de mental quase apagado, o que leva-me novamente ao sentido de mentecapto. Elas tendo uma kamásica bruma escarlate em torno da cintura (denunciando astralmente o uso e abuso sexual); eles tendo uma escarlate bruma espessa, igualmente kamásica, que serpenteando desce venenosa da cabeça à cintura, desta volvendo acima impulsionada pela fantasia luxuriosa, eclipsando o que distingue o Homem na Natureza: a jóia preciosa do Mental. As auras astrais de ambos, prestadora do «serviço» e cliente, são povoadas por larvas, cascões e elementais da mais baixa espécie, criações dos seus vícios indo insuflá-los psiquicamente aos mais próximos, menos avisados e menos seguros de si mesmos.

Eis aí a razão oculta dos prostíbulos serem, em boa verdade filológica, “prisões do sexo”, e os lupanares os “lugares lunares”, antes, lunáticos como é toda a sua freguesia afligida pelo lado passional da Lua, e para excitar ainda mais as emoções, a par de músicas passionais, lânguidas, viscerosas que se arrastam em notas de baixas comoções, as paredes interiores dessas casas são geralmente pintadas de vermelho escarlate, cor forte excitadora tanto da besta animal quanto da besta humana, assim se reproduzindo fisicamente o ambiente dos curros do Baixo Astral, onde por entre os vivos alucinados pululam macabros os mortos nas mais grotescas, hediondas e vampíricas formas psíquicas, alimentando-se uns dos outros na mais nabalesca miscelânea psicofísica.

Eis aí caoticamente “a vibração (musical), a cor (espaço ambiental) e o número (clientela)” exercendo a sua influência conjunta, no mais baixo padrão passional. Para o alterar positivamente, carece-se de uma cultura sexológica verdadeiramente profilática, a par de dispositivos socioeconómicos eficazes no minguar ou mesmo acabar da miséria humana, onde as mulheres são quem mais sofrem…

Sobre este assunto do abuso do sexo, escreveu o Dr. Mário Roso de Luna (in Aberraciones Psíquicas del Sexo):

“Quem se deleita em pensamentos sexuais, quem, grosseiramente, fala sempre de coisas íntimas do sexo, ou quem, por aberração imaginativa, se entrega patologicamente ou com excesso ao sexo, corre o grande perigo de vir a perdê-lo.

Luxúria, em seu sentido etimológico, não é o acto fisiológico sexual, pois que luxúria vem de “jogo” e de “luxo”, isto é, das mórbidas excitações que o luxo e a ociosidade provocam na imaginação de ambos os sexos: na mulher, quando, para mais agradar, se enfeita com excesso; no homem, quando a contempla garrida, contra aquele preceito salomónico que diz: “Afasta teus olhos da mulher enfeitada para que não caias em tentação”, ou aquele outro do Evangelho: `Quem olha com olhos de deleição à mulher de outro, já cometeu adultério com ela em seu coração´.”

Isso também é válido para a mulher que deseja o homem de outra, não só para o homem que ambiciona a mulher de outro. Os “Irmãos Sombrios” actuam junto da Humanidade comum e de boa parte dos discípulos nos primeiros graus para o Adeptado, com grande intensidade através da influência perniciosa do sexo passional (não se está sugerindo, note-se bem, a aniquilação ou castração sexual, pois que é função natural, mas antes o domínio pessoal sobre a mesma, que é coisa bem diferente; mesmo assim há também quem não careça de exercício sexual, e a sua abstenção deverá ser inteiramente respeitada por outréns, principalmente quando o rapaz ou a rapariga são vistosos e o desejo de provar o “fruto proibido” leva a tentá-los, o que é um franco desrespeito em despeito do mental pela satisfação do emocional, antes, passional. Satisfeito o acto da “prova”, ficando o fruto “provado”, garantidamente ambas as partes irão sentir grande decepção… por ter sido um acto forçado, de paixão sem amor, ficando só as cinzas de uma fogueira desnecessariamente acesa), visto o emocional estar muito mais activo que o mental, este ainda em formação nos seus aspectos superiores. Mas a Lei é a Lei, e quem a transgride sofre as consequências: aí temos a doença do século XX víbora rastejando para o imediato, a sida ou aids, que vem se desenvolvendo em novas e desconhecidas doenças mortíferas. Assim mesmo, ela não deixa de ser um travão kármico ao desregramento completo da Humanidade.

