Com isso refiro-me ao mistério do Sol Oculto ou Central da Via Láctea, que a lenda chinesa do Dragão Celeste, já descrita aquando se falou de Astrologia Kármica, igualmente retrata, por nela se conter o conceito de Água Celeste (Aqua Coeli) simbólica de Svabhâvat, a Substância Primordial, indo polarizar-se em Água do Céu (Purusha, Espírito) e Água da Terra (Prakriti, Matéria). Constitui a natureza do Pai-Mãe Cósmico (na cumeeira deste Sistema de Evolução Universal), como descreve a Tradição Iniciática das Idades. Conforme a lenda, o peixe do mar e a ave do céu, separados, são imperfeitos. Mas quando se unem surge o dragão celeste, como seja o Demiurgo, o Logos Criador que, como o Deus dos platónicos, expressa a própria Ideação Cósmica, a Lei Divina ou Dharma.

Isso leva a expor o princípio seguinte: o ímpar é o andrógino latente, o par é o andrógino patente, separado.

Dou assim entrada no tema do Sol Oculto. Pode-se afirmar com toda a segurança que logicamente o Sol visível (“branco”) não é o Sol oculto (“negro”), tal qual a luz branca não é a luz negra, nem o corpo é o anticorpo, apesar dos primeiros terem sido gerados pelos segundos, como afirma a própria Bíblia logo ao início da Génese: “No princípio era treva e da treva saiu a luz”…

O Logos Único, o Sol Átmico Oculto, através do seu Tríplice Aspecto Hipostático, é, no dizer do Dhyani Mikael em suas Estâncias, “um Nucléolo, uma seteira aberta na fortaleza sombria do Espaço”, com a função de transformar, ciclicamente, durante os Pralayas ou Repousos de Rondas, Cadeias, Sistemas, etc., a Energia Passiva em Energia Activa, e fá-lo através dos Mamo-Choans ou “Dhyans de Assimilação, de Colheita” durante o Caos, que é dizer, durante a Noite Cósmica; durante os Manvantaras ou Actividades dos mesmos períodos cósmicos assinalados, essa Energia Activa é transformada em Energia Consciência pela acção dos Dhyan-Choans ou “Dhyans de Aplicação, de Sementeira” no Cosmos ou Dia Cósmico.

Assim, o Sol visível no seu aspecto ígneo, como usina geradora de energias eléctricas e magnéticas, vem a ser a mais poderosa e perfeita expressão mayávica e hipostática do Sol Negro, Oculto, Central ou Espiritual do nosso Sistema de Evolução Planetária e de todos os demais componentes do Sistema Solar.

De maneira que o Sol Helion, Helius ou Surya foi o Sol Negro entre o anterior e o actual Sistema Solar. Ao nível da nossa Cadeia Cósmica (com as suas sete Cadeias Planetárias), presentemente Mercúrio ocupa o lugar de Sol Oculto e Vénus o lugar de Sol visível. Quando Mercúrio se manifestar como Sol visível, Vénus será uma Lua Negra ou invisível, e Júpiter um Sol Negro ou imanifestado, o que significa que Júpiter poderá ser o Sol visível do próximo Sistema Solar.

Em cada Sistema orgânico do Cosmos, o Sol em actividade ocupa um dos pólos de uma elipse na qual se movem os planetas gerados por esse Sol. O outro pólo da elipse é ocupado por um Sol latente, não patente, como seja um aglomerado de matérias em estado fluídico ou etéreo, sendo as “sementes” das experiências por que terá de passar esse Sistema Solar, “sementes” lançadas ao campo do Universo pelo Sol visível mas que o oculto irá recolher quando frutificarem, isto é, quando esse Universo alcançar o máximo de evolução prescrita a ele pelos Senhores da Evolução da Vida, da Consciência e da Forma, os Maharajas. Desta maneira, o Sol visível é centrífugo, expansivo, enquanto o invisível é centrípeto, acumulativo, semente potencial de um futuro Universo.

O Sol Oculto, espiritual, de cada Sistema está destinado a brilhar, com o seu novo grupo de planetas, presentemente também etéreos como arquétipos dos respectivos protótipos ou manifestados, quando o Sol visível, material, extinguir-se no final do seu Ciclo de Manifestação (Maha-Manvantara), sendo esta Lei igual, diz a Sabedoria Divina, tanto para sóis como para planetas e até homens, posto que o Atmã individual de cada homem vem a ser o seu Sol Oculto para o manifestado que é o Mental (Manas).

