Sobe da Terra ao Céu um frémito d´esperança.
Baixa do Céu à Terra um hálito de amor!

Guerra Junqueiro

Alguém perguntou ao Professor Henrique José de Souza, por volta de 1959 ou 1960, sobre a Missão de Portugal e o derradeiro destino dos Portugueses, pergunta já várias vezes feita em diferentes ocasiões, e invariavelmente o rosto do Mestre abriu-se num sorriso rasgado repleto de luz, sim, luz bem visível a todos numa benfazeja auréola de glória:

“Tudo o que acontece em Portugal reflecte-se aqui no Brasil, na Obra, e vice-versa. Toda a nossa Obra tem a ver com Portugal, e assim a Minha pessoa. Foi até no “Salão Portugal”, em Salvador, na Bahia, que cortei os meus longos cabelos quando criança… para desgosto de minha mãe.”

E disse mais nos finais de 1962, numa carta que endereçou a antigos condiscípulos portugueses:

“A Teosofia, no Brasil e em Portugal, corresponde a duas Ramas da mesma Árvore, que devem desenvolver-se em harmónico equilíbrio, como os braços de uma Balança, na qual o Fiel é a Grande Fraternidade Branca vibrando no peito do Monarca Universal, de cujo centro mesmo irradiam para os quatro direcções os Quatro Animais da Esfinge, expressão ideoplástica da Suprema Hierarquia Assúrica. Eu estou em Verdade e Espírito nessas plagas (Portugal), origem da Obra, porque aí sou exaltado com fé e amor. Eu sempre estou onde Me amam e com aqueles que crêem em Mim…”

Adiantando em carta emitida de São Paulo em 14.3.1963 dirigida ao senhor J. Neves Gonçalves, que na época representava os condiscípulos portugueses:

“Estabelecidos, assim, os laços espirituais que de há muito (tenho a certeza) nos unem, qual acontece com o Brasil e Portugal, tereis sempre notícias nossas, da Obra e da Instituição. Desse modo, nenhum livro melhor do que essa maneira de vivermos unidos para a Vida e para a Morte, de acordo com a Lei que a tudo e a todos rege.

Um grande abraço, extensivo aos outros queridos Irmãos, com os votos de PAZ, LUZ E PROGRESSO, em HARMONIA DE PENSAMENTO.

Em língua aghartina: AT NIAT NIATAT, ou seja: UM POR TODOS. TODOS POR UM.

Do servo e irmão muito grato:

Henrique José de Souza.”

Por sua parte, D. Helena Jefferson de Souza, companheira inseparável de Missão do Professor Henrique José de Souza, assim se expressou numa carta dirigida aos condiscípulos portugueses emitida da cidade de São Paulo, em 4.12.1967:

“Aí está a Serra de Sintra – ondulada pelos ventos refrescantes do Oceano Atlântico. Este mar que ladeia pelo lado do Ocidente une-nos com laços fraternais e espirituais, pois naquele Sacrossanto Monte, em 28 de Setembro de 1800, dealbava-se a aurora de um Novo Mundo.

Naquele instante histórico, portador de melhores dias para o Mundo, Portugal despontou de Luz, chamando para si as Bênçãos do Eterno, já que no glorioso momento o Profeta da Galileia e a sua compassiva Mãe apresentaram, a este mesmo Mundo, as preciosas Gemas enxertadas na Coroa do Buda Celestial.

Perante a História da Evolução Terrestre, perenemente o destino de Portugal fez brilhar a lâmpada da chama clara, inspirando novos desígnios na elaboração e construção do QUINTO IMPÉRIO. Tenha-se em conta o evento de 27 de Julho de 1899, na capital lisboeta, nessa Bela ou Boa Flor-de-Lis, que na excelsa motivação ornamentava subjectivamente a Praça dos Arcos. Aquela data marcou, de forma indelével, no Ouro e na Prata dos 23 Arcos, como prova indubitável, a Grande Missão de Portugal diante do Mundo.

Na razão do sucesso, pela essência do êxito, no meio de lágrimas, surgiu a gloriosa sentença do Eterno: “No entanto desta Mulher nascerá o Meu Filho”. E realmente cumpriu-se a sagrada profecia. Não só ressurgiu o “Monarca dos Três Logos”, o Senhor Maitreya, mas com Ele os Sete Dhyanis ou Príncipes da Sua Excelsa Corte.

Trago em Minha destra o fanal do Amor Universal. Por isso já disse o Menino Deus, no Templo subterrâneo do Caijah: “Com a Sabedoria do Pai e o Amor da Mãe se firmará no Filho a Omnipotência do Eterno”.”

Com esses testemunhos escritos tim-tim por tim-tim pelos primeiríssimos e principais actores da peça mais que iniciática, Henrique e Helena no papel de Ulisses e Ulissipa, em boa verdade desde a sua primeira hora o Novo Ciclo Avatárico da Obra do Eterno na Face da Terra, com centro irradiador na figura magistral do próprio Henrique José de Souza (1883-1963), tem como Apta, Presépio, Berço ou “Casa de Deus” da sua aparição e acção este mesmo Portugal, antes, Porto-Graal.

Em Julho-Agosto de 1899, na primavera dos seus 16 anos de idade os dois jovens enamorados, Henrique José de Souza e Helena “Iracy” Gonçalves da Silva Neves, provindos de São Salvador da Bahia para Lisboa integrados numa Companhia Teatral Infantil, dirigida por um casal lusitano dos mais insignes, os Barões Henrique e Helena da Silva Neves, realizaram um périplo iniciático no país, desde Lisboa-Sintra a Pombal de Ansiães, em Trás-os-Montes, conduzidos pelas mãos vigorosas e protectoras dos “Maiores da Tradição” (Avarat) que na velhinha Lusitânia mantêm viva a “chama clara” da sua espiritualidade, agindo de forma secreta, sim, contudo sensível a tudo e a todos, matematicamente harmónica numa justa e perfeita Ordem (Mariz).

Durante os 17 dias da sua estadia em Portugal, Henrique e Helena foram primeiro a São Lourenço dos Ansiães, junto ao Rio Tua, nas montanhas transmontanas, como se estas aqui fossem a reprodução das montanhas da Mongólia Interior do Traixu-Lama, Chefe Supremo da Grande Confraria Branca dos Bhante-Jauls. Foram de comboio até ao Porto, donde prosseguiram até Ansiães pela linha ferroviária do Rio Tua, cujo primeiro troço desde a Foz do Tua até Mirandela foi inaugurado no final de 1887, sendo São Lourenço a quinta estação, enquanto o segundo troço até Bragança só se concluiria em 1906. Foi breve estadia do jovem casal aí, um dia e uma noite. De regresso a Lisboa, vão a Sintra e visitam o Castelo dos Mouros, a Cruz Alta… indo até São Lourenço das Azenhas do Mar, para que o Mistério ficasse completo.

Por fim, na Lua Nova de 27 de Julho de 1899, 5.ª feira, cerca das 15 horas da tarde, no cruzamento da Rua Augusta com a da Conceição, em Lisboa, a caleche que transportava os jovens Henrique e Helena, vinda do Alto de Santa Catarina para a residência do Barão Henrique Álvaro Antunes da Silva Neves, junto à Sé Patriarcal, repentinamente foi interceptada por uma quadrilha de cinco malfeitores liderados por um tal de “Fuinha”, os quais eram magos negros emboscados (número assim configurando o pentagrama invertido ou quebrado, o ashiva, “não-deus”), que assustou os cavalos e fez a carruagem voltar-se. Helena sucumbiu sob os rodados do carro e os cascos das bestas mas Henrique sobreviveu, sofrendo apenas algumas escoriações ligeiras.

Por fim, na Lua Nova de 27 de Julho de 1899, 5.ª feira, cerca das 15 horas da tarde no cruzamento da Rua Augusta com a da Conceição, em Lisboa, a caleche que transportava os jovens Henrique e Helena, vinda do Alto de Santa Catarina para a residência do Barão Henrique Álvaro Antunes da Silva Neves, junto à Sé Patriarcal, repentinamente foi interceptada por uma quadrilha de cinco malfeitores, antes, magos negros (número assim configurando o pentagrama invertido), que assustou os cavalos e fez a carruagem voltar-se. Helena sucumbiu sob os rodados do carro e os cascos das bestas mas Henrique sobreviveu, sofrendo apenas algumas escoriações ligeiras.

Ela, Helena, de imediato foi levada pelos Adeptos presentes para um recanto da Sé Catedral próxima onde lhe ministraram os socorros urgentes, mas como não dava sinal de vida abriram o alçapão que aí está, próximo do altar-mor, e desceram com o corpo inerte ao seio da Terra, ao seio de Sintra, onde iriam recompor os seus ossos fracturados e ressuscitá-la no Panteão do Templo Interno do Mundo de Badagas que aí está.

Ele, Henrique, só muito mais tarde soube do destino da sua bem-amada, e enquanto não embarcou, a fim da viagem prosseguir para o Oriente, foi levado, em guisa de conforto, à “Estrela da Sé”, que era a taberna do Barão, e aí pôde saborear várias especialidades: tâmaras (mandadas vir do Oriente pelo mesmo Barão, que era armador e fretador marítimo), iguarias portuguesas e provar os famosos vinhos do Porto e da Madeira. Finalmente, na tarde de 7 de Agosto de 1899 deu-se o embarque do jovem, acompanhado de distinta comitiva de Adeptos, a caminho do Cairo, Egipto, onde se entrevistariam com o insigne Adepto Polidorus Insurenus junto à Grande Pirâmide de Kheops, e depois com destino certo a Srinagar, Norte da Índia.

Ainda acerca desse estabelecimento vizinho da Sé Patriarcal, em plena Baixa de Lisboa (tão baixa como o Muladhara ou Chakra Raiz no corpo humano), direi algumas palavras.

A casa de pasto “Estrela da Sé” (Patriarcal de Lisboa), onde em Julho-Agosto de 1899 o Barão Henrique Álvaro Antunes da Silva Neves (1849 – 20.11.1944) costumava levar o jovem Henrique José de Souza (15.9.1883 – 9.9.1963), é restaurante intimista, familiar; possui seis divisões em madeira, possuía um balcão neogótico e foi fundado em 1857 pelo maçom (REAA) galego Agapito Serra Fernandes, fundador do Bairro Maçónico “Estrela de Ouro”, junto à Graça em Lisboa. O empresário Agapito foi tio-avô da coproprietária Dolores Fernandes, familiar de Joana Dolores da Silva Neves, parente próxima do Barão. Estrela de 5 Pontas – 5.ª Catedral (Sé) – 5.º Posto Representativo – 5.º Príncipe Leonel – 5.º Luzeiro… tudo confere com o 4.º Sistema em que estamos e afinal acaba sendo o número da porta. Mistérios de Mariz. Quanto ao mais a dizer para o público, resta a advertência que nunca é demais: cuidado com as imitações! Só falo quando entendo e se nem tudo digo, verdade se diga que alguma coisa vou dizendo.

Bastaram apenas doze segundos para se consumar a Tragédia da Rua Augusta. Entretanto, os celerados sinistros haviam desaparecido sem deixar rasto. Como disse, eram magos negros chefiados pelo famigerado “Fuinha” de nome Arfik, querendo impedir que Helena, grávida, desse à luz o futuro Redentor da Humanidade (Akdorge) que cerraria para todo o sempre as “portas da morada do mal”!… Se, apesar disso, os Gémeos Espirituais escapassem do Acidente de Lisboa, os esperaria em Goa um monstro lemuriano criado pela Loja Negra em 1573 (descrito na obra demonológica de Paramatus), hermafrodita monstruoso com glândulas nas palmas das mãos exalando cheiro horrível (que é citado nas Páginas Ocultistas e Contos Macabros de H. P. Blavatsky, com comentários de Mário Roso de Luna), mas também ele foi aprisionado pelos Adeptos da Boa Lei, depois de luta terrível e cruel, e arrastado para o interior do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, ficando aprisionado numa caverna guardada por elementais ferozes, até se desfazer completamente por falta de animação maléfica.

