O Panteão Aghartino – Por Vitor Manuel Adrião Segunda-feira, Out 22 2018 

Lisboa, 10.10.2018

A tradição de panteão recua aos tempos da primitiva Aryavartha, a Índia, e à sociedade politeísta de então onde teve origem a religião proto-indo-europeia, da qual derivam as várias religiões indo-europeias, tradição que veio ainda a originar os diversos panteões egípcio, grego, romano, celta, escandinavo, assírio, fenício, etc., até chegar à exaltação das figuras heróicas nacionais, equiparando-as aos deuses mitológicos, que igualmente passaram a ter honras de panteão por seus feitos e glória patriótica (hoje até incluindo celebridades do mundo das artes e letras, do espectáculo e do desporto), o que na Europa – inclusive em Portugal – começou a ter lugar ainda no século XII mas com maior realce desde o início do século XIV.

Um panteão (do grego pantheon, πάνθεον, literalmente “(templo) de todos os deuses”, ou “comum a todos os deuses”, de pan, πᾶν, “todo”, e theos, θεός, “deus”, interpretado no plural como “todos os deuses”) é o conjunto particular de todos os deuses de qualquer religião politeísta, mitologia e tradição.

A tradição de panteão deífico (ajuntando os deuses da Pré-História Lemuriana e Atlante que daria aso à criação das diversas mitologias, com destaque para a greco-romana) provém da sétima cidade ou cantão atlante e fixou-se logo ao início desta quinta Raça-Mãe Ariana, no Norte da Índia (Ariavartha) donde se expandiu em direcção ao Eufrates e ao Egipto, atingindo depois outros pontos do Globo, incluindo a Península Ibérica.

No referente exclusivo da Tradição Iniciática das Idades, sobretudo pelas comunicações inéditas na forma de revelações teosóficas do Professor Henrique José de Souza (1883-1963), fundador da Sociedade Teosófica Brasileira (1928-1969), o sentido de panteão supera largamente o significado comum mesmo mantendo a finalidade última, onde os Deuses são apresentados ora como Adormecidos, ora como Despertos de acordo com as suas manifestações cíclicas na Face da Terra. Quando estão Despertos ou em Manvantara (“manifestação”), é o momento da sua acção na Face da Terra; quando estão Adormecidos ou em Pralaya (“repouso”) é porque estão em inércia ou ausente de qualquer actividade na superfície do Globo, estão no Panteão Aghartino.

Para se entenderem os termos inusuais Panteão Aghartino, Panteão Moreb, Círculo de Resistência, Hall de Shamballah, etc., é necessário focar o assunto sob duas focagens básicas: a essencial e a estrutural.

 A focagem essencial requer o entendimento da mecanogénese dos Pramanthas ou Ciclos de Manifestação ao longo da Evolução Planetária, fulcro do Trabalho da Divindade da Terra, o Logos Planetário, através da seriação Tulkuística ou Representativa pelos Avataras (Aspectos), Adeptos (Sub-Aspectos) e restante Humanidade (Vidas Esparsas).

 A focagem estrutural implica a compreensão da estrutura física, sobretudo física-etérica, dos lugares representativos do núcleo de governo e actuação dos Pramanthas.

Pramantha sendo sinalético de Ciclo de Manifestação Universal é igualmente indicativo de Geração, no referente à criação de veículos físicos destinados à manifestação da Mónada na Face da Terra, o campo obrigatório da sua evolução que consiste na transformação da Vida-Energia (Jiva) em Vida-Consciência (Jivatmã), passando do estado virginal à condição amadurecida, para que se dê a reintegração final dos seres criados pelo Logos (as células individualizadas do Seu Corpo de Manifestação que é o Globo em quem tudo e todos têm o seu ser e evoluem, como diria St.º Agostinho), nas palavras de Martinets de Pasquallys. Isto implica trazer o Espírito à Matéria – Purusha atraído a Prakriti – como seja a espiritualização desta – o Divino atraído ao Terreno – e não o contrário. Tal como uma casa se constrói pela base e não pelo telhado, assim também a evolução individual e colectiva se processa de baixo para cima, da Terra para o Céu, isto é, do Terceiro para o Segundo Logos atraindo o influxo deste àquele, pelo que a negação corporal por muitos devocionalistas impondo-se uma série de austeridades (tapas) com negação do físico (restrições) acaba sendo um caminho erróneo repleto de equívocos, a maioria destes de natureza sentimental (kamas) em detrimento da lógica e lucidez do esclarecimento e compreensão afim ao mental (manas).

Igualmente não basta participar em algum tipo de ambiente psicofísico pretextando ser de natureza salvífica para automaticamente considerar-se salvo. Não, esse é equívoco ainda maior que o das austeridades físicas: ninguém evolui por alguém – tal é a Lei que rege a um e todos. O desleixo na disciplina iniciática, o considerar-se salvo ou liberto só por participar em alguma coisa de que a maioria parece nem sequer entender, tampouco se preocupar com isso, revela unicamente a condição de anencéfalos ou adoradores de ídolos, por mais controversos que esses sejam, encontrando sempre desculpas absurdas para justificar actos censuráveis tanto no plano humano como sobretudo no espiritual, desculpas ou pretextos esses parecendo literalmente plagiados do pior que a catequese católica possui. Assim, torna-se facto efectivo a existência de muitos discípulos virtuais e de escassíssimos discípulos reais dos Mestres de Amor-Sabedoria, pelo que a ligação (antahkarana) entre os veículos da Personalidade formada (Mental Concreto, Emocional, Vital e Físico) e os da Individualidade em formação (Espiritual, Intuicional, Mental Abstracto) mantém-se neles no estado originalmente virtual, ou seja, é como se não existisse, reparando-se que nesses entes reencarnados a ligação é mais ténue e fina que um fio de cabelo.

“Faze por ti (personalidade) que Eu (Individualidade) te ajudarei”, já dizia Jeoshua Ben Pandira, o Cristo bíblico. Mas não era a essa classe de anencéfalos que se destinava os profundos e inéditos conhecimentos teosóficos do Professor Henrique José de Souza e tampouco este estudo, mesmo sabendo que a sua condição virtual também ela um dia se tornará real, realizada até ao final da Ronda e sobretudo da Cadeia Planetária, a não ser que esgotem todas as possibilidades de remissão kármica – com isso sendo monadicamente arrojados ao gélido Avitchi Interciclos, maiores ou menores, como Vidas Perdidas – através dos ciclos de reencarnações que a Divindade concede ao Homem, conforme revelou o mesmo Professor a quem os Teúrgicos e Teósofos reconhecem como o Venerável Mestre JHS, e que o seu condiscípulo mais próximo, Eng.º António Castaño Ferreira, ministrou repetidamente em aulas teosóficas na sede da S.T.B. no Rio de Janeiro.

Segundo António Castaño Ferreira, a Lei Suprema ditou para cada criatura humana um número específico de reencarnações em cada um dos Ciclos de Evolução em que se reparte a Cadeia Planetária, com umas quantas mais destinadas aos Egos retardatários, melhor dito, atrasados, as quais constituem pequenos ciclos kármicos, possuídos de uma duração de 1000 a 1300 (?) anos. O ponto de interrogação dá como variável essa duração. Mas, repito, são ciclos apenas kármicos, não possuem mais algum valor evolutivo. De facto, os Jivas ou homens, em ciclos de 777 reencarnações em cada Ronda, ou seja, no decorrer das 7 Raças-Mães, podem atingir o máximo de desenvolvimento relativo às faculdades interiores.

Sabe-se, porém, haver um limite máximo e um limite mínimo para cada um desses Ciclos. Assim, as experiências possíveis em determinada Ronda não poderão ir além de 868 ou aquém de 686 reencarnações.

Como se depreende, a Mónada que se adiantar faz a sua evolução reencarnando, no mínimo, 686 vezes numa Ronda; a que segue o curso normal reencarna 777 vezes; a retardatária fá-lo em 777 mais 91 vezes, que é igual a 868 reencarnações, ficando esse limite de 91 para ser distribuído nas 7 Raças-Mães.

Para se encontrar esse número 91, deve-se tomar 7 termos de 4 partindo da unidade: 1+4+9+13+17+21+25 = 91. Uma Mónada muito atrasada reencarna:

Será assim que a Mónada esgota, destrói ou queima o seu karma pendente da Ronda anterior. Por sua parte, de há muito que não sendo obrigados a reencarnar na Terra por nada terem a aprender e tampouco a pagar dividendos kármicos nela, os Mahatmas, os Grandes Jinas ou Adeptos Perfeitos de cada Pramantha trabalham e preparam o seu substituto do Pramantha subsequente. Feito isso, descem para os Reinos Internos de Duat e Agharta, pois nada mais têm a ver com a evolução do homem comum.

Como este tema implica a lembrança das vidas passadas relativas às Vidas Numeradas por JHS no seu Livro das Vidas (O Mistério da Árvore Genealógica dos Kabires), datado de 1933, para evitar posteriores invenções oníricas e até de pareidolias, informo que a lembrança total das mesmas vidas passadas encontra-se no Plano Búdhico ou Intuicional e em nenhum outro mais, pelo que só os Adeptos Perfeitos o poderão adentrar e ler o átomo-semente búdhico – a partir do qual se forma o respectivo corpo – da pessoa na sua frente como quem lê um livro aberto. Isto mesmo reiterou o Excelso Dhyani-Budha Eduardo (J∴), Supremo Dirigente do Quinto Posto Representativo de Sintra, quando chamou aos “Chakras de Olhos do Espírito”. Afloro o assunto para advertir quanto ao perigosíssimo método de “lembranças das vidas passadas por métodos hipnóticos”, confundindo de modo grosseiro estados psicológicos manifestados, formados de patologias recalcadas (nidanas), com a realidade, esta que só a verdadeira Iniciação pode conferir.

