A mais bela jóia jacobeia do Baixo Alentejo é sem dúvida a linda cidade de Santiago do Cacém, desde há séculos ponto obrigatório de paragem na peregrinação desde o Sul de Portugal até de Santiago de Compostela,  na qual residiram duas das mais insignes personagens da História Portuguesa: a Rainha Santa Isabel (Palácio de Aljafería, Saragoça, 4.1.1271 – Castelo de Estremoz, Portugal, 4.7.1336) e Dona Vataça Lascaris, princesa bizantina (Ventimiglia, Ligúria, c. 1270 – Coimbra, 1336).

Cidade moura desde o ano 712, em 1158 a Ordem dos Templários, ajudando o exército de D. Afonso Henriques, conquistou a povoação e o castelo mouro, mas veio a perdê-los em 1185, logo os recuperando no ano seguinte, desta feita com cavaleiros templários e espatários unidos na mesma empresa militar, posto que D. Sancho I oferecera a povoação à Ordem de Santiago em 1186. Assim, ela foi reconquistar o que antecipadamente lhe fora oferecido. Não obstante, entre 1190 e 1191 as forças militares do califa almóada Abu Yusuf Ya´qub Al-Mansur, vindas do Sul, retomaram a cidade. Ela só passaria definitivamente para a posse dos cristãos em 1217, quando a presença muçulmana foi definitivamente derrotada e estes domínios doados por D. Afonso II à Ordem de Santiago, passando os monges-guerreiros a ocupar-se da reconstrução das suas defesas. A partir deste período a povoação passou a ser conhecida pelo nome de todos conhecido: Santiago do Cacém, datando deste período o seu primeiro foral[1].

Em 1217, com a tomada definitiva da cidade aos mouros ou mauritanos, foi o seu primeiro alcaide-mor o célebre almirante Micer Carlos Pessanha. A mesquita local foi convertida em igreja matriz e posta sob o Orago de Santiago Maior, o Matamouros, tendo-a consagrado D. Sueiro, bispo de Lisboa. Tomada de feição cristã graças à intervenção militar, política, social e religiosa da Ordem de Santiago, esta ficaria como sua donatária perpétua[2], contudo não esquecendo aquela a quem devia os louros da vitória: a Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão. Por esta razão, vêem-se nos lados da entrada principal da Matriz dois medalhões com cruzes templárias e no seu topo as Armas da Ordem de Santiago.

Além dos medalhões jacobeos medievais (século XIII) que ornam os lados da escadaria de acesso à Matriz, e do seu pórtico lateral românico-gótico, também dessa época, pouco mais será da Idade Média mas antes do século XVIII (1797), altura em que esta igreja foi reconstruída.

Medalhões jacobeos junto à Matriz de Santiago do Cacém

No seu interior pode admirar-se o painel em alto-relevo de Santiago combatendo os Mouros, e que é o maior relevo retabular gótico do país[3]. Na visitação aqui realizada em 18 de Novembro de 1517 pelo Mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge, duque de Coimbra, a peça é descrita como estando na capela-mor desta Matriz em “hum halltar allto que sobem a elle per onze degraaos”. Com o terramoto de 1755, a igreja sofreu uma inversão total da sua planta, passando a entrada a fazer-se pela antiga capela-mor, doravante transformada em coro alto, sendo este excepcional retábulo recolocado na parede sul do subcoro. Esta peça, cujas características formais a colocam no amplo movimento renovador do primeiro terço do século XIV, integrando-se, com particular felicidade, no processo de revitalização e independência do Mestrado de Leão e Castela do Ramo português da Ordem de Santiago, é obra do escultor Telo Garcia, designado “Mestre do Relevo de Santiago”[4], possivelmente originário do sul do país. Como forma de expressar o sentimento de independência nacional e de que nenhuma Ordem Religiosa e Militar em Portugal deveria depender e prestar vassalagem a alguma matriz estrangeira, terá sido a Rainha Santa Isabel quem encomendou a obra ao artista e a ofereceu à sua aia Dona Vataça Lascaris, também chamada Vatatsa de Ventimiglia, Vetácia Lascaris, Dona Bataça ou Betaça da Grécia, sobre quem devo dizer algumas palavras.

Retábulo gótico em pedra de ançã na igreja matriz de Santiago do Cacém

Quando os latinos, durante a Quarta Cruzada, se apoderaram de Constantinopla e elegeram como imperador Balduíno, conde de Flandres, no ano 1204, a sede do império dividiu-se em alguns reinos independentes, como Trebizonda, Niceia e Adrianopoli. Nesses dois últimos reinaram: Teodoro Lascaris I, filho de Aleixo Ângelo; João Ducas Vatacius, genro do antecedente; Teodoro Lascaris II, pai de Eudóxia Lascaris (1254-1311), mãe da princesa Dona Vataça, e filho de João Ducas e neto do primeiro Teodoro; João Lascaris IV, irmão menor do antecedente, a quem, em 1261, tinha ele 11 anos de idade, Miguel VIII Paleólogo mandou tirar os olhos e usurpou-lhe o trono do império de Niceia, obrigando as princesas a casar com estrangeiros para as afastar do império.