À meia-noite desse mesmo dia 27 de Julho, com Henrique mergulhado em sono paranishpânico, também ele foi levado para o escrínio subterrâneo de Sintra, onde se realizou um Ritual do mais transcendente Tulkuísmo. O Eterno, projectado na forma deífica de Akbel, sentindo o efeito desastroso de lesa-Evolução do Acidente de Lisboa, proferiu as sentenciosas palavras: – Mesmo assim, o Meu Filho nascerá desta Mulher!

Com essa sentença – a Sentença de Deus – e constatada a gravidade dos ferimentos de Helena e a impossibilidade do seu retorno à superfície, o Eterno, em forma de Lei, houve por bem tomar providências acertadas a fim de salvar a Sua Obra e não causar prejuízo à Evolução Humana. De maneira que foram modificadas as directrizes da Obra, consequentemente, de todo o Pramantha. Essas palavras do Eterno passaram a constituir o majestoso título que encerra um primoroso capítulo da mesma Obra Divina. Eis o sentido real das palavras do Eterno que os Adeptos Independentes desde Portugal realizariam na forma de 12 Medidas:

AS 12 MEDIDAS DO ETERNO

1.ª – Que os Goros (Sacerdotes) da Sé Catedral de Lisboa propiciassem os meios pelos quais os corpos dos jovens – os Gémeos Espirituais – fossem, de maneira mayávica, conduzidos para o Templo Subterrâneo situado, desde aquele local, no escrínio da Serra de Sintra (“QUEDA”).

2.ª – Que os dois primeiros Kumaras Primordiais – Dhyananda e Sanat-Sujat – se deslocassem de Shamballah para o Templo Interno de Sintra, ocupando os corpos dos dois primeiros Kumaras Secundários – Mikael e Gabriel ou Abraxis – a fim de prestarem assistência aos Gémeos Espirituais e vitalizarem-nos durante determinado tempo (“PURIFICAÇÃO DOS CORPOS”).

3.ª – Que os referidos Kumaras auxiliassem na recuperação do corpo físico de Allamirah, ou seja, Helena (“RECUPERAÇÃO”).

4.ª – Que as Essências ou Espíritos dos Gémeos Espirituais fossem transferidas, pelo fenómeno avatárico, para os corpos de Lorenzo e Lorenza – expressões físicas do Quinto Kumara Ardha-Narisha em forma dual, ou Kumara de Projecção (“COMPENSAÇÃO”).

5.ª – Que a Essência que animava o Tulku de JHS – Honorato José de Souza ou At-Niat-Dwija – que ficara em seu lugar em São Salvador da Bahia, na casa dos progenitores, com parte da Consciência do 5.º Senhor Arabel e a Essência da Estrela Algol (contraparte do 5.º Senhor), estas fossem transferidas para os corpos de Henrique e Helena, no seio da Serra de Sintra (“MATERIALIZAÇÃO”).

6.ª – Que os Gémeos Espirituais, nos corpos de São Germano (Lorenzo) e Lorenza, seguissem viagem para o Norte da Índia com a comitiva constituída pelo Barão e a Baronesa da Silva Neves, pelo Dhyani Abraxis, por Mr. Ralph Moore e vários outros Adeptos Perfeitos (“VONTADE ESPIRITUAL, AFIRMAÇÃO”).

7.ª – Que o Itinerário seria pela face da Terra: Portugal – Egipto (Cairo) – Goa (Sul da Índia) – Ceilão (Sri Lanka) – Calcutá, Nova Deli, Leh, Srinagar no Norte da Índia, província de Cachemira (“CASTIGO”).

8.ª – Que os dois últimos Kumaras Primordiais – Sanat e Kali, hoje Satya – manifestados através dos dois últimos Kumaras Secundários (Anael e Kassiel), deveriam encontrar-se com a comitiva no Ceilão, a fim de acompanharem os Gémeos Espirituais ao Norte da Índia, ela em Leh e ele em Srinagar (“SUBLIMAÇÃO”).

9.ª – Que a Companhia Teatral Infantil se desfizesse em Lisboa, indo os seus sete principais componentes masculinos e sete femininos, ao todo catorze, reunir-se em Srinagar, no Norte da Índia (“RESPONSABILIDADE”).

10.ª – Que o Kumara de Projecção – Lorenzo e Lorenza – deveria participar de um Ritual Manúsico, a fim de dar origem à 8.ª Dhyani-Budhai – Adamita, que assim era a contraparte gerada do Quinto Senhor da “Ara de Luz” (“PERSISTÊNCIA”).

11.ª – Que JHS, no corpo de São Germano, fosse à Confraria Jina de Srinagar presidir a sete Rituais Manúsicos, a fim de serem gerados os sete Dhyanis-Jivas, depois (1949) Dhyanis-Budhas do Novo Pramantha, os “Príncipes de Srinagar”, e que nesses Rituais de Geração deveriam estar presentes as sete Filhas de Kunaton e Nefer-Tit (Dhyanis-Barishads) e os sete Filhos de Tutmés III e Nereb-Tit (Dhyanis-Agnisvattas), ou sejam, aqueles e aquelas principais meninos e meninas que tomaram parte na peça teatral Tim-Tim por Tim-Tim, levada a cena no Teatro São João em Salvador da Bahia, em 1899 (“AS SETE LUZES”).

12.ª – Que JHS, depois de realizar essas determinações, regressasse à cidade de São Salvador da Bahia, com máscara humana, ou seja, com a sua consciência imediata e não a transcendental ou avatárica, para começar a percorrer a Estreita Vereda da Vida, o Caminho de Espinhos (“SACRIFÍCIO, COMPROMETIMENTO DA DIVINDADE, INÍCIO DA REDENÇÃO”).

Ainda sobre a Tragédia da Rua Augusta ocorrida consigo, o Venerável Mestre JHS deixou escrito na sua Carta-Revelação de 25.7.1961, O estado de Consciência da Era de Maitreya, in Livro da Reconstrução do Pramantha do Ciclo de Aquarius:

“(…) com Ela aconteceu em Lisboa, na Rua Augusta, ou Sushumna, com as suas duas Ruas Ida e Pingala, que são as do Ouro e da Prata ou no sentido do que foi dito, a da Prata e a do Ouro, em lateralidade. E Eu tive que dar o meu sangue pelos dois braços ou lados, Ouro e Prata, Pingala e Ida, por Ela, na Sé Patriarcal, que inscreve no seu frontispício os dois HH dos nossos nomes. E depois acabei realizando uma espécie de “Ritual Eucarístico” numa taverna bem em frente ao lugar da Rua Augusta, onde se deu o acidente. (…) Como se vê, o pivô da nossa Obra começa na Serra de Sintra (…).”

Quanto às razões iniciáticas para a mesma Tragédia, o Mestre discrimina-as na Carta-Revelação de 28.1.1953, Sintra e seus Mistérios (para ser lido com os Olhos do Espírito), inserida no Livro Chuva de Estrelas – A.

Para todo o efeito, o Jove ou Jovem Henrique ladeado pelo Dhyani-Kumara Gabriel ou Abraxis, tutor de Helena em Goa, e o Barão Henrique da Silva Neves, acabam expressando a Trindade Divina na Terra: Henrique para Akbel e a própria Divindade – 1.º Logos; Gabriel para o Plano Intermédio dos Deuses – 2.º Logos; e o Barão para o Mundo Humano ou Jiva representado na mais sublime Milícia Iniciática Secreta – 3.º Logos.

Tem-se, pois, a Viagem Avatárica do Adolescente das 16 Primaveras (número cabalístico do Kumara, o “Eterno Adolescente” ou “Eterno Virgem”) com três etapas iniciáticas bem demarcadas, duas em solo Luso ou Assúrico, sim, o da “Terra dos Filhos da Luz” (Luxcitânia), para que resultasse a terceira derradeira:

Esses “Inferno, Purgatório e Céu” estão consentâneos com a formação gnosiológica da Quinta Rama da Excelsa Fraternidade Branca, como seja a Soberana Ordem de Mariz, cujo desenvolvimento escatológico se fez mais sensível nos seguintes lugares do País:

Norte – Ansiães – Formação (Tamas) = Conde D. Henrique e a Ordem Franca de Avarat (século XI); D. Afonso Henriques e a Ordem Lusa de Mariz (século XII).

Centro – Sintra – Organização (Rajas) = Ordens de Avis e do Templo, com as cores verde e vermelha de Fohat e Kundalini, servindo de “Escudo Defensivos” à Ordem de Mariz.

Sul – Sagres – Expansão (Satva) = Infante Henrique de Sagres e a diáspora marítima sob o pendão espiritual de Mariz representado pelas Ordens de Avis e de Cristo pelos mais insignes das mesmas.

Motivo mais que suficiente para o saudoso amigo Paulo Machado Albernaz, preclaro discípulo de JHS, escrever-me (São Paulo, 2.8.2000) o seguinte:

“Por esta razão a Península Ibérica tornou-se a verdadeira Iniciadora do Ocidente, portadora dos Mistérios. Naquela mesma ocasião foi fundada a Ordem de Avarat (que quer dizer: “A Tradição dos Nossos Maiores”). Bem mais tarde surgiria aquele príncipe de origem francesa, D. Afonso Henriques, que libertaria uma pequena parte da Península, fundando o pequeno mas glorioso Reino de Porto-Calens, hoje, Portugal. Em São Lourenço dos Ansiães, funda-se a prodigiosa Ordem de Mariz, que como sabemos usava as famosas cores verde e vermelha, que mais tarde seriam usadas no pendão português até aos dias de hoje.”

Essas palavras preciosas reproduzem quase textualmente aquelas outras sábias da Coluna J do Venerável Mestre JHS, António Castaño Ferreira, proferidas na cidade de São Paulo em 7.6.1952:

“Tornou-se a Península Ibérica a verdadeira Iniciadora do Ocidente, portadora dos Mistérios. Foi fundada então a Ordem de Avarat (que quer dizer: “A Tradição dos Nossos Maiores”). Mais tarde, (…) em São Lourenço dos Ansiães, funda-se a prodigiosa Ordem de Mariz, que como sabemos usava as famosas cores vermelha e verde (…). Este pequeno Centro deu origem às grandes navegações e, consequentemente, às grandes descobertas. Foi então que D. Henrique fundou em Sagres a sua famosa Escola de Navegação, donde sairiam os bravos marujos que descobririam para o mundo terras até então desconhecidas. D. Henrique era o Chefe da Ordem de Mariz, que tinha por sinal secreto Avi-Mar (Ave Maris) que pronunciava pondo a mão sobre o coração, gesto tão nosso conhecido. Preparou-se em seguida, em 1500, a descoberta da América.”

Disse-me ainda Paulo Albernaz, desta feita em carta datada de 28.12.1999:

“Não resta a menor dúvida que o Arcano 17 está estreitamente ligado à Nação Portuguesa, cuja extensão não deixa de ser o Brasil! “As Estrelas” guiaram os intrépidos navegantes que chegaram à “Nova Terra” e colonizaram o Brasil, dando início à Glória da Sub-Raça Latina, representada por Portugal, Espanha e antigas colónias, pois serão o Berço do Avatara.”

