No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus e o Verbo estava com Deus. Sem Ele (o Verbo) nada existia do que foi feito.João 1:1.

Está subentendido nesse versículo bíblico que não só com o Verbo os Mundos foram criados, pois na realidade ao início nem sequer era o Verbo, mas o Nada dos positivistas, o Caos dos gregos, o Pralaya dos hindus, equivalente à Proto-Matéria indiferenciada anterior à manifestação das coisas e que a Filosofia Oriental chama de Shakti. No que se tem esse outro versículo com que inicia o texto bíblico:

No princípio, Deus criou o Céu e a Terra. A Terra era informe e vazia; as Trevas cobriam o Abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as Águas. Deus disse: “Faça-se a Luz”! E a Luz foi feita. Deus viu que a Luz era boa, e separou a Luz das Trevas. Génese 1:1.

Pralaya, o período antecedente do ciclo de Manifestação, não é o Nada no sentido consciencial, mas sim o da desagregação da Matéria organizada. Pralaya é, antes, o período de assimilação subjectiva das experiências dos ciclos de Manifestação e Vida, o período de repouso que sucede à vigília. Contudo, o Pralaya em que a Matéria se dilui no estado de Shakti não corresponde ao Nada, no sentido de não-existência, pois se o Infinito é Nada tal não pode ser, por qualquer latitude empírica ou não que seja vista.

No Pralaya, a massa de energia mantém-se indiferenciada, apenas em estado de latência, mas contendo em si o gérmen dos universos. Shakti, a Energia Cósmica ou Poder Divino, durante o Pralaya permanece inactiva, abstraída em si mesma. Mas nela jazem potencialmente as três qualidades básicas da Matéria, a Triguna, como sejam Satva, Rajas e Tamas, respectivamente as energias subtis da Actividade, do Ritmo e da Inércia inerentes à Matéria Primordial ou Prakriti.

São elas, as Gunas, que permitem as infinitas combinações na ordem da Manifestação e da Vida, que impregnam todos os aspectos do Universo manifestado, uma vez acordadas do seu sono letárgico no seio da divina Shakti. Esta, tal como a princesa adormecida, só pode ser despertada do seu sono profundo pela Voz amorosa do seu príncipe e senhor: Kartri, ou seja, o Verbo poderoso e omnisoante.

Na visão tântrica, é o Som, enquanto vibração da inteligência focalizada, o catalisador que activa os átomos proteicos do Caos indiferenciado e põe em marcha a evolução do Cosmos manifestado. Uma vibração encausadora (Som Primordial) emitida pela Vontade do Logos rompe o equilíbrio inerte de Shakti pelo despertamento de Satva, o princípio activo, móbil da criação das múltiplas formas e estados de manifestação.

Os hindus possuem no Ramayana uma bela frase poética para expressar a Criação pelo Grande Demiurgo:

O Grande Cantor construiu os Mundos.
O Universo é a sua Canção.

Assim, quando o Grande Demiurgo do nosso Mega-Sistema, e por analogia com o Supremo Senhor do nosso Universo ou Sistema Solar, decidiu manifestar-se como um Sol Central, como um Logos de um Oitavo Sistema, escolheu um certo espaço, uma certa zona do Cosmos, e entoou a sua “Canção”, isto é, emitiu o Mantram da Criação, animando com a sua frequência vibratória os átomos desse espaço. Ele, que emitiu o Grande Mantram, mesmo sendo Uno em Essência não deixa de ser Trino em Aspecto, manifestando-se de forma Sétupla. Daí o seu número cabalístico: 1 (I) 3 (E) 7 (L).

Através do primeiro Som, o Logos utilizou o Primeiro Aspecto qualitativo de Brahma, irradiando de Si mesmo a primeira Energia centrífuga, Satva; depois, emitindo a segunda nota musical, agiu com o Segundo Aspecto qualitativo de Vishnu, o da segunda Energia rítmica, Rajas, com que estabeleceu um vórtice de força preliminar que levou, por fim, à diferenciação através do Terceiro Aspecto de Shiva, agindo com a Energia centrípeta ou diferenciadora, Tamas.

A Manifestação foi possível porque o Princípio Trino diferenciou-se nos Sete Raios distintos do espectro do Raio Único do Logos do Oitavo Sistema (Mahaparabrahma), o qual, sendo Uno em Essência e Trino em Aspecto, se refractou em Sete Sonoridades com colorações diferentes.

