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MELKITSEDEK E PRESTE JOÃO

O nome Melkitsedek, ou antes, Melki-Tsedek, como é designado na tradição judaico-cristã, refere-se à função de “Rei do Mundo” na cúspide dirigente de toda a Evolução Planetária, sendo Aquele que está mais próximo de Deus – o Logos Planetário – de cuja natureza participa a ponto de se confundir com Ele, mesmo estando “como a personalidade humana está para a sua individualidade espiritual”, na mais pálida definição.

Na Bíblia, aparece a primeira referência a Melki-Tsedek no Génesis (XIV, 19-20): “E Melki-Tsedek, Rei de Salém, mandou que lhe trouxessem pão e vinho e ofereceu-os ao Deus Altíssimo. E bendisse Abraão (…) e Abraão deu-lhe o dízimo de tudo”, instituindo-se a Ordem de que fala o Salmo 110, 4: “Tu és um sacerdote eterno, segundo a Ordem de Melkitsedek”. Este é assim definido por S. Paulo na sua Epístola aos Hebreus (VII, 1-3): “Melki-Tsedek, Rei de Salém, Sacerdote do Deus Altíssimo que saiu ao encontro de Abraão (…) que o abençoou e a quem Abraão deu o dízimo de tudo, é em primeiro lugar e, de acordo com o significado do seu nome, Rei da Justiça, e em seguida, Rei de Salém, isto é Rei da Paz; existe sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tem princípio nem fim a sua vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece Sacerdote para todo o sempre”.

É assim que o sacerdócio da Igreja cristã chega a identificá-lo à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, mantenedor da Tradição Apostólica que vem do Apóstolo Pedro até ao Presente. De maneira que o Sacrifício de Melki-Tsedek (o pão e o vinho) é encarado habitualmente como uma “prefiguração” da Eucaristia, pois que o próprio sacerdócio cristão se identifica, em princípio, ao Sacerdócio de Melki-Tsedek, segundo a aplicação feita a Cristo das mesmas palavras do Salmo 110, e que no Apocalipse vem a ser a “Pedra Cúbica” do Trono de Deus em que assenta a Assembleia ou Igreja Universal da Corte dos Príncipes ou Principais do mesmo Rei do Mundo.

O livro do Génesis e a epístola de S. Paulo aos Hebreus referindo-se a esse misterioso Soberano, levou a tradição judaico-cristã a distinguir dois sacerdócios: um, “segundo a Ordem de Aarão”, irmão de Moisés; outro, “segundo a Ordem de Melkitsedek”, instituído por Abraão e ministrado por Cristo. Este superior àquele, pois se liga do Presente aos Tempos do Advento do Messias, expressando os Apóstolos, os Bispos e a Igreja do Ocidente. E aquele vincula o Passado ao Presente, expressando os Profetas, os Patriarcas e a Igreja do Oriente.

Melki-Tsedek é, pois, ao mesmo tempo, Rei e Sacerdote. O seu nome significa “Rei da Justiça”, e também é o Rei de Salém, isto é, “Rei da Paz”. “Justiça” e “Paz” são precisamente os dois atributos fundamentais do “Rei do Mundo”, assim como do Arcanjo Mikael portador da espada e da balança, atributos iconográficos de natureza psicopompa indicativos do Metraton, nisto como intermediário entre o Céu e a Terra, entre Deus e o Homem, vindo a corresponder à presença indispensável do Paraninfo mercuriano ou Akbel que é quem carrega o Anel ou Aro como prova da Aliança eterna do Criador com a Criação e a Criatura, o que na Natureza tem a sua expressão lídima nas sete cores espectrais do Arco-Íris; assim, sempre que a Humanidade declina na sua evolução o Eterno envia a ela o seu “Filho Primogénito” para restabelecer a Boa Lei, anular a anarquia e a injustiça e restaurar a Ordem e a Justiça, ou seja, desde o Segundo Trono ciclicamente descem do Céu à Terra os Avataras ou Messias. O termo Salém designa a “Cidade da Paz”, arquétipo sobre que se construiu Jerusalém, e veio a ser o nome da Morada oculta do “Rei do Mundo”, chamada nas tradições transhimalaias de Agharta e Shamballah, correspondendo ao Paraíso Terrestre, ao Éden Primordial que a Mítica Lusitana insiste em identificar ao vindouro Quinto Império do Mundo, trazendo no bojo um Reinado de Felicidade e Concórdia com o Imperador Universal, Melki-Tsedek, a dirigi-lo.

Melki-Tsedek tinha o seu equivalente no antigo Egipto na função de Ptah-Ptahmer; na Índia, é chamado Chakravarti e Dharma-Rajah; os antigos Rosacruzes reconheciam-no como Imperator Mundi e Pater Rotan, e foi assim que a Maçonaria o reconheceu no século XVIII, consignando-o Maximus Superius Incognitus, para todo o efeito, o Imperador Universal.

Melkitsedek - Tomar

No século XII, na época do rei S. Luís de França, os relatos das viagens de Carpin e Rubruquis invés de usarem o nome Melki-Tsedek substituíram-no por Preste João, que morava num país misterioso no Norte da Ásia distante. Preste significa tanto “Pai” como “Presbítero”, e João é referência tanto ao Anunciador do Messias, João Baptista, quanto ao Apóstolo João Evangelista, que escreveu o Apocalipse, sendo referência óbvia ao Sacerdócio do Rei do Mundo, insistindo as três religiões do Livro (judaica, cristã e islâmica) que será por Ele que haverá um Reinado de Concórdia Universal sobre a Terra.

As primeiras notícias do Presbítero chegaram à Europa em 1145, quando Hugo de Gebel, bispo da colónia cristã do Líbano, informou o Papa da existência de um reino cristão situado “para lá da Pérsia e da Arménia”, governando por um Rei-Sacerdote chamado Iohannes Presbyter (João, o Presbítero, isto é, Sacerdote, Ancião) e que seria descendente de um dos Reis Magos que visitaram o Menino em Belém.

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O primeiro documento conhecido sobre esta misteriosa personagem, é a famosa Carta do Preste João endereçada em 1165 a Manuel Comneno, imperador bizantino de Constantinopla, assim como a Barba-Ruiva, imperador da Alemanha, e ao Papa Alexandre III, parecendo que o documento tem a sua origem em Portugal. Isto porque a versão mais antiga do texto original data dos finais do século XIV e encontra-se no Cartório do Mosteiro de Alcobaça, apesar de ter sido impressa pela primeira vez em língua italiana em Veneza, no ano 1478, na qual se inspiraram outras obras também na mesma língua, como a versão rimada do Tratacto del maximo Prete Janni (Veneza?, 1494), de Giuliano Dati, tudo próximo da época em que o viajante Marco Pólo regressou Oriente a Veneza e falou da existência do Preste João, como soberano da Igreja Etíope. Por outra parte, ao longo dos séculos XV e XVI apareceu uma série de cartas enviadas pelo Preste João da Índia aos soberanos portugueses (D. João II, D. Manuel I e até D. Sebastião que, diz-se, recebeu uma embaixada no Preste João nos seus paços em Santos-o-Velho, Lisboa), que por sua vez enviaram embaixadas à corte daquele, como foi o caso notável de Pêro da Covilhã, enviado de D. Afonso V.

O mito do Preste João foi amplamente divulgado pela Ordem dos Templários e serviu de principal impulsor do processo das Descobertas Marítimas pelos Portugueses, aparentemente com a intenção de incentivar à conquista cristã de novas terras e obter riquezas fartas, mas realmente estabelecer a ligação de Portugal com o Centro Primordial do Mundo, chamado indistintamente Salém e Shamballah.

MELKITSEDEK E SEUS MISTÉRIOS

Quando o Iluminado S. Paulo, na Epístola aos Hebreus, descreve que “Melki-Tsedek não tem pai, nem mãe e tampouco genealogia terrena”, impôs um enigma a decifrar, possibilidade exclusiva da Tradição Iniciática das Idades.