De maneira que Bhumi, a Terra d´hoje, foi o Sol Oculto de Chendra ou Chandra, a Lua, como Núcleo potencial vibrando no seu interior durante a terceira Cadeia Lunar. Após o Pralaya entre Cadeias, Bhumi exteriorizou-se como planeta e Chandra tornou-se seu satélite, um corpo estéril, melhor dito, morto por já não possuir Núcleo interno activo.

Por sua vez, Bhumi possui o seu Sol interior activo, Shamballah, o qual possui todas as qualidades de Shukra ou Vénus, e também as embrionárias de Budha ou Mercúrio. Na futura quinta Cadeia Bhumi será uma lua ou satélite de Shukra, esta que como quinta Terra ou Globo será um Sol visível velando Mercúrio.

O Logos Planetário da Terra tem por Centro de expressão e expansão o Laboratório do Espírito Santo, este nosso Sol Electromagnético de natureza flogística como a mesmíssima Shamballah, Valhalah ou Salém, nos textos sagrados chamada Mansão do Amanhecer (de um novo ciclo planetário e cósmico). Sobre o assunto, o insigne teósofo António Castaño Ferreira proferiu:

“Como Deus Móvel, cria. É o Eterno Artista, porque Ele está participando da sua Criação, ainda que a sua Essência interior, como Lei, seja de natureza Imóvel. Daquele que contempla, que testemunha, sem participar das transformações.

“É o Verbo que sustém e mantém o Mundo na sua órbita e que mantém a Vida, sem que haja, portanto, outra força capaz de manter as criaturas, a não ser este Hálito, que vibra incessantemente no nosso Globo desde a Cidade Eterna de Shamballah, que é o Centro Cósmico onde Ele se faz sentir em seu próprio Plano. Ele se manifesta pelos Avataras.”

Shamballah, a Cidade Eterna, é o Trono Celeste, o Segundo que na Terra assenta como Terceiro Trono. Portanto, ela é quem separa o Mundo Divino do Mundo Terreno, motivo de dizer-se que “os Avataras advindos de Shamballah têm o seu Bijam (Semente) no Segundo Trono Celeste”.

Portanto, em cada órgão solar e planetário há uma secção em inércia (pralaya) e uma secção em actividade (manvantara), esta semeando e aquela colhendo, funções cabíveis aos respectivos Maharajas e Devas Lipikas, estes os Tulkus ou Expressões daqueles na Terra, Dritarasthra – Manu (Manu Semente) e Virudaka – Yama (Manu Colheita).

As Noites Cósmicas ou Pralayas entre Manifestações são os períodos de volvimento ao repouso físico enquanto o oculto, espiritual, inicia a sua obra, absorvendo o que resta do Sol, planeta ou homem que finou indo preparar-se para reaparecer com novo aspecto, novo corpo, com maior experiência evolutiva acumulada de vivências passadas.

É nessa realidade que se inscrevem os Sóis negros porque ausentes de luz, assim também os famosos buracos negros que são os mesmos Sóis como poderosíssimos vórtices ou Centros Layas de antimatéria (estado etérico) que atraem toda a matéria física (estado sólido) circundante dissolvendo-a, tornando-a igualmente anti ou antítese de si mesma, partícipe da Matéria Cósmica (Mulaprakriti) animada directamente pela Substância Universal (Svabhâvat). Esta é a causa de na constelação de Cygnus (Cisne), distada cerca de 6.000 anos-luz do nosso Sistema Solar, um buraco negro estar engolindo uma estrela gigantesca de diâmetro vinte vezes maior que o nosso Sol Helius. Em termos teosóficos, dir-se-ia tratar-se de um Sistema de Evolução que terminou o seu Manvantara e está entrando em Pralaya.

Assim como o dia é o período de manifestação do Sol branco ou visível, a noite é a da manifestação do Sol negro ou invisível. Para o Homem, o dia é igualmente o período de actividade e a noite o de repouso no Plano Físico, enquanto no Plano Kama-Manásico ou Psicomental dá-se exactamente o contrário. Motivo de dizer-se que “nada” não existe e que nada está parado.

