A presença da Maçonaria na Independência do Brasil é facto histórico incontornável. Desde a Inconfidência Mineira até ao Grito do Ipiranga – Independência ou Morte! – passando pelo corte político de subordinação às Cortes de Lisboa e a Abolição da Escravatura, a Maçonaria teve papel determinante na formação do Brasil Independente. Não se pode deixar de falar dela.

Para uma nação a ser em toda a sua potencialidade, tal como o filho em relação ao progenitor, precisa libertar-se da dependência paterna, no caso, Portugal. O pai ensinou o filho, depois o filho teve que seguir o seu curso natural na vida, livre e independente, evoluindo pelos seus próprios esforços e méritos, e se possível até ajudar o velho pai, como este o ajudou em sua infância e adolescência. Foi assim que a Maçonaria Luso-Brasileira, em seus primórdios e aparte todas as vicissitudes psicossociais próprias de qualquer movimento novo, inexperiente nas madurezas da vida sociopolítica independente, entendeu essa acção determinante da que é hoje a maior potência nacional da América do Sul rivalizando mesmo com as potências socioeconómicas mundiais: o Brasil, o jovem filho mais querido de seu pai ancião, Portugal.

Tanto assim é que os primeiros maçons em solo brasileiro eram portugueses, depois naturalizando-se e assumindo-se de corpo e alma inteiros maçons brasileiros. De maneira que, apesar das relações tempestuosas com as Cortes de Lisboa havidas nesse conturbado período de transição, elas não foram tanto assim no seio da Maçonaria, encoberta e calmamente lavrando o terreno da pátria livre, inclusive com a Maçonaria Brasileira, criada a partir de Portugal, influenciando depois a Portuguesa, prova clara do intercâmbio entre as duas partes que se complementavam, que nunca estiveram separadas e só distintas no processo de Independência, nisto naturalmente implicando crises político-social ameaçando com a militar que, também graças à Maçonaria, nunca descambou em conflito bélico com Portugal. Isso mesmo diz Oliveira Marques[1], num breve resumo da História da Maçonaria Brasileira, que transcrevo por inteiro:

“BRASIL – Embora tivesse havido maçons em terras brasileiras desde meados do século XVIII – na sua maior parte vindos de Portugal – só em 1800 surgiu na América Portuguesa a primeira Loja maçónica, devidamente estruturada. Foi a Loja União, instalada nesse ano perto do Rio de Janeiro, em Niterói (ao tempo chamada Vila Real da Praia Grande). Seguia o Rito Adoniramita e extinguiu-se logo em 1801, sem nunca se ter integrado em qualquer Obediência.

“Em 1801, apareceu uma segunda Loja do mesmo Rito, de nome Reunião, talvez por transformação da primeira. Funcionou no Rio de Janeiro e colocou-se, a partir de 1803, sob os auspícios do Oriente da então Ilha de França (hoje Maurícia). Durou até 1805.

“Por seu turno, em 1802, foi instalada na Bahia, a Loja Virtude e Razão, do Rito Francês.

“A intervenção do Grande Oriente Lusitano verificou-se pouco depois da sua criação em Lisboa, em 1803. No ano imediato, patrocinou a instalação no Rio de Janeiro, sob a sua égide, das duas Lojas Constância e Filantropia, que considerou as únicas legítimas e que logo entraram em competição com as restantes. Mas, em 1806, a perseguição desencadeada pelo Vice-Rei, Conde dos Arcos, levou ao encerramento das duas Lojas, sobrevivendo apenas a da Bahia.

“A partir de 1807-08, a Maçonaria pôde renascer, graças ao regime de maior tolerância alcançado. A presença da Corte Portuguesa e de numerosos maçons vindos de Portugal ajudou a alicerçar as sucessivas Lojas que se foram constituindo: no Rio de Janeiro, a Beneficência, a Emancipação, a S. João de Bragança e, mais tarde, a Comércio e Artes; na Bahia, a Virtude e Razão Restaurada (depois chamada Humanidade) e a União; em Pernambuco, onde a Maçonaria teve enorme desenvolvimento, a Regeneração, a Guatomosim, a Iguarassu, a Firme União, a Universidade Democrática, a União Campista, a Pernambuco do Oriente, a Pernambuco do Ocidente, a Filantropia e Moral, a Restauração e a Patriotismo, muitas delas efémeras; e em Niterói, a Distintiva. Seguiam quer o Rito Adoniramita, quer o Rito Francês. Em 1813, constituiu-se um primeiro Grande Oriente Brasileiro, restrito às três Lojas da Bahia Virtude e Razão, União e Razão Restaurada e à Loja Beneficência do Rio de Janeiro. Como Grão-Mestre, foi escolhido António Carlos Ribeiro de Andrada[2].

“Por seu turno, o Grande Oriente Lusitano conseguiu colocar sob a sua Obediência as Lojas Emancipação e Comércio e Artes, do Rio de Janeiro.

“A perseguição de 1817-18, no rescaldo dos acontecimentos de Portugal, fez encerrar momentaneamente todas as Lojas maçónicas no Brasil e extinguir o Grande Oriente Brasileiro.

“A partir de 1820-21, as medidas tomadas pelas Cortes de Lisboa e o regresso de D. João VI a Portugal provocaram um renascimento da Maçonaria que adoptou uma política claramente anti-portuguesa e independentista. As Lojas Comércio e Artes (renascida) e União e Tranquilidade, do Rio de Janeiro, juntamente com a Esperança de Niterói, de Niterói, fundaram, em 1822, sob o supremo malhete de José Bonifácio de Andada e Silva, o Grande Oriente do Brasil, cujo papel se mostrou relevante na proclamação da Independência, ocorrida em 7 de Setembro desse ano.

“A Maçonaria Brasileira, criada a partir de Portugal, veio depois a ter alguma influência na Portuguesa e, em especial, nos dois pontos seguintes:

“1. O primeiro Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceite foi constituído em Portugal, em 1841, integrado no Grande Oriente do Rito Escocês, por carta do Supremo Conselho do Brasil – ao tempo já regularmente constituído – a que presidia o Soberano Grande Comendador Montezuma[3], e o segundo, anexo ao Grande Oriente Lusitano, surgiu também por carta patente de 1841, concedida por outro Supremo Conselho do Brasil, de que era Soberano Grande Comendador o Conde de Lajes[4].

“2. Entre os primeiros guias e rituais usados na Maçonaria Portuguesa do Rito Escocês Antigo e Aceite contaram-se alguns vindos do Brasil, editados em 1833 (Cathecismo dos tres primeiros gráos do R∴ Escocez, Rio de Janeiro, 5833, 64 pp.) e 1834 (Guia dos Maçons Escocezes ou Reguladôres dos tres gráos symbolicos no rito antigo e acceito, Rio de Janeiro).

“As relações entre as Maçonarias dos dois Países foram sempre cordiais, tendo havido tratados entre o Grande Oriente Lusitano e o Grande Oriente do Brasil em 1865 e 1907.”