Porém, quando pela disciplina espiritual, pelas práticas iniciáticas um homem desenvolve a sua consciência física indo ligá-la à consciência do Espírito, com isso ele supera o seu karma e vai adquirindo a memória imediata do mistério das suas vidas passadas. Os raros que conseguem isso, e muito raros os são (ao contrário do que se presume comummente), acabam tornando-se Vidas Integrais, Illuminatis, Iluminados ou Adeptos Perfeitos, podendo afirmar com todo o direito: Aham Ashmim (“Sou quem sou”). Estando identificados à Consciência Divina do Logos Planetário, possuem efectivamente a consciência imediata da soma total dos conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores. Estes são os verdadeiros “Magos do Oriente”, Adeptos Independentes, Mestres Reais ou, como os definia São Jerónimo no século IV, “os Mestres que filosofam acerca do Universo”, participando da natureza espiritual mas também material do mesmo.

Um Mestre é alguém que já conquistou o elevadíssimo grau de da 5.ª Iniciação Real de Asekha ou Ariya-Puggala – Adepto Perfeito, o “acima (as) de discípulo (sekha)” – podendo mesmo deter a 6.ª Iniciação Real como Choan ou “Senhor” de Linha dirigindo seis Asekhas identificados a ele. Donde se falar nos 7 Moryas, nos 7 São Germanos, nos 7 Serapis, etc., ligados de tal modo entre si que até se assemelham nos aspectos físicos. Havendo 7 Linhas ou Raios com sete Mestres para cada uma delas, logo perfazem o número de 49 Adeptos Independentes ou “libertos da lei da morte”, parafraseando Camões, isto é, isentos de Karma Humano por o terem esgotado completamente e assim são, literalmente, Libertos.

Um Mestre é um Pai espiritual, une os seus filhos, não os separa. Compreende a todos e a todos atende de acordo com as necessidades de cada um, variando o discurso conforme se lhe apresentam os interesses: se aquele filho espiritual tem inquietações sociais e políticas, ele poderá dizer que todos os governos são bons desde que se mudem os maus hábitos dos governantes, que deverão estar exclusivamente ao serviço do Bem Público; se aquele outro filho demonstra interesses mais metafísicos, então o Progenitor irá saciando sua fome de sabedoria sempre atento às capacidades de apreensão e compreensão do ouvinte, e assim por diante. O Pai espiritual é compassivo, a todos compreende e a todos ama e abraça numa unidade comum. Perdoa, é compreensivo e misericordioso, o seu sentimento de amor e sabedoria é irresistível força magnética que impele a imitá-lo projectando a consciência imediata para oitavas superiores à comum, algo assim como A Imitação de Cristo descrita por Tomás de Kempis (século XV). Cumeeira da Perfeição do Género Humano, o Pai espiritual é a expressão viva da Divindade na Terra, é a derradeira esperança para que se volvem os pensamentos e sentimentos dos que sofrendo na estreita vereda da vida buscam a solução final da realização verdadeira e da felicidade perene.

Tais Adeptos Independentes sendo os Aspectos dos seus Sub-Aspectos que são os discípulos, eles próprios são Sub-Aspectos dos Aspectos Planetários que são os Kumaras, cada um dirigindo uma Linha conferindo-lhe um tónus planetário por serem quem filtram a Energia Única do Logos Planetário que a recebe do Logos Solar através dos respectivos Sete Logos Planetários, Ishvaras ou Dhyan-Choans, “Senhores Primordiais” ou “Cisnes (em páli) Celestes”, conforme consta nas Cartas-Revelações de JHS de 7.7.1940, 9.8.1940 e 25.12.1942.

Sendo os 49 principais Adeptos de um vasto número de 777 (111 para cada Linha mais o Kumara dirigente) que entretanto foram se formando desde que se fundou a Sudha-Dharma-Mandalam (Grande Fraternidade Branca) há cerca de 18 milhões e meio de anos na terceira Raça-Mãe Lemuriana, tendo se organizado na quarta Raça-Mãe Atlante e firmado definitivamente no início da actual quinta Raça-Mãe Ariana, o Professor Henrique José de Souza revelou a organização dessas Linhas no seu Livro das Vidas Passadas (1933) e igualmente no seu Livro Síntese da Missão dos Sete Raios de Luz (28.9.1935), tendo a sua Coluna J (de Jnana ou Sabedoria), Eng.º António Castaño Ferreira (CAF), as classificado do modo seguinte:

1.º Raio – Júpiter – Chakra Coronal – Adi (Atómico) – Sakiel: Ab-Allah (Linha dos Kapacs ou Mafomas)

Assim como as restantes Linhas de Adeptos, esta compõe-se de sete Seres Divinos, Tulkus ou “desdobramentos de si mesmos”, apesar dos Seres desta primeira categoria, devido à sua extraordinária evolução, viveram em Êxtase ou Samadhi Celeste (Nivri-Kalpa-Samadhi), despendendo as suas vibrações benéficas desde o Oeste do Tibete e Norte da Índia, Srinagar, até ao seu assento ou pedestal no Peru, Machu-Pichu.

2.º Raio – Mercúrio – Chakra Frontal – Anupadaka (Subatómico) – Rafael: Nagib (Linha dos Bigam, Bijans ou Crística)

É constituída por uma categoria de Seres Andróginos cuja Mente Abstracta aliada à Intuição cria Devas ou Anjos (artificiais como belíssimas e benéficas formas bimânicasBudhi-Manas), com os quais tem como função a protecção da Humanidade. Tais Devas artificiais são as Partículas de que se revestem os 777 Matra-Devas ou “Anjos da Medida” do Segundo Logos com os quais se reveste o Cristo Universal.

3.º Raio – Vénus – Chakra Laríngeo – Akasha (Éter) – Anael: São Germano (Linha dos Germanos ou Rakowsky)

Sintetiza as duas anteriores e projecta as quatro restantes. São os Seres Guardiões das 7+1 Montanhas Sagradas do Mundo agindo pelos Seres conhecidos como Munis e Todes. Eles velam pela protecção ou segurança dos Embocaduras que acedem aos Mundos Subterrâneos através da criação de ilusões físicas, sensoriais e mentais – os espelhismos, mayas budistas ou maya-vadas – que impedem os profanos ávidos simplesmente de curiosidade, completamente despreparados tanto espiritual como psicológica e fisicamente, de aceder a tais Mundos. Esta Linha está profundamente ligada à Serra Sagrada de Sintra (Kala-Sishita ou Dharma-Sistha).

Essas três Linhas primordiais no centro do Pramantha não têm relação directa com o Mundo Humano, Jiva, e a relação que acaso possa acontecer faz-se só quando é incontornavelmente necessário, exclusivamente através de discípulos desses Mestres que estejam muito adiantados na Iniciação (no mínimo o terceiro Grau do Discipulado). Ab-Allah – Nagib – São Germano, expressando a Tríade Superior, representam as Três Brumas Celestes Akbel – Ashim – Beloi, representativas dos Três Logos Pai – Mãe – Filho, o que é muito bem expresso pelas três pétalas superiores da Flor-de-Lis, simbólica do próprio Governo Oculto do Mundo (G.O.M.).

As restantes quatro Linhas subsidiárias do Pramantha formam uma cruzeta expressando o Quaternário Inferior, sendo:

4.º Raio – Saturno – Chakra Cardíaco – Vayu (Ar) – Kassiel: Hilarião (Linha dos Hilaricos)

São os Tulkus verticais da Mãe Divina ou Aspecto Feminino do Segundo Logos projectado no Terceiro, sendo os responsáveis por impulsionar a tónica das Artes, do Belo, bem patentes através da estatuária, pintura, poesia, oratória, etc.

5.º Raio – Marte – Chakra Gástrico – Tejas (Fogo) – Samael: Morya (Linha dos Maurus ou Cabayus)

São os Tulkus horizontais da Mãe Divina, projectados desde El Moro (Novo México, EUA) até ao Roncador (Mato Grosso, Brasil). Estão profundamente ligados ao 3.º Raio do Mental Abstracto, são responsáveis pelo desenvolvimento da Ciência e difundem todos os ramos do Conhecimento para que fique ao alcance de todos, com isto igualmente desvendam os segredos da Natureza.

6.º Raio – Lua – Chakra Esplénico – Apas (Água) – Gabriel: Kut-Humi (Linha dos Kut-Humpas ou Garás)

São os Tulkus horizontais do Pai Eterno ou Aspecto Masculino do Primeiro Logos manifestado no Segundo. Advogam o Ideal Divino, o Amor Universal, a quem se devotam absolutamente e sendo por isso chamados de Amorosos, pois que a partir da Essência do Pai realizam a Ideia da Mãe.

7.º Raio – Sol – Chakra Raiz – Pritivi (Terra) – Mikael: Serapis Bey (Linha dos Serapis, Serapicos ou Construtores Divinos)

São os Tulkus verticais do Pai Eterno. São os Ferreiros do Seio da Terra que laboram directamente com o Fogo do Espírito Santo, o Fogo de Vulcano expressado por Kundalini-Shakti, também chamado Fogo de Marte. Estando ligados à tónica da Magia Cerimonial como caminho espiritual e método de acção, possuindo todos os segredos da Alta Magia Aghartina, com esta mesma manipulam as forças naturais e sociais, criando e destruindo civilizações em conformidade com os ciclos da evolução e do karma.

As 4.ª e 7.ª Linhas são aquelas por que se expressa o trabalho de verticalidade do Governo Espiritual do Mundo de Agharta para a Face da Terra, conectada à Autoridade Espiritual e à Sabedoria afim a ela.