Ela identifica Melkitsedek como uma poderosa Entidade Cósmica da natureza de um Arqueu ou Assura, mais propriamente um Kumara ou Planetário, que há cerca de 18 milhões e meio de anos, decorria a 3.ª Raça-Mãe Lemuriana, projectou-se desde o 5.º Globo da 5.ª Ronda da 5.ª Cadeia de Vénus no 4.º Globo da 4.ª Ronda da 4.ª Cadeia da Terra, passando a dirigir a sua Evolução e assim auxiliando ao Ishvara ou Luzeiro dirigente da nossa Cadeia ou Manvantara, sob cujo desígnio esse Planetário de Ronda ficou, e ficando conhecido nas tradições teosóficas como Sanat Kumara, o Chakra-Varti, ou seja, “Aquele em torno do qual tudo se move sem que Ele se mova”, isto é, “imutável na sua permanência dinâmica”.

Sobre o assunto, respigo umas quantas linhas a um texto teúrgico reservado que diz a dada passagem:

Foi durante a transição da 3.ª para a 4.ª Sub-Raça da 3.ª Raça-Mãe que veio firmar-se decisivamente em Bhumi (a Terra) a estrutura da GRANDE FRATERNIDADE BRANCA com SANAT KUMARA à testa, faz cerca de 18 milhões e meio de anos, por altura da Grande Iniciação Colectiva do Género Humano conferida pelos SENHORES DE VÉNUS, os PITRIS KUMARAS, provenientes da mesma Vénus (ou Shukra), alter-ego da Terra e uma Cadeia adiante desta.

Isso correspondeu à acção empreendida por ARABEL (o 5.º Luzeiro) e a sua Corte de MAKARAS e ASSURAS em coadjuvarem na Evolução Humana, pelos motivos kármicos suscitados por LUZBEL (o 3.º Luzeiro) na anterior Cadeia Lunar.

A formação de uma Grande Loja de Deuses humanizados na Terra, os quais vieram a iniciar os humanos mais adiantados da Raça Lemuriana e que adentraram a Raça seguinte, a Atlante, já como Adeptos Perfeitos, essa formação ou estruturação viria muito mais tarde, durante a 5.ª Raça Mãe Ariana, a ser designada pelos Adeptos e Iniciados da Soberana ORDEM DE MARIZ de PRAMANTHA ou CRUZEIRO MÁGICO A LUZIR.

Diz a Tradição Iniciática das Idades que 888 Deuses humanizados advieram sobre a Terra acompanhando o divino SANAT KUMARA, tendo sido então que Ele se entroncou decisivamente aos destinos deste 4.º Globo tornando-se o 4.º REI DO MUNDO, MELKITSEDEK, ROTAN, CHAKRAVARTI ou PLANETÁRIO DA RONDA. Coadjuvaram-no na manifestação avatárica sobre a Terra, ocupando o Animal Esfingético que AKBEL lhe cedeu, os seus 3 Irmãos Kumaras das 3 Rondas anteriores de Bhumi. Sanat Kumara, por seu turno, era na época um Avatara de ARABEL – LUZEIRO DE VÉNUS.

Foi Ele quem deu início à Grande Loja Branca dos Mestres Justos e Perfeitos, essa que na Índia é chamada de SUDHA-DHARMA-MANDALAM, “Excelsa Fraternidade Branca”, no Tibete de Confraria dos BHANTE-JAULS, “Irmãos de Pureza”, distinguidos pelas suas roupagens e faixas amarelas-azuis, e que a Igreja Cristã cognomina devotamente de COMUNHÃO DOS SANTOS E SÁBIOS.

Esquema da Hierarquia Planetária

O Professor Henrique José de Souza referiu-se a essa Excelsa Fraternidade dos Mestres Espirituais do Mundo, em um texto publicado numa antiga revista “Dhâranâ”, como sendo a Maçonaria Universal ou a Igreja de Melkitsedek:

Há uma antiga tradição que afirma a existência, no Mundo, de uma Igreja Secreta, que torna a ligar (religo, religare, religio, religione ou religião) o homem a Deus, sem necessidade de sacerdócio nem outro qualquer intermediário. Todo o ser iluminado, directamente ou por iniciação, desde que esteja de posse de certos mistérios, faz parte do Culto, que tem o nome velado de Igreja de Melkitsedek. Tal Culto sempre existiu, por ser o da mais preciosa de todas as religiões, ou seja: a da Fraternidade Universal da Humanidade.

A sua origem procede dos meados da 3.ª Raça-Mãe, pouco importa o seu nome naquela época se, com o decorrer dos tempos, recebe o de Sudha-Dharma-Mandalam na antiga Aryavartha – a nossa Mãe-Índia – mas, para todos os efeitos, Excelsa Fraternidade, quer na razão de sua existência – por ser composta dos verdadeiros Guias ou Instrutores Espirituais da Humanidade – quer pela sua vitória sobre o que se concebe como Mal, na Terra, se ao lado do Planetário (a Força Cósmica dirigente do nosso Globo… em forma humana, aparte as opiniões contrárias) – após a tremenda queda que teve lugar na decadência atlante de que tanto nos temos ocupado, embora que de modo velado – tiveram os seus primeiros componentes de combater as referidas “Forças do Mal”, sem falar na sua própria transformação de homens vulgares em semideuses.

Por isso é que tal Fraternidade ou “Culto Universal” – que a bem dizer é o do Amor, da Verdade e da Justiça entre todos os seres da Terra – se compõe de 7 Linhas, cada uma delas com o respectivo Raio, na razão dos próprios Astros ou Planetas. Donde os seus Chefes, Reis ou Guias serem Seres tão elevados que bem se podem comparar aos mesmos Dhyan-Choans ou “Logos Planetários”. Na Índia, o termo Maha-Choan é dado aos mais elevados entre tais Seres, enquanto outrora, no Egipto, recebiam o nome de Ptahmer. São os mesmos “Goros do Rei do Mundo”, nas escrituras transhimalaias.

Como Guias ou Instrutores dos Homens – pouco importa se, para muitos, de modo invisível – não podiam deixar de possuir “regras especiais”, se Eles, por sua vez, além de guiados por aqueles Sete referidos Seres o são ainda por Outro mais elevado, que se firma por detrás de tudo isso, em forma Ternária. O seu Santuário, digamos assim, é aquele mesmo APTA, “creche, manjedoura, presépio, lugar onde o SOL nasce” e quantos nomes o mesmo possui desde os memoráveis tempos da Atlântida, se ali era representado como “8.ª Cidade”. Razão de tal Ser ser considerado, ao mesmo tempo, Uno e Trino, como “Rei dos Reis”.

Os mesmos gnósticos reconheciam o número 888 – ou 8 vezes o misterioso 111 – como “Número Crístico”, embora que o resto seja proibido revelar.

O mesmo René Guénon, em sua obra Le Roi du Monde – pois que teve como Guru ou Mestre famoso rabino – diz o seguinte, a respeito de tão Excelsa Organização: “O Chefe de uma tal organização é o próprio Manu, que poderá legitimamente possuir ou encarregar a outro desse seu título e demais atribuições”.

Diz ainda a Tradição Iniciática das Idades que a tríplice Pedra de Fundação da Excelsa Fraternidade é alegorizada pelo Trigo ou Cereal, Mel ou Abelha e Formiga que os Senhores de Vénus trouxeram como dádiva para a Terra, no fundo assinalando os três Caminhos ou Margas por que o Homem evolui, ou seja, Trigo para Jnana-Marga (Conhecimento), Mel para Bhakti-Marga (Devoção) e Formiga para Karma-Marga (Acção). Acerca disto, disse o Professor Henrique José de Souza:

Pão substancial, que tanto a ricos como a pobres alimenta, aquele que é feito puramente com TRIGO, como o mais precioso de todos os cereais, se as próprias escrituras sagradas – desde tempos imemoriais – o incluem na vida de todos os Itinerários místicos, ou sejam as excelsas figuras dos Manus conduzindo os seus Povos à Terra Prometida, se aquelas donde vinham começavam a ser destruídas… pelo mesmo ciclo em franca decadência para um outro portador de melhores dias para os eleitos, que são sempre os que ficam fiéis à Lei!