Por sua vez, Joaquim Gervásio de Figueiredo também faz uma resenha histórica do surgimento e desenvolvimento da Maçonaria no Brasil, cujo texto completo transcrevo, pelo seu grande interesse histórico ao entendimento sociopolítico da Arte Real actuando em prol da independência e na formação do país independente[5]:

“BRASIL, I – Período Colonial. Permanecem algo nebulosos e caóticos os primórdios da Maçonaria no Brasil; todavia não resta dúvida de que a sua introdução neste país deve ter ocorrido no século dezoito, em consonância com o despertar da consciência nacional brasileira e o seu crescente desejo de independência, avolumados depois das derrotas que desde o começo desse século vinham os brasileiros infligindo aos seus colonizadores estrangeiros, mormente os holandeses, e não raro com a ajuda mínima de seus colonizadores lusos. Para agravar, estes se mostravam implacáveis e cruéis em estrangular qualquer sentimento nativista de emancipação política do jugo estrangeiro. Segundo insuspeitos historiadores (ver A Maçonaria e a Grandeza do Brasil, de A. T. Cavalcanti[6], uma obra bem documentada), não só Tiradentes, o protomártir de nossa Independência, como outros inconfidentes, eram todos maçons. O alferes Joaquim José Xavier (o Tiradentes) chegou mesmo a fundar uma Loja maçónica no Tijuco (hoje Diamantina), Minas Gerais[7]. No Norte, os primeiros passos decisivos para a implantação da Maçonaria no país foram dados em Pernambuco e Bahia pelo Grande Oriente da França, com o Rito Moderno ou Francês, e no Sul, isto é, no Estado do Rio de Janeiro, pelo Grande Oriente de Portugal, com o Rito Adoniramita. Em 1801 e 1802 havia maçons dispersos em Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, Campos, Niterói e Minas Gerais. Em 1801 fundou-se em Salvador a Loja Virtude e Razão, que todavia teve curta duração, devido às perseguições do governo português, enquanto que em Pernambuco, beirando a mesma época, foram fundadas as Lojas Guatimosim, Firme União, União Campista e Filantropia e Moral. Alguns membros remanescentes da Loja Virtude e Razão fundaram em 30 de Março de 1807 a Loja Virtude e Razão Restaurada, que passou a denominar-se Loja Humanidade, e a seguir surgiu a Loja União. Com essas Lojas se fundou o primeiro Grande Oriente Brasileiro, com sede na Bahia, porém teve vida efémera, por ter desaparecido com as Lojas na voragem punitiva que se seguiu à fracassada Revolução Pernambucana de 1817. Ao passo que no Sul, em 1804, fundou-se a primeira Loja no Rio de Janeiro, denominada Reunião, filiada ao Grande Oriente Lusitano e funcionando no Rito Adoniramita, atraindo os maçons até então dispersos. Nesse mesmo ano chegou ao Rio de Janeiro um delegado do Grande Oriente Lusitano, portador da Constituição e Regulamento dessa Ordem, com o fim de obrigar todos os maçons brasileiros a se filiarem àquele Grande Oriente. Frustrado em seu intento, esse delegado enviou um mensageiro a Lisboa, a expor ali os motivos da recusa dos brasileiros em aceitarem aquela Obediência. Ante a impossibilidade de um acordo com a Loja Reunião, o delegado português fundou no Rio de Janeiro as Lojas Constância e Filantropia, e Emancipação, também filiadas ao Grande Oriente Lusitano. Com o advento das cortes portuguesas para o Brasil, em 1808, surgiu depois a Loja S. João de Bragança, da qual fizeram parte muitos funcionários do Paço. Seguiu-se-lhe a Distintiva em 1812, a qual em seu selo tinha por emblema um índio de olhos vendados e em cadeias, qual um génio prestes a libertar-se. Em 1815 fundou-se a Loja Comércio e Artes que, após cair em letargia, foi reerguida em 1821, e ainda subsiste. Esta Loja chegou a contar 94 membros activos em 1822, pelo que se decidiu criar duas Lojas suplementares: a União e Tranquilidade e a Esperança de Niterói. A principal tarefa dessas Lojas consistiu então em promover a campanha de libertação política do Brasil. A 2 de Agosto desse mesmo ano, o príncipe D. Pedro é iniciado ritualisticamente na Loja Comércio e Artes, sob o nome histórico de Guatimosim, e a 5 do mesmo mês é exaltado a Mestre maçom. Em 17 de Junho de 1822, convocou-se uma Assembleia Geral, que criou e instalou o Grande Oriente do Brasil, com o fim de tornar completamente autónoma a Maçonaria no país. As primeiras potências maçónicas a reconhecê-lo foram a França, a Inglaterra e os Estados Unidos da América do Norte.

