anjos túmulo

Sintra – São Lourenço, Páscoa de 2010

Na Biblioteca do Mundo de Duat está depositado um pequeno livro com cerca de 130 páginas, pouco ilustrado mas em forma de diálogo ilustrativo, escrito, salvo erro, por Mr. Thomas Vaughan, o Adepto Filaletus (1622-66). Na sua capa de fundo amarelo claro, onde se vêem duas colunas egípcias ladeando um túmulo encimado por uma ave parecida à íbis, lê-se o título: Ritual do Funeral de Salomão, e o subtítulo na primeira página: Exéquias Fúnebres do Rei Salomão. Composto por 13 curtos capítulos, lê-se o seguinte na página 24 do capítulo 3, na sequência do cortejo fúnebre e deposição do féretro de Salomão no seu jazigo: “Profundo é o túmulo do rei Salomão [Schlomô] elevado pelos Anjos [Malachim] por sobre o alto de Moriah. Os Santos [Kadosh] o contemplam e guardam cientes, no sacrifício puro cantam Louvores [Tehilim] para memória da prole futura”.

Além do seu sentido iniciático, profundamente espiritual, o “túmulo profundo do rei Salomão” é igualmente alusão ao fundo do vale, autêntica bouça, onde jaz esse sepulcro num templo subterrâneo na área geográfica de Jerusalém, apontado como próximo do Monte Moriah. Esta revelação inédita, até hoje completamente desconhecida do mundo inteiro, a começar pelo religioso e espiritualista, é feita inspirada na visão daquele outro Túmulo de JHS plantado no centro do cemitério de São Lourenço, Sul de Minas Gerais, Brasil, portanto, no Grande Ocidente.

Esse jazigo tumular do Venerável Mestre JHS, na sua última vida terrena portando o nome Henrique José de Souza (Salvador, 15.9.1883 – São Paulo, 9.9.1963), conhecido como o Adepto El Rike entre os seus pares da Grande Loja Branca, dizia, esse túmulo compõe-se da seguinte forma: sobre os dois gavetões onde repousam os restos mortais do Professor Henrique e da sua esposa, D. Helena Jefferson de Souza (Pontalete, 13.8.1906 – São Lourenço, 31.7.2000), estão as estátuas pétreas de dois Anjos erectos, cada um com a destra armada de espada tributária (representando os Querubins, Matradevas, Senhores da Sabedoria = 2.º Trono, Seio do Céu, Logos), postados nos lados extremos dianteiros do túmulo. Aos pés, de costas para aqueles, também nos lados extremos, erguem-se duas outras estátuas pétreas de Anjos reverentes com as destras espalmadas no peito (assinalando os Serafins, Manasaputras, Senhores do Amor = 3.º Trono, Seio da Terra, Planetário). No centro, ergue-se um obelisco pontiagudo – expressivo de Ziat, Cruziat ou o Cruzeiro do Sul, o “Sul Sidéreo da Iniciação”, no dizer de Fernando Pessoa em A Mensagem, como Morada Celestial da Mãe Divina Allamirah, os “Olhos do Céu” – tendo na dianteira uma lápide metálica onde se lê:

“A SOCIEDADE TEOSÓFICA BRASILEIRA mandou erigir este Monumento aos seus dois Dirigentes, o Professor HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA e HELENA JEFFERSON DE SOUZA, sua esposa e companheira de Missão, assim como aos seus quatro herdeiros directos. Tal homenagem é o fruto do muito que ambos fizeram por todos aqueles que fielmente os acompanharam em tão elevada Missão, do mesmo modo que por esta cidade, o mesmo fazendo pelo Brasil, pelo Mundo inteiro.”

Na traseira do obelisco, dentro dum quadrado cavado no mesmo, inscreve-se em metal a configuração geométrica seguinte: um círculo envolvendo um triângulo dentro do qual se descreve outro círculo menor com um pequeno ponto ou esfera ao centro. Trata-se do símbolo indicativo do Logos ou Deus, como JHS deixou assinalado no seu Livro da Pedra.

O jazigo está no centro do cemitério e tem na dianteira o número 302. Em volta dele estão as sepulturas de grande número dos antigos membros da Sociedade Teosófica Brasileira, que em seu tempo a nobilitaram por palavras e acções.

