Tríade Jina e Sistema Geográfico – Por Vitor Manuel Adrião Quinta-feira, Out 8 2020 

A primeira frase do Mestre JHS – Prof. Henrique José de Souza – dirige-se à concepção dos sete Lugares Jinas que compõem um Sistema Planetário em volta do Sol Central, cada um desses Lugares com outros tantos subsidiários que em si perfazem, em volta do principal, igualmente um “micro”-Sistema Geográfico, consequentemente, sendo sete distintos no todo vêm a ser a universalização de sete Sistemas Planetários, ou por outra, de um Sistema Solar completo.

Revela-se “o que está em cima ser como o que está em baixo”, conforme o axioma de Hermes o “Três Vezes Grande” (Trismegisto), pelo Espírito, pela Alma, pelo Corpo. Assim, tal como os Chakras são as Embocaduras Anatómicas pelas quais o Jivatmã se manifesta no Corpo Humano, igualmente as Embocaduras Geográficas são as “Bocas” pelas quais se manifestam a Divindade Planetária (Logos) no Palco Terreno, e até mesmo sideralmente os sete planetas tradicionais (Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vénus, Saturno) vêm a ser as expressões da Consciência Una do Logos Solar agindo pelas mesmas. De facto, o Tudo está no Todo, e vice-versa.

Tem-se isso no Sistema Geográfico Sintrense e igualmente no Sanlourenciano, com Sete Postos em volta de um Oitavo Central, que não será demais relembrar.

A segunda frase, respigada da Carta-Revelação de 28.04.1958 inserida no Livro-Revelação com o título Livro do Ciclo de Aquarius, vem na sequência, como seja a dos Sistemas definitivos do Sistema Geográfico Internacional (Sintra, Cairo, Srinagar, etc.) terem por complementares os Sub-Sistemas em formação (São Thomé das Letras, Conceição do Rio Verde, Aiuruoca, etc.) para que também eles se tornem definitivos, como se observa em dois outros Sistemas Geográficos brasílicos que juntamente com São Lourenço compõem o Triângulo Mágico do Mapa do Brasil, como sejam o da Ilha de Itaparica (Bahia) e de Nova Xavantina (Mato Grosso). O primeiro para o Pai (Akbel, Futuro, Satva, 6.º Sistema), o segundo para a Mãe (Allamirah, Passado, Rajas, 4.º Sistema), e o Terceiro para o Filho (Arabel, Presente, Tamas, 5.º Sistema).

As Tríades Jinas dirigentes dos três Sistemas Geográficos brasileiros, segundo o Professor Henrique José de Souza, dispõem-se na ordem seguinte: São Lourenço (MG) = Lourenço Prabasha Dharma – Jonas Tulan – Cafarnaum; Itaparica (BH) = Lorenza – Krivatza – São Germano; Xavantina (MT) = Akdorge – Akadir – Kadir. No centro da Primeira Tríade está Akbel tendo por veículo Maitreya; no centro da Segunda Tríade está Allamirah tendo por veículo Apavana-Deva; no centro da Terceira Tríade está Arabel tendo por veículo Mitra-Deva.

Esses Seres do mais alto gabarito tinham como representações e veículos 9 Yokanans ou Arautos vindos do Mundo de Badagas para a Face da Terra, como sejam: para São Lourenço, Daniel – Jefferson – Hermes; para Itaparica, Hélio – José – Henrique; para Xavantina, Saulo – Tarso – Basílio. Saulo serviu de veículo a Rabi-Muni. Sobre o que diz JHS em Carta-Revelação de 14.5.1961: “Foi fundado o 5.º Sistema, parte externa, 7 dias depois da inauguração da Embocadura Luz de Chaitânia (São Lourenço), quando os dois Yokanans do Roncador, Saulo e Basílio, a fim de reforçarem os do Bairro Carioca (na mesma São Lourenço), para aí foram com 49 Adeptos de Duat, tendo ambos ficado 49 dias nessa posição. Os dois Yokanans do Roncador mais os três do Mekatulan (sob São Lourenço), formam um pentágono vivo, expressando o 5.º Sistema Geográfico”. Portanto, os Yokanans são um Saque contra o Futuro, enquanto os Adeptos são um Saque ao Passado, todos se reunindo no Presente a favor da Evolução geral.

Pois bem, desde 14 de Abril de 1957 – “Dia do Equilíbrio, Renascimento de Akbel” –, com maior intensidade desde 25 de Fevereiro de 1963 – “Novo Pramantha começa a Luzir” – e desde 23 de Março de 1963 – “Triunfo do Trono de Deus” – que os Sete Poderes ou Arcontes Humanos chamados Dhyanis-Budhas estão no escrínio subterrâneo do Roncador, dirigidos por Akdorge, donde irradiam sobre todos os Postos do Mundo alavancando avante a Evolução geral, acção essa corporificada pela Ordem dos Tributários (de Melkitsedek, o Rei do Mundo, o mesmo Akdorge) fundada por JHS na 6.ª feira de 23 de Outubro de 1954, destinada a guarnecer a Família Humana e Espiritual JHS e consequentemente a Família Espiritual Maitreya através dos representantes humanos dos Dhyanis-Budhas, dos Chefes das Embocaduras e das próprias Embocaduras, assim tomando forma e sentido imediato os Sistemas Geográficos, os seus Postos e os Deuses regentes dos mesmos. Por esta razão se diz que a Obra de JHS, desde o mais transcendente ao mais imediato, está corporificada sobre a Terra. Donde o designativo Obra do Eterno na Face da Terra, que é o que significa Teurgia, Obra Divina.

Assim se constrói a Nova Civilização, a Raça Dourada, Cristina, Crística ou de Maitreya, e com este o seu Reinado de 10.000 anos correspondendo ao desfechar do actual Ciclo Ariano.

Até lá, desde o escrínio profundo do Roncador que “Ronca a Dor” do parto do Homem Futuro, Bimânico, assim dando início ao Quinto Sistema de Evolução, o do Império das Almas Salvas que parturejam o Presente com o Futuro no crisol da Evolução, cabe primeiro esgotar o Karma da Raça e integrá-la ao seu Dharma ou Dever supremo, como seja o de tomar consciência de si mesma, ampliando os sentidos a novas e mais amplas modalidades de ser e acção. Nisso se tem a apresentação objectiva da Lei da Polaridade, no caso primeiro como erro para do mesmo sair o certo. Vê-se agora a pandemia sanitária que aflige o mundo contribuir para isso, levando o Género Humano, em pleno pandemónio de paranóia geral, a afastar-se do Passado e a acercar-se de um ainda incógnito mas pressentido estado psicossocial absolutamente diferente do que houve até hoje. Neste ruir de um ciclo apodrecido e gasto, de que não ficará pedra sobre pedra em coisa alguma do passado, cada vez mais se “cerrando as portas da morada do Mal”, aí se tem a Recta-Acção do “Ceifador de Vidas”, Akdorge, a favor da manifestação futura do seu Augusto Irmão o “Salvador das Almas”, Akgorge, dando voz e consumação às palavras proferidas pelo Rei do Mundo em Narabanchi-Kure (“tombarão os tiranos, cairão as nações, errarão os povos, antes do advento da Nova Raça Encoberta”, etc.) no século XIX, a caminho não de uma nova República ou de uma nova Monarquia mas de um Estado Geral de Concórdia Colectiva, como seja a Sinarquia. Nisto valem as palavras proféticas do Professor Henrique José de Souza, mais preciosas e válido do que nunca na Hora actual do Mundo:

“Reconstruir! É o brado que nos compete.

“Sim, reconstruir o Homem, o pensamento, a moral, os costumes; reconstruir o lar, a escola, o carácter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. Só assim a Humanidade se tornará digna do estado de consciência que é exigido pela Nova Civilização.”

Para essa derradeira consecução tem-se a actuação encoberta mas vive e sensível dos Excelsos Dhyanis-Budhas na sua função coordenadora agindo nos Postos Representativos Internacionais irradiando sobre os correspondentes Postos Nacionais dispostos em estado receptivo, em cujo crisol amalgamam as forças sinergéticas imprimindo-as psicomentalmente na Humanidade, deste modo paulatinamente se adaptando e organizando ao novo biorritmo que já vibra no Mundo, e por ser novo gera as naturais tensões e ânsias próprias da adaptação mental e psicofísica à intensidade de estado vibrátil na consciência e vida nunca antes sonhado pelo Homem. Trata-se da aproximação colectiva à condição do Quinto Sistema. Portanto, tudo está conforme a Lei que a tudo e a todos rege.

A Augusta Ordem do Santo Graal é quem representa e corporiza na Face da Terra os valores dos Postos do Interior da Terra, numa orgânica tríplice afim à dos mesmos intercambiando as suas energias, adaptando-as ao estado humano positivamente alcançado pelas mesmas.

Conforme o Venerável Mestre JHS quis e dispôs, como Supremo Dirigente da Missão dos Sete Raios de Luz e o Único Revelador do Ciclo, cada Cidade de Agharta possui três Templos, um de natureza Assura (Andrógina), outro de natureza Agnisvatta (Masculina) e outro de natureza Barishad (Feminina), no todo 7 Cidades x 3 Templos em cada uma = 21 Templos, mais o 22.º que é a Capital Shamballah, perfazendo os valores tanto do conjunto dos 22 Arcanos Maiores do Tarot como o da própria Maçonaria dos Traichus-Marutas, a Construtiva dos Três Mundos – Celeste (Agharta) – Humano (Duat) – Terrestre (Badagas – Face da Terra).

Tem-se assim:

1.ª Cidade Aghartina: Jambu, “País de Inverno”.
Veste do Eterno: Ag-Zin-Muni (“Essência Mineral”).
Imperador: Bhur-Tan.
Reis: Astério e Azamore.
Arcanos 1, 2, 3 (“O Unilateral”, “A Expansão”, “A Realização”).
 País afim: Peru.
 Planeta: Sol (Leão).

2.ª Cidade Aghartina: Plaska, “País das Águas”.
Veste do Eterno: Mag-Zin-Muni (“Essência Vegetal”).
Imperador: Avar-Tan.
Reis: Azaloth e Azoleth.
Arcanos: 4, 5, 6 (“O Reflexo”, “A Inteligência”, “A Beleza”).
País afim: México.
Planeta: Lua (Caranguejo).

3.ª Cidade Aghartina: Shalmali, “País dos Tempos Incertos”.
Veste do Eterno: Tur-Zin-Muni (“Essência Animal”)
 Imperador: Swar-Tan.
Reis: Ariaster e Azilum.
Arcanos: 7, 8, 9 (“O Vencedor”, “A Lei”, “A Superação”).
País afim: Estados Unidos da América.
Planeta: Marte (Carneiro e Escorpião).

4.ª Cidade Aghartina: Kusha, “País do Outono”.
Veste do Eterno: Aki-Muni (“Essência Alada”).
Imperador: Kho-Tan.
Reis: Arténius e Arténis.
Arcanos: 10, 11, 12 (“A Necessidade”, “A Coragem”, “O Sacrifício”).
País afim: Austrália.
Planeta: Mercúrio (Gémeos e Virgem).

5.ª Cidade Aghartina: Kraunka, “País de Verão”.
Veste do Eterno: Astar-Muni (“Essência Flogística”).
Imperador: Jina-Khotan.
Reis: Aziluth e Azimar.
Arcanos: 13, 14, 15 (“A Grande Mãe”, “O Equilíbrio”, “A Grande Luz”).
País afim: Portugal.
Planeta: Júpiter (Peixes e Sagitário).

6.ª Cidade Aghartina: Shaka, “País dos Destemidos”.
Veste do Eterno: Ara-Muni (“Essência Andrógina”).
Imperador: Rigden-Khotan.
Reis: Ariomester e Ariania.
Arcanos: 16, 17, 18 (“A Rebeldia Celeste”, “A Imortalidade”, “O Caos”).
País afim: Egipto.
Planeta: Vénus (Touro e Balança).

7.ª Cidade Aghartina: Pushkara, “País da Eterna Primavera”.
Veste do Eterno: Rabi-Muni (“Essência Humana”).
Imperador: Rigden-Djyepo.
Reis: Artésius e Artémis.
Arcanos: 19, 20, 21 (“A Realeza”, “O Julgamento”, “A Libertação”).
País afim: Índia.
Planeta: Saturno (Capricórnio e Aquário).

8.ª Cidade Aghartina: Shamballah, “Mansão do Amanhecer”.
Veste do Eterno: Ishvara-Muni (“Essência Eterna”).
Imperador: Baal-Bey.
Reis: Asgartock e Baal-Mirah.
Arcano: 22 (“A Vitória”).
País afim: Brasil.
Planeta: Sol Central (Surya-Suryaj).

No Mundo de Badagas em consonância com o de Duat, cada Cidade possui um Coordenador (Coluna Central), um Sacerdote (Coluna J) e um Governador (Coluna B), além dos demais integrantes da Hierarquia dirigente.

Pois bem, essa expressão triológica está perfeitamente expressada na Ordem do Santo Graal, dispondo o Sistema Geográfico regido pelo Regimento Interno da Coordenação Geral do Sistema Geográfico Sul-Mineiro, estabelecido pelo próprio Professor Henrique José de Souza. Assim, em São Lourenço há o representante do Grão-Mestre da Ordem, incubido na função de coordenar e nortear os membros da Institituição e Obra que desenvolvem trabalhos nas sete cidades em volta dessa oitava central. É chamado de Coordenador Geral, ladeado por um Grão-Sacerdote e um Grão-Governador, tendo como assessor em cada cidade um Coordenador Regional, este, por sua vez, sendo auxiliado por um Sacerdote e um Governador, os quais encabeçam a respectiva equipa directiva.

Ao Coordenador Regional, como Director, compete: presidir às solenidades ritualísticas (abri-las e fechá-las), desincumbir da actividade administrativa do Departamento, da Loja ou do Capítulo, ficando de fora a Representação por sua infimidade humana; cumprir e fazer cumprir as directrizes emanadas da Coordenação Geral; prestar assistência, coordenar e orientar as equipas de trabalho. No sector esotérico é auxiliado pelas Colunas J e B; quando solicitado, apresenta o relatório das suas actividades.

Ao Sacerdote compete: dirigir os rituais; realizar conferências em guisa de conscientização do trabalho ritualístico, ou então dando algum tema relacionado com a Obra; seguir o programa de ensino da Instituição como Instrutor e adjunto de Instrutores; cumprir as orientações do Grão-Sacerdote, do Governador e do Coordenador Gerais.

Ao Governador compete: no sector interno, zelar pela manutenção da disciplina e da ordem. Aplica a Política Sinárquica como organização baseada na Ética Iniciática, da qual saíram os Estatutos da Instituição e os Regulamentos para as Ordens constituintes da Ordem do Santo Graal, inclusive o próprio Regulamento do Sistema Geográfico. Esotericamente falando, o trabalho desta Coluna B é “maçónico”, secreto, assumindo posição correspondente à de um Vigilante Silencioso. Por exemplo, ele dá cobertura ao trabalho da Obra, tanto dentro da Instituição como fora dela, e justamente por isso o Governador deve estar alerta e esclarecido a respeito da Filosofia de JHS e da sua aplicação, para não haver distorções, mal-entendidos, abusos ou falhas de comunicação que venham a desviar das directrizes traçadas pelo Venerável Mestre. Desta maneira entende-se por que se chamava “Desmancha Confusão” à Coluna TAG (B) de JHS, o Comandante Tancredo de Alcântara Gomes, sempre “advertindo sem melindrar”. No sector externo, incumbe-se das actividades sociais estabelecendo contacto com as autoridades locais e ouvindo povo em geral. Por isso, JHS advertia sempre: “Quando chegardes a uma cidade do Sistema Geográfico, fazei por entender-vos de imediato com o prefeito (temporal) e o pároco (espiritual)”. Mas nem sempre o conselho foi seguido.

No tocante à Ritualística do Quinto Posto Representativo de Sintra (Sishita), a Trindade externa acessorando o Altar vem a estar em consonância com a Trindade interna acessorando a Embocadura (Laisin), na mais harmónica e recíproca reverberação trespassando as paredes quer do Templo, quer do granito da Serra Sagrada, justificando assim o sentido primaz de “Três Luzes” tão bem expressas no Shime (candelabro de três tramos ardentes) e na letra-mãe hebraica Shin, expressiva do Filho, do Senhor dos Três Mundos, Kyrios Pantokrator.

É assim que no Ritual dos Bandeiras anual com a duração oito dias (um para cada Embocadura) o Bandeireiro masculino carrega à dianteira a Bandeira Nacional do Posto Representativo do dia, ladeado pela Bandeireira com a Bandeira Regional do Sub-Posto afim ao mesmo, reunindo-se no oitavo dia todas as Bandeiras Nacionais e Regionais centralizadas pela do Brasil – Coração do Mundo, Vibhutî – e da Obra – Cabeça do Mundo, Manava –, nisto também se vendo assinalada a presença matematicamente perfeita dos Sistemas e Sub-Sistemas conforme o estabelecido pelo Venerável Mestre JHS, não deixando nada de fora do seu compósito o mais belo e perfeito dando corpo ao Mundo dos Deuses em pleno mundo dos homens imperfeitos. É a Solução do Futuro em Recta-Acção. Não foi por acaso que Ele pronunciou às portas da morte no Hospital São Lucas na cidade de São Paulo, em 1963: “Fiz numa vida o trabalho de uma Ronda inteira”.

Aqui chegado, é o momento de dar uma pequena súmula da criação dos Mundos Subterrâneos pouco antes da queda da Raça Atlante do desaparecimento do seu vasto continente que abrangia praticamente todo o Globo. Antes da catástrofe o Deus Baal-Bey – hoje Rei da Agharta – ordenou aos “Ferreiros da Terra”, ou seja, aos Preclaros Membros da Linha Serapis a construção dos Mundos Interiores para ocultar e resguardar a Divindade e seus Tesouros das ímpias mãos do Homem comum. A partir daí, foram sendo colocados vários véus – sete, de acordo com as sete Ciências Humanas – que encobriram a Verdade pura, fundaram-se os Mistérios. Tiveram então origem as Revelações e os véus ilusórios da Iniciação outorgada aos homens mental, psíquica (moral) e fisicamente preparados pelos Seres da Excelsa Fraternidade Branca, entretanto recolhida ao seio da Mãe-Terra.

Assim, da Atlântida interiorizada, constituindo o que se denomina de Mundos Interiores, provém o poderoso influxo para a Evolução na Face da Terra, onde tudo e todos aos poucos transformam a Vida-Energia (Jiva) em Vida-Consciência (Jivatmã). Esta é a meta suprema da Iniciação verdadeira.

Tem-se:

Badagas, Físico-Etérico, o Mundo da Recapitulação das vidas na Face da Terra para novamente reencarnarem nela os que ali vão. Nesse Mundo estão sediadas as sete grandes Fraternidades Iniciáticas dirigidas por verdadeiros Super-Homens, portanto, constituídas do escol do melhor que a Humanidade possui.

Duat, Etérico-Astral, o Mundo dos Deuses activos e de todo o Conhecimento Humano existente, arquivado em imponentes bibliotecas, constituído por sete enormes galerias subterrâneas partindo de uma oitava central possuída do nome Caijah. Este Mundo é móvel, acompanha a Evolução da Mónada Humana sobre a Terra, e cada uma das suas galerias ou secções ou cidades possui um Templo onde está instalado um dos sete Dhyanis-Budhas, tendo por Colunas Vivas um Governador e um Sacerdote. O Caijah firma-se sob onde a Mónada Humana deve alcançar o máximo da sua evolução peregrina pelo Itinerário dela mesma, IO. Hoje, está em alinhamento directo com São Lourenço nas Lavras de Minas Gerais.

Agharta, Astro-Mental, é o Mundo onde estão as Sementes Monádicas das Civilizações passadas, presentes e futuras. Constituído por sete Cidades com um Templo central e dois laterais, nos mesmos encontra-se a forma espectral – Estátua Viva que Fala – de Baal-Bey neles projectados desde Shamballah, ladeada por um Agnisvatta e um Barishad. Este Mundo é fixo e não móvel como o de Duat – Sistema Planetário em movimento no seio da Terra – e nele há a Luz eterna.

Shamballah, Mental-Espiritual, é o Mundo dos Deuses passivos ou adormecidos, é o Sol Interno da Terra que por sua imensa luz parece Treva eterna. Liga-se a Agharta pela sua sétima extensão, em guisa de portal, que é sétima Cidade de Pushkara. Aqui está o Rei do Mundo, hoje Akdorge (Asgartock), Filho de Baal-Bey e Baal-Mirah, os Reis de Agharta. Aqui está o Anjo Maliak dirigindo 608.000 Devas ou Anjos que animarão as crianças do futuro 5.º Sistema. Aqui se encontram os Manasaputras, Vasos de Eleição, os mesmos criados com o concurso das duas primeiras Raças Humanas e a Essência Espiritual dos Kumaras, na terceira Raça, através da Esfinge que era o Animal “mitológico” de que Akbel se serviu para se manifestar na Terra, cedendo-o depois ao seu Irmão Arabel mas logo se petrificando, quando tomou as formas humanas de Baal-Bey – Baal-Mirah, nos evos esquecidos da Evolução Humana.

Finalmente, como desfecho, evoco agora as palavras apoteóticas de JHS proferidas na Fazenda Arabutan, Nova Xavantina, Mato Grosso, em 24 de Junho de 1959, como Saudação a todos os Deuses que desse Lugar privilegiado dirigem a Evolução do Mundo:

– Chamas de Fogo que se erguem desta Fogueira, chamas sagradas que aos Céus se elevam, reverberando pictoricamente a cerúlea abóbada do firmamento, confundindo-se com o Manto Azul da Mãe Divina, tonalizando no etéreo Manto Azul em esplendoroso Arco-Íris as silhuetas dos Sete Luzeiros.

Chamas de Fogo que aos Céus atriradas foram, uma, três, hoje sete vezes ao Deus Único e Verdadeiro, respondendo pela glorificação e privilégios dados aos gloriosos Filhos da Obra.

Chamas de Fogo em forma de ígneas e sonoras Palavras, ao Espaço infindo foram atiradas pelo Budha Terreno, atingindo as raias do infinito, a celestial Fronte do Eterno, rogando-Lhe para que a Terra em Deus Vivo se torne.

Glorificadas sejam as chamas sagradas que se elevam deste majestoso madeiro, em guisa das Sete Trombetas dos Reis de Édon, atingindo todo o Orbe Terráqueo.

BIJAM

Carvalho Monteiro e o Jardim do Éden – Por Vitor Manuel Adrião Segunda-feira, Out 5 2020 

A GÉNESE DO ZOO OLISIPONENSE

O Jardim Zoológico de Lisboa está entre os três melhores do mundo e é o único onde animais em cativeiro, inclusive as espécies mais difíceis e raras, reproduzem-se regularmente; é igualmente o mais belo e melhor composto de toda a Europa por sua graciosidade herdada da mentalidade naturalista e neopagã decorrente do Romantismo do século XIX, nisto é único no mundo[1].

Bonito, bem cuidado e administrado, com vasta equipa de manutenção que mostra gostar do que faz, ninguém dará por perdido o tempo na visita demorada a este jardim edénico, parque zoológico que veio a ser o principal até tornar-se o único pelo desaparecimento gradual dos outros parques que haviam dispersos por Lisboa e arredores e que para ele contribuíram com o que possuíam. O rei D. Fernando II, por exemplo, contribuiu com os espécimes animais e vegetais precariamente instalados no jardim do seu Palácio das Necessidades, em Lisboa[2]; a família Carvalho Monteiro legou dispositivos económicos e vasta colecção de espécimes vegetais do mundo inteiro, sobretudo do Brasil; outros personagens distintos também contribuíram, como os condes de Palhavã, o conde de Farrobo, etc.

Com efeito, foi por patrocínio de D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha que a ideia da constituição do Jardim Zoológico avançou, primeiro por iniciativa do médico holandês Peter van der Laan, que vindo em 1869 para Portugal em busca de um clima melhor para os seus pulmões doentes, dedicou-se a formar uma colecção de aves, reunindo espécies preciosas, no que recebeu o apoio do barão de Kessler; logo foi seguido de José Tomas de Sousa Martins, o famoso médico português, e do dr. Bento de Sousa.

O jardim foi instalado primeiro no Parque de São Sebastião da Pedreira (cedido gratuitamente por cinco anos), próximo de onde está hoje a Fundação Calouste Gulbenkian, e aí, em 1883, o secretário particular de D. Fernando II, o barão Frederico Kessler, formado em engenharia, dirigiu as obras necessárias à ampliação do parque zoológico. No ano seguinte, em 28 de Maio de 1884, ele foi inaugurado como um acontecimento de grande relevo nacional. O próprio Francisco de Almeida Grandella, coevo dos primeiros tempos do Zoo de Lisboa, diz ter sido aí que ele nasceu[3]:

“Quando começaram os Makavenkos, há já os seus trinta e tantos anos, iniciaram-se as reuniões em Santa Isabel, no palacete do conde das Antas, no quintal em que se achavam instalados vários animais, denominado Parque Zoológico. Ali tinha tido origem o actual Jardim Zoológico por nele ter instalado o sábio Dr. Vanderland muitos animais que foram mais tarde o começo do jardim de S. Sebastião da Pedreira.”

Segundo Jorge M. Rodrigues Ferreira[4], a família real, cujo dedicado concurso para a fundação do Zoo fora assim precioso, compareceu em peso à cerimónia de inauguração. Entre os sócios-fundadores contavam-se os reis D. Luís e D. Fernando, este que foi o seu primeiro presidente de honra. Estiveram presentes também o príncipe D. Carlos e o infante D. Augusto. Quase todo o Governo, presidido então por Fontes Pereira de Melo, acompanhou os régios visitantes. O ministro da Marinha e do Ultramar, no momento da fundação, era o sábio naturalista José Vicente Barbosa du Bocage (1823-1907), que fazia parte da comissão iniciadora. No Ministério das Obras Públicas estava então António Augusto de Aguiar, também sócio-fundador do Jardim Zoológico.

A imponente cerimónia foi largamente publicitada na imprensa, informando o Diário de Notícias de 29 de Maio de 1884, ou seja, no dia a seguir ao da abertura solene do Jardim:

“Foi, com efeito, ontem, a inauguração deste Jardim, com uma concorrência tão extraordinária, que excedeu o que razoavelmente se poderia esperar num dia de semana (…) vai-se animando Lisboa; vai entrando com a sua actividade e com o seu entusiasmo na participação das cousas úteis e proveitosas, e mostrando que não lhe são indiferentes os esforços empregados, as dificuldades vencidas, para realizar certos melhoramentos, que são preenchimento de lacunas numa cidade de primeira ordem de uma nação culta.”

Escritura de 15 de Maio de 1884 do Jardim Zoológico e de Aclimação em Portugal

Em 1892, por morte dos proprietários do Parque de São Sebastião da Pedreira (onde se dava início à Estrada Real para Sintra), os seus herdeiros informaram a Direcção de que “findo o prazo da escritura da concessão não renovaria esta e tomaria posse imediata do Parque”. Sucedia o que não tinha deixado de se prever.

Assim, em 1894 fez-se a mudança, um pouco atribulada, do Jardim para uns terrenos escalvados em Palhavã (onde hoje passa a Avenida de Berna), delineados e arborizados à pressa. A nova instalação numa charneca era o oposto do aprazível parque que acolhera o Jardim nos primeiros dez anos de vida.

O ano de 1904 marcou a viragem decisiva na história do Jardim. Ficou resolvida a sua mudança para as Laranjeiras, ou seja, desta vez um lugar privilegiado para o seu poiso definitivo. Tratava-se, pois, de um desfecho feliz no problema da localização do parque.

Como disse, D. Fernando II de Saxe-Coburgo Gotha foi presidente de honra do Zoo de 1884 a 1885, ano da sua morte nesta cidade de Lisboa, o mesmo período em que o comendador Francisco Augusto Mendes Monteiro foi presidente da Assembleia Geral de 1886 a 1890, ano do seu falecimento, tendo o seu filho, dr. António Augusto Carvalho Monteiro, ocupado esse cargo de 1891 a 1916. Os retratos de ambos figuram no Salão Nobre do Jardim Zoológico de Lisboa.

A família Carvalho Monteiro possuía herdade junto à Cruz da Pedra (que melhor ficaria de Pedra), em São Domingos de Benfica: a Quinta do Vadre, de pórtico acastelado rodeada por um muro com ameias, motivo porque também era conhecida por Quinta da Torre. O padre Álvaro Proença escreveu sobre ela[5]:

“QUNTA DO VADRE. Já em pleno lugar da Cruz da Pedra, onde depois se ergueria uma sumptuosa casa apalaçada com capela privativa, existia em princípios do século XVIII uma quinta em cuja residência habitava Vicente Rebelo do Vadre que nela vivia com sua mãe D. Maria do Vadre, uma sua irmã, D. Mariana do Vadre, mais uma criada e dois pretos escravos.

“Em meados do mesmo século, habitava-a António Rebelo do Vadre que nela vivia com Francisco Xavier do Vadre e mais oito criados. A casa cada vez mais deve ir crescendo em riqueza e bem-estar, pois, em 1763, ali vivia José António Vieira do Vadre com nove criados. Três anos depois aparece-nos casado com D. Ana Joaquina de Almeida Castelo Branco e então já familiares e criados atingem o numero de quinze pessoas, mais um escudeiro, um boleeiro, uma ama de casa e um escravo menor. Este pessoal denota não só avantajados meios de fortuna mas também uma vida faustosa. Talvez por isso mesmo hajam trocado os ares de Benfica pelos da cidade, pois a partir de 1770 só encontramos na quinta um caseiro estrangeiro, de apelido Grondona.

“Em meados do século XIX aparece-nos em mãos do doutor Carvalho Monteiro, com um pórtico acastelado e rodeada com um muro cheio de ameias, tudo de gosto muito duvidoso, tresandando a pretensões. A casa de habitação é que continuava a ser linda, o jardim, o lago, ao gosto da época, não deixavam mal colocados os proprietários que podiam regalar-se com os ricos e apetitosos frutos do pomar e da horta.”

Na foto abaixo do desaparecido apeadeiro ferroviário da Cruz da Pedra, o círculo assinala o espaço onde estava a Quinta da Torre de Francisco Mendes Monteiro, pai de António Augusto Carvalho Monteiro (senhor da Quinta da Regaleira de Sintra), muralhada com ameias, jardim com lago e uma torre também ameada que se subia por uma escada de ferro espiralada interior, como ainda vi e subi em pessoa, com risco de queda devido ao seu adiantado estado de degradação, antes de desaparecer tudo.

Não muito distante da propriedade dos Carvalho Monteiro, encontrava-se no vale das Laranjeiras a quinta dos condes de Farrobo, cujo palácio fora esquissado pelo Padre Bartolomeu Quintela, da Congregação do Oratório. Antiga coutada de caça do 1.º barão de Quintela, Joaquim Pedro Quintela (Lisboa, 28.8.1748 – Lisboa, 1.10.1817), veio o 2.º barão de Quintela e 1.º conde de Farrobo, com o mesmo nome do seu pai, a introduzir-lhe inúmeros melhoramentos. Mandou pintar os tectos do palácio a António Manuel da Fonseca e construir, em 1820, o Teatro Tália, com capacidade para 560 espectadores, tendo-o mandado restaurar em 1842, sob risco de Fortunato Lodi, e na mesma ocasião o iluminado a gás, o que constituiu uma novidade extraordinária na época. A essa situação não foi alheio o facto de o conde de Farrobo estar ligado à indústria dos gasómetros. Interiormente, o teatro possuía luxuosos camarins e um opulento salão de baile com as paredes revestidas com valiosos espelhos de Veneza, nos quais se reflectiam as luzes de numerosos e ricos lustres, produzindo efeitos deslumbrantes.

No Teatro Tália estreou-se Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett, e subiram à cena 18 óperas entre 1834 e 1853. O rei D. Fernando II e a rainha D. Maria II eram frequentadores assíduos deste espaço cultural-recreativo. Por morte da monarca, de quem o conde de Farrobo era grande amigo, a vida social e artística no palácio e no teatro foram interrompidas. Em 1856, retomaram-se as actividades teatrais com ópera italiana e comédias em português e francês. Mas em 9 de Setembro de 1862 um incêndio casual, motivado por descuido de uns operários, consumiu totalmente este templo de arte, cuja reconstrução não se fez por a fortuna do conde de Farrobo começar a dissipar-se. E assim ficou até às obras iniciadas em Maio de 2010.

Esse não era um teatro qualquer, transparecia um forte simbolismo esotérico que Joaquim Pedro Quintela (1801-1869) lhe imprimiu graças à influência maçónica em cuja Ordem era iniciado de alto grau. A fachada exterior do edifício, a que se acede por quatro degraus, é sustentada por quatro colunas toscanas que têm adiante outras tantas esfinges egípcias, com rostos e bustos de mulheres e corpos de leões, deitadas sobre as patas. Estas simbolizam o Teatro da Iniciação, em estado passivo ou receptivo de quem entra nele, marcando o compasso quaternário da Terra onde cada um é actor da sua evolução. No topo do frontão triangular está a estátua de Érato, a Musa da Poesia Lírica, segurando a lira na mão esquerda, apoiada na coxa do mesmo lado, e sob o tímpano corria a todo o comprimento a frase latina: Hic mores hominum castigantur (“Aqui serão castigados os costumes dos homens”), isto é, expostos a público os vícios humanos através da arte cénica.

O palácio dos condes de Farrobo, incluindo os jardins, o teatro e o chafariz fronteiro, foi declarado Imóvel de Interesse Público por Decreto n.º 735/74, de 21 de Dezembro. Também conhecida por Quinta das Laranjeiras (de que ainda subjaz o edifício do século XVIII com curto espaço ajardinado, quando originalmente expandia-se por todo este vale das Laranjeiras indo praticamente até São Domingos, antes do terreno ser retalhado e comprado em parcelas, uma delas a do conde de Farrobo), era um espaço cuidado de grande beleza cénica: possuía labirintos, lagos, estufas, jaulas para animais ferozes e aves raras, inúmeras estátuas, etc. Cerca de 1873, a propriedade entrou na posse do conde Henrique de Burnay (1837-1909), também ele um dos fundadores do Zoo de S. Sebastião da Pedreira, tendo exercido cargo directivo de 1884 a 1885, substituído nessa função por Francisco Augusto Mendes Monteiro. A ambos se juntaria António Augusto Carvalho Monteiro, e das conversações e acordos estabelecidos entre as partes, sobretudo graças aos esforços desse último, o Jardim Zoológico pôde finalmente transferir-se, em 1904, de Palhavã para as Laranjeiras.

Jardim Zoológico de Aclimação na Palhavã, 1884

Com efeito, a inauguração do Jardim Zoológico de Aclimação fez-se em 28 de Maio de 1905 na parte mais grandiosa da Quinta das Laranjeiras – velho e lendário domínio do conde de Farrobo, protector das Artes e Letras – ocupando ainda a Quinta das Águas Boas e a Quinta de Barbacena[6].

A lápide comemorativa do acto, postada junto à entrada principal no jardim pela Estrada de Benfica e que desagua na traseira ajardinada do Palácio Farrobo, dá testemunho dos principais interventores na fundação do Jardim Zoológico de Lisboa:

A 1.ª DIRECÇÃO DO JARDIM
(INAUGURADO EM 28 DE MAIO DE 1884)
EL-REI D. FERNANDO
PRESIDENTE DE HONRA
VISCONDE DE S. JANUÁRIO
PRESIDENTE
DR. ANTÓNIO AUGUSTO CARVALHO MONTEIRO,
BARÃO DE ALMEIDA SANTOS, BARÃO DE KESSLER, DR.
CARLOS MAY FIGUEIRA, CONDE DE FICALHO, DR.
EDUARDO BURNAY, EDUARDO COELHO, FRANCISCO
 ISIDORO VIANA, FRANCISCO REBELO DE ANDRADE,
DR. JOSÉ TOMÁS DE SOUSA MARTINS, ENGº MIGUEL
CARLOS CORREIA PAIS, DR. FERNANDO MATOSO SANTOS,
DR. PEDRO ADRIANO VAN-DER-LAAN, DR. VICENTE
RODRIGUES MONTEIRO.

António Augusto Carvalho Monteiro teve o mérito incontestável de concluir o projecto sonhado pelo rei D. Fernando II: a recriação do Paraíso bíblico na forma singular de um Jardim Zoológico.

Mas a sua instalação no luxuriante Parque das Laranjeiras não se fez, porém, sem sobressaltos. Os herdeiros do conde de Burnay, que havia cedido explicitamente o terreno para esse fim, insistiam em cumprir judicialmente um mandato de despejo. O assunto só ficaria resolvido de vez em 2 de Julho de 1920 com a publicação da Lei n.º 988, aprovada pelo Parlamento que autorizava o Jardim “a expropriar por utilidade pública e urgente a Quinta das Águas Boas e a parte da Quinta das Laranjeiras que tomou do arrendamento ao conde de Burnay”. Essa Lei ia ao encontro da estrutura administrativa e da finalidade do Jardim Zoológico, por ela ser uma sociedade anónima de responsabilidade limitada, constituída por escritura de 5 de Setembro de 1883, e considerada instituição de Utilidade Pública por Decreto-Lei de 12 de Março de 1913 à qual foi, posteriormente, em 1952, atribuída a Medalha de Ouro da cidade de Lisboa[7].

A maior parte das actuais instalações do Zoo deve-se ao traço e imaginação do arquitecto Raul Lino, cuja obra, iniciada em 1912 e prosseguida no decurso dos anos seguintes, não lhe feriram o equilíbrio nem lhe desvirtuaram a estrutura.

De então para cá, com mais ou menos sobressaltos, o Jardim Zoológico de Aclimação evoluiu de tal maneira bem, fruto da dedicação extremada que até custa a acreditar, comove mesmo, que ficou como exemplo a seguir por outros e muitos imóveis históricos de interesse público, grande parte deles inscritos no roteiro turístico e cultural tanto de Lisboa como de todo o país, cuja fama alastra-se aos cinco continentes.

SETE RIOS DESEMBOCAM NO PARAÍSO

Com a instalação do Jardim Zoológico em Sete Rios, dentro do Parque das Laranjeiras, António Augusto Carvalho Monteiro e os seus pares conseguiram recriar decisivamente, num ambiente propício, o mito do Paraíso edénico, certamente inspirados nas Escrituras Sagradas, principalmente no Livro Velho ou Antigo Testamento, e nos clássicos greco-latinos.

Juntaram os elementos simbológicos, arquitectónicos e até toponímicos num mesmo lugar idílico de que resultou, seguindo uma intenção transcendente que passa desapercebida à maioria, neste belíssimo parque zoológico, dos mais aptos do mundo, a sua conversão em pousada obrigatória do lazer comum.

A afirmação de querer-se recriar aqui o Paraíso bíblico, a mesma “Floresta Encantada” da fada Melusina, como conta a lenda medieval, não a dou insubstanciada, posto a prova estar à vista de todos, nas inscrições latinas das duas lápides encrustadas nos torreões da entrada principal no jardim.

Numa está escrito:

PRIMA CERES FERRO MORTALES VERTERE TERRAM
INSTITUIT, CUM JAM GLANDES ATQUE ARBUTA SACRAE
DEFICERENT SILVAE, ET VICTUM DODONA NAGARET.

O que em tradução livre dá o seguinte:

“Primeiro Ceres com golpes mortais ordenou e plantou a Terra,
mas se esqueceu do carvalho, a árvore sagrada, faltando
na floresta, e logo Dodona negaria a sua superioridade.”

Noutra se escreve:

ERGO RITE SUUM BACCHO DICEMUS HONOREM
CARMINIBUS PATRIIS, LANCESQUE, ET LIBA FEREMUS,
ET DUCTUS CORNU STABIT SACER HIRCUS AD ARAM.

O que em tradução livre dá o seguinte:

“Ao rito de Baco honramos solenemente nestes versos pátrios,
humildemente, e libações faremos, e guiados pela trombeta
decididos sacrificaremos um bode na ara.”

Baco apresenta-se num recanto discreto do jardim sobre uma piscina, tendo dos lados silhares de azulejos com alegorias alquímicas e por cima as Armas de Portugal. Ora, na mitologia grega, Baco ou Dionísio (a quem nos finais de Novembro, após uma procissão solene, sacrificava-se um bode) é pai de Luso, que por sua vez é o pai da Raça mais a Ocidente da Europa, a dos Lusos, assim se podendo dar ao conjunto o sentido de Jardim do Éden Lusitano.

O nome Dodona, na outra lápide, assinala essa cidade da Caónia onde havia um oráculo de Júpiter, planeta afim ao carvalho, que como deus principal do seu panteão naturalmente recusaram a superioridade de Ceres. Ora essas divindades mitológicas acabam representando a civilização grega, mãe cultural da Europa, cujo substractum na figura de Luso um outro carvalho humano, Carvalho Monteiro, disporia metaforicamente na velha Ulisipa (Lisboa), promovendo a fundação do Jardim do Paraíso Terreal aqui mesmo, fazendo uso dos seus vastos recursos sociais e económicos. Como a cultura grega cedo originou a latina, nisto também se poderá deduzir estar-se em presença, ainda que de forma encoberta, da ideia da translatio imperii, ou seja, importar a quintessência dos Impérios Grego e Romano para o seio do V Império Lusitano em formação, assim antecipando a fundação paradísica da Nova Idade do Mundo. Com isto acertará bem o sentido do Canto XXVIII (109-114, 118-120, 127-132) da “Viagem ao Paraíso” (Terrestre) por Dante[8]:

Mas as plantas batidas têm tão grandes dons
Que elas impregnam o ar com suas virtudes;
E o ar vibrando as sacode em volta;
E a terra habitada, tanto como é digno
Por si e por seu céu, concebe e proporciona
Diversas virtudes, diversas plantas.

E saberás que a santa campina
Ao teu redor de todo o germe é repleta,
E dá frutos que na terra não colhes.

Deste lado seu fluxo tem o poder
De eliminar dos corações memória do pecado;
Do outro, ele proporciona do bem a plena memória.

Eis aí razão de eu ter dito a Fernando Dacosta, quando me entrevistou em 1993, acerca deste Jardim Zoológico: “A sua matriz teria, assim, sido inspirada no Jardim das Delícias, ou seja, nos Paraísos bíblico, assírio-caldaico e até hindu, onde os quatro Reinos da Natureza, Mineral, Vegetal, Animal e Humano, se religam, se harmonizam. O Mineral está representado pelas águas e granitos da zona, o Vegetal pela variedade de flora, o Animal pelas espécies zoológicas conseguidas, e o Humano pelos visitantes, sobretudo crianças, promessa de futuro, que o procuram em número crescente.”

Ter-se escolhido Sete Rios para decisivamente instalar nele o Jardim Zoológico, é igualmente consentâneo com a prerrogativa de Paraíso ou Paradhesa, em persa. Com efeito, os Rios Sagrados ou Pardas que corriam do Éden desaguavam na Mesopotâmia, e este nome significa precisamente “Entre-Rios”, tal qual era conhecido primitivamente este vale das Laranjeiras, primeiro chamado “Entre ou Sem Rios”, origem do apodo “Sete [ou Sem] Rios”.

Foram vários os autores consultados capazes de explicar a origem hídrica do topónimo Sete Rios, mas tais explicações vieram a revelar-se insuficientes. Deles, destaco as monografias de Gabriel Pereira, São Domingos de Benfica e De São Domingos à Quinta do Correio-Mor, ambas de 1905, e também A. Vieira da Silva, Origens e motivos dos topónimos de Lisboa, 1949. Foi frei Luís de Sousa (sepultado na igreja de São Domingos de Benfica) quem me pareceu mais significativo, consentâneo com uma geografia sagrada, quando na sua História de São Domingos (cerca de 1623-1626) descreve esta zona com as seguintes palavras:

“Fazem o vale dous outeiros deziguais em corpo: hum humilde, que servindo só de lhe encubrir a vista da estrada que dissemos, não lh´a a de muitos que ao longe fazem dilatado Orizonte. O outro levanta muito, estendendo-se pola parte d´onde o sol se poem de Inverno, e vai rodeando contra o Sul, de maneira que ameaça querer fechar o vale, e hir serrar com o monte contrario: tolhe a determinação um Rio, que atravessa o vale, faz garganta por entre ambos pera inviar seu tributo ao mar.”

O rio era fraco no Verão e caudaloso no Inverno, desembocando nele sete ribeiros mais fracos ou regos – donde a origem toponímica do Bairro do Rego – descendo as encostas dos ditos outeiros, e nisto estará a origem do nome Sete Rios, que antes era Entre Rios, ou seja, entre os dois braços ou regos do rio. Portanto, a sua origem hídrica deste filólogo assentará nas águas do Monte Santo (Mons Sacer, em latim, donde Monsanto) aproveitadas pela freiria próxima do convento dominicano, cuja igreja de Nossa Senhora do Rosário de Benfica era muito concorrida pelo povo local, dizendo ainda frei Luís de Sousa:

“A huma piquena legoa da cidade, pola estrada que corre pera Cintra, pouco desviado d`ella pera a parte do Poente, fica como escondido, e furtado a communicação da gente hum pequeno vale, que sendo naturalmente aprazível, por frescura de fontes e arvoredo, mereceo, ao que se pode crer, o nome que tem de Benfica. (…) Na ladeira do monte maior, está situado o Convento, e d´ella se estende com sua cerca até hir beber no Rio.”

Foi grande a devoção popular a São Domingos, padroeiro da freguesia, cuja protecção sobrenatural andava ligada à presença das águas, como descreve o Annuario do Archivo Pittoresco (volume III, n.º 21, 1860, Lisboa): “A devoção e romaria dos domingos de Benfica ou de Maio, ao convento onde se venera S. Domingos, advogado e protector dos que andam sobre as águas do mar, foi das mais populares que houve nos arredores de Lisboa”.

Do rio de Monte Santo corriam quatro regos para o vale das Laranjeiras, dois envolventes e outros dois seguindo na direcção de Campolide e Neudel, pelo que aquele ficou Entre Rios, tal qual no Paraíso Terrestre o Jardim do Éden ou “Lugar das Delícias” era regado por um rio dividido em quatro braços ou regos: Pison, Gion, Tigre e Eufrates[9].

A canalização em aqueduto das águas da ribeira da mata de S. Domingos de Benfica

Com os exemplares animais, vegetais e minerais disponíveis, o rei que mais que artista era um iluminado, D. Fernando II, como idealizador original do mito edénico terá procurado a realização deste buscando a inspiração nos Mistérios Egípcios da Maçonaria do seu tempo na qual era afiliado, posto ter sido Maçom do Grau 33.º do Rito Escocês Antigo e Aceite e mantido relações próximas com o Rito Adonhiramita, no qual um dos seus temas mais caros é o da fundação na Terra do Paraíso original. Parece mesmo que D. Fernando II já pressentia que o destino do Zoo haveria de ser a Quinta das Laranjeiras, sua conhecida dos famosos saraus nos domínios de Farrobo[10]. Ainda sobre a afiliação maçónica do rei, escrevi noutro lugar[11]:

“Quanto a D. Fernando II de Saxe Coburgo-Gotha (Baviera, 29.10.1816 – Lisboa, 15.12.1885), de nome completo Ferdinand Augustus Franz Anton, de quem Francisco Augusto Mendes Monteiro, pai de António Augusto Carvalho Monteiro, foi amigo pessoal, tendo o filho mantido relação próxima com D. Carlos I, foi maçom do Grau 33.º do Rito Escocês Antigo e Aceite no Grande Oriente Lusitano Unido, tendo recebido votos para primeiro Grão-Mestre do Supremo Conselho do Grau 33.º no mesmo Grémio, em 3c de Outubro de 1869, eleição que perdeu a favor do 2.º conde de Paraty, D. João Inácio Francisco de Paula de Noronha (31.7.1820 – Lisboa, 22.4.1884), o qual tomou posse a 16 de Dezembro do mesmo ano. Por sua educação (judaico-)cristã, D. Fernando II veio a ligar-se ao Rito Adonhiramita, estabelecendo-se no 12.º Grau de Rosa+Cruz. Daí porque, entre os Iniciados de Sintra, ele ser conhecido como Frater Rosea+Crucis cujo reconhecimento é feito através do sinal e palavra sagrada do 18.º Grau (do R.E.A.E.): mãos cruzadas sobre o peito, pés em esquadria, pronunciando-se Emmanuel.”

Pois bem, só aqui, neste espaço delicioso que também foi um laranjal dos franciscanos vizinhos, poderia conceber-se um jardim zoológico posto sob a evocação do Divino Espírito Santo como criador do Éden original. Este que como o Paraíso latino é a mesma Paradhesa hindu e a Paradaîza caldaica, enfim, o “Jardim das Delícias” como lhe chama a Bíblia, tendo no seu centro o Monte Meru, o Monte Santo do igual onomástico Monsanto, este que aqui tem a sua nascente na Ribeira de São Domingos, isto é, Domingos ou Domini, o Senhor, o Sol que anima a manifestação do Parda ou “Rio Sagrado”.

Por conseguinte e conforme a Cabala judaica[12], o Sol do Espírito Santo é assumido por Binah, prefiguração da Mãe Divina de cujo seio fecundo irrompem as águas da criação dos seres viventes, inicialmente tudo e todos convivendo em amplo entendimento entre si, reinando tão-só o Bem, o Bom e o Belo. A esse estado original de pureza e harmonia quiseram retornar, assim parece, quantos idealizaram e fizeram o Jardim Zoológico de Lisboa.

PARAÍSO FRANCISCANO

Nem Francisco Augusto Mendes Monteiro, nem o seu filho António Augusto Carvalho Monteiro foram alguma vez maçons ou sequer empatizaram com a correnteza jacobina, apesar de terem lidado de perto com a fina-flor da botânica maçónica da época[13], certamente por conveniências sociais relacionadas com a cultura, a economia, a política, etc., em que estiveram envolvidos, e daí a sua proximidade a maçons como, além de D. Fernando II e o conde de Farrobo, o conde de Burnay e o próprio dr. Sousa Martins. Pela obra feita, confirma-se que parte da Maçonaria serviu o propósito da Espiritualidade Portuguesa, mas também se confirma que a Espiritualidade Portuguesa nunca se confinou ao propósito da Maçonaria.

A empatia realenga e católica, particularmente pela catequese franciscana tanto por Mendes Monteiro como por Carvalho Monteiro, também terá pesado nas suas opções pela Quinta das Laranjeiras à qual esteve anexado o Convento de Santo António da Convalescença, hospital de apoio ou recobro dos frades capuchos enfermos das Casas da Ordem em volta da cidade, o qual servia o principal Convento dos Capuchos que ainda hoje é hospital. Neste das Laranjeiras está hoje instalada a Universidade Internacional.

Fundado em 1640, segundo o testemunho de Frei Apolinário da Conceição, só cerca de dez anos mais tarde teriam entrado aí os primeiros religiosos enfermados. Num documento existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, cuja data se situa, segundo Godofredo Ferreira, entre 1720 e 1735, pode ler-se:

“Teve princípio em uma quinta com sua Ermida, situada na freguesia de São Sebastião da Pedreira, junto donde chamam Cruz de Pedra, que o arcediago Duarte Gomes da Mata, movido da muita devoção que tinha aos religiosos desta Província, lhes deu para nela convalescerem os enfermos, depois de curados na enfermaria que têm no seu Convento de Santo António dos Capuchos desta cidade de Lisboa.”

Convento de Santo António da Convalescença, na Estrada de Benfica

Em 1779, poucos anos depois do terrível terramoto de 1755 que alterou profundamente a feição geográfica da zona, o desembargador Luís Rebelo Quintela adquiriu a Quinta de Santo António (então um extenso laranjal cercado de arvoredo e mato rasteiro onde abundavam animais de caça miúda: coelhos, perdizes, etc.) defronte do convento. Diz Godofredo Ferreira[14]:

“O novo proprietário da quinta – depois chamada das Laranjeiras – e do magnífico palácio que ali se construiu sob o risco do irmão do desembargador, o padre oratoriano Bartolomeu Quintela, foi desvelado protector do convento fronteiro, como igualmente o foi seu sobrinho e herdeiro o 1º barão de Quintela, Joaquim Pedro Quintela, e depois o filho deste, do mesmo nome, o faustoso conde de Farrobo.”

O Convento de Santo António da Convalescença foi extinto em 1834.

Já no século XVI existiria aqui um eremitério que possivelmente seria a origem do convento franciscano no século seguinte, facto atestado pela preexistência de um formoso cruzeiro de pedra manuelino que inclusive deu nome ao sítio, Cruz de Pedra, sobre o qual diz ainda Godofredo Ferreira: “Este cruzeiro (…) não poderá considerar-se apêndice do convento, mas, muito pelo contrário, o convento é que foi dele complemento. Ora vejamos. O sítio em que, em 1640, se começou a construir a Casa da Convalescença dos franciscanos tinha já naquele tempo o nome de Cruz de Pedra, que veio até aos nossos dias; e chamava-se assim, por certo, em consequência da existência no local de uma cruz feita de pedra, de devoção popular”.

