A demanda de um desejado Reino de felicidade, prosperidade e justiça ininterruptas, vedado a qualquer espécie de corrupção, civilização supraperfeita subjacente ao inconsciente colectivo dos povos como Amor e Saudade, originou na Idade Média, adentrando a Renascença, o mito do Preste João, prolongamento da tradição do Santo Graal, da Quête, da Demanda cuja “pedra-angular” mental era a consolidação à face da Terra dum Império Utópico ou “por realizar”, filosófico de pura Cristandade capaz de unir aos dois hemisférios de civilização do Globo, cuja penúltima tentativa foi a Odisseia Templária, e a última o Ecumenismo das Descobertas Marítimas promovidas pela Ordem de Cristo, em que se tomou por “alavanca de Arquimedes” a busca da Terra Prometida do Patris Iohannes.

Assim o quis o Infante Henrique de Sagres, e assim o quiseram todos os seus capitães de mar posteriores, ou pelo menos a maioria deles, e nesse sentido encetaram medidas, pelo que há notícias, umas verdadeiras e outras fictícias, de embaixadas das cortes de Portugal a serem recebidas pelo Preste João. Foram os casos de Bartolomeu Dias, D. Cristóvão da Gama e Francisco Álvares, dentre outros, havendo igualmente documentação ou cartas enviadas pelo Preste João a D. João II e a D. Manuel I[1]. Já antes, conforme consta na Chancelaria de D. Afonso V, este havia recebido em 1453 um certo Jorge, “embaixador do Preste João”[2].

Ainda que comumente se acredite que a lenda do Presbítero João teve início na corte de Luís XI de França, a verdade é que ela foi importada do Oriente para o Ocidente pelos Templários[3], e mais tarde exportada para França pela Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de Pêro da Covilhã quando acompanhou a visita de D. Afonso V à corte do seu primo Carlos, o Temerário, coevos do Infante D. Henrique e da Escola Náutica de Sagres com a sua ala reservada: a Confraria do Espírito Santo, composta de Iniciados da Ordem de Cristo que, por sua vez, nos séculos XV-XVI andava de relações com uma outra do Oriente, a Ordem de Santa Catarina do Monte Sinai.

Reza a tradição popular dos coptas, certamente para enaltecerem a sua génese superior, pelo que é lenda áurea ou mito de fundação, que o Mosteiro de Santa Maria e Santa Catarina do Monte Sinai fora fundado pelo rei-pastor Jethro, o pressuposto iniciador do próprio Moisés que veio a casar com a filha daquele, Séfora. Posteriormente, essa Confraternidade teve à dianteira o “Ancião da Montanha Primordial” ou Alborj, Bey Al Bordi, manifestação deifica do Arcanjo Mikael, que era o Grão-Mestre dos Assacis xiitas e o próprio Mestre Secreto dos Templários joanitas, ou pelo menos de parte deles afins à gnose oriental. Mais tarde, essa misteriosa mas venerada personagem seria identificada, pelos Lusos de Quatrocentos e Quinhentos, com o Preste João, ou, pelo menos, com uma das suas quatro faces.

Nos finais do século XIII, a Regra da Ordem dos Reclusos de Monte Sinai terá servido de inspiração à fundação da Ordem dos Drusos, esta que, informa a Tradição, tornar-se-ia o “Escudo Defensivo” de uma outra Ordem Iniciática muitíssimo mais fechada ao exterior: a Fraternidade Tuaregues Azuis de Kaleb, instalada algures no Deserto da Líbia com jurisdição espiritual e humana para todo o Médio Oriente.

 Tal como no Mosteiro do Monte Sinai e na Confraria do Espírito Santo de Lagos, também os filósofos herméticos das cortes de Luís XI e de Carlos o Temerário apelidavam o “Velho da Montanha” (Cheik al-Djebel) de Navegador (Nautonnier)… na Ciência de Maria, isto é, na Via Húmida ou Mareante da Alquimia. O último a deter esse título foi precisamente o Infante Henrique de Sagres.

Mosteiro de Santa Maria e Santa Catarina do Monte Sinai

Mosteiro de Santa Maria e Santa Catarina do Monte Sinai

Para os Templários a Mãe Divina, de quem brotou o Divino Filho, possuía maior importância na sua catequese e gnose que as outras Hipóstases da Santíssima Trindade, talvez por se identificar ao seu espírito de Cavalaria ou Demanda como Iniciação activa ou votiva, particularizada na Arte Real da Alquimia, como conquista de si mesmo, da feitura do Ouro Crístico partindo da Mater-Rhea ou Matéria-Prima; por isso mesmo, a Mãe era mais velha e sábia que o Filho a Ela devendo a geração. Razão porque os pressupostos Estatutos Internos do Templo afirmam: “Nossa Senhora está no começo e no fim da nossa religião, porque Ela existia antes que houvesse montanhas ou terra”[4]. Motivo para René Guénon considerar a existência de duas correntes iniciáticas distintas[5]:

As duas cadeias iniciáticas. – Uma é histórica, a outra espontânea. A primeira comunica-se nos santuários estabelecidos e conhecidos, sob a direcção de um Sheikh (Guru) vivo, possuindo as chaves do mistério. Tal é El-Talîmurrijâl, ou a instrução dos homens ou dominical. A outra é El-Talîmur-rabbâni, a instrução senhorial, que me permito chamar “Iniciação Mariana”, porque foi essa que recebeu a Santa Virgem, a Mãe de Jesus, filho de Maria. Nesta há sempre um Mestre, mas ele pode estar ausente e mesmo já ter falecido há muitos séculos. Nesta Iniciação retira-se no Presente a mesma substância espiritual que os outros retiraram na Antiguidade. Actualmente ela é muito frequente na Europa, pelo menos em seus graus inferiores, mas quase desconhecida no Oriente.”

