São Jorge de Portugal, Patrono da Teurgia Portuguesa ao qual consagrou o seu Santuário Ak-Sherim, o do “Louvor da Luz”, em conformidade ao lema da Comunidade Teúrgica Portuguesa – Laudate Gloriam Dei, “Louvai a Glória de Deus”.

A Luz ou Esplendor do Quinto Luzeiro, Arabel, por quem age o Glorioso Al Djabal, o “Todo-Poderoso” Mikael, Midal, Milich-al-Shadai que na função de Metraton teoplasma-se na Terra como Asgartok, Vaidorge ou Akdorge, o “santus bellator” Jorge ou George, Gheoergon, o “Obreiro Universal”, na transposição livre do grego, identificado ao evoco de Rei do Mundo – Melkitsedek na Bíblia, Chakravarti nos Vedas, Summo Superius Incognitus na Rosacruz, Pater Rotan na Maçonaria, Muni-Jagrat-Khotan em Agharta, nesta onde é o Chefe Supremo das Forças Armipotentes desse Mundo e que na Face da Terra, por Lei de Causalidade, acabaria consignando-o nos meios castrenses, nomeadamente em Portugal, Patrono do Exército Português.

Mikael e Akdorge são ambos Guerreiros da Luz e do Trono de Deus, com funções distintas mas que se completam: Mikael é o Chefe das Hostes Celestiais agindo por Fohat, a Energia Celeste, que na Terra se expressa como Justiça Divina, separando os justos dos injustos, os perfeitos dos imperfeitos, as virtudes dos vícios, as skandas das nidanas. É o Arcanjo Salvador medianeiro ou psicopompo entre o Primeiro Logos Imanifestado e o Terceiro Manifestado, donde a sua função de Metraton ou “Medida entre a Terra e o Céu ou Sol” (Metra+Aton). E manifestado no Imperador do Mundo, Akdorge, Chefe das Forças Planetárias actuando por Kundalini, a Força Terrestre tomando expressão como Justiça Terrena. Tais Forças Planetárias são sétuplas nas suas características individualizadas, como sejam os Sete Dhyanis-Budhas do Novo Pramantha a Luzir, de quem é Chefe Supremo esse mesmo Cavaleiro da Espada Flamígera ou da Cruz Esplandecente, o Tetragramaton, os quais agem através dos Adeptos Perfeitos e Discípulos adiantados estrategicamente esparsos no Mundo mas ligados aos respectivos Postos Representativos da Obra do Eterno na Face da Terra, posto localizarem-se nos cinco continentes.

Um desses sete Postos Mundiais era o Posto de Sintra da Ordem dos Avizes, Marizes, Morizes, Moiros ou Morias, no dizer do Professor Henrique José de Souza, vindos de São Lourenço dos Ansiães para esta Serra Sagrada onde teceram incógnitos mas seguros o destino da Mónada Ibero-Europeia, Opera Magna, Opus – 1 a que chamaram Cruzeiro Mágico de Mariz, afinal sendo o Tetragramaton na Terra (Akdorge) iluminado, vivificado pelo Metraton, função celeste de Mikael.

Talvez ou certamente por isso, nos lugares ocupados pela Família e Ordem de Mariz o Orago seja quase sempre Santiago, misto de Peregrino com o Báculo – função sacerdotal – e de Cavaleiro com a Espada – função guerreira. Isso por Santiago ter funções idênticas às de São Jorge e se aclamar aquele no medievo antes de se generalizar a aclamação militar deste.

São Jorge, em grego Ágios Geórgios, Άγιος Γεώργιος, em latim Georgius, que a lenda hagiográfica situa o seu nascimento entre o ano 275 e 280 d. C., e a morte como mártir em 23 de Abril de 303, dia em que é celebrado (depois da sua canonização no ano 494 pelo Papa Gelásio I) como o mais proeminente santo militar, sendo igualmente um dos 14 santos auxiliares; é também festejado em 3 de Novembro, data onde no século IV foi reconstruída a igreja a ele consagrada em Lida ou Lod, cidade no Distrito Central de Israel, onde se encontram as suas relíquias.