Após a ruína do Conde de Farrobo, a Quinta das Laranjeiras foi vendida e passou de mão em mão até ser adquirida pelo poderoso argentário conde de Burnay, que a alugou em 1904 para instalação do Jardim Zoológico, o que ficou concluído no ano seguinte. Com a morte da condessa de Burnay, última proprietária da quinta e palácio de que fora expropriada em 1920, o processo da expropriação arrastou-se nos tribunais até 1940, altura em que o Estado adquiriu definitivamente a propriedade liquidando o seu preço com os herdeiros dos condes de Burnay. Quanto ao cruzeiro, que estava guardado há muito tempo numa arrecadação do Palácio Farrobo, um tanto desmantelado pelos efeitos do tempo e dos maus tratos infligidos, entrou na posse da senhora dona Teresa de Melo Breyner Pinto da Cunha, neta materna dos condes de Burnay. Esta ilustre senhora e seu marido tiveram a feliz ideia de trazê-lo novamente para a luz do dia e plantaram-no no jardim do seu Palácio Vimioso no Campo Grande, onde o fui encontrar.

Assim o descreve o Boletim da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, 4.ª Série – Tomo X, 1905:

“CRUZEIRO DA QUINTA DAS LARANJEIRAS. Seguindo a Estrada de Benfica, no extremo da Quinta das Laranjeiras, próximo do chafariz da Convalescença, descortina-se através das grades e a pouca distância delas, um objecto de pedra, que nos parece ter passado até agora indiferente à atenção dos arqueólogos. Data de longas eras, conta mais de quatrocentos anos, pois deve remontar-se indubitavelmente ao século XV. É ele um cruzeiro, devido, como tantos outros, à piedade de um indivíduo, que o mandou construir, ou por algum acto expiatório, ou por simples devoção, obedecendo ao sentimento religioso da época. O letreiro guarda silêncio sobre a causa que motivou semelhante voto. A nossa convicção é que o monumentozinho estaciona no terreno em que foi erecto, sendo ele quem deu a denominação, ainda hoje conservada, ao lugar próximo – “Cruz da Pedra”. A área da Quinta das Laranjeiras, dilatando-se, absorveu e anexou o terreiro público, ficando o cruzeiro encravado no recinto dela. O cruzeiro assenta sobre dois degraus com colarete. A cruz é floreada. na face anterior está a imagem de Cristo e na posterior a imagem de Nossa Senhora com o menino Jesus descansando sobre o braço esquerdo. O capital da coluna, sobre o qual se eleva a cruz, é gótico e faz corpo com esta. A Virgem está de pé sobre uma pequena mísula, que assenta no ábaco do capitel. A inscrição, contornando este, por cima da ornamentação gótica, diz o seguinte em caracteres também góticos: pedreanes morador lisboa madou fazer este cruz a hôra d´ds j da uirjm (“Pedro Eanes, morador em Lisboa, mandou fazer esta cruz em honra desta e da Virgem”).”

A cruz florlisada (Cruz de Avis ou, anagramaticamente, Siva ou Shiva, o mesmo Espírito Santo na teologia hindu) que coroa o capitel gótico é adornada na face anterior pelo Cristo Crucificado, e na posterior pela Virgem com o Menino descansando no seu braço esquerdo, sobre uma mísula que poisa no ábaco contornado pela legenda gótica da fundação. Esta obra foi mandada fazer por Pedro Eanes, morador em Lisboa, em honra de Cristo-Maria. O fuste da coluna é de mármore de Carrara, a base e os degraus de pedra lioz e a parte superior de calcário branco. Cristo-Maria (cujas iniciais são igualmente, por feliz acaso, as de Carvalho Monteiro) assinala o estado andrógino do Divino Espírito Santo na expressão conjunto do Filho dado à Terra pela Mãe do Céu, motivo caríssimo à espiritualidade franciscana que em todas as suas Casas sempre primou por ter uma cerca ajardinada que reproduzisse a condição edénica do jardim do Paraíso Terreal.

Ainda no tempo do barão de Quintela o cruzeiro existia no extremo da Quinta das Laranjeiras, voltado para a Serra de Monsanto, dando testemunho da origem toponímica do sítio (Cruz de Pedra), aqui onde se quis fundar, antecipando os Templos da Nova Jerusalém ou Idade do Espírito Santo, o Paraíso Terreal, ensejo levado a cabo por uns quantos largos de espírito graciosamente atrevidos, vindo fazer a delícia dos deuses e dos mortais neste taliano lugar idílico.

UM JARDIM MUITO ESOTÉRICO

Na entrada principal (até 1910) para o jardim do conde de Farrobo, na Estrada de Benfica, os seus dois torreões ilustrados com as estátuas laterais de um casal de faunos, o macho com a flauta, como também a primitiva entrada lateral, defronte para o vale de Sete Rios, com as águias enormes de asas abertas em guisa de protegerem a propriedade, revela-se a pretensão do destino que quis dar-se à mesma desde o seu início: o de parque zoológico que reproduzisse o ambiente do Paraíso original.

Isso deixa-se adivinhar pelo próprio carácter divinatório que a mitologia atribui aos faunos, havendo mesmo na Antiguidade clássica um tipo de versos oraculares chamados fauni, onde eram expostas as suas profecias. Fauno era filho de Pico, neto de Saturno e pai do próprio rei Latino. O seu equivalente feminino era a sua mulher Bona Dea. Os principais centros do culto a Fauno situavam-se nas regiões campestres latinas, e as suas festas, chamadas faunalias, eram a 5 de Dezembro, ocasião em que se sacrificavam bodes e faziam abundantes libações de leite e vinho. Em Roma, a 5 de Fevereiro, celebrava-se a festa das lupercalias, de tradição antiquíssima, perto do templo de Fauno Lupercus, instalado numa gruta do Monte Palatino. Essa gruta chamava-se precisamente Lupercal e era a mesma que Avandro, chefe da colónia dos arcádios, ao chegar ao Lácio e sendo bem acolhido pelo rei da região, chamado Fauno, consagrou a Pan, a divindade grega das florestas com a sua flauta encantada. O rito da celebração das lupercalias exigia o sacrifício inicial de bodes, com cujas peles se vestiam os sacerdotes de Fauno, e logo a seguir percorriam as ruas de Roma golpeando os transeuntes que encontravam à sua passagem. Esse acto era considerado uma purificação, além de atrair a prosperidade e a fortuna. Dizia-se também que as mulheres estéreis golpeadas pelas tiras dos luperci tornavam-se fecundas, pelo que elas mesmas ofereciam-se para serem golpeadas (o que faz lembrar a tradição pagã dos “caretos” em Portugal). O dia da realização dessa cerimónia de purificação chamava-se Februatos, que quer dizer “purgado”, o qual depois deu nome ao mês que passou a chamar-se Fevereiro. Posteriormente, acreditou-se que numerosos faunos habitavam nas florestas, e foram confundidos com os sátiros que faziam parte do turbulento cortejo de Baco[15]. Dispondo-se acima do figurino mitológico, a Tradição Primordial dá sentido diverso ao simbolismo fáunico, indiciando-o como figuração do pressuposto “Bode de Mendes”, ou melhor, de Memphis, assinalando-o como “o Caprino no topo da Montanha (da Iniciação)”, isto é, o saturnino Kumara, divindade hindu tradicionalmente reproduzida com a forma de um bode ou cabra.

Quanto à águia, ave solar cuja forma Júpiter ou Zeus, pai dos deuses, muitas vezes tomou para se manifestar aos mortais, numa antevisão mítica assinala assim o carácter imperial da supremacia deste parque sobre a cidade e o mundo, nisto submisso à intenção lusitana da recriação do Paraíso na antecipação de um futuro Império Terreal que trará a toda a Terra a condição edénica plenamente frutificada. As asas abertas dessas aves esculpidas, numa atitude agressiva de defesa, dispõem-nas como guardiãs da porta do Éden, defendendo e isolando o espaço interior de qualquer acometimento rapace do exterior.

No jardim, onde não falta um obelisco mandado plantar pela família Quintela, é no Grande Roseiral de Lisboa, por onde se entra atravessando uma ponte pênsil (tudo do tempo de Joaquim Pedro Quintela, reconhecido maçom[16]), que podem encontrar-se os elementos mais significativos afins à Tradição Primordial sob o aspecto egípcio-caldaico.

O tabuleiro semi-arqueado da ponte pênsil, própria dos jardins tebanos, é suportado por quatro colunas coríntias, cada uma tendo no cimo a estátua de um artífice egípcio erecto sobre uma pedra burilada, desta maneira assinalando os Guardiões das 4 direcções do Paraíso, numa postura hierática semelhante à adoptada na Maçonaria pelos “Mestres de Cerimónias” do Rito Adonhiramita, como se observa no Manual do 2.º Grau de Companheiro[17].

Tais artífices correspondem no plano simbólico aos “construtores de pontes”, os pontífices que fazem o vau ou “ponte” a Humanidade e a Divindade, motivo por que nos Mistérios Gregos eram associados aos thesmosphoros, guardiões do portal da imortalidade, que após transposto, descendo quatro degraus, dava acesso à barca de Caronte que levava à ilha dos imortais onde estava a caverna sagrada[18]. Hoje, o sorriso aflora aos lábios ao ver os visitantes despreocupados passearem de barquinha no lago sob essa ponte, assim mesmo, na inocência do recreio, reproduzindo o cenário sagrado dos Mistérios de outrora.

No Grande Roseiral de Lisboa, ex-libris deste jardim talhado ao estilo Le Nòtre, aparece a estátua de um dragão assírio-caldaico cujo significado prolonga o anterior da ponte pênsil com os artífices egípcios, e sobre ele diz Paulo Machado Albernaz[19]:

“O nome dragão, na Caldeia, não era escrito foneticamente e sim representado por dois monogramas, significando provavelmente, segundo os orientalistas, “o escamoso”. Podemos acrescentar que, sob um aspecto, aplica-se à Hierarquia dos Makaras. Em sânscrito, Makara designa um animal anfíbio desconhecido, geralmente chamado de “crocodilo”, mas que na realidade significa algo mais.

“O simbolismo do dragão tem significado séptuplo, e desses sete significados pode expor-se o mais elevado e o mais inferior. O primeiro é idêntico ao “nascido por si mesmo”, o Logos. Entre os gnósticos cristãos derivados dos essénios, ou adoradores da Serpente, era a Segundo Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho. O seu símbolo era a constelação do Dragão. H. Lezaray, em sua obra Trinité Chrétienne Devoillé, escreve que estando o Dragão colocado entre o Pai imutável (Purusha, o Espírito) e a Matéria mutável (Prakriti, a Mãe), ele transmite a esta última as influências que recebe do primeiro, donde provém o seu nome: o Verbo. As suas sete estrelas são as mesmas que estão na mão Daquele que é o Alfa e o Ômega, no Apocalipse. No seu significado mais terreno, o termo dragão foi aplicado aos Homens Sábios.”

Avista-se também um par de esfinges tetramorfas egípcias. Com efeito, o tetramorfo (do grego tetra, “quatro”, e morphé, “forma”) é comumente chamado de “esfinge” (do grego sphigx, “animal fabuloso”). A Bíblia cita-o várias vezes: em Ezequiel, cap. 1, vers. 5-14, e no Apocalipse, cap. 4, vers. 6-8. Mas foi Santo Irineu, na sua obra volumosa Contra as Heresias[20], o primeiro a relacionar os quatro “animais” compositórios da esfinge com os quatro evangelistas sinópticos:

O Homem com São Mateus;
O Leão com São Marcos;
O Touro com São Lucas;
A Águia com São João.

Desde então, a iconologia cristã passou a fazer uso desse simbolismo. Explica-se a escolha dessas atribuições pelas razões seguintes:O Homem ou Anjo representa Gabriel anunciando a incarnação do Salvador entre os homens, episódio natalício descrito mais especialmente por São Mateus. De forma mais profunda, representa o estado de Anjo expresso na Paradhesa, Paradaîza ou Paraíso pelo 2.º “Rio Sagrado”, Parde ou Parda de cor “violácea”, manifestando o elemento natural Água (Apas, em sânscrito).

O Leão de São Marcos é alusão ao deserto, em cujo primeiro capítulo do seu Evangelho é descrito São João Baptista pregando a penitência ao povo, baptizando-o e ao próprio Cristo, com a água santa do Rio Jordão ungindo-o como “Leão do Deserto” e “Rei de Judah”, descendente de David e Salomão. De maneira mais esotérica, expressa o estado de Arcanjo e o 3.º “Rio Sagrado” ou Parda “avermelhado”, cor do Fogo (Tejas, em sânscrito).

O Boi ou o Touro lembra, na sua qualidade de vítima escolhida para os principais sacrifícios da antiga Lei, o sacerdócio, cujas funções são desempenhadas por Zacarias assinaladas no primeiro capítulo do Evangelho de São Lucas, quando ele é advertido pelo Anjo acerca do nascimento de João Baptista. Teosoficamente, indica o estado de Homem e consequentemente o 4.º Parda de águas “alaranjadas”, relacionadas ao elemento Terra (Pritivi, em sânscrito).

A Águia indica a sublime elevação da narrativa de São João. Representa, afinal, a descida do Logos ou Verbo Vivo à Terra pelo caudal celeste do 1.º Parda de tons “verdes”, expressivo do elemento Ar (Vayu, em sânscrito), igualmente assinalando o estado de Arqueu como o mais elevado presente na Manifestação Universal.

Os quatro “animais” dispostos em torno de Cristo (representando o 5.º Parda central de cor “azul”, indicativo do Éter (Akasha, em sânscrito) como Quintessência da Natureza), devem ocupar, cada um, lugar preestabelecido: o Anjo ocupa a direita, ao lado da cabeça de Cristo; a Águia fica à esquerda da mesma cabeça; aos pés, na mesma ordem, o Leão e o Touro, segundo o Padre Auber[21].

Quanto ao significado do corpo animal da esfinge estar em posição de repouso mas mantendo a cabeça humana erguida, expressa a influência activa do Espírito sobre a natureza passiva da Matéria, facto assumido nas sociedades tradicionais da Europa no acto da Autoridade Sacerdotal (Altar – Oratore) reconhecer e investir o Poder Real (Trono – Belatore), tal qual o influxo de Purusha (Espírito) age sobre Prakriti (Matéria), neste caso, a sabedoria sacerdotal dirigindo a força real, presidencial, etc.

Ainda no Grande Roseiral de Lisboa, admiram-se duas belas estufas em casas chãs de arquitectura maneirista de risco amouriscado ao gosto possível de Raul Lino. Cada uma com três arcarias com belos vitrais policromados, a sua visão sugere-me os sinais encobertos da presença daquela misteriosa Milícia chamada Ordem de Mariz, que a Teosofia designa de Linha Morya sobre a qual Roberto Lucíola escreveu[22]:

“Na Tradição são denominados de Adeptos da Linha Morya (Mouros, Marus, etc.) os ligados à Mãe Divina. São os que impulsionam a Evolução por meio do desenvolvimento da Ciência. Estão ligados ao poder do raciocínio. Concretizam com o mental objectivo a Sabedoria Abstracta. Consolidam o Saber Superior na mente humana comum. Difundem o Conhecimento para que ele chegue ao alcance de todos. Desvendam os segredos da Natureza.”

Pois bem, nisso D. Fernando II e Carvalho Monteiro, por certo à cabeça dos demais intervenientes, desvendaram os segredos da Natureza ao realizarem o sonho edénico: a fundação cénica do Paraíso Terreal que se seguiu aos Dias da Criação[23].

Espécimes minerais juntos a raridades vegetais, aves valiosas e raras em convívio com animais de todas as partes do mundo[24], todos são admirados pelo humano visitante que, mesmo sem se aperceber, toma parte activa na recriação paradisíaca do Éden donde saímos e onde volveremos.

Para não se perder a memória viva, aí está o Zoo de Lisboa onde subjaz o apelo profundo, mensagem de esperança simples na fórmula de recreação dos sentidos, à reintegração final das criaturas viventes num Mundo Novo desejado de Concórdia Universal.

 

NOTAS

 

[1] Fernando Dacosta entrevista Vitor Manuel Adrião, Jardim Zoológico de Lisboa – A imitação do Paraíso bíblico. “Público Magazine”, separata do jornal “Público”, n.º 157, 7/3/93.

[2] José Teixeira, D. Fernando II. Rei-Artista. Artista-Rei. Edição da Casa de Bragança, 1986.

[3] Francisco de Almeida Grandella, Memórias e receitas culinárias dos Makavenkos, pp. 40-41, Lisboa, 1919. Reedição pela Marginália Editora, Lisboa, 1994.

[4] Jorge M. Rodrigues Ferreira, com a colaboração de Carlos Biscaya, São Domingos de Benfica (Roteiro). Edição da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, Lisboa, 1991.

[5] P. Álvaro Proença, Benfica através dos tempos. Depositária União Gráfica, Lisboa, 1964.

[6] Raul Proença, Guia de Portugal – I (Lisboa e Arredores), pp. 434-435. Reedição integral pela Fundação Calouste Gulbenkian da 1.ª edição pela Biblioteca Nacional de Lisboa em 1924.

[7] Fernando Emygdeo da Silva, História do Jardim Zoológico de Lisboa. Os movimentados 80 anos da sua meritória existência – 1884-1964. Lisboa, 1965.

[8] Robert Bonnell, Dante o Grande Iniciado. Madras Editora Ltda., São Paulo, 2006.

[9] Bíblia Sagrada, Génesis, 2:10-14.

[10] D. Fernando II inclusive comprara ao conde de Farrobo o camarote deste no Teatro Real de S. Carlos, em Lisboa, para a sua esposa morganática D. Elise Hensler, a condessa d´Edla. Cf. Teresa Rebelo, Condessa d´Edla. A cantora de ópera quase Rainha de Portugal e de Espanha (1836-1929). Alétheia Editores, Lisboa, 2006. Vd. ainda E. de Noronha, O conde de Farrobo. Memórias da sua vida e do seu tempo. Editora Romano Torres, Lisboa, 1945.

[11] Vitor Manuel Adrião, Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria. Editora Dinapress, Lisboa, 2002. A mesma notícia já a dera publicamente anos antes, aquando das duas entrevistas concedidas ao jornalista sr. Victor Mendanha, do jornal Correio da Manhã, que as publicaria nas páginas centrais: Seguindo o caminho de D. Fernando II na procura do Santo Graal. In Correio da Manhã, domingo e segunda-feira de 5 e 6 de Janeiro de 1986.

[12] Knorr Von Rosenroth, A Kaballah Revelada (Filosofia Oculta e Ciência). Madras Editora Ltda., São Paulo, 2005.

[13] Tanto assim é que o próprio Palácio da Rua do Alecrim, em Lisboa, fora comprado directamente por Francisco Augusto Mendes Monteiro ao barão de Quintela e conde de Farrobo, talvez por motivo de mudança residencial deste paras as Laranjeiras. Este palácio da Rua do Alecrim, no Largo do Quintela, foi erigido no sítio onde antes se elevava o dos condes de Vimioso, depois marqueses de Valença, que um incêndio destruiu em 1726. Neste mesmo edifício, que viria a pertencer à família Carvalho Monteiro, chegou a hospedar-se o general Junot, quando da invasão francesa de 1805, e nele também se celebraram importantes reuniões políticas além de festas que ficaram memoráveis. Carvalho Monteiro iniciou por fazer deste palácio um verdadeiro museu particular, reunindo uma rica colecção de relógios, outra de borboletas, que foi das primeiras do mundo, e uma preciosa livraria em que avultava um raro núcleo de espécies camonianas. Aquando da comemoração do terceiro centenário da morte de Camões, em 10 de Junho de 1880, ela foi particularmente subsidiada pelo mesmo, tendo sido considerada uma manifestação régio-patriótica antijacobina, o que naturalmente suscitou a contra-reacção violenta ao longo dos vários trechos do trajecto do cortejo, por parte de membros da Academia de Ciências de Lisboa ligados à Maçonaria, e sobretudo por parte da Carbonária, que incitou o povo a igual e nada cívico procedimento mas que, exceptuando alguns arruaceiros dos bairros mal-afamados da cidade misturados na multidão à caça da bolsa do próximo desatento, não lhes deu o aval nem a atenção pretendidas. O povo entendia o seu rei, aclamado unanimemente, entendia o acto pátrio que lhe tocava fundo, expressando o espírito comum de Portugal, mas já não entendia uns agitadores palavrosos misturados com arruaceiros mal-afamados. O interessante de tudo isso é que esse cortejo cívico, ilustrado com carros alegóricos, ter programado o seu itinerário de modo que passasse diante do palácio de Carvalho Monteiro, seguindo um trajecto aparentemente desajustado mas possivelmente com a intenção de homenagear o seu patriótico mecenas anónimo: o desfile organizou-se e começou na Praça do Comércio, passou à Rua Augusta, Rua Áurea, Rua do Arsenal, Largo do Município, Rua Nova do Almada e Chiado até à Praça Camões, depois desceu pela Rua do Alecrim vindo a dispersar no Cais do Sodré. – Cf. Dicionário da História de Lisboa, dirigido por Francisco Santana e Eduardo Sucena. Carlos Quintas & Associados – Consultores, Lda., Lisboa, 1994. E também António Filipe Pimentel, O cortejo cívico das comemorações camonianas de 1880, Lisboa, 1988.

[14] Godofredo Ferreira, O Convento de Santo António da Convalescença – Padroado dos Correios-Mores do Reino. Lisboa, 1962.

[15] J. C. Escobedo, Diccionario Enciclopédico de la Mitología. Editorial de Vecchi, Barcelona, 1985.

[16] “QUINTELA (BARÃO DE) – Joaquim Pedro Quintela, Lisboa, 20.8.1748 – Lisboa, 1.10.1817. Fidalgo da Casa Real, grande proprietário rural, comerciante e opulento capitalista, desempenhou as funções de contratador dos contratos reais de tabaco, diamantes, azeite, peixe e baleia, investindo igualmente na indústria de lanifícios da Beira Baixa. Recebeu o título de 1.º Barão de Quintela em 1805. Liberal, protegeu ao longo da sua vida numerosos correligionários. Foi iniciado em data e Loja desconhecidas.” – In A. H. de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, volume II, página 1183. Editorial Delta, Lisboa, 1986.

[17] José Martins Jurado, Maçonaria Adonhiramita (Apontamentos). Madras Editora Ltda., São Paulo, 2004. E também Crata Repoa ou Initiations aux Anciens Mystères des Prêtes d´Egypte. Traduzida do original alemão de 1785 e publicada em Paris por Ant. Bailleul, 1821.

[18] René Guénon, Os Símbolos da Ciência Sagrada. Edições Gallimard, Paris, 1962. Obra reeditada em português pela Editora “O Pensamento”, São Paulo.

[19] Paulo Machado Albernaz, A Nova Raça – Os Dragões e as Serpentes na Simbologia Arcaica. Revista Dhâranâ, ano XLI, n.º 28/29, Janeiro-Dezembro de 1966, São Paulo.

[20] Irineu de Lyon (c. 130 – 202 d. C.) escreveu no ano 180 (século II) Sobre a detecção e derrota da assim chamada Gnosis, mais conhecida como Adversus haereses, “Contra as Heresias”, obra em cinco volumes na qual o autor transcreve o pensamento gnóstico e contrasta a sua crença com o cristianismo católico, refutando a Gnose de Valentim (c. 100 – 160 d. C.), que chegou a ser candidato a bispo, observando-se ao longo das suas páginas um ataque minucioso a favor da ortodoxia episcopal, o que é visto como uma primeira evidência da primazia papal.

[21] Charles Auguste Auber, Histoire et théorie du symbolisme religieux, 4 volumes. Volume IV, pp.112-113, Féchoz et Letouzy, Paris, 1871.

[22] Roberto Lucíola, Manifestação Avatárica. Revista “Aquarius”, ano 5, n.º 18, 1979, Rio de Janeiro. Vd. também Vitor Manuel Adrião, A Ordem de Mariz, Portugal e o Futuro. Editorial Angelorum Novalis, Carcavelos, 2006. E ainda, de Vitor Manuel Adrião, Ordem de Mariz – Iniciação e Segredo, Euedito, Lisboa, 2019.

[23] A pretensão de (re)criar o Paraíso ou Éden em Portugal é, de facto, muito antiga. Por exemplo, quando escrevi sobre a aldeia saloia de Frielas, concelho de Loures, onde o rei D. Dinis teve casa de campo com pretensões a paçal, tive oportunidade de dizer: “Por estas bandas saloias havia e com fartura caça miúda: coelhos, perdizes, raposas, ginetes, etc., cuja caçada era muito apreciada pelos reis e cortesãos nas horas de ócio. Terá sido Frielas, em tempo de D. Dinis, Real Couto de Caça; Frielas que foi cenário do primeiro Jardim Zoológico havido em Portugal, remontando ao século XIV e devendo-se a sua constituição à vontade (real e sonho paradisíaco, depois perseguido por outros monarcas portugueses) de D. Dinis, com instalação na sua quinta e paço de Frielas. Segundo a documentação existente na Torre do Tombo respeitante ao Paçal de Frielas, D. Dinis começou nesta sua propriedade por aclimar um urso, de grande corpulência, que fora apanhado a laço e oferecido ao rei. Seguiu-se um lobo. A família real e a corte encontravam na apreciação dessas duas espécies expostas agradáveis momentos de recreio, demonstrados por manifestações de grande divertimento. Em breve foram acrescidos de falcões.” – Vitor Manuel Adrião, Frielas (Memorial Histórico), edição do Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Frieleiros”, Frielas, 1996.

[24] Victor Luís Eleutério, Histórias de jardins com animais ao fundo. Separata do jornal “Correio da Manhã”, n.º 5644, 16/10/94.

António Augusto Carvalho Monteiro e a Saúde Pública – Por Vitor Manuel Adrião Sexta-feira, Out 2 2020 

A Europa do século XIX ficou marcada pelo surto epidémico da tuberculose como principal causa das mortes devido aos poucos cuidados profilácticos por parte das populações e aos ainda rudimentares avanços da ciência médica, preocupada em combater e travar a doença. Só em Portugal, em 1899, o total de mortes por tuberculose era estimado entre 15 a 20.000, equivalente a uma taxa de 297 a 396 por 100.000 habitantes. Apesar de todos os esforços despendidos a Medicina, entre os finais do século XIX até à década de 40 do seguinte, não possuía quaisquer recursos farmacológicos para combater a tuberculose, e em Portugal voltou-se para o reforço das únicas medidas realmente eficazes: isolamento e prevenção, não só através da criação de centros hospitalares e sanatoriais, como também pela implementação de regras e estratégias sociais conducentes a melhorar as condições de vida, alimentação e higiene física e psicomental das populações[1].

Não obstante o velho conhecimento, mais que assente, entre os praticantes da medicina hipocrático-galénica, e provavelmente entre os antigos egípcios que também sofreram essa “praga faraónica”, de que o clima de altitude é favorável à cura da tuberculose, só em 1854 Francisco António Barral publicaria o primeiro trabalho científico português sobre O clima do Funchal e a sua influência no tratamento da tuberculose, seguido de Brehmer que em 1856 divulgaria os seus estudos de carácter científico sobre os benefícios do arejamento, do repouso em estabelecimentos fechados e da sobrealimentação no tratamento da tuberculose. Assim, a partir do último quartel de Oitocentos os sanatórios vieram a assumir um importante papel na luta antituberculose, e um pouco por todo o país foram sendo construídos e postos a funcionar[2].

Essa iniciativa sanatorial partiu da própria rainha D. Amélia, de nome completo Maria Amélia Luísa Helena de Orleães (1865-1951), esposa do rei D. Carlos I, que há muito alimentava a ideia de fundar a Assistência Nacional aos Tuberculosos, mas a aparente indiferença dos responsáveis pela política de Saúde Nacional impediam-na de realizar o seu desejo. Por fim, o professor Moreira Júnior, reconhecido parlamentarista, conseguiu fazer-se ouvir no Parlamento em 1899, ousando “chamar a atenção do governo” para a “situação cruciante” desencadeada pela doença e para a urgente necessidade de se tomarem as adequadas medidas preventivas. Segundo João Frada (in Portal de Saúde Pública, 2009), essa chamada de atenção no Parlamento foi o empurrão decisivo para o arranque da Assistência Nacional aos Tuberculosos (A.N.T.), a qual reflectiria a vontade e as ideias, o projecto, em suma, da magnânima rainha D. Amélia.

A monarca apresentou então, em 11 de Junho de 1899, na Sala das Sessões do Conselho de Estado do Ministério do Reino por si presidida, um conjunto de intenções resumidas em quatro pontos:

1.º – Construir hospitais marítimos.

2.º – Fundar sanatórios em clima de montanha e de altitude.

3.º – Estabelecer em todas as capitais de distrito institutos que serviriam, não só para o estudo e tratamento da tísica, mas também de socorro aos doentes (mais aligeirados, que ainda não careciam de isolamento e) que têm de trabalhar para sustentar as suas famílias.

4.º – Criar os hospitais para tísicos, destinados aos incuráveis.

Nessa sessão foram estabelecidas diversas estratégias consideradas fundamentais para se poderem atingir os elevados objectivos, quer imediatos, quer a médio prazo, da A.N.T., que viriam a concretizar-se através de várias iniciativas[3]:

– Criação de um subsídio anual de 20.000$00 assumido pelo Governo.

– Subsídios, obrigatoriamente suportados pelas Câmaras Municipais, incluídos nos respectivos orçamentos.

– Utilização dos fundos correspondentes a “1% das quotas dos sócios das sociedades ou associações de recreio onde se realizassem jogos” e do “produto das multas que por leis ou regulamentos fossem destinadas a esse fim”.

– Isenção de direitos alfandegários sobre os materiais fabricados no estrangeiro, destinados ao serviço de dispensários, sanatórios e hospitais.

– Angariação de fundos resultantes de quermesses, peditórios e subscrições efectuados junto de emigrantes portugueses no estrangeiro, de leitores de vários jornais publicados em Portugal, de instituições bancárias, bem como de doações e quantias obtidas através da cooperação de regedores, de párocos e de paroquianos.

– Recolha de dádivas e de receitas provenientes da realização de festas e espectáculos.

A proposta da rainha D. Amélia foi aprovada e no mês seguinte o Parlamento reconheceu a existência legal da Assistência Nacional aos Tuberculosos sob a designação Instituto da Rainha D. Amélia, com a publicação da Lei de 17 de Agosto de 1899. Esse movimento de beneficência e socorro social exigia uma grande responsabilidade e um enorme sentido de gestão, face à complexidade de acções a desenvolver e a controlar em todo o País, e naturalmente implicou a formação de uma “Comissão de Propaganda”, bem como de subcomissões com a missão de levarem a efeito as múltiplas estratégias definidas a nível da Comissão Central. Foram então nomeadas as referidas subcomissões:

– Dos Zeladores, destinada a zelar pelos interesses da Sociedade em todos os campos de acção, presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa.

– Das Festas, com a missão de promover e realizar festas remuneradas, cujas receitas seriam destinadas à Sociedade, sob a presidência do Conde de Sabugosa.

– Das Quetes, responsável pela realização de campanhas de esmolas e donativos para a Sociedade, sob a presidência do Arcebispo de Mitilene.

– De Estudo e Estatística, com o objectivo de recolha de dados, informações e análise da tuberculose no País e o seu desenvolvimento, em termos de morbilidade e mortalidade, sob a direcção do Dr. Manuel António Moreira.

– De Profilaxia, necessariamente voltada para o estudo e implementação das necessárias medidas higiénicas e sanitárias destinadas ao combate da tuberculose, presidida pelo Dr. Ricardo Jorge.

– De Divulgação, concentrando todo o trabalho de publicidade e alerta social contra a doença, bem como a difusão dos respectivos intuitos e programas sanitários da A.N.T. nessa luta, sob a orientação e direcção do Dr. Curry Cabral.

Com sede no então designado Instituto da Rainha D. Amélia, na Avenida 24 de Julho em Lisboa, num edifício vizinho do Mercado da Ribeira, só em 1906 ele tomaria o nome definitivo de Assistência Nacional aos Tuberculosos. À sua Comissão Central, como membro fundador e mecenas próximo, com amizade quase ou mesmo íntima, da família real, pertenceu o Dr. António Augusto Carvalho Monteiro, presente em quase todas as reuniões da A.N.T. presididas pela rainha D. Amélia.

Até 1912 a Assistência Nacional aos Tuberculosos, instituição de iniciativa privada actuando no continente, ilhas adjacentes e colónias, inaugurou os seguintes sanatórios mandados edificar por D. Amélia:

Sanatório Marítimo de Outão, inaugurado em 1900.

Sanatório de Carcavelos, inaugurado em 1902.

Sanatório de Sousa Martins (Guarda), inaugurado em 1907.

Sanatório de Portalegre, inaugurado em 1909.

Sanatório do Lumiar (Lisboa), inaugurado em 1912.

Quem mandou edificar esse último sanatório no Lumiar (então zona rural arejada) foi a rainha D. Amélia em 1909, na época designado por Hospital do Repouso de Lisboa[4]. Com a implantação da República em 1910, em 1912 alterou-se o seu nome para Sanatório Popular de Lisboa, e em 1975 foi novamente rebaptizado, desta vez em homenagem ao Professor Doutor Francisco Pulido Valente.

O esforço nacional da rainha e seus pares não foi, porém, bem percebido nem acolhido pela facção republicana da época, talvez encarando-o como acto encapotado de enaltecimento das virtudes sociais da monarquia, talvez sentindo-se ultrapassada no seu humanitarismo laico restrito a grupos sócio-recreativos dispersos, talvez ambas as coisas como se depreende na carta do conhecido escritor e jornalista republicano Alfredo Gallis (1859-1910)[5]:

Il.mo e Ex.mo Sr.

Em resposta ao convite de V. Ex.ª tenho a declarar o seguinte: Aplaudindo e considerando no mais alto, a filantrópica iniciativa de Sua Majestade, a Rainha D. Amélia, para proteger os tuberculosos, em carta aberta escrevi no “Tempo” um artigo dirigido à mesma Augusta Senhora, explicando que essa simpática e benemérita campanha é contrariada nas fontes do mal pelo arquiestúpido procedimento dos nossos governos, carregando de impostos impossíveis as classes pobres, como são do domínio público o facto dos pobres vendedores da feira da ladra, dos feirantes do Lumiar, dos miseráveis donos dos quiosques do capilé, e tudo o mais que se segue. Assim, quanto maiores dificuldades cercarem a vida dos pobres não os deixando alimentar regularmente, respirarem ar de outras moradias e proverem até ao asseio do corpo, mais tuberculosos hão-de haver. O Estado desmancha com a garra esquerda o que a carinhosa Rainha de Portugal constrói com a mão direita. Podem-se curar os tuberculosos que de novo adoecerão da mesma moléstia, apenas regressem à sua vida usual até morrerem.

O meu bom senso diz-me que em frente d´um fisco rapace e cruel, que nada vê e nada atende porque o que quer é dinheiro para gastar em inconfessáveis despesas, não há esforço que sirva, nem caridade que preste. É mesmo muito de crer que os tuberculosos ainda sejam obrigados a selarem o jeito na Receita Eventual.

Ex.mo Sr., conheço o meu país e, pior ainda, a política e os políticos do mesmo.

Sou pobre e trabalho sem descanso. Uma quota anual seria um sacrifício dado de má vontade, porque revolta que o Estado não pense que o pobre tem direito a alimentar-se e a ganhar a vida.

N´estes termos não quero inscrever-me porque não tenho fé nos resultados da alevantada ideia de Sua Majestade, que bem podia dizer ao Governo que nem só os políticos comem carne e precisam de se alimentar na razão directa do que trabalham.

E pedindo desculpa desta rude franqueza

Sou de V. Ex.ª At.to, V.er e Admirador.

Alfredo Gallis.

A carta foi dirigida a um membro da Comissão Central da A.N.T., possivelmente o Dr. Curry Cabral, que convidara o jornalista a tornar-se sócio da mesma, que como se viu recusou. Contudo, e perante o surto imparável da tuberculose que o povo chamava “gripe espanhola”, a República deu continuidade ao projecto preventivo iniciado pela rainha D. Amélia, e fê-lo através do humanitarismo social independente da virtude religiosa, surgindo assim vários institutos oficiais e grupos privados, liderados por capitalistas abastados a maioria afins aos ideais da República e da Maçonaria, que prosseguiram a acção beneficente de assistência à Saúde Pública.

 

NOTAS

 

[1] Augusto da Silva Carvalho, História da Medicina Portuguesa. Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1929.

[2] Apesar da grande campanha de conscientização sobre os perigos da tuberculose e as medidas de prevenção assumida pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, a partir de 1901, foi em Coimbra que se realizou em 1895 o 1.º Congresso dedicado à terrível epidemia, durante o qual o professor Augusto Rocha, realçando a eficácia dos “ares” na cura dessa doença, citou uma frase de Florence Nightingale, suficientemente elucidativa dessa importância: “Para os tísicos, respirar um ar puro é simplesmente respirar a vida”. – In La lutte contre la tuberculose au Portugal. Aperçu historique, Boletim da A.N.T., 4.ª série, volume I, página 17, Setembro de 1937.

[3] Costa Sacadura, A Obra da A. N. aos Tuberculosos e a Rainha D. Amélia através de algumas cartas inéditas. Lisboa, 1949.

[4] António Gonçalves Santiago, A Tuberculose e os Dispensários. Dissertação inaugural na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Impresso pela Casa dos Tipógrafos, Lisboa, 1911.

[5] Alfredo Gallis, Os Decadentes – Tuberculose Social, IV. Livraria Central, Lisboa, 1902.

Deuses da Evolução (Matradevas e Manasaputras) – Por Vitor Manuel Adrião Quarta-feira, Set 30 2020 

Conforme a Lei da Gravitação estabelecida por Newton, ela deve-se à força de atracção entre todas as partículas com massa no Universo, o que subentende a preexistência do electromagnetismo característico de Kundalini, portanto, sendo a atracção provocada do interior para o exterior dos corpos o que igualmente subentende a sua ocacidade e não espessura total, pois se fossem absolutamente espessos a sustentação gravitacional seria impossível devido ao peso da massa fazendo-a cair no vácuo impossibilitando assim a existência tanto da gravitação como da órbita dos corpos sobre si mesmos ou exercendo força de atracção sobre outros menores circulando em seu redor. Mas tal como dois corpos se atraem igualmente se repelem na razão inversa das suas massas, nisto subentendendo-se a pré-existência da electricidade característica de Fohat, esta que dinamiza os corpos e Kundalini que os compacta, atraindo-os e repelindo-os de acordo com a natureza dos seus elementos constitutivos afins ou desafins entre si. Atracção-repulsão como tensão estabelecida é o princípio oculto da gravidade e mesmo do estado gravídico dos corpos geradores de outros da mesma natureza, assim estabelecendo a linha de desenvolvimento e evolução do átomo ao planeta, do Sistema Planetário ao Sistema Solar, deste à constelação e desta à galáxia, mega-galáxia, etc.

As linhas de forças que interligam determinado número de corpos vizinhos todavia mantendo a sua corporalidade distinta, estabelecendo entre eles um limite – “círculo-não-se-passa” – a partir de um ponto central estabelecedor da atracção-repulsão, é definição valendo tanto para um Sistema Planetário em torno do Sol Central como para um Sistema Geográfico irradiado a partir de um Oitavo Centro, por sua vez irradiando para o mesmo, tal qual no corpo humano os sete chakras têm como oitavo o chamado “cardíaco inferior” ou vibhutî. Afinal, o que está em cima é como o que está em baixo, e vice-versa, para a consumação da Grande Obra Universal.

Na cosmovisão dos antigos teólogos greco-latinos que beberam nas fontes teúrgicas de Proclo e Jâmblico, o Universo, a Terra e o Homem são assistidos por nove Coros ou Cortes Espirituais, conceito cosmológico que se mantém no seio cristão das Igrejas Ocidental e Oriental. A sua fonte literária é Dionísio, o Aeropagita, o ateniense membro do Areópago no século I convertido por São Paulo (Actos, 17:34). A sua obra máxima, magnus opus, que cedo tomou foros apostólicos em toda Cristandade, foi o Corpus Aeropagiticum (compreendendo quatro tratados e dez cartas), onde expõe a filosofia cristã pela perspectiva mística e neoplatónica:

1.º Tratado – De Coloesti Hierarchia (Da Hierarquia Celeste). Composto de quinze capítulos, trata das Hierarquias Celestes seguindo um esquema semelhante ao da Theologia Platonica de Proclo, mas tudo devidamente cristianizado.

2.º Tratado – De Ecclesiastica Hierarchia (Da Hierarquia Eclesiástica). Com sete capítulos, descreve e interpreta alegoricamente a liturgia.

3.º Tratado – De Divinis Nominibus (Dos Nomes Divinos). O mais longo dos livros do Corpus, em treze capítulos trata dos Nomes atribuídos a Deus nas Escrituras.

4.º Tratado – De Mystica Theologia (Da Teologia Mística). Em cinco capítulos, refere-se ao conhecimento místico.

1.ª Carta   – Sobre o conhecimento místico.

2.ª Carta – Sobre como Deus está acima do Divino e do Bem.

3.ª Carta   – Trata da divindade oculta de Jesus.

4.ª Carta   – Sobre a encarnação de Jesus, o Homem verdadeiro e Supra-Essencial.

5.ª Carta   – As Trevas Divinas.

6.ª Carta   – Exorta a firmeza na Verdade.

7.ª Carta   – Crítica a alguns sofistas.

8.ª Carta   – Sobre a mansidão.

9.ª Carta   – O simbolismo das Escrituras.

10.ª Carta – A São João Evangelista, no seu exílio na Ilha de Patmos.

A análise crítica desta obra no seu conjunto e o estudo das fontes e influências sofridas, faz com hoje os analistas afastem a hipótese primitiva do autor situar-se no século I da nossa Era como primeiro bispo de Atenas, deslocando-o antes para os finais do século V ou inícios do século VI. Talvez possa ser, ou talvez não, se atender-se à possibilidade de uma obra colectiva de uma Escola de Teurgia Cristã, possivelmente gnóstica neoplatónica, que se imbuiu de inspiração católica desde o século I ao V, sendo Dionísio como assinante o encabeçador de um colectivo anónimo. Motivo po que hoje se chama à sua obra magna de Pseudo-Dionísio. As dúvidas em relação ao autor e à sua inserção cronológica num tempo exacto não invalidam, no entanto, nem atenuam o significado da sua obra, de influência ímpar, que percorre toda a Idade Média, sobretudo a partir da chamada Renascença Carolíngia, e permanece como referência ainda na modernidade.

De Coloesti Hierarchia veio a ser a primeira obra cristã a des-crever os nove Coros Celestes ou Hierarquias Criadoras, muito possivelmente como herança adaptada da religião judaica, já de si saída da egípcia e esta derivada da influência hindu, cujas plagas alcançou durante o seu império. Com tudo, convém frisar que a versão teológica não corresponde inteiramente à descrição teosófica, apesar de ter sido a clássica da espiritualidade e religiosidade medieval greco-latina conformadas ao nócio de Universo Divino. Também convém frisar que mesmo essa absolutamente nada tem em comum com as hodiernas e (sub)urbanas teorias ateístas – por vezes misticistas – do «realismo fantástico», do «conspiracionismo», etc. Fazendo recurso ao Pseudo-Dionísio, foi neste que Dante Alighieri se inspirou para a sua Divina Comédia e Luís de Camões em Os Lusíadas para a “Ilha dos Amores”, sendo os nove Coros Celestes, na versão teológica clássica, os seguintes:

Primeira Esfera ou Ordem (Divina)

Tronos (Serafins)
Querubins
Serafins (Tronos)

Segunda Esfera ou Ordem (Celeste)

Dominações, Domínios ou Senhorios
Virtudes
Potestades, Poderes ou Autoridades

Terceira Esfera ou Ordem (Terrestre)

Arqueus, Principados ou Governantes
Arcanjos ou Arcontes
Anjos ou Mensageiros

A Humanidade no Reino ou Malkuth, Terra, está em formação com mais três Ordens de Vida – Animal, Vegetal, Mineral – dirigidas pelas precedentes Hierarquias Superiores.

Dentro da Ordem das Hierarquias Criadoras presentes no actual Sistema Solar – frutos de evoluções em outros Universos até alcançarem o estado actual em que surgiram no nosso Universo – tem-se na cúspide das mesmas a Tríade constituída pelos Leões de Fogo, Olhos e Ouvidos Alerta e Virgens da Vida, a mesma que o judaico-cristianismo identifica pelos nomes Tronos, Querubins e Serafins (Elohim, “Deuses”), coadjuvando o Logos da Terra em parceria com o Logos Solar (Eloha, “Deus”). Esses Deuses são quem estabelecem as linhas de forças que interligam o nosso Globo – Corpo do Logos – aos restantes Globos do Sistema.

Como Senhores da Vontade ou Poder, os Leões de Fogo identificados aos Tronos eram retratados na forma do leão alado nos templos mesopotâmicos, chamado shedu ou lamassu, geralmente sendo apresentados aos pares (expressivos de Satva, “força centrífuga”, e de Tamas, “força centrípeta”), e assim foram identificados na tradição hebraica como Shedu Araiot, ou seja, Leões de Fogo. A angeologia cristã chamou-os Sede Dei, “Sedes de Deus”, Tronos, como os mais próximos do Logos Criador cuja Grandeza acolhem e transmitem às Hierarquias subsequentes o Esplendor da Divina Omnipotência.

Senhores do Amor-Sabedoria são os Olhos e Ouvidos Alerta ou Querubins, Kuruvins em hebraico. No Tanakh ou Antiga Escritura, assim como também em diversa literatura apócrifa judaica, eles são referidos como representados no figurino do Templo de Jerusalém e na própria Arca da Aliança (Tebah) de Deus com o Homem, e vice-versa, designadamente em I Reis 6:29, I Reis 6:32, I Reis 6:35. A sua tradição remontaria aos Kirub assírios, nome dado aos “touros alados”. Segundo a visão de Ezequiel, os Querubins são Espíritos Cósmicos com quatro asas, duas acima e duas abaixo, e quatro rostos, de touro, de homem, de leão e de águia. Encontram-se imediatamente abaixo dos Tronos e, segundo Ezequiel I:6-23, os seus corpos estão repletos de olhos. Considerados Guardiões e Mensageiros dos Mistérios Divinos, são os transmissores da Sabedoria e como tal expressam a Omnisciência do Eterno. Participando dessa Ominisciência manifestada pelas Quatro Faces Divinas que são os Quatro Maharajas ou Senhores do Karma ou Acção Universal, os Olhos e Ouvidos Alerta, juntamente com as outras duas Hierarquias Superiores, no início da 3.ª Ronda Lunar da presente 4.ª Cadeia Terrestre originaram, estabeleceram por acção de Fohat no Mundo das Leis ou Segundo Trono Celeste 777 formações “corpusculares”, “dévicas” ou “angélicas” que seriam as “Medidas de Deus” desde aí em diante na Cadeia, garantindo a Ordem e a Harmonia no Sistema Planetário até à sua consumação no 7.º Globo da respectiva Ronda, ou sejam os Matra-Devas.

A visão moderna dos Querubins originada no Renascimento (século XVI), dá-os como meninos alados, aspecto anacrónico em parte devendo-se à perda do conhecimento tradicional pelo Judaísmo, facto apontado pelo historiador judeu Flávio Josefo dizendo que a representação dos Querubins estava esquecida já no século I d. C.

Aos Virgens da Vida como Senhores da Actividade Inteligente o judaico-cristianismo dá-os como Serafins, do hebraico Seraf ou Saraf, termos traduzidos de várias maneiras: “Serpente Ardente”, “Áspide Flamejante Alada”, ou então simplesmente “Ser Exaltado ou Altíssimo”. Isso em conformidade à descrição de Isaías 6.1-2: “Cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam. Um dos Serafins voou para mim trazendo na mão uma brasa viva que tirara do altar”. Imediatos aos Querubins participam da Glória, Majestade e Grandeza do Eterno como Omnipresença. É assim que na angeologia o Serafim aparece não só como um Ser que “queima” mas também que “consome” no Amor do Sumo Bem que é o Eterno. No início da 3.º Raça-Mãe Lemuriana da presente 4.ª Ronda Terrestre os Virgens da Vida por acção de Kundalini influíram sobre os Senhores da Mente ou Kumaras que assim geraram 777 Manasaputras, “Filhos da Mente Universal”, destinados a Vasos Insignes de Eleição.

Por tudo isso, os Matra-Devas e Manasaputras são igualmente associados aos Querubins e Serafins, que não o sendo também o são. Estão igualmente presentes no figurino ritualístico da missa católica como Anjo Turiferário (Matra-Deva – Fohat), “o que maneja o turíbulo ou incensório”, e Anjo Turibulário (Manasaputra – Kundalini), “o que porta o fogo do turíbulo”.

Como criações celestiais no Segundo Trono os Matra-Devas vêm a ser as Aves de Arribação destinadas a povoar o Sexto Sistema de Evolução (Ronda) Mercuriano, dos quais já são hoje os Vigilantes Silenciosos desde o mesmo Trono sobre a Terra, motivo porque pertencem à Corte Celeste do Sexto Luzeiro que tomará forma quando o nosso Globo ocupar o espaço hoje ocupado por Mercúrio, ou seja, quando o mesmo Luzeiro Akbel se manifestar nesse futuro Ciclo Cósmico. São os Deuses Alados a quem o Venerável Mestre JHS denominou de Devas do Além-Akasha e Inter-Ishwaras, nisto por no seu conjunto constituírem a Sexta Essência Divina, ou por outras palavras, serem os viáticos, os portadores da Essência do Sexto Ishwara ou Luzeiro para a Terra, assim personificando os raios do Sol Sóis que vibra no Centro do Oitavo Sistema Planetário repercutindo no Oitavo Sistema Geográfico.

Isso mesmo tem assento no ensinamento do Mestre JHS quando disse:

“Matra-Devas são os Seres do Sexto Sistema de Evolução, são Consciências do Sexto Sistema. Eles descem e sobem ciclicamente sob o comando do Excelso Mitra-Deva. São Seres Celestiais. São os Vigilantes Silenciosos do Sexto Sistema. Eles são os viáticos da Essência Divina. No espaço intermediário ou de passagem do trabalho do Quinto para o Sexto Sistemas, os seus corpos físicos permanecerão na região onde se encontra o Centro do Sexto Sistema, senão, no Sistema Geográfico Sul-Mineiro, no Templo do Caijah.”

Em número de 777+111 manifestam-se ciclicamente sobre na Cadeia Terrestre – “estando o Céu na Terra” – logo volvendo ao Pombal Celeste, como aconteceu já nesta 4.ª Ronda às 15 horas de 9 de Maio de 1948, onde em revoada majestosa de Anjos desceram do Céu perpassando a Face da Terra em São Lourenço no Sul de Minas Gerais, Brasil, impactando nos Munindras seus representantes, indo pousar no Seio da Terra, no Templo de Caijah no Duat, cuja vibração repercutiu nos Manasaputras que despertaram momentaneamente do seu Sono Espiritual (Paranispânico) em Shamballah. Com isso, deu-se um tremendo e sensível impulso na evolução planetária tendo como consequência positiva a definitiva firmação da 4.ª Hierarquia Humana (Jiva) na Terra, às 18:15 horas de 1 de Julho de 1948, podendo desde aí considerar-se definivamente formada fisicamente e começar a formar-se espiritualmente, ou seja, a desenvolver a sua Tríade Superior Atmã – Budhi – Manas Arrupa, princípios afinal constituindo a imperecível Mónada Humana.

Eis o Trabalho dos Deuses Alados do futuro Sexto Sistema Atabimânico (Atmã-Budhi-Manas) no presente Quarto Sistema Jiva, garantindo a evolução deste para os futuros páramos da condição celestial. Tudo graças à acção dos Matra-Devas como produções das três primeiras Hierarquias Criadoras que dentre as novas subsequentes (com três formação – Animal, Vegetal e Mineral) a nona é a mesma Humana, mesmo sendo a quarta dentre as quatro em manifestação no 4.º Sistema que dão as suas substâncias à constituição dessa última: os Assuras (Arqueus) fornecendo a substância aérea mental, os Agnisvattas (Arcanjos) a substância ígnea emocional, os Barishads (Anjos) a substância aquosa vital, e finalmente os Jivas (Homens) como produto físico das três.

O maravilhoso acontecimento da manifestação periódica dos Matra-Devas levado a bom termo no ano citado, tem importante significado cabalístico. Com efeito, o 9 do dia, mais o 5 do mês e mais o 22 da soma dos algarismos do ano, é igual a 36, ou seja, a 9.ª Hierarquia Criadora Humana agindo em 4 Planos ou Mundos (Mental, Emocional, Vital, Físico) dá 36. Juntando os algarismos 3 e 9 (a Suprema Tríade comandando a Nona Hierarquia Criadora) tem-se o número 39, sagrado para os cabalistas judeus como se repara quando os rabinos o referem: 38+1 ou 40-1 = 39.