Escrituras mais antigas ainda, formam uma Tríade espiritual entre o TRIGO, o MEL e a FORMIGA “trazidos pelos Senhores de Vénus para a Terra”, cujo simbolismo é: o TRIGO como alimento sintético para o Corpo; o MEL, que tanto vale pela “ambrósia dos Deuses”, alimento da Alma, ou “Pão espiritual”, embora que o Espírito propriamente dito seja o responsável directo pela sua evolução, segundo aquela judiciosa afirmação de Plutarco de que “enquanto vivemos na Terra, o nosso Corpo a ela pertence (“volta à terra o que à mesma pertence”… pois que pó és e em pó te tornarás), a Alma à Lua e o Espírito ao Sol”, o que vale por “três Pessoas distintas e uma (UNIDADE) só verdadeira”…

Quanto à FORMIGA, o próprio Karma que obriga o Homem “a ganhar o pão com o suor do seu rosto”, na ampla extensão das suas sete interpretações cabalísticas, sejam materiais ou físicas, científicas, filosóficas ou religiosas, etc., etc.

Na Vedanta, são os 3 Caminhos que conduzem o Homem à Meta desejada: Jnana, ou do Conhecimento, Iluminação, Sabedoria Perfeita, por outro nome, TEOSOFIA; Bhakti, Amor, Devoção, etc., porém no seu verdadeiro sentido, que é o equitativo para todos os seres da Terra. Nenhum ideal superior ao da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de crença, casta, cor, etc. E finalmente o terceiro ou Karma, como Acção e Reacção, Compensação, Distribuição, etc., na razão do “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, símil também do “dente por dente, olho por olho”. É o Caminho central por onde palmilha a Humanidade inteira, justamente por se ter afastado dos dois Caminhos laterais, como as duas conchas da Balança de onde Karma é o fiel.

Essas três Dádivas dos três KumarasDhyananda, Sujat, Sanatana – trazidas para a Terra pelo quarto Sanat, têm correspondência simbólica com as três Oferendas trazidos pelos três Reis Magos ao Menino Deus, o Cristo, nascido no Apta presepial e jina da Gruta de Belém, tanto que eles eram os respectivos avataras desses Deuses Primordiais, mas aí como “Kumaras Secundários” ou Humanos rendendo Homenagem ao “Rei dos Reis”, o Imperador Universal como Sacerdote Eterno da Ordem de Melkitsedek, da qual é o Coração FlamejanteJefffersus, o Christus.

Ordem de Melkitsedek ou Excelsa Fraternidade Branca, tanto vale, sendo que os principais 49 Adeptos Independentes da mesma perfilam-se Apóstolos do Cristo Universal, o mesmo Chenrazi Aktalaya Maitreya – hoje Manuel Gonçalo Budha; Gonçalo ou “Deus Salve” e Emmanuel, Manuel ou El Manu, tanto vale – expressando fidedignamente Melkitsedek desde o Coração da Terra, Agharta, sobre o Corpo da mesma, toda a Face do Globo, palco do Teatro da Evolução de tudo quanto nele vive.

Os três Reis Magos, expressando a Trindade Aghartina na cúspide do Governo Oculto do Mundo, ofereceram ao Avatara do Ciclo de Piscis: Mahima ou Melchior (“Meu Rei é Luz”) depõe aos pés de Cristo o Ouro e saúda-o como Rei (Adonai-Tsedek ou Karma-Tama); Mahanga ou Gaspar (“Aquele que vai vigiar”) oferece-lhe Incenso e saúda-o como Sacerdote (Kohen-Tsedek ou Dharma-Raja); Brahmatmã ou Baltasar (“Deus manifesta o Filho”) dá-lhe a Mirra, perfume de Vénus como bálsamo da incorruptibilidade, e homenageia-o como Profeta (Melki-Tsedek ou Rigden-Satva).

As Dádivas dos Senhores de Vénus têm eco no episódio inicial do Antigo Testamento com Abraão prestando o dízimo do Karma da sua Raça a Melkitsedek, enquanto no Novo Testamento tem-se o episódio secundário das Oferendas dos Reis Magos a Jesus Cristo. Reflectem, respectivamente, a Iniciação e a Confirmação, a Realeza e o Sacerdócio do Senhor do Mundo. Ao todo, seis dádivas assim inter-relacionadas:

MEL – MIRRA = ESPÍRITO

FORMIGA – INCENSO = ALMA

TRIGO – OURO = CORPO

E Melkitsedek agracia Abraão ou Ab-Ram com o Rito do Pão e do Vinho, ministério confirmado por Cristo aquando da Última Ceia ao ungir o Vinho do Céu e o Pão da Terra, este expressando ao Planetário e aquele ao Luzeiro.

VINHO = LUZEIRO (CÉU)

PÃO = PLANETÁRIO (TERRA)

Depois de ter recebido o Ministério de Melkitsedek, Abraão teve a visão de Deus em Siquém, junto ao carvalho de Moré. Mas Siquém é Sikkim, a “Essência Avatárica”, e portanto significará que alcançou a Iluminação Integral nesse lugar cananeu. Facto reforçado pelo simbolismo do carvalho, indicativo de Templo ou “Lugar Sagrado”, de Moré, antes, Moreb, “onde o Sol se põe”, ou seja, Occidens, o Ocidente em cujo extremo ocidental do Mundo está hoje a outra Montanha Sagrada de Moreb… em pleno coração do Brasil, a Brasa do Fogo Sagrado.

No texto teúrgico citado mais atrás, fala-se no “Animal Esfingético” ou a Esfinge cuja forma foi animada durante algum tempo por Sanat Kumara, nesses tempos longínquos da Lemúria. Razão porque os antigos egípcios reconheciam o divino Ptahmer na figura da Esfinge, já não em carne mas de pedra, contudo, o mais perfeito símbolo sintético da Evolução dos 4 Reinos Naturais, ao mesmo tempo exprimindo as 4 Hierarquias Criadoras afins ao desenvolvimento dos mesmos.

Com efeito, as quatro características anímicas ou animais dessa figura fabulosa estão igualmente patentes na Bíblia, tanto nos 4 Animais da “Visão de Ezequiel” quanto nos animais iconográficos dos 4 Evangelistas. Essa simbologia da Esfinge é notável porque representa o Universo vivente. De maneira que prefigura as 4 Cadeias ou Manifestações Cósmicas por que a Terra já passou: as asas de Águia alegorizam a 1.ª Cadeia de Saturno (onde se desenvolveu a Hierarquia dos Assuras ou Arqueus, correspondendo ao estado Mineral da Humanidade); as garras de Leão representam a 2.ª Cadeia Solar (onde evoluiu a Hierarquia dos Agnisvattas ou Arcanjos, a ver com o estado Vegetal da Humanidade); a cabeça de Homem e seios de Mulher (desde logo denotando a sua característica Andrógina) assinalam a 3.ª Cadeia Lunar (a dos Barishads ou Anjos, os Progenitores da Humanidade que então estava no estado Animal); os flancos de Touro assinalam a actual Cadeia Terrestre (onde evolui a Hierarquia Jiva ou Humana). A Esfinge por inteira simboliza, pois, a Unidade Imperecível, o Andrógino Alado – cujo modelo de perfeição é o próprio Melkitsedek como Kumara ou “Caprino” no topo do esquema de Evolução Planetária – que haverá de caracterizar a 5.ª Cadeia de Vénus (da Terra) ainda em formação.

esfinge egipcia[1]

Sendo o Planetário da Ronda em que se reflecte o Logos da Cadeia, Melkitsedek é o “Grande Chakra”, o Chakravarti no qual o Logos Planetário manifesta-se como Deus agindo pela sua Consciência, assim idealizando e dirigindo toda a Evolução dos 4 Reinos na actual 4.ª Ronda a qual vem a reunir a experiências das 3 Rondas anteriores, perfazendo a Natureza inteira como ora se vê no Mineral, no Vegetal, no Animal e no Hominal. Tendo o seu Corpo Flogístico presente no Centro Ígneo do Mundo – Shamballah – servindo de “Regato Vital”, “Capa” ou intermediário entre a Hierarquia Planetária e a Divindade da Terra, Melkitsedek reparte-se em 5 partes pelos diversos Reinos corporificando-se o próprio Tetragramaton como Pentalfa Luminoso. Senão, vejamos:

