CONSULTA DA REFORMAÇÃO DA ORDEM DE CRISTO

 

Consulta da Reformação da Ordem de Cristo.

1589 – Dezembro, 13, Tomar.

Biblioteca Nacional, códice 13216.

Publicado: António Maria Falcão Pestana de Vasconcelos, A Ordem Militar de Cristo na baixa Idade Média. Espiritualidade, Normativa e Prática, in Militarium Ordinum Anacleta, n.º 2, pp. 63-93.

(Versão actualizada por VMA)

 

Consulta da Reformação da Ordem de Cristo
(fl. 1)
Título I
Da fundação & criação da Ordem de Nosso Senhor, Jesus Cristo

 

Na cidade sancta de Jerusalém, no ano do Senhor de mil e noventa e seis (Francisco de Rades, na Crónica de Calatrava, f. 3, col. 4) foi instituída a Ordem militar dos cavaleiros templários, confirmou-a o papa Honório Segundo no ano de mil cento e vinte e quatro, e deu-lhes por hábito mantos brancos: Eugénio Terceiro, no ano de mil cento e quarenta e cinco, lhes concedeu que sobre eles trouxessem Cruz vermelha, na feição quase semelhante à dos cavaleiros de São João. Foi o intento desta cavalaria guardar o Santo Sepulcro, e os mais lugares da Terra Santa; por cuja defensão, e das pessoas, que os visitavam faziam guerra de contínuo, contra os Infiéis, havendo deles grandes vitórias. Foi situada a Casa desta Ordem no lugar do Templo de Jerusalém, que estes cavaleiros escolheram para sua principal habitação, e por isso teve esta Ordem nome dos cavaleiros do Templo de Salomão. Cresceu o número, e foram tantos os que entraram nela, de todas as partes da Cristandade, e tão grandes as doações, que todos os Reis cristãos, em seus reinos lhe fizeram, que em pouco tempo, tiveram, e adquiriram por todos eles, muitas rendas, e muitos privilégios, assim dos Santos Padres no espiritual, como dos Reis no temporal. (fl. 1v) Com esta ocasião, se derramaram por todas as partes da Cristandade, assim do Oriente, como do Ocidente, e por estes reinos de Portugal, onde já residiam, quando El-Rei D. Afonso Henriques, primeiro Rei deles, conquistou os Mouros, que o ocupavam, e com sua ajuda e esforço, os lançou fora deles: pelo que, fez a esta Ordem dos templários grandes doações, e concedeu grandes privilégios, sendo Mestre D. Gualdim Pais, depois de vir da Casa de Jerusalém, natural de Braga, criado do dito senhor.

A principal Casa que tinham neste reino, era Santa Maria do Olival, na vila de Tomar, e o castelo dela edificado pelo mestre sobredito, além d’outras casas, castelos, e bailiados que tinham por outras partes deles. Mas todos davam a obediência, e recorriam ao mestre, que residia em Jerusalém, o qual, porque os que governavam cá por estas e outras partes, se chamavam também mestres tinha título de Grã[o] Mestre. Sendo depois destruída a cidade santa [d]e Jerusalém, e as mais cidades da província de Síria, no ano do Senhor de mil duzentos e noventa, se perderam também nela o mestre, e cavaleiros desta Milícia do Templo, e alguns, que ficaram se recolheram por as províncias da Cristandade, nas casas e fazendas da Ordem: e assim o fizeram neste reino, nas partes onde nele tinham suas fazendas e principalmente na vila de Tomar onde em Santa Maria do Olival estão enterrados a maior parte dos mestres (fl. 2) que nesta Ordem houve nestes reinos. Perseverou assim a Ordem dos templários até o ano de mil trezentos e onze, quase duzentos e catorze anos depois de seu princípio, tempo em que era Papa Clemente o Quinto: no qual, no concílio Vienense, que se celebrou no dito ano de mil trezentos e onze e mil trezentos e doze, foi extinta, e de todo acabada a Ordem dos templários authoritate apostolica reinando nestes reinos El-Rei D. Dinis sexto Rei deles.

E porque todos os bens, e rendas, que esta Ordem do Templo tinha ficaram pelo mesmo concílio Vienense reservados à disposição da Santa Sé apostólica, parecendo (no livro da 1 parte, fl. 18, p. 2) a El-Rei D. Fernando o Quarto de Castela, e a El-Rei D. Dinis de Portugal; que o Papa os desse para fora dos seus reinos, mandaram por seus procuradores requerer no dito concílio, que os bens, que dos templários ficavam nestes reinos, e nos de Castela, se não desse, nem alienassem para fora deles, alegando para isto justas causas. Pelas quais, quando o Papa fez doação d’alguns bens dos templários à Ordem de São João de Jerusalém, e seu Hospital, logo exceptuou, e reservou os bens, que nestes reinos de Portugal havia, e nos de Castela, limitando certo termo peremptório aos Reis sobreditos, dentro do qual por seus procuradores mandassem diante dele justificar as causas que alegavam.

Mandou El-Rei D. Dinis seus procuradores ao Papa (fl. 2v) que já neste tempo era (Prima parte, fls. 56 e 57, pte. 2) João Vigésimo Segundo imediato sucessor de Clemente Quinto: e foi eleito Papa no ano de mil trezentos e dezasseis. E entre outras muitas coisas que justificaram, foram as graves injúrias, grandes, e multiplicados males, que os infiéis inimigos da Cruz de Jesus Cristo faziam de contínuo nas partes deste reino, vizinhas às do Algarve, que tinham ocupadas; que com as rendas e bens que ficaram dos templários, sendo para isso aplicadas podiam ter remédio com grandes esperanças do grande acrescentamento da santa Fé católica. E por que a vila de Castro Marim está na fronteira donde os inimigos residiam, e o sítio dela era acomodado para se fortificar, foi da parte d’el Rei D. Dinis, por os procuradores sobreditos informado o Papa, que nela se podiam assentar, e fundar uma nova e santa religião militar; cujos cavaleiros e professores, deixadas as vaidades do mundo, e incitados com zelo da verdadeira Fé, não somente resistiriam às injúrias dos inimigos infiéis, mas ainda os lançariam fora, e recuperariam as outras partes, que por eles estavam tiranicamente ocupadas: e para isto ofereceram ao Papa da parte d’el Rei D. Dinis a dita vila de Castro Marim, com todas suas rendas e jurisdição, mero, e misto Império. E como a petição era tão justa, e o remédio tão necessário, o Papa João Vigésimo Segundo, em Avinhão, em catorze dias do mês de Março, no terceiro ano de seu pontificado, que foi o ano do Senhor de mil trezentos e dezanove (fl. 3) a pedimento del Rei D. Dinis, instituiu (pela bula no livro da 1 pte, fl. 56) e fundou authoritatem apostolica, esta nova Ordem militar para honra de Deus, exaltação da Fé católica, amparo dos Cristãos, abatimento, e opressão dos infiéis: e quis que se nomeasse para sempre Ordem da Milícia de Nosso Senhor Jesus Cristo: e que a Casa principal dela fosse em Castro Marim, e lhe uniu a igreja paroquial daquela vila com todos seus direitos. E mandou que como em própria Ordem professassem os cavaleiros dela as observâncias regulares da Regra e Ordem de Calatrava, e gozassem de todos os privilégios, liberdades, e indulgências concedidas a seus mestres e cavaleiros. E por este respeito lhe deu por primeiro mestre D. Gil Martins porque era cavaleiro professo, e mestre na Ordem de São Bento de Avis, e por superior e visitador o abade de Alcobaça da Ordem de Cister, por serem as mesmas de Calatrava.