Na sua Série Munindra, Sebastião Vieira Vidal deixou escrito: “O Túmulo de JHS, cuja planta foi desenhada por Ele em vida, possui quatro Devas e um Obelisco no centro. Nesse Túmulo, em São Lourenço, há uma perfeita expressão do Segundo Trono, da constelação do Cruzeiro do Sul. O nosso caro Senhor determinou isso em vida, para demonstrar aos seus discípulos e ao mundo a existência, a vivência da REALEZA DO SEGUNDO TRONO NA TERRA”.

túmulo jhs

Na cidade sul mineira de São Lourenço há três Monumentos expressivos da Obra do Eterno na Face da Terra: o Templo de Maitreya, o Obelisco defronte ao mesmo na Praça da Vitória, e o Túmulo de JHS, no cemitério municipal. Além desses, há mais dois subjectivos ou ocultos: a Casa do Mekatulam, no Bairro Carioca, em São Lourenço Velho, e a Montanha Sagrada Moreb, como foi consignada pelo próprio Professor Henrique José de Souza.

Falando de Moreb e também de Ararat, entre os cananeus e hebreus havia a palavra har para denominar as elevações de terras, tal como se reconhece no orónimo Araés ou Har-Heres, que quer dizer “Monte do Sol” (Juízes, I: 35). Para designar o “Outeiro do Ocidente” ou “do Espírito Santo”, os cananeus dispunham da expressão Har-Abu que os hebreus encurtaram na variante Horeb, donde Moreb, também com a interpretação livre de “Montanha que Fala” para aquela Ararat, “Montanha que Ruge” ou “que vomita Fogo”, igualmente em interpretação livre, enquadrando-se nos sentidos primaciais de Fohat e Akbel, como “Anjo da Fala ou da Sabedoria” (Deva-Vani, em sânscrito), que está para Moreb, e de Kundalini e Arabel, como “Deus da Ara do Fogo Sagrado”, que está para Ararat.

Consequentemente, relacionados à Obra do Eterno em São Lourenço há 5 Monumentos cujo valor é igual ao do número do túmulo: 302 = 3+2 = 5, expressivo do Quinto Luzeiro Arabel que é quem conduz através da sua Corte, que tem à cabeça Rabi-Muni, o Chefe dos Munis guardiões das Montanhas Sagradas, as almas salvas de um Mundo a outro. Com efeito, a passagem à Imortalidade de JHS, como corpo físico do Sexto Luzeiro Akbel, acolhe intimamente tanto Arabel como Rabi-Muni em quem ele fez avatara, ou seja, a sua Essência Divina alojou-se na Veste Flogística ou Etérica desse último em São Lourenço, e após dirigiu-se de retorno à “Casa do Pai”, à Agharta mesma através do Retiro Privado do Quinto Senhor no Roncador, Mato Grosso.

Acerca dos Munis e a sua origem relacionada aos Matra-Devas e aos Manasaputras, deve contextualizar-se as mesmas afins às Cadeias Planetárias e as suas respectivas Hierarquias Criadoras. Assim, tem-se:

Cadeia de Saturno – 777 Matra-Devas de 1.ª Classe – As “Medidas de Deus” – Vestes dos Leões de Fogo dirigindo os Assuras.

Cadeia Solar – 777 Matra-Devas de 2.ª Classe – Os “Fachos de Fogo” – Vestes dos Olhos e Ouvidos Alerta dirigindo os Agnisvattas.

Cadeia Lunar – 777 Matra-Devas de 3.ª Classe – Os “Munis” – Vestes dos Virgens da Vida dirigindo os Barishads.

Cadeia Terrestre – 777 Manasaputras – Os “Filhos da Mente Universal” – Vestes dos Jivatmãs dirigindo os Jivas.