Foi assim que Eudóxia Lascaris, ainda criança, foi desposada em Constantinopla, entre 1261 e 1263, por Guillermo Pedro (1230-1282), 1.º conde de Vintimiglia e Tende, de quem teve três filhas: Beatriz, Yolanda (Violante) e Vataça. Por morte do marido e fugindo da tomada da Sicília – onde então reinava – por Carlos de Anjou, em 1266, Eudóxia refugiou-se com as filhas na corte de Jaime I de Aragão, ele próprio neto da princesa bizantina Eudóxia Komenos. Nesta corte viveram protegidas, possivelmente atendendo ao poder que representavam numa Europa onde esgrimiam os poderes político-sociais Aragão, Sicília e Bizâncio[5].

Jaime I foi sucedido por Pedro III de Aragão, tendo este casado com Constança da Sicília e o primeiro fruto do seu consórcio foi a princesa Isabel, futura rainha e santa de Portugal. Em companhia da princesa Dona Vataça terá chegado a Portugal em 1288, integrada no séquito de Dona Isabel de Aragão por ocasião do seu casamento com o rei D. Dinis. Vataça Lascaris veio como aia, amiga e parente afastada da Rainha Santa Isabel, ambas descendentes por via materna do rei André II da Hungria, pai de Santa Isabel da Hungria[6]. Em Portugal, Dona Vataça casou com D. Martim Anes, dos de Soverosa, como consta das cartas de armas feitas em Lisboa por Paio Peres e Joanne Mendes, tabeliães, em 10 de Julho de 1323, não constando terem deixado descendência[7].

Por seus dotes virtuosos e cultura esmerada, D. Vataça recebeu o novo encargo de tutora da infanta D. Constança, filha de D. Dinis e D. Isabel, e na qualidade de camareira-mor acompanhou em 1302 a infanta a Castela para celebrar o seu casamento com o rei D. Fernando IV, com que se selou o Tratado de Alcanizes. Ali permaneceu até à morte de D. Constança, e de tal modo a sua virtuosa e sábia pessoa impressionou D. Fernando IV que logo lhe confiaria a educação e protecção do seu filho primogénito, o futuro rei Afonso XI de Castela. Já antes e por ter casado com uma princesa de Portugal com tão nobre e distinto carácter, o rei castelhano premiou a sua educadora D. Vataça com a comenda de Vila-lar (Vilar): “Por la buena crianza que ella fizo en la dicha reina D. Constança”, diz Frei Francisco Brandão copiando as palavras da doação.

Quando D. Constança viajou para Ávila, onde as cortes iriam tomar a decisão sobre a tutoria do novo rei, então menor de idade, veio a falecer durante a viagem, em 18 de Novembro de 1313. Logo depois foi retirado a D. Vataça o encargo de educadora do jovem infante D. Afonso, sendo entregue aos cuidados do seu avô D. Sancho IV e dos infantes D. Pedro e D. João.

Sem mais nenhum compromisso que a ligasse a Castela, D. Vataça Lascaris trocou a sua comenda de Vila-lar pela vila e castelo de Santiago do Cacém e Panóias, em Portugal. A troca fez-se mediante proposta da princesa bizantina ao Mestre castelhano da Ordem de Santiago, D. Diogo Moniz, e ao Mestre espatário português, D. Lourenço Anes, cuja assinatura da escritura de troca leva a data 1314.

Quando D. Dinis conseguiu separar os Mestrados e isentar a Ordem de Santiago em Portugal da sujeição à de Castela, o que teve lugar no ano 1315, sendo Mestre D. Lourenço Anes Alcoforado, todas as vilas e comendas do senhorio da Ordem no nosso país ficaram exclusivamente sujeitas ao Mestre português – que pagava a dízima de posse à Coroa – excepto Santiago do Cacém, que só voltou à posse do Mestrado e da Coroa após a morte de D. Vataça Lascaris, como ficara acordado na escritura de troca.

De maneira que, a partir dos finais de 1315, D. Vataça estabeleceu uma pequena corte senhorial no castelo de Santiago do Cacém, que lhe fora doado pelo rei D. Dinis através do Mestre português da Ordem de Santiago, e passou a administrar e valorizar os seus avultados bens e propriedades. Terá vivido aí até cerca de 1335, altura em que seguiu a rainha D. Isabel quando esta se estabeleceu em Coimbra. Veio a falecer nesta cidade a 21 de Abril de 1336 e foi sepultada na Sé Velha, num túmulo decorado com as Armas dos Lascaris, as águias bicéfalas indicadoras de ter pertencido a uma família imperial[8], a do império de Niceia.

