Sintra e os Mundos Subterrâneos – Conferência pública de Vitor Manuel Adrião Sexta-feira, Abr 22 2016 

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O autor anónimo desse poema sintrão é João da Cruz, frade jerónimo do Convento de Nossa Senhora da Pena de Sintra, segundo indicação de João Rodil que foi quem descobriu essa obra perdida num alfarrabista de Lisboa e a deu à estampa em 1993, na mesma vila de Sintra, acrescida de esboço analítico-descritivo, transliteração e notas da sua autoria.

Abri esta intervenção com excerto desse poema por entender enquadrar-se e justificar quanto se segue empós. Antes de tudo, o texto relaciona Leo ou Leão à Cristandade, isto por Cristo ser o “Leão de David”, que é dizer, descendente dessa Casa Real de Israel, esta com o Judaísmo representado por Áries ou o Cordeiro (Pascal), enquanto o Islão fica assinalado em Taurus ou o Touro simbólico da força viril do Corão de Mahometh.

De certa maneira isso vem ao encontro do tema translatio imperii onde o Sol inclinou sobre os 7 Montes de Jerusalém no Ciclo do Carneiro, depois sobre os 7 Montes de Roma no Ciclo de Peixes e agora desloca-se para incidir sobre os 7 Montes de Lisboa no Ciclo do Aquário, Lisboa tendo por alter-ego a norte essa serra mais ocidental da Europa que as brumas do mistério trazem em enigma velho de séculos feitos milénios, Sintra. Berçário espiritual de Portugal – ficando o político para Guimarães – mesmo antes de o ser, aquando, como disse João Rodil, o misterioso povo antediluviano Tuatha de Danann (ou Duat de Ananda…), ramificado em Oestrymnico (donde Estremadura) e Ophiussa (cultor da Serpente que com o passar do tempo se transformaria no Dragão dos Lusos), na realidade sendo a primitiva nação Ghaedil ou Kurat assinalada no Leabhar Gabhala, o “Livro das Invasões” dos celtas hibérnicos desde o ano 1000 a. C. descendentes dos ibéricos, dizia, aquando esse misterioso povo antediluviano mergulhou no seio da Terra nesta mesma serra e desapareceu para sempre.

Na certeza de que o chamado “Maciço Eruptivo de Sintra” originou-se há cerca de 800 milhões de anos e irrompeu à superfície há perto de 30 milhões de anos, associado ao processo da abertura do Oceano Atlântico (já de si relacionado ao mito universal do Dilúvio descrito nas tradições e escrituras sagradas dos vários povos do Oriente e do Ocidente), tem-se nesta serra o extinto vulcão a cujo cone interior teriam acedido esses povos proto-históricos e nele se fixado. Nisto assenta o conceito esotérico de Humanidade intraterrestre de Sintra, ideia pouco e mal explorada por hodiernos grupos ou entidades singulares acorrendo ao lugar sempre perseguindo as ideias que a Teurgia/Teosofia propositadamente tem deixado resvalar ao exterior. Grupos e entidades ainda assim em número ínfimo, por o tema revestir-se de secreto e enigma postando-se nos antípodas dessa outra teoria “extraterrestre”, bem mais popular e de fácil assimilação pela inteligência emocional característica do fenómeno urbano “new âge”, curioso dos mistérios inexplicáveis raramente ultrapassando o estado onírico, psíquico, onde o espantoso da imagem vale mais que o transcendente da ideia, sobretudo quando ela se revela de índole doutrinária com ordem como parede e com regra como cimento, por norma de imediato escusada sob a alegação de inibição dos sentidos e da liberdade individual, preterindo aquela e preferindo o que realmente revela-se extravagância e dispersão em desregro e desordem. Liberdade e libertinismo são preceitos hoje confusamente misturados apesar de distintos. Mas deixe-se ao Tempo o tempo necessário à experiência e amadurecimento da consciência, pois é assim que se desenvolve a Lei da Evolução de um e de todos. Sim, porque todos nascem iguais em princípio e todos crescem desiguais em consciência. Por isto, ninguém é absolutamente igual a alguém, as experiências de vida são tão numerosas e variadas quanto diversa é a Humanidade.

Cheguemos ao século VIII-IX d. C. e à invasão da Península Ibérica pelos árabes chefiados por Tarik, atravessando o Estreito de Gibraltar para logo fundarem o Gharb e o Chark, a Ibéria Ocidental e Oriental. Pelo Gharb subiram até ao centro do que é hoje Portugal e instalaram-se na Serra de Sintra a quem chamaram Al-Shantara (depois Xentra, Xintria, Cintria, Cyntia e Sintra). Quando aqui chegaram já havia comunidade judaica, sefardita, instalada no que é hoje a Vila Velha, e também cristãos logo convertidos em moçárabes ou sob regime árabe. Todos se irmanaram, todos eram monoteístas e descendentes do tronco único de Abraham. A tomada de Sintra fez-se pacificamente, nada havia a guerrear, nem podia haver guerra porque sangue humano não pode correr em terra sagrada sob risco de corrupção fatal. Assim a consideravam os mauritanos ou mouros recém-chegados, por certo os mais ilustrados sabedores das tradições antigas respeitantes ao povo desaparecido nas entranhas desta serra, ademais tomando-a por Qtûb ou Pólo Espiritual dos sete que tem o Mundo, tanto valendo por Chakra na cultura religiosa hindu, com o significado de “centro bioenergético”, à letra, “roda”.

É assim que seguindo a transcrição geográfica do geógrafo andaluz Al-Údri (Dalías, 1003 – Almeria, 1085), o também geógrafo, astrónomo e cronista Abu Ibne Mahmud Al-Qazwini (1203-1283), árabe possivelmente de descendência persa, na sua Ajâ´ib al-Buldân, “Maravilhas dos Países”, descreve a costa do mar de Sintra e fala das suas cavernas maravilhosas onde habitam os Djins aonde vão os crentes, tanto corporalmente como espiritualmente, tanto por méritos conquistados em vida como por méritos desfrutados pós-morte. Dispõe aí o Éden, o Paraíso Terreal, o Monte Meru ou a Montanha Kâf expressiva do Áxis-Mundi como Qtûb do mesmo, Tubo Cósmico que liga a Terra ao Céu e ao Inferior Lugar dos Deuses, verdadeiro Locus Amoenus ou Arcádia dos Eleitos. “Tubo Cósmico” esse assinalado na coluna central da igreja votiva de Janas, próxima de São Lourenço das Azenhas do Mar, estabelecendo a ligação entre a assembleia redonda dos fiéis, o céu de Sintra e a cripta cemiterial abaixo, marcando o pouso subterrâneo para onde vão as almas dos justos.