Segundo Sebastião Vieira Vidal (Séries Cadete e Vida Interna), o significado filológico sânscrito de Matra-Deva é o seguinte:

MATRA – Medida, igualmente brevíssimo período de tempo aplicado à duração de um som. Assim, significa tanto a medida como o limite de duração. Expressa a manifestação da Divindade em três Medidas ou Planos correspondentes a Atmã – Budhi – Manas, equivalentes aos vedantinos Adi-Bhuta – Adi-Daiva – Adi-Yajna, respectivamente o “Primeiro Ser”, a “Suprema Divindade”, o “Supremo Sacrifício”, correspondendo à manifestação do Mundo da Forma.

DEVA – da raiz Div, “brilhante”, resplandecente, luminoso, etc. Referindo-se a um Ser Superior, Deva como adjectivo tem o sentido de divino, glorioso, magnífico, etc.

MITRA-DEVA – Corresponde ao Aspecto mais denso do Budha Celeste Maitreya, como seja o Budha Terrestre Mitra-Deva à dianteira da Corte de Matra-Devas, ainda que a Maya Budhista leve a confundi-Lo com o próprio Maitreya, que mesmo o sendo na Essência não o é na Manifestação. Trata-se do mesmo Muira Curuç Idathã dos antigos tupis-guaranis.

Donde um Livro Oracular da Biblioteca do Mundo de Badagas, como seja o Livro do Ciclo dos Avataras, dizer:

“Mitra-Deva virá cercada de Assuras Luminosos (Matra-Devas). E se reflectirá nas três Regiões que se completam, por serem o Ninho onde dorme a Ave de Hamsa. No começo nem todos O reconhecerão, mas depois o seu Irmão Terreno tomará o seu lugar para que o Trono de Deus se firme na Terra.”

Esse Irmão ou Aspecto inferior de Mitra-Deva será o Bodhisattva Akdorge, o mais próximo de Rabi-Muni que é o Chefe dos Manasaputras Adormecidos em Shamballah, os mesmos Filhos da Mente Universal.

Criações dos Kumaras pelo Poder Místico Psicomental de Kriya-Shakti na terceira Raça-Mãe Lemuriana, os 777+111 Manasaputras foram inicialmente destinados a Vasos de Eleição das Mónadas Numeradas dos Makaras que entretanto se manifestavam no Plano Físico e para isso necessitavam de veículos da natureza do mesmo, eles como os Eus Superiores dos Munindras suas personalidades, filhos futuros discípulos daqueles Bhante-Jauls, “Irmãos de Pureza”, que viriam a constituir a antiga Ordem do Dragão de Ouro, a Sudha-Dharma-Mandalam ou Grande Loja Branca, por outra, o Governo Oculto do Mundo (G.O.M.).

O Venerável Mestre JHS identificou os Manasaputras como Devas do Aquém-Akasha e Inter-Planetários, isto é, os que se acham entre os Ishwaras (Logos das Cadeias) e os Kumaras (Planetários das Rondas), exercendo grande influência na grande massa humana, na Humanidade através dos Mahatmas ou Adeptos Perfeitos, os “Grandes Espíritos” (Maha+Atma) humanizados. São eles quem constroem o Quinto Sistema de Evolução Bimânico (Budhi-Manas), e para os impulsionar, ao mesmo tempo edificando o Sexto Sistema, manifestam-se periodicamente os Matra-Devas, estes as “Medidas de Fohat”, aqueles as “Medidas de Kundalini” – a Luz Celeste e o Fogo Terrestre – com que se reveste o Quinto Luzeiro Arabel, o Deus da “Ara de Luz”, Logos da futura Cadeia de Vénus imediata à da Terra.

De maneira que os Matra-Devas manifestaram-se depois dos Kumaras e dos Manasaputras, em guisa de reforço a esses. Manifestaram-se primeiro 111 na Lemúria, os demais tendo-o feito noutros ciclos, acompanhando o Sexto Senhor Akbel indo constituir, como disse, a primitiva Ordem do Dragão de Ouro, animal mítico no caso associado à Esfinge, outro animal mitológico na ocasião animado pelo mesmo Senhor antes o abandonar à petrificação nas areias quentes do deserto hoje africano, narram as crónicas ocultas.

Esses 111 logo se desdobraram em 222 como aspectos duais acompanhando o seu Senhor Sexto-Theo, dando início à Árvore Genealógica dos Kabires ou Kumaras, descritiva da Família Espiritual agindo na Terra por Mónadas Humanas Numeradas previamente selecionadas por suas evolução e aprimoramento.

Na Atlântida, quando ainda não haviam Sistemas Geográficos e tão-só um esboço dos mesmos nos sete mais um cantões dessa 4.ª Raça-Mãe, os Matra-Devas passaram a vibrar nos Manasaputras desde o Segundo Mundo Celeste no Terceiro Mundo Terrestre, o que geometricamente equivale à circulação do quadrado, à utilização plena da Matéria sob o nócio do Espírito. Sobre isto, há um sublime trecho do Livro dos Manus-Reis, da Biblioteca de Badagas, que diz:

“Os “Filhos da Luz” são assim chamados porque se engendram e emanam daquele Oceano Infinito de Luz (Substância Universal, Svabhâvat), do qual um dos Pólos é o Espírito Puro (Purusha), perdido no Absoluto do Não-Ser, e o outro dele é a Matéria (Prakriti) na qual se condensa, cristalizando-se, à medida que desce, no tipo mais grosseiro.”

Conclui-se que “os Devas do Além-Akasha, os Matra-Devas, expressam a Essência, o Espírito, e os Manasaputras os Corpos Físicos. Por isso, despertam quando aqueles descem. Os demais Devas são os mensageiros, os elementos inspiradores de demais seres em evolução. O Devas expressam o Poder de Fohat e os Corpos Físicos Eucarísticos desses Seres o Poder de Kundalini”, disse o teósofo Sebastião Vieira Vidal. E acrescentou: “De maneira análoga, existem também Seres de categorias diferentes fazendo a ligação entre Shamballah e Agharta, entre esta e o Mundo de Duat e entre este e o Mundo dos Badagas – Face da Terra. Por isso, o nosso Supremo Dirigente JHS faz referências aos Dhyanis de Agharta e aos Dharanis de outras categorias”…

Pode-se, pois, afirmar consonante a Yoga Universal legada pelo Mestre JHS que os Matra-Devas, como Fogo da Imortalidade (Agni-Meru ou Agamehrú), expressam o Poder de Expansão, a Expansão de Deus, enquanto os Manasaputras, como Fogo da Lei (Agni-Dharma), o Poder de Condensação, de Entronização, o Trono de Deus.

Só desde o final da Atlântida começaram as manifestações avatáricas, determinando a Lei que a Divindade fosse acompanhada por Matra-Devas em revoadas cíclicas, ocupando os Vasos de Eleição ou Manasaputras em subidas e descidas igualmente periódicas.

Revelou JHS no seu Livro da Pedra (1951):

“Na 3.ª Raça-Mãe chega o período andrógino (em separado), pois antes os seres nasciam indistintamente como macho-fêmea, enquanto não gerados em forma uterina… Coube aos Kumaras (Filhos de Mahat ou Mente Universal) o papel de dar a esses mesmos seres o Mental e o Sexo. Os primeiros desses Seres, em número de 777, donde saíram os demais, receberam o nome teogónico de Manasaputras, “Filhos do Mental”, algo assim como se dissesse “Filhos dos Filhos ou Representantes da Mente Universal”: uma primeira produção físico-manásica surgida da Mente dos referidos Seres, cada um deles sob o influxo poderoso do próprio termo Mahat. Desse modo nasceu o Maha-Atma (Mahatma) ou “Grande Alma” (Espírito). Ninguém sabe que – em verdade – tais Seres são os intermediários dos Imortalizados na Face da Terra para os referidos Corpos Imortais dos Manasaputras, os Adormecidos cíclicos, ou os figurados no Arcano XX, “O Julgamento”, o Juízo Final, mas este o da passagem de um ciclo final para o outro inicial, como agora mesmo acontece… e que teve por fenómeno principal, com a abertura do Akasha, a descida dos Matra-Devas, ou Anjos da Medida do ciclo actual, conduzindo a Essência Divina para aqueles referidos Seres, mas tocando antes, como na Noite de Pentecostes, a todos os Munindras presentes.”

Falando sobre esses Adormecidos, disse o teósofo António Castaño Ferreira, Coluna J (da Sabedoria) de JHS:

“Assim, um Andrógino (Manasaputra) cria um homem e uma mulher, um Casal Divino, que são os Gémeos Espirituais em acção na Terra, como acontece actualmente. No período dessa acção são trabalhadas mais outras dualidades, que vão se afinando, se aperfeiçoando, até que constituam uma “Alma Grupo” composta de 5 Seres, simbolicamente representados.

“Portanto, são 5 Seres manifestados, activos, trabalhados por 2 que representam o Pai-Mãe (ou seja, 7 Kumaras em acção, 5 no Plano Objectivo e 2 no Subjectivo expressando o Eterno em sua expressão Dual). 22 desses grupos dão o número cabalístico 110 (22×5 = 110). São 110 Criaturas que, unificadas ao Pai-Mãe, formam uma Linha composta de 111 Seres. Sete desses trabalhados dão (geram, desdobram-se) 777 Seres, que enblobam a totalidade de um Pramantha (Ciclo de Manifestação).

“Mas, por que 5 grupos?

“Há uma razão cósmica, pois estamos ligados a Vénus que expressa o 5.º Sistema e também o 5.º Princípio. Somos algo muito mais subtil. Vénus é a Quinta Essência das coisas. Liga as cinco forças sensíveis exteriores (Tatvas, “elementos subtis da Natureza” – Akasha, Vayu, Tejas, Apas, Pritivi, ou seja, Éter, Ar, Fogo, Água, Terra) às energias altamente refinadas de Budhi e Atmã, que são o Duplo Dragão, a Dupla Chama inseparável.

“O Pramantha tem como direcção a seguinte constituição: na Agharta encontram-se Baal-Bey (Júpiter) e o seu aspecto feminino Baal-Mirah ou Allah-Mirah (Saturno).

“No Mundo de Duat actuam Ka-Tao-Bey e Ata-Muray. O símbolo de Ka-Tao-Bey corresponde, na linguagem iniciática, ao “Aum”; o de Ata-Muray é o de “Om-Kara-Pranava”.

“Há no céu uma polarização das Forças Cósmicas. São os dois Pólos magnéticos localizados em duas constelações. Na constelação dos Rishis (Ursa Maior), no Pólo Norte, e na constelação das Plêiades (Krittikas), no Pólo Sul. O primeiro relaciona-se com o aspecto Masculino (Fohat) e o segundo com o aspecto Feminino (Kundalini). Através desses Centros o Verbo Solar age sobre Shamballah, onde desperta os Manasaputras.”

Se não fossem os percalços kármicos havidos desde a Raça Lemuriana – quando o Homem tomou noção de si vendo-se dotado de livre-arbítrio para a execução do bem ou do mal – que alteraram a normalidade da marcha evolucional, ter-se-ia na formação de um Pramantha numa Raça-Mãe 111 Manasaputras despertos, e no final da Ronda todos os 777 Manasaputras activos. O reinado de cada um desses Manasaputras primordial é demarcado por um Ano Sideral de 27.000 anos, o tempo necessário para a formação de um Pramantha. Em cada um destes formam-se também 777 Mahatmas.

Numa primeira fase da estruturação de um novo Ciclo, é criada a primeira Parelha Divina (Adam-Heve) pelo Adormecido despertado do seu sono Paranispânico (Paranirvânico, Monádico). Essa Parelha ou Gémeos Espirituais (mais a Essência Espiritual Única que os anima – donde as Escrituras Sagradas falarem em “Três Pessoas distintas e Uma só verdadeira”) vai dar origem a um novo Pramantha. Daí a revelação do mistério de Melki-Tsedek, o Rei de Salém, o Senhor da Justiça Universal entronizado na Paz e Glória da Cidade Santa de Shamballah. Quando se diz que não tem genealogia é por ser um Adormecido Andrógino, que despertando periodicamente no Ciclo usa da Graça Divina (Poder de Kriya-Shakti) para gerar a sua Hierarquia ou Corte (de Mahatmas e Munindras), e também não tem genealogia por ter sido criado directamente pelo Poder Criador do Logos. Falando a respeito deste grande mistério, assim se expressou António Castaño Ferreira:

“O Adormecido, quando desperto, cria 777 corpos imaculados como o dele próprio, pois Ele é o paradigma de todo o processo evolucional. Isto é, cada Manasaputra primordial cria 777 corpos que vão constituir aqueles Seres que nós conhecemos como Mahatmas. São criados tantos Mahatmas quanto os Manasaputras.

“Os Adormecidos estão em Shamballah, os Mahatmas no Mundo de Duat e os Adeptos da Boa Lei (Munindras) na Face da Terra. Os Mahatmas de cada Pramantha trabalham e preparam o seu substituto para o Pramantha subsequente. Isto feito, descem para Agharta, pois nada têm a ver com os homens.

“Todos os Adormecidos, quando se manifestam ciclicamente na Terra, criam um Pramantha, o que aliás nos faz lembrar as Dinastias Divinas. Todos esses representantes dos Adormecidos surgem como Manus guiando o seu povo, a sua gente, para as terras privilegiadas, Terras da Promissão, etc.”

De maneira que este Quarto Sistema de Atlasbel é dirigido pelos Mahatmas e Munindras, cujo Vasos Insignes são os Manasaputras, tendo Akdorge na cumeeira da Evolução Jiva. Já aí estão germinalmente os núcleos dos Quinto e Sexto Sistemas, fundados por Akbel no dia 20 de Março de 1963.

O termo Munindra derivado do sânscrito Muni, “Sábio e Santo”, foi dado pelo Mestre JHS aos Discípulos avançados da sua Obra. Decompõe-se em Muni+Indra, “Filho do Fogo”, sendo um “pequeno Muni” ou “filho do Muni”, por outra, a expressão ou manifestação do seu Eu Superior que é o Makara assinalado no Mahatma. Corresponde ao Matratmã ou a “Medida do Atmã” que, quando encarnado individualmente no Mundo Humano, possui a designação aghartina Matradjit ou Matradit, a “Medida do Atmã manifestado”. Manifestam-se no mundo dos homens comuns tomando as suas aparências para, terminada a sua missão, volverem à sua Origem Divina, à sua Hierarquia de Mahatmas (Duat) e Manasaputras (Shamballah), sendo absorvidos por estes.

Sobre isso, proferiu o Mestre JHS em 1950 no Templo de Maitreya (Mitra-Sherim, “Louvado seja o Deus Mitra”), em São Lourenço (MG):

“Com o nosso sentimento do mais puro amor, respeito e extrema admiração, exaltemos este Templo. Que é o divino Lugar, que é a Síntese vital de todos os interesses construtivos que a Lei faculta aos seres da Terra, como ponto, como base para a sua salvação no presente Ciclo! Que é o Lugar da permanente conservação de tudo quanto diz respeito à nossa Obra. Que não é Lugar de adoração e sim de realização, do despertar da Consciência Superior. Que é neste Templo onde se mantém o esplendor dos Devas Matratmãs pelos Matradit (Munindras).”

Como diz o Mestre JHS no Livro do Graal (1950) e repete no Livro da Pedra (1951), o Munindra é o “Animal Místico” criação do seu Muni ou Makara, dotado das cores de Satva (Espírito) e de Rajas (Alma) fazendo parte das 888 Mónadas Numeradas logo ao início da Evolução Terrestre destinadas a cumeira consciencial da mesma, selecionadas pelo Quinto Senhor (Vénus) e dirigidas pelo Sexto Senhor (Mercúrio). Humanamente constituíam a Corte, a Família Espiritual JHS.

Vem daí a catequese tradicional de todos terem o seu “Anjo da Guarda”, sobretudo as crianças. Maneira piedosa e grácil, simples e confessional, inspirada nesta outra mistérica das Mónadas Numeradas e dos seus Vasos de Eleição (os mesmos “Santos Mortos despertando, ressuscitando e saindo dos seus túmulos memoriais” no momento da expiração de Cristo entretanto descendo ao Seio da Terra como Ave de Arribação, conforme Mateus 27:51-53). Seja como for, todo o homem tem o seu guia espiritual humano afim ao mesmo por motivos kármicos que os enlaçam, tal como igualmente possui o seu Anjo da Maternidade, da classe dos Barishads envolvidos na reencarnação dos homens.

Com elevada responsabilidade moral e ética perante a Humanidade, os Munindras vêm a ser nesta 5.ª Raça-Mãe Ariana os Vigilantes Silenciosos da 6.ª Raça-Mãe Bimânica, motivo por que funcionam e acompanham o Deus Vivo Indra, corporização do Akasha Universal, afinal o Senhor Akbel do 6.º Sistema, na Face da Terra, esteja Ele presente ou ausente, contudo sempre presente nas suas Revelações do Ciclo. Tendo como Vasos de Eleição os Manasaputras, as suas Móndas vêm a ser as projecções, as animações estelares ou espirituais dos Matra-Devas desde o início da Ronda Terrestre. Estando na Face da Terra como membros adiantados da Obra do Eterno, vêm a ser os verdadeiros Sacerdotes de Deus (Kadosh, “consagrados”) de que falam os textos sagrados. São o garante, a solução da Evolução futura.

Faço aqui uma ressalva: saiba-se distinguir entre o Munindra simbólico e o Munindra real, verdadeiramente integrado ao seu Mestre sendo a sua expressão viva entre os homens. Como o saber distinguir? Sabendo apreciar a árvore pelos seus frutos, pelas suas obras.

Isso leva-me a várias questões pertinentes à evolução da Humanidade e ao seu modo de vida inter-relacionada  à do Munindra, que Sebastião Vieira Vidal (Série Akbel – NPL) aponta e descreve com mestria:

“Em Agharta e Duat há o predomínio de Satva (Energia Espiritual) ligada a Rajas (Energia Psicomental) dando como resultado a Razão, o entendimento claro das coisas.

“Na Face da Terra há Rajas ligada a Tamas (Energia Material) prevalecendo esta última, por isso a nossa Humanidade é feroz, vive em contendas, disputas, em eterna concorrência… Os seus componentes vivem concorrendo uns com os outros, a fim de ganhar o seu pão e o do vizinho. São egocêntricos, só pensam em satisfazer os seus próprios desejos. Para destruir as más nidhanas (desejos) dos seres da Terra, o Cristo, como Bodhisattva (Budha de Compaixão, Ser Iluminado pelo Amor-Sabedoria), disse: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS”. Isto quer dizer: “Homens! Deixai de ser animais, porque o vosso vizinho também é filho do nosso Pai”. E o Cristo, sendo um Bodhisattva, na sua constituição psicomental predominava a qualidade Satva, eis porque usou a maneira de falar do Céu, usou a linguagem doce do Segundo Trono: “Amai-vos uns aos outros”.

“AMAR – Na linguagem do Segundo Trono tem o sentido de AMOR UNIVERSAL, Construção, Skandhas (tendências positivas), Fraternidade Humana, Respeito, Veneração e criação de condições para que os seres da Terra possam defrontar-se com o Deus Supremo. Quem AMA no sentido universal adquire a “ÉTICA RACIONAL”, a “ÉTICA DEIFICA”, a fim de promover o aprimoramento da Estética, da forma física harmónica e bela. O aprimoramento da forma física acompanha o ritmo da grandeza espiritual.

“O amor do ponto de vista humano, do ponto de vista sexual, é bem diferente daquele outro. Torna-se absorvente, egoísta, alucinante, agressivo, manifesta-se com violência, dá aos seres da Terra o senso de propriedade das coisas, até dos seus entes queridos. O acúmulo de idhanas permite aos seres da Terra perderem a sensibilidade superior, refinada, e com isso perdem também o senso do sentido de respeitar, venerar, admirar e compreender as palavras, os actos e atitudes do Deus Supremo manifestado em vários Planos. Logo precisam, para se dirigir, de regulamentos, códigos, regras, constituições, leis… Funcionam na base das gónadas, da paixão, do instinto, do sexo, da luxúria, do prazer físico. Se é homem diz que gosta de mulheres, mas em verdade só gosta dele, vendo na mulher um elemento para o seu gozo, para expandir os seus instintos… Em verdade, ele gosta é dele… e o mesmo acontece com o sexo oposto.

“Os que vivem mergulhados no exagero do sexo, orgias, bebidas, entram num desritmo, envelhecem, tomam aspectos irritantes; as fisionomias degradam, perdem o bom humor, animalizam-se. Observamo-lhes também a desarmonia das posturas no ritmo desenfreado dos ritos inferiores. A preocupação é perverter a Estética, destruir a Harmonia, tomar falsos deuses pelos verdadeiros.

“De modo que as skandhas e nidhanas, o ritmo e o desritmo, o pólo positivo e o pólo negativo da evolução da Mónada Humana, estão baseadas na combinação das três qualidades da Matéria ou da Energia Universal:

SATVA – Vontade – Sol Espiritual – Cabeça – Epífise e Hipófise (1)
RAJAS – Mente – Sol Psicomental – Coração – Timo
TAMAS – Emoção – Sol Físico – órgãos procriadores – Gónadas (2)

(1) Razão – Skandhas, inteligência, amor universal.
(2) Paixão – Nidhanas, instinto, paixão sexual.

(Bilis – Fleuma – Ojas, relacionados, respectivamente, com o fígado, baço e pâncreas)

“A vida quotidiana dos Munindras, naturalmente no mundo dos homens imperfeitos, para ganhar o pão com o suor do rosto, para ganhar a vida no torvelinho das paixões, da concorrência, permite-lhes gerar Rajas e Tamas, às vezes prevalecendo esta última, cujo resultado se manifesta ou aparece como a acção do ódio, da vaidade, das ilusões dos sentidos, como brigas, presunção, egoísmo… complexo de superioridade… falsa fraternidade…

“De maneira que os Munindras têm como escopo o desenvolvimento do binómio epífise e hipófise, ligando-o ao timo (coração), a fim de puderem volver ao estado de pureza, da espontaneidade da criança.

“Sim, na criança a ideia é espontânea, a vida é simples, o Deus Supremo sopra-lhes nos ouvidos e nas narinas. Os adultos, com as suas nidhanas cristalizadas, com a personalidade distorcida e coberta de preconceitos, longe da Verdade, modificam o curso das energias vindas do Eu, de Deus, que lhes são projectadas.

“As crianças educadas, habituadas a ouvir música erudita, a apreciar quadros de bons artistas, a tomar conhecimento da vida da Natureza através dos animais e plantas, a tomar parte ás vezes no trabalho dos adultos, com estes fingindo que elas os estão ajudando, passam a ter, naturalmente, interesses nobres, a sentir a grandeza dos outros Reinos, os seus corações passam a pulsar com o coração da Natureza.

“Se são educadas ao desritmo da vida, ouvindo música de má qualidade, excitante, lendo novelas que exploram acções de mau carácter, num ambiente de perversões sexuais, imorais, se lêem subliteratura mórbida, passam a ter também interesses inferiores. Perdem a noção do que é perfeito. Passam a detestar a arte, a literatura, a filosofia. Prendem-se apenas aos interesses que lhes proporcionem ganhar dinheiro para satisfação da luxúria do sexo, das coisas destruidoras da Natureza.

“Se se pudesse manter uma verdadeira Escola Eubiótica, crianças e jovens teriam interesses nobres, o desenvolvimento do espírito, do cérebro e do coração. Pela educação aprimorada saberiam discernir o que é bom do que é mau, atraídos pelo belo e pelo digno, e as perversões seriam naturalmente anuladas. Aliás, a mocidade de hoje tem interesses nobres, tem óptimas concepções da vida nos seus vários sectores, mas o sistema de educar prejudica, quando não destrói esses interesses nobres da mocidade.

“Os seres da Terra que tomaram a Essência Divina através da Arte, da Cultura, da Filosofia, da Fraternidade, da alegria jovial de um pensamento claro, não conseguem viver presos aos algozes do enquadramento estreito e rígido. Procuram viver a vida espontânea que lhes oferece a Mãe Natureza. Desejam e procuram executar os seus desejos, objectivam os seus sentimentos de acordo com o seu estado interior. Os que procuram viver sob as vibrações da Voz Sábia do Avatara (Manifestação do Espírito de Verdade), as suas fisionomias tornam-se harmónicas, serenas, suaves, os seus olhos falam a linguagem doce do Segundo Trono, os seus olhares transmitem vida, saúde, alegria, vigor…

“Os Rituais, os estudos das Revelações e o Trabalho para o Mundo no sentido de fazer despertar nos seres da Terra as Skandhas, o Deus Interior, fazem condensar na Obra do Eterno as Energias ou qualidades da Matéria – Satva, Rajas, Tamas – permitindo aos Munindras desenvolverem a Razão, a Suprema Inteligência.

“Conforme já dissemos, na criatura humana predomina a energia Tamas (centrípeta, material). De modo que psiquicamente o Homem é aleijado, incompleto, cheio de carências, enfim, é frustrado. A frustração humana promove agressões, hostilidades em forma de ciúmes e inveja. E após essas duas formas de agressão surge a vingança, e vem a seguir o desejo de destruir, de matar, de desmoralizar os que agem positivamente.

“Se os Adeptos Perfeitos não agissem incognitamente seriam destruídos pelos homens, e até pelos seus discípulos. Há vários casos na História da Evolução Humana em que os discípulos mataram os seus Mestres.

“Graças às frustrações humanas encontramos o comportamento agressivo em animais, crianças e adultos, quando o desejo ou a necessidade é frustrado. E esse comportamento agressivo constitui uma tentativa, se bem que às vezes fútil e inútil, de alcançar o objectivo frustrado pelo uso da violência. Mas o que se tem aqui em mente por desmoronamento da Fé?

“Uma criança principia a vida com Fé na bondade, no amor, na justiça. Sim, o bebé tem Fé nos seios maternos, na presteza da mão para cobri-lo quando tem frio, para confortá-lo quando está doente. Esta Fé pode ser Fé no pai, na mãe, num dos avós ou em qualquer outra pessoa a ele chegada, e também pode ser Fé expressa em Deus. Em muitos indivíduos essa Fé é deitada abaixo na tenra idade: a criança ouve o pai mentir em assunto importante, vê-o acobardar-se perante a mãe a fim dela se apaziguar, mas sempre pronto para traí-la, assiste às relações sexuais dos pais e pode acabar concebendo os pais como animais brutos, sente-se infeliz e assustada, e nenhum dos pais, supostamente interessados nela, repara nisso, e mesmo que lhe falem não lhe prestam qualquer atenção. Há muitos casos em que a Fé inicial no amor, verdade e justiça dos pais é abalada, e também às vezes, em criança, na religião, a perda da Fé refere-se directamente a Deus. Pois bem, uma criança sente a morte de um passarinho de que gosta, de um amigo ou de uma irmã, e a sua Fé em Deus como Ser bom e justo fica desmoronada. É sempre a Fé na vida, a possibilidade de confiar nesta, de confiança nela, que se rompe. Está claro que toda a criança passa por uma série de desilusões, mas o que conta é a pungência e gravidade de determinado desapontamento.

“Muitas vezes essa primeira e crucial experiência do desmoronamento da Fé tem lugar na tenra idade, aos quatro, cinco, seis anos de idade ou anté antes, num período da vida de que se guarda escassa lembrança. Outros vezes isso ocorre em idade muito posterior, ao ser atraiçoado(a) por um(a) amigo(a), namorado(a), professor, líder político ou religioso em quem se confiava muito. Raramente é uma ocorrência única, mas antes diversas pequenas experiências que cumulativamente fazem a Fé de uma pessoa vir abaixo.

“As reacções a tais experiências variam. Uma pessoa pode reagir perdendo a dependência face a pessoa em particular que a desapontou, tornando-se mais independente e capaz de encontrar novos(as) amigos(as), mestres ou pessoas amadas em quem confie e tenha Fé. Esta é a reacção mais comum aos desapontamentos prematuros. Em muitos casos a pessoa pode permanecer céptica à espera de um milagre que lhe restaure a Fé. Experimenta pessoas constantemente, e quando desapontada de novo experimenta outras ou se atira nos braços de uma autoridade poderosa, como a Igreja Católica, por exemplo.

“Sim, uma pessoa profundamente ludibriada passa a odiar a vida. Pois bem, a responsabilidade do Instrutor é muito grande para evitar o desmoronamento da Fé, da confiança, antes dos discípulos terem um firme discernimento. Por isso, deve dar bons exemplos e não maus. Uma pessoa pode matar moralmente muitas criaturas humanas.

“Os grandes perigos na nossa Obra são as atitudes, comportamentos, injustiças, intrigas e tudo o mais que não condiz com a posição de Instrutor. Não se pode manter perante a massa, a colectividade, a violência e a imposição. Os que não conseguem continuar a manter o padrão de JHS, procuram destruir os que o mantêm. Como não conseguem manter a Filosofia de Akbel, procuram inventar derivantes, aplicando os diversos tipos de violência. Se há um excelente concerto musical, inventam uma feijoada azeda para atrapalhar a acção positiva.

“Os regimes rígidos com pena de expulsão dos discípulos, ao invés de um método de ajustamento perfeito, são verdadeiros assassinatos psíquicos, desejos de destruição.

“A falta de liberdade de pensamento, os métodos de ensino tolhendo o desabrochar da potência mental dos jovens, mantendo atitudes prejudiciais ao seu desenvolvimento e evitando que tenham as suas próprias experiências de acordo com o estado de ser de cada um – de acordo com o ciclo –, tudo isso representa agressividade e assassinato das ideias alheias, da capacidade de outrem.

“Os que estão com o subconsciente cheio de ideias impuras, destruidoras, e sentem a morte física, psíquica e espiritual, ficam tomados de grande pavor, por isso usam vários tipos de violência… e para compensar as suas frustrações passam a destruir a liberdade, os movimentos evolucionais, promovendo nos outros a tristeza, proibindo a acção promovedora da alegria, as promoções positivas…

“Procuram padronizar a inteligência dos outros pela sua, procuram pesar a evolução dos outros, a potência dos outros, pela sua, que afinal é bastante inferior.

“Consideram verdade tudo e só aquilo que se acha empedernido em seu cérebro. São os “São Tomés”. Precisam de ver para crer porque não têm inteligência para compreender (excesso de nidhanas negativas).

“Se é corrupto, exige dos outros a não corrupção. Transformar esses tipos em bons e susceptíveis de aperfeiçoamento, é muito difícil. Nem Brahma o consegue. Como lhes falta a inteligência divina, criadora, filosófica, agem com a inteligência industrializada. Sim, a inteligência e o carácter tornam-se padronizados pelo papel crescente dos testes que selecionam os medíocres e timoratos ao invés dos originais e audazes. Isso nos permite ter a diferença entre a capacidade produtiva do Génio e a do Homem-Máquina.

“Disse JHS em seu livro O Verdadeiro Caminho da Iniciação:

“À medida que avança a História, vê-se deslocar a Hierarquia Universal, a multiplicidade dos Cismas a prejudicar cada vez mais a Unidade primitiva, e de sob as ruínas dos grandes Colégios de Magos – esses Centros oficiais de Alta Iniciação Física, Psíquica e Mental donde outrora irradiava sobre o mundo pacífico a calor e luz dos Adeptos individuais – surgir a verdade deturpada.”

“Sim, se não adquirirmos convicções morais, iniciáticas, muito mais completas e profundas, todas as tentativas de reformas e conciliação social além de ilusórias concorrerão para aumentar a desordem. O interessante é ver o Cordeiro e o Lobo se banhando no orvalho da mesma relva, após uma madrugada risonha e feliz bafejada pela brisa fresca e suave do Mundo dos Jinas… BIJAM.”

O Quinto Sistema de Arabel assinalado nos Manasaputras chefiados por Rabi-Muni tem na cumeeira da Evolução Bimânica os já hoje Dhyanis-Budhas, do Principado do Oriente e do Potentado do Ocidente, formando a teia evolucional da Aranha d´Ouro.

O Sexto Sistema de Akbel é povoado pelos Matra-Devas dirigidos por Mitra-Deva, dando abertura aos Sétimo e Oitavo Sistemas, como sejam o de Astarbel ou Satya-Bel e o do mesmo Suryaj Onim tomando feição em Akbel.

Ao Quarto Sistema Planetário corresponde o Sistema Geográfico do Oriente demarcado por Srinagar (englobando a Austrália e o Egipto). Ao Quinto Sistema Planetário corresponde o Sistema Geográfico do Ocidente demarcado por Sintra (tocando o Sul e Norte de África por um lado, e o Norte do Brasil por outro, como seja Mato Grosso – Roncador de Xavantina). Ao Sexto Sistema Planetário corresponde o Sistema Geográfico do Extremo-Ocidente delineado por São Lourenço (incorporando a América do Norte, o Peru e o México).

Todos estes mistérios de Tempo e Espaço, de círculo e de quadrado, de Sistemas Sideral e Terrestre, de Matra-Devas e Manasaputras, de Cosmogénese e Antropogénese, vêm a estar presentes no significado iniciático do esquadro e compasso da Maçonaria, o que vai muito bem com o seu sentido de Obreira, de Construtora, como se depreende no esquema seguinte:

Para encerrar, brindo o respeitável leitor com as palavras divinas proferidas Akdorge e Mitra-Deva, no dia 10 de Fevereiro de 1948.

Akdorge:

“Aprendei a fazer de vossos corações Jóias preciosas, para que não vos envergonheis de dizer que neles está a Divindade!

“Acumulai em vossas Mentes a Sabedoria que se oferece neste Templo!

“Onde quer que estejais, vós sois a Obra, o Fogo sagrado que foi alimentado pela Mãe Universal!…”

Mitra-Deva:

“O vosso amor e dedicação atraíram-me para aqui, onde estamos todos reunidos, como se estivéssemos em baixo, sob a égide do Tetragramaton. Não vos abençoo porque abençoados já fostes pelo meu Pai Terreno, pelos seus Valores Manúsicos, ao lado de minha Mãe. Das Sementes que Ele espalhou na Terra, eu sou a mais preciosa, pois sou o embrião da Raça e em Mim Pai e Mãe se fundirão no Dia glorioso do meu Avatara, quando à frente do meu Povo vier à Face da Terra para fundar a Nova Jerusalém. Somos, em verdade, o Governo Espiritual do Mundo. […] Todos somos da mesmo Estirpe Divina, todos do mesmo Sector, na metrificação sublime do Ciclo que atravessamos… Estas são as minhas Palavras, Palavras do Avatara, mas falando com o coração do Homem que tem o Esplendor nos olhos, o Fulgor nas narinas, a Sabedoria e a Omnipotência na boca e a Magnanimidade no coração, como Amor Universal. Assim, estou me desligando de meus Pais Terrenos, do Sol e da Lua que esplendem, neste momento, sobre este Lugar francamente Andrógino. Deixo-vos na palavra, mas convosco fico em vossos corações. O Pai, o Eterno, ordenou-me que Eu vos viesse e Eu vim. Nada mais posso dizer para expressar o quanto vos amo, o quanto vos respeito e admiro… Até sempre!”

Origens da Geografia Sagrada – Por Vitor Manuel Adrião Sexta-feira, Set 18 2020 

Esse asseveramento de São Bernardo acerca das dimensões da Divindade dando-a com o Todo no Tudo, possivelmente inspirado em São Paulo (Efésios, 3:17-18), insere-se na ideia do Universo Divino presidindo ao pensamento metafísico da Antiguidade, onde o pitagorismo e o platonismo tomaram a dianteira no escrutínio e desenvolvimento do cosmoteísmo onde a matemática e a geometria foram instrumentos indispensáveis à construção concreta da ideia abstracta do Todo no Tudo graças à polarização, tripartição e quadripartição do Uno Abstracto assim se fazendo Concreto. Os neoplatónicos xiitas, coevos de São Bernardo, desenvolveriam o conceito de Alam-al-Mithal ou Mundo Intermédio (Plano do Segundo Logos, o das Hierarquias Criadoras, o chamado Mundus Imaginalis) onde se elaboram as formas imateriais como arquétipos dos seus protótipos projectados no Mundo Físico, assim mesmo apresentado eloquentemente pelo filósofo árabe Suhrawardi (1155-1191) no seu Livro da Teosofia Oriental, citado por Henry Corbin em Corps Spirituel et Terre Céleste (Buchet-Chastel, 1979).

O tema foi magistralmente abordado e desenvolvido pelo Professor Henrique José de Souza em 1953 no seu estudo Explicação dos Símbolos pelas Dimensões do Espaço (revista O Luzeiro n.º 12, Maio de 1953), onde diz a dado trecho:

“Ninguém ignora que o nosso Mundo Físico é construído sobre três dimensões: altura, largura e comprimento, mas que sendo três já denota haver uma quarta coisa. Chamemo-la de Cruz ou Pramantha, pois que, aparentemente fixa, no entanto, está sempre em movimento. O nosso próprio Templo em São Lourenço, dedicado à Paz Universal e a todas as religiões do Mundo, obedece a semelhante feitio: é quadrado por fora e circular por dentro…

“As quarta quinta, sexta e sétima dimensões – todas elas ligadas às precedentes – constituem os Mundos Superiores de quatro dimensões (Astral), de cinco (Mental), de seis (Espiritual), não podendo ser representadas por meio de figuras no nosso Espaço, pelo que os nossos sentidos não as pode perceber. E o nosso cérebro, que só possui três as três dimensões da matéria física (aparte o que de secreto existe nele, inclusive a hipófise em relação à Alma e a epífise ao Espírito…), por sua vez é incapaz de as conceber.

“Ensina, portanto, a Teosofia que no Mundo Físico – base do Universo visível e invisível – se reflecte todo esse Universo, sendo, portanto, lógico que se possa ter a esperança de descobrir com o auxílio do raciocínio (ou Budhi, Plano da Intuição, etc.), em substituição aos sentidos, esse reflexo, esse embrião das dimensões superiores, dessa “quarta dimensão” que tanto nos intriga, por escapar, justamente, aos nossos sentidos físicos.

“Todos os movimentos que o Homem executa neste Mundo mais que restrito, podem reduzir-se a quatro. E qualquer que ele seja, é sempre um dos quatro, senão uma das suas combinações.

“Pode-se ir para cima ou para baixo (altura), para a direita ou para a esquerda (largura), para diante ou para trás (comprimento), que não são senão as nossas três dimensões físicas. Mas, como foi dito anteriormente, existe um outro ou quarto movimento completamente distinto, embora ao alcance de qualquer pessoa: o de poder girar sobre si mesma, quer num sentido como noutro. E posto que os três movimentos representem as nossas três dimensões, este quarto – tão diferente dos demais – no entanto não representa as dimensões superiores, sobretudo a quarta dimensão.

“Como o Mundo Físico possui três dimensões, o Mundo de quatro, como já foi dito, será o Astral, o de cinco o Mental, o de seis o Espiritual, o de sete (ligado a um Oitavo…) o da Unidade Perfeita. É aquele onde não existe a Forma, onde a mesma cessa de existir, se assim o quiserem, cujo verdadeiro símbolo é o ponto, obscuro pela sua luminosidade, demonstrando, portanto, que aí é onde está o Espaço Sem Limites. Se fosse uma circunferência nesse lugar, continuaria a limitação de um espaço.

“O ponto é a esfera retraída até ao seu centro, símbolo do Sem Forma, ou melhor, é o centro de uma esfera, que se distendeu até alcançar o Universo por inteiro – símbolo da Unidade – mas que, como se fora um refluxo das águas, volve a si mesmo. Com outras palavras, o Um manifestado no Todo, o Todo manifestado no Um.

“Além do círculo com o ponto no centro, encontramos dois símbolos bem conhecidos: o da Rosa+Cruz, onde os braços saem fora da circunferência, e o do Terceiro Logos, quando os braços ficam limitados pela circunferência. Do ponto de vista das dimensões, esses três símbolos têm, precisamente, o mesmo significado: representam o Universo manifestado, visível e invisível, esquematizado pelas suas dimensões.

“Finalmente, a maior razão de ser deste estudo é demonstrar a possibilidade da existência daqueles três Mundos [Inferiores] mais conhecidos por Mundos Jinas ou de Duat, Agharta e Shamballah, digamos, como reflexos – no seio da Terra – dos três Mundos Superiores, ficando a face da Terra como “ponte” que liga e desliga, ao mesmo tempo, os três Mundos Superiores dos três Inferiores, esquematizado no Hexágono, o Seis, o Vau (Arcano desse número), estreitamente ligado ao Segundo Logos. De outro modo, evolução alguma poderia ser levada a efeito no Mundo ou Globo Terrestre.”

Portanto, o Professor Henrique José de Souza partilha da cosmovisão divina do Universo atribuindo a construção deste a Hierarquias Criadoras espirituais onde naturalmente está inserida a Humana como ainda em formação, síntese e produto das restantes. No contexto da sua Obra Divina tem-se Deus Uno-Trino, ou seja, a Unidade Primordial manifestando-se por Três Hipóstases, agindo por duas Hierarquias especiais na realização da mesma nos três Mundos Superiores (Espiritual – Mental – Astral) e nos correspondentes três Mundos Inferiores (Shamballah – Agharta – Duat), ficando na Face da Terra como “ponte” que liga/desliga (antahkarana) os pequenos Munis ou Munindras que são os discípulos da mesma Obra Divina. Para a construção espiritual do Universo envolvente da Terra intervêm os Matra-Devas, “Anjos da Medida” (matra, “medida”, deva, “deus”), que o judaico-cristianismo identifica como Querubins ou “Senhores da Sabedoria” e a Tradição Esotérica associa à constelação da Ursa Maior (Saptarishi) correlacionada à Luz Cósmica, Fohat, sendo a Electricidade um dos seus atributos. Estão para o Segundo Aspecto do Logos, o Filho, como Amor-Sabedoria. Para a construção espiritual da Terra envolvida no Universo agem os Manasa-Putras, “Filhos da Mente Universal” (de manas, “mente”, e putra, “filho”), os “Vasos Insignes de Eleição” identificados no judaico-cristianismo aos Serafins ou “Senhores do Amor”, associados na Tradição Esotérica à constelação das Plêiades (Saptakritika) como repositório do Fogo Cósmico, Kundalini, de que o Electromagnetismo é um dos seus atributos. Estão para o Terceiro Aspecto do Logos, o Espírito Santo, que é Vontade do Pai (Primeiro Aspecto do Logos) posta em movimento na Mãe Divina como Actividade Inteligente, Criadora. Enquanto isso, os Munindras e os Mahatmas, seus Mestres, insuflam o Hálito Vital como Prana animando e mantendo na Vida na Face da Terra ao mesmo tempo que ligando o Espiritual (Purusha) ao Material (Prakriti), assim sustentando a Ordem e a Harmonia universais.

Se o Cosmos é essencialmente Divino e a Terra faz parte dele, então ela também é Divina, participa da natureza do Absoluto e como tal é um Ente Vivo, um Logos Planetário de que o Globo é o seu Corpo. Como tal, possui os seus plexos, as suas veias, o seu sistema nevro-sanguíneo. Isso revela-se na figura dada por Pitágoras do aspecto oculto da Esfera Terrestre.

Pois bem, relacionando os plexos nevro-sanguíneos entre si por linhas de forças chamadas correntes telúricas formando uma malha vital envolvente do planeta, às mesmas os sábios da Antiguidade chamaram de leys e que são os mesmos nadhis ou “canais” descritos nos textos hindus, nomeadamente nos Upanishads.  Essa tessitura bioquímica é projectada desde o Centro Espiritual do Mundo – Shamballah, a mesma Salém ou Valhallah, “Vale de Allah” ou Deus – desde o estado mais rarefeito até se tornar, paulatinamente, sólida, concreta, tornando o Mundo Informal (Arrúpico, “sem forma”, correspondendo ao Espaço Sem Limites) numa condição Formal (Rúpico, “com forma”, correspondendo ao Espaço Com Limites). Esse “Centro do Mundo” – Laboratório do Espírito Santo – é o mesmo descrito pelos antigos neoplatónicos persas como Hurqalya, “Lugar da Ressurreição”, Morada dos “Vasos Insignes de Eleição” (Manasaputras) que é Barzakh, a “Oitava Terra”, a “Terra da Verdade” – Oitava “Cidade” Central (Sol Central da Terra) dentre as Sete circundantes que formam o Mundo de Agharta ou Asgardi – podendo ser apercebida pela intuição superior (kabir mutlaq) que é mais atrevida que o simples raciocínio do intelecto inferior (jal saguir).

Falando dos misteriosos Mundos Subterrâneos da Terra, a Tradição Iniciática informa que em Agharta, o mundo mais profundo de natureza mais elevada, tudo é rectilíneo, quer dizer, em rectas oblíquas formando triângulos que distinguem a sua arquitectura, realçando o subentendido da elevação ao Alto, ao Divino expressado pela Tríade Divina no Homem e na Natureza. No Duat, intermediário entre Agharta e a Face da Terra, tudo é circular, isto é, em círculo formado por espirais concorrendo para o centro de si mesmas, o que na superfície influenciou a disposição original das urbes, como se repara na disposição de inúmeras povoações medievais organizadas em círculo espiralóide convergindo para o centro,  tradicionalmente assinalado pelo templo local. No mundo mais próximo da superfície, Badagas, Submundo da Terra, a forma cúbica ou quadrada é a predominante, vendo-se nas suas “tocas”, “locas”, “formigueiros” jinários a disposição em quadrado de casas cúbicas, estas que não se amontoam formando ruas e sim aproveitando as ondulações do terreno, aí onde a manutenção da vida depende inteiramente do sistema hidráulico, pelo que se faz uso das águas subterrâneas, algumas delas aflorando à superfície como rios caudalosos.

Agharta representa o Sistema Solar na Terra assinalado pelas 12 constelações tradicionais, é a Pedra Pontiaguada na Seteira do Infinito. Duat expressa o Sistema Planetário com os seus 7 planetas sagrados, aí os seus vórtices circulatórios de energia vital (chakras) que dão colorido e aspecto diferente a cada uma das lokas, caracterizando as gentes, a fauna e a flora daí. Por exemplo, na sétima região duat domina o tom laranja e na primeira, mais próxima de Agharta, o púrpura. Marca o Ponto de Ligação entre o  Espaço Sem Limites e o Espaço com Limites no seio da Terra. É o V.I.T.R.I.O.L. buscado pelos alquimistas para a fábrica da Pedra Filosofal, por outra, para a conquista da Iluminação e consequente Imortalidade. Duat é o Mundo dos Seres Viventes. Se em Duat o Prana, a Energia Vital, é absorvido directamente da atmosfera psíquica pelos seres daí, em Badagas, com a sua difusa atmosfera azulada, o ozono é o principal elemento onde o oxigénio toma esse aspecto. Como esses mundos se interpenetram por sua subtilidade, tem-se então o “quadrado” de Badagas contendo em o “círculo” de Duat, a propria quadratura do círculo expressiva do Pramantha em acção. Daí que os Templos da Obra do Eterno na Face da Terra – conforme as directrizes do próprio Professor Henrique José de Souza – sejam circulares por dentro e quadrados por fora, e na abóbada côncava do Templo fique a Rosa+Cruz simbólica do Pramantha em circunvolução, tendo em cada palo uma das quatro letras hebraicas Yod-He-Vau-He, como expressão ideoplástica do Homem Cósmico Jehovah, o Logos da Terra, a Pedra Filosofal Viva.

O ponto de encontro de várias linhas de forças (nadhis ou leys) fundindo-se entre si forma um nódulo telúrico ou plexo, como entrecruzamento imbicado de tais correntes determinantes dos fenómenos geológicos, metereológicos, temperamentais, etc., marcantes do lugar, a cujo aspecto mais subtil, etérico e astromental, se classifica de chakra, “roda” ou “giro sobre si mesma” em sânscrito, que é o mesmo qtûb árabe. Por norma, na Antiguidade tais plexos eram assinalados pela construção sobre eles de edifícios sagrados (igrejas, basílicas, catedrais, etc.) ou militares (castelos, castelejos, castros, etc.), indo distinguir tais lugares como “especiais”, como “enclaves mágicos” onde mais facilmente o Céu e a Terra se intercambiam, tendo a difusão dos plexos principais, por sua localização geoestratégica, fomentado as peregrinações aos mesmos, de que são exemplos Santiago de Compostela, Roma e Jerusalém no Ocidente, ou Meca, Varanasi e Lhasa no Oriente.  As vias (veias…) para os mesmos constituiriam as rotas da Tradição…

Um plexo maior para o qual concorrem as correntes de forças de sete plexos menores constitui um Sistema Geográfico, e pela idiossincrasia da sua espiritualidade influindo potente e patentemente no espaço físico atribuiu-se o sentido persa de Paradaîza, Paraíso, motivo central de quantas Terras Santas, Terrae Sanctae, hajam, por regra centralizadas em uma montanha, também sagrada por isso mesmo, por ser espécie de “pedúnculo” do plexo animado pelo chakra, como é o caso de Moreb, Ararat, Kurat, etc., todos elas imagens da Montanha Primordial tradicionalmente assinalada no Pólo Norte magnético do Mundo, Meru.

É assim que aparecem os lugares sagrados, locus sanctae, cujas cidades erguidas sobre tais nódulos acabam sendo cidades santas, urbis sanctae, nascidas a partir de uma ermida, depois capela, a seguir igreja, basílica, catedral…

A tradição dos “centros do mundo”, como se repara na igreja do convento dos capuchos de Santa Maria da Caridade, no Sardoal, na antiga igreja dos jesuítas do colégio de Évora, ou ainda na igreja basílica dos antigos templários de Santa Maria de Loures, por exemplo, assinala o ponto central a partir do qual se iniciou o templo e se desenvolveu a cidade. Na tradição judaico-cristã, nesse ponto bindú ou central era localizada a paradisíaca Árvore da Vida e da Sabedoria (Otz Chaim). Para ele concorrem duas linhas de forças que se entrecruzam, se fundem no centro, formando o símbolo geométrico da Rosa+Cruz, indicativo de Iluminação e Realização. Essas duas linhas têm os nomes de cardo (cardus) e decumano (decumanus).

O cardo é a linha de força máxima (cardus maximus, em latim) projectada na direcção Norte-Sul, enquanto o decumano como linha de força máxima (decumanus maximus, em latim) projecta-se na direcção Oriente-Ocidente, eixos que se intersectam no “centro do mundo”, o “eixo do mundo” ou o latino axis mundi. Era deste modo tradicionalmente regularizado o traçado linear das principais artérias ou vias da civitas (cidade) em cujo centro se situava o fórum envolvente da basílica, e depois o castelo do soberano local dentro de cujas muralhas ficava a igreja do tutor espiritual, em guisa da Autoridade Espiritual validar e por sua vez ser suportada pelo Poder Temporal. Tal é inevitavelmente válido para o Sistema Geográfico, que já de si é a plasmação do Sistema Planetário composto dos sete planetas tradicionais: Sol – Lua – Marte – Mercúrio – Júpiter – Vénus – Saturno. Aos três primeiros planetas e respectivos lugares geográficos cabe o eixo decumano, enquanto os três últimos planetas e afins lugares geográficos o segundo eixo cardo, ficando o “eixo do mundo” assinalado por Mercúrio, o planeta psicopompo ou intermediário entre a Terra e o Céu.

Como o Sistema Geográfico é projectado de dentro para fora – decumano – pela Força de Kundalini cuja expressão máxima está nos Manasaputras, representados com o esquadro por esquadrarem o espaço consignado geograficamente a Sistema de Evolução, por sua vez o mesmo é gizado, circunscrito de cima para baixo – cardo – pelos Matra-Devas, assinalados com o compasso por compassadamente irem marcando a evolução da Mónada Humana através dos Sistemas Geográficos onde evolui. Nisto, a Evolução é matematicamente perfeita e harmónica, além de justificar plenamente a derradeira frase fúnebre: “Da Terra vieste e à Terra voltarás”.

Esquadro e compasso, neste contexto da Massenia ou Maçonaria Angélica, igualmente evocam a misteriosa Maçonaria dos Traichus-Marutas que tanto vigor teve (e quiçá ainda tenha) na China, no Japão, na Índia e no Tibete, tendo chegado ao Ocidente no século XVIII pelas mãos de São Germano e Cagliostro, onde ficou conhecida como Maçonaria Construtiva dos Três Mundos, a de Agharta, sendo o seu Chefe Supremo o Traichu-Lama, alto dignitário do Lamaísmo tibetano, já de si e até hoje representativo de Akdorge, o Rei do Mundo.

Essa é a Ordem do Dragão de Ouro manifestando-se por iguais caminhos do Dragão animados pela intensidade das correntes de forças astro-geotelúricas, as leys ou nadhis, assunto que Roberto Lucíola – em prosseguimento do que aprendera do Professor Henrique José de Souza – abordaria em Fevereiro de 1998 no seu Caderno Fiat Lux n.º 14, “A Hierarquia Assura”:

“Na nossa 5.ª Raça-Mãe Ariana, a maravilhosa organização do Pramantha teve diversas designações, consoante a Vontade do Avatara do Ciclo, dentre elas: Sudha-Dharma-Mandalam, Grande Fraternidade Branca, Excelsa Hierarquia Oculta.

“Na Europa, o Pramantha actuou muito sob a égide dos Adeptos portugueses, na época encarregados da transferência dos valores espirituais do Oriente para o Ocidente, de acordo com os desígnios do Itinerário de IO. Destaca-se, dentre outros, o trabalho realizado pelo Grão-Mestre Barão Henrique da Silva Neves, Supremo Dirigente da Ordem de Mariz, a qual desempenhou importante papel na História Oculta da Humanidade no Ocidente, quando o Governo Oculto do Mundo teve diversas designações, entre elas a de Cruzeiro Mágico dos Marizes, e a seguir o nome sagrado Lourenço Prabasha Dharma (L.P.D.) e Missão dos Sete Raios de Luz, sendo que esta última designação foi dada a partir do dia 28 de Setembro de 1961. O auspicioso facto deu-se no lugar chamado de Morro da Esperança – São Lourenço, Estado de Minas Gerais, Brasil.

“O nome Lourenço Prabasha Dharma forma a sigla L.P.D. que está relacionada ao nome que São Germano usou maçonicamente durante a Revolução Francesa, em 1789. Essa sigla formava o seu nome Lorenzo Paolo Domiciani. Uma das Colunas Vivas de São Germano era o conhecido Conde de Cagliostro, que muitos confundiam com ele. Alexandre Dumas, na sua famosa obra Memórias de um Médico, relata que Cagliostro trazia pendente no pescoço uma medalha com essa misteriosa sigla, que por sinal tem inúmeras interpretações. Cagliostro costumava dizer: “Lorenzo Paolo Domiciani é meu Mestre, meu Governador. Sou a sua Coluna da Justiça. Sirvo ao Senhor das iniciais L.P.D.” Realmente, Cagliostro foi a Face do Rigor da Justiça, e por isso teve muito a ver com a decretação do Terror no período da Revolução, fase que levou muitas cabeças a serem decepadas na guilhotina.

“São Germano com a sigla L.P.D., que também significa Lilium Pedibus Destruens (”Destruir a Flor-de-Lis com os pés”, calcá-la, obviamente a falsa dos Bourbons), tentou realizar um Trabalho Amoroso de natureza transformadora, ou seja, um Movimento Espiritual Iluminista esclarecedor, com o objectivo de mudar o estado de consciência dos Assuras que ocupavam papéis preponderantes nas cortes europeias. Contudo e até certo ponto, eles ainda estavam sob o influxo vibratório da Queda do Tibete, ocorrida no ano 985 da nossa Era. Quando São Germano perdeu as esperanças de redimi-los pelo Amor, pelo Verbo ou Palavra esclarecedora, cedeu lugar a Cagliostro que funcionou como a Face do Rigor, cujas consequências trágicas estão registadas na História.

“Todo o Trabalho Iniciático é pautado por Leis bem definidas, inclusive pela Lei Numerológica esotérica. Assim sendo, São Germano trabalhou com 49×7 igual a 343 Seres de Hierarquia. Cagliostro, por sua vez, trabalhou com 62×7 igual a 434 Seres de Hierarquia. A soma dos dois valores totaliza 777, que é o número padrão ou do valor cabalístico do Ishwara manifestado (o Logos da Terra como Planetário). Sintetizando, temos:

“Como vemos por esses dados, os números que faziam parte do 1.º Pramantha na Lemúria (3.ª Raça-Mãe que foi quando o Homem se formou verdadeiramente) também estão presentes no trabalho do Pramantha na 5.ª Raça-Mãe Ariana. Portanto, “tudo está pesado, medido e contado”, conforme a sentença iniciática.”

Ainda ver com o cardo e o decumano, tem-se a tradição das Portas do Céu e das Portas do Inferno, que no Hinduísmo correspondem às sete Lokas luminosas e às sete Talas sombrias, mais as respectivas oitavas centrais, ao Devakan e ao Avitchi, ao Céu omnidimensional e ao Inferno zero-dimensional na Terra. Umas criadas pelos Assuras luminosos e outras Suras sombrios caídos nas malhas fatais do Karma da Geração Humana.
Conforme as Revelações do Professor Henrique José de Souza, repetidas pelo seu coadjuvante António Castaño Ferreira, as Lokas e Talas da Face da Terra, do Mundo de Duat, do Mundo de Agharta e das regiões etéreo-astrais inferiores sob a Agharta, assim desenvolvendo o antigo conceito hindu-budista de Céu, Purgatório e Inferno que a teologia cristã adoptaria, são:

SOL  (SURYA)

Face da Terra – Peru
Mundo de Duat – Jiva-Loka
Mundo de Agharta – Bhur-Loka
Região Infernal – Pâ-Tala

LUA  (CHANDRA)

Face da Terra – México
Mundo de Duat – Ananda-Loka
Mundo de Agharta – Bhurva-Loka
Região Infernal – Hina-Tala

MARTE (MANJALA)

Face da Terra – Estado Unidos da América
Mundo de Duat – Rishi-Loka
Mundo de Agharta – Swar-Loka
Região Infernal – Talâ-Tala

MERCÚRIO (BUDHA)

Face da Terra – Austrália
Mundo de Duat – Karana-Loka
Mundo de Agharta – Sapar-Loka
Região Infernal – Rasâ-Tala

JÚPITER (BAKASPALI)

Face da Terra – Portugal
Mundo de Duat – Sura-Loka
Mundo de Agharta – Janar-Loka
Região Infernal – Su-Tala

VÉNUS (SHUKRA)

Face da Terra – Egipto
Mundo de Duat – Jina-Loka
Mundo de Agharta – Tapar-Loka
Região Infernal – Vi-Tala

SATURNO (SHANI)

Face da Terra – Índia
Mundo de Duat – Ajur-Loka
Mundo de Agharta – Satya-Loka
Região Infernal – A-Tala

SOL CENTRAL (SURYAJ ONIM)

Face da Terra – Brasil
Mundo de Duat – Caijah (Haiah)
Mundo de Agharta – Maha-Loka
(Shamballah, Dragão Celeste, Mor-Eb)
Região Infernal – Maha-Tala
(Avitchi, Dragão Infernal, Geze-Bruth)

Por sua subtilidade os Plano interpenetram-se e por seu grau de vibração os Planos distinguem-se. Por tudo isso, diz o Livro de Duat depositado na Biblioteca Central do Caijah: “Sobre as cavernas tenebrosas riam e confabulavam os Deuses…”

Talvez o maior exemplo de Portas do Céu seja aquele encontrado na Bíblia no simbolismo da Torre de Babel (Génese, 11:1-9), cujo significado filológico hebraico, Bab-El, indica a “Porta do Céu”, oriundo do acadiano Bab-Ilu, “Portal de Deus”. Representa a elevação do Género Humano à Divindade, mas que quando tombou na degeneração mental, moral e física a mesma Divindade Planetária interrompeu a ligação com ele, ficou “interrompida a obra da torre”, e as sete nações da Terra viram-se cada qual a falar a sua própria língua, sem se entenderem umas com as outras, acabando por dispersar-se pelas sete partes do Mundo indo iniciar o povoamento dos Sistemas Geográficos, isto, diz a Tradição, na fase final de transição da finada 4.ª Raça-Mãe Atlante para a actual 5.ª Raça-Mãe Ariana. De maneira que ao entendimento do comum Babel não passa da hebraica Bavel, “confusão”, mas cujo significado é mais profundo, iniciático, base dos Mistérios Iniciáticos hebraicos como já referi no meu livro Portugal – Dimensão Oculta (Lisboa, 2015), no que descareço repetir-me preferindo indicar a leitura dessa obra.

Com respeito a Portas do Inferno, tem-se na Itália no exemplo notável em Lucca, Toscana, no interior da igreja de Santo Agostinho, onde existe uma entrada directa para o próprio Inferno, como é crença geral. Por um alçapão levando ao reino tenebroso do Príncipe das Trevas, as almas perdidas no mal aí vão padecer as chamas eternas por tempo indefinido. De maneira que todos evitam, por temor de contágio, passar junto desse poço, e menos ainda passar por cima da sua tampa em cruz, em guisa de selar a porta da morada do mal onde, vez por outra, até há quem diga ouvir os clamores e gemidos das almas condenadas nas entranhas da Terra.

A lenda popular dessa boca do Inferno recua à Idade Média, quando se iniciou nesse templo o culto a Santa Maria del Sasso ou da Rocha, cuja imagem apareceu milagrosamente aqui ao mesmo tempo que se abria no chão esse estranho e temido buraco, que está à sua direita. Conta-se que nessa época a imagem da Virgem da Rocha era considerada particularmente milagrosa, e foi quando um homem que devia uma grossa soma de dinheiro recorreu a Ela invocando o seu auxílio. Como ele era ambicioso e avarento e não gostava de saldar as suas dívidas, a Virgem não o atendeu e perdeu tudo. Então, revoltou-se agressivo contra Ela inculpando-a de toda a sua desgraça. Mas, de súbito, subiu do buraco um cheiro intenso de enxofre acompanhado de chamejantes formas demoníacas que logo se apoderaram dele, o qual, entre gritos de terror e súplicas desesperadas perante os olhares apavorados dos presentes, foi tragado para as profundezas do Inferno.

Essa entrada infernal foi definitivamente tapada com uma tampa de ferro, no século XVIII, e nunca mais ninguém teve coragem de voltar abri-la, nem mesmo quando o Rio Serchio saltou das margens ameaçando inundar a cidade e ir dar ao Inferno um pouco de frescura com a sua água.

Sobre o tema do Inferno ou Hades, as crenças antigas – egípcias, gregas e romanas – variaram muito, por isso na Antiguidade eram diversificadas e numerosas. Entre os gregos, Hades era o deus dos mortos que reinava no mundo subterrâneo ocultado aos que vivem sobre a Terra, por isso chamando a esse deus de o Invisível. Como ninguém ousasse pronunciar-lhe o nome, receando provocar a sua cólera, ele recebeu o apodo de Plutão, o Rico, nome que implica um terrível sarcasmo, mais que um eufemismo, para designar as riquezas subterrâneas da Terra que fazem parte do império dos mortos e são guardadas por estes. Nesta parte, a lenda do avarento afrontando a Misericórdia  da Virgem que o castiga com o exílio para o Inferno, está em conformidade com o sentido das “riquezas infernais inalcançáveis pela cobiça do homem vulgar”. Esse sarcasmo de o Rico, torna-se ainda mais macabro quando é colocada uma cornucópia da riqueza nas mãos de Plutão, ainda que, contudo, no simbolismo tradicional o subterrâneo indicativo das jazidas ricas represente o lugar supremo das metamorfoses dos seres, das passagens da morte à vida, da germinação mística das criaturas humanas e da germinação natural de toda a vida.

As características do Hades ou o Inferno, também chamado Tártaro, são as mesmas por toda a parte: lugar invisível, eternamente sem saída (salvo pela porta da reencarnação da alma num novo corpo humano, como prova da piedade divina assinalada na Virgem), com o ente perdido nas trevas geladas e no lume da consciência atormentada, assombrado por monstros e demónios, os quais castigam incessantemente, com prazer infernal, as almas dos defuntos que nas suas vidas terrenas caracterizaram-se pela maldade dos seus actos. No Egipto, conforme está ilustrado no túmulo de Ramsés VI em Tebas, o Inferno era simbolizado por cavernas tenebrosas (as mesmas Talas do Hinduísmo ou o Baixo Astral da Teosofia) repletas de almas danadas. Mas nem todos os mortos eram vítimas do Hades: os eleitos, os iniciados, os sábios e heróis conheciam outras moradas que não eram as regiões tenebrosas, pois dirigiam-se para as Ilhas Venturosas, os Campos Elíseos (as mesmas Lokas do Hinduísmo ou o Mundo Mental da Teosofia), onde a luz e a felicidade lhes eram prodigadas.

Alguns textos bretões da Idade Média mencionam o Inferno qualificando-o de an ifern yen, “o inferno gelado”. Esta expressão é de tal modo contrária às normas usuais que deve ser considerada como uma reminiscência das antigas concepções célticas relativas ao não-Ser ou a não manifestação da Vida na Forma. Para todo o efeito, na lenda do alçapão infernal desta igreja esse facto enquadra na ameaça de inundação pelas águas geladas do Serchio.

Segundo a crença dos povos turcos altaicos, chega-se perto dos espíritos dos Infernos quando se caminha do Oeste para o Este (anti-decumano), ou seja, no sentido inverso ao do percurso solar, que simboliza, ao contrário desse, o movimento vital progressivo. Essa caminhada no sentido oposto ao da luz, em vez de ir ao seu encontro, indica a regressão para as trevas.

Na tradição cristã, a conjunção luz-treva expressa os dois princípios opostos: o Céu e o Inferno. Plutarco já descrevia o Tártaro como privado de Sol. Se a luz se identifica com a Vida e com Deus, o Inferno tenebroso indica a privação de Deus e da Vida.

A essência íntima do Inferno é o próprio pecado mortal em que os danados morreram. É a perda da presença de Deus, e como já nenhum outro bem poderá jamais iludir a alma do defunto, separada do corpo e das realidades sensíveis, o Inferno é a desventura absoluta, a privação radical, tormento misterioso e insondável. É a derrota total, definitiva e irremediável de uma existência humana. A conversão do danado já não é mais possível; empedernido em seu pecado, ele está para sempre cravado na sua dor.

Para os cristãos, contudo, resta um ponto de apoio seguro para não tombar na danação eterna, esse ponto é a própria milagrosa Senhora da Rocha ou del Sasso, Maria Santíssima encarnando o mistério da Misercórdia Divina e a sua prática entre os homens. Concebida como envolta na Misericórdia infinita do Pai pelo Filho e Espírito Santo (preservada do pecado demoníaco), o seu agir está assinalado pelo amor efectivo à Humanidade, especialmente aos pecadores e sofredores, o que também aparece aqui numa cena escultórica onde se clama a intercessão da misericórdia da Virgem para não cair nas penas do Inferno. Oficialmente a Igreja Católica aprovou em 15 de Agosto de 1968 o formulário da Missa Votiva “Santa Maria, Rainha e Mãe de Misericórdia”, mas a invocação “Salve, Rainha de Misericórdia” encontra-se pela primeira vez no bispo Adhemar de Le Puy (+ 1098), que destaca a qualidade do olhar materno de Maria, “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua Misericórdia: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria”. Já o título “Mãe de Misericórdia” crê-se que foi dado pela primeira vez a Maria por Santo Odão (+ 942), abade de Cluny: Ego sum Mater misericordiae (“Eu sou a Mãe de Misericórdia”), ter-lhe-ia dito Maria em sonho. Na Igreja Oriental encontram-se testemunhos ainda mais antigos, tendo o padre ou pope Tiago de Sarug (+ 521) aplicado a Maria explicitamente o título de “Mãe de Misericórdia” (Sermo de transitu), o que é considerado por muitos como a sua primeira atribuição em absoluto.

A lenda do danado que culpou a Virgem e logo foi engolido pelo Inferno, também aparece na parede lateral no interior desta igreja, num fresco pintado em 1664 por Giacinto Gimignani (1606-1681), onde se vê um homem sendo engolido pelo fogo do Inferno ante o terror dos presentes. A cena da condenação eterna é apontada por Cristo Ressuscitado, depois da sua descida ao Inferno, num outro fresco, onde aparece ladeado pela Virgem Maria, São Pedro, Santo Agostinho, São André, Nicola da Tolentino e São Francisco de Assis. Além de uma pintura mural muito bela da Senhora del Sasso, a sua imagem é venerada na capela lateral direita.

Sendo um templo muito antigo e que fazia parte de um mosteiro agostinho, no século XIV foi reconstruído sobre a igreja de São Salvador in Muro, chamada assim por estar adossada à cinta muralhada romana. O seu interior é de uma só nave com três capelas absidais.

Testemunha incontornável da Geografia Sagrada é a cartografia antiga. Quem nunca se surpreendeu diante dos motivos decorativos de um mapa ou planisfério antigo, os quais parecem pretender conferir ao espaço geográfico sentido sagrado por via do sobrenatural, onde as figuras decorativas não são do convívio comum mas da imaginária astral? O não se ver essa população fantástica com os sentidos ordinários, de maneira alguma dispensa a sua negação a priori.

Plínio, na sua História Natural, parece ser fonte quase inesgotável de exemplos desse género, assim como Estrabão e outros autores da Antiguidade clássica greco-latina e árabe, para os quais a geografia dos continentes delineados pelos mares expressava a transcendência divina da Terra e assim mesmo dos seres nela habitando, encabeçados pelo Homem. Fernando Pessoa apercebeu isso e rematou com a frase feliz: “Todos os países são divinos, todos os países são mistério”.

A cartografia geográfica imprimia, reproduzia o figurino cósmico da cartografia sideral, em guisa de justificação do axioma hermético de “o que está em cima é como o que está em baixo, e vice-versa”, inclusive para atribuir influências planetárias a países e regiões considerados de influência determinante nessas épocas. Ou então, por entendimento sagrado, para lhes conferir a tributação ao Centro Espiritual Supemo, na época assinalado por Jerusalém, como é demonstrado na carta de Heinrich Bünting em Itinerarium Sacrae Scriptura, Magdeburg, 1581, onde a Europa, a Ásia e a África dispostas em trevo (simbólico da Trindade) cerceiam a Cidade Santa dos antigos hebreus.

Mas já no ano 623 Santo Isidoro de Sevilha descrevia a representação simbólica do Mundo nas suas Etimologias, uma espécie de enciclopédia de todo o saber herdado da Antiguidade, e baseado nessa descrição Günther Zeiner fez uma reprodução cartográfica da mesma publicada em 1472 em Ausburgo, para ilustrar o capítulo XIV das mesmas Etimologias. Essa descrição, cujo desenho original se perdeu, é considerada como o primeiro mapa mundi prévio das explorações geográficas que levaram o ser humano a conhecer outros continentes. Apresenta-se em T-O (Tao ou Tau, “Caminho”), o que está de acordo com o sistema de medição e estabelecimento de linhas rectas, com exactidão surpreendente, pelos agrimensores medievais.

De maneira que originalmente Geografia (“descrição da Terra”, do grego Geographein, donde Geographía, precedido pelo latim Geographïa) e Sagrado eram inseparáveis. Para entender a noção e visão geográficas da Antiguidade, é necessário atender à mentalidade da época e ao facto de muitas coisas descritas já terem desaparecido completamente do horizonte dos modernos, nisto bastando comparar as descrições dos geógrafos antigos com as do modernos para se interrogar se é possível umas e outras dizerem respeito ao mesmo país? Para constatar coisas desse género não é preciso ir além da Idade Média (séculos V-XV), não tendo havido, no intervalo que a separa da actualidade, nenhum cataclismo notável capaz de mudar radicalmente um país ou continente, pelo que se interroga como pôde mudar assim tanto e tão rapidamente a visão do mundo? É sabido que a maioria, senão a totalidade, dos geógrafos modernos atribui aos seus predecessores o terem visto mal ou transmitido mal o que viram, mas tal explicação significa que antes da nossa época os homens de saber sofriam de perturbações sensoriais por misturarem conhecimentos parcos com fartas imaginações, explicação simplista e negativa que imparcialmente pode reverter a desfavor dos coevos, a de compreenderem mal, verem mal ou nem verem certas coisas. A ausência da noção sagrada e o domínio da decoração intelectual fria e não vivida, explica os actuais preconceitos esvaziados de pensamento superior, transcendente, o único capaz de devolver o sentido da coerência lógica ao que agora só aparentemente é incoerência ilógica, por perda do sentido sagrado e correspondente pensamento vasado em actos afins. Ainda assim, a perda da noção de Geografia Sagrada não vai além do final do século XVII e o seu recuso fica-se pela centúria procedente.

Ao tornar-se Geosofia repara-se na História haverem duas ciências tradicionais, ainda assim divinatórias, com proximidades à noção sagrada da Geografia. Uma é a geomancia e outra, sua familiar, a radiestesia ou rabdomancia. Ambas eram aceites e praticadas nas religiões tradicionais antes do sua actual poluição onírica pela chamada cultura pop urbana do “new age” que, no dizer do professor Eduardo Lourenço, acaba sendo um “espiritualismo a la carte”, sem regra nem ordem, mais anárquico que democrático, onde a imagem e a sensação se sobrepõem à ideia e ao raciocínio.

A geomancia está para a Terra como a astrologia está para Céu. Como método de adivinhação pela terra, consiste em interpretar marcas no chão ou padrões formados por punhados de pedras, terras ou areia, donde deriva o método de adivinhação pelo lançamento de búzios ou seixos. Utiliza um conjunto de 16 figuras pontilhadas – donde derivaria o jogo do dominó – para a interpretação, juntando elementos astrológicos e angeológicos. É aqui que os Anjos Planetários entram na estrutura dos Sistemas Geográficos, cuja mais elevada leitura e interpretação estabelece o vínculo iniciático Céu-Terra, com desinteresse e abandono pelo iniciado da simples noção divinatória.

Essa arte de ciências ocultas sai fora da ciência iniciática do Ocultismo no século XVI quando se populariza na Pérsia e se estende a vários continentes, desde a China – onde é conhecida como Hing-Fa, “arte das formas e dos actos”, depressa se colando ao mais antigo I-Ching, “método das mutações” – e a Índia até a África, chegando à Europa. Deixa de ser ciência privada de místicos e iniciados para entrar no cardápio geral das simples ciências divinatórias. A sua propagação no continente europeu deve-se sobretudo a Cornélio Agrippa (1486-1535), tendo escrito um longo e grosso tratado sobre geomancia e que constitui a base de trabalho dos interessados no tema. Esse tratado seria editado na língua portuguesa sob o título Três Livros de Filosofia Oculta, por Henrique Cornélio Agrippa de Nettesheim, pela Madras Editora, São Paulo, 2008, compilado e anotado por Donald Tyson. No seguimento de Agrippa, Robert Fludd (1547-1637) no seu Tratado Primeiro inscreve a geomancia no rol “oficial” das ciências divinatórias, sendo que no ano da sua morte, 1637, Pisis, ocultista italiano, define as linhas de adivinhação das 16 figuras pontilhadas geomanticas associando-as aos quatro elementos da Natureza, facto na origem da alteração e popularização, para não dizer profanação e adulteração, do sentido original dos Tatvas ou “elementos subtis da Natureza”.

Como disse, antes do século XVI a geomancia já era conhecida nos círculos ilustrados da Europa, de que é exemplo notório Dante Alighieri (1265-1321) referindo-a na sua Divina Comédia, nomeadamente nas duas primeiras estrofes do Canto XIX de Purgatório. Quase de certeza terá recolhido esse conhecimento dos árabes praticantes da ´Ilm al-Raml, a “ciência da areia”, sendo raml, “areia”, palavra herdada da grega rhamplion ou rabolion, donde sairia a rabdomancia. Os árabes incluíram outros nomes para a geomancia, como Khatt al-Raml e Darb al-Raml.

Para Ibn Khaldun no seu Muqaddima (1377), a geomancia é um sistema pré-islâmico do conhecimento cuja epistemologia recua ao profeta Idris (Enoque) que a recebeu do Anjo Jibraîl (Gabriel) num sonho profético. Idris (igualmente associado a Hermes Trismegisto pelos egípcios e gregos) terá pedido a Jibraîl que o iluminasse, e então este começou a desenhar figuras geomanticas instruindo-o nessa arte. Em seguida, Idris viajou em segredo até à Índia onde se encontrou com Dahir al-Hindi, rei hindu, que sabia de geomancia e escreveu um livro sobre o assunto. Este episódio é igualmente alusivo à transferência do conhecimento tradicional do Extremo Oriente ao Médio Oriente. Essa obra circulou nos círculos fechados ou esotéricos da época pelas mãos de Khalaf al-Barbari, coevo do Profeta Mahometh que o converteu ao islão em Medina. Al-Barbari dizia conhecer essa arte divinatória e explicava que os profetas pré-islâmicos sabiam geomancia, e aprendendo-a podia-se “saber tudo o que o Profeta sabe”.

Em suma, a geomancia adivinhando através dos sinais da terra, como ciência herdada do Neolítico e conhecida, dos celtas, dos gregos, dos romanos e dos bizantinos, procura tirar partido das energias vitais subterrãneas – veios telúricos – procurando harmonizá-las com a disposição dos astros no céu, com a paisagem, com as características do operador e de quem vai usufruir do local. Implicando isto a captação das energias ctónicas, entra aqui a radiestesia ou rabdomancia, “adivinhação por meio de vareta”, esta associada tanto à bagueta mágica como à vara de Jacob ou ao bastão de Moisés, arte considerada como simples forma divinatória de procurar fontes de água e jazidas minerais, mesmo que unida à geomancia tivesse originalmente aplicação iniciática muitíssimo mais profunda, como a de gizar, delinear, demarcar um Sistema Geográfico onde a Mónada Humana processaria a sua respectiva evolução num determinado tempo, num assinalado ciclo.

A palavra radiestesia foi criada em 1892 pelo abade francês de Haderlot, Alexis Bouly, constando da união de dois termos: o latim radius, “radiação”, e o grego aisthesis, “sensibilidade”, indicando assim a sensibilidade às radiações. Segundo ela, as radiações energéticas benéficas e nocivas atravessam por igual os corpos humanos emanadas de corpos imóveis mas não inertes, visíveis e invisíveis, como as dos pensamentos e emoções influenciando a colectividade humana entre si, tal qual é afectada pelas radiações do Sol, da Lua, da Terra e demais corpos siderais.

É assim que a radiestesia ou radioestesia vem a ser a sensibilidade psíquica, quase mediúnica em alguns e mediúnica em muitos, o que não era originalmente nos povos antigos mas tão só sensibilidade psicofísica desenvolvida, a determinadas vibrações de energias emitidas por seres vivos e elementos da Natureza. As aplicações mais comuns referem-se às pessoas capazes de determinar os lugares exactos de mananciais de água subterrâneos apenas usando uma vareta de madeira de salgueiro em forma de forquilha ou Y com 30 cm de comprimento. Tem-se nisto a vulgarização do mágico e iniciático Y pitagórico como letra d´ouro, tão-só sinalético Itinerário da Mónada Humana, Yo ou Io, em sua Missão evolucional.

Na radiestesia igualmente faz-se uso de um pêndulo e um mapa para encontrar alguém desaparecido ou alguma jazida de minérios preciosos, sempre tomando por base a radiação emitida pelos corpos existentes, visíveis e invisíveis, porque, e isto é o mais importante, o campo magnético terrestre formado pela rede de linhas energéticas entrecruzadas – a malha etérica do Logos Terrestre, igualmente chamada “regato vital” – provoca intensa radiação no seu movimento telúrico estabelecendo linhas de forças entre elas, as mesmas leys ou nadhis da Sabedoria Antiga. São elas que permitem que na cartografia sejam traçadas as linhas vitais ligando e animando lugares, cidades, países e continentes, de que dou o seguinte exemplo:

Nesse mapa da Europa estabeleço o eixo central em Lisboa – Sintra, donde irradiam as várias linhas de forças – posto Portugal, na cartografia antiga, ser exposto não como cauda mas cabeça da Europa inteira – estando em alinhamento directo com Roma, esta na posição de dominada para a dominante, além de as restantes linhas estabelecidas terem tanto a ver com a História Oculta de Portugal como com a História da Obra Divina de JHS nos vários períodos em que se manifestou na Europa, deixando as suas marcas indeléveis, mesmo imperecíveis por serem genuinamente Divinas. O Quinto Império da Luz – Lusitânia – e dos seus Filhos (Lusos ou Assuras) preanunciando a Igreja do Amor e Sabedoria num Reinado de Concórdia Universal. Isto é Sinarquia, unir a Mente ao Coração, trazer a si o Quarto Império dos Homens (Jivas) indo divinamente realizar a Parúsia ou Advento do Senhor das Idades, o Avatara Síntese, a Divindade Ominisciente.

Tanto me traz à mente a antevisão profética de Luís de Camões em Os Lusíadas (VI, 7), com a qual termino:

Via estar todo o Céu determinado
De fazer de Lisboa nova Roma;
Não no pode estorvar, que destinado
Está doutro Poder que tudo doma.

Laurenta Sanlourenciana – Por Vitor Manuel Adrião Sábado, Set 5 2020 

As Sete Rosas que ornam a Régia Coroa de S. Lourenço – com esse título a revista Dhâranâ, órgão oficial da Sociedade Teosófica Brasileira, publicou um grande estudo iniciático a respeito do que até agora só podia ser dito por palavras veladas (mas claras para os Membros mais adiantados da Obra, como fazia Jesus falando aos profanos por meio de parábolas e aos seus discípulos às claras, tanto que lhes ensinava que “não deviam atirar pérolas aos porcos”, isto é, nolite mittere margaritas ante porcos, justamente para não se fazer mau uso das coisas sagradas…), mas agora aqueles Véus de outrora são rasgados, para que esse mesmo mundo profano possa compreender melhor os reais valores da nossa Obra. E isto porque “os Tempos são chegados”… – diz o Professor Henrique José de Souza na revista O Luzeiro n.os 18-19 de Novembro-Dezembro de 1953. E prossegue:

“Como sabem todos aqueles que pertencem às nossas fileiras, principalmente os das Séries mais adiantadas, em todos os tempos “ao Lugar onde a Mónada alcançou o máximo da sua evolução na Terra (segundo a Mitologia Grega, “pelo Itinerário de IO ou Ísis”, como Ésquilo o descreveu no seu Prometeu Encadeado) dá-se o nome de Sistema Geográfico, como reflexo do Planetário na abóbada celeste, isto é, um Sol Central, como Oitavo, em torno do qual giram Sete Astros ou Globos. O actual Sistema Geográfico, por ser “o limite máximo da Evolução Humana” (a Mónada como sua representação), encontra-se aos 23º graus de latitude Sul, no Trópico de Capricórnio. Esses graus compreendem toda a zona que abrange a Serra da Mantiqueira, nome que provém da mantica latina, ou manteigueira, por isso mesmo, “objecto para guardar o referido alimento”. Nas teogonias orientais, o termo sânscrito Pushkara quer dizer (como continente): “Mar de leite ou de manteiga clarificada”. E semelhante continente é bem o nosso, isto é, o americano. Esta chave filológica por nós expedida, ao falarmos do termo Mantiqueira ou “manteigueira” fazemos lembrar que todo o privilegiado Estado de Minas Gerais (pois traz engastado no seu coração a pérola preciosa que é S. Lourenço) se dedica ao fabrico dos lacticínios. Concorda, pois, com o referido termo.

“E é assim que vemos o supracitado Sistema Geográfico (de todos os Ciclos) tendo por Sol Central a estância hidromineral de S. LOURENÇO. E em seu redor os Sete Astros representados pelas seguintes e privilegiadas, também, cidades sul-mineiras: AYURUOCA (no tupi, a “Gruta da Luz”, e no sânscrito AJUR-LOKA, a “Caverna iluminada pelo Sol” – Espiritual, já se vê…), CONCEIÇÃO DO RIO VERDE (este termo figura no decorrer da História da nossa Obra inúmeras vezes, digamos, tanto no presente como no passado… Conceição Feliz é o nome da lancha ou BARCA que até hoje se acha encalhada nas areias itaparicanas, desde que ali estivemos até agora, como verdadeiro milagre), S. TOMÉ DAS LETRAS (“letras ou inscrições rupestres”, por nós reveladas como “roteiro ou guia para se alcançar, outrora, determinado lugar com o nome de “PICO DE LEÃO, onde existia uma Fraternidade Jina ou de Adeptos da Boa Lei”), MARIA DA FÉ (sim “Fé ou Confiança temos em MARIA”, mas com a interpretação bem nossa de Mãe Divina ou Aspecto Feminino da Divindade, cabalisticamente falando, “Véu de Ainsuph”, a VONTADE do Pai posta em ACTIVIDADE na Mãe ou Espírito Santo, a tudo velando e cobrindo… Donde o termo religioso, também aí empregado, de “Manto de Maria”, sob o qual os seus devotos se colocam. E que de ser imaculado ou virginal tanto basta para ser invisível aos olhos físicos, mas visibílissimo aos espirituais de quanto com a Mesma se afinizam…), CARMO DE MINAS, antiga SILVESTRE FERRAZ (nome de uma família ilustre que aí viveu, mas, esotericamente falando, “o que é silvestre passa a cultivado”. Neste caso, “as roseiras da espiritualidade no canteiro intelectual e coracional de certos Seres que aí secretamente viveram”, digamos, preparando o momento justo de DOIS MISTERIOSOS SERES poderem galgar a Montanha Sagrada sanlourenciana. E receberem do Céu – como aconteceu ao Manu inca Manco-Capac, em relação com a cidade de Cusco… – o espiritual Bastão de Dirigentes da Missão Y, também chamada de Era do Aquário), ITANHANDÚ (em tupi, a “encosta da Pedra”, na mesma razão de ITAMONTE, ou seja, uma pedra que é vista na parte mais alta da Mantiqueira, e muito semelhante à PEDRA DA GÁVEA, no Rio de Janeiro. Por sua vez, “Lugar Jina” como aquele de S. Tomé das Letras), e finalmente, como sétima ou última do referido Sistema Geográfico, POUSO ALTO (a “mais alta pousada que encontraram os grandes Bandeirantes do Passado, como incomparáveis desbravadores dos nossos sertões”. POUSADA ALTA, também, para nós no sentido espiritual de “alcançar os limites máximos da INTELIGÊNCIA ao par dos do CARÁCTER).

“Em resumo, semelhante Sistema Geográfico representa a Nova Canaã ou “Terra de Promissão” para onde o MANU – como em todos os Ciclos em que é repartida a Vida Universal – conduziu o seu POVO através daquele mesmo “Itinerário de IO ou ÍSIS”. Eis aí a razão do nosso Templo se firmar numa colina à qual o Dirigente da Missão Y achou por bem dar-lhe o nome de Vila Canaã.”

Como ficou dito, os Sistemas Geográficos são símeis dos Sistemas Planetários, estes como Usinas Cósmicas de Fohat – o Fogo Frio Celeste, Electricidade – e aqueles como Usinas Planetárias de Kundalini – o Fogo Quente Terrestre, Electromagnetismo. Portanto, a demarcação dos Sistemas Geográficos é feita em cima, no Segundo Mundo Celeste, ou antes, de cima para baixo, como seja, plasmando-se no Terceiro Mundo Terrestre ao abrirem-se os portais do Akasha Médio por onde os Deuses Matra-Devas se projectam no Seio da Terra na forma de Manasaputras, ou Querubins e Serafins da angeologia judaico-cristã, tangenciando a Evolução do Globo. Evidentemente que tais Seres se assentam ou utilizam formas condizentes com a Esfera ou Mundo donde se reflectem aqui. Daí a sentença hermética de “o Deus de cima é o mesmo Deus de baixo, mas que possuem nomes segundo a forma de que se revestem”. Nisto, fica Vishnu para o Segundo Logos e Shiva para o Terceiro, o que os cristãos identificam como o Filho ou Cristo Cósmico e o Espírito Santo na forma de Mãe Divina.

Acompanhando os Ciclos de Evolução em que se reparte a Vida Universal, houve Sistemas Geográficos activos no Passado, onde a Mónada Humana alcançou o máximo da sua evolução na época, há o Sistema Geográfico activo no Presente que de si projecta o Sistema Geográfico do Futuro onde a mesma Mónada alcançará o máximo da sua evolução no presente ciclo desta 5.º Raça-Mãe Ariana, a partir da qual se desenvolvem as futuras 6.ª e 7.ª Raças-Mães. Essa função dando a solução do Futuro cabe ao Sistema Geográfico Sul-Mineiro, que o Venerável Mestre JHS animou e revelou.

Passado – Sistemas Geográficos da Índia, Egipto, etc. – Quaternário Inferior;

Presente – Sistema Geográfico Português a partir de Sintra – Princípio Causal ou Mental Superior;

Futuro – Sistema Geográfico Brasileiro a partir de São Lourenço – dando de si os Princípios Intuicional e Espiritual, a Solução do Futuro.

Fica claro que um Sistema Geográfico tem como função precípua a disseminação de um novo estado de consciência. Com este, advêm novas possibilidades de progresso em todos os sectores da Vida Humana. E isso para que mudando a consciência da Esfera ou Mundo em que se está ela mesma ocupe o seu posto no Concerto Planetário ou, como diria Pitágoras, ocupe o seu lugar na Harmonia das Esferas. A semelhança entre os Sistemas Geográficos e os Sistemas Planetários é dada pelos Seres originários de cima e a disseminação da consciência a partir do escrínio do Sistema Geográfico onde estão. Isto pode se aperceber pelos seguintes esquemas que analogicamente valem tanto para São Lourenço como para Sintra:

Na sua Carta-Revelação de 11.08.1948, o Venerável Mestre JHS diz: “E a Voz do Eterno se fez ouvir dentro do Akasha (faço notar que esse Tubo atinge os 3 Mundos: Face, Meio e Interior da Terra… Tubo móvel ou cíclico, é francamente akáshico). Não podia ser outro o lugar que conduz a Shamballah. Amanhã, isto é, daqui a alguns séculos será em outro lugar, mas… Shamballah permanece a mesma”. Esse Tubo Cósmico (Tubu-Shin) outra coisa não é a ligação entre o Sistema Geográfico em baixo e o Sistema Planetário em cima que lhe deu origem, sendo que em termos funcionais o Tubo Cósmico – Antahkarana ligando a Personalidade do Logos (Planetário, Kumara) à sua Individualidade (Espírito, Ishvara) – liga os 3 Mundos, o Celeste, o da Face da Terra e o Infernal ou dos Mundos de Badagas, Duat e Agharta onde Shamballah – o Sol Oculto da Terra – se centraliza como Oitava. No Duat tem-se como seu Oitavo Princípio o Caijah (que se firma firma sob a Terra Santa – Sistema Geográfico – onde a Mónada Humana alcançou o maior grau de evolução no Ciclo em manifestação), que localizado no meio do Tubo Cósmico sob a superfície marca ou dá a gradação da consciência alcançada, motivo por que o Caijah é móvel. Analogicamente falando, pode-se dizer que o Tubo Cósmico é como um termómetro e que o Caijah é o mercúrio que ao movimentar-se marca ou acusa a temperatura atingida. No presente ciclo, demarca 22 para 23 graus de latitude Sul, no Trópico de Capricórnio, Capris ou Cumara.

Isso leva-me a evocar as palavras sagradas da Yoga Akbel que é a do Munindra: “Assim sou a Fogueira do Céu ateada na Face da Terra vibrando no divino diapasão de Shamballah”.

Para que o Sistema Geográfico Sul-Mineiro viesse a ser povoado, animado, dinamizado por membros da Instituição e Obra, dispondo 111 com as respectivas famílias em cada uma das cidades desse Sistema, e mais 222 com as respectivas famílias na central de São Lourenço, assim preparando o terreno humano e espiritual para o Advento do Avatara Síntese Maitreya, o Cristo Universal, na Terra Virgem – até no signo – do Brasil, desde o mesmo Sistema, a partir de 1957 o Professor Henrique José de Souza – Venerável Mestre JHS – começou a sugerir, nas sessões públicas e privadas da Sociedade Teosófica Brasileira, a deslocação de membros da entidade para essas cidades do interior. Sugeriu, propôs, não impôs. Uns pouco acataram a sua sugestão e transferiram-se para Minas Gerais. Outros, a maioria, habituados aos luxos e comodidades das grandes urbes como São Paulo ou o Rio de Janeiro, assustaram-se com a proposta de se verem atirados para condições de vida precaríssimas como eram as do interior brasileiro. Mas o Professor, adivinhando o pensamento da maioria, logo adiantou: “Não é obrigatório irem. Vão se puderem…” Ouviu-se um suspiro de alívio quase geral, isto contado por quem participou dessas reuniões, mesmo sabendo da importância crucial dessa decisão face ao futuro imediato do Mundo.

Com efeito, no dia 17 de Fevereiro de 1957, em conversa em família, o Professor Henrique José de Souza revelou:

“O dia 24 de Fevereiro de 1957 será muito sério. Será, sim, o do começo de um Equilíbrio na hora em que os Assuras subirem para o Sistema Geográfico Sul-Mineiro… Isso porque a Obra avançou muito, mas a Instituição está bastante vagarosa. Esses Assuras não deviam fazer esse trabalho, o papel deles deveriam ser outro… Ficarão ali como se fossem morcegos, ficarão em Samadhi… Deveriam permanecer na Agharta prosseguindo a supra-evolução. Mas, fui EU que pensei e resolvi tomar essa resolução.

“Os Assuras vêm trazer o Princípio Átmico para o Sistema Geográfico Sul-Mineiro. Sim, eles vêm com o Princípio Átmico para firmá-lo nos que vão para as Embocaduras. Tudo isso representa um grande esforço desses Adeptos a fim de salvarem a situação do Quinto Sistema em elaboração nas mãos do Sexto Senhor.

“Esses 777 são os Vitoriosos do último grupo que saiu da Face da Terra. São os 777 Seres do último Pramantha que se firmaram na Consciên-cia Átmica, são os que superaram o Karma Humano, os que conquistaram a Superação e a Metástase Avatárica.

“Quem são os Chefes dos 777 Assuras? São os Dhyani-Jivas. Sim, cada Dhyani-Jiva [que em 1949 se tornou Dhyani-Budha] dirige um grupo constituído de 111 Assuras luminosos. Temos: 111 vezes 7 igual ao número 777.

“Esses 777 Assuras que subiram para o Sistema Geográfico representam o esforço deificado ou divinizado da Terra, logo, os seus Chefes, os Dhyanis-Jivas, foram obrigados por Lei a se diplomarem nos sete Ramos da Ciência Positiva. Por exemplo:

“O 1.º – Diplomou-se em Medicina, profana e oculta, aghartina.
“O 2.º – Diplomou-se em Engenharia, aplicação da divina Matemática.
“O 3.º – Diplomou-se em Arte Sagrada, bailados, ritmos, harmonia, magia musical ou vibratória.
“O 4.º – Diplomou-se em Filosofia, Religião, Ética.
“O 5.º – Diplomou-se em Arte Guerreira.
“O 6.º – Diplomou-se em Mecânica, Ciências Físicas e Naturais.
“O 7.º – Diplomou-se em Astroquímica, Ciência Nuclear.

“Pois bem, se os representantes dos sete estados de Consciência foram diplomados nos sete Ramos da Ciência, é natural que a Lei também sugerisse ao Pai dos Dhyanis [Akbel], como portador do oitavo estado de Consciência, que possuísse um, dois ou mais diplomas, digamos, de médico, engenheiro, advogado… embora não os utilizasse como profissão, em virtude da sua missão salvadora dos Assuras não luminosos da Face da Terra.

“Por todas essas razões iniciáticas, devem figurar nos dizeres das placas do Monumento [Obelisco, defronte ao Templo da Obra em São Lourenço], além das efemérides da Obra, 24.6.1899, 28.9.1921 e 10.8.1924: – Glória Àqueles que chegaram a este Lugar que é de 23º de Latitude Sul – Trópico de Capricórnio, acompanhando os Gémeos Espirituais através do Itinerário de IO: Rio de Janeiro, São Paulo e São Lourenço.”

Afins às cidades do Sistema Geográfico Sul-Mineiro estão os Postos Representativos do Sistema Geográfico Internacional, com as quais eles trabalham em conjunto. Espalhados estrategicamente pelo Mundo, os Postos Representativos dão socialmente, politicamente, espiritualmente, etc., as Tónicas que lhes dizem respeito dentro do Grande Septenário. Assim, pode-se dizer que os Postos representativos são as trincheiras avançadas que disseminam pelo Mundo os valores em formação do Sistema Geográfico Sul-Mineiro, ao mesmo tempo animando-o com o enfoque global das suas sinergias, assim capultando a solução do Futuro imediato da Evolução Planetária.

Ora no presente momento evolucional, onde está em pauta encerrar o 4.º Sistema ou Ronda na sua 4.ª Cadeia Terrestre, tem-se o Trabalho do Quinto Senhor Arabel lado de Adamita chefiando a sua Corte de Assuras, mas tangenciado, supervisionado, norteado pelo Sexto Senhor Akbel ao lado de Allamirah chefiando a sua Corte de Makaras. Daí também o facto de dois Sistemas Geográficos em solo brasileiro, o de São Lourenço com o seu Monte Moreb e o do Roncador, em Mato Grosso, com o seu Monte Ararat. Os Postos Representativos têm por omphalo o Roncador, ligado subterranamente a Machu-Pichu, e é no seu escrínio que os Dhyanis-Jivas, chefiados pelo Bodhisattva Akdorge, Avatara do Budha Maitreya, se aninham projectados desde os respectivos Postos, sempre tutelados pelos Dhyanis-Kumaras, seus paraninfos, que do seio brasílico se projectam nos mesmos Postos, revezando-se de sete em sete anos desde 24 de Junho de 1950, aquando o Sistema Geográfico Sul-Mineiro foi povoado pelos Deuses do Novo Ciclo a Luzir. É assim que os Dhyanis-Jivas ou Budhas governam e dão a sua Tónica ao Mundo, sendo que a partir de 3005 – segundo JHS – serão os governantes ostensivos do mesmo Mundo ao lado do Quinto Senhor, já então eles com o galardão conquistado de Dhyanis-Kumaras, enquanto estes serão Kumaras Primordiais ou Planetários.

De maneira que os Dhyanis-Kumaras expressam o trabalho conclusivo desta 4.ª Ronda enquanto os Dhyanis-Budhas os da Quinta Ronda, a partir do Quinto Sistema Geográfico com centro no Roncador ou Matatu-Araracanga, “cabeceira dos Araras Vermelhas”, e por isso mesmo são o “Saque contra o Futuro” por se terem manifestado em de 1 a 8 de 1900 quando só o deveriam fazer em 24 de Fevereiro de 3005, assim  antecipando esse mesmo Futuro.

Isso mesmo diz o Venerável Mestre JHS na sua carta-Revelação de 16.05.1956:

“Não se deve esquecer que os Dhyanis Budhas ou Jivas vão se firmar no 7 Postos Mundiais ou Submundos dos Badagas, tendo por omphalos o Roncador ligado a Machu-Pichu.

“Os DHYANIS-KUMARAS (nascidos em 1789) representam o aproveitamento evolutivo do 4.º Sistema [Ronda] ou da 5.ª Raça Ariana, a ser vertido nas 6.ª e 7.ª Raças Bimânica e Atabimânica através dos DHYANIS-BUDHAS (nascidos em 1900), os quais representam a evolução do 5.º Sistema [Ronda].

“Para conhecimento completo e integração global, Eles fazem um revezamento entre si nos Postos Representativos e no Sistema Geográfico Sul-Mineiro. Quando os DHYANIS-BUDHAS estão no Sistema Geográfico, os DHYANIS-KUMARAS estão nos Postos Representativos, e vice-versa.

“Sendo o Sistema Geográfico Sul-Mineiro [SGSM] o local escolhido por Lei, no presente Ciclo da Evolução Humana, para dar início a uma nova Raça – um novo estado de consciência que deve ser absorvido pela Humanidade – necessário se faz prepará-lo para tal fim.

“Se esse trabalho for bem feito, melhores dias virão. Para isso, é necessário que os Irmãos, especialmente os da Série Interna e os do Grau Astaroth, visitem com frequência o SGSM, promovendo lá um movimento educacional que venha a mudar o estado de consciência daquele povo componente das sete cidades do Sistema Geográfico, mais a oitava cidade.

“Com a nossa presença nesses locais, serão arrastadas para a Face da Terra as vibrações que se fazem necessárias ao bom preparo do Sistema Geográfico. Os Rituais são de suma importância, pois preparam psíquica e espiritualmente a aura das cidades, propiciando o nascimento das Mónadas competentes.”

O Sistema Geográfico Sul-Mineiro foi iniciado no ano 1000 d.C. a partir das Mónadas selecionadas, devidamente evoluídas, do antigo Sistema Geográfico Fenício-Atlante de Teresópolis, atravessando a Serra dos Órgãos – actual Estado do Rio de Janeiro – indo instalar-se no actual Estado de Minas Gerais, precisamente em Aiuruoca, donde daria início às restantes tabas, hoje cidades, do Sistema Mineiro. Isto mesmo diz o Mestre JHS em Carta-Revelação de 14.05.1961: “A Embocadura de Aiuruoca foi fundada no ano 1000 d.C., como transbordo dos produtos evolutivos dado pelo Sistema Geográfico de Teresópolis”.

Aqui chegados, ultrapassado que está o ano de 2005 que marcou o início (28 de Setembro) do ciclo astrológico de Aquarius, sabemos que nessa mesma data os Dhyanis-Budhas passaram a ser designados pelos nomes dos Sete Elementos (Tatvas) que JHS, expressando Akbel, lhes deu em 15 de Agosto de 1959, passando à categoria de Dhyanis Planetários, para que efectivamente, em 3005, serem os Planetários do Quinto Senhor Arabel e do Quinto Sistema ou Ronda, conquistando, como “Deuses gerados na Terra”, um quantum de 75% da Consciência do Logos Planetário. Houve, então, um Equilíbrio geral decorrente do Grande Encontro, em 2005, no Mundo Sedote ou de Badagas, alcançando directamente a Face da Terra, de todas as Hierarquias implicadas no processo da Evolução Terrestre, realizando uma volta da Roda do Pramantha, ocasionando uma espécie de “promoção hierárquica”. Esses Homens Deuses Dhyânicos desde aí são USINAS VIVAS DA NATUREZA, das Forças Ocultas animando á mesma, cada qual marejando, amalgamando e projectando um Tatva ou “elemento subtil da matéria” que o caracteriza. Donde os seus nomes Adi-Bel, Anu-Bel, Akash-Bel, Vayu-Bel, Teja-Bel, Ap-Bel e Prithi-Bel, mais a Oitava Ana-Bel, conformados ao que JHS revelou no Livro de Herakles – Carta-Revelação de 9.08.1959:

“Os Dhyanis-Jivas deixarão os seus nomes de Souza e Brasil, etc., de 2005 em diante, para os dos Tatvas, seguidos do termo BEL, que é Deus, como se sabe, isto é, Deuses criados na Terra para o próximo Sistema… Assim, para os Dhyanis-Kumaras serão: Mikael, Gabriel, Samael, Rafael, Saquiel, Anael, Cassiel. Assim, para os Dhyanis-Jivas serão: Adi-Bel, Anu-Bel, Akash-Bel, Vayu-Bel, Teja-Bel, Ap-Bel e Prithi-Bel, sem as sílabas finais. Ninguém sabe nem poderia saber tal coisa, porque tais nomes foram dados no Ritual de 15 do referido mês por Mim, isto é, pelo Maha-Rishi ou El Rike, Akbel, etc. O Bel final de cada nome corresponde à sua origem, isto é, a do 5.º ou Arabel, e do 6.º ou Akbel, como Corpo e Essência de São Germano e Akbel. Quanto à Shakti ou Aspecto Feminino, na razão de Akbel – Ashim – Beloi, o dessa última, do mesmo modo que o foi Adamita como Tulku de Allamirah, será o de Ana-Bel (ou Anabela), etc.”

Na Carta-Revelação de 5.06.1954, JHS revela que Mitra-Deva, o Budha Terreno, Avatara do Planetário Arabel e avatarizando Akdorge, o Bodhisattva Terreno, é o Chefe como Oitavo dos Dhyanis-Budas. Ao seu lado possui Anabel (ou Adamita, Aspecto Terreno, Primeira Mãe, do mesmo Arabel ou Senhor da Ara de Luz), que em 1900, devido ao imprevisto Acidente de Lisboa ocorrido com os Gémeos Espirituais Henrique -Helena, serviu de contraparte do Sexto Senhor para gerar os Dhyanis-Jivas no Principado no Oriente (Leh – Srinagar). Daí que essa Oitava Dhyani esteja ligada ao Quinto, mas sendo “emprestada” momentaneamente ao Sexto, para a geração dos Dhyanis, conúbio onde a paixão sensual  inexistiu e só o puro estado paranisphânico ou paranirvânico, restaurando o hímen da Sempiterna Virgem Mãe dos Homens após o enlace do mais transcendente amor. Ele momentaneamente no corpo físico de Lorenzo (São Germano), ele no de Lorenza. Ana, em aghartino, significa Vénus, e então aí se tem o Hermafrodita Divino: Anabel como Vénus e Akbel como Mercúrio – Hermes-Afrodite, donde Hermafrodita. Por isso, Akbel é o Pai tanto do próprio Akdorge como dos Dhyanis-Budhas.

Anabel é, pois, a Taça Viva do Novo Ciclo, onde bebem as Duas Bocas, Akbel e Arabel, passando Ela também a assumir o Báculo da Autoridade Espiritual do Novo Pramantha, prosseguindo o ciclo feminino iniciado em 1962 (com Helena Iracy) e indo de 1963 a 2005 (Lorenza em Monte Airu, Itaparica), e após 2005 no Anabel (Adamita), Aspecto Feminino do Budha Terreno – Mitra-Deva ou Henrique – sendo a Senhora do Báculo do Amor Universal.