Face da Terra – Sexo – Pritivi (Terra) = Sol em Escorpião

Badagas – Baço – Apas (Água) = Lua em Caranguejo

Duat – Estômago – Tejas (Fogo) = Marte em Balança

Agharta – Coração – Vayu (Ar) = Saturno em Virgem

Shamballah – Cabeça – Akasha (Éter) = Vénus em Leão

“Vénus em Leão” equivale à Mãe Divina, corporificando o Terceiro Aspecto do Logos como Espírito Santo, agindo por seu Divino Filho, o Cristo Universal “aparelhado” ao próprio Rei do Mundo, por em sua função ser o Supremo Instrutor de Homens e Anjos. Pois bem, a Cabeça Coroada pelo resplendor espiritual do Chakra Sahasrara (Coronal) de Melkitsedek em Shamballah reparte-se em cinco quintos, onde cada 1/5 vem a representar a Evolução já realizada por um Reino da Natureza desde o seu início na Terra até ao momento actual, dirigida pelo mesmo Rei do Mundo, arquétipo universal das realizações já alcançadas e a alcançar pelos 5 Reinos da Natureza. Assim, tem-se:

1) 1/5 na parte traseira ou hemisfério cerebral esquerdo representando a Pedra Sagrada AG-ZIN-MUNI de MANU, síntese de todas as experiências evolucionais do Reino Mineral;

2) 1/5 na parte traseira ou hemisfério cerebral direito representando a Árvore Sagrada MAG-ZIN-MUNI de YAMA, síntese de todas as experiências evolucionais do Reino Vegetal;

3) 1/5 na face dianteira esquerda ou feminina representando o Animal Sagrado TUR-ZIN-MUNI de KARUNA, síntese de todas as experiências evolucionais do Reino Animal;

4) 1/5 na face dianteira direita ou masculina representando o Homem Sagrado RABI-MUNI de ASTAROTH, síntese de todas as experiências evolucionais do Reino Hominal;

5) 1/5 no cerebelo central ou andrógino representando o Anjo Sagrado ASTAR-MUNI de ARDHA-NARISHA, síntese de todas as experiências evolucionais do Reino Espiritual.

Com efeito, até 26 de Maio de 1948 quem dirigiu os destinos da Terra foi o 4.º Kumara Sanat, agindo sobre a Terra através do seu veículo físico Rigden-Djyepo (“Rei dos Jivas”), ambos na representação do 4.º Ishvara Atlasbel. Daí em diante, os destinos do Mundo passaram a estar sob o comando do 5.º Kumara Ardha-Narisha, actuando na Terra através do seu veículo físico Akdorge, ambos na representação do 5.º Ishvara Arabel. Assim, o Futuro começou a tomar forma no Presente, através das projecções do mesmo pelos Deuses de Shamballah agindo neste 4.º Globo. Em consequência disso, em 1 de Julho de 1948 a 4.ª Hierarquia Humana ficou definitivamente formada e firmada na Terra, como informam os anais reservados da Grande Loja Branca.

Esquema de Evolução

MELKITSEDEK E O SANTO GRAAL

O Rito de Melkitsedek é perpetuado sobre a Terra pela Ordem do Santo Graal, que desde tempos longínquos e através de variadas expressões místicas e filosóficas manifesta a sublimidade da sua presença fincando sobre o Globo as Glórias de Deus decorrendo no seio do mesmo, vindo a Taça Sagrada a representar o próprio Espírito Santo como Mente Universal cuja demanda última é a absorção do templário peregrino na mesma, assim realizando a maior das conquistas: a verdadeira Realização Espiritual.

Para a espiritualidade ocidental o Santo Graal ou Saint Vaisel é ligado à Taça Sagrada onde Jesus Cristo bebeu na Última Ceia, antes do Calvário, e neste José de Arimateia com essa mesma Taça recolheu o Sangue Real do Salvador.

A Tradição Iniciática informa que após a Tragédia do Gólgota o Santo Graal foi recolhido a 7 Templos da Ásia, de certa maneira assinalados pelo Apóstolo S. João nas “7 Igrejas do Oriente”, e que depois disso, cerca do ano 985 da nossa Era, peregrinou por 7 Catedrais do Ocidente rumo ao quinto continente, a América do Sul, mais propriamente o Brasil. Essas 7 Catedrais Graalísticas, informa ainda a mesma Tradição, foram as seguintes:

1.ª) Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra. Planeta: Saturno. Arcanjo: Kassiel. 12 Goros (“Sacerdotes”) mantendo 111 Anjos (“Devas”).

2.ª) Santa Maria Maggiore, Roma, Itália. Planeta: Vénus. Arcanjo: Anael. 12 Goros mantendo 111 Anjos.

3.ª) Catedral do Precioso Sangue, Bruges, Bélgica. Planeta: Júpiter. Arcanjo: Sakiel. 12 Goros mantendo 111 Anjos.

4.ª) Catedral de Santa Maria Maior (Sé Patriarcal), Lisboa, Portugal. Planeta: Mercúrio. Arcanjo: Rafael. 12 Goros mantendo 111 Anjos.

5.ª) Catedral de S. Pedro e S. Paulo, Washington, E.U.A. Planeta: Marte. Arcanjo: Samael. 12 Goros mantendo 111 Anjos.

6.ª) Catedral da Cidade do México, México. Planeta: Lua. Arcanjo: Gabriel. 12 Goros mantendo 111 Anjos.

7.ª) Basílica do Salvador, S. Salvador da Bahia, Brasil. Planeta: Sol. Arcanjo: Mikael. 12 Goros mantendo 111 Anjos.

O trabalho iniciático executado secretamente nessas Catedrais tinha o nome de código, entre os Adeptos que o realizavam, de Setentrião. Mas nos dias de hoje já “Setentrião caiu”, logo, findou a sua Missão no Mundo… ela projectou-se para o seio da Ordem do Santo Graal cujos Mistérios da Iniciação relacionados com o Governo Oculto do Mundo, sob o comando de Melkitsedek, têm hoje o nome de código Ecce Occidens Lux!

Roteiro Catedrais do Graal

Na Idade Média a Tradição do Santo Graal foi associada ao mito do Rei Artur e os 12 Cavaleiros da Távola Redonda, cuja demanda era a da mesma Taça Sagrada. Apesar da lenda arturiana só tomar forma literária no fim do século XII com a actividade poética de Chrétien de Troyes, já antes ela fora espalhada pela Europa graças à divulgação feita por esses bardos itinerantes que eram os trovadores e jograis, fortemente protegidos pela Ordem dos Templários, cujo ponto de partida da disseminação não foi exactamente a Bretanha celta mas a Sintra mourisca, cujo Mouros ou Moryas, no século VIII, trouxeram para esta Serra aclamada Sagrada o culto do Vaso Djin ou Divino, associado a esse outro bíblico do rei Salomão, tradição que o conde D. Henrique de Borgonha, pai de Afonso Henriques, receberia do Islão em 1095, quando conquistou Sintra e logo a perdeu a favor dos almorávidas. Só 1147, com o exército de Afonso Henriques ajudado pelos templários, é que Sintra passou definitivamente a ser cristã, parte integrada neste mesmo Porto-Graal, como esse rei chamou ao País nascente.