Os Grandes Mestres e Mestras da Excelsa Fraternidade Branca desaconselham severamente aos seus discípulos as práticas do sexo ilícito, como muito bem demonstra a carta seguinte endereçada a um discípulo em provação, datada de 1882, escrita pelo Mahatma Koot Hoomi:

“Lembre-se ainda do seguinte: os adultérios espalham em seu redor uma aura venenosa que inflama as más paixões e enlouquece os desejos. Para vencer, só há um meio: a separação absoluta. Eu não permito nem mais um reencontro, nem a vista à distância, nem uma palavra, nem mesmo uma carta. Transgrida uma destas defesas e deixará de ser meu discípulo. Conservar uma velha carta, um talismã, uma lembrança, sobretudo uma mecha de cabelos, é pernicioso: o objecto torna-se uma faísca que acende. Corre perigo se estiverdes na mesma cidade ou separados por pequena distância. Não pode ter confiança na sua energia moral, porque se fosse dotado de força moral teria fugido da residência quando o primeiro pensamento luxurioso tentou a sua lealdade. Assim, permaneça longe de ….. qualquer que seja o pretexto a invocar.”

Ainda que o Sexo esteja presente em tudo quanto existe, já a pornografia não, é inatural, bestial, pelo que avança o Dr. Mário Roso de Luna (in ob. cit.):

“O Sexo, em Matemática, está representado pelas quantidades positivas e negativas; na Mecânica, por matéria e força; em Física, pelos fluidos eléctricos opostos; em Química, pelos metalóides e metais; em Biologia, pelos hidrogénios e axidrilos; em Fisiologia, pelos espermatozoides e óvulos; em Astronomia, pelos Sóis duplos, pares conjugados, como também pela Lua e a Terra, os Planetas e o Sol; nas lutas da História, pelos vencedores militares e pelos vencidos, quase sempre mais cultos que aqueles e que costumam acabar por dominá-los…”

Remata a Coluna CAF de JHS, o engenheiro (agrónomo) António Castaño Ferreira:

“Mas, fica ainda muito para a Ciência avançar no sentido do estudo do Sexo da Natureza, não o limitando, como até aqui, a animais e vegetais, mas estendendo-o a tudo quanto nos rodeia: minerais, átomos, moléculas, células e astros, e fazendo do estudo do Sexo Universal a chave-mestra dos segredos do Cosmos, porque se o sexo em si é limitação, a união dos sexos contrários é propagação indefinida: o finito da dualidade vencendo, com a sua recíproca compenetração, o Infinito.

“Porque, orgânica e filosoficamente, o fenómeno da copulação sexual não é mais do que a cessão que o elemento chamado masculino faz ao elemento feminino de alguma coisa que aquele tem e do qual este carece, razão porque a sabedoria da Linguagem – outra das chaves do Mistério que nos cerca – chamou ao dito fenómeno de “comércio sexual”, na lembrança da própria essência do fenómeno “comércio” nascido com a Humanidade em forma de permuta, ou seja, da cessão de algo que se tem e não se necessita ou até estorva pela sua abundância, em troca de algo que se carece; em tal sentido, essa “troca do que se tem pelo que não se tem e deseja”, é comum a tudo quanto existe no Universo constituindo a própria essência da Vida que é, precisamente, Vida e Sexo.”