Com efeito, na longínqua Raça Lemuriana quando o Homem apareceu pela primeira vez fisicamente, apesar de mais antropoide que propriamente humano, os 7 Kumaras Primordiais da Hierarquia Assura criou cada um deles 7 Manasaputras (logo, 7×7 = 49) ou “Filhos da Mente Universal” (Mahat) pelo Poder de Kriya-Shakti, destinando-os a Vestes Flogísticas de 49 Makaras da mesma Hierarquia, os quais viriam a constituir os principais 49 Mahatmas ou Adeptos Independentes na liderança da Grande Loja Branca, cujos caboucos foram lançados a terreno nesse período distante. Coube aos Kumaras agir sobre a Mente do Homem incipiente, o Jiva, e aos Makaras actuar sobre a separação do Sexo do mesmo, terminando assim o Hermafroditismo primitivo que caracterizou a 2.ª Raça-Mãe. Desses 49 Makaras surgiria depois, mercê dos seus próprios esforços ao longo das Idades, um número vultuoso de Jivatmãs ou Mahatmãs saídos das fileiras humanas, perfazendo o número de 777. Por sua vez, 1 Manasaputra age em simultâneo por 7 Mahatmas de determinada Linha que assim adquire características próprias, e por seu turno 1 Mahatma manifesta-se através de 7 Arhats. Assim, tem-se: 1 Kumara = 7 Manasaputras; 1 Manasaputra = 7 Mahatmas; 1 Mahatma = 7 Arhats. Por conseguinte, 7 + 7 + 7 = 777 Membros da Grande Loja Branca. Assim revelou o Venerável Mestre JHS.

Kumaras e Manasaputas

Devo informar que todos os verdadeiros Iniciados ou Filhos do Avatara, Nosso Senhor o Cristo ou Maitreya, por norma (salvo as devidas excepções, decerto por motivos kármicos) desencarnam às 3 horas da madrugada, às 12 horas da noite ou do dia, ou às 15 horas da tarde. Tanto assim é que foi às 15 horas da tarde que Jesus expirou no Calvário, segundo as Escrituras, e o próprio Mestre JHS em 9 de Setembro de 1963, no quarto 209 do Hospital São Lucas (o Apóstolo Mariano), em São Paulo, apesar de ter desencarnado às 2:45 horas da madrugada, foi realmente às 3 horas que fez o seu avatara em Rabi-Muni, no Monte Moreb em São Lourenço, seguindo daí para o Monte Ararat no Roncador, e após para a 7.ª Cidade de Pushkara em Agharta, onde foi recebido aos acordes e cânticos apoteóticos do Ladack-Sherim pelo Povos das 7 Cidades Aghartinas. Já antes, em 12 de Agosto de 1963, houvera a Bênção de Agharta a toda a Terra, conforme as palavras do próprio JHS: “Às 3.00 horas da manhã, a AGHARTA ABENÇOOU O MUNDO”! E adiantou: “Ainda que o peso da Cruz da Terra continue o mesmo, a Salvação acontecerá se cada um, através dos Ensinamentos, se transformar. Quem souber colocar a sua inteligência ao lado do coração, alcançará na Terra as maiores alturas, o poderio”.

O Mestre JHS adoecera irrecuperavelmente em São Lourenço, em 12 de Julho de 1963. Menos de uma semana depois é levado para o hospital paulista, tendo sido o digníssimo Hilário Ferreira, amigo que recordo com saudade, português naturalizado brasileiro, quem pegou ao colo o Mestre desfalecido e levou-o da Vila Helena à viatura que o levaria para sempre. No regresso de São Paulo dos restos mortais do Venerável Mestre, ainda no mesmo dia da sua morte, o cortejo fúnebre quando passou diante da igreja matriz de São Lourenço os altifalantes dessa ressoaram o Hino Nacional do Brasil, em homenagem ao filho da Terra Pátria partido para a Eternidade. Foi uma homenagem repentina – ninguém a esperava da parte da Igreja católica – muito comovente e mais que merecida Àquele que sempre primara, como mente de escol, o respeito e a concórdia entre todas as religiões e movimentos espirituais, o que deixou consignado como Frente Única Espiritualista.

No Templo de Maitreya, estando presentes a viúva D. Helena Jefferson de Souza e os quatro filhos do seu casamento com o Professor, a Guarda de Honra do Santo Graal postou-se em volta da urna aberta, ficando junto à sua cabeceira o meu digníssimo amigo e Irmão Roberto Lucíola, envergando a capa de Goro que instantes antes Sebastião Vieira Vidal lhe impusera a sua. Após as exéquias fúnebres do novel Salomão do Grande Ocidente, o cortejo fúnebre saiu do Templo e foi depositar a urna com o féretro de Henrique José de Souza no seu jazigo, no cemitério de São Lourenço.