Segundo a etimologia grega, a palavra graal provém de kratale e de kratêr e têm sido exploradas de variadíssimas maneiras. Desde graalz, grazale (provençal), significando “prato”, do suposto latim gradalis, “prato gradual”, ou que se serve gradualmente ou várias vezes, até à derivação “grato” e “agradar”. Esta é a interpretação cortês que chegou à actualidade. Por outro lado, o Santo Graal derivará de Sang Greal ou “Sangue Real” (de Jesus Cristo da linhagem real de David e Salomão) vindo dar San Grial e Saint Graal, em todo o caso, significado uma taça, um cálice, um prato ou pátena com que se fecha a boca do mesmo cálice, assim se identificando ao caldeirão mágico celta, ao vaso alquímico e mesmo ao útero gerador da Mulher o qual, na Natureza, é representado pela gruta sagrada.

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Etimologicamente, há também uma diferença entre Gral e Graal. O Gral é o almofariz, objecto de laboratório, onde são feitas certas misturas químicas. O Graal é a Taça Sagrada, e nela, naturalmente, são feitas as mais sublimes, espirituais e místicas fusões e sublimações alquímicas.

É assim que a influência dominante do Santo Graal nota-se claramente na:

1) Tradição Teúrgica, em que os Mistérios do Santo Graal são sinónimos de Tradição Iniciática das Idades.

2) Tradição Bizantina, encontrando-se equivalentes dos elementos do Rito do Graal na Missa de S. João Crisóstomo do rito bizantino, identificando o Rei-Pescador com Cristo, o Presbítero com o Espírito Santo e a Sacristia com a “Câmara do Graal”.

3) Tradição Druídica ou Celta, que vai buscar as origens do Graal aos ritos de fertilidade e aos mistérios de Elêusis.

4) Tradição Judaico-Cristã, que identifica o Graal com as relíquias do Velho Testamento depois transformadas em símbolos cristãos.

5) Tradição Persa, que identifica o Castelo do Graal com o Takh-i-Taqdis ou “Trono dos Arcos”, palácio acastelado mandado construído na Pérsia pelo rei Choroes II (590-628), e que vê no Graal o disco ou prato, actualmente no Museu Nacional de Berlim, onde foi gravada uma alegoria desse castelo persa.

6) Tradição Egípcia, onde o Castelo do Graal é identificado com a arca funerária ou barca fúnebre contendo os 14 pedaços de Osíris que Ísis havia recuperado.

7) Tradição Islâmica, que interpreta o simbolismo do Graal de acordo com o seu esoterismo, o Sufismo, enquadrando-o como o Vaso Djin.

8) Tradição Gnóstica, onde o Graal é interpretado como o Sacrum ou o símbolo sagrado representando o Mistério da Santíssima Trindade.

9) Tradição Hermética, em que o Graal é associado às doutrinas de Hermes Trismegisto no Corpus Hermeticum da Tábua Esmeraldina.

10) Tradição Cisterciense, cujo ideário contido na redacção da Quête du Saint Graal influenciou amplamente os seus e outros (beneditinos, carmelitas e franciscanos, inclusive) ideais monásticos.

11) Tradição Templária, ligada ao Culto do Sangue Real e de Cristo Ressuscitado, dando ampla difusão ao Nuevo Evangelio do cisterciense Joachim da Fiore.

12) Tradição Cavaleiresca, da qual se depreende a Tradição do Santo Graal patente tanto nos Quatro Livros de Linhagens ou Nobiliários como no Amadis de Gaula, dentre outros mais.

Quando na Idade Média o trovador Wolfram d´Eschenbach chamou “Pedra de Deus” (Lapsit Exilis) ao Graal, de imediato os alquimistas identificaram-no à “Pedra Filosofal”, que em última essência corresponde à verdadeira Realização Espiritual do Homem. E, em boa verdade, o Graal tanto é Pedra ou Ara, como Livro e como Taça, ou seja exprime tanto o Corpo, como a Alma e o Espírito de Santidade contendo a Quintessência da Sabedoria Eterna e do Amor Universal, reflectidos pela Omnisciência do Filho que traz consigo a Omnipotência do Pai e a Omnipresença da Mãe.

Sobre a questão da Demanda do Santo Graal, assim se expressou um preclaro Adepto Independente conhecido, no seio da Grande Loja Branca, pelo nome de Gamael ou Gamaliel:

O verdadeiro Homem é aquele que encontrou o Caminho do Graal!

O seu nome já não pertence a este mundo…

E a maldição lhe pese se ousar dizer o seu verdadeiro nome.

A “PORTA SANTA” DA SÉ PATRIARCAL DE LISBOA

Ao contrário de que se possa pensar, não são só as 4 basílicas maiores de Roma a ter “portas santas”. Como se pode ver no interior da Sé Patriarcal de Lisboa, entrando à esquerda, uma inscrição sobre a portada atesta a existência aqui mesmo de uma Porta Santa. No exterior, subindo a Rua do Aljube, junto à parede norte deste edifício está o outro lado da Porta. As explicações para a sua existência têm sido escassas e vagas, só sendo certo que dá acesso directo tanto ao interior da igreja como ao camarim do cardeal-patriarca, por uma outra porta lateral a essa dentro do seu pequeno espaço vedado.

Inquestionavelmente, esta é a Porta Santa da Sé de Lisboa, meritória da mesma por desde cedo ser sede devocional marcada pelo culto a Santa Maria Maior, tão antigo como o portal gótico da mesma. Essa consignação terá tomado maior força no século XVIII, quando o primeiro cardeal-patriarca D. Tomás de Almeida, em paridade com o rei D. João V, obteve do papa Clemente XI a autorização de fundação do Patriarcado de Lisboa, em 3.11.1716. Nesta data, a Sé Catedral foi elevada à dignidade Patriarcal da Mitra Portuguesa, desde logo mostrando-se oposta e até opositiva da Cardinalícia de Roma.

Se a Basílica de S. Pedro de Latrão, em Roma, tem uma Porta Santa, o Patriarcado português achou por bem que aqui, nesta sua Sede ou Sé de Lisboa, também a deveria ter. Sob pretexto de criação do camarim do patriarca, anexou-se-lhe a Porta Santa nos inícios de 1717, atitude reveladora de pressuposta Igreja Portuguesa independente da política da Igreja Romana, algo assim como se dissesse: “o que os romanos têm também os portugueses possuem”.

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A tradição das Portas Santas é muito antiga, a ponto de no século XII (1101) o bispo Diego Gelmírez a ter inaugurado na Catedral de Santiago de Compostela, por altura do Ano Santo (25 de Julho), e só depois, em 1499, o papa Alexandre VI a ter iniciado em Roma, decerto inspirado naquela outra Porta Santa existente em Jerusalém, vulgo “Porta do Sol, Dourada ou do Leão”, por onde Jesus passou no Domingo de Ramos e por onde haverá de passar, segundo a crença comum dos simples, o Messias futuro, o Salvador do Mundo.

Esta tradição liga-se à celebração do Jubileu, altura em que o papa ou o patriarca abrem as Portas Santas, comemoração celebrada em um Ano Santo, mas o que difere deste é a comemoração jubilar ser feita de 25 em 25 anos. Foi instituída de 100 em 100 anos pelo papa Bonifácio VIII em 22.2.1300, e de 25 em 25 anos pelo papa Paulo II em 9.4.1470.

O Jubileu celebrado nesta Sé lisbonense teria foros nacionais exclusivos à data da fundação do Patriarcado de Lisboa, como atesta o facto de após transposta a Porta Santa o cardeal-patriarca ver-se no meio da assembleia do templo, onde os fiéis prestam devoção à Mãe Divina, como seja o povo cristão de Portugal de quem ele, patriarca, emissário da Jerusalém Celeste cujo Portal Santo abriu, é o guia canonicamente eleito, no tempo de Jubileu transmitindo a Paz e a Reconciliação do Homem com Deus, Santa Aliança assinalada pela Taça Sagrada ou Santo Graal, mais real que fabuloso, por intercessão da Graça Divina de Maria.

Com efeito, toda a Porta Santa representa Maria, a “Porta do Céu” (Janua Coeli), a Rainha dos Anjos e Rainha do Mundo, assinalada pela Flor-de-Lis, expressiva da Realeza Divina, esculpida junto a esta entrada lateral para os aposentos secretos ou reservados do “Todo-Poderoso”, representado pelo cardeal-patriarca como o único com legitimidade canónica que a pode abrir e transpor, nesse rito de passagem cíclica da mortalidade à imortalidade.