CAF

António Castaño Ferreira

Tais “Vida e Sexo” têm a ver, respectivamente, com as duas Forças Universais: a Vida animada por Fohat, e o Sexo criado por Kundalini – os Fogos Frio e Quente ou Celeste e Terrestre, Electricidade e Electromagnetismo Cósmicos. Aquele penetrando o Homem pelo alto da cabeça que o transfere à Mulher pela cessão (donde a postura usual do homem por cima e a mulher por baixo, com o sempre presente factor imaginação), e esta, pelo impulso electromagnético, eleva-o acima, de retorno à Fonte Universal, à Substância Única (Svabhâvat). Vida e Sexo são as chaves-mestras, sim, mas com o tempero do Amor que une, ou então a vida reduzir-se-á a sexo corrompido, despossuído do seu significado e função reais, logo, prostituído no lodaçal das baixas, incertas e inseguras paixões escravizadoras, até decepadoras, da actividade mental, a única exclusiva ao Género Humano mas que do Animal que foi ainda conserva os pêlos, restando-lhe despojar-se da pele passional.

Os minerais acasalam fisicamente por reacções químicas afins; os vegetais por impulsos magnéticos vitais, atraindo-se por simpatia vibratória; os animais acasalam motivados pelos impulsos emocionais; e só Homem reage à natureza sexual contrária por impulsos psicomentais, aliando a actividade cerebral à psicomotora.

Não é por acaso, também, o cérebro humano possuir o formato da cabeça do falo, posto que ambos foram conferidos ao Homem pela mesma Hierarquia Criadora dos Assuras através das suas duas classes de Kumaras e Makaras, os “Senhores do Mental” e os “da Forma”, profundamente relacionados à misteriosa e crucífera Queda dos Arqueus, esta mesma dos “Anjos Caídos” origem lemuriana da Queda do Homem na Geração, desde aí cabendo-lhe a Superação do Sexo pela Redenção Mental, elevando do sacro à corona a “Serpente Flamígera” de Kundalini, de maneira a tornar-se, para sempre, um Iluminado Espiritual, um Imortal Vivente, enfim, um redimido Ser Assúrico.

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Como não podia deixar de ser, passo agora a citar vários trechos importantes da obra teosófica que mais profusa e profundamente aborda o assunto, Os Mistérios do Sexo, da autoria do Professor Henrique José de Souza:

“Falando de certas glândulas endócrinas, citamos o fenómeno do “odor feminino” provocado pelas glândulas axilares. E que concorreu para o enfeitiçamento de muitos homens pela beleza de certas mulheres, além de um outro odor, mais perigoso ainda, que possuíam também certas mulheres, como Messalina, Cleópatra, etc., ou seja, o produzido pelas mesmas glândulas de combinação com as genitais. E que tantas vítimas esse mesmo “odor” teve ocasião de fazer, de que fala a História sem no entanto saber o seu verdadeiro motivo… Outro fenómeno ainda não constatado pela Medicina, inclusive pelo próprio Marañon, a maior sumidade no assunto, aquele de três dias antes do período catamenial (lunar ou da menstruação) essas glândulas (as axilares) aumentando a sua função exteriorizante, impregnarem o ambiente daquele odor a que o vulgo denomina de “catinga”.

“O Manu é, ao mesmo tempo, a Inteligência (Manas, a Mente, o Pensamento, etc.), como Legislador e Guia de um Povo, Civilização, etc., e o Fecundador. Donde ser chamado de “Senhor da Vida e da Morte de seu Povo”. Como Inteligência (assim também o “homem vulgar”), representa o Mundo Divino; como Fecundador, o Mundo Terreno. Nesse caso, a Semente do Povo ou Raça por Ele dirigida.

“De facto, as células cerebrais representam aquilo que o homem possui de imortal. As células sexuais, o que o mesmo possui de mortal. O abuso das segundas prejudica as primeiras. Donde o termo “mentecapto” (ou mens-capta) que se dá, por exemplo, aos que praticam e abusam do “vício solitário”. De semelhante “vício” resultam outras moléstias, dentre elas a epilepsia, senão, a disfunção de todo o sistema nervoso, prejudicando os demais sistemas.

“Os aparelhos genitais masculino e feminino são “congruentes”. Eles obedecem ao mesmo plano básico, concordância essa que persiste mesmo depois de recebido o selo do sexo. Apenas as condições se invertem: o aparelho masculino tem a forma positivamente saliente, enquanto o feminino é negativamente escavado, comportando-se os dois como a forma e o modelo, neles preparados, a chave e a fechadura.

