Santo Emilião de Mariz – Por Vitor Manuel Adrião Quarta-feira, Jul 11 2012 

Peri amou Ceci

E Ceci a Peri amou..

E ambos partiram para Lisboa,

De início, numa palmeira,

E depois, numa canoa.

Ao chegarem no litoral

Já no Céu estava escrito

Como se fora um manuscrito:

Eis ali PORTUGAL.

Hino ao Amor (JHS)

A bruma espessa e sebástica envolvia a cidade de Barcelos quando aí chegámos, bem à noitinha, eu e a minha companheira Ilda, no dia 15 de Setembro de 1990. O nosso primeiro passo foi dirigido ao “omphalos” do antigo burgo: a catedral de Santa Maria Maior, primitivo ponto de encontro dos peregrinos a Sant’Iago de Compostela, capital da Galiza próxima, e dos antigos militantes da Ordem do Templo.

A nossa meta não era propriamente Barcelos – em pleno Minho, no Norte de Portugal – mas, antes, a pequena freguesia de MARIZ, distada dela cerca de cinco quilómetros, aonde nos dirigimos ao amanhecer ensolarado do dia seguinte.

Não deixei de sentir “um ar” de irónico e ridículo, face às circunstâncias superiores que me norteavam o pensamento, quando solicitei ao taxista: – «Faça o favor de nos levar a MARIZ». E ele lá nos levou…

Sabia, fundamentalmente pelas informações deixadas pelo Professor Henrique José de Souza, Mestre de Pensamento brasileiro de descendência portuguesa, que a Antiga e Soberana ORDEM DE MARIZ havia no Passado descido do Norte ao Sul de Portugal, deixando traços indeléveis da sua presença à sua passagem, inclusive originando famílias brasonadas as quais encheram de brilhantismo páginas palpitantes da nossa História Lusa.

Sendo a Ordem de Mariz de natureza francamente Luni-Solar, e tendo Barcelos por Totem exactamente o Galo, ave designativa do Sol que, aliás, faz jus ao Porto-Graal ou País dos Galos, Porto Gálio ou Portus Galiae, hoje Portugal, sabe-se que além da freguesia de Mariz no concelho de Barcelos, a supradita Ordem Soberana possuía disseminadas estrategicamente pelo País outras Comendas e Bailios. Tanto assim é que, para além desta em causa, tinha domínios no concelho de Carrazeda de Ansiães, abarcando o lugar de Pombal onde se dispõem dois enigmáticos monumentos: a sua igreja paroquial e a “fonte santa” de Pombal de Ansiães. Esse onomástico tem ligações íntimas com o idêntico de São Lourenço de Ansiães, junto às Azenhas do Mar, no Concelho de SINTRA. Não há a esquecer, ainda, os domínios de Redinha e Pombal, no distrito de Leiria, tendo apostolado na última, na centúria de Duzentos, o presbítero Pedro, o Mariz (“Pedro Omariz, presbítero – falecido aos XVIIº Kalendas Iannuarii Era Mª CCª XLª VIIIª” – in Liber anniversariorum Ecclesiae Cathedralis Colimbriensis (Livro das Kalendas), vol. II, p. 149. Edição de Pierre David e Torquato de Sousa Soares, 2 vols., Coimbra, 1947-48), de ligações íntimas à Ordem do Templo, na época em que havia desavenças ríspidas com o Cabido da Sé de Coimbra que queria assenhorear-se daqueles domínios, indo encontrar pela frente a forte oposição dos Templários (vd. Maria Alegria Fernandes Marques, O Litígio entre a Sé de Coimbra e a Ordem do Templo pela posse das igrejas de Ega, Redinha e Pombal, in Jornadas sobre Portugal Medieval, Leiria, 1983).

Não há a esquecer, como aditamento mais esotérico, que a Sede exterior ou exotérica da Ordem de Mariz foi durante muitos séculos a cidade de Coimbra (As Finis Galiciae), na qual os Gémeos Espirituais da Obra do Eterno na Face da Terra foram apresentados ao Mundo por Jesus e Maria no bendito Avatara Momentâneo do ano 1800 no “Morro dos Amores”, junto à “Fonte da Saudade” de quantos Gémeos Espirituais hajam enternecido com doçura e beleza os séculos de Portugalidade. E idos para a cidade da “Serpente ou Colubra” (um misto de mulher e serpente, uma melusina) que é Coimbra, desde o PICO DO GRAAL assinalado na Cruz Alta da Serra Sagrada de SINTRA!