Com um preito de saudade apertando o coração, lembro aqui as preciosíssimas palavras que Roberto Lucíola, fidelíssimo discípulo de JHS, enviou-me de São Lourenço em 27.5.2002:

“Residir numa Região “Jina” como Sintra não deixa de ser um privilégio e, acima de tudo, indica desfrutar de um bom Karma. Como sabemos, Sintra é o Centro de Poder Espiritual da Europa, pois aí está localizado um “Posto Representativo” presidido por um Excelso Dhyani-Kumara, responsável pela Tónica da Literatura. Por aí se pode aquilatar o potencial de Conhecimento Humano que Portugal encerra em seu seio.

Todos os sete “Postos Representativos” espalhados pelo Mundo encerram em si um grande potencial da mais alta vibração de Energia Espiritual, no sentido iniciático. São, pois, Centros Irradiadores das mais sublimes Forças. Sob a égide espiritual de Sintra, estão sete importantes capitais europeias, tais como: Roma, Londres, Bruxelas, Paris, Madrid, Copenhaga, Berlim… Estas capitais estão na órbita portuguesa segundo nos ensinam os mais sagrados e misteriosos Ensinamentos Ocultos. Não esquecer que cada “Posto Representativo” abriga em seu seio uma determinada Ordem Secreta composta por um Dirigente, que é o próprio Kumara, e mais 111 Adeptos, totalizando o número cabalístico 777, ou seja: 111 x 7 = 777.

O Infante D. Henrique de Sagres foi uma expressão da Divindade encarnada entre os homens para implantar uma nova etapa na Civilização. Só este facto é suficiente para glorificar a sua Pátria e ser motivo de orgulho pertencer a uma Região escolhida por Deus para firmar a Sua Obra. Outrossim, coisa que muita gente ignora, o “Império Lusitano” não foi fruto de impulsos expansionistas ou obra do acaso, como querem os materialistas que ignoram os Desígnios de Deus. O “Império Lusitano” foi uma imposição da Lei Divina que a tudo preside. Assim sendo, ele jamais foi destruído, devido às suas origens.

Na realidade, o “Império Lusitano” é o “Império da Luz”, ou seja, da Luz Espiritual, e como tal é eterno. Esse “Império da Luz” foi recolhido aos Mundos Interditos do Interior da Terra para emergir em tempo oportuno, ele jamais foi destruído, porque o que é sagrado não pode ser destruído pela maldade humana. Os Preclaros Adeptos todos pertencentes à Linhagem do Planetário da Ronda, ou sejam, os componentes da Hierarquia dos Assuras, ao longo da História fizeram diversas tentativas para implantar na Face da Terra a Sinarquia Universal, esse “Quinto Império Encoberto” de que nos fala Fernando Pessoa.

Não sofrendo de qualquer crise de etnia xenófoba, somente o Povo Português tinha condições para dar origem a uma Nova Raça que fosse o fruto das experiências e dos sofrimentos por que já passou toda a Humanidade na sua longa caminhada em busca do seu destino, que é o retorno ao Espírito Santo, segundo as várias “Promessas” feitas por todos os Avataras que a este Mundo vieram.

Se lançarmos um olhar nas páginas da História Oculta da Humanidade, verificaremos que as Forças Obscuras, que sempre dão combate à Luz, tudo fizeram para impedir que os desideratos da Lei se cumprissem, mas sempre foram vencidas, porque a derrota dos Lusitanos seria a derrota da própria Divindade, coisa que é inconcebível e inteiramente impossível de acontecer. As Forças Obscuras foram sempre vencidas pelas Forças do Espírito Santo.

Muito embora não termos tido por estas bandas (Brasil) nenhum “Condestável”… os Céus nunca nos abandonaram. Temos a certeza que o Império Eubiótico ou Sinárquico, mais dias menos dias, será reimplantado, pois as “Sementes” nunca morreram e estão bem vivas, e na Hora aprazada florescerão como Lei bem certa. Porque contra os Desígnios da Lei não há força que resista.”

Posso citar ainda António Carlos Boin, que nos idos anos 70 e 80 do século passado exerceu o cargo de secretário de instrução em diversos departamentos da ex-S.T.B. (Maria da Fé, São Paulo e Santo André). Além da correspondência que trocámos, certa vez e em conversa telefónica com o finado amigo, a dado passo ele adiantou-me que “as cores verde e vermelha da Ordem dos Tributários são herança e reprodução directas das iguais da Ordem de Mariz, expressivas de Deus Pai-Mãe, as quais, ao nível imediato, unem Portugal e Brasil”.

Em uma Carta-Revelação de JHS escrita em São Lourenço, datada de 16.2.1963 (Arcano XVI – A Revolta no Trono, Antiga Casa de Deus, in Livro Vitória dos Bhante-Yaul), o Mestre refere que “São Lourenço dos Ansiães ligava-se outrora, subterraneamente, com o Mundo de Duat”, e aplica a seguinte dicotomia aparentemente inconciliável: por uma parte, diz que “a Ordem de Mariz não se dissolveu e sim bifurcou-se exotericamente nas de Avis e de Cristo”; por outra parte, “a Ordem de Mariz não existe mais”!

Primitiva ligação subterrânea ao Mundo de Duat, desactivada só restando a linfa quente das lavas vulcânicas, nas Caldas de São Lourenço dos Ansiães

Pois sim, é a mais pura verdade: “a Ordem de Mariz não existe mais”… em actividade franca ou aberta à Face da Terra. Isso acabou no reinado de D. João I, e depois disso o seu primeiro eco exotérico ou público foi a Escola Náutica de Sagres. Como todas as seis restantes Fraternidades de Adeptos (sendo as Ramas da frondosa Árvore dos Kumaras no todo, ou Grande Fraternidade Branca), está cerrada para o século ou ciclo profano, repito, praticamente desde os finais do reinado de D. João I, o “Mestre Perfeito”, e o desaparecimento do Santo Condestável, Nuno Álvares Pereira, depois Frei Nuno de Santa Maria, o “Galaaz do Carmelo”, que foi a antiga reencarnação do próprio Barão Henrique Álvaro Antunes da Silva Neves, de nome esotérico Malaquias, Dharani de 1.ª Classe, Grão-Chefe Temporal da Ordem de Mariz.

Desde o século XV para cá, essa Soberana Confraternidade só age franca ou abertamente em baixo, nos Mundos de Badagas e de Duat, ou então, de maneira discretíssima, junto de raríssimos homens rigorosamente selecionados – por norma discípulos adiantados de Mestres de Sabedoria, tenham ou não consciência imediata disso – com Missão superior sobre a Terra, tal qual agiu como encoberta ou encapuçada através de destacados e também discretos, sujeitos à lei do silêncio que o juramento iniciático impôs, membros das Ordens de Avis (Fohat) e de Cristo (Kundalini), respectivamente, possuidoras das cores mores verde e vermelho, cuja fusão cromática dá a púrpura de Kala-Shista ou Sishita, em védico, em caldaico Kurat-Avarat, a mesma Sintra como 5.º Posto Representativo dos Marizes, Mouros, Moryas, Marus

Falando das Sete Ramas da Árvore Genealógica dos Cabires ou Cumaras (Kumaras, Kuma-Maras, Cume-Maras, Cume-Maris), constituindo a Excelsa Fraternidade Branca dos Sete Raios de Luz, elas são:

Ordem dos Cavaleiros do Sol – Peru – Sol – Luz de Deus
111 Adeptos Assuras e 1 Dhyani-Kumara = Mikael (Saber)

Ordem dos Astecas Cabalistas – México – Lua – Nome de Deus
111 Adeptos Assuras e 1 Dhyani-Kumara = Gabriel (Beleza)

Ordem Andrógina da Rosacruz – E.U.A. – Marte – Sentença de Deus
111 Adeptos Assuras e 1 Dhyani-Kumara = Samael (Bondade)

Ordem Secreta de Malta – Austrália – Mercúrio – Vontade de Deus
111 Adeptos Assuras e 1 Dhyani-Kumara = Rafael (Pureza)

Ordem Soberana de Mariz – Portugal – Júpiter – Realização de Deus
111 Adeptos Assuras e 1 Dhyani-Kumara = Sakiel (Riqueza)

Ordem dos Cavaleiros de Albordi – Egipto – Vénus – Expansão de Deus
111 Adeptos Assuras e 1 Dhyani-Kumara = Anael (Ventura)

Ordem Maçónica dos Traichus-Marutas – Índia – Saturno – Trono de Deus
111 Adeptos Assuras e 1 Dhyani-Kumara = Kassiel (Sublimação)

O Venerável Mestre JHS (Henrique José de Souza) repetia amiúde que “não dava nada de bandeja”, logo, sendo o Supremo Iniciador falava e escrevia por anagramas e subentendidos para que o discípulo decifrasse e se tornasse, por fim, também ele um Iluminado, um Integrado na Sabedoria do Deus Akbel. Como essa sua frase incisiva, igualmente milhares de outras frases, parágrafos inteiros espalhados por todos os seus Livros de Revelações, são verdadeiras mayas e métodos de verdadeira Iniciação Mental, logo, Espiritual. Bem parece que raros as dobram, perpassam, vencem de vez por todas, sobretudo os que estão na Obra, pois os que estão fora dela, como profanos impúberes naturalmente dão-se às maiores fantasias de afectados exercícios oníricos, mas esses não contam em nada.

Servindo-me da mecânica sideral, planetária e natural da Yoga da Aranha (d´Ouro), dada pelo Rei de Agharta, Baal-Bey, à nossa Obra em 28 de Janeiro de 1941, transpô-la-ei para a estrutura escatológica da Hierarquia Oculta de Sintra:

Absoluto – Sideral (Constelação): Sirius (Kaliba, em aghartino).

Sirius, segundo Roberto Lucíola (in Caderno “Fiat Lux” n.º 18, Fevereiro de 1999 – Sistemas Geográficos), integra “as sete Constelações Primordiais, relacionadas às sete Montanhas Sagradas, que, por sua vez, demarcam na Face da Terra um Sistema Geográfico, onde as Mónadas atingem o seu máximo de desenvolvimento, pois é nesses locais sagrados onde também se faz presente a manifestação humanizada da Divindade através do Avatara do Ciclo e da sua Corte ou Hierarquia.

Cada uma das Montanhas Sagradas preside a um Ciclo Evolucional, onde determinados Seres de Hierarquia elevada se concentram, a fim de realizar um trabalho de natureza oculta obedecendo aos ditames da Lei. Em geral, funcionam sete Centros Iniciáticos de altíssimo potencial orbitando em volta de uma Oitava Montanha que ex-pressa a própria Lei. Actualmente, o fenómeno repete-se. As pessoas ligadas a esse Mistério estão se encaminhando para a Oitava Montanha Moreb que é a síntese e expressa os esforços e experiências das sete Montanhas que já cumpriram o seu papel na História Oculta da Humanidade.

A Montanha Moreb, na região de São Lourenço no Sul do Estado de Minas Gerais, Brasil, tem o significado de A Montanha que Ouve, e é a última Montanha do Ciclo Ariano. Ela acumula em seu seio os valores e as glórias das sete que a antecederam. Todos os valores do Passado ecoarão por Moreb. Será o Sinal dos Tempos. Sobre o assunto, assim se expressou JHS:

“Todas as glórias das Montanhas falarão por Moreb. É o Sinal da Consolidação. Depois, quando o Ciclo Ariano estiver completo, um Portal abrir-se-á através de um vulcão no Monte Moreb. Formar-se-á em São Lourenço um dos mais famosos vulcões do Mundo, cujas lavas acumuladas formarão a mais alta montanha do Globo Terráqueo.”