E logo lhe concedeu, doou, uniu, incorporou, e para sempre aplicou as vilas de Castelo Branco, Langroiva, Tomar, Almourol, e todos os outros castelos, fortalezas, bens móveis, e de raiz todos em geral, e em particular, assim eclesiásticas, como seculares, direitos, e também jurisdições, mero, e misto Império, honras, homens, vassalos, com as igrejas, capelas, e oratórios, e seus direitos, termos, e todas suas pertenças, que ficaram (fl. 3v) da Ordem do Templo nestes reinos de Portugal, e dos Algarves, assim e da maneira que os templários as tinham e lhes pertenciam, com as declarações seguintes:

Item. Que o abade de Alcobaça, ou seu logotente receba do Mestre desta Ordem em nome do Papa e Igreja Romana o juramento de fidelidade, na forma, que se declaram na bula desta fundação ibi forma vero, e que o envie à Sé apostólica (não tem hoje pela mudança que houve depois de haver o convento de Tomar).

Item. Que o mestre faça outro juramento aos reis destes reinos de Portugal, perante eles, antes que comecem de administrar o mestrado na mesma bula onde diz videlicet quod ipse magister: e que o Rei seja obrigado a receber o dito juramento dentro de dez dias, depois que por o mestre lho for oferecido, o não lho recebendo, se possa o mestre ir sem mais licença d’el rei e administrar seu ofício de mestre.

Item. Que o mesmo juramento pela mesma maneira façam os comendadores inferiores do mestre dentro do mesmo termo (fl. 4) quando novamente vierem a suas preceptorias na mesma bula onde diz: inferiores quoque.

Item. Que o mestre e comendador-mor desta Ordem, e os outros comendadores nestes reinos venham à corte d’el Rei, e sejam obrigados a fazer a todos os reis destes reinos tudo o que a Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, que nestes reinos de Portugal, e do Algarve há, lhes costuma fazer; e que fiquem aos Reis todos os direitos, e servias na Ordem desta cavalaria de Jesus Cristo, que os Reis passados costumavam haver da dita Ordem do Hospital até àquele tempo na dita bula onde diz volumus autem.

Item. Que por morte do mestre, ou vagando o mestrado por qualquer outra maneira, os freires dela, segundo o costume da Ordem de Calatrava elegiam uma pessoa expressamente professa nela, em seu mestre, o qual sem outra confirmação, seja logo ouvido por confirmado authoritate apostolica. E que quando o mestrado estiver vago, seja a Ordem administrada pelos que forem deputados para isso, segundo os costumes e observâncias da Ordem de Calatrava, que manda se guardem na mesma bula onde diz statuimus praeteria.(fl. 4v).

 

Título II

Das cousas que hoje estão mudadas das declaradas

Na bula de fundação desta Ordem

 

[…]

Neste modo e debaixo da Regra da Ordem de Calatrava procedeu esta Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo até o ano de 1449 em que o Bispo de Viseu João, que primeiro o fora de Lamego, por comissão do Papa Eugénio 4 à instância do Infante D. Henrique, filho Del Rei D. João o Primeiro, que então era administrador dela a reformou e fez nova regra, e novas definições das (fol. 7) quais e doutras que depois fez em capítulo geral El Rei D. Manuel no ano de 1503 se usou até agora. E porque logo depois do dito capítulo feito no dito ano de 1503 se duvidou por o dito senhor Rei, cavaleiros e freires desta Ordem se guardando as ditas definições, ficavam desobrigados de cumprir e guardar as observâncias regulares da Ordem de Calatrava, por haver nisto escrúpulos de consciência, o Papa Júlio 2 [1 pte, fol. 155, pág. 2, maxime; fol. 162 vs cum aut sicut] a pedimento do dito senhor no ano de 1502 confirmou as definições e estatutos feitos pelo Bispo de Viseu.

 

Título XXX

Dos Visitadores

 

Pela definição no cap. 37 está ordenado, que em capítulo geral às mais vozes (sic) de três em três anos sejam eleitas duas pessoas da Ordem para visitadores – sendo – um cavaleiro e um vigário, ou freire, e quando se não fizesse capítulo ao terceiro ano, então faria o mestre ou governador por si só estes visitadores, e tomará acerca disto o parecer dalguns cavaleiros que em sua casa estiverem (pareceu que este parecer deve ser dos definidores) e que [os] visitadores sejam tementes a Deus, e instruídos na regra, definições, e costumes da Ordem e hajam juramento de bem e fielmente fazerem seu ofício. E que visitem todos os castelos, vilas, muros, torres, pontes, casas e todos outros lugares das comendas e igrejas segundo o regimento que lhes foi dado pelos definidores do capítulo ou pelo mestre quando ele somente os fizer. E assim visitarão todas as propriedades e possessões da Ordem (para o que pareceu que os comendadores sejam obrigados a lhes mostrar os tombos de suas comendas; e os inventários das cousas delas, conforme ao que se contém no título 27 e 28 na 2 parte) e mandaram reedificar, lavrar, e reparar tudo o que for necessário, assim como nesta definição se contém, e que dêem conta no capítulo de sua visitação, trazendo a ele as visitações. A qual lhe poderá também tomar o mestre, ou governador (fl. 44v) (e pareceu que lhe deve tomar com os oficiais e definidores da Ordem) onde, e quando lhe parecer. E que os ordenados de seu trabalho se lhes declarem, ao tempo que forem mandados a visitar, segundo a qualidade de suas pessoas, à custa da mesa mestral, quando visitarem as cousas dela. E à custa das comendas,  ou doutras cousas dadas a cavaleiros da Ordem, posto que comendas não sejam, porque sempre serão pagos [a]os visitadores as custas dos que as possuírem e tiverem. Pareceu que esta definição se deve assim cumprir como nela se contém, com as declarações sobreditas. E os visitadores não pousem com os comendadores quando os houverem de visitar.

Esta Ordem deve sempre ser visitada por pessoas da mesma Ordem, e assim o manda a definição sobredita que posto que Sua Majestade tem faculdade pessoal para mandar visitar as três Ordens militares por as pessoas que lhe parecer, ainda que não sejam regulares das mesmas Ordens, e sejam seculares por uma bula de Gregório XIII do ano de (15)83 pareceu que achando-se pessoas idóneas das mesmas Ordens [s]e devem visitar por elas e não por outras. Na mesma bula de Gregório XIII se contém que possa Sua Majestade particularmente fazer estes visitadores fora de capítulo o que também diz a definição sobredita.

 

Título XXXII

Das dignidades desta Ordem

 

Depois do Mestre, a primeira e principal dignidade que há nesta Ordem é o D. Prior do Convento de Tomar, há qual é anexa de sua natureza a cura geral de todas as pessoas da ordem como fica dito no título XI e neste lugar depois do Mestre a põem a definição antiga no capítulo 52.

A segunda dignidade é o Comendador mor pela definição da ordem no capítulo 53. No princípio desta Ordem tinha o Comendador mor a administração dos bens do Convento, e punha em arrecadação suas rendas, e mandava entregar ao celeireiro o que era ordenado para o Convento, e o celeireiro provia ao Comendador mor de comer, e beber, e a quinze homens seus, e de cevada para seus bestas. E além deste mantimento tinha 1900 libras. No tempo que os cavaleiros não tinham privilégio para poder testar, pertenciam ao Comendador mor as armas e cavalo[s] dos cavaleiros que morriam pela definição da regra no capítulo 18 o que agora já não é, porque cada um pode dispor em vida  (fol. 46) e por sua morte do que tem livremente, como fica dito no título 5 e assim foi determinado na Ordem de Avis. E ao Comendador mor pertence levar (assim era na Ordem de Avis nas definições fol. 27 1 col.) o estoque diante do Mestre na procissão do capítulo geral.