Tudo isso de maneira alguma significa que a Ordem do Templo tivesse sido uma sociedade secreta (muitíssimo menos a Ordem de Cristo), ou seja, erigida e funcionando à margem do conhecimento universal e da autoridade oficial, a do Papa e mesmo do Rei, pois de modo algum em tempo nenhum tal aconteceu. Isto a nível colectivo. Quanto ao pessoal, neste sim, há provas indiscutíveis de alguns raros Iluminados da Milícia terem agido com “segundas intenções” ante o geral, ou seja, com pretensões secretas só conhecidas deles e dos que das mesmas partilhavam.

Isso também é válido para o mito do Preste João, cujo Reino tinha tantas e tão fartas riquezas, segundo a ampla propaganda dos Templários e Freires de Cristo, que assim levavam as gentes comuns a embarcar ambiciosas de novas terras e fortunas certas, indo encetar diáspora civilizacional que era o motivo prático da difusão desse mito. De outro modo, certamente ninguém embarcaria em aventuras tão perigosas só tendo por certo o desfecho incerto…

Nessa relação dos Portugueses com o Preste João, sabe-se ainda que Pêro da Covilhã (professo da Ordem de Cristo) havia recebido as suas informações acerca do Monarca misterioso por intermédio de dois judeus cabalistas ou bandarras: o rabi Abraão de Beja, e o sapateiro Joseph de Lamego. Ora, para Fernando Pessoa[6] “Bandarra era o nome do Grau Profético da Ordem de Cristo, e da qual o Padre António Vieira veio a ser o Grão-Mestre”. Não haja dúvida que o sentido da assertiva não é histórico mas iniciático, sendo isso assaz interessante porque a Iniciação Mariana ou Cavaleiresca (Kshatriya) está profundamente relacionada ao Profetismo e ao Messianismo, como já tive ocasião de dizer[7]:

“A Iniciação Mariana ou Cavaleiresca, presentemente, encontra o seu pedestal sagrado na Ordem do Santo Graal, Templária, e na Maçonaria Copta ou Egípcia, esta que tem por fundação o mistério isíaco dos seus três MMM, que também são o seu “santo-e-senha”: Menfis – Misraim – Maisim, em alusão aos três grandes Templos da época de Akenaton ou Amenófis IV, um solar, um lunar e outro lunissolar ou andrógino, mas também e fundamentalmente à Luz Tríplice do Governo Interno do Mundo.

“Essas três Luzes aludem igualmente as três Aspectos de Shiva, Siva ou Avis anagramaticamente, como seja o Espírito Santo, a Terceira Hipóstase Logoidal influindo na criatura humana que, quando receptiva à Sua influência iluminadora, pode tornar-se um profeta ou “porta-voz” da Sabedoria Divina, e isto através da mesma Sabedoria (Budhi) – Inspiração (Bodhi) – Revelação (Badhi), tanto valendo por Jnana (Conhecimento), Jneia (Conhecedor) e Jnata (Conhecido).

esquema-1

“O Espírito Santo é o Patrono dos Profetas, e a Sua face oriental, Shiva, designa-O como Senhor dos Kshatriyas ou Cavaleiros defensores de toda a Ordem social, cujo elaboramento sinárquico é feito como Arte Real, visando humanamente o bem-estar e a elevação moral dos povos sob a égide de um Governo Único: o do Rei do Mundo, Melkitsedek, a mais viva e próxima Expressão do Terceiro Logos.”

Quanto ao primeiro documento conhecido do reportado aqui, trata-se da famosa Carta do Preste João endereçada em 1165 a Manuel Comneno, imperador bizantino de Constantinopla, assim como a Barba-Ruiva, imperador da Alemanha, e ao papa Alexandre III, parecendo o documento ter a sua origem em Portugal. Isto porque a sua versão original encontra-se no cartório do Mosteiro de Alcobaça, datada dos finais do século XIV, mas que, por voltas do destino, em 1478 aparece pela primeira vez impressa em língua italiana, em Veneza, na qual se inspiraram outras obras, também na mesma língua, como a versão rimada do Trattato del maximo Prete Janni (Veneza?, 1494), de Giuliano Dati. No mesmo teor de inspiração na Carta, irá aparecer em 1515 uma edição espanhola de um certo Libro del Infante Don Pedro de Portugal, da autoria de Gomez Santisteban (editado em Lisboa pela Fundação Calouste Gulbenkian, 1962). Por fim, esta Carta veio a ser publicada por Domingos Maurício em 1961, em Lisboa, na separata da revista Brotéria, n.º 72, a qual já a transcrevi e publiquei na íntegra no meu livro Portugal Templário (Vida e Obra da Ordem do Templo).