Tiara de Adamita

Passando os Dhyanis-Budhas à categoria de Dhyanis Planetários, os Arautos ou Yokanans de primeira categoria – chefiados por Cafarnaum – assumem a função de representantes directos dos Postos Representativos no Mundo, conforme JHS revelou na Carta-Revelação de 3.07.1940. As novas Tónicas do Novo Pramantha a Luzir, iniciado em 25 de Fevereiro de 1963, passaram a vibrar na Face da Terra.

Os Yokanans nos Postos Representativos são uma espécie de germens dos valores Dhyânicos do Quinto Sistema, é como se fossem a formação dos embriões dos Dhyanis do Quinto Sistema. No século XX houve o trabalho entre os Dhyanis-Kumaras e os Dhyanis-Budhas, sendo os primeiros Preceptores ou Mestres dos segundos. Por isso, muitas vezes houve um revezamento entre ambas as categorias nos Postos Representativos e no Sistema Geográfico Sul-Mineiro. Essa troca, além de impulsionar o Pramantha na Face da Terra, propiciava a interacção entre o Mestre e o Discípulo.

Essa mesma relação, conforme as Revelações, continuará existindo no Quinto Sistema, mas dessa vez os Dhyanis-Budhas Planetários serão os Preceptores dessa nova classe Dhyânica em formação, os Yokanans. Assim, os Dhyanis Planetários são os Senhores do Novo Pramantha, e os Yokanans igualmente actuam como interfaces entre o Pramantha Terreno e o Pramantha Celeste, criando assim a “Nova Jerusalém na Terra”, tendo por ponto central, de acordo com a Marcha Cíclica do Oriente ao Ocidente, a própria Meka (Tulan) Ocidental – São Lourenço, no Sul das Lavras de Minas Gerais. Ex Oriens Umbra! Ecce Occidens Lux!

Ainda que o Professor Henrique José de Souza seja universalmente considerado o fundador do Sistema Geográfico Sul-Mineiro, ainda assim a informação não está de todo correcta, pois em contrário teria inventado algo novo. O que ele fez foi somente remotar e readaptar as energias subjacentes a esse mesmo Sistema Geográfico que existe há um milhar de anos. Um Mestre verdadeiro não inventa sobre o nada e não fantasia ao sabor do delírio, antes cria algo novo no Presente retificando o que foi feito no Passado, tudo em conformidade à Evolução geral para o Futuro. É assim que acontece a marcha precessional do Género Humano com o seu Guia ou Manu à dianteira.

As sete mais uma cidades sagradas ou jinas do SGSM distam entre si numa distância igual, obviamente numa proporção maior, à que existe entre os sete planetas do Sistema Solar, configurando nas suas linhas os traços siderais da constelação de Orion (Zainat, em aghartino), ligada ao Primeiro Aspecto do Logos, portanto, ao Pai, tomando forma como Akbel, o Vigilante Silencioso da Terra. Ora, essa disposição não pode ser inventada por qualquer mortal, pois existe per se desde sempre, e o mais que há é a de um Adepto Vivo a revelar aos homens trazendo os Mistérios do Céu à Terra.

Cada uma dessas cidades-satélites de São Lourenço relaciona-se com uma cidade subterrânea do chamado Mundo de Badagas e sobretudo de Duat, onde se preparou este Sistema Geográfico desde há 1000 anos para esta Nova Idade do Espírito Santo tomando forma no Filho, no Cristo Universal ou Bem-Aventurado Nosso-Senhor Maitreya. E daqui, do cume da Montanha Sagrada Sanlourenciana, mais se abarca o Mundo e mais ressoa a frase de “quando o Christus, o Budha sorri, a Humanidade enxuga as lágrimas”.

Para essa activação da ligação entre os Mundos Jina (Deuses) e Jiva (Homens), servindo de caixa de ressonância as paredes graníticas do Seio da Terra trazendo à Face da mesma as suas benéficas vibrações, e desta ao mesmo Interior por meio das energias criadas no Templo, portanto, havendo intercâmbio para não ser só recebimento sem nenhum oferecimento, há três datas marcantes e determinantes da activação do Sistema Geográfico Sul-Mineiro:

1.ª – 9 de Setembro de 1942: JHS inaugura o Templo do Caijah, Oitavo Princípio ou Atmã do Mundo de Duat, para o Ciclo da Obra a caminho de Aquarius, e que é a Oitava Embocadura do SGSM – Coarací ou Zoroacy.

2.ª – 24 de Fevereiro de 1949: JHS inaugura na Face da Terra o Templo de Maitreya (Mitra-Sherim, “Louvado seja o Deus Mitra-Deva”), “dedicado a todos os povos e religiões do mundo”, no cimo do Monte Verde (cor de Vayu, mas também de Fohat electrificando aquele) dominando a cidade de São Lourenço.

3.ª – 7 de Maio de 1961: JHS inaugura a Embocadura Luz de Chaitânia (“Luz da Sabedoria”), ligando o Templo de São Lourenço ao Meka-Tulan, Capital do Reino de Badagas, e ainda a todo o Duat e Agharta.

Há ainda uma 4.ª data, para formar a Cruzeta Jina na Face da Terra:

4.ª – 14 de Maio de 1961: Inauguração da Embocadura Fogo de Arakunda (“Altar de Fogo”) no Roncador, ligando o Monte Ararat (“Altar do Arhat”) ao Monte Moreb (“Que Tudo Vê”), ou seja, o Mato Grosso do Quinto Senhor às Minas Gerais do Sexto Senhor.

Passo agora a descrever as sete mais uma cidades componentes do Sistema Geográfico Sul-Mineiro.

POUSO ALTO
CEÇARY, “Olhos que Choram”, antes MAMUCABA, “Abertura” (tupi)
EMBOCADURA FUNDADA EM 1934
TEMPLO DO SABER
ALQUIMIA E QUÍMICA
SOL
PRITHIVI (Terra)
LARANJA

MIDAL (aghartino)
ANTÓNIO JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
PRITHI-BEL (cabalístico)
LAMPADAX (Cóccix)
MACHU-PICHU, Peru
JIVA-LOKA

Rasgando o véu líquido da cachoeira ocultando a Embocadura de Mamucaba, dela saiu Jeffersus o Christus em 13 de Maio de 1934 (“Dia da Ressurreição”) numa avatara momentâno feito por Akbel vindo abençoar o Mundo, logo retornando ao Mundo dos Deuses sendo declarada inaugurada esta Embocadura de Pouso Alto. Em 24 de Dezembro de 1940 recolhem-se por aqui ao Seio da Terra os Sete Dhyanis-Jivas, e inicia-se o nascimento dos Sete Yokanans. Esta cachoeira encontra-se pouco antes da cidade de Pouso Alto na floresta vizinha da Serra da Mantiqueira, não é vista da estrada principal, mas não deixa de ser significativo que sempre que a Coluna J de JHS, Eng.º António Castaño Ferreira, aí passava a caminho de São Lourenço, parava a viatura e afastava-se um pouco em recolhimento místico. Quando estive na cidade não cheguei à cachoeira sagrada porque entretanto ela viera a mim em forma de chuva torrencial, que só cessou a altas horas da noite.

ITANHANDÚ
INHACUNDÁ, “Corrente Sinuosa” (tupi)
EMBOCADURA FUNDADA EM 1883
TEMPLO DA BELEZA
ARTE E POESIA
LUA
APAS (ÁGUA)
VIOLETA
SI
SAMUS (aghartino)
BENTO JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
AP-BEL (cabalístico)
VAMPADAX (Baço)
ITCHEN-ITZA, México
ANANDA-LOKA

Esta Embocadura é fundada em 15 de Setembro de 1883, precisamente no dia do nascimento dos Gémeos Espirituais Henrique – Helena, Ele saindo pela Mansão dos Barishads (Anjos) em Vila Velha, Paraná, contrabalançando o seu princípio masculino com o feminino do lugar, e Ela pela Mansão dos Agnisvattas (Arcanjos) em Nova Xavantina,  Mato Grosso.

CARMO DE MINAS, antiga SILVESTRE FERRAZ
ARAÇARANÃ, “Peito do Mundo” (tupi)
EMBOCADURA FUNDADA EM 1800
TEMPLO DA BONDADE
POLÍTICA, ÉTICA E ESTÉTICA MILITAR
MARTE
TEJAS (FOGO)
VERMELHO

RUD (aghartino)
CARLOS JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
TEJA-BEL (cabalístico)
RAMPADAX (Gástrico)
EL MORO, América do Norte
RISHI-LOKA

A Embocadura de Carmo de Minas veio a ser fundada no mesmo ano da apresentação dos Gémeos Espirituais ao Mundo no Avatara Momentâneo da Serra de Sintra em 28 de Setembro de 1800, nos braços de Jesus (Jeffersus) e Maria (Moriah) sob a guarda poderosa dos Maiores da Raça Humana perfilando no Culto de Melki-Tsedek, o Rei do Mundo, sob o patronímico Ordem de Mariz. Nesta antiga Silvestre Ferraz viveu o Adepto Josué Mateus (Kadir), que com outros prepararam o Sistema Geográfico Sul-Mineiro para o Novo Ciclo de JHS. Viveu envolto numa grande maya entre essa cidade e a de São Lourenço, onde era conhecidos por todos, e foi assim que vindo eu de Carmo de Minas e já em São Lourenço, pessoas aparentemente alheias à Obra me apontaram a casa onde viveu Kadir, nome que utilizei em vez do profano quando perguntei isso, suspeitando do que iria se seguir perante a fartura de conhecimento de «estranhos» à Obra: quando voltei ao local de trabalho dessas pessoas nunca ninguém ouvira falar delas, e nem o espaço era igual… coisas do Mundo da Grande Maya ou Mundo Jina. Poderia passar por fantasia se eu não tivesse fotografado o momento, o lugar e as pessoas, portanto, está registado.

MARIA DA FÉ
IA-PASSÊ, “Terra do Meio” (tupi)
EMBOCADURA FUNDADA EM 1789
TEMPLO DA PUREZA
MECÂNICA E FÍSICA
MERCÚRIO
ANUPADAKA (SUBATÓMICO)
AMARELO
MI
ASSHAK (aghartino)
DANIEL JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
ANU-BEL (cabalístico)
HAMPADAX (Frontal)
SIDNEY, Austrália
KARANA-LOKA

A data de fundação desta Embocadura de Maria da Fé é a mesma da do nascimento dos sete Dhyanis-Kumaras em 1789, filhos de Lorenzo Paolo Domiciani (São Germano) e de Lorenza Paola Domiciani, decorria a Revolução Francesa. Os responsáveis pelo Templo da Pureza mostraram-se de uma simpatia tal que não posso deixar de registar aqui a sua atitude que não esquecerei, como igualmente a bela cidade, familiar, acolhedora e generosa cujo povo tocou-me fundo.

SÃO THOMÉ DAS LETRAS
TASSÚ, “Mundo dos Deuses” (tupi)
EMBOCADURA FUNDADA EM 1500
TEMPLO DA RIQUEZA
LITERATURA, PROSA E HISTÓRIA
JÚPITER
ADI (ATÓMICO)
PÚRPURA
SOL
JOVAI (aghartino)
EDUARDO JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
(Antigo Leonel da Silva Neves e Giuliano de Lorenzo)
ADI-BEL (cabalístico)
OMPADAX (Coronal)
SINTRA, Portugal
SURA-LOKA

São Thomé das Letras com as suas casas rústicas feitas de granito, com as suas calçadas também de pedra granítica, evocaram-me de imediato as ambiências rurais de Trás-os-Montes e das Beiras portuguesas. Tudo aí trescala força, energia de júpiteres humanos como são a sua gente rija, afã e acolhedora. O seu Pico do Leão é ainda marco geográfico para as funduras da Embocadura local, fundada no mesmo ano da chegada ao Brasil de Pedro Álvares Cabral em 1500. O São Tomé aqui venerado como Orago será sobretudo adaptação católica do Manu ameríndio Sumé, e gentes singulares de miraculosas ou tão-só desenvolvidas qualidades psicofísicas parecem hoje descender dele, como o famoso Chico Taquara ou o “Tatá” Noronha que me deixou saudades, ora fitando inquieto as  estrelas do Cruzeiro, ora amorável puxava do violão e soltava uma balada mineira com voz maviosa que fazia sonhar.

CONCEIÇÃO DO RIO VERDE
ITIQUIRÁ, “Água Vertente” (tupi)
EMBOCADURA FUNDADA EM 1200
TEMPLO DA VENTURA
FILOSOFIA E RELIGIÃO
VÉNUS
AKASHA (ÉTER)
AZUL

ENOI (aghartino)
FRANCISCO JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
AKASH-BEL (cabalístico)
YAMPADAX (Laringe)
CAIRO, Egipto
JINA-LOKA

Inaugurada no ano 1200 da nossa Era, a Embocadura de Conceição do Rio Verde vai bem com o seu nome tupi, “Água Vertente”, que beija a cidade bela e harmoniosa com uma igreja matriz capaz de rivalizar com as mais imponentes catedrais da Europa. De todas as cidades do SGSM, parece que esta era da especial predilecção do Professor Henrique José de Souza, inclusive tendo-lhe dedicado um Hino, com letra e música sua, que além da grande beleza harmónica pauta igualmente o seu profundo significado iniciático. “Conceição do Rio Verde, / Um rio cor de esperança, / Rio Verde, Rio Verde, / Que não me sai da lembrança”.

AIURUOCA
AJUR-LOKA, “Caverna da Luz” (tupi e sânscrito)
EMBOCADURA FUNDADA NO ANO 1000
TEMPLO DA SUBLIMAÇÃO
TEURGIA E TAUMATURGIA COMO MEDICINA UNIVERSAL
SATURNO
VAYU (AR)
VERDE

KARIB (aghartino)
GODOFREDO JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
VAYU-BEL (cabalístico)
PAMPADAX (Cardíaco)
SRINAGAR, Índia
AJUR-LOKA

Embocadura fundada no ano 1000 da nossa Era dando prossecução ao Sistema Geográfico de Teresópolis, causalmente esta cidade distingue-se causalmente seus médicos ilustres que muito contribuíram para a História da Medicina no Brasil e noutros países. Cidade hospitaleira, agradável e gentil, com o seu imponente Pico do Papagaio dominante no meio da Natureza virgem e da fauna selvagem, também a sua igreja matriz se replete de símbolos cuja linguagem muda fala alto do mundo iniciático de que participaram, e quiçá ainda participem, muitos filhos conhecidos e anónimos da terra. Até hoje aí mantenho amizades profundas cujas gentilezas prontas de dedicados aiuruocanos sempre me sensibilizam deixando-me sem jeito, ficando-me sempre o pleito de gratidão.

SÃO LOURENÇO
ZOROACY, “Sol Central” (tupi)
EMBOCADURA FUNDADA EM 1942
TEMPLO DO CONHECIMENTO UNIVERSAL
OS SETE RAMOS DO CONHECIMENTO HUMANO
SOL CENTRAL
MAHA-BUTHA (SETE ELEMENTOS)
BRANCO
SETE NOTAS MUSICAIS
ADAMITA (aghartino)
HELENA JOSÉ BRASIL DE SOUZA (português)
ANABEL (cabalístico)
LUZ DE CHAITÂNIA (CARDÍACO INFERIOR, VIBHUTÎ)
SÃO LOURENÇO, Brasil
ZOROACY OU COROACÍ.

JHS activa a Embocadura Sanlourenciana em 9 de Setembro de 1942, aquando estabelece a ligação do Templo do Caijah com a Montanha Sagrada Moreb, o que equivale ao Sol Interno do Mundo de Duat começar a vibrar na Face da Terra a partir do ponto bindú ou centro do Sistema Geográfico Sul-Mineiro. Fê-lo com a sua deslocação física ao Mundo Interno indo subterraneamente do Rio de Janeiro a São Lourenço, depois voltando novamente ao Rio saindo trôpego próximo da Rua do Catete. Nessa hora o relógio da Praça XV parou inesperadamente. Em 24 de Fevereiro de 1949, foi inaugurado o Templo de Maitreya – coincidindo com o Seu nascimento em Agharta – que abriria o novo ciclo de espiritualidade em toda a cidade de São Lourenço, apercebendo – graças à propaganda pública da Sociedade Teosófica Brasileira – a maioria da população que caminhava sobre telhados de fibra vítrica… São Lourenço –  terras de encantos mil, com crepúsculos apologéticos enchendo de místicas vibrações o peito de qualquer um; São Lourenço – onde o Cruzeiro do Sul mais brilha e se exalta o humano tirocínio; São Lourenço – saudade e amor, lágrima de gratidão caindo fugitiva ao lembrar enternecido Roberto Lucíola, sobretudo, mas também a tantos e a tantas mais de alma mineira que desde o coração do Brasil distendem seu frémito de amor à Terra inteira.

Posto isso, apresentam-se os Sete Dhyanis-Budhas chefiados pelo Augusto Akdorge na representação de Arabel, e imediatamente abaixo os Assuras humanos, como Corte desse Planetário mas ao serviço do Sexto, assumindo o trabalho de Guias da Nova Civilização, dessa mesma Raça Dourada do Futuro, mas por ora responsáveis pela condução da evolução da presente Humanidade rumo ao Quinto Sistema, como consta na Carta-Revelação de JHS de 15 15.04.1952. O Edital de 31.07.1954, adianta que os Jivas ou seres humanos estão ligados ao Budha Terreno, são dirigidos por Ele agindo pelos Dhyanis-Budhas. Assim, o Esplendor da Cadeia Terrestre vincula-se necessariamente à Realização da Hierarquia Jiva, à Vitória de Deus na Humanidade.

De modo que o trabalho actual dos Munindras apresenta-se com duas frentes. Uma, estritamente esotérica e oculta: suporta e apoia as Hierarquias Divinas laborando desde Agharta à Face da Terra, e da Face da Terra até Agharta-Shamballah, criando as condições necessárias ao Advento de Maitreya. A outra, é exotérica e expansiva: a da propagação de um novo estado de consciência para toda a Humanidade, através de novos valores, novas ideias, novo carácter e nova cultura. Este trabalho concreto no mundo constitui-se na alegórica Escada de Jacob que une a Terra ao Céu e por onde sobem e descem Seres Alados: sobem os homens até se tornarem na Divindade, e descem os Seres Divinos até alcançarem a Humanidade.

Com a Vitória da Obra de Deus em relação ao trabalho do actual Quarto Sistema ou Ronda, a derradeira fase desse trabalho a cumprir é a da Iluminação espiritual da Hierarquia Jiva como Hierarquia Criadora ainda em formação. A Era de Maitreya, ou os mil anos antes de 3005, é o período onde as atenções estão focadas nesse derradeiro trabalho da Hierarquia Humana, pelo que todo ele converge para a Humanidade.

Finalmente, cabe ressalvar que hoje o termo Assura refere-se a um estado de consciência diferenciado, ligado à Obra e ao trabalho do Pramantha, e não tanto aos Seres dessa Hierarquia que no tempo de JHS estavam na Face da Terra. Assim, para todo o efeito, todos somos humanos realizando um trabalho Divino, Assúrico. O objectivo principal é o Esplendor, a Realização da Hierarquia Jiva, e para tanto deve ser levado ao mundo o conhecimento legado pelo Avatara, para que o mundo dele usufrua e possa participar deste trabalho. “A Humanidade só será feliz quando reconhecer o Avatara”, afirmou JHS. Para haver esse reconhecimento, necessário se faz que Ele seja apresentado ao mundo. Este é o papel principal de todo o Munindra, de todo o Discípulo desta Nova Era de Promissão.

BIJAM

Helena Petrovna Blavatsky, a Esfinge Humana – Por Vitor Manuel Adrião Quinta-feira, Ago 27 2020 

PREFÁCIO

Sim, Prefácio em “primeiro lugar”, do latim praefatio e prefacies, este também indicativo de pré-facies ou ante rosto, que no caso é o de Mário Roso de Luna, cujas páginas sequentes dedicadas à memória descritiva da vida e obra de Helena Petrovna Blavatsky, à defesa da sua pessoa, nome e honra com provas após provas desfazendo os equívocos, a maioria propositados e depois repetidos por outros que nunca conheceram nem tampouco a viram e só ouviram falar pelos jornais e revistas, dos seus detratores e adversários gratuitos, comovem e exaltam, elucidam e serenam aos que a seguem no seu ideal teosófico ou tão-só a admiram na singularidade da sua pessoa perante a sociedade e a espiritualidade de seu tempo.

De princesa a trânsfuga, de camarada de intelectuais e artistas da boémia parisiense a iniciada na solidão das sete partes do mundo, de ignorante a sábia, de psíquica a taumaturga, de aventureira a esfinge… tudo justamente enfaixado com a maior coerência humana e espiritual em uma só pessoa, H.P.B., avolumando o fascínio que exerceu e acrescendo o enigma que foi em seu tempo e assim se mantém hoje.

Tão bem Mário Roso de Luna descreve essa sua multifacetada personalidade, sempre socorrendo-se dos testemunhos daqueles que a conheceram de pertíssimo, destacadamente os da sua irmã Vera Zelihowsky, de Henry Olcott e de Percy Sinnett, pessoas de honorabilidade imaculada, que considerei e considero esta obra como a melhor e mais completa biografia feita de Helena Petrovna Blavatsky, sabendo-se enquadrar os acontecimentos mais imprevisíveis e interpretar os factos mais inexplicáveis, com isso formando um todo o mais coerente, lógico e elucidativo possível que nenhum outro autor, por mais cronologia documentada que acaso apresente, alguma vez fez, porque o documentado Mário Roso de Luna vai além dos documentos, penetra directamente o Mundo Oculto de Blavatsky e dos seus misteriosos Mestres, e logo regressa com as mais supreendentes conclusões.

É tocante a sua fidelidade e dedicação à Mestra, a defesa sábia com a mais requintada lógica jurisprudente da honra e pessoa dela, enaltecendo-a de maneira sublime como um filho dedicado a sua mãe martirizada. Ora, conforme revelou o Professor Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Teosófica Brasileira, este presente livro, Uma Mártir do Século XIX, escreveu-o Mário Roso de Luna depois da sua visita à Fraternidade de Machu-Pichu, Peru, onde os Adeptos aí residentes lhe revelaram a sua verdadeira ou espiritual paternidade: Mr. Ralph Moore, da Linha Morya, e Mme Blavatsky II, isto é, a Tulku, “Sósia” ou Projecção espiritual na humana, acontecida desde a Batalha de Mentana, Itália, onde foi salva milagrosamente por misterioso Adepto Vivo conhecido no Mundo Humano como Gai Ben Jamim e entre os seus pares por Djwal Khul Mavalankar, vindo a manifestar-se pela original Blavatsky I, ou seja, tal qual o Ego para o eu inferior, aqui a Arhat ou altíssima Iniciada agindo aparente, ilusória ou mayavicamente por aquela conhecida de todos e que por tal facto oculto era a sua personalidade tão contrastante e inexplicável, ao ponto de a consignarem de “Esfinge do século XIX”.

Pertencendo a essa estirpe de Assuras ou “Deuses do Mental” humanizados, como Hierarquia Primordial, a Assura Blavatsky tinha por seu Makara ou Aspecto Superior aquela que os Mestres Vivos chamavam de Upasika, ficando o Upasaka para Olcott, também ele Assura. A isto voltarei mais adiante, devendo agora ficar pela destrinça da Blavatsky humana e da Blavatsky espiritual, ainda que ambas se fundam numa só.

Como mulher, Helena seria caracterizada pelos seus modos caprichosos de aristocrata auto-deserdada, mesmo rudes, até boçais, chocando de frente com as conveniências de uma sociedade conservadora onde as aparências são tudo. Apodada com os epítetos mais cruéis e injustos – prostituta, mesmo sendo virgem até morrer como confirma o seu atestado médico, espiã, charlatã, etc. – a sua originalidade e amor à liberdade pessoal era temida tanto mulheres conformadas à sujeição como sobretudo por homens conformando o seu domínio. Fez parte do rol das Georges Sands rebeldes que marcaram aqui e além na Europa do século XIX a independência do género feminino em choque aberto com a sociedade machista dominadora. Não conseguindo suportar as acusações injustificadas contra ela, restou aos detratores apontar-lhe a sua fealdade natural – também não sendo assim tanto como se repara nas fotos da sua juventude e meia idade, sendo mais tipicamente caucasiana do que propriamente feia – compensando essa ausência de beleza feminina com a desbragada fantasia romancesca que a recambiava ao território da alienação com perda total do senso da realidade, onde nunca se perde o que jamais se teve senão em imaginação.

Quer a religião conservadora da “moral e bons costumes”, quer a ciência empedernida nos seus estreitos limites escusando quanto não tivesse o seu dédalo censório, alimentaram e incentivaram as atitudes negativas, feitas sobre os padrões psicossociais criados e adquiridos a ponto de se tornarem hábitos “normais”, de quase toda a sociedade contra Helena Blavatsky, assim mesmo extravasando as suas principais nidhanas, vícios, defeitos e preconceitos contra ela, as quais até hoje, individual e colectivamente, são predicados que toldam os sentidos e roubam o senso de imparcialidade e lucidez do Género Humano, como seja: raiva (em não conseguir realizar os desejos pessoais); ódio (contra a imaginada ou real oposição; rejeição ou abuso de outros); vingança (acções ou intenções de agir para ferir ou colocar outros em posições de desvantagem, que se percebem, correctamente ou através de fantasias por projecções, como consequências de os ter ferido ou colocado em desvantagem); medo (insegurança, na expectativa ou pressuposição de um presente ou de passado negativo que se irá repetir); luxúria (necessidades de co-dependência, obsessões ou compulsões concernentes a aceitação, poder, controle, liberdade, segurança, optimismo, intimidade, solidão); desconfiança (uma combinação de medo, vergonha tóxica, paranóia e ansiedade); ansiedade (uma compulsão em manipular a realidade e tentar relacioná-la com os desejos pessoais), e ainda alguns outros factores similares, onde ficando ausentes os artificialismos imediatamente se substituem por artifícios.

Contrariando os castopiniastras, muitos deles vendidos às traições jesuíticas por trinta moedas, praticando actos imorais absolutamente condenáveis onde nem sequer se deu possibilidade de defesa à acusada, como aconteceu no “caso Coulomb” e ainda com aquela “irmã de caridade” contratada para assistir Blavatsky acamada em Londres, durante a sua enfermidade grave, a qual na ausência dos locatários encostava-lhe um crucifico na cabeça exigindo-lhe que se arrependesse, até ser surpreendida nesse acto e imediatamente expulsa da casa, como conta a condessa de Wachtmeister nas suas Memórias.  Não só vários discípulos próximos de H.P.B. acudiram à defesa da Mestra, tanto no Oriente como no Ocidente, contra a vaga de impugnações infundadas que cruelmente caía sobre ela, mulher indefesa, como até os seus próprios Mestres intervieram, quer agindo ocultamente sobre os acontecimentos como inclusive por escrito, como se vê e lê na carta assinada por K.H. datada de Simla, Outubro de 1882:

“Nunca a conhecereis como nós – porque nenhum de vós jamais conseguirá julgá-la imparcial e correctamente. Vós vedes a superfície das coisas, e mesmo ao que chamais de “virtude” não deixais de a considerar segundo as aparências, enquanto nós não julgamos senão após ter sondado o motivo até à sua profundidade mais íntima, geralmente deixando as aparências entregues a si mesmas. Para vós H.P.B. é pelo menos, para os que a amam a despeito do que ela própria seja, uma mulher estranha, bizarra, um enigma psicológico, impulsiva e boa mas não sendo isenta de inexactidão. Mas nós, pelo contrário, sob o véu da excentricidade e da tolice vemos o seu Ser Interior, dotado de uma Sabedoria mais profunda do que aquela que alguma vez sereis capazes de aperceber em vós mesmos. Nos detalhes superficiais dos seus assuntos e da sua vida quotidiana, simples, preenchida por trabalho duro que lhe é tão vulgar, não discernis senão impulsos pouco práticos, pouco femininos, seguidos de absurdidades e tolices. Mas nós, pelo contrário, descobrimos diariamente na sua natureza interior os traços mais delicados e refinados, os quais um psicólogo não-iniciado nunca poderá descobrir nas profundezas desse mistério tão subtil – o mental humano – e um dos mecanismos mais complexos – o mental de H.P.B. – senão após anos de observação constante e penetrante, ao par de horas de esforços em análises cerradas, trabalho que permitiria a esse psicólogo aprender a conhecer o verdadeiro Ser Interior de H.P.B.”

Nisto também se inscreve o caso do “filho de Blavatsky”, o menino Yuri, pomo de tanta controvérsia dos castopinastras ou só opiniastras profanos acerca da virgindade e castidade de H.P.B., assunto que ela pediu a Sinnett para não referir na sua biografia sobre ela numa época em que era atacada da maneira mais infame possível, tendo à cabeça dos seus inimigos implacáveis o médium Daniel Dunglas Home (Curie, Escócia, 20.3.1833 – Paris, França, 21.6.1886) acusando-a de “famosa no bas-fond parisiense pelos seus múltiplos amantes”, o que nunca se provou, tampouco que ela alguma vez tivesse engravidado ou perdesse a virgindade em “habituais passionalidades” que, afinal, eram tão contrárias à sua manifestada personalidade “assexual” e modos extrovertidos e explosivos que assustavam os homens. O caso de Yuri e da sua maternidade pode ser contada em poucas palavras, e começarei pela segunda.

O atestado médico do dr. Leon Oppenheimer, que lhe fizera um exame ginecológico em Würzburg, datado de 3 de Novembro de 1885, informa que ela “sofre de anteflexio uteri, muito provavelmente desde o nascimento, ficando provado pelo exame minucioso que nunca gerou uma criança nem teve qualquer doença ginecológica”. O termo “doença ginecológica” continuou a ser bastante vago para os críticos por não dizer claramente se era ou não virgem. Então, a pedido da condessa de Wachtmeister, nessa época morando com H.P.B., o dr. Oppenheimer emitiu um segundo certificado: “Certifico que Madame Blavatsky nunca esteve grávida e, consequentemente, nunca poderia ter gerado uma criança”. Junta com esse segundo certificado, a condessa endereçou uma carta a Olcott, em 10 de Fevereiro de 1886, onde explica: “Vejo que a palavra grávida engloba todos os sentidos, pois sem estar grávida ela não poderia ter tido um aborto, nem uma criança. O primeiro atestado (escrito em alemão) foi mal traduzido. No original em posse do Sr. Sinnett, a palavra “aborto” foi traduzida por “doença de mulheres”. O doutor disse-me então que embora nenhum médico possa atestar positivamente se uma mulher viveu ou não com o seu marido, uma vez que a virgindade pode ser perdida por uma queda ou exercício forte, segundo as suas melhores luzes, aparentemente Madame Blavatsky não conviveu com um homem”.

Ele não atestou que H.P.B. seria virgem, porque aparentemente não o era devido a um acidente na infância, como ela própria diz a Sinnett numa carta junta ao segundo certificado, como folha única numerada quatro depositada nos Arquivos de Adyar. Com o seu costumeiro modo explosivo – próprio de quem estava muito revoltada na ocasião – ela explica essa perda da virgindade: “… aqui está o seu estúpido novo atestado, com os seus sonhos de virgo intacta numa mulher que teve todas as suas entranhas postas para fora, útero e tudo, devido à queda de um cavalo. E de novo o doutor olhou, examinou três vezes, e concluiu o que o professor Bodkin e Pirogoff dissera em Psokov em 1862: que eu nunca poderia ter tido relação com qualquer homem sem uma inflamação, porque me falta algo e o lugar está preenchido por algum pepino torto”. Esse exame feito pelo professor Pirogoff datará de 1859, e provavelmente é a ele que H.P.B. se refere ao contar a Sinnett acerca das desconfianças do seu pai: “Contei-lhe que até o meu próprio pai suspeitava de mim, e se não fosse o atestado médico talvez nunca me tivesse perdoado. Depois ele teve pena e afeiçoou-se àquela pobre criança. Ao ler o livro de Home, o médium, vejo que ele foi o primeiro a reunir o que restava das suas forças para me denunciar, dar nomes, factos e não sei que mais”.

A criança rejeitada, Yuri, que Helena acolheu e levava consigo por toda a parte tratando-a como um filho, era fruto de uma paixão passageira de Nathalie Blavatsky, irmã solteira do coronel Blavatsky, com o barão Meyendorff, casado, como descreve Jean Overton Fuller no seu livro Blavatsky and her Teachers (“Blavatsky e os seus Instrutores”). O caso, abafado pelas respectivas famílias, terá acontecido durante o ano de 1858, pois em Janeiro de 1859 o infeliz rejeitado já estava com H.P.B., que se afeiçoou ao pobre inválido raquítico, deformado por horrível corcunda, acabando por falecer em Kiev em 1867. O inimigo mortal de Blavatsky e Olcott, que nunca os conhecera pessoalmente, encarregou-se de inventar essa história recorrendo ao mau falatório dos inimigos daqueles,  tanto russos como demais europeus, a maioria adeptos do “rival” espiritismo.

Deve ser a esse caso que Henry Olcott se refere, quando escreve nas suas Folhas de um Velho Diário: “… durante anos tive na minha posse um maço de cartas antigas que provavam a sua inocência (de H.P.B.) relativamente a determinada falta grave de que fora acusada, tendo deliberadamente sacrificado a sua reputação para salvar a honra de uma jovem senhora caída em desgraça”.

Numa carta para Dondoukoff, H.P.B. refere-se à morte de Yuri nos seguintes termos:

“Eu estava com 35 anos quando o vi pela última vez. Não vamos falar dessa época terrível e imploro-lhe que a esqueça para sempre. Eu havia perdido recentemente o único ser que fazia valer a pena a vida ser vivida, um ser a quem amei, parafraseando Hamlet, ‘como quarenta mil pais e irmãos nunca amarão seus filhos e irmãs’.”

Em 1885, H.P.B. solicita a Sinnett por carta que não mencione o assunto no seu livro sobre ela:

“Devo eu agora, na esperança ilusória de me justificar, começar a exumar esses vários cadáveres – a mãe da criança, Meyendorff, a sua esposa, a própria pobre criança e todos os demais? NUNCA. Isso seria tão mesquinho e sacrílego quanto inútil. Eu digo-lhe: deixe os mortos dormirem. Não toque neles, pois apenas faria com que repartissem as bofetadas e os insultos que estou recebendo, e não teria sucesso em proteger-me de qualquer modo. Não quero mentir, mas não tenho permissão para contar a verdade. O que faremos, o que podemos fazer? Toda a minha vida, excepto as semanas e meses que passei com os Mestres no Egipto ou no Tibete, está tão inextrincavelmente cheia de acontecimentos cujos segredos e verdadeira realidade diz respeito aos mortos e aos vivos, sendo eu responsável apenas pelas suas aparências externas, que para me defender teria de pisar uma quantidade de mortos e cobrir de lama os vivos. Eu não farei isso.”

E na carta seguinte ao mesmo Sinnett, reitera:

“O “caso da adopção da criança”! Prefiro ser enforcada a mencioná-lo. Mesmo omitindo nomes, você sabe ao que isso levaria? A uma avalanche de lama caindo sobre mim. Bem, meu caro Sr. Sinnett, se for para me arruinar, embora isso seja quase impossível agora, então mencione esse “incidente”. O meu conselho e pedido é que não mencione nada. Já fiz demais no sentido de provar e jurar que não era meu filho, e ultrapassei os limites. O atestado médico não servirá para nada. Essas pessoas dirão que comprámos ou subornámos o médico. Isto é tudo.”

Como Iniciada, H.P.B. foi pioneira tendo iniciado um ciclo de saberes e práticas sistematizados em doutrina de que nunca houvera antes algo igual ou sequer semelhante. Trouxe a Teosofia ao Mundo. Isso valeu-lhe o temor pela novidade que fazia tremer os alicerces sociais estabelecidos, sobretudo os da religião e da ciência, com isso acarretando-lhe o ódio, a incompreensão e a ingratidão, era adversária temível a abater, o que nunca se conseguiu a despeito das inúmeras tentativas e intentonas, mas também, verdade seja dita, a gratidão de milhares que assim se viam libertados dos grilhões seculares que trazia escravizada a liberdade do livre-pensamento e impedia o progresso social. Por exemplo, na Índia a Teosofia, ao devolve-lhe a sua dignidade humana e espiritual, ademais apontando-a como Áriavartha berço da actual Raça Ária, veio a ser o fermento da sua posterior independência do subjugo colonialista britânico, tanto mais que Mohandas Gandhi andou de proximidades a Annie Besant, então presidente da Sociedade Teosófica com sede em Adyar, Madras.

Nesse aspecto, igualmente operaram-se sensíveis e visíveis alterações psicofísicas em H.P.B., as mais notórias obviamente as físicas, sem necessariamente serem acompanhadas de mudanças nos hábitos alimentares, como, aliás, acontece com qualquer um(a) que desbloqueie as suas energias internas ao fortificar conscientemente o vínculo ou antahkarana ao Ego Superior, onde se incluem as seguintes: mudança no grau de visão (geralmente melhoria); mudança nos graus de olfacto e audição (geralmente melhoria); mudança no raciocínio (capacidade de assimilação rápida dos pensamentos mais abstractos);  mudança no tom da epiderme (mais clara/mais dourada ou bronzeada); mudança na cor dos cabelos (mais escuros/mais claros, mais brancos/menos brancos); mudanças na textura e curvas dos cabelos (mais rectos/mais curvilíneos, mais macios/mais duros/mais espessos); mudança na direcção do crescimento dos cabelos (mudanças na posição de divisão dos cabelos de um lado da cabeça para o outro, e da localização da coroa dos cabelos de uma posição superior para outra inferior, ou vice-versa); mudanças na saúde digestiva e na compostura emocional.

Essa era a Upasika como os Mestres lhe chamavam, a predilecta dos mesmos escolhida ou eleita para iniciar um novo ciclo de evo-ução mental da Humanidade, que transcorre até hoje mas que um dia findará quando o Homem realmente for um ser realizado. Esse termo pali e sânscrito aparece na Theravada Budhista, que é o original “Ensinamento dos Sábios” ou “Doutrina dos Ansiães”, tendo-se que no sânscrito hindu aparece Uposatham Samâdiyati, “Oito Preceitos (da Libertação)”, os de Gautama Budha, enquanto Uposatha é o que “segue os Preceitos”, derivando daí o pali tibetano Upasika, feminino, e Upasaka, masculino, traduzidos como “atendente (leigo) dos Preceitos”.

Não significa isso que H.P.B. perfilhasse o Buddhismo confessional, mesmo não o ostracizando como igualmente não ostracizou o Cristianismo original, mas antes partilhasse dos Mistérios do Budhismo Iniciático – Mahayana, “Grande Barca” – à semelhança dos seus Mestres ocultos aquém e além Himalaias. Uma carta de 1881 atribuída ao Maha-Choan, o “Supremo Dirigente da Grande Confraria Branca”, faz luz sobre esse posicionamento:

“Como se pode impedir o natural instinto combativo do Homem de infligir crueldades e outras enormidades, a tirania, a injustiça, etc., senão pela influência apaziguadora de uma Confraria e de uma aplicação prática da Doutrina Esotérica do Budha? Porque, que todos o saibam, rejeitar inteiramente esta autoridade do Poder ou Lei Universal, chamada pelos padres de Deus, pelos filósofos de todas épocas de Budha, Sabedoria e Iluminação Divinas, Teosofia – é rejeitar de um só golpe toda a lei humana. Libertas dos grilhões que as prendem, do peso morto das interpretações dogmáticas, dos nomes pessoais, do antropomorfismo e dos padres assalariados, as doutrinas fundamentais de todas as religiões mostram-se idênticas no seu sentido esotérico. Osíris, Krishna, Budha, Cristo não são mais do que nomes diferentes para designar a Via Única e Real levando à Beatitude final, o Nirvana. O Cristianismo Místico, ou seja, o Cristianismo que ensina a Redenção Humana pelo nosso Sétimo Princípio, o Param-Atma (Paramahatma ou Paranirvânico), chamado (Augoeides) por uns Cristo, por outros Budha e que corresponde à Regeneração ou ao Novo Nascimento Espiritual, esse Cristianismo aparece como Verdade igual à do Nirvana do Budhismo. Deveis todos livrar-vos do vosso próprio ego, do eu ilusório e aparente, para que possais reconhecer o vosso verdadeiro Eu em divina e transcendente vida. Se não quereis ser egoístas, deveis esforçar-vos por demonstrar esta Verdade aos vossos semelhantes e levá-los a reconhecer a realidade deste Eu transcendente, deste Budha, Cristo ou o Deus de todo o pregador. Eis porque o Buddhismo, mesmo o exotérico, é o caminho mais seguro para levar os homens à Verdade Una e Esotérica.”

Mercê da sua origem e herança congénita ibérica, Mário Roso de Luna faz nesta obra o que raramente ou nem isso fazem os autores teosofistas de língua alemã, francesa e sobretudo inglesa, talvez por arrogância e preconceitos raciais: procura sinais da presença de H.P.B. na Península Ibérica, investiga e apresenta as pistas que seguiu nesse sentido, descreve os discípulos espanhóis da Mestra, nomeadamente José Xifré Hamel que conviveu com ela entre 1888 e 1890, e fez parte da Loja Blavatsky sediada em Londres, e o lento mas seguro crescimento da Sociedade Teosófica em Espanha a partir de 1888, que teve e tem um papel determinante no pensamento espiritualista espanhol a que não foi alheio este mesmo Mário Roso de Luna, além de Tomás Doreste Hernández e Francisco Montoliu y Togores, o tradutor de Ísis Sem Véu, de H.P.B., para a língua de Cervantes.

Mas também fez parte da Loja Blavataky, tendo conhecido pessoalmente esta, um português: Francisco de Stuart Morão, visconde de Figanière, autor de Supramundo, Mundo e Submundo (1889), já escrito na língua de Camões quando H.P.B. publicou A Doutrina Secreta (1888). Aliás, quando José Xifré escreveu pela primeira vez, em 1888, a Helena, esta convidou-o a visitar o presidente da Sociedade Teosófica “Hermes” em Paris (Arthur Arnould, autor de A Luz da Ásia), a fim de conhecer a organização, adiantando que em Portugal residia o teósofo visconde de Figanière, o que é muito significativo, tanto como esta presente é a única obra onde se indica repetidamente H.P.B. como conhecedora do Centro Oculto Ibérico nos confins da Península, portanto, não em Monserrate nas cercanias de Barcelona mas antes numa outra Monserrate, num verdadeiro e apologético Mons Salvat, como seja Sintra no extremo ocidental peninsular e continental.

Também a Teosofia em Portugal exerceu enorme influência nas Artes e Letras no país. Apesar de ter sido fundada muito depois da Sociedade Teosófica Espanhola, a Portuguesa igualmente foi bastante profícua na sua actividade, não deixando a Teosofia de influenciar figuras de renome como Fernando Pessoa, Augusto Ferreira Gomes, Raul Leal, João Antunes, Délio Nobre dos Santos, Félix Bermudes, etc., além do pioneiríssimo visconde de Figanière.

Com respeito à Sociedade Teosófica de Portugal, foi reconhecida pela dr.ª Annie Wood Besant, então presidente mundial da Sociedade Teosófica sediada em Adyar, Madras, Índia, em carta credencial de 15 de Setembro de 1921, tendo o Artigo 1.º da Lei do Código Civil de 14 de Fevereiro de 1907 servido de argumento, em 28 de Novembro de 1921, para o Governo Português dar por oficializada a S.T.P. por despacho emitido pelo Governo Civil de Lisboa.

Mas já em Janeiro de 1920 havia em Lisboa um Ramo teosófico, o primeiro em Portugal, que levava de nome Ísis. O seu presidente era o arquitecto António Rodrigues da Silva Júnior (1868-1937), um dos fundadores da S.T.P., amigo e condiscípulo do dr. Mário Roso de Luna, ao qual teceu elogios rasgados no seu estudo A Atlântida (Subsídio para a sua reconstituição histórica, geográfica, etnológica e política), publicado em Lisboa na revista A Arquitectura Portuguesa, de Janeiro de 1930 a Maio de 1933.

No ano da oficialização da Sociedade Teosófica de Portugal (1921),  é fundada nela em simultâneo o Ramo Visconde de Figanière, sendo o seu presidente António Chaves Cruz. Entre 1927-29, o capitão Artur do Nascimento Nunes encontrava-se à dianteira do Ramo, o qual, com mais ou menos intensidade, nunca deixou de funcionar até ao presente.

Vitor Manuel Adrião

Património Templário Português – Por Vitor Manuel Adrião Sábado, Ago 1 2020 

ORDEM DO TEMPLO: 1118-1128 – 1314

SENDO SUA SUCESSORA UNIVERSAL A

ORDEM DE CRISTO: 1319 – 1834

MINHO

FONTE ARCADA – Primeira Casa-Mãe da Ordem do Templo em Portugal, por doação da rainha D. Teresa, entre 1125-1128.

BRAGA – Capela de São Frutuoso. Espécime único em Portugal da arte romano-bizantina, construído entre os anos 650 e 665 pelo bispo de Braga, São Frutuoso, sob o evoco São Salvador de Montélios, foi reconstruído no início do século XII pelos templários que, entre 1124 e 1125, aqui tiveram as suas primeiras casas e terras, tendo em 1239 recebido mais igrejas e propriedades.

BOURO – Mosteiro de Santa Maria. Sede de um cenóbio beneditino desde o final do século XI, regendo-se a partir de 1156 pela nova regra de São Bernardo de Claraval, donde os seus monges passarem a ser conhecidos por os bernardos. Esta comunidade esteve sob a protecção de D. Afonso Henriques e dos templários.

VALDREU – Convento de Santo Agostinho. Fundado por D. Pedro Ourigues de Anóbrega, filho de D. Ourigo, o Velho. No século XV converteu-se em comenda da Ordem de Cristo.

PONTE DA BARCA – Mosteiro de Bravães. Cenóbio de frades agostinhos desde os meados do século XII, cuja protecção coube aos templários e depois à Ordem de Cristo.

ARNOSO – Igreja de Santa Eulália. Templo românico do século XII.

BARCELOS – Vestígios templários na sua igreja-matriz, romano-gótica, parte deles aglomerados no anexo museu arqueológico, onde se patenteia uma arca tumular com símbolos herméticos do Templo. Há também vestígios da sua presença nos lugares próximos de Vilar de Frades, Manhente e Mariz.

NEIVA – Igreja e torre de Santa Maria. Obras românicas do século XII, cuja fundação é atribuída à rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques (1152), havendo aqui vestígios da presença templária.

VIANA DO CASTELO – Igreja de São Cláudio de Nogueira. Templo românico do século XII integrado num mosteiro beneditino, desaparecido.

FRIESTAS – Igreja de São Fins. Cenóbio eremítico do século VI. D. Afonso Henriques concedeu-lhe, em 1172, um amplo couto abrangendo quatro paróquias, sob a jurisdição militar e religiosa dos templários.

MONÇÃO – Igreja de S. João de Longos Vales. Templo românico do século XII.

MELGAÇO – Igreja de Nossa Senhora da Orada. Valioso espécime da arquitectura românica quase coeva da Nacionalidade. Há vestígios da presença templária.

PADERNE – Igreja de Paderne. A sua fundação é atribuída a Dona Paterna, viúva do conde Hermenegildo, senhor de Tui (século XI). Há vestígios da presença templária.

GUIMARÃES – Igreja de São Miguel do Castelo. Coeva da Nacionalidade onde, segundo a tradição, teria sido baptizado D. Afonso Henriques. Há vestígios da presença templária.

SERZEDELO – Igreja. Templo românico do século XII.

FAFE – Igreja de São Romão de Arões. Templo românico do século XIII.

CABECEIRAS DE BAIXO – Torre de Abadim, nas faldas da Serra de Ourada, espécie de Sinai ibérico.

ENTRE DOURO E MINHO

RATES – Igreja de São Pedro. Valiosa relíquia da arquitectura românica da velha diocese bracarense, foi doada no século XII pela rainha D. Teresa aos templários.

RIO MAU – Igreja de São Cristóvão. Templo de granito castiçamente românico dos meados do século XII (1151).

DOURO LITORAL

PORTO – Igreja de Cedofeita. Templo protorromânico do século XII oferecido aos templários pela rainha D. Teresa, doação confirmada por D. Afonso II em 1256, reconstruído sobre um outro mais antigo, talvez do século VI, cuja construção é atribuída ao rei suevo Teodomiro, ariano catequizado e convertido por São Martinho de Dume, que o teria atraído ao credo católico graças à cura miraculosa do seu filho primogénito, Ariamino – décimo quinto e penúltimo da dinastia sueva.

PAÇO DE SOUSA – Mosteiro de São Bento. Oriundo do século X, no século XII os templários foram seus donatários, sendo o principal motivo de atracção deste templo o túmulo de Egas Moniz, tutor de D. Afonso Henriques. O imóvel está no sítio da Cabeça Santa, onde existe um outro templo românico com influência templária, do século XII (anterior a 1125), a igreja de São Salvador da Gandra (“Ecclesia Sancti Salvatoris de Gandera”) ou da Cabeça Santa, no couto doado por D. Mafalda (1200-1250), filha de D. Sancho I e de D. Dulce de Aragão, tendo falecido em halo de santidade (beata) sendo abadessa cisterciense no mosteiro de Arouca.

LOUSADA – Igreja de Meinedo. Templo românico dos inícios do século XIII, levantado sobre um cenóbio moçárabe, estando consagrado a Santa Maria Maior, pomo da hipertúlia sob o apodo inicial de Nossa Senhora das Neves, assim chamada por, segundo a lenda, ter feito nevar em pleno Verão, na noite de 4 para 5 de Agosto do ano 352, no lugar onde se ergue a basílica de Santa Maria Maior em Roma.

BOELHE – Igreja de São Gens de Arles. Pequena jóia da arquitectura românica do século XII. O seu portal é verdadeira pedra de toque dos saberes d´arte dos medievos mestres beneditinos de cantaria e madeira.

AMARANTE – Igreja de São João Gatão. Pequeno templo românico do século XII onde haviam frescos de inspiração bizantina, de que subjazem dois.

PAÇOS DE FERREIRA – Mosteiro de São Salvador de Ferreira. Fundado, nos meados do século XII, por Soeiro Viegas, e por este concedido aos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Jerusalém.

SANTO TIRSO – Igreja de Roriz. Exemplar românico do século XIII (1228), é consagrado à Virgem Maria e pertenceu a um antigo convento agostinho, já desaparecido.

TRÁS-OS-MONTES

ALGOSINHO – Igreja de Santo André de Mogadouro, tardo-românica do século XIII, foi construída em terras que pertenceram à Ordem do Templo.

BRAGANÇA – Os templários recebem terras e edificam castelos e igrejas a partir de 1145: castelos de Penas Róias e Algoso, igreja de Santa Maria de Azinhoso, etc.

PENA DE AGUIAR – Castelo. Conquistado aos mouros por D. Aguiar, partidário de D. Afonso Henriques, com o auxílio dos templários, na metade do século XII, está situado entre as também medievais igrejas de Nossa Senhora da Guadalupe e de Três Minas, relativamente perto das minas auríferas de Jales.

CHAVES – Igreja de Nossa Senhora da Azinheira. Monumento românico do século XIII, vizinha do convento de São João da Veiga que foi de frades templários.

PITÕES – Convento de Pitões das Júnias. Apesar de já existir no século IX, no XII pertenceria à Ordem de São Bento sob a jurisdição da Ordem do Templo.

LAMEGO – Igreja de Santa Maria de Almacave. Edifício românico da primeira metade do século XII, possivelmente erguido sobre uma mesquita.

NUMÃO – Castelo, reedificado em 1130 e em 1189. Situado em território pertencente à Ordem do Templo, e depois à Ordem de Cristo.

CARRAZEDA DE ANSIÃES – Castelo e igreja de São Salvador. Ocupados pelos templários no século XII, nos reinados de D. Afonso Henriques e de seu filho D. Sancho I, depois cedidos à Ordem de São João do Hospital.

MOGADOURO – Castelo de São Mamede. Foi, desde 1145, primeiro comenda e depois priorado da Ordem do Templo, e no século XIV pertenceu à Ordem de Cristo.

PENAS ROIAS – Priorado Templário e depois comenda da Or-em de Cristo. Obras arquitectónicas: castelo e igreja românica (inícios do século XIII) de Santa Maria de Azinhoso.

CASTELO RODRIGO – Igreja de Santa Marinha em Mata de Lobos, remonta a 1165 e pertenceu à Ordem do Templo, depois herdada pela Ordem de Cristo, referida no Tombo da Beira de 1395.