A terceira dignidade é a do Claveiro pela definição do capítulo 54 [ou só 5]. A cujo ofício pertencem ter as três chaves: e pertencerá ao Claveiro a roupa de vestir, e cama dos cavaleiros quando morriam pelo definição da regra no dito capítulo 18 o que já hoje não [tem] lugar, porque pode cada um dispor do que [tem] livremente como dito é.

A esta dignidade foi antigamente anexa a comenda d’Arredinha e a comenda de 100$000 da Mina, como se vê da definição no capítulo 54.

Depois El Rei D. Sebastião impetrou do Papa Pio 4 (no livro das comendas fl. 192) pelo ofício da penitenciária, que apartasse as ditas comendas d’Arredinha e Mina da dita dignidade de Claveiro, e que os cem mil reais da Mina se tornassem a casa da Mina para a mesa mestral e na Arredinha pudesse erigir tantas preceptorias, quantas lhe parecesse, como consta da bula, que se passou no ano de 1560. Agora pareceu que as ditas comendas de Arredinha e Mina devem ser restituídas à Clavaria por ser dignidade principal e assim que se deve cumprir a dita definição do capítulo 54. E lembrou-se que se devia saber o que importam as rendas que agora tem a Clavaria, e as (fol. 46v) que tinha antigamente, para conforme a isso fazer Sua Majestade o que for mais seu serviço.

O ofício de Sacristão é havido em algumas Ordens militares por dignidade, é ofício honrado que anda em religiosos, e a que pertencem ter cargo das cousas oferecidas ao culto divino, assim como o tem nas igrejas seculares o Tesoureiro mor. Os sobreditos precedem no[s] assentos e lugares a todos os outros comendadores e cavaleiros como se contém no título seguinte.

 

Título XXXIII

Da precedência entre os cavaleiros desta Ordem

 

Nesta Ordem as dignidades sobreditas no título 5 (anterior?) próximo, precedem sempre nos autos da Ordem nos lugares, e assentos a todos os outros cavaleiros, e comendadores, ainda que nela mais antigos sejam, por esta maneira que o D. Prior do Convento irá e estará à parte direita do Mestre, e logo após ele o Sacristão, e freires clérigos, e o Comendador mor à parte esquerda, com o Claveiro, comendadores, cavaleiros, e não estando no dito ajuntamento o D. Prior estará à parte direita o Comendador mor e o Claveiro à esquerda, e daí em diante cada um por sua antiguidade e anciania, o que entre si devem sempre guardar: e o escrivão da matrícula terá cuidado de dar a cada um o lugar que lhe couber. Na procissão que se há-de fazer no princípio do capítulo geral irá (fol. 47) o D. Prior à parte direita do Mestre, e após ele o Sacristão, freires, e priores, por suas antiguidades como é dito: e à parte esquerda o Claveiro e os comendadores, e cavaleiros. E o Mestre no couce da procissão, e diante dele o Comendador mor com o estoque, e após ele o alferes com a bandeira, e por esta maneira se fará nas mais procissões que se fizerem por bem da Ordem, em que houverem de ir as ditas insígnias magistrais.

Os definidores desta Ordem em um dos apontamentos pedem a Sua Majestade haja por bem mandar que em qualquer auto para que forem chamados os comendadores e cavaleiros precedam os comendadores sempre aos cavaleiros que não têm comendas, ainda que sejam mais antigos, guardando os comendadores entre si, e assim os cavaleiros suas ancianias. E pareceu que se devia reservar este particular para o capítulo geral onde podem ser ouvidos os cavaleiros, para o que se lembra, que na Ordem de Calatrava assim está recebido por definição expressa que os comendadores precedam sempre aos cavaleiros.

E porque está ordenado que o hábito desta Ordem se deve sempre receber no Convento de Tomar, como fica dito no título 19 e para que haja efeito, deve o que nele o recebe ter mais alguma preeminência, que aqueles que o tomam fora do dito Convento, ainda que [s]eja por mandado de Sua Majestade como sempre deve ser. Pareceu que quando dois ou mais tomarem o hábito em um dia, um no Convento e outro fora dele, seja sempre preferido na Ordem aquele que recebeu o hábito no Convento a[o] que recebeu fora dele. Os cavaleiros desta Ordem, que foi lançado o hábito dela sem tença, não têm privilégio algum da Ordem, como se declara no título 2 da quarta parte pelo que pareceu que ainda que sejam nela mais anciãos, e antigos que os outros, a que foi lançado com tença não devem entrar em capítulo.

E porque os actos, e ajuntamentos desta Ordem, para que podem ser chamados cavaleiros, e comendadores se podem muitas vezes fazer fora do Convento, nesta cidade ou em outros lugares onde Sua Majestade mandar como governador e administrador dela, e será necessário saber-se da matrícula a ancianidade de cada um, segundo a qual deve preceder no lugar e assento, da qual por estar no Convento de Tomar, se não pode ter cá fácil notícia, parece que na Igreja da Conceição desta cidade haja sempre o treslado dela para se poder por ele saber o sobredito quando cumprir.

 

A REGRA E DEFINIÇÕES DA ORDEM E MESTRADO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

A Regra e Definições da Ordem e Mestrado de Nosso Senhor Jesus Cristo.

1503 – Dezembro, 8, Tomar.

Arquivo Nacional Torre do Tombo, Série Preta, n.º 1393.

Publicado: António Maria Falcão Pestana de Vasconcelos, A Ordem Militar de Cristo na baixa Idade Média. Espiritualidade, Normativa e Prática, in Militarium Ordinum Anacleta, n.º 2, pp. 63-93.

(Versão actualizada por VMA)

 

A Regra e Definições da Ordem e Mestrado de Nosso Senhor Jesus Cristo

 

(…)

Capítulo IX, da eleição do mestre novo

Item. Ordenamos e mandamos que há eleição do mestre se faça como o comendador mor e dom prior e sacristão e claveiro e com nove cavaleiros os mais anciãos que na ordem houver que àquele tempo da eleição poderem ser presentes. E há forma da eleição seja segundo [a] forma de direito canónico e segundo as constituições da ordem assim acerca da pessoa: como modo e forma da dita eleição.

(…)

Capítulo XII, da cura das almas que a Dom prior e ao vigário pertencem

Item. Aprovamos que o vigário que tem cura das almas assim em Tomar e seus termos e em Santiago de Santarém e em outros lugares onde se sua jurisdição estende e isso mesmo da cura prior do convento e das outras pessoas da ordem que por costume absolviam de todos os casos pontificais e ainda dos outros papais não achamos que ao papa a nenhum remetesse: nem achamos expressa autoridade porque se assim fizesse: porém por tolher dúvida e escrúpulo de consciência que em tais casos e muitas partes poderia vir. Por autoridade apostólica declaramos e mandamos que o prior em seu convento e pessoas religiosas: e seus familiares sobre que antigamente teve e tem jurisdição espiritual. E isso mesmo o dito vigário a seus súbditos e pessoas assim eclesiásticas como seculares a que se sua jurisdição estende tenham e tenha prior e vigário aquela autoridade nos casos pontificais que cada um bispo tem em sua diocese, os quais por si ou pelos seus comissários possam fazer e exercitar. E o prior possa para si eleger confessor. E por autoridade apostólica nós lhe havemos por cometidos os casos assim agora como então para o que houver de absolver. E o dito prior por essa mesma ordenamos e estabelecemos que possa dar autoridade ao vigário que para si possa eleger confessor e o possa absolver dos casos sobreditos. E por semelhante guisa possa fazer ao mestre quando o confirmar ou lho requerer.