O dirigente da Linha Kut-Humpa, o Mestre Koot Hoomi Lal Sing, referiu-se ao assunto em uma das suas cartas preciosas (datada de Outubro de 1882):

“O Sol visto por nós não é de todo o Globo central do nosso pequeno Universo, mas somente o seu véu ou reflexo neste planeta. O facto é que o que se chama de Sol é simplesmente o reflexo do enorme “depósito” do nosso Sistema, onde todas as suas forças são geradas e conservadas. O Sol invisível é composto daquilo que não tem nome (isto é, a Substância Única) e não pode ser comparado ao que quer que seja sobre a Terra conhecido da Ciência, e o seu “reflexo” nada contém que se pareça aos gases, à matéria mineral ou ao fogo, ainda que, para falarmos em linguagem perceptível, sejamos obrigados a utilizar expressões tais como “vapor” e “matéria magnética”. O Sol não é um sólido, nem um líquido e nem mesmo vários gases incandescentes, mas um gigantesco Globo de forças electromagnéticas, o Reservatório da Vida e do Movimento universais, irradiando em pulsações unidireccionalmente, alimentando desde o mais pequeno átomo até ao maior génio com a mesma substância até ao final da Maha-Yuga.”

A essas radiações omnidirecionais de Vida e Movimento universais, o Mahatma K.H. chama-as de akáshicas ou etéricas, como plasmação da Substância Única, as quais irão diferenciar os diversos elementos químicos componentes do organismo do nosso Sistema Solar.

Ao encontro das palavras do Mahatma vem o trecho seguinte do Livro de Kiu-Tê:

“Subi à mais elevada montanha da Terra, e nem assim podereis vislumbrar o menor raio do Sol que se oculta por detrás daquele que percebeis com os vossos olhos físicos. Este é o mediador plástico entre a Terra e o referido Sol situado atrás daquele que se vê.”

O Sol oculto é a Shakti de seu Kartri, o Sol visível de quem aquele é a antítese como modelador de um novo, mais vasto e perfeito Sistema de Evolução Universal.

Sempre que se fala em Sol oculto fica subentendida a existência de uma Lua oculta, negra, como fundamentos abstractos dos concretos Sol e Lua visíveis, brancos, expressados pelo Homem e a Mulher como manifestações polares do Espírito e da Matéria, o Atmã ou Purusha – Prakriti como estados limites ou alpha e ômega deste incomensurável esquema evolucional.

Se Vénus representa para a Terra, da qual é alter-ego, o Sol visível, relativamente a Mercúrio ela é uma Lua negra – simbolizada por Lilith dos cabalistas judeus – e quando Mercúrio tornar-se Sol visível, a sua contraparte Vénus tornar-se-á Lua branca – a Heve dos cabalistas judeus – satélite daquele.

Posteriormente, conforme ensina a Tradição Iniciáticas das Idades, após a manifestação cósmica de um Sol visível este será uma Lua central oculta, depois uma Lua central visível, seguindo-se a fase de Sol central oculto (o Atmã ou Purusha de um Sistema de Evolução), e por fim a de Sol central visível (a Prakriti de um Sistema de Evolução) antes de tomar novos rumos além de tudo quanto se possa conceber humanamente, as gradações de Luas e Sóis invisíveis e visíveis galácticos e megagalácticos.

O Sol negro (representado na Terra por Samael, consorte de Lilith) assimila as experiências acumuladas de todo o Sistema Solar, tal como a Lua negra (representada na Terra por Lilith, contraparte de Samael) as do planeta a que está vinculada, agindo como sementes de futuros Sistemas de Evolução.

Assim, a Terra também possui a sua Lua oculta que é o Mundo de Duat (sendo que no Homem é a Alma) centralizado no Haiah ou Caijah, seu Atmã Universal canalizando as energias de Vénus. E quando Shamballah, corporizando Júpiter mas canalizando as energias de Mercúrio para o Mundo de Agharta, passar de Sol oculto a visível, Caijah tomará o seu lugar.

A Samael e Lilith se relacionam as Talas ou “regiões sombrias” da Terra, que em termos astronómicos corresponde ao Cone da Lua para onde vão as “almas perdidas” que os Todes, chefiados pelo mesmo Samael, o “Porteiro dos Infernos”, não deixam escapar. Em oposição, tem-se o Cone do Sol que conduz ao Céu das Lokas ou “regiões luminosas” para onde se dirigem as “almas salvas”, apoiadas pelos Munis dirigidos por Rabi-Muni e Tara-Muni.