O cemitério, Kam ou Cham-Ther, em aghartino, é a “Terra Astral” reflectindo esse outro Mundo Astral ou Jina como 4.ª Dimensão, o próprio Mundo de Duat. É a “Embocadura” objectiva para o mesmo. Ainda hoje inúmeras almas humanas ou terrenas, francamente Jivas, cujos corpos foram aí sepultados, aglomeram-se de joelhos suplicantes em torno da Luz irradiando do Túmulo de JHS, defendido por Anjos que de palma e espada cercam em guarda perpétua o mesmo, não permitindo que cheguem próximo dele. Rezam, imploram, choram e muitas, tocadas de verdadeiro arrependimento e perdão, elevam-se como estrelas luminosas nas asas dos Anjos à Luz de Deus.

O arrependimento traz a caridade, a caridade é sempre amor, e o amor maior vem com o perdão, seu e do semelhante. O espectáculo astral dessas almas que rogam e dos Anjos que acolhem é dos mais sublimes e tocantes. Por sobre o Túmulo de JHS, a Estrela do Divino brilha sem cessar na cintilância etérea do firmamento.

Juro, Senhor, não mais pecar.

Hora esta de Verdade sem par

Sou todo vosso, só vos posso implorar…

*

Herdo o vosso perdão

Junto ao vosso temor.

Senhor, acolhei-me, por amor.

Rogo evocativo de Ressurreição espiritual como assinala o Salmo 129 (“Dos profundos abismos eu clamei por meu Senhor…” – De profundis clamavit Domine meus), como aquele proferido pelo sacerdote na abertura do Ritual de Encaminhamento (da Alma desencarnada):

“Em Nome do Divino Theotrim, a Glória da Ressurreição seja clamada pelas Três Excelsas Trombetas do Eterno – Akbel no Pai! Ashim no Filho! Beloi na Mãe! Ave Espírito Santo, Ave Allamirah, Mãe Boníssima de todas as criaturas na Vida e na Morte – Misericórdia, Protecção, Salvação, Elevação, Glória, Ressurreição!”

A que se junta o rogo dos presentes no evoco sentido:

“Yama! Yama! Yama! Conduz que esta Alma generosa e boa para o Tabernáculo dos Deuses, no Glorioso Mundo de Duat! Bijã.”

E por sobre o Altar sagrado ascende aos páramos da Eternidade a Alma assim se evolando, qual estrela cintilante recoberta de promessas e esperanças, amparada por dois Anjos do Céu.

Esses Anjos são os Munis, Guardiões das Montanhas Sagradas, que quando se manifestam ficam nos seus vácuos luzes brancas em forma de trilhas no céu.

O cemitério de São Lourenço está junto à Montanha Sagrada Moreb, nesta onde se localiza a Embocadura bem física para o Mundo Jina dos Sedotes ou Badagas, assim mesmo guardada por cascavéis implacáveis abrigadas debaixo da “maya” de rochedo enorme que veda a entrada. Tem-se assim o Templo-Túmulo, ou montanha e cemitério, como outrora acontecia nesse outro Templo-Túmulo da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro.

Isso leva-me a citar o trecho seguinte da Série Novo Pramantha a Luzir, de Sebastião Vieira Vidal: “E os 4 Devas [Anjos] estão sobre o Túmulo do Mestre, indicando o Futuro da Obra, indicando a objectivação do subjectivo. A Montanha: o Passado; os Devas: o Futuro. Pois bem, a Montanha, as Pedras simbolizando o marco inicial da Obra, o dia da sua fundação espiritual (28.9.1921), e os Devas do Túmulo expressando o dia 28.9.2005, a partir do qual Maitreya irá firmar-se na Face da Terra”.

A Montanha é expressa pela frase aghartina Tao-Ting-Tang, precisamente significando “O Caminho para o Seio da Montanha” percorrido pelas Almas humanas, mas não terrenas, dos preclaros membros da Família Espiritual JHS que se tenham integrado às suas Vestes Imortais ou Manasaputras, vibrando no Seio da Terra nos 7 Tons de Shamballah que são as 7 Cidades de Agharta.

Os Anjos representam-se na frase aghartina Ata-Dharma-Meru, expressando o Segundo Logos ou Mundo Intermediário, “O Lugar onde a Montanha da Lei possui o seu ápice”, de onde descem os Matra-Devas a avatarizarem os verdadeiros Munindras já em suas Vestes Imortais. É o Céu beijando a Terra feliz no canteiro florido da Corte de Akbel.