“II – Período Monárquico. O Grande Oriente do Brasil foi fechado pelo seu Grão-Mestre, o imperador D. Pedro I, quatro meses após a sua instalação. Mas em 1827 alguns irmãos iniciaram outro movimento para reacender a Maçonaria no país, e em 1828 criaram um corpo director denominado Grande Oriente Brasileiro, porém, apenas simbólico e com uma Loja funcionando no Rito Escocês Antigo e Aceito. Em 1831, depois da abdicação de D. Pedro I, abriu-se nova pugna entre maçons brasileiros, pois, com a reinstalação, em 23 de Novembro desse ano, do anterior Grande Oriente Brasileiro, passaram os dois Orientes a tratar-se como inimigos, não obstante trabalharem ambos no Rito Moderno ou Francês. O Grande Oriente do Brasil esteve quase sempre em luta com outras potências maçónicas, e em funcionamento irregular, a não ser nos breves períodos em que viveu à sombra do Supremo Conselho para os Estados Unidos do Brasil. Em 12 de Novembro de 1832 o antigo embaixador brasileiro Montezuma, munido de plenos poderes do Supremo Conselho da Bélgica, fundou um Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito, no Rio de Janeiro, onde instalou uma Loja a que denominou Educação e Moral. Este ilustre irmão era filiado a uma Loja do Grande Oriente do Brasil e a uma outra do anterior Grande Oriente Brasileiro, e com o advento desta nova situação, passaram os dois Grandes Orientes a criar Capítulos e Consistórios, cada qual com um Supremo Conselho. Em 23 de Fevereiro de 1834, foi celebrado em Paris o Traité d’Union d’Alliance et Confédération Maçonnique entre os Supremos Conselhos dos Estados Unidos da América do Norte, França e Brasil, este último representado pelo Grande Lugar-Tenente Comendador Machado E. Silva. Em 23 de Outubro de 1835, alguns membros do Supremo Conselho do Brasil, reunidos irregularmente em Supremo Conselho, sem processo e em sua ausência, demitiram de suas funções o Soberano Grande Comendador Montezuma. Este reagiu contra acto tão irregular, sancionando os rebeldes, e continuou a exercer suas funções até 18 de Fevereiro de 1844, quando cessou de o ser por força do Tratado de Paris, em razão do afastamento de grande número de irmãos, segundo o manifesto do Supremo Conselho da França. Por esse Tratado, o Supremo Conselho do Brasil, então mais conhecido por Supremo Conselho Montezuma, deixou de fazer parte da Federação de Paris. Do verdadeiro Supremo Conselho do Brasil, assim feito adormecer, surgiram três novos Supremos Conselhos, dois dos quais, de vida efémera, fundiram-se no Grande Oriente do Brasil. O outro grupo, emanado do Supremo Conselho de Montezuma desde 1842, reuniu-se ao anterior Grande Oriente Brasileiro, tomando o nome de Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro, o qual aboliu inteiramente o Rito Moderno ou Francês. Rompido o Tratado de União de 1842, apareceu um Grande Oriente e Supremo Conselho sob a direcção do Marquês de Caxias, que, porém, logo aconselhou sua extinção. Depois, surgiu um outro Supremo Conselho, presidido pelo Conde de Lajes, com dezassete membros, mas também teve pouca duração. Reinando a anarquia em todas estas Ordens, cada multiplicação sua redundava em novo fracasso. Em 1843, foi fundada a Companhia Glória de Lavradio, com novo Grande Oriente, que também acabou se cindindo em dois grupos. Um dos grupos aclamou seu Grão-Mestre de Lavradio o Barão de Cairu, ao passo que um dos dignitários do outro grupo, tendo monopolizado todos os poderes, provocou o afastamento de mais de 1.500 maçons, os quais, sob a direcção do grande irmão Dr. Joaquim Saldanha Marinho, fundaram em 1863 o Grande Oriente e Supremo Conselho dos Beneditinos. Em 1865 os Grandes Orientes da França e de Portugal resolveram reconhecer o Grande Oriente dos Beneditinos como o único legal, e renovaram o Tratado de Aliança de 16 de Maio de 1865; graças aos esforços de seu Grão-Mestre, o Grande Oriente e Supremo Conselho dos Beneditinos chegaram a contar 49 Lojas em 1869. O Grande Oriente do Vale do Lavradio promulgou em 20 de Abril de 1865 a sua Constituição e Estatutos Gerais, e o do Vale dos Beneditinos promulgou a sua em 25 de Setembro de 1866, ambas admitindo o Rito Escocês Antigo e Aceito, o Moderno ou Francês, e o Adoniramita, e mesmo “todos os Ritos que estejam em harmonia com os princípios maçónicos e disposições da presente Constituição”. Em 1870, o Visconde do Rio Branco foi eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Lavradio, ao passo que Saldanha Marinho sempre deteve esse cargo na Ordem dos Beneditinos. Em 1872, mercê dos esforços do Grande Oriente de Lisboa, esses dois Grandes Orientes foram reunidos sob a denominação de Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brasil, e a sua Constituição provisória foi promulgada em 23 de Setembro de 1872, no Vale do Lavradio. Na ocasião da fusão havia 122 Lojas, das quais 68 Capitulares: 99 eram do Rito Escocês Antigo e Aceito, 11 do Rito Moderno ou Francês, 9 do Rito Adoniramita, 1 da Grande Loja de Hamburgo, 1 de York e 1 de Adopção (mulheres). Delas, 51 provinham do Grande Oriente dos Beneditinos, 31 dos de Lavradio e 40 cujas colunas foram erguidas depois da constituição do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brasil. A família maçónica brasileira estava de novo pacificada e a Ordem prosperou até à reeleição do Grão-Mestre, a qual decorreu acidentada, pois o candidato dos Beneditinos obteve grande maioria de votos sobre o do Grande Oriente do Brasil. Então o Grande Oriente de Lavradio declarou nula a unificação dos dois Grandes Orientes, feita em Setembro de 1872. Este caso foi submetido às potências estrangeiras, as quais, por grande maioria, decidiram que o Visconde do Rio Branco não se achava qualificado para anular uma fusão e deram ganho de causa a Saldanha Marinho. Como nenhum acordo fora obtido entre os dois ex-Grandes Orientes, Saldanha retornou aos Beneditinos, mas continuando a dirigir o Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brasil, e desta vez com o reconhecimento de quase todas as potências mundiais. Saldanha Marinho deteve esse primeiro malhete até 1880, e o Visconde do Rio Branco permaneceu Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil até 1878, quando o sucedeu o Grão-Mestre Adjunto, Dr. F. J. C. Júnior.

“III – Período Republicano. Daí em diante a Maçonaria no Brasil prosseguiu mais ou menos normalmente suas actividades, sem lances historicamente notáveis, a não ser algumas alterações em sua Constituição, tendentes a definir, restringir ou ampliar poderes, até que em Junho de 1927 o Supremo Conselho, convocado pelo Grande Comendador Dr. Otávio Kelly, resolveu romper o Tratado de União com o Grande Oriente do Brasil, que havia sido firmado em 1864, para constituir-se uma potência maçónica mista. Este acto provocou a fundação de Grandes Lojas Soberanas em vários Estados do Brasil, com jurisdição nas Lojas de seu território: Lojas de Perfeição, Capítulos, Conselho de Kadosh e Consistórios de Príncipes do Real Segredo, obedientes ao Supremo Conselho. Todas as Grandes Lojas fundadas trocaram representantes com as Grandes Lojas do Mundo, muitas das quais deixaram de reconhecer o Grande Oriente do Brasil como potência maçónica regular. Ao passo que o Supremo Conselho, funcionando no Grande Oriente do Brasil, fundado ao arrepio das Grandes Constituições e Resoluções da Confederação dos Supremos Conselhos, é julgado espúrio e irregular pelos demais Supremos Conselhos, não tendo por isso sido recebido no Congresso dos Supremos Conselhos, realizado em Paris, em 1928, e em Bruxelas, em 1935. Por esses motivos, o Grande Oriente do Brasil tem sofrido contínuas fragmentações, pois muitas Lojas têm se retirado de sua jurisdição para fundar novas potências, umas regulares e outras não.”

Quanto ao que no presente seja o vigor da Maçonaria Brasileira, Kent Henderson e Tony Pope descrevem[8]:

“A Arte Real no Brasil parece um pot-pourri. A maior e mais antiga Grande Loja no Brasil é o Grande Oriente do Brasil, com um Grande Oriente subordinado em cada Estado. Além disso, há 27 Grandes Lojas, baseadas nos limites dos Estados brasileiros; e 17 Grandes Orientes Estaduais Independentes; mais uma Grande Loja Distrital sob a Grande Loja Unida da Inglaterra; e alguns outros Corpos não reconhecidos por qualquer dos anteriores. Há, portanto, três ramos da Maçonaria Simbólica no Brasil, representados pelo Grande Oriente do Brasil; as várias Grandes Lojas baseadas nos Estados brasileiros; e os Grandes Orientes Independentes baseados nos Estados.

“A mais antiga das Grandes Lojas Estaduais foi composta por Lojas que saíram do Grande Oriente depois de 1927, durante vários períodos de problemas internos. Estas, por sua vez, certificaram Lojas em outras partes do país e, progressivamente, cada Estado ganhou a sua própria “Grande Loja”. Desnecessário dizer que o Grande Oriente não viu com bons olhos esse desenvolvimento. Claramente havia um problema territorial, com o Grande Oriente reivindicando a autoridade maçónica por todo o país. Porém, seguindo um “conclave” geral de todas as Grandes Lojas existentes em 1957, foram assinados Tratados de Amizade Fraternal entre a maioria delas. Isto não inferia no completo reconhecimento mútuo, mas permitia intervisitação e diálogo contínuos. Actualmente, o Grande Oriente do Brasil mantém Tratados de Amizade com todas as Grandes Lojas e, ao que tudo indica, excepto com as Grandes Lojas do Acre e do Amapá.