“Nesse caso, “o homem dá, a mulher recebe”. As glândulas genitais são semelhantes na forma e no tamanho; as do homem chamam-se testículos, e as da mulher, ovários. As células sexuais do homem chamam-se espermatozoides, e as da mulher, óvulos. O canal que parte das glândulas genitais chama-se conduto seminal, no homem, e trompa na mulher. Os dois canais de cada pessoa encontram-se na linha mediana onde formam um órgão oco, em que as células sexuais fazem uma paragem antes de serem expulsas do corpo. Esse órgão chama-se próstata, no homem, e útero na mulher. O canal de saída das células sexuais permanece dentro do corpo da mulher, enquanto no homem ele se abula num “ferrão de postura”. Na mulher, que deve receber esse “ferrão”, o canal oco é largo e de paredes delgadas, sendo essa porção denominada vagina. No homem, o canal continua estreito e de paredes grossas, formando o (maciço) pénis (ou membro viril).

“Com outras palavras, o homem é masculino externamente e feminino internamente. A mulher obedece ao mesmo princípio, de acordo com o seu sexo: feminina externamente e masculina internamente. Donde o “tratamento cruzado”, que a medicina actual faz uso em casos de desequilíbrios das funções sexuais, principalmente no período da menopausa (na mulher, e andropausa no homem). O que em um deveria ser mais, passa a ser menos, e no outro, o menos a mais.

“E como o homem possui nove orifícios (dois olhos, dois ouvidos, duas narinas, boca, ânus e uretra), a mulher possui dez, que são os mesmos, e mais o seu próprio. Nesse órgão, pois, existem dois orifícios, quando no homem ele é apenas um. Se somarmos esses dois números, isto é, 9 com 10, teremos a soma 19, que no Tarot é o Arcano de “O Sol”, melhor dito, dos Gémeos ou Hermafrodita Divino.”

Hermafroditismo (aqui não devendo ser confundido com a doença desse nome) é o destino último do Homem, quando as células sexuais masculinas (Hermes – Mercúrio) e femininas (Afrodite – Vénus) se fundirem num só princípio equilibrante auto-gerador, como acontece já com o Adepto Perfeito (representado no Arcano 9 do Tarot, “O Ermitão”), assinalado precisamente no Andrógino, isto é, em grego Andros Gyney ou Angôs Jina, o “Génio vencedor do Sexo”, das cadeias ou grilhões do mesmo após ter cumprido a sua função natural.

Bem se sabe que as polaridades sexuais do Homem-Mulher constituem um antagonismo complementar entre si, qual “Sol e Lua, Positivo (+) e Negativo (–), Activo e Passivo, Fohat e Kundalini”, etc., o que se regista nos veículos de manifestação da Consciência:

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Quando se diz que a mulher possui um “sexto sentido” que o homem não tem, ou seja, a Intuição, isso só está correcto ao nível da personalidade humana, pois que na mulher, ao contrário do homem, o princípio Emocional é positivo, activo, e consequentemente receptivo ao influxo do seu aspecto superior: Budhi, a mesma Intuição. No nível da individualidade espiritual, ambas as paridades sexuais estão em pé de igualdade, só a positividade existe. Quanto à Mónada, não é positiva nem negativa, antes, neutra, visto ser o Princípio Único que, ciclicamente de acordo com o determinismo “fatal” da Lei do Karma e Reencarnação, por fenómeno de cissiparidade gera de si dois princípios iguais, que ao manifestarem-se no Mundo das Formas tornam-se desiguais fazendo-se macho e fêmea, como resultado da mesma Lei a que a Mónada está sujeita. Essa desigualdade sexual só acontece do Plano Mental para “baixo”, pois que em “cima” há o Andrógino alado, isto é, o Adepto Perfeito com as duas polaridades sexuais perfeitamente equilibradas, integradas uma na outra. Já como Mónada é puramente assexual, é participe da Substância Única além de tudo quanto seja formal ou informal.