Este “santo impossível”, com semelhantes iconográficos muito anteriores ao próprio Cristianismo (Perseu grego, Akdorge transhimalaio, etc.), dispõe-se nas mais hieráticas tradições. Com efeito, se existe um mito autenticamente ancestral no santoral dos cristãos, um mito acumulador de chaves e significados procedentes do passado mais remoto do paganismo, seguramente é o que está reflectido em São Jorge, o santo cavaleiro andante que liberta donzelas, luta com dragões, faz a tarasca e propicia o esplendor das colheitas. Se existe um santo osmótico por definição, capaz de assimilar em sua personalidade a dezenas de outros santos, sem contar deuses proibidos e heróis simbólicos, esse ser é São Jorge.

São Jorge do Norte, da Terra de João Ninguém ou a Terra do Nunca, São Jorge da Capadócia ou da Arménia no Extremo Norte da Europa, o que remete para a ideia de um Extremo Norte do Mundo, sobretudo telúrico, assim localizando-o e identificando-o ao Paraíso Terreal, a Agharta das tradições transhimalaias, e ele líder pacífico de hostes de anjos espatários como ideal de perfeição da Cavalaria, da Massenia como a do Santo Graal, assim mesmo corporificação de todas as virtudes sobre-humanas de que o cavaleiro devia estar armado e couraçado.

São Jorge vem de longe, tanto no nome como no mito, por regra nada menos que da Geórgia arménia cantada devotamente pelos mais excelsos poetas da latinidade. É o Homem da Geórgia, o Homem Primordial procedente de uma terra que era tão mítica em si mesma que mitificava quanto continha e a quanto se estendia. A lenda fê-lo militar, porém, ele não pertence a legião nem a corte alguma, antes parece ir por anexo para justificar uma armadura – couraça do espírito – e umas armas que haveriam de convertê-lo em paladino, não tanto da confissão de fé mas sobretudo da mais pura tradição iniciática. E se algo faltava, a lenda martirial converteu os seus sagrados suplícios numa serena iniciação que se prolongou, como no âmbito dos Mistérios, durante sete anos, na presença de setenta reis, com provas vitoriosas onde os suplícios com rodas, lanças, fornos e pedras de moinho foram sucessivamente superados, antes de alcançar a gloriosa apoteose depois de três ressurreições, conforme os documentos lendários e apócrifos referentes a ele que serviram para o Decreto Gelasiano do Papa Gelásio I, no século V.

Não será demais acrescentar que determinadas passagens das primeiras paixões relatam como Jorge, em meio dos terríveis suplícios, se declarou disposto a “sacrificar aos ídolos”, o que provocou que Gelásio I as condenasse proclamando-as escritas por hereges, e que o hagiógrafo Nicétas de Paphlogonie ou Nicétas David, no século X, confessasse havê-las lido “indignado”. Por desgraça, dessas primitivas paixões não ficaram mais que refundamentos expurgados muito posteriores nas obras de inspiração mais ou menos directa que escreveram, na Baixa Idade Média, recompiladores como Tiago de Voragine, no século XIII.

Contudo, tanto serviu para São Jorge ser aclamado santo padroeiro em diversas partes do Mundo, tanto de países – Inglaterra, Portugal (Orago Menor), Geórgia, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia – como de cidades – Londres, Barcelona, Génova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo em Brisgóvia, Moscovo e Beirute.

Porém, o santo georgiano esconde outra faceta simbólica da sua personalidade: a de uma perdida divindade fecunda, com evidentes conotações agrárias e florestais. James Frazer aponta as festividades centro-europeias que se faziam em honra de São Jorge, as de Jorge, o Verde, espécie de “Homem Verde” (Green Man) expressivo do “Homem Elemental Primordial”, quais um camponês revestia-se com ramos e folhas de bétula e a imagem do santo era conduzida processionalmente até um rio, onde a sua efígie era atirada nas águas. Também descreve ritos amorosos sobre os sulcos onde haviam crescido as primeiras espigas de trigo. Por seu lado, Joan Amades dá notícia de toda uma série de cerimónias agrárias sob o invoco deste santo que têm ou tiveram lugar em terras catalãs, as quais vêm confirmar o carácter de São Jorge como herdeiro de um deus perdido da fecundidade, o que condiz com a sua data litúrgica, 23 de Abril, em plena Primavera.