As 5.ª e 6.ª Linhas são as do trabalho de horizontalidade do Governo Oculto do Mundo na Face da Terra, conectado ao Poder Temporal e à Ordem afim ao mesmo.

Da união dos dois Poderes resulta a “terceira coisa”: o Império de Melkitsedek, por outra, o Reinado de Maitreya – Sinarquia ou Concórdia Universal – com a duração de 10.000 anos do 8.º Ramo Racial, este que estabelece a ligação entre a 7.ª Sub-Raça Ariana e a 6.ª Raça-Mãe Bimânica (Budhi-Manas).

Aqueles Choans que haviam se distinguido no ciclo da Atlântida evoluíram e reapareceram na actual Raça Ária como Dhyanis-Kumaras, tendo nascido de Lorenzo Paolo Dominiani e Lorenza Feliciani Domiciani – São Germano e Lorenza – a partir de 1789. Como Kumaras Secundários ou “Júniores”, passaram a estar sob a direcção do Kumara-Rei ou Primordial como o Quarto Planetário desta 4.ª Ronda. A partir de 1900, começaram a actuar pelas seus “aspectos menores”, os Dhyanis-Jivas – antigos Asekhas na Atlântida – que se tornariam Dhyanis-Budhas em 1949. Estes, por sua vez, são as representações vivas dos Sete Adormecidos de Shamballah, os Excelsos Avataras – Manifestações da Divindade do Segundo Mundo Celeste – que como Budhas de Compaixão – Bodhisattvas – brindaram, brindam e brindarão as sete Raças Humanas com a Sua gloriosa e benfazeja presença, por momentos transformando a Idade Sombria, a Kali-Yuga da Face da Terra, numa deífica Satya-Yuga, Idade Luminosa. Os dos Passado estão adormecidos em Sono ParanishpânicoParanirvânico, Monádico – e os do Futuro também, restando o Sétimo síntese de todos. Mas lá irei. Os Dhyanis-Kumaras agem pelos Bodhisattvas “Júniores”, os Dhyanis-Budhas, e estes influem sobre os Adeptos Perfeitos, cumeeira dos respectivos discípulos, aos quais cabe reunir numa unidade Pax, Amor e Sabedoria as Vidas Dispersas que constituem o geral da Humanidade.

Manifestando-se pelo Tubo Cósmico (Tubu-Shin) por onde discorre a Energia Celeste de Fohat – Electricidade Cósmica – vinda do Empíreo através do Olho de Druva, a Estrela Polar, para se “cristalizar” como Sol Ígneo da Terra que é o Núcleo da Força Terrestre de Kundalini – Electromagnetismo Planetário – as Hierarquias Criadoras deram forma às sete Lokas ou regiões luminosas – cidades aghartinas – no seio do Globo onde se fixaram há milhões de anos atrás, em plena Raça Lemuriana, ficando abaixo delas as Talas ou lugares sombrios correlacionados a quanto seja de índole involucional e a Vidas Perdidas, os chamados curros assurinos e asatânicos afins a uma Oitava Esfera ou Zero-Dimensão (“Cone Sombrio da Lua”) extra ao Aro da Evolução (“Cone Luminoso do Sol”).

Na sua Carta-Revelação Um ramalhete florido e iniciático, datada de 2 de Março de 1956 (Livro dos Arcanos da Era de Aquarius), o Professor Henrique José de Souza apresenta um magnífico e eloquente esquema do Tubo Cósmico, das 7 Cidades Aghartinas e de Shamballah em correlação com o Empíreo ou Céu das Estrelas Fixas, o qual é de grande utilidade para aperceber e enquadrar quanto se seguirá daqui em diante:

O Professor Henrique José de Souza voltaria depois a comentar esse seu esquema na sua Carta-Revelação de 12 de Abril de 1958 (Livro do Ciclo de Aquarius): “Em torno do círculo abaixo estão as estrelas fixas, embora que o círculo se movendo me tivesse dado direito a chamá-lo de carrocel. Quando termina um Ciclo ou Idade, a Estrela que se chama Polar, por se reflectir no Pólo Norte, toma posição diante de uma abertura que só por si merece ser chamada de olho de Druva. E eu, de modo alegórico, fiz ver: é o Olho por onde Brahma contempla a sua própria Evolução na Terra. Outrora, copiando esse mesmo fenómeno, a estrela ou planeta, melhor dito, à qual era dedicado este ou aquele templo (a Júpiter, a Vénus, a Saturno, etc.), ficava incidindo sobre ele por um orifício no seu zimbório, e o autar se iluminava automaticamente. No caso da Estrela Polar ou Olho de Druva, o fenómeno é permanente: expressa a Idade de número 432 (000, a actual Kali-Yuga) que é quem governa o Mistério.

“O Pólo Norte é donde parte o Tubo Cósmico. Assim, a Agharta é toda iluminada pela Estrela Polar, sendo que no Ciclo presente, por ser a estrela Sirius – a mais brilhante do céu – a mesma Agharta, por sua vez, toma maior brilho que antes. Do mesmo modo, os seres da Terra não deveriam ficar mais iluminados na sua consciência? Respondam os Assuras e Makaras, pois representam as duas Hierarquias que os governam acompanhando as anteriores: Kumaras, Agnisvattas, Barishads, etc., na preparação do 5.º Sistema (Ronda) e já estando em foco o 6.º Sistema.”

Esse Tubo Cósmico tem o formato do falus indicando o órgão gerador que se associa à 7.ª Cidade Aghartina chamada Pushkara, expressiva do Princípio Átmico (Espiritual) gerador dos demais Princípios. O seu conjunto (base, corpo e capitel) expressa em baixo o Panteão de Shamballah, ao meio escurecido o Panteão de Pushkara, mais acima o Panteão do Caijah e, finalmente, no ápice o 8.º Sistema então chamado Muakram, “o Sol Médio na Terra”. Como revela o Livro Síntese de JHS, essa foi a conformação do Panteão Aghartino até ao ano de 1935, com isso não significando que ele tenha mudado de forma mas sim que tenha recebido novas vidas, novas directrizes, novas ampliações, tudo conformado à sementeira monádica dos destinados a constituir a cumeeira humana da 7.ª Sub-Raça Ariana, como JHS descreve no seu Livro das Vidas:

“Como se sabe, as Mónadas da “Família Espiritual da 7.ª Sub-Raça”, tronco donde surgirá um dia a Raça-Mãe finalizadora da presente Ronda, além de trabalharem para tal Advento – como sementes escolhidas pelos Manus Dharma-Prabasha e Dharma-Lakshmi – serão dentro de algum tempo os próprios Aspectos das 7 Linhas que vão figurar no Novo Ciclo, que terá início no ano 2000, no respectivo Pramantha.”

Por essa altura, o Venerável Mestre JHS desencadeou uma série de acções afins ao tema, juntamente com algumas das mais altas dignidades do G.O.M., e procedeu a uma série de revelações acerca do Panteão Aghartino que dividiu em quatro pavimentos ou patamares, dizendo que quanto mais de Shamballah para cima mais frio se torna o ambiente, e mais quente quanto mais para baixo, pelo que quanto mais para cima mais claras são as cores, terminando no branco, e quanto mais para baixo mais escuras são as mesmas, finalizando no negro. Em Shamballah, a “Ilha Imperecível” como Sol Planetário onde a potência de toda a luz se torna negra como obscurecimento da cor púrpura, vibra o Tatva Pritivi que fornece o alicerce do Panteão. Abaixo e fora dela surge o Avitchi, o Inferno dantesco, as regiões tenebrosas do Mar da Tristeza (Apas), do Mar de Fogo (Tejas), do Mar Tempestuoso (Vayu) e do Mar da Destruição (Portal Akáshico do Inferno, das Talas). Essa Região do Fogo “que não é alimentado pelo Logos” constitui-se do resíduo ou borra das formações cósmicas, é a lama ígnea ou “lago de excrementos” de que fala Dante na Divina Comédia, sendo a morada dos asatânicos e assurins para lá da qual se abre o Portal da Oitava Esfera do Nihil, Abyssus ou Abismo sem fundo, onde morre toda a esperança de redenção na Cadeia em manifestação. O Arcanjo ou Dhyani Samael é o Guardião do Portal do Inferno – Cone da Lua – donde não deixa nada nem ninguém escapar.

Para cá das regiões tenebrosas formadas pelas escórias cósmicas, tem-se o Sol Planetário no seu duplo aspecto de Fohat e Kundalini, sobretudo esta que como Energia Electromagnética agrega e solidifica os átomos gerando Pritivi, a partir da qual a Matéria toma forma e é vivificada pelo Hálito Vital chamado Prana, sendo como que um resultante andrógino dos princípios masculino-feminino que do Oitavo Sistema de Evolução Universal (8.º Universo) se projectam como Pai-Mãe Cósmico (Zain-Zione) vindo plasmar-se no seio da Terra como Sol Andrógino da mesma, o Filho (Zion), o Espírito Santo do qual este é o Laboratório onde mareja todas as energias e substâncias de que a Matéria (Mater-Rhea, Mãe-Terra) é constituída e assinalada, apesar de palidamente, na Tabela Periódica dos Elementos.