“O Grande Oriente do Brasil é algo como uma Grande Loja “ápice”, controlada por um “Grão-Mestre Geral” e Grandes Oficiais, com suas Lojas em cada Estado brasileiro sob uma “Federação” (análogo ao estilo britânico de Grande Loja Provincial), cada uma com o seu Grão-Mestre Estadual e seus Grandes Oficiais Estaduais.

“Além disso, há um “terceiro ramo” da Maçonaria Brasileira na forma de Grandes Orientes independentes baseados nos Estados (GOIs). Todos descendem de cismas com o Grande Oriente do Brasil ou das Grandes Estaduais. Os GOIs existem em 17 Estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Em pelo menos alguns Estados, todos os três Grandes Corpos (o Grande Oriente local do Brasil “Federado”, a Grande Loja Estadual e o GOI) geralmente estão em boas condições e os maçons podem, comumente, transferir-se de um a outro sem refazer Graus.

“Fora do Brasil, outras Grandes Lojas têm sido reconhecidas. A situação é que a maioria das Grandes Lojas dos EUA e das Grandes Lojas canadianas reconhecem uma variedade de Grandes Lojas Estaduais, mas não o Grande Oriente do Brasil (em 1996, somente dez Grandes Lojas dos EUA do Grupo Principal mantinham relações fraternais com elas), enquanto as Grandes Lojas inglesas, irlandesas e escocesas só reconhecem o Grande Oriente. Os GOIs normalmente não são reconhecidos fora do Brasil. As várias Grandes Lojas europeias, na maior parte, reconhecem o Grande Oriente e várias das Grandes Lojas Estaduais. Assim, depende unicamente da Grande Loja de onde o visitante vem para saber qual das Lojas brasileiras pode visitar legalmente.

“Além das anteriores, há várias Lojas no Brasil mantendo Cartas Constitutivas da Grande Loja Unida da Inglaterra, resultado de um Tratado entre a Inglaterra e o Grande Oriente do Brasil.

“Embora o Grande Oriente do Brasil tenha Lojas em todos os cantos do país, a sua concentração maior de Lojas está no Rio de Janeiro e São Paulo, as duas maiores cidades do Brasil. O magnífico Palácio Maçónico do Rio de Janeiro está tombado pelo Departamento do Património Histórico Nacional Brasileiro, por seu valor histórico.

“A vestimenta para todas as Lojas brasileiras é um terno social escuro, e os visitantes são convidados a usar os seus próprios paramentos. As Lojas do Grande Oriente reúnem-se semanalmente, ou bimensalmente, com algumas tendo uma reunião mensal. O Grande Oriente reconhece oficialmente o uso de sete Rituais de Loja Simbólica: os Graus Simbólicos do Rito Escocês (aproximadamente 80% de todas as Lojas), o Rito Adonhiramita, o Rito Moderno (Francês), o Rito Brasileiro, o Rito de York, o Rito de Schroeder e o Rito Lusitano. O Rito de York é o Ritual de Emulação inglês traduzido para o português.”

As fontes históricas para o Rito Brasileiro dispõem a sua origem no Rito Maçónico Adoniramita ou Adonhiramita, com especial ênfase para o 12.º Grau de Príncipe Rosa+Cruz, estágio Místico ou Crístico como o mais afim à Tradição Esotérica Ocidental. Ainda assim, quase emulava com ele o Rito Moderno ou Francês, igualmente presente na origem histórica da Maçonaria no Brasil.

O Rito Adonhiramita foi exportado pelos maçons lusitanos para Vera Cruz, nesta em breve adaptado ao peculiar simbolismo esotérico brasileiro mas cuja Tradição Primordial recapitulou, ao tomar por assento e início Niterói, pomo de venustas tradições recuando à Pré e Proto-História do Brasil. Contudo, a Potência Suprema da Maçonaria Brasileira, seguidora inicial do Rito Adonhiramita, esteve durante larguíssimos anos instalada no Rio de Janeiro.

Além de outros escritores de nomeada da História da Maçonaria Brasileira, com especial enfoque para o dr. Rizzardo da Camino, com obras publicadas de grande valia ao entendimento do tema, cito ainda a interessante colecção em cinco volumes, dedicada a “Hiram e Adonhiram”, do caríssimo dr. Orlando Soares da Costa[9], revelando-se-me “Mestre Instalado, Deputado Federal e Deputado Constituinte perante a Soberana Assembleia Federal Legislativa do Grande Oriente Brasileiro, onde exerço a Presidência da Comissão de Educação e Cultura. Sou decorado Sublime Iniciado e Grande Preceptor – Grau 31.º, sendo Presidente do Insigne Sodalício de Sublimes Iniciados e Grandes Preceptores do Grande Vale Central do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita para o biénio 1998/ 2000”.

Também Joaquim Roberto Pinto Cortez[10] e Eleutério Nicolau da Conceição[11], sem esquecer Morivalde Calvet Fagundes[12], João Ferreira Durão[13], José Castellani e William Almeida de Carvalho[14], dedicaram estudos de grande utilidade à presença e acção da Maçonaria no Brasil, reiterando ser o Rito primitivo o Adonhiramita, usando na argumentação dialéctica sustentada na documentação, até desfechar na data da famosa reunião em que a Independência do Brasil foi ultimada: 20 de Agosto, desde então passando a ser o dia nacional do Maçom.

O Ritual do Adonhiramita (Adam, Hiram e Ita, Mita ou Mitra), por sua natureza Solar ou Crística acaba tendo severas vizinhanças a esse outro Rito de Melki-Tsedek, exercido pela Ordem do Santo Graal. Tal Rito é o que ainda possui mais de simbologia tradicional herdada dos grimórios medievais de Kaballah judaico-cristã, que no século XVIII foi compilada pelo escocês Andrew Michael Ramsay (1686-1743), escritor religioso ex-quietista convertido ao catolicismo romano[15].

Foi Ramsay o criador do Sistema Maçonista Escocês, tendo impresso forte cunho cabalístico aos graus superiores do mesmo, notoriamente inspirados na literatura gnóstica referente às antigas tradições heterodoxas dos Patriarcas de Israel. Por sua vez, o também escocês James Anderson (1679-1739), pastor presbiteriano e maçom desde cedo, escreveu a Constituição dos Maçons ou Livro das Constituições, entre 1721 e 1723, ano da sua edição, e nessa “bíblia” da Maçonaria Especulativa ele dá esta como inspirada na fonte judaico-cristã[16].

Contudo, o Ritual de Adoniram ou Adonhiram revela algum parentesco simbológico e ritualístico com aquele outro, onde acaso poderá ter reconhido a sua inspiração, Egípcio ou Copta instituído por Cagliostro no século XVIII, cerca de 1762, em Paris, França, quando fundou o Rito de Adopção sob a presidência de sua esposa, Serafina Feliciani, e depois ele mesmo o Rito Andrógino na sua Loja Sabedoria Triunfante, em 1786, em Lyon, no sul desse país, de certa forma adoptado por Martinets de Pasquallys adaptando-o ao seu Rito dos Elus-Cohens (“Sacerdotes Eleitos”), prosseguido depois por Louis Claude de Saint-Martin sob o designativo de Martinismo, linha para-maçonista, mista de cabalística e mágica que no século XIX foi reformulada por Gerard Encausse (Papus), ainda assim influenciando em muitos aspectos o sistema maçónico contemporâneo[17].