Tem-se, pois, a fecundidade, o progresso assegurado por um santo guerreiro e agrário que se tornaria Orago Menor de Portugal após o seu culto ter sido introduzido nele pelos cruzados ingleses que auxiliaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa, em 1147. Mas só mais tarde, segundo se crê no reinado de D. Afonso IV, se passou a usar a invocação “Por São Jorge de Portugal” como grito de guerra contra os inimigos, em substituição ou par com o brado “Por Santiago Mata-Mouros”.

É bem conhecido o facto de D. Nuno Álvares Pereira ser profundamente devoto deste bellator mártir, tanto que mandou gravar na sua bandeira a figura do santo. Também D. João I tinha especial devoção por São Jorge que, como se sabe, foi tido como o principal factor religioso da vitória na Batalha de Aljubarrota. Depois, a imagem gloriosa do santo a cavalo foi incorporada na procissão do Corpo de Deus (Corpus Christi) por decreto do mesmo monarca, onde cristãos, judeus e mouros participavam indistintamente, no mais nobilitante espírito eclético, à sombra equídea do divino Paladino.

Porém, como já disse, pouco se sabe historicamente da vida deste “santo impossível”. Ainda assim, diz-se que nasceu na Capadócia, de uma ilustre família, distinta não só pela nobreza como ainda pelo zelo com que professava e defendia a religião cristã. Pela sua valentia, cultura e aprumo, Jorge ganhou muito novo os favores do imperador Diocleciano, que o nomeou mestre-de-campo.

Mas quando esse imperador romano decretou a perseguição aos cristãos, Jorge, que apesar dos seus vinte anos pertencia, por direito próprio do cargo que detinha, ao Conselho de Estado, fez-lhe sentir quanta injustiça havia naquela situação. O outro, espantado com a inesperada oposição por parte do jovem general, mandou-o prender e supliciar. Milagrosamente, a roda de pontas navalhas que deveria retalhar o seu corpo, não conseguiu rasgá-lo, deixando-o incólume. Seguiram-se outras vicissitudes e suplícios dos quais o mártir saía sempre ileso, até finalmente o decapitarem no dia 23 de Abril do ano 303.

Foi a tradição hagiográfica medieval que acrescentou a esses dados a história da morte do dragão.

Diz essa tradição que havia em Silene, cidade da Líbia, um terrível dragão ao qual o povo oferecia, todos os dias, duas ovelhas. Certa vez, porém, foi necessário oferecer-lhe um sacrifício humano que melhor o apaziguasse, e foi escolhida, à sorte, a filha única do rei.

Jorge, futuro vencedor da Tarasca, apareceu na cidade no momento em que iam imolar a jovem, e imediatamente se ofereceu para a libertar e livrar a cidade do monstro.

Montado no seu galhardo jinete branco, valente investiu contra o dragão ferindo-o com a lança. Em seguida, ordenou à donzela que tirasse a sua corrente e a prendesse ao pescoço do monstro, a fim de o arrastar cativo submisso à cidade.

Uma vez ali chegados, ele montado no seu cavalo branco, ela arrastando o dragão por aquela trela improvisada, Jorge obrigou os habitantes a prometerem receber o batismo e matou o dragão. Impressionados com o prodígio, o rei e o povo de Silene fizeram-se cristãos, mas pouco tempo depois Jorge era martirizado.

Os habitantes de São Jorge, povoação perto de Aljubarrota, em cujo chão sagrado as armas vencedoras asseguraram Portugal Independente, transpuseram a tradição do mártir do Oriente para a sua terra e contam do modo que se segue a história do dragão.

Num lugar hoje impossível de precisar, tinha São Jorge, como general romano, o seu aquartelamento. Costumava mandar os soldados darem de beber aos cavalos à “Fonte dos Vales”, situada num leito do Ribeiro da Mata, mais ou menos a leste da capela que mais tarde lhe dedicaram.

Acontecia, porém, que no momento em que os cavalos se dessedentavam, surgia do interior da fonte um enorme dragão que, urrando aterrorizante, acabava por os devorar a todos.