Se a Mulher está para Fohat e o Homem para Kundalini, vistos do Plano de Purusha para o de Prakriti (ou do Espírito para a Matéria), neste acontece precisamente ao inverso, facto que o Mestre JHS assinala no seu Livro das Vidas:

“Tal fenómeno é bem um exemplo do que já se tem falado várias vezes, isto é, do Homem com funções infernais ou inferiores (Kundalini desperta nas funções genésicas do Homem criador, positivo, portanto) e da Mulher com funções genésicas divinas, receptivas, conservadoras, negativa, portanto, pouco importando que no sentido involutivo o negativo seja o Homem e o positivo a Mulher!… Tal função na Mulher é algo mais do que Kundalini, é Fohat: Luz e não Força. É Espírito e não Matéria, pouco importa se da união das duas, por ambos os sexos representada, nasça uma terceira Força – o Filho, como elemento apaziguador ou equilibrante.

“Daí o termo “Virgem Mãe do Fogo Sagrado” para as Sacerdotisas vulgares, e “Virgem Mãe de Agni manifestado como Ser na Terra”, ou um desses muitos Iluminados que ao Mundo têm vindo, para as de dupla função: Mãe e Sacerdotisa ao mesmo tempo.”

No seu livro Os Chakras, Charles Leadbeater assim descreve o Núcleo do Fogo Serpentino, Shamballah, no seio da Terra:

“Desde há muitos anos sabemos que nas entranhas da Terra há o que poderíamos chamar o Laboratório do Terceiro Aspecto do Logos. Ao investigar as condições do centro da Terra, encontramos ali um volumoso Globo de energia tão formidável que não podemos aproximar-nos. Foi-nos possível tão-somente tocar as camadas externas, e inferimos que evidentemente estão em relação simpática com as camadas de Kundalini no corpo humano.

“Há muitíssimos milénios penetrou no centro da Terra a Energia do Terceiro Aspecto do Logos e ali continua elaborando gradualmente novos elementos químicos, com crescente complexidade de formas e vida intensa ou actividade interna cada vez maior.

“A Energia de Kundalini ou Fogo Serpentino do nosso corpo procede do Laboratório do Espírito Santo, oculto nas entranhas da Terra, e é parte do formidável Globo Ígneo geocêntrico.

“Esta tremenda Energia tem o aspecto ainda mais terrível de produzir a impressão de descer sempre mais profundamente na matéria, com lenta mas irresistível progressão e implacável segurança.

“Assim, absorvemos a potente Energia de Deus tanto de baixo, da Terra, como de cima, do Céu. Somos filhos da Terra mas também do Sol. A Energia que sobe da Terra e a que desce do Sol, confluem em nós e cooperam mancomunadamente para a nossa evolução. Não podemos possuir uma Energia sem a outra, e há muito risco no excessivo predomínio de uma delas. Daí o perigo de avivar as camadas inferiores do Fogo Serpentino antes de purificar e refinar a conduta.

“Ouvimos dizer muitas coisas acerca desse misterioso Fogo e do perigo de avivá-lo prematuramente, e indubitavelmente é verdadeiro muito do que ouvimos dizer. Certamente há gravíssimo perigo em despertar os aspectos superiores desta formidável Energia antes que um homem seja capaz de a dominar e haver adquirido a pureza de conduta e pensamento que lhe permita libertar impunemente tão tremenda potência.

“O Fogo Serpentino desempenha na vida quotidiana uma parte muito importante do que até aqui havíamos suposto, pois há dessa Energia uma suave manifestação, já desperta em todo o homem, que é não só inofensiva como também benéfica, e que actua dia e noite levando a cabo a sua obra, ainda que estejamos inconscientes da sua presença e actividade.”

É essa Energia Criadora afluindo do centro da Terra pelas palmas dos pés do Homem até ao seu centro gástrico-cardíaco que a Yoga de Akbel mareja, indo uni-la com a Energia Conscientizadora de Fohat sob o têmpero do Hálito Vital, Prana. O Munindra, o Discípulo da Obra do Eterno, que realiza esta Yoga de Integração sabe do que estou falando.

A base mais larga onde penetra o Tubo Cósmico – análogo à função do falus e do cteis, embora invertida – corresponde ao Hall de Shamballah, às altíssimas Muralhas de JericóYer-ko ou Orikalki, mistura de ouro e prata – que separam a sétima cidade de Agharta – Pushkara – de Shamballah. Protegido por essas muralhas estão o 1.º Pavimento ou Patamar dos Deuses Adormecidos do Panteão Aghartino. Apenas um Ser Andrógino, Jeffersus e Moriah, Cristo e Maria, aí dorme, possuindo o valor de 777 Seres Manasaputras ou “Filhos do Mental Cósmico” (Mahat), criações dos 7 Kumaras Primordiais na Raça Lemuriana e que lhe servem de vestes. Dorme em túmulo de ouro maciço com lavores em forma de Anjos ou Devas, tendo incrustada na borda riquíssimas pedrarias afins aos sete planetas tradicionais, encimando-o os números feitos com Orikalki, em alto-relevo sobre o mármore róseo do espaço tumular, 888 acima de 777. A disposição dos sete túmulos toma a forma de um H – o quinto à esquerda do central está vazio, correspondendo ao de Akdorge como o divino Guardião ou Porteiro da cidade de Pushkara e o que ora urge como Rei do Mundo – com três túmulos de cada lado do principal, construídos com os metais da ordem planetária, sendo relativos aos seis Senhores ou Bodhisattvas do Passado e do Futuro em torno do 7.º Adormecido – Jeffersus, o Cristo Universal. Envolvem o 1.º Patamar as ondas fluídicas de intensa cor púrpura do Sol de Bhumi, a Terra, as quais se movem sobre si mesmas em uma irresistível atracção electromagnética, em cujo seio também 777 Manasaputras dormem, aguardando a Hora da Ressurreição Final marcada pelo fim da Ronda.

O 2.º Pavimento do Panteão de Agharta situa-se na sétima cidade desta. Ocupa-o o Círculo de Resistência Espiritual constituído pelos preclaros Membros da Ordem do Dragão de Ouro, os próprios Adeptos do Governo Oculto (Espiritual) do Mundo. É aqui, neste omphalus de Bhumi, que a Energia do Céu e da Terra se encontram e fundem na perfeita autogenia ou força geradora de si mesma originando os Andróginos Perfeitos que são os mesmos Adeptos Independentes. É deles que irradiam as possibilidades skândicas (de skandas, tendências superiores) para os que estão no 3.º Pavimento, propiciando-lhes capacidades de marcha avante na sua evolução pessoal indo se integrar aos seus Mestres (Mahatmas) e respectivos Vasos Eucarísticos (Manasaputras).

A revelação do 2.º Pavimento coincidiu com a entrega da Chave de Pushkara a JHS em 28 de Setembro de 1933, dentro do Livro-Sarcófago que ele abriria num Ritual realizado em 12 de Novembro desse mesmo ano. Fez entrega da Chave de Pushkara o Adepto Albert Jefferson Moore, sobrinho do “Velho Escocês”, o Mestre Ralph Moore. A mesma esteve na S.T.B. durante sete anos e depois foi devolvida à procedência através do Outeiro da Glória – Pedra da Gávea (Rio de Janeiro) às 17:00 horas de 1 de Outubro de 1940 (correspondendo ao dia 30 de Setembro no Mundo de Duat). A Chave de Pushkara representa a geração do 7.º Princípio de Atmã no Homem, sendo a expressão do próprio órgão gerador do Kumara Rei, ou seja, do Manu Primordial que veio selecionar as 52 (49+3 expressiva da Tríade Superior) sementes monádicas destinadas a constituírem a vanguarda espiritual e humana da 7.ª Sub-Raça Ariana, portando já consigo a semente da 7.ª Raça-Mãe Atabimânica (Atmã-Budhi-Manas).

A Chave de Pushkara era feita de cobre (metal de Vénus) e pesava 1,4 kg. Tinha 23 cm de comprimento e o cilindro oco possuía 4 cm de diâmetro, com a extensão total de 20 cm; na parte inferior, a chavinha era um peça rectangular com 1 cm de espessura e 3 cm de altura; na parte superior, cada círculo possuía 5 cm de diâmetro, totalizando 10 cm no seu cimo.

O próprio Panteão Aghartino, no total dos seus quatro pavimentos, configura a Chave de Pushkara. Essa configuração provém da letra Shu, com que se escreve em sânscrito Shukra (शुक्र), Vénus, este planeta que igualmente possui o sentido de amor e atracção, fecundidade e geração.

Shu

Com efeito, na sua Carta-Revelação de 28 de Abril de 1958 (Livro do Ciclo de Aquarius), com o título A Chave de Pushkara e a sua Grande Revelação, o Professor Henrique José de Souza desenhou e legendou o formato da mesma em conformidade com as 7+1 Cidades Aghartinas, conforme se segue:

Nessa mesma Carta-Revelação de 28.4.1958, o Mestre JHS dispõe a Chave de Pushkara em relação com o 7.º Princípio que estando sob a influência planetária de Júpiter, é o mesmo planeta dirigente do biorritmo da Serra Sagrada de Sintra, já de si Panteão Jina – e para ele são encaminhadas as almas gloriosas dos(as) Obreiros(as) do Grande Ocidente Lusitano que findam corporalmente os seus dias na Face da Terra – das glórias da Atlântida e da Vida de Cristo cujas Relíquias durante larguíssimos séculos estiveram sob a custódia sigilosa da soberana – sobre todas as demais – Ordem de Mariz, cujo Cruzeiro Mágico de Mariz vem a ser a mesma Chave de Pushkara que desdobrada em quadriplicidade nas quatro direcções cardeais configura a Rosa+Cruz Filosófica, simbólica da Iluminação Átmica ou Espiritual.