Chegado aqui, é legítimo que alguém questione: serão todos os afiliados da Instituição de JHS verdadeiros Munindras do quilate referido? É justa a pergunta, e mais justa será a resposta do próprio Fundador, Henrique José de Souza, em palavras bem actuais, apesar de escritas em 28.8.1954, respigadas do seu Livro do Perfeito Equilíbrio:

“Um fenómeno, entretanto, deve ser aqui apontado: o das quatro espécies de seres que deram entrada na Obra:

“1.ª) Os que só desejavam fenómenos, interesses pessoais, portanto. E assim, mal entravam já estavam de costas para a Obra.

“2.ª) Os místico-devocionais, ou dessas tendências perdulárias procedentes de encarnações sempre embrionárias, isto é, sem tomarem a forma por Lei exigida. Se ficaram mais tempo na Obra, posteriormente ao verem a exigência do Mental ou Sabedoria preferiram Instituições daquela natureza, mesmo que todas elas com falsas encenações tomadas por verdadeiras. Inúmeras delas querendo imitar a nossa Obra, a nossa Instituição, e, portanto, destruídas pelo tempo, sendo que, as continuadoras, são francamente exploradoras da credulidade dessa mesma espécie de gente. A Igreja a tem aos milhares pelo facto de serem da referida espécie, isto é, místico-devocionais, ou dos adeptos do “menor esforço”. Vão à missa aos domingos, confessam, comungam… e com isso estão salvos. Na mesma razão, os chamados erroneamente espíritas, quando são francamente “anímicos” ou relacionados com a alma, corpo emocional, e portanto atraídos para os fenómenos emocionais ou psíquicos, anímicos, etc. Na sua maioria, com tendências psicopáticas. No hospício nacional de alienados e noutros sanatórios dessa natureza, encontram-se aos milhares. Quase todos se dizem “perseguidos”… quase todos possuem manias esquizofrénicas e das demais séries psiquiátricas.

“Da Obra saíram inclusive, repito, epilépticos, um deles, da própria Ordem do Graal, sugestionado pela indumentária, as lanças e demais objectos… Assim como os devocionais da Igreja que se consolam em andar de opa, tocha e carregar o andor de uma imagem qualquer, contando que façam parte do cortejo imaginário, justamente por ser formado de imagens em vez de realidades positivas expressas pelo Mental ou Inteligência. Na segunda parte, pois, da nossa Obra – como na de Jesus, etc. – dezenas deles se afastaram, quando eu mesmo anunciei que, de tal época em diante, “estavam acabados os fenómenos”.

“3.ª) Os puramente místicos, com um pouco de inteligência. Estes, por lhes predominar a BONDADE, foram ficando, e assim… até hoje connosco se acham, logo, pois, de acordo com o velho brocardo de “água mole em pedra dura tanto dá até que fura”, equivalente ao GUTA CAVAT LAPIDEM, “a gota acaba por cavar a pedra”. Muito mais por tal pedra não fazer resistência, e sim já trazer o molde que lhe imprimiram diversas encarnações ao nosso lado, acabaram por se equilibrar com a 4.ª classe, que é a dos com alguma ou bastante inteligência. Estes aceitaram logo de entrada, como se diz, porque ensinamentos de tão alta transcendência não se inventam. Muito menos, as dores que a própria Obra tem trazido até hoje aos seus dois Dirigentes. Em psicanálise, tanto bastaria para um veredictum altamente sábio… O número dessas 4 classes faria pendant com os 4 graus do Budismo, embora que aí não figurem traidores e perjuros, por ser a única religião que mais defende as duas Leis da Reencarnação e do Karma. Do mesmo modo que com os 4 Senhores da Evolução Humana: Manu – Yama – Karma – Astaroth.

“Sim, é a essas duas últimas classes da Obra a quem mais a Lei deve, e consequentemente, os Gémeos Espirituais. Já foi dito, Makaras e Assuras, por possuírem profundas raízes que força alguma as pode extirpar ou aniquilar.”