Túmulo de D. Vataça Lascaris na Sé Velha de Coimbra

A esta extraordinária princesa bizantina anda associada uma série de lendas e objectos sagrados que terá trazido do Oriente para o Alentejo. A própria lenda de fundação desta cidade alentejana tem-na como sua fundadora original: conta que uma princesa chamada Bataça Lascaris fugiu do Mediterrâneo Oriental, comandando uma aguerrida esquadra por ela mesma armada. A nobre senhora desembarcou em Sines e, à frente das suas tropas, marchou para o Sul indo atacar uma povoação islâmica cujo governador se chamava Kassen. Dando-lhe combate, a princesa derrotou-o e matou-o, tomando-lhe o castelo no dia de Santiago (25 de Julho). Por esta razão, deu à vila o nome de Santiago de Kassen[9]. Esta lenda indicará sobretudo que o senhorio santiaguense de D. Vataça Lascaris terá tido parte activa na consolidação do cristianismo no Sul de Portugal ainda sob forte influência da cultura islâmica, pois que desde 1249 que o Alentejo e o Algarve estavam conquistados aos mouros, reinando D. Afonso III.

Além disso, aludirá igualmente ao Loci Jacobeus que é o próprio castelo de Santiago do Cacém, do qual uma outra lenda diz ter surgido por artes mágicas de uma família moura[10]:

No tempo da ocupação muçulmana era senhor desta região um mouro muito rico que tinha três filhos: dois rapazes e uma rapariga. Muito idoso, sentindo a morte próxima, chamou os filhos e comunicou-lhes o desejo de repartir os seus bens, pedindo-lhes que o fizessem harmoniosamente entre si. Segundo o costume, o rapaz mais velho tomou para si as terras que desejava; o segundo, procedeu do mesmo modo, com a parte restante. Restando ainda vasta extensão de propriedades e riquezas para a jovem, o velho pai pergunta-lhe se ficara satisfeita com a parte que lhe tocara, ao que ela respondeu: – “Sim, meu pai, mas não desejo propriedades. Penso que é mais necessário termos um castelo para a nossa defesa. Para mim desejo apenas o terreno que se possa cobrir com a pele de um boi”. Diante da admiração do pai e dos irmãos, apresentaram-lhe a pelo que pedira, para que pudesse demarcar a parte que reclamara da herança. A jovem fez então cortar a pele em tiras finas, e com elas delimitou o perímetro da área que pretendia. Ao terminar, sucederam-se três dias de forte nevoeiro, ao fim dos quais se dissipou: todos viram então, erguidos por artes mágicas, o castelo de Santiago do Cacém.

Armas da Ordem de Santiago sobre a entrada no castelo de Santiago do Cacém e marco territorial da Ordem de Santiago exposto no Museu Municipal desta cidade

Há na lenda a referência explícita a conhecimentos geomânticos chamados leys na sabedoria tradicional dos antigos, aqui, particularmente entre os sábios templários e espatários. Na Idade Média e durante a Renascença, as leys consistiam em padrões ou alinhamentos de faixas ou linhas invisíveis cuja potência teoriza, demarca e liga entre si determinados espaços sagrados e naturais como lugares mágicos. Hoje essa teoria antiga já perdeu o seu foro de ciência tradicional e é apresentada pelas hodiernas crenças neo-espiritualistas que a popularizam como radiestesia, energia psíquica ou mística, etc.

Na lenda tem-se igualmente a presença do boi, que vem a ser o touro domesticado, o qual é símbolo luni-solar aceite como representação da energia vital e fonte de fertilidade pelos povos antigos, razão pela qual participa, tal como os outros animais cornúpetos, porém representando-os a todos, de todo o tipo de cultos. O taurobólio – vulgarizado nas comuns touradas – vem a ser o sacrifício da Era de Touro, a imolação do deus às mãos do homem que deseja alcançar o seu poder e significado celeste[11], motivo porque se vê na coluna da porta lateral da igreja matriz um touro (a força vital) junto a um relógio de sol (o tempo ou Era).

Tal como a Rainha Santa Isabel, também D. Vataça Lascaris professou nas clarissas coimbrãs da Ordem Terceira de S. Francisco, ambas na fase final das suas vidas, assumindo o hábito religioso como sinal de viuvez indisponível para novos matrimónios, e o fizeram como irmãs leigas e não como perpétuas, por causa dos foros nobiliárquicos possuídos por ambas, inconciliando as suas condições de reais donatárias de tronos com as da contracção perpétua dos votos religiosos do geral monástico, e foi nessa condição de irmã leiga donata ou benfeitora (hoje chamar-se-ia mecenas) que a Rainha D. Isabel teria sido, talvez, a principal promotora da fundação do Hospital do Espírito Santo dos franciscanos de Santiago do Cacém[12].

Dona Vataça trouxe consigo para esta cidade alentejana várias relíquias sagradas, dentre elas a cabeça de São Fabião. Peça única de ourivesaria, trata-se uma cabeça-relicário em tamanho natural, em prata, contendo no seu interior um crânio humano que se diz ser o do papa e mártir São Fabião, vigésimo sumo pontífice romano, de 10 de Janeiro do ano 236 a 20 de Janeiro de 250. Actualmente, esta peça pode ser apreciada na exposição do Tesouro da Basílica Real de Castro Verde.