Nessa carta, o Prestes João apresenta-se como Soberano máximo das “Três Índias”, o que vai bem com o conceito geográfico medieval, pois essas subdividiam-se em Próxima Índia, Extrema Índia e Média Índia, correspondendo respectivamente às partes Norte e Sul do subcontinente indiano e à região africana hoje denominada Etiópia. Após a chegada ao continente americano de Cristóvão Colombo e de Pedro Álvares Cabral – ambos pilotos portugueses formados na Escola Náutica do Infante Henrique de Sagres, e até se dizendo terem sido as suas Colunas Vivas – nos séculos XV-XVI, as Américas do Norte e do Sul passaram a ser denominadas de Índias Ocidentais, contrapondo-as às Orientais, mas sempre realçando o designativo de Ásia, tanto com o sentido imediato de território longínquo e exótico, para o viajante europeu, como, principalmente, com o de Assiah ou “Mundo”, cuja conquista espiritual teve a primazia da Gesta Dei Per Portucalensis.

Com tudo, a Tradição acabou sendo envolta pelo «véu diáfano da fantasia», parafraseando o romancista, e o mito transformou-se em quimera nostálgica e poética mais ou menos confusa, acrescida de informações desconexas e contraditórias que invadiram a Europa de Quinhentos sobre tão sibilino quão fugidio Reino, para uns sito na Índia, para outros na Etiópia ou no Egipto, e para outros ainda na Mongólia ou no Tibete…

Segundo a Tradição Iniciática das Idades e de acordo com o proferido sobre o tema pelo Professor Henrique José de Souza,  esses quatro lugares consignados como Reino do Preste João vêm a expressar outros tantos aspectos ou faces do mesmo assim associando-o ao Jano Tetrafonte que, em si mesmo, é o Quinto como Rei do Mundo (Melkitsedek em hebreu e Chakravarti em védico), cuja Morada Central vem a ser o Centro do Globo (Salém, Walhallah, Shamballah…). Ele tem como Colunas Vivas laterais ou Ministros um Aspecto Masculino no Egipto para um Aspecto Feminino na Índia, e um Aspecto Masculino na Mongólia para um Aspecto Feminino no Tibete, como sejam Polidorus InsurenusMama Sahib, Takura BeyBelmira, para o Central como Pentamorfo.

Os raros Iluminados conhecedores do mistério haviam deixado transbordar do escrínio dos seus Colégios rumores saídos da Tradição Iniciática para que o povo e demais gente, repito, inflamados pela imaginação e cobiça de um “Paraíso Perdido repleto de grandes riquezas”, encetassem a sua demanda por terra e mar indo dar início a um novo fluxo migratório de pessoas e culturas, de maneira a ser alavanca psicossocial de um novo ciclo de progresso.

Essa Tradição Iniciática estabelecia a união da Dinastia do Santo Graal com o Preste João, que também pertencia a ela, como já antes Wolfram Von Eschenbach descrevera de maneira absolutamente simbólica no seu Parzival[8]. A trama desse romance resume-se ao seguinte:

Gahmuret, filho do rei de Anjou, vai para o Oriente onde casa com Belacane, rainha de Zazamac. Da união nasce Feirefiz, o cavaleiro cujo corpo era branco e negro. Gahmuret volta para a Inglaterra e casa-se de novo, dessa vez com Herzeloyde, de quem nasce Parzival. Gahmuret é morto numa batalha e, temendo pela sorte do filho, Herzeloyde retira-se para a floresta onde o herói cresce ignorando tudo quanto diga respeito à Cavalaria. Neste livro de Eschenbach acontece o mesmo que havia acontecido com Perceval no outro de Chrétien de Troyes, ou seja, Parzival descobre a existência da Cavalaria e sai em busca da corte do rei Artur, acção que tem como resultado a morte de sua mãe. Repetem-se várias aventuras até que Parzival chegue ao Castelo do Santo Graal. Contrariamente ao que se passa na obra de Chrétien, o Graal é aqui uma Pedra que havia sido confiada pelas Potências Celestes à guarda de Titurel e seus descendentes. Era sobre essa Pedra que a Fénix renascia periodicamente, e ainda sobre ela, toda a Sexta-Feira Santa, descia do Céu uma Hóstia consagrada. De tempos a tempos os nomes dos Cavaleiros, destinados a experimentar as maravilhas do Santo Graal, apareciam milagrosamente gravados na Pedra. O ferimento do rei inválido (Amfortas), é atribuído ao facto dele se ter disposto a lutar por uma causa mundana (amor adúltero, paixão cega). Parzival apaixona-se por Condwiramur, que irá se reunir a ele no Castelo do Santo Graal após ter vencido todas as provas, inclusive a da espada quebrada. No final Parzival e Feirefiz vão juntos para o Castelo do Santo Graal, mas Feirefiz não pôde ver o Graal em virtude de não ser baptizado. Parzival fica Rei do Santo Graal e Feirefiz, depois de receber o baptismo, casa-se com a Donzela do Santo Graal e retira-se para o Oriente onde estabelece o Cristianismo que será mantido por seu filho, Preste João. Parzival e Condwiramur têm um filho, Lohengrin, o qual, guiado por um cisne branco, vai em auxílio da Duquesa de Brabante. Ele casa-se com ela sob a condição dela não lhe perguntar coisa alguma a respeito da sua origem, e quando inadvertidamente o fez, o cisne levou-o embora.