Esse mistério das Lokas e Talas com origem na Atlântida, está directamente relacionado à constelação do Cruzeiro do Sul (Crux) e da nebulosa escura Saco de Carvão. Vizinha desta é a estrela Algol, a Beta Persei na constelação de Perseus, estrela enganadora que ora brilha como se fosse de primeira grandeza e logo quase se apaga como se não existisse, indo perder os viajantes que por ela acaso se guiassem. É, pois, estrela-tipo binária ou eclipsante, algólida, sendo que Algol em árabe é Al Ghul, o “Demónio”, donde provém a tradução árabe de álcool alusivo às beberagens entorpecentes que alguns ocultistas sinistros utilizam para as suas operações físico-astrais.

Nebulosa escura Saco de Carvão

O que raros sabem é que Algol é o Aspecto Cósmico de Luzbel e que o Eterno ao desterrar este para a Cadeia da Terra no fim precoce da terceira Cadeia Lunar, retirou-lhe os poderes retendo-os em Algol, também passando a “desterrada dos céus”. Quando se viu desterrado na Terra sem poderes, o Terceiro Luzeiro apelou para o mesmo Eterno a quem sonegara a ordem dele prosseguir a marcha da Evolução, e a Divindade, Oitavo Logos, apiedada enviou em seu auxílio o Sexto Luzeiro, que sendo algo do Futuro abstracto necessitava de meios para poder manifestar-se. Então, foram retirados os poderes de Algol e repassados à quinta estrela de Crux, a Shakti do Sexto Luzeiro com o nome de Allamirah, “Olhar Celeste”. Assim pôde ele manifestar-se com toda a pujança, a ponto de inclusive resgatar para si a corte decaída do Terceiro Senhor. Isso ficou representado na mitologia pelo “rapto” de Andrómeda que Perseu salvou de ser devorada pelo dragão infernal Gezebruth, a “Pedra Bruta”. Daí a Revolta de Luzbel e a sua avatarização sinistra do Quarto Senhor Atlasbel na Raça Atlante, para poder agir com os poderes deste, indo provocar a ruína dessa civilização como repercussão da revolta celeste, que os textos bíblicos representam como Mikael (Akbel) dando combate e derrotando Samael (Luzbel) arrojando-o para as funduras sombrias da gehenna da matéria.

Quando o Sexto Senhor derrotou o Quinto Senhor (antigo Terceiro) no Akasha Médio, a Consciência Superior deste passou para o Sexto, ficando o Quinto com a consciência sombria ou obscura de si mesmo, gerando o não entendimento perfeito das coisas e consequente revolta contra a Lei. Tal facto ocorrido em cima, o do Sexto ficar com a Consciência Luminosa do Quinto, demonstrava que em baixo só haveria um Aspecto Feminino para ambos, porque a Consciência Luminosa de um passara a pertencer ao outro. Assim, quando Luzbel manifestou-se no corpo de Atlasbel que então era Rigden-Djyepo, a sua contraparte Algol expressou o seu lado subjectivo obscuro, e foi ela quem fez a Atlântida cair. Algol surgiu vibrando na rainha atlante Goberum e relacionada à princesa atlante, sua filha, Katsbeth ou Kali-Beth. Enquanto isso, Allamirah permanecia no céu, fulgurante vibrando em seu consorte na Terra assim obstruindo aquela desterrada, de poderes limitados.

Como a formação da estrela Algol deu-se em relação com esse episódio da Evolução Humana, a sua influência sobre a Humanidade não foi das melhores. Mas ocorreu com o passar do tempo que Allamirah também se manifestou na Terra, na rainha atlante Mu-Ísis, e a partir desta aos poucos foi se encetando a paulatina retomada de Consciência Superior do Quinto Senhor, graças aos sucessivos resgates kármicos levados a efeito pela acção sacrificial do Sexto Senhor e sua Excelsa Contraparte, sendo assim a luminosidade da estrela Algol transferida aos poucos para a Terra. Finalmente, com a Redenção de Arabel e as Pazes feitas com o seu Irmão Akbel, em 23 de Março de 1958 o Atmã original de Algol passou a vibrar perenemente em Adamita, a antiga rainha Goberum, definitivamente ao lado do Senhor Arabel. Com a recuperação da dignidade primitiva, Algol apagou-se no céu e iluminou-se em Goberum na Terra.