Isso leva-me também àquela questão já popularizada e, reconheça-se, muitíssimo alterada, dos Gémeos Espirituais (em sânscrito, Deva-Pis). Sendo a mesma Mónada Divina bipartida de um Luzeiro ao início de uma Ronda, a verdade é que as duas partes só se integram uma na outra no final da evolução da mesma Ronda, a qual percorreram triunfalmente aglomerando experiências, resultando em maior consciência, ora em vidas esparsas ou separadas uma da outra, ora em vidas integrais ou juntas. No final dá-se a reintegração na mesma Divina Essência Monádica do Luzeiro que assim pôde manifestar-se no Mundo das Formas, por razões de alta transcendência decerto se ligando à marcha avante do todo o Sistema de Evolução Universal. Foi assim com Henrique – Helena, Lorenzo – Lorenza, Krishna – Krishnaya, Gotama – Mayadevi, Jesus – Maria, etc. Essas são as verdadeiras Almas Gémeas ou Gémeos Espirituais, raras, muitíssimo raras para as abundantes almas simpáticas ou afins pelos laços misteriosos da Lei do Karma e Reencarnação. Algumas, pela intensidade do seu amor e paixão nados e aumentados por vidas consecutivas em conjunto, e por seu protagonismo na História, ficaram assinaladas em tragédias que universalmente se contam: seja a de Tristão e Isolda, seja a de Romeu e Julieta, seja a de Pedro e Inês…

Sobre este assunto das Almas Gémeas, tive oportunidade de dizer o seguinte em uma carta privada enviada para São Paulo, Brasil, em Janeiro de 2010: “No seu Livro das Vidas, datado de 1933, o Professor Henrique José de Souza fala de “Vidas esparsas” e “Vidas integrais”. As primeiras – comuns à generalidade da Humanidade – são quando os Gémeos Espirituais se manifestam em separado, só encarnando um aspecto (e mesmo que acaso encarnem os dois simultaneamente eles não se encontrarão fisicamente por ditame da Lei), e então esse aspecto fará “avatara de si mesmo”, ou seja, recorrendo à sua própria parte masculina ou feminina interior, compensando assim a ausência da respectiva contraparte exteriorizada. Por exemplo, quando o padre José de Anchieta escrevia nas areias douradas da Ilha de Itaparica poemas de louvor a Maria, a Mãe Divina, evocando-A constantemente, de facto era ao aspecto feminino da sua Alma que ele se dirigia, assim compensando a dita ausência.

Vidas esparsas são ainda, repito, as da Humanidade comum onde, por almas afins (simpáticas ou antipáticas) aos poucos se vão acercando, através dos misteriosos laços do Karma, das Vidas integrais, após passarem por Vidas kármicas, onde duas Almas afins pelos elos poderosos da Paixão muitas vezes acabam em tragédias passionais de que conta a História… Vida integral é quando os Gémeos Espirituais se manifestam juntos… unidos pelos laços sublimes do Amor.

“Pois bem, no início da Evolução Humana nesta 4.ª Ronda a Mónada bifurcou-se em dois aspectos, masculino (exteriorizado, activo, “solar”, Kartri) e feminino (interiorizado, passivo, “lunar”, Shakti), indo um dar ao outro o que ambos necessitam para a sua evolução. É assim que a mesma Mónada age em duas personalidades distintas pelo sexo, e é assim que ora a parte masculina faz encarnações femininas, ora a parte feminina faz encarnações masculinas, uma e outra compensando-se de quanto necessitam para a sua evolução ao longo da Ronda. Se a sua evolução for célere, mercê dos seus próprios esforços, a meio da Ronda – portanto, 4.ª Raça-Mãe, que é sempre a Libra ou equilibrante entre as 3 anteriores e as 3 posteriores – essa Alma Gémea em separado encontra-se e torna-se uma Vida integral, mesmo sendo Andrógino em separado (Adam-Heve, isto é, “Adão-Eva”), até que no final da Ronda os dois aspectos da mesma Mónada fundem-se em um só nela mesma e então torna-se Andrógino Integral (Adam-Kadmon, isto é, o Andrógino Celeste do Segundo Trono, Logos ou Mundo). Pois bem, sabemos ter sido a partir da 4.ª Raça-Mãe Atlante que os Gémeos Espirituais da Obra do Eterno na Face da Terra iniciaram a sua evolução física em conjunto, ou seja, encontraram-se fisicamente pela primeira vez, como Mu-Ka  e Mu-Ísis. Depois, ao início da 5.ª Raça-Mãe Ariana, eles agiram em separado, ora no Egipto como Ptah, ora na Índia como Upasika. Essa vida em separado, mercê do Karma da Tragédia Atlante, veio a ser em conjunto como Kunaton e Nefertiti. Outras vidas juntas e separadas (necessárias para aglutinar consciência através da experiência) se seguiram, nas quais assumiram as mais variadas roupagens, as mais diversas “máscaras”, desde santos e heróis a aventureiros e vilões…