Pai – Planetária (Planeta): Júpiter (Jevadak, em aghartino).

Sobre o que diz D. Helena Jefferson de Souza na sua carta Aos queridos Filhos de Sintra (São Lourenço, 28.1.1977): “O nome dessa Augusta Ordem (de Mariz) tem, por origem, Morias, Mouros, Marus, e as suas insígnias (cruz e fita) eram nas cores verde e vermelha (…). Ambas essas cores, se fundidas, dão a púrpura do 5.º Posto Representativo”. Isto na sequência do Professor Henrique José de Souza ter dado, no Livro da Pedra (Carta-Revelação de 3.7.1950 – Dedicado aos Excelsos Dhyanis), Júpiter como Planeta regente do 5.º Posto de Sintra.

O Arcanjo, ou melhor, o Dhyani-Kumara relacionado a Júpiter é Sakiel (Saquiel ou Satya-Bel), observado como um imenso Sol Púrpura por detrás de uma Montanha, segundo a sua visualização tradicional dada por Akbel.

Mãe – Natural (Elemento): Éter (Akasha, em sânscrito, Mash-Mask, em aghartino, Vril para os rosacrucianos).

Animando o 5.º Chakra Laríngeo, trata-se da Quintessência ou Quinto Elemento afim à natureza do Luzeiro Feminino Allamirah (“Olhar Celeste”), que tem por Centro de Irradiação o 5.º Globo Flogístico Vénus (planeta feminino por excelência). Sobre isto mesmo, D. Helena Jefferson de Souza em carta de 4.7.1967 dirigida aos condiscípulos portugueses, proferiu quando então lhes deu o Ritual da Quinta Essência Divina: “Mentalizar uma cortina ou cascata de águas azuis de permeio a doiradas estrelas descendo ou projectando-se sobre todos os presentes. Este Ritual propiciará, no decorrer da persistência ritualística, a, digamos assim, objectivação da Quinta Essência Divina, agindo como uma Bênção dos Céus e equilíbrio para todos. Devido às actuais condições em que vive o Mundo, necessitamos de acção, coordenando-se, dessa forma, a actividade mística com a vontade sábia.

A Mãe Divina vem a expressar a Vontade posta em Actividade. Ela está na cúspide da Manifestação desde o Segundo Mundo Celeste, conforme diz a própria Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) nos Manuscritos Perdidos da Loja Blavatsky redigidos por ela: “É o Aspecto Feminino de Brahma, o Masculino, e já que é impossível definir Parabrahma, ou Aquele que está muito além da compreensão humana, então, uma vez que falamos desse “primeiro algo” que pode ser concebido, é melhor que digamos Ela. Em todas as cosmogonias é a Deusa e as deusas que vêm primeiro, a primeira convertendo-se na Mãe Imaculada a partir da qual procedem todos os deuses. Então, o subjectivo passa a emanar ou cai no objectivo, e converte-se no que se chama a Deusa Mãe, a que procede ao Logos ou Deus Pai, o Imanifestado. Porque o Logos manifestado é outra coisa muito diferente e é chamado o Filho em toda a cosmogonia” (5.ª feira, 10 de Janeiro de 1889).

Filho – Sideral, Planetário, Natural: Arabel (Akbelaloy, em aghartino).

Segundo o Venerável Mestre JHS (in Livro do Colóquio Amoroso, 1956), trata-se do “Quinto Senhor do Lampadário Celeste, Arabel, o Deus da Ara, do Altar, ou do Fogo, como Senhor do Quinto Sistema”. Este Augusto Luzeiro em cuja fronte tremeluz o Tetragramaton, tem como veículo físico o 5.º Globo em formação, Vénus, e na Terra, no Sistema Geográfico Internacional a partir de Arakunda no escrínio do Roncador, em Mato Grosso, Brasil, manifesta-se pelos 7 Dhyanis-Kumaras dos quais o Quinto de Sintra, repito, é Sakiel, Raio Espiritual de Júpiter, feito assim aspecto inferior de Arabel ou veículo da Sua manifestação universal, dando como resultante da união de Manas (Vénus) com Atmã (Júpiter) a:

Geração – Em Cima, no Meio e em Baixo, ou Face da Terra, Duat e Agharta.

Esta Geração, Progénie ou Corte Iluminada aqui, em Sintra, é dirigida por Sakiel e constitui-se de 111 Adeptos Independentes, sobrando mais dois que são o Filho (Dhyani-Budha) e a Mãe (Dhyani-Budhai), Dirigentes temporais do Posto Representativo para o espiritual, o Pai, o Dhyani-Kumara.

Como Ambos, Budha-Budhai, têm as suas Colunas Vivas, uma encarrega-se dos Ritos da Ordem Interna desse Posto, dessa Embocadura (Loka, donde o seu nome Sura-Loka), pelo que é o seu Chefe Espiritual ou Grão-Sacerdote, enquanto a outra Coluna exerce as funções Administrativas da mesma Ordem, logo, sendo o seu Chefe Temporal, o Governador. Quem é este? Precisamente o Barão Henrique Álvaro Antunes da Silva Neves (Portugal, c. 1849 – Brasil, 20.11.1944), de nome esotérico Malaquias.

Quem foi ou é o Barão Henrique da Silva Neves?

Muito poderia dizer a respeito, mas prefiro reter-me ao que escreveu o Professor Henrique José de Souza sobre o aspecto exotérico ou público do Venerável Adepto (in Teatro São João, revista O Luzeiro, n.os 13/14, Junho-Julho 1953):

“Por Lei de Causalidade, tanto o pai de JHS como o Venerável Ser que fazia parte da comitiva que o acompanhou ao Norte da Índia (também chamado Henrique Antunes da Silva Neves, e sua esposa, Helena A. da Silva Neves, os mesmos nomes dos Dois Dirigentes da Missão Y), eram armadores. O primeiro possuía doze navios (algo assim como os 12 Signos do Zodíaco, os 12 Cavaleiros da Távola Redonda, os 12 Pares de França, os 12 Apóstolos, etc., etc.), inclusive um de nome “Rio Real”, que “tendo sido salvo de uma grande tempestade, o seu comandante prometeu ao Senhor do Bonfim uma miniatura do barco”, etc., como se pode comprovar na “Sala dos Milagres” dessa mesma igreja, na capital baiana. Quanto ao Venerável Ancião – que, diga-se de passagem, “foi um dos grandes amigos do pai do autor deste estudo” – possuía, por sua vez, dez navios, dentre eles, o de nome “Dragão”… e com os quais fazia o transporte de mercadorias de Lisboa para Goa, e vice-versa. Em tal lugar, a família possuía uma valiosa mansão, onde estivemos hospedados. E na hora da partida, a sua esposa, “a santa mulher com porte de rainha”, com as faces banhadas em lágrimas, dizia adeus com o seu lenço de linho… postada à beira do cais…”

No seu Livro das Vidas – O Mistério da Árvore Genealógica dos Kabires, datado de 1933, o Venerável Mestre JHS dá o Barão Henrique S. Neves como o 6.º Sub-Aspecto do 1.º Aspecto da Linha dos Cabayus ou dos Moryas. Diz:

“6.º: HENRIQUE ANTUNES DA SILVA NEVES, português ilustre, que viveu muito tempo em Goa. Era amicíssimo do Mestre Abraxis (Jean Feliciani Domiciani), proveniente de Lorenzo e Lorenza, de quem o mesmo era filho, com mais outros 6, que figuram como 2.os Aspectos de todas as Linhas. De seu nome nos servimos quando nos hospedámos no Hotel Globo, em 1914, quando para aqui viemos do Norte: Henrique Antunes da Silva. Fizemo-lo por motivos ocultos, pois não tínhamos necessidade de viajar a descoberto, mas incógnito. Além disso, tal Ser foi um Pai que encontrámos outrora, quando fomos à Índia às ocultas, ou fugido de nosso lar. Em sua casa estivemos hospedado juntamente com Abraxis, que nos honrava com a sua presença e nos conduziu ao Norte da Índia, donde viemos recambiado, depois de nossa missão. H. A. da Silva Neves era versado em várias línguas, inclusive indianas, e muito mais em Filosofia. O seu filho, António Neves, foi representante de “Dhâranâ” em Calcutá.”

Com efeito, António da Silva Neves, o “Antonino”, representou o Professor Henrique José de Souza, a Sociedade “Dhâranâ” e a revista “Dhâranâ” na Índia, como facilmente pode se verificar na lista de colaboradores e correspondentes nos seus primeiros números, tendo o próprio Paulo Machado Albernaz, quando foi redactor-chefe de “Dhâranâ” nas décadas de 50 a 70 do século passado, expedido regularmente por correio números da revista para o endereço do filho do Barão, cujos remetente e destinatário eram inicialmente os seguintes: “De: Sociedade Dhâranâ – Budismo-Maçonaria – Niterói – Rio de Janeiro. Para: Senhor Antonino Neves – Caixa Postal 600 – Calcutá – Índia”.

Segundo as informações disponibilizadas pelo Venerável Mestre JHS nos seus Livros de Revelações, os Barões da Silva Neves haviam sido em vidas anteriores: ele o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira (posteriormente, Tomé de Souza, 1.º Governador Geral do Brasil), e ela a Rainha Santa Isabel. Isto mesmo está escrito na Carta-Revelação de 4.1.1952 pertencente ao Livro dos Makaras. Diz:

“Todos já conhecem quem foi o Condestável na sua vida anterior… do mesmo modo que na seguinte, Tomé de Souza. E a seguir, o Barão Henrique Antunes da Silva Neves.”

Noutra parte da mesma Carta-Revelação:

“D. Nuno Álvares Pereira, tal como a Rainha Isabel, nunca deixaram de existir. As suas mortes são misteriosas… mesmo que ficassem os cadáveres, em ossos ou cinzas… para tradição das suas vidas, na História de Portugal. No entanto, mudaram de corpos. Essa esteira luminosa que mais parece a da Via Láctea… veio ter ao Brasil.”

O Mestre reitera na Carta-Revelação de 20.1.1952, pertencente ao mesmo Livro:

“Os Barões da Silva Neves não saíram apenas da Essência Espiritual do Condestável e da Rainha Isabel, a Santa, mas também dos seus corpos imortais, pouco importando o que deles fala a História Portuguesa, a época, etc. (…) O meu pai e o meu avô eram amigos e parentes dos Barões da Silva Neves; por sinal que o meu pai foi armador, e ele também. Além de pertencerem a diversas Ordens de Cavalaria, etc.”

Quanto à vida anterior do Barão como o “Santo e Guerreiro”, D. Nuno Patricial (Condestável) e D. Nuno Eclesial (Monge), sim, Avatara do próprio Akdorge ou “Homem da Couraça ou Manto Vermelho” (Marte) que lhe terá aparecido pouco antes da Batalha de Aljubarrota (14. 8.1385), o Mestre JHS diz ainda na Carta-Revelação de 4.1.1952:

“Todos os países do Mundo possuem a sua História. A verdade, porém, é que depois do Ramo Racial Greco-Latino, que inclui celtas, galos (inclusive a França), etc., nenhum se compara a Portugal ou Porto Galo, Gaulês, etc., para cujo lugar, por ser litoral e outras razões, o Manu Ur-Gardan, “o Homem do Éden ou Jardim de Fogo”, conduziu o seu povo, imitado por Nun´Álvares, porque… aqueles que se antepuseram aos seus passos foram derrotados, foram aniquilados, sofreram a morte, porque, de direito e de facto, “o Manu é Senhor de Vida e de Morte, não só sobre o seu povo como do Mundo inteiro”, cujos seres, por sua vez, são frutos, sazonados ou não, dos Manus anteriores, todos Eles, por sua vez, nascendo do Manu Primordial.”