Como se vê, aparte o mito necessário para que o símbolo se expresse, a Dinastia do Santo Graal – aliás, mantida em sigilo pelos Templários portugueses e franceses – tem ligação à mais pura essência do Cristianismo, e nesta observa-se a manutenção ininterrupta da Tradição Iniciática de Melki-Tsedek, ou por outra, do Rei-Sacerdote João, o Presbítero, este último termo designando o Ancião, o possuidor da Sabedoria das Idades, consequentemente, reconhecendo-o o mais Sábio e Supremo Dirigente, Pai Espiritual da Igreja Invisível ou Secreta de João, apóstolo pré e apocalíptico que “permanecerá até ao Fim dos Tempos”, nas palavras da própria Escritura.

Curiosamente, fala-se em Preste João da Ásia, mas creio que esse último termo peca por imprecisão ortográfica, pois originalmente escrevia-se Assiah, o “Mundo” em hebraico, cuja doutrina esotérica, a Kaballah, estrutura o Universo e o Homem em quatro grandes Planos, a saber:

Por sua vez e com a magistralidade que lhe era própria, o Professor Henrique José de Souza compôs o esquema seguinte a que chamou O Tetragramaton Sagrado e o seu desenvolvimento[9], o qual exponho sem comentários oferecendo-o ao cuidado do leitor:

esquema-3

Também sobre este tema palpitante do Preste João versus Melki-Tsedek, o Professor Henrique José de Souza teve oportunidade de escrever sobre ele, e é com um trecho precioso de um seu antigo estudo consagrado ao assunto[10] que dou por encerrado o tema que aqui me traz:

[…] Tudo quanto dissemos anteriormente a respeito dessa mais que sublime Organização, que tanto se pode chamar, como já foi dito, de Culto de Melquisedec, como de Excelsa Fraternidade, Sudha-Dharma-Mandalam (para o Oriente), mas hoje com outro nome ocidental.

Falemos de preferência dessa “fraternal Ceia ou Comunhão”, em que vivem os preclaros Membros da Excelsa Fraternidade, quer do ponto de vista mental (e a prova é que até hoje se exige, em nosso Colégio Iniciático, o termo sânscrito PAX, que quer dizer “comunhão mental ou de pensamento”, atingindo os confins da Terra, através dos mesmos Seres, e não, apenas, o sentido restrito do “pax” latino, que é, como se sabe, PAZ, essa mesma que deve existir entre todos os seres da Terra), dizíamos, quer do espiritual, ou sejam esses felizes instantes que convivem juntos, em qualquer parte do Globo para onde os conduza a sua própria missão…

Daí nasceu a chamada Ceia do Senhor, levada a efeito entre Jeoshua Ben Pandira (o “Filho do Homem”…) e seus apóstolos ou discípulos.

Era a “comunhão reservada aos maiores pontífices em todos os Mistérios Antigos”. Logo que um Adepto, um Ser qualquer de categoria mais ou menos elevada, ia visitar o Dalai-Lama, este dividia ao meio o pão, lançando-lhe a sua Benção, e ambos comiam a parte que lhes era reservada. Tal ritual, além dos seus sentidos cabalísticos, abrange, ainda, o do Androginismo Perfeito (um pão dividido em dois, como aconteceu no começo das coisas…), o do Pai-Mãe das Escrituras, na razão de Adam-Kadmon para o Divino, Adam-Heve para o Humano e Adam-Chevaoth para o Inferior… que nada tem a ver, como pensa a maioria, com o famoso “inferno” das Escrituras ocidentais.

Em seguida, dois copos contendo o mais precioso vinho ou licor, que, depois de abençoados, cada qual se servia do seu[11]. Não é isso uma espécie de Eucaristia, na razão do “este é o meu corpo, comei-o; este é o meu sangue, bebei-o”? Uma reminiscência, ainda, da “Taça do Santo Graal”[12].

Melquisedec, Rei de Salém, fez trazer pão e vinho, por ser Ele Sacerdote do Altíssimo (El Elion). E abençoou a Abrahão, dizendo: “Abençoado sejas, Abrahão, em nome do Deus Altíssimo, possuidor dos Céus e da Terra. Abençoado o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos em tuas mãos. E Abrahão lhe entregou o dízimo de tudo quanto havia tomado” (Génese, XIX, 18-20)[13].

Como dissemos em outros lugares, Jeoshua (Jesus) distribui entre os seus discípulos pão e vinho, o que deu razão ao termo “Ceia do Senhor”, pois, como um Iluminado, Adepto ou Homem Perfeito, conhecia todos esses ensinamentos da Igreja de Melquisedec. Essa mesma “Igreja” que até hoje ensina aos homens que para Ela se acham atraídos, a se religarem ou tornarem a ligar-se, como o estiveram em tempos afastados da História, e consequentemente à sua Origem, na razão da sábia sentença de St.º Agostinho, ao dizer que “vimos da Divindade e a Ela havemos de ir”, que tanto vale pela incompreendida “Parábola do Filho Pródigo que volta à Casa Paterna”… Fenómeno esse comparável ao da Teofania entre os neo-platónicos, e o verdadeiro sentido do termo TEOSOFIA, como “Sabedoria Divina”, dos Deuses, dos Super-Homens, Mahatmas, Génios ou Jinas.

NOTAS

[1] Francisco Álvares, Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias. Publicações Europa-América, Algueirão, 1989.

[2] Elaine Sanceau, Em Demanda do Preste João. Livraria Civilização Editora, Porto, 1956.