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“Quem projecta a Onda de Vida Monádica no Plano da Manifestação? O Absoluto, o Eterno, Deus, Oitava Essência como Substância Cósmica assinalada no espiritual Sol Central do Universo. Como o faz? Através das Suas Três Hipóstases ou “Pessoas”: Pai – Consciência; Mãe – Vida; Filho – Energia. Que sobressai dessas Três Hipóstases ou Princípios? A Forma, a Manifestação, a Mónada manifestada do Plano do Absoluto Ilimitado no Plano do Ser Limitado. Como acontece essa manifestação e através de que núcleos ou “seteiras na fortaleza do Infinito”, parafraseando o Dhyani-Kumara Mikael?

“Pois bem, a Consciência do Pai manifesta-se através de Orion e deste pela Ursa Maior (Rishis), dotando a Mónada de princípio masculino; a Vida da Mãe exterioriza-se pelo Cruzeiro do Sul agindo pelas Plêiades (Krittikas), dotando a Mónada de princípio feminino. Por fim, a Energia do Filho actua por Sirius sobre a Terra (Bhumi), encausando os princípios masculino-feminino da Mónada que se torna Andrógina, por ser partícipe directa da Substância Absoluta que é o Eterno. Por isso as Escrituras Sagradas consideram a Mónada como “Chispa da  Grande Chama”… Só quando a Mónada passa a agir no Plano Físico Cósmico é que ela se biparte ao início de cada Ronda ou Período da Evolução Universal, pelas razões já descritas.

“Por outro lado, mais abrangente, uma Onda de Vida Monádica é dirigida por 1 Kumara ou Planetário de Ronda vibrando sob determinada Tónica, Linha ou Raio de Consciência-Vida-Energia do Logos Planetário (Dhyan-Choan, Ishvara, Luzeiro ou Espírito de Cadeia, que é a “Individualidade” agindo pela “Personalidade” que é o respectivo Planetário), e essa mesma Tónica é séptula por conter as restantes 6 Tónicas e mais ela própria. Cada uma das primeiras Mónadas das 7 Tónicas é a que logicamente está mais próxima do Planetário, e isso significa que quando essas 7 Mónadas se manifestam acabam evoluindo mais rapidamente que as demais, por estarem sob a direcção directa do Kumara que as norteia. Isso significa que quando se tornam de Mónadas Virginais (Inconscientes, Imanentes, Jivas) em Mónadas Potenciais (Conscientes, Transcendentes, Jivatmãs) indo alcançar o Adeptado ou Vida-Consciência, Jivátmica na Matéria, passam a agir interligadas numa mesma Linha sob a direcção directa do Kumara seu Pai. E por serem Tulkus ou Aspectos uma das outras, são muito idênticas entre si, inclusive fisicamente. E é assim que aparecem os 7 São Germanos, os 7 Moryas, os 7 Serapis, etc.

“Desse modo, tem-se: 1.º Kumara = 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 Mónadas da 1.ª Linha. O mesmo para a 2.ª, para a 3.ª e assim sucessivamente. Por sua vez, cada Mónada manifestada orienta 7 Mónadas de evolução menor mas próximas numérica e vibratoriamente a ela, as quais também irão conquistar o Adeptado mais celeremente que as restantes. É assim que temos: 7 Mónadas Kumáricas x 7 Mónadas Jivátmicas = 49 Adeptos Perfeitos. Eis o excelso Corpus da Grande Fraternidade Branca.