Nos escritos de Platão e de outros mais Iniciados da Antiguidade, são frequentes as referências aos Sete Éons ou Emanações, nada mais sendo que os Sete Raios de Energia ou Correntes de Forças emanando dessa Potestade ou Energia Central, o Logos do Oitavo Sistema, depois do vórtice de energia ter sido animado pela acção de Rajas.

Foi mediante o pronunciamento das sete sílabas sagradas (OEAOHOO) do Mantram original que o Logos Central do nosso Mega-Sistema proporcionou a manifestação de outros Sete Logoi ou Vidas, que têm como expressão física os Sete Sóis que orbitam em torno Dele mesmo como Oitavo.

Essas potentíssimas Entidades – se “Entidades” se lhes pode chamar, mesmo estando nós no Mundo das Formas – são conhecidas como os Sete Construtores Maiores, os Elohim, que por sua vez plasmaram a Vontade, a Energia e a Força do Logos Central, organizando e construindo os Sistemas Planetários dentro das suas esferas de actividade.

Os Logos Planetários, também chamados pela Tradição de “Os Sete Espíritos diante do Trono”, reuniram em si a substância de que necessitavam e modelaram as formas e aparências mais adequadas à expressão das suas qualidades inatas.

Tem-se, assim, que Bhumi, a Terra, insere-se num Sistema Solar, o de Helion ou Helius, que por sua vez faz parte, com outros seis Sistemas Solares, de um Mega ou Maha-Sistema tendo por Núcleo Central um Oitavo Sistema, sendo que a Vida deriva, no dizer do Adepto Djwal Khul, da síntese da actividade de todos, pois ela não é senão a fusão de incontáveis energias, posto a Vida ser a soma total das energias dos sete sistemas solares que compõem a nossa «pequeníssima» constelação, com outros tantas constituindo o Mega-Sistema da Via Láctea.

Mas até este Mega-Sistema a que pertencemos, ele mesmo se integra num Sistema maior (Maha-Mega-Sistema) composto de sete Mega-Sistemas ou galáxias, de quem nada se sabe porque ainda mal se começou a compreender, quanto mais a aperceber, a grandeza da Criação Divina de quem o nosso Mega-Sistema tão-só é uma minúscula parcela de todo o Universo que, parecendo infinito aos limitados sentidos humanos, no entanto é finito no espaço e no tempo.

Tal como a criança arranca para a vida com o primeiro hausto de respiração, também o Logos, na sua expressão demiúrgica, trouxe à manifestação e à Vida os Mundos através da Respiração ou do Hálito Vital. Sabe-se que a Vida obedece a ciclos bem determinados por esquemas preestabelecidos pelo Logos. O Logos respira e em cada exalação os Mundos expandem-se. Do mesmo modo, em cada inspiração os astros contraem-se nas suas trajectórias concentracionárias em direcção ao Ponto Laya ou Bindú, semente potencial de uma nova Manifestação.

Ao expirar, ao proferir o grande Mantram da Criação, o Logos com o seu “Hálito” põe em expansão o seu Universo, qualquer que seja; para a Humanidade haverá de chegar o dia, ainda na noite dos tempos, em que a Vida e todas as formas que a suportam refluirão num movimento centrípeto, absorvidos pela inspiração da Grande Entidade, essa gigantesca e omnipresente diástole que reduz toda a existência ao estado de subjectividade absoluta, o Pralaya, o Não Ser, o Nada.

Ocorre, agora, perguntar: no ciclo actual de Vida, o Universo expande-se ou contrai-se? Por outras palavras, o Demiurgo expira ou inspira?

Existe um círculo natural (“círculo-não-se-passa”), um limite gnosiológico de investigação que a restrita capacidade humana não consegue franquear. Ainda assim, a Ciência e a sua tecnologia alcançaram um nível tão espectacular de percepção da realidade que bem se pode aventurar por especulações razoáveis, em função de certos dados adquiridos.

Hoje, com a Radioastronomia, através de poderosos e sofisticados radiotelescópios, é-se capaz de observar astros à distância de mais de dez mil milhões de anos-luz. Se se lembrar que a luz percorre 300.000 quilómetros por segundo, pode-se supor bem (ou mal) a distância a que se encontram esses objectos estelares.