Pois sim, avançando no tempo tem-se que após o Acidente de Lisboa, na Rua Augusta, ocorrido com os Gémeos Espirituais Henrique-Helena, alguns anos depois o insigne casal de Barões desfez-se dos seus negócios e bens em Lisboa e Goa (nesta última residindo na Rua Espelho de Flores, depois só Rua das Flores, n.º 19, junto ao Largo da Igreja de São Lourenço de Agaçaim, sobranceira ao Rio Zuari a caminho do Forte dos Reis Magos) e foi fixar residência no Brasil, em São Salvador da Bahia, ou melhor, na Ilha de Itaparica fronteira à cidade, no sítio de Caixa-Pregos, próximo a Mar Grande junto à estrada (na ocasião de terra batida) levando à igreja matriz de São Lourenço de Itaparica.

 

Sentindo grande afecto por Henrique José de Souza, e talvez ainda coagidos pela tragédia ocorrida em Lisboa, querendo descartar a eventualidade de repetir-se em alguma outra, estes seus Paraninfos ou “Barões Assinalados”, parafraseando Camões, fizeram de Itaparica a sua nova morada, onde passaram a viver de maneira mais humilde ou recatada, discreta. Acerca da instalação dos Barões em Itaparica, o Mestre JHS escreveu na sua Carta-Revelação de 11.9.1941:

“Como Refugium Peccatorum, não quer dizer que seja “lugar de castigo”. Puro engano! Mas antes de purgação, de elevação, de destruição de erros ou karma, como o próprio Henrique da Silva Neves (o Santo Condestável) e Helena da Silva Neves (a Rainha Santa Isabel – Ísis Babel ou Abel, etc.) se ocultarem até hoje cercados da sua Corte, alguns Adeptos que auxiliaram, como Eles, os primeiros dias dos Gémeos, quando ambos tinham 15 para 16 anos de idade material ou humana. Assumiram conscientemente a responsabilidade indo purgar-se na referida Ilha, desde que não podiam fazê-lo em Shamballah, nem mesmo na Agharta… São Salvador fica fronteiriça, e passa por ser a terra natal de ambos os Gémeos Espirituais, Henrique e Helena como Eles, os dois prodigiosos Seres.”

Na Bahia, o Casal de Barões esteve ligado ao negócio das águas abastecedoras de São Salvador, e nesta mesma cidade, na Casa do Paço do Saldanha, os Preclaros Membros da Ordem de Mariz – vários de padrão superior e até de brasão exterior que haviam acompanhado o seu Chefe – costumavam reunir-se. Refira-se, ainda, que já em 1567 a Ordem de Mariz, através de D. António de Mariz, ajudara Mem de Sá a fundar a cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro (in Anais do Rio de Janeiro, tomo 1.º, pp. 328-329).

De Itaparica o casal de Barões mudou-se para Teresópolis, em 24.12.1941, e finalmente, no início de 1944, para a região de Minas Gerais do Sul, onde passou a residir nas proximidades da cidade de São Lourenço, e aí costumava encontrar-se assiduamente com o Professor Henrique José de Souza. Diz-se até que a arquitectura e acústica do Templo da S.T.B. nessa cidade, inaugurado em 24 de Fevereiro de 1949, haviam sido sugeridos pelo Barão ao Professor…

O autor, VMA, na Montanha Sagrada de São Lourenço, Sul de Minas Gerais, Brasil

Bastante idosos, no final das suas vidas terrenas e numa época em que o Professor H.J.S. e a sua Obra eram severamente atacados pelas Forças Sinistras da Involução, ameaçando gravemente a sua continuidade na Face da Terra, os Barões da Silva Neves juntamente com o seu sempre fiel Mordomo José Ramayana, luso-goês então também já muito idoso, em 20 de Novembro de 1944 decidiram oferecer em holocausto as dádivas das suas vidas em troca da sobrevivência na Face da Terra de Henrique José de Souza, da sua Instituição e Obra. Então, estes insignes Yokanans ou Arautos foram recolhidos ao Interior da Terra, à capital do Mundo de Badagas, Mekatulan, localizada sob a cidade de São Lourenço (MG), e voluntariamente sujeitaram-se ao chamado Ritual Djina-Masdhar, o mesmo joanino da “Degola da Cabeça” ou do “Holocausto do Inocente”, igualmente chamado “Derrame do Sangue Real”, o qual até hoje a Maçonaria Adonhiramita reproduz no seu simbolismo ritualístico alusivo ao Martírio de São João Baptista. Isto equivale ao sacrifício voluntário na Cruz (4.ª Iniciação Real do Arhat) a favor da Ressurreição (5.ª Iniciação Real do Asheka), o que implica o sentimento doloroso do holocausto auto-imposto a favor da sobrevivência de algo ou alguma coisa, neste caso, repito, tendo como fito a salvação terrena ou humana da própria Obra do Eterno na Face da Terra, cuja expressão máxima era o próprio JHS.

Muito frequentemente o sentido da “cabeça decapitada” não representa tanto um martírio individual e mais uma “decapitação” simbólica do Chefe visível de determinada Ordem que, apesar de ter perdido quem a conduzia exterior ou publicamente, prossegue firme no Ideal plantado por aquele. Realmente, desde 20.12.1944 que os Barões da Silva Neves deixaram para sempre a Face da Terra, mas a Ordem de Mariz interiorizada prossegue a sua semeadura exclusivamente através da exteriorizada Ordem do Santo Graal, e de certo modo por quantos participam da Diáspora Espiritual a favor da Parúsia ou o Advento do Cristo Universal.

A relação do Professor Henrique José de Souza com a Ordem de Mariz foi profícua e estreita ao longo de toda a sua vida. Até chegou a receber da mesma um estojo com o pano de cores verde e vermelha envolvendo a Cruz da Ordem, pela época do sacrifício dos Barões, altura em que o Barão Henrique S. Neves ofereceu ao Venerável Mestre a sua Comenda.

No dia 14.3.1955, às 17 horas, o discípulo Carlos Lucas de Souza foi chamado à Vila Helena, residência do Professor Henrique e da sua família em São Lourenço, e aí foi nomeado “representante do Excelso Akdorge”, tendo o Mestre JHS o agraciado com a mesma Grã-Comenda que pertencera ao Barão Henrique da Silva Neves, cujo símbolo liga-se ao Dragão de Ouro (Satva, Espiritual, Solar, a própria Grande Loja Branca), isto pelo valoroso trabalho do discípulo em prol da construção da Obra, solenidade a que estiveram presentes vários Irmãos Cavaleiros de Akdorge, dentre eles Itagiba e Sebastião Vieira Vidal.

A relíquia sagrada acabou guardada por familiar de Carlos Lucas de Souza em uma caixa de papelão, conforme me informou o seu filho Henrique Arthur de Souza, a qual desgraçadamente veio a perder-se arrastada pelas enxurradas que no ano 2000 assolaram a cidade de São Lourenço.

De 20.12.1944 em diante, os Espíritos, as Essências Imortais dos Barões Henrique e Helena da Silva Neves passaram a vibrar em dois outros Seres, com 10 anos de idade, chamados Mário Lúcio e Maria Lúcia. Nascidos em 13 de Maio de 1934, tiveram como Pais espirituais Helena Iracy (1.º corpo) e Krivatza (Jesus, avatara de Akdorge), mas cujos Pais efectivos, carnais, foram os Adeptos Heinrich Gordon Schmidt e Helen Gordon Schmidt, pertencentes ao Sistema Geográfico de El Moro, E.U.A.

Como cada Yokanan ou Arauto possui três nomes diversos, de acordo com a sua localização, como revelou JHS na sua Carta-Revelação de 17.1.1951, tem-se que os mesmos Seres são:

Mário Lúcio e Maria Lúcia = El Moro (Cimarron)

Hélio e Selene (Buda-Budai) = Bairro Carioca (São Lourenço)

Hermes e Jefferson = Mekatulan (Badagas)

Com isso, ligam-se às “misteriosas crianças” que habitaram a não menos misteriosa Casa de M. T. (Meka-Tulan e Maximus Tertius) no Bairro Carioca de São Lourenço, possuídas dos mesmos nomes dos filhos carnais do casal Henrique José de Souza e Helena Jefferson de Souza, facto sobre o qual diz o Venerável Mestre JHS na sua Carta-Revelação de 25.1.1952 que pertence ao Livro dos Makaras:

“Não devemos esquecer que há muitos anos foi anunciado: que dois Seres seriam Professores de Hélio e Selene. Tal Hélio era bem outro, do mesmo modo que Selene, como prova em tais corpos estarem hoje avatarizados os Barões da Silva Neves, tendo por Coluna Central, como já antes a tivera, um Yokanan de elevada estirpe”… que é Kafarnaum, o 8.º como Chefe da Linha dos 7 Yokanans principais.

Tendo sido as Colunas Vivas “emprestadas” a Akdorge no Ocidente, de 1850 a 1944, desta data em diante perfiladas Colunas Vivas de Akgorge, Irmão Gémeo daquele, teve-se no “Barão Yokanan” o exercício do Trabalho a ver com o 5.º Senhor Arabel e a 5.ª Raça-Mãe Ariana, e na “Baronesa Sibila” a consecução do Labor relacionado ao 4.º Senhor Atlasbel e a 4.ª Raça-Mãe Atlante, anunciados pelo grande Adepto seu Filho Leonel; ambos juntos operando para o 6.º Senhor Akbel e a 6.ª Raça-Mãe Crística, Cristina, Dourada ou Bimânica, acção anunciada pela Linha do Chefe dos Yokanans, Kafarnaum, das maneiras mais diversas até hoje.

Os esquemas seguintes certamente darão uma noção mais clara desse metabolismo, dessa transformação e acção que faz parte da dinâmica permanente do Mundo dos Jinas ou Adeptos Perfeitos, exercendo a sua influência constante na humana, mortal e insípida pequenez de quem vive e só na Face da Terra.

Antes 1944:

Pós 1944:

Assim se cumpriu a Profecia de Sintra, ou seja, aquela que fala da trasladação dos valores espirituais do Oriente para o Ocidente, aqui reproduzida na versão latina e respectiva tradução portuguesa:

Sobre o que adianta o Mestre JHS no seu Livro do Graal (Carta-Revelação de 19.5.1950):

“Não é de estranhar, pois, que na Serra de Sintra, ao lado daquela profecia que fala da nossa Obra, de modo indirecto, mas para ser revelada por quem foi, embora que os lusitanos mais cultos a conheçam (inclusive através de Cintra Pinturesca), dizia, ao lado daquela famosa profecia também ali esteja mais esta: “Aqui, neste lugar, as Águas pariram dos Ventos”.”

Ar e Água, Vayu e Apas, Mental e Emocional, Homem e Mulher, Ulisses e Ulissipa, Henrique e Helena, juntos no Androginismo mais perfeito, aqui mesmo, na Montanha Sagrada dos Mouros, Moryas ou Marizes, para não dizer, Marus e Marutas ou “Forças Vivas do Rei do Mundo”. Sim, aqui mesmo onde o Quinto Senhor Arabel cada vez mais se integra no seu Retro-Trono, Shamballah, pois que a Terra já passou a metade do Quarto Sistema Planetário, motivo para o Futuro se manifestar cada vez mais na Hora Presente.