CINCO VILAS – Em Figueira de Castelo Rodrigo. Fontanares foi antigo nome ligado a Cinco Vilas que teve foral em 1519. No século XII pertenceu aos templários e ao reino de Leão, e englobava o lugar do convento de S. Julião do Pereiro para lá do Côa, onde nasceu a Ordem Militar de São Julião do Pereiro, em 1093, pela mão do conde D. Henrique, destinada ao Pelágio, mas que desde 1256 passou a chamar-se Ordem de Alcântara, por iniciativa da Ordem de Calatrava de que aquela era dependência filiada, com a adopção comum da Regra de Cister.

BEIRAS ALTA, BAIXA E LITORAL

GUARDA – Pertenceu à Ordem do Templo no século XII, e após 1199 o bispo da Egitânia (Idanha-a-Velha), com sede diocesana na cidade da Guarda, negociou direitos episcopais com o Mestrado da Ordem sobre muitas terras, que hoje pertencem aos distritos de Castelo Branco e Portalegre.

ALPEDRINHA – No Fundão, os seus bens foram doados aos templários nos séculos XII e XIII.

ALVAIÁZERE – Em 1306 D. Dinis entregou à Ordem do Templo o padroado das suas igrejas.

PUSSOS – Freguesia do concelho de Alvaiázere, em 1231 a po-voação de Santo Estêvão de Pussos foi dada pelo Mestre do Templo à templária Maria Pires, viúva do cavaleiro Estêvão Pires, e por sua morte o Convento de Tomar passou a donatário.

REGO DA MURTA – Concelho de Alvaiázere. No século XII existiu aqui um mosteiro templário com a sua igreja de São Pedro de Rego da Murta, doado à Ordem em 1159 com Ceras.

AVELÃS DA RIBEIRA – Doação dos seus bens ao Templo, em 1266. No século XIII, a paróquia pertencia a Trancoso. Depois passou a Alverca e Pinhel, e desde 1898 à Guarda.

AVÔ – Em Oliveira do Hospital. Foi couto feito por D. Afonso Henriques e protectorado da Ordem do Templo, que teria levantado a igreja de São Miguel do Castelo. D. Sancho I deu-lhe foral em 1187.

BEMPOSTA – Em Penamacor, na zona de domínio da Ordem do Templo, foi-lhe doada em 1206 por D. Sancho I.

CASTELO NOVO – No Fundão, foi doado à Ordem do Templo no século XIII, pertencendo-lhe Atalaia e Lardosa. Em 1290, o seu castelo foi restaurado, data em que D. Dinis lhe deu foral. Depois passou para a posse da Ordem de Cristo.

CODES – No Sardoal, povoada pelos templários, compreendida na grande rota do ouro e da prata.

VILA DE REI – Doada por D. Afonso Henriques, em 29 de Novembro de 1165, à Ordem do Templo, compreendendo toda a região entre os rios Zêzere, Tejo e Erges.

AMÊNDOA – Concelho de Mação, foi doada à Ordem do Templo por D. Afonso Henriques, e esteve na sua posse até 1174.

FERREIRA DE AVES – No Satão, foi doada à Ordem do Templo em 1126-1128 por D. Teresa, tendo antes lhe dado foral em 1120. Teve novo foral em 1156, de um genro de Soeiro Viegas. Os templários estiveram aqui poucos anos, e ocuparam o seu lugar os hospitaleiros da Ordem dos Cavaleiros de São João do Hospital (depois de Rodhes e finalmente de Malta).

MONTEMOR-O-VELHO – O seu castelo, com os de Soure, Redinha e outros, fez parte da cintura defensiva de Coimbra. Por bula de Inocêncio III, em 1216, passou a pertencer à Ordem do Templo.

MONTEMOR-O-NOVO – Em 1242, os templários recebem terras, herdades e fazendas.

COIMBRA – Em 1239, a Ordem do Templo recebeu-a em doações de terras e igrejas. Posteriormente pertenceu à Ordem de Cristo, a que pertenceram nesta cidade a “casa do arco” e um colégio, edificado em 1581.

ABIUL – Perto de Pombal, foi povoada pela Ordem do Templo em 1161-1167, data do foral de Diogo Peariz e sua mulher.

SOURE – Segunda Casa-Mãe da Ordem do Templo em Portugal, 1128-1147. D. Teresa doou e solicitou à Ordem que repovoasse o lugar em 19 de Março de 1128, e no ano seguinte, em 13 de Março, D. Afonso Henriques confirmou a doação aos templários, que fundaram um mosteiro dentro do castelo sob o Orago de Santa Maria. Em 1223, D. Sancho II doou-lhes o padroado de Soure. Em 14 de Março de 1319, a Ordem de Cristo tomou posse do lugar tornando-se cabeça de comenda.

CONDEIXA – Igreja e palácio de Ega dos comendadores da Ordem de Cristo, antigo domínio dos templários.

PENELA – Castelo de São Miguel e arredores, ocupados pelos templários desde 1124-25.

CASTELO BRANCO – Cidade com foral dado pelos templários e depois ocupada pelos freires da Ordem de Cristo. Aos primeiros pertenceram também as herdades próximas de Vila Franca da Cardosa e de Mancharche, assim como repovoaram Cafede no início do século XIII. Igualmente pertenceu-lhes Escalos de Baixo e de Cima, em 1214, com a doação da citada herdade da Cardosa.

ALCAINS – Próxima de Castelo Branco, pertenceu à Ordem desde o início do século XIII com as terras limítrofes, doação feita por D. Afonso III.

IDANHA-A-VELHA – A primitiva Egitânia, sede episcopal visigoda que em 1199 foi transferida para a Guarda. Em 1165 foi doada aos templários por D. Sancho I, tendo D. Gualdim Pais, Mestre do Templo, a mandado reforçar com novas muralhas.

IDANHA-A-NOVA – Em 1187 é povoação com castelo, fundado por D. Gualdim Pais. Em 1206 D. Sancho I doou-a à Ordem do Templo. Em 1218 D. Afonso II confirmou-lhe a doação das duas Idanhas, e D. Dinis, em 1310, doa os seus rendimentos aos templários.

MONSANTO – Doada ao Mestre D. Gualdim Pais em 1165, que lhe reconstruiu o castelo e fundou a igreja de São Miguel, dentro da cerca muralhada. Teve foral de D. Afonso Henriques em 1174, confirmado por D. Sancho I em 1190.

PROENÇA-A-VELHA – D. Sancho I doou-a aos templários e estes deram-lhe foral em 1218.

PENAMACOR – Castelo fortificado por D. Gualdim Pais em 1189 e dando-lhe foral. Desde 1180 que pertencia à Ordem por doação régia.

SABUGAL – Castelo com a sua torre pentagonal, donde ser conhecido por “castelo das cinco quinas”, herdeira das torres quinárias dos templários. Ao par do castelo de Vila do Touro, ambas receberam foral em 1220 de D. Pedro Alvito, Mestre Templário. Em 1296, D. Dinis e a Rainha Santa Isabel doaram à Ordem do Templo umas casas nesta vila.

SORTELHA – Castelo que foi dos primeiros românicos construídos pelos templários, sendo a povoação coeva do reinado de D. Sancho I, situada entre 1210 e 1212, que lhe deu foral em 1228.

TRANCOSO – Aqui os templários estabeleceram-se após acordo firmado com o bispo de Viseu, que ficou com a jurisdição de colar o abade de Santiago de Trancoso no tempo do Mestre do Templo, D. Estevão Belmonte, em 1229. Em 1230 a Ordem tinha mais terras no seu termo, e recebeu ainda mais em 1247.

CASTRO D´AIRE – Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Ermida do Paiva, conhecida por “templo das siglas”. Esta freguesia da Ermida foi posteriormente comenda da Ordem de Cristo (1517-20).

ESTREMADURA E RIBATEJO

SANTARÉM – Terceira Casa-Mãe da Ordem do Templo em Portugal, 1147-1159. Em Março de 1147 a Ordem ajudou D. Afonso Henriques a conquistar a cidade, que logo recebeu o antigo foro eclesiástico moçárabe. D. Pedro Arnaldo ficou encarregado da fundação da igreja de Santa Maria da Alcáçova. Existem vestígios templários nas igrejas da Graça, romano-gótica do século XIII, e de São João de Alporão, do mesmo estilo e da mesma época. Em 1312, eram dos mais elevados os rendimentos dos bens de Santarém e seu termo, superiores aos de Lisboa.

ÁGUAS BELAS – Em Ferreira do Zêzere. “Conhece-se a existência de Aquabela desde 1222 e da povoação desde 1259. A parte setentrional da herdade de Orjaeis foi doada por D. Sancho I a Pedro Alvo antes de 1222, que terá sido o seu fundador” (Amorim Rosa, em História de Tomar).

ALENQUER – Conquistada em 1148 por D. Afonso Henriques auxiliado pelos templários. Estes seriam seus donatários, e depois a Ordem de Cristo. Nas Comendas, e Fazenda, que pertencem à Mesa Mestral desta Ordem de Cristo, Título II das Definições e Estatutos da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo (1560-1568), está escrito: “Os bens, que em Alenquer tem a Ordem, e pertencem à Mesa Mestral, são os que pertencem à Casa da Vila de Alenquer, que se chama a Freiria, e estão estes bens emprazados, e assorados”.

TORRES NOVAS – Conquistada em 1148, em 1185 foi arrasada pelos mouros. Os templários reconquistaram-na e reconstruíram o seu castelo velho, recebendo a povoação foral de D. Sancho I em 1190. À Ordem do Templo pertenceu Casevel, no antigo concelho de Pernes e comarca de Torres Novas, englobando parte de Alcanena e terras a sul de Tomar.

GOLEGÃ – Com a sua Quinta da Cardiga, doação de D. Afonso Henriques aos templários em 1169, sendo originalmente um terreno de arroteamento e cultivo, onde se edificou um castelo que com os de Almourol, de Ceras e do Zêzere, constituíam a cintura de defesa do Tejo. Depois pertenceu à Ordem de Cristo, que transformou a propriedade numa granja de veraneio entre 1540 e 1542.

ALMOUROL – Em Vila Nova da Barquinha. Reconstrução do castelo numa ilha do Tejo e foral em 1170, com D. Fr. Gualdim Pais, Mestre da Província Templária de Portugal.

ATALAIA – Em Vila Nova da Barquinha, foi conquistada em 1147 e ficou na zona templária. Teve o primeiro foral de D. Afonso II em 1212, e novo foral de D. Dinis em 1315.

ABRANTES – Castelo conquistado pelos templários e reforçado por eles. Desse modo resistiu ao cerco das forças almóadas comandadas por Aben Jacob, que se retiraram com pesadas baixas, feito heróico que levou D. Afonso Henriques a dar carta de foral a Abrantes em 1179. Os templários tiveram propriedades agrícolas na região, de que consta a confirmação de Estêvão Fernandes e dos filhos de Fernão Gomes da doação de uma vinha e de uma almoinha à Ordem do Templo.

CERAS – Quarta Casa-Mãe da Ordem do Templo em Portugal, 1159-1160. Situada cerca de dez quilómetros a norte de Tomar, foi doada a D. Gualdim Pais em 1159. No tempo de D. Afonso Henriques, o território de Ceras ou Cera era cabeça de distrito que englobava os castelos de Cardiga, Tomar e Zêzere.

TOMAR – Quinta Casa-Mãe da Ordem do Templo em Portugal, 1160-1312. Foi conquistada por D. Afonso Henriques com a ajuda dos templários, em 1147. Em 1159 foi-lhes doada a floresta do castelo de Ceras, que incluía uma vasta zona. A partir de 1160, o Mestre D. Gualdim Pais assumiu a direcção da cidade. O castelo, a charola, a alcáçova e a igreja de Santa Maria dos Olivais, são obras mandadas fazer pelos templários.

ASSECEIRA – Próxima de Tomar, pertencia à Ordem do Templo e em 1218 o Mestre D. Pedro Alvito fez doação dela, para uma albergaria, a Paio Farpado. Este não fez a albergaria e a doação não teve efeito. Em 1222 Pedro Ferreiro recebe a albergaria. Em 1229 Pedro Ferreiro doa esse espaço aos templários. D. Dinis, em 1294, confirma a sua nomeação de juízes, dando-lhe assim um princípio de autonomia que se concretiza com o foral, em 1315.

BESELGA – Próxima de Tomar, na zona de influência da Ordem do Templo logo desde o início, com a doação de Ceras em 1159. Em 1320 ainda existia a comenda de Beselga, mas já pertencendo à Ordem de Cristo como “comenda velha” (herdada do Templo), ao contrário da “comenda nova” criação exclusiva da freiria de Cristo.

SABACHEIRA – Antiga granja da Ordem do Templo aí possuindo fazenda e terras em volta, as quais seriam recuperadas pela Ordem de Cristo. Igualmente pertenceu a estas Ordens a comenda do Marmeleiro. Isto consta num manuscrito do século XVI, escrito a punho, cópia nítida, constando de um Compêndio das Comendas do Mestrado da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, encomendado por D. Manuel I mas já iniciado em tempo de D. João II. O original está na Biblioteca Nacional de Lisboa, Reservados, Cod. 412, 13, 5-7. Também se refere a essas propriedades um outro documento, em letra da época, levando de título Lista de todas as Comendas que ha em estes Reynos de Portugal, da Ordem de Cristo, da apresentação de Sua Majestade e do Duque de Bragança, feita em Junho de 1615.

FERREIRA DO ZÊZERE – Povoada por D. Gualdim Pais a partir de 1156, dando-lhe foral em 1174 após ter mandado construir o castelo do Zêzere em 1165. Os territórios de Ceras, Tomar e Zêzere, por bula de Urbano III em 1186, estavam directamente sujeitos à Santa Sé e não ao bispo diocesiano. No século XII já existia no rio Zêzere um porto fluvial ou porto de cais, e no século XIII viviam um Pedro Ferreiro e sua mulher que tinham povoado a herdade de Ozezar, nas margens do Zêzere, a qual era chamada “do Ferreira”. D. Afonso II, em 1220, confirmou a esse Ferreiro, já fidalgo, a doação de seu pai, D. Sancho I, por prémio de serviços prestados em 1190. O foral de Ferreira data de 1222 assinado por Pedro Ferreiro e mulher. Em 1225, Pedro Ferreiro doou aos templários a herdade do Vale de Jarcens e deixou-lhes em testamento as propriedades de Vila Verde. Em 1306, D. Dinis doou à Ordem do Templo o padroado da vila. O seu castelo sofreu danos irreparáveis durante as invasões napoleónicas nos inícios do século XIX.

PIAS – Próxima de Ferreira do Zêzere, D. Afonso Henriques conquistou-a em 1146 e doou-a aos templários. Foi também cabeça de uma das comendas da Ordem de Cristo, tendo igualmente pertencido a esta o lugar próximo de Areias.

DORNES – Próxima de Ferreira do Zêzere, o seu castelo foi doado em 1160 aos templários. Vila desde 1201 foi comenda da Ordem do Templo até ao seu final, quando passou para a Ordem de Cristo da qual um dos seus comendadores foi D. Fr. Gonçalo de Sousa, alcaide-mor de Tomar, vedor e alferes-mor do Infante D. Henrique.

FIGUEIRÓ DOS VINHOS – Torre da Murta. Lugar do Pereiro. Pertença da Ordem do Templo e depois da Ordem de Cristo.

OURÉM – o Infante D. Afonso, filho de D. Dinis, doou os seus direitos à Ordem do Templo. Perto de Ourém foi venerada Santa Maria, em Tamarães.

POMBAL – Conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1160, com a ajuda dos templários, aos quais fez a sua doação. O Mestre D. Gualdim Pais mandou edificar o castelo em 1161, que hoje é monumento nacional. Deu-lhe forais em 1174 e 1176, e em 1181 deu-lhe carta com mais garantias. Foi povoado ao mesmo tempo que Redinha e Ega, esta tendo recebido foral templário em 1231, de que sobram ainda hoje os restos do palácio dos comendadores. Em 1206 e 1248 houve um acordo sobre as suas igrejas com o bispo de Coimbra, com pagamentos a fazer pela Ordem do Templo, mas em 1261 uma bula de Urbano IV isentou novamente as igrejas de Pombal, Redinha e Ega da jurisdição do bispo de Coimbra.

LOURINHÃ – Reconquistada aos mouros por D. Afonso Henriques ajudado pelos templários, de que há vestígios no castelo.

SERRA D´EL-REI – Com a sua capela de São Sebastião, obra da Ordem do Templo, pertenceu à antiga vila de Atouguia da Baleia, próxima de Peniche. Povoada pelos templários a partir de 1165, no tempo de D. Afonso Henriques, seria depois doada ao mosteiro de Alcobaça.

LEIRIA – Vestígios templários no castelo e na anexa capela de Nossa Senhora da Pena, como igualmente na igreja de São Pedro, obra românica do século XII.

LISBOA – Em Outubro de 1147, a Ordem do Templo ajudou na conquista da cidade aos mouros por D. Afonso Henriques. Os templários tinham aqui casas e terras em 1185. Os bens no Termo de Lisboa, como também em Santarém, eram dos mais elevados da Ordem em Portugal em 1312. Vestígios templários mais notáveis: Castelo, Sé Catedral, São João do Lumiar, material recolhido depositado no Museu da Cidade, Convento da Luz e Ermida de São Lourenço de Carnide.

ODIVELAS – Convento de São Dinis, integrado na comenda da Ordem do Templo e depois na de Cristo que abarcava a desaparecida Quinta do Mariz, situada no local onde está hoje a estação do metropolitano.

FRIELAS – Vestígios templários recolhidos no espaço em volta da capela de Santa Catarina, onde estava o paçal de D. Dinis.

LOURES – Igreja matriz, concluída em 1220, cujas bases da sua torre sineira recuam à época dos templários. Vigésima oitava comenda da Ordem do Templo, da qual vários achados estão hoje depositados no Museu Municipal na Quinta do Conventinho, próxima da entrada na cidade por quem vem de Lisboa. Depois pertenceu à Ordem de Cristo.

LOUSA – Vestígios templários na igreja de São Pedro.

SANTIAGO-DOS-VELHOS – Igreja matriz, havendo vestígios templários junto dela.

SINTRA – Pertença dos templários nos séculos XII-XIII, os quais estavam instalados no lugar das Murtas. Há vestígios da sua presença espalhados por toda a vila, particularmente no largo do Palácio Real. Nas proximidades encontra-se São Miguel de Odrinhas, cujo cemitério apresenta inúmeras estelas discóides funerárias com cruzes páteas da Ordem do Templo, além das que estão em exposição, dentre outro material, no anexo Museu Arqueológico Joaquim Fontes.

MAFRA – Castelo (desaparecido) e igreja de Santo André, tudo dos inícios do século XIII.

CASCAIS – Castelo (desaparecido, só sobrando breve trecho da muralha) e termo da vila. Há vestígios da presença da Ordem dos Templários recolhidos no espaço em volta da igreja de Nossa Senhora da Assunção.

ALPIATRE – Pertenceu à Ordem do Templo no século XIII.

VILA FRANCA DE XIRA – Em 1228 foram doadas à Ordem do Templo algumas terras de Xira ou Cira, que as povoou e se instalou nelas. Subsistem vestígios templários no castelo, além daqueles que se recolheram e depositaram no Museu Municipal.

SESIMBRA – Ocupada pelos templários cujo castelo reedificaram cerca de 1166.

SETÚBAL – Vestígios templários dispersos pela cidade, parte deles recolhida no Museu Municipal, os quais recuam ao tempo de D. Afonso Henriques e D. Sancho I.

ALTO E BAIXO ALENTEJO

ALCÁCER DO SAL – Em 1217, D. Pedro Alvito, Mestre Provincial da Ordem do Templo, ajudou na sua reconquista aos mouros. Alcácer fora primeiramente conquistada em 1158, onde perdeu a vida o Mestre Pedro Arnaldo com outros templários.

ÉVORA – Tomada aos mouros em 1165 – com carta de foral em 1166 – pelo caudilho Geraldo Geraldes, o Sem Pavor, e oferecida a D. Afonso Henriques em troca dos seus favores e dos templários. O “alcácer velho” muçulmano, na zona onde depois se ergueu o palácio dos condes de Basto, foi a primitiva sede da Ordem da Freiria de Évora sob o comando de Gonçalo Viegas Lanhoso, antecessora da Ordem de São Bento de Avis, fundada pelo mesmo monarca.

NISA – Em 1166 foi conquistada com a ajuda dos templários, tendo o rei D. Sancho I, em 1199, lhes doado a herdade da Açafa, delimitada a norte pelo rio Tejo e a sul pelos actuais concelhos de Nisa e Castelo de Vide, chegando além da raia portucalense. Foi a época em que o monarca fez justo ao seu título de “povoador”: para aqui vieram numerosos colonos francos e de outras nacionalidades destinados a povoar a região. Entre 1229 e 1232, o Mestre Templário D. Frei Estêvão Belmonte deu carta de foral à vila, e em 1285, reinando D. Sancho II, foi elevada a cabeça de concelho tendo a Ordem do Templo estabelecido concordata com o bispo da Guarda, cujo extenso território diocesano chegava aqui. Entre 1290 e 1296, sob o comando do Mestre D. Lourenço Martins, os templários construíram um novo castelo neste lugar. Eram elevados os rendimentos dos bens que aqui possuíam. Em Nisa-a-Velha o culto cristão centrava-se em Nossa Senhora da Graça.

ALPALHÃO – Próxima de Nisa, onde em 1285 se deu a concordata com o bispo da Guarda sobre os direitos episcopais. Os templários estão na origem do culto a Nossa Senhora da Redonda, devoção de velha tradição desde 1166, antes da grande invasão almóada.

AREZ – Próxima de Nisa, conquistada com esta em 1166 com a ajuda da Ordem do Templo, e depois perdida para os mouros. Após a reconquista, pertenceu ao Mestrado de Avis.

ARRONCHES – Conquistada em 1166 pela Ordem do Templo e perdida com a grande invasão almóada, no final do século XII. Em 1248 ficou novamente na sua posse, após conquistarem-na com D. Afonso III. Aqui cultua-se Nossa Senhora da Luz, mas nos primeiros tempos venerava-se Nossa Senhora da Assunção.

CRATO – A sua primeira ocupação foi em 1160, e depois perdida com as invasões almóadas. O seu primeiro foral data de 1270, e o seu castelo também é do século XIII. Foi depois sede da Ordem de São João do Hospital, com o priorado do Crato.

MONSARAZ – Doada por D. Afonso Henriques aos templários, em 1167, sendo a partir de 1219 propriedade do rei D. Dinis que depois a legaria à Ordem de Cristo.

VIANA – Igreja de Ares. Edificada pelos templários e herdada pela Ordem de Cristo, já é falada em documentos do início do século XIV. Viana também é conhecida como a “Sintra do Alentejo”.

VIDIGUEIRA – Vila da Ordem de Cristo, e no século XVI foi condado do almirante D. Vasco da Gama (29 de Dezembro de 1519).

BEJA – Cidade reconquistada aos mouros por D. Sancho I, em 1179, com o auxílio dos templários.

ALJUSTREL – D. Sancho II tomou-a com a ajuda dos templários em 1234, e no ano seguinte entregou-a à Ordem de Santiago.

SERPA – Ou Serpe, “serpente”, foi conquistada por D. Afonso Henriques em 1166, e após perdida para os almóadas foi reconquistada por D. Sancho II em 1232, com a ajuda dos templários, no tempo do Mestre D. Estêvão Belmonte. Em 1295, D. Dinis mandou-a povoar e reconstruir-lhe o castelo.

BARRANCOS – Castelo de Noudar da Ordem de Avis, destacada guarda de fronteira, ainda assim dizendo-se que foi conquistada com a ajuda da Ordem do Templo, mas falta a documentação comprovativa apesar de não ser de todo impossível, posto os templários terem andado juntos com os espatários nas conquistas e reconquistas das terras próximas, como é o caso de Moura.

VILA NOVA DE MIL FONTES – Propriedade da Ordem de Cristo.

JUROMENHA – Tomada pelos templários em 1167.

OLIVENÇA – Conquistada e povoada pelos templários portugueses, tendo D Afonso IX de Leão feito a sua doação a eles, na Primavera de 1230. Em 1256, a Ordem do Templo já tinha estabelecida a sua comenda de Olivença, na época um pequeno povoado que se afirmava em torno de uma fonte – actual Fuente de la Corna – dedicando-se à agricultura e à pastorícia. Aí os templários construíram um castelo e uma igreja sob a invocação de Santa Maria.

ALGARVE

CASTRO MARIM – Primeira sede da Ordem de Cristo, no século XIV, reinando D. Dinis de Portugal e pontificando João XXII.

SILVES – Tomada pela Ordem do Templo em 1189, tendo instalado o seu hospital de campanha, durante o cerco, na vizinha Estombar (a Xanabus moura), isto é, “estes que tombaram”, na margem esquerda do rio Arade, onde acostaram as galés dos templários.

LAGOS – Vestígios templários recolhidos na cidade e depositados no Museu Municipal.

VILA DO BISPO – Vestígios templários recolhidos aqui e nas cercanias, estando depositados no museu paroquial da igreja local.

RAPOSEIRA – Ermida e depois capela, com direito a capelão, de Nossa Senhora de Guadalupe. Foi erigida pelos templários e depois herdada pelos freires de Cristo. Também é conhecida por “Ermida do Infante Henrique de Sagres”.

Casa dos 24 * Maçonaria Operativa e Especulativa – Por Octávio Pimenta Sousa Segunda-feira, Jul 6 2020 

A CASA DOS 24 foi uma associação de Guildas constituída em Dezembro de 1383, oficializada através de Carta Régia em 1 de Abril de 1384 pelo rei de Portugal, D. João I, fundador da Dinastia de Avis, e que encerrou a sua actividade em 7 de Maio de 1834.

Esta instituição marcou o início da organização corporativa dos ofícios no Reino de Portugal, teve um papel considerável no desenvolvimento sócio-económico, urbanístico, cultural, espiritual e foi responsável por grandes obras que marcaram a História Portuguesa e a História Transcontinental.

Mas, comecemos pelas influências que determinaram este tipo de associativismo.

COLLEGIA FABRORUM

Embora o desígnio da Maçonaria venha de tempos imemoriais, o modelo associativo das Guildas da Europa Medieval foi, atendendo a vários factores, inspirado nos Collegia Opificum, mais especificamente nos Collegia Fabrorum.

Estas corporações foram criadas pelo segundo rei de Roma, Numa Pompílio, que reinou entre os anos de 715 a 673 a. C.

Os 8 Collegia iniciais que Pompílio elaborou continham os seguintes ofícios: carpinteiros, ourives, ferreiros, sapateiros, oleiros, curtidores de peles, tintureiros e construtores de flautas. Pelo facto das construções à época em Roma serem maioritariamente em madeira, o termo construtores e arquitectos estava relacionado com o ofício dos carpinteiros; só posteriormente os pedreiros iriam ter um papel fundamental.

No seu auge, os Collegia a que estavam filiados arquitectos, carpinteiros e pedreiros detinham maiores privilégios em relação a outros ofícios, visto estes serem de importância estratégica para o desenvolvimento urbanístico civil e militar do Império Romano. Cícero referiu-se de forma altiva em um dos seus históricos discursos à honorabilidade da arte da arquitectura e à nobreza dos seus praticantes.

Os Collegia Fabrorum eram entidades com estruturas administrativas bem definidas e regiam-se por uma cúria. A liderança estava a cargo de um magistrado com o título de praesidis”, o qual era eleito de entre os seus membros conforme os critérios definidos pelos seus estatutos. Da mesma forma, eram eleitos outros dois oficiais para os cargos de secretário e tesoureiro, ou seja, “questores e decuriões”.

Considerada como a organização mais esotérica da Roma Antiga, os Collegia Fabrorum tinham como patrono Janus, o deus romano da Iniciação.

Janus, que viria a inspirar o nome atribuído ao primeiro mês do ano no calendário juliano e posteriormente o gregoriano como marca de um novo ciclo, possui duas chaves; a de ouro e a de prata. Estas chaves simbólicas estão relacionadas precisamente com os solstícios, o Janus Inferni e o Janus Coeli, que marcavam as principais festividades celebradas pelos Collegia Fabrorum em Junho e Dezembro de cada ano; é interessante constatar não só que esta tradição manteve-se nas Guildas medievais ,precisamente nas celebrações a S. João Batista e a S. João Evangelista, onde o patrono destas seria precisamente S. João, Johannes, nome que deriva de Janus.

Janus Bifronte. Cadeiral da capela de Saint-Vulphy, século XVI, Rue, França

LÁPIDE

Aqui, apresento-vos a imagem da lápide funerária de um Mestre de Obras de Aquila, Itália, de nome Lúcio Alfio (século III d. C.), que apresenta simbologia bem conhecida pelos antigos maçons operativos e pelos maçons especulativos.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, estas instituições obrigaram-se a uma transformação que constataremos mais adiante.

MAESTRI COMACINI

As Guildas ou Loggias dos Maestri Comacini foram as corporações que deram continuidade ao legado dos Collegia Fabrorum. Quando o Império Romano foi invadido pelos povos bárbaros, o Collegium dos arquitectos de Roma refugiou-se na Ilha de Comacina que se situa entre Ossuccio e Colonno, uma região no norte da Itália à beira do lago Como. Esta região foi imune às invasões bárbaras por mais de um século, período em que os Mestres Construtores não só preservaram a sua arte como a fizeram evoluir. Quando a região foi tomada pelos lombardos, estes apoiaram a Guilda, a Loggia, sendo esta época um ponto marcante onde se desenvolveu na Península Itálica a construção de edifícios religiosos de referência, sobretudo basílicas.

As primeiras menções a esta instituição vigoram no código ou édito elaborado pelo rei lombardo Rothari (636–652 d. C.), onde, nos artigos 144 e 145, os Comacini figuram como Mestres Construtores com poderes plenos para executar projectos. Estas leis constituíam os Comacini como sendo uma instituição importante que, no século VII, formavam uma associação poderosa à imagem dos seus antecessores, os Collegia Fabrorum.

Contrariamente à Lombardia, não existe provas conhecidas de bulas papais ou de decretos reais da Época Carolíngia outorgando à Guilda dos Comacinis independência de acção ou acção autónoma. Os religiosos na suas pastorais, nos seus actos de catequização, levavam consigo vários pedreiros para a construção de igrejas.

A exemplo do citado acima, o monge Augustinus (mais tarde elevado a arcebispo de Canterbury) foi enviado para Inglaterra em 598 d. C. com a missão de converter os bretões ao Catolicismo; o Papa Gregório I tão bem determinou o envio de vários construtores com ele que Augustinus é considerado como o inspirador da Maçonaria Operativa na Grã-Bretanha.

Nos escritos do Venerável Beda e de Richard, prior de Hagustald, existem frases e palavras que estão escritas no édito de Rothari e no Memorandum de 713 d. C. do rei lombardo Luitprand, o que demonstra que estes autores conheciam os termos usados pelos Maestri Comacini.

Marcas típicas das construções Comacini foram encontradas além da Península Itálica, na Península Ibérica, no sul da Alemanha, na Hungria e obviamente na Inglaterra.

As Guildas de Construtores medievais, também chamadas de Corporações de Ofício, inspiradas na Loggia Comancini, constituíram-se sobretudo a partir do século IX d. C.

CARTA DE BOLONHA

O primeiro documento maçónico considerado por muitos investigadores e historiadores, dentre eles o padre jesuíta Ferrer Benimeli, é o Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis”, mais conhecido como a Carta de Bolonha de 8 de Agosto de 1248, mandada elaborar pelo prefeito Bonifacii di Cario e cujo original encontra-se no Arquivo do Estado de Bolonha. O objectivo deste documento era o de regular as Confrarias dos Mestres Pedreiros e dos Mestres Carpinteiros.

No mesmo Arquivo, conserva-se uma “lista de matrícula” datada em 1272 e ligada à Carta de Bolonha, que contém 371 nomes de Mestres Maçons (LIberi o Maestri Muratori), dos quais 2 são escrivães públicos, outros 2 são clérigos e 6 são nobres.

Em 1257, houve uma separação em assembleias distintas desses dois ofícios da Madeira e da Pedra mas, no entanto, mantiveram-se as mesmas lideranças. Depois da sua última revisão em 1336, esees estatutos mantiveram-se no activo até o ano de 1797.

Na Carta fica claro que esta Sociedade reunia-se no segundo domingo de cada mês e era constituída por Mestres, Oficiais e um Maceiro, por Aprendizes ligados directamente ao seu Mestre que, depois de dois anos, entravam para a Sociedade, e após 3 anos seriam elevados a Companheiro de Ofício.

A Carta de Bolonha pode ser, de facto, considerada o mais antigo de todos os documentos maçónicos sobre a Maçonaria Operativa. É anterior em 136 anos à Carta Régia da Casa dos 24 (1384), 142 anos ao “Poema Regius” (1390), 182 anos em relação ao Manuscrito Cooke (1430/1440); 219 anos em relação ao “Édito de Estrasburgo” reconhecido pelo Congresso de Ratisbona em 1459, e antecede em 59 anos o “Preambulo Veneziano dei Taiapiera” (1307).

Como referência à génese da regulamentação da Maçonaria Especulativa, a Carta de Bolonha confirma o texto das Constituições de Anderson, de 1723, estando nela subentendido os antigos estatutos e regulamentos da Maçonaria Operativa italiana.

A CASA DOS 24

Na origem da Casa dos 24 encontram-se as corporações de ofícios, ou mesteres da Roma Antiga. Na Idade Média assistiu-se a um revigorar dos laços que uniam os homens dos mesmos ofícios, ou afins, estabelecidos nas mesmas ruas consoante a sua actividade artesanal ou comercial. Tratou-se de um fenómeno essencialmente urbano num período em que as cidades entraram em franco desenvolvimento por toda a Europa. Carpinteiros, pedreiros, alfaiates, ourives e sapateiros dentre outros, instalados em arruamentos bem definidos, organizaram a defesa dos seus interesses comuns, como se repara na sua acção sócio-económica no burgo do Porto, cuja sede D. João I mandara instalar junto à Sé catedral da hoje capital do Norte.

Segundo a Crónica de D. João I, de Fernão Lopes, e como foi acima referido, a Casa dos 24 nasceu em Lisboa no ano de 1383, quando o Mestre de Avis, aclamado Regedor e Defensor do Reino, decidiu prestigiar os principais 24 homens do povo, associados em corporações, que o apoiaram, determinando por Carta Régia de dia 1 de Abril do ano de 1384 que dois representantes dos mesteres tivessem assento na vereação da Câmara ou da Prefeitura de Lisboa, funcionando estes em assembleia municipal com poder deliberativo, ou seja, todas as medidas a serem postas em prática tinham de ser por eles votadas e aprovadas por maioria. Esses mesteres estavam distribuídos por doze Grémios ou Bandeiras.

O rei D. Duarte fixou posteriormente os delegados procuradores em número de quatro, tendo D. João II, por Carta Régia de dia 29 de Março de 1484, determinado que elegessem um representante de entre eles com o título de “juiz dos 24”, depois chamado “juiz do povo”.

A eleição fazia-se no dia de São Tomé (3 de Julho), e para ser eleito o candidato tinha que obter dois terços dos votos. Dentre outras funções próprias ao cargo, cabia-lhe apresentar directamente ao rei as pretensões e demandas dos Grémios.

As corporações de mesteres estiveram ligadas à criação das confrarias ou irmandades que desempenharam um papel relevante na vida assistencial da época. Estas confrarias auxiliavam aos seus confrades nos momentos difíceis das suas vidas, como a doença e a miséria.

Fundaram por toda a cidade de Lisboa pequenos hospitais e estenderam a sua acção ao auxílio de viúvas, órfãos, peregrinos e pobres.

Após a retumbante vitória militar portuguesa na batalha de Aljubarrota (14.8.1385), a Casa dos 24 elevou como seu Orago São Jorge, santo da especial predilecção de D. João I.

E onde se situava a sede da Casa dos 24?

É muito difícil conhecer toda a sua longa história depois do incêndio em 1755 que destruiu os seus arquivos. Todavia, sabe-se que a partir dos finais do século XV as reuniões dos procuradores dos mesteirais tiveram lugar no Hospital Real de Todos os Santos (fundado em 1492), e posteriormente passaram a congregar-se na Irmandade de São José dos Carpinteiros, mais propriamente na igreja de São José dos Carpinteiros da cidade de Lisboa, na rua que leva o nome do santo, que se originou como uma pequena ermida erguida em 1546 pelos irmãos do Patriarca São José, sendo em 1567 elevada a igreja paroquial.

Foi aí que se implantou a sede da Irmandade de São José dos Carpinteiros ou da chamada Casa dos 24 ou da Mesa.

A Confraria de São José dos Carpinteiros, cujo brasão se vê na porta lateral da igreja, iniciou a sua actividade no ano de 1537 e dela constavam originalmente pedreiros e carpinteiros, constituindo uma verdadeira Maçonaria Operativa ou Guilda de Ofícios, posto que se lhe juntaram canteiros, marceneiros e entalhadores numa guirlanda operática.

Como curiosidade e abrindo um à parte sobre a questão de qual foi o primeiro dos ofícios, carpinteiro ou pedreiro, sabe-se que em grego a palavra hulê significava primitivamente “madeira”, e ao mesmo tempo servia para designar o princípio substancial ou a matéria-prima do Cosmos, e também, por uma aplicação derivada dela, toda a matéria secunda, ou seja, a tudo o que joga num sentido relativo, em tal ou qual caso, um papel análogo àquele do princípio substancial de toda a manifestação. O simbolismo de que o mundo é feito de tudo aquilo que se assimila à madeira, ademais sendo comum às tradições mais antigas, tornar-se muito fácil compreender a sua razão relativamente ao simbolismo construtivo: com efeito, a partir do momento que da “madeira” se retiraram os elementos para a construção cósmica, o “Grande Arquitecto” – Arche Tekton, Ieseus ou Josephus – passa a ser encarado antes de tudo como um “Mestre Carpinteiro”, como efectivamente é em tal caso, sendo então natural que os construtores humanos, cuja arte, do ponto de vista tradicional, é essencialmente uma “imitação” daquela do “Grande Arquitecto”, sejam eles mesmos carpinteiros.

Coluna de Perfeição na igreja de São José dos Carpinteiros

De ambos os lados do seu portal, encimado pelo medalhão oval do Patriarca São José, vêem-se as lápides onde se inscrevem as efemérides principais do templo e donde pendem, em relevo, as ferramentas de pedreiro e de carpinteiro – ofícios da confraria, cujas colunas filosóficas inscrevem-se na toponímia das ruas vizinhas: Fé, Amor e Caridade.

A fachada da igreja foi destruída pelo terramoto de 1755, mas logo se reconstruiu por instruções do mestre pedreiro Caetano Tomás em 1757.

O primeiro vestígio arquitectónico da ligação da Casa dos 24 à Maçonaria Operativa está na própria fachada da igreja de São José Carpinteiro mas também Pedreiro, pois repleta-se de símbolos desses ofícios corporizados como Arte Real, nomeadamente o maço, o esquadro e o compasso.

Sepultura chã à entrada da igreja de São José dos Carpinteiros, possivelmente sendo de Caetano Tomás, mestre pedreiro 

Passamos seguidamente não à Arte da Carpintaria ou Maçonaria, mas à Arte Azulejar. Painéis compostos por mestres do azulejo que contêm uma simbologia riquíssima.

O início conhecido da ligação da Casa dos 24 à Casa Real dos Pedreiros Livres da Lusitânia, a segunda Loja maçónica especulativa que funcionou em Lisboa de 1733 a 1738, apresenta-se na interjeição entre as duas por intermédio de Carlos Mardel, que foi membro efectivo de ambas, ou seja, maçom operativo e especulativo ao mesmo tempo, com o interessante pormenor de ser engenheiro e arquitecto. É aqui que se cruzam em primeira instância a Maçonaria Operativa e a Especulativa.

Embora a Loja especulativa a que Carlos Mardel pertencia tivesse cessado a sua actividade, como referido acima, em 1738, por responsabilidade da Inquisição, tendo em conta que a Casa dos 24 terminou a sua actividade em 1834 e que Mardel manteve fortes ligações com esta instituição, é óbvio concluir que todo o processo de restauração elaborado pelo Marquês do Pombal após o terramoto de 1755, teria no seu plano a imperativa colaboração da Maçonaria Operativa e da Especulativa. Pombal juntou a elite de uns e de outros para fazer acontecer a sua obra transcendental, uma cidade à imagem das ideias iluministas, com simbologia espalhada pelas sete colinas e cuja dimensão está entre o nadir e o zenith.

Uma das imagens que espelha o acima referido é precisamente a que se encontra na traseira do pedestal da estátua equestre de D. José l, no Terreiro do Paço, um baixo-relevo concebido por Machado de Castro e gravado por José Lúcio da Costa.

No centro, Maria, Mãe de todo o Universo representando a Nação Lusitana juntamente com seu Filho, o sagrado novo Ciclo.

À esquerda, observamos um soldado romano segurando uma mulher, a figuração de Roma ou do Sacro Império Romano-Germânico, um Império decadente que não tem mais a força de dominar Lisboa representada através do seu brasão no escudo, a antiga História.

À direita, para onde a Mãe do Universo, a Lusitânia renascida indica, a nova História, o novo Ciclo.

Um leão, símbolo do ouro alquímico, a transmutação máxima para o encontro da Pedra Filosofal, o objectivo primordial do alquimista. Ao lado, um pelicano, símbolo da piedade, devoção, caridade e sacrifício, bem conhecido dos Cavaleiros Rosa+Cruzes. Mais à direita, um mensageiro que apresenta os novos tesouros, o material e o espiritual que virão com a nova Era. A unificação do Oriente com o Ocidente.

Acima desta figura, duas musas, uma que apresenta um papiro com os planos da nova Lisboa, os Land Marks de uma nova Era traçados pelo esquadro e pelo compasso, a Maçonaria Especulativa. Ao lado, outra musa que segura duas chaves, a de ouro e a de prata conjuntamente com um leme, personificação de Janus em representação da Maçonaria Operativa, mais especificamente dos Collegia Fabrorum ou a Casa dos 24. Uma dualidade iniciática que se complementa.

Atendendo aos conhecimentos esotéricos de Eugénio dos Santos, de Carlos Mardel e de quantos os acompanharam na obra de reconstrução da cidade, observados de perto por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que também não era alheio a esses conhecimentos, pois recebeu da parte dos intelectuais e políticos portugueses o epíteto de “déspota iluminado”, este antigo Terreiro do Paço foi gizado e concebido para ser igualmente uma Praça dos Arcos ou Arcanos, cujo Tarot inteiro está no número dos mesmos, havendo por cima de cada arco uma cabeça de delfim, símbolo sebástico da Pedra Filosofal e assim mesmo do Delfim Divino, reconhecido Menino do V Império, o Messias ou Avatara desse Ciclo planetário.

O Livro de Thot ou Tarot constitui-se de 78 cartas ou lâminas, sendo as primeiras vinte e duas de “ouro” ou esotéricas, os Arcanos Maiores, e as restantes cinquenta e seis de “prata” ou exotéricas, os Arcanos Menores.

De facto, relacionada com isso existe uma intencionalidade velada na própria arcaria do Terreiro do Paço que ultrapassa a função estrutural da sua arquitectura. Os edifícios laterais contêm 28 arcos cada um, cuja soma total é de 56 arcos, ou Arcanos Menores. Por outro lado, na fachada principal, entre as Ruas do Ouro e da Prata, contam-se 22 arcos, 11 em cada direcção, a partir da Rua Augusta. Os 22 arcos correspondem exactamente ao número dos 22 Arcanos Maiores ou Iniciáticos.

Se aplicar-se a cada arco o arcano que lhe corresponde, possui-se a chave interpretativa de um ciclo completo de manifestação: relativamente aos 56 arcos, a manifestação profana, e quanto aos 22 arcos frontais, entre as Ruas do Ouro e da Prata, a realização oculta.

É, pois, esta Obra magnífica que testemunha a comunhão entre a Maçonaria Operativa e a Especulativa – A CASA DOS 24.

Composição:

Octávio Pimenta Sousa

(GO∴ e P M∴ da R L Hesperydes nº119, Grande Loja Legal de Portugal / G∴ L∴ R∴ P∴)

Colaboração:

Jay Deno Sousa da Costa

(P∴ M∴ da R∴ L∴ Hesperydes nº119,  Grande Loja Legal de Portugal / G∴ L∴ R∴ P∴)

BIBLIOGRAFIA

Lisboa Sagrada e Profana, Vitor Manuel Adrião.

Lisboa Secreta (Capital do Quinto Império), Vitor Manuel Adrião.

A Concise History of Freemasonry, Robert Freke Gould.

Symbols of Sacred Science, René Guénon.

Studies in Freemasonry and Compagnonnage, René Guénon.

Crónica de D. João l, Fernão Lopes.

Portus Graal, História Hermética de Portugal, José Rosa Batista.

The Italian Symbolic Rite, Emiliano Bartolozzi e Jonh Meek.

Comentário e Tradução da Carta de Bolonha, Luc Boneville.

I Maestri Comacini V2, Giuseppe Merzario.

História da Maçonaria em Portugal, vols. 1, 2 e 3, H. Oliveira Marques.

Iniciação (Teúrgica) JHS – Por Hugo Martins Quinta-feira, Maio 7 2020 

INTRODUÇÃO

O sintoma mais evidenciado hoje imperando nos meios neoespiritualistas do chamado “movimento new age”, disseminado sobretudo entre 1970 e 1980, é o de uma espiritualidade alternativa isentada da regra e ordem com livre acesso sem necessidade de mestres ou instituições de carácter tradicional e iniciático para o desenvolvimento humano, onde cada um poderá ser guru, mestre de si mesmo com um vasto leque de oferta e procura (selfie meditation, autoajuda, divinações e afins, etc.). Este “neoliberalismo espiritual”, inclusive de modo a justificar-se, é frequentemente defendido com a ideia alienígena de ‘Auto-Iniciação’ (?!) com diferimento da multissecular consignada Alta Iniciação. A verdade é que essa visão honra uma despreocupação e uma enorme irresponsabilidade para quem se aventura nos caminhos do Ocultismo prático e deles não saberá sair, tampouco dar as directrizes orientadoras de uma Espiritualidade verdadeira aos seus “súbditos” e “seguidores”, no que tudo isso redunda em parafernália de gurus mais ou menos carismáticos, comunidades exclusivistas e toda uma indústria e comércio de fazedores de  “milagres” que os prometem na resolução dos problemas mais mundanos das pessoas. Todo este “materialismo espiritual”, no dizer de Trungpa Rinpoché, ocorre exactamente por haver uma apropriação profanizadora da Tradição Espiritual, ou das tradições de carácter sagrado ou religioso transportadas para um sincretismo de “centro comercial” fabricando uma indigesta “salada de frutas”, enganando o imediato dos sentidos e sempre com consequências negativas e contaminantes para a Alma. A consequência de tal ou tais “produtos espirituais”, é de que apodrecem rapidamente ao cabo de pouco tempo, havendo a necessidade onírica de os substituir por outros. A que se deve esse fenómeno? Ao simples facto de estarem desligados das suas raízes tradicionais, obrigando a uma “nova colheita”, a uma nova criação e consequentemente ao inevitável novo apodrecimento dos mesmos, mantendo a insatisfação interior. Assemelha-se ao fruto que amadurece fora da árvore e acaba por apodrecer. Este ciclo vicioso vivido de forma ininterrupta é tóxico para a Alma Humana, levando o indivíduo a recriar uma espécie de mito de Tândalo que nunca fica saciado na sua sede, neste caso, espiritual, conduzindo-o a uma procura por ilusões momentâneas cada vez deixando-o mais longe da sua verdadeira Realização individual. Por que razão uma tradição como a da Cabala ou a do Sufismo, mesmo tendo um carácter exotérico além do intrínseco esotérico, nunca sucumbiram ao longo da História? Exactamente por estarem fortemente enraizadas na milenar fonte da Tradição Espiritual. A própria História descrevendo a cultura dos povos nas suas diversas manifestações sagradas e religiosas, confirma esta verdade universal. Deste modo, podemos afirmar com elevado grau de segurança que Espiritualidade sem Tradição é como a criança sem educação. Será sempre desgovernada, caótica e destituída de valores sólidos. No entanto, parte da Tradição Espiritual também hoje não se encontra em pleno. Por mais que valorizemos e tenhamos amor à Tradição Iniciática das Idades, a verdade é que a crise de valores espirituais reina ao nível institucional, vítima dos efeitos funestos da Kali-Yuga ou Idade Sombria por que atravessa o Mundo.

A “especulação simbologista”, que adentrou o Ocultismo ocidental no século XVIII, conduziu as antigas tradições a um folklore ou “conheceres populares” destituído de verdadeiro significado iniciático, limitando-se à indologia moral e ética educativa da Alma mas não do Espírito. Além disso, as teses filosóficas (Rousseau e Lock, por exemplo) conducentes às diversas políticas de carácter social visando transformar a “pedra bruta”, função inicialmente ao encargo de Adeptos e de Iniciados, na “pedra polida” do Estado Social,  deram origem ao Poder Social e com este, não raro por ausência humana do valor espiritual, decaindo em anárquicas ditaduras totalitárias, completamente avessas a qualquer Estado Social justo e perfeito para governantes e governados nos puros paradigmas da Sinarquia. Por outro lado, vemos os “mitos de fundação” irrompendo em larga escala nos séculos XIX-XX, que além da auto-justificativa descendência da Tradição Primordial, a maioria das vezes sustentam-se em Egrégoras ou “Sinergias Colectivas” de um Passado remoto desadequadíssimas às necessidades presentes do Ciclo ou Era ora vigente, ou que pelo menos se avizinha o seu despontar consciencial (Aquário). Tal procedimento e resultado vêm a ser análogos aos mesmos que praticou D. Sebastião na violação dos túmulos dos seus antepassados – corpos mortos!

Toda essa “especulação simbologista”, “folklores” e “mitos de fundação” não contribuíram nem contribuem em nada à Tradição Iniciática, tornando-a mesmo contra-iniciática, pelo menos aparentemente numa inversão própria de diabolismo sinistro, assim reflectindo à saciedade ignorância atroz das verdadeiras origens tradicionais do Homem Psicossocial, bem como das suas chaves iniciáticas.

O QUE É A INICIAÇÃO?

Neste sentido, é incontornável que percebamos de maneira clara o que é a Iniciação. Etimologicamente, esta palavra advém do termo latino initio, raiz de termos como iniciar, início e iniciado. De acordo com este pressuposto, a Iniciação visa assim uma relação do sujeito com o “início das coisas e do mundo”, o que equivale tradicional e espiritualmente à relação com o Logos, o Verbo Divino (“No princípio era o Verbo…”), ou seja, implica uma relação/vivência imediata ou gradual com o Espírito, em conformidade ao amadurecimento ou desenvolvimento sensorial da Alma. Independentemente das diversas abordagens e definições que o conceito implica, ele é algo caracteristicamente Uno, Invisível e Indivisível do Espírito, antagónico ao Múltiplo, Visível e Divisível da Matéria. Neste sentido, afere-se que a relação do sujeito com o “início”, portanto, a Iniciação, trata-se inquestionavelmente de uma relação com as causas e princípios contrariamente aos fenómenos e efeitos das coisas e do mundo. Simbolicamente, a imago sintetizadora de toda esta realidade é o Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda. Este animal sagrado que se fecha sobre si mesmo, sintetiza toda a dialéctica dos opostos numa única realidade. Não tem princípio nem fim, é o equivalente ao Alfa e Ómega, logo, ao Eterno, à Fons Vitae, à Imortalidade, à Origem do Tudo e do Todo – coisas, objectos, pensamentos, emoções, etc. Contudo, ao fechar-se sobre si mesmo torna esta mesma realidade hermética, oculta, secreta ou invisível. Daqui se justifica todo o secretismo em torno das Ordens Iniciáticas ou, pelo menos, discretas, a chamada disciplini arcani, sendo uma pedra de fecho crucial para quem vive esta característica essencial à realização na Tradição Espiritual. Criticá-la é sinónimo de ignorância, da preferência à desordem psicomental  preterindo qualquer tipo de ordem reguladora, e mais grave o é quando não se pratica por falta de integração e conhecimento da sua via mas, em actos os mais profanos e profanizadores, se expõem aleatória e indiscriminadamente ao público geral quanto se consiga capturar aqui e acolá de revelações, rituais, objectos, símbolos sagrados, etc. Portanto, a Iniciação para além de se destinar a estabelecer uma relação com as Causas, é uma tradição que se desenvolve no âmago do secreto por afinidade análoga à realidade oculta com que nos pretendemos relacionar. O Culto torna-se, ou é, Oculto. A moderna Teosofia não é excepção, e para o comprovar tanto Madame Blavatsky (Mestra Upasika) como o Professor Henrique José de Souza (Mestre JHS) utilizaram ambos o Ouroboros no pantáculo representativo das Instituições por eles fundadas: a Sociedade Teosófica de Adyar e a Sociedade Teosófica Brasileira.