[3] Com efeito, as primeiras notícias chegaram à Europa em 1145, quando Hugo de Gebel, bispo da colónia cristã do Líbano, informou o Papa da existência de um reino cristão situado “para lá da Pérsia e da Arménia”, governado por um Rei-Sacerdote chamado Iohannes Presbyter (João, o Presbítero, isto é, Sacerdote, Ancião) e que seria descendente de um dos Reis Magos que visitaram o Menino Deus em Belém. – Cf. Padre Baltazar Teles, História Geral de Etiópia a Alta, 1660. Publicações Alfa, Lisboa, 1989.

[4] Cf. Gérard de Sède, Os Templários estão entre nós, pág. 134. Editorial Estúdio Cor, Lisboa, 1974.

[5] René Guénon, Initiation et Réalisation Spirituelle. Éditions Traditionnelles, Paris.

[6] Fernando Pessoa, Portugal, Sebastianismo e Quinto Império, in “Obras em prosa de Fernando Pessoa” coligidas por António Quadros. Edições Europa-América, Lda., Algueirão.

[7] Vitor Manuel Adrião, A Ordem de Mariz, Portugal e o Futuro. Editorial Angelorum, Lda., Carcavelos, Maio de 2006.

[8] Cf. Almir de Campos Bruneti, A lenda do Graal no Contexto Heterodoxo do Pensamento Português. Sociedade de Expansão Cultural, Lisboa, 1974.

[9] Sebastião Vieira Vidal, Série O.S.G. Edição privada da Sociedade Teosófica Brasileira, 1968. Edição privada da Comunidade Teúrgica Portuguesa, 2009.

[10] Henrique José de Souza, Cagliostro e São Germano. Revista “Dhâranâ”, 1942, Brasil.

[11] Os árabes mais ilustres só compartilham da refeição de “tâmaras, sal e uvas” com pessoas que lhes mereçam a maior consideração. É, ao mesmo tempo, uma tradição religiosa e “pacto de amizade”.

[12] Não era, antigamente, o Dalai-Lama a representação, na face da Terra, juntamente com o Trachi-Lama, dos dois tradicionais Ministros do “Rei do Mundo”, por sua vez, representado pelo Buda-Vivo da Mongólia, na cidade de Urga, cujo nome correcto é Takura?… Melquisedec e o Rei do Mundo são uma só e mesma Pessoa. Vive Ele, justamente, na “Terra das Libações”, que tanto vale por Agharta, como por Shamballah, a tradicional “Ilha imperecível, pois que nenhum cataclismo a pode destruir”. Shamballah tanto vale por Taça do Licor de Shoma ou lunar, como do de Shukra ou venusiano. Existe, na Índia, a lenda do “Cálice (ou Taça) de Buda”, que será encontrado, novamente, quando se aproximar o tempo de “Shamballah”. Vejamos tal lenda:

Purushapura ou Peshawar foi, durante muito tempo, a “Cidade do Cálice de Buda”. Depois da morte do Mestre, o Cálice foi levado para aí, onde, por muitos anos, tornou-se objecto de veneração. Nos tempos do viajante chinês Fah-sien, aí pelos 40 anos a.C., encontrava-se ele, ainda, no templo que lhe foi dedicado, isto é, Peshawar. Possuía ele diversas cores, predominando, entretanto, o preto. Quanto ao perfil de “quatro cálices” que o compunham, eram vistos claramente.

Porém nos dias de Hsuan-tsang, outro viajante chinês, pelos 650 anos de nossa Era, afirma já não mais se encontrar tal Cálice em Peshawar. Uns dizem achar-se na Pérsia, enquanto outros, em Karashahr.

No Oriente não se pode desdenhar a ideia de um Cálice. Mas, no entanto, as lendas de todos os países a conhecem a seu modo: ora é a “Taça de Lohengrin”, Taça Crística, que interfere nas “rosacrucianas”, ora a da “amargura sorvida no Horto”, e dezenas de outras de que já nos temos ocupado por várias vezes.

O “Cálice de Buda”, segundo as lendas transhimalaias, era milagroso e inesgotável: um verdadeiro “Cálice de Vida”.

Recordemos o “Cálice de Aritha” e a luta por sua posse, tal como o relata, de modo tão poético, o Mahabârata:

“Indra apoderou-se do Cálice do Rei dos Nagas (Nagas ou Serpentes: SRINAGAR ou “Homens-Serpentes, Semideuses, Adeptos, Seres Aghartinos”, etc.) e o levou para o Céu.”

Segundo as tradições persas, «quando Jenishid começou a lançar as bases da cidade de Istaker (ou da “deusa Ísis”…), encontrou-se um cálice milagroso, Jina-Jenshid. O cálice era de turquesa e estava cheio do precioso néctar da vida».

As lendas do mosteiro de Solovetz, ao tratarem dos personagens do Antigo Testamento, mencionam o “Cálice do Rei Salomão” (Salém-Omar, Salo-Omar, etc.):

“Grande é o Cálice de Salomão, feito de uma só pedra preciosa. No cálice existem três versos gravados em caracteres sumérios, que ninguém pode explicar”. Com certeza, são os mesmos a que se refere o famoso Livro de Kiu-Té, no capítulo XXXV, que aqui aparecem pela primeira vez ao mundo profano:

“Tantas vezes beberei neste Cálice

Quantas o mundo exigir a minha presença,

Como “Espírito de Luz e de Justiça”…”

Por mais veladas que sejam tais palavras, são claríssimas para os que já possuem a mente iluminada. Queira o leitor dedicar-se a meditar sobre elas… e grandes coisas acabará descobrindo.