As práticas conscientes do Bem e do Mal na Raça Atlante originaram a criação dos Cones do Sol e da Lua, com a alteração dos hemisférios do Globo ficando uma parte iluminada e outra obscura, a formação da Hierarquia dos Munis e Todes e a tomada de veículos ou corporização dos deuses Rabi-Muni e Tara-Muni ao lado de Samael e Lilith, que passaram a ser executores da Lei Suprema junto da Hierarquia Humana separando as almas justas das definitivamente perdidas por seus próprios deméritos, elevando aquelas ao Devakan (Céu, Mundo Mental) e estas ao Avitchi (Inferno, Baixo Astral). Tem-se:

É do conhecimento geral que a camada da Terra possui várias placas tectónicas sobre as quais estão os diversos continentes, mas já não é tanto do conhecimento geral que esses continentes na anterior Cadeia Lunar eram os satélites do Sol Planetário de Chandra, e que devido à sua maturação adiantada foram incorporados ao corpo do novo Globo, a Terra actual, vindo a constituir as vestes físicas (sete são os continentes –Oceânia, Ásia, África, Europa, América, Ártico, Antártico) desta quarta Bhumi. Em suma, passaram de satélites inanimados a continentes vivos, dessarte comprovando-se que tudo tem aproveitamento, pela transformação, na Natureza. Cada continente está sob o influxo do raio espiritual de determinado planeta do Sistema Solar, e todos os sete estão sintetizados ou unificados em Agharta como “Celeiro Monádico das Civilizações passadas, presentes e futuras”, como revelou o Professor Henrique José de Souza.

A Lua oculta está para a Terra tal como a Alma está para o Corpo, e assim o Sol negro está para o Sol branco como a Mónada está para o Espírito; quando um Sol Espiritual, Purushico, brilha, um Sol Material, Prakritico, apaga-se. Também quando um continente sobre a Terra (que possui a sua direita e a sua esquerda para o centro que é o equador, como sejam os hemisférios ocidental e oriental) torna-se solar (ocidental) e director desse hemisfério, logo no hemisfério lunar contrário (oriental) desaparece o predomínio do seu principal continente indo tornar-se satélite selenita daquele primeiro.

Ainda segundo a Cosmogénese, os continentes que tiverem maior aproveitamento evolucional serão unificados (este é o fundamento cósmico da Sinarquia) destinando-se a constituírem não próximos continentes mas o próprio Corpo ou Globo da futura encarnação do Logos Planetário.

O esquema dispõe-se na ordem seguinte:

Tudo quanto se disse até aqui está resumido num texto magnífico do Professor Henrique José de Souza, onde diz a dado trecho:

“Em cada Sistema orgânico do grande Cosmos, o Sol em actividade ocupa um dos focos de uma elipse, no qual se movem ou giram os planetas desse mesmo Sol. O outro pólo da elipse é ocupado por um conglomerado de matérias em estado fluídico ou etérico; é o Sol Negro de cada Sistema, destinado a iluminar-se com o seu novo grupo de planetas, actualmente também etéricos, quando o Sol Branco de todo se extinguir. Desse modo, realiza-se em cada Sistema o equilíbrio perfeito que impede a ruptura do equilíbrio geral, por isso mesmo exigindo dos seres humanos equilíbrio que, uma vez atingido, significa o resgate final de suas dívidas como habitantes da Terra. Em cada órgão-Sol há duas secções, uma em sono (Pralaya) e outro em actividade (Manvantara); uma desperta, enquanto a outra dorme por períodos tão longos que equivalem a verdadeiras eternidades. A Lei é igual para todos os planetas. Quando o Sol Negro se ilumina, recolhe os elementos ainda não totalmente evoluídos do Sol Branco do qual ele, portanto, depende, e conduz ao termo a sua evolução.