Dá-se como data oficial de nascimento da Maçonaria Adonhiramita o ano 1744, quando o abade Leonard Gabanon editou em França a sua obra Cathécisme des Francs Maçons ou Le Secret des Francs Maçons, contendo as bases desse Rito que seria desenvolvido pelo barão Théodore de Tschoudy em 1787, já tendo sido antes editada a compilação com o título Recuil Précieus de la Franc-Maçonnerie Adonhiramite, que se diz ter sido escrita por ele ou em parceria com outro famoso maçom francês, Louis Guillaume Saint-Victor[18].

Ilustração do Rito Adonhiramita por Louis Guillaume Saint-Victor (1785)

Segundo Jules Boucher[19], a Maçonaria Adonhiramita baseia o seu Grau de Mestre na lenda do chefe de obreiros do Templo de Salomão, Adonhiram ou Adon-Hiram. Em conformidade ao texto na Bíblia prosseguido pela tradição dos construtores-livres (liberi muratori), foram três os Hirams envolvidos no processo de construção do Templo de Jerusalém, como sejam:

1.º) Hiram de Tiro, rei da Fenícia, filho de Abchal, contemporâneo e aliado de David e Salomão;

2.º) Hiram Abiff, o arquitecto fenício ao serviço de Salomão, originário de Tiro, capital da Fenícia, e filho de Abda, da tribo de Dan;

3.º) Adon-Hiram ou Adonhiram, intendente e chefe dos operários encarregados da construção do Templo, vassalo do rei Salomão mas às ordens do mestre Hiram Abiff.

A Bíblia, no 1.º Livro de Reis, cap. IV, dá a lista dos altos funcionários ao serviço do rei Salomão, mencionando: “Adoniram, filho de Abda, preposto às corveias”. Mais adiante, no mesmo Livro, cap. VII, vers. 27, têm-se outros detalhes: “O rei Salomão escolheu entre todos os israelitas homens de corveia, e os homens de corveia eram em número de trinta mil. Ele os mandou ao Líbano, dez mil por mês alternadamente; eles ficavam um mês no Líbano e dois meses em suas casas; Adoniram era preposto sobre os homens de corveia”.

Sendo-lhe dado por tradição o parentesco de irmão do arquitecto Hiram Abiff, Adonhiram (“Consagrado pelo Senhor”) vem a ser o fundador ou iniciador da Linha de Companheiros, enquanto aquele outro, cabeça da Linha dos Mestres, será o seu inspirador por deter os segredos da Arte Real. Consequentemente, não haverá diferença maior entre adonhiramitas e hiramitas senão a especulada por alguns teóricos dos séculos XIX-XX, posto uns esquissarem (hiramitas) e outros aplicarem (adonhiramitas) o conhecimento d´Arte.

Aventa-se a hipótese do Rito Adonhiramita ter sido o inicial praticado pelas Lojas portuguesas antes da introdução do Rito Moderno (Francês) em 1801, na época constituído de somente treze Graus. Somente após a separação da Maçonaria Brasileira, onde os Graus Simbólicos ficaram sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil e os Altos Graus jurisdicionados às respectivas Oficinas Chefes dos Ritos, em 2 de Junho de 1973, é que os 33 Graus do Rito Escocês Antigo e Aceite foram introduzidos pelo governo das Oficinas Litúrgicas do Rito Adonhiramita, antes exercido pelo Grande Capítulo, ao ficarem afectos ao Supremo Conselho da Maçonaria Adonhiramita.

Os treze Graus originais do Rito Adonhiramita, eram:

1 – Aprendiz
2 – Companheiro
3 – Mestre
4 – Antigo Mestre
5 – Eleito dos Nove
6 – Eleito de Pérignan
7 – Eleito dos Quinze
8 – Pequeno Arquitecto
9 – Grande Arquitecto
10 – Mestre (ou Cavaleiro) Escocês
11 – Cavaleiro do Oriente
12 – Rosa+Cruz
13 – Noaquita ou Cavaleiro Prussiano

É possível que o 13.º Grau não se praticasse em Portugal, terminando a escala no Rosa+Cruz, como mais tarde veio a acontecer com o Rito Francês, permitindo uma fácil fusão entre os dois[20]. No Rito Francês esse Grau é o 18.º do Cavaleiro do Pelicano ou Príncipe Rosa+Cruz reconhecido pelo sinal e palavra sagrada: mãos cruzadas sobre o peito, pronunciando Emmanuel[21].

Isso se relacionará a essa Igreja Invisível ou Secreta de Melki-Tsedek, o Rei do Mundo, lapidada no significado cabalístico da própria sigla do arquitecto fenício H.I.R.A.M., com o sentido latino de HIC JACET REX ADVENTURUS MUNDI, que é dizer, “Aqui jaz o futuro Rei do Mundo”. Neste caso, o futuro Emmanuel que é Akdorge.

Legalmente foi o juiz Sebastião José de Sampaio e Melo e Castro Luzignano, ou Lusignan (Lisboa, 13.2.1764 – Lisboa, 2.2.1826), neto do marquês de Pombal e segundo filho do 1.º conde de Sampaio, o tenente-general António de Sampaio Melo e Castro Moniz e Torres de Lusignan, governador das Armas de Trás-os-Montes, e de D. Teresa Violante Eva Judite Van Daun, filha do 1.º Marquês de Pombal, dizia, foi ele, com o nome simbólico Epicteto depois mudado para Egas Moniz, mercê do Tratado de Amizade entre o Grande Oriente Lusitano e o Grande Oriente Francês, o 1.º Grão-Mestre da 1.ª Loja estabelecida em Lisboa nos inícios de 1804, funções que exerceu até 1809, possivelmente seguindo o Rito Simbólico Regular, nome dado ao Rito onde se reconheciam apenas os 3 primeiros Graus, portanto, Maçonaria Azul. Em 1816, o tenente-general Gomes Freire de Andrade foi nomeado Grão-Mestre do Grémio Oriente Lusitano, fixando a Obediência no Rito Escocês Antigo e Aceite.

No Brasil, entretanto, o imperador D. Pedro I, filho de D. João VI, rei de Portugal, já havia sido iniciado maçom pela mão do seu ministro José Bonifácio de Andrada e Silva (com o nome simbólico Pitágoras), o “patriarca da Independência” e a quem a Maçonaria Brasileira tanto deve, senão tudo, a começar pela Constituição do Grande Oriente Brasileiro[22].

Constituição do Mestre Maçom José Bonifácio de Andrada e Silva

Tudo começou no dia 17 de Junho de 1822, quando os maçons cariocas reunidos em sessão magna e extraordinária presidida por João Mendes Viana (Graccho), Venerável Mestre da Loja Comércio e Artes, decidiram da criação e instalação do Grande Oriente Brasílico ou Grande Oriente do Brasil, tendo escolhido José Bonifácio de Andrada e Silva (Pitágoras) para seu Grão-Mestre. Estavam lançados os dados: José Bonifácio assumia o poder da potência mas destinava-o a D. Pedro de Alcântara, príncipe-regente, para que tomando as rédeas do país o tornasse independente e assegurasse a “República Maçónica”. Só a primeira parte aconteceu, a segunda não, pois D. Pedro até chegou depois a suspender temporariamente a Maçonaria no país, por motivos menos ideológicos e mais políticos, garantindo a separação de poderes e a neutralidade na “coisa pública” ou respública.