As razões apresentadas não são, de maneira alguma, voluntariosas nem imaginosas concebidas ao sabor de qualquer e pessoal apetência inflamada “patrioteira”, não: é o próprio Mestre JHS quem positivamente reitera o facto na sua Carta-Revelação de 2.5.1958, Duas e Três Tragédias, senão mais, in Livro do Ciclo de Aquarius:

“O Quinto Sistema será naquele Lugar, isto é, em Portugal, na Serra de Sintra, onde a sibila estampou o mistério do Futuro, o mistério do Quinto Império, também cantado pelo poeta lusitano, que fala de um só Altar, de um só Cálice de Ouro que há-de luzir. Portugal, Arquivo das Raças de Elite, principalmente a Greco-Romana, não podia deixar de ser o Quinto Sistema.”

Como o Sistema Geográfico do Roncador, Estado do Mato Grosso, Norte do Brasil, está igualmente para o Futuro Quinto Sistema ou Império Universal, como revelou o próprio Mestre, então ter-se-á a Sintra do Presente como o Núcleo Interno da Xavantina do Futuro. E assim as dicotomias aparentes se consolidam, se desvanecem…

Para isso concorrem as sete substâncias ou princípios naturais (tatvas) de que se compõe o Sistema Geográfico Sintriano, em guisa de “Serpente Irisiforme” desde o Seio da Terra vomitando à Face da mesma as chamas púrpuras de Kundalini, o “Fogo Criador do Espírito Santo” que aqui se faz Omnipresente por este santo vau ou “escoadouro” como Chakra Laríngeo do Mundo, sobre o que diz o Professor Henrique José de Souza na sua Carta-Revelação de 28.4.1958 (in Livro do Ciclo de Aquarius):

“Quando o Bodhisattva (Jeffersus), em 1800, realizou o Avatara dos Gémeos no alto da Serra de Sintra, razão por que até hoje semelhante lugar se chama o “Pico do Graal”. E isto diz tudo, em relação ao Graal em nosso Templo. Muito antes já tinha revelado que a Serra de Sintra também é formada de sete substâncias. Lá nasceu a Obra, no Avatara de 1800. Lá esta mesma Obra se ocultou em seu seio velada por dois Kumaras, enquanto outros dois acompanhavam as duas cigarras que ficaram naquele túmulo frio e pétreo, como o maior e mais digno de todos os Túmulos. Portugal, tu és a origem da Raça Brasileira. E esta formada por sete elos raciais, que tu guardavas também no teu régio Arquivo, como provam as tuas ruínas, a profecia da Serra de Sintra.”

Com essas sete substâncias naturais se compõem as 7 Vestes do Luzeiro em Projecção (Ishvara) através do respectivo Planetário de Projecção (Kumara), que no mapa gnosiológico da Montanha Sagrada de Sintra localizam-se nos pontos seguintes, reproduzindo na Face da Terra, como Sistema Geográfico nacional, um Sistema Planetário sideral:

MULADAK – CASTELO DOS MOUROS – PRITIVI (TERRA) – FÍSICO – SOL
Correlação astrogeosófica ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro: Pouso Alto (Ceçary)

ISADAK – SANTA EUFÉMIA – APAS (ÁGUA) – ETÉRICO – LUA
Correlação astrogeosófica ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro: Itanhandú (Inhacundá)

SAMADAK – SÃO MARTINHO – TEJAS (FOGO) – EMOCIONAL – MARTE
Correlação astrogeosófica ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro: Carmo de Minas (Araçaranã)

SATADAK – SÃO SATURNINO – VAYU (AR) – MENTAL INFERIOR – SATURNO
Correlação astrogeosófica ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro: Aiuruoca (Ajur-Loka)

ANADAK – LAGOA AZUL – AKASHA (ÉTER) – MENTAL SUPERIOR – VÉNUS
Correlação astrogeosófica ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro: Conceição do Rio Verde (Itiquirá)

REIFADAK – SETEAIS – ANUPADAKA (SUBATÓMICO) – INTUICIONAL – MERCÚRIO
Correlação astrogeosófica ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro: Maria da Fé (Ia-Passé)

JEVADAK – PARQUE DA PENA – ADI (ATÓMICO) – ESPIRITUAL – JÚPITER
Correlação astrogeosófica ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro: São Tomé das Letras (Tassu)

Como Oitava Coisa ou Substância Síntese (MAHA-TATVA ou MAHA-BHUTA) participando da Substância Universal (SVABHÂVAT ou SINDAK, em sânscrito e aghartino), ela é representada pela própria ADITI, a “Mãe dos Deuses”, figurada na SENHORA DO Ó na QUINTA DA TRINDADE (THEOTRIM), expressiva dos Três Logos em Acção. Em sua correlação astrogeosófica ou simpatia vibratória psicomental, este Poiso dos Trinos vem a representar em solo lusitano a própria São Lourenço brasileira. Assim Portugal se une ao Brasil, a Serra de Kurat à Montanha de Moreb, pelos mais profundos laços espirituais, para não dizer, jinas.

A capela e a imagem de mármore em tamanho natural da Senhora do Ó, na Quinta da Trindade, desapareceram faz alguns anos, contudo, conservo o seu testemunho em fotos raras fazendo parte do meu arquivo pessoal e aqui reproduzo.

Na senda da presença dos Gémeos Espirituais em Portugal, no dia 3 de Agosto de 2009 desloquei-me mais uma vez a São Lourenço de Ansiães, em Trás-os-Montes, em guisa de homenagem à ida aí dos mesmos em 1899, a esse Lugar de Purgação ou Purificação.

Sobre essa aldeia transmontana, o Professor Henrique José de Souza escreveu no seu artigo Cagliostro e São Germano (in revista Dhâranâ, n.º 110, Ano XVI, Outubro a Dezembro de 1941):

“Tal Ordem (de Aviz), entretanto, servia de escudo (ou “cobertura exterior”, Círculo de Resistência, etc.) a uma outra intitulada Ordem de Mariz, pouco importa que a História a desconheça por completo. Os seus raros filiados espalhavam-se por toda a parte do Mundo, como “Membros do Culto de Melquisedec”, sendo que o nome “Mariz”, que aliás inúmeras famílias nobres de Portugal o possuíram, tem por origem: Morias, Mouros, Marus, etc., etc. Os mais antigos se reuniam nas proximidades de certo lugar, que ainda hoje traz o nome de S. Lourenço de Ansiães.

No distrito de Bragança, e concelho de Ansiães, fica a 6 quilómetros desta vila a aldeia de Pombal, distando 104 quilómetros para NE de Braga e 360 para N de Lisboa. No fundo de extenso “monte”, descendo para o rio Tua, brotam aí duas nascentes num local denominado S. Lourenço, por se achar o tanque que as recebe construído em uma casa que, em outros tempos, foi a capela dedicada ao referido santo… Tão modesto balneário foi mandado construir, em 1730, pelo padre António de Seixas, talvez membro da referida Ordem… Uma das nascentes é muito abundante, e ambas são conhecidas pelos nomes: Pombal de Ansiães, S. Lourenço e Caldas de Ansiães. Outrora, porém, ninguém sabe a razão, chamavam-se, às duas Fontes, Henrique e Helena… A água jorrava por duas bocas, representadas por dois golfinhos. E por cima, Castor e Pollux.

Volvendo a S. Lourenço de Ansiães, era aí, como se disse, onde se reuniam, em tempos mui distantes de hoje, os Preclaros Membros da Ordem de Mariz. Santos e Sábios Homens muito influíram na grandeza do velho PORTUGAL, e também na do BRASIL.

A Ordem de Mariz tinha as suas insígnias (cruz e fita) em verde e vermelho, isto é, o verde que veio a usar depois a de Aviz, e o vermelho da de Cristo. Interessante que são as mesmas cores da respeitável Bandeira de Portugal… Mistério! Embora arrisquemos a dizer que “felizes daqueles que se acham sob a referida Protecção do Governo Oculto do Mundo”! Nessas condições, até hoje: PORTUGAL E BRASIL.”

Todos os lusos que estão nas fileiras da Obra do Venerável Mestre JHS deveriam, ao menos uma vez na vida, visitar Pombal de Ansiães e a próxima Fonte Santa (Termas) de São Lourenço. Todos os que não são da Obra também a deveriam visitar, pois a aldeia é hospitaleira e tem muito e variado para oferecer aos visitantes, desde os passeios culturais aos concertos musicais e à gastronomia regional. Só dessa maneira Pombal de Ansiães será arrancada ao seu “eterno mal” que é o de todo o país interior: o isolamento e a sequente desertificação demográfica, ainda mais dificultado pelos meios de acesso, já de si parcos e pobres. Os últimos acidentes, resultando mortais, na linha ferroviário do Rio Tua, a mais bela da Península Ibérica, senão da Europa, não se deve ao ferrocarril mas aos bizarros e desequilibrados “metros de superfície”. Sugiro voltar-se aos comboios a vapor, mais afins à paisagística local e mais atractivos para o turismo em geral, principalmente o termal e ecológico.

Antes de Pombal de Ansiães deve-se primeiro visitar a aldeia vizinha de Amedo, distadas uma da outra cerca de 3,5 kms cuja ligação durante séculos se fez através da românica ponte do Torno sobre a Ribeira da Regada, porque em Amedo residia a família Mariz que até hoje mantém as suas casas e descendência.

Em Amedo, com efeito, está o Solar ou Casa Grande de Mariz, a principal, e defronte um pouco abaixo, do lado oposto da Rua das Oliveiras, levanta-se aquela outra Casa da Farronca, Farranca ou da Carranca, por igual originalmente da família do mesmo apelido. Razão de as chamarem, respectivamente, “Mariz de Cima” e “Mariz de Baixo”, por outro lado distinguindo a Casa de Mariz (Amedo) da Quinta de Mariz (Beira Grande), esta, no mapa concelhio, abaixo daquela.

Começarei pela Casa Grande, da qual é proprietário e actual conservador da memória dos seus antecedentes o dr. Rozeira Mariz, que há alguns anos, num momento de feliz inspiração, colocou na dianteira do edifício o brasão heráldico de Mariz, com coroa ducal e legendado em latim, que antes não era armoriado.

Na capela particular deste solar, hoje desactivada, prestava-se culto a São Paio ou São Pelágio, Orago da família Sampaio da Carrazeda de Ansiães entrecruzada com a Mariz. Tem-se aqui as sepulturas chãs de alguns Marizes, como a de Manuel de Sampaio (baptizado em 10.4.1812) que foi frade da Ordem Terceira da Penitência e faleceu nesta Casa Grande do Amedo; a de Aires de Sampaio Mariz e Castro que vice-presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães em 1841, e presidente em 1847, 1876 e 1878, tendo falecido em 12.2.1881; também aqui foi deposto, em 1888, o finado reverendo Dionísio Inácio de Sampaio Mariz, filho de Luís António de Sampaio Castro e Mello e de D. Angélica de Mariz Sarmento.

A imagem original de São Paio (Sampaio) desapareceu há muito desta casa mãe dos Carvalho Mariz do Amedo, grande propriedade agrícola referenciada pela Cerca, que ao longo dos séculos foi aumentada, abandonada e novamente recuperada, sendo que o actual solar corresponde a obras realizadas nos inícios do século XIX.

Amedo estava integrada na antiga Comenda da Ordem do Hospital – recolheram-se neste lugar pedras de cabeceira tumulares medievais tendo inscritas cruzes do Hospital, a depois Ordem de Malta – e um dos santos caríssimo aos hospitalários foi precisamente São Paio (Pelaio, Pelágio), sob cuja invocação eles formaram o Pelágio, aparentemente destinado a socorrer os peregrinos cristãos que iam e vinham de Santiago de Compostela venerar o túmulo do Apóstolo, motivo por que São Paio é celebrado no dia imediato ao de São Tiago Maior, ou seja, 26 de Junho, e também o principal motivo da igreja desta paróquia ser consagrada a São Tiago dotado dos símbolos da peregrinação jacobeia. Ao par disso, os cavaleiros hospitalários dedicavam-se à guerra ao Islão – cuja resistência e ofensiva foi iniciada por Pelaio (718-733), fundador do reino das Astúrias – abrindo caminho à Reconquista e à cristianização das vias celto-romanas (veja-se os testemunhos pétreos da Anta de Zedes, da Ponte do Torno, etc.) que tinham início ou fim na mesma cidade capital da Galiza.