Capítulo XIII, da jurisdição e liberdades do vigário

Item. Outorgamos e mandamos por autoridade apostólica que o vigário de Tomar use da sua jurisdição direitos e liberdades como sempre usou e teve de costume e como sempre os outros usaram.

Capítulo XIII, como hão-de [re]partir os bens das pessoas da ordem

(…) Estabelecemos por autoridade apostólica que todas as pessoas da ordem assim mestre ou governador ou prior ou comendador mor ou claveiro ou quaisquer outros cavaleiros ou freires ou conventuais ou serventes da dita ordem. Que derem ou pagarem para as obras e ornamentos do convento a metade das rendas que agora igualmente rendem um ano as suas comendas e rendas que têm ou lhes depois forem acrescentadas pela ordem que eles possam fazer de todo o móvel que tiverem até à hora da morte o que lhes prouver livremente. (…)

Seguem-se as definições do capítulo que el Rei nosso senhor governador do mestrado de Nosso Senhor Jesus Cristo fez no convento da vila de Tomar no mês de Dezembro de ano de mil quinhentos e três

(…)

Capítulo II, dos sacerdotes que não forem donários que uma vez na semana digam missa, e os que não são de missa comunguem seis vezes no ano

Além disto os sacerdotes que não forem donários das missas conventuais, uma vez na semana celebrem e digam missa, sob pena de serem privados da ração do vinho. E os que não são de missa as festas abaixo declaradas devotamente confessados receberam a santa comunhão a missa conventual, a saber, por Natal, e primeiro Domingo da Quaresma, dia de Páscoa, Pentecoste, Santa Maria d’Agosto, e dia de Todos os Santos. E os jejuns e silêncio e todas as outras cerimónias de todo sejam guardadas segundo os antigos costumes da dita ordem e nossa regra o manda. E aqueles que disto forem trespassadores asperamente sejam castigados por Dom prior.

Capítulo IV, das obrigações das missas e ofícios que tem dom prior

Item. Porque não achamos em definição nem em estatuto alguma obrigação que dom prior tem das missas que há-de dizer, e ofícios que há[-de] fazer. Conformando-nos com os usos antigos, porque em nosso tempo se saiba, declaramos por essa nossa decisão que o dito dom prior é obrigado de dizer as missas e fazer os ofícios abaixo declarados, a saber,

Terá sua semana como cada um dos outros freires do convento.

Item. Véspera de Natal dirá a missa.

Item. Ao dia de Natal dirá a missa.

Item. Na festa dos Reis dirá a missa.

Item. Dia da Purificação o ofício das candeias, e dirá a missa e alevantará a custódia na procissão. No die Beata Virgo.

Item. Dia de Ramos fará o ofício da bênção deles, e na procissão alevantará a custódia. Ingrediente domino, e dirá a missa.

Item. Quinta feira e sexta e Sábado da semana maior fará todos os ofícios e dirá as missas.

Item. Ao Sábado véspera de Páscoa benzerá o fogo.

Item. Dia de Páscoa dirá a missa.

Item. Dia da Ascensão dirá a missa, e na procissão alevantará a custódia. O Rex Glorie.

Item. Véspera de Pentecoste dirá a missa.

Item. [N]O Dia de Pentecoste dirá a missa.

Item. Dia da Trindade dirá a missa.

Item. Dia de Corpus Christi dirá a missa.

Item. Dia de São João Baptista dirá a missa.

Item. São Pedro e São Paulo dirá as missas d’ambas estas festas.

Item. Dia de São Bento dirá a missa.

Item. Todas as festas de Nossa Senhora dirá as missas.

Item. Vésperas d’Ascensão de Nossa Senhora, e da Nascença dirá as missas.

Item. Há-de benzer os noviços.

Item. Há-de dizer a missa pelo finado presente e fazer todos os outros ofícios.

Item. Há-de levantar todas as custódias da Ma[g]nificat, e Benedictus das festas principais do ano e das festas de Nossa Senhora, e assim as vésperas como nos dias, e todas as demais do Natal, Páscoa, e Pentecoste e dias das doze lições.

E mais além de tudo isto satisfará todas as outras obrigações declaradas nos usos. E estas coisas aqui declaradas não lhas ordenamos ora novamente somente por acharmos que pelos usos e antigos costumes todos os dom priores são a elas obrigados. E mandamos do dito dom prior que tudo assim cumpra e satisfaça por si ressalvando quando tal impedimento ou necessidade extrema tiver para o não puder fazer, porque então o satisfará por quem seu carrego tiver. E porém não sendo de infirmidade pagar-lhes as missas que[m] assim por ele disser.

(…)

Capítulo XIX, dos freires clérigos

Item. O que houver de entrar na ordem para ser freire clérigo, deve de entrar por autoridade de dom prior e outorgamento e mandado do mestre e seja sisudo e tal que em seu ofício faça serviço a Deus e à ordem, e não seja aleijado nem torvado da vista nem da fala nem adorado de tal dor por que seja impedido para não puder servir a ordem em sacerdote.

(…)

Capítulo XXIII, que os freires não saiam fora da cerca do convento sem licença de dom prior

Item. Outrossim porque nenhuma coisa em tanto grau é inimiga ao religioso como andar fora da crausta [claustro] vagando. Estreitamente defendemos por esta definição que nenhum freire não seja ousado de sair fora da cerca do dito convento sem licença de dom prior ou daquele que em seu lugar estiver, quando por ventura ele no convento não for ou que por outra alguma causa está impedido, isso mesmo não seja dada a nenhum licença sem justa causa e se algum sem licença do dito dom prior ou quem seu lugar tiver o fizer seja punido e castigado segundo alvitre do dito dom prior. E assim mesmo quanto ao tempo limitado por ele os tais não vierem indo com sua licença.

Capítulo XXVI, de como dom prior proverá dos benefícios da ordem de que ele pode prover

Item. Porque é coisa justa que os benefícios deste convento de que dom prior pode prover aos freires da ordem sejam dados em capítulo por eleição do dito prior e freires, porque fazendo-se em outra maneira seria coisa muito desordenada. Definimos ordenamos e mandamos que daqui em diante o provimento dos ditos benefícios se faça por eleição do dito dom prior e freires professos em capítulo na maneira que se segue, a saber, o dito dom prior chamará a cabido, e juntos nele todos os freires professos do dito convento, dirá como são ali juntos para ser provido do benefício tal que é vago. E primeiro que outra alguma coisa acerca disto se faça se elegerem as mais vozes dois freires do dito convento para com o dito dom prior ajam de tomar as vozes de todo o cabido. E eleitos estes dois assim às mais vozes ser-lhes a dado juramento por dom prior que bem e verdadeiramente tomem as ditas vozes. E feito assim serão por dom prior e por eles tomadas as vozes de todo o capítulo, as quais logo ali serão vistas e examinadas e aqueles que as mais vozes saírem serão providos do tal benefício e lhes mandará dom prior dar suas cartas e provisões do seu provimento na forma acostumada e que por direito se deve fazer. E nesta maneira se cumprirá e não em outra, e se dom prior d´outra maneira prover algum d´algum benefício. Definimos e mandamos que o tal provimento fique nenhum e de nenhuma força e ficará pelo mesmo caso devoluto ao mestre ou governador para dele prouver de novo qual lhes mais prouver sem mais em tempo algum o dito dom prior poder dele prover.

Capítulo XXX, da eleição do mestre e do modo em que se fará

Item. Por quanto à eleição do novo mestre deve ser feita e ordenada em tal perfeição e modo que se faça segundo Deus e como a ordem possa ser melhor regida e governada a bem e proveito dos cavaleiros e pessoas dela, conformando-nos nisso com as antigas definições e estatutos. Definimos e ordenamos que daqui em diante para em todos os tempos se guarde esta maneira na eleição do mestre.