Na Carta-Revelação referida, diz JHS:

“Como se sabe, a Chave de Pushkara representa todos os cânones da Evolução Humana. E foi por isso que, antes de dar a presente revelação, eu falei de Agharta, da luz da Estrela Polar, das cores, das substâncias ou espécies de matéria. Muito antes já eu tinha revelado que “a Serra de Sintra também é formada de sete substâncias”. Lá nasceu a Obra no Avatara de 1800. Lá esta mesma Obra se ocultou em seu seio, velada por dois Kumaras, enquanto outros dois acompanhavam as duas cascas das duas cigarras que ficaram naquele túmulo frio e pétreo, como o maior e mais digno de todos os Túmulos. Portugal, tu és a Origem da Raça Brasileira. E esta formada por sete elos raciais que tu também guardavas no teu régio Arquivo, com o provam as tuas ruínas, a profecia de Sintra.”

É entre os anos 1933 e 1935 que se completa o trabalho do Antigo Pramantha fundado na Lemúria, e com isso JHS vai revelando os patamares do Panteão Aghartino ao mesmo tempo que fixa as novas determinações do Governo Oculto do Mundo. Com isso, é revelada a estrutura do 3.º Pavimento ou Círculo de Resistência Humana, constituído pelos Munindras ou Discípulos da Obra do Eterno. Quando estes descem ao Mundo dos Imortais que é o Duat, propriamente o Caijah como a sua oitava cidade representando o Atmã Universal nesse Mundo, se as vibrações dos Seres do 2.º Pavimento não os conseguirem penetrar apesar de possuírem excelentes skandas, então eles atraem-nos fazendo descer adormecidos em sono paranishpânico até junto de si, insuflando-lhes então as tendências benévolas necessárias para que de Arhats se tornem Asekhas ou Adeptos Perfeitos já na próxima encarnação, depois fazendo-os subir para os seus respectivos lugares no Caijah. Mas se o atraso dos Munindras for grande não tendo se aperfeiçoado o suficiente, então os Senhores do Karma obrigam-nos a uma permanência maior nas primeira, segunda e terceira cidades duats – correspondendo às respectivas de Agharta – podendo mesmo recuar às afins do Mundo de Badagas, nas proximidades do Pólo Norte, onde terão de recapitular toda a história da sua evolução enquanto Mónadas peregrinas, isso num estado de sono astro-mental e não paranishpânico, que só advirá depois quando os mesmos adquirirem as condições de ocuparem os seus respectivos lugares no Caijah, conforme JHS descreveu na sua Carta-Revelação de 20.1.1956.

A revelação do 4.º Pavimento ou Panteão Moreb, significando “Montanha que Vê e Ouve” como o oitavo dos Montes Santos do Mundo na classificação do Excelso Ser Polidorus Insurenus, foi acompanhada de uma série de acontecimentos no ano 1935. Nesta data, foram incinerados os originais dos primeiros Livros-Revelações escritos pelo Professor Henrique José de Souza, conforme determinação do próprio: Livro dos Dhyanis (queimado em 21 de Fevereiro), Livro dos Arhats (queimado em 28 de Abril), Livro dos Adeptos (queimado em 28 de Maio), Livro do Manu (queimado em 7 de Julho). Mas o seu conteúdo ficou sintetizado num outro volume que veio a ser o Livro Síntese da Missão dos Sete Raios de Luz, com 52 capítulos, terminado em 28 de Setembro de 1935. Quanto a esses quatro Livros incinerados eram destinados a Seres das categorias que os respectivos títulos carregavam. Ainda assim, antes de serem destruídos o Venerável Mestre JHS solicitou que fizessem cópias à mão deles, e que por quarenta dias ficassem disponíveis “só para alguns” Discípulos, os mais avançados (mental ou espiritualmente) daquele tempo. Após aquele período, também as cópias deviam ser recolhidas e incineradas. De maneira que os originais desses Livros Sagrados foram interiorizados, ou seja, levados para a Biblioteca Planetária do Mundo de Duat (Astral), tendo antes transitado pelo Mundo de Badagas (Físico) e deste, sim, recolhidos ou trasladados àquele Mundo de tudo quanto é Imortal.

Em 28 de Fevereiro de 1935, em Ritual que ficou conhecido como “Chamada do Santuário” o Mestre JHS fez a leitura dos nomes dos discípulos da Obra Divina, encarnados ou não, pertencentes ao Círculo de Resistência Humano, classificando-os e numerando-os (donde Mónadas Numeradas) como sendo do Panteão Moreb, a fim de receberem o Sinete dos Gémeos Espirituais El Rike – El Lena (Henrique – Helena), doravante ficando assinalados como instrutores ou guias de parentes e pessoas colocados no Círculo de Resistência Humana, livrando-as da Oitava Esfera ao envolvê-las no Atmã Universal por cuja “Chamada do Santuário” uniu as suas Mónadas à 7.ª Cidade de Pushkara (que em sânscrito significa “mar de manteiga clarificada”, algo assim como manteigueira afim ao topónimo Mantiqueira, serra vizinha do Monte Moreb que é a sua extensão granítica, em pleno coração das lavras ou lavas de Minas Gerais) propiciando-lhes as condições póstumas que ficarem em sono paranishpânico entre uma encarnação e outra.

JHS escolheu os sete Sub-Aspectos (Discípulos) de cada Linha de Aspectos (Mestres) num total de 49 mais 3 Sub-Aspectos representativos da Tríade Superior assinalada na Oitava Linha Sedote ou Badagas (que é a do actual 8.º Ramo Racial, fazendo a ponte entre uma Sub-Raça e outra), num total de 52 Mónadas destinadas a serem a semente da Família Espiritual da 7.ª Sub-Raça Ariana. Nessa ocasião JHS leu no Plano Búdhico as últimas sete vidas de cada uma delas, o que veio a figurar no Livro das Vidas Passadas. Os nomes desses 52 Discípulos foram inscritos no Livro do Panteão Moreb que foi enterrado juntamente com a Chave de Pushkara, durante sete anos, debaixo da escadaria da Vila Helena, morada de JHS e da sua família em São Lourenço do Sul de Minas Gerais.

O valor dos 52 Seres do Panteão Moreb (4.º Pavimento) liga-se com o valor dos 56+56 Seres do Círculo de Resistência Humana (3.º Pavimento), num total de 164 Munindras mais o seu Supremo Dirigente, El Rike, logo, 165, como seja o Uno (1) como Sexto (6) dirigindo o Quinto (5) Planetário. Por outra, 1+6+5 = 12 (Zodíaco); 1+2 = 3 da Tríade Superior expressada pelas Três Hipóstases do Logos Único (Sol Espiritual).

Os 52 Seres do Panteão Moreb têm um acréscimo de mais quatro Seres do Círculo de Resistência Humana, expressivos das três Rondas passadas e da actual da Cadeia Terrestre, portanto, 56 acompanhados das suas respectivas 56 contrapartes.

Isso é de grande interesse iniciático porque, segundo as Revelações de JHS, neste 4.º Sistema de Evolução Universal o actual 4.º Globo desta 4.ª Cadeia de Terra possui o valor 56, ou seja, expressivo das 56 etapas ou realizações que o Homem – Jiva – deve realizar para se tornar Adepto – Jivatmã. Tal está representado no chakra cardíaco humano, onde normalmente o homem comum possui doze pétalas ou raios desenvolvidos, mas quando se realiza como Adepto Perfeito desenvolve mais duas pétalas, ficando com 14. Ora, na 1.ª Ronda afim à 1.ª Cadeia de Saturno o Homem manifestou em estado incipiente – consciência semelhante à mineral – essas 14 pétalas; na 2.ª Ronda empática à Cadeia Solar manifestou em estado igualmente incipiente – consciência afim à vegetal – as mesmas 14 pétalas; na 3.ª Ronda afim à Cadeia Lunar e também na condição incipiente – consciência parecida à animal – novamente as 14 linhas, raios ou pétalas do “lótus” cardíaco (anahata chakra); na presente 4.ª Ronda, onde de dá projecção as 3 Rondas futuras e com isso à construção da Tríade Superior ou Mónada Imperecível, o Jiva toma consciência de si mesmo – consciência humana, tomada de noção de si mesmo ou ahamkara – e cipiente desenvolve as 14 pétalas cardíacas. Portanto, 14+14+14+14 = 56, número dos Arcanos Menores do Tarot e igualmente o valor cabalístico da Hierarquia Humana e da própria Terra, o valor do Tetragramaton, da Pedra Cúbica, agindo no Mundo material.

Já o cabalístico número 22 está subentendido como assistindo superiormente àquele 56, pois além de expressar os Arcanos Maiores do Tarot expressa o valor da Pedra Filosofal, das Hierarquias Arrúpicas ou Informais (sem forma (rupa) por serem pura energia) daquilo que será objectivado na próxima 5.ª Ronda expressiva da 5.ª Cadeia de Vénus, alter-ego da Terra.

De maneira que os Sub-Aspectos (Vidas Parciais) actuais haverão de ser os Aspectos (Vidas Totais) no Quinto Sistema ou Ronda de acordo com a marcha da Evolução, sendo o ano 3005 aquele marcado pelo Matra-Akasha ou Calendário de Maitreya para indicar o momento alto do Novo Pramantha aquando o Quinto Senhor Arabel ocupará o seu Retro-Trono dando início ao começo do Quinto Sistema ou Quinto Império Universal constituído pelas Almas Salvas.

Pois bem, o dia 10 de Fevereiro de 1935 marcou o fim do Quarto e Antigo Pramantha Sudha-Dharma-Mandalam e o início do Quinto Novo Pramantha Lorenzo-Prabasha-Dharma, data excelsa correspondendo à do Nascimento dos Gémeos Akdorge (Guerreiro de Deus) e Akgorge (Profeta de Deus) que passaram a dirigir os destinos do Mundo e das Hierarquias que o assistem. Desde aí que a universalidade salvífica da Missão de JHS junto dos homens, dos discípulos, dos Mestres e dos Deuses se tornou clara aos seus mais próximos, aumentando em sabedoria e com isso crescendo a noção pessoal e colectiva de responsabilidade para com e na Obra Divina.