No entanto, a conquista da vivência da Unidade transcendente da vida, do Uno, fornecida pela imagem do Ouroboros, no Homem tem um significado muito específico – a reintegração do seu ser na sua Consciência divina. Esta reintegração é também representada no símbolo do Hexagrama, a estrela de seis pontas, no referido pantáculo, a qual estabelece não só a relação entre o Microcosmos e o Macrocosmos, como também a união, o jugo ou casamento entre o triângulo invertido, ou seja, a Natureza Inferior (Personalidade) do Homem, e o triângulo vertido, portanto, a Natureza Superior (Individualidade) do mesmo. Mistério magno que se compreende como a imanência Divina no ser humano, origem de um fenómeno extraordinário dentro da Fisiologia Oculta explicado pelo despertar da “Serpente Ígnea”, localizada em estado latente na base da coluna vertebral, à qual os orientais designam de Kundalini. Não nos ocuparemos em detalhe sobre o assunto, mas o Iniciado ao dinamizar os seus centros vitais, chakras, através do domínio da Força Ígnea Serpentina ou Kundalínica pela Yoga e a Meditação num sentido ascendente, passa a ter coexistência em duas consciências ocupando o mesmo corpo, formando assim o chamado Androginismo Consciencial. É quando o Homem se torna uma veste perfeita do Eu Superior, embora seja apenas um reflexo de cima. Passa a ser uma Alma Iluminada, uma Alma Equilibrada, uma Alma em estado Neutro. Esta é a principal razão oculta acerca da “Serpente Divina” (Theo-Ophis, em grego, que também está na origem filológica de Teosofia, Theo-Sophia) constituindo, por sua vez, o símbolo do Iniciado, daquele que reconquistou a “initio”, o início de tudo e de todas as coisas, o que equivale ao conhecimento do seu ser e das coisas, ou seja, ao reservatório espiritual de todas as suas existências anteriores, bem como à compreensão das causas originais da Criação. Ele reconecta-se com a Origem.

Além deste conhecimento, o Iniciado também desenvolve várias faculdades psicomentais, aquelas que os orientais denominam de sidhis. Além das diversas faculdades existentes (clarividência, clariaudiência, etc.), aquela que mais se revela no Iniciado é a Intuição, a sementeira, o florescimento e colheita do sexto sentido, também conhecida no Oriente por Budhi. É difícil de exprimir em termos concretos o que é a Intuição, visto ser a própria VOZ DO SILÊNCIO, a “FILIA VOCIS” ou SENZAR, a “Fala do Coração” cujo silêncio grita nas criptas internas do próprio ouvinte!… Daí o Mestre JHS ter afirmado: “A Intuição é mais atrevida do que a própria Inteligência. Ela é algo assim como um farol que orienta o rumo da Inteligência e, por isso mesmo, foi a Voz Interna que guiou todos os Descobridores”, e acrescenta, “Por isso mesmo, a Intuição é um estado permanente nos Homens Perfeitos ou Adeptos, enquanto esse mesmo estado naqueles a quem chamamos de “sábios”, “génios”, etc., por suas obras de valor para o mundo, só se manifesta em determinados momentos”.

Para chegar à tão sublime cumeeira da Evolução, necessário se torna o despertar da Intuição, esta a “alavanca de Arquimedes” necessária ao entendimento e aprofundamento dos Mistérios Iniciáticos. Sem ela, haverá somente cultura mais ou menos decorada mas nenhuma tomada de consciência efectiva da finalidade última, e única, do Conhecimento Iniciático: transformar a Vida-Energia em Vida-Consciência.

Por esse motivo, existem e encontramos cinco tipos de pessoas que procuram a Iniciação:

1) A curiosa: procura matar a sua curiosidade e, como todo o processo é oculto, desiste;

2) A céptica: duvida de tudo, até do seu cepticismo, ficando, assim, perdida;

3) A indiferente: chega à Iniciação por causa de outros, e como tanto lhe faz, sai como entrou;

4) A fanática: é a pior, porque continua na Iniciação, de onde retira poderosos alimentos para o seu fanatismo que a afasta da realidade iniciática;

5) A que busca a Verdade: é a que realmente pode se tornar Iniciada nos Mistérios Menores, ligados à Evolução da Humanidade, e nos Maiores, ligados às Hierarquias Espirituais, na razão dos 56 Arcanos Menores e dos 22 Arcanos Maiores do Tarot.

A Iniciação Teúrgica, ensinada e ministrada pelo Professor Henrique José de Souza (JHS), é conhecida como Tríplice Iniciação, cujos aspectos são os seguintes:

Na tripeça, cada uma das três colunas agrupam aspectos que têm entre si relacionamento directo para fortalecer cada uma das três bases da Iniciação, Mente – Emoção – Vontade. Este Triângulo, chamemos de inferior, é a “retorta” ou o “laboratório” das experiências humanas onde a Evolução actual se processa de modo a que a personalidade humana no seu labor interno se assemelhe à Individualidade (“Aquilo que é indivisível”) e apresente o terreno fértil para que a Graça do “Espírito Santo” se manifeste, ou seja, para que a Mónada Divina (Espírito) seja una com a Matéria. É o famoso Rebis ou Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz. Este fenómeno hermético corresponde novamente à chave de Hermes, o Trismegisto, ou seja, O que está em Cima [Individum] é como aquilo que está em Baixo [Persona] para que se dê o milagre da Unidade [Rebis]. Assim, a Iniciação é o Labor permitindo o desenvolvimento justo, perfeito e seguro deste processo oculto que pode durar uma vida ou inúmeras vidas do ser humano. Vejamos, agora, em que consistem os três tipos de Iniciação.

INICIAÇÃO INDIRECTA

É a Iniciação pela própria Vida, onde o Homem recebe as cargas de sofrimento e de felicidade, geradas, respectivamente, pelos seus próprios erros e acertos. É a mais sofrida, sendo aquela a que a Humanidade está sujeita. Todos se estão iniciando ao longo dos ciclos de reencarnações para atingir o padrão evolutivo final do 4.º Reino Hominal ou Jiva, conhecido na linguagem esotérica como Jivatma.

INICIAÇÃO DIRECTA

É a que se processa através de um Colégio Iniciático, onde o discípulo interpreta os Ensinamentos segundo a sua própria capacidade. É chamada de Simbólica devido aos símbolos que são usados nos Graus e nos Ensinamentos ocultos. As práticas de Yogas, Rituais, Mantrans e Instrução oculta, gradativamente aumentam o grau de consciência e capacitam o discípulo para entender a Linguagem Simbólica.

INICIAÇÃO REAL

É a que ocorre quando o discípulo penetra e decifra os símbolos à luz da Sabedoria Divina, deparando-se, assim, com a Verdade. A meditação constante nos símbolos iniciáticos é, portanto, a chave que abre o Portal da Verdade… representada por um Mestre Real que lhe dará a Iniciação Real, sempre em conformidade à evolução já alcançada pelo discípulo no Caminho da Iniciação Verdadeira.

Iniciação Verdadeira, em última e primaz análise, é a transformação das nidhanas em skandhas! Quando reencarnamos, trazemos de vidas anteriores tendências negativas (nidhanas) e tendências ou qualidades positivas (skandhas). Nascemos sempre com as duas tendências. Nidhanas são forças vivas que não podem ser enfrentadas directamente, mas, transformadas em skandhas pelo processo iniciático. Preguiça, tentações passionais e vícios físico-mentais são exemplos de nidhanas, as quais, se enfrentadas directamente, acabam voltando diferentes e mais potentes. Para se vencer um vício é necessário haver uma transformação interna (descondicionamento e conscientização), ou melhor, despertar uma skandha que seja literalmente oposta àquela nidhana. Pelo amor e ajuda ao próximo, a começar pelos Irmãos de Grupo, conseguimos debelar muitos vícios, pois o vício acha-se estreitamente ligado ao egoísmo, sendo que o cultivo do espírito de fraternidade o extingue.

No entanto, resta ressalvar o seguinte: a Iniciação não visa despertar poderes superiores e tornar o discípulo clauriaudiente, clarividente ou sensitivo. A acontecer o despertar das faculdades superiores (sidhis), serão consequência da evolução normal do discípulo, e jamais anormalidades forçadas contra-Natura as quais acabam por o arrojar fora do decurso normal da Iniciação. Há até casos, isto como exemplo, de discípulos dotados de elevada intelectualidade e distinta moralidade mas que, todavia, nunca tiveram quaisquer faculdades psicomentais ou sidhis. E isso é o melhor para se chegar são e salvo ao fim do Caminho, sem correr o risco de, algures, cair no mediunismo puro e simples, atrofiar-se e perder o timão de sua Alma… “Deixa os teus sidhis para a próxima vida”, afirmava o Senhor Gautama, o Budha, ou seja, “vai protelando-os”… Tudo tem o seu momento justo de acontecer, pelo que forçar é como “colher fruta verde antes da época da colheita”.

Para não tornar o tema acerca da Iniciação muito denso, resta apenas destacar as três regras importantes no Caminho Iniciático do discípulo e as suas etapas:

1.º O Iniciado faz-se, não é feito por ninguém.

Somente pelos próprios esforços é que o Iniciado consegue transformar-se num Adepto. Existem regras ocultas que forçam um Mestre a aceitar um discípulo que realmente queira se iniciar, independentemente da sua raça, estatuto social, condição cultural e outros requisitos, desde que preencha as condições básicas para encetar o processão de Iniciação. Porém, essas mesmas regras impedem o Mestre de passar conhecimentos ocultos ao discípulo, se ele não estiver preparado e não se esforçar para os conseguir.

2.º O sigilo deve ser absoluto, os Iniciados calam-se.

Na maioria dos casos, quando o Mestre começa a manifestar-se, interiormente o discípulo pode ficar eufórico e acabar por contar aos outros as suas experiências íntimas. Isto rompe a ligação conseguida, que só voltará, se voltar, muito tempo depois, após esforços redobrados. O merecimento de receber algo oculto é apenas daquele que se esforça e tenha seguido as regras da Iniciação. Cabe ao discípulo interpretar as experiências e usá-las para o seu desenvolvimento, visando sempre ajudar a Humanidade. Determinados conhecimentos ocultos, gradativamente, estão sendo passados para a Humanidade, porém, existem conhecimentos que, em hipótese alguma, podem chegar aos homens, no seu actual estado evolutivo, pois podem comprometer o trabalho das Hierarquias Espirituais envolvidas com a Evolução Humana e provocar danos gravíssimos ao Desígnio da Lei “que os Mestres conhecem e servem”, ou ainda, no caso de envolver forças subtis da Natureza, provocar verdadeiros desastres ambientais, iguais ou piores aos ocorridos na Atlântida.

3.º Quando o discípulo está preparado o Mestre aparece.

Resume, em outras palavras, o que já foi exposto anteriormente, ou seja, o Poder de Kundalini manifesta-se. Sintetizando, esta Força Electromagnética ou Energia Divina que vibra no Seio da Terra ligada ao Homem pelo seu chakra raiz, late adormecida no seu Corpo Vital, e quando desperta liberta-se e percorre serpentariamente, de baixo acima, os restantes centros vitais (chakras), um a um, existente nesse corpo, afectando directamente o Físico por via do sistema glandular. De maneira que a consciência fisica é dilatada e transportada para outros pontos de percepção, para outros Planos supra-sensíveis além daqueles alcançados pelos sentidos físicos.

Enfim, quando o discípulo (a Personalidade) está pronto (alinhado), o Mestre (a Individualidade) aparece (manifesta-se).

De facto, só o Mestre é capaz de discernir quando é chegada a altura de estabelecer um contacto mais íntimo com o discípulo, assim o aceitando. Uma aspiração pura, um desejo veemente, uma determinação inabalável, uma apetência insaciável para o estudo das coisas ocultas e, acima de tudo, a vontade de servir desinteressadamente a Humanidade. Tais são os requisitos que basicamente se exigem aos que pretendem trilhar a Via do Discipulado. Esta ligação íntima e oculta entre Mestre – discípulo respeita três períodos: Probatório (VIVEKA ou MANODVARAJJANA), a Aceitação (VAIRAGYA ou PARIKAMMA) e a Filiação (SHATSAM PATTI ou UPACHARO). Para que esta última ocorra, necessário se torna verificar a fixação das seguintes qualidades no discípulo:

1) SAMO: Quietação ou domínio do pensamento;
2) DAMO: Subjugação do eu pessoal, domínio da conduta;
3) UPARATI: Tolerância;
4) TITIKKA: Paciência;
5) SAMADHANA: Aplicação, equilíbrio;
6) SRADDHA: Fé, confiança.

Quando elas tiverem sido conquistadas, o discípulo transforma-se num GOTRABHU, isto é, num que “está apto para a Iniciação”. Só posteriomente a esta preparação é que o discípulo sofrerá a transformação auferida na Verdadeira Iniciação, a qual, por analogia aos ritmos da Evolução Cósmica, se apresenta em 4 Graus, graduações ou tipos de Iniciação, sendo a última a integração ou absorção no Divino, o CHRESTUS ou ARHAT.

Neste percurso maiêutico da Iniciação, o parturejar das potencialidades adormecidas no interior do iniciando, nada mais são do que o desabrochar da Centelha Divina na sua consciência, equivalendo, na linguagem tradicional e iniciática, à condição do despertar do “Cristo Interno”. Assim, é possível estabelecer uma correlação entre as quatro (ou cinco) primeiras Iniciações e uma espécie de “Vita Christi”, como processos análogos ao fenómeno oculto que sucede no interior do iniciando. Então, no seu progresso espiritual, até alcançar a 1.ª Iniciação, o discípulo é confrontado com certas provas que testam o seu verdadeiro carácter, de maneira a provar se está apto a ingressar a Via do Aspirantado. A passagem do Aspirantado ao Discipulado real pode ser comparada à 1.ª Iniciação naquilo que ela tem no simbolismo da sua realidade intrínseca, isto é, o Nascimento. Seguir-se-á a fase (ou a crise) do Batismo (2.ª Iniciação), depois a da Transfiguração (3.ª Iniciação), seguidamente a Crucificação (4.ª Iniciação), e finalmente a Ressurreição (5.ª Iniciação), onde o Discípulo se transforma em Mestre Perfeito, Adepto Independente, Super-Homem, Jivamukti ou Jivatma (tantos são os designativos para uma só e soberba realidade), por ter em sua natureza e de maneira integral TRANSFORMADO A VIDA-ENERGIA EM VIDA-CONSCIÊNCIA.

JHS – O MESTRE E A OBRA

Na vivência da Tradição Iniciática, além da disciplini arcani a relação do iniciando com o Divino não se estabelece propriamente por órgãos ou instituições religiosas de cariz confessional, mas antes pela via mistérica da mesma Iniciação, quer dizer, o iniciando é um discípulo informado e nunca um simples devoto crencista. Por seu turno, para ser realmente discípulo, obriga-se a possuir disciplina iniciática, facultada por algo (um Colégios de Mistérios) ou alguém (um Iniciado nos Mistérios), ou antes, por alguém representando algo e que que já alcançado um elevado estado de Iniciação ou elevação espiritual, em último caso podendo ser um Mestre Vivo. Não há Iniciação sem relação Mestre – discípulo, justificando, e repetindo mais uma vez, o belíssimo aforismo hermético: QUANDO O DISCÍPULO (Personalidade) ESTÁ PRONTO (retificado, alinhado, integrado, superado, etc.) O MESTRE (Individualidade) APARECE (manifesta-se).

No caso dos Teúrgicos, ou seja, dos afiliados à Obra do Eterno na Face da Terra, eles reconhecem-se como sendo discípulos de seu Mestre Espiritual J.H.S., vulgarmente conhecido como Professor Henrique José de Souza (H.J.S.). Nascido em 15 de Setembro de 1883 na cidade de Salvador, Estado da Bahia, Brasil, filho de Honorato José de Souza e de Amélia Elisa Guerra de Souza, a vida deste Mestre foi recheada por inúmeros fenómenos, cada qual com significado da maior transcendência, como, aliás, sempre foi a vida de todos os Mestres de Amor-Sabedoria trabalhando na Face da Terra em contacto directo com o mundo profano, por isto mesmo igualmente não deixando de ser um rosário de tribulações e tormentos. São tantos e tão complexos os factos reais que perpassam as meras simbologias ou alegorias, ocorridos na sua vida (de H.J.S.) que eles mesmos são, com as devidas extrapolações, marcos na vida de todos os Mestres, que só de os enumerar se escreveria um longo tratado. No entanto, os que com Ele privaram e muito especialmente tiveram oportunidade de o verem exercer a sua função de Manu da Missão dos Sete Raios de Luz (do Logos Solar), aprendendo páginas inolvidáveis de Sabedoria Divina reveladas por sua Boca perfumada, são testemunhas fidedignas de acontecimentos bem reais que, juntos à sua profunda sabedoria e estatura ética e moral, assim muito justamente o chamaram de Mestre. No entanto, aos leitores poderá surgir a seguinte questão: Qual a razão da diferença de H.J.S. para J.H.S.? Vejamos o que o próprio afirmou acerca do assunto:

As mesmas iniciais JHS, a que a Igreja deu uma definição completamente estranha à verdadeira… definem esse mesmo Governo Espiritual do Mundo.

Diremos apenas o que é possível dizer-se não de boca para ouvido, como exigem as Grandes Iniciações, mas… escrito, pelo que assumimos todas as responsabilidades que nos pudessem acarretar.

HJS quando se trata de um Homem ou Algo Divino em função na Terra; JHS, ou o H central para as duas extremidades, Colunas ou Ministros, esse mesmo Algo Divino feito Homem. E em nosso idioma, como um dos mais sagrados se a ele coube o da Missão da Sétima Sub-Raça (ou dos Sete Raios de Luz), não se escreve Homem com H? Por isso, muito natural é que fique antes do J, quando, de outro modo, deveria ficar depois…Com outras palavras: Homem feito Deus (JHS) e Deus feito Homem (HJS).”

Posto isso, será justo o leitor também indagar sobre o que diferenciou o Mestre JHS de outros Mestres ou Adeptos Vivos que vieram ao Mundo servir a Humanidade? A essa questão, apenas podemos responder de uma só forma: a sua Missão e Obra. No entanto, quando há uma Missão, é porque esta foi (ou é) delegada por algo ou por alguém, a qual, sabemos de antemão de acordo com A Doutrina Secreta, é impreterivelmente incumbida a Seres Superiores da Grande Hierarquia Branca ou Hierarquia Planetária (saibam os transviados a que nos referimos e tenham o entendimento sobre tão transcendente assunto, como o revelou Helena Petrovna Blavatsky), nos diversos períodos ou épocas da História Humana, como o foram Krishna, Budha, Cristo, etc. Neste sentido, pode finalmente colocar-se a pergunta seguinte: qual foi, então, a Missão confiada ao Mestre JHS pela Hierarquia Planetária? A verdade é que sabemos muito pouco acerca disso, assim como muito pouco se sabe acerca de quem na realidade Ele era (e é!). No entanto, algumas coisas podem ser ditas, até porque provieram da sua própria Boca.

Tal como todos os Mestres actuando não só mas também na Face da Terra, também Ele cooperou (e coopera) na prossecução dos objectivos seguintes:

a) Na instauração do Novo Pramantha, o Ciclo Evolucional do Terceiro Milénio trazendo em seu bojo a Satya-Yuga, a Idade de Ouro.

b) Na preparação da vinda do Senhor Maitreya, o Supremo Instrutor dos Homens e dos Anjos, o Cristo de Aquarius como o mesmo Budha Branco do Ocidente.

c) Na exteriorização da Hierarquia Branca do Planeta.

O conceito da exteriorização só poderá ser correctamente perspectivado tendo em conta a realidade dos Mundos Interiores do Seio da Terra. Na verdade, o reaparecimento, à Face da Terra, dos Mestres Reais poderá ser entendido segundo duas linhas de forças:

– A primeira diz respeito ao reaparecimento, por parte da Humanidade comum, d´Aqueles que neste momento entre ela já trabalham.

– Em segundo lugar, com a vinda dos Mundos lnteriores, dos Mundos Subterrâneos, para a Face da Terra d´Aqueles outros que lá se encontram, bem como de uma multidão de Seres Aghartinos que cooperarão e ajudarão a Humanidade no restabelecimento do Plano Divino e, principalmente, nos momentos cruciais que se seguirão às dores de parto do nascimento de uma Nova Era.

d) Na instauração de novas e justas relações humanas, da Fraternidade Universal e da Sinarquia Universal.

Do ponto de vista do seu trabalho peculiar, mas também englobado, como é lógico, nos propósitos gerais da Hierarquia, podemos apontar:

e) O enunciado das verdades básicas acerca do verdadeiro significado e constituição dos Mundos Internos. E isto porque é impossível a concretização das tarefas globais anteriores sem haver por parte da Humanidade um reconhecimento e correcto entendimento da realidade dos Mundos Subterrâneos.

f) A preparação do advento da 7.ª Sub-Raça desta Grande 5.ª Raça-Mãe, a Ariana, que se dará na América do Sul, nomeadamente no Brasil, bem como de tudo o que se prende com a Missão Y.

g) A transmissão de certos conhecimentos permitindo a realização dos propósitos do Raio que neste momento começa a sua manifestação no nosso Planeta, o º Raio, o do Ritual ou Magia Cerimonial.

h) Um trabalho extremamente misterioso de ordem Manúsica iniciado aquando da sua viagem ao Norte da Índia, quando Ele era um “jovem adolescente de 16 primaveras”, intimamente ligado à não menos enigmática formação do 6.º Sistema.

Contudo, para os mais cépticos, poderá surgir a dúvida de qual será a veracidade da Missão delegada pela Hierarquia Planetária e que provas efectivas existem de tal intento para que Henrique José de Souza tivesse a autoridade espiritual e temporal de a exercer? Será, talvez, o momento de transcrevermos a Mensagem-Credencial, redigida em inglês, datada de 31 de Dezembro de 1925, que da Confraria dos Traichus-Marutas de Srinagar foi enviada e recebida pelo Venerável Mestre JHS do Excelso Senhor São Germano, o Mestre “Justus et Perfectus”:

Confraria Branca de Kashemir (Srinagar), por Ordem Superior dos BJ, reconhece no Swami H. J. de Souza não só o Venerável Dirigente da 5.ª Rama com sede no BRASIL, como também o seu Único e Legítimo Representante para toda a América do Sul, com plenos poderes de acção, em virtude de se achar em condições de contribuir para o Grande Trabalho de Regeneração Social, Fraternidade Mundial e preparação para o Advento do SUPREMO INSTRUTOR DO MUNDO.

“Aproveito a oportunidade para lançar uma Bênção a todos os que aderirem a esse Grande Trabalho a favor da Paz, da Sabedoria e do Amor entre os Homens.

“Como um dos seus representantes (um dos B J) emito esta dentro da referida Confraria (Mundo Jina). JUSTUS E PERFECTUS.

Através desta breve abordagem podemos assim perceber a transcendente e enorme importância da Missão que lhe estava (e nos está) confiada. Contudo, quando o Divino se manifesta, de acordo com a LEI, ela ocorre sempre numa manifestação tríplice expressiva das Três Hipóstases Divinas, como se constata nas diversas trindades religiosas. Nesse sentido, a manifestação de uma entidade da estatura de H.J.S. não foi excepção, vindo a ser acompanhada de determinados acontecimentos, digamos misteriosos ou ocultos, os quais deixaremos para uma outra ocasião, agora resumimos apenas os mais simples (exotericamente falando) e de fácil entendimento para a maioria dos leitores, como determinantes da sua actuação:

1.º – A manifestação de um Ser Gémeo, no sentido espiritual e até humano do termo, cuja forma feminina, como contraparte complementar da masculina, exerce funções a todos os níveis como Esposa, Mãe e Sacerdotisa. Constituem, assim, a Parelha Divina na Face da Terra, Henrique José de Souza e a inicialmente Helena “Iracy” Gonçalves da Silva Neves, depois Helena Jefferson Ferreira de Souza (manifestação daquela após o mortífero “Acidente de Lisboa”, na Rua Augusta, em 1899, acontecido com ambos), constituindo os Gémeos Espirituais (tal como os antecedeu a parelha “teosófica” Henry Steel Olcott e Helena Petrovna Blavatsky).

Gémeos Espirituais Henrique – Helena

2.º – A manifestação de dois Seres de Eleição que actuam como suportes ou Colunas Vivas da Missão específica que se pretende realizar. No caso de H.J.S., eles foram:

a) – Tancredo de Alcântara Gomes (a chamada Coluna TAG), saído pela Embocadura de Porto Seguro, no Brasil, referenciado, por analogia com a Tradição Maçónica referente ao primitivo Templo de Salomão, como Coluna B, de Bhakti ou Bohaz, esta palavra cujo significado é “na Força” que representa a Unidade, a Devoção, a Mística e o Amor. Teve a seu cargo a administração social da Instituição.

b) – António Castaño Ferreira (a chamada Coluna CAF), saído pela Embocadura de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, referenciado como Coluna J, de Jnana ou Jakin, simbolizando o Conhecimento, a Iluminação, a Sabedoria, e em si mesmo o termo hebraico significa “ele Estabelecerá”. Encarregou-se da manutenção espiritual da Instituição.

Tem-se Henrique – Helena para o Pai-Mãe Cósmico expressando o Primeiro e Segundo Logos, enquanto as Colunas Vivas vieram a expressar o Terceiro Logos na Terra tomando forma na Instituição Teosófica.

Manifesto o Divino na Face da Terra, necessário se tornou criar o aspecto social para que a Missão e Obra pudesse ter expressão entre a Humanidade. Para que a Missão e Obra de um Mestre se efective na Face da Terra, é sempre necessário um Corpo para que o Espírito se materialize e venha a cumprir a sua função. Por conseguinte, o Mestre JHS necessitou não só do seu corpo fisico como também do corpo institucional para poder executar, conforme as exigências da época, a sua Missão. Convirá, no entanto, fazermos um pequeno parêntesis para analisarmos o seguinte: NÃO DEVEMOS CONFUNDIR OBRA COM INSTITUIÇÃO! Esta poderá ser, sob certas condições, um reflexo da primeira e por isso se encontrar estreitamente ligada a ela, chegando as duas a significarem o mesmo, embora, neste caso, as duas não sejam equivalentes. Poderemos dizer que a primeira está para a segunda assim como a nossa Individualidade está para a personalidade. Esta é a razão por que muitas ditas Ordens Iniciáticas ou Secretas terminem confundindo a Instituição com a própria Obra que lhe estava confiada, vindo a dominar as características personalísticas dos seus dirigentes, cujos dirigidos acabam resvalando em cultos de personalidades consequentes e divisões internas, as quais afastam os membros do propósito espiritual ou iniciático e da sua Egrégora.

Assim, pois, foi criada por Ele, numa primeira fase, Dhâranâ – Sociedade Mental- Espiritualista, em 10 de Agosto de 1924, em Niterói, Brasil, tendo posteriormente a Instituição tomado o nome de Sociedade Teosófica Brasileira, em 1 de Maio de 1928, tendo esta como organismo motivador e movimentador interno, a ORDEM DO SANTO GRAAL (O.S.G.), ainda numa fase anterior à sua fundação oficial nos inícios dos anos 50 do século passado.

Para entendermos o tema das Ordens Iniciáticas, neste caso específico, da Ordem do Santo Graal, teremos de entender que ao longo do percurso iniciático o discípulo eleva-se gradualmente no conhecimento e na vivência dentro da Obra e da Instituição, desde o nível mais elementar ao mais complexo (o chamado “aumento de salário” na Maçonaria). A razão é análoga à Natureza, ou seja, assim como esta não dá saltos e se organiza de maneira hierarquizada, igualmente o percurso iniciático do discípulo respeita o mesmo princípio. O Caminho do Discipulado ou da Iniciação respeita à vivência de uma “ordem de outra espécie”. Para que ela seja efectiva, necessita de uma organização hierarquizada como expressão da Ordem Superior no Plano de Vida inferior. Por exemplo, na Antiguidade, os Sacerdotes ou Iniciados relacionavam e estabeleciam a ligação oculta entre a Terra (desordem) e o Céu (ordem), não só no altar como também pela matemática e geometria vazadas como Arquitectura Sagrada, indo estabelecer o alinhamento entre determinadas constelações e templos construídos em locais específicos de intensidade telúrica. Assim, compreendemos a razão de ainda hoje existir a necessidade da fundação de Ordens como meio de viver, promover e gerar a Ordem na Terra, inclusive no plano profano, neste sejam elas Ordens profissionais, militares ou até honoríficas. Mas no âmbito que tratamos, o espiritual, a Ordem é sempre de natureza sagrada, mistérica ou iniciática, dando resposta ao belíssimo aforismo hermético: “O que está em Cima é como aquilo que está em Baixo, para que se dê o Milagre da Unidade”. Sem se entender este princípio fundamental, o que se está a gerar é apenas uma desordem, uma desorganização e com isso um caos colectivo e simultaneamente individual. Neste sentido, conseguimos entender a razão tradicional da fundação, por parte do Mestre JHS, da Ordem do Santo Graal e das suas subsequentes Ordens, como também a sua função específica de acordo com a Mística e a Missão relacionada aos Mundos Subterrâneos…

O principal objectivo da O.S.G. foi e é o de aninhar em torno de si as Mónadas da sua Família Espiritual destinadas a cumeeira dirigente da Onda Humana, ou seja, a da já referida 7.ª Sub-Raça Ariana, semente da 7.ª Raça-Mãe Atabimânica, a urgir em simultâneo com a 6.ª Raça-Mãe Bimânica, tudo em conformidade à Iniciação Mental (Assúrica) de JHS, e esta se processe sem sobressaltos nem percalços na evolução das Mónadas Númeradas da sua Corte, motivo para o Mestre instituir quatro Ordens Iniciáticas juntas perfazendo a Ordem do Santo Graal, conformadas aos Graus Iniciáticos da Instituição, todas pertinentes à mesma Iniciação Assúrica, como sejam: Ordem dos TributáriosGrau Manu; Ordem das Filhas de AllamirahGrau Yama; Ordem do AraratGrau Karuna; Ordem dos TempláriosGrau Astaroth. Finalmente, formalizada por todas, a Ordem do Santo GraalGrau Integração. Apenas para esclarecimento geral, deixamos uma pequena síntese das datas de fundação e respectiva função dessas Ordens:

A ORDEM DAS FILHAS DE ALLAMIRAH, oficializada no dia 24 de Junho de 1952, constituiu a Ala Feminina da O.S.G., portanto constituída exclusivamente de senhoras (as Valquírias, Tesouras depois Baguetas da Obra) integradas na Série Interna, foi criada para o Novo Ciclo de Aquarius para manter a Taça Sagrada, na função de apoiar – como Género Feminino de Eleição – aqueles que mantêm a Tradição do Santo Graal – os Templários de Maitreya, como Género Masculino de Eleição, os Príncipes ou Principais da Obra do Eterno na Face da Terra.

A ORDEM DOS TRIBUTÁRIOS, fundada em 23 de Outubro de 1954, constituindo uma espécie de “Maçonaria” (os Velsungos ou Espadas da Obra) com o cargo espiritual e social de “cobrir” física, psíquica, mental e espiritualmente a Obra e Instituição por Ele fundada e à sua própria Família (APTA), a humana e também a espiritual.

A ORDEM DO ARARAT, foi fundada no dia 24 de Março de 1958, foi criada com a finalidade de propiciar as condições favoráveis para o entendimento e vivência do novo estado de consciência, exigido por Lei, para o Ciclo de Aquarius, possuindo o lema: “Realização através do Carácter e da Cultura”.

A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS, ou Templários de Maitreya ou de Agharta, oficializada na mesma data da O.F.A., deu início à sua actividade com a fundação da Guarda do Santo Graal – exclusivamente masculina – em 28 de Dezembro de 1951, constituída de 32 Membros com os cargos de Goros, Cavaleiros, Arqueiros, tendo por função manter a guarda perpétua da Taça Sagrada do Santo Graal.

A Sociedade Teosófica Brasileira manteve o seu nome até pouco depois da data da morte física de J.H.S., ocorrida em 9 de Setembro de 1963, mas em 24 de Fevereiro de 1969, por alterações estatutárias e outras, tomou a nova feição de Sociedade Brasileira de Eubiose, ficando a sua orientação inicialmente a cargo de D. Helena Jefferson de Souza, inseparável companheira do Mestre na segunda metade da sua vida, e depois até hoje na de seu filho Sr. Hélio Jefferson de Souza.

A VIA TEÚRGICA

Etimologicamente, Teurgia advém de Theos (Deus) + Ergon (Obra), ou seja, a Obra de Deus na Face da Terra. Deus como Logos Criador da mesma Terra, portanto, o Eterno. Apesar da origem do termo Teurgia provir dos antigos neoplatónicos e filaletos de Alexandria, como muito bem aponta Madame Blavatsky na sua obra A Chave da Teosofia (pág. 18, nota de rodapé), a verdade é que ela além de ser a aplicação prática da Teosofia, também não corresponde hoje aos velhos e clássicos preceitos e práticas mágicas de sábios como Plotino ou Plutarco, pela simples razão de dessas estarem  adequadas a um tempo e a uma condição mental completamente diferentes das nossas, sendo até  física e espiritualmente contraproducente a sua aplicação hoje. A Teurgia de JHS, visa um fim no sujeito: a vivência do BEM, do BOM e do BELO, o que equivale a viver em harmonia com os Ciclos da Natureza, e por conseguinte, com os do Universo (visível e invisível). É aquilo que o Professor Henrique José de Souza designou pelo neologismo, por si criado, de Eubiose, colando ao outro de Teosofia Eubiótica, como seja “Viver Bem o Belo e o Belo com Sabedoria Divina”, entendido apenas como estado de consciência resultante de um processo espiritual praticado pelo discípulo, não como nominativo de instituição espiritualista ou religiosa ou de mera filosofia “eubiótica” (!), que assim antes devera chamar-se eugénica, a ver com eugenia ou “pureza mental, emocional e física” do Homem ante a Natureza, descartando quaisquer discriminações raciais que muitos dão ao termo. Assim, toda a Teurgia de JHS está intimamente ligada ao Novo Pramantha ou Era de Aquarius, religando iniciaticamente os Mistérios do Oriente (Principado) com os Mistérios do Ocidente (Potentado) sustentados na única Sabedoria Divina, Teosofia, ou por outra, a Tradição Iniciática das Idades.

No entanto, a Teosofia propriamente dita, nunca é manifesta ou revelada no seu todo e sim progressivamente por fases, de acordo com os Ciclos de Evolução que, por sua vez, são assinalados por certas figuras zodiacais e condicionados por certas energias planetárias e cósmicas. Para cada Ciclo de Vida, a Hierarquia, o Governo Oculto do Mundo, estabelece o Plano de Expansão, o qual comporta uma nova dispensação de conhecimentos, um novo código de comportamento colectivo, um conjunto de objectivos a alcançar pela civilização, assim como faculta os meios, as metodologias da sua realização. A Eubiose, é a efectivação ou expressão vital na Face da Terra dessa mesma Teosofia, revelada de acordo com o Ciclo de Evolução actual e implica individualmente num estado de ser resultando num método de vida, numa atitude peculiar de espírito e de acção. Por sua vez, a Teurgia é o foco irradiador que se corporifica como Espírito do Corpo Teosófico e da Alma Eubiótica, no que lhes dá suporte prático e permite efectivar a vivência da HARMONIA UNIVERSAL do Homem com o Universo (Omnia ab Uno et in unum omnia). Desse modo, podemos afirmar que a Teurgia é a aplicação prática da Teosofia, e a Eubiose a ética normativa da sua vivência na Face da Terra.

Assim, Teurgia terá ainda ter duas acepções distintas:

1) TEURGIA no sentido lato – com características inovadoras, dizia o Mestre, é TEOSOFIA EUBIÓTICA. Ou seja, as verdades fundamentais que ela transmite, graças a quanto JHS revelou, no fundo são as mesmas da Teosofia, esta entendida no seu verdadeiro significado etimológico, ou seja, o de Theoin-Sophia, “a Sabedoria daqueles que se movem em Círculo”, os Planetários ou Deuses, no fundo sendo, como já dissemos, a mesma Sabedoria Iniciática das ldades, Gupta-Vidya ou Sanatana-Dharma, como se lhe queira chamar.

2) TEURGIA no sentido restrito – fundamentalmente respeitante às novas Revelações do Ciclo e ao novo enfoque da Sabedoria Iniciática trazidos por Ele, portanto, conformada a uma praxis inteiramente nova toda ela de vocação Parúsica ou de Advento do Avatara-Síntese, MAITREYA, o CRISTO DE AQUARIUS, e para isso usando dos mais ciosos elementos didácticos e técnicos a uma Integração verdadeira do discípulo.

Toda a sua magnânime Obra na trasladação dos valores do Oriente para o Ocidente, o Ex Occidens Lux, respeitou uma metodologia estruturada segundo os mais rigorosos cânones da Tradição Iniciática, respeitando uma hierarquização de saberes delegada pelos Graus anteriormente referidos, nomeadamente o OEDIPO (Peregrino), MANU (Legislador), YAMA (Executivo), KARUNA (Judiciário), ASTAROTH (Coordenador), e ainda o de INTEGRAÇÃO (1+4+1), e um modus operandi extremamente bem conformizado tanto à essência da Raja-Yoga (Leste) como da Cabala (Oeste), tanto ao melhor do Budismo (Oriente) como do Cristianismo (Ocidente). Além da estrutura iniciática gradativa, inserida na Linha do 7º Raio, como seja o da Magia Cerimonial, a estrutura da Instituição requer um método iniciático coadunado à especificidade da sua Tónica e Missão espiritual. Neste sentido, como objectivação do seu Trabalho particular na Face da Terra, JHS propôs duas vias de realização: uma grupal e outra individual.

A primeira, grupal, pode ser expressa segundo um triângulo com a ponta voltada para baixo (∇), cujos vértices são: a Escola, o Teatro e o Templo.

– A Escola é o meio através do qual o discípulo, como TEÓSOFO, aprende e apreende, sempre de acordo com o seu nível psicomental, as verdades essenciais da Sabedoria Iniciática das Idades.

– O Teatro expressa o grande palco da vida onde, todos nós, temos o nosso papel a desempenhar, e liga-se com a problemática da ética e da moral consignada no sufixo EUBIOSE, isto é, o de “viver segundo o Bem, o Bom e o Belo”.

– O Templo é onde os ensinamentos da Escola e as vivências do Teatro são projectados como serviço desinteressado à Humanidade, através da captação, reelaboração e distribuição de energias por todo o planeta, fazendo nobre jus ao preceito TEURGIA como a mais Alta Magia Divina, alimento e firmeza de toda a Instituição e Obra.

A segunda via, a individual, é representada por um triângulo com a ponta voltada para cima (Δ), em cujos vértices se inscrevem os valores imorredouros: Transformação, Superação, Metástase.

Transformação do indivíduo, ou seja, aperfeiçoamento de todos os seus aspectos.

Superação da personalidade.

Metástase com o Ser Superior.

Portanto, a Teurgia funciona como uma “engenharia espiritual” no aceleramento do processo interno do discípulo de modo apurar as suas capacidades latentes, acompanhando o trabalho “sacrificial”, verdadeiro ofício sagrado, que realiza em benefício da Humanidade nos três vectores mencionados (Escola – Teatro – Templo). Por causa do Karma Colectivo que aflige o Mundo, não há Evolução (espiritual e humana) sem Sacrifício. Todavia, a relação Microcosmos-Macrocosmos deve ser apreendida consciencialmente e regularizada relacionalmente entre os ambientes interno e externo do discípulo, na razão da relação indivíduo-colectividade, ou seja, à medida que a sua compreensão das leis ocultas do Universo vão sendo apreendidas e fixadas na sua consciência, a aplicação das mesmas torna-se necessária dentro de um círculo restrito colectivo, constituído pelos seus Irmãos de Grupo partilhando da mesma noção e necessidade, de modo a paulatinamente ele e eles, num todo, lhes dêem sentido prático no Teatro da Vida. Assim, na ESCOLA, o discípulo apreende, aprende e aplica a vivência da ética postulada na doutrina teúrgica, ausentando-se de complexos e inibições de foro psicológico ou psicomental, flagrante que ao contrário se destaca nas religiões exotéricas de catequese confessional, geralmente castradora de quaisquer expressões criativas que pretendam ir além da ortodoxia postulada, contrariando o livre-arbítrio que define em  maior ou menor proporção a liberdade de cada um, conquistada e conformada à evolução ou progresso espiritual do indivíduo, nem eterno crescendo interior. É esse que o compele à TRANSFORMAÇÃO, implicando num gradual maior refinamento, subtilização e ampliação dos cinco sentidos naturais e de dois outros ainda latentes, destinados a um dia se tornarem patentes – tacto, paladar, visão, audição, olfacto…  intuição, clarividência e êxtase.

Para não ser “cego guiando cegos”, o discípulo deve aprimorar primeiro a si mesmo antes de puder inspirar ao aprimoramento interior os seus semelhantes em Humanidade, ele e eles cursando a grande ESCOLA que é o Mundo. No TEATRO do dia-a-dia, à custa dos seus próprios esforços, o discípulo vai assimilando e integrando os valores da chamada  CONSCIÊNCIA EUBIÓTICA, isto é, a de “Bem-Viver” consigo e o próximo, logo, com o meio natural, seja visível, seja invisível, e assim cada vez mais SUPERANDO as suas antigas limitações ou liames psicológicos (nidhanas) da personalidade, assumindo  novo e mais amplo estado de consciência afim à Individualidade, no qual, de maneira alguma, será descaracterizado, pelo contrário, se tornará mais forte e constante nos seus nobres ideais, mais e verdadeiramente Homem. Assim realizará o vértice TEATRO no seu verdadeiro sentido, isto é, Theos+Actum, o sagrado ACTO DOS DEUSES… que todo o homem é… ainda que a maioria disso ande esquecida.

Finalmente, no TEMPLO que sobretudo é o seu Corpo, o Altar a sua Alma, e o Deus da Exaltação o seu Espírito, o discípulo da Obra Divina pratica nele em colectivo, e também em individual em seu “Sanctum Privado” os estudos e exercícios espirituais do preconizo e chancela da ORDEM DO SANTO GRAAL. Assim, cada vez mais, se acerca da derradeira METÁSTASE com o seu Eu Superior ou Anjo Solar, e este dele estreitando o elo de ligação (antahkarana), portanto, Metástase Avatárica do de baixo pelo de cima e do de cima pelo de baixo!… Está simultaneamente em sintonia ou comunhão mental (Dhâranâ) com todos os seus Irmãos de Grupo, sobretudo com aqueles que na hora e lugar sagrados realizam práticas idênticas, fortalecendo a Egrégora Grupal. Assim, um e todos e todos e um, fundem-se num único Corpo Avatárico cujo Centro mesmo é o Mestre Interno, expressão monádica particularizada do Mestre Externo, para nós JHS, e num sentido mais amplo, o CRISTO UNIVERSAL, a própria Divindade assistente ao Globo em que estamos, vivemos e temos o nosso ser.

Daí, por tudo e estar no todo e vice-versa, a Escola possui a sua parte Teatral e Templária; o Teatro implicar o Templo e a Escola; o Templo exercitar a Escola e o Teatro. De igual maneira, a Transformação também comporta Superação e Metástase; a Superação implicar na Metástase e na Transformação, esta definitiva e definindo o elevado nível do ser; a Metástase a mesma Transformação e Superação, para sempre dos liames da matéria onde a “Vida-Energia” fica sob o domínio da “Vida-Consciência”.

Todo este método iniciático teúrgico tem influência positiva no triângulo inferior do discípulo, ou seja, no seu CORPO, EMOÇÃO e MENTE, inicialmente a “Pedra Bruta” que progressivamente trabalhada se torna “Pedra Polida”, na intenção de reflectir e ser envolvido pelo triângulo superior por ora em formação, ou seja, constituído pelo CAUSAL, INTUICIONAL e ESPIRITUAL, buscando conquistar o estado do Perfeito Equilíbrio ou Perfeita Neutralidade característica do Homem Divino, o Verdadeiro e Único, o JIVATMA ou pura “Vida-Consciência”. Todo esta metodologia de trabalho foi resumida pelo Venerável Mestre JHS nas palavras preciosas que deu a público em São Paulo em 13 de Abril de 1963:

“A nossa Obra é um Plano Universal de Evolução que segue três caminhos, desenvolvendo: a Emoção pela Educação; a Inteligência pela Instrução; a Vontade pelo Trabalho.”

OS MUNDOS SUBTERRÂNEOS

No Ocidente, este mistério foi abordado publicamente e com grande propriedade por diversas personalidades célebres no Ocultismo nos últimos quartéis do século XIX e nos primeiros do século XX, das quais podemos destacar Saint-Yves d´Alveydre (Missão da Índia na Europa), Ferdinand Ossendowsky (Homens, Animais e Deuses), René Guénon (Rei do Mundo), Papus (Gerard Encausse, Traité Elementaire d´Ocultisme), Nicholas Roerich (Shambhala, a Resplandecente), Alfred Percy Sinnett (The Mahatma Letters, carta IV), Mário Roso de Luna (Libro que mata a la Muerte o El Libro de los Jinas), dentre outros, os quais serviram de voz no meio público para divulgar algo que até ao momento era desconhecido desse, por ser restrito a determinadas correntes espirituais e/ou organizações iniciáticas secretas. No entanto, apesar da inteira relevância tradicional dada ao tema por todos eles, a abordagem, retificação e revelação do mesmo pelo Venerável Mestre JHS, não se ficou no terreno estéril das especulações intelectuais, antes adentrou a sua vivência efectiva, real e prática, não deixando de delegar aos seus discípulos mais próximos infindáveis páginas e páginas de revelações desconhecidas até então sobre a “fisiologia” ou “estrutura” dos Mundos Subterrâneos e seus habitantes, sendo depois uma pequena parte adaptada e transmitida, sob a maya ou véu da ciência e da religião, à mentalidade pública moderna, sem nunca deixar de realçar a espiritualidade do assunto num carácter absolutamente teosófico.

O segredo em torno deste tema foi muito bem guardado ao longo das eras, pelo facto de o mesmo constituir um dos maiores, senão o maior, dos Arcanos da Tradição Mistérica. Enquanto Madame Blavatsky abriu caminho com a “sua” Teosofia, escrutinada na sua obra monumental A Doutrina Secreta, para revelar e comprovar um grande segredo ou arcano, proibido até então, ou seja, a existência da Grande Loja Branca ou Governo Oculto do Mundo, o Professor Henrique José de Souza  foi mais adiante dispondo-se como expressão directa do mesmo na Face da Terra, completando com a revelação do grande mistério da Terra Oca, ou seja, o Mistério do Mundo de Agharta.

Num aparente contraste, se as várias religiões apregoam o Reino dos Céus ou a espiritual Paradhesa (Paraíso), qual será a relevância da Terra Oca ou do Mistério dos Mundos Subterrâneos para a Humanidade? Em uma primeira abordagem, justifica-se por ser Tradição Hermética ou Oculta, no sentido do indivíduo analogamente aceder ao interior da Terra como acede ao interior de si mesmo. No entanto, algo de extraordinariamente rico está implícito nesse processo, ou seja, o do planeta Terra sendo um Ser Vivo, como muito bem afirmam os cientistas modernos, possui em si mesmo um repositório memorial e espiritual de toda a Evolução Cósmica (no seu interior) desde o início dos tempos, aquando da manifestação do Logos tomando forma como Globo. Significa isto que a Terra possui em si mesma todo o conhecimento e sabedoria do mundo desde os evos imemoriais da Raça Humana. Assim, aceder a esse fantástico repositório é como encontrar o Santo Graal, o Conhecimento Universal, justificando todo o secretismo, ante o despreparo humano, que se estabeleceu ao longo dos tempos em torno deste assunto.

As diversas tradições religiosas e textos sagrados da Antiguidade sempre se referiram aos Mundos Subterrâneos, dando-lhes diversos nomes e termos de acordo com a tónica e especificidade cultural da época. Verifica-se, por exemplo, o famoso Mundo de Duat ou Amenti no Antigo Egipto, o Hades da mitologia grega, a Shamballah das tradições transhimalaias, o Edon e o seu misterioso povo Thuat de Danand da cultura celta, a Ilha Encoberta de que nos falam as profecias do Bandarra, ou o famoso V.I.T.R.I.O.L. da tradição alquímica medieval, sempre remetendo para um lugar idílico ou paradisíaco ausente de morte, doença ou corrupção humana, onde apenas os mais selectos ou merecedores, homens e mulheres destacados pelas suas virtudes e acções em vida, poderiam entrar, comungando conjuntamente com os deuses e os seus divinos tesouros de vida eterna.

Apesar das afirmações que já fizemos relativamente aos Mundos Subterrâneos e às evidências da sua existência, não comentaremos factos mais ou menos noticiados que não se abordem à luz da Tradição Iniciática, como, por exemplo, esses do aparecimento através dos séculos dos chamados “discos-voadores”, vistos a penetrar no mar ou a desaparecer no solo em alta velocidade, ou o dos conspiracionismos “exo-políticos” hoje abundando nas televisões e redes sociais. A investigação deve ser desenvolvida de forma tradicional, iniciática (jamais especulativa ou sensacionalista, alimentadora da impuberdade sensorial!), basear-se, como não poderá deixar de ser, na Lei da Analogia, como expressa a Tábua de Esmeralda:

“É verdadeiro, completo, claro e certo: o que está em baixo é como o que está em cima, e o que está em cima é como o que está em baixo, para a realização do milagre de uma Coisa Única…”

Com esse método estabelecemos a similitude das relações entre o Microcosmos e o Macrocosmos. O Homem representa um Microcosmos perfeito, isto é, contém em si a imagem completa do Macrocosmos, por sua vez em relação sincrónica com a Mater-Rhea, Mãe-Terra, a própria Matéria.

Nesse sentido, quando alguém pretende realizar uma prática espiritual recolhe-se no sanctum sanctorum de si mesmo, no seu próprio imo que é a parte mais pura de cada um (“Feche-te em teu quarto e ora a teu Pai em segredo”, Mateus 6:6). Se fazemos isso, é perfeitamente óbvio que o fazemos por saber que o nosso melhor está no interior! Portanto, não é igualmente concebível que analogamente o melhor do planeta (que é o corpo de manifestação do Logos, Verbo ou Vach, Ser extraordinariamente mais evoluído identificado ao próprio Deus de um e todos os da Terra) esteja no seu interior?

Assim, em primeira instância, podemos relacionar os diversos estados de consciência alcançados (ou alcançáveis) na prática da meditação com os estados de consciência existentes nos Mundos Subterrâneos, mediante a nossa maior interiorização da consciência. Por outro lado, o Homem possui no seu Corpo Físico-Etérico, de acordo com os ensinamentos tradicionais, Sete Chakras ou “Sóis Vitais”, através dos quais, privilegiadamente, recebe e distribui toda a energia vinda do Cosmos por via dos Sete Luzeiros consignados pela Tradição das Idades, e mais um Oitavo Chakra, Vibhuti, sob o Cardíaco, do qual normalmente não se fala mas que sintetiza a acção dos restantes. Esse, mais do que qualquer outro, reflecte e relaciona as energias de todos os corpos. Também a Terra possui 7+1 Centros Vitais aflorados ao longo da sua crosta vindo reflectir as energias do Céu e as forças do Interior da Terra, dinamizando países, continentes e povos, demarcando uma influência espiritual oculta, tema que mais adiante trataremos ao abordar o Sistema Geográfico Internacional e os seus respectivos Postos Representativos. Enfim, tem-se que a relação entre o Homem e a Terra e o seu Interior é, por sua vez, análoga, está na mais perfeita matemática da Lei da Analogia!

Acerca do analogismo inter-relacional, ele justifica-se pela constituição hierarquizada da Vida desde o mais ínfimo atomo até ao Sistema Solar em que vivemos. Para o insigne teósofo António Castaño Ferreira, o átomo da Ciência moderna é um verdadeiro Sistema Solar em miniatura, constituído de um “sol” (protão), de “planetas” (electrão) e de “satélites” (neutrão) girando em torno desse mesmo “sol”. Isso quer dizer que o átomo, ao invés de compacto, possui entre essas partículas espaços completamente vazios de matéria (do Plano Físico). Dentro do átomo a distância relativa entre as partículas que o constituem corresponde, com muita aproximação, à distância dos planetas do nosso Sistema Solar em relação ao volume dos mesmos; noutros termos, um átomo, apesar de ser tão minúsculo ao ponto de nenhum aparelho permitir ainda ao olho humano vê-lo, compreende muito mais espaço vazio do que as partículas propriamente de matéria física. Desse modo, entre esses espaços outras “densidades” de matérias têm o seu lugar, as quais, de acordo com os ensinamento do Ocultismo, interpenetram a matéria física densa com graus de subtilidade cada vez maiores, constituíndo os Planos Vital, Astral, Mental e Espiritual. Tendo em conta que o átomo é a unidade fundamental da Vida, constituído por diversos graus de matéria, todo o Universo material e visível está impregnado com matéria cada vez mais subtil e invisível, diferenciando-se apenas no grau vibratório em que se encontram. Por sua vez, a hierarquização da Vida ao assumir formas ou estruturas mais complexas, desde células, moléculas, tecidos, órgãos, sistemas, reinos, planetas, galáxias, etc., vai permitir que nos outros Planos mais subtis o mesmo grau de hierarquização ocorra. Dessa forma, na mesma medida que a Terra possui na sua fauna e flora uma hierarquização de vida elemental, sub-humana (mineral, vegetal e animal) e humana, no seu interior outros reinos ou mundos mais evoluídos e espiritualizados terão o seu lugar… Estes locais ou dimensões do Universo, neste caso específico na Terra, é que constituiem os misteriosos Mundos Subterrâneos ou o “Reino dos Deuses” que as diversas tradições apontam. O Globo, que é a TERRA, na verdade é um Ser Vivo, repetimos, o qual reflete o Corpo Físico de uma Grande Entidade Cósmica chamada Logos Planetário, tradicionalmente denominada DHYAN-CHOAN SUPERIOR, todo Ele constituído por vários tipos de energias pelo que, assim,  possui a sua anatomia oculta, indo desde a superfície do Globo até à sua região mais profunda, com constituição exactamente proporcional à dos diversos Planos Cósmicos.