Pouco a pouco, os sobreviventes recusaram voltar à fonte habitada pelo dragão, com medo de também eles serem devorados. As suas queixas chegaram aos ouvidos do general, que montou no seu cavalo e dirigiu-se à “Fonte dos Vales”. Aí chegado, deixou o cavalo beber, para fazer sair o monstro, e assim que a fera arremeteu cravou-lhe “um ferro” nas goelas e matou-a.

É desse modo que a tradição dos povos da região de Aljubarrota explica a imagem medieval de São Jorge que guardam na capelinha local, representando o dragão debaixo das patas do cavalo do santo.

Também nas margens do Rio Minho, onde as veigas verdejantes da Galiza se alcançam em duas braçadas, as gentes minhotas do concelho de Monção mantêm uma velha tradição que consiste em celebrar todos os anos, por ocasião da Festa do Corpo de Deus, o lendário combate travado entre São Jorge e o Dragão.

A luta tem lugar na Praça de Deu-La-Deu, cujo nome consagrado na toponímia local evoca a heroína que com astúcia conseguiu que as forças leonesas levantassem o cerco que impunham àquela praça. Perante uma enorme assistência, a coca – nome com que aqui se designa o dragão – procura, pesadamente e com grande estardalhaço, escapar à perseguição que lhe é movida por São Jorge que, envolto numa longa capa vermelha e empunhando alternadamente a lança e a espada, acaba invariavelmente por vencer o temível dragão.

O dragão é representado por um boneco que se move com a ajuda de rodízios, conduzido a partir do exterior por dois homens e transportando no seu bojo outros dois que lhe comandam os movimentos da cabeça. Depois do guerreiro lhe arrancar os brincos que lhe retiram a força e o poder, a besta é vencida quando São Jorge a consegue ferir mortalmente introduzindo-lhe a espada ou a lança na goela, momento em que de uma bolsa alojada no seu interior escorre uma tinta vermelha simulando o sangue da coca.

Como ficou dito logo ao início deste estudo, São Jorge é de longe o personagem mítico do santoral cristão mais caro à Tradição Teúrgica Portuguesa. Expressão terreal da celestial de São Miguel, vedor da porta santa do Paraíso Celestial (Mundo Celeste) tem-se este santo bellator entronizado no lugar cimeiro da Hierarquia governadora do Paraíso Terreal, a mesma Região dos Deuses (Gan-Éden) com ele na cumeeira dirigente dos “Cavaleiros de Agharta” ou os “Jinas da Arca”, os santos e guerreiros Kshatriyas.

Tais Kshatriyas são a “Hoste da Luz” dos Assuras humanizados vindo a tomar forma orgânica como Ordem dos Tributários – de Melkitsedek –fundada por JHS na sexta-feira (dia de Vénus) de 23 de Outubro de 1954, tendo precisamente por Patrono o Cavaleiro das Idades Akdorge, hoje mesmo defendendo a Obra de Deus na Face da Terra abrindo caminho à inauguração do Quinto Sistema ou Império (Ronda) sob a tutela do Augusto Deus Arabel (Planetário) viáculo de Mikael (Elohim, Dhyan-Choan Superior), e por sua vez agindo por Maitri ou Mitra-Deva, a Face do Rigor de Maitreya, o Cristo Universal.

Sobre isso, proferiu o Professor Henrique José de Souza em 1940 (in “Reminiscências Atlantes”):

“Akdorge, como escudo de Maitri, representa o Trono ou Origem da prodigiosa série de Yokanans, Arautos ou Anunciadores daquele, através dos Avataras, senão mesmo de todos os Manus raciais, desde que Maitri equivale, como Planetário da Ronda, ao Manu-Colheita. Por isso mesmo, todos os demais são preciosas Folhas dessa prodigiosa Árvore de Sabedoria, como os próprios Budhas o são da de Adi-Budha. Donde o precioso lema de certa Fraternidade do Norte da Índia, ou seja: Adi-Budha, Vaham-Budha, com o significado de “Budha veículo de Adi-Budha”, o que só por si explica tudo o mais quanto nos fosse dado revelar sobre tão transcendental mistério.