Akdorge, Filho de Adamita – Helena Iracy – e de Akbel, assumiu o cargo de Rei do Mundo passando a chefiar as Hostes de Assuras (Arqueus), Agnisvattas (Arcanjos) e Barishads (Anjos) junto dos Jivas (Homens), sob a direcção mais do Quinto Planetário Arabel que do Quarto Atlasbel, que aos poucos vai adormecendo, fenecendo como crepúsculo do Ciclo que finda dando lugar à aurora de um outro mais promissivo para o Mundo.

JHS aninhou em torno de si, como Pai compreensivo e compassivo, as Mónadas da sua Família Espiritual destinadas a cumeeira dirigente da Onda Humana na 7.ª Sub-Ariana, semente das 7.ª Raça-Mãe Atabimânica, que já urge em simultâneo com a 6.ª Raça Bimânica tal como o Atmã não se manifesta sem Budhi. Para que a Iniciação Mental (Assúrica) de JHS se processasse sem sobressaltos nem percalços na evolução nas Mónadas Numeradas da sua Corte, instituiu quatro Ordens Iniciáticas que juntas perfazem a Ordem do Santo Graal, conformadas aos Graus Iniciáticos pertinentes à mesma Iniciação Assúrica, como sejam: Ordem dos Tributários – Grau Manu; Ordem das Filhas de Allamirah – Grau Yama; Ordem do Ararat – Grau Karuna; Ordem dos Templários – Grau Astaroth. Finalmente, Ordem do Santo Graal – Grau Integração.

Atendendo às necessidades de cada discípulo, umas mais racionais e práticas, outras mais místicas e metafísicas, desde o Grau Vestibular ou Introdutório (Oedipo, Peregrino) até ao interno do Munindra ou Integração, JHS a todas satisfez fazendo recurso dos quatro temperamentos humanos (nervoso, sanguíneo, linfático e bilioso) que aplicou aos seus Graus Iniciáticos com singular mestria e eficácia. Sim, JHS, projecção humana directa do Planetário, “realizou em uma só vida o trabalho inteiro de uma Ronda”, como afirmou às portas da morte. A sua Obra está consumada, a sua Corte está realizada, resta só aos pósteros seguirem o exemplo, para tanto esforçarem-se na sua realização espiritual e humana, posto que ninguém evolui por alguém.

Finda aqui esta página inédita da História da Obra do Eterno na Face da Terra, a do Panteão ou Pantheon de Agharta, no qual as mais atrevidas revelações são feitas com a certeza, porém, de que nada valerão efectivamente a quem não for desta mesma Obra, senão a de abrirem maiores horizontes mentais àqueles que buscam verdadeira e sinceramente a realização de si mesmos que o nosso Mágico Triângulo da Iniciação oferece.

Posto tudo, com a evocação da Yoga Universal revelada e ensinada por JHS, o afirmo em desfecho:

Que a Luz, o nome, a Sentença, a Vontade, a Realização, a Expansão e o Trono de Deus, sob o prodigioso impacto das Sete Forças Criadoras do Universo, estejam comigo, tornando-me digno da minha própria Hierarquia, dando-me a Felicidade e a Saúde na Terra para poder ampliar a Lei na sua marcha para o Grande Dia de Maitreya. 

Bijam

Anúncios

A santidade impossível de Vicente – Por Vitor Manuel Adrião Segunda-feira, Out 1 2018 

São Vicente (celebrado a 22 de Janeiro), diácono de Saragoça e mártir de Valência, é o mais célebre santo do martirológio hispânico e o único que se encontra incorporado, desde os tempos paleocristãos ou visigóticos e sobretudo moçarábicos, na liturgia de louvor da Igreja Universal. Santo caríssimo ao Algarve (Gharb, como parte ocidental da Hispânia sob domínio árabe no século VIII, sendo Chark a oriental), e sobretudo (desde os tempos afonsinos) a Lisboa, de que viria a ser o padroeiro com a devoção popular aclamando-o como São Vicente de Fora, o mesmo nome do mosteiro lisboeta fundado em 1147 por D. Afonso Henriques – que o entregou aos cónegos regrantes de Santo Agostinho, os quais se encarregaram de difundir o nome e culto vicentino nesta capital do país –, veio a representar a vitória e conquista miraculosas do culto cristão sobre os demais cultos de outras religiões dominantes que quiseram subjugá-lo ao longo dos tempos, fossem eles pagãos (de Roma), fossem corânicos (do Magreb), fossem quais fossem, e isto desde o seu martírio no século IV, martírio que, aliás, o disporia no escalão hagiográfico de “a santidade como símbolo vivente”, como indica Juan G. Atienza na sua obra Santoral Diabólico (Ediciones Martínez Roca, S.A., Barcelona, 1988).

Isso é também reforçado pelo próprio antroponímico Vicente, “vencedor, conquistador”, como já fiz ver várias vezes e que é corroborado por Paulo Farmhouse Alberto (vd. bibliografia final). Com efeito, este nome origina-se a partir do latim Vicentius, derivado de Vincente, particípio passado do verbo vincere, “vencer”. Como vencer é um verbo de acção, Vincente significa literalmente “vencendo” ou “o que está vencendo”, e por extensão também lhe é atribuído o significado de “vencedor”. Desde cedo este nome tornou-se muito popular entre os cristãos hispânicos, sendo encontrado em Portugal em documentos datados de 1172, na variante Vicentius, aparecendo depois, no século XVIII, na forma arcaica Vincente, muito utilizada nessa época.

Segundo a tradição hagiográfica, evocada também por Paulo Farmhouse Alberto, o martírio de S. Vicente terá ocorrido na sequência de uma série de decretos dos imperadores romanos Diocleciano e Maximiano, emitidos nos anos 303 e 304, que intentavam reprimir o culto cristão por todo o império. Vicente seria diácono em Saragoça quando foi preso por um obscuro governador de que só se sabe o nome Daciano. Tendo recusado revelar o lugar onde escondera os livros de culto e abjurar à religião cristã, como ordenava o decreto imperial, foi levado para Valência (episódio singular, pois Saragoça e Valência tinham os seus próprios governadores por pertenceram a províncias distintas, uma à tarraconense e outra à cartaginense). Aí foi submetido a interrogatório sob tortura, mas resistiu aos avanços dos algozes que tudo fizeram para o demover e não o conseguindo decidiram, por fim, assá-lo vivo numa grelha incandescente e depois, envolvido numa pelo de boi, o seu cadáver foi atirado ao mar com uma mó atada ao pescoço. Faleceu a 22 de Janeiro do ano 304.

Ao invés de se afundar sob o peso da mó, esta serviu de boia ao cadáver que vogou no oceano até ser devolvido pela maré a terra ficando encalhado entre os rochedos, aparecendo dois corvos que vigiavam de perto o despojo santo. Os seus grasnares chamaram a atenção de um grupo de cristãos que passavam ali perto, acercaram-se tendo logo reconhecido o mártir, e de imediato recolheram piedosamente o seu corpo. Poucos anos depois, a partir do ano 313, no tempo do imperador Constantino, foi construído um sepulcro martirial em Valência, que mais tarde daria lugar a uma basílica extramuros (tal qual aconteceria depois com o Mosteiro de S. Vicente de Fora, isto é, “fora das portas da cidade de Lisboa”, portanto, também extramuros), onde o corpus sancti incorruptum, que não parava de fazer milagres, passou a ser motivo de veneração popular e de devotas romarias, algumas vindas das partes mais longínquas do império.

De maneira que desde muito cedo S. Vicente foi objecto de um culto amplamente difundido. O poeta latino Paulino de Nola, que viveu na segunda metade do século IV e na primeira do século V, atribuiu-lhe o mesmo estatuto que o de St.º Ambrósio em Itália, ou de S. Martinho de Tours na Gália. O seu conterrâneo Prudêncio dedica-lhe um longo poema, além de largo excerto noutro hino a propósito da cidade natal do mártir, Saragoça. Nos primeiros anos do século V, por volta de 410-412, St.º Agostinho assim dizia em Cartago num dos sermões compostos para a missa da festa do mártir (Sermones 276, 4): “Qual é hoje a região, qual é a província, até onde quer que se estenda tanto o império romano como o nome de Cristo, que não rejubile por celebrar o dia consagrado a Vicente?”

Outro local importante era Saragoça, onde Vicente nascera, fora diácono e onde começara o seu martírio. Já nos finais do século IV e inícios do V, o poeta Prudêncio referia o culto que aí se desenvolvia, aludindo a umas relíquias (fala de um vaso ou de uma ampola com o sangue do mártir). Em 541, durante o cerco de Childeberto, rei da Nêustria, Saragoça teria sido salva pela intervenção miraculosa da túnica do mártir. Na primeira metade do século VII, o poeta Eugénio de Toledo dedica um epigrama a uma igreja do santo, aludindo ao sangue e á túnica, túnica que reaparece numa oração da missa composta na mesma altura. Eugénio foi, de resto, arcediago desta igreja.

Além de Saragoça e Valência, o culto vicentino cedo estendeu-se a outras cidades da Hispânia. Em Sevilha, já antes de 428, quando os vândalos invadiram a cidade, a catedral onde Santo Isidoro se recolheu na véspera da sua morte estaria consagrada a São Vicente. A catedral de Córdova também estava sob a invocação do mártir em período anterior às invasões muçulmanas.