Kâf, a Montanha Primordial na Geografia de Al-Qazwini

Falei em Djins, convirá explicar o que sejam na cultura religiosa pré-islâmica e islâmica. Indicam os Génios, Jins ou Jinas indicativos tanto das forças vivas da Natureza (elementais), com isso podendo ser benévolos, virtuosos e protectores, como igualmente malévolos e tentadores, dependendo da sua condição natural na escala evolutiva por maior aproximação ao estado angélico puro ou por proximidade à condição humana comum e imperfeita, a quem imitam e influenciam-se reciprocamente como, repito, forças vivas mas cegas ou inconscientes, primárias, da mesma Natureza. Mas há também outro significado mais afim à condição jina de Sintra, atendendo desde logo ao sentido filológico árabe de Djin, “aquele que não se pode ver”, isto é, está ocultado, encoberto no seio da Terra, desde logo remetendo para a ideia do Adepto Perfeito, Génio ou Jina que desde os alvores do Tempo guia secretamente a Humanidade postando-se entre esta e o Mundo Espiritual. É o Jina Superior para o outro estado de Jina Inferior, pelo qual opera como Marid ou Maridj, em português Mariz, classificado no Islão como da classe mais poderosa de Djins a que os Vedas classificam de Mahatmas, “Grandes Almas”, o “Génio Solar sobre-humano”, Tachu ou Traichu, familiar do sânscrito Tirtânkara (de que se serviu a Igreja para criar o seu Colégio de Cardeais), cujos poderes psicomentais fazem com que os Maruts ou Marutas, as “forças vivas da Natureza”, obedeçam inteiramente à sua poderosa vontade.

O Anjo e o Jina na Geografia de Al-Qazwini

Maridj, Marid, Maru, Mauro, Morya ou Mouro, diz a Tradição Iniciática das Idades, veio a constituir a poderosa Linha de 111 Adeptos Independentes que desde o seio da Serra de Sintra (Al-Shantara) vibrou intensamente sobre a Humanidade em prol da sua evolução e, particularmente no que aos portugueses se refere, influindo na formação da Nacionalidade e até mesmo na diáspora nacional, sobretudo no período dos Descobertas Marítimas, episódios figurando na chamada História Secreta de Portugal.

A procura da absorção transcendente no Seio da Mãe-Terra (Mater-Rhea, Matéria), levou muitos místicos árabes a iniciarem vivência anacorética em Al-Shantara, como o pastoril Ibne Mucane Alisbune, de Alcabideche (séculos X-XI), ou o santão Becre Ibne David Al-Xintari (“de Sintra”), coevo do Conde D. Henrique, peregrino, eremita, pregador, poeta e asceta da Serra da Lua, tendo pregado uma religião onde Islamismo, Cristianismo e Judaísmo se acordavam harmoniosamente. Quando em 1147 D. Afonso Henriques e a Ordem dos Templários chefiados por D. Gualdim Pais ocuparam pacificamente Sintra, encontraram nela todas as condições para se estabelecer um Feudo de Amor onde três raças e respectivas três religiões conviveram harmoniosamente durante séculos. Tudo isso contribuiu para aumentar ainda mais a aura sagrada da serra e propagá-la ao restante país e aos povos distantes tanto da Europa Central e do Norte como do Magreb, fama depois alcançando a Ásia e o Novo Mundo, a América, sobretudo o Brasil, em cuja cidade de São Paulo não falta o topónimo Nova Cintra, hoje freguesia do Espírito Santo.

Essa vivência anacorética procurando o estado Jina por entre as penhas e grutas de Al-Shantara, influenciaria também a místicos judeus e cristãos deste lugar serrano. Talvez o exemplo mais notável de asceta judeu tenha sido Bernardim Ribeiro (1482-1552), o autor da obra pastoril Menina e Moça que viveu recolhido no Castelo dos Mouros durante algum tempo. Outro exemplo notável de vida ascética em celas escavadas na rocha pura foi a dos Capuchos do Convento de Santa Cruz, no século XVI, havendo ainda notícia de cristãos eremitas em São Saturnino, próximo de Almoçageme ou Al-Mesjid, “a Mesquita”, possível alusão à Azóia mesquital vizinha do Cabo da Roca ou Capum Serpens, ponto mais ocidental da Europa onde a mesma acaba… ou começa, assim dispondo Sintra como a serra mais ocidental do continente, ela mesma direcionada de Este a Oeste, neste país sob a égide de Peixes onde o Sagitário domina sobre toda a Península Ibérica ou Terra de Sepharad, literalmente “coelho”, totem tradicional da Sintra atlante e animal lunar representativo do Mundo Subterrâneo. Donde o dito dos hermetistas andaluzes: Conejo, conejo, contigo al Infierno yo desço.

O Sagitário e o Peixe-Caprino (figurino do Makara) na Geografia de Al-Qazwini

Esse ditado vai ao encontro daquela outra Visita Interiora Terris Rectificando Invenius Occultum Lapidem (“Visita o Interior da Terra, rectificando descobrirás a Pedra Oculta”), que até hoje a Maçonaria Especulativa utiliza na sua Câmara de Reflexão a qual não significa tão-somente o estado psicológico da condição pessoal, mas sobretudo, passando do simbólico ao efectivo ou real, o estado de mergulho interior no Ser individual (transformar a “pedra bruta” em “pedra polida”) para efectivamente poder descer ao Seio da Terra, rectificado, alinhado ou integrado, indo assim encontrar a Pedra Filosofal, sinónima de Iluminação Espiritual e o que os Iniciados chamam de Luz de Chaitânia. Era isto que os místicos da Serra de Sintra demandavam no bojo de seu seio. Muitos terão encontrado, como também muitos maçons terão descoberto sobretudo quando a palavra de passe na sua Ordem era V.I.T.R.I.O.L., ou então Heinrich na Maçonaria do Arco Real alemã do século XVIII, que é dizer, Henrique, Allah-Rishi, El-Rike. Com isto, ainda aqui, é bom que se saiba, que tal como num Templo de Iniciação também nenhuma Embocadura abre por fora, só de dentro para fora, donde resulta que todo o esforço corporal ausente de noção espiritual, como seja pretender entender e abarcar o espaço sagrado por padrão profano, redunda sempre em fracasso, inevitável desfecho inglório da vã ilusão dos sentidos.

Ademais, a verdadeira Realização Interior alcança-se por esforços próprios, porque realmente ninguém pode evoluir por alguém, quanto muito só aconselhar se predicados e experiência prudente tiver para tanto. Prudência para evitar danos graves ao afirmar que a Evolução é geradora de causas produzidas na Face da Terra e que só na mesma se evolui como Teatro da Vida, pois nos Mundos Internos dos Deuses apenas se usufrui os efeitos benéficos dessas mesmas causas. Com tudo, rareará sempre nos caminhos de demanda aquele(a) que consegue chegar ao fim da jornada fiel à Lei que a tudo e a todos rege, e vitorioso penetrar em seu Reino Interno penetrando em consonância no Mundo Interno da Mãe-Terra que é o Corpo do Logos Planetário de quem somos “células”, vendo finalmente realizarem-se as palavras intuídas do poeta Joaquim Nunes Claro (Lisboa, 20.4.1878 – Sintra, 4.5.1949):

Quem quer que sejas tu que neste abrigo

Vieste em hora mansa hoje parar,

Feliz, vens encontrar aqui contigo

Os tesouros que andaste a procurar.

Posto isso e no seguimento das descrições ctónicas de Sintra pelos sábios árabes, no século XVIII e ao serviço do rei D. João V de Portugal, o botânico suíço Charles-Fréderic de Merveilleux descreve as grutas encantadas de Sintra guardadas por génios temíveis, afirmando mesmo ter penetrado nesse Mundo Subterrâneo nas suas Memórias Instrutivas de Portugal (1723-1726), rematando em dada passagem dessa obra: “Enquanto estive na Serra de Sintra cheguei à conclusão que esta serra é constituída de uma maneira muito particular e a tal ponto que julgo não haver outra assim em todo o mundo. Neste país (reino de Portugal) tudo é mistério, sortilégio e magia”.