Há vários elementos empáticos entre as vidas da princesa bizantina e daquele papa. Tal como Dona Vataça também São Fabião ou Fabiano era um irmão leigo que, mesmo assim, foi eleito sucessor do papa Santo Antero após descer do céu uma pomba branca que lhe pousou na cabeça[13], sinal de que era o escolhido do Divino Espírito Santo, do qual tanto ele como esta nobre senhora eram devotos, ambos estrangeiros em terra alheia, ela em Portugal e ele em Roma. A “cabeça santa”, o saudador como também é chamada a relíquia de São Fabião, vem a significar o “Mental Iluminado”, chamado na tradição oriental Manas Taijasi, ou seja, a posse efectiva da Sabedoria Divina pela fé e o entendimento. Este entendimento equivalerá à gnose do Caminho Jacobeo prefigurada numa figura soprando uma cabaça (transposição livre do nome Bataça) no exterior da igreja matriz desta cidade, que além de representar um primitivo instrumento musical, assinalará muito mais o Sopro do Espírito Santo que vai iluminar o Mental Humano.

 

Cabeça de prata de São Fabião (Escola Aragonesa, século XIV)

Além dessa, Dona Vataça trouxe também para o Alentejo outra relíquia: um fragmento do Santo Lenho em que o próprio Salvador fora crucificado. A esse anda ligada a lenda de Nossa Senhora das Salvas de Sines, que assim conta: à vinda para Portugal, o navio que trazia Dona Vataça, sua mãe e irmãs, enfrentou uma violenta tempestade. Prestes a naufragarem, em desespero a princesa rogou o auxílio divino, prometendo construir uma capela no primeiro porto que encontrassem e que o castelo mais próximo ficaria com a relíquia do Santo Lenho que trazia consigo. Todos se salvaram e Dona Vataça cumpriu a promessa: em Sines foi erguida a ermida de Nossa Senhora das Salvas, e o castelo de Santiago do Cacém, cujo domínio viria a ter, ficou com o fragmento da Cruz de Cristo, ofertado por ela à sua igreja-matriz[14].

Historicamente, a princesa bizantina não veio de Aragão para Portugal acompanhada dos seus familiares e nem por via marítima, mas sim terrestre. Poderá muito bem ser alusão ao caminho marítimo para a Galiza, subindo a costa portuguesa desde o Algarve, sendo que nos séculos XIII-XIV o porto de Sines servia de apoio logístico aos peregrinos que iam dessa maneira à catedral de Santiago de Compostela, desembarcando em Vigo ou na Corunha, próxima de Muxia onde está o Santuário da Virgem da Barca.

A respeito da tradição do Santo Lenho trazido por Dona Vataça Lascaris, disse o franciscano erudito e bispo de Beja, Manuel do Cenáculo (Lisboa, 1.3.1724 – Évora, 26.1.1814)[15]: “Era coisa fácil trazer esta infanta da Grécia relíquia preciosa do Santo Lenho, do qual naquele tempo se fazia uso para grandes empenhos, como aconteceu ao rei de Jerusalém, D. João de Brena, dando uma parte da Santa Cruz, com seu filho, em penhor aos venezianos por ter certo o seu socorro e a conservação de Constantinopla. Tendo os soberanos daquele império a Santa Cruz em seu poder, dele se ausentaria Bataça, religiosa e temporalmente favorecida pela boa porção de relíquias que a acompanhava, de que fez mimosa esta matriz[16]. A reclusão das lasquinhas do Santo Lenho em relicário de prata depositado em coluna de pedra que sustentava a mesa ou altar, segundo as maneiras da igreja grega, comprova o que dissemos”.

Essa relíquia (composta de cinco lasquinhas do Santo Lenho) está encerrada num sacrário fechado por três chaves, das quais eram depositários (não sei se ainda são) o prior da Matriz, o juiz da Confraria do Santo Lenho (constituída em 27 de Abril de 1765) e o vereador mais velho da Câmara. Ainda nos inícios do século XX o Santo Lenho saía em procissão a requerimento dos lavradores, por ocasião de preces por falta de água.

O relicário do Santo Lenho de Santiago do Cacém

O culto da Vera Cruz pelas cinco lasquinhas (marcadas nas fachadas da matriz e da igreja do Espírito Santo desta cidade) alusivas às cinco chagas de Cristo, desta feita pela mão dos franciscanos, também eles dispostos estrategicamente ao longo da Grande Rota Jacobeia, não é motivo de admiração, atendendo a que o próprio São Francisco de Assis peregrinou a Santiago de Compostela entre 1213 e o final do ano de 1215, tendo fundado a sua Ordem nessa cidade[17], e também porque toda a espiritualidade ibérica medieval teve por cenário a dinâmica santiaguista de realização da Grande Obra individual e colectiva.