“Por outro lado, quando se diz que São Germano, Morya, etc., são o próprio Kumara, a explicação está no que ficou descrito acima; sim, a 8.ª Mónada ou Kumara é que é São Germano, no caso, Ardha-Narisha, o “Andrógino Perfeito”,  “O que está no Meio da Riqueza”… do Segundo Logos, do Cristo Cósmico. Sim, porque se a Mãe está em cima Ela se projecta em baixo, inverso com o Filho, e por isso se diz que o Espírito Santo é Andrógino, é Mãe-Filho e Filho-Mãe juntos… na Omnipotência do Pai.

“Voto ter sido claro o suficiente para que não mais se “confunda a nuvem por Juno”, no caso, almas afins pela Lei da do Karma gerado por elas mesmas com Almas Gémeas, que são estados de supraconsciência afins aos Adeptos, Super-Homens, Homens Perfeitos, Mahatmas, Jivamuktas, Jivatmãs, etc., mais difíceis de encontrar que uma agulha num palheiro…. E quem diz 49 Homens Perfeitos (“Lagartas da Vida”), diz 49 Adeptas Perfeitas (“Flores da Maternidade”), as suas Shaktis ou divinas Contrapartes – Mães físicas e Irmãs espirituais – pelas razões já apontadas, adiantando agora que quanto mais encarnações houverem num mesmo sexo depois do despertar da Consciência é sinal certo de evolução, segundo JHS, determinando a formação de futuros Adeptos e Adeptas.”

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Antes de adiantar alguma coisa mais, é meu dever alertar o respeitável leitor para o facto da existência e postulado de certas «yogas sexuais», ditas «tântricas» mais parecendo tétricas, praticadas em certos círculos, serem um verdadeiro atropelo à Lei de Evolução da Humanidade, com consequências psicossomáticas negativas não raro irreversíveis. É meu dever, também, alertar os discípulos desta Obra Divina na Face da Terra, lembrando-lhes os acontecimentos funestos ocorridos no Tibete entre os anos 900 e 985 da nossa Era, os quais redundaram em tragédia cujo eco ainda hoje se faz ouvir, e tudo por causa de Yogas francamente espirituais pervertidas em práticas as mais pornográficas, apesar de encapotadas ou travestidas de espiritualidade… só aparente. Portanto, muito, muitíssimo cuidado na abordagem a este assunto que é, realmente, dos mais importantes à evolução do Homem. Deve-se-lhe dar a importância que tem só no seu espaço próprio e não o extravasar a outros panoramas diferentes, senão cai-se na malha, maya ou mania psicanalítica de ver sexo e pornografia por toda a parte, desde os Grandes Iluminados aos recém-nados, coisa que certos círculos aparentemente espiritualistas postulam – não passando do povo decaído no Tibete… em nova reencarnação, sempre atrás ou copiando os humanizados Makaras e Assuras, antigos “discípulos dos Bhante-Jauls” (Irmãos de Pureza) os quais também caíram, aliás, foram os primeiros a cair por um Tentador disfarçado de Santo os ter levado à perdição causando essa tragédia. Creio que os Munindras mais adiantados da Obra do Eterno percebem claramente o que pretendo dizer.

A fonte da actividade cerebral e sexual reside no “Centro Vital” Raiz ou Sacro (Chakra Muladhara), que, sabe-se, está localizado na base da espinha dorsal, tendo por função fornecer aos órgãos genitais a energia sexual e ao sangue o calor corporal. O Muladhara é ainda a sede da misteriosa Força Criadora chamada Kundalini, a Energia Electromagnética subindo do Centro da Terra ao cóccix do Homem através dos poros do solo pelas palmas dos pés, ascendendo pelas pernas e localizando-se aí, envolta na glândula situada entre o ânus e o sexo.