“Bem se pode dizer que Akdorge é, ao mesmo tempo, o escudo defensivo da própria Humanidade, até que se manifeste em forma integral o mesmo Maitri, como Redentor-Síntese, ou antes, o verdadeiro Prometido ou Anunciado, desde tempos imemoriais, pelos Rishis, Munis, Arhats, Sibilas e Profetas.

Miguel ou Mikael é um dos sete Arcanjos da Igreja, figurados no candelabro das sete velas, nas sete trombetas da visão de Ezequiel, etc., que em nada diferem dos Dhyan-Choans ou Espíritos Planetários das mesmas tradições orientais, como também dos Amesha-Spenta ou Ameshaspend, como sete Génios benfeitores, que na religião mazdeísta assistem a Ahura-Mazda.”

Acerca da imagem acima do Sosioh persa, o Professor Henrique José de Souza escreveu (in ob. cit.): “De facto, a gravura que nos proporciona, neste comentário, tão profundo estudo, aponta três deuses distintos, do mesmo modo que três animais, dentre eles o crocodilo, etc., ou essas mesmas etapas evolucionais às quais o Homem não deve volver, e sim esmagar, inclusive a puramente psíquica lemuro-atlante, tão do gosto e paladar das massas ignaras, como sejam: o espiritismo (melhor dito, animismo), o hipnotismo, as ridículas facetas com que se apresentam as várias religiões existentes no mundo, por serem, de facto, embaciados espelhos onde se reflecte a Religião-Sabedoria ou Teosofia, como Ciência dos Deuses, Super-Homens, Mahatmas, Génios ou Jinas.

“Por isso, depois da Atlântida todos os Avataras só poderiam ter expressões humanas, pois o estado de consciência em desenvolvimento na Raça Ária, como a 5.ª da Ronda, é o do Mental ou Manas, Manu, o Homem, etc.”

Akdorge esteve presente em toda a Obra do Professor Henrique José de Souza, que como Mestre Vivo (JHS) inclusive materializou várias imagens suas, após as desmaterializar dos vários Lugares Jinas onde estavam e voltar a materializá-las diante de centenas de pessoas, acontecimento que repetiu em diversas ocasiões, juntando às palavras as provas irrefutáveis. To be or not be

Donde lhe provinham esses poderes físico-psicomentais próprios de um Ser do Quinto Sistema? Do próprio Fogo Criador do Espírito Santo promanado do Laboratório de Kundalini ou do Espírito Santo no Seio da Terra, o seu Núcleo ou Sol Planetário associado a Shamballah, sobre o qual disse:

“O grande “Laboratório do Espírito Santo” – como a 2.ª Emanação do Logos – relaciona-se com o “Seio da Terra”, onde vive em actividade “o Fogo Serpentino” ou “Poder de Kundalini”, embora que este se manifeste tanto na Natureza como no Homem. É por isso que se diz que o despertar de tal Força concorre para coordenar as diversas manifestações vitais num todo harmónico, do mesmo modo que faz despertar os poderes psicomentais latentes no Homem. E que tal Força tanto constrói como destrói.

É o grande fenómeno da Teofania entre os neoplatónicos, isto é, o da “Iluminação do homem pela Divindade”. É o mesmo que já acontece aos Adeptos ou Homens Perfeitos e o que há-de acontecer a todos quantos estiverem harmónicos ou afins com o seu Eu Superior, o seu Cristo ou o seu Deus (o nome que lhe queiram dar, inclusive de 7.º Princípio ou estado de Consciência, etc., etc.). Por isso mesmo, é o que acontecerá no final da Ronda ou na chamada “Era da Felicidade”, ou da vitória dos Andróginos latentes.”

Para o citado shakespereano to be or not be, fica:

JHS = HOMEM FEITO DEUS

HJS = DEUS FEITO HOMEM

J.ÚPITER – H.ERMES (MERCÚRIO) – S.ATURNO

SATVA – RAJAS – TAMAS

ESPÍRITO – ALMA – CORPO

BRAHMA – VISHNU – SHIVA

PAI – FILHO – ESPÍRITO SANTO

1.º LOGOS (DIVINO)

2.º LOGOS (CELESTE)

3.º LOGOS (TERRESTRE) = TRIREGNUM, MELKITSEDEK.