Pois bem, Edwin Powell Hubble, o grande astrónomo norte-americano (1889-1953), pôde constatar o seguinte: quanto mais afastada se encontra uma galáxia, mais acentuado é o fenómeno das suas linhas espectrais para o vermelho. É o chamado fenómeno de recessão das galáxias. Devido ao efeito de Doppler (fenómeno físico observado nas ondas quando emitidas ou reflectidas por um objecto que está em movimento em relação ao observador), Hubble interpretou esse fenómeno concluindo que tal facto corresponde à velocidade de afastamento.

Foi possível a Hubble inferir dessa relação uma constante (constante de Hubble), a qual permite estabelecer uma relação entre a distância de um grupo local de galáxias e um aglomerado de galáxias afastadas e a velocidade com que o aglomerado se afasta.

Tudo isso foi verificado, aliás, por resultados obtidos posteriormente pelos possantes meios radioastronómicos hoje disponíveis, e confirmado pela formulação da Teoria da Relatividade de Albert Einstein.

Com base na velocidade de afastamento, foi possível calcular que há cerca de 13 a 15 mil milhões de anos a matéria e o espaço do Cosmos deveriam estar concentrados num ponto. Trata-se da Teoria do Universo em Expansão, a qual postula que, no princípio, toda a massa estava concentrada. Houve, depois, uma expansão sucessiva. Dada a constante de expansão, as galáxias mais afastadas de nós ainda se afastam mais. A partir disso, aventou-se como hipótese possível o modelo explicativo seguinte: a Criação teria começado com uma gigantesca explosão de Matéria original, na temperatura de cerca de quinze mil milhões de graus centígrados. É a conhecida Teoria do “Big-Bang” ou da explosão original.

Ora, tal como no acto da respiração quando se exala a expiração vai afrouxando no tempo, assim também foi possível deduzir da similaridade do Processo Divino, pois a Astronomia assevera muito significativamente que a velocidade de afastamento das nebulosas está em abrandamento e que dia virá em que o seu limite de expansão atingirá o auge.

O que acontecerá, então, quando a Exalação Divina se esgotar?

É lógico sustentar-se que a expansão do Universo se deterá. A gravitação irá actuar como factor de impulso rompendo a estabilidade e originará o aumento progressivo de velocidade no sentido inverso centrípeto, provocando um movimento de retorno. Trata-se da diástole divina ou contracção do Universo. Então, os milhares de milhões de galáxias e os milhares de milhões de estrelas refluirão para o seio do Logos da Maha Mega-Galáxia, reduzindo-se à condição de Matéria Original, o Vazio Primordial de que já se falou, essa Proto-Matéria (Substância Única) anterior à Criação, à Manifestação do Todo no Tudo.

Quando se afirma que o Homem é um Microcosmos, um Cosmos em miniatura, ou quando se lê nas escrituras sagradas de todas as religiões tradicionais que o Homem foi feito à semelhança de Deus, não se trata de mera figura de retórica, pois o Universo, o Cosmos como manifestação da Divindade é vivo, pulsátil. Respira, dilata-se, cresce, contrai-se, envelhece, morre e torna a nascer…

Os cientistas conseguiram mesmo proceder a cálculos matemáticos sobre a duração dessa pulsação divina, estimando que o período de tempo entre duas Criações seja de cerca de oitenta mil milhões de anos e que o Cosmos possui um raio de curvatura de catorze mil milhões de anos-luz, um volume de 1070 km3 e uma massa total de 1,2 x 1056 gramas. Nisto, ao contrário do que certas catequeses religiosas asseveram e defendem, o Universo não é infinito nem eterno.

A Ciência calcula o número de galáxias para cima de 100 mil milhões, com cerca de 100 mil milhões de estrelas cada uma. A galáxia em que nos encontramos, a Via Láctea de que só se apercebe uma parte da sua espiral, constitui uma das galáxias deste complexo Universo (Maha Mega-Galáxia), nebulosa «ínfima» com um diâmetro «apenas» de 100 mil anos-luz e uma espessura no núcleo com cerca de 16 mil anos-luz.

Mas nem sempre se dá conta da ordem, da beleza e da magnificência do Universo. Diz-se que o Universo é Geometria Divina, e é esta a razão porque a letra G se transformou num dos símbolos mais sagrados da Maçonaria em todos os tempos, pois corresponde à primeira letra dos Demiurgos, os Grandes Geómetras Construtores de Universos.

