A “Pedra Santa de Kurat” (Sintra). Interpretação iniciática, histórica, linguística e epigráfica – Por Vitor Manuel Adrião Quinta-feira, Jan 27 2011 

A Serra de Sintra constituiu sempre um lugar privilegiado, um aro feito de místicas e encantadas tradições que, a bem dizer, seria uma espécie de Mons Sacer ou Monte Santo onde um dia a Tradição do Santo Graal se fundou e cujos Cavaleiros da Demanda nas funduras da Serra se perderam para, afinal, se encontrarem…

Chegou até, entre os séculos XV e XVIII, a haver necessidade de um salvo-conduto para puder circular livremente pelos caminhos interditos da Serra, como conta o botânico suíço Charles Fréderic de Merveilleux ao serviço do rei D. João V (Memórias Instrutivas de Portugal (1723-1726) – in O Portugal de D. João V visto por três forasteiros. Tradução, prefácio e notas por Castelo Branco Chaves, 2.ª edição, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1989).

Sintra assumia-se Sagrada desde há muito, sendo trilhada por caminhos de fé atravessando quintas e terras ora de ordens clericais, ora nobres ricos, ora da própria Coroa. Daí, também, a necessidade do dito salvo-conduto…

Um dos itinerários de maior importância franciscana era o que saía do pé da Vila e subia a Serra até onde está a Cruz Alta, sendo pois Via Crucis, tendo início na primitiva ermida florestal do Senhor dos Passos dos franciscanos do lugar da Boiça ou Bouça, de que ainda sobra hoje o topónimo caminho dos frades. Subia transpondo o espaço da actual Quinta da Regaleira – de que sobeja pequeno azulejo retratando a descida da Cruz de Jesus – ia ter ao Casal de São Jorge e prosseguia Serra acima até à Cruz Alta, onde o intuído poeta Francisco Costa (1933) deixou na lápide aí “que o Céu visasse o que une o Céu à Terra”… Sobeja também, num recanto defronte ao Casal de Santa Margarida (onde o famoso mago inglês Aleister Crowley esteve hospedado cerca de 1930), um oratório com a Cruz que tinha uma pintura ou azulejo do Senhor dos Passos e sobeja só a cruz cimeira.

No século XIX, tendo já desaparecido a freiria franciscana, o lugar da Boiça passou para a posse dos descendentes da família do inglês Francis Cook, igualmente proprietária do Palácio de Monserrate. Foi quando se fundou a Quinta da Boiça, que ocupa 10 hectares de floresta e hoje destina-se ao turismo rural.

Contudo, ficou a memória dos Espirituais franciscanos aí, e também o testemunho dos seus conhecimentos iniciáticos recolhidos na Fons Magna Sapientia de que alguns deles seriam participes directos ou membros privilegiados: a Ordem de Mariz, a mesma do Culto Universal de Melki-Tsedek de quem foi “círculo de resistência” a Ordem Franciscana, cuja presença humana e espiritual, causalmente, envolve toda a Serra de Sintra e os caminhos do seu Itinerário Jina, dispostos como um Sistema Solar mas conformados a este Geográfico da Terra: Castelo dos Mouros (Sol) – Santa Eufêmia (Lua) – São Martinho (Marte) – Seteais (Mercúrio) – Pena (Júpiter) – Lagoa Azul (Vénus) – São Saturnino (Saturno), e mais a Trindade como 8.ª Coisa ou Causa originadora.

É assim que no vale escondido ao fundo da Quinta da Boiça, na chamada “Boiça ou Bouça dos Cães”, nas proximidades da estrada para Colares, existe, à entrada de um forno circular e disfarçada entre tantas mais pedras que suportam o acesso, uma lápide deveras significativa escrita em misteriosos caracteres, misto de símbolos e hierogramas.

Constitui uma das relíquias da Teurgia Portuguesa que não hesita em cognominá-la Pedra Santa de Kurat (a ponto de uma cópia sua figurar no seu Templo Supremo, junto ao trípode, de modo às suas inscrições tornarem-se etérea ou akashicamente Letras de Fogo ou As-Gardi…), e, quiçá, muito tenha a ver com essa misteriosa Plêiade dos Anciãos da Soberana Ordem de Mariz.

Creio que a Pedra de Kurat foi posta aí muito tardiamente possivelmente trazida de cima para baixo, da primitiva ermida franciscana para o forno de cal. Também nisto há Alquimia e Iniciação, tudo encoberto no óbvio das aparências…

Tal como o Eterno ditou os Mandamentos da Lei aos vários Manus ou Legisladores de Raças, enviando do Céu o seu Raio Jupiteriano à Terra inscrevendo na Pedra com Letras de Fogos as suas Ordens, também assim esta Pedra desceu do alto do monte para aqui, a Bouça dos Cães. É neste sentido que encaixa o termo aghartino As-Gardi, com vários significados: “Fogo que Escreve”, “Raio caído do Céu que grava o Verbo Divino ou Solar”, “A Primeira Pedra dos Mandamentos”, “Ajoelhar-se (prostrar-se) diante de Deus quando fala, ou se manifesta”.

Em fenício, tem-se a palavra Agariman, que significa: “Deus em oposição ou caído”. Na língua persa existe a palavra Ariman, “Em oposição a Ormuzd”. No tupi há a palavra Agariman, “Estrela caída do Céu”. Em chinês existe Agachima, “Dragão que fala lançando fogo”. O Quinto Sub-Posto Sul-Mineiro (Brasil) do Quinto Posto de Sintra no Sistema Geográfico Internacional, ou seja São Tomé das Letras, tem o nome aghartino de Asgarmat, e ambos os Postos estão sob a égide do Quinto Senhor da Ara de Fogo (Arabel…), que no Passado longínquo foi a tal “Estrela caída do Céu”, como canta a Exaltação ao Graal, Ara de Fogo essa que hoje é toda a Sintra ou Sishita, antanho Karma-Shishita ou Shista, em sânscrito, e agora, pela Redenção do Quinto Ishvara, sendo Dharma-Sishita, a “Pedra Branca da Lei”, a primitiva Pedra de Algol (Shakti ou Contraparte de Arabel) convertida Pedra de Asgardi, a mesma com que Asgartock ou Akdorge dita as Regras do Pramantha ou da Grande Fraternidade Branca para o Novo Ciclo da Humanidade, sob a direcção da “Tradição dos nossos Maiores” (Avarat).

No Dicionário de Língua Portuguesa, bouça significa “terreno inculto de mato”, e bouçar “queimar o mato num terreno de lavoura para se fazer a sementeira”, enquanto cão, para além do animal, é também figurado popularmente como diabo, e o seu anagrama, tirando o til do a, é oca, “buraco”. Portanto, “o diabo da oca”, que é dizer, os Assuras da Sura-Loka, a 5.ª Embocadura Sintriana, e por isso estão no fundo do vale expressando o próprio Fogo de Kundalini, o mesmo do Espírito Santo que em sua natureza andrógina é como a cal: misturando água (elemento feminino) no fogo sólido que é a cal (elemento masculino), obtém-se a fervura líquida cujos vapores parecem-se ao enxofre, que na Alquimia representa o Espírito. De maneira que Kundalini, Assuras e o Filho Akdorge ficam em baixo, na Bouça dos Cães, representando o próprio Seio da Terra, e quem está aí e olha para cima, vê nas alturas um cruzeiro junto a duas janelas (do antigo espaço quinhentista de D. João de Castro na Quinta da Penha Verde) que mais parecem os “Olhos do Céu”, a Excelsa Mãe Divina Allamirah, assim reflectindo o Seio do Céu e a Luz de Fohat.

Fohat e Kundalini no mais perfeito dos equilíbrios ou neutralidades na sua própria Yoga, ocupados na sementeira monádica de um novo estado de consciência, bouçando com o Fogo do Espírito Santo – o Terceiro Trono – os elementos podres e gastos do Passado.