Na mística franciscana, a que andam ligadas as lascas sacras trazidas por Lascaris, tem suma importância o ocorrido em 17 de Setembro de 1224 com São Francisco de Assis no Monte Alverno, quando aí teve a visão de Cristo Crucificado. Dessa visão ficaram-lhe os estigmas, as cinco chagas que o acompanhariam até à morte em 3 de Outubro de 1226.

O espiritual franciscanismo revela-se a fórmula cristã mais patente do primitivo ligurismo cuja essência simbólica seria incorporada pelos antigos peregrinos de Compostela, sendo que os próprios símbolos de São Francisco, no seu significado transcendente, são provas disso: o Agnus Dei (Cordeiro de Deus) e o lobo.

Na transposição linguística do Agnus latino para o Agni sânscrito, discorrem importantíssimas conotações solares ou luminosas através do seu significado: Fogo, este que foi elemento natural tanto do deus solar Lug, como de São Francisco e como ainda de São Tiago Zebedeu. Já o lobo é, no ideário religioso pré-cristão ocidental, o acompanhante do deus Lug e, eventualmente, o seu mensageiro, como o foi de São Francisco. Aparece substituindo o retrato dos construtores livres em alguma iconografia catedralícia do gótico e amansa-se diante dos santos que sabem compreender o seu significado real, como aconteceu com São Francisco. Eventualmente, é substituído pelo cão (companheiro de Santiago Maior) e torna-se o acompanhante e conselheiro dos iniciados no saber e na ciência tradicionais[18].

São Francisco converte-se assim na versão cristianizada do primitivo deus Lug. Aliás, o seu nome, Francisco, possui todos os atributos daquele como incorre da sua origem etimológica[19]. O antropónimo português Francisco procede da forma alatinada Franciscus, a qual se constitui do termo germânico frank e pela partícula ligúrica determinativa da filiação étnica – usku, também fonetizado isku. Este termo ligúrico isku – sobrevivendo em palavras portuguesas como corisco e pedrisco, respectivamente, da raiz pré-indo-europeia kar e da latina petra, “pedra” – está representado no grego isko, com o sentido de “semelhante”. Quanto ao frank provém do grego phruge, em português frígio ou franco, “homem livre”. Portanto, Francisco é etimologicamente igual a “homem liberto da matéria” ou mundanidade, representada na pedra que é o sólido do mundo. Isto sem esquecer que frank e phruge são etnónimos derivados da expressão indo-europeia bharagu, encurtada bhrigus, significando “portador” (bharu) do “fogo” (ugu), logo, o “portador do fogo”, neste caso, Fogo Sagrado (Agni).

Fogo Sagrado assumido tanto na Vera Cruz, pela qual discorreu o ardente Sangue Real do Salvador, quanto na Espada flamejante feita Cruz do Apóstolo Santiago Matamouros, ambas na Matriz santiaguense encostada ao castelo, coroando o topo do monte sobranceiro à cidade que, quiçá, significasse para os franciscanos alentejanos o mesmo que o itálico Alverno para toda a sua Ordem.

Castelo de Santiago do Cacém

Situada praticamente no coração do Baixo Alentejo, a cidade de Santiago deve o acréscimo Cacém aos árabes que durante séculos aí viveram. Chamar-se-ia então Kassen ou Cassem, num arabismo tardio próprio das falas árabes rurais da Estremadura e Andaluzia ibéricas, ficando o árabe erudito cingido às madrasas ou escolas corânicas e aos mullah ou professores do Corão, sendo o termo mais correcto cacéme, “o que divide”, ou qácime, “o que junta”[20], mas que depois, por vulgarização e perda do sentido original, tornou-se sinónimo de “cão” para os guerreiros cristãos da Reconquista, que é dizer, de “perro infiel”.

O topónimo Cacém será aqui sobretudo sinónimo de divisão territorial, separando o centro do extremo sul do país e ao mesmo tempo ponto de confluência geral da peregrinação jacobeia afluindo do sul, mormente da costa vicentina de Sagres subindo por Lagos ficando conhecido como caminho sudoeste. Aos peregrinos do Algarve juntavam-se aí os da Andaluzia, de regiões como Sevilha ou Huelva, que procuravam realizar a rota portuguesa a partir de Faro, donde prosseguia por Loulé, ou então de Lagos, aqui não se descurando a romaria “obrigatória” ao Promontório Sacro (Sagres). Eram caminhos de miracula et potestis do moçarabismo santão.

Penetrando o território alentejano por Odeceixe, a rota da peregrinação prosseguia por São Miguel, na freguesia de São Teutónio, até Odemira, donde partia para Cercal do Alentejo conduzindo directamente a Santiago do Cacém, onde então se podia continuar por dois percursos, um por Melides e outro, o mais frequentado, por Grândola e Alcácer do Sal. Santiago do Cacém constituía-se assim como das mais importantes passagens obrigatórias dos caminhos meridionais de Santiago de Compostela, não lhe faltando o Hospital do Espírito Santo para assistir e dar albergue aos peregrinos necessitados que aí chegavam; só no século XIX, com as Invasões Francesas, decresceu e até se esqueceu a importância da peregrinação jacobeia desde o Algarve.