Esse chakra (termo sânscrito significando “roda”, por rodar ou girar como um vórtice de energia que no corpo físico se congrega como plexo nevro-sanguíneo, associado a uma das sete glândulas principais) é animado por três correntes vitais ou prânicas de cores alaranjada, vermelha e púrpura. A recusa constante em ceder à natureza inferior, anímica ou “animal”, pode levar o homem a desviar as correntes destinadas aos órgãos genitais e dirigi-las para o cérebro, onde os seus elementos serão profundamente modificados. A corrente alaranjada se transformará em amarelo brilhante, passando a dinamizar as actividades intelectuais; a vermelha se tornará rósea, indo reforçar a afeição desinteressada e altruísta; finalmente, a púrpura se transformará em violeta suave activando a espiritualidade.

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A transmutação alquímica, natural e gradual, dessas forças liberta o homem dos desejos passionais e evita-lhe os grandes perigos a que está sujeito quando começa a despertar Kundalini (o Fogo Criador do Espírito Santo, tanto valendo por Mãe Divina ou Maha-Shakti, que de Virgem Negra ou oculta se faz Virgem Branca ou desvelada), ainda que a sublimação dessas energias só se faça com proveito quando o homem é suficientemente senhor do poder de manejá-las. Reitero: não se trata de anular uma função natural mas de a saber dominar, assim dominando as correntes vitais do Chakra Raiz destinadas às funções criadoras. Pelo poder da nossa vontade elas irão, quando disso houver necessidade, auxiliar aquelas que nos mundos superiores têm funções idênticas.

Acerca-se o final deste estudo sobre a problemática do sexo, sem dúvida crucial para todo o homem e particularmente para o discípulo, pois a sua importância é geralmente subestimada por todo o tipo de correntes de ideias, donde resulta o recalcamento psicológico em que se debate a maioria da Humanidade. Desfecho, pois, com palavras preciosas da obra já citada do preclaro Dr. Mário Roso de Luna, 7.º Filho Espiritual de JHS e Membro n.º 7 da Sociedade Teosófica Brasileira, volvendo assim ao início deste trabalho e à questão do Referendo Nacional sobre a “lei do aborto”:

O estado de civilização de um povo e a sua cultura, não se mede por nada melhor do que pela altura moral e intelectual das suas mulheres, e também pelo modo como as consideram os homens.

O homem faz a mulher, e a mulher, o homem. Diz-me a quem amas e como amas, e dir-te-ei quem és.

O problema dos clericalismos, falsos misticismos, frivolidades e egoísmos femininos, não é senão o justo karma ou retribuição da falta de convivência dos dois sexos, no mais perfeito pé de igualdade.

Se admitíssemos o cristianíssimo acerto de “A Sonata de Kreutzer”, de Tolstoi, segundo o qual os deveres de fidelidade são idênticos tanto para o homem como para a mulher, mudaríamos por completo as bases caducas da nossa sociedade actual. Têm a palavra, neste assunto, os biólogos e os moralistas. Entretanto, as grandezas da monogamia e do lar tradicional, sancionadas no primitivo Código do Manu, ou “Manava-Dharma-Shastra”, parecem constituir o mais alto ideal humano.

Como a chave sexual é a mais inferior do Mistério que nos rodeia, tudo o que se refere a sexo tem sempre alguma coisa de iniciação. Mas a Natureza não conhece senão dois métodos para nos iniciar: o evolutivo e o revolucionário; o fisiológico e o patológico. Por isto, as maiores vítimas no proceloso mar do sexo costumam ser as que receberam a influência letal, antes e depois da puberdade, das doutrinas dos que crêem resolver o problema do sexo estendendo-lhe, como disse Freud, um véu de mistério, que o faz precisamente mais sedutor e apetitoso. Não. Ao menino e à menina, desde a mais tenra idade, não se deve mentir em nada. O educador cumpre a sua missão ao dar-lhes sempre a verdade seca, mas suavemente, sempre sem enfeites nem incentivos, na certeza de que as verdades sexuais em mentes ainda não preparadas resvalam como a água pela rocha.

O Amor é o Desconhecido. Por isto a Divindade, que é o Supremo Amor, é também o Supremo Incognoscível… Bendito seja, pois, tudo quanto restitua ao sexo os seus legítimos foros, e maldito tudo quanto o afaste, sob qualquer pretexto, da senda natural para ele traçada, e que é tão oposta como o amor o pode ser do ódio!

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