Primeiramente tanto que o mestre ou governador for falecido, o comendador mor até ser elegido mestre tenha a governança do dito mestrado, e o sacristão do convento tenha o estoque e a bandeira e o selo do mestre, e [o] dom prior do convento fará logo chamar por suas cartas a capítulo geral ao dito convento e não a outro lugar o comendador mor e craveiro e sacristão e todos os comendadores cavaleiros vigários e freires da dita ordem fazendo-lhes saber como assim o mestre ou governador é falecido, e assinando-lhe dia certo a que todos sejam por si em pessoa no dito convento o qual não passe de até dez dias do dia em que o mestre falecer. (…) E sendo assim todos juntos com o dito dom prior, comendador mor, craveiro, sacristão, no dito convento o dito dom prior dirá missa do Espírito Santo (…) E todos assentados no dito cabido e o intróito e verso de Emitte Spiritum Tuum acabado o dito dom prior encomendará que todos muito devotamente se encomendem ao Espírito Santo que alumie seus corações para ali ser elegido mestre qual for mais serviço a Deus e bem da ordem. E dito assim por ele dará o dito dom prior juramento dos Santos Evangelhos ao dito comendador mor craveiro comendadores cavaleiros vigários e freires que no dito convento estiverem que verdadeiramente e sem afeição elejam nove cavaleiros da dita ordem tementes a Deus e de sãs consciências e que bem e verdadeiramente façam a eleição do dito mestre com ele dito dom prior comendador mor craveiro sacristão com que são treze que há dita eleição hão-de fazer. (…) E então feito assim se apartam todos treze para darem as vozes da eleição do dito mestre sem um mais se ver nem falar com o outro, no que o dito dom prior terá grande avisamento para assim se fazer, e cada um dos sobreditos assim apartado dará sua voz ao dito dom prior em escrito cerrado e selado nesta maneira (…).

Capítulo XXXII, da maneira que se terá com o mestre falecido

Item. Quando acontecer de morrer o mestre ter-se a esta maneira, a saber, Dom prior do convento depois que o mestre for falecido o fará enterrar com aquela honra que for acordada com os comendadores e freires que então aí estiverem a custa da despesa do mestrado se o mestre não fizer testamento e se o fizer segundo forma da bula do papa Alexandre oitavo que fala acerca da maneira de testar o mestre e pessoas da ordem seu testamenteiro tenha cargo de fazer seu enterramento (…).

Capítulo XXXIII, da maneira em que se fará dom prior do convento

Item. O prior da casa há de ser freire da dita ordem qual ao mestre bem visto for e que saiba os costumes e regra da ordem e homem discreto e sisudo e conhecido por bom e é lhe cometida a cura das almas e poder de legar e absolver e o regimento do espiritual em todo o lugar sobre as pessoas da ordem.

Item. A Dom prior pertence a cura de todas as almas dos cavaleiros e comendadores e freires no espiritual em todo lugar e assim mesmo dos freires, e somente a obediência reverencial pertence ao mestre.

Capítulo XXXV – De como se há-de fazer vigário

Item. Quando vagar a vigairia de Tomar há-de ser elegido o que houver de ser vigário pelo mestre e convento e apresentá-lo-ão a dom prior. E ele dito dom prior tem poder de o confirmar segundo compridamente é contido na bula do Bonifácio nono e o que houver de ser elegido para vigário há-de ser primeiro professo da ordem e o dito dom prior lhe cometa a cura do povo.

Capítulo LII, do acrescentamento de dom prior

Item. Porque [o] principal ofício e dignidade de nossa ordem depois do mestre é dom prior do convento dela e com razão por sua dignidade deve ser acrescentado em honra e bem. E porque Nosso Senhor para isso tem tanto e cada dia mais ajuda[do] a nossa ordem e ao acrescentamento das rendas dela. Definimos e ordenamos por louvor de Deus e bem da dita nossa ordem e mais acrescentamento do dito dom prior que dom prior que ora é e assim todos os outros dom priores que pelos tempos do dito convento forem tenham e ajam e lhe fique para sempre anexado com o dito priorado tudo o que agora tem, dom prior reservando a igreja de Santiago de Santarém que por ser priorado não [pode] com direito a ser suprimido para sempre. E outorgamos e definimos mais que os cinquenta mil reais que dom prior agora tem de tença em cada um ano na mesa mestral apartadamente de fora da renda de seu priorado contando os dez mil reais que já eram dados ao dito priorado lhe fiquem assim para sempre anexados e dados em préstimo com toda a outra mais renda que tem o dito priorado na maneira que dito é de maneira que com ela tenha e aja em sua vida tudo o que tem e depois de seu falecimento o aja assim mesmo quem aceder ao priorado e assim todos os outros que depois dele vierem.

Capítulo LV, do acrescentamento do vigário

Item. Do vigário de nossa ordem e ofício dela muito honrado e principal e segundo sua jurisdição poderes e autoridade que tem. Deve sempre andar em pessoas honradas e de literatura e tais que nas coisas de nossa ordem proveja e entenda assim como por serviço de Deus e bem dela deve fazer e é ofício de muito contínuo trabalho assim no temporal como no espiritual no que sua jurisdição se estende. Este achamos que não tem da ordem tanto como com razão parece que deve ser pelos respeitos que ditos são. E porque seja acrescentado e receba benefício do que Nosso Senhor nela acrescenta e cada dia mais esperamos com sua ajuda. Definimos e ordenamos que sejam anexados à dita vigairia além da renda que agora tem quarenta mil reais de tença em cada um ano para todo sempre os quais lhe sejam assentados na vintena das coisas da Índia. E começará a vencê-los o vigário que ora é de Janeiro que vem do ano de [mil] quinhentos e quatro em diante e por seu falecimento todos os outros vigários que pelos tempos forem com outra mais renda que até ora teve e é ordenada a vigairia.

 

RITUAL DE ARMAÇÃO NA ORDEM DE CRISTO

 

Formulario de Oraçoens, e Cerimonias para se armarem Cavalleiros, e se lançarem os habitos das Ordens, e Milicias de Nosso Senhor Jesus Christo, S. Tiago da Espada, S. Bento de Aviz, e S. Joaõ de Malta. Dado à luz por Antonio Joze Xavier Monteiro, Cavaleiro Professo na Ordem de S. Tiago, e Tenente Secretário do Segundo Regimento do Porto. Porto: Na Oficina de João Agathon. Ano 1798. Com licença da Mesa do Desembargo do Paço.

(Versão actualizada por VMA)

 

ORDEM DE CRISTO

I

Como se deve armar o Cavaleiro

Quando se houver de armar algum Cavaleiro, o que se faz em uma Igreja, se porá ao lado esquerdo do Altar Mor um bufete coberto de seda, e em cima dele as Armas, que são: espada, murrião, e umas esporas de prata. A este acto assistem três Cavaleiros, um dos quais serve de Padrinho, que deve ser da mesma Ordem, e todos vestidos com o Manto branco; assistindo igualmente um Freire Clérigo, e na sua falta outro qualquer Sacerdote constituído em dignidade Eclesiástica, para fazer as bênçãos do estilo. E estando assim tudo preparado, se apresentará o novo Cavaleiro de joelhos defronte do Altar Mor, e um dos Cavaleiros assistentes trará a espada desembainhada em cima de um prato grande, e posto ao lado do Sacerdote, este paramentado principiará na forma seguinte.

Bênção da Espada

V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.