Por outro lado, o Pelágio apresentava igualmente um aspecto cultural e inclusive hermético onde os saberes gnóstico, cabalístico e alquímico das três grandes religiões do Livro (judaica, cristã e islâmica) comungavam juntos da mesma demanda de realização espiritual, independente das contingências geopolíticas da época, motivo do Pelágio ser igualmente sinónimo da existência de uma Ordem Iniciática fechada ou secreta, porventura ou por certo na primazia da assistência à génese histórica do particular português e na chancelaria do percurso evolutivo da Nacionalidade, desde a primeira hora posta sob a advocação da Virgem Santíssima. Refiro-me à primacial Ordem de Mariz, originalmente saída dos mais selectos – mental e moralmente, partícipes do status mistérico – da Família de Mariz.

Assiste à igreja de São Tiago de Amedo o Santíssimo Sacramento, no topo do altar maior sob o tabernáculo figurativo da Jerusalém Celeste. Mas quem dá o Testemunho da Graça é a Senhora Coroada esplendente de Luz, expressiva da própria Shekinah ou a “Manifestação Real (donde a Coroa) de Deus” como Mulher na Terra. Liturgicamente, a candeia acesa, alimentada pelo azeite benzido, vem a ser expressiva da Luz da Mãe Divina manifestada, que era da particular devoção das senhoras (as fidalgas, como as chamava o povo) da Casa Grande ou “Mariz de Cima”, já de si localizada na Rua das Oliveiras, facto que originou uma lenda miraculosa contada pelos mais velhos da terra:

– As fidalgas eram bondosas e ajudavam as crianças. Um dia, uma fidalga quis oferecer um jarro de azeite a um menino para que levasse para os seus pais que eram pobres, mas quando ela abriu a talha viu que estava vazia. Tornou a fechá-la e triste preparava-se para dar a má notícia quando lhe apareceu a Santa Virgem, que lhe disse: “A talha está cheia. Vai recolher o azeite que prometeste”. Assombrada e consolada em seu coração, a boa Mariz apressou-se a cumprir a ordem divina: tornou a abrir a talha e viu que estava cheia de azeite quase a transbordar. Nesse dia, ressoaram por toda a casa louvores à Mãe de Deus e todas as crianças da aldeia receberam jarros de azeite.

Segue-se “Mariz de Baixo”, a Casa da Carranca, onde igualmente viveram Marizes idos para aí da Casa principal, “Mariz de Cima”.

A Casa da Carranca é igualmente um antigo e grande solar com as suas belas janelas de avental, joaninas, cuja construção destaca nitidamente duas fases distintas, situadas entre os meados dos séculos XVIII e XIX. Hoje o edifício está completamente degradado, contudo, recebendo obras de recuperação graças ao esforço meritório do senhor Luís António Borges, particular local.

Segundo as Memórias Paroquiais de Amedo/Ansiães, vol. 3, n.º 64, pp. 491-496, 1758, e os Assentos Paroquiais do Amedo / baptizados, casamentos e óbitos, cujo registo foi dado à estampa por Cristiano Morais na sua importante obra monográfica Por Terras de Ansiães (edição Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, Agosto de 2006, vol. I, Novembro de 2014, vol. II), a origem do nome dos “Marizes de Baixo” recua ao tronco familiar do dr. Pedro António Pinto de Carvalho, médico, natural do Amieiro (Alijó), filho de Caetano Gonçalves e de Maria Pinto de Carvalho, casado em 16.8.1811 com D. Senhorinha Teresa Jácome, natural do Amedo, filha de Miguel Jácome e de Maria Jácome. Residiram nesta Casa na Farronca e tiveram três filhos: José que faleceu solteiro no Amedo, em 20.10.1834; Miguel António, militar, assassinado em Vilarinho das Azenhas quando tentava atravessar o Rio Tua, em 25.4.1847; D. Carolina, batizada no Amedo em 13.12.1817.

D. Carolina Amália de Jesus casou no Amedo, em 26.6.1844, com José Martins da Veiga, natural de Samorinha, filho de José Marins dali natural, e de D. Anastácia da Silva Sampaio, natural de Pereiros. Residiram na Casa da Farronca e ali nasceram: César Augusto, em 12.5.1845; D. Maria, falecida em 4.10.1846; D. Maria da Conceição, em 14.3.1848; João, em 1.7.1849; Joaquim, em 2.2.1851; D. Luísa da Luz, em 19.7.1857; Manuel da Assunção, em 13.5.1860; António, em 9.9.1861.

Joaquim da Veiga Martins casou na Amedo em 5.11.1888 com D. Maria Ermelinda de Sampaio Mariz dali natural, batizada em Águas Revés (Valpaços), filha de Frederico de Sampaio Mariz e Castro e de D. Maria Madalena de Gouveia. Deixaram descendência. Desde então a Casa da Carranca passou a ser conhecida como Casa do Mariz de Baixo.

No Amedo, segundo as Memórias Paroquiais de 1758, existiam duas capelas, a de São Martinho e a de Santa Marinha. Aquela ainda sobrevive, está junto ao Paço, mas esta não se sabe onde estaria, dizendo Cristiano Morais: “No entanto, sobre esta capela, nada mais encontramos, ficando-nos a dúvida se ela estaria no campo, acabando por ser derribada, depois do seu abandono, ou se será a de S. Paio”.

Atendendo ao conjunto da carranca com a cruz por cima, carranca que é chaminé por onde saía o fumo envolvendo a figura numa cena aterrorizante dos mais temerosos, logo sossegando vendo que a cruz não deixava escapar o demoníaco Amedo, e também observando o oratório da capela privada da casa, decorado com lavrados chamejantes lembrando escamas de dragão, dou este espaço como o da invocação setecentista de Santa Marinha. Esta Santa Marinha ou Marina de Antióquia (mártir no século III) é a mesma Santa Margarida, cujo nome provém do latim margarita, “pérola”, a mesma em fiada sob o seu coração argênteo de virgem mártir em pedra lavrada fechando a base do oratório. Também Santa Marinha, segundo a Lenda Áurea, venceu o Diabo que se assumira na forma de dragão e entretanto a engolira, mas ela com uma cruz rasgou a pele do Demo saindo viva de dentro dele, e vitoriosa calcou-o sob si, impondo-lhe o cruzeiro sobre a cabeça que furiosa vomitava fumo e cinzas. Foi o triunfo da Fé.

Não me causaria admiração que o Barão Henrique da Silva Neves e a sua comitiva tivessem pernoitado no Amedo, em 1899, no ambiente recatado de gente que lhes era próxima.

Finalmente, Pombal de Ansiães. No muitíssimo abandonado lugar da Fonte Santa, junto à arruinada “Casa da Acácia” (flor simbólica da Iniciação na Maçonaria Tradicional) que funcionou como hotel rural e pertenceu à família do dr. João Carlos Noronha, está a humilde capelinha de São Lourenço, mandada fazer pelo pároco, talvez familiar de algum ascendente brasileiro (muitas famílias brasileiras, ou luso-brasileiras, procuraram refúgio em Pombal de Ansiães nos fins do século XIX e aí construíram as suas moradias, algumas delas sumptuosas mas bem enquadradas na paisagem rural), certamente a pedido dos fiéis.

Por cima da ombreira de entrada na capelinha está uma inscrição muitíssimo mal realçada a negro por alguém recente, rezando o seguinte que até hoje ninguém conseguiu traduzir, conforme me informaram:

“Mandou fazer o vigário da freguesia José de Almeida Neves no ano de 1839.”

O vigário José Neves talvez fosse parente do Barão Henrique da Silva Neves.

Mais uma vez deixei-me absorver pelo odor e fumo intenso das águas sulfurosas, vulcânicas, correndo constantes e abundantes dentro da Fonte Santa, edifício piramidal encimado exteriormente por uma cruz a qual, se for perspectivada na base do mesmo, apontando ao Seio Assúrico da Terra, dá precisamente o símbolo alquímico do Enxofre Filosófico, expressivo do Espírito manifestado. Assim, a dupla perspectiva desse símbolo hermético vem a significar os opostos complementares como Fogo Purificador (Interior da Terra) e Água Sublimada (Exterior da Terra), ou, noutro sentido, as Iniciações Dórica e Jónica juntas para darem matematicamente certo o Andrógino em separado na Face da Terra. O ardor sulfuroso é o Arqueu do indivíduo, o seu Princípio Mental Superior ou o Génio interno (Jina para os hindu-tibetanos, e Daimon para os socráticos), exaltado na sua soberania (Iniciação Dórica ou Devek, “União” – donde o Um por Todos e Todos por Um). A Água Sublimada vem a ser o puro sentimento reflectindo as virtudes do Alto impressas na Alma Humana que nelas se banha (Iniciação Jónica ou Josephi, “Beleza, Perfeição” – donde o Justus et Perfectus). Para a Realização da Grande Obra, a entrada do Iniciado em si faz-se pela Via Seca do Jónico (Kundalini como Fogo ou Força ou de Coesão, de cor vermelha), ao passo que a saída de si se processa pela Via Húmida do Dórico (Fohat como Luz ou Energia de Expansão, de cor verde). Eis aí as duas cores universais plasmadas no pano da gloriosa Bandeira Pátria.

Este é lugar de purgação, de purificação psicofísica a que foram sujeitos os Gémeos Espirituais em 1899, pouco antes da Tragédia na Rua Augusta, Lisboa. Aliás, tudo neste lugar de Pombal de Ansiães (os Anciães da Ave do Espírito Santo fundadores da Portugalidade Iniciática, ao início com residência nas proximidades, no castelo templário de São Salvador do Mundo, tanto podendo ser o Cristo como o Quinto Luzeiro agindo por Ele, quanto ainda a corporificação operática de Ambos na Soberana Ordem de Mariz, na época – século XII – tendo como “Círculo de Resistência” externo a Ordem do Templo representada pelos seus mais ilustres e espirituais afiliados, nobres e clérigos distintos do comum confrade) tem a ver com a provação e a purgação corporal e anímica.

Ruínas do castelo templário de São Salvador do Mundo, Carrazeda de Ansiães

Vem de encontro às minhas palavras aquelas outras do célebre coevo de D. José Alves Mariz, bispo de Bragança (1885-1912), ou seja, Francisco Manuel Alves, o abade de Baçal (Baçal, Bragança, 9.4.1865 – ib., 13.11.1947), descrevendo estas Caldas de São Lourenço em termos deveras incomuns num sacerdote regular católico (in Memórias Arqueológicas do Distrito de Bragança, tomo IX, 1946, Bragança):

“POMBAL, concelho de Carrazeda de Ansiães. Fonte chamada Caldas de São Lourenço, por brotar perto da capela deste santo. São conhecidas há perto de trezentos anos, pelo menos (in António Carvalho da Costa, Corografia Portuguesa, tomo I, p. 437), como eficazes em curas reumáticas (in Alfredo Luís Lopes, Águas Minero-Medicinais…, p. 348).