O São Jorge mazdeísta, Ahura-Mazda, é o mesmo Vaidorge mongol o qual na cidade do Porto, em Portugal, transmite os seus atributos ao mitificado Vímara Peres, ideoplasmação do mesmo. Sendo Orago do Norte vai bem com a Terra do Norte, a Terra de João Ninguém, simbólica do Pólo Primordial identificado à mesmíssima Agharta como o País do Nunca onde a serpente boreal morde a própria cauda formando o zero que contém a Omnipotência do Eterno.

Por tudo isso, Jorge ou Gorgê no radical helénico vem a ser o Obreiro Universal, o Oitavo Bodhisattwa dirigente dos Sete Dhyanis-Budhas implicados no Futuro imediato do Mundo. Como Medianeiro entre a Hierarquia dos Mestres e a Humanidade comum, Jorge está para a “Fonte dos Vales” da lenda, ou seja, é o “Vale” ou Vau cabalístico, a “ponte” ligando o Presente ao Futuro, a âmbula evolucional correlacionada a Vénus e à Laringe (a “garganta”, em francês gorge) que se manifesta por Marte e a Lua (a Silene ou Selene da lenda), posto ter por sustentáculo o gástrico e o esplénico, com isto auferindo os predicados de Santo e Guerreiro, ou seja, de Muni e Kshatriya.

Motivo para as Escrituras Sagradas do Oriente descreverem Akdorge como Filho das Sete Plêiades, Mamas ou Krittikas, das quais tomou o nome de Kartikeya, o Senhor de Marte, o “Ceifador de Vidas” na função de Morte, ou antes, de Manu-Colheita expressivo da Face da Justiça do Eterno que vem a ser o Anjo da Espada, o próprio Mitra-Deva.

No Apocalipse de São João lê-se acerca do Quinto Cavaleiro, o do Cavalo Branco (este símbolo zoomórfico indicativo da Cabala ou Tradição Iniciática das Idades, igualmente assinalando a Cavalaria Celeste, a “Massenia” original ou “Maçonaria Angélica” do Santo Graal, a mesmíssima dos “Jinas da Arca” (Kshatriyas) tomando a designação de Traishus-Marutas, as “Forças Ocultas da Natureza”), que um dia virá separar os justos dos injustos e instaurar à Face da Terra o “Reinado do Cordeiro” trazendo a ela os valores da Jerusalém Celestial, outro nome para indicar a presença etérea da “Mansão do Amanhecer”, Shamballah, a oitava cidade capital de Agharta. Isso também vale pelo despertar da visão etérica da Humanidade futura para as realidades sublimes por enquanto ocultas à sua visão grosseira animada por Tejas, o fogo denso, mas não por Agni, o fogo subtil.

Akdorge representa-se na estátua do “Guerreiro” no Parque da Pena de Sintra, Serra Sagrada, o “Arquitecto” de um novo período de Humanidade que no bojo deste Quinto Chakra Planetário oculta mas certeiramente vai unindo o Trono ao Altar, a Cultura ao Carácter, o valor guerreiro do Augusto Arabel ao valor sacerdotal do Excelso Akbel, assim mesmo a Sinarquia à Teosofia na implantação do Império do Espírito Santo que é o Filho tomando forma pela Mãe, expressão cultual registada anualmente na Procissão de São Jorge em Lisboa, vinda do tempo de D. João I, o qual se perpetuaria na estátua equestre do pressuposto D. José I no Terreiro do Paço da capital, mas que ostenta todas as características iconográficas do mesmo São Jorge, não faltando a Cruz Maltense afim aos antigos Marizes na configuração geral da peanha onde assenta o afinal Rei do Mundo (Akdorge) empunhando o ceptro imperial e o cavalo calcando sob os cascos as ofiúsas ou serpentes que fazem as vezes do dragão.