Segundo José António Falcão, reconhecido estudioso dos caminhos jacobeos desde o Sul de Portugal, autor já com vasta colheita bibliográfica publicada, de que destaco o seu estudo sobre o alto-relevo de Santiago Matamouros na Matriz desta cidade[21], também não é possível ignorar a emigração para aqui de colonos galegos nos séculos XII-XIII, de que sobrevivem provas toponímicas em várias freguesias do concelho de Santiago do Cacém, como, por exemplo, Melides, Abela e Santa Cruz.

Qácime, ponto de encontro comum das rotas arábicas do Sul, igualmente pomo de unidade dos saberes judaico, cristão e árabe, liga-se assim à raiz árabe Qâf com que se designa a “Mansão da Imortalidade”, neste caso, a própria cidade de Santiago do Cacém, tendo por axis municipalis a Matriz, onde as religiões do Livro conviveram harmoniosamente sob o pendão de Santiago Matamouros, que aqui não será exclusivamente o mauritano mas antes e sobretudo a mundanidade, que é o avesso da sacralidade, pois que tanto a Cruzada como a Crescentada tinham sobretudo o sentido místico do cavaleiro dar combate a si mesmo, à sua própria natureza inferior, belicosa, desarmónica. Nisto consiste essencialmente a guerra santa ou “guerra justa”, parafraseando São Bernardo de Claraval, correspondendo à jihad na mística do Islão.

Ao falar de Santiago do Cacém (onde chegou a residir o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, cerca de 1384) não pode deixar-se de referir a pessoa peregrina da Rainha Santa Isabel, por sua grande proximidade com Dona Vataça Lascaris. Quando o rei D. Dinis faleceu, no paço de Santarém, em 7 de Janeiro de 1325, e foi trasladado para o mosteiro das bernardas de Odivelas, onde está sepultado, a real viúva encetou a peregrinação devocional a Santiago de Compostela, acompanhada do médico e alquimista Arnaldo de Vilanova (Valência, 1240 – Génova, 1311), seu mestre ou tutor espiritual, decerto elucidando-a acerca dos significados ocultados das etapas do caminho jacobeo, tendo passado a fronteira por Valença vindos de Barcelos. As cartas trocadas entre a Rainha Santa Isabel e Mestre Arnaldo de Vilanova foram publicadas por Sebastião Antunes Rodrigues[22], e delas transcrevo literalmente o documento n.º 10 (carta n.º 1649 – extra-série) onde a monarca pede ao rei de Aragão que lhe envie Mestre Arnaldo, “nosso físico ⌈médico⌉ e muito bom mestre”.

10

… X … de Dezembro de …

D. Jaime mandara-lhe dizer por D. Raimundo de Monterros que o médico dos Reis de Portugal, Mestre Barnalte, manifestara desejo de ver D. Isabel e, como brevemente iria em peregrinação a Santiago de Compostela, lho mandaria o que a Rainha Santa aceita e agradece.

“Ao muy nobre e muyt´alto Dom Jame pola graça de Deus Rey d´Aragom de Valença de Murça, conde de Barçelona da santa Egleia de [Roma] Sinaleyro Almirante e Capitam geeral.

“Donna Isabel per essa meesma graça Reyna de Portugal e do Algarve Saude [como] a Irmãao que amo muy de coraçom e de quem muyto fio e para quem tanta vida e tanta saude queriamos com onrra e com placer como para mjm. [Rey] Irmãao sabede que Don Remom de Montrros vosso clerigo me disse que me envyavedes vos dizer que Meestre Arnaldo nosso fisico e muy boom maestre e que compria a mjm muyto de me veer e que el avya de vijr em romaria a Santiago e se me prouguesse que mho envyariades. Irmãao gradescovolo muyto e rogovos que mho envyedes e el fa[ra] prol se Deus quisser. E farey lhi por ende bem e. … Dant. … X … dias de Dezembro. A [Reynha o mandou … a fez.]”

No verso: “Al Rey daragon por …”

Sobre a presença da Rainha Santa Isabel em Santiago de Compostela – cuja memória persiste até hoje na Rua da Raiña – tem-se a seguinte descrição histórica[23]:

“Em 1244 havia estado em Compostela o rei de Portugal D. Sancho II[24]. No ano 1325, depois de morrer o rei D. Dinis, a sua viúva, a Rainha Santa Isabel, fez a peregrinação à igreja de Santiago. Segundo o P. Atanasio López, o documento mais autêntico sobre ela é a lenda escrita imediatamente depois da morte da Rainha por uma monja do convento de Santa Clara de Coimbra. Segundo o seu relato, a Santa chegou a Compostela em Julho, e fez o caminho a pé desde uma légua antes de chegar à cidade. A 25, dia da festa de Santiago, ofereceu ao Apóstolo, na missa que dizia o arcebispo, magníficos e numerosos presentes: uma coroa com muitas pedras preciosas, as suas galas de rainha, uma mula com o seu freio, de oro, prata e pedras preciosas, ricos panos lavrados com as Armas de Portugal e de Aragão, taças e ornamentos sagrados, fazendo também grandes donativos e esmolas. O arcebispo ofereceu-lhe um bordão e esportilha [sacola], com os quais foi enterrada ao morrer, e que se encontraram no seu sepulcro ao abri-lo em 1612. Diz-se ainda, baseando-se na Crónica Del-Rei D. Afonso o Quarto, escrita por Rui de Pina nos finais do século XV, que Santa Isabel esteve outra vez em Compostela em 1335, para ganhar o Jubileo[25].”