Decerto por causa desse Karma da sua Instituição, imposto pelas duas primeiras classes referidas, já na época isso afligia tremendamente o Professor Henrique José de Souza, impondo-lhe um terrível sofrimento moral manifestado corporalmente como doenças psicossomáticas estranhas, intrigando a todos os médicos – karma patológico indirecto, sim, por não ter sido causado pelo próprio – e as quais acabaram atirando-o no túmulo, apesar de toda a protecção espiritual que o assistiu. Com efeito, não raro ele despertava subitamente a meio da noite e via à cabeceira e aos pés da cama Anjos protectores, isolando-o e à sua amada contraparte das influências nefastas do mundo externo. Dois Anjos à cabeceira como Querubins (“Senhores da Sabedoria”), e dois Anjos aos pés como Serafins (“Senhores do Amor”). São exactamente os mesmos representados no seu túmulo em São Lourenço, assim prolongando a protecção eterna.

Acerca das nocturnas envolvências protectoras da Guarda Angélica, o Professor Henrique José de Souza escreveu em 22.7.1950 no seu Livro da Pedra: “Outrora, nas ocasiões difíceis, dolorosas, etc., dois Querubins mantinham guarda à cabeceira. E dois Serafins faziam o mesmo aos pés da cama”. Isto em continuidade do que dissera antes, em 6.7.1950, no mesmo Livro: “O H, assumindo tal forma, é a cama ou LEITO onde dormem os Avataras. Sim, o estrado e a duas cabeceiras. Em cada uma destas, qual acontece aos Gémeos nas suas noites de vigília, dois Querubins à cabeceira e dois Serafins aos pés, também vigiam ou montam guarda ao Mistério. SERAFINS ou SEFIRAS, tanto vale. Deste nome precioso também nasceu o de SERAPIS”.

Os Querubins expressam o Mental e o Seio do Céu, consequentemente, os Anjos Luminosos Celestes ou Matra-Devas da Corte do Filho. Os Serafins representam o Coracional e o Seio da Terra, logo, os Anjos Flogísticos Terrestres ou Manasaputras da Corte da Mãe. Estes estão para o Terceiro Logos ou Espírito Santo representado pelos Senhores do Karma Planetário: Manu – Yama – Karuna – Astaroth. Aqueles estão para o Segundo Logos, o Cristo Universal (o Filho na Mãe), expressado pelos Senhores do Karma Cósmico: os quatro Maharajas.

Os restos mortais do excelso Casal nesse túmulo sanlourencianos representam na Morte o que viveram na Vida: o Andrógino Celeste, o Segundo Logos, resultado do Poder do Pai que junto à Actividade da Mãe geraram o Amor-Sabedoria do Filho.

O Segundo Logos tem a sua expressão sideral na constelação do Cruzeiro do Sul (Cruziat ou Ziat), que sendo planimetricamente quadrangular é, em projecção, piramidal. Por isso o Cruzeiro do Sul é realmente constituído de cinco estrelas principais, visto que além das quatro dispostas em quadrilátero, e que representam os quatro braços da cruz, tem outra ao centro, que assinala o vértice da pirâmide de base quadrangular. É daí que o Logos projecta para a Terra as cinco Forças universais que na mesma tomam a forma de cinco Elementos naturais: Éter – Ar – Fogo – Água – Terra, ficando o primeiro ao centro na quadrilateralidade do Globo, marcado assim pelo compasso quaternário pelo qual evolui.

Pois bem, o Túmulo-Obelisco dos Gémeos Espirituais Henrique – Helena, depostos frontalmente para o Templo de Maitreya, conforma-se canonicamente à quadrilateralidade da Terra, ficando o Brasil – São Lourenço – Túmulo e Templo no centro, sob a égide de Cruziat, logo, do Segundo Trono.

túmulo de JHS

No seu Livro Diário Estranho, datado de 1956, o Professor Henrique José de Souza desenhou e descreveu a planta do Obelisco que está defronte ao Templo de Maitreya, na Praça da Vitória, obra encetada e consumada pelo saudoso e digníssimo amigo Roberto Lucíola, por ser canteiro de profissão. Foi inaugurado em 24 de Junho de 1957. Nesse Livro o Professor associa o simbolismo do Obelisco e da Pirâmide ao Segundo Logos, já tendo dito anteriormente (14.6.1951) no seu Livro do Loto:

“No meu estudo de ontem, esqueci de apontar o mistério do quaternário e do septenário das Pirâmides, na sua própria estrutura ou conformação. Olhadas de frente, ou se uma fotografia for tirada desse modo, ver-se-á uma tríade, ou apenas uma das quatro faces da referida figura. No entanto, se multiplicarmos a face de cada triângulo da Pirâmide pelos quatro lados, obteremos o número doze, para darmos o significado: os Sete Astros, os Sete estados de Consciência, etc., mas também os Doze Seres das Três Hierarquias conhecidas: (4) MAHARAJAS, (4) KUMARAS, (4) LIPIKAS ou Senhores da Evolução Humana (12 Signos Zodiacais). Chamemo-los de Expressão Makárica do 2.º Trono em Baixo, acompanhando a Evolução da Terra que reclamou a objectivação, a humanização do Mistério contido no termo Adam-Kadmon (2.º Trono).”