Da acta da nona sessão do Grande Oriente do Brasil, realizada em 2 de Agosto de 1822, consta “ter o Grão-Mestre da Ordem proposto para ser iniciado nos mistérios da Ordem, Sua Alteza D. Pedro de Alcântara, Príncipe Regente do Brasil e seu defensor perpétuo. Aprovada de forma unânime, D. Pedro foi imediata e convenientemente comunicado, que dignando-se aceitá-la, compareceu na mesma sessão, e sendo iniciado conforme prescrevia a liturgia maçónica, prestou juramento e adoptou o nome heróico de Guatimozim”.

Para a historiografia maçónica, a 17.ª sessão do Grande Oriente do Brasil reveste-se de um significado particular. Realizada em 4 de Outubro de 1822, na Loja Comércio e Artes, D. Pedro foi aclamado Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil em substituição a José Bonifácio, tendo a sessão sido presidida pelo Grão-Mestre Adjunto Joaquim Gonçalves Ledo (Diderot). Isso consta na acta da mesma sessão: “… e logo expôs o 1.º Grande Vigilante que o objectivo da presente convocação da Assembleia Maçónica era a prestação do Juramento do nosso muito amável e muito amado Irmão Guatimozim, eleito Grão-Mestre da Maçonaria Brasileira, por geral Aclamação, em plena reunião do Povo Maçónico, e sendo conduzido do Oriente, onde estava, ao sólio, por uma deputação de Irmãos Cavaleiros Rosa+Cruzes, prestou o Juramento da Ordem e imediatamente recebendo o Grande Malhete, subiu ao sólio e tomou a direcção dos trabalhos”.

Talvez menos da parte de José Bonifácio e mais da de Joaquim Ledo, interessado em manipular os interesses gerais da política nacional restringindo-os aos particulares da Maçonaria através do imperador D. Pedro já agora “irmão maior” da Ordem, contudo entende-se que este não se deixou manipular e, talvez devido aos jogos e influências de poder naquela, determinou, ainda nesse mesmo mês, em 21 de Outubro de 1822, a suspensão das actividades maçónicas, afiançando a Ledo que a suspensão seria breve: “Meu Ledo. Convindo fazer certas averiguações, tanto públicas como particulares, na Maçonaria. Mando: primo como Imperador, segundo como Grão-Mestre, que os trabalhos Maçónicos se suspendam até segunda ordem minha. É o que tenho a participar-vos; agora resta-me reiterar os meus protestos como Irmão – Pedro Guatimozim Grão-Mestre. P.S. Hoje mesmo deve ter execução e espero que dure pouco tempo a suspensão, porque em breve conseguiremos o fim que deve resultar das averiguações”.

De facto, quatro dias depois, em 25 de Outubro de 1822, Pedro Guatimozim, como o imperador assinava a sua correspondência maçónica, deixando marcada a sua posição de líder político neutro, determinou o fim da suspensão dos trabalhos em função do término das averiguações: “São Cristóvão, 25.10.1822. Meu Irmão – tendo sido outro dia suspendido nossos augustos trabalhos pelos motivos que vos participei, e achando-se hoje concluídas as averiguações, vos faço saber que segunda-feira que vem, os nossos trabalhos devem recobrar o seu antigo vigor, começando a abertura pela Loja em Assembleia Geral. É o que tenho a participar-vos para que, passando as necessárias ordens, assim o executeis. Queira o Supremo Arquitecto do Universo dar-vos fortunas imensas como vos deseja o – Vosso Irmão – Pedro Guatimozin – Grão-Mestre – Rosa Cruz”.

A adopção do nome simbólico Guatimozim por D. Pedro I merece o registo de figurar entre os nomes dos paladinos da independência e liberdade, sobretudo como homenagem ao último imperador asteca do México, Guatimozim, que resistiu em 1522 ao conquistador espanhol Hernando Cortez[23]. Mas Guatimozim também era o nome histórico adoptado por Martim Francisco Ribeiro de Andrada, irmão carnal e maçónico de José Bonifácio, que perfilava ao lado de Falkland (António Carlosn Ribeiro de Andrada), Tibiriçá (José Bonifácio de Andrada e Silva), Caramuru (António Telles da Silva), Aristides (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) e Claudiano (Frei Sampaio – Francisco de Santa Teresa de Jesus Sampaio) nas alas maçónicas e registos do Apostolado e Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz. Além disso, no Recife existiu uma Loja Maçónica denominada Guatimozim, fundada em 1816 e que em 1821 mudou o seu nome para Loja 6 de Março de 1817, em homenagem aos maçons sacrificados na Revolução Pernambucana de 1817, movimento emancipacionista que opôs iluministas e absolutistas, tendo estes conseguido vencer aqueles mas não os dominar em sua vontade de independência, a qual aconteceria poucos anos depois por iniciativa de D. Pedro I.

Da passagem e rápida ascensão de D. Pedro pela Maçonaria, ficaram alguns dos seus objectos maçónicos na posse da família Cavalcanti, os quais D. Amélia Machado de Coelho e Castro (1852-1946), viscondessa de Cavalcanti, fez oferta ao Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro, em 15 de Novembro de 1927, constando de uma faixa, um avental, um malhete e uma espada, dentre os principais objectos doados[24]. Nas fichas técnicas do acervo, constam[25]:

Faixa maçónica – Confecionada em seda e fios de ouro, 69 x 60 cm, apresenta a águia bicéfala coroada, com espada nas garras e um delta luminoso, símbolos que compõem o emblema do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceite.

Faixa maçónica de D. Pedro I

Avental maçónico – Manufaturado em seda e veludo, 34 x 36 cm, apresenta, bordado na abeta, um delta luminoso; abaixo, ostenta um pelicano alimentando os seus filhotes encimado por uma cruz com a rosa mística no centro, ladeado por símbolos e palavras do Grau. Portanto, poderá ser um avental do Grau 7 de Cavaleiro Rosa+Cruz do Rito Moderno na época.

Avental maçónico de D. Pedro I

Malhete maçónico – Fabricado em bronze dourado, 25 x 13,5 x 2,5 cm, apresenta as iniciais “P. 1º” (Pedro I) gravadas em relevo.

Malhete maçónico de D. Pedro I

Espada maçónica – Acompanhada da respectiva bainha. Trata-se de um espadim, 9 larg. x 89,50 cm comp., de aço e cobre cuja lâmina e punho foram trabalhados em metal dourado e filigrana. O pomo circular, tem num lado o triângulo raiado com um olho inscrito, e no outro o compasso e o esquadro circundados por coroa de louros. O punho raiado com o número 33 inscrito; na outra face, a águia bicéfala coroada e pousada sobre espada. Guarda-mão em cruzeta, tendo num dos lados martelo e trave ladeados por decoração fitomorfa; no outro lado, a estrela de cinco pontas ladeada por decoração fitomorfa tendo ao centro a letra G. A lâmina é de três faces côncavas, e a bainha apresenta bocal com decoração fitomorfa. O corpo é de forma triangular com ponteira com decoração semelhante à do bocal, sendo a sapata esferóide.”