No referido Livro, só conhecido dos Adeptos, também existe uma outra passagem, onde se compara “o Cálice com a Balança”, embora mais longa que o primeiro versículo:

“Dois pesos desiguais para duas medidas iguais…

Assim está separado o meu corpo

Nas conchas da Balança,

Até que as mesmas se fundam

Naquele Cálice onde tenho bebido

Do Sangue que é mais Dele do que Meu!

Até lá, outros O sorverão por Mim!”

Muito mais difícil que o primeiro para ser desvendado, no entanto, daremos aqui uma pequena insinuação:

Balança não é o signo de Vénus? E não se fala num “Cálice ou Taça de Shukra”, na razão do mesmo planeta, pois que o de Shoma é representado pela Lua? Fica o restante para ser descoberto pelo leitor…

Os muçulmanos de Khandakhar, possuem também o seu “Cálice Sagrado”:

Em Kharran, também há um Cálice, denominado Faq-faga. Desse “Cálice” bebem aqueles que tomam parte nos Grandes Mistérios. No sétimo dia, anunciam:

“Ó Mestre! O Maravilhoso tem que se manifestar!”

Nas cerimónias da Vedanta, do Budismo e do Mazdeísmo, utiliza-se sempre o sagrado símbolo do “Cálice de Vida”.

Jataka conta a origem do “Cálice de Buda”:

“[…] Então, das quatro Terras vieram os quatro Custódios do Mundo e ofereceram 4 cálices de safira. Porém, Buda os repeliu. Voltaram a oferecer 4 cálices de pedra negra (muggavana) e Ele, movido de compaixão pelos 4 Génios, os aceitou.

“Colocou um dentro do outro, e ordenou:

“Que se tornem Um só!

“E as bordas dos 4 cálices se tornaram visíveis como desenhos. E todos os 4 cálices se fizeram Um.

“O Buda aceitou alimento no Cálice recém-formado e havendo provado do que nele se continha, rendeu graças.”

O Lalita Vistara, descrevendo os Sacramentos do “Cálice de Buda”, atribui ao Bem-Aventurado este significativo discurso, dirigido aos “4 Reis” que trouxeram os cálices:

“Tributa respeito a Buda em nome do Cálice, e este será para ti como um Vaso de Sabedoria (“Vaso, também, de Eleição”. O mesmo “Vas insignis devotionis”, de que a Igreja se apropriou).

“Se ofereceres o Cálice aos teus iguais, não permanecerás nem em memória, nem em juízo.

“Mas, quem oferecer o Cálice ao Buda, não será esquecido, nem em memória, nem em Sabedoria.

“Esse Cálice, Arca de Vida (“Arca de Aliança”…), Cálice de Salvação, de novo há-de ser descoberto…”

Assim dizem as lendas tibetanas. Resta aos Iniciados nos Grandes Mistérios a decifração de tão misteriosas palavras. Lembramos, apenas, “as 4 Jerarquias em actividade na Terra”… que um dia se farão Uma só, como o Cálice de Buda… o resto é fácil descobrir, na razão da “letra que mata para o espírito que vivifica”… principalmente no que diz respeito à “pedra negra da segunda oferta dos 4 cálices” que o Buda, movido de compaixão, aceitou.

Quem versado for nas tradições esotéricas do Tibete, lembrar-se-á da “pedra negra” enviada pelo “Rei do Mundo” ao Dalai-Lama, a qual foi depois transportada a Urga (ou Takura), capital da Mongólia, ao Buda-Vivo. E assim, também com as tradições das várias “pedras negras”, desde aquela que era símbolo de Cibele até há que foi engastada na Kaaba de Meca. Outrossim, que “o Buda-Vivo possuía o anel de Gengis-Khan, sobre o qual se achava gravada uma Svástika (não confundir com a Sovástika nazista, considerada “símbolo nefasto” por Jainos e Budistas) e uma placa de cobre” (metal de Vénus…).

Paremos, entretanto, aqui tão longa anotação, para… não fatigar o querido leitor.

[13] O nome Melquisedec, ou antes, Melki-Tsedek, como já dissemos, refere-se ao mesmo “Rei do Mundo”, embora designado dessa maneira na tradição judaico-cristã.

 O sacrifício de Melquisedec (o pão e o vinho, etc.) deve ser olhado como “uma prefiguração da Eucaristia”. E o próprio sacerdócio cristão se aplica, em princípio, ao de Melquisedec, segundo a aplicação das seguintes palavras do Psalmo feitas ao Cristo: “TU ES SACERDOS IN AETERNUM SECUNDUM ORDINEM MELCHISEDECH” (Ps. CIX, 4).

A tradição judaico-cristã distingue 2 sacerdócios: um, “segundo a Ordem de Aarão”; outro, “segundo a de Melquisedec”. E este, superior àquele, como o próprio Melquisedec o é a Abrahão, do qual nasceu a tribo de Levi e, por conseguinte, a família de Aarão. Não diz o Grande Iluminado, que foi S. Paulo, “o mesmo Levi que recebe o dízimo (sobre o povo de Israel) pagou, por assim dizer, por Abrahão”?