De onde se tem:

MUNDO DA CAUSA (SHAMBALLAH)

MAHARAJAS: DRITARASTHRA (Balança) – VIRUDAKA (Escorpião) – VIRUPAKSHA (Sagitário) – VAISVARANA (Virgem)

*

MUNDO DA LEI (AGHARTA)

KUMARAS: DHYANANDA (Touro) – SANAT-SUJAT (Aquário) – SANATANA (Peixes) – SANAT (Capricórnio)

*

MUNDO DO EFEITO (DUAT)

LIPIKAS: MANU (Leão) – YAMA (Caranguejo) – KARUNA (Carneiro) – ASTAROTH (Gémeos)

Esses últimos representados por:

MUNDO DA COLHEITA (BADAGAS)

MAHATMAS: HILARIÃO (Mercúrio) – MORYA (Marte) – KUTHUMI (Lua) – SERAPIS (Sol)

*

MUNDO DA SEMEADURA (FACE DA TERRA)

MUNINDRAS: AUSTRÁLIA (Saturno – Ar) – PORTUGAL (Vénus – Éter) – ÍNDIA (Júpiter – Atómico) – EGIPTO (Mercúrio – Subatómico)

De onde a avatarização dos Munindras nas suas Vestes Imortais ser feita por intermédio dos Mahatmas que os assistem, na ordem seguinte:

MUNINDRAS (Marte) – Face da Terra (Tamas) = FILHO

MAHATMAS (Vénus) – Duat (Rajas) = MÃE

MANASAPUTRAS (Mercúrio) – Agharta (Satva) = PAI

Para finalmente constituírem o Homem Integral ou Perfeito:

SHAMBALLAH (Triguna) = THEOTRIM (Uno-Trino):

MATRADEVAS (Sol) – Vestes Luminosas Celestes

MANASAPUTRAS (Lua) – Vestes Flogísticas Terrestres

MUNINDRAS (Terra) – Vestes Eleitas Humanas

Os Mahatmas ou Excelsos Seres Representativos da Grande Loja Branca são quem estabelece a ligação das Almas e Espíritos dos Munindras com os seus Corpos de Cima (Segundo Trono) e de Baixo (Terceiro Trono).

Por sua forma piramidal, o obelisco corresponde à objectivação no Plano Condicionado dos valores do Plano Incondicionado. Assim é que as linhas dos lados do obelisco cruzam-se no ápice, formando outra invisível mas igual configuração no Plano Incondicionado ou das Ideias. Pirâmide invisível essa em relação com a constelação do Cruzeiro do Sul, possuindo configuração geométrica piramidal, cujo ápice é marcado pela Quinta Estrela, a “Intrometida” (Akasha, Vril, Mash-Mask, Éter, etc. = valor 7, ou o 5 do Elemento contendo os restantes 2 ocultos, Atómico e Subatómico), e as quatro restantes formando a base da constelação (Ar – Fogo – Água – Terra, ou o Quaternário da Manifestação multiplicado pelo Sete da Evolução, como seja, 4×7 = 28. Tem-se aqui as medidas canónicas do obelisco: 4 metros de largura e 7 metros de altura, podendo o volume métrico ser ampliado ou diminuído, mas sempre com base nesses valores).

Dessa forma, o ápice do obelisco constitui-se no ponto bindú, o limite entre o Segundo Trono, o Plano Incondicionado, e o Terceiro Trono, o Plano da Manifestação, senão, a Realização de Deus e a Expansão de Deus, se o estabelecer conforme o Odissonai como “Ode ao Som” ou “Cântico dos Cânticos”.

O símbolo do Logos Eterno está gravado na face traseira do obelisco, de acordo com figura idêntica revelada pelo Professor Henrique José de Souza no seu Livro da Pedra (1950), como já disse. Nele, além do quadrado da Matéria e do triângulo do Espírito, vêem-se 3 círculos, contados a partir do ponto central. Do menor para o maior expressam os Três Mundos, Matérias, Malhas ou Mayas contidas no nome Maitreya, ou seja, o “Senhor dos Três Mundos”, pois o Filho (triângulo) contém o Pai (círculo) e revela a Mãe (quadrado).