Elementos podres e gastos como esse pressuposto dono da quinta que, acompanhando de dois cães infiéis latindo furiosos como se fossem possuídos pelo cão negro Pot-Alef das Forças do Mal, vomitou ou bolçou impropérios os mais desrespeitosos, há alguns anos interceptando-me e ao Paulo Machado Albernaz, discípulo directo do Professor Henrique José de Souza durante 33 anos, junto ao portão público da mesma. Quase perdi a paciência perante o chorradilho das ofensas despropositadas desse cidadão que me culpou por a Câmara Municipal de Sintra não lhe dar os apoios que pretendia para os seus empreendimentos na propriedade, como se eu tivesse alguma coisa a ver com a edilidade… O Paulo interveio, “pôs água na fervura” (que vai bem com a cal) e, já afastados, contou a história ocorrida com o Professor Henrique J. S., quando a chave de uma cristaleira fechada ficara dentro dela e ninguém a conseguia abrir. Mas o Professor abriu-a com uma simples ordem… Pois que, neste caso, fique fechada a ganância perdulária não com uma mas com sete chaves, que é o que a impuberdade jiva merece e só.

Para esse cidadão mal-educado por certamente má criação que é condição quase inata ao estatuto burguês de quem já nasceu rico e pensa que tem “o rei na barriga” e a Humanidade só existe para ser maltratada e o servir (“é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus…”, já dizia Jesus), também vale a Pedra de Kurat com o seu “Aviso Celeste”: Zig-Zag.

Sim, esse é termo aghartino expressando o Raio Divino que ziguezagueando desceu à Terra fulminando tudo à sua passagem, até a sua ponta, como se fosse o Dedo de Deus (Aca-Bangu, em tupi), inscrever as Leis do Novo Pramantha a Luz. De Zig-Zag originou-se Zain, Zaini, Sinai, Asin, Ashin, todas com o significado de Deus, e também Zait, Ziat e Cruziat, o Cruzeiro do Sul (ao qual Fernando Pessoa chamada de “Sul Sidéreo da Iniciação” na sua Mensagem), existindo também o Ziat-Rabi-Muni com que se sela o At Niat Niatat, “Um por Todos e Todos por Um”. Tudo de acordo com o Alfabeto Assúrico ou Vatan, que é a Língua Sagrada de Agharta.

A Pedra de Kurat é composta por 17 símbolos ou petroglifos sobrepostos em três fileiras (17×3 = 51, Arcano Menor “O Assessoramento”, correspondendo ao “Rei de Espadas”, tanto valendo por Chefe dos Tributários que é Akdorge. 5+1= 6, Arcano “O Amoroso”, que é Akbel como mais 1 adiante ou somando valor ao 5 ou 5.º, trasladando já o Quinto para o Sexto Sistemas de Evolução Universal, tal qual, numa escala ou arcano menor, a 5.ª Raça-Mãe se transfunde já na 6.ª Raça-Mãe, onde o Mental se funde no Intuicional, ou seja, a Bimânica). O seu conjunto dispõe-se da maneira seguinte:

 Passo de seguida à leitura deste enigma epigráfico – que fui eu quem o interpretou em 1980 e até ao momento o único a tê-lo decifrado, além da primazia de revelar a existência da Pedra de Kurat, comummente chamada “Pedra da Boiça”, o que levou o maior epigrafista nacional vivo a perguntar-me assombrado como eu soubera tais coisas, e lhe respondido que “um passarinho segredara-me ao ouvido” – o qual se compõe, na realidade, de escrita jina do alfabeto Vatan ou, se se quiser, Atlante.

Isso atendendo a que as duas primeiras Raças-Mães (Polar e Hiperbórea) eram mudas, e os primeiros homens que conseguiram falar, a partir da metade da 3.ª Raça-Mãe Lemuriana, aprenderam com os animais. Esta linguagem primordial usada pela Humanidade primitiva chamou-se Linguagem Totémica, foi desenvolvida na 4.ª Raça-Mãe Atlante e tomou os nomes de Vatan ou Vatanan originando o Devanagari, e até hoje é a mesma usada pelos Munis e Todes para se entenderam com os Totens dos vários Reinos. Associa-se à Língua Senzar, mas esta é uma linguagem interior ou muda – a Filia Vocis, poeticamente chamada Voz do Coração e Voz do Silêncio – e aquela é exterior ou falada, passando a Escrita Assúrica na qual os símbolos expressam realidades de ordem transcendente, abarcando simultaneamente os Mundos Físico, Psicomental e Espiritual.

O primeiro petroglifo na primeira linha, corresponde à 16.ª letra devanagari do primitivo alfabeto sânscrito, Ta, ou à egípcia To, logo seguido do segundo petroglifo, Ma. Portanto: “toma, tomai, caminho”. Seguidamente o terceiro petroglifo, Da ou Em, ligando-se ao quarto, relacionado com a 22.ª letra devanagari (a “Escrita de Shiva”, o Espírito Santo), Pha, e a 19.ª vatânica, Ĥe, logo: “frente, adiante”. Segue-se o outro petroglifo, , em egípcio, e com a seta apontando para baixo: Ta, também em egípcio, deduzindo-se: “para, sol, indicativo”. Por fim, o último petroglifo da linha, Ka, 11.ª letra do Vatan significando “alma”, e Ĥe, “acima, suprema”. Logo, “Alma Suprema”, que com a anterior equivale a “Espírito do Sol”.

Assim, tem-se:

– SEGUI O CAMINHO ILUMINADO, EM FRENTE, RUMO À LUZ SUPREMA.

Na segunda linha, o primeiro petroglifo apresenta-se com duas letras. A letra cimeira é a 20.ª do Vatan, Te, e a segunda a 34.ª, La, donde: “levantai-vos, erguei-vos”. Vem depois o segundo petroglifo, cujo traço horizontal formando ós, além do h e do m, designam o “homem”. Segue-se o terceiro petroglifo como junção de duas letras jinas: Ya, e Ga, justamente a 10.ª e a 3.ª do supracitado alfabeto, significando: “juntos, unidos”. Aparece em seguida o quarto petroglifo, com o traço horizontal não tocando um dos ós, que assim forma um u, além do h e do m, portanto, tem-se “mulher”. Logo vem o quinto petroglifo que, sem o acento indicativo no ó inferior, quer dizer Phe em devanagari, e com a terceira letra vatânica Ga, leva a: “elevai, subi, ascendei, despertai” a: Kundalini (sexto petroglifo), a Luz Interior, recebendo o fluxo espiritual do Sol, de Fohat por cima dela (5.º petroglifo da 1.ª linha). E esse despertamento só será justo e perfeito se o Homem e a Mulher dominarem e sublimarem as suas paixões e instintos inferiores, enfim, a passional natureza carnal (sétimo petroglifo).

Desse modo, compõe-se:

– ERGUEI-VOS UNIDOS, HOMEM E MULHER! DESPERTAI A VOSSA LUZ INTERIOR PELA SUBLIMAÇÃO DA NATUREZA INFERIOR.

Na terceira linha, o petroglifo em primeiro lugar é o mais complexo por compor-se de vários hierogramas: o X é a 30.ª letra vatânica, Qe; o vaso é a 25.ª, ne; as asas do vaso o triângulo vertido, Pe, e o triângulo invertido, Pa, as 28.ª e 39.ª letras do mesmo Vatan; a Árvore da Vida iluminada pelo Sol, são os três tramos do arbusto (a sarça ardente?) com a esfera cimeira, que querem dizer “uno-trino” em língua jina. Portanto: “No relicário do coração a Trindade é Unidade”. Vem depois o segundo petroglifo que faz lembrar um deva, uma criatura angélica, sendo composto de três siglas: 8, “infinito”, S, a 33.ª letra vatânica significando The, “conter”, e a 11.ª Ka, “alma”. Logo: “a Alma contém o Infinito”. Curioso o traço no cimo da figura sugerir o chakra coronário apontando Kundalini imediatamente acima. Segue-se o terceiro petroglifo, também ele formado por três letras jinas: a 6.ª, “ora”, a 12.ª, “e”, e a 17.ª, “ore”, isto é: “ora e labora”, o mesmo que “por espirituais esforços”. Desfeche o quarto petroglifo, a “chave”. Simbólica e realmente, a “chave canónica” (Pushkara) é a única que dá direito a abrir os portais dos Mundos Subterrâneos. Por isso mesmo, além de matemática ou canónica, representa em si a tradicional “Palavra Perdida” (Xem-Ha-Meforax), a que se referem os Adeptos Vivos (um destes o próprio São Francisco de Assis, da Linha dos Místicos ou Amorosos que é a Kut-Humi), guardada no Sanctum Sanctorum da MANSÃO DO AMANHECER: o LABORATÓRIO DO ESPÍRITO SANTO como a mesmíssima SHAMBALLAH, com a qual SINTRA tem relações íntimas desde os tempos mais remotos, pois que também esta MONTANHA SAGRADA, no seu papel crucial do Presente para o Futuro, é igualmente a ARA DO FOGO SAGRADO, ou por outra, o SOL DO NOVO AMANHECER.

Voltando à frase da terceira e última linha, tem-se na composição final:

– EM VOSSO CORAÇÃO MORA DEUS UNO-TRINO, E A VOSSA ALMA ABARCARÁ O INFINITO SE, POR ESPIRITUAIS ESFORÇOS, OBTIVERDES A CHAVE DA REALIZAÇÃO.

Quanto ao número de símbolos da Pedra, 17 (número do biorritmo de Portugal), corresponde à 17.ª lâmina do Tarot de JHS: “O Verbo em Acção. A Trajectória dos Avataras do Céu à Terra (Vitória de Akbel)”. Sendo no Tarot Sacerdotal Aghartino “A Imortalidade”, acompanhando a lâmina a respectiva legenda: “Eu via o Sexto Sistema. Um Sol Central tinha por embrião enorme Borboleta saindo de um Ser de aspecto feminino. Tive a impressão de que chocavam enorme Ovo, que era aquele mesmo Sol”.

O 17 mais as 3 linhas dão o número 20, que como Arcano de JHS é o da: “Metástase Avatárica. Saída do Ciclo de Necessidade”. E como Arcano de Agharta é “O Julgamento”, com a legenda correspondente: “Eu via um vasto cemitério, de cujos túmulos saía uma luz violácea… Um grande Ser, cercado de luzes, trazia uma Espada Ígnea; tinha de cada lado um outro Ser: um de encarnado com uma espada e outro de verde, com uma palma”.

Numa composição livre, rimada, a desfechar este tema singular, assim posso dispor as frases componentes da mensagem epigráfica da Pedra Santa de Kurat:

 

Tomai o caminho certo

Ide adiante com paz serena.

Nada está morto nem encoberto

A quem ruma à Luz Suprema.

 

Erguei-vos, ó Humanidade!

Elevai-vos com resolução,

Todos juntos, em unidade,

Acima da fera paixão.

 

Vossa Alma o Infinito terá

Se a Chave da Luz tiver.

E não mais esforço haverá

Quando com Deus viver.

 

Créditos fotográficos: Arquivo Comunidade Teúrgica Portuguesa e Paulo Andrade.

Obra referencial: Sintra, Serra Sagrada (Capital Espiritual da Europa), por Vitor Manuel Adrião. Editora Dinapress, Lisboa, Abril de 2007.

 

O Hexalfa é igual à Alma Universal – Por Vitor Manuel Adrião Quinta-feira, Jan 13 2011 

Baalbeck

 

O hexagrama é também chamado hexalfa, estrela ou escudo de David (em hebraico, Maghen David, e em árabe, Dir´a Seyid-n Dawûd). É formado pelo entrelaçamento de dois triângulos equiláteros, um vertido e outro invertido, os quais simbolizam as naturezas espiritual e humana criadas à imagem do Divino (assinalado no emblema como todo). Os seus seis vértices correspondem às seis direcções do espaço (norte, sul, leste, oeste, zénite, nadir) assinalando a conclusão do movimento universal relativo aos seis Dias da Criação, sendo que ao sétimo o Criador descansou. Neste contexto, o hexagrama tornou-se o emblema do Macrocosmos (com os seus seis ângulos de 60 graus = 360 graus) representando a Fonte Única, desta maneira aludindo à harmonia universal entre os processos da Criação e da Reintegração, ou seja, da união da criatura com o Criador, pelo que frequentemente aparece nos vitrais e frontões de igrejas cristãs como referência simbólica da Alma Universal, neste caso, representada por Cristo, ou por outra, por Cristo-Maria, o Espírito e a Matéria, ficando Aquele para o triângulo superior e Esta para o triângulo inferior, resultando do entrelaçamento dos dois o sentido de Substância Universal presidindo à Vida de tudo e todos como Pater Aeternus Omnipotens, o Pai Eterno Omnipotente.

Muito apreciado como emblema profiláctico, o hexagrama foi frequentemente adoptado como amuleto pelos povos cristãos e islâmicos, e não apenas no contexto popular judaico (chamado mezouzah e colocado à entrada das casas judias, como está consignado na Escritura Velha, em Deuteronómio, VI, 4-8).

Aliás, convirá sublinhar que o hexalfa, embora presente na Sinagoga de Cafarnaum (século III d. C.), só a partir do ano 1148 surgiria na literatura rabínica, especificamente no Eshkol Hakofer do sábio caraíta (qaraim ou bnei mikra, “seguidor das Escrituras”, sendo o Caraísmo uma ramificação do Judaísmo que defende unicamente a autoridade das Escrituras Hebraicas como fonte da Revelação Divina) Judah Ben Elijah, onde capítulo 242 expõe os costumes de pessoas do povo que aos poucos mudaram o símbolo do escudo de David de simples selo para um tipo de signo ou amuleto místico: “E os nomes dos Sete Anjos foram escritos na mezouzah… O Eterno irá guardar-te e este símbolo chamado escudo de David contém escrito no final da mezouzah os nomes de todos os Anjos”. Sendo assim, já no século XII este emblema possuía carácter místico e profiláctico, sendo frequentemente gravado como forma de amuleto protector.

O hexalfa tornar-se-á, durante o século XIII, atributo de um dos sete nomes mágicos do Metraton, o Anjo da Face associado à figura do Arcanjo Mikael ou São Miguel como o Chefe das Milícias Celestiais e o mais próximo de Deus Pai. Daí a sua associação ao Nome Divino Schaddai, chegando, posteriormente, a ser confundido com a Menorah (o candelabro de sete braço ou tramos flamejantes indicativos dos Sete Espíritos Diante do Trono: Mikael, Gabriel, Samael, Rafael, Sakiel, Anael, Kassiel), assumindo uma função redentora destacada na sinagoga e sendo apelidado Selo do Deus de Israel. Por isto o hexalfa figura na bandeira desse país.

Com efeito, a identificação da Estrela de David com o Judaísmo começou na Idade Média. Em 1354, o rei Carlos IV (Karel IV) concedeu o privilégio à comunidade judaica de Praga de ter a sua própria bandeira. Então os judeus confeccionaram, sobre um fundo vermelho, um hexagrama em ouro, que desde então passou a ser chamado de Bandeira do rei David (Maghen David), e tornou-se o símbolo oficial das sinagogas e da comunidades e de todas as obras saídas da lavra judaica. Chegando-se ao século XIX, este símbolo já estava completamente difundido por toda a parte, figurando nos carimbos judeus, nos selos dos livros impressos pela comunidade judaica europeia e sobre as cortinas das Arcas Santas (Tebah) nas sinagogas.

A mística judaica levou à alegação da origem do hexalfa estar directamente ligado às flores que adornavam a Menorah, feitas na forma de relevo de lírios de seis pétalas, fazendo uma silhueta parecida à forma desse símbolo. Para os que acreditavam nessa suposta origem do hexalfa, ele havia sido feito pelas mãos do próprio Deus de Israel, argumentando que o lírio é composto por seis pétalas num estilo algo parecido com a Estrela de David. De facto, essa flor é identificada com o povo de Israel no livro bíblico do Cântico dos Cânticos.

A par da sua função profiláctica, o hexagrama exerce a mágica, fama herdada da célebre Chave ou Clavícula de Salomão (em latim, Clavicula Salomonis ou Clavis Salomonis) que é um grimório pseudo-epigráfico, atribuído supostamente ao Rei Salomão, mas cuja origem muito provavelmente situa-se na Idade Média, com origem anónima em alguma escola judaica de estudos cabalísticos dentre as várias que então haviam na Europa, como se verifica no seu texto claramente inspirado em ensinamentos do Talmude e da Kaballah judaica. Essa obra contém uma colecção de 36 pantáculos (símbolos possuídos de significado de natureza mágica ou esotérica) destinados a possibilitar uma ligação entre o Mundo Físico e os Planos da Alma. Existem diversas versões da Clavícula de Salomão em várias traduções, com menores ou maiores variações do conteúdo entre elas, sendo que a maioria dos escritos originais que sobreviveram até hoje datam dos séculos XVI e XVII, no entanto havendo uma tradução em grego datada do século XV.

Como se disse, o hexagrama não constitui de todo um símbolo especificamente judeu. De facto, também no Alcorão (XXXVIII, 32 e ss.) e nas Mil e Uma Noites ele é apresentado como um talismã indestrutível por gozar da Bênção de Deus, proporcionando o poder total sobre os Djins, os “espíritos da Natureza”.

Conotado ao simbolismo do hexalfa, além deste exposto de forma clara, encontra-se nos templos cristãos o seu derivado hexafólio ou sexifólio, a estrela de seis raios e a rosácea ou roseta hexapétala, e apesar das suas numerosas variantes é normalmente interpretado como símbolo solar – o rosetão ou roseta do Sol, antigo símbolo mitraico herdado pelos cristãos para designarem Christus Sollis, o Cristo Solar ou Iluminado, e também a Rosa Mística da ladainha mariana, a Virgem Mãe de Deus, dependendo do sentido geral do simbolismo exposto a qual dos Dois se deve atribuir no caso particular esse símbolo.

Igualmente no Tibete e na Índia os lamas e brahmanes, que são os sacerdotes das respectivas religiões budista e hindu, adoptam este símbolo universal do hexalfa considerando-o o símbolo do Criador e da Criação. As cores originais dos dois triângulos entrelaçados eram o verde (triângulo superior) e o vermelho (triângulo inferior), apesar de posteriormente terem sido alteradas para as cores branca e negra, esta representando a Matéria ou Prakriti, em sânscrito, e aquela o Espírito ou Purusha, em sânscrito, duplo triângulo entrelaçado levando o nome inefável de Satguna Chakra ou Satkuna Chakram, o qual os brahmanes dão como sendo a insígnia do Deus Vishnu, cujas prerrogativas hipostáticas dispõe-no idêntico ao Filho na Trindade cristã.

Tem-se assim, na Trimurti hindu, para o triângulo superior do hexalfa, Brahma, Vishnu e Shiva, correspondendo na Trindade cristã ao Pai, Filho e Espírito Santo, enquanto triângulo inferior dispõe-se Shiva, Vishnu e Brahma, ou Espírito Santo, Filho e Pai. Por aqui se vê que o Filho ou Vishnu ocupa sempre o lugar do meio ou aquele que separa o Divino do Terreno como Hipóstase Celeste que é, e por isto a tal emblema se chama Satguna Chakra, que no Ocidente leva o nome gnóstico Estrela de Mercúrio, este no sentido mais que sideral, filosófico ao referir-se à Alma Oculta do Cristo, o que os Iniciados orientais chamam de Estrela Resplandecente de Maitreya – o Messiah ou Avatara Síntese manifestado sobre a Terra do Céu ou Sol Azul do Segundo Trono ou Mundo que é o de Vishnu, o mesmo Cristo Universal  e que vem a liderar as Hostes Luminosas de Akbel sobre a Terra, nesta onde no Presente se cria já o 6.º Sistema de Evolução Universal, sob a chancela de Mercúrio em cujo Gobo o Homem criará asas e será um Deva Luminosa, um Anjo Alado… depois de ser Andrógino Perfeito a caminho do Ser Flogístico com que findará a manifestação do Universo, dando lugar a outro sobre o qual todas as conjecturas revelam-se vãs e perdem-se em elocubrações dum longínquo Porvir.

Assim, resta defechar com breve trecho respigado a um Livro Sagrado, o qual resume de forma magnífica os princípios e finalidades da Obra Teúrgica sobre a Terra:

No dia em que a Estrela Luminosa de Mercúrio inclinar da fronte de Maitreya sobre a Terra e se ouvirem os cantos dos Dharanis e as palavras dos Dhyanis, e os homens sob o Pendão Universal  de Maiores Homens  a eles se unirem felizes três vezes, vendo o Redentor da Vida e da Morte em si mesmos, finalmente esse será o Dia do Sede Connosco!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Vida Oculta de Sintra – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Jan 4 2011 

Fevereiro de 2003

A Intuição é mais atrevida que a Inteligência.

 JHS

 

A vida oculta, psicomental e mesmo espiritual, para quem a vivência desvela-se uma realidade muitíssimo maior, em vastidão e abrangência, que a visível e tangível aos cinco sentidos comuns, constitui-se mundo maravilhoso de surpresas as mais gratas a todo o homem e mulher que se consagre de mente e coração ao seu próprio aprimoramento interior, espiritual, vivendo bem, eugenicamente consigo, com tudo quanto vive, logo, com toda a Natureza-Mãe, sendo assim, na pura acepção da palavra, Eubiótico(a), transformando o fenoménico em noménico, consequentemente se assumindo Ser Teúrgico pela Arte Magna do Bem, do Bom e do Belo.

Bem sei que este estudo (feito muito antes da data assinalada, recuando aos anos 80 da centúria passada e por várias vezes publicado, inclusive enviado para a revista “Dhâranâ” no Brasil) foi durante muito tempo aguardado por vasta plêiade de discípulos, estudantes e pupilos da OBRA DO ETERNO NA FACE DA TERRA que é esta mesma TEURGIA DE AKBEL, mas, Amigos e Veneráveis Irmãos de Ideal, é bem pouco quanto tenho a oferecer acerca da Vida Oculta de Sintra, tema tão vasto perpassando largamente a minha humilde pessoa… muito mais por não ser de maneira alguma um Adepto, Mahatma, Guru ou coisa que o valha. Tão-só me tenho por Munindra ou Discípulo de Bhante-Jaul, algures no Caminho da Iniciação, membro de uma Colectividade Espiritualista Luso-Brasileira com alguns milhares de afiliados da qual tenho sido eco nesta parte do Mundo, e, por estar aqui à dianteira da mesma, sou quem mais fica exposto à apreciação pública por via da comunicação social e outros meios de informação. Mas não sou nem ajo como um “caso isolado”, antes uma parcela activa integrada numa Instituição Cultural-Espiritualista de que tomei a dianteira em Portugal, e nesta função representativa a tenho propagado desde 1978, ciente de que tenho contribuído muitíssimo para o desenvolvimento e propagação do já chamado “Ocultismo Português”. Essa Instituição fonte de minha iniciação espiritual, é a antiga Sociedade Teosófica Brasileira, cujo programa de informação e formação actualmente é prosseguido pela Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Quanto sei ao Pensamento Iluminado do Professor Henrique José de Souza (para Teúrgicos e Teósofos, o Mestre JHS) o devo, inclusive a eventual possibilidade de alguma vivência junto ao mundo encantado da decantada Maya, esse mesmo dos deuses Jinas… Mas já que o quereis, mesmo que estudo decantado, pois bem – avante!

Devo iniciar por dois princípios básicos que estão na constituição sinergética, psicomental, da velhinha KURAT-AVARAT, KALA-SHISTA ou SISHITA, hoje SINTRA: as influências planetárias do Raio Púrpura de Júpiter (como Luzeiro ou Princípio Celeste) e do Raio Azul de Vénus (como Planetário ou Princípio Terrestre, o Chakra – VISHUDA). Estas são as Linhas de Forças fundamentais do Quinto Posto Representativo Internacional, todo ele ligado ao Mistério dos Assuras e ao correspondente Arcano “A Casa de Deus”, assim também aos Mistérios do Quinto Bodhisattva JEPHER-SUS e da Mãe Divina MORIAH, o que me reverte à Carta da saudosa Grã-Mestrina D. Helena Jefferson de Souza (avatara da Princesa ADAMITA), endereçada aos Teósofos de Portugal em 28 de Janeiro de 1977.

Aí a Venerável Grã-Mestrina cita as Ordens de Avis e de Cristo como Colunas de apoio e guardas avançadas protectoras ou “Escudo de Resistência” da Quinta Rama da Excelsa Fraternidade Branca, a mesma Soberana Ordem de Mariz, o que, reportando-me ao Passado, leva-me a dispor o esquema seguinte:

Reportando-me ao Presente, em conformidade às prerrogativas do Venerável Mestre JHS para a Obra Divina dos Lusos:

Pelo Quinto Princípio Geovital que é a Embocadura de Sintra – vinculada à Fala, ao Verbo Criador como Âmbula de Evolução Universal escoando-se a todo o Mundo – no final de contas por ele se escoa o Vapor Ígneo ou Púrpura de Kundalini, cuja natureza interior ou feminina expressa a venusta Mãe Divina da Criação e a quem a fecundou, cosmogonicamente falando: o poderoso Thor, Zeus ou Júpiter, o que leva a rematar em modo de saudação: Ave Mariz Nostra!

«Tudo quanto se passa na Obra, no Brasil, tem a ver com Portugal, e vice-versa», afirmou repetidas vezes o Professor Henrique José de Souza, palavras corroboradas naquelas outras em Carta datada de 1956 que endereçou aos Teósofos portugueses de então:

«A Obra, no Brasil e em Portugal, corresponde a duas Ramas da mesma Árvore, que devem desenvolver-se em harmónico equilíbrio, como os braços de uma Balança na qual, o Fiel é a Grande Fraternidade Branca, vibrando no peito do Monarca Universal, de cujo centro mesmo irradiam para as quatro direcções os quatro Animais da Esfinge, expressão ideoplástica da Suprema Hierarquia Assúrica. Eu estou em Verdade e Espírito nessas plagas (Portugal), origem da Obra, porque, aí, sou exaltado com fé e amor. Eu sempre estou onde Me amam e com aqueles que crêem em Mim…»

O Venerável Mestre HENRIQUE, EL RIKE ou MAHA-RISHI sempre teve o Grupo Teosófico Português na maior das considerações e nele apostou fortemente, sei-o de fonte segura e a mais próxima Dele. O que o futuro trouxe depois, já é outra história!… Acabado de se firmar nesse já afastado ano de 1956, logo no ano imediato, em 14 de Abril de 1957, o Quinto Senhor ARABEL inaugurou o Quinto Sistema de Evolução e após Ritual Nobre no Templo do MEKATULAM, desceu a Agharta e peregrinou por todas as suas Cidades, da 1.ª à 7.ª, volvendo depois à superfície (em BADAGAS, o Mundo semi-subterrâneo) pelo Templo de JARA-KAN-LHAGPA, no Oriente, passando a visitar os 7 Postos Representativos avatarizado em 7 Adeptos das 7 Linhas.

No 5.º Posto de Sintra esteve três dias, desde o dia 23 a 26 de Maio de 1957, na pessoa do Muito Venerável Thomas Vaughan (ARA-AMU-CABAYU), representante do Teshu-Lama, antes, de Takura-Bey, Supremo Dirigente da Maçonaria Universal dos Tachus-Marus. Ora o Excelso Deus do Pentalfa Flamejante, ARABEL, aqui deixou um Tode da Corte de SAMAEL ou LUZBEL: Jina-Maruth. Aqui deixou um Muni da Corte do Ishwara AKBEL representada em RABI-MUNI, “Senhor das Sete Montanhas Sagradas”: Apta-Muni, expressando a Quinta Veste Mental Superior ou Venusiana do Eterno – ASTAR-MUNI, de quem o mesmo RABI-MUNI é a Sétima Veste Nirvânica ou Jupiteriana. Apta-Muni é o Guardião da Obra Divina, Templária, em que se cria o Novo Presépio (APTA) em plagas lusas. Jina-Maruth é o Guardião da Embocadura Sagrada e da Instituição Maruta, Maçónica no sentido de “Construtiva” (e também “Destrutiva”, das formas velhas, podres e gastas do despreparo do passado ante o Presente projectando o Futuro), agindo com as forças elementares e elementais da Natureza, ou seja, com almas humanas e com “espíritos” naturais.

Mas também, como já disse, no sentido de “Destrutiva”, ao remeter para as Talas Sombrias ou regiões demoníacas e infernais do “Cone da Lua” todos quantos por Sintra, neste particular, ousam afrontar a Vontade de Deus querendo impor às Cidades ou Lokas Luminosas de Agharta a presença das suas Sombras ou astralinas cavernas tenebrosas sob elas, e por aí sobre o Mundo. É assim que a Loja Negra e os seus súbditos actuam nos alucinados psíquicos ou desvairadas vítimas envoltas no crepe mortal da Maya serrana. Por isso, entre 1998-2000, usando da Face do Rigor em Nome da Grande Loja Branca, me impus de espada tributária em punho, pronta a golpear em Nome da Lei, e hoje bem se vê as coisas estarem muitíssimo melhores na Montanha Sagrada de Sintra. Também muitos impúberes psíquicos se salvaram dessa maneira, quase boçal (e que quase me custou a vida…), a que fui obrigado a fazer recurso, cuja intenção última bem poucos compreenderam e menos ainda me ajudaram numa batalha declarada e decisiva aos olhos do Mundo, cuja Vox Populi já desde muito antes profetizava: “A 2000 chegarás, de 2000 não passarás”… Mas passámos, mesmo sem o apoio desses que se dizem «discípulos dos Mestres de Luz, quando não eles mesmos os próprios Mestres». Dizem-se? Deixe-se que digam…

Mesmo assim, algo mais tenho a dizer: na Estremadura ou Portugal Central existe um triângulo de forças psicomentais composto por SINTRA – MAFRA – LISBOA. A primeira está para as LOKAS, a terceira para as TALAS, a segunda para o jogo EQUILIBRANTE entre elas, tal qual FOHAT e KUNDALINI no “diabolô” verde-vermelho entre AKBEL e ARABEL. Tanto que, se a hindustânica MAHARA, “Grande Altar”, é hoje MAFRA, este topónimo revela-se antítese de RAFAK, se se deitar ou prostrar o M, por extenso ARFAK, a sede mundial da Loja Negra, na Nova Guiné. Em Mafra, neste particular do triângulo de forças, tanto se pode encaminhar o Mental para o “Cone do Sol” (Evolução) quanto para o “Cone da Lua” (Involução), tão bem representado na lenda das “ratazanas nos subterrâneos do Convento”, o que ocultamente exprime as almas em extinção…

De maneira que foi graças a ARABEL que firmaram presença em SURA-LOKA um Muni e um Tode, expressando a Quinta Veste Divina, e firmando mais ainda, ante o Novo Ciclo que já despontou (em 2005), a ligação deste Quinto Posto ao Quinto Sub-Posto de TASSU (S. Tomé das Letras, Minas Gerais do Sul), por via de um CABAYU (Linha Morya) e de um GARÁ (Linha Kut-Humi) aí instalados montando guarda lateral ao Templo Sedote sob o PICO DO LEÃO (LEO…NEL), reflexo do de aqui, sob o PICO DO GRAAL.

De maneira que se tem a exposição seguinte das 7 Linhas do NOVO PRAMANTHA e dos 7 Postos Representativos assinalados nos respectivos Países por onde o Excelso ARABEL transitou, como que antecipando a abertura do Mundo Jina a esse mesmo NOVEL CICLO DE EVOLUÇÃO UNIVERSAL.

 

Nota: – Os Dhyanis-Kumaras estão para os Raios Planetários (provindos do Logos Solar ao Logos Planetário) e os Dhyanis-Jivas (Adeptos) para a adaptação dos mesmos Raios a Tatvas ou “estados de vibração subtil da matéria”, que irão determinar as vibrações particulares dos respectivos Chakras e estados de Consciência, tanto do Globo como do Homem.

 

Sabido é que nestes lugares serranos luxuriantes de flora, de água, vento e sol, os devas menores ou elementais, vulgo “espíritos da Natureza”, encontram neles ambiente perfeito para habitarem e se reproduzirem.

Os elementais da Terra, são os gnomos; da Água, as ondinas; do Fogo, as salamandras; do Ar, os silfos; do Éter ou Quinto Elemento (Quintessência), os Anjos. Os primeiros actuam no corpo físico do Homem; as segundas no corpo etérico; as terceiras no corpo astral; os quartos no corpo mental concreto; os quintos no corpo Mental Abstracto ou Causal, isto é, o encausador dos elementos à contextura do quaternário inferior Humano, como expressão ou reflexo microcósmico do processo idêntico ou macrocósmico com o quaternário inferior do Logos. Os elementais agregados aos veículos de manifestação do Jiva (Homem), chamam-se precisamente devas encadeados; os demais, subjacentes à Natureza, devas libertos.

Acerca da origem do Reino Elemental, não tenho senão que passar a palavra à consideração sábia do Coluna CAF do Venerável Mestre JHS, o Eng.º António Castaño Ferreira, em Aula de 1948 destinada à Série D da Sociedade Teosófica Brasileira:

«Antes da Vida manifestar-se na Forma e expressar o estado de Consciência que chamamos Mineral, ela atravessou um outro que poderemos chamar de Elemental. O próprio tipo de Evolução do nosso Sistema conduz a que, no seu desenvolvimento, apenas possam existir consciências do tipo Elemental nos três últimos Planos (Mental, Astral e Físico). Isso força a consciência elemental a surgir apenas nesses mesmos Planos. No entanto, vimos que existem sete tipos de Consciência, sendo a Mineral a menos evoluída. Como compreender, então, a existência de um estágio paralelo? A resposta poderá ser dada nos seguintes termos: as consciências elementais não são consciências individualizadas como as outras, mas antes forças vivas da Natureza, plenamente cegas e inconscientes, orientadas pelas Consciências mais elevadas que para tal possuem aptidões. Elas são, no fundo, o resultado da animação da actividade dos três Planos inferiores pelas Energias Cósmicas que dimanam dos Três Logos ou Tronos

Pela regularidade dos exercícios espirituais prescritos para o Munindra pelo Mestre JHS, ele vai, grau a grau num processo de Iniciação Verdadeira, subtilizando os seus devas encadeados, influindo nos soltos ou libertos – e assim cada vez mais a Natureza lhe obedecendo… – de maneira a alcançar, por seus próprios esforços permanentes na transformação da vida-energia em vida-consciência, esse estado de Superação a que alguns chamam de Reino Angélico, outros de Quinto Reino Espiritual, mas sempre representado na Terra pelo próprio Reino de AGHARTA.

Sintra, consagrada “Montanha da Lua” elevada a Vénus, é uma lomba distendendo-se do Algueirão / Rio de Mouro até ao Cabum Lunarum ou Serpens, hoje da Roca (Rocha), o ponto mais ocidental da Europa, como é do conhecimento geral.

Posso assemelhar esta lomba a uma cordilheira (semelhante à que cerca a cidade de S. Lourenço de Minas Gerais do Sul, Brasil, conforme confirmei no lugar, como sendo a extensão da Serra da Mantiqueira, mas aí como Montanha Sagrada MOREB), cujo ápice é o pico da “Cruz Alta”, o Pico do Graal ou Pico dos Kurats, onde em tempos remotos aí se levantava grandioso Templo Matriarcal, ou de Sacerdotisas atlantes, consagrado ao Astro nocturno, do qual hoje mesmo sobeja a memória e resta o testemunho solto ou esparso pictórico e arquitectónico.

Pois bem, quando um pico é parte de uma cordilheira toda esta, por sua vez, é presidida por um Ser de bem maior evolução, da mesma ordem que a dos Deuses dos picos isolados, só que mais evoluído ainda. É o Anjo da Montanha, o Deva Regente de todos os elementos que nela vivem como corpúsculos celulares de Seu corpo de expressão que é a mesma Montanha

Forma aproximada de um Anjo de Montanha

Ele influi em toda a sua natureza: terra, água, etc., etc., e mesmo nos humanos que junto ou dentro da Aura de Sintra (que é o seu Ovo Áurico) habitam, assim influenciando com o seu carácter e particularidades os dos sintrenses, estes de comportamento semelhante ao dos Todes e Badagas da Nilguiria e Ceilão, ou seja, pessoas pouco ou nada nocturnas, caseiras e um tanto taciturnas, no sentido de pouco faladoras, como se estivesse permanentemente uma parte sua recolhida sobre si mesma.

Ora isso são particularidades lunares ou de alma, de expressão interiorizante tal qual a Lua que só surge, timidamente, quando tudo se recolhe ao descanso do Senhor Sol.

A própria Montanha se encerra em si mesma e é necessário muito de feminino, de intuitivo, para aperceber a sua natureza real. Tudo nela é mistério, sortilégio, magia… Os sussurros do vento nas copas das árvores, o borbulhar dos riachos, os templos perdidos entre as sombras fantásticas das folhagens, as mansões principescas ocultas ou coroadas pelas penhas verdejantes, enfim, tudo, mas tudo possui um quê de sibilino e fugitivo, como se os deuses se escondessem na esquina de qualquer fraga ou árvore à aproximação do homem ignaro…

O Deva da Montanha Sagrada de Sintra possui uma deslumbrante Aura púrpura rósea e, onde se situa a sua cabeça, parece rodear a fronte um hausto de luz clara azul marinha, salpicada de pontos estrelados dourados, estes os seus “devas” ou formas-pensamento quais “abelhas” douradas projectando-se na Montanha.

Como criação do Segundo Logos e em evolução Dévica paralela à Humana, é um Ser enorme com cerca de 17 metros de altura, esbelto e, se bem que pareça masculino a sua contextura interior é bem mais feminina, denotando-se pelos movimentos esguios, lânguidos e centrípetos.

Os serranos o têm como aquela cultuada na parte oriental da Serra, St.ª Eufêmia (isto é, Eu+Fêmea = a Boa Fêmea, a Boa Mulher, a Boa Mãe), e eu o intuo como AB-SIN – “Luz da Lua”… alimentada por Vénus… fecundada por Júpiter. O que vale dizer: Energia do Centro da Terra e Energia do Segundo Logos ou Seio do Céu ao Centro da Terra, formando a Cruzeta Flogística sobre a Face da mesma.

Possui às suas ordens uma corte de Anjos púrpuras e de Anjos azuis, os quais dirigem as obras dos elementais de Sintra (“os obreiros silenciosos do Templo de Salomão”…). Os Anjos púrpuras são mais perceptíveis nas zonas do Castelo dos Mouros, Cruz Alta e Capuchos. Os Anjos azuis na Torre do Lago dos Passarinhos, Lagoa Azul e já nas proximidades do mar oceano.

Silfos e ondinas estão às ordens dos Anjos azuis; salamandras e gnomos dos Anjos púrpuras.

Estes maravilhosos Anjos possuem de três a cinco metros de altura e os seus aspectos, embora graves e profundos (mais nos purpurados), igualmente demonstram alegria e felicidade (mais nos azuláceos).

Forma aproximada de um Anjo

São eles que intuem o viandante solitário pelos trilhos incógnitos da Serra, verdadeiro Peregrino da Vida se Iniciado for, o protegem e o conduzem ao maravilhoso MUNDO DE ALADINO, ALLAH-DJIN ou dos JINAS, pelo desabrochar de suas virtualidades em potência.

Os silfos têm a seu cargo a direcção dos ventos, das correntes aéreas, distribuindo pelo éter-ambiente as partículas douradas do Prana vitalizador que torna os “bons ares” da Serra os melhores do País e da Europa.

Por sua vez as ondinas captam, por afinidade simpática, grande parte dessas partículas para seu alimento, vitalizando de tal modo as águas de riachos e fontes que as tornam quase (ou mesmo) medicinais.

Os silfos de Sintra são de cor branca leitosa de 5 a 6 centímetros de altura, e geralmente manifestam-se através do sussurro da ramagem, até então quieta, ao viandante que passa. Ou então como fugazes flashs de luz adiante dos olhos. São criaturas simpatizando com os sábios e repelindo os ignorantes e cruéis dos seus territórios. Esses últimos ficam sujeitos aos caprichos das súbitas variações súbitas climáticas: à ramagem que se agita furiosa, às lufadas violentas de vento no rosto, aos assobios arrepiantes, enfim, é ver tais indesejáveis escapulirem-se nem sabem por e para onde…

Forma aproximada de um Silfo

As ondinas serranas são deveras graciosas, de azul claro com laivos marinhos, emanam uma coloração cristalina e é vê-las deslizarem dolentes nos riachos e nascentes onde nascem, vivem e morrem, sintoma este reflectindo-se no apodrecimento, enlameamento e secagem desses mesmos riachos e nascentes… Inspiram melodia, melancolia, saudade, romance, amor e paixão. De 2 a 3 centímetros de altura, movimentam-se em grupo e tendem a acercar-se dos de firme carácter e forte vontade em bem fazer, dos que respeitam e amam a Natureza-Mãe. Fogem aterrorizadas ao impacto com a aura dos que vibram em emoções violentas e passionais. Ou então, se com estes se afinizam, vampirizam as suas energias psíquicas e desenvolvem-lhes a mediunidade com todas as suas mayas-vadas e consequentes prejuízos psico-orgânicos, pura e simplesmente.

As salamandras movimentam-se em cascatas turbilhonantes pelo éter-ambiente da Serra, principalmente nas zonas altas e ensolaradas durante os meses de Verão. São criaturinhas ígneas de cor vermelha purpurada, por vezes com laivos dourados, medindo entre 9 a 10 centímetros de altura. Se provocadas e agitadas, desencadeiam incêndios que rapidamente se descontrolam, ainda assim, na finalidade última, indo purificar essas zonas da Serra onde foram provocadas e afrontadas. Já diz o povo: “Quem brinca com fósforos, acaba… queimando-se”! Vezes imensas reparei haver um intercâmbio íntimo entre elas e os silfos, originando correntes de ar frias e quentes destinadas a vitalizar e purificar determinados pontos da floresta. Quando as salamandras e os silfos, através da atracção magnética dos ventos, atraem as ondinas dos lagos e riachos, formam-se vapores, nevoeiros que são verdadeiras cortinas dimensionais por que se manifestam os misteriosos Traixus-Marutas (cujas iniciais, T. M., também as podem ser de Tributários de Mariz), os etéreos Guardiões dos Templos Sagrados pertencentes à AGHARTA, e sendo de natureza masculina e feminina, Arcangélica e Angélica, ou melhor, para usar a linguagem da nossa Escola Iniciática, Agnisvatta e Barishad, ficam os Arqueus ou Assuras permeio, demonstrando assim a natureza andrógina desta Hierarquia Jupiteriana!… Ainda que raras as salamandras são a projecção do chákrico SOL INTERIOR de Sintra, agindo como fiéis servidoras dos Anjos púrpuras. Ocorrem à ordem divina dos QUATRO E UM MAHARAJAS pronunciados no Ritual Teúrgico, e são elas quem purificam com a sua radiação o ambiente serrano.

Forma aproximada de uma Salamandra

Aquando em Rituais, Yogas e Meditações comunicam com o praticante pelo seu chakra frontal permitindo-lhe, assim, penetrar clarividentemente na luz astro-mental, se a vibração entre ambos for simpática e o considerar de nobre e ousada intenção, em sintonia com os ritmos naturais da Natureza-Mãe.

Se, pelo contrário e contrariando esses mesmos ritmos ou pulsares naturais, for um feiticeiro de alguma das muitas seitas mais que tenebrosas que faziam da Serra (ainda há pouco haviam casos esporádicos no cruzamento para o Convento dos Capuchos e em S. Saturnino da Peninha… mas que a breve trecho acabarão, seja à espada, seja com outra arma de que a Lei faça uso com as forças da ordem à sua Ordem) palco das suas mixórdias macumbeiras, aí as salamandras unem-se às ondinas que, por sua natureza linfática, são verdadeiras imitadoras de tudo quanto vêem nos humanos, seja bom ou mau, e provocam nele estados febris de ansiedade e neurastenia, e até mesmo a cegueira e o cancro, como soube ter acontecido a alguns… Por outras palavras, vampirizam-no até ao esgotamento sanguíneo e nervoso, linfático e bilioso.

Como ilustração e exemplo de triste memória, para que doravante se aprenda com os erros do próximo no passado próximo a não os cometer, passo a narrar dois casos de que tive conhecimento directo. Certa vez, um desses grupelhos feiticeiros impregnado da mais pura e anímica fantasia, misturando práticas de Escolas diversas sem serem de nenhuma pois que as apreenderam em literatura pública, foi surpreendido em pleno acto ritual por um grupo de escoteiros que passeava na Serra. Estes acharam tanta piada, em sua santa ingenuidade, ao que viram que, dias depois, foram eles os surpreendidos, dessa vez por mim. Que estavam fazendo? Simplesmente a dar a iniciação da praxe escutista a um novato (“lobito”), dentro de uma gruta e seguindo os preceitos de um ritual… franco-maçónico!!!

O outro caso é o daquele impúbere psíquico que, acompanhado do amigo ou familiar, pegou nuns quaisquer grimórios de magia invocatória, dirigiram-se à Serra, acenderam umas velas e, ele de espadalhão em riste que dava “um vistão”, não a fez por menos: apontou-o ao céu e ordenou a aparição submissa dum… Arcanjo. A resposta não se fez tardar: em plena noite fria, estrelada, súbito um raio trovejante irrompeu das Alturas e arremessou-o pelo ar, velas, grimório e espadalhão juntos, contra uma árvore, donde foi recolhido inconsciente pelo amigo de índole igual à sua. Conclusão: durante mais de um mês sofreu de absoluta insanidade mental – de que nunca se curou inteiramente, mantendo-se a obesidade mórbida que o arrasta na penúria d´corpo e alma – e não sei se acaso terá aprendido que, ainda que se consiga enganar pessoas de boa-fé, o mesmo já não acontece com… um Arcanjo!

Os gnomos são seres bem pequenos e hostis a quase todos os humanos. São eles quem originam os estados de tensão e mais que medo terror, em determinados pontos e épocas na Serra, podendo, no curioso e profano, descambar em crise nervosa, histeria e até num eventual colapso cardíaco.

Só o Iniciado pode captar a sua simpatia e mesmo amizade, o que não é fácil. Várias vezes os vi, de contorno facial semelhante ao humano, actuarem através de uma penha gigante ou de uma simples pedra musgada. De cor castanha terrosa, possuem de 4 a 6 centímetros de altura, aspecto atarracado e envelhecido. Têm uma propensão natural para os fenómenos psíquicos, para eles estados naturais de ser, originando as alterações climáticas e os bem famosos estados de tensão ou quebra da mesma na criatura humana.

Habitam nas cavernas, poços, minas e demais lugares subterrâneos, havendo uma grande movimentação de gnomos junto a esses lugares quase sempre de natureza hidrotelúrica. Tenazes e perigosos guardiões de Embocaduras, não raro recorrendo a “ilusões dos sentidos” (as ditas mayas-vadas ou mayas budistas) e a outras formas de manifestação incluindo até répteis venenosos para as defender, protegem as suas entradas ferreamente sendo, dessa maneira, a guarda elemental (sob a direcção de Jina-Maruth) da Fraternidade Oculta de Sintra. Muitos curiosos e magos de índole mais que duvidosa têm sido vítimas dos gnomos ou POVO GOB(I) que os faz cair nas mais variadas armadilhas, algumas delas resultando fatais, ou, quando com sorte, apenas ridículas, como aconteceu com aquele exótico personagem que à dianteira dos seus próximos, todos juntos, entraram numa gruta que era “caminho directo para Agharta”. As suas lanternas tremulando nas mãos nervosas apontaram brilho ao fundo e, felizes, três vezes felizes, apressaram o passo para caírem, todos juntos, os infelizes… num imenso lodaçal subterrâneo.

Mas AGHARTA, fixe-se bem, NÃO É FÍSICA… nem tampouco o DUAT! Os pormenores… os Iniciados da Obra do Eterno os conhecem.

Os gnomos simpatizam com os fortes de carácter decidido, franco e honesto, atentos e sinceros buscadores dos espirituais tesouros da Mãe-Terra. Dos que sabem ouvir mais e calar muito, porque o Silêncio é d´Ouro…

Durante a Primavera os silfos acasalam com as ondinas e nascem as fadas. É vê-las esvoaçar em bando multicolorido e airoso pelas faldas da Montanha Sagrada como lusco-fuscos graciosos. As fadas sintrianas são muito belas, de matiz azul céu parecendo revestidas de uma capa branca rósea.

São elas quem vão trabalhar as sementes a fim da Natureza germinar e brotar a sua vegetação prodigiosa, policrómica e multivariada. Não medem mais que 3 a 3,5 centímetros de altura. Quando o Verão atinge o pino as fadas começam a fenecer e a desvanecer-se nos ares, isto é, integram-se na natureza dos silfos.

Quando caem as primeiras chuvas é deveras fascinante observar o bailado mais grácil das ondinas em doce sinfonia caindo como “lágrimas” policrómicas do regaço dos Anjos azuis, indo fecundar as fontes, regatos e solos, alimentando aos gnomos e aos devas das árvores, portando consigo o éter líquido necessário à vida da Natureza.

Como cada região possui o seu tipo particular de “espíritos da natureza” que é próprio ao clima e características da mesma, no século XIX o Rei Iluminado D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha pretendeu acasalar elementais de todos os géneros do Mundo com os “sui-generis” sintrãos, e para tanto mandou plantar no parque florestal do Palácio da Penha exemplares da flora de todas as regiões do Globo. Resultou daí uma simbiose alquímica-natural que originou tipos bem singulares de elementais, inéditos em todo o planeta, fazendo do Mundo Oculto Sintrão o alter-ego do Mundo Elemental Planetário.

Não se deve esquecer que D. Fernando II era um Iniciado e Preclaro Membro da Fraternidade Oculta de Sintra, juntamente com a sua esposa morganática, D. Elise Hensler, a Condessa de Edla.

Também no sentido de simbiose vegetal mandou, na sua Quinta da Torre da Regaleira, o Dr. António Augusto de Carvalho Monteiro, o último reminiscente Lusignan de tronco português e igualmente Grande Iniciado nos Mistérios de Mariz, nos inícios do século XX plantar uma exótica “Árvore-Serpente” escandinava à entrada do seu Palácio. As folhas em ponta dessa árvore só caem quando outras novas ocupam o seu lugar, algo semelhante à muda de pele da serpente… neste particular iniciático, a “Serpente Irisiforme” – KINEMELAROTOZUS!… Essa árvore é um reservatório natural, e também catalisador, da Energia KUNDALINI, como Fogo Terrestre, da qual Carvalho Monteiro se servia para as suas operações espagíricas e alquímicas. Aliás, ele era um profundo conhecedor da flora, sabendo de botânica aos mais ínfimos pormenores, conforme atestam os testemunhos de seus netos, António Potiers e Maria Nazaré de Carvalho Monteiro Van Daun Lusignan, Marquesa de Pombal, com quem cheguei a conviver.

Sintra é hoje algo parecida com S. Tomé das Letras, no tocante a instalar-se no “roteiro turístico esoterológico”, com muitíssima bizarria exótica característica hippie dos movimentos “new age”. Assim, observa-se o fenómeno psicossocial de muitos grupos de índole animista e devocionalista impúbere – lembro-me dum encontro com uma dessas pessoas que forçou a entrevista comigo na Serra e após eu lhe ter perguntado o que fazia na vida, respondeu-me com a maior das ingenuidades que “tinha a honrosa profissão de… falar com os mortos”!!! – concorrerem para pontos diversos da Serra, e, imitando os seus líderes medianímicos ou clarividentes involuntários manobrados a bel-prazer pelos silfos, inventarem teorias as mais extravagantes, desconexas e fantásticas, do tipo haver em dado sítio uma «base de óvnis», um «templo de espíritos superiores», o «túmulo encantado dum mago atlante», de que «em dada data e hora ali e acolá vai acontecer um evento mundial, que até pode redundar no fim do mundo», etc., etc. Mesmo que acaso haja algum fundo de verdade em parte disso, já é descaso ser a aparência verdade… porque tudo isso deve-se à influência psico-anímica dos elementais dispondo as receptivas mentes agitadas num estado febril propenso à invenção das mais variadas fantasias, por isto mesmo sendo a realidade e a consciência psicofísica imediata afogada pelos turbilhões psicomentais ou kama-manásicos infundidos do exterior ao seu interior.

Tais pessoas são simples escravas das forças primárias da Natureza. Confundem-se e confundem tudo, e o eventual bem-estar que possam sentir acaso se deverá tanto à catarse do fenómeno de grupo como sobretudo à evasão mental pelo preenchimento fenoménico, algo assim a “ver o mundo cor-de-rosa” sob alcoolemia ou quaisquer outros entorpecentes dos sentidos, estropiando a realidade.

A atracção que sentem pela Montanha, deve-se a dois factores básicos:

1.º –  Sendo médiuns ou sensitivos de escasso mental e muito emocional, dirigindo-se mais por imagens do que por ideias, por curtas frases poéticas sem outro significado profundo senão o básico colorido das imagens que transmitem, dizia, vivendo perto da Serra o seu mundo elemental atrai-os para aí, a fim de se satisfazer com as energias kama-manásicas que o psíquico ou sensitivo pode facultar por via dos seus chakras inferiores (abaixo do cardíaco), anormalmente desenvolvidos mercê de alguma doença no passado, de algum acidente que lhe aconteceu ou, então, por patologia congénita do seu próprio karma, que o terá feito nascer com tais anomalias psíquicas, para todos os efeitos, um doente. Essas energias são muito apreciadas pelos elementais, podendo-se compará-las a um chocolate que se oferece a uma criança gulosa.

2.º – Foram em vidas anteriores residentes em Sintra, amantes da sua terra mas ignorantes da sua Vida Oculta. Ou então simples entidades que viveram nos dias atlantes de Sintra comparticipando do seu dia-a-dia. Mercê das suas samskaras ou “impressões mentais”, resíduos kármicos do Passado gravados no seu átomo-semente búdhico ou intuicional, a que não têm acesso por sua parca evolução interior, instintivamente são psiquicamente atraídas para aí e misturam tudo numa algaraviada sem ordem nem regra, vendo-se claramente o recurso a bizarrias de psicologia e metodologia infantil no utilizo de métodos mais que incorrectos sem sentido algum, e na ausência total do mínimo resquício de disciplina iniciática capaz de ordenar “cada coisa no seu devido lugar”.

Os elementais comunicam com os humanos por sons naturais: sopros para os silfos; borbulhar para as ondinas; crepitar para as salamandras; batuques ou toques para os gnomos; zumbidos para os Anjos. A todos une uma fórmula única de comunicação com os homens: a Música, de preferência exclusiva a de conteúdo erudito, espiritual.

Os Anjos comunicam, ainda, por ideias e imagens como símbolos coloridos projectados na mente humana.

Há uma linguagem própria da Natureza que os homens desconhecem, e pode-se mesmo dizer que poucos deles realmente sabem falar. Os sons emitidos por um indivíduo palrador projectam-se no Astral numa catadupa de formas desconexas e absurdas, o que faz lembrar as vibrações emitidas pelo canário.

Os Anjos irradiam uma Paz profunda e um Amor constante, juntamente com aquela Sabedoria que só de Deus pode advir directamente, e um Poder inexcedível próprio dos que Nele vivem.

Certa vez, numa «conversa» entre um Munindra e um Barishad púrpura, este assim falou:

A Montanha sempre foi o símbolo da elevação do Homem a Deus. Os Mestres vivem em seu topo, longe dos olhares perniciosos dos humanos conspurcados por si mesmos, usufruindo das energias suaves e puras do Deus da Montanha que lhes fornece os elementos necessários à sua vida e obra.

É bom que todos venham à Montanha, melhor seria que todos vivessem a Montanha. Todos recebem as nossas Bênçãos, Graças do Divino, e ai daqueles que ousam as macular. O Raio de Deus os fustigará.

Nós somos os conservadores da Glória da Mãe Divina. Queremos comungar com a Humanidade mas sabemos que tal só é possível quando ela comungar de inteiro com a Mente de Deus.

Do Pico do Graal estamos prontos a levar a gema divina ao pico mental de cada homem. Rogamos, destas etéreas plagas, à Abundância Suprema Paz, Amor e Fraternidade para todos quanto se encadeiam nos quatros princípios: os homens, nossos irmãos, diferentes, mas nossos irmãos.

Já deve se ter percebido que as palavras deste estudo são válidas não só para Sintra mas também para S. Lourenço e quantas mais Montanhas Sagradas brilham sobre a Terra, como Jóias iridescentes da Coroa ou Cabeça Coroada do Logos Planetário.

Volvendo a Sintra – Portugal e aos seus três misteriosos Arcanjos ou Arcanos XIII, XIV, XV (“A Grande Mãe”, “O Equilíbrio”, “A Grande Luz”), dos quais o Dhyani Bey Al Bordi (MIKAEL) fazia sentir que “estavam no Seio da Terra, por debaixo do Fogo Sagrado em nosso Santuário”, logo em correspondência com a Quinta Cidade Universal do Mundo de Badagas com os seus dois Templos laterais para um terceiro central, na razão de um Coordenador, um Governador e um Sacerdotal, isso mesmo é sibilinamente apontado pelo nosso Venerável Mestre JHS numa sua Carta-Revelação datada de 28.01.1953, escrita em S. Paulo com o título sugestivo: Sintra e seus Mistérios (para ser lido com os Olhos do Espírito), texto inserido no Livro Chuva de Estrelas – A. É com um precioso trecho dessa Carta que dou o arremate final a este estudo, oferecendo-o humildemente ao respeitável leitor e, especialmente, a todos os Irmãos da Obra Divina no Mundo, e se acaso pequei ou omiti algo, peço desculpa, mas, como disse ao início, grande é a Obra e pequeno é o obreiro.

 

AD MAJOREM DEI GLORIAM!

ADVENIAT REGNUM TUUM!

BIJAM!