No dealbar do século XX a fácies oculta de Sintra relativa ao Mundo Subterrâneo seria divulgada com imparidade única pela pessoa singular do Professor Henrique José de Souza (São Salvador da Bahia, 15.10.1883 – São Paulo, 9.10.1963), brasileiro de ascendência portuguesa fundador da Sociedade Teosófica Brasileira em 1928. Tendo conhecido de perto Portugal, sobretudo Lisboa e Sintra onde esteve em 1899, Henrique José de Souza dedicaria a esta Serra Sagrada páginas brilhantes com conteúdos inéditos nunca antes falados que deixaria à posteridade tanto em números avulsos da revista Dhâranâ, órgão oficial da S.T.B., como em escritos privados aos seus condiscípulos, as chamadas Cartas-Revelações. O Professor indicaria mesmo a Serra de Sintra como localização geográfica de um dos Chakras Planetários de maior importância na Evolução actual do Mundo, como seja o quinto relacionado à Laringe (Chakra Vishuda), âmbula do Verbo Divino por onde escoa o Fogo do Espírito Santo, que é dizer, Kundalini como Força Criadora da Idade Futura do Género Humano, o consignado Quinto Império da Humanidade corresponde à Realização de Deus, esta a quinta linha da Ode ao Som ou Odissonai, cuja cenografia de teatro ritualizado foi revelada pelo mesmo Mestre Vivo, como assim o reconhecem Teúrgicos e Teósofos.

Segundo a tese teosófica de Henrique José de Souza, a Terra reparte-se interiormente em vários espaços distintos constituindo mundos diversos afins aos vários estados de consciência e matéria, como sejam: Face da Terra para o estado sólido; Mundo de Badagas para o estado etérico; Mundo de Duat para o estado astral; Mundo de Agharta para o estado mental; Shamballah, Núcleo Interno do Globo como capital ou centro desse último Mundo, para o estado espiritual tripartido em flogístico, etérico e atómico. Cada um desses Mundos, por sua vez, reparte-se em sete estados chamados lokas, indo constituir núcleos distintos que, de modo simplificado, identificam-se como “sete cidades aghartinas, sete cidades duats, sete cidades badagas, também chamadas sedotes, jinas ou do submundo”, finalmente expressas em sete lugares distintos de um espaço único sobre a Terra por onde as energias internas irradiam, sendo uma espécie de sub-chakras de um Chakra como oitavo, o que constitui um Sistema Geográfico símile planetário de um Sistema Solar onde o Sol tem em seu redor sete Planetas principais. Cada um manifesta um estado de consciência empático a um estado de matéria, indo o Oitavo representar a própria Divindade Uno-Trina. Por esta razão o Professor Henrique José de Souza estabeleceu a seguinte analogia: “Sintra é como uma serpente de sete cores afins a sete substâncias”, como sejam os sete elementos naturais chamados tatvas: atómico, subatómico, etérico, aéreo, ígneo, aquoso e terrígeno. Por tudo isto, desde 1978-1984 dei como constituindo o Sistema Geográfico de Sintra os seguintes lugares da Serra Sagrada: 1.º Castelo dos Mouros – Sol; 2.º Santa Eufémia – Lua; 3.º São Martinho – Marte; 4.º Seteais – Mercúrio; 5.º Parque da Pena – Júpiter; 6.º Lagoa Azul – Vénus; 7.º São Saturnino – Saturno; 8.º Quinta da Trindade – Sol Oculto. É nos Sistemas Geográficos que a Evolução se processa com maior desenrolo e a Divindade se faz sentir com maior intensidade, tudo em conformidade ao trajecto peregrino da Mónada evoluinte de Oriente a Ocidente, o tradicionalmente chamado Itinerário de Io.

O Sistema Geográfico de Sintra estava assinalado na estrela de sete pontas que ornava a imagem da Virgem do Ó na Quinta da Trindade, e nas estrelas de pontas, encerrando as letras do nome de Maria, no frontal do altar de Nossa Senhora da Peninha. Foi aqui, faz anos, que um dia o guarda do eremitério da Peninha me desferiu no rosto o flagrante: “Sabe que há vida abaixo destas pedras?” Ou então o que “frei” Gaspar, antigo guarda do Convento dos Capuchos, desassombrado contava: “Às vezes saio daqui por uma caverna e vou pescar no mar”… que fica distante uns bons pares de quilómetros. Histórias, mil histórias tão assombrosas ou mais que essas vim ouvindo ao longo dos anos de gente vivendo próxima do Pouso dos Deuses, pessoas algumas já partidas desta vida e que mais me pareciam Gentes del Outro Mundo, citando Mário Roso de Luna, outro iluminado embevecido pelos mistérios de Sintra.

Para desfechar esta dissertação já longa, respigo alguns excertos soltos de Cartas-Revelações do Professor Henrique José de Souza referentes a Portugal e sobretudo a Sintra.

Diz na Carta-Revelação de 7.7.1941: “Sublime homenagem prestada ao Posto Português, em verdade, o de maior Irradiação por alcançar toda a Europa”.

Adiantando na Carta-Revelação de 28.04.1958: “… Muito antes já se tinha revelado que a Serra de Sintra também é formada de sete substâncias. Lá nasceu a Obra, no Avatara de 1800. Lá esta mesma Obra se ocultou em seu seio, velada por Dois Kumaras, enquanto outros Dois acompanhavam as duas cigarras que ficaram, naquele túmulo frio e pétreo, como o maior e mais digno de todos os Túmulos. Portugal, tu és a origem da Raça Brasileira. E esta formada por sete elos raciais, que tu guardavas também no teu régio arquivo, como provam as tuas ruínas, a profecia da Serra de Sintra.”

E finalmente na Carta-Revelação de 3.05.1958: “O Quinto Sistema naquele lugar, isto é, em Portugal, na Serra de Sintra, onde a sibila estampou o mistério do Futuro… o mistério do Quinto Império, também cantado pelo poeta lusitano que fala de um só Altar, de um só Cálice de Ouro que haverá de luzir. Portugal, Arquivo das Raças de Elite, principalmente greco-romanas, não podias deixar de ser o Quinto Sistema. Não esquecer que o Manu Ur-Gardan, que trouxe o seu povo da “Terra (celta) do Fogo”, veio ter a Portugal ou Porto Galo, dando como capital de toda essa região Ulissipa, como feminino de Ulisses, o grande herói de Tróia, donde procede o mistério do Odissonai, que é a origem de todas as Odes, de todos os Psalmos, Cânticos, etc.”.

Resta terminar dizendo que essas e outras informações detalhadas pertinentes ao tema em questão constam do meu livro Portugal – Dimensão Oculta (Luz do Grande Ocidente), dado à estampa pela Chiado Editora nesta cidade de Lisboa em 2015 e agora apresentado ao público geral.

Por fim, reitero que o mistério da descoberta espiritual de si mesmo pode conduzir à revelação do seio da Mãe-Terra que, no particular Luso, centra-se em Sintra, já de si assinalada em sua condição feminina pela Lua por onde se esprai o fulgor de Vénus, a Stella Maris, igualmente sinalética estelar da Ordem Maior Soberana da Portugalidade no Mundo desde esta mesma Serra Sagrada: Mariz.

Tenho dito. Muito obrigado pela vossa atenção.