A Rainha Santa Isabel peregrina chegando à catedral de Santiago de Compostela

Tão incógnita entrou a Rainha Santa Isabel na cidade, da primeira vez, que passou despercebida. Só depois o arcebispo de Compostela saberia da sua chegada, apressando-se a oferecer-lhe hospedagem nos seus aposentos. O lugar onde a rainha se terá instalado inicialmente é descrito nas páginas 388-389 do segundo tomo da obra citada de Las Peregrinaciones a Santiago de Compostela:

“Sobre a fonte do Franco existiu outro hospital chamado da Rainha, segundo o parecer de certa tradição que afirma ter estado hospedada nele Santa Isabel de Portugal, por motivo da sua peregrinação[26]. Desconhecemos a data da sua instituição, que talvez poderá corresponder ao período medieval.”

A fonte do Franco está intrinsecamente ligada à Lenda Áurea, pois foi junto a ela que pararam finalmente os touros amansados puxando o carro com o corpo do Apóstolo São Tiago, e ficou assim determinado que a arca marmórea seria feita neste lugar de Libere Donum, hoje Santiago de Compostela. De maneira que a estadia da Rainha Santa aqui também se reveste de simbolismos e significados deveras transcendentes, sobretudo relacionados à trasladação do corpo santo defunto e que se repete na trasladação da rainha viva e regenerada nas águas na fonte santa do Franco.

Túmulo gótico da Rainha Santa Isabel no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, Coimbra

Durante a abertura do túmulo da Rainha Santa, peça funerária gótica ricamente trabalhada que está no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, ocorrida em 1612 com o objectivo de proceder à recolha de provas para a sua canonização, repousava junto do seu corpo, diz-se que incorrupto, o bordão de peregrina a Santiago de Compostela, oferecido em 1325 pelo décimo quinto arcebispo compostelano (1317-1330) e que também era trovador, o francês Bérengar de Landor, mais conhecido como Berengário de Landoria ou Landoira (1262-1330). Essa peça foi colocada, no século XVII, num receptáculo de prata, em forma de balaústre, encontrando-se à guarda da Irmandade da Rainha Santa Isabel.

O bordão de peregrina jacobeia da Rainha Santa Isabel está descrito na página 127 do primeiro tomo de Las Peregrinaciones a Santiago de Compostela:

“Havia bordões de diferentes classes e alguns luxuosos, como o que ofereceu o arcebispo de Santiago à Rainha Santa Isabel de Portugal, quando esteve em Compostela em peregrinação, e com ele foi enterrada mais tarde. Foi encontrado ao abrir o seu túmulo em 1612, e segundo a acta que então se lavrou, media seis palmos e meio de altura, estava recoberto de lâminas de latão dourado e lavrado com conchas de Santiago, rematando numa muleta de jaspe vermelho, que se sujeitava ao bordão com uns fiadores de latão prateado[27].”

Bordão jacobeo da Rainha Santa Isabel

Regresso assim ao tema central deste estudo: Santiago de Compostela – Santiago do Cacém, opostos complementares da rota jacobeia portuguesa aqui aflorados e pelo peregrino a serem aprofundados, vivendo as palavras invocatórias do Hino da Liturgia das Horas pronunciadas aquando do festejo da Rainha Santa Isabel de Portugal: “Caminhai à nossa frente, e, como Guia, indicai-nos o Caminho da Salvação”.

Invocação da Santa Rainha que também se dirige ao Santo Apóstolo Tiago Maior, acompanhada em sussurro da Oração do Peregrino que hoje se reza nas partes da cristandade jacobeia:

Apóstolo Santiago, eleito entre os primeiros, tu foste o primeiro a beber do cálice do Senhor, e és o grande protector dos peregrinos; faz-nos fortes na fé e alegres na esperança, em nosso caminhar de peregrinos, seguindo o caminho da vida cristã, e alenta-nos para que, finalmente, alcancemos a glória de Deus Pai. Amém.

 

NOTAS

 

[1] Júlio Gil e Augusto Cabrita, Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal. Lisboa, 1986.

[2] No Livro dos Copos (fol. 53), no artigo 10.º, diz-se dos espatários portugueses que “eles haviam fundado Sant´Iago do Cacém”. Esta obra, escrita no século XIV, juntamente com as Tábuas Ferradas faz parte do núcleo especial medieval da documentação comprovativa do espólio móvel e imóvel da Ordem Religiosa e Militar de Santiago.