O valioso contributo de Paulo Farmhouse Alberto relativo à epigrafia vicentina, documenta por esta o desenvolvimento do culto quase desde o início do século V. Neste, há conhecimento de uma igreja vicentina em Toledo. Do século VI, há notícia de três igrejas dedicadas ao santo mártir: uma em Natívola, Granada (consagrada em 594), outra em Cehegín, na província de Múrcia, e uma terceira em Loja, perto de Córdova. No século VII, no ano 644, é-lhe consagrado um templo em Vejer de la Miel, perto de Cádis. Também o calendário epigráfico de Carmona, porventura do século VI ou VII, assinala o dia do santo. Ainda no século VII, o impulso dado ao culto vicentino é atestado por significativa produção litúrgica (um hino, orações, uma missa, sermões). E desde o século VIII até ao X, a proliferação de igrejas consagradas a S. Vicente é notável em toda a Hispânia; como exemplo, cite-se apenas a catedral de Oviedo, nas Astúrias, onde em 761 foram depositadas umas relíquias trazidas de Valência.

Com a invasão muçulmana da Península Ibérica no ano 711, os cristãos de Valência temeram que o corpo de S. Vicente fosse devassado e levaram-no para o mosteiro mais longínquo da Hispânia, junto ao mar, no Cabo de S. Vicente, no extremo do Algarve. Mas a lenda dá uma outra descrição muito mais miraculosa: diz que o corpo de S. Vicente foi colocado numa barca que à deriva no mar, tendo à popa e à proa dois corvos, acabou dando à costa do Sacrum Promontorium, o Promontório Sagrado ou de Sagres, onde os cristãos daí o recolheram e veneraram. Pouco tempo depois, o lugar já era afamado como milagroso.

Além desse, registam-se notícias da existência de outros templos dedicados ao mártir noutros lugares do que depois seria território português. Paulo Farmhouse Alberto indica um documento do ano 830 (seguido de dois outros dos anos 905 e 911) que refere uma igreja dedicada a S. Vicente em Infias, Braga, talvez remontando ao século VII. Em 972, na documentação referente ao mosteiro de Lorvão, é mencionada uma igreja vicentina nas imediações de Coimbra; os documentos dos anos 970 e 973 aludem à Porta de S. Vicente, nos limites das terras de um mosteiro designado “de Bacalusti”, nas margens do rio Douro; em 978 e 1002, refere-se a igreja de S. Vicente “de Pararia”. Antes de 1094, quando passou para a posse do bispo de Coimbra, o mosteiro da Vacariça, na região da Mealhada, associava a invocação a S. Vicente à de S. Salvador; já antes dos meados do século XI, o mosteiro de Guimarães tinha o mártir de Valência como um dos seus titulares secundários. O Censual de Braga, escrito entre 1085 e 1091, de que se conserva apenas a parte respeitante à região entre o Lima e o Ave, refere oito igrejas dedicadas a S. Vicente, e mais duas em que o mártir se associa a outro patrono. Torna-se assim evidente a espantosa difusão que o culto vicentino teve no nosso território antes mesmo da nacionalidade e onde a Igreja hispânica e o afim rito moçárabe tiveram papel determinante a partir do século VIII.

Em Lisboa, a mais antiga atestação remonta ao tempo do nosso primeiro rei. Ao sitiar Lisboa em 1147, D. Afonso Henriques fez o voto de que, caso conquistasse a cidade, mandaria construir duas igrejas que ficariam junto de dois cemitérios, os quais se revelaram necessários para sepultar os cruzados mortos durante a conquista. Uma das igrejas foi erigida junto ao cemitério dos teutónicos, em 1148, sob a invocação de São Vicente, cujo culto já era celebrado pelos moçárabes da paróquia de São Cristóvão, que aliás tinham o seu bispo. Tendo o rei dado a escolher ao bispo inglês Gilberto de Hastings e aos cónegos uma das duas igrejas, estes optaram por Santa Maria dos Mártires, junto ao cemitério dos ingleses, ficando a igreja de São Vicente na posse de D. Afonso Henriques, que nomeou como seu primeiro prior o flamengo Gualter, seguindo-se os cónegos regrantes de Santo Agostinho, da confiança do rei, conforme relata a Notícia da fundação do Mosteiro de S. Vicente, redigida em 1188.

Mas o que liga intrinsecamente Lisboa a São Vicente é a chegada das suas relíquias em 1173, vindas do mosteiro algarvio no Cabo de São Vicente a bordo – diz o mito ulisiponense – de uma nau templária de velas gironadas com dois corvos, um à popa e outro à proa. Assim, mais uma vez, tem-se S. Vicente nauta de além-morte, como o que navega sobre as águas do Espírito, guardado por dois corvis arúspices da memória e do espírito ou porvir (Hugin e Munnin, na mitologia nórdica referente ao deus Odin, os quais pousados em seus ombros lhes grasnavam segredos), sendo que a arte de bem marear é arte de Espírito Santo, característica notável do lisboeta marinheiro em particular e do português da diáspora em geral.

Com efeito, a Crónica de Al-Razi, composta no século X, que se conhece por intermédio de uma tradução feita no século XIV a mando de D. Dinis, conta que durante a perseguição de Abderramão I, de 756 a 788, o corpo de São Vicente foi levado da sua igreja valenciana para as cercanias do Promontório Sacro, especificamente para o Capum Vicentii, “Cabo ⌈de⌉ Vicente”, sendo o carácter sagrado do local conhecidos dos autores do mundo clássico da Antiguidade, desde Estrabão a Plínio, dispondo-o como caput ou “cabeça” de tradições e cultos psicopompos ainda mais antigos recuando aos tempos pre-célticos e aos cónios, inclusive aos povos antediluvianos, como tive oportunidade de confirmar no Promontório onde detectei algumas sepulturas antiquíssimas, donde retirei diverso material cerâmico datável dos primórdios do Período Quaternário. A História Pseudo-Isidoriana e o geógrafo Al-Idrisi, dos meados do século XII, afirmam que ali existia uma “Igreja dos Corvos”, possivelmente moçarábica, com fama de milagreira, que albergava as relíquias do santo mártir. Neste século, e recuando ao VIII, em que se iniciou a difusão das peregrinações a Santiago de Compostela, a Igreja desta e o Primaz de Braga dedicaram-se à disputa dos corpos santos, maneira prática de, através dos miracula, manter no povo a fé cristã num período grave para a Cristandade peninsular (o da ocupação árabe), sendo também necessário o mesmo culto e iguais ou maiores miracula (milagres) nos caminhos religiosos do moçarabismo al-andaluz do Sul.

Nesse contexto, em 1173, conforme um texto dos finais do século XII ou do início do seguinte, da autoria de Estêvão, chantre da Sé Catedral de Lisboa, a de Santa Maria Maior, correspondendo ao momento da vinculação do culto vicentino à diocese de Lisboa, alguém alertou para a existência do corpo de São Vicente no Algarve, em mãos dos muçulmanos. Assim, numa possível surtida marítima, a mando de D. Afonso Henriques, a frota templária foi resgatar os preciosos despojos. No dia 15 de Setembro, as santas relíquias chegaram a Lisboa, ficando na igreja de Santa Justa, antes de se recolherem no dia seguinte na Sé, com a oposição da igreja real de São Vicente. Foi assim que o mártir de Valência se tornou o padroeiro de Lisboa, sendo o dia da sua chegada celebrado na liturgia e em animadas festas populares (15 de Setembro), dia que no século XIX mudou para 16 de Setembro e foi comemorado até recentemente.

Mas como em 1147 D. Afonso Henriques tomou a cidade de Lisboa no dia de São Crispim (25 de Outubro), isso levou a que o declarasse padroeiro da cidade. Esse santo gálio-romano do século IV, por sua profissão de sapateiro, pode ser lido como aquele que calça os pés da humanidade cristã interpretada como sinónima de difusão pastoral da Palavra, que para os cruzados ficava concretizada no acto bélico de conquista da actual capital do país. Contudo, como a devoção a São Vicente estava muito generalizada e fortemente enraizada, sobretudo entre os cristãos moçárabes com sede prelatícia em Santa Maria de Alcamim ou de “Entre-Hortas” (hoje paróquia de São Cristóvão), estes demoveram o rei desse intento e convenceram-no a trazer para Lisboa as relíquias do diácono mártir, que estas existiam enquanto das de São Crispim só restava a memória, ainda assim fazendo-se a procissão a este santo até ao reinado de D. Afonso V. As referências a ele foram aos poucos sendo esquecidas e São Vicente ficou, naturalmente, padroeiro da cidade e da diocese de Lisboa.

Os símbolos hagiográficos e iconográficos de São Vicente transportam-no igualmente, talvez sobretudo, para um Cristianismo heterodoxo, plantado no campo vedado do puro e transcendente Hermetismo, sobretudo os seus predicados de nauta apocalíptico em ignoto Mar dos Mortos ou de Fim do Mundo, onde a barca voga em rumo misterioso que só o sopro do Espírito Santo traça e sabe (cf. Actos, 2:1-11). Existe uma diferença notável entre governar a barca e deixar-se levar por ela: Vicente aparecer como marinheiro converte o santo em condutor e conhecedor dos segredos desse caminho marítimo; Vicente deixar-se passivamente levar equivale a pôr-se nas mãos da Providência em quem depositou a sua confiança. A Providência é a própria Sabedoria do Espírito Santo e o mar incógnito vem assinalar o mare nostrum ou mare internum (representado pelo Mar Mediterrâneo), que os alquimistas medievais e da Renascença associavam ao mercúrio filosófico.