Espada e restantes alfaias maçónicas de D. Pedro I

Também o imperador D. Pedro II (Rio de Janeiro, 2.12.1821 – Paris, 5.12.1891) andou de proximidades com a Maçonaria, mesmo não sendo maçom, por certo reconhecendo ela conter a potencialidade necessária ao desenvolvimento sociocultural do país. Daí as relações havidas entre ele e o G.O.B., inclusive tendo feito várias ofertas a diversas Lojas do Estado do Rio de Janeiro: à Loja Independência e à Loja Luz de Barra Mansa, no Vale do Paraíba, ofereceu uma espada a cada uma, nessa última tendo gravada na empunhadura a inscrição “P. II” (Pedro II), e à Loja Lealdade de Brio de Resende, então província do Rio de Janeiro, em 1874 presenteou-a com um lindo florete da sua Guarda Real.

Florete oferecido por D. Pedro II à Loja maçónica Lealdade de Brio de Resende (1874)

Tendo a Maçonaria Especulativa sido fundada em 24 de Junho de 1717 com a criação da Grande Loja de Londres, Inglaterra, cedo ela se instalou no Brasil. Neste, de maneira alguma a Loja Comércio e Artes, do Rio de Janeiro, foi a sua Loja primaz, tendo sido fundada sem Carta Constitutiva em 1815 trabalhando de forma irregular até 1818, quando foi fechada; somente quando do seu reerguimento, em 1821, ela se filiou ao Grande Oriente Lusitano. Até mesmo a Loja União, também fundada no Rio em 1800, era irregular, e só após a adesão de algumas autoridades públicas foi refundada aparentemente de forma regular, modificando o seu nome para Loja Reunião. O próprio Areópago de Itambé, Pernambuco, fundado em 1796 e que alguns autores consideram a primeira Loja do Brasil, apareceu de forma irregular e foi mais uma associação maçonista simpática ao Rito Francês do que propriamente uma Loja justa e perfeita, tendo sido fundada por Manuel Arruda Câmara, ex-frade carmelita, botânico e médico formado em França na Faculdade de Medicina de Montpellier[26]. Essa Loja irregular veio a depender da primeira Loja regularmente estabelecida no Brasil, em 1797, como seja a dos Cavaleiros da Luz, fundada em São Salvador da Bahia e que foi a principal chama da Conjuração Baiana, indo influenciar o nordestino Estado vizinho de Pernambuco[27]. Em 1809, na mesma cidade do Salvador, atendendo às inúmeras Lojas que já existiam, foi fundado o Governo Supremo ou simplesmente Grande Oriente, a primeira Obediência Maçónica brasileira.

A influência maçónica no Brasil foi tão grande que chegou a influenciar a constituição do tecido urbano de certas cidades, sendo Paraty, no Estado do Rio de Janeiro, o exemplo mais notável. Ainda no século XVIII, as portas e janelasda maioria das suas casas foram pintadas em branco e azul, o chamado azul-hortência da Maçonaria Simbólica (constituída dos três primeiros Graus de Mestre, Compa-nheiro, Aprendiz). O seu arruador, António Fernandes da Silva, apesar de informar ter feito esse traçado “para evitar o vento encanado das casas e distribuir equitativamente o sol nas residências”, o facto é que deixou inúmeros sinais da presença e influência maçónica[28].

Nas ruas de Paraty, encontram-se em algumas esquinas três pilares (cunhais) de pedra lavrada indo formar o triângulo maçónico, o que explicará as ruas “entortadas” do arruador. Também as colunas das suas ruas formam um pórtico, uma à direita e outra à esquerda da porta de entrada das casas, em guisa de informar o visitante que essas eram moradas de maçons, e através da simbologia exposta poderia até saber-se do grau do maçom de cada residência. Outro exemplo típico é a proporção dos vãos entre as janelas, em que o segundo espaço é o dobro do primeiro, e o terceiro é a soma dos dois anteriores, isto é, A+B=C, ou seja, a soma das partes é igual ao todo, que se resume no rectângulo áureo da concepção maçónica.

Até as plantas das casas, feitas na escala 1:33.33, têm a marca da simbologia maçónica, desta feita da Ordem Filosófica cujo Grau máximo é o 33.º.

Por fim, Paraty possui 33 quarteirões e, na administração municipal da época, existia o cargo de Fiscal de Quarteirão, exercido por 33 fiscais.

A Loja União e Beleza, de Paraty, apesar de fundada em 1983, a lenda assegura que a sua fundação recua a 1700, ano em que ainda não existia a Maçonaria Especulativa ou Moderna mas que dispõe essa em estado ideal pré-criador da mesma encomiando a condição operática da Ordem, que o projecto da urbe tão bem testemunha.

Casa de Paraty (RJ)

Com tudo o dito, observa-se, pois, a Teosofia e a Maçonaria como as duas Colunas mantendo firme e resistente o majestoso Templo da Verdade, como esclarece o Professor Henrique José de Souza[29]:

“A Teosofia é a Sabedoria dos Deuses, no seu duplo aspecto de Amor e de Verdade. A Maçonaria, por sua vez, é a gloriosa Mensageira da Verdade e do Bem, que através dos séculos vem abrindo largo sulco de Caridade e de Justiça. Ambas se fundem numa só Força e Poder, porquanto representam as mais valiosas correntes para a organização do edifício social, os meios mais eficientes para a realização do sublime ideal da Hierarquia Oculta, a Fraternidade Humana, e ainda, o poder mágico e infalível de cada homem poder decifrar o misterioso enigma da sua Esfinge interna.”

Depois, em 28 de Setembro de 1962, em magnífica alocução oral voltou a referir-se ao assunto:

“Os Grandes Seres que dirigem o destino da Humanidade, principalmente Aquele que se acha à frente da Grande Obra para a América Latina, servem-se de todos os grandes centros de actividade espiritualista. A Maçonaria será, talvez, a que maiores serviços prestará à Causa que nos empolga, porém… já está entendido, passando pela grande reforma de que se vem ressentindo há tanto tempo…”

A preparação do Ecce Occidens Lux, a irromper com as futuras Independências dos países do continente americano, muito particularmente do Brasil, neste foi processo iniciado com o exílio de D. João VI para aí, indo estabelecer no Rio de Janeiro a capital do Império Português, substituindo temporariamente Lisboa, e com isso o Ex Oriens Lux tornando-se cada vez mais Umbra… Soerguia-se a Luz ou Sol do Ocidente, cujo eco maior ficaria no Grito do Ipiranga pelo futuro imperador do Brasil, desfecho de todos os esforços no país da Maçonaria: Independência ou Morte!

Independência de todas as formas de esclavagismo, sobretudo de si mesmo, desse “podre e gasto” homem velho, pelo ressuscito do Homem Novo, mais Justo e Perfeito, construtor e povoador de uma Nova Raça mais Fraterna e Humana, capaz de unir o Mundo numa Concórdia Universal. Este foi, é e será sempre, até à sua realização, o sonho dos Maiores da Raça desejando-a divinamente humana e humanamente divina. Utopia? Talvez seja. Mas também a maioria das utopias do Passado são hoje realidades usufruídas que ninguém as discute, nem sequer pensa quanto foi difícil e moroso realizá-las.