R. Qui fecit Coelum, & terram.

V. Domine exaudi orationem meam.

R. Et clamor meus ad te veniat.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremos

Exaudi quaesumus, Domine, preces nostras, & hunc ensem, quo hic samulus tuus circumcingi desiderat, majestatis tuae dextra dignare bene X dicere, quatenus esse possit defensor  Ecclesiarum, viduarum, orfanorum, omniumque Deo servientium, contra saevitiam Paganorum, aliisque fibi insidiantibus fit terror, & formido, praestans ei, quae in persecutionis, & defensionis fint effectum Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Benedic Domine Sancte Pater Omnipotens aeterne Deus, per invocationem sancti tui nominis, & per adventum Christi Filii tui Domine nostri, per donum Spiritus Sancti Paracliti hunc enfem, ut hic famulus tuus, qui hodierna die, eo, tua concedente pietate, praecingitur, invisibiles inimicos sub pedibus conculcet, victoriaque per omnia potitus maneat semper illaesus.

E logo lançará água benta sobre a espada.

Acabada a bênção da mesma, o Padrinho tomará a espada, e a embainhará, e a cingirá ao afilhado, e depois de a ter cingida, dirá o Sacerdote o seguinte.

Bênção das Armas

V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.

R. Qui fecit Coelum, & terram.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremos

Signaculum, & benedictio Dei Omnipotentis Patris X†, & Filii †, & Spiritus † Sancti descendat super haec arma, & super induentem, cum quibus ad tuendam justitiam induatur. Rogamus te Domine Deus, ut illum protegas, & defendas. Qui vivis, & regnas Deus per omnia saecula saeculorum. Amen.

Oremos

Deus Omnipotens, in cujus manu victoria plena consistit, quique etiam David ad expugnandum rebellem Goliam vires mirabiles tribuisti, clementiam tuam humili prece deposcimus, ut haec arma almifica pietate bene †dicere digneris, & concede famulo tuo eadem gestare cupienti, ut ad munimen, ac defensionem Sanctae Matris Ecclesiae, pupillorum, & viduarum, contra invisibilium hostium impugnationem, ipsis libere, & victoriose utatur. Per Dominum nostrum Jesum Christum. Amen.

E lançará água benta sobre as armas, dizendo depois o seguinte.

Benedictus Dominus Deus meus, qui docet manus meas ad praelium, & digitos meos ad bellum.

Misericordia mea, & refugium meum susceptor meus, & liberator meus.

Protector meus, & in ipso speravi, qui subdit populum meum sub me.

Gloria Patri, &c.

V. Salvuni fac servum tuum Domine.

R. Deus meus sperantem in te.

V. Esto ei Domine turris fortitudinis.

R. À facie inimici.

V. Domine exaudi orationem meam.

R. El clamor meus ad te veniat.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremos

Domine Sancte Pater Omnipotens Deus, cuncta solus ordinans, & recte disponens, qui ad coercendam malitiam reproborum, & tuendam justitiam usum gladii in terris hominibus tua salubri dispositione permisisti, quique per Beatum Joannem Baptistam militibus ad se in deserto venientibus, ut neminem concuterent, sed propriis stipendiis contenti essent, dici fecisti, clementiam tuam, Domine, suppliciter exoramus, ut sicut David puero tuo Goliam superandi largitus es facultatem, & Judam Machabaecum de feritate gentium nomen tuum non invocantium triumphare fecisti; ita ec huic famulo tuo, qui noviter jugo militiae colla supponit, pietat Coelesti, vires, fortitudinem, ac fidei, & justitiae defensionem tribuas, & praestes fidei, spei, & charitatis augmentum, & tui timorem pariter, & amorem, humilitatem, perseverantiam, obedientiam, & patientiam bonam, & cuncta in eo recte disponas, ut neminem cum gladio isto, vel alio injuste laeda, & omnia cum eo justa recte defendat; & sicut ipse de minori statu ad novum miles promoventur honorem, ita veterem hominem deponens cum actibus suis, novum induat hominem, ut recte retineat, & recte colat, perfidorum confortitia vitet, & suam proximis charitatem expendat. Praeposito suo in omnibus obediat, & suum in civitate justum officium exequatur. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Dito isto, o Padrinho tomará o murrião, e o porá na cabeça do afilhado, e os dois Cavaleiros assistentes lhe calçarão as esporas, cada um a sua; e o mesmo Padrinho tirando logo a espada da bainha ao novo Cavaleiro, lhe pergunta: Quereis ser Cavaleiro? Responde: Sim. Pergunta-lhe mais: Se promete de guardar tudo o que os Cavaleiros são obrigados a guardar, segundo a Ordem da Cavalaria? Responde: Sim. E logo o Padrinho lhe dará um golpe no murrião com a espada, dizendo: Deus vos faça bom Cavaleiro.

E o Sacerdote dirá então: Esto miles pacificus, strenuus, fidelis, & Deo devotus.

O Padrinho lhe tornará a meter a espada na bainha, e o Sacerdote tomando-o pela mão, lhe diz: Exciteris à somno malitiae, & vigila in Fide Christi, & fama laudabili.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremos

Omnipotens sempiterne Deus, super hunc famulum tuum N. qui hoc eminenti mucrone circumcingi desiderat, gratiam tuae bene † dictionis infunde, & eum dextarae tuae virtute fretum, fac contra cuncta adversantia coelestibus armare pnefidiis, ut nullis in hoc saeculo tempestatibus bellorum turbetur. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Acabada a Oração, o Padrinho tirará o murrião da cabeça ao afilhado, e os dois Cavaleiros assistentes lhe tirarão as esporas, e ele mesmo descingirá a espada da cinta; depois abraça a estes, e aos mais assistentes.

II

Como se deve lançar o Hábito

Concluído o dito acto, o Sacerdote revestido de capa de Asperges, se assentará em uma cadeira de braços ao lado do Altar Mor, e vindo o novo Cavaleiro acompanhado dos Padrinhos, se ajoelhará aos pés daquele, que lhe diz: Que é o que demandais? Responde: A misericórdia de Deus e ajuda desta Santa Ordem. Então o Sacerdote o mandará levantar, e lhe diz depois o seguinte.

“Antigamente como os Cavaleiros desta Ordem viviam em Comunidade, como nas outras Religiões, faziam-lhe, como nelas se costuma, muitas perguntas, e exames, antes de lhe lançarem o Hábito, para verem se tinham algum impedimento, ou enfermidade, com que pudessem ser pesados, ou prejudicar aos outros; e assim lhe perguntavam algumas cousas acerca da Fé, e liberdade de suas pessoas, que para aqueles tempos eram necessárias, e para o de agora usadas; pois o estado, e modo de viver se mudou em a Ordem, nem se recebe pessoa alguma a ela, senão conhecida, e aprovada pelo Mestre que é S. Majestade, e o hão-de ser seus Sucessores, e por isso somente vos farei três perguntas, a que é necessário me respondais.

“Primeiramente se vindes confessado, e comungado, como devem fazer os que novamente houverem de entrar na Ordem, para que recebam o Hábito dela em estado de graça? Responda: Que sim.

“Secundariamente vos pergunto, se tendes feito voto de entrar em outra Religião mais apertada, que esta; porque posto que tendo feito tal voto, entrando, e fazendo Profissão nesta, possais licitamente ficar nela, e conforme a Direito fiqueis absoluto do voto simples, que de antes fizestes, e que fique derrogado com fazer voto solene desta Ordem, seria pecado mortal se quebrantasses o tal voto, ao que esta Religião não há-de dar consentimento, nem favor; e por isso vos pergunto se tendes feito o tal voto? Responderá a verdade.