Na estrutura sideral, toda a configuração cósmica assenta numa ordem estrita de obediência à Lei que subjaz ao Plano Arquetipal do Supremo Arquitecto. Assim, a distribuição dos sistemas planetários em sistemas solares, destes maha-sistemas, constelações, galáxias, mega-galáxias e maha mega-galáxias, determina-se segundo o Esquema Original.

Uma fonte da Sabedoria Divina, afirma que uma galáxia não é constituída exactamente como os cientistas supõem. Segundo essa fonte, uma galáxia compõe-se de 144 milhões de sistemas solares e 30 mil complementares (em estado fluídico, ou seja, em estado de plasmação para a terceira dimensão); de 10 a 15 mil, no máximo 21 mil sistemas alienígenos, vindos de outras galáxias para estágio no equilíbrio evolucional.

No centro de uma galáxia, na mais perfeita ordem harmónica, matemática e geométrica, estão 12 mil sistemas solares, os quais se encontram em maior estágio evolutivo e vibratório. É este centro de sistemas em conjunto que forma, por assim dizer, um sol galáctico.

Mas existem, além disso, ainda que dificilmente se possam conceber, as mega-galáxias, também chamadas ramargontes. Estas compõem-se de 145 milhões de galáxias complementares e 1.444.000 galáxias alienígenas, enfim, a vertigem para o infinito… finito.

Observou-se anteriormente os aspectos científicos relativos aos sistemas solares, galáxias e ramargontes, realçando que as estrelas, como seres vivos que são, estão sujeitas à lei do nascimento e da morte, inseridas em ciclos de evolução bem determinados.

Na nossa galáxia, uma espiróide cuja idade os astrónomos calculam em cerca de dez a doze mil milhões de anos, existem miríades de estrelas, umas novas e outras velhas, e outras, ainda, já mortas. O destino da Vida pode, pois, ser explicado por essa estrela de tamanho médio que se encontra numa das suas espirais, afastada do núcleo cerca de trinta e três mil anos-luz, e que é o centro do nosso Sistema Solar, a estrela Helion, o Sol do mesmo.

Segundo as informações disponibilizadas pelas fontes da Sabedoria Divina, o nosso Sistema Solar realiza a sua segunda “encarnação”. Ele emergiu de um grande Pralaya anterior para prosseguir a sua evolução neste segundo Maha-Kalpa que terá a duração de 100 Anos de Brahma, que a Ciência Tradicional computa em 311.040.000.000.000 anos.

Para avaliar o que terá se passado na génese do nosso Sistema Solar, porventura idêntica à de outros Sistemas, posto a mesma Lei aplicar-se ao mesmo Universo, não será necessário remontar a processo genesíaco tão longínquo no tempo, ou seja, ao início da “encarnação” do nosso Sistema Solar no presente Maha-Kalpa. Para tanto, bastará proceder a uma análise do processo de manifestação do Sistema Solar no actual Manvantara, cuja duração é «apenas» de um Dia de Brahma, isto é, de 4.320.000.000 anos.

No final de cada Manvantara, o nosso Sol recolhe-se num Pralaya menor (com duração igual à do período de Manifestação) reassimilando e recapitulando no plano subjectivo as experiências vívidas, processo que se desenrola entre dois Manvantaras. Tal como o microcósmico ser humano, que no termo de cada vigília diária adormece, também o Macrocosmos, o Sistema entra em dormência para depois despertar numa nova vigília, num novo Dia Cósmico, o Dia de Brahma, em que todo o processo se repete, mas de maneira mais desenvolvida até à absorção final no Ponto Bindú do Cosmos.

A problemática dos ciclos de Vida do nosso planeta, Bhumi, equaciona-se e soluciona-se pelos chamados períodos planetários de Cadeias, Rondas, etc. Para se compreender a última manifestação do nosso Sistema Solar, socorro-me dos ciclos de manifestação da própria Terra, ou seja, passo a referir os eventos do ponto de vista do Género Humano em função das Cadeias Planetárias de Saturno, Solar e Lunar, respectivamente.

Que teria se passado no início da primeira Cadeia Planetária do actual Manvantara Sistémico ou Sistema de Evolução Universal (Cadeia Cósmica), ou seja, a de Saturno? Como se apresentou o Sol Saturnino nos primórdios da presente Manifestação?