“Analogamente, cada planeta é formado por diversos continentes, que passam por seus períodos de sono e actividade. E cada continente se origina de um planeta anterior (portanto, satélite do posterior), razão porque as Escrituras tanto denominam de dwipa a um continente com a um globo, facto que tem dado lugar a discussões inúteis entre teósofos e ocultistas, unicamente por desconhecerem este particular. Há, necessariamente, um substracto para a antilogia entre solares e lunares. O nosso planeta possui uma direita e uma esquerda, cujas leis de evolução se sucedem. Nelas está implícito o fenómeno do dia e noite que se observa simultaneamente em toda a superfície do Globo, a face-dia iluminada pelo Sol e a face-noite pela Lua. Seria pueril querer aplicar ao continente asiático, por exemplo, as mesmas leis que regem a América. Já o Sol nos aponta, a seu modo, que as leis, neste caso não sendo diferentes, são no entanto sucessivas em sua aplicação. A Terra é, pois, constituída pela reunião no mesmo Globo de alguns continentes que foram outrora satélites de outro Sol (vibrando no seio de outro Globo). Assim, do mesmo modo que um Sol Negro se ilumina e um Sol Branco se extingue, na Terra um continente se torna solar e dirigente dos demais, e no hemisfério oposto outro continente desaparece ou se torna satélite do que lhe sucede.

“A colossal torrente de Vida-Energia que flui, como o sangue arterial, através do Sol visível impulsionado pelo coração do Sistema que é o Sol oculto, a cujo pulsar sempre se referiram os Adeptos, projecta-se no Oceano da Vida manifestada e percorre todo o Sistema, após o que volve à fonte original, o pulmão do mesmo que é o Sol visível, como o sangue venoso que é a causa das manchas solares, ou sejam ocultamente os miasmas e formas kama-manásicas do Sistema que cabe ao Sol dissolver, transformar de novo naquela que foi ao início Energia pura. Há assim como que uma sucessão de sístoles e diástoles, ou sejam as Ondas de Vida e os Ciclos de Vida, em seus movimentos pêndulo-circulares.”

De maneira que os Sóis visíveis são apenas reflexos, no Plano Kama-Fohat, do Sol Central Oculto (que é a Mente e o Coração do Sistema, formado de sete Sóis visíveis do Sistema anterior), e não propriamente astros mas “focos”, condensações de energia electromagnética, o famoso flogístico dos alquimistas.

É com o Sol visível no Plano Astral Cósmico que o Sol interno da Terra, no Astral Planetário, se identifica e une ao nível imediato, provocando o famoso fenómeno das auroras boreais motivado pelo encontro da Luz de cima (Fohat) com a Força de baixo (Kundalini) entrechocando no ambiente do Akasha terrestre.

É também a acção do Sol Oculto da Terra (saído do Astral Cósmico à manifestação em Prakriti, o Físico Cósmico) quem proporciona os fenómenos solsticiais de Verão e Inverno. No primeiro, recebe grande influxo energético pelo Pólo Norte magnético; no segundo, após a assimilação rejeita os elementos não digeridos que recebeu no Verão, isso pelo Pólo Sul magnético. Este fenómeno gera as quatro estações anuais da Natureza e os quatro temperamentos do Homem.

Um outro apontamento para terminar. Após um Ano Solar como período de duração da travessia do Sol pelos doze signos do Zodíaco, a Estrela Polar muda, passa a ser outra. Ocultamente, trata-se da projecção da Mónada do Logos Planetário, a sua “Estrela Guia”, acompanhando a sua evolução no Plano Físico Cósmico, mudando de posição e formas mas mantendo, sempre, a mesmíssima Essência.

O Divino e o Terreno se confundem no vasto palco da Evolução Universal, nada morre antes tudo se transforma, do mais ínfimo ao mais grandioso. Será como diz Fra Diávolo em O Livro do Selo – Secção 6 – Códice 22:

… Não há ciência terrena que perdure. Nem filosofia que não esteja errada!… Somente UM possui a BOCA CELESTE por onde deslizam as verdadeiras palavras, transformadas em sentenças. Este UM é aquele que se confunde com a própria Divindade!…

 

OBRAS CONSULTADAS

 

Henrique José de Souza, Os Mistérios do Sexo. Edição da Sociedade Teosófica Brasileira, Rio de Janeiro, 1941. Reedição Associação Editorial Aquarius, Rio de Janeiro, 1995.

Henrique José de Souza, A Harmonia Universal, 1956. Edição da Comunidade Teúrgica Portuguesa, Sintra, 2016.

António Castaño Ferreira, Aulas de Cosmogénese e Antropogénese. Sociedade Teosófica Brasileira, 1952.

Papus, ABC do Ocultismo. Livraria Martins Fontes Editora Ltda., São Paulo, Novembro de 1987.

Comunidade Teúrgica Portuguesa, Textos Internos. Sintra, Portugal.

Anúncios