É curiosa a explicação que os padres do Tibete (lamas) dão das águas térmicas. Dizem eles que “o fogo, vendo-se cheio de pecados, pelos muitos males que fazia no mundo, se fora pedir remédio ao Pagode Badrid, o qual lhe disse que ficasse naquele lugar com ele, que assim ficaria purgado de todos aqueles pecados; teve o fogo por grande mercê esta que lhe fazia o Pagode (Lamaseria), e assim ficou a seus pés; e por isso saía aquela fonte de água tão “quente” de baixo do Pagode. Este fogo teve primitivamente o poder de converter em ouro tudo quanto tocava, diz a mesma lenda, mas perdeu tal virtude devido à cobiça de um ferreiro que lançou lá grande quantidade de ferro a fim de enriquecer” (in António de Andrade, O descobrimento do Tibete em 1624, p. 53, edição de Francisco Maria Esteves Pereira, 1921).”

Pois sim, esse motivo purgatorial regista-se não só nas águas sulfúricas, vulcânicas, da fonte como no interior da igreja de São Lourenço, na aldeia próxima de Pombal, onde está o interessante retábulo processional legendado das “almas do Purgatório e o Juízo Final”, revelando o significativo pormenor da alma humana castigada implacavelmente pelo “bicho da consciência”.

Esta igreja de traça barroca, datada de 1750, anexa à Reitoria e Comenda de São João do Hospital, deve-se à iniciativa do reverendo pároco António de Seixas apoiado por Pascoal Fernandes e Apolinário Gonçalves, moradores deste lugar, “por serem homens velhos (ansiães) e de bom conhecimento (sábios)”. Pela Escritura de arrematação da obra da igreja, de 8.3.1790, sabe-se quem foram alguns dos intervenientes na mesma obra: os mestres canteiros Bento José de Melo, de Vilarinho da Castanheira, e José Ferreira Simões, da freguesia de S. Pedro da Cota, termo de Viseu; o mestre carpinteiro João Lopes Velho, do lugar do Mogo; o mestre pintor José António Ferreira de Andrade, do lugar do Castanheiro deste termo de Pombal, que fez a obra de douramento e pintura.

No tecto feito de caixotões de madeira, tem-se no seu centro a pintura extraordinária do busto de São Lourenço sobre a menorah, o candelabro de sete bocas acesas. Sendo Lourenço um santo graalístico, solar ou luminário, tem-se então retratado o próprio “Senhor da Luz” incarnado no Cavaleiro da Couraça ou Manto Vermelho que vem a ser o próprio Akdorge (Jorge, em português, santo mítico), expressão fidedigna do “Senhor da Ara de Luz”, Arabel, no topo do candelabro celeste (cujas borlas pendentes da figura formam um triângulo representativo da Tríade Superior, Flogística, em formação) que é o dos Sete Fachos Vivos ou Luzeiros, dos quais Arabel mesmo sendo o Quinto entre eles é o Primeiro aqui, na Lux-Citânia ou “Terra de Luz”, sim, a da Luz Lúcida promanada do Seio da Terra desde o Quinto Posto Mundial em Sintra. Arabel, Samael, Sintra… tudo se enquadra, desde que se saiba fazê-lo à luz da Sabedoria Iniciática afim à Obra do Eterno.

Por baixo da pintura dentro de um caixilho oval, inscreve-se uma legenda latina alusiva ao martírio de São Lourenço numa grelha incandescente:

Adhaes it animà mea post te, quia caro mea igne cremàta est prote, Deus meus.

Tradução:

“Acolhe a minha alma em Ti, porque a minha carne queimada é destruída, meu Deus.”

O simbolismo e significado esotérico desta pintura, extraordinária e raríssima no género, já foi motivo de desenvolvimento no meu livro A Ordem de Mariz (Portugal e o Futuro), dado à estampa pela Editorial Angelorum Novalis em Maio de 2006, com algumas imprecisões cronológicas e epigráficas, geradas pela rápida e deficiente observação quando aí estive na virada do milénio, mas entretanto já aqui rectificadas.

O autor, VMA, na igreja de Pombal de Ansiães

No chão da igreja estão alguns túmulos junto ao arco triunfal que abre para o altar-mor, cujas tampas sepulcrais inscrevem unicamente uma misteriosa letra aghartina, usada tanto para designar o signo de Aquarius como, sobretudo, o de Makara. É caso para perguntar: quem seriam esses Makaras que escolheram este templo para sua morada eterna?

Pedra com inscrição datada na igreja de Pombal de Ansiães

No exterior da igreja, tem-se no topo da parede traseira, entre a cruz e a rosa, a inscrição seguinte: “Esta obra mandou fazer o reverendo António de Seixas 1750”. O padre António Morais de Seixas, vigário de Pombal (in As Freguesias do Distrito de Brangança nas Memórias Paroquiais de 1758), está retratado sobre o andro antes da assembleia, por debaixo do coro alto, mas a pintura sobre madeira do seu rosto apresenta-se degradada, com as tábuas apodrecidas, em manifesta reclamação das obras de restauro que este templo carece desde há muito tempo.

Chegado aqui, impõe-se que repita o seguinte para evitar confusões estéreis: a Ordem Secreta de Mariz é uma e o Ramo Genealógico de Mariz é outro bem diferente, só tendo em comum o nome. Ainda assim pode acontecer que, por méritos pessoais de destaque espiritual e social, membros da Família de Mariz tomem conhecimento efectivo da Ordem de Mariz e sejam engajados nela, em casos raríssimos. Mas acontecendo, vão estabelecer a ligação entre a linhagem de sangue e a linhagem eleita (também chamada família espiritual). Neste sentido, observa-se que muitos Marizes genealógicos – alguns apoiados por Marizes secretos, os da Ordem – fundaram comendas e bailios um pouco por todo o país, de Norte a Sul. Tem-se nisso os domínios de Redinha e Pombal, no distrito de Leiria, nesse último tendo apostolado, no século XIII, o presbítero Pedro, o Mariz (“Pedro Omariz, presbítero – falecido aos XVIIº Kalendas Iannuarii Era Mº CCº XLª VIIIº” – in Liber anniversariorum Ecclesiae Cathedralis Colimbriensis (Livro das Kalendas), vol. II, p. 149. Edição de Pierre David e Torquato de Sousa Soares, 2 vols., Coimbra, 1947-48), de ligações íntimas à Ordem do Templo, na época em que haviam desavenças ríspidas com o Cabido da Sé de Coimbra que pretendia assenhorear-se daqueles domínios, indo encontrar pela frente a forte oposição dos templários (vd. Maria Alegria Fernandes Marques, O Litígio entre a Sé de Coimbra e a Ordem do Templo pela posse das igrejas de Ega, Redinha e Pombal, in Jornadas sobre Portugal Medieval, Leiria, 1983).

A origem do ramo familiar Mariz situa-se perto de Barcelos, precisamente na aldeia de Mariz cuja igreja de Santo Emilião, muitíssimo restaurada de cuja traça setecentista pouco resta e da românica nada, fora anteriormente unida ao convento de Vilar de Frades pelo Papa Júlio II, a instâncias do Cardeal de Alpedrinha, em 1507, mas já constando das Inquirições de D. Afonso II, de 1220, com a designação “De Sancto Miliano de Maariz” de Terra de Nevia, ainda que a Coroa não tivesse nenhuma jurisdição ou direito sobre os Marizes, e a que tinha seria tão-só para os proteger e apoiar, servindo de “Escudo Defensivo” ou “Círculo de Resistência”, como foi o caso da Ordem dos Cavaleiros Templários (de pendão vermelho – Kundalini) e da Ordem dos Frades de São Bento de Avis (de pendão verde – Fohat). Isso mesmo consta nas Inquirições de D. Afonso III, onde está escrito: “In Judicato de Nevia in parrochia Sancti Miliani que el Rey non est patronus da ecclesia.” – In Teotónio da Fonseca, O Concelho de Barcelos Aquém e Além-Cávado, volume I. Reprodução facsimilada da edição de 1948, Barcelos, 1987.

Como disse, a “Mui Nobre e Antiga Família Mariz” teve o seu solar nesta freguesia, cuja Paço era a Casa de Argemil, depois passa-da a Morgado dos Ferreiras da Casa de Cavaleiros.

Segundo o Armorial Lusitano – Genealogia e Heráldica (Lisboa, 1961), os Marizes dizem-se descendentes de Mengo de Mery e o mais antigo que se conhece do apelido, em Portugal, se chamou Afonso Nunes de Mariz, casado com D. Maria Carrilho Esteves, filha de Estêvão Gonçalves e de sua mulher, Urraca Afonso. Alguns autores dão a seguinte ascendência a Afonso Nunes de Mariz: Roberto Mengo de Mariz passou de França a Espanha, reinando Afonso VII, e esteve na batalha que Nuno Afonso, governador de Toledo, deu aos mouros de Córdova e de Sevilha, e cortou a cabeça ao rei mouro Bencarra, de Sevilha; o seu filho, Pedro Mengo de Mariz, casou com uma filha de Nuno Afonso e o seu neto, Nuno Peres Mengo de Mariz, viria a casar com Iria Gonçalves Palomeque, de cujas núpcias sairia o referido Afonso Nunes de Mariz.

De entre as suas Armas principais, os Marizes trazem por brasão: de azul, com cinco vieiras de ouro, postas em cruz, acompanhadas de quatro rosas de prata. Timbre: um leão sainte de azul, sustentando uma vieira do escudo.

Para encerrar este estudo dedicado à Excelsa Mãe Divina incarnada na Ordem que A representa como Espírito Santo na Terra, respigo alguns trechos da carta de Dona Helena Jefferson de Souza, esposa viúva do Professor Henrique José de Souza, escrita em São Lourenço (MG) em 28.1.1977, dirigida Aos queridos Filhos de Sintra:

– Felicito a todos por tão feliz empreendimento, que vem provar o entusiasmo e amor de vocês pela nossa Obra, a qual teve o seu ponto de apoio, para chegar ao Brasil, aí em Portugal, ou, mais precisamente, em Sintra, que lhe deu grande cobertura espiritual, com o vigoroso impacto dos Gémeos Espirituais pelos braços poderosos do 5.º Bodhisattwa. Notem bem: o 5.º Bodhisattwa no 5.º Posto Representativo. Não é admirável? É tema de meditação.

No Presente trabalhamos para o Futuro. E já que tenho falado tanto em 5.º Princípio, 5.º Sistema, não será demais lembrar que o número 5, ou melhor, o Arcano 5 é a chave numérica do Pentagrama Sagrado, o qual deu origem à forma do corpo humano. A criatura humana, de braços e pernas abertos, é uma Estrela de Cinco Pontas. É o ser da 4.ª Hierarquia com a possibilidade de alcançar o 5.º Princípio Cósmico. Será o sistema endócrino que formará a estrutura humana do 5.º Sistema, como hoje o cérebro-espinal o é do 4.º Sistema. Adianto-lhes que já existem Seres que são frascos humanos que abrigam a Quinta Essência Divina, que desceu dos Céus como Hálito de Deus. Estes são os Orientadores da Humanidade. Ai dela se não existissem esses suportes físicos, garantindo-lhe a possibilidade de evoluir.

 

 

Para terminar, um conselho que há tempos dei no Templo: “Sem o Amor Universal nós não podemos trabalhar pela Obra. Tem que haver “esta unidade”. Nós somos “um” aqui dentro; o nosso pensamento tem que ser uníssono, o corpo tem que ser “um”. Então, se Eu sofro, todos sofrem comigo, se o meu Filho sofre, todos sofrem com Ele; se o meu Irmão sofre, todos sofrem com Ele. Tem que existir essa “Unidade Absoluta” aqui dentro”.

AT NIAT NIATAT

(Um por Todos e Todos por Um)

BIJAM

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