Devo adiantar, desde já, que embora essa primeira Manifestação Planetária seja chamada de Saturno, nada tem a ver com o planeta do nosso Sistema Solar com esse nome. Seria preferível utilizar outra denominação, mas é a que existe tradicionalmente adoptada pela terminologia teosófica e ocultista, e talvez haja uma razão profunda para isso acontecer.

Segundo os cientistas, ter-se-á formado um núcleo espesso (globulus), uma nuvem interestelar da galáxia há cerca de cinco mil milhões de anos, que se transformou, por rotação e aquecimento, numa estrela avermelhada. Quando a temperatura no seu interior atingiu os vinte milhões de graus, iniciou-se o processo de nucleação. O Sol tornou-se luz.

Sob o ponto de vista da Sabedoria Tradicional, convirá ir mais devagar. No início da Cadeia de Saturno, o Sol Saturnino apresentava-se como um gigantesco globo de calor, porém, obscuro. Imagine-se um corpo cósmico, de que o nosso Sol seria o centro, estendendo-se pelo espaço até englobar a órbita do planeta Saturno, e ter-se-á uma ideia justa da grandeza do Sol Saturnino. Na verdade, ultrapassava em extensão todo o nosso Sistema Solar.

Frequentemente são feitas referências a três teorias científicas correntes, cujos modelos tentam explicar o nascimento e posterior evolução do Sistema Solar. O primeiro aspecto do Sol, o Sol Saturnino, poder-se-á comparar com a teoria da nebulosa primitiva de Kant – Laplace, mas apenas aproximadamente, pois essa apresenta como ponto de partida do Sistema Solar uma espécie de massa globular gasosa, quando efectivamente trata-se de um corpo de calor obscuro. Um corpo de calor gigantesco, eis o que era inicialmente o Sol na fase de Saturno.

Segundo a hipótese de Kant e de Laplace, essa massa globular ter-se-ia posto a girar sobre si mesma, como movimento de rotação, por acção centrífuga, tendo expelido pouco a pouco os planetas exteriores. Primeiramente em forma de anéis, os quais se contraíram, depois em forma de globos, tendo finalmente assumido a configuração normal, com o Sol ao centro e os planetas em translação orbital.

Não obstante tratar-se de uma teoria muito próxima do que ensina a Cosmogénese teosófica, contudo não deixa de ser puramente mecanicista, de pura força cega e casual ou acidental na origem do Universo. Em contrapartida, o teósofo e ocultista evocando a acção das Hierarquias Criadoras no Sistema Solar, conclui facilmente não ser possível vencer um estado de inércia sem um impulso, e este impulso terá sido dado por essas Hierarquias.

Quando, pois, a massa globular, pela acção da Consciência do Segundo Aspecto do Logos Solar, pelo Poder do Verbo e pela Actividade das Hierarquias Criadoras, se transformou num vórtice de força preliminar em movimento, nesse Sol Saturnino já existiam em gérmen todos os astros que fazem parte do Sistema.

As Hierarquias exercendo a sua acção sobre o globo de fogo negro ou calórico do Sol Saturnino, diversificaram, pouco a pouco, essa substância calórica, o que provocou a formação em redor do globo de “ovos de calor”, dado que tinham efectivamente forma ovóide. Esses “ovos de calor” entraram em rotação descrevendo círculos em torno do Sol Saturnino.

De resto, as teorias modernas, na esteira de C. F. Von Weissäcker e G. Kuiper, confirmam isso: os planetas e as luas serão produtos secundários da formação do Sol. Este ter-se-ia formado de uma nuvem de gás de formação lenta, a qual se condensou por acção de poderosas forças de gravitação. A rotação do núcleo e das nuvens que o rodeavam, foi aumentando consideravelmente com a condensação crescente. Simultaneamente, foram-se formando redemoinhos secundários entre as camadas de matéria (os quais giravam rapidamente na parte interna e lentamente na parte externa), tendo entre eles surgido aglomeração de gases que viriam a originar os planetas e as luas.