“Outrossim vos pergunto, se tendes feito algum voto de serviço temporal, como é ir a Jerusalém, ou a Roma, ou a S. Tiago, ou a outros semelhantes lugares; porque ainda que fiqueis desobrigado de todos eles, fazendo Profissão nesta Ordem, que é voto solene, e perpétuo, se todavia os quiseres cumprir, há-de ser com licença do Mestre, sem a qual não podeis daqui por diante sair do Reino; e para efeito somente de saberdes isto, vos faço esta pergunta?” Responderá a verdade.

E respondendo o novo Cavaleiro, que não tem impedimento algum, dirá o que lhe lançar o Hábito o seguinte.

“Ora pois, que pela bondade de Nosso Senhor não tendes impedimento algum, pelo qual não possais entrar nesta Ordem, antes que recebais o Hábito, vos quero declarar as asperezas, e obrigações dela, para que saibais a mudança, que haveis de fazer em vosso estado, e vida, e vejais se vos atreveis a isto.

“Primeiramente haveis de saber, que entrando nesta Religião, e fazendo nela Profissão, ficais obrigado aos três votos substanciais, que são: Obediência, Pobreza, e Castidade, em esta maneira:

“Pelo voto da Obediência renunciais vossa própria vontade, e entregais ao Mestre da Ordem, que é S. Majestade, ao qual, em lugar de Cristo nosso Senhor, pondes sobre vossa cabeça, para lhe obedecer em tudo em que vos mandar, sendo cousa lícita, e honesta, o que é mui dificultoso de cumprir; porque a cousa que o homem mais estima, é a liberdade, a qual perde, fazendo este voto de Obediência, porque muitas vezes quereis descansar, e repousar, e mandar-vos-ão trabalhar, encomendando-vos negócios do serviço de Deus, e da Ordem, e ocupando-vos naquele santo exercício das armas, e guerra, em defensão da nossa santa Fé Católica, para que ela principalmente foi estabelecida; mas quanto este voto é mais dificultoso de cumprir, tanto é de maior merecimento diante de Deus, quando por seu amor os homens se esforçam a guardá-lo inteiramente.

“O segundo voto, que é da Pobreza, não se guarda já como antigamente, quando os Cavaleiros desta Ordem viviam em Comunidade; porque então tudo era da Ordem em comum, e nenhuma cousa própria. Agora sendo já mudado o modo de viver nela, dispensou o Santo Padre Alexandre VI com os Cavaleiros, e Freires da Ordem, que pagando para a fábrica, e obras do Convento os três quartos do que rendem em um ano as Comendas, Tenças, ou Benefícios, que da Ordem tiverem, em dois anos, possam ter próprios, e testar de todos os bens, assim dos que dantes tinham, como dos que depois adquiriram com as rendas da Ordem, e morrendo ab intestato, lhes sucedem seus herdeiros, assim como se Religiosos não fossem; e não querendo pagar os ditos três quartos, não gozam da dita graça, mas ficam sujeitos aos antigos Estatutos da Ordem: porém S. Majestade tem provido como todos paguem, sem haver nisso falta.

“No terceiro voto, que é Castidade, também se dispensou, para que os Cavaleiros desta Ordem pudessem casar, e usar de legítimo Matrimónio, o que antigamente não havia, mas eram obrigados a guardar Castidade, como os outros Religiosos; porém pela dita dispensação não haveis de entender, que vos fica levantado de todo o voto de continência, porque não foi dispensado em mais, que para usar de legítimo Matrimónio. Donde se segue, que se o Cavaleiro desta Ordem, fora de legítimo Matrimónio, deixar de guardar continência, além de pecar como Cristão, pelo preceito Divino, que quebranta, quebranta também o voto, como verdadeiro Religioso, que é; e assim comete em um acto dois pecados, que necessariamente se devem declarar na Confissão. Isto é quanto aos votos.

“As mais obrigações, que vos ficam daqui por diante, segundo a Regra, e Estatutos da Ordem, são as seguintes.

“Primeiramente haveis de trazer de contínuo o Bentinho da Ordem; porque esse é o principal Hábito dela: e assim haveis de trazer sempre em todos os vossos vestidos de fora a Cruz, de maneira que nunca sejais visto sem ela.

“Haveis de rezar cada dia as Horas de N. Senhora, e no fim das Matinas a Antífona, Verso, e Oração da Cruz, e um Pater Noster, e Ave Maria.

“Haveis-vos de confessar quatro vezes no ano, e comungar por Natal, Páscoa, Espírito Santo, e dia da Exaltação da Cruz em Setembro, o que fareis no Convento, se nele vos achardes, e estando fora, podereis eleger Confessor secular, ou Regular.

“Haveis de jejuar todas as sextas feiras de cada semana. Tendo Comenda, sois obrigado a mandar dizer cada ano pelos Freires, e Cavaleiros, que falecerem da Ordem, quatro Missas; e tendo somente Tença, duas Missas.

“Haveis de ter vestido o Manto da Ordem nos dias de N. Senhor, e de N. Senhora aos Ofícios Divinos.

“Sois obrigado a fazer Profissão, logo que receberdes o Hábito, sob pena que o não fazendo, e tendo Comenda, ou Tença, ficareis privado dela ipso jure.

“Quando passardes pela Vila de Tomar, ireis fazer Oração à Igreja do Convento desta Ordem, e tomar a bênção ao D. Prior.

“Haveis de ter sempre o livro da Regra, e Definições desta Ordem, para que saibais as obrigações, que dela haveis de guardar, que guardareis todos os dias da vossa vida.

“Vindes com vontade, e propósito de guardar, e cumprir estas cousas por serviço de Deus, e salvação de vossa alma?”

Responderá o Cavaleiro: Sim. E logo o que lhe lançar o Hábito, dirá: Eu em nome de Sua Majestade, como Governadora, e perpétua Administradora desta Ordem, cujas vezes, e poderes para isso tenho, vos recebo a ela.

E pondo-se o Cavaleiro de joelhos, dirá o Sacerdote o seguinte: Qui incaepit in te Deus, ipse perficiat.

Tomará depois o Bentinho, e lance-lho, e sobre ele o Manto branco com a Cruz de Noviço, dizendo: Induat te Deus novum hominem, qui secundum Deum creatus est in justitia, & sanctitate veritatis. Amen.

E levantando-se em pé o Sacerdote dirá voltado para o Altar o seguinte.

V. Salvum fac servum tuum.

R. Deus meus sperantem in te.

V. Esto ei Domini turris fortitudinis.

R. À facie inimici.

V. Nihil proficiat inimicus in eo.

R. Et filius iniquitatis non apponat nocere ei.

V. Mitte ei Domine auxilium de Sancto.

R. Et de Sion tuere eum.

V. Domine exaudi orationem meam.

R. Et clamor meus ad te veniat.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremos

Praesta, Domine, famulo tuo renuntianti saecularibus pompis, gratiae tuae aperiri, qui despecto diabulo confugit sub titulum Christi: jube eum venientem ad te, fereno vulto suscipi, ne de eo valeat inimicus triumphare: tribue ei brachium infatigabile auxilii tui; & mentem ejus fidei loricâ circumda, ut pericula cuncta, & diaboli tentamenta se gaudeat evasisse. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.

Acabada a Oração, lança-lhe água benta, e o abraça, e depois se assenta; e o Cavaleiro lhe beija a mão; feito isto, o Sacerdote o manda levantar, e lançando-lhe a bênção, diz o seguinte.