MUNDO DIVINO – PAI – OBELISCO

MUNDO CELESTE – FILHO – ANJOS

MUNDO TERRENO – ESPÍRITO SANTO – CORPOS JACENTES

*

CORPOS JACENTES – FACE DA TERRA

ANJOS – DUAT

OBELISCO – SHAMBALLAH

*

SHAMBALLAH – TEMPLO… ATA-DHARMA-MERU = MATRADEVAS

DUAT – TÚMULO… TAO-TING-TANG = MANASAPUTRAS

FACE DA TERRA – MONTANHA = LORENZO-PRABASHA-DHARMA = MUNINDRAS

Acontecimento significativo: no dia 1.º de Abril de 2002, feriado municipal em São Lourenço, após ter prestado a minha homenagem póstuma aos Gémeos Espirituais (Deva-Pis, em sânscrito) Henrique – Helena, depondo sobre o seu Túmulo a minha Grã-Cruz d´ouro da Ordem do Santo Graal, aí deixando uma medalha com fio de ouro representando a Mãe Divina Allamirah, os “Olhos que miram do Céu”, ou seja, o Sagrado Coração simbólico do Graal-Consciência, ao sair do cemitério procurei um cigarro no bolso do casaco, e em vez dele saiu uma flor em forma de lótus. Trouxe-a para Portugal e muitos viram-na, até que, em pleno Ritual, devolvia-a ao Akasha arremessando-a no Fogo Sagrado, como única maneira que tinha de também eu preitear a minha gratidão com um ramalhete de flores a quem flores me tinha oferecido…

VMA Túmulo

Só lastimo que no Túmulo não esteja gravada a frase lapidar que o Professor Henrique destinara postumamente aos Gémeos Espirituais, a modo de sugestão, como consta no seu Livro da Pedra (Carta-Revelação de 26.08.1950): “Se quiserem podem juntar qualquer epitáfio, que seja: Aqui repousa (?) a MEMÓRIA daquele que soube morrer pela Obra Grandiosa dos Deuses”. Sim, repousa a memória imortalizada, mas não o Homem Imortal, porque esse, em seu Espírito ou Essência Divina, volveu de vez ao Reino do Deus dos Deuses.

Por volta de 2003 encetei diligências com alguns Irmãos Maiores da Obra do Eterno em São Lourenço, para que na Montanha Sagrada daí se plantasse um obelisco que teria as mesmas medidas canónicas daquele defronte ao Templo de Maitreya. Na sua face frontal, ou aquela defronte para o Monte Verde onde está o Templo, possuiria uma estrela de sete pontas em metal dourado, ou então esculpida na própria pedra, mas sempre pintada na mesma cor brilhante. Seria referência à Missão Y ou dos Sete Raios de Luz em que a Obra do Eterno na Face da Terra está empenhada. Por baixo, em letras douradas esculpidas na pedra, ou então em placa de mármore ou de metal da mesma cor, a lápide:

MONTE MOREB – SÃO LOURENÇO, TERRA JINA –

ONDE NASCEU A OBRA DO ETERNO NA FACE DA TERRA,

EM 28.9.1921, PARA O NOVO CICLO DE EVOLUÇÃO UNIVERSAL –

MONUMENTO À MEMÓRIA ETERNA DO PAI E DO FILHO

NESTA TABA BRASÍLICA DO ESPÍRITO SANTO.

J.H.S.

L.P.D.

ADVENIAT REGNUM TUUM!

Ao mesmo tempo seria erigido em Sintra, Portugal, junto ao Castelo dos Mouros um obelisco idêntico mas com letreiro diferente, com palavras mais afins à Obra Divina levada a exercício pelos Portugueses desde há quase 1000 anos, e para isso também encetei diligências junto das respectivas autoridades oficiais. Ficaria assim testemunhada a união das Quinas às Estrelas do Segundo Trono, de Portugal ao Brasil, de Kurat a Moreb.

Até hoje permanece esse projecto, adiado mas não anulado. Deixe-se aos Deuses ditarem o Futuro… e confie-se. Alea jacta est!

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