[3] A Ordem de Santiago – História e Arte. Catálogo da Exposição “O Castelo e a Ordem de Santiago na História de Palmela”, organização e promoção da Câmara Municipal de Palmela, Divisão Sociocultural, Julho 1990.

[4] Fernando António Baptista Pereira e José António Falcão, O Alto-Relevo Gótico de Santiago aos Mouros da Igreja Matriz de Santiago do Cacém. In Anais da Real Sociedade Arqueológica Lusitana, II Série, n.º 3, 1989.

[5] Joaquin Miret y Sans, Tres princesas griegas en la corte de Jaime II de Aragon. In Revue hispanique, n.º 15, 1906.

[6] Padre António de Macedo e Silva, Annaes do Municipio de Sanct-Yago de Cassem desde Remotas Eras até ao Anno de 1853, Beja, 1866. Do mesmo autor, Annaes do Municipio de Sant´Iago de Cacem, Lisboa, 1869.

[7] Frei Francisco Brandão, Monarquia Lusitana, Parte V, Lisboa, 1650.

[8] Francisco de Simas Alves de Azevedo, A Águia Bicéfala Bizantina em Portugal. Separata da Revista da Universidade de Coimbra, volume XXXVII, ano 1992.

[9] Júlio Gil e Augusto Cabrita, ob. cit.

[10] Litoral Alentejano, Suplemento de Dezembro de 1998.

[11] Juan G. Atienza, Santoral Diabólico. Ediciones Martínez Roca, S. A., Barcelona, 1988.

[12] Manuel João da Silva, Toponímia das Ruas de Santiago do Cacém – Breve História, 1.ª edição. Câmara Municipal de Santiago do Cacém, 1992.

[13] Jorge Campos Tavares, Dicionário de Santos. Lello & Irmão Editores, Porto, 1990.

[14] José António Ferreira de Almeida, Santiago do Cacém – Tesouros Artísticos de Portugal. Lisboa, 1976.

[15] Manuel do Cenáculo, Visita a Santiago de Cacem. Livro próprio no Arquivo da Matriz desta cidade.

[16] A relíquia de São Romão, junto a Panóias, diz-se ter sido igualmente trazida por D. Vataça, donatária daquela vila. E a igreja das Salvas, em Sines, já citada, também terá a sua origem nesta princesa bizantina, apesar de se atribuir a sua construção ao grande almirante D. Vasco da Gama, possuído de uma grande devoção por Vataça Lascaris que morreu em cheiro de santidade e passou a figurar no hagiológio lusitano.

[17] “São Francisco, “al principio e cominciamento dell´Ordine, per sua divozione andó a San Giacomo di Galizia”, estando em oração durante a noite na igreja de Santiago, foi-lhe revelado por Deus o incremento maravilhoso que a sua Ordem devia tomar.” – E. M. de Beaulieu, Le voyage de St. François en Espagne, em Etudes franciscaines, Abril de 1906.

[18] Juan G. Atienza, ob. cit.

[19] Batalha Gouveia, A Origem dos Nomes – Francisco. Jornal do Incrível, n.º 203, 4 de Outubro de 1983.

[20] Mário Guedes Real, Toponímia Árabe da Estremadura. In Revista Estremadura, Lisboa, 1945.

[21] José António Falcão, O Alto-Relevo de Santiago combatendo os Mouros da Igreja Matriz de Santiago do Cacém. Beja – Santiago do Cacém, Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja – Câmara Municipal de Santiago do Cacém, 2001.

[22] Sebastião Antunes Rodrigues, Rainha Santa – cartas inéditas e outros documentos. Coimbra Editora, Limitada, 1958.

[23] Luis Vázquez de Parga, Jose M.ª Lacarra, Juan Uría Riu, Las Peregrinaciones a Santiago de Compostela, tomo I, pág. 80. Madrid, 1948.

[24] López Ferreiro, Historia, tomo V, pág. 378.

[25] Atanasio López, Santa Isabel de Portugal en Compostela. In El Correo Gallego, 25-10-1943.

[26] Zapedano diz que se fundou numa casa da rua do mesmo nome que havia junto à fonte e que tinha nove camas, este último dado constando na visita do cardeal Hoyo (Arch. Arzobispal, leg. 496, folio 52 v.). A sua renda era de uma carga de centeio, sendo admitidos os enfermos por designação do cardeal da paróquia, segundo constava da visita arcebispal. B. Barreiro (Guía, pág. 14, núm. 28) limita-se a advertir que se falava sobre a fonte do Franco e que o nome devia-se, segundo se dizia, a ter estado hospedada nele Santa Isabel de Portugal quando veio em peregrinação a Santiago.

[27] Ribeiro de Vasconcelos, Dona Isabel de Aragão (A Rainha Santa), tomo II, página 113 e seguintes. Coimbra, 1804.

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