A Mensagem Lusófica em “Os Lusíadas” – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Abr 12 2016 

Camões - cabeçalho

Inicio este estudo com a dedicatória ao “príncipe dos poetas portugueses”, Luís de Camões, o épico de nossa História Literária e precursor da bandárrica Sebástica Messiânica ou Sephardim de Gonçalo Anes, o Bandarra, do Padre António Vieira, de Guerra Junqueiro, de Sampaio Bruno, de António Sérgio, de Fernando Pessoa, de Agostinho da Silva, de António Telmo, de Pinharanda Gomes e de tantos outros mais excelentes na Mítica da Nacionalidade e na Mística do Marear Português, do pressentir ou augúrio do Futuro de Portugal nas Primícias do Mundo.

Luís Vaz de Camões terá nascido cerca de 23 de Janeiro de 1524/1525 possivelmente em Lisboa[1], filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, vindo a falecer na mesma capital portuguesa em 10 de Junho de 1580. Quatrocentos e alguns anos após a sua partida deste mundo, tem-se ainda estar por descobrir o enigma profundo por detrás do homem, do académico coimbrão, do poeta e filósofo de Os Lusíadas e de tantos outros sonetos e rimas de primor maneirista, do aventureiro de capa e espada nos exílios de África, da Índia e de Macau, do romântico apaixonado em amores perdidos nas paixões fugazes da vida…

Mais que todas essas facetas da sua vida terrena ou corporal, Camões é sobretudo o cantor alumiado pelo génio da Pátria bafejada pelos Deuses que na mesma tomam forma humana como Filhos da Luz, os Lusos da progénie de Luso filho de Baco, o Deus da Sabedoria, e o fez transformando a mitologia dos clássicos em Mítica Nacional a que deu o nome épico de Os Lusíadas, assim mesmo dispondo no poema imortal a Lusofia como Sabedoria Lusa, destinada a tornar-se a “bíblia” da Lusofonia no Mundo. Com isso, Camões é mais que tudo o Homem-Representativo do Espírito Português, também ele ambicionando o desejado Quinto Império da Humanidade quando do mais fundo do seu íntimo arremeda estas palavras aos homens: “… Não temais perigo algum nos vossos Lusitanos… que vejais esquecerem-se Gregos e Romanos, pelos ilustres feitos que esta gente há-de fazer…” (Os Lusíadas, II, 44).

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Para escapar aos juízos implacáveis da Inquisição na pessoa do censor frei Bartolomeu Ferreira, Luís de Camões ao escrever Os Lusíadas, o “Livro Sagrado de Portugal” no dizer de António Telmo[2], teve que velar o Conhecimento Espiritual, que recolhera nas fontes iniciáticas da época, sob a roupagem de fábulas e alegorias retiradas da mitologia greco-romana, mas entremeando-as com episódios bíblicos da patrologia, vindo a sobressair dessa exegese magnífica os feitos épicos dos Maiores de Portugal em uma discorrência entre a bruma do mito e a heterodoxia do sagrado que a Inquisição não soube apreender, por miúda visão e mais miúdo entendimento, como facilmente se depreende das palavras do próprio frei Bartolomeu Ferreira no Alvará Régio da edição de 1572 de Os Lusíadas: “Vi por mandado da santa & geral inquisição estes dez Cantos dos Lusiadas de Luis de Camões, dos valerosos feitos em armas que os Portugueses fizerão em Asia & Europa, e não achey nelles cousa algűa escandalosa nem contrária â fe & bõs custumes, somente me pareceo que era necessario aduertir os Lectores que o Autor pera encarecer a difficuldade da nauegação & entrada dos Portugueses na India, usa de hűa fição dos Deoses dos Gentios. E ainda que sancto Augustinho nas sas Retractações se retracte de ter chamado nos liuros que compos de Ordine, aas Musas Deosas. Toda via como isto he Poesia & fingimento, & o Autor como poeta, não pretende mais que ornar o estilo Poetico não tiuemos por inconueniente yr esta fabula dos Deoses na obra, conhecendoa por tal, & ficando sempre salua a verdade de nossa sancta fe, que todos os Deoses dos Gentios sam Demonios. E por isso me pareceo o liuro digno de se imprimir, & o Autor mostra nelle muito engenho & muita erudição nas sciencias humanas. Em fe do qual assiney aqui. Frei Bertholameu Ferreira”.

É crível Luís de Camões ter tido os seus primeiros contactos com os sobreditos meios esotéricos ainda na sua juventude, possivelmente quando estudante em Coimbra sob a protecção e educação do seu tio Bento Camões, na época chanceler da Universidade e prior dos agostinhos do Mosteiro de Santa Cruz, dizendo a tradição mais oral que documentada Camões ter-se revelado estudante indisciplinado mas ávido de conhecimentos, interessando-se pela História, Cosmografia e Literatura Clássica[3], por esta recebendo a influência determinante de Dante Alighieri, Homero, Francesco Petrarca e Virgílio, sobretudo do primeiro indo reparar-se que a estrutura de Os Lusíadas é muitíssimo semelhante à de A Divina Comédia.

Sabe-se que no século XVI a agremiação esotérica Los Alumbrados ou os Filhos da Luz, que é dizer, iluminados nas antigas tradições pitagóricas e platónicas em que se vazava a filosofia da Kaballah e da Alquimia (Allah-Chêmia), tinha sede em Sevilha e possuía ramificações em Portugal junto dos centros culturais da época[4], inclusive a sua influência terá penetrado a corte do malogrado jovem rei D. Sebastião por via de alguns intelectuais da época, como Manuel de Portugal e António Ribeiro Chiado, coevos próximos de Luís de Camões. O subentendido da filosofia oculta sob a aparência de a quem se dirige em termos inocentes, deixa-o claramente Manuel de Portugal na sua écloga seguinte[5]:

“Certamente eu trazia errada a conta,

que´inda há quem nos renove o tempo antigo,

de que tanto se escreve e tanto conta;

agora me repreendo e me castigo;

fazia à nossa Lusitania afronta:

cuidei que só buscava prata e ouro,

buscaste-me no meu escondedouro.”

Parece que os Alumbrados baseavam a sua doutrina nas ideias cátaro-maniqueístas[6] do século XIII, em cuja escatologia doutrinal consideravam ter sido originalmente “Lúcifer o Anjo Bom e principal sustentador do Bem Eterno e da Luz Universal”[7] antes da sua Queda, chegando mesmo a associar a pessoa de Cristo a Lúcifer como expressivo de Vénus. Essas e outras heterodoxias revelaram-se aos olhos políticos de Roma autênticas heresias, pretexto para a sua Cruzada contra os Cátaros entre 1209 e 1244, por instigação do Papa Inocêncio III, e a exterminação dos mesmos, sendo que os que sobreviveram procuraram a parte ibérica dos Pirenéus indo instalar-se sobretudo na Catalunha e em Aragão, neste encontrando receptividade na corte de D. Pedro III e de sua mulher Constança da Sicília, pais da futura Rainha Santa Isabel a qual, significativamente, no seu processo de beatificação é chamada “Rainha Branca”, sendo que “branco” era apodo de “puro” ou katter, ou seja, cátaro.