Saint Bernard, por sua vez, diz que «o Pontífice, como indica a etimologia, é uma espécie de ponte entre Deus e o Homem» (Tractatus de Moribus et Officio Episcoparum, III). Há na Índia um termo que é próprio aos Jainos, equivalente ao Pontífice latino: é a palavra Tirtânkara, literalmente, “aquele que fez um VAU ou passagem”. A referida “passagem”, é a de Moksha ou “Libertação”, Redenção, Salvação, etc. Os Tirtânkaras são em número de 24, como os “Velhos” do Apocalipse, que de certo modo constituem um outro Colégio. Estão na mesma razão os Maha-Choans, na Índia, para os Ptahmers (sacerdotes do Deus Ptah, o “3.º Aspecto da Trindade”), no Egipto.

As duas chaves, de oiro e prata, usadas pelo Brahmatma indiano, e pela Igreja depois copiadas para as do “Santo Papa”, além de outros sentidos, possuem os das duas referidas Iniciações, empregando a terminologia hindu: a dos Brahmanes (ou Sacerdotes, Jinas) e a dos Kshatriyas (ou Guerreiros). Porém, no vértice ou cume (donde o termo Cumara), se acha a Fonte de toda a autoridade legítima, em qualquer domínio que ela se exerça. Por isso que os “Iniciados de Agharta” têm o nome de Ativarnas, isto é, “além das castas” (Jerarquia, portanto, superior às que se conhecem na Terra).

Semelhante Trindade hierárquica já foi apontada anteriormente, na razão do Buda-Vivo da Mongólia, representando até ao ano de 1924 o próprio “Rei do Mundo”, Melquisedec, etc., tendo por Colunas ou Ministros, o Dalai-Lama e o Trachi-Lama. Os dois Poderes em separado (o Temporal e o Espiritual), e os dois juntos, no centro. “Três Trombetas para uma Boca só”, como rezam as tradições mais secretas.

Outro sentido não possuem, além de mais seis segundo as sete chaves interpretativas da Mercabah, os “Três Reis Magos” da Bíblia, pois que, Mahinga (nome de um dos referidos Ministros do “Rei do Mundo”) oferece ao Cristo o oiro e a Salvação, como Rei; o Mahima (o outro Ministro do mesmo Ser) oferece-lhe o incenso e a Salvação, como Sacerdote; o Brahmatma, enfim, oferece-lhe a mirra (perfume de Vénus), o bálsamo da incorruptibilidade, imagem da Amrita dos hindus e da “Ambrósia” dos gregos, o Soma védico, o Haoma mazdeísta, notando, ao mesmo tempo, que em hebreu os termos “iain”, vinho, e “sod”, mistério, se encontram nas várias tradições do vinho, do licor sagrado, etc. A Salvação oferecida pelo Brahmatma ou Mestre Espiritual (o Grão-Mestre entre as duas Colunas do Templo de Salomão, ou Jakin e Bohaz), ele o faz como Profeta, Oráculo do deus-Pithio (ou Pythocrestos). Essa Trindade, ao mesmo tempo Real e Sacerdotal, como se conhece, recebeu os nomes (na Bíblia): Gaspar, Melchior e Baltazar, embora que somente o de Melki-or possua, de facto, um sentido iniciático, pois que, em hebreu, que dizer “Rei de Luz”. Os outros dois, correm por conta da Igreja…

Do mesmo modo que as duas referidas “chaves” que se procurou arrancar das mãos do Brahmatma para as de S. Pedro, tinham o mesmo significado das duas referidas Iniciações, além de representarem os Grandes e os Pequenos Mistérios. Os mesmos termos Maha-Yana e Hina-Yana, que são dados às duas Escolas do Budismo (do Norte e do Sul) – como Grande e Pequena Barcas – não representam, também, os Grandes e Pequenos Mistérios? Mas logo aparece a “Barca de S. Pedro”, arranjada com as tábuas das duas… e também com as de “Osíris”, no velho Egipto, para se meter no caminho…

Havia na Idade Média uma expressão muito interessante para definir o “Reino de Agharta”, o Governo Espiritual do Mundo, etc., a qual não teve, até hoje, a devida interpretação. Referimo-nos à do “Reino do Pai João”, que era o termo que se poderia consignar como a “cobertura exterior” (chamemos de “escudo defensivo de algo que fica oculto por trás ou que não deve aparecer”, etc.) do culto em questão, formado, em boa parte, pelos Nestorianos e os Sabeus. E principalmente este últimos, que davam a si mesmos o nome de Mendayeh de Yahia, ou “discípulos de João”. No Oriente, vemos do mesmo modo os Ismaelitas ou “discípulos do Velho da Montanha”, os Drusos do Líbano, “defensores da Terra Santa”, mas que a criminosa corrupção de certos escritores que vendem a sua pena a quem melhor lhes paga, ousa descarregar sobre um Ser de tão elevada Hierarquia toda a baba peçonhenta da sua maldade e ignorância…

Inútil dizer que o tradicional “Velho da Montanha” (no Líbano), estreitamente ligado ao Governo Espiritual do Mundo, famoso no tempo das Cruzadas, foi iniciador de Hugues de Payens e de Godofredo de Saint-Omer, fundadores, como é sabido, da Ordem dos Templários, que chegou quase a ser senhora do mundo medieval cristão, até ao momento da sua ruidosa queda; queda essa tão dramática como a foi a dos pitagóricos de outrora e, por sua vez, a dos jesuítas ao finalizar do século XVIII.