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O patronímico “Todo-Poderoso” é assegurado pelas letras gregas Alfa e Ómega juntas gravadas nesta Porta, assinalando o “Princípio” e o “Fim”, indicativas do Todo-Poderoso Deus Senhor da Vida e da Morte por quem todas as coisas foram criadas e serão colhidas, segundo o Apóstolo S. João na Escritura Nova (Apocalipse, 1, 4-8), e o Profeta Isaías (44, 6-8) na Escritura Velha. Na Idade Média, o Alfa e Ómega adornam frequentemente a auréola do Juiz do Universo à direita e à esquerda da Sua fronte.

Essas duas letras gregas são muito usadas como adorno em túmulos cristãos, para indicar que o sepultado vira em Deus o princípio e o fim do seu propósito.

A maior das razões do Jubileu está no Advento sobre a Terra do Avatara Universal de Aquarius, no Dia do “Sede Connosco”, aquando a Porta Santa de Shamballah – matriz de todas as demais sobre Terra que a prefiguram – que a separa da Sétima Cidade Aghartina, for aberta pelo Rei do Mundo, já hoje Akdorge, o maior todos os Patriarcas ou Rishis, empunhando a Chave de Pushkara para dar saída à manifestação da Divindade na Augusta Pessoa de Maitreya.

Para a realização desse evento de abrangência planetária, muito concorreu o trabalho iniciático secretamente levado a efeito nesta Sé Catedral, com o seu nome oculto de Templo da Luz ou As Três Chamas, Lumes ou Luzes, sob a égide de Mercúrio – estampado no seu frontal, para quem tenha olhos de ver – e, portanto, do próprio Deus Akbel, Luzeiro de Amor temperando o Rigor de seu Divino Irmão Arabel.

Como o resultado, o produto final do trabalho avatárico realizado na Sede devocional de Lisboa, a Boa Lis como Lei Justa e Perfeita, trasladou-se, por imperativo cíclico, para o seio da Ordem do Santo Graal com o seu Santuário Português consagrado ao Cavaleiro das Idades Akdorge, também este Templo tem o seu Portal sacralizado pela presença invisível mas sensível do seu Guardião akáshico ou etérico, verdadeira “Estátua Viva” levando de nome Mahimam, o Gladiator, que no Passado se chamou Ulisses, o Navigator.

O Guardião Mahimam vem a ser o intermediário entre os Templários da Ordem do Santo Graal, que é a própria Agharta na Face da Terra, e o Porteiro de Shamballah, com a Espada Flamejante na destra e a Chave de Pushkara na sinistra, com o Tetragramaton aceso em seu peito, ou seja, Akdorge, portanto, Melkitsedek.

Escusado dizer que a “Porta Santa” igualmente assinala a presença de embocadura para o seio da Terra presente, apesar de sempre encoberta ou velada por maya-vada, nas proximidades de qualquer um desses portais distintos.

O RITO TEÚRGICO DE MELKITSEDEK

O Culto do Santo Sangue, o Mistério do Santo Graal, corresponde aos Mistérios dos Sacrifícios dos Grandes Avataras, dos Excelsos Seres de Compaixão, verdadeiros Bodhisattvas que se deixaram sacrificar a fim de, com a divina quintessência do seu Sangue Real, redimir os componentes das Hierarquias envolvidas nos grilhões tenebrosos do Karma Humano. Logo, os que se consagram aos Mistérios e Culto do Santo Graal, digo, do Santo Sangue, é o mesmo que se dizer: são os que se consagram aos Mistérios dos Sacrifícios, ao Culto ao Sacrifício.

Segundo a língua sânscrita, há os termos yajur, yajú, yagú, yugo, yoga, que têm o sentido de temor, culto, oração, hino, sacrifício, este último sempre no sentido místico de sacrifício a favor da Evolução Humana, tal qual se acha explicitado no primoroso livro hindu Yajur-Veda.

YAJUR-VEDA – Ciência ou Tratado dos Sacrifícios. É o segundo dos três Vedas primitivos, sendo quase exclusivamente composto de hinos retirados do Rig-Veda. Mas também possui algumas passagens em prosa que são relativamente novas, modernas. A sua parte principal é formada por invocações e preces aplicadas às consagrações das vítimas dos sacrifícios e dos utensílios próprios para os mesmos, o que fez deste livro Yajur-Veda o Livro do Sacerdote, do oficiante ordenado canónica e liturgicamente, portanto, sagrado por seus superiores na hierarquia tradicional para com autoridade ministerial proceder à celebração dos sacrifícios (in Glossário Teosófico, de H. P. Blavatsky), pois sem a mesma aprovação do “sacramento sacerdotal” apenas haverá “paródias ritualísticas”, ou como diz o povo, “brincar às missas”, com o risco permanente de redundarem em consequências funestas. Atente-se no episódio bíblico dos dois levitas que entraram às escondidas no Santo dos Santos, no Templo de Salomão, tocaram na Arca da Aliança e de imediato tombaram fulminados de morte.

Tem-se também o termo sânscrito Yajvanâm Pati, que quer dizer a Lua, cujo curso regula o calendário litúrgico dos sacrifícios.

YAJVÂN ou YAJWÂN – O sacerdote oficiante do sacrifício, o sacrificador.

YAJYU – Brahmã, o Pai, no Yajur-Veda, ou o Supremo sujeito ao Sacrifício. A Ciência do Sacrifício, ou seja, a Arte Sacerdotal, englobando o Dogma (instrução) e o Magistério (aplicação).

YAGU – A ave que alegoriza o sacrifício, devido às suas atitudes e hábitos. É semelhante ao pelicano.

PELICANO – No simbolismo maçónico é o emblema da Caridade. É o símbolo da Morte e do Renascimento perpétuos na Natureza. É a terra que nutre os seus filhos; é uma mãe cheia de deveres sagrados; é um bom pai de família.

pelicano sagradoNo antigo Rito da Rosa+Cruz, o Pelicano é exaltado pela Cruz. É uma das representações mais expressivas da Crucificação de Cristo. Por isso é encontrado no distintivo do 18.º Grau da Maçonaria, entre as hastes de um compasso, rodeado por sete filhotes e em atitude de despedaçar-se, de despedaçar o peito para alimentá-los, tal qual o Luzeiro da Terra faz com os Sete Planetários da mesma e o Logos Solar com os Sete Logos Planetários, assim como o Mestre Perfeito com os mais próximos Sete Discípulos.

O Mistério do Sacrifício é inerente à Arte Sacerdotal, ao Sacerdócio, este que implica sempre o exercício dos Mistérios Sagrados a favor da Redenção e consequente maior Evolução tanto da Humanidade como, principalmente, dos seus confrades em Hierarquia. É assim que, servindo de medianeiro entre o Espiritual e o Terreno, o sacerdote vem a sujeitar-se ao seu próprio e voluntário sacrifício. Razão porque a Via Sacerdotal é igualmente chamada Via dos Humildes.

O próprio termo latino sacerdos, “sacerdote”, significa precisamente “o que sacrifica”. O mesmo sentido tinha hiereus entre os gregos, e hem-netjer entre os egípcios. Geralmente chamavam-se aos sacerdotes de “sacrificadores”. Eram muito respeitados, consultados e considerados sábios. Seleccionados com o máximo rigor por seus dotes de virtude e sabedoria, constituindo uma classe minoritária mas dominante sobre as demais, os sacerdotes de outrora eram igualmente rerapeutas, ou seja, teurgos e taumaturgos, verdadeiros Adeptos cujo dom sacerdotal – outorgado mercê da sua investidura legal e logo com pleno acesso aos Poderes Espirituais dos seus Mestres, fossem Cristo, Buda, Krishna, Maomé, etc. – fazia com que, por exemplo, ao benzerem ou abençoarem os doentes muitas vezes de imediato os curassem magneticamente.