Ainda segundo o Professor Henrique José de Souza, quem visitar o Mosteiro de Tjigad-Jé, no Tibete, ligado ao antigo “Retiro privado do último da série dos “Traishu-Lamas”, encontrará na sua galeria de Bodhisattwas o derradeiro ou oitavo, “o futuro Budha Branco do Ocidente”. Além da sua tez dessa cor, e não amarela como a de qualquer oriental, vem provar que “Ele se manifestará no Ocidente”. O seu adorno alegórico, em guisa de aura, é uma ferradura de pedras preciosas. Para os leigos nenhuma expressão possui essa alegoria, mas para um Iniciado a mesma significa a excelsa manifestação da 10.ª Encarnação de Vishnu – equivalente ao Filho no Cristianismo – para lá do Kala-Pani ou das águas do Oriente, portanto, no Ocidente, o Nur-Jahan. Essa Encarnação Divina toma forma como Kalki-Avatara, o “Cavaleiro do Corcel Branco”, sendo o mesmíssimo Maitreya ou o Cristo. Todos os Santos Guerreiros com a Missão de Redenção da Humanidade são alegorizados cavalgando um cavalo branco, este tão-só o totem planetário em Aquarius, tal qual o touro (Bhumi) o foi em Piscis.

Voltando à estátua do precioso Oitavo Bodhisattwa na galeria do referido Mosteiro tibetano, possui a tez branca, olhos azuis e cabelos louros, enquanto as demais são escuras, como os nascidos no Oriente. Cerceia-a uma ferradura de ouro lavrado incrustada de riquíssimas pedras preciosas. Essa imagem sagrada de Maitreya confirma a ancestral tradição transhimalaia do Kalki-Avatara, além do mais representando a Idade de Ouro ou Satya-Yuga para a qual trabalharam, e trabalham, todos os Adeptos verdadeiros do Mundo, do mesmo modo que todos os Movimentos de cunho verdadeiramente Espiritualista, sob a égide gloriosa da Excelsa Fraternidade Branca, Grande Hierarquia Oculta ou Governo Oculto do Mundo (G.O.M.).

Também na mitologia grega se encontra a lenda do Cavaleiro Perseu que salva Andrómeda, acorrentada à porta do seu palácio, antes que Medusa (Algol), a Hidra-Dragão, a devorasse, tendo-lhe decepado a cabeça com um golpe certeiro de espada, e após resgatar a princesa conduziu-a pelos céus montado no cavalo alado Pégaso. Esta lenda recebeu-a a mitologia grega dos das tradições astronómicas brahmânicas, e assim foi repassada directamente ao Cristianismo para a construção do mito de São Jorge, por isto mesmo “santo impossível”.

A Igreja Católica dá interpretação pietista, exotérica, à lenda georgiana cristianizada após a helénica: para ela, o dragão é o demónio da heresia, enquanto São Jorge é o fiel divinamente inspirado. Contudo, ambas as lendas não passam de uma mesma alegoria: a princesa acorrentada não é mais do que a Humanidade encadeada à evolução na Terra. Enquanto o dragão, neste contexto, representa a ignorância das Coisas Divinas, as da verdadeira Sabedoria Eterna. Tal ignorância é que concorre para todo o sofrimento humano, pois como dizem as Escrituras Orientais, “todo o sofrimento humano provém de Avidya”, com o significado de “ignorância”, cegueira mental, ou não Vidya, que quer dizer “Conhecimento Perfeito”, isto é, Iluminação Mental pela Iniciação nos Grandes Mistérios Divinos. “Prometeu acorrentado no Cáucaso”, antes dito, no cárcere carnal, à espera de Epimeteu libertador, na Tragédia de Ésquilo, tem o mesmo sentido alegórico das lendas anteriores, embora que na transhimalaia do “Guerreiro Kartikeya” (o mesmo Maitreya hindu-tibetano) com o nome, no entanto, de Akdorge, vem a ser o Cavaleiro das Idades (o Regente dos Ciclos simultaneamente acima deles, os quais se representam na roda navalha que na lenda, afinal, não conseguiu retalhar-lhe o corpo, ou seja, impor-lhe a dor e o sofrimento comum a qualquer criatura encadeada a Samsara, a Roda dos nascimentos e Mortes), expressão dos Avataras cíclicos como manifestação da Divindade na Terra, sendo agora a Hora do Novo Esplendor Celeste assinalado pelo Budha Uno-Trino agindo pelo Bodhisattwa Uno-Trino, em verdade, todos sendo a manifestação de uma única Essência Divina.