No Ocidente, todas essas Ordens de Cavalaria, quer militares, quer religiosas, não se fizeram “Guardiãs da Terra Santa”?

Para que ninguém se admire da expressão “cobertura exterior”, empregada nas velhas escrituras, em relação com a parte exotérica ou profana dos “Centros Iniciáticos”, apontamos um termo, muito bem aplicado, de que fez uso Saint-Yves d’Alveydre, em uma das suas obras, ao falar nos “Templários de Agharta”. Sim, porque todas as Iniciações, cavaleirescas ou não, têm por origem a referida Região Aghartina, de que tanto nos ocupámos em vários dos nossos estudos. Donde, por exemplo, falarmos nos “22 Templos (donde Templários) dos Trachi-Marus (ou Tachu-Marus)”. Por isso mesmo, forças “exteriores”, se bem que “inferiores” por viverem no seio da Terra, em defesa de uma Obra da mais elevada Espiritualidade. O mesmo termo Maruth ou Marutha, em sânscrito, quer dizer “força”. E o Maru japonês, equivalente a “vapor”, dá a ideia, ainda, desse termo tão antigo quão precioso, isto é, Tachu-Maru… Equivale, ainda, a certa Ordem Secreta – dentre as 3 denominadas de Dragões: o de Oiro ou Amarelo, o de Prata ou Azul e o de Ferro ou Vermelho. Existem aí outros Dragões que, a bem dizer, por sua vez já são outras “coberturas exteriores” para os que acabamos de apontar.

“Pai João, Joam, Jim ou Jina”, outro não é, senão, o “Mundo Jina” ou aquela Região antes referida com o nome de “Agharta”, se inúmeros são os nomes que A definem nas diversas tradições ainda existentes na face da Terra.

Em certas representações de Janus (Johanus, Jinas, etc.) não são, também, os dois referidos Poderes simbolizados por “uma chave e um ceptro”? O Poder Temporal e o Poder Espiritual. Do mesmo modo, no Tarot, o Imperador e o Papa, com os aspectos femininos: a Imperatriz e a Papisa.

Volvendo ao termo “Pai João”, procede ele, mais ou menos… da época de S. Luís, nas viagens de Carpino e de Rubruquis. O que mais complica o assunto, é que, segundo alguns, teriam havido “4 personagens portadoras do título”, na razão, dizemos nós, dos 4 referidos Arcanos do Tarot, de que falámos anteriormente, das 4 Jerarquias em função na Terra e de outras coisas mais, que não vêm ao caso apontar. Encontravam-se elas: no Tibete (ou melhor, no PAMIR…) na Mongólia, na Índia e na Etiópia; preferimos, entretanto, apontar para essa última o Egipto… Questão apenas de «opinião». Também poderiam ser 4 representantes do mesmo Poder, mas, em verdade, “um aspecto masculino no Egipto para um feminino na Índia”, tendo por Formas Laterais, Colunas Vivas ou Ministros, o aspecto masculino na Mongólia e o feminino… em Palmira, se o quiserem… uma Rainha que, por se ter afastado um pouco das suas funções, faltou-lhe o “Verbo Divino”… Outro assunto que não pode ser discutido, embora o conheçam os membros mais avançados do nosso Colégio Iniciático.

Dizem, também, que Gengis-Khan “quis atacar o Reino do Pai João”, porém – o que é muito natural por ser o interior da Terra “Lugar das Forças Cósmicas ou Laboratório do Espírito Santo”, como o indicam as escrituras teosóficas – aquele o repeliu despedindo raios contra os seus exércitos. E como Gengis-Khan ao lado de Tamerlão e Átila, mesmo que em épocas diferentes, representassem uma Trindade caótica ou maldita para a Divina, Excelsa, que agora os leitores já A conhecem – também soará a Hora em que o “Reino do Pai João” se manifestará, justamente, quando “tiver terminado tão trágica maneira de se “separar o bom trigo do joio”, isto é, a semente seleccionada para o Novo Ciclo portador de melhores dias para o Mundo, da semente apodrecida, que não poderia germinar e produzir bons frutos em terreno por demais cansado…

A referida Região do “Pai João” não é a mesma do “Preste João”, o grande viajante por terras misteriosas. Mesmo assim, também se acha ligada à Terra Sagrada, a Agharta, ou seja a AVALON da lenda do Rei Artus e os Doze Cavaleiros da Távola Redonda, podendo-se desdobrar tal nome em AVA (avô, antepassado, etc.) e LON, Lohan, Choan, etc., na mesma razão de Elohim, que, como se sabe, são os mesmos Dhyan-Choans das escrituras sagradas do Oriente, e no Cristianismo, os Arcanjos, etc. Assim, Avalon, por exemplo, é “a Terra Sagrada dos Deuses, dos nossos Antepassados, dos Jinas ou Génios, Choans”, etc., pois que o mesmo termo Lohengrin (Lohan-grin ou Jin) não possui outro significado.

E para terminar, o mesmo termo “Preste” pode ser uma corruptela de Pitri, Pai, Padre, Pêtre (francês) ou Presbítero, nome este com que a lenda nos diz ter sido designado pelo próprio Papa o fabuloso personagem que se dizia imperador duma vaga região no Oriente.

Posto isto, encerramos fazendo votos que a Paz volte a reinar na face da Terra, em nome do Amor, da Verdade e da Justiça!

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