Vir para Lisboa numa barca templária adejada pelos corvos simbólicos atribui à Ordem do Templo a posse e domínio da tradição hermética incarnada no próprio mártir São Vicente, primeiro em lugar arábico, depois em espaço cristão. Aliás, tem-se nos elementos simbólicos do brasão olisiponense a memória sinalética da trasladação das que se consideram ser as relíquias vicentinas do Sacrum Promontorium para Lisbona. Essa trasladação teria sido motivada pelo interesse do próprio D. Afonso Henriques, que quis os santos despojos não numa qualquer e erma caneça (ou al-kanissat, “assembleia de cristãos”), nem sequer no recém-fundado Mosteiro de São Vicente de Fora, dos cónegos regrantes de Santo Agostinho, mas sim e só na digna e cristianíssima sede devocional, a Catedral de Santa Maria Maior, posteriormente destinada a Sé Patriarcal. Quanto aos corvos, esses teriam, segundo a lenda tradicional, acompanhado os despojos sagrados no percurso marítimo do Algarve a Lisboa. O corpo de S. Vicente já antes, logo a seguir ao seu martírio no século iv, teria sido miraculosamente guardado por dois corvos, que transmitiriam essa piedosa função aos seus descendentes.

Os corvos, simbolicamente, são as aves detentoras da Sabedoria Divina que auguram o passado e o futuro, como esses já referidos do deus nórdico Odin, as aves Huginn e Munnin, a memória e o espírito, pousados em seus ombros, grasnando-lhe segredos aos ouvidos sobre o ido e o porvir, tal qual como esses outros do deus lígure Lug, ambos os deuses com semelhanças severas às funções deíficas dessas outras divindades hindustânicas Kuvera e Mahima. Corvi é familiar daquele outro termo latino Corbulo, com o significativo sentido de “portador, mensageiro”, mas também “porteiro” ou “guardião”, como esses que estão à proa e à popa da barca vicentina. Assim, ao corvo, emblema da Sabedoria Divina, ave profética e mensageira dos deuses, totem do deus solar Lug, chama-se na língua lígure Lu e Li, raiz do nome Lisboa ou Ulisibona, esta figurada pela barca da Tradição Primordial, como descreveu Olímpio Gonçalves no seu artigo Lisboa à luz dos seus Arcanos (revista “Graal”, Sintra, Verão/Outono – 1982), e conforme descrevi no meu livro Lisboa Secreta – Capital do Quinto Império, várias editado desde o início dos anos 90 do século passado, cuja última edição data de 2017 (Editora Nova Vega, 2.ª edição, Lisboa, 2017), assinalado ainda no meu Guia de Lisboa Insólita e Secreta (Éditions Jonglez, Versailles, France) datado de 2010, traduzido em várias línguas – a começar pela portuguesa – com sucessivas reedições pela mesma editora.

Com efeito, a barca vicentina, com dois corvos à proa e à popa (como se vê no Chafariz de Andaluz), seria, segundo a lenda, um navio de porte da frota dos templários, com velas gironadas de branco e negro. O conjunto escultórico no referido chafariz apresenta-a com o velame recolhido e o cordame formando dois triângulos entrecruzados, de maneira a formar a estrela de seis pontas ou hexalfa, simbólico do sexto planeta tradicional, na escala teosófica das Rondas e Cadeias: Mercúrio. Mostra-a como barca de navegação costeira (séculos depois alterada heraldicamente em galeão manuelino), mas esta, por via da sua disposição simbólica, converte-se em figura representativa da arca santa contentora da Alma Flamejante Universal (Aktalaya, em védico, donde sairia o termo aportuguesado Atalaia) e, deste modo, também do perfeito equilíbrio do Universo, reflectido por essa pedra de armas na justeza e perfeição da muito antiga e sagrada cidade de Lisboa, cujo entendimento gnoseológico a dá como modelo mítico dessa Terra Santa primordial, o mesmo Paraíso Terrestre de nome indo-europeu Agharta, ou seja, o Éden bíblico representado na mitologia ibérica como Jardim das Hespanhas, Hespérides ou as Plêiades (Mamas ou Krittikas, em sânscrito), em cujo centro está a Macieira dos pomos de ouro sinalética da Sabedoria que ilumina a consciência e separa a noção do Bem da do Mal. É a regra na ordem oposta à desregra da desordem, a utopia imposta à distopia, enfim, a sinarquia à anarquia.

Nos símbolos iconográficos vicentinos também aparece a mó, que, pela sua forma, equivale à roda. Ela é, porém, impossível de mover e fazer girar sem uma iniciação especialíssima que conferirá a força necessária para levar a cabo esse esforço, de maneira a extrair o alimento necessário para nutrir a espiritualidade do adepto das sobrenaturais e herméticas navegações pelo vasto mare nostrum.

Essa iniciação será a Feminina das Águas, do Mar (de Mare, Maris ou Mariz), igualmente chamada em Alquimia de Via dos Navegantes, neste caso vicentino iniciada em Sagres e desfechada em Lisboa, ou seja, indo do Corpo (o Filho, assinalado na geosofia ou geografia sagrada nacional por Sagres) à Alma (a Mãe) da Nação. A água sobre a qual se fez a navegação sobrenatural do mártir e depois o trajecto funerário pelos templários ou tempreiros, na linguagem medieval e renascentista registada por Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo no seu Elucidário de palavras termos e frases que em Portugal antigamente se usaram (1758), os do Templi Coeli  ou “Templo Celeste” (viagem fúnebre equivalendo à putrefacção alquímica simbolizada pelo corvo), nada mais indica senão a Energia Flogística da Mãe-Terra, Mater-Rhea ou Matéria (que os orientais chamam Kundalini, para todo o efeito, o Fogo Criador do Espírito Santo, profundamente relacionado com o líquido  raquidiano  no  corpo  humano), irrompendo de baixo para cima, do cóccix para o coração, até finalmente se projectar para o alto da cabeça, a corona ou, geosoficamente, a Corunha galega que, em 1096, D. Afonso VI de Leão e Castela oferecera ao Conde D. Henrique de Borgonha e Portucale.

Como se sabe, o movimento serpenteante de Kundalini associa-a simbolicamente à serpente, aqui, Ofiússa. A serpente não deixa de estar ligada à lenda hagiográfica dum outro São Vicente, ou talvez o mesmo numa outra lenda: São Vicente de Toledo, que também no ano 304 foi martirizado em Ávila com as suas duas irmãs, Sabina e Cristeta. Os seus restos mortais insepultos passaram a ser guardados por uma enorme e temível serpente, até que um judeu edificou um templo para repouso eterno daqueles: a igreja de S. Vicente de Ávila. Esta piedosa lenda espanhola é toda ela simbólica ou figurativa, a começar por um judeu construir por sua iniciativa própria… uma igreja cristã! Toda ela tresanda a Cabala sefardita ou profética, a genuinamente hispânica, tanto quanto a tradição hagiográfica de Vicente cujos símbolos heterodoxos lhe dão foros de “santidade impossível” ante a estreiteza e rigor da confissão e catequese. Contudo, a absorção do sentido último e supremo de todos esses elementos tanto em entendimento como em prática, podem muito levar à verdadeira realização espiritual tanto o simples de confissão quanto o sábio de mistério, onde um não prescinde do outro tal qual “a palavra não escusa a letra em que se guarda”.

 

OBRAS CONSULTADAS

 

Calendarium Romanum. In quo plurimi festi dies sanctorum secundum consuetudinem Olisiponensis Ecclesie adiecti sunt. Lisboa, 1536.

Dom Rodrigo da Cunha, Historia ecclesiastica da Igreja de Lisboa. Officina Manoel da Sylva, Lisboa, 1642.

João Bautista de Castro, Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo III. Officina Patriarcal de Francisco Luiz Ameno, Lisboa, 1762-1763.

Louis de Lacger, Saint Vincent de Saragosse: Universalité du culte de saint Vincent de Saragosse dès le Ve siècle. In Revue d´histoire de l´Église de France, tome 13, n.º 60, 1927.

Christophe Picard, Sanctuaires et pèlerinages chrétiens en terre musulmane: l´Occident de l´Andalus (Xe-XXe siècle). In Pèlerinages et croisades. Éditions du Comité des travaux historiques et scientifiques, Paris, 1995.

António Linage Conde, San Vicente mártir, lazo peninsular del Mediterráneo al Atlántico. In Actas das II Jornadas Luso-Espanholas de História Medieval, tomo III, pp. 1145-1157. INIC / Centro de História da Universidade do Porto, 1987-1989.

Saul António Gomes, S. Vicente de Lisboa e seus milagres medievais. Edições Didaskalia, Lisboa, 1988.

Isabel Rosa Dias, Culto e memória textual de S. Vicente em Portugal (da Idade Média ao século XVI). Dissertação de Doutoramento apresentada à Universidade do Algarve, Faro, 2003; versão revista, Lisboa, 2011.

Aires Augusto Nascimento, S. Vicente de Lisboa: legendas, milagres e culto litúrgico (testemunhos latinomedievais). Centro de Estudos Clássicos, Lisboa, 2011.

Paulo Farmhouse Alberto, Santos e Milagres na Idade Média em Portugal – São Vicente. Editora Traduvarius, Lisboa, 2012.

 

CRÉDITOS ICONOGRÁFICOS

 

Fig. 1 Diogo de Contreiras, São Vicente, padroeiro de Lisboa (c. 1541). Pintura da antiga colecção particular de D. Ambrósio de Sousa Coutinho que figurou em Exposição na Fundação Calouste Gulbenkian (1971), Lisboa.

Fig. 2 Tomás Giner, São Vicente, diácono e mártir, vencedor da heresia (1462-1466). Museu do Prado, Madrid.