Segundo Sampaio Bruno[8] e o mesmo António Telmo, Camões teria sido um maniqueu no seu maneirismo literário, algo assim como um fidelli d’Amore cuja doutrina alumbrada aparenta resumir no Canto IX (e X) de Os Lusíadas: A Ilha dos Amores. Ora a palavra de reconhecimento, o santo-e-senha dos confrades dessa sociedade esotérica era a palavra Amor, inversão literal do termo Roma a quem os alumbrados ou alumiados, como anteriormente os cátaros e os maniqueístas, consignavam por morada do Anti-Cristo, incarnação da morte e do ódio marcadas pela intransigência da “infabilidade papal”, consequentemente sendo o oposto do espírito eclético que deveria marcar a Igreja de Amor sempre nos antípodas da antítese do Cristo, incarnação do Amor e da Vida, segundo os mesmos fidelli. Amor, Roma, Mors, Morte

simbolo dos Alumbrados

Como disse, a casa-mãe dessa organização esotérica estaria instalada em Sevilha e julgo ter sido nela, ou em alguma sua ramificação portuguesa, que Luís Vaz de Camões terá recebido a luz dos seus mistérios mais recônditos e profundos, ou as suas mais “recônditas heresias” para a Igreja Romana, tal como já anteriormente teria sucedido com Cristóvão Colombo, odiado de morte pelos teólogos da cúria papal, conforme demonstram as suas ingerências perniciosas conspirando entre os reis católicos de Espanha e o almirante português.

Como na vida de todos os verdadeiros Iniciados na Sabedoria de Deus, também Luís de Camões não escapou a provar com intensidade da taça do fel das agruras e provações mundanas, constantemente pondo à prova o seu carácter humano e o seu virtuosismo espiritual, homem rico por dentro, pobre por fora mas nunca fugindo aos seus deveres para com o mundo.

Devo agora adiantar que o objectivo das Fraternidades Iniciáticas sempre foi e será um só: o de levar o ser humano a se conscientizar e a viver a sua realidade interna, os seus verdadeiros e, em última análise, únicos objectivos na vida. O ser humano deverá adaptar-se às suas características originais e não apenas à vida vegetativa, e sim procurar viver a vida plena em que a mesma vida como energia se acresce, transforma em mais vida, energia e consciência. Isto é essencialmente a verdadeira Iniciação.

Astrologicamente[9], a referência às “estrelas infelizes” que logo o “fizeram (…) obrigado”, denuncia o conhecimento do seu tema natalício que, de facto, era-lha extremamente desfavorável. O Sol estava em “exílio”; Marte, o princípio masculino, estava “peregrino”; Júpiter, o indicativo da abastança e das pessoas altamente colocadas na sociedade, estava “forte”, mas em “conjunção” com Saturno, o travão, o criador da pobreza, mas mestre da rectidão, encontrando-se ambos em Peixes, regente de Portugal, signo que dessa forma era-lhe adverso, remetendo-o ao desterro, ao exílio. A Lua, que representa o princípio feminino, estava “peregrina”, caminhando para quarto minguante indo, pois, perdendo luz, além de se encontrar na casa 12, que Camões denomina o “inferno do horóscopo”, por corresponder às dores, às tristezas, aos hospitais, às prisões; para o poeta, a Lua representava a mãe que perdera ao nascer e a esposa que jamais encontrara.

Ao escrever Os Lusíadas, bem podendo considerar-se a “bíblia sagrada” dos lusos no conspecto místico-patriótico, o Iluminado veio a revelar o seu alto Saber desvelando a origem divina do Reino e o excelso Futuro que lhe cabe cumprir!…

Na monumental “Ode Lusitana”[10], Camões revela-se polígrafo na vastidão dos seus conhecimentos das ciências clássicas da época, como a geografia, a matemática, a medicina, a filosofia e a literatura, evidenciando profundo saber da mitologia greco-romana, da astrologia e do hermetismo. As «fantasias» do poeta, como alguns pretendem hoje, esvaem-se completamente se perspectivadas pelo modo sagaz, com muita “arte e manha”, onde por perífrases e prolepses construiu parábolas afins à exegética da Sabedoria Iniciática das Idades exposta no modo maneirista do tempo, espécie de prebarroco, que sabia colocar na sua condição exacta de Iniciado, ficando tão bem sintetizada e ordenada nesta sua tão soberba quão magistral Epopeia Lusófica.

Disse ordenada por os 10 Cantos ajustarem-se inteiramente ao esquema kabalístico da Árvore das Sephirots ou “Emanações Divinas”, contendo cada Canto ou “Corpo” a sua “Alma” em determinado número de estrofes, e o seu “Espírito” ou chave-mestra em estrofe principal que encerra a mensagem de todo o Canto e a profecia que lhe dá “Alma”.

KETHER (COROA) – (CORPO, NEPHESEH) – CANTO I.

ALMA (RUACH) – ESTROFES 20-43 (1.º CONCÍLIO DO OLIMPO).

ESPÍRITO (NESCHAMAH) – ESTROFE 28 (1.ª PROFECIA DE JÚPITER):

“Prometido lhe está do Fado eterno,

Cuja alta lei não pode ser quebrada,

Que tenham longos tempos o governo

Do mar que vê do Sol a roxa entrada.

Nas águas tem passado o duro Inverno;

A gente vem perdida e trabalhada.

Já parece bem feito que lhe seja

Mostrada a nova terra que deseja.”

1.ª linha: Promessa a Portugal de Protecção Superior (Kether) no seu Fado ou Destino.

2.ª linha: A Lei Suprema é sempre imutável como Pensamento de Deus.

3.ª linha: Seja a Lusitânia no governo longo do destino do Mundo.

4.ª e 5.ª linhas: Neptuno (Kether) entra em Peixes (Mar) pelo Oriente (Sol nascente ou entrante).

6.ª, 7.ª e 8.ª linhas: A continuação dos Cantos vem a revelar Portugal como Berço do V Império do Mundo (a nova terra que deseja), devido ao esforço e amadurecimento do Luso como essencialmente Filho da Luz (6.ª linha).

CHOKMAH (SABEDORIA) – CORPO – CANTO II.

ALMA – ESTROFES 44-45 – (VATICÍNIOS DE JÚPITER À LUSITÂNIA).

ESPÍRITO – ESTROFE 45 (2.ª PROFECIA DE JÚPITER):

“Que, se o fecundo Ulisses escapou

De ser na Ogígia Ilha eterno escravo,

E, se Antenor os seios penetrou

Ilíricos e a fonte de Timavo,

E, se o piedoso Eneias navegou

De Cila e de Caríbdis o mar bravo,

Os vossos, mores cousas atentando,

Novos mundos ao mundo irão mostrando.”

Cosmogonicamente, o “fecundo Ulisses” é o fulgurante Sol ou Ur, enquanto a sua fuga da Ilha Ogígia da ninfa Calipso, é referência velada à sua contraparte aquática, Ânia, assim mesmo expressando Deus Pai-Mãe revestidos dos dois princípios universais, Fogo e Água, com que foi criado o Universo e que ao mesmo sustêm e animam. Daí ter-se Ur+Ânia, ou seja, Urânia, esta o aspecto feminino de Urano (Chokmah) representado por Antenor, o troiano que escondeu Ulisses em sua casa, isto é, astrologicamente o Sol em Urano, propiciador de todas as energias positivas ou masculinas que animam o Universo através da Corte Celestial ou Hierarquia Criadora dos Querubins, os mesmos Senhores da Sabedoria assinalados no constelado celeste pela Ursa Maior ou Sapta-Rishi.