Ora, a imensa esfera original, à medida que foi se comprimindo, foi se tornando mais densa e esta condensação provocou a existência, além da substância calórica, da substância gasosa, aérea. Como disse o teósofo António Castaño Ferreira, “(…) em dado momento do seu desenvolvimento, a concentração de gases, atingindo o seu limite crítico, provocou o aparecimento da radiação sob forma luminosa. Um verdadeiro Sol, fonte de calor e luz, surgiu então no firmamento, marcando assim definitivamente a passagem da Cadeia de Saturno à Cadeia Solar (…)”.

A elevada velocidade desse Sol Solar (perdoe-se o pleonasmo) provocou a expulsão no seu plano equatorial, por fases sucessivas, dos planetas que constituem hoje o nosso Sistema. Nessa fase, aconteceu uma nova contracção do Sistema Solar, de modo que o Sol, nessa etapa, abarcava o espaço que ia até à actual órbita de Júpiter. Esse era o seu limite de expansão.

No ciclo seguinte, o da Cadeia Lunar, verificou-se novamente uma grande retracção por condensação do Sistema. A substância gasosa do Sol Solar condensou-se em estado líquido, o qual se juntou ao calor do Sol Saturnino. Por outro lado, o Sol Lunar ao contrair-se restringiu o seu limite até à órbita do planeta Marte.

Aconteceu algo de curioso quando a fase lunar sucedeu à fase solar: uma parte da substância densa foi expulsa e dois corpos celestes surgiram. Um deles transportou os seres e as substâncias mais subtis (tornou-se no Sol actual, o da Cadeia Terrestre), a chamada transmigração das Vagas de Vida, e o outro tornou-se satélite daquele, a Lua, desde logo mais densa.

Como se vê, o nosso Sol figurava já como um astro particularizado na Cadeia Lunar. Mais, a Tradição Iniciática assevera que ele se manterá particularizado na próxima Cadeia, a de Vénus, a que se seguirão as de Mercúrio e de Júpiter.

Entretanto, à medida que o Logos Solar se dilata em sua evolução cósmica o seu corpo, o Sistema de Planetas, envelhece cada vez mais até à exaustão. Alcançando o limiar do arco evolutivo do Sistema, os planetas irão sendo absorvidos pelo astro-rei nessa diástole cósmica que é o eterno movimento de Retorno, ou seja, o da Volta ao Divino.

“Os homens constroem os deuses”, diz-se. Com efeito, uma vez alcançada a Cadeia de Mercúrio todos os seres que hoje vivem na Terra serão absorvidos pelo Sol. Ele próprio ascenderá a um nível superior de desenvolvimento, tendo se enriquecido com a substância e a consciência, nessa altura evoluídas, de tudo quanto havia expulso.

Quando a fase de Júpiter chegar, terá lugar a última Cadeia Planetária desta Cadeia Cósmica, e todos os seres que promanaram dos primeiros gérmens ou “ovos de calor” do Sol Saturnino, estarão totalmente “salvos”, integrados na condição de deuses.

Realizada a Vontade o Plano do Logos do Sistema para este ciclo de Manifestação Universal, o Sol entrará em Pralaya dissolvendo-se, para na futura “encarnação” surgir como novo Sol portador da Essência de Júpiter (actualmente passa-se o contrário). “Por toda a eternidade, como no dia e na noite, o Universo expande-se na matéria para depois contrair-se, na sua forma original de energia”, diz um texto sagrado.

Num Sistema deste género, quando um Sol nascido de um Centro ou Ponto Laya adquire módulos de matéria mais grosseira, ele expulsa-os, dando nascimento aos planetas, a fim dele mesmo poder progredir. Esse é o momento de expansão. No momento de contracção, retoma os planetas e os seres nele, indo alcançar o estado de Júpiter. É então, depois, que tudo se dissolve, acrescendo-se à energia mais energia, à consciência mais consciência.

Como vê a Ciência, sob o ponto de vista mecanicista, o envelhecimento e a morte do nosso Sol? Com outros termos, mas de modo semelhante ao da Cosmogénese. O Sol queima, actualmente, 650 milhões de toneladas de hidrogénio por segundo, o que significa que já transformou cerca de metade do hidrogénio em hélio. Quando o hidrogénio for totalmente consumido, daqui a cinco mil milhões de anos, o núcleo do Sol irá contrair-se e aquecerá até 108 (= 100.000.000) graus Kelvin.