Como disse mais atrás, das várias famílias nobiliárquicas irrompidas dessa Ordini Majorem há aquela que leva precisamente o nome MARIZ (a qual também existia na Região Centro de Portugal, precisamente em Sintra, no lugar do Lourel, e em Odivelas, cuja Quinta do Mariz pertenceu ao Concelho de Loures), a qual teve solar na povoação que hoje lhe herda o nome e sido durante séculos vigararia de Vilar de Frades, cujo convento oriundo do século XI foi sede-mater da Ordem de São Bento, a qual está por detrás da feitura monumental da Rota Portuguesa para Sant’Iago de Compostela, que primitivamente pertencia ao Condado Portucalense por doação de Afonso VI de Leão ao Conde D. Henrique de Borgonha, pai de Afonso Henriques. Ora, na Galiza, praticamente na fronteira com as Astúrias e na caminho para San Juan de la Peña, está a povoação que leva o mesmo nome desta barcelense: MARIZ, ocultamente relacionada às Dhyanis-Budhais  e às PLÊIADES, as KRITTIKAS, tal como esta portuguesa se relaciona aos Dhyanis-Budhas e aos RISHIS, e ambas as toponímicas idênticas assim prefigurando, divinamente, a UNIDADE ANDRÓGINA DA PENÍNSULA IBÉRICA… a antiga HISPÂNIA ou Jardim dos Pomos de Ouro das HESPÉRIDES, as mesmas PLÊIADES.

A procura de traços, de sinais esotéricos indicativos da Espiritualidade MARIZ em plena raia minhota levou-me, de imediato, a associar entre si três localidades: Barcelos – Vilar de Frades – Mariz, por razões que irão aparecendo ao longo deste estudo.

A igreja paroquial de Mariz, muitíssimo restaurada de cuja traça setecentista pouco resta e da românica nada, fora anteriormente unida ao convento de Vilar de Frades pelo Papa Júlio II, a instâncias do Cardeal de Alpedrinha no ano de 1507, mas já constando das Inquirições de D. Afonso II, de 1220, com a designação “De Sancto Miliano de Maariz” de Terra de Nevia, ainda que a Coroa não tivesse nenhuma jurisdição ou propriedade sobre os Marizes, e a que tinha era tão só para os proteger e apoiar, agindo como seu “Escudo Defensivo” ou “Círculo de Resistência”. Isso mesmo consta nas Inquirições de D. Afonso III, onde se diz: «In Judicato de Nevia in parrochia Sancti Miliani que el Rey non est patronus da ecclesia».

Como disse, a “Mui Nobre e Antiga Família Mariz” teve o seu solar nesta freguesia, cujo Paço era a Casa de Argemil, depois passada a Morgado dos Ferreiras da Casa de Cavaleiros.

Os Marizes dizem-se descendentes de Mengo de Mery e o mais antigo que se conhece do apelido, em Portugal, se chamou Afonso Nunes de Mariz, casado com D. Maria Carrilho Esteves, filha de Estevão Gonçalves e de sua mulher, Urraca Afonso.

Alguns autores dão a seguinte ascendência a Afonso Nunes de Mariz: Roberto Mengo de Mariz passou de França a Espanha, reinando Afonso VII, e esteve na batalha que Nuno Afonso, governador de Toledo, deu aos mouros de Córdova e de Sevilha, e cortou a cabeça ao rei mouro Bencarra, de Sevilha; seu filho, Pedro Mengo de Mariz, casou com uma filha de Nuno Afonso e seu neto, Nuno Peres Mengo de Mariz, viria a casar com Iria Gonçalves Palomeque, de cujas núpcias sairia o referido Afonso Nunes de Mariz.

Dentre as principais, os Marizes trazem por Armas: de azul, com cinco vieiras de ouro, postas em cruz, acompanhadas de quatro rosas de prata. Timbre: um leão sainte de azul, sustentando uma vieira do escudo.

As vieiras, distintivas dos peregrinos a Sant’Iago de Compostela, realçam os Marizes como verdadeiros Tiagos, Iagos ou Bonergus, “Filhos do Fogo”, que é dizer, ASSURAS, elemento subjacente ao Sol representado pelo Leão. Dessarte, leão e vieira, no brasão, indicam a sua assistência real aos peregrinos de Tiago mas também, neste particular já mais iniciático, desde logo velado, a viseira da luz, correspondente ao sexto sentido: a clarividência, precisamente assinalada na sexta concha… no topo leonino.

É esse sentido natural, ainda adormecido ou latente na maioria dos homens mas já desperto ou patente nos Iniciados e Mestres, quem demonstra ao seu possuidor a permeabilidade da Matéria, atributo que se liga precisamente ao sