Roberto Lucíola – da Morte à Imortalidade (In Memoriam) – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Dez 27 2011 

Adhuc stat!

Sim, “Corpo presente”… mas com a Consciência no Reino dos Imortais – o Mundo de DUAT!

A notícia esperada, toda ela indesejada, chegou: ROBERTO LUCÍOLA FALECEU!

Rodeado pelos seus familiares mais próximos, Roberto Lucíola faleceu aos 80 anos de vida, vítima de doença prolongada, na sua casa em Juiz de Fora (MG), às 14.40 horas de 24 de Novembro de 2004.

Fica a saudade da partida e a certeza firme do fim da batalha terrena para uma Alma vitoriosa finalmente volvida, após tantos sofrimentos e cansaços, mas também alegrias e realizações, ao Seio de Deus Eterno e de seus Irmãos na Imortalidade.

Recebi a notícia passados 35 minutos do seu desenlace. Sabia que isso iria acontecer, muito mais estando fora da influência benéfica de São Lourenço de Minas Gerais, transferido para o Hospital de Juiz de Fora (diz-se que por ter melhores condições…) por ordem da médica sua sobrinha, dr.ª CYNTIA, e depois enviado para a sua residência sob cuidados clínicos. Mas a verdadeira casa de Roberto Lucíola era a de São Lourenço, onde nos últimos anos residia no apartamento 439 do Hotel JINA. Nesta cidade privilegiada pelos Deuses ele viveu mais de 50 anos, conheceu pessoalmente o Professor Henrique José de Souza e foi seu íntimo nos últimos 10 anos de vida, e nas suas exéquias fúnebres fez parte da Guarda de Honra ao féretro no Templo de Maitreya nesta cidade sul-mineira, ficando adiante da cabeça do Mestre finalmente volvido à sua Pátria verdadeira: AGHARTA.

Mestre que o iniciou a tal ponto que nesses últimos anos era o último Instrutor vivo formado pelo próprio JHS. O nome de Roberto Lucíola aparece em várias Cartas-Revelações nas quais o Venerável Mestre trata-o com o maior carinho e apreço, destacando-o em episódios importantes da História da Obra, como nessas “Assembleias Aghartinas” sanlourenceanas onde participou.

A escrita e o verbo fáceis de Roberto Lucíola primavam pela clareza, transformando as questões mais intrínsecas da Teosofia revelada por JHS em «coisas de menino», isto é, tornando-as acessíveis ao entendimento imediato de qualquer estudante fosse de que Grau fosse da Instituição. Com a morte física do Venerável Mestre JHS e possivelmente dando cumprimento a instruções verbais reservadas nesse sentido ao seu amigo, confidente e discípulo fiel Sebastião Vieira Vidal, como Mordomo do Templo, este transferiu a sua própria faixa de Goro a Roberto Lucíola, que a usou durante largos anos. Depois os tempos mudaram e mudaram a faixa de Lucíola de maneira retrógrada, algo assim como “baixar-lhe o salário”…

Quando eu soube disso, tomei a iniciativa de, em Nome de PORTUGAL e da ORDEM DO SANTO GRAAL portuguesa, investir Roberto Lucíola com a GRÃ-CRUZ DA ORDEM DO SANTO GRAAL, restaurando no possível o que havia sido alterado contra a Vontade do Venerável Mestre JHS e de Sebastião Vidal que a realizara na pessoa de Lucíola. Assim fiz e fico feliz por ter feito.

Assim se fizeram também muitas outras coisas, cujo acervo é proibido desvelar num texto público como este, tão-só adiantando que o desejo de Roberto Lucíola em relação ao MUNDO JINA, ainda em sua vida, foi realizado… De todos os Irmãos da Obra do Eterno até ao momento, foi aquele por quem tive maior amor e me desvelei mais. Nisto, seguindo à risca as instruções deixadas ao Roberto pelo próprio Venerável Mestre JHS, sim, porque não me gabo nem interna nem externamente de ser «mestre soberano» ou coisa parecida na fancaria dos dias que correm… A verdade é que não acredito em messias mancos e falsos profetas que campeiam na urbe ruim do “faz-de-conta”, logo, em «messianismos e adventos com datas fixas sem realização alguma em tempo algum», que hoje as há com fartura, inclusive onde menos deveria haver tamanho espúrio crencista que, mesmo sabendo ser enganado, paga e pede mais… Me engana que eu gosto! Gosto? Não, não me engana que eu não gosto! O que eu sei, faço e acaso frequente, ao Mestre Soberano o devo… e mais nada.

Como disse, Roberto Lucíola participou dos principais lances da Obra Divina de JHS, ao lado deste e dos seus mais destacados paradigmas que tornaram a SOCIEDADE TEOSÓFICA BRASILEIRA o principal Baluarte Cultural-Espiritualista não só do Brasil mas do Mundo. Ele nasceu no Estado do Rio de Janeiro em 20.08.1924 (ano da fundação de Dhâranâ – Sociedade Cultural-Espiritualista), e foi na sua capital que veio a conhecer a Sociedade Teosófica liderada pelo Professor Henrique José de Souza, na qual veio a assumir papel relevante. Inclusive tomou parte activa na arregimentação de 49 pessoas para a Obra que até ao momento desconheciam-na completamente. Isso fazia parte do Decreto do Governo Oculto do Mundo para salvar a cidade do Rio de Janeiro de catástrofe eminente, devido ao Karma atlante desta que então JHS eliminou, em cujo decorrer do Ritual materializou três pregos com os quais «pregou» ou eliminou o dito Karma, dissipando-se miraculosamente o terrível furacão que se dirigia do mar para a cidade e já estava às portas da baía de Guanabara. Aconteceu de 7 a 14 de Setembro de 1960.

Marmorista de profissão, a Roberto Lucíola se deve a construção do Obelisco plantado na Praça da Vitória defronte ao Templo de Maitreya, em São Lourenço, inaugurado em cerimónia pública às 15 horas de 24 de Junho de 1957 pelo Professor Henrique José de Souza, com a presença do representante do Prefeito e outras autoridades civis da cidade.

Foi também colaborador activo na fundação do terceiro Templo da Obra do Eterno em Nova Xavantina, Mato Grosso, onde exerceu durante largo tempo as funções de Instrutor. Essa sua afinidade com o Norte brasileiro e a Hierarquia do Quinto Senhor ARATUPAN-CABAYU ou ARABEL, manteve-se até ao último suspiro de Roberto Lucíola.

Posso agora revelar que nós ambos pretendemos e investimos na elevação de dois obeliscos: um na Oitavo Montanha Sagrada MOREB, e outro na Quinta Montanha Sagrada KURAT, junto ao Castelo dos Mouros, a serem inaugurados ao mesmo tempo com a presença das respectivas autoridades oficiais. Esse projecto ficou adiado, mas não anulado.

Roberto Lucíola manteve vasta correspondência com todo o Brasil e o exterior. Conheceu e conviveu com nomes bem sonantes da “praça pública”, quer no Esoterismo, quer na Política, quer na Cultura em geral. Sabia da Obra e dos seus participes ao mais ínfimo pormenor. Por exemplo, viu crescer de perto os quatro filhos do Casal H.J.S., e o rumo que tomaram para as suas vidas… Nunca proferiu palavra mais agreste ou adversa, tão-só mantinha a sua natural gentileza e reserva, mantendo-se observador reservado e atento mas nunca suscitador de quaisquer querelas. Dava-se bem com tudo e com todos, vivia a Teosofia de JHS como poucos, e por isso não poucos o procuravam, estando o seu apartamento constantemente cheio de gente de todas as partes que o procuravam para ouvi-lo, como fui testemunha disso mais de uma vez.

Orador e escritor profícuo, escreveu milhares de textos teosóficos, dando um especial destaque à História e Tradição de Portugal, “Berço da Obra”. Foi essa afinidade de Roberto Lucíola com o nosso País que levou a aproximar-me dele, em São Lourenço, e a cimentar-se reciprocamente uma amizade e afinidade completas que eu já nutria desde que, ainda catraio, lia embevecido os textos maravilhosos de Roberto Lucíola publicados em antigas revistas Dhâranâ (“a menina dos olhos” do Professor Henrique J. Souza) e Aquarius.

Essa afeição que alguns disseram “nunca ter visto coisa igual no Brasil”, levou a que o filho de Roberto Lucíola, Sr. Alexandre Rubens Lucíola, tivesse a amabilidade de enviar-me de Brasília, em 5 de Julho de 2006, alguns DVSs contendo aulas internas, teóricas e práticas, do Venerável Roberto realizadas no Salão de Estudos da Fundação Henrique José de Souza, em São Lourenço. Anexou à preciosa oferta a seguinte mensagem:

«Prezado Vitor,

Em atenção à amizade que meu pai nutria por sua pessoa, transmito vem anexo três DVDs gravados a partir de fitas VHS, atinentes a palestras por ele proferidas no ano de 2001. Infelizmente, a gravação original é de baixa qualidade, o que torna o filme ruim em alguns pontos. No entanto, o que mais importa é a mensagem e a prática que transforma o pseudo-esoterismo teórico no verdadeiro esoterismo. Espero que goste e, caso se interesse, pode distribuir cópias a quem julgar merecedor.

Coloco-me à sua disposição em Brasília para qualquer necessidade ao meu alcance. Forte abraço,

Alexandre.»

O testamento espiritual de Roberto Lucíola à Obra deixou-o nos seus fabulosos 46 Cadernos Fiat Lux, dos quais seis permanecem inéditos. Ofereceu-me o conjunto dos mesmos e deu-me autorização para que os publicasse em Portugal, “para que a Obra fosse mais conhecida entre os portugueses”. Por certo será uma enorme mais-valia reeditar toda essa obra com melhor formato e apresentação literária, defendendo o nome e direitos do autor, revertendo os lucros para a sua família ou alguma instituição de caridade. Curioso que o Caderno n.º 41, escrito para Novembro de 2004, leva o significativo título O Grande Vazio, e o último, n.º 46, Glorificação.

A “jóia da coroa” da relação pessoal entre Roberto Lucíola e eu, foi precisamente a Montanha Sagrada MOREB. O que o Mestre JHS lhe vaticinara um dia na Vila Helena, veio a cumprir-se alguns decénios depois. De que maneira? Por escrito e comigo ao vivo e com o Roberto aí, mas… ficar-me-ei por duas citações, uma dele e outra do próprio Venerável Mestre.

Dando prolongamento ao que já escrevera no seu Caderno Fiat Lux n.º 36 de Agosto de 2003, Cidade Jina de São Lourenço, onde se repara haver nos bastidores a minha presença, inclusive estando grafado o meu nome, Roberto Lucíola adiantou no final do seu outro Caderno n.º 51 para Novembro de 2005, Maitreya:

«Misteriosas pedras esculpidas com o Sol e a Lua localizadas em São Lourenço, como que assinalando a presença dos Gémeos Espirituais ou como marco indicativo dos lugares santificados na Cidade Jina de São Lourenço. Também no local se encontram outras relíquias aguardando quem as decifre.»

Para se perceber que “no Centro está a Virtude”, como diz o povo, mas aqui “o Centro da cidade de São Lourenço”, escreveu o Venerável Mestre JHS no Livro da Fala (e não “das Falas”, como alguns confundem, tomando o título da primeira Carta como se fosse o título do Livro), na Carta-Revelação de 20.08.1951, referindo-se à visita nocturna que lhe fez Samael, a Sombra, tendo-lhe dito:

«Vamos viajar todos juntos… (e eu me senti arrebatado nos ares, levando comigo a minha contraparte… Estávamos em São Lourenço, mas… a Montanha Sagrada era muito mais alta. Foi no seu cume que estacionámos): Vê todo esse círculo maravilhoso que nos cerca – disse a minha Sombra, o meu Espectro, a minha Egrégora –, nas suas sete cidades habitam os teus descendentes directos, pois que os do centro, onde repousa esta Montanha, são os do teu Trono Celeste… Os outros estão espalhados pelo Mundo (os 666, digo eu). Onde residem os teus descendentes directos também residirão os descendentes dos primeiros (dos Dhâranis?). Todo este círculo é idêntico à Roda que tu manejas em cima, no mesmo Trono Celeste.»

Os negritos são meus, para dar realce à intenção que as mayas protectoras das escrituras de JHS encobrem sempre, com o propósito óbvio de INICIAR, o não fosse Ele O MESTRE.

Poucos dias antes de desencarnar fui, com a maior prudência para não gerar algum mal-estar, informando o inestimável Amigo para a eventualidade do que veio a acontecer, até que lhe disse, já com ele em Juiz de Fora: «Meu Irmão, para nós não há morte. Aconteça o que acontecer, e se acontecer será bom que seja sepultado em São Lourenço e o mais próximo possível do Túmulo dos Gémeos Espirituais». Concordou imediatamente comigo e eu garanti-lhe que tudo faria para que isso acontecesse, mesmo contra a opinião contrárias de alguns familiares seus, opinião essa devida à ignorância total dos Mistérios que envolvem a nossa Obra e os seus dilectos Filhos. A última coisa que me disse foi que o filho do nosso Irmão Hilário Alves Ferreira sofrera um acidente e que isso se devera a um fenómeno de repercussão psicofísica devido ao seu estado, o que o deixava infeliz. Retorqui-lhe que sossegasse, pois com ou sem repercussão de qualquer espécie os acidentes ocorrem todos os dias e TODOS carregamos um karma que é bem nosso… Enfim, preocupou-se até ao último suspiro com o bem-estar dos seus semelhantes, em não querer ser um fardo pesado para ninguém, e por isso quis sofrer e morrer sozinho, mas a Lei não lho permitiu. A última vez que ele se escondeu de todos foi no Hotel Jina para morrer sozinho; eu telefonei para tudo quanto é sítio e pessoa e ninguém sabia dele, desconfiei que estava escondido no apartamento e telefonei, telefonei, telefonei até que viu-se obrigado a atender o telefone… e passei-lhe uma valente rebocada. Riu-se, ficou contente e nunca mais repetiu a façanha…

Também nesses dias do fim Roberto Lucíola afirmava-me estar sentindo mais do que nunca as presenças do Mestre e do seu Manasaputra, a “Veste Imortal”. Afirmou-me estar se integrando nesta, e isso era indício claro que a sua morte estava eminente…

Veio o dia aprazado por YAMA, a Morte. Na noite que o antecedeu deitei-me cedo e dormi “como uma pedra”, antes, como um morto na pedra fria do sepulcro… nada de vigílias súbitas, nada de sonhos, nada de nada. Acordei desconfiado e deixei o dia correr, até que por volta das 17 horas o telefone gemeu insistente para dar a notícia do desfecho final do meu querido Irmão e Amigo que ainda me deixa aquela saudade…

Minutos antes de partir, Roberto Lucíola fora até à varanda da casa e aí ficara por momentos, silencioso com o olhar distante cravado na direcção da Montanha da sua adorada São Lourenço. Era o adeus derradeiro. A seguir foi ao lavabo onde se fechou à chave, depois saiu e deitou-se sobre a cama onde foi acometido de estertor por breves instantes e faleceu. Em plena posse das suas faculdades mentais como raro LÚCIDO assim LUCÍOLA partiu…

Este Virginiano puro, nascido (20.08.1924) cinco dias depois em igual mês do nascimento de Henrique José de Souza, deixou a veste física às 14.40 horas de 4.ª-feira, dia de Mercúrio (AKBEL, portanto), cujo número da hora fatal, segundo o Relógio Tátvico, marca nela a influência passiva da Lua, portanto, da LUZ DE CHAITÂNIA, que também é o Túnel ou Embocadura Vital por onde, às 15 horas, Roberto Lucíola passou integrado em seu Manasaputra rumo ao CAIJAH, nesse mesmo dia consignado pelo próprio Mestre JHS à recitação dos Salmos… da Salvação.

Essa questão do 3 e do 15 do valor da hora, para o Venerável Mestre e seus Filhos de Obra Divina, foi assunto que já abordei numa carta privada aquando da passagem ao Reino dos Imortais de um outro paradigma de JHS, Paulo Machado Albernaz. Então tive a oportunidade indesejada de dizer:

«Informo que todos os verdadeiros Iniciados ou Filhos do Avatara, Nosso Senhor o Cristo ou Maitreya, por norma e salvas as devidas excepções, desencarnam às 3 horas da madrugada, às 12 horas do dia ou da noite, ou às 15 horas da tarde. Tanto mais que foi às 15 horas da tarde que Jesus morreu no Calvário, segundo as Escrituras, e o próprio Mestre JHS em 9 de Setembro de 1963, no quarto 209 do Hospital São Lucas, São Paulo, apesar de ter desencarnado às 2.45 horas da madrugada, foi realmente às 3 horas que fez o seu avatara em RABI-MUNI, na Montanha Sagrada MOREB, São Lourenço, seguindo daí para ARAKUNDA, Roncador, onde foi recebido aos acordes apoteóticos do Ladak-Sherim, o mesmo Hino que Ele dizia ter letra maior e música mais empolgante que a cantada e tocada na Face da Terra. Já antes, em 12 de Agosto de 1963, houvera a Bênção de Agharta a toda a Terra, conforme as palavras do próprio JHS, entretanto já acamado nesse Hospital ou Clínica: “Às 3.00 horas da manhã, a AGHARTA ABENÇOOU O MUNDO”! E adiantou: “Ainda que o peso da Cruz da Terra continue o mesmo, a Salvação acontecerá se cada um, através dos Ensinamentos, se transformar”.»

Mal soube da notícia do falecimento do saudoso Irmão e Amigo, passei a agir para que os ditames da Lei se cumprissem conforme o estipulado anteriormente. Fiz “finca-pé” em duas premissas, inegociáveis ou incontornáveis a qualquer título, para mim sagradas: 1.ª) que o despojo mortal de Roberto Lucíola fosse imediatamente trasladado para São Lourenço e sepultado o mais próximo possível do Túmulo dos Gémeos Espirituais (Henrique e Helena); 2.ª) que os filhos do Casal H.J.S. estivessem presentes à despedida final no Templo e que todos os do Templo prestassem as Honras devidas a Roberto Lucíola.

Isso foi feito. O resto mortal de Roberto Lucíola foi sepultado no dia seguinte, cerca do meio-dia, no cemitério de São Lourenço, em jazigo do pai da sua esposa encostado ao Túmulo dos Gémeos Espirituais, a escassos centímetros deste do lado direito. Antes disso, a Guarda da Ordem do Santo Graal perfilou no Portal do Templo, estando presentes dois dos filhos carnais do Casal H.J.S.: Selene Jefferson de Souza e Jefferson Henrique de Souza, acompanhado de sua esposa Sr.ª D. Felícia, sendo prestadas as Honras devidas a Roberto Lucíola.

Com efeito, antes do acto final da descida à terra, o corpo de Roberto Lucíola esteve em vigília toda a noite na capela do cemitério de São Lourenço. Depois, por volta das 9 horas da manhã, houve o cortejo fúnebre para o Templo onde a Guarda esperava. O carro funerário (furgoneta de cor branca fretada em Juiz de Fora) estacionou defronte a ele, na Praça da Vitória (actual Praça Helena Jefferson de Souza), e após retirado um pouco do caixão para fora da viatura os Lanceiros e demais Guarda perfilada, com os principais Pavilhões erectos da Obra (o de Agharta, o da Obra, o do Brasil e o de São Lourenço), prestaram as Honras solenes sob os acordes apoteóticos do Hino Exaltação ao Graal.

Esse foi o acto público, pois que no Ritual do meio-dia, com porta fechada a estranhos e profanos, prosseguiu a Homenagem mais que merecida ao SANLOURENCEANO OBREIRO, Roberto Lucíola.

Após a solenidade na Praça da Vitória, o cortejo fúnebre reiniciou o caminho do cemitério. Aí, no momento antes de baixar o caixão à terra, foi pronunciado colectivamente o Salmo 129 de Encaminhamento, e quando o caixão começou a baixar também se pronunciou colectivamente a Evocação de Yama, conforme eu transmitira telefonicamente sobre quais os procedimentos que se deveriam ter quanto ao Ritual Funerário. Respondi que JHS não deixara qualquer Ritual Funerário mas antes instruções de como se deveria agir em casos de morte de Irmãos ou de simpatizantes da Obra, e que todas essas instruções eram, já em si, todo um Ritual Funerário.

A Evocação de Yama, da autoria do Venerável Mestre JHS, é a seguinte (abreviada) e recita-se três vezes consecutivas:

«Yama! Yama! Yama! Conduz esta alma generosa e boa para o Tabernáculo de Deus, no glorioso Reino de Duat! Bijam.»

A imprescindível Irmã Maria da Conceição Aguilar, cujos esforços em trazer Roberto Lucíola de Juiz de Fora para São Lourenço e organizar as cerimónias fúnebres são dignos dos maiores louvores que não esquecerei enquanto viver, generosa atendeu presta ao meu pedido conseguindo um ramo de flores que foi colocado sobre o caixão, cobrindo da cabeça ao peito, do mental ao coracional. As flores foram em meu nome e de minha esposa. Mas eu não quis um ramo qualquer, isso não podia ser! Tiveram que ser 9 ROSAS: 3 AMARELAS (SATVA – PAI), 3 AZUIS (RAJAS – MÃE), 3 VERMELHAS (TAMAS – FILHO), com laço azul céu, cor do Akasha e do Segundo Trono que é a Mãe nas Alturas, a Mãe Misericordiosa assistente dos que partem, a Mãe cuja flor é a Rosa sem espinhos e que, com as cores das 3 Gunas, expressa assim o THEOTRIM, a Trindade Divina nos Três Mundos do Corpo, da Alma e do Espírito (3×3 =9, O Ermitão, o Adepto Perfeito, mas também o valor cabalístico da Terra e de ADAM ou ADM, ou seja, do “Homem feito do limo da Terra”, esse o barro vermelho radioactivo que caracteriza o solo da Montanha Sagrada MOREB, assim mesmo expressando KUNDALINI, o Fogo Criador do Espírito Santo, e para cujo escrínio o meu saudoso Irmão e Amigo partiu), como se afirma no Ritual Psaltérico a Evocação Makara, em posição nobre repetindo as palavras (abreviadas) de JHS:

O Pai no Pai, o Pai em mim.

A Mãe na Mãe, a Mãe em mim.

O Filho no Filho, o Filho em mim.

Para maior Glória do Theotrim!

À mesma hora que se processava o Ritual Fúnebre na Praça da Vitória, procedia-se a idêntico em Sintra, na Clareira do Graal, prestando a derradeira Homenagem ao Irmão e Amigo que partia e imensa saudade deixava.

De maneira que SINTRA – SÃO LOURENÇO estiveram juntas na mesma hora da despedida final de um dos últimos MAKARAS de AKBEL. Certamente Roberto Lucíola ficaria feliz com isso, ele que tanto amava Portugal. E Portugal, pelas mãos dos teúrgicos, não o esqueceu, mesmo que o povo adormecido pela turbulência mundana ignorasse quanto de transcendente e solene acontecia no momento, mas também trágico para ele que ficava viúvo de um elo vivo entre o mundo dos mortais e o Mundo dos Imortais.

Assim partiu o paladino, ligeiro e veloz, mal tudo terminado, de volta à Montanha, a sua Montanha, à Casa de Deus conduzido por alados Seres… Ao longe, mirando tudo, Rabi-Muni esperava… o bom Filho à paternal Mansão volvendo. Pairando sobre o enorme túnel akáshico que se abre no centro da Montanha, onde nada parece haver e tudo aí está… abriu caminho adiante da Alma glorificada, amparada por Anjos ou Munis, rumo ao DUAT – o Mundo dos Imortais.

Como remate a tudo o dito que é tão pouco em tão pobre homenagem a quem mais merece, a guisa de resposta trago aqui a belíssima prece que Roberto Lucíola deixou no seu Caderno Fiat Lux n.º 43, de título Governo Oculto:

Senhor,

No silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-te a paz, a sabedoria,

a força da vontade.

Quero olhar hoje o mundo com olhos cheios de amor;

Ser paciente, compreensivo, manso e prudente;

Ver além das aparências os Teus filhos como tu mesmo os vês, e assim,

não ver senão o bem em cada um.

Cerra os meus ouvidos a toda a calúnia.

Guarda a minha língua de toda a maldade.

Que somente as bênçãos encham o meu Espírito.

Que eu seja tão bondoso e alegre que todos quantos se chegarem a mim,

sintam a Tua presença.

Reveste-me da Tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia,

eu Te revele a todos.

 OROMOETÊ (SALVE) ROBERTO LUCÍOLA!

HONRA E GLÓRIA À RUBINA ALMA LÚCIDA

QUE DE MORTAL FEZ-SE IMORTAL!

 LAMPADAX – PARADAX – DAMADAX!

 PAX

Casal Albernaz – visitantes ilustres em Portugal! – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Dez 27 2011 

A Comunidade Teúrgica Portuguesa congratula-se efusivamente pela honra enorme de ter recebido em seu seio o ilustre casal amigo e irmão nesta Obra Divina, Exm.º Sr. Paulo Machado Albernaz e sua esposa, Exm.ª Sr.ª D. Neuza Maragni Albernaz.

Com efeito, acedendo ao convite endereçado pelo Presidente no activo da Entidade portuguesa, o ilustre casal vindo de São Paulo, Brasil, no voo da TAP n.º 1574, desembarcou no Aeroporto da Portela, Lisboa, cerca de 13.30 horas de 4.ª-feira do dia 2 de Maio de 2001.

Após a comoção do momento de quem há muito não se via fisicamente, de imediato rumou-se para Sintra a cuja sombra benfazeja os veneráveis amigos ficaram 15 astarôticos dias, instalando-se na residência de membro da C.T.P., que prestimosa e antecipadamente a cedera nesse sentido. Por tanto, merece reconhecimento agradecido por tamanho préstimo, sem dúvida indo influir o mais beneficamente possível no seu karma pessoal em detrimento de quaisquer outros aspectos negativos, coisa que, afinal, todos carregamos como “saco de experiências e débitos”, estes a esgotar, aquelas a aumentar!…

Paulo Machado Albernaz constitui-se na “velha guarda” do escol do Professor Henrique José de Souza, para nós, teúrgicos e teósofos, o Mestre JHS. Entrado na Sociedade Teosófica Brasileira cerca de 1949, no ano de 1950 penetrava já as fileiras internas da mesma Instituição, ingressando com a sua esposa no Corpo Templário da Ordem do Santo Graal, tendo chegado ao cargo de organistas e pianistas (por seu domínio do órgão e do piano), e finalmente, anos depois, às funções respectivas de sacerdote e sacerdotisa. Estes últimos cargos foram exercidos com a maior proficuidade no Templo do Departamento de Baturité, em São Paulo. Ao cargo de sacerdote templário juntou-se o de mestre tributário, em cuja Ordem dos Tributários também exerceu papel relevante.

Acerca da sua investidura sacerdotal pelo próprio JHS, é Paulo Machado Albernaz quem a descreve em palavras pouco usuais, mesmo para os esoteristas mais «amadurecidos», com as quais brindo o respeitável leitor ávido de mais e maior Luz Mental como expressão directa do Espírito:

«Exerci o espinhoso cargo de Sacerdote na Instituição, e fui ungido em 07-10-59; tendo recebido o Báculo Sacerdotal directamente das mãos de JHS, em 17-05-62. […] A Espada de Templário que possuo, em cuja lâmina está gravada a palavra “Phalus”. Em seu livro precioso (Portugal Templário, de minha autoria, antiga edição), tive ocasião de ler, na página 39, uma citação de que se trata do antigo nome da Cruz. O Professor me disse um dia: “Paulo, tu és Phalus, os braços da Cruz”, e deixou escrito numa das suas Cartas-Revelações» (Carta pessoal de 28-12-1999).

«Assistimos a muitos e muitos Rituais conduzidos pelo Professor. A maioria deles no Templo de Vila Canaã, em São Lourenço. Neles o Venerável Mestre era de um desempenho único, pois mais pareciam aulas onde se absorviam os mais transcendentes conhecimentos, que saídos de sua “Santa Boca” entravam pelos nossos ouvidos de maneira suave e calavam fundo em nossas mentes. Jamais nos esqueceremos daqueles régios tempos em que JHS se transformava na “Palavra Viva” e sua Contraparte se desdobrava em gestos magníficos, ornados por inúmeros e desconhecidos “Mudras”. Era um verdadeiro sonho e ao terminar o Ritual ficávamos todos aguardando mais e mais… Um dos últimos que assistimos, foi o da nossa Consagração como Sacerdote e Sacerdotisa. Ele havia reunido toda a Série Interna ou dos Irmãos Maiores da Instituição em sua casa; encomendara previamente uma Espada e um Báculo. Nós ficámos ladeando os GÉMEOS. Segurando as duas peças, na mão direita a Espada e na esquerda o Báculo. Ele iniciou o Ritual evocando a parte Divina do Quinto Senhor e pedindo para que Ele chegasse mais perto. Saudou-O chamando-O de “Venerável Irmão” e exaltando todas as suas boas qualidades. Falou sobre diversos assuntos, mas nunca deixando de transmitir novos conhecimentos aos que assistiam. Terminado o Ritual, sem dizer uma única palavra, entregou-nos o Báculo e ficou com a Espada. Somente anos mais tarde, depois de seu passamento, é que passámos a entender o seu gesto» (Carta pessoal de 07-12-2000).

Escritor de raro talento, sensibilidade e preocupação constante em trazer as modernas descobertas da Ciência Académica às teses mais vastas e antigas da Ciência Tradicional, sob a notória influência do 5.º Raio de Luz cuja tónica é a da Literatura mas também a do Conhecimento Científico, aliás, sendo esse o Raio ou Linha do Espírito Português com cúspide no respectivo Posto Representativo da Obra do Eterno na Face da Terra, o de Sintra, Paulo Machado Albernaz foi redactor-chefe da revista Dhâranâ, órgão oficial da (extinta) Sociedade Teosófica Brasileira, tendo mesmo expedido, sob ordens expressas de JHS, exemplares para o Adepto Bey Al Bordi, no Cairo, e para António da Silva Neves, o “Antonino”, filho mais novo do Barão da Silva Neves, então residente em Goa, antiga Índia portuguesa, e colaborador da mesma revista. Acrescento, ou revelo, como se queira, que o supradito Barão nada mais era (e é!) do que o próprio Chefe Supremo da Ordem de Mariz, a mesma dos “Barões assinalados” no poema épico de Camões.

Contudo, o maior desvelo literário de Paulo Machado Albernaz é precisamente a sua A Grande Maiá, organizada em mais de duas dezenas de volumes, precisamente 22, alguns dos quais já publicados pela Madras Editora de São Paulo. Aparte algumas imprecisões constantes na mesma que não lhe retiram o valor, é obra imprescindível na biblioteca de todo o investigador e demais leitores interessados por assuntos científicos vistos da perspectiva tradicional, cujo fundo revela ser a própria Teosofia desenvolvida pelo Professor Henrique José de Souza.

Aliás, fora o próprio Professor Henrique José de Souza quem encomendara a feitura dessa obra monumental a Paulo Machado Albernaz, depois deste ter-se candidatado a realizá-la. A partir de então, o Professor Henrique passou a reunir-se em privado (na sua residência paulista, na Rua João Moura) com o Venerável Paulo e dar-lhe instruções privadas sobre como deveria construir a obra e o que nele haveria de constar. Entretanto, o Professor faleceu (9.9.1963) e o discípulo continuou a escrever o livro, até ao ano em que pessoalmente nos conhecemos. Para o auxiliar nesse trabalho titânico, Paulo Albernaz faz reunir em sua casa (na Avenida Angélica, paulista) uma plêiade de discípulos esclarecidos que dedicadamente o coadjuvaram noite após noite, ano após ano, após os deveres diários da conquista do “pão nosso de cada dia”, com destaque para os nomes de Isaac Luztig, Lupécio Gonçalves, Aulus Ronald Cirillo e, então o mais jovem de todos e o mais afano por seu entusiasmo pela Sabedoria de JHS, António Carlos Boin, que se dedicou incondicionalmente a Paulo Machado Albernaz e à obra encomendada pelo Mestre. Numa das suas correspondências mantidas comigo, António Carlos Boin escreveu:

«Já na Série Interna, conheci o nosso grande Irmão Paulo Machado Albernaz, com quem tive convívio mais estreito, acompanhando muito de perto a feitura do Livro da Grande Maya, pois procurávamos trocar ideias sobre os temas que iam em desenvolvimento. E foram muitas as discussões em torno dos vários capítulos que, gradativamente, iam se estendendo. No ano de 1979, se não me falha a memória, outros incidentes mudaram mais uma vez os rumos da Sociedade. […] E começaram o mais doloroso: passaram a instituir o Odissonai (Ode ao Som) em todas as mudanças de Lua. O Odissonai até então, era realizado sempre na Lua Nova quando, justamente, a Lua é neutra. Pois meu caríssimo Irmão, passaram a dar a uma extraordinária Yoga Solar o carácter de Lunar, como lunáticos eram os Irmãos que inventaram isso. Foi quando o Sacerdote de São Paulo, o Irmão Paulo Albernaz, se recusou a tais práticas e resolveu pedir demissão e se retirar da Sociedade» (Carta pessoal de 14-09-2002).

Por tamanho mérito, virtude e sacrifício, António Carlos Boin atraiu a minha atenção e a mais sincera admiração. Fiz questão que falasse comigo pessoalmente menos de um mês antes de falecer. O que falámos, reservo-me de comentar… mas a verdade é que foi merecedor dos galardões sintrianos da Hierarquia do Quinto Dhyani-Budha, EDUARDO JOSÉ BRASIL DE SOUZA, o mesmo Jehovah Júnior”, como consignou Sebastião Vieira Vidal, não só por ter estado entronizado em Shamballah por muito tempo mas também por ser a antropomorfização do Raio Planetário de JÚPITER. Aliás, não esqueço as palavras do próprio Mestre JHS de que “TUDO QUE ACONTECE EM PORTUGAL SE REFLECTE NO BRASIL, E VICE-VERSA”!

Imaginoso e engenhoso, como é próprio ao tipo de 5.º Raio, as mãos de Paulo Machado Albernaz construíram objectos de grande valor e beleza, desde espadas a objectos entalhados de madeira (flores-de-lises, Templo de São Lourenço com busto de JHS, Chakra Cardíaco com as 12+2 pétalas e o Vibhuti com as respectivas letras sânscritas, etc.) até artefactos de acupuntura, estes muito procurados pelo público geral por serem considerados os melhores feitos no Brasil.

Artista, pois, pintor o foi. O próprio Mestre JHS recomendou-lhe que pintasse o Tarot Sacerdotal da Nova Era do Aquário, como o descreveu na sua Carta-Revelação de 03.09.1954, Arcanos do Novo Ciclo de Aquarius, pertencente ao Livro do perfeito Equilíbrio. Paulo Albernaz assim o fez. De todas as versões desse Tarot Aghartino conhecidas da Comunidade Teúrgica Portuguesa, é precisamente a do nosso Venerável Irmão PHALUS a utilizada no seu Grau Interno, o de Integração ou do Munindra.

Hoje mesmo, essas lâminas coloridas estão expostas em grandes quadros no Salão do Departamento de São Paulo da ex-S.T.B., muito apreciados por todos ainda que, verdade se diga, só escassa minoria entenda o seu significado profundo. Para o Templo do mesmo Departamento, Paulo Machado Albernaz pintou um lindo Cruzeiro do Sul, que foi colocado na abóbada mas… às avessas, a despeito dos avisos constantes de Paulo sobre a sua posição incorrecta, assim não fazendo inteiramente jus ao Mundo Equilibrante do 2.º Logos representado por Cruziat ou Ziat, em língua aghartina, ou seja, o mesmo Cruzeiro do Sul.

Emissário póstumo da forma humana do Deus AKBEL, é, pois, num dia de Mercúrio (4.ª-feira) que o insigne casal Albernaz desembarca em Lisboa, do voo 1574 que, reduzido teosoficamente, dá o 17, número do biorritmo de Portugal como a tarôtica Estrela dos Magos… e em 17, também em Maio, Paulo M. Albernaz recebeu a sua consagração sacerdotal por JHS em pessoa!

Casualidades obedecendo à Causalidade do Arquétipo Primordial que subjaz a todas as tramas e desenvolvimentos da Obra Divina e de seus Filhos(as) sobre a Terra.

E desembarcado, como disse, em Maio (Maia, Maya, Mãe, Matriz, Mariz…), no dia 2. Dois é Casal, é Geminidade, é Novo Pramantha ou Novis Phalux a Luzir no horizonte dos Novos Tempos apontando a Idade dos Andróginos. Novos Tempos ou N. P., que também vale por Neuza e Paulo.

Voando pela TAP ou TOMANDO AEREAMENTE PORTUGAL, este que antanho ao Brasil tomou por Maris Nostrum, unindo-se assim o lindo Cruzeiro do Sul às cintilâncias multicoloridas de Sirius o Kaliba – PORTUSBRASIS.

Nós te saudamos assim, Brasil!

Desenhando num Céu de anil

O teu símbolo: Cruzeiro do Sul.

(Hino Santuário do Brasil)

E que

Ao chegarem no litoral

Já no Céu estava escrito

Como se fora um manuscrito:

Eis ali PORTUGAL.

(Hino ao Amor)

Por escassez de tempo, não houve oportunidade de viajar a São Lourenço de Ansiães, berço da Soberana Ordem de Mariz, de maneira a correlacionar esse rincão sagrado de Trás-os-Montes às Terras Altas do Traixu-Lama, na Mongólia Interior. E sob a égide taumatúrgica de ALLAMIRAH, os “Olhos do Céu”, a Mãe Divina desde sempre Orago e Matriz ou Mariz como Miz-Ra (Miz, Mis, Sin, “Lua”, e Ra como “Fogo, Luz, Iluminação”), que é dizer, Mãe da Luz, o Feminino Universal.

Mas houve tempo para oferecer aos ilustres Irmãos visitantes vasta documentação escrita e fotográfica sobre o tema Mariz e a localidade transmontana, como de outras mais, incluindo Sagres, o Sacrum ou “Cóccix” de Portugal expressando o LABORATÓRIO DO ESPÍRITO SANTO, assim mesmo aflorado sobre o País como a mesma SHAMBALLAH no Centro do Globo. Promontório esse onde, na noite de São João Baptista de 1978, seis pares se reuniram formando o HEXAGONON do Sexto Sistema, com o fim de dar continuidade em plagas lusas, de maneira autónoma e com nome novo que garantisse a mesma independência (Comunidade Teúrgica Portuguesa), à Obra Divina de EL RIKE (Henrique… José de Souza) no segundo ciclo do Graal, ou seja, o da Idade do Espírito Santo (de 25.06.1956 em diante). O mais, mistério…

É sob a égide do Quinto Luzeiro ARABEL, o do Mental Superior como o mesmo Paraninfo celeste da consagração sacerdotal do Venerável Phalus, que os ilustres Irmãos da Pátria Gémea da nossa visitam boa parte da Estremadura “esotérica”, direi assim, de onde o culto à Deusa-Mãe Primordial irrompeu para a Europa no final do Paleolítico e no Neolítico, continuando nas épocas posteriores, portanto, sendo a Estremadura portuguesa o berço cultual do Eterno Feminino, auspiciador da estadia e itinerário desses nossos Irmãos no País.

Em Lisboa, dentre muitos outros lugares, teve-se oportunidade de visitar e apreciar demoradamente o Castelo de São Jorge (AKDORGE), a “Abadia” Maçónica no subterrâneo do Palácio Foz, a Sé Patriarcal de Santa Maria Maior (o “Templo da Luz”) e seguir todo o decurso do Barão Henrique Álvaro Antunes da Silva Neves: a sua residência, a misteriosa Taberna, o Arco Triunfal da Rua Augusta, a Praça dos Arcos ou Arcanos, vulgo do Comércio, a encruzilhada na Baixa Pombalina onde se deu o acidente com os Gémeos Espirituais em 1899, etc., etc., não deixando de passar ao largo das antigas residências palacianas dos Condes de São Germano e Cagliostro, na capital.

Em Sintra, visitou-se e apreciou-se longamente o Cabo da Roca (ou Caput Serpens – a Cabeça da “Serpentária” KUNDALINI), o ponto mais ocidental da Europa, após vinda da Boca do Inferno (Inferior ou Interior Lugar, Seio da Terra, portanto), em Cascais, passando-se ao Castelo dos Mouros de Sintra, a Santa Eufêmia da Serra, ao Palácio do Parque da Pena (das “Letras mais Altas” – ASGARMAT – assinaladas na Cruz Alta, o “Pico do Graal”), à Quinta da Regaleira (REIFADAK), a São Miguel de Odrinhas, etc., etc., pois perante o muito percorrido a memória falha, mas com a certeza, porém, de ter-se feito a Volta inteira ou Ronda completa a esta nossa Serra Sagrada (KURAT-AVARAT).

No Castelo dos Mouros, logo na primeira visita ao topo de SINTRA que é âmbula por onde se escoa a Consciência Mental Superior ou de Espírito Santo (SURA-LOKA), ante as grutas lacradas e respiradouros abertos, Paulo M. Albernaz adiantou serem «embocaduras disfarçadas para um Povo bem organizado sob Sintra». Só lhe pude dar inteira razão!

Na Capela do Espírito Santo na Quinta da Regaleira, ante o Triângulo com o Olho no centro da Cruz Templária em resplendor, sobre o interior da entrada (nártex), Neuza Maragni exclamou: «É a Cruz Rosacruciana»! Perante quanto já disse e escrevi sobre o assunto, só lhe pude dar inteira razão!

Não se descurou a visita à Vila do V Império, Mafra, em dia que tocavam os carrilhões da basílica, deslumbrando todos os presentes. Faço agora uma pequena análise filológica esotérica: se o M de Mafra for deitado para a esquerda dá um K, e então tem-se anagramaticamente Rafak, “rasgar, cortar”, como Rakshasa, “mago negro”, cuja sede mundial é na Nova Guiné, no Monte Arfak, antítese de Mafra com o seu Convento no sítio da Vela, da Luz ou da “Estrela dos Magos” inspiradora à edificação do Templo, símile da Jerusalém Celeste sobre a Terra – Hierosoliminatus Templis Novis! Edificação a que concorreram a Hespanha, Portugal e Brasil = H.P.B.! Mas também Jove, Henrique e Sintra = J.H.S.! Enfim, Theosophicum Templis Hierusalem in Coelis et Terris!

Houve igualmente tempo para degustar e passear na Avenida Luísa Todi da antiga cidade bíblica de Tubal, hoje Setúbal, com a península de Tróia ao fundo (evocando os antigos mistérios gregos de Ulisses e da verdadeira Helena de Tróia…). Visitou-se a Serra da Arrábida, e no Portinho fiz questão que se descesse dentro da Terra pela Lapa de Santa Margarida, lugar Jina claramente matricial. Aí as Sacerdotisas da Ordem do Santo Graal, a portuguesa e a brasileira, sentiram a presença e Mestre JHS e o odor perfumado da sua Aura.

Muito mais se viu e visitou, mantendo sempre a conexão com o Mundo Jina, bem vivo, real, hiperfísico e físico, vindo desdizer na prática certos «sábios da Grécia» que nada sabem senão teoria rebuscada, sem a mínima experiência directa, prática do que seja realmente esse Mundo sem Mayas mas que se envolve em todas elas…

No dia 12 de Maio, sábado, às 16 horas, o insigne casal visitou a Sede da COMUNIDADE TEÚRGICA PORTUGUESA, sendo recebido aos acordes apoteóticos do Hino Aghartino Ladak-Sherim, em sua homenagem. O Portal do Santuário AKDORGE ou AK-SHERIM foi-lhes aberto e todo ele iluminado em Chamas brilhantes sobre o Altar.

Sendo véspera do Dia das Mães (que é o 13 tradicionalmente, e sempre a omnipresente GRANDE MÃE!) e em Dia de Luz ou SABATH (sábado), consagrado ao Dhyani-Kumara KASSIEL, como Senhor da Linha Teúrgica e Taumaturgica como Medicina Universal, iniciou-se a sessão com a leitura da Carta-Revelação de JHS, Caindo e Levantando… Dedicado ao Mundo, de 03.01.1952 (Livro dos Makaras). Seguiu-se o Sat-Sang, “Diálogo Colectivo”, dirigido por Paulo Machado Albernaz que brindou todos os presentes com a sua eloquente sabedoria e experiência vivida junto do Mestre JHS. Em agradecimento, fiz questão de oferecer-lhe duas das três Mensagens que a Hierarquia Branca enviara ao Mestre em 28 de Setembro de 1935, as quais Paulo ainda não possuía para integrar a sua ordenação brilhante do Livro Síntese do mesmo JHS. A Mensagem que não lhe ofereci, ele já a possuía.

Após o encerramento da sessão, em dia que era solene, todos os presentes, incluindo gente da Índia, fizeram questão de brindar o casal amigo e Irmão com um jantar de homenagem num restaurante típico de Bucelas, no Termo dos Saloios, tendo decorrido no mais agradável dos convívios, como é natural entre Irmãos no mesmo Ideal.

Finalmente, a 15 de Maio (dia sob a égide de ASTAROTH, como “Senhor da Inteligência Universal”), de novo no Aeroporto da Portela, esperando o voo que levaria o casal insigne de volta ao seu País, de volta ao seu Lar, ao convívio dos seus.

Vários Irmãos teúrgicos fizeram questão de estar presentes para se despedirem pessoalmente, já com a saudade preiteando no peito. Pode ficar a saudade, sim, mas a distância material é superada pela UNIÃO MENTAL E CORACIONAL, verdadeiramente ESPIRITUAL, logo, eterna, imorredoura. O calor do abraço final de «despedida» mantém, e manter-se-á sempre!

O círculo do Ciclo Ibero-Ameríndio estreitou-se mais profundamente para Maior Glória do Eterno e de todos quantos por Ele labutam em prol da PAZ UNIVERSAL.

Está o Brasil em Portugal,

Está Portugal no Brasil.

Esplende mais o Santo Graal,

Mais forte fica a Obra, viril.

Sid – Lapadax – Arakunda

BIJAM

ADENDO

Passados cinco meses da visita do Venerável casal Albernaz a Portugal, o inestimável Paulo machado Albernaz despojou-se para sempre das suas vestes físicas na sua residência em São Paulo, cerca das 15 horas da tarde de 6 de Outubro de 2001. Apesar da notícia já ser esperada, a consternação foi geral nos membros da Comunidade Teúrgica Portuguesa: havia partido um Lúcido em meio ao marasmo deste mundo de loucos. Mas havia-se cumprido a Vontade do Venerável Mestre JHS: a vinda de Phalus ao Alpha da Obra Divina – PORTUGAL!

Hoje, passado um ano sobre o evento fúnebre, repete-se este trabalho literário dedicado à visita do insigne casal amigo e Irmão ao nosso meio lusitano, como homenagem póstuma a Paulo Machado Albernaz, igualmente tendo havido celebrações no Templo, usando-se de Falas Portuguesas e Aghartinas pela voz do sacerdote, desfechando com a deposição da espada templária sobre a boca circular da trípode aceso, tornando-a assim espada flamejante e configurando o Aspecto Masculino do Segundo Logos, tal como a letra grega Phi, fundamental à constituição do Triângulo Dourado, aqui transposto da Geometria Sagrada para a Tríade Espiritual (ATMÃ – BUDHI – MANAS), assinalada nos pés de Dragão da trípode ardente onde crepitam as chamas de AGNI, o Fogo Sagrado.

Parte das palavras foram as seguintes, acompanhadas da respectiva música:

SALVE YAMA, DEUS DA MORTE, MAS TAMBÉM DA RESSURREIÇÃO!

DÁ TODA A LUZ AOS IDOS E AOS QUE PARTEM, E TAMBÉM A PROTECÇÃO, RESGUARDA-OS NO CELEIRO DO CAIJAH, COMO A ESSE NOSSO IRMÃO, E COMO ELE TODOS USUFRUAM JUNTO AO MESTRE UNIVERSAL, O CRISTO, ESPERANÇA ÚNICA, MISTÉRIO DO SANTO GRAAL, SALVANDO DA MORTE NO LIMBO, SALVANDO DE TODA A TREVA E DOR, SALVANDO DE TODO O MAL, PELA LUZ PLENA DA JUSTA E PERFEITA JUSTIÇA, DA SABEDORIA ETERNA, DO AMOR IMORTAL E JACTANTE PAZ!

DAI A TODOS ASSIM COMO DESTES A ELE, DO CRUZEIRO O PALO FLORIDO – PAULO MACHADO ALBERNAZ!

ADI – BUDHA – VAHAM – MAITREYA!

BIJAM

Roma, a “cidade eterna” – Por Vitor Manuel Adrião Sexta-feira, Dez 23 2011 

Roma, Caput Mundi

Sim, Roma “Cabeça do Mundo”. Ao menos no sentido religioso, como sede da religião confessional do Ocidente, tal qual Atenas, na Grécia, foi o berço cultural da Europa.

A origem de Roma esconde-se na sua lenda de fundação onde entra uma loba cuidando de dois irmãos gémeos, Rómulo e Remo, abandonados à sorte do destino pelos homens e os deuses, eles que eram filhos de Marte e de Rhea Sílvia, descendente de Eneias, herói de Cartago. Amamentados por Ruma, a loba ou lupe, a Lua expressiva da fecundidade, Rómulo e Remo cresceram e fizeram-se homens, o último representando os povos migratórios ou nómadas do Lácio e o primeiro expressando a fixação ou sedentarização dos mesmos aqui, o que ficou assinalado no mito de “Rómulo matar o seu irmão Remo”, tal qual Caim matara Abel na Bíblia, cujo significado é o mesmo.

Como Remo é símbolo dos povos migratórios movendo-se do Oriente para Ocidente no Globo habitável, ele ficou, astrologicamente, como símbolo da Terra em seus movimentos orbitais e sazonais, estes dominados por Marte, expressando a sedentarização dos mesmos povos passando de pastores a agrários pela construção de cidades, o que sideralmente é marcado pelo espaço e tempo de prevalência das estações anuais marcando a vida das urbes inicialmente rurais, facto simbolizado na figura de Rómulo que se tornaria o primeiro rei de Roma, segundo a lenda.

Foi assim que Marte (Rómulo) passou a ser, no horóscopo da cidade de Roma, o seu planeta regente a par de Terra (Remo) sob a influência de Vénus que é, astrologicamente, uma espécie de alter-ego da Lua (Ruma). Por esta razão, ficou convencionada por Públio Terêncio Varrão (82 a. C. – c. 35 a. C.), poeta, historiador e astrólogo, que a data da fundação de Roma era 21 de Abril (quando o Sol sai do signo de Carneiro/Marte e entra em Touro/Vénus) de 753 a. C., atribuindo uma duração de 36 anos cada uma das sete gerações correspondentes aos sete reis mitológicos de Roma, começando por Rómulo. Esses “36 anos” são simbólicos e referem-se aos grandes ciclos planetários onde domina durante esse tempo um dos sete planetas tradicionais da Antiguidade, como sejam: Sol, Saturno, Vénus, Júpiter, Mercúrio, Marte, Lua. Conclui-se que cada uma das “sete gerações” esteve sobre influência de um desses planetas, sendo que os sete reis mitológicos (os quatro primeiros latinos e sabinos, e os restantes etruscos ou tarquínios) foram os seguintes: Rómulo (753 a. C. – 716 a. C.), Numa Pompílio ou Panfílio (716. A. C. – 673 a. C.), Túlio Hostílio (673 a. C. – 641 a. C.), Anco Márcio (641 a. C. – 616 a. C.), Tarquínio Prisco (616 a. C. – 578 a. C.), Sérvio Túlio ou Mastarna, em etrusco (578 a. C. – 534 a. C.), Tarquínio, o Soberbo (534 a. C. – 509 a. C.).

Foi assim que 21 de Abril de 753 a. C. ficou como o Natal de Roma, sendo também dia da festa de Pales, a Parilia. Essa era uma divindade da mitologia romana relacionada com a vida pastoril, e na festa da sua celebração os pastores acendiam fogueiras de restolho e espinhos sobre as quais saltavam (costume que se transferiu depois para os festejos joaninos entre os povos cristãos), e pediam perdão aos deuses pelos seus animais terem penetrado nos recintos sagrados dos templos. Em algumas fontes clássicas, como Ovídio e Virgílio, Pales é apresentada como divindade feminina, enquanto outras fontes referem-na como divindade masculina. Possivelmente seria hermafrodita ou dotada dos dois sexos (Palibus duobus, assim festejada a 7 de Julho no seu templo que estaria no Campo de Marte), para expressar o momento de sedentarização dum povo nómada que acabou fundando a cidade de Roma.

Etimologicamente, a origem do nome Roma provirá do grego Róme, “bravura, coragem” (atributos de Marte), cuja raiz rum significa “seios, tetas”, com possível referência à loba ou lupe, em latim. A língua etrusca, pegando na mesma raiz grega, rum, extraiu a palavra Ruma para designar o burgo, e aos seus habitantes chamava Rumach, “de Roma”. Mas a expressão Ruma, com origem greco-egípcia, servia também para designar o boi, este o animal ruminante que se atribui a Vénus (signo do Touro) e se crê auspiciar astrologicamente Roma. O facto é que o boi na Antiguidade romana ocupou lugar destacado nos seus cultos zoo e antropomórficos. Daí que o Campo do Boi passasse a ser conhecido pelo nome latino de Forum Ruminalis ou Forum Bovarium, ou seja, Campo dos Bois. Durante muito tempo, segundo refere Tito Lívio, mostrava-se no Forum Ruminalis a figueira sob a qual a loba aleitara os gémeos Rómulo e Remo. Por tal motivo, passou a ser conhecida pelo nome de Ficus Ruminalis, isto é, Figueira Ruminal, planta saturnina, tal qual o boi negro (ao invés do branco que é de Vénus).

Já o Rio Tibre que banha a “cidade eterna”, o seu nome provirá provirá do latim arcaico Tibaris, onde estão presentes os temas mediterrânicos tab e ares, respectivamente significativos de “santo” e “carneiro”, ou seja, “o carneiro santo”, nome dado ao deus Ares, o padroeiro das legiões romanas que tinha aqui, em Roma às margens do Tibre, o centro principal do culto a ele, donde irradiava para todo o império que cobriu a Europa, parte de África e chegou às portas da Ásia.

Como cidade, inicialmente gizada em quadrado, Roma nasceu no Monte Palatino (nome derivado de Pales, a divindade pastoril), onde se ergueu o palatium, “palácio” dos soberanos, em breve consagrando-se a Júpiter, por ser considerado o maior e mais poderoso dos deuses, tal qual os imperadores romanos consideravam-se maiores e mais poderosos que quaisquer outros soberanos no mundo habitável. Por isso, a águia, ave jupiteriana, ficou com emblema orgulhoso e augusto do império.

Sendo a cidade das sete colinas, Roma representava-se por sete templos principais em cada uma delas, e quando se tornou cristã levantaram-se nas mesmas sete igrejas que serviriam de luminárias à fé católica irradiando para todas as partes do mundo onde a mesma existe. Isto dá-lhe os foros legítimos de caput mundi e aeterna civitas por essa mesma razão menos política-temporal e mais religiosa-espiritual, fazendo-a cidade do divino Amor, que é o que significa Roma às avessas. As sete colinas romanas com os seus sete templos antigos, são:

Monte Aventino (Mons Aventinus) – Templo dedicado a Diana, deusa da Lua.

Monte Capitolino (Mons Campidoglio) – Templo da Tríade Capitolina (Júpiter, Juno e Minerva), cujos deuses intercambiam entre si tal qual faz o planeta dos intercâmbios ou permutas, Mercúrio.

Monte Celio (Mons Caelius) – Centro devocional de Rómulo, sob a invocação de Ares ou Marte.

Monte Esquilino (Mons Esquilinus) – Templo da deusa Vénus.

Monte Palatino (Mons Palatinus) – Templo de Júpiter.

Monte Quirinal (Collis Quirinalis) – Templo do deus Quirino, protector do Estado Romano dando-lhe a luz ou Sol necessário à sua boa legislação.

Monte Viminal (Collis Viminalis) – Templo do deus Silvano presidindo às mortes e enterramentos, predicados de Saturno.

O papa Alexandre VII (1599-1667), seguindo a tradição religiosa das sete colinas, deu como principais as sete igrejas de Roma: Santa Maria Annunziata, Santi Vicenzo e Anastasio, San Paolo, San Giovanni in Laterano, Santa Maria Maggiore, Santa Croce in Gerusalemme, San Lorenzo fuori le Mura.

Por fim, na cidade do Vaticano (Vaticanus) tem-se na basílica de S. Pedro de Latrão, substituta do templo dos Vates com que se iniciou apodar Roma, cidade eterna.

O Templo de Vesta e o Vaticano

Do Palatino ao Vaticano a distância é breve. Por certo nenhuma distância cultual havia entre os dois lugares no tempo do império romano. Ou seja, ambos os montes da cidade eram povoados por sacerdotes e sacerdotisas consagrados ao culto solar ou apolíneo do deus Mitra e sobretudo da deusa Vesta, que aí tinham os seus templos.

Por debaixo da basílica de S. Pedro de Latrão subsistem restos de um mitreo ou templo mitraico subterrâneo, ainda com o altar meio desconjuntado, e no Palatino, no Forum Romano, mantêm-se as ruínas do templo circular de Vesta com a vizinha Casa das Vestais ou as consagradas a essa deusa solar, jovens puras e virgens encarregues de manter aceso o fogo sagrado no templo as quais, além da sua esmerada educação preparando-as para a vida do lar, eram igualmente preparadas no desenvolvimento psicomental das faculdades de previsão do futuro ou vaticínio. De maneira que à função de vestais ou virgens aliavam, sobretudo as que abraçavam a vida religiosa para toda a vida, o exercício de vates ou vaticinadoras.

Delas deriva o nome Vaticano, do latim Vaticanus, derivado de vates, estes que aí viveram muito antes da Roma pré-cristã, havendo inclusive um templo do deus etrusco Vagitanus que era o padroeiro dos vaticinadores. De maneira que o Vaticanus é o primitivo “lugar dos vaticínios”, e sobre o templo de Vagitanus ter-se-á levantado o cristão de S. Pedro.

Mas esse Vagitanus era um deus menor em comparação à divina Vesta, considerada a esposa de Apolo ou Helius, o Sol Espiritual. Por isso todos os lares romanos possuíam uma lareira onde ardia a chama eterna de Vesta fazendo as vezes de imagem desta. Como o Sol é redondo da mesma forma o eram os templos da deusa, com as entradas voltadas para o leste para expressar a ligação entre o Sol da Vida e fogo sagrado ardendo no centro do recinto. Vesta que também era chamada Héstia, donde derivou o nome de hóstia, que como se sabe também é de formato circular e expressa o corpo místico da Divindade em Cristo, incarnação do Sol Espiritual, ou melhor, do Logos Eterno. Os próprios templos circulares ou votivos do Cristianismo não deixam de ser reproduções dos primitivos da deusa Vesta ou Héstia, pelo que o seu simbolismo cristão restrito é o de representar a hóstia sagrada, esta o alimento eucarístico tal qual o Sol o é dos corpos e das almas.

Segundo Dionísio de Halicarnasso, os romanos acreditavam que o fogo sagrado de Vesta estava intimamente ligado ao destino da cidade e viam no apagar dele um presságio mortal da extinção da cidade, e até mesmo do império, o que aconteceu com a implantação da nova religião cristã, possuída da simbologia mitraica masculina e da feminina de Vesta.

Para que em Roma o fogo perpétuo não se extinguisse no Templo de Vesta (Aedes Vestae, em latim), possivelmente mandado construir pelo imperador Pompilius Numa no século VII a. C., ele era mantido por seis ou dez sacerdotisas da deusa, num sacrifício permanente através do qual a inocência virginal servia de elemento substancial e até de escudo contra os pecados, as falhas eternas da Humanidade. Obviamente que o perímetro do templo era rigorosamente vedado aos homens, tanto de dia como de noite. Essa tradição mantém-se nos mosteiros femininos cristãos.

Uma vez por ano, no primeiro dia de Março, renovava-se o fogo sagrado: a sacerdotisa chefe do templo ou Virgem Máxima (Virgo Vestalis Maxima) assessorava o Sumo Pontífice (Pontifex Maximus) com ela apagando e ele acendendo novamente o fogo sagrado, por meio de dois paus onde um penetrava o orifício doutro e friccionavam-se até gerar chama, técnica chamada pramantha. O acto envolvia-se de grave cerimonial expressando a Vesta como deusa geradora e sustentadora das mulheres e da família. Ao mesmo tempo, por ser realizado nas proximidades do Equinócio da Primavera, servia de preanuncia do ano novo astrológico, em 20/21 de Março, quando a Natureza desponta pujante sob o signo do Carneiro animado pela impetuosidade ígnea de Vesta, a deusa solar. O 1.º de Março das Vestais veio a ter o seu equivalente no 1.º Domingo da Quaresma, período que abre o preparatório da Páscoa, e que vai até Domingo de Ramos, quando Jesus entrou em Jerusalém montado num jumento, este que era o animal sagrado das vestais, símbolo de sacrifício, humildade e paz.

Em Roma, na grande festa chamada Vestália os jumentos eram coroados de flores e não trabalhavam. Durante a festividade, que durava de 7 a 15 de Junho, as senhoras romanas iam em procissão, descalças e cobertas, oferecer o pão por elas cozido aos templos de Vesta. No final da festividade, as vestais fechavam o templo, lavavam-no e depois abriam-no com um banquete oferecido ao seu divino orago, contando apenas com a presença de mulheres. A Vestália tem, no Cristianismo, como vizinha e oposta, ainda assim com algumas semelhanças na finalidade litúrgica, a celebração do Corpus Christi, o Corpo de Deus. No final do mesmo mês de Junho, dia 29, S. Pedro é celebrado na sua basílica vaticana e em todo o mundo católico romano, que também assim e por estarem em data próximas no mesmo mês, acaba sendo uma evocação inconsciente do passado mágico dos vates e das vestais que sagraram esse lugar muito antes do Apóstolo Pedro ou os seus seguidores substituí-los cultualmente, onde o Papa faz as vezes do Sumo Pontífice da religião solar dos vates e vestais de Roma e do seu vasto império na época.

Por serem consideradas imbuídas de poderes especiais, as vestais eram honradas por todos e tinham poderes jurídicos de perdoar aos condenados que buscassem o seu socorro, inclusive extirpar os pecados da alma só com a sua simples presença. A sua pureza corporal e espiritual era considerada a garantia da segurança e salvação de Roma, sendo por isso vigiadas severamente pelo Sumo Pontífice.

A disciplina rigorosa das vestais (por exemplo, aquela que deixasse apagar o fogo sagrado no templo era severamente chicoteada) acabou sendo herdada pelas freiras professas cristãs, juntamente com os dotes de pureza ou virgindade do corpo e da alma. As vestais eram escolhidas dentre as filhas de famílias nobres e deviam servir durante trinta anos no templo, dos quais dez eram de aprendizagem, outros dez de sacerdócio, e os últimos para ensinar as novas vestais. Deviam manter a castidade, estando submetidas a regras severas, e em caso de infracção ao casto voto, eram enterradas vivas perto do Monte Quirinal, no campus sceleratus (campo da perversidade), onde a ex-virgem era acompanhada por um procissão fúnebre até ao local, onde era encerrada numa cova contendo uma cama, uma lamparina acesa, e um pouco de óleo e leite.

Com o passar do tempo e a decadência do império romano, as vestais tornaram-se bodes expiatórios e foram usadas para fins políticos, sendo-lhes atribuídas as causas dos desastres naturais e as derrotas nas batalhas por, suposta e alegadamente, terem infringido os seus deveres e quebrado o voto de castidade, facto nunca provado como esse da Virgem Máxima injustamente condenada à morte pelo imperador Domiciano em 90 d. C., enquanto o seu suposto amante morria espancado nas escadarias do Forum; mas ficou provado que a velha e gasta política romana não soube acompanhar a marcha do progresso político-social, e com isso o império foi gradualmente dissolvendo-se e Roma tomando nova feição política, cultural e religiosa.

O que resta do Templo de Vesta no Palatino ardeu duas vezes. A primeira no grande incêndio de Roma no ano 64 d. C., crê-se que mandado atear pelo imperador Nero. A segunda no ano 191, tendo Julia Domna, esposa de Septímio Severo, mandado restaurar o templo. A chama sagrada foi retirada do mesmo em 394 por Teodósio I, após ter vencido a Batalha de Frigidus, derrotando Eugenius e Arbogast. Essa data marcou o fim das vestais em Roma e o abandono do templo, sucessivamente saqueado até desaparecer todo o seu mármore no século XV. A secção em pé hoje foi reconstruída na década de 1930 durante o regime de Benito Mussolini.

Fonte das Três Tiaras

O simbolismo decorativo da Fontana delle Tiare ou Fonte das Tiaras, no Largo delle Colonnato, em Rione Borgo, sem dúvida que se inspira e refere à presença próxima dela da residência pontifícia. Encontra-se situada por detrás do acesso ao lado norte da Praça de S. Pedro do Vaticano. É obra realizada após encomenda da comissão da Comuna de Roma ao arquitecto romano Pietro Lombardi, em 1927.

A fonte ergue-se sobre base circular ligeiramente destacada e assenta num trevo ou trifólio sobre que se ergue uma grossa pilastra donde para três bacias escorre a água. O conjunto é encimado por três tiaras papais dispostas em triângulo tendo abaixo de cada, em duplicado, as chaves pontifícias, ao todo, seis.

Sem dúvida que se está diante de uma indesmentível simbologia papal assinalando o sumo-pontífice como chefe supremo do orbis catolicus romanus (“mundo católico romano”), regular sucessor canónico da linhagem apostólica iniciada por S. Pedro confirmado pelo próprio Jesus Cristo conferindo-lhe a autoridade de chefe máximo da Igreja ou Assembleia universal dos seguidores da Sua Palavra, segundo relata o Evangelho de S. Mateus (capítulo 16, versículo 19): Et tibi dabo clavis regni caelorum (“E dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus”).

Aparecendo nesta fonte três tiaras equivalem à tríplice tiara, triregnum ou triregno, descrita como a coroa papal em forma de colmeia, com três diademas e encimada por uma pequena cruz. Objecto desde simples a ricamente decorado com ouro, prata e outras pedrarias preciosas, os papas podiam usar a tiara dos seus antecessores ou então confeccionarem novas. Recebiam o triregno na cerimónia de coroação após a sua eleição, marcando o início do seu pontificado, mas uma vez que esse é um ornamento não-litúrgico, só se era ostentado em procissões papais e actos solenes de jurisdição, pelo que o papa, como os bispos, ornamenta-se com uma mitra pontifícia nas funções litúrgicas. Os primeiros registos do uso do triregno remontam ao século VIII, desenvolvendo-se a sua decoração e forma até meados do século XIV, sendo que o último papa a portar triregno foi Paulo VI, em 1963. Dessa data até hoje, raramente os papas usam-no, mas que ficou, com as chaves cruzadas ligadas por um cordão (cíngulo), como o brasão proeminente do papado.

Anteriormente ao século VIII, a origem da tiara pontifícia mergulha na lenda, dizendo esta que o papa Silvestre I (314-335) recebeu a tiara do imperador Constantino como um sinal de liberdade e paz na Igreja, inicio da pax romana. Também a narrativa lendária diz que Clóvis I ofereceu ao papa Símaco a tiara papal na igreja de S. Martinho, em Tours, no século V. Porém, um ornamento branco usado na cabeça do papa é registado pela primeira apenas na biografia do papa Constantino no século VIII, no Liber Pontificalis. Essa cobertura é chamada de camelaucum ou phrygium. A mais baixa das três coroas do triregno apareceu na base da chapelaria branca tradicional dos papas no século IX, quando esses assumiram efectivamente o poder temporal dos Estados Pontifícios, sendo essa coroa da base decorada com jóias para assemelhar-se às coroas dos reis e príncipes. O termo tiara é referido pela primeira vez na biografia do papa Pascoal II, no Liber Pontificalis, em 1118.

À coroa mais baixa da tiara adicionou-se uma outra passando a duas, em 1128 no pontificado de Bonifácio VIII, na época do conflito com Filipe, o Belo, rei de França, para demonstrar que a sua autoridade espiritual era superior ao poder real, e assim a tiara passou a chamar-se biregno. Quanto à terceira coroa acrescentada posteriormente com a qual a tiara passou chamar-se triregno, a sua data é incerta ainda que seja sugerido o seu aparecimento durante o pontificado de João XXII (1316-1334).

Às três coroas da tiara foram dados os seguintes atributos papais: Pastor Universal (coroa superior), supremacia da Autoridade Espiritual (coroa intermédia) e domínio do Poder Temporal (coroa inferior). Esses atributos derivam da tríplice dimensão de Cristo como Sacerdote, Profeta e Rei, funções, por sua vez, reconhecidas no Rei do Mundo ou Melkitsedek de quem Cristo a representação viva mais próxima ao mesmo, a ponto da própria Igreja reservar-se a duas espécies de sacerdócio, facto também reconhecido pela Sinagoga ou Judaísmo. De facto, o Livro do Génesis e a Epístola de S. Paulo aos Hebreus referindo-se a esse misterioso Soberano, levou a tradição judaico-cristã a distinguir dois sacerdócios: um, “segundo a Ordem de Aarão”; outro, “segundo a Ordem de Melkitsedek”. Este superior àquele, pois se liga do Presente aos Tempos do Advento do Messias, expressando os Apóstolos, os Bispos e a Igreja do Ocidente. E aquele vincula o Passado ao Presente, expressando os Profetas, os Patriarcas e a Igreja do Oriente.

Exotérico (público, confessional) – O Sacerdócio de Araão ou Sacerdócio Menor. Ministra as coisas temporais e confessionais (morais) e é o dominante na religião católica, andando próximo aos ensinamentos dos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo.

Esotérico (reservado, sapiencial) – O Sacerdócio de Melkitsedek ou Sacerdócio Maior. Ministra as coisas celestiais e sapienciais (gnósticas), correlacionando-se aos ensinamentos do Apóstolo S. João.

O exclusivo dos Mistérios de Melkitsedek contém-se no Deserto (símbolo de lugar reservado ou aparte do mundo profano) e contém-se no Silêncio Sacerdotal, equivalente da Palavra Perdida na Maçonaria, nos quais a Opera Dei, “Obra Divina” ou Teurgia é o exercício exclusivo, possuída de leis e regras canónicas que, afinal, constituem a Ciência Sacerdotal.

Na Bíblia, tem-se aparece a primeira referência a Melkitsedek ou Melki-Tsedek no Genesis (XIV, 19-20): “E Melki-Tsedek, Rei de Salém, mandou que lhe trouxessem pão e vinho e ofereceu-os ao Deus Altíssimo. E bendisse Abraão (…) e Abraão deu-lhe o dízimo de tudo”, instituindo-se a Ordem de que fala o Salmo 110, 4: “Tu és um sacerdote eterno, segundo a Ordem de Melkitsedek”. Este é assim definido por S. Paulo na sua Epístola aos Hebreus (VII, 1-3): “Melki-Tsedek, Rei de Salém, Sacerdote do Deus Altíssimo que saiu ao encontro de Abraão (…) que o abençoou e a quem Abraão deu o dízimo de tudo, é em primeiro lugar e, de acordo com o significado do seu nome, Rei da Justiça, e em seguida, Rei de Salém, isto é, Rei da Paz; existe sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tem princípio nem fim a sua vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece Sacerdote para todo o sempre”.

É assim que o sacerdócio da Igreja cristã chega a identificá-lo à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, mantenedor da Tradição Apostólica que vem do Apóstolo Pedro até ao Presente. Tal como Melki-Tsedek é “Rei Sacerdote de Deus”, só como “Sacerdote de Deus” leva o nome judaico Kohen-Tsedek, e como “Rei do Mundo ou Imperador Universal” o de Adonai-Tsedek, funções assinaladas no triregno o qual o Brahmatmã, equivalente de Melki-Tsedek no Oriente, também carrega sobre a cabeça, acompanhado das duas chaves de ouro e prata indicativas dos Mistérios Maiores do Céu e dos Mistérios Menores da Terra. Também o Brahmatmã se triparte nas funções laterais de Mahinga e Mahanga, ou seja de Rei e Sacerdote do Eterno. Melki-Tsedek tinha, ainda, o seu equivalente no Antigo Egipto na função de Ptah-Ptahmer; na Índia, é chamado Chakravarti e Chakravartini e também Dharma-Raja; os antigos Rosacruzes reconheciam-no como Imperator Mundi e Pater Rotan, e foi assim que a Maçonaria o reconheceu no século XVIII, consignando-o Maximus Superius Incognitus, para todos os efeitos, o Imperador Universal dos corpos, das almas e dos espíritos com soberania absoluta sobre o Inferno, a Terra e o Céu, facto representado no triregno, nas chaves dos Mistérios e no cordão pontifical ou que liga os três Mundos entre si, Mundos esses animados ou vivificados pelos Pardas ou Rios Celestes que, neste particular, representam-se nas águas dessentadoras da Fontana delle Tiare, expressiva da tríplice função de Deus-Deus, Deus-Homem, Homem-Deus.

De Cibele a Santa Maria Maior

A Basílica de Santa Maria Maior (Basilica Sanctae Mariae Maioris), antigo panteão dos papas de Roma, desde sempre se revelou envolta em mistérios pelos quais o Céu e a Terra parecem jogar os destinos da Humanidade nas presenças da Virgem Divina e do Santo Graal, este que a Tradição Iniciática do Ocidente afirma ter transitado por este templo praticamente no início da Cristandade europeia. Resta encontrar os sinais comprovadores de tamanha e assombrosa afirmação, mesmo que estejam encapotados sob aspectos diversos do que aparentam ser.

Antes de haver igreja cristã aqui havia um templo romano consagrado à deusa Cibele, considerada “Mãe dos Deuses” ou Deusa-Mãe expressando a fertilidade da Natureza. Presidia aos ciclos da vida e da morte de todos os seres (minerais, vegetais, animais e homens) sendo igualmente a sua protectora, sobretudo do Reino Animal, motivo para os gregos apodarem-na de Potnia Theron, “Senhora dos animais”, sendo frequentemente representada com uma coroa de muralhas na cabeça, ramos de frutos nas mãos e um leão aos pés, indicativo da sua soberania como Mãe do Mundo ou Rhea, como os greco-romanos a consideravam.

 Os predicados da deusa Cibele seriam transferidos para a Virgem Maria, inclusive iconograficamente, como se vê numa escultura no exterior da basílica onde a Virgem aparece enlaçando o lado do Cordeiro Pascal, substituo óbvio do leão de Cibele. Ainda existindo em pé no ano 420 sob a vigência do papa Celestino I, o templo cibelenino seria derrubado durante o pontificado do sucessor daquele, Sisto III (432-440), sendo aproveitados os seus materiais para ampliar a basílica cristã sobre ele. A sua fundação remonta ao pontificado do papa Libério I (352-366), quando transformou em igreja o que era o palácio Sicinini (Ecclesia Sicinini) próximo do templo do Cibele, e daí chamar-se também Basílica de Santa Maria da Libéria ou Liberiana, desde logo posta sob a advocação da Virgem Divina, graças a uma lenda muito bela e significativa que se pode dispor no imobiliário das lendas graalísticas: um casal romano rogou à Virgem luzes para saber como empregar a sua fortuna. Receberam, então, em sonhos, tanto o casal como o papa Libério, a revelação de que Santa Maria desejava que lhe fosse construído um templo precisamente no lugar do Monte Esquilino que aparecesse coberto de neve. Os sonhos aconteceram na noite de 4 para 5 de Agosto, em pleno Verão. No dia seguinte, o terreno onde hoje se ergue a basílica amanheceu inteiramente nevado. A lenda é ainda comemorada por caírem do Céu pétalas de rosas brancas durante a celebração da missa que o papa realizou a seguir ao sonho profético.

Rosas de Maria é nome dado tradicionalmente à Revelação Celeste do Santo Graal ou Vaso Sagrado, Eucarístico, na Terra, onde as pétalas de rosas brancas substituem a manifestação da Pomba celeste sobre o lugar de eleição, para todos os efeitos, na iconologia mariana correspondendo à aparição do Espírito Santo expurgador das heresias e firmador da verdadeira Fé. Isto equivale à iluminação mística onde o Graal se revela não como objecto sagrado mas como consciência consagrada.

Mesmo assim, é facto significativo a época da ocorrência desse acontecimento milagroso ter coincidido com o momento de maior conflito entre o Catolicismo e o Arianismo, que se arrastava desde o Concílio de Niceia (Anatólia, Turquia) realizado no ano 325, onde os arianos negavam a existência de Jesus Cristo com duas naturezas, divina e humana, e os católicos afirmavam-na. Apesar de não ter escapado à fama de simpatia pela Arianismo, e que lhe chegou a valer o desterro para Berea de Tracia ordenado por Constâncio II, o facto é que em Roma, no ano 358, Libério I combateu essa doutrina e expulsou o antipapa Félix II, imposto pelo imperador.

O facto é que a basílica passou a ser chamada de Nossa Senhora das Neves, em conexão com a festa litúrgica do aniversário da Virgem Maria em 5 de Agosto, e é assim que aparece inscrita no Missal Romano de 1568: Sanctae Mariae Dedicatio ad Nives (Dedicação de Santa Maria das Neves).

Santa Maria das Neves equivale à Virgem Branca, a da Conceição ou Maior, portanto, a Mãe do Mundo expressiva da própria Terceira Pessoa ou Divino Espírito Santo como o único a operar o milagre da Criação, dispondo Maria, sua forma humana como repositório fértil (Graal) da Presença Divina, como Mãe Soberana dos animais, homens e deuses.

Mas será Sisto III a dedicar a basílica ao culto de Maria, Mãe de Deus, cujo dogma da Divina Maternidade, Concepção ou Conceição acabara de ser declarado pelo Concílio de Éfeso (431). Por isto, a Basílica de Santa Maria Maior de Roma é a mais antiga igreja do Ocidente consagrada à Virgem Maria.

Este templo também foi chamado de Santa Maria do Presépio (Sancta Mariae ad Praesepe), nome que lhe foi dado por causa da relíquia com um pedaço do berço ou manjedoura ou presépio da Natividade de Jesus Cristo, trazida para aqui no tempo do papa Teodoro (640-649). Essa relíquia está hoje sob o altar-mor da basílica, na Cripta da Natividade, dentro de um relicário de cristal desenhado por Giuseppe Valadier em forma de vaso, com Jesus Menino por cima e duas taças laterais, o que é uma referência óbvia ao Graal objecto que, teima em afirmar a Tradição Iniciática, terá passado por este templo há largos séculos. Ao lado do relicário chamado sacra culla (sacro berço), está a sepultura de S. Jerónimo, um dos Doutores da Igreja.

É interessante assinalar que a palavra sânscrita Akta, depois ocidentalizada Apta, signifique “creche”, “manjedoura”, “presépio” e ainda “lugar onde nasce o Sol”, e esteja presente nos ritos brahmânicos e noutros relacionados à manifestação da Luz de que o Graal Humano, Jesus Cristo, ao nascer no Apta de Belém de imediato se tornou a Luz do Mundo. Segundo Burnouf, o simbolismo desse rito ancestral é o seguinte: o brahmane (sacerdote) cruza dois pedaços de madeira (a swástika, ou cruz destrocêntrica) que, para não se moverem, são cravados com quatro pregos, e na junção dos dois braços da cruz passa uma corda que, pela fricção, produz fogo. O Pai do Fogo Sagrado é o “divino carpinteiro”, Tuashtri, que é quem prepara a cruz ou pramantha que deve gerar o Filho Divino, Agni, que é o Fogo. A sua Mãe é Maya, equivalendo à Virgem Maria cristã.

Quando o pequeno Agni nasce, é colocado num vaso, berço ou manjedoura, simbolicamente tendo ao seu lado a vaca mugidora. Ora Vâch (o mesmo que vaca), em sânscrito, significa: Verbo Sagrado, Palavra Criadora ou Logos Criador, sendo assim alusão ao momento da manifestação ou encarnação do próprio Verbo Divino, aqui, assinalado em Jesus Menino.

O sacerdote brahmane toma o pequeno Agni em suas mãos, coloca-o sobre um altar e espalha sobre ele manteiga clarificada (sendo esta a origem da “unção” ou “santos óleos” usados nos baptizados cristãos). É justamente quando o pequeno Agni, o Fogo Sagrado assim inflamado, toma o nome de Ungido (Iluminado), Akta em sânscrito e Christus em latim. Torna-se resplandecente, pois que em seu redor tudo se ilumina. As trevas desaparecem, os demónios fogem espavoridos diante da sua luz cintilante.

Ele é o Guru dos Gurus (Maha-Guru, Grande Instrutor, etc.), o Mestre dos Mestres e toma o nome de Jâtavâda ou “aquele em quem a Sabedoria é inata”. Este título cabe a Jesus Cristo encimando o relicário do presépio em Santa Maria Maior, onde mostra-se deitado, posição passiva ou fixação da Sua Pessoa, com a destra abençoando o Mundo, transmitindo-lhe a Sua Sabedoria e tendo por fundo as estrelas luminosas igualmente encimando as taças laterais, como que querendo significar: Graal, estrela bendita, caída do Céu.

O Sacro Cálice de San Lorenzo

A Basílica de San Lorenzo Fuori le Mura é alfobre de lendas e enigmas desaguando todas no Sacro Cálice, do qual alguns dizem que esteve aqui e talvez que ainda esteja escondido num recôndito obscuro deste templo, talvez nas suas catacumbas fechadas.

Fazendo parte do imobiliário da Roma misteriosa, o assunto merece atenção. Segundo a lenda, dentre os tesouros confiados ao diácono São Lourenço pela Igreja Grega fazia parte o Cálice Sagrado onde Jesus e os Apóstolos beberam na Última Ceia, e onde igualmente o Sangue Divino no Cristo jorrou no Calvário para dentro dele que discípulo José de Arimateia trazia consigo. Esta Taça Sagrada ficou conhecida na Idade Media como Santo Graal. Mas como ela chegou à posse de São Lourenço (Valência ou Huesca, Aragão, 225? – Roma, 10.8.258) é que ninguém explica, nem mesmo as lendas.

É dito que a presença do Santo Graal nesta igreja estará ligada às perseguições aos cristãos no ano 258, ordenadas pelo imperador Valeriano, e à ordem dada pelo Papa Sisto II para esconder os tesouros cristãos, dentre eles o Cálice Sagrado entretanto chegado à posse da Igreja Romana, sem que se saiba como. Esses tesouros teriam sido escondidos nas catacumbas sobre as quais seria edificada no século IV esta igreja de São Lourenço, por ordem do imperador Constantino I, depois ampliada na época do Papa Pelágio II (579-590).

É assim que alguns amadores de Arqueologia e História, servindo-se do Guia para as catacumbas escrito em 1938 pelo frade capuchinho Giuseppe Da Bra, como este acreditam existir uma sala subterrânea com cerca de 20 metros quadrados onde num canto estará o Graal num trono, e por estar representado em vários frescos nesta igreja a sua presença aqui parece ficar confirmada.

Contudo, a lenda local mostra-se impiedosa para os amadores do “fantástico”, pois ela conta que quatro dias antes de sofrer o martírio na grelha incandescente, São Lourenço confiou o Cálice Sagrado a um amigo que o levou para Huesca, sendo depositado no mosteiro de San Juan de la Peña, o núcleo de força espiritual do reino de Aragão, tendo ido parar depois à catedral de Valência, Espanha.

Não é crível que o Graal valenciano e até mesmo o romano seja o original onde Jesus Cristo bebeu e depois verteu o seu sangue. Só é crível como Tradição Graalística a que se liga por inteiro este santo valenciano sepultado aqui, nesta igreja que é uma das sete principais de Roma.

Primeiro que tudo, deve-se atender ao cargo eclesiástico de São Lourenço: diácono. A sua função é ser guardião do tesouro da Igreja, cuidar dos bens da mesma, cargo de grande responsabilidade, pois por bens ou tesouros além de entender-se riquezas materiais, objectos e valores, igualmente entende-se o cuidado na alimentação da fé aos crentes e da distribuição de esmolas aos necessitados. O diaconato foi responsável pelas primeiras comunidades cristãs e hoje mantêm-se ao serviço das mesmas como seus servidores. Possuindo o primeiro grau do Sacramento na Ordem eclesiástica, o diácono é ordenado não para o sacerdócio mas para o serviço de caridade e da proclamação da Palavra de Deus e da Liturgia. Assessora o sacerdote no ministério dos Sacramentos e da Missa, como se viu com São Lourenço assessorando Sisto II.

Por essa razão, o diácono São Lourenço é o “Guardião do Santo Graal”, no caso, a Taça Eucarística da Santa Missa que se vê retratada nos frescos do século XIII e nos ladrilhos do chão, juntamente com a Cruz pátea oriental que representava a Cristandade, e por isso a Ordem dos Templários (que nunca esteve aqui, e sim na igreja de São João Baptista desta cidade) adoptou-a como Cavalaria Papal, pois que o seu chefe supremo, antecedendo o Mestre Geral, era o próprio Papa.

Fala-se também que na Sexta-Feira Santa o Cálice escondido na pressuposta catacumba sanlourenceana verte sangue que logo se transforma em vinho. Como se sabe do facto, é absolutamente desconhecido… mas por certo terá uma razão mais crível que merece ser vista por todos: nesta basílica conserva-se uma laje com a mais antiga epígrafe latina cristã que refere explicitamente a transubstanciação do sangue em vinho pelo sacramento da missa: Verus in altari cruor est vinumque, “O verdadeiro sangue no altar parece ser vinho”.

São Lourenço (do latim Laurentius, “coroado de louros”, atributo solar, luminoso), tendo sido um dos sete diáconos da antiga Roma, é relacionado com o Graal porque, segundo a lenda, foi aqui o seu guardião e depois enviou-o para Aragão. Mas a presença graálica em relação com São Lourenço não se dá só em Roma e em Espanha, pois o imperador Santo Henrique, fundador do reino da Hungria, ofereceu à basílica de São Lourenço um enorme cálice de ouro e pedrarias que, miraculosamente, quebrou-se no momento do imperador expirar entregando a alma a Deus. O mesmo santo já havia restaurado milagrosamente outro cálice precioso que um presbítero de mãos frouxas deixara cair no chão.

As várias advocações de São Lourenço também são igualadas aos atributos transcendentes do Santo Graal. Segundo as lendas medievais, tratava-se de um Vaso Sagrado feito pelo próprio Deus que tinha o poder de ressuscitar os mortos caídos na batalha, curar-lhes as feridas e devolver-lhes a vida perdida. Com isso, representava a imortalidade conferida por iniciação espiritual, por certo gnóstica ou sapiencial. Igualmente tinha a qualidade de produzir e conter, em tempos de paz, alimentos suficientes para suprir com excesso o povo. Nisso, expressava o alimento da fé nutridor do povo crente, função destinada ao diácono encarregue da parte confessional, a par do exercício da caridade aos necessitados do mundo. De maneira que o Santo Graal ou Saint Vaisel vem a ser expressão dos Dons do Espírito Santo, tanto como estado de Consciência Espiritual como Objecto Sagrado, capaz de operar os maiores prodígios da Natureza, por reflectir a Quintessência da mesma.

De maneira que o significado do Santo Graal possui perfeita correlação física e espiritual na própria palavra:

Gral é o almofariz, objecto de laboratório, em que são feitas certas misturas químicas.

Graal é a Taça Sagrada. Nela, naturalmente, são feitas as mais sublimes, espirituais e místicas fusões e sublimações alquímicas.

Alquimia essa destinada a transformar a simples “vida energia” humana em plena “vida consciência” no mesmo homem, assim identificado a Cristo em quem incarnou o Divino Espírito Santo. Será, então, um Iniciado verdadeiro, um Ser Crístico de facto e direito.

Assim o foi São Lourenço, como se regista até no seu próprio nome, Luz, e a este propósito a sua associação ao elemento Sol-Fogo-Luz inclui-se não só no aspecto astronómico ou celeste das lágrimas de São Lourenço que é a chuva de estrelas, as Perseidas da constelação de Perseus, mas também no elemento geológico ligado às águas minero-medicinais cujas propriedades miraculosas são motivo para lhes chamar águas perfumadas e águas de São Lourenço. Finalmente, também possui uma vertente puramente filológica: o fogo de São Lourenço, nome que se dá em alguns lugares a um determinado tipo de urticária alérgica produzida pela exposição ao Sol.

Visitar Roma e não ir a San Lorenzo é visita inacabada, é passar ao largo do insólito e misterioso que a cidade eterna reserva ao visitante.

A porta alquímica do Marquês Palombara

A Porta Alquímica, também chamada Porta Mágica, Porta Hermética e Porta do Céu, é um monumento esotérico repleto de símbolos astrológicos e alquímicos permeio a frases em latim e hebraico, com igual sentido hermético. Ladeiam-na as duas corpulentas e atarracadas figuras barbadas desnudas do deus egípcio Bes, postadas como guardiãs do portal que parecem abrir para os misteriosos mundos subtis da primitiva Tradição Rosacruz.

Esta Porta Alquímica, edificada em 1680 segundo a data inscrita nela, é a única sobrevivente das cinco portas da villa Palombara de Massimiliano Palombara, marquês de Pietraforte (1614-1680), que se localizava na zona rural leste de Roma no Monte Esquilino, próxima da posição correspondente à actual Piazza Vittorio. Em 1873 desmontou-se a porta e remontou-se em 1888, nos jardins da Piazza Vittorio, num antigo muro da igreja de Santo Eusébio, sendo-lhe adicionadas lateralmente duas estátuas do deus egípcio Bes, vindas do Palácio do Quirinale. Postada no canto norte do jardim da Piazza Vittorio Emanuele II, onde está hoje, esta porta enigmática é por certo o ex-libris da Roma esotérica.

O facto de se lhe adicionar as estátuas de Bes resultou feliz, pois que este deus menor do Antigo Egipto era tido como protector dos lares contra os espíritos malignos, e assim mesmo também protector do sono, da fertilidade e do matrimónio. Estes atributos juntos à sua imagem tradicional assemelham-no ao deus dos gnomos apelidado pelos antigos hermetistas de Gob ou Gobi.

Sobre a arquitrave do portal, vê-se um medalhão onde a Cruz da Terra sobrepõe-se ao hexalfa ou estrela de seis pontas, vulgarmente chamada “estrela de David”. Representa o equilíbrio perfeito da Terra em harmonia com o Céu (triângulo vertido) e com a Terra (triângulo invertido). A Cruz da Terra descreve-se tradicionalmente como uma cruz sobre um globo ou círculo. Este círculo, aqui, contém um menor como estilização da rosa, que associada ao cruzeiro dá Rosa+Cruz. Em volta do círculo da Terra lê-se a frase latina: Centrum in trigono centri (“O centro (é) no trígono do centro”), e na cercadura do círculo envolvente do medalhão, tem-se nova frase latina: Tria sunt mirabilia Deus et Homo Mater et Virgo trinus et unus (“Três é a coisa maravilhosa, Deus e Homem, Mãe e Virgem, Trino e Uno”). Ambas as frases são referências à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Divino Espírito Santo em sua natureza Andrógina ou Masculina e Feminina, revelado na Natureza como Homem Deus (Cristo) e Virgem Mãe (Maria), sob cujo padroado estavam os antigos Rosacruzes, procurando por Maria (Iniciação Senhorial) chegar a Cristo (Iniciação Dominical). O nome Espírito Santo repete-se no lintel cimeiro inscrito em hebreu Ruach Elohim, ladeado pelos signos astrológicos de Saturno (esquerda) e Júpiter, configurados de maneira a também expressarem os símbolos das respectivas constelações do Capricórnio e do Sagitário, ou seja, o da Manifestação de Deus na Matéria como Saturno, e o do Reconhecimento de Deus sobre a Matéria como Sagitário. Por isto, tradicionalmente Sagitário é considerado o “aspecto superior” de Capricórnio, facto atestado pela legenda latina sob a inscrição hebraica: Horti magici ingressum hespericus custodit draco et sine alcide colchicas delicias non gustasset iason (“O dragão guarda a entrada do jardim mágico (Saturno), e se não fosse Hércules (Hermes ou Mercúrio) Jasão não teria as delícias da Cólquida (Júpiter)”.

Na trave lateral esquerda do portal, estão gravados os símbolos de Marte e Mercúrio, cada qual sobreposto por uma frase latina. O facto de sobrepor-se o beligerante Marte a Mercúrio, significa que a temperança ou “diplomacia” deste tempera e acalma a impetuosidade daquele, tradicionalmente considerado o planeta da guerra, dos guerreiros, assim suportados e dirigidos “inferior” ou interiormente pelo planeta associado ao conhecimento, à instrução, aqui, por certo, a dos sacerdotes ou detentores da sabedoria espiritual. Alquimicamente, assinala o Ferro (Marte) modelado pelo maleável Azougue (Mercúrio). Por isso, está inscrito em latim por cima do signo de Marte: Quando in tua domo nigri corvi parturient albas columbas tunc vocaberis sapiens (“Quando na tua casa (Marte) o corvo negro (matéria bruta) der à luz pombas brancas (matéria refinada), tu serás chamado sábio”). Por cima do signo de Mercúrio, lê-se: Qui scit comburere aqua et lavare igne facit de terra caelum et de caelo terram pretiosam (“Qem sabe queimar com água e lavar com fogo, faz da Terra Céu e do Céu Terra preciosa”), referência óbvia ao dito “tempero” ou equilíbrio.

Na trave lateral direita do portal, estão gravados os símbolos de Vénus e da Lua como é grafada na sexta casa do Zodíaco, invertendo graficamente o símbolo de Mercúrio. A sexta casa é precisamente a de Mercúrio com o aspecto feminino ou Virgem em exaltação ou predomínio nela, o que é retratado como Vénus (Mãe do Céu) sobre a Lua (Mãe do Mundo). Por cima do signo de Vénus, lê-se a epígrafe latina: Diameter spherae thau circuli crux orbis non orbis prosunt (“O diâmetro da esfera, o tau do círculo, a cruz do mundo não ajudam aos cegos” de entendimento espiritual, portanto, profanos da Ciência Sagrada). E por cima do símbolo cabalístico da Lua, lê-se: Si feceris volare terram super caput tuum eius pennis aquas torrentium convertes in petram (“Quem faz voar a Terra ao sopro da sua mente, terá transformado em pedra a água da corrente”). Refere-se à acção da Mente de Deus incarnada no Homem operando a transformação de si mesmo e com isso da própria Natureza. A isto chama-se Labor da Mãe Divina ou Obra do Espírito Santo.

Na base da porta hermética, centraliza-se o signo do sulphur ou enxofre rematado pela mais que iniciática sigla indicativa da conjunção Júpiter – Saturno, que os Iniciados Rosacruzes davam como sinal da manifestação messiânica ou avatárica, isto é, da realização universal da Parúsia ou Advento de Cristo sobre a Terra, onde Júpiter (indicativo do Espírito) e Saturno (indicativo da Matéria) se encontram conjugados ou em perfeito equilíbrio, mas com o Espírito (assinalado no sulphur alquímico) dirigindo as acções imediatas. Isto equivale à Iluminação Rosacruz como igual à obtenção da Pedra Filosofal, ou seja, a mesma Iluminação Espiritual tanto do Adepto como da Natureza Universal a que está integrado desde que Cristo ou o seu Princípio Divino despertou nele. A dupla epígrafe latina que ilustra lateralmente este símbolo, remete para esse mesmo significado: est opus occultum veri sophi aperire terram ut germinet salutem pro populo (“É obra oculta do verdadeiro sábio abrir a Terra, e trazer a salvação para o povo”). Filius noster mortuus vivit rex ab igne redit et coniugio gaudet occulto (“Nosso Filho morto (recolhido ao seio da Terra), vive, e como Rei (do Mundo) retorna do Fogo (do Espírito Santo, indicativo do Núcleo ou Sol Central do Globo) e revela o matrimónio oculto (do Espírito com a Matéria, de Júpiter com Saturno).

O senador Massimiliano Palombara era efectivamente um adepto da Alquimia membro da Ordem Rosacruz, facto provado e reconhecido pela unanimidade. O medalhão que encabeça este portal como único resto do seu palácio, é exactamente igual ao que está no frontispício do livro alegórico-alquímico Aureum Seculum Redivivum, de Henricus Madatanus (pseudónimo de Adrian von Mynsicht, 1603-1638), também ele Rosacruz. O frontispício da edição original dessa obra em 1621, é muito diverso do que aparece na edição póstuma de 1677, sendo nesta que se inspirou Palombara.

Segundo a lenda, transmitida em 1802 pelo erudito Francesco Girolamo Cancellieri, certa noite o marquês Palombara albergou no seu palácio um peregrino identificado como Mestre Rosacruz ou Rosacruz Invisível (oculto das vistas profanas), identificado por alguns como o alquimista Francesco Giustiani Bono, que ofereceu ao seu discípulo um pó capaz de produzir ouro, além de um misterioso manuscrito repleto de símbolos esotéricos que continha o segredo da Pedra Filosofal. Esses símbolos poderão bem ser os que estão grafados neste portal, aliás, pelo qual atravessou o Sábio misterioso na manhã seguinte desaparecendo para sempre.

 

O Mistério da Merkabah (Arcanos da Kaballah) – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Dez 6 2011 

Sintra, 28.09.2008

A gloriosa Graça de Deus faz-se efectiva Presença Real na Terra (Shekinah) através da Obra do Eterno (Teurgia) que é a mesma Merkabah.

“Carro de Apolo, Helius ou Elias”, figuração de SURYA o Logos Solar manifestado no seu Universo, tanto neste como na sua parcela sideral, a Terra, a OBRA DO ETERNO, a MERKABAH, não pára nunca o seu rodar na Roda ou Ronda da Evolução Planetária, mesmo com os desaires históricos acontecidos nesta Magnus Opus do Deus AKBEL, expressão directa do mesmo ETERNO ou 8.º Logos na Terra. Ela não parou, mesmo tendo recuado do Médio para o Extremo Oriente, para em seguida, no ano 985 d. C., ter se impulsionado para o Extremo Ocidente da Europa (Portugal), e após,  no crepúsculo da Idade Média (século XV), para o Extremo Ocidente do Mundo (Brasil).

Sim, a MERKABAH locomoveu-se do Oriente para o Ocidente… inaugurando em 1924 o Ciclo do EX OCCIDENS LUX, com a transladação da Grande Loja Branca dos BHANTE-JAULS (“Irmãos de Pureza”, Mestres Reais, Adeptos Independentes, etc.) dos recônditos reservados do Norte da Índia e do Oeste do Tibete para estas partes ocidentais do Mundo, indo intensificar o labor humano de tear a Raça Futura, Ibero-Ameríndia, ou por outra, a Raça Dourada, Crística ou dos 10.000 anos do Ciclo de Maitreya.

Este termo caldeu, Merkabah, Mercabah ou Merkavah, significa literalmente “carro”, ou seja, expressivo de mobilidade. É o nome de uma das escolas mais antigas do povo de Israel, desenvolvendo-se pelas narrações do 1.º capítulo do Livro de Ezequiel. A literatura da Merkabah não é das mais vastas, e além desse Livro também é representada pelas Hekhalot, Grande e Pequena, encontrando-se também alguma coisa, de grande valor esotérico, na literatura apócrifa, principalmente no Livro de Enoch.

Efectivamente, a Merkabah é a primeira mística judaica, a primeira série religiosa secular, mas não trata da contemplação concentrada sobre a verdadeira natureza de Deus, antes, da sua aparição sobre o Trono, tal como é descrita pelo Profeta Ezequiel, sendo o tema predilecto das suas divagações sobre o conhecimento dos Mistérios do Mundo Celeste. O Trono representa para o místico judeu o mesmo que a Esfera ou Sephiroth fulgurante da Divindade (IHVH, Iod-He-Vau-He ou Jehovah, expresso pelo Totreossyah ou TETRAGRAMATON), cercada pelos Éons, Arcontes, Dominações, etc. (Hierarquias Criadoras), significava para os antigos gnósticos e hermetistas. O Trono preexistente de Deus, que contém e ilustra todas as formas da Criação, é o tema e o fim da visão mística.

Por isso os rabinos iniciados na Tradição velada ou Kaballah (que também significa “Livro cerrado”) afirmam que o Ser Supremo, o Logos Criador do Mundo, após ter estabelecido os 10 Sephiroths, Esferas ou Planos de Evolução da Vida e da Consciência (que na sua totalidade perfazem Adam-Kadmon, o 2.º Logos Planetário como Homem Arquetipal ou Celeste) utilizou-os como “Carro” ou “Trono de Glória”, para descer com ele sobre as almas dos homens. Para que a sua série religiosa secular alcançasse o fim místico proposto, deram-lhe o nome de Merkavah, isto é, o corpo exterior, o “veículo” ou a coberta que encerra a Alma oculta, ou seja, a sua Ciência secreta mais elevada.

A figura dominante da MERKABAH é METRATON (de Meta ou Metra+Aton, a “Medida Perpendicular do Sol à Terra”), associado a MIRRAÏL ou MIKAEL, o mesmo Arcanjo MIGUEL na sua função medianeira, psicopompa entre o Espaço Sem Limites e o Espaço Com Limites, o que vai identificá-lo ao mesmo Deus, Logos ou Ishvara de Mercúrio, AKBEL, possuído de funções idênticas às de MIKAEL ou METRATON. Com efeito, este antecede YAHOEL, que é dizer, o próprio JEHOVAH ou SANDALPHON como “Anjo” ou Logos da Terra iluminada por Ele mesmo cuja Luz Vital recebe, por seu turno, do Homem Cósmico ou Solar, o ETERNO. É assim que entre os Logos Solar e Terrestre está METRATON na função de medianeiro à guisa de “Tubo Cósmico” veiculador da Energia Celeste (FOHAT) a animar a Terra, e a Energia Planetária (KUNDALINI) volver ao Alto pelo mesmo “Tubo”.

METRATON, o cabalístico “Príncipe das Duas Faces” (uma risonha voltada para o Céu, e outra tristonha contemplando a Terra, estando de permeio entre os dois Mundos por estar no 2.º Trono), é a Inteligência Cósmica (MAHAT) da 1.ª Sephiroth (“Kether”, a “Coroa” associada na geografia mística do Homem ao Chakra Coronal), Plano do Pai, e o pressuposto Guia de Moisés que se manifestou protector ao povo hebreu, nas margens do Mar Vermelho, como uma Coluna de Fogo. O seu número cabalístico é o 314 e cabe-lhe o mesmo título de Todo-Poderoso, isto é, SHADAI, por ser o mais próximo da Divindade, como o próprio nome grego Metathronon o diz: “junto ao Trono”.

METRATON é quem dá a luz da visão da MERKABAH, “Carro de Ouro, Solar”, ou Trono da Glória à alma do homem iluminado, o de consciência expandida até ao Plano do Espírito Puro (ÁTMICO, NEPHESH), onde toma acesso às Revelações ou Ciência Divina do Logos para o momento cíclico em que está. Com tal Sabedoria Secreta os cabalistas judeus retratam os seus cânones ou aspectos magisteriais e doutrinais sob a forma simbólica de “Medidas do Corpo de Deus” (SHIUR KOMA).

Afastado o Véu de SHOMA (o do Éter Universal, Akasha Superior ou Além-Akasha) que esconde o TRONO DE DEUS, finalmente o Iluminado pode contemplar face a Face a própria Divindade que lhe revelará os Mistérios do Universo, dos Deuses, da Terra, do Homem e de todas as criaturas viventes, assim igualmente passando a saber a história verdadeira de todos os Santos e Sábios (Adeptos Perfeitos de todos os Graus), e com tudo isso irá nortear a sua vida futura.

A tradição mística da MERKABAH acabou dando azo à aparição do Messianismo, tão caro à religião judaica, mormente nesta parte da Península Ibérica através dos solares Sefarditas, opostos dos Askenazis lunares, estes da linha cultuística ortodoxa de Jehovah, aqueles da heterodoxa de Adonai.

Um ponto de diferenciação da mística da MERKABAH e da ciência da KABALLAH, encontra-se na concepção da Criação. A MERKABAH não se preocupa com a explicação metafísica, apenas se fixa na descrição do facto. A KABALLAH tem finalidades teóricas, para ela a metafísica é fundamental. Todavia, a encontrar alguma tentativa de explicação metafísica é sempre na MERKABAH, pois que esta é o “Veículo da Inteligência Superior”, ou seja, da “Ciência Iniciática mais elevada”… e profunda, por estar no próprio Logos no Centro da Terra, como Quarto dentre os Sete Luzeiros (Elohins, Ishvaras, Dhyan-Choans, enfim, Logos Planetários) das 7 Cadeias Planetárias (simbolicamente, as “Rodas” do “Carro”, isto é, a dinâmica ou movimento da Evolução Celeste, Humana e Terrestre) que o Universo tem, e todos em volta do Oitavo Logos Solar.

A ver com tudo isso, diz a obra secreta reservada na Biblioteca do Mundo de Duat (a Cidade Luz ou Mansão Azul como a consigna a Kaballah, cor que por causalidade veio a dominar o pano da actual bandeira de Israel – ou Ish-Ra-Elli, “os da Realeza de Ísis”, a Mãe Divina apontada na Stella Maris, ou seja, Vénus –, o que vai bem com o Duat e a projecção de Rajas ou 2.º Trono nele através do 6.º Luzeiro, donde o sentido oculto da presença central do hexalfa na mesma bandeira), o LIVRO DA RODA:

«Três Rodas giram em torno da Quarta, que está na penumbra do Espaço. Elas, ao todo, são Sete. Quando a Roda da Vida parar diante do ponto em que ficou no Espaço, a Quinta Roda virá juntar-se ao Mistério, auxiliada pelas outras Duas. O Hálito continuará a soprar não mais sobre Três ou Quatro mas Cinco, com as sombras das outras Duas.»

Que é dizer, quando a actual quarta Cadeia terminar o seu ciclo a quinta Cadeia iniciará o seu período, trazendo consigo o auxílio superior das restantes duas Cadeias de Mercúrio e de Júpiter. Hoje mesmo e nesse sentido, já a nossa Cadeia Terrestre igualmente recebe a influência superior da imediata Cadeia de Vénus, e por isto é que este planeta é o alter-ego da Terra.

Assim, neste QUADRADO ou CARRÉ que é a TERRA ou a sua QUADRATURA manifestada com o seu LOGOS ao Centro (Sol Central, Salém ou Shamballah), só podia ser o “compasso quaternário” a marcar toda a Vida no Globo, dos seres ínfimos aos maiores. Estando o Divino Logos ao Centro, então se eleva da Terra ao Céu, ao Sol Espiritual (Surya, Helius ou Elion, donde deriva o nome Elias, também este arrebatado ao Céu num “Carro de Fogo”, isto é, Iluminado na Sabedoria Divina passando a ter pleno acesso aos mais elevados Mistérios Espirituais) como uma Quinta Coisa figurada “piramidal” mas, em verdade, sendo o TUBO CÓSMICO (assinalado pelo eixo terrestre) prefigurado pelo METRATON, com o 2.º Trono em Cima e o 3.º Trono em Baixo, penetrando pelo Pólo Norte (FOHAT, Fogo Frio Eléctrico) e saindo pelo Pólo Sul (KUNDALINI, Fogo Quente Electromagnético) do Corpo do Homem Primordial da Terra (ADAM-KADMON), assim se desvelando as suas três principais medidas (SHIUR): Pólo Norte = Cabeça; Equador = Coração; Pólo Sul = Ventre.

A MERKABAH ou “Ciência Iniciática das Idades” em sua mobilidade cíclica animando o ITINERÁRIO DE IO, a Mónada Peregrina, é assim descrita, com a maior clareza possível, pelo Professor Henrique José de Souza (JHS) nas suas Cartas-Revelações de 7 e 8.07.1941, dando a confirmação que faltava à assertiva EX OCCIDENS LUX:

«KABALLAH, KAB-ALLAH ou a “Voz de Allah”, etc. MERKABAH ou MER-KA-BAH, o Carro Alado, o Carro de Fogo, a “Voz de Mercúrio”, etc., etc. Carro, Carré ou Quadrado. A Merkabah na face da Terra é o nosso próprio Apta, a Obra. No meio da Terra, o Sistema Geográfico, ao mesmo Apta subordinado, e no debaixo, a terceira Merkabah ou Shamballah, cuja expressão externa é a 7.ª Cidade ou o Governo Geral Aghartino, em mão de Akdorge.»

Tudo isso está interligado, como uma só MERKABAH em essência e três na manifestação: Shamballah (1.ª Merkabah) projecta-se, por intermédio da 7.ª Cidade de Agharta, em Duat (2.ª Merkabah), onde está a Raiz do Tronco do Sistema Geográfico Internacional, por seu turno fixada e florescida sobre a Terra pela Obra de JHS (3.ª Merkabah), sim, a expressão humana do Anjo da Palavra AKBEL, o Deus Mercúrio Intérprete da Voz de Deus – Deva-Vani.

Eis aí a Sabedoria da Arca ou Agharta (MERKABAH) para este Novo Ciclo, Novus Phalux ou o próprio PRAMANTHA, para que a Humanidade Eleita – por seus próprios méritos… – possa contemplar as “novas” Glórias reveladas do Criador, “assentado” (quadrado) no Centro do Globo Mundi (círculo), sim, Ele em seu TRONO DE DEUS.

Corroborando o assinalado nos dois últimos parágrafos, têm-se as palavras misteriosas mas cuja sabedoria cala fundo nas mentes e nos peitos dos verdadeiros Kadosh ou Munindras, respigadas do Livro Estrela Flamejante, do insigne Adepto Fra Diávolo, pertencente aos acervos reservados da Biblioteca do Mundo de Duat:

«Quando o Pentalfa se transforma em Hexágono no Peito do Amoroso e é visto pelos Seres privilegiados, é sinal certo do término de um Ciclo. E todos os presentes ficam como Ele, iluminados no peito. Em cima, no meio e em baixo tudo se transforma, por ser a mesma coisa, tal como acontecerá no fim. Tudo isso indica que os Tempos são chegados. A Pomba do Espírito Santo já se terá manifestado antes.

«Nesse dia santificado pelos Deuses, a própria Merkabah tomará outra forma. A Palavra Sagrada estará por baixo do Hexágono do Grande Espelho do Supremo Arquitecto… e vibrando no Peito do Pai e do Filho (AKBEL e AKDORGE). Num, a Luz Divina será verde; no outro, vermelha… como a do Sangue do Cristo, jorrando do seu Coração.

«A Coroa de Espinhos, solar, será mais ampla e mais luminosa, vibrando, entretanto, no Trono Celeste. O Sol de 32 Raios se confundirá com o outro de cima… Os mortos desse dia, como dizem as tradições do Ciclo, serão salvos, mesmo que criminosos, do mesmo modo que os seus assassinos. No entanto, nessa Hora, que é a da aproximação do Julgamento (Universal), Ele próprio, o Senhor dos Berços e dos Sepulcros, ficará entre a Vida e a Morte. E todos ouvirão os Anjos entoando os Cânticos Celestes.»

A Redenção Taumaturgica infundida pela MERKABAH sobre os príncipes ou principais da Corte Divina lavando-os de seus pecados ou karmas passados, é descrita pelo Professor Henrique José de Souza na sua Carta-Revelação de 7.12.1951 (Livro dos Makaras):

«Quando ultimamente fiz questão de dizer que “todos vós éreis médicos”, como o era o ESCUPULÁRIO JEOSHUA, e quantos o antecederam e sucederam, pois que um só é a PERMANÊNCIA na Terra, como se fora ao mesmo tempo o Passado, o Presente e o Futuro, já agora compreendeis a razão de tão reveladora afirmativa, na razão da Linha a que pertenceis, dentre as 8 do Mistério. 666 mais 222, são todos os MAKARAS. Esses 222 últimos, que tantos horrores fizerem, no entanto, representavam “a esperança do Trachi-Lama”, que agora se vê realizada no esplendor de um ciclo que, com o maior ou de latitude 23 Sul, formam “dois círculos concêntricos”, ou o menor, já se vê, dentro do outro. Sim, vós sois os TAUMATURGOS da Divina e QUINTA ESSÊNCIA. Mas também sois matemáticos, obedientes à MERKABAH, com a qual se realizam, ao lado da primeira, os maiores prodígios na Terra, como se do Céu viessem conduzidos pelo RAIO DE JÚPITER, o Jehovah Celeste, cujo número DEZ ou ou IO também é a sua representação no dedo INDICADOR físico, através do excelso IO-PTAH, com o qual são dadas as ordens mentais, para que as mesmas “tomem vida e forma”, como se fora o próprio TETRAGRAMATON, manifestação ideoplástica desse mesmo Homem Cósmico ao qual acabei de me referir… com o respeito que a todos nós merece.

«E para quê mais, se a MEDICINA DO ESPÍRITO realiza maiores milagres que a outra, desde que a harmonia seja perfeita, ou de acordo com as “medidas canónicas”? Para isso não há necessidade do “Compasso e do Esquadro”, desde que eles já existem no KÂMAPA (Livro do Karma, onde são registados todos os actos passados e presentes da Mónada humana encarnada, e com os mesmos projectados os futuros, que é dizer, tecido o destino futuro da Mónada em encarnação posterior – VMA), como um aviso do que agora mesmo a cada um de vós pode acontecer, colocando-vos no ponto terminal do Globo Terrestre e, consequentemente, no Divino, pois que em tal momento Corpo, Alma e Espírito são idênticos ou harmónicos com os Três Mundos, “qualidades de Matéria” (Gunas) e a própria Mónada, como reflexo do Supremo Arquitecto… Por sua vez, não há necessidade do TEODOLITO – como instrumento geodésico com o qual se levantam as plantas, medem-se os ângulos reduzidos ao horizente e às distâncias zenitais, etc… Não disso precisais para Curar, para realizar os Mistérios Cabalísticos ou da verdadeira Matemática Divina. Vós sereis quem sereis, como EU SOU QUEM SOU, e que fez dizer ao próprio Jeoshua Ben Pandira que “aquilo que Eu faço vós também podereis fazê-lo”. E isto, como foi repetido aqui há dias, numa simples frase psalmódica, de comum acordo, ou em harmonia perfeita, do Judaísmo com o Cristianismo: TUDO É POSSÍVEL ÀQUELE QUE CRÊ. Com Fé, como um simples grão de cevada que és, dirás aquele monte que se atire ao mar, e ele se atirará. Sim, é precisa muita Fé para realizardes os fenómenos naturais, que nada têm de milagrosos… por serem levados a efeito “dentro das leis da Natureza”, ou da Natura Naturante com o auxílio da Natura Naturada, como no Arcano XIV, onde os fluídos universais passam de um vaso para outro, no mais perfeito dos equilíbrios.»

Falando de Merkabah contida na Tebah ou Arca da Aliança de Deus com o Homem, através da Assembleia dos Santos e Sábios assistentes de Israel (os da “Realeza de Ísis” ou do 2.º Trono, portanto, os únicos possuidores de “Sangue Azul” como os Eleitos ou a Elite do mesmo Logos Feminino, cujo número bíblico 144.000 se reduzido cabalisticamente dá o 9, e assim se torna genérico indicador do Arcano 9, “O Ermitão”, o Adepto Perfeito que povoará a “Nova Jersusalém”, a Nova Era de Promissão) que é símbolo da Nova Terra, como sejam os Kadosh ou “Consagrados” Bhante-Jauls, “Irmãos de Pureza” perfilados como Grande Confraria Branca, temos de imediato o simbolismo da Arca bíblica transposto para a actual orgânica ritualística dos Munindras (“Pequenos Sábios” ou Munis de Indra, por conseguinte, discípulos dos Bhante-Jauls) da Obra do Eterno, correlacionada à própria Agharta como a maior de todas as Barcas, Arcas, etc.

Quem manifesta a MERKABAH na Terra? A SHEKINAH! Quem é SHEKINAH? O próprio ASPECTO FEMININO DA DIVINDADE!

É aqui que entra o Aspecto Actividade Universal do Logos Eterno no acto de Criação, que por sua função similar à da Mulher em gestação foi pelos antigos Iniciados ligado à Fácies Materna de Deus, à Mãe de Deus assumida Espírito Santo no acto de se mover sobre as “águas etéricas” do Além-Akasha antes da Criação, para logo “soprar” ou “alentar” a mesma como o Espírito de Deus portador do Hálito Divino (acto repetido pelo Sacerdote da Ordem do Santo Graal quando sopra sobre o Fogo Sagrado), acto primordial, de génese universal que leva o nome hebreu Meracha Phath.

A doutrina oculta da Shekinah para os hebreus, ou Sakinah para os árabes, tem o seu principal ponto de referência no Antigo Testamento nas passagens onde se trata da instituição de um centro religioso e espiritual: a construção do Tabernáculo, a edificação dos Templos de Salomão e de Zorobabel. Tal centro, constituído em condições regularmente definidas, devia ser efectivamente o lugar da Manifestação Divina, da “Presença Real de Deus”, Shekinah, sempre representada como “Luz” (Domus Lucis, Portae Lucis, Janua Lux…). É curioso observar que a expressão “mais iluminada e mais regular” que a Maçonaria tem conservado, parece ser a memória da antiga Ciência Sacerdotal que presidia à construção dos Templos, o que, de resto, não era exclusividade particular da Raça de Judah. Na Shekinah está a causa da Influência Espiritual presidindo a todas as modalidades de Iniciação e Iluminação. Ainda que a Igreja Cristã lhe chame Bênção, o sentido exacto é Influência Espiritual, como se traduz do termo hebraico original, berakoth, e do árabe barakah.

Mas é o Sepher-Ha-Zohar, obra do rabino ibérico Moisés de Leon (século XIII), quem aprofunda e explana mais a doutrina oculta da Shekinah. Toda ela se inscreve numa Fede de Amor em referência ao amor do Homem por Deus e ao sentimento recíproco da Divindade. Aí postula-se a identidade entre o temor de Deus e o amor mais puro, traduzido como fé. O Zohar, na descrição da longa viagem que a alma executa ao deixar o corpo, fala na assunção da mesma na sua peregrinação até ao “Palácio do Amor”, onde ela deixa cair o último véu ao apresentar-se diante do seu Mestre, ou seja, ao alcançar o derradeiro e supremo estado de Consciência Espiritual. Para Moisés de Leon, só houve um que, enquanto vivo na Terra, mostrou-se ligado à Presença Real de Deus, à Shekinah: o Patriarca Moisés. Deste, e unicamente deste, é dita a sentença: “Esteve unido intimamente com Shekinah”. Pela primeira vez, a união mística entre o mortal e o imortal foi representada em termos de casamento terreno.

É por isso que o mistério do sexo desempenha um papel importantíssimo na Kaballah. O mistério da existência humana, para a Kaballah, é um símbolo do amor entre o “EU” Divino e o “TU” Divino, o Santo… bendita seja a sua Shekinah! A união do Rei e da Rainha, do Esposo e da Esposa Celestes, para empregar apenas alguns símbolos, é o ponto crucial da cadeia de Manifestações Divinas desde o Mundo Oculto. Em Deus há uma união entre o activo e o passivo, uma fecundação e uma concepção, da qual derivou a vida e a beatitude.

Em todas as correntes místicas encontra-se a imagem sexual para descrever o acto criador. Na Kaballah, encontra-se que o desenvolvimento das Sephiroths é o fruto da procriação mística na qual o primeiro Raio de Luz Divina é também a primeira Semente da Criação; o Raio promanado do Tudo-Nada, a Substância Absoluta (AIN SOPH, SVÂBHÂVAT), semeia o ventre fecundo da Mãe Celeste, isto é, a Mente Divina, e do seu Seio surgem as Sephiroths, “Atributos”. É por isto que o sinal sagrado da circuncisão é uma prova para o cabalista judeu de que as forças vitais estão plenamente activas.