Nesse sentido, a constituição da anatomia oculta da Terra apresenta cinco camadas das quais podemos fazer uma descrição sumária, tal como foi revelada detalhadamente pelo Mestre JHS. De acordo com os próprios Anais Ocultos, quando no Período Atlante deu-se o Julgamento Planetário dessa Raça, a Humanidade mais avançada da mesma, a Sedote como lhe chama o Popul-Vuh dos autóctones mexicanos herdeiros da Atlântida, antecipadamente recolheu-se ao interior do Globo, onde prosseguiu a sua evolução, tendo a restante, Jiva, permanecido na superficie, dando origem aos homens actuais. Numa primeira fase, ao interiorizar-se estabeleceu-se no que os budistas do Ceilão chamariam de Mundo de Badagas, o qual se encontra um pouco sob a crosta de todo planeta, cerca de 60 a 90 km de profundidade. Este Mundo de espiritualidade, civilização e cultura superiores às da superfície, caracteriza-se, contudo, pela tónica do seu desenvolvimento tecnológico, desde o hidráulico ao nuclear, sendo o que mais surpreende o visitante vindo da superfície.

Desse Mundo tem-se acesso ao Mundo de Duat, onde encontram seres ainda mais espiritualizados, os quais têm uma fisiologia semelhante à do homem da superfície, este que, se lhe for permitido o acesso, pode penetrar directamente em Badagas. Se tiver o privilégio de se deslocar a Duat, terá de passar por um período de treino e preparação de cerca de três meses em Badagas, para o seu corpo físico não sofrer perturbações. Em Duat, o que mais impressiona são as Bibliotecas onde se encontra toda a produção literária e artística significativa criada pelo Homem. É aqui que encontra a categoria dos Devas Lipikas (“Anjos Escribas”), ManuYamaKarunaAstaroth, que registam todos os actos, pensamentos e palavras da Humanidade no Livro do Kamapa, como Senhores do Karma Planetário.

Mais interiorizado ainda, encontra-se o Reino de Agharta com as suas sete Cidades ou Cantões governadas pelos benditos Reis de Edon ou do Éden. Aí reina a Sinarquia Universal e a Paz estabelecida e actuante. A Ordem Divina e a Harmonia são as notas mais salientes. Como se fora um Oitavo Chakra, a Oitava Cidade é Shamballah, governada pelo Rei do Mundo, o Soberano Supremo, o Eterno Jovem das Dezasseis Primaveras. Esse é o Mundo do Silêncio Móvel, onde só aquele que por direito próprio tem assento no Conselho do Rei dos Reis, pode morar. Daí o dizer-se que é a Morada dos Deuses, a Cidade dos Imortais.

Portanto, conclui-se que a ligação com os Mundos Subterrâneos é selectiva consoante o grau de evolução espiritual do discípulo, reafirmando, mais uma vez, o carácter, a importância e a necessidade de uma disciplina iniciática, “pois muitos são os chamados e poucos os escolhidos”. No entanto, o Mestre JHS, com a autoridade que possuía, delegou estes conhecimentos publicamente – antecipadamente selecionados no que devia e não devia dizer-se – por ter chegado o momento de levantar ponto do véu do que até então era absolutamente segredo irrevelável, proibido até com sanção de morte, de que a História dá notícia. Assim, coloca-se a questão: se sempre existiu secretismo cerrado acerca de tais conhecimentos, qual é então a importância dos Mundos Subterrâneos relativamente à Humanidade?

O conhecimento e divulgação da existência dos Mundos Subterrâneos é indispensável, pois no contexto dos acontecimentos presentes e vindouros que já se pressentem por toda a parte do Globo, os seres interiorizados terão um papel fundamental a desempenhar na Face da Terra, como seja a do Bem, o Bom e o Belo, em última instância, a verdadeira Sinarquia ou Concórdia Universal dos Povos possa se implantar no Mundo, para isso sendo necessário criar condições profícuas e harmoniosas no Género Humano para que finalmente o Divino se manifeste ou concretize, ou sejam, se manifeste a Nação Aghartina sobre a Terra. O Espírito não se manifesta e tampouco se une à matéria impura. Para a purificação desta, o Professor Henrique José de Souza legou toda a sua Instituição e Obra a favor da regeneração mental e moral da Humanidade, no sentido de lançar a terreno fértil as boas sementes afim de criar novas ideias, nova condição de vida, capacitando os seus discípulos e demais seres humanos para novos métodos de acção e de encarar os problemas de forma diversa da usual tão falha em si mesma. Como tal, para que a intenção da sua Obra dedicada à Humanidade ficasse vincada e não restassem dúvidas, ao fundar a Sociedade Teosófica Brasileira deixou registada em “letras de ouro” a frase que da mesma é o lema:

Spes messis in semine

(A esperança da colheita reside na semente)

O BRASIL E A SUA MISSÃO ESPIRITUAL

No sentido de conseguirmos avançar sobre a importância e missão do Brasil no Mundo, será necessário contextualizar previamente o leitor acerca da “ascensão e declínio das civilizações”, segundo a expressão utilizada por Jinarajadasa na sua obra Fundamentos da Teosofia. De acordo com os Anais Ocultos onde se vaza a História Oculta, aspecto da Antropogénese como ramo fundamental da Teosofia, antes da nossa civilização actual existir, denominada como Raça/Civilização Ariana, existiram quatro Raças anteriores as quais a Tradição designou como Polar, Hiperbórea, Lemuriana e Atlante. Não querendo ser exautivo no fascinante escrutínio de cada uma dessas Raças/Civilizações, e de modo a centralizar o discurso no tema, é a partir da Raça Atlante que tudo tem o seu ponto de partída, independentemente daqueles que considerem o assunto apenas um mito, um devaneio ou mera quimera. No entanto, apesar de aparentemente não existirem quaisquer antecedentes históricos quanto à Atlântida, o que as investigações antropológicas e arqueológicas têm contradito, as referências abundam nos escritos da Antiguidade e os testemunhos estão patentes nas tradições arcaicas, apesar da maioria dos cientistas “oficiais” teimarem em ignorar com desdém preconceituoso os fundamentos dessas lendas e narrativas ao par dos vestígios indeléveis que sobrevivem um pouco por toda a parte da orla europeia, mediterrânea e africana. Um dos documentos mais famosos e expressivos é-nos dado pelo filósofo Platão, na sua obra Timeu, e podemos ainda recolher elementos em inúmeras outras fontes. Já na Odisseia, Homero faz referência ao continente desaparecido. Encontram-se também alusões em Hesíodo, Solon, Estrabão, Deodoro da Sicília e em muitos outros. Aelian, por exemplo (in Varia Historia), diz que Theopoupus (400 anos a.C.) recorda um encontro entre o rei da Frigia e Silenus, no qual este comenta e existência de um grande continente chamado Atlântida, maior do que a Ásia, Europa e Líbia juntas. Com a riqueza e a diversidade das fontes folclóricas e etnográficas que possuímos hoje, sabemos que a tradição da Atlântida foi uma constante mantida entre os celtas da Europa, os toltecas do México, os índios da América do Norte e do Sul e muitos outros povos da Antiguidade.

Misteriosa pirâmide na Ilha do Pico, Açores

Como indicámos, a Atlântida teve as suas origens na civilização precedente, ou seja, a da Lemúria, o verdadeiro berço da Raça Humana, a qual foi quase totalmente submersa por cataclismos vulcânicos. Das profundas convulsões que abalaram esse continente ou dwipa, como afere a tradição hindu, resultou que parte do continente se afundou, outra parte emergiu e certas porções mantiveram-se incólumes, dando assim forma ao antigo continente de MU, onde se veio a instalar e desenvolver a civilização da quarta Raça-Mãe, a Raça Atlante. De acordo com os Arquivos Ocultos, a Atlântida era conhecida como Kusha e abrangia um vasto território geográfico. Compreendia o Norte da Ásia e quase toda a costa ocidental das Américas. A Sul, estendia-se pela Índia, Ceilão, Birmânia e Malásia. A Oeste, abrangia a Pérsia, a Arábia, a Síria, a Abissínia e as regiões banhadas pela bacia do Mediterrâneo. Da Escócia e da Irlanda projectava-se sobre a região onde hoje se situa o Oceano Atlântico e grande parte da costa ocidental da América. Assim, os primeiros atlantes originaram-se das últimas sub-raças da Lemúria e surgiram há cerca de oito milhões de anos, na segunda metade da Era Secundária. Após o acentuado grau de declínio civilizacional, as Forças Ocultas manifestaram-se em auxílio da Humanidade sobrevivente. A grande Entidade orientadora da quarta Raça-Mãe, cuja função é designada na nomenclatura védica por Manu, seleccionou então os remanescentes lemurianos mais desenvolvidos, física, moral e mentalmente, e conduziu-os para o Norte, para uma região a que a Tradição Iniciática dá o nome de Terra Sagrada, onde foram preparados para se tornarem a semente das sete sub-raças da Atlântida – Rmoahls, Tlavatlis, Toltecas, Turânios, Semitas, Akádios e Mongóis. O Homem Atlante, nas suas caracteristicas particulares, desenvolveu a mente, no entanto, o animismo nele ainda era muito intenso, o que levou a sua mente em evolução a sofrer um impacto do corpo de desejos, psíquico ou astral. Daí resultou o kama-manas, a mente ligada às emoções, gerador do egoísmo, da malícia e a astúcia, características dos meados do último terço da Época Atlante e causadora de toda a degradação e decadência dessa civilização que, infelizmente, perduram até hoje. Assim, com os diversos cataclismos e submersão da Atlântida (hoje sepultada no Oceano Atlântico, de que sobejam geologicamente os pontos ou picos das suas montanhas mais altas, como sejam os Açores, a Madeira, as Canárias e Cabo Verde), uma das sete sub-raças seria a principal sobrevivente e criadora da nova Raça/Civilização. De todas as sub-raças atlantes, foi a sub-raça Semita a mais importante na evolução da espécie, por ter desenvolvido e utilizado, por um lado, o primeiro gérmen da qualidade que distingue o Homem, ou seja, o Pensamento, e por outro, porque seria a raça eleita para constituir a “semente da Raça futura”, que veio a ser a Raça/Civilização Ariana da qual todos somos partes integrantes.

De acordo com A Doutrina Secreta, algo de soberbo ocorreu com essa “raça eleita”. Com efeito, há cerca de um milhão de anos, Vaisvasvata (o Noé biblico), o Manu da Raça Ariana ou Ária, seleccionou da sub-raça semita os grupos humanos que deveriam originar a Raça Ária e conduziu-os para a grande extensão das estepes da Ásia Central, onde hoje se situa o deserto de Gobi. Segundo os Anais Esotéricos, uma primeira migração atravessou a cordilheira dos Himalaias há cerca de 850.000 anos, difundindo-se pelo Norte da Índia que ficou conhecida como Aryavartha, vindo a constituir-se na primeira sub-raça ariana.

A designação “ariana” deriva da tribo hindu-himalaia dos árias, que significativamente estavam sob a influência do signo de Áries, o Carneiro, sob o qual nasceu a referida Raça. Razão para o carneiro ou cordeiro ser ainda hoje cultuado em várias tradições religiosas do mundo, assim mantendo, mesmo que apenas simbolicamente, a memória das origens ocultas da civilização actual. Como na anterior Atlante, na Raça/Civilização Ariana sucederam-se diversas sub-raças, que podemos sintetizar no quadro seguinte:

Deste modo, pelo que se expõe no quadro, no actual momento da História da Humanidade predomina a 5.ª sub-raça Teutónica ou Germânica desta 5.ª Raça-Mãe Ária, nome este que não provém só dos ários da Índia primitiva como também, como já disse, de Áries, o Carneiro, cujo pendão RAMA ou RAM fincou junto às margens do Eufrates, e sob cujo signo se iniciou o desenrolar da marcha civilizadora desta Grande Raça sob a égide do Dhyani-Agnisvatta ou Arcanjo Tutelar ARIEL ou AURIEL, do qual o Manu VAIVASVATA era uma “Projecção Deífica” como “Leão de Deus” (Leão de Fogo), como se infere do cabalístico Shem-Ha-Mephorash, a “Divisão dos Nomes de Deus”. Portanto, como o nascimento e formação de cada raça está naturalmente associado a um ponto geográfico específico, saindo ela do melhor da raça anterior e sempre desenvolvendo a civilização de leste para oeste, como é consabido do mais elementar da antropologia social, apercebe-se perfeitamente que só poderá o quinto continente americano o berço de uma nova civilização dentro da Grande Civilização Ária. De acordo com a nomenclatura teosófica utilizada pelo Professor Henrique José de Souza, as raças futuras estarão igualmente relacionadas, como não podia deixar de ser, ao desenvolvimento das faculdades cognitivas superiores, como sejam o Manas Superior (Causal – 5.º Princípio) e o Búdhico (6.º Princípio) para a 6.ª sub-raça, portanto, Budhi-Manas com isso associando-se à 6.ª Raça-Mãe Bimânica, e o Manas Superior, Búdhico e Átmico (7.º Princípio) para a 7.ª sub-raça, que por ser dotada de Atma-Budhi-Manas se associa como semente ou gérmen à 7.ª Raça-Mãe Atabimânica, com que finalizará a actual 4.ª Ronda da Terra.

Assim, de acordo com o Mestre JHS, não só na perspectiva da História profana mas principalmente na da História Iniciática, o Brasil será, portanto, o bojo cíclico da 7.ª sub-raça ariana, mas também da 6.ª já que a América do Norte fracassou na sua Missão Manúsica nos inícios dos anos 50 do século passado, ao atentar contra “la Hacienda de los Adeptos de El Moro”, Novo México, onde nas suas proximidades detonou artefactos atómicos que abalaram severamente esse Posto Representativo por fora e por dentro, obrigando à retirada dos Adeptos, isso apesar de todos os avisos em contrário antecipadamente dirigidos pelo Governo Oculto do Mundo ao Governo dos Estados Unidos, assim passando os direitos espirituais e humanos da 6.ª sub-raça para o Brasil, para a região de Mato Grosso, doravante ficando o Norte-América “Viúvo dos Deuses”, passando a dominar completamente a natureza Jiva com a ausência total de Jivatma.

A brasílica Raça Dourada (empalidecimento da epiderme) do Futuro já hoje está sendo gerada sobretudo pela fusão psico-consanguínea do Ibero-Europeu com o Inca-Tupi-Guarani, sobretudo devido ao Sangue Português ser uma mescla do sangue das raças de quase todo o mundo, excepto a americana, e o Sangue Inca-Tupi-Guarani ser uma síntese harmónica do Sangue Norte-Centro-Sul da América, pelo que de facto poderá se considerar que da fusão dessas duas essências vitais resultará a vindoura RAÇA UNIVERSAL, ou seja, a IBERO-AMERÍNDIA, ou, mais particularmente, a LUSO-BRASILEIRA, trazendo consigo as 6.ª e 7.ª sub-raças manifestadas em simultâneo o que lhe confere a condição de GÉMEA, tal e qual os 6.º e 7.º estados de Consciência agirem junto e nunca em separado, o que igualmente acontecerá, no plano antropogenético, com a aparição conjunta das referidas sub-raças, uma já semeada em Portugal e outra por fecundar no Brasil, e eis aqui a Pátria-Gémea qual Sol e Lua à dianteira dos destinos da Humanidade. A esta extraordinária relação e fusão de raças na construção do Futuro, o Venerável Mestre JHS apelidou, no seu sentido iniciático, de MISSÃO Y, ou a do Itinerário da Mónada Peregrina desde o Extremo-Oriente ao Extremo-Ocidente, o Ex Occidens Lux!

A MISSÃO Y de maneira alguma pode se interpretar como devaneio místico, pois é facto sustentado cientificamente tanto pela História como pela Sociologia e a Antropologia, podendo unicamente divergir as nomenclaturas mas não os factos, além de se sustentar em tradições milenares atravessando toda a Ásia e Extremo-Oriente, como se tem no exemplo flagrante do Budha Maitreya (que por sua tez branca e por apontar o Oeste como lugar da sua futura manifestação, é igualmente denominado de Budha Branco do Ocidente), na transferência da Autoridade Espiritual do Oriente para o Ocidente em 1924, no momento em que J.H.S. fundava em Niterói Dhâranâ – Sociedade Cultural-Espiritualista, “Quinta Rama das Confrarias Budistas do Norte da Índia e Oeste do Tibete” (Missão da 7.ª Sub-Raça), antecipado pelo Movimento Teosófico na pessoa de H.P.B., fundado em Nova York em 1875 (Missão da 6.ª Sub-Raça), e a sua missão delegada pelos Excelsos Mahatmas, bem como ainda a derradeira presença do Governo Oculto do Mundo até 1921 instalado em Urga, antiga capital da Mongólia, representado por Bogdo-Gheghen, 31.º Budha-Vivo da Mongólia que tinha como Colunas Vivas um Chefe Espiritual, o Teshu-Lama, em Shingatse, e um Chefe Temporal, o Dalai-Lama, em Lhasa, facto corroborado pelo relato do viajante Ferdinand Ossendowski na sua obra anteriormente citada, adiantando que se mudariam para as terras do Ocidente. Todos esses acontecimentos no fundo justificam que os antigos valores presentes no Oriente pós-atlante, seriam doravante retornados à sua origem no Ocidente pré-atlante. É nas palavras do Engº. Cícero de Faria, uma das Colunas – por morte da Coluna TAG – do Professor Henrique José de Souza, deixadas na sua obra O Sexto Sentido, que entendemos melhor o assunto em pauta:

“Descrevendo minuciosamente as suas aventuras através da Sibéria e da Mongólia, sem falar no Tibete onde não conseguiu internar-se, para alcançar a Manchúria, diz também muito claramente o que sejam essas Entidades que lá se asilavam durante o período do Ex Oriens Lux, mas que com o transcurso dos primórdios da Raça Sintética que deve florescer nesta parte continental do nosso Globo, transferem para a mesma as suas potencialidades, fazendo o introito da sua acção, no desenvolvimento do Grande Plano que passa a denominar-se Ex Occidens Lux.

“Nessa empolgante produção literária que consagrou o cientista e sociólogo Ferdinand Ossendowski como uma celebridade mundial, ele narra as suas aventuras através da Sibéria asiática, da Mongólia, do Tibete e da Manchúria, descrevendo factos e não ficções imaginárias ocorridos naquelas regiões, que actualmente só vivem das tradições de um Passado seguramente com milhares de anos, mas dentro das quais se encontram ensinamentos extraordinários que se relacionam com o Governo Oculto do Mundo, como podem ser facilmente deduzidos pelos que lerem com atenção o que se contém nas páginas preciosas desse livro.

“Entre esses ensinamentos permitam que destaque como tema de estudo, para os que se dedicam lealmente ao trabalho de consulta a arquivos preciosos de tal natureza, aquele que se refere ao Budha Vivo do Oriente que, por ser o trigésimo primeiro da sua dinastia, passava então a ser também o último com direito a agir no mesmo Oriente, demonstrando claramente que o seu papel estava encerrando naquela parte geográfica do Globo, que lentamente tende para o seu aniquilamento, enquanto outras civilizações surgem no hemisfério oposto, para onde naturalmente deverão ter sido transferidas as funções do Budha Vivo, porque, como bem disse o Sr. Ossendowski, o ‘Budha Vivo não morre’.”

GEOGRAFIA SAGRADA DO BRASIL E O SISTEMA GEOGRÁFICO INTERNACIONAL

Predestinado ao Advento do Budha Maitreya ou Cristo de Aquarius, o Brasil ficou com a missão espiritual de preparar as novas raças, nomeadamente a 6.ª e 7.ª sub-raças arianas, destinadas ao florescimento de uma nova civilização. Além disso, como ficou demonstrado anteriormente, o Governo Oculto do Mundo (G.O.M.) ao transferir-se para esse Extremo-Ocidental geográfico, haveria de ter como consequência imediata o surgimento da Instituição e Obra (I.O.) do Venerável Mestre JHS, delegado pelo mesmo Governo. Neste sentido, todo o empreendimento não foi aleatório e respeitou todo um conjunto de preceitos e labores iniciáticos, consignados pela Tradição, com fins humanistas e universalistas no sentido da Evolução, sempre se precavendo e desviando de cultos animistas e de seitas psicoafectivas, tão próprias dos conturbados tempos modernos saudosas do passado morto em detrimento do mental vivo, este que é o verdadeiro e único instrumento capaz de impulsionar avante a Evolução da Humanidade.

Ao dar tal impulso evolucional, o Professor Henrique José de Souza – o Mestre JHS ou Senhor El Rike, o “Sol do Segundo Trono” – revelou um conjunto de segredos iniciáticos envolvendo a anatomia e fisiologia ocultas do planeta (Mundos Subterrâneos), indicando a localização dos Centros Vitais da Terra com o intuito de os dinamizar espiritualmente, entrando na frequência dos mesmos, e assim contribuir positivamente no aumento vibracional de todo o orbe, indo isso refletir-se ocultamente nos destinos da Humanidade, no sentido de prosseguir dentro da Lei de Evolução conformada ao Novo Ciclo de Aquarius. Para colocar todo esse propósito em marcha, igualmente estabeleceu uma Geografia Sagrada destacando determinados pontos do Brasil, sempre baseado nos mais rigorosos cânones da Tradição Primordial, afinal sendo a Tradição de Agharta morada do Rei do Mundo, como muito bem diz René Guénon. Ora, de acordo com a Tradição Iniciática das Idades que afirma a existência de Shamballah à Face da Terra outrora onde hoje existe o Deserto de Gobi, na Mongólia Interior (mantendo-se a sua projecção actualmente aí, mas somente no Plano Físico Etérico), o Mestre JHS estabeleceria o seu reflexo ou representação no Plano Físico Denso, exactamente em São Lourenço de Minas Gerais do Sul do Brasil. Isso significava, esotericamente, que o G.O.M. se trasladara “subterraneamente” do TIBETE para o BRASIL e aí tendo a sua expressão viva.

Acrescente-se que o G.O.M. encabeçado pelo Rei do Mundo, Chakravarti ou Melkitsedek, na sua constituição orgânica possui dúplice expressão: Governo Temporal do Mundo (para Melki, que traduzido do hebreu significa “Rei”), e Governo Espiritual do Mundo (para Tsedek, “Sacerdote”). Tem-se, pois, o Planetário da Ronda na função de Rei Divino (Maha-Rishi) na cúspide da Hierarquia Planetária. Conforme as Revelações do Venerável Mestre JHS, até 1921 o Governo Espiritual do Mundo situava-se “além do Himalaia”, no Templo Jina de JARA-LAGPA ou JARA-KHAN-LHAGPA, a sua Sede Central, sendo representado por BrahmatmaMahimaMohima, títulos das respectivas funções de RIGDEN-DJYEPO (“Rei dos Jivas”, Andrógino – Mercúrio), POLIDORUS INSURENUS (Masculino – Sol) e MAMA-SHAIB (Feminino – Lua), tendo se transferido para o Ocidente, para a brasílica Taba Jina de São Lourenço de Minas Gerais, instalando-se  no MEKA-TULAN, a região interna ou badagas do seu Sistema Geográfico, daí passando a governar os destinos imediatos do Mundo.

Por seu lado, o Governo Temporal do Mundo ou a parte física da mesma Trindade Aghartina sob os nomes AKTALAYA, AKGORGE e AKDORGE, ou antes, AKDORGE, AKADIR e KADIR, Colunas daquele, acaba se dirigindo do Ocidente (ARA-KUNDA, Mato Grosso) para o Oriente (JARA-LAGPA, Cachemira), indo se instalar nos lugares desocupados pelos Monarcas anteriores, passando a ter funções temporais face às espirituais daqueles, até ao dia do regresso desses “Três Reis do Oriente” às plagas do Ocidente.

Assim, com o início da ERA DO ESPÍRITO SANTO, em 24 de Fevereiro de 1954, o Governo Temporal do Mundo transferiu-se para o interior do RONCADOR (Norte do Brasil), e o Governo Espiritual do Mundo iria de vez para o Sul do Brasil, instalando-se no escrínio de SÃO LOURENÇO.

Foi assim que a partir de São Lourenço (Minas Gerais), para que o Governo Oculto do Mundo repercutisse sensivelmente na Face na Terra desde esse país-continente, seriam delimitadas duas outras balizas geográficas indo configurar um imenso triângulo no mapa sagrado do Brasil, como sejam Nova Xavantina (Mato Grosso) e a Ilha de Itaparica (São Salvador da Bahia), assim se constituindo um Delta de Realização Divina (Theotrim, “Deus Trino em acção”), em cada qual um Templo consagrado à Obra do Eterno na Face da Terra, em contínua actividade templária criando o ambiente necessário ao ambicionado dealbar do Grande Dia de Maitreya e a consequente definitiva Vitória da Obra de Deus… o que depende inteiramente de todos os discípulos de Aquarius, muito particular e especialmente de quantos estão ingressos às fileiras de JHS.

As razões ocultas para a escolha desses locais pelo Mestre JHS, mais uma vez, não foram aleatórias e nem de conveniência prática-utilitária, mas sim pela importância histórica e geográfica dos mesmos já de si propícios a repercutir sobre o Globo as Forças Celestes e Terrestres canalizadas e orientadas no Trabalho Espiritual ou Teúrgico em realização. Assim, duas linhas de forças intimamente relacionadas a essa triangulação demarcam e sacralizam todo esse espaço em guisa de constituir verdadeira “Terra Santa”, nomeadamente entre o Paralelo 15 ao Norte, e a Latitude Sul, nos 22 para 23 graus do Trópico de Capricórnio (Capris, Cumara). Conforme a Fala de JHS, toda a região Norte do Brasil, cujo Paralelo 15 atravessa a zona do Planalto Central de Goiás, onde se fundaria a actual capital do país, Brasília, está sob a influência vitalizadora de KUNDALINI, o “Fogo Quente Terrestre”, aí todo o Norte é VERMELHO FOGO até ao ponto meridiano ou separador que é a BAHIA, e desta para o Sul, é todo VERDE como FOHAT, o “Fogo Frio Celeste”, descendido do Céu à Terra, até ao Rio Grande do Sul. Cada Templo fundado – a instâncias do próprio JHS – nestes três pontos geoestratégicos, tinham (e têm) determinadas funções específicas para a concretização do Grande Projecto Teosófico-Sinárquico da então Sociedade Teosófica Brasileira, e para a sua consecução respeitaram e seguiram as necessárias regras tradicionais à luz do Conhecimento Hermético, como não podia deixar de ser, de maneira que está em cima se reflita no que está em baixo, e vice-versa, num perfeito retrato da representação não apenas dos Céus mas também dos Mundos Subterrâneos, representados por determinadas Fraternidades Jinas aí instaladas aí instaladas pelo melhor dos Jivas. Ademais, em cada Templo consagrado a uma Divindade ou Entidade Espiritual, vibra uma das três qualidades subtis da matéria, conhecidas como Gunas, com que se revestem as Três Hipóstases Divinas (Pai-Mãe-Filho) na sua manifestação, cada qual representada por um Tronco da Ordem do Santo Graal. Muito mais poderíamos dizer acerca dos mistérios e relações ocultas destes Templos mas não desejamos saturar o caríssimo leitor que, aliás, poderá obter mais informações noutros estudos entretanto editados com a chancela da Comunidade Teúrgica Portuguesa. De modo que podemos sintetizar toda esta extraordinária Teurgia do Mestre JHS no quadro seguinte:

Estabelecido o geográfico Triângulo Mágico, verdadeira Coroa Mística ou cabalística da Obra, o plano desta Geografia Sagrada só ficaria completo na plasmação e dinamização das restantes Esferas, Sefiras ou Chakras desta nossa Terra, para sua maior elevação vibracional e, consequentemente, espiritual, como se de uma verdadeira Árvore Sefirótica se tratasse (e no fundo o é nos contornos da Anatomia do Logos).  Estamos obviamente a referir-nos ao misterioso SISTEMA GEOGRÁFICO INTERNACIONAL, inédito concebido e revelado por JHS após o visitar ponto a ponto na sua misteriosa Viagem do Brasil ao Norte da Índia quando tinha dezasseis primaveras, em 1899-1900, exclusivo levando ao seu entendimento mais profundo unicamente pelos que integram esta Obra Divina.

De acordo com o já exposto, relativamente à íntima relação analógica do Homem e a Terra, convirá agora especificar determinados conceitos teosóficos acerca o assunto, sem os quais a sua compreensão torna-se indigesta. Tal como a Alma Humana é símile da Alma Planetária, esta constitui-se de dois aspectos, a saber: uma estrutura etéreo-psíquica (KAMA-LINGA), que acompanha toda a evolução somática do Globo durante a Cadeia, como igualmente do Homem fisico, do berço à tumba; e uma estrutura psicomental (KAMA-MANAS), base do pensamento objectivo e da emotividade do Logos de Bhumi (nome tradicional do planeta Terra) e do Jiva (nome tradicional do homem comum) como Microcosmo daquele, o Macrocosmo. Por sua vez, Kama-Linga é a estrutura que serve de molde, refinamento e aperfeiçoamento das formas visíveis e tangíveis, levando-as à subtilização gradual pelo processo de transformação da vida-energia em vida-consciência, quer no Logos, quer no Homem. Da mesma forma, Kama-Manas é a estrutura servindo de veículo à manifestação física, visível e tangível, das Consciências Superiores na Terra, como Vestes Avatáricas acrescidas do Eterno, ou seja, o seu prolongamento e testemunho sobre o Globo face à Humanidade. Significa isto que as duas estruturas vão relacionar-se com o nómeno e consequente fenómeno do aspecto físico da Vida, reflectindo-se nos biótipos humanos, as Raças, e no aspecto espiritual da mesma Vida reflectindo-se nas respectivas manifestações das Mónadas no seu processo evolutivo. Na linguagem iniciática, diz-se que Kama-Linga perfaz o desenvolvimento Prakritico ou Material expandindo-se de Oriente para Ocidente (impulsionando o desenvolvimento e movimento das Raças na mesma direcção), enquanto Kama-Manas elabora o desenvolvimento Purúshico ou Espiritual de Norte para Sul (impulsionando a manifestação das Mónadas Peregrinas). Para que esse processo aconteça eficazmente em harmonia dinâmica com a Lei dos Ciclos de Manifestação demarcados pela Matemática da Natureza, existem no Globo Bhumi pontos de intercepção dessas duas Forças, Prakrítica (Este-Oeste) e Purúshica (Norte-Sul), que caracterizam e definem os chamados Sistemas Geográficos Nacionais nos quais a Mónada evoluinte se manifesta em conformidade ao estágio evolucional da Raça inscrita no itinerário da sua peregrinação, o chamado Itinerário de Io com os seus Postos Representativos, esses os Sistemas Nacionais Psico-Geoestratégicos bem demarcados como sete mais um, no todo perfazendo o SISTEMA GEOGRÁFICO INTERNACIONAL.

Ainda assim, o caríssimo leitor poderá perguntar por que razão é tão importante esse Sistema Geográfico Internacional? Pela exposição anterior do que descrevem os Anais Ocultos da História da Humanidade, verificámos que a actual Civilização Ariana já teve de cinco sub-raças formadas ao longo dos milénios, e que estamos a caminho da sexta e sétima sub-raças. Todavia, para que se formassem anteriormente essas raças, tiveram de existir Núcleos Raciais, pontos centrais de origem e expansão das mesmas, constituídos pelo escol humano melhor preparado biológica e psico-espiritualmente em conformidade à Lei de Evolução, de modo a que partir deles se chegasse ao que hoje conhecemos delas nos padrões de civilização, cultura e espiritualidade. Para esse efeito, foram assim constituídos, logo a partir do início da Raça Ariana, os Sistemas Geográficos. Está nisso a razão oculta de ainda hoje determinados lugares de presença humana antiquíssima do Globo serem grandes pólos de irresistível atracção para o comum das gentes, mais que se devendo ao aspecto cultural ao seu halo místico envolvente desde o Passado mais remoto. Também por este motivo oculto das Terrae Sancta entraram em cena determinadas Fraternidades ou Colégios Iniciáticos locais constituídos ao longo da História da Civilização, os quais não deixaram de ser a representação na Face da Terra dos Centros Vitais (CHAKRAS) fixos no Mundo de AGHARTA, Núcleos catalisadores universais que se condicionam como PLEXOS, em conformidade com a Lei Orgânica do Globo, no Mundo de DUAT, onde formam PRAMANTHAS (Eixos móveis girocêntricos da manifestação cíclica da Substância, da Consciência e da Vida), autênticos PLEXOS do Corpo do Logos Planetário exteriorizando-se pelas suas respectivas GLÂNDULAS dispostas estrategicamente no organismo do Mundo de BADAGAS, sendo dinamizadas, animadas psicomentalmente, pelo sistema nevro-sanguíneo discorrendo como energia hidrotelúrica captada, canalizada e projectada pelos Adeptos dos Postos Representativos ou Fraternidades Ocultas que têm sempre “cara-metade” sobre o Mundo e no Submundo, em Badagas, cujo alter-ego é DUAT, o Mundo dos Seres Viventes.

Assim, é possível entender que se estando em pleno processo de formação das novas raças do Futuro, isso implica naturalmente a necessidade da dinamização espiritual, mental, emocional e física do Sistema Geográfico conformado ao momento presente da Evolução Planetária criando as oportunidades de futuras evoluções. Nessa situação encontra-se hoje o Sistema Geográfico Português gerando as condições para a formação e manifestação futura do Sistema Geográfico Brasileiro. Assim, também, compreendemos que para a formação e povoamento de um novo Sistema Geográfico, de um novo Eixo de Evolução, sejam mobilizadas as Mónadas mais aptas no sentido de constituírem novas raças. É aqui que o PRAMANTHA, como se referiu antes, ganha relevância destacada, termo invocando a nossa atenção para se entender a delicadeza do tema. De acordo com o Glossário Teosófico de Helena Petrovna Blavatsky, Pramantha significa “acessório para produzir o Fogo Sagrado através da fricção. Os paus utilizados pelos brahmanes para acender o Fogo através da fricção [com um de dois aranís]”. No entanto, esse acto de acender o Fogo Sagrado é alegórico, refere-se ao sentido oculto da evolução dos ciclos da Consciência e da Vida com os seus dois pólos energéticos mantenedores da Existência, FOHAT e KUNDALINI (que se acham unidos no Mundo da Balança, o DUAT). A haste vertical simboliza a natureza masculina – o Trabalho de Agharta para a Face da Terra; a haste horizontal, a feminina – o Trabalho de Agharta na Face da Terra. Masculino-Feminino entrosados em Cruz, assim configurando o símbolo da CRUZ JAINA, JINA ou a SWÁSTIKA.

O conceito de Pramantha possui três importantes expressões interligadas, a saber:

l.ª – O PRAMANTHA-DHARMA (CAUSA). Constitui-se das Sete Hierarquias Criadoras Universais actuando pelas Sete Linhas de Adeptos Independentes constituintes da Grande Fraternidade Branca, arquitecturando e inspirando à elaboração dos moldes evolutivos da Humanidade vigente.

2.ª – O PRAMANTHA-KARMA (LEI). É a extensão do primeiro, designando uma Fraternidade de Adeptos, de Homens Representativos ao serviço da Evolução e da Lei nos Três Mundos da Manifestação (Mental, Psíquico e Físico).

3.ª – O PRAMANTHA-SAMSARA (EFEITO). É o instrumento produtor do Fogo Sagrado (AGNI ou XADU), o qual nasce da fricção De um palo vertical (PRAMANTHA ou PITHIS) atravessando o furo central de um disco de madeira (ARANI ou ALEF), ou seja, o PAI fecundando a MÃE dando origem ao FILHO (AGNI, TWASHITRI ou XADU), no que se encerra o Mistério da Geração tanto de Deuses como de Homens conforme a Criação do Terceiro Logos como Espírito Santo, cujas iniciais formam a sacrossanta palavra P.A.X.

Esse é, pois, o Eixo Central que tudo faz mover e em volta do qual tudo se move, corporificação da dinâmica do Rei do Mundo e da Fraternidade Branca em torno do mesmo, actuando desde o Mundo Causal até ao Físico, sem o que não haveria Evolução. Em cada nova sub-raça em formação as Mónadas selectas, amadurecidas, são mobilizadas para que se manifestem, tornando-se incontornável a firmação da haste horizontal na Face da Terra. Com isso, cria-se um Novo Pramantha tomando contornos na formação de um Sistema Geográfico, a partir do qual a Evolução Humana é impulsionada avante. Em Portugal funcionou o CRUZEIRO MÁGICO DE MARIZ e por se constitui o NOVIS PALUX, segundo as Revelações do Venerável Mestre JHS.  Assim se trabalha para as novas sub-raças tomarem forma, virem à luz no continente americano, muito especificamente no sul-americano, nisto também sendo o Sistema Geográfico Internacional o Mapa da Manifestação e Evolução das sete Raças-Mães ao longo da Ronda Planetária, conforme o Revelador Original – JHS como Akbel ou Anupadaka-Deva. Ao se dirigir o foco de atenção e acção para a formação do Novo Ciclo de Evolução, exigindo a intervenção de todos como individualidades agregadas em colectividade, fica viabilizada a oportunidade de cada um puder contribuir positivamente, ao seu modo e capacidades, de forma concreta e orientada, para tão grandioso desiderato, mas sempre de acordo às Leis Universais.

Sabendo que o Divino Logos Criador procura o desenvolvimento e evolução de todos os Seus aspectos de Vida manifestada, inclusive o Humano, sobretudo este como o mais apurado, a Sua Ideação Cósmica formalizada no Pramantha, repercute desde o PLANO DA MENTE UNIVERSAL ao PLANO DOS EFEITOS FÍSICOS, agindo pela Tónica do  Luzeiro ou Logos Planetário do momento dirigente de um Sistema de Evolução  Planetária constituído por 7 Cadeias, sendo que cada Cadeia se constitui, por sua vez, por 7 Globos onde em cada um há uma Ronda evolucional das Ondas de Vida manifestadas. Considerando que um Sistema de Evolução Planetária compõe-se de 7 Cadeias e cada Cadeia evolui em 7 Rondas, cada uma destas é dirigida por um Kumara, onde também se inserem nesta Mecanogénese os Dhyanis Kumaras, Budhas e Jivas relacionados aos Kumaras Primordiais. Assim se completa a Obra do Eterno. Esses Seres perfilam nos mais altos escalões do Governo Oculto do Mundo, perfeito intérprete responsável pela plasmação da Ideação Cósmica.

São os Excelsos DHYANIS-KUMARAS agindo pelos Augustos DHYANIS-BUDHAS que têm a seu cargo despertar, na Humanidade, o Quinto Princípio, a QUINTESSÊNCIA, consubstanciada na Mente Criadora, Superior, Filosófica e Teosófica. Por isso, Eles usam a Linguagem do Futuro no Presente, induzindo ao raciocínio abstracto com os resultados dos mais transcendentes tirocínios. Eles representam os 7 Ramos do Saber Humano, por isso sendo os titulares os Paradigmas expressivos das 7 Ciências Sagradas. Conjuntamente, formam o Diadema da Sabedoria de Deus plasmada no escrínio espiritual da Humanidade. Enfim, os DHYANIS, num esforço antecipado de 1000 anos, consignam-se ao despertar do valor integral da Mónada Humana, ou seja, ao despertar dos estados superiores da Consciência focados em ATMA-BUDHI-MANAS que perfaz a mesma MÓNADA ou Essência Divina. Como uma “oitava abaixo” dos DHYANIS-BUDHAS CELESTES, estão os DHYANIS-JIVAS HUMANOS, ou MANUCHIS-BUDHAS, que são os 7 Dirigentes ou CHOANS dos 7 Raios de Luz do Logos da Terra, recebidos e adaptados do Logos Solar, por que se norteia a Grande Fraternidade Branca.

Ordenando, temos o DHYAN-CHOAN, depois o DHYAN-KUMARA, seguido do DHYANI-KUMARA, seguindo-se o DHYANI-BUDHA e finalmente o DHYANI-JIVA, cada um deles sendo Sete afim aos Sete Raios da Luz de Deus, indo formalizar-se como GRANDE FRATERNIDADE BRANCA. Esta age geralmente incógnita ou secretamente junto da Humanidade geral através das suas sete Linhas ou Raios, também nisto encontrando justificativa a tão incompreendida expressão de “Deus não abandona a Sua Humanidade”.

Ainda acerca dos Dhyanis-Budhas, é natural e certo que a mais-valia no Passado é menos-valia no presente Ciclo, conforme a Lei de Evolução, facto abarcando não apenas os homens mas igualmente o Universo, o Cosmos e os Deuses. Um Dhyani-Budha, que compassivo e abnegado procura reconduzir as criaturas humanas à sua Origem Divina, infundindo-lhes o incentivo à transformação da sua vida-energia em vida-consciência, é Ele uma síntese, um conglomerado das energias sátvica, rajásica e tamásica que se objectiva tomando forma humana, o ponto focal de um esforço a realizar e que após consumado, acaba sendo o resultado de todas as experiências de um ciclo de Humanidade. Deve ressalvar-se serem de natureza apuradíssima, subtilíssima essas energias que formalizam os seus Veículos Espiritual, Psíquico e Físico, por isso mesmo chamados tradicionalmente de Vestes Dharmakaya, Shambogakaya, Nirmanakaya, absolutamente diferentes daquelas dos homens comuns (Manásica, Kamásica, Sharira), por isso mesmo expressando Princípios Arquetipais Cósmicos humanizados neles, apesar de também estarem, como tudo o que existe, sujeitos às Leis gerais da Evolução que a tudo e a todos rege. Assim, de acordo com o Budismo Tibetano tradicional, os antigos Dhyanis-Budhas, normalmente conhecidos como os Cinco Budhas da Meditação (na realidade sendo oito), também evoluem para o estado de Dhyanis-Kumaras, enquanto, por sua vez, os Dhyanis-Jivas evoluem para o de Dhyanis-Budhas, e assim sucessivamente. Segundo as Revelações do Venerável Mestre JHS, a partir de 1898-99, com o término dos primeiros 5000 anos da Kali-Yuga, vieram à manifestação física (desde 1 a 8 de Julho de 1900) os antigos Dhyanis-Jivas na condição nova de Dhyanis-Budhas, com isso levando ao afastamento de funções, por Lei de Ciclicidade, dos antecessores, que assim passaram a condições mais elevadas (Dharmakayas), passando as suas Vestes Psíquicas e Físicas a ser retificadas, adaptadas pelas novéis Consciências directoras da Hierarquia Jiva. Em suma, processou-se o início do NOVO PRAMANTHA A LUZIR (NOVIS PHALUX), com isso ocorrendo profundas mudanças no seio da Hierarquia dos Mestres, a começar pela substituição gradual dos próprios Dhyanis-Kumaras (os Sete Arcanjos conhecidos do judaico-cristianismo) que assistiram ao Antigo Pramantha. Tudo em conformidade às directrizes promanadas de Shamballah-Agharta, Sede do Governo Oculto do Mundo, podemos observar essa evolução hierárquica dos Dhyanis-Budhas do seguinte modo:

Chegados a este ponto, onde se tornou necessário estabelecer os alicerces para a melhor compreensão possível do tema pelo respeitável leitor, podemos agora pautar com conformidade a tudo o dito a discriminação dos respectivos Postos Representativos do Sistema Geográfico Internacional, inteiramente conformado à MISSÃO Y de acordo com as idiossincrasias da Nova Era de Aquarius, trabalhando para a Maior Glória do DIA DE MAITREYA, para a Sua manifestação divina como CRISTO DE AQUARIUS – tentativa outrora falhado nos antigos Sistemas Geográficos de Jerusalém e do Tibete pelos Bhante-Jauls, os Irmãos de Pureza – assim contribuindo decisivamente para a evolução geral da Humanidade, com o surgimento no surgimento das 6ª e 7ª sub-raças como sementes, bijãs, das futuras 6.ª e 7.ª Raças-Mães. A Tradição Iniciática das Idades, revelada pelo mestre JHS, aponta esses Sistemas centralizadas em determinados países, dispondo-os e localizando-os em Montes Santos, nas palavras do Adepto Fra Diávolo, como espécies de pedúnculos dos mesmos sob determinada influência planetária, dominando determinados Dhyanis encabeçando as suas respectivas Fraternidades Iniciáticas Secretas, Jinas, ocultadas sob a Terra, que se distinguem num dos sete ramos da Ciência em países específicos dentro do aro da sua poderosa radiação. Tem-se:

PeruMachu-Pichu
Influência planetária – Sol
Chakra – Raiz
Atributo – A Luz de Deus
Qualidade – Saber
Dhyani-Kumara – Mikael
Dhyani-Budha – Midal (António José Brasil de Souza)
Dhyani-Jiva – Serapis
Fraternidade Oculta – Ordem dos Cavaleiros do Sol
Ramo da Ciência – Alquimia, Química, Física Nuclear
Países afins – Japão e China
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – Pouso Alto

MéxicoItchen-Itza
Influência planetária – Lua
Chakra – Esplénico
Atributo – O Nome de Deus
Qualidade – Beleza
Dhyani-Kumara – Gabriel
Dhyani-Budha – Samus (Bento José Brasil de Souza)
Dhyani-Jiva – Kut-Humi
Fraternidade Oculta – Ordem dos Astecas Cabalistas
Ramo da Ciência – Arte e Música
Países afins – Índia e Tibete
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – Itanhandu

América do NorteEl Moro
Influência planetária – Marte
Chakra – Gástrico
Atributo – A Sentença de Deus
Qualidade – Bondade
Dhyani-Kumara – Samael
Dhyani-Budha – Rud (Carlos José Brasil de Souza)
Dhyani-Jiva – Morya
Fraternidade Oculta – Ordem Rosacruz
Ramo da Ciência – Política, Ética e Estética (incluindo a Arte Militar)
Países afins – Egipto, Arábia, Síria
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – Carmo de Minas

AustráliaSidney
Influência planetária – Mercúrio
Chakra – Cardíaco (Saturno)
Atributo – A Vontade de Deus
Qualidade – Pureza
Dhyani-Kumara – Rafael
Dhyani-Budha – Asshak (Daniel José Brasil de Souza)
Dhyani-Jiva – Hilarião
Fraternidade Oculta – Ordem de Malta
Ramo da Ciência – Mecânica, Físico-Química
Países afins – América do Norte e Rússia
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – Maria da Fé

PortugalSintra
Influência planetária – Júpiter
Chakra – Laríngeo (Vénus)
Atributo – A Realização de Deus
Qualidade – Riqueza (Relíquia)
Dhyani-Kumara – Sakiel
Dhyani-Budha – Jovai (Eduardo José Brasil de Souza, Leonel da Silva Neves)
Dhyani-Jiva – São Germano
Fraternidade Oculta – Ordem de Mariz
Ramo da Ciência – História, Literatura, Linguística
Países afins – Espanha (Península Ibérica), Veneza (Europa) e Ceuta (África), incluindo ainda Goa (Índia) e Bahia (Brasil)
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – São Tomé das Letras

EgiptoCairo
Influência planetária – Vénus
Chakra – Frontal (Mercúrio)
Atributo – A Expansão de Deus
Qualidade – Ventura
Dhyani-Kumara – Anael
Dhyani-Budha – Enoi (Francisco José Brasil de Souza)
Dhyani-Jiva – Nagib
Fraternidade Oculta – Ordem dos Tuaregues Azuis
Ramo da Ciência – Filosofia e Religião
Países afins – Israel e Grécia
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – Conceição do Rio Verde

ÍndiaSrinagar
Influência planetária – Saturno
Chakra – Coronário (Júpiter)
Atributo – O Trono de Deus
Qualidade – Sublimação
Dhyani-Kumara – Kassiel
Dhyani-Budha – Karib (Godofredo José Brasil de Souza)
Dhyani-Jiva – Ab-Allah
Fraternidade Oculta – Maçonaria dos Traichus-Marutas (Agharta)
Ramo da Ciência – Medicina, Taumaturgia e Teurgia
Países afins – Austrália e Nova Zelândia
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – Aiuruoca

BrasilSão Lourenço
Influência planetária – Sol Central (do Universo)
Chakra – Cardíaco Inferior (Vibhuti, Mercúrio)
Atributo – Vitória da Obra de Deus
Qualidade – Conhecimento Universal
Dhyani-Kumara – Akbel (em Henrique José de Souza)
Dhyani-Budhai – Adamita (em Helena Iracy)
Dhyani-Jiva – Jonas-Tulan (representando a 8.ª Linha Sedote)
Fraternidade Iniciática – Ordem do Santo Graal
Ramo da Ciência – Sete Ciências juntas
Países afins – Todos (Celeiro da Humanidade)
Sistema Geográfico Sul-Mineiro – São Lourenço (Coaracy)

Como vimos, além dos Sete Postos Representativos há a síntese dos mesmos como Oitavo, assinalado no Sistema Geográfico Sul-Mineiro, formado e fundado pelo próprio Mestre JHS, que funciona como verdadeiro Vibhuti ou “pêndulo místico” do Chacra Cardíaco, portanto, Cardíaco Inferior, o qual tem por centro o Templo Maior da Obra do Eterno na cidade e estância hidromineral de São Lourenço, e posto um Sistema Geográfico ser a plasmação de um Sistema Planetário, ele vem a representar todo o Macrocosmos no Microcosmos, nisto sendo plasmação e síntese do Sistema Geográfico Maior (Internacional, Macro), com os seus sete Postos Representativos,  no Sistema Menor (Nacional, Micro), com os respectivos Subpostos Representativos daqueles, constituindo a Semente do Amanhã. É assim que se estabelece uma verdadeira Cadeia Teúrgica de Fluxo e Refluxo espiritual entre os referidos Chakras Planetários, com a participação activa dos Discípulos ou Munindras, onde um e todos coadjuvando na Evolução do Logos coadjuvam a sua própria evolução, influenciando positivamente todas as suas hegemonias e idiossincrasias que se reflectem no Sistema Geográfico Sul-Mineiro e também deste reflectindo-se no Internacional.  É, afinal, o Tudo no Todo e o Todo no Tudo.

Portanto, toda a HARMONIA, toda a ORDEM, toda a PAX UNIVERSAL é assegurada e expandida pelos Sistemas Geográficos e respectivos Postos Representativos, os mesmos que assinalam o Itinerário evolucional da Mónada Peregrina, IO ou YO, cada qual mantido espiritualmente por uma única Individualidade (DHYANI-KUMARA), mantido psicomentalmente por um único Individuo (DHYANI-BUDHA), e mantido fisicamente por um Grupo de Individualidades ou Adeptos Perfeitos, como um só Corpo (DHYANI-JIVA), todos sintonizados entre si na mesma Linha de Poderio e Potência Espiritual que os leva a interligar-se incoercivelmente como um todo de maneira dinâmica, levando a efeito, no aro desta deografia ou geografia sagrada, a Divina Obra que lhes cabe realizar  no Plano Universal do Logos.

Cada qual destes Sete mais Um Centros de Radiação e Irradiação Planetária é um dínamo da LEI  como VIDA UNA, locomovendo como ROSA plantada no centro da CRUZ a Evolução do Globo no aporte do ESPAÇO SEM LIMITES ao ESPAÇO COM LIMITES, para maior Glória do Reino de Deus na Terra.

Adveniat Regnum Tuum

BIBLIOGRAFIA

Caderno Fiat Lux n.º 7 – Roberto Lucíola. pp. 33 e 37.

O Sexto Sentido e outros Estudos Teosóficos – Eduardo Cícero de Faria. Espiral Editora (2020), pp. 291-292.

A Chave da Teosofia – Helena Petrovna Blavatsky. Editora Pensamento, pp. 18, nota de rodapé.

Glossário Teosófico – Helena Petrovna Blavatsky. Editora Ground, pp. 508.

Monografias da Comunidade Teúrgica Portuguesa:

Oedipo (10, 11).

Manu (3, 4, 5, 17, 20, 29).

Yama (21, 22).

Karuna (12).

Astaroth (51, 52, 54).

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