As duas últimas linhas estróficas sentenciam que mais do que fizeram Gregos e Troianos farão os Portugueses, conforme a profetizada edificação de Nova Civilização marcando a Renascença Sinárquica soerguida sobre o carácter (moral) e a cultura (mental) superiores, indo a Humanidade auferir de novas luzes abrindo um novo e mais amplo estado de consciência colectiva e da qual foi augúrio a Diáspora Marítima de Quinhentos, ou antes, o primeiro arremesso como saque espiritual ao Futuro, procurando fundir em uma só todas as raças pelo entrecruzamento consanguíneo dando possibilidade à geração de uma Nova Civilização a cujo surto não é alheio o Planalto Central do Brasil, a “Nova Lusitânia” aclamada por Pedro de Mariz em seus Diálogos de Vária História (Coimbra, 1594).

BINAH (ENTENDIMENTO) – CORPO – CANTO III.

ALMA – ESTROFES 1-21 (INVOCAÇÃO A CALÍOPE).

ESPÍRITO – ESTROFE 20.

“Eis aqui, quase do cume da cabeça

Da Europa toda, o Reino Lusitano,

Onde a terra se acaba e o mar começa

E onde Febo repousa no Oceano.

Este quis o Céu justo que floresça

Nas armas contra o torpe Mauritano,

Deitando-o de si fora; e lá na ardente

África estar quieto o não consente.”

Geosoficamente ou segundo a geografia sagrada, a Lusitânia é o rosto da cabeça da Europa alcançando o topo, o “cume da cabeça” ou “Monte do Entendimento” que é regido por Capris, o Caprino ou Capricórnio, o Cumara cuja Esfera Divina é Binah domicílio de Saturno e região da Hierarquia Assura ou Arqueu, a dos Senhores do Mental como a primeira do Globo Saturnino que foi o primeiro a manifestar-se neste Sistema de Evolução Universal. Donde Saturno ou Sat-Ur-Anas ser chamado de “Avô do Universo”.

“Onde Febo repousa no Oceano” designa o ocaso, onde o Sol se põe, o Ocidente (Occidis), com isso assinalando Portugal como o mais velho e mais ocidental dos reinos da Europa.

O “Céu e as Armas” estróficas (parecendo evocar “a cruz e a espada” do emblema dos alumbrados) ajustam-se bem à natureza matrística de Binah, nome da Mãe Divina para os cabalistas judeus. Esses dois elementos significam a Fé e a Força, a Pena e a Espada, a Mãe (“Céu florescido”) assegurando a Força do Filho (a Humanidade) através das “armas” interiores que são, essencialmente, a força de carácter determinante da pureza de conhecimento.

“Torpe Mauritano” não é só, como aparenta, o homem africano, o tipo humano mais antigo da Terra descendente directo da 3.ª Raça-Mãe Lemuriana. É também e sobretudo a metáfora simbólica das paixões, vícios e desregramentos perniciosos de todos os homens e povos atrasados tanto em carácter como em cultura, cabendo aos verdadeiros Lusos como Filhos da Luz combater e transformar essas mesmas “arestas” da personalidade humana, levando-a à formação e integração na individualidade espiritual, o que em termos maçónicos é representado por debastar a pedra bruta em pedra polida para finalmente conseguir formar a pedra pontiaguda, ou por outra, a pedra filosofal simbólica da Iluminação Superior.

CHESED (MISERICÓRDIA) – CORPO – CANTO IV.

ALMA – ESTROFES 67-75 (SONHO PROFÉTICO; 3.ª PROFECIA).

ESPÍRITO – ESTROFE 69.

“Aqui se lhe apresenta que subia

Tão alto, que tocava a Prima Esfera,

Donde diante vários mundos via,

Nações de muita gente, estranha e fera;

E lá bem junto donde nasce o dia,

Depois que os olhos longos estendera,

Viu de antigos, longínquos e altos montes

Nascerem duas claras e altas fontes.”

A “Prima Esfera” é Kether, a Coroa do Mundo, da qual se avista a imensidão esplendorosa do Universo (“donde diante vários mundos via”) em suas “Nações” ou Planos coexistenciais, através da visão espiritual ou clarividência, esta sugerida por “os olhos longos estendera”. A quarta linha alude ainda a Júpiter (Chesed), regente dos povos e nações: Tsedek. As “duas claras e altas fontes” não são tão-somente o Indo e o Ganges, como essencialmente a referência ocultada às sephirots ou “emanações divinas” Chokmah e Binah, que com a primeira, Kether, constituem as Moradas das Três Hipóstases do Logos Único ou a Santíssima Trindade na Árvore Sephirótica (Otz Chaim) expressada por Chesed por meio de Júpiter – a Misericórdia Divina.

GEBURAH (FORÇA) – CORPO – CANTO V.

ALMA – ESTROFES 41-59 (MALDIÇÕES DE ADAMASTOR; 4.ª PROFECIA).

ESPÍRITO – ESTROFE 42.

“Pois vens ver os segredos escondidos

Da natureza e do húmido elemento,

A nenhum grande humano concedidos

De nobre ou de imortal merecimento,

Ouve os danos de mim que apercebidos

Estão a teu sobejo atrevimento,

Por todo o largo mar e pela terra

Que inda hás-de subjugar com dura guerra.”

Os “segredos escondidos da Natureza” são a sua Vida Oculta, Psicomental, cujo “húmido elemento” (Apas-Tatva, “Elemento Água”) vem a ser o produtor etérico (as “Águas do Akasha” ou “Águas da Criação”) do estado sólido, mistérios antropogénicos esses inacessíveis a homem vulgar algum e só ao verdadeiro Iniciado nos Mistérios da Vida Universal, esse que se desprendeu de si mesmo, da sua velha e profana “máscara” ou persona e ousou ir mais longe, só, sempre só, no mistério da noite íntima e sem um adeus sequer (“ouve os danos de mim que apercebidos”), ao encontro do mais elevado estado de Adepto ou Homem Perfeito que todo o Género Humano um dia será!… “Subjugar o mar e a terra” alude ao poder de Geburah (Força), que sob a influência de Marte este é assinalado na frase final: “Subjugar com dura guerra”, que é dizer, a luta interior do indivíduo entre as suas naturezas espiritual e material, afinal a maior das batalhas a travar e vencer como aquelas de Kurushetra no Bhagavad-Gïta ou do Armagedão na Bíblia, em correspondência exacta com o dobrar, vencer o Adamastor, o Mostrengo Guardião do Umbral dos Lusos que só depois de o derrotarem puderam unir o Oriente (viagem marítima de Vasco da Gama à Índia) ao Ocidente (viagem marítima de Pedro Álvares Cabral ao Brasil) sob o Pendão Crístico das Quinas Lusitanas na Conquista Espiritual do Mundo.

Adamastor

TIPHERETH (BELEZA) – CORPO – CANTO VI.

ALMA – ESTROFES 7-37 (2.º CONCÍLIO DOS DEUSES; 5.ª PROFECIA – PROTEU).

ESPÍRITO – ESTROFE 7.

“Via estar todo o Céu determinado

De fazer de Lisboa nova Roma;

Não no pode estorvar, que destinado

Está doutro Poder que tudo doma.