Para realização maior caminha hoje o Brasil Independente, e aparte todos as convulsões sociais próprias de um ciclo recém-finado, sem dúvida o seu destino último será a de realizar e partilhar a maior a maior das utopias: a Felicidade Humana.

NOTAS

[1] A. H. de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I, pp. 208-212. Editorial Delta, Lisboa, 1986.

[2] De nome completo António Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva – São Paulo, 1.1.1773 – Rio de Janeiro, 5.12.1845. Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, advogado, escritor e político, deixou publicados escritos de economia, poesia, política, etc. Partidário da separação entre o Brasil e Portugal, participou na Revolução Republicana de 1817, tendo estado preso até 1821. Deputado pelo Brasil às Cortes de 1821, teve papel de relevo na preparação da Independência do Brasil, vindo a ser, neste seu país natal, deputado, senador e ministro. Iniciado em Loja e data desconhecidas, foi o Grão-Mestre do primeiro Grande Oriente Brasileiro (1813-1818).

[3] De nome completo Francisco Gomes Brandão Montezuma (Bahia, 1794 – 1870). Jornalista e político, foi perseguido e expulso do Brasil por D. Pedro, tendo regressado em 1831 e vindo a desempenhar posteriormente funções diplomáticas em Inglaterra, e a ser senador e conselheiro de Estado. Recebeu o título de Visconde de Jequitinhonha. Em 1822, mudou o nome para Francisco Gé Acayaba de Montezuma. Fundou no Brasil (1832) o Supremo Conselho do Grau 33, reconhecido pela França no ano imediato e uma das potências signatárias do Tratado de Paris (1834). Desempenhou o cargo de Soberano Grande Comendador de 1832 a 1844, resistindo, durante nove anos, à cisão que instaurou no Brasil um segundo Supremo Conselho (1835) e mantendo o seu em regular funcionamento. Por decretos de 28.7.1840, concedeu o Grau 33 a Silva Carvalho, autorizou-o a fundar um Supremo Conselho em Portugal e confirmou o Consistório que por aquele acabara de ser instalado.

[4] João Vieira de Carvalho, Conde de Lajes (Olivença, 1781 – 1847). Oficial do Exército e fidalgo da Casa Real, foi educado no Colégio dos Nobres em Lisboa, e emigrou durante a 1.ª invasão francesa para o Brasil aonde se fixou e veio a atingir o posto de marechal de campo. Interveio na vida política brasileira, sendo senador e várias vezes ministro. Recebeu o título de 1.º Conde e 1.º Marquês (1845) de Lajes. Como Soberano Grande Comendador de um dos Supremos Conselhos do Grau 33 existentes no Brasil, autorizou (Novembro de 1840) Joaquim Elias Rodrigues da Costa, membro do Supremo Conselho a que presidia, a conferir o Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceite aos maçons portugueses que o merecessem, “a fim de fundar um Supremo Conselho do Grau 33.º do Rito Escocês Antigo e Aceite no Reino de Portugal”. Do facto resultou o Supremo Conselho Costa Cabral (junto ao Grande Oriente Lusitano), cujos trabalhos tiveram início em 1844.

[5] Joaquim Gervásio de Figueiredo, Dicionário de Maçonaria, pp. 80-84. Editora Pensamento, São Paulo, 1974.

[6] A. T. Cavalcanti Dalbuquerque, A Maçonaria e a Grandeza do Brasil. Editora Aurora, Rio de Janeiro, 1955.

[7] Esta informação carece de comprovação, e a ter acontecido essa fundação maçónica da parte do Tiradentes seria só por benfeitoria e afeição ao patriotismo da Maçonaria, pois como maçom filiado ele não consta nos Anais do Grande Oriente do Brasil (nota VMA).

[8] Kent Henderson e Tony Pope, Maçonaria Universal (Um novo Guia para o Mundo Maçónico – As Américas). Madras Editora Ltda., São Paulo, 2001.

[9] Orlando Soares da Costa, Maçonaria Adonhiramita, cinco volumes. Editora Europa, Rio de Janeiro, 1999.

[10] Joaquim Roberto Pinto Cortez, Fundamentos da Maçonaria. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2001.

[11] Eleutério Nicolau da Conceição, A Maçonaria na História e no Mundo (Origens-Lutas-Actuação). Madras Editora Ltda., São Paulo, 2004.

[12] Morivalde Calvet Fagundes, A Maçonaria e as Forças Secretas da Revolução. Editora Aurora, Rio de Janeiro, 1982.

[13] João Ferreira Durão, Pequena História da Maçonaria no Brasil. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2008.

[14] José Castellani, William Almeida de Carvalho, História do Grande Oriente do Brasil. A Maçonaria na História do Brasil. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2009.

[15] George David Henderson, Chevalier Ramsay. Ed. Thomas Nelson e Filhos, Londres, 1952.

[16] James Anderson, As Constituições dos Franco-Maçons. Editora do Grande Oriente do Brasil, Brasília, 1997.

[17] Vitor Manuel Adrião, Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria. Edição Dinapress, Lisboa, 2002.

[18] Louis Guillaume Saint-Victor, Recueil Précieux de la Maçonnerie Adonhiramite. Contenant les trois Points de la Maçonnerie Ecossaise, le Chevalier de l´Orient e le vrai Rose-Croix, qui n´ont jamais été imprimes. Philarethe, Philalelphie, 1785.

[19] Jules Boucher, A Simbólica Maçónica (Segundo as regras da Simbólica Esotérica e Tradicional). Editora Pensamento, São Paulo.

[20] . H. de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. II. Editorial Delta, Lisboa, 1986.

[21] Michel Monereau, Les Secretes Hermétiques de la Franc-Maçonnerie e les Rites de Misraim & Memphis, suivi de Crata Repoa – Initiations aux anciens mystères des prêtes d’Egypte. Éditions Axis Mundi, Paris, 1989.

[22] José Bonifácio de Andrada e Silva, Manifesto do Grande Oriente Brasileiro (Constituição). Rio de Janeiro, 1832.

[23] Isa Ch´an (Kurt Prober), Achegas para a História da Maçonaria no Brasil, volume I de III. Edição do autor, Paquetá, São Paulo, 1968.

[24] Gustavo Barroso, O Imperador e a Maçonaria. Revista O Cruzeiro, Dezembro de 1955.

[25] Maria Laura Ribeiro, D. Pedro I e a Maçonaria, volume VIII. Anais do Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, 1972.

[26] Micheline de Souza Lira, A Confraria Maçónica de Itambé. Goiana, 1999.

[27] Sérgio Corrêa da Costa, As quatro coroas de D. Pedro I. Casa do Livro, Rio de Janeiro, 1972.

[28] Diuner José de Mello, Paraty: Roteiro Histórico do Visitante. Edição do autor, Paraty, 1976.

[29] Henrique José de Souza, A Minha Mensagem ao Mundo Espiritualista. Revista Dhâranâ, n.º 25 a 28, p. 40, 1928.

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