Com efeito, do ponto de vista sexual a doutrina kabalista é ideal. A mística não judia, que glorificava o ascetismo, acabava  transplantando o erotismo para as uniões do Homem com Deus. A Kaballah, por outro lado, procurou descobrir em Deus, Nele mesmo, o mistério do sexo, até finalmente rejeitar o ascetismo e conceber o casamento não como uma concessão à fragilidade da carne, mas como um dos mistérios mais sagrados.

O papel da Shekinah, tão largamente discutido, interpretado ocultamente é fácil de compreender-se: Shekinah é o Aspecto Feminino da Divindade. Na doutrina hindu, mormente no Shaktismo, encontra-se que cada deus apresenta a sua contraparte ou shakti. Shakti e Shekinah se confundem, se identificam. A União de Deus e Shekinah constitui a verdadeira Unidade Divina (Yihud, em hebreu), que se acha além da multiplicidade dos diversos aspectos manifestados no Mundo das Formas.

A mística mais elevada do Sepher-Ha-Zohar é a de Devekuth. Por esta entende-se a União do Homem com Deus, a adesão entre o Divino e o Humano. Esta união traduz-se em valor social, pois o verdadeiro Devekuth deve ser realizado no seio da comunidade (alfama ou aljama). Todos os outros valores éticos da Kaballah – amor de Deus, temor de Deus, pureza de pensamento, castidade, caridade, estudo da Torah, penitência e oração – derivam de Devekuth. A Kaballah prega a Pobreza espiritual, no sentido de desposse do mundo profano, pois como Shekinah é pobre, nada tem de seu, e o que tem veio a receber dos Sephiroths.

A psicologia do Zohar apresenta ainda o Homem dotado de uma Alma tríplice e que, quando Deus organizou o Mundo, chamou as almas e deu-lhes uma missão: animar os corpos ou os moldes (Kuf) e buscar a Perfeição, e como esta geralmente não se conquista numa vida só, logo tal psicologia esotérica é acompanhada da doutrina da reencarnação ou renascimento sucessivo das almas, a que chama Gilgul.

A Shekinah apresenta-se sob múltiplos aspectos, dos quais dois são os principais: o interno e o externo, assinalados tão claramente quanto possível na tradição cristã pelas frases Gloria in excelsis Deo e in terra Pax hominis bonae voluntatis. A palavra Gloria refere-se ao aspecto interno em relação ao Princípio Espiritual, ao Espírito Santo promanando, através dos 7 Anjos Diante do Trono (Malakim), os 7 Influxos ou Raios Espirituais no aspecto externo ou Mundo manifestado pela mesma Shekinah, indo caber-lhe a palavra Pax.

Pax et Gloria são os atributos da Shekinah como Terceiro Trono manifestado e manifestando ao Eterno representado em cima por Metraton, no Plano do Segundo Trono, logo só por Aquela o Pai e o Filho se tornam possíveis de idealizar e alcançar pelas criaturas humanas da Terra.

A Shekinah contém-se, pois, na tríplice fórmula de Lux – Gloria – Pax, Divina, Celeste e Humana, e para a sua pré-anunciação a iconologia judaico-cristã destinou-lhe o símbolo alvo da Pomba que, expressando ao Espírito Divino de Santidade, traz consigo a Boa-Nova do Pai na forma avatárica do Messiah, do Filho Incarnado ou dado à Luz do Mundo pela Divina Mãe, para Glória das Almas e Paz dos Povos.

No simbolismo tradicional, a Luz da Shekinah, que é Kundalini, representa-se pela amendoeira florida, expressando a Pureza e a Virtude, enquanto a sua antítese é a figueira seca, exprimindo a Heresia e o Pecado. Sobre isto, ouvi há poucos dias, num programa radiofónico, certo autor português atribuir de maneira fantástica, muito imprecisa, o símbolo do figo à Primeira Pessoa da Santíssima Trindade, ao Pai que se manifesta misteriosa e subitamente tal qual a figueira que dá os frutos sem serem anunciados pela flor. Algo tenho a dizer sobre o assunto, pois na leitura simbológica de uma única peça não costuma haver espaço para duas interpretações distintas… a não ser que se queira tombar na impuberdade psíquica das “fantasias e falas poéticas”, como alguns, acaso muito líteros mas por certo completamente profanos, logo à margem dos Mistérios Sagrados desta Obra Divina, invés de atribuírem a si mesmos tais epítetos desgraciosos preferem propagá-los e atribuí-los à minha pessoa, o que não me incomoda minimamente, sabendo-os partidos da mortal inveja maledicente.

Ao contrário do que se diz a figueira dá flor, sim senhor, pois que desde os finais de Junho até Agosto as figueiras apresentam um bolbo que floresce e logo se contrai para daí nascer o figo. Ao suco leitoso, látex, desse bolbo costuma-se chamar-lhe “leite”, que se mantém na protuberância superior do fruto mas já adocicado, chamando-se então “mel”. Por volta dos finais de Setembro e inícios de Outubro as figueiras já estão secas, tal qual os frutos, e então costumava-se varejá-las para recolher os figos secos que, recheados com amêndoas, são especialidade da doçaria algarvia. Foi assim que vi e fiz durante os anos da minha infância e parte da adolescência nos campos do Algarve, junto aos familiares da minha mãe adoptiva.

Em árabe, a figueira chama-se  kurma, termo associado ao hindustânico karma. O seu simbolismo apresenta dois aspectos distintos: como figueira viçosa representa a Ciência Espiritual, tanto Iniciática como Religiosa, consequentemente, a abundância do Saber e da Fé, e foi à sombra da ficus religiosa, a Árvore Bodhi do Budismo, que o Príncipe Sidarta Gautama Sakia Muni alcançou a Consciência Iluminada de Budha. Como figueira seca representa a heresia e a negação do Pai, e é assim que aparece no Novo Testamento com Jesus Cristo amaldiçoando a figueira (Mateus, 21:19; Marcos, 2:12 s.). Também foi numa figueira seca que Judas se enforcou após ter traído o seu Mestre. Deve-se notar que Jesus dirige-se à figueira como símbolo da Ciência Espiritual que representa, mas que apresentando-se seca equivalia à sua corrupção moral e intelectual pela perversão dos saduceus e levitas. Por isso Ele disse a Natanael: “Eu te vi, quando estavas sob a figueira” (João, I, 48-49). Natanael era um intelectual ainda não alheado do jugo imoral do pecado; faltava-lhe provar o suco meloso da figueira que ao início apresenta-se como látex leitoso, que é dizer, faltava-lhe deixar de ser simbólico ou figurativo para se assumir verdadeiro ou efectivo Iniciado na Ciência Sacerdotal.

A ver com a Pureza da Shekinah, a Sabedoria da Merkabah e o Poder do Metraton está a Montanha Sagrada de Sintra, ela mesma a Merkabah sobre a Terra para todo o continente europeu, por ser Arca da Sabedoria Iniciática das Idades em posse de dois legados humanos, um interiorizado e outro exteriorizado: a Soberana Ordem de MARIZ, que apesar de findada ou cerrada para o século ou ciclo humano, antes, profano, contudo é alumiada pela Santidade da Shekinah manifestada sobre o Altar central do Templo Maior no escrínio de Sintra, e a Augusta Ordem do SANTO GRAAL que sobre Sintra recebe a Luz daquela.

Se os Bhante-Jauls interiorizados são os verdadeiros Kadosh ou “Consagrados” Sacerdotes do Altíssimo, também os Munindras exteriorizados aparentam-se ao mesmo Sacerdócio de Melkitsedek, e é assim que estão organizados em duas alas principais, uma operativa e outra defensiva, como sejam, Templários e Tributários.

Os Templários estão para a Shekinah (representada pela Pomba Branca do Espírito Santo), enquanto os Tributários estão para o Metraton (representado pela Espada da Lei); ambos juntos,respectivamente, sob o comando do 6.º Senhor Akbel e do 5.º Senhor Arabel, dentro e fora do Sanctum-Sanctorum onde está a Tebah ou Arca da Aliança do Eterno com o Homem (o que se representa igualmente na Taça do Santo Graal).

Espada e Taça vêm a ser, na antiga hagiografia kabalística, o símbolo dos Kadosh, mas para a Teurgia a Espada está para os 777 Assuras (Tributários e Instrutores ex lege, creditados e nomeados pela Direcção Suprema da Instituição) e a Taça para os 111 Makaras (Templários e Sacerdotes ex iure, creditados e nomeados pela Direcção Suprema da Instituição), ao todo, 888 Munindras como Corte de Akbel ao serviço de Arabel, os Obreiros do Eterno no crisol da Evolução do Espírito na Matéria e da Matéria no Espírito.

A descida do Hálito Divino na Terra representa-se tradicionalmente por Mizia, isto é, a “Espada Flamejante”. A Espada, expressando objectivamente a Lex, é o Cruzeiro Celeste empunhado pelas mãos vigorosas do Cavaleiro Andante semeador da Palavra do Novo Ciclo de Evolução Universal, manejando com destreza o Tetragramaton (Iod – He- Vau – He) que esse instrumento expressa, assim expressando aos Quatro Anjos Coroados da Terra (Devas-Lipikas) como projecções deíficas dos Quatro Arcanjos Soberanos do Céu (Maha-Rajas).

Na Alta Magia, a espada surge como o primeiro dos quatro objectos tradicionais utilizados na mesma: espada, bagueta, taça e moeda, siclo ou pentagrama fechado. Todos os quatro relacionam-se as quatros letras sagradas do Tetragramaton, e assim mesmo as quatro Hierarquias Criadoras (Assuras, Agnisvattas, Barishads, Jivas) alentadas pelos quatro elementos naturais (Ar, Fogo, Água, Terra) em relação com os quatro planetas Saturno (ocultamente, Mercúrio), Sol (ocultamente, Vénus), Lua e Terra (ocultamente, Marte).

Espada encravada no topo da Serra de Sintra qual novel Excalibur ou Caliburna configurando o símbolo astrológico da própria Terra em que Marte se encerrou, qual “Prometeu Encadeado no Cáucaso” ou “cárcere carnal”, mas já hoje “liberto por seu Irmão Epimeteu”, pode-se enquadrá-la no simbolismo da Cruz Alta, finalmente reposta, iniciativa mais que feliz, indispensável, no ponto mais alto da alcantilada Sintra (530 metros de altura).

Essa Cruz, cuja original se deve ao rei D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha, havia sido destruída há alguns anos por um raio que a trespassou despedaçando-a como Ira de Deus, ao ver a Magia Negra mais nauseabunda ser praticada aos pés do seu Cruzeiro e por toda a Serra Sagrada, o que, felizmente, já cessou… O conjunto da Cruz Alta tem 3,5 m de altura, 1,5 m de largura e pesa cerca de 1700 kg.

Sendo a Cruz Alta o Pico do Graal ela é assim a figuração da Pátena da Taça Sagrada, que gnoseologicamente é toda a Serra, e igualmente como que o Zimbório do Templo Interno do Cristo Universal plantado no seio deste Monte Santo.

Devo também chamar a atenção para que a redução teosófica dos valores da altitude da Serra e da altura da Cruz e o seu peso, vem a dar o mais que significativo número 8, assinalando o 8.º Sistema de Evolução Universal que nesta Lusitana Terra desde há muito se vem construindo através da preclara Corte de 888 Munindras em suas vidas sucessivas pelo Itinerário de IO até aqui chegarem, vindos do Oriente ao Ocidente no rumo certo do Extremo Ocidente.

Nesse sentido, fazendo ainda recurso da kaballah gnoseológica sintriana, tem-se esta Serra como a mais ocidental da Europa e assim mesmo o seu Cabo da Roca (140 m acima do nível do mar), cujas latitude e longitude podem ser associadas – por via da Lei dos Arquétipos contidos no Plano Mental Superior que é o dos Assuras Primordiais, justificando a prerrogativa do “Tudo estar no Todo”, e vice-versa – aos simbolismos da Espada e da Taça da forma seguinte:

Da união dos dois Triângulos de Manifestação (Escola – Teatro – Templo) e de Realização (Transformação – Superação – Metástase) resulta o Hexalfa ou Exagonon, como “oitava maior” do próprio Tetragramaton, assinalado pela Estrela Flamejante a cujas pontas, tramos ou raios se acresce uma sexta como coisa nova. Eis aqui o novo Movimento da Merkabah (a Obra do Eterno) iluminada pela Vida da Shekinah (o próprio Eterno como Mãe Soberana na forma alada de Espírito Santo).

É assim que a Ala Feminina da Ordem do Santo Graal se chama de Filhas de Allamirah, que ao nível humano vêm a encarnar a própria Shekinah, enquanto eles, a Ala Masculina, encarnam a Merkabah, e todos sob a chancela omnipotente do Metraton (Mikael em Akbel como Cristo Universal).

Razão porque a Ordem do Santo Graal e, consequentemente, a sua Guarda, foram criadas para manter a Taça das Taças, a Mente sempre Viva, Fonte de Luz e Sabedoria, enfim, para  na Terra servir à mesma através da chefia espiritual e temporal dos dois Seres, Deva-Pis ou Gémeos Espirituais em seus vários patamares de existência, seja como Akbel-Allamirah, seja como Cristo-Maria, seja ainda como Henrique-Helena

A Taça Sagrada é uma expressão cósmica, refere-se à Taça Divina do Segundo Trono, pelo que é o Viático da Consciência de Deus para os Planos da Matéria. Como expressão do Segundo Trono necessita, para a sua manifestação, dos aspectos polares masculino e feminino. Assim, simbolicamente Ela é expressa pelos Irmãos do Santo Graal, enquanto a Pomba do Espírito Santo representa-se nas Filhas de Allamirah.

A Taça e a Espada são representações da Autoridade Espiritual e do Poder Temporal que são animados por Purusha e Prakriti, Espírito e Matéria, nas respectivas pessoas do Sacerdote (Brahmane) e do Cavaleiro (Kshatriya). A Taça (ou Cálice) expressa efectivamente a Autoridade Espiritual, a Redenção da Humanidade. A Espada (ou Lança) representa legitimamente o Poder Temporal, a luta, o caminho para se encontrar com a Espiritualidade expressa na Taça. Desta forma, vê-se que o poder material deve ser utilizado exclusivamente como ferramenta, como meio para se chegar ao espiritual, pois é na vivência dos problemas do dia-a-dia, encarados de forma objectiva mas com noção espiritual, que cada um pode desenvolver os seus Princípios Superiores. Quem está e encara a vida pelos limites estreitos do egoísmo e materialismo, não pode perceber o sublime que está expresso em tudo, do mais elaborado ao mais simples, e logo propende sempre para a agonia da rotina. Trabalha, trabalha e nada realiza… O trabalho realizador é aquele que engloba dois factores: a produção material, gerando bens e serviços que favoreçam a vida humana ao mesmo tempo que possibilite o aperfeiçoamento do Ser, conduzindo-o à Paz Interior e à Glória do seu Deus Interno.

Bem se ajustando à acção profícua dos Obreiros do Eterno no Quinto Posto Representativo de Sintra, Kala-Sishita, iluminado pela Shekinah e onde a Merkabah aportou, tem-se o texto da mesma Merkabah na Canção de Massada para o “Holocausto de Sábado” (4Q405 23 ii):

«Nos seus maravilhosos Postos estão Espíritos, multicoloridos como a Obra de um Tecelão (Supremo Arquitecto), esplêndidas figuras gravadas (entronizadas). No meio de uma gloriosa aparição de escarlate (púrpura), cor de Santíssima Luz Espiritual, eles agarram-se (mantêm-se) aos seus Postos Santos ante o Rei (Melkitsedek), Espíritos de cores puras no meio de uma aparição de brancura. A semelhança com o Espírito Glorioso é como uma obra de arte de resplandecente ouro fino. Todos os seus padrões estão claramente misturados (unificados harmonicamente, donde o “Um por Todos e Todos por Um” – At Niat Niatat) como a obra de arte de um tecelão. Estes são os Príncipes daqueles maravilhosamente vestidos (preparados mental e moralmente) para o serviço, os Príncipes do Reino, o Reino dos Santos do Rei de Santidade em todas as alturas dos Santuários do Seu glorioso Reino (Agharta). Os Príncipes encarregues das oferendas (tributos espirituais e materiais) têm línguas de conhecimento (detêm a Sabedoria Iniciática), e bendizem (cultuam) o Deus do Conhecimento em todas as Suas gloriosas obras.»

Resta dizer

 YAMPADAX – LADACK – KAB-ALLAH!

BIJAM

OBRAS CONSULTADAS

António Castaño Ferreira, Egipto – Grécia – Bíblia. Aulas reservadas do Autor cerca de 1950. Edição privada da Sociedade Teosófica Brasileira.

Geza Vermes, Manuscritos do Mar Morto. Ésquilo edições e multimédia, lda, 1.ª edição Julho 2006, Lisboa.

Helena P. Blavatsky, Glossário Teosófico. Editora Ground ltda, São Paulo.

René Guénon, O Rei do Mundo. Editorial Minerva, Lisboa, 1978.

Vitor Manuel Adrião e Luís A. W. Salvi, Diálogos Agarthinos – III. Edições Agartha, 1.ª edição 2008, Alto Paraíso de Goiás.