Presentemente, por afastamento do estudo da Teosofia e consequentemente do entendimento real das Leis que regulam a Vida e a Evolução Universal, esse “dom sacerdotal” ou o “Dom do Espírito Santo”, nas religiões exotéricas, é forçoso reconhecer, pouco mais é que simples formalidade ministerial, não passando de “letra morta”, sim, porque um sacerdote só possui maior Poder Divino quanto mais evolui verdadeiramente. Portanto, para evitar mal-entendidos, é bom que não se confunda “catarses psicológicas ou psíquicas de foro religioso”, individuais e colectivas, com verdadeiras “curas espirituais”, estas só possíveis se o enfermo realmente predispor-se à sua transformação interior, largando cada vez mais o lastro de vícios (nidhanas) e aumentando o seu quinhão de virtudes (skandhas), ou seja, que tenha a boa e firme disposição de transformar o seu karma em dharma. Sim, porque em boa verdade ninguém evolui por alguém, tão-só colabora na maior e mais rápida evolução do seu próximo. É esta a missão do sacerdote.

Conclui-se que o sacrifício sacerdotal corresponde a um acto realizado com a finalidade de redimir o Mundo, a Humanidade dos arquétipos lunares, das nidhanas ou tendências negativas provindas, como “restos lunares”, da respectiva Cadeia Lunar.

No judaico-cristianismo o Sacerdócio é classificado em dois vectores:

Exotérico (público, moral) – O Sacerdócio de Araão ou Sacerdócio Menor. Ministra as coisas temporais e é o dominante na principal religião do Ocidente.

Esotérico (reservado, mental) – O Sacerdócio de Melkitsedek ou Sacerdócio Maior. Ministra as coisas celestiais e temporais e é o dominante na Ordem do Santo Graal.

O reservado dos Mistérios de Melkitsedek contém-se no Silêncio Sacerdotal, equivalente da Palavra Perdida na Maçonaria, nos quais a Opera Dei, “Obra Divina” ou Teurgia é o exercício exclusivo, por ser a Obra do Eterno na Face da Terra possuída de leis e regras canónicas que constituem a Ciência Sacerdotal.

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Entre os brahmanes, os sacerdotes hindus, há a prática de Tharana, que em sânscrito significa “mesmerismo”, por outras palavras, o estado de êxtase (transe) provocado por uma auto-hipnose. Trata-se de uma acção que na Índia é considerada de carácter mágico, sendo uma espécie de exorcismo. No sentido literal, significa “varrer, limpar, suprimir da mente, do ambiente”, com origem nos termos tharan, “escova”, e thâranan, “penacho”. Refere-se a essa espécie de exorcismo capaz de limpar a aura psíquica dos bhutãs daninhos, os “maus espíritos” que formam as nidhanas ou vícios humanos, vindo a ser neutralizados pela acção benéfica do mesmerizador ou magnetizador. Esse acto corresponde ao da imposição das mãos e a bênção sacerdotal entre os sacerdotes cristãos.

Tharana corresponde ao nosso termo Teurgia, sim, a Magia Divina com que já os antigos pretendiam alcançar a protecção das divindades benfeitoras e produzir efeitos sobrenaturais. Provém dos termos grego e latino Theourgia e Theurgia, “Ciência do Maravilhoso”, “Arte de fazer Milagres”. Observa-se assim a perfeita harmonia reinando entre os sentidos de Tharana e Teurgia, esta absolutamente alheia a quaisquer magias psíquicas e demais práticas animistas, por ser a sua meta exclusiva a Iluminação Integral do Homem pelo seu Deus e deste pelo Deus Absoluto, o Eterno.

Com isso, compreende-se que a Teurgia tem por fim permitir à Humanidade ou à criatura humana, numa escala menor, identificar-se com o Espírito, com a Consciência Superior, com a Divindade existente no interior dela. Realizando a Magia Teúrgica, está naturalmente comungando com a Divindade, seja Ela Integral, o Logos, seja Ela Parcial, o Espírito, o Cristo, o Peregrino Sereno…

No dia 25 de Dezembro de 1951, por necessidades imperiosas do Ciclo, e apesar de já existir velada ou esotericamente desde 1921, o Professor Henrique José de Souza fundou, ou melhor, refundou a Ordem do Santo Graal com 32 membros (“32 místicos cristãos”, conforme está redigido na Acta original), adaptando-a à Nova Era do Espírito Santo, consequentemente, adaptando-a ao biorritmo da Nova Era de Promissão e dos seus valores reais já urgindo no seio da Humanidade, cujo Patrono maior é, certamente, não o Cristo de Peixes que já veio mas o do Aquário por advir. Sobre isso, é o próprio Professor Henrique quem diz:

A nossa Ordem (ou do Santo Graal), entretanto, por servir de síntese a todas as tradições passadas, e como símbolo do futuro Avatara, e consequentemente, da Nova Raça, da Nova Civilização, etc., possui DOZE GOROS, DEZ CAVALEIROS e DEZ ARQUEIROS, ao todo 32 Figuras, do mesmo modo que aquele Sol de 32 Raios que se vê por detrás dos antigos crucifixos do Cristianismo. Nas tradições orientais, são os “32 Portais da Sabedoria” que, além do mais, estão simbolizados nos dentes que guarnecem a Boca, como “Órgão da Palavra ou Verbo”.

Sendo o Ciclo imediato o do Aquário ao qual foi dedicado o nosso Templo, consequentemente, ao seu Avatara MAITREYA (de Maitri), o “Senhor das Três Mayas”, das “Três Ilusões”, das “Três Gunas” (qualidades de matéria), mas, em verdade, dos Três Mundos: o Divino, o Intermediário (como Segundo Logos, Trono, etc.) e o Terceiro que é a própria Terra…

Os DOZE GOROS ou SACERDOTES vêm a representar a Energia Espiritual SATVA, de cor amarela, e são sobre a Terra, na orgânica da O.S.G., a Guarda do REI DO MUNDO (CHAKRAVARTIN) representando ao PAI (AKBEL). A sua constelação é ORION, o seu planeta MERCÚRIO e a sua tónica AGHARTA.

Os DEZ CAVALEIROS exprimem a Energia Psicomental RAJAS, de cor azul, expressando sobre a Terra a Guarda da RAINHA DO MUNDO (CHAKRAVARTINI) representando à MÃE (ALLAMIRAH). A sua constelação é o CRUZEIRO DO SUL, o seu planeta VÉNUS e a sua tónica DUAT.

Os DEZ ARQUEIROS representam a Energia Material TAMAS, de cor vermelha, sendo sobre a Terra a Guarda do PRÍNCIPE DO GRAAL (AKDORGE) representando ao FILHO (MAITREYA). A sua constelação é SIRIUS, o seu planeta MARTE e a sua tónica BADAGAS.

Como a função dos Adeptos Humanos, de natureza Jiva, não é agir sobre os que participam de uma Obra não-Humana, de natureza Jina, o que seria uma falha grave na Ética Iniciática, acontece que os 32 Membros ou Templários do Graal, dirigidos pelo 33.º que é o próprio Mestre Fundador, poderão apontar, se evolução tiverem para tanto, dificuldade quase insuperável nos dias d´hoje, o Caminho de Agharta que falta saber a esses mesmos Adeptos Humanos. Por isso se diz – disse o Manu Vaisvasvata ou Supremo Dirigente da actual Raça Humana – que os verdadeiros Makaras (Sacerdotes) e Assuras (Instrutores) da Obra do Deus Akbel têm o dever de ir ao encontro dos Adeptos Humanos e concluir a ligação celeste, já realizada por Eles, ao seio da Terra, à Mansão dos Deuses ou Shamballah. Isso é feito sobretudo por transmissão oral e prática, e não tanto por manuscritos ou coisa que o valha. Mas, repito, só um verdadeiro Iluminado Jina pode estar à altura de um verdadeiro Iluminado Jiva, para que o reconhecimento e a relação se estabeleça.