Num segundo processo nuclear, o hélio arderá transformando-se em carbono. Este evento produzirá uma nova fonte de calor e o Sol se dilatará transformando-se numa “gigante vermelha” que assimilará sucessivamente os planetas (absorção em si mesmo do Sistema).

De seguida, o Sol, por acção da gravitação na formação de energia, atrofiar-se-á, transformando-se numa “anã branca” do tamanho da Terra. Atingirá tal estado de densidade que um centímetro cúbico da sua matéria equivalerá a várias toneladas do nosso planeta.

É, então, que o Sol, após o inevitável arrefecimento, passará a “escória espacial” (ou seja, ao estado de indiferenciação no Caos ou Shakti), girando no espaço como uma “anã negra”, invisível, sem vida.

Segundo o Adepto Djwal Khul, no término do Maha-Manvantara o Logos, abstraindo os seus princípios de vida (as diferenciações básicas ou tipos de energia), procederá a uma gradual inalação até ter recolhido tudo em si mesmo, o seu corpo de manifestação, o Sol e os planetas. Chegará, enfim, a Obscuridade, o Pralaya, o ciclo cósmico de descanso e assimilação na realidade da esfera subjectiva.

“A reverberação da Palavra se extinguirá e o Silêncio das Alturas reinará supremo.”

Assim reza o Antigo Comentário:

“O Som foi reverberado entre diversos turbilhões de matéria incriada e eis que o Sol e todos os turbilhões menores apareceram. A Luz luzia através dos diversos turbilhões e assim brilhavam as numerosas formas de Deus, os aspectos variados da sua Veste radiosa.

“As Rodas vibrantes e palpitantes giravam. A Vida, em seus numerosos estados e em todos os seus graus, iniciava o seu processo de desenvolvimento, e eis que a Lei começava a agir. Apareceram as Formas, depois desapareceram, mas a Vida continuava. Produziram-se os Reinos, contendo numerosas Formas, que se aproximaram, rodaram juntos e se separaram de seguida, mas a Vida prosseguiu a sua rota.

“A Humanidade ocultando o Filho de Deus, o Verbo Incarnado, avançou na Luz da Redenção. Surgiram as Raças, depois desapareceram. As Formas, velando a Alma radiosa, emergiram, alcançaram o seu objectivo, depois dissiparam-se na Noite, mas eis que a Vida avançava sempre, desde vez fundida com a Luz. A Vida aliava-se à Luz. Uniam-se a fim de revelar a Beleza e o Poder, a Força activa da Libertação, da Sabedoria e do Amor a quem chamamos um Filho de Deus.

“Através dos numerosos Filhos de Deus, que não são senão Um no seu Centro mais íntimo, Deus foi conhecido na sua Paternidade. E sempre esta Vida Iluminada prosseguiu o seu caminho rumo a um tremendo Ponto de Poder, das Forças Criadoras de quem dizemos: é o Todo, o Reservatório do Universo, o persistente Centro das Esferas, o Uno.”

Terminando, o texto do Antigo Comentário encontra-se ou justifica-se em uns outros trechos de Livros Jinas depositados na Biblioteca do Mundo de Duat, como naquele que aponta o Oitavo do Futuro para os Sete do Presente.

Livro A Estrela Mater – Secção 1 – Cod. 24 – Pantólitos:

… O Elo que une e desune uma Cadeia das demais, é o TRONO onde assenta o “imediato” entre os SETE SENHORES do Lampadário Celeste…

Concluindo naquele outro excerto do Livro Shastrastha, uma das mais antigas obras literárias da Índia hoje retirada da face da Terra:

… Sete Coisas se fundem numa Oitava – a Causa das Causas. Esta é o Maha-Ishwara, o Ishwara do Sistema que é formado pelos Sete Planetários a fim de realizar os futuros trabalhos!… Do término de um Sistema para outro há um interregno ou espaço. Nessa passagem se forma um Ishwara. Portanto, um Ishwara é formado dos Planetários. Isto é, os Planetários de um Sistema vão dar o Ishwara de outro Sistema que se segue. O Ishwara, no começo, dá a sua tónica e esta se projecta através dos Sete Planetários, até à sua formação no futuro…

Desfechando a frase lapidar do Livro de Duat:

O Supremo Arquitecto caminha de Globo em Globo, de Cadeia em Cadeia, de Sistema em Sistema, até alcançar o fim da Sua grande jornada.

CONSUMMATUM EST

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