“Até aqui éreis Cavaleiro secular, mas agora sois Cavaleiro da Ordem, e Milícia de N. Senhor Jesus Cristo. Quanto subistes a maior grau, e dignidade, tanto ficais obrigado a mais perfeição de virtude; porque crescendo as mercês da parte de N. Senhor, crescem da vossa as obrigações para o servir, e indigno se faz de receber outras maiores aquele, que das recebidas se mostra ingrato, e por isso a deveis fazer daqui por diante na vida, e costumes. Se até aqui éreis muito zeloso das cousas da nossa Santa Fé Católica, daqui por diante o deveis de ser muito mais; e sendo necessário por defensão dela pôr a vida, vós haveis de ser dos primeiros, que o façais, porque para este efeito foi esta Ordem principalmente instituída. E se até aqui éreis inclinado ao amparo dos órfãos, e das viúvas, a fazer esmolas, e a cumprir as obras de misericórdia, daqui por diante o deveis de ser muito mais, para que a todos sejais exemplo de virtude, e santidade, e conheçam das obras serdes dos verdadeiros Cavaleiros de Cristo, e mereçais por elas receber a sua graça, a qual lhas faça aceitas, e dignas da vida eterna, que ele vos conceda, e a todos os fiéis Cristãos por sua infinita misericórdia. Amen.”

E lhe lança a bênção.

III

Como se deve fazer a Profissão

Em o Sacerdote acabando de dizer o que fica dito, o Noviço se porá de joelhos, e o mesmo lhe pergunta: Que é o que demandais? Responde: Estabelecimento, e firmeza de nossa santa Ordem.

Diz o que recebe a Profissão: “Vós, Irmão, fostes recebido a esta Ordem de N. Senhor Jesus Cristo, e tendes notícia dela, e a que vos obriga, assim como também a mesma Ordem a tem havido de nós, de vossa vida, e costumes; mas ainda estais livre, e sem nenhuma obrigação da Ordem, e a podeis deixar livremente, se vos aprouver, e tornar-vos ao estado secular, e também a Ordem vos pode deixar. E se quereis ser Freire Cavaleiro, e fazer Profissão, para ficardes para sempre nela, sem poderdes tornar ao estado secular, eu em nome da Rainha Nossa Senhora, Governadora, e perpétua Administradora desta Ordem, cujas vezes, e poderes para isso tenho, e os Irmãos Freires dela, por vos conhecermos por bom, e tal, que podeis bem servir a Deus, e à Ordem vos recebemos a ela por Irmão Freire Cavaleiro, e aceitaremos vossa Profissão”.

Responde o Noviço: Praz-me ser Freire cavaleiro desta Ordem de N. Senhor Jesus Cristo, que tenho provada, e com sua ajuda, e favor quero nela fazer Profissão.

É posto o Bentinho, e Manto em cima de um prato grande de prata, o benzerá o Sacerdote na forma seguinte.

Bênção do Bentinho, e Manto

V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.

R. Qui fecit Coelum, & terram.

V. Sit nomen Domini benedictum.

R. Ex hoc nunc, & usque in saeculum.

V. Domine exaudi orationem meam.

R. Et clamor meus ad te veniat.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremos

Domine Jesu Christi, qui tegmen nostrae mortalitatis induere dignatus es, obsecramus tuae immensae largitatis abundantiam, ut hoc genus vestimenti, quod Sancti Patres ad innocentiae, & humilitatis indicium abrenunciantibus saeculo serre sanxerunt, tu ita bene † dicere digneris, ut hic famulus tuus, qui hoc usus suerit, induere mereatur. Qui vivis, & regnas in saecula saeculorum. † Amen.

O Sacerdote lançará água benta sobre o Bentinho, Manto, Cruz, e Hábito do Professo, e o que lhe receber a Profissão, lhe tomará as mãos entre as suas, tendo a Carta da sua Profissão diante, e a lerá clara, e distintamente, a qual é do teor seguinte.

“Eu Fr. N. Cavaleiro Professo da Ordem de N. Senhor Jesus Cristo, faço profissão a Deus, e a vós Fulano em nome da Rainha N. Senhora, como Governadora, e perpétua Administradora da dita Ordem, cuja pessoa por sua comissão representais de obediência, castidade conjugal, e pobreza, conforme aos Estatutos desta Ordem até a minha morte, a Sua Majestade, e a todos os Mestres, e Governadores, que ao diante em minha vida canonicamente à dita Ordem vierem; e prometo de viver, e morrer nela, guardando inteiramente seus Estatutos, e Definições, por cuja fé, e testemunho, fiz, e assinei esta Carta de minha mão nesta Igreja de tal, aos tantos dias de tal mês, e ano, &c.”

O que recebe a Profissão despirá logo o Bentinho, e Manto de Noviço ao Cavaleiro, dizendo: Exuat te Dominus hominem veterem cum actibus suis. Amen. E lhe veste o Bentinho, e Manto de Professo, dizendo: Induat te Dominus novum hominem, qui secundum Deum creatus est in justitia, & sanctitate veritatis. Amen. E dirá mais: “Eu em nome da Rainha Nossa Senhora, Governadora, e perpétua Administradora desta Ordem, cujas vezes, e poder para isso tenho, vos recebo, e aceito a Profissão”.

O Professo se levantará depois, e irá pôr a Carta da sua Profissão no Altar, e fazendo inclinação, volte ao seu lugar, e posto de joelhos, o Sacerdote se levanta em pé, e virado para o Altar diz o seguinte.

V. Confirma hoc Deus, quod operatur es in nobis.

R. À Templo sancto tuo, quod est in Hierusalem.

V. Salvum fac servum tuum Domine.

R. Deus meus sperantem in te.

V. Mitte ei Domine auxilium de sancto.

R. Et de Sion tuere eum.

V. Esto ei Domine turris fortitudinis.

R. À facie inimici.

V. Ecce quam bonum, & quam jucundum.

R. Habitare frates in unum.

V. Sit nomen Domini benedictum.

R. Ex hoc nunc, & usque in saeculum.

V. Domine exaudi orationem meam.

R. Et clamor meus ad te veniat.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremos

Domine Jesu Christi, qui es via, sine qua nomo veniat ad Patrem, benignissimam clementiam tuam postulamus, ut hunc famulum tuum carnalibus desideriis abstractum per iter disciplinae regularis deducas, qui peccatores vocare dignatus es, dicens: Venite ad me omnes, Qui laboris, & onerati estis, & ego vos resiciam: praesta, ut haec vox invitationis tuae ita in eo convalescat, quatenus peccatorum onera deponens, & quam dulcis est, gustans tuam refectionem, sustentari mereatur; & sicut attestari de tuis ovibus dignatus es, agnosce eum in oves tuas, & ipse te agnoscat, ut alienum non sequatur, nec audiat vocem alienorum, sed tuam, qua dicis: Qui mihi ministrat, me sequatur. Qui vivis, & regnas Deus in saecula saeculorum. Amen.

Oremos

Adesto, quaesumus, Domine, suplicationibus nostris, & hunc samulum tuum benedicere dignare, cui in tuo sancto nomine habitum sacrae Religionis imponimus; ut, te largiente, devotius in Ordine persistere valeat, & vitam percipere mereatur aeternam. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Oremos

Deus, qui es fons veri luminis, a quo est omne bonum descendens a Patre luminum, essunde super hunc samulum tuum septem gratiae charismata, & sanctae benedictionis tuae fertilissimam copiam tribue ei justitiam. Amen.

Tribue ei fortitudinem. R. Amen. E per hujus vitae laborem cum triumpho gloriae, praemia sempirterna. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Logo o Professo beijará a mão ao que lhe recebeu a Profissão, e este lhe lança a bênção, depois se levanta, e abraça os Padrinhos, e mais assistentes, com que se finaliza este acto.

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