Ao estabelecer inicialmente 32 Membros como assento, ponto de origem da Ordem do Santo Graal, o Professor Henrique José de Souza reproduziu em forma humana aquele Sol de 32 Raios que se acha por detrás do Trono do Rei do Mundo em Shamballah. É o valor do Bodhisattva, Maitreya o Compassivo – Objecto de Redenção. Assim, Shamballah e Maitreya passaram a ser prefigurados sobre a Terra no Corpo Templário da O.S.G., em princípio certamente humano, mas com certeza não terreno.

Falando de Makaras e Assuras, hoje chamados indistintamente de Munindras, tal binómio vem a reflectir as Duas Faces do Eterno, que astronomicamente são tanto Júpiter e Saturno como Mercúrio e Vénus, ou por outra, Fohat e Kundalini, “Fogo Frio” celeste e “Fogo Quente” terrestre. A Face Direita de Deus está representada na Ordem dos Templários do Santo Graal, enquanto a sua Face Esquerda representa-se na Ordem dos Tributários ou Taumaturgos, estes para os Assuras e aqueles para os Makaras, que no conjunto perfazem 888 Seres os quais são, em boa verdade, a verdadeira Linhagem do Santo Graal, matemática e estrategicamente disposta no Mundo.

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Falando em Mundo, tem-se no Sistema Geográfico Internacional 7 Embocaduras para o Mundo de Badagas, cada uma assinalada à Face da Terra pela cidade que lhe corresponde. Nesta e conectados à respectiva Embocadura, há 111 Seres Assuras, na totalidade das 7 Embocaduras perfazendo 777, cujo trabalho espiritual é estabelecerem a ligação imediata entre a actual 5.ª Raça-Mãe e a futura 6.ª Raça-Mãe (sementes de futuros Universos…). Têm a comandá-los, desde uma 8.ª Embocadura Central, 111 Seres Makaras com as suas respectivas contrapartes femininas (portanto, 222), os quais já estão dotados do estado de consciência da 6.ª Raça-Mãe, correspondendo ao Búdhico ou Intuicional, o estado Crístico da pura Inteligência Espiritual.

A Embocadura Central irradia as Revelações ou Sabedoria da Nova Era através dos 222 Sacerdotes em seu trabalho de Iniciação, transmitindo-a aos 777 Taumaturgos em seu trabalho de Teurgia no Mundo Humano. Tem-se, pois, 777 externos ligados aos trabalhos humanos, e 222 internos vinculados às actividades espirituais. É assim composto o Sistema Geográfico dos Assuras que permite o contacto do Mundo Jiva com o Mundo Jina. Não pertencendo à Obra do Eterno e à Instituição que a representa, acontece que a validade espiritual desse Sistema Geográfico valerá tanto como um “roteiro turístico” para todo o profano ou estranho aos Mistérios de Melkitsedek, excepto, possivelmente, sentir um inexplicável bem-estar d´alma nesses lugares privilegiados, mas sem saber por quê…

Reiniciando a Tradição do Santo Graal, sistematizada em uma Ordem Templária, sob a égide do Ecce Occidens Lux, reunindo uma Corte de 32 Membros num todo de 888 Seres, o Professor Henrique José de Souza deu início à Sucessão Sacerdotal Akbelina, cuja mecânica se assemelha a Sucessão Apostólica cristã, e onde a legitimidade está inteiramente nas suas Revelações e Ritos inéditos, vindo distingui-la de quaisquer outras correntezas acaso possuídas de nome semelhante mas certamente de espírito desigual. Com efeito, essa legitimidade iniciática só acontece com a fundação de raiz de uma Ordem, toda ela inédita mas que tenha por base a herança cultural e espiritual da Primitiva Tradição a ver com o trabalho a realizar por essa “nova” Ordem, assim “ressuscitando” com novo e mais amplo aspecto, mercê de Revelações e Ritos inéditos trazendo o Passado ao Presente e projectando-o no Futuro. Começa com essa fundação distinta a Sucessão Sacerdotal, sendo só o seu Fundador, ou quem o represente legitimado por ele, o único a puder investir sacerdotes. Estes, se viverem longe do Templo Supremo, serão enviados para a direcção espiritual dos Templos nos locais onde vivam, podendo, por sua vez e sempre que haja necessidade, investir novos sacerdotes, depois de aprovados pelo Fundador ou quem o represente. Se acaso se investirem vários sacerdotes de uma só vez e de momento não houver Templo ou Santuário onde os colocar para o exercício do ministério, então acolitarão o Grão-Sacerdote daquele onde estiverem, podendo os mais velhos substituí-lo sempre que haja necessidade, e assim que houver um novo Templo da Ordem serão encaminhados para a direcção ministerial do mesmo, pela ordem de antiguidade, isto é, os que foram investidos primeiro terão prioridade. Se, acaso, derivar dessa Ordem uma outra de nome diferente mas de praxis idêntica, essa outra só terá validade iniciática se for herdeira regular das Revelações e Ritos que caracterizam a primeira, acrescidos de novos aspectos da Tradição respectiva, e sendo o seu Fundador o único a poder iniciar (e posteriormente a interromper, se for caso disso) Sucessão Sacerdotal nos moldes iguais aos já apontados.

Finalmente, em guisa de desfecho, transcrevo preciosas palavras insertas em obra reservada chamada Livro do Graal, da autoria do Venerável Mestre JHS, onde a dado trecho é revelado:

Na lenda do GRAAL figura, por exemplo, a de Lohengrin, quando ele é forçado a revelar a Elsa, diante de seu pai e de toda a corte, o seu verdadeiro nome e origem: “Eu sou Lohengrin, e meu Pai é Parsifal”. E depois relata que tais cavaleiros velam pelo Graal, expresso numa Taça contendo o Sangue de Cristo. E que anualmente “uma Pomba desce do Céu para renovar o Mistério contido na referida Taça”… E depois parte na mesma barquinha em que veio, puxada por um cisne branco.

Lohengrin, Artus e outros mais cavaleiros, figuram em todas as lendas relacionadas com o Graal. Na vida de Buda, entretanto, fala-se nas 4 Taças ou Cálices. O Mistério da Comunhão Espiritual do Homem com a sua própria Divindade, expressa em seu Eu ou Consciência Interna.

Por tudo isso e muito mais ainda, é que no Altar do nosso Templo figura uma GRANDE TAÇA ou CÁLICE, circundada por dois candelabros de 7 velas cada um (os Sete Arcanjos, Dhyan-Choans, Swans, Sweens que têm por expressão viva o próprio CISNE das referidas lendas). Por detrás do Cálice está a Tríade Superior, ou o Triângulo do Supremo Arquitecto. Haverá, por acaso, na Face da Terra um Templo que alegorize – com tanta elevação e transcendência – o Mistério da União do Homem com a sua Consciência? Mas, justamente pela razão daqueles Templos do Cristianismo possuírem a sua parte esotérica, que talvez a própria Igreja a desconheça, é que eles figuram em forma septenária em torno do nosso Templo. Templo dedicado a todas as religiões do mundo, e consequentemente à PAZ UNIVERSAL, para não dizer, ao Culto de Melkitsedek, que é o da “Comunhão Espiritual” entre todos os seres da Terra.

OBRAS CONSULTADAS

Vitor Manuel Adrião, Guia de Lisboa Insólita. Éditons Jonglez, Paris, 2010.

René Guénon, O Rei do Mundo. Editorial Minerva, Lisboa, 1978.

Jean Tourniac, Melquisedeque ou a Tradição Primordial. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2006.

Comunidade Teúrgica Portuguesa, Grau Munindra, monografia n.º 56, O Pramantha Mágico a Luzir – I.

Sebastião Vieira Vidal, Akbel – Novo Pramantha a Luzir (Novo Paluz), 1965. Edição reservada da Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Lorenzo Paolo Domiciani, O Mistério do Santo Graal. Revista “Dhâranâ”, Maio/Junho de 1954, São Paulo.

Lorenzo Paolo Domiciani, O Mistério do Cálice. Revista “Dhâranâ”, Julho/Agosto de 1954, São Paulo.

Henrique José de Souza, Livro do Graal, 1950.

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