Desfeche o Professor Henrique José de Souza no seu artigo citado de 1940:

– Quanto a dizer-se que a Atlântida sucumbiu por ter se desviado da Lei, tais nos horrores praticados na sua decadência, tanto vale por excesso de matéria tamásica, como a mais grosseira das três qualidades de matéria (ou Gunas), na razão de Satva em relação com o Mundo Divino, força centrífuga, etc., Rajas com o Mundo Humano, força equilibrante, e Tamas ou centrípeta, existente no Seio da Terra, como Laboratório do Espírito Santo, ou onde se acha em eterna e constante ebulição o Fogo Cósmico ou Kundalini.

E como todos os Mistérios Atlantes estivessem relacionados com as coisas do céu (e a prova o mesmo termo Reis Divinos), para os cientistas modernos, com a Astronomia, mas, em verdade, com a Astrologia, a começar pelos Titãs que desejavam escalar o céu ou ver o que se passava por detrás das altíssimas muralhas da 8.ª Cidade, aí está a Mitologia Grega, por exemplo, repleta de sublimes revelações, a começar por aqueles Argonautas (de Argo, Arca, Barca, Arghia, Agharta, etc.), que no navio Argo, capitaneados por Jasão, foram à Cólcida ou País dos Calcis, Kalkis, donde o mesmo termo Kalki-Avatara, que se dá ao Redentor-Síntese da Humanidade nas tradições transhimalaias, que é o mesmo Sosioh persa, também o da lenda de Perseu e Andrómeda, do qual a Igreja copiou o seu São Jorge, que a bem dizer vale pelo termo jina ou aghartino Gorge, e até ao mesmo Akdorge tibetano. Por isso que a Etiópia (reminiscência atlante) possui tal santo como seu padroeiro, do mesmo modo que a Inglaterra (por sua vez atlante), pois o pavilhão desfraldado da 4.ª Cidade do referido continente possuía no centro um cavalo alado, na razão de Pégaso, ou aquele nascido do sangue da Medusa, e no qual ia montado Perseu, quando salva Andrómeda do monstro que a perseguia. São Jorge, cópia fiel daquele, salva a princesa acorrentada à porta do seu palácio, por sua vez, matando o dragão. Além do pavilhão atlante possuir um cavalo no centro, no Templo de Poseidon o mesmo era reproduzido oito vezes.

Para terminar: a Humanidade, qual Prometeu acorrentado no Cáucaso ou “cárcere carnal” (o “pote de argila” bíblico), pende, na Balança de Mikael ou Miguel, para o lado do Mal ou Belzebuth, na razão dos Nirmanakayas Negros, encarnados e desencarnados, como já dizia a mesma Blavatsky, para não apontar os Rakshasas Negros que tanto influíram na queda da Atlântida, ou os famosos Titãs que quiseram escalar os céus e depois destruir as invioláveis muralhas que interditavam a 8.ª Cidade (fazemos lembrar a 8.ª Loka ou Região Celeste, que tem por antípoda a possuidora do mesmo nome sânscrito Atla), como o disséssemos neste mais do que esotérico trabalho, por ser, de facto, uma nova revelação, razão por que deveria tomar por símil a Akdorge, que esmagando com as patas do seu cavalo o dragão por ele alcançado (os quatro princípios inferiores teosóficos, esmagados pelos três superiores, a Tríade, a Mónada, a Consciência Imortal), aponta ao Homem que deve fazer a mesma coisa, isto é, dominar os seus instintos inferiores, o espírito do Mal que nele reside, ou seja, o Dragão do Umbral, a que se refere o inspirado Bulwer Lytton no seu iniciático romance Zanoni. Mau karma proveniente das suas vidas anteriores, e na presente aumentado, por continuar afastado da Lei, devido à sua ignorância (avidya) das coisas superiores ou divinas. Karma, também, de sua origem, na razão da queda do Espírito na Matéria. Por isso que deve alcançar a sua própria redenção, superação, etc., por esforço próprio, na razão do faze por ti que Eu te ajudarei.

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