Do Olimpo desce, enfim, desesperado;

Novo remédio em terra busca e toma:

Entra no húmido reino e vai-se à corte

Daquele em quem o Mar caiu em sorte.”

“Via estar todo o Céu determinado”, alude à futura ordenação planetária em conformidade ao Horóscopo de Portugal por apontar “Lisboa nova Roma”, que sem dúvida é alusão profética à actual capital política do País como destinada a Capital Espiritual do V Império do Mundo e Sede da Igreja do Amor, antítese da de Roma, em conformidade ao tema da translatio imperii assinalada na precessão cíclica do Sol pelo Zodíaco, onde incluinou sobre Jerusalém durante o Ciclo do Carneiro e depois sobre Roma durante o Ciclo de Peixes, havendo de inclinar futuramente sobre Lisboa durante o Ciclo de Aquário.

O Olimpo é o Jardim de Zeus ou Júpiter, Pai dos deuses, assim referência velada a Tiphereth. A “descida desesperada do Olimpo” à Terra, é alusão oculta ao mistério da “Queda de Luzbel” ou Lúcifer, o Anjo da Luz (Mental), na Geração Humana, logo ao início do presente Globo Terrestre, indo despertar nela a beleza de pensar e o poder de criar. “Entra no húmido reino”, que é dizer, penetra em Portugal sob a influência aquática dos Peixes regidos por Júpiter e Neptuno (“daquele em quem o Mar caiu em sorte”), e a partir daqui, onde se localiza o Quinto Centro Bioenergético ou Chakra do Globo envoltório do Logos Planetário, iniciou o exercício de sua função planetária de Luzeiro desterrado “buscando novo remédio”, ou seja, procurando o resgate da sua expiação por ter sonegado a ordem do Eterno em prosseguir a marcha avante da Evolução que ele mesmo iniciara no anterior Globo Lunar, indo assim oferecer e adquirir experiências novas pela sua Consciência Divina agrilhoada à Humana. É Prometeu acorrentado no Cáucaso ou “cárcere carnal”, que que as mais secretas tradições dizem já ter sido libertado por seu Irmão Epimeteu também chamado Akbel.

NETZACH (VITÓRIA) – CORPO – CANTO VII.

ALMA – ESTROFES 78-87 (INVOCAÇÃO ÀS NINFAS).

ESPÍRITO – ESTROFE 79.

“Olhai que há tanto tempo que, cantando

O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,

A Fortuna me traz peregrinando,

Novos trabalhos vendo e novos danos:

Agora o mar, agora experimentando

Os perigos Mavórcios inumanos,

Qual Cánace, que à morte se condena,

Numa mão sempre a espada e noutra a pena.”

Na primeira e segunda linhas sobrepõe-se a distinção Divina concedida a Portugal, segundo o mito bélico da Batalha de Ourique aquando sucedeu o milagre cristológico de Deus Filho sagrando por D. Afionso Henrique a Portugal, o primeiro dentre as nações da Europa, sendo a “Fortuna peregrinando” referência a Vénus, alter-ego da Terra.

Os “perigos Mavórcios”, no conspecto astrológico, serão as influências de Marte, aspecto inferior de Vénus, esta que daquele é Mãe, através dos quais Cánace (Netzach) entra na esfera de influência da Humanidade (“à morte se condena”), quer agindo através da espada (Marte, a Lei, o Rigor), quer através da pena (Vénus, a Paz, o Amor).

HOD (HONRA) – CORPO – CANTO VIII.

ALMA – ESTROFES 35-51.

ESPÍRITO – ESTROFE 35.

“Olha que dezassete Lusitanos,

Neste outeiro subidos, se defendem,

Forte, de quatrocentos Castelhanos,

Que em derredor, para os tomar, se estendem;

Porém logo sentiram, com seus danos,

Que não só se defendem, mas ofendem.

Digno feito de ser, no mundo, eterno,

Grande no tempo antigo e no moderno!”

Os 17 Lusitanos é valor sinalético do Biorritmo de Portugal, 17, o número “do esquecimento, do porvir”, segundo Isaac Abarnavel. Quanto ao valor de 400 Castelhanos, se lhe tirar os zeros sobra 4, e nisto entra Mercúrio, regente de Hod (o “outeiro subido”), como sendo o quarto planeta do Sistema Solar, cujo “feito digno de ser grande no tempo” será, porventura, referência velada do poeta a esse Astro ser hoje ante o futuro o Sol Oculto do mesmo Sistema, donde o cabalístico 17 do Porvir.

Toda a estrofe inspira e transpira esforço guerreiro, glória e honra, ou Hod, predicados que sempre distinguiram Portugal nas gestas antigas mas também, não raro, nas modernas, feitos épicos registados na eternidade como exemplos a desfrutar e seguir pelas gerações vindouras.

YESOD (FUNDAMENTO) – CORPO – CANTO IX.

ALMA – ESTROFES 69-95 (A ILHA DOS AMORES).

ESPÍRITO – ESTROFE 69:

“Dá Veloso espantado um grande grito:

“Senhores, caça estranha (disse) é esta!

Se inda dura o Gentio antigo rito,

A Deusas é sagrada esta floresta.

Mais descobrimos de que o humano espírito

Desejou nunca, e bem se manifesta

Que são grandes as cousas e excelentes

Que o mundo encobre aos homens imprudentes.”

A Ilha de Thetis é o Éden original onde decorre todo o Canto IX, e que vem a ser o Omphalo, o Centro radiativo e irradiativo de todo o Livro dos Lusos. Sob o véu da alegoria mitológica, este Cântico de Amor esconde o esoterismo da doutrina alumbrada ou iluminada que Camões transpôs ao Mito Pátrio. É, enfim, o Fundamento (Yesod)[11] de Os Lusíadas. O programa deste Canto é determinado pelas mulheres-deusas, as mesmas virgens ou vestais atlantes ou de além-Mar, as Plêiades ou Krittikas conservando o “antigo rito” da Iniciação ao Amor que sendo feminino ou matrístico tem por fundamento o astro da noite, a Lua.

Segundo António Telmo[12], a Ilha Angélica é uma Terra Sagrada de Arcanjos e Anjos femininos, indubitavelmente correspondendo aos Arcanjos e Anjos femininos de Erân-Vaêjo (a mesmíssima Ilha Encoberta de São Brandão ou a Agharta das tradições transhimalaias, a Terra Incorruptível, ou ainda a Avalon dos mitos arturianos), o que torna possível homologar Thetis (a Lua, a deusa-marinha, a mulher-polvo esposa do deus Oceano, Neptuno) com Andrî Sûrâ Anahîtâ da mitologia persa, deusa imaculada e casta das águas, presidindo a uma das três montanhas sagradas (o Monte Alborj), e as Fravartis com as Ninfas, duplos anímicos de cada criatura humana segundo a Teosofia de Zoroastro, e também conforme o que deve ter sido a Teosofia nos Actos de São Tomé, o “Gémeo” (Dhydimos Thomas, em grego), Apóstolo do Oriente, nomeadamente da Índia.

MALKUTH (REINO) – CORPO – CANTO X.

ALMA – ESTROFES 138-156.

ESPÍRITO – ESTROFE 143.

“Podeis vos embarcar, que tendes vento

E mar tranquilo, para a pátria amada.”

Assim lhe disse; e logo movimento

Fazem da Ilha alegre e namorada.

Levam refresco e nobre mantimento;

Levam a companhia desejada

Das Ninfas, que hão-de ter eternamente,

Por mais tempo que o Sol o Mundo aquente.”

É o canto da despedida: a Grande Obra vislumbra já o final. Partem os Lusos em companhia de suas Amadas, as Ninfas (nisto simbolizando a Alma Purificada), “que hão-de ter eternamente”. Estava cumprida Malkuth, o Reino, o Mundo Português de Quinhentos, o Mar havia sido traçado, agora e de vez para sempre falta só cumprir-se Portugal, em conformidade à marcha precessional dos Ciclos por que evolui a Vida Universal, o que é dizer, no Poema, “por mais tempo que o Sol o Mundo aquente”.

Num dos seus artigos publicados em A Águia (número 38, Fevereiro de 1915), de título O Emprego da Noite, reunido com outros no volume Os Cavaleiros do Amor, Sampaio Bruno identifica a Árvore Triste (em alusão ao Canto X, 1, “os lírios e jasmins que a calma agrava”) de uma história atribuída a Rodrigues Lobo, com dúvidas se não é de Camões ou de Fernão Álvares do Oriente, à Igreja do Amor, cujos adeptos se protegiam com a noite reunindo-se secretamente a conspirar contra a Inquisição e a dar vazão às suas práticas iniciáticas de “Filhos da Luz”, nisto havendo, no século XVI, uma Loja de Alumbrados em Lisboa, junto aos Paços da Ribeira, saindo do Rossio a oeste, e outra em Sintra, em plena Vila, na residência privada de Manuel de Portugal, amigo pessoal de Camões. As flores dessa Árvore Triste só abrem ao entardecer e fecham pela manhã. O seu nome no Brasil é Nyctanthes arbor, ou seja, Árvore da Noite. Informa o Larousse Ilustrado, consultado por Sampaio Bruno, que “tem o nome de Jasmim da Arábia”. É, pois, uma jasminácea.

O jasmim (em sânscrito pavitra, “pureza”), e isto não sabia o ilustre “Teurgo das Letras do Norte”, como alguém consignou a Sampaio Bruno, é aquele que a par do lírio ou flor-de-lis são as flores sagradas de L.isboa – Y – S.intra, o jasmim para a Lua e a flor-de-lis para a sua “oitava superior”, Vénus.

O jasmim surge no início do Canto X, quando o Sol declina e se anuncia a noite que torna as estrelas visíveis. Reunem-se nautas e nereides, já ligados pelo Amor, no Palácio dos Hinos, termo que Camões vai buscar pela literatura clássica, mais uma vez, a Zoroastro. Também no Canto X, Vasco da Gama e o seu grupo cumprem a Viagem Avatárica ou Messiânica, já como Iluminados nos Conhecimentos inteligíveis ou dos Arquétipos, realizados no divino Amor que é o leme da Arte de Espírito Santo, a de Navegar no Oceano desconhecido e bem domar em dobrados esforços quantos Adamastores hajam.

Ainda em boa parte de acordo com o professor António Telmo, o esquema completo de Os Lusíadas é manifestamente o seguinte, conformado à estrutura vital da simbólica “Árvore da Noite” (que é dizer, a Oculta ou Esotérica como sendo a Sephirótica):

1. Intuição do mundo abscôndito inimaginável e ininteligível.

Corresponde a:

Ain Soph Aur, a Luz Infinita Universal, patente no espírito estrófico de cada Canto ou Corpo.

2. Ascensão do monte e visão da “esfera unida”: passagem do mundo subtil inimaginável ao mundo subtil imaginável.

Corresponde a:

Atziluth (Plano Divino, Emanador), envolvendo Kether, Chokmah e Binah, correspondendo aos Cantos I, II e III.

3. Descoberta da oitava parte e aparição auroral da Ilha: passagem do mundo subtil ao mundo sensível.

Corresponde a:

Briah (Plano Arquetipal, Criador), abarcando Chesed, Geburah, Tiphereth, Netzach e Hod, identificando-se dos Cantos IV a VIII.

4. Travessia do mar profundo e conhecimento das suas sete partes.

Corresponde a:

Yetzirah (Plano Formador, Mundo dos Deuses), que envolve Yesod e o Canto IX.

5. A Terra do Limite (Portugal, “onde a terra se acaba e o mar começa”).

Corresponde a:

Assiah (Plano Formado, Mundo dos Homens), abarcando Malkuth e o Canto X, sendo Cristo substuído por D. Sebastião, e S. Tomé, o Apóstolo do Hermetismo, ocupar o plano central do Canto, encerrando Camões, por fim, com vaticínios às glórias futuras de Portugal.

Se a Ilha dos Amores representa a Terra Transfigurada dos Lusos, há logo depois a Revelação no cume da Montanha Primordial da Héptada, dando assim a Sabedoria Eterna a quem lá chega, onde “são grandes as cousas e excelentes / Que o mundo encobre aos homens imprudentes”, isto é, aos profanos e vulgares. Fica assim a Ilha dos Amores para a Iluminação Coracional e a Montanha Primordial para a Iniciação Mental.

Para se entender a Mensagem Camoniana, a sua raiz sagrada e iniciática sobreposta à constituição literária do poema, incumbe-se primordialmente procurar visionar com a intuição aquilo que o simples intelecto pode apenas nocionar. Aperceber o espírito vivo além da letra morta, parece ser a derradeira solicitação dos versos de Luís de Camões, o último Fiel de Amor da Renascença Portuguesa, pois com ele encerra todo um ciclo apologético no areal quente da tragédia de Alcácer-Quibir só ficando, para glória e exaltação futura, Os Lusíadas, poema épico da Pátria no presente e no transcendente.

NOTAS

[1] Maciel Souto-Mayor, Onde nasceu Luís de Camões? In Archivo Pittoresco, volume 10, Tipografia de Castro Irmão, Lisboa, 1867.

[2] António Telmo, Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões. Guimarães e Cª Editores, Lisboa, 1982.

[3] Georges Le Gentil, Camões: l´oeuvre épique & lyrique. Editions Chandeigne, Paris, 1995.

[4] António Vitor Ribeiro, O Auto dos Místicos – Alumbrados, profecias, aparições e inquisidores (séculos XVI-XVIII). Dissertação de Doutoramento em História da Época Moderna apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2009.

[5] Luís Fernando de Sá Fardilha, Poesia de D. Manoel de Portugal e Profana. Edição das suas fontes. Instituto da Cultura Portuguesa, Revista da Faculdade de Letras, Série “Línguas e Literaturas”, Anexo IV, Porto, 1991.

[6] Pedro Santonja, Las doctrinas de los alumbrados españoles y sus posibles fuentes medievales. Dicenda, Cuadernos de Filología Hispánica, 2000.

[7] René Nelli, Os Cátaros. Edições 70, Lisboa.

[8] Sampaio Bruno, Os Cavaleiros do Amor. Guimarães e Cª Editores, Lisboa, 1960.

[9] Mário Saa, As Memórias Astrológicas de Camões. Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa, 1940.

[10] Para o efeito deste estudo de Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, consultei a edição da Porto Editora organizada por Emanuel Paulo Ramos, académico permanente do Instituto de Coimbra, professor efectivo do Liceu e do Colégio Militar.

[11] William What, Mistérios revelados da Cabala. Edições F.E.U.U., Porto Alegre, Brasil, Março de 1982.

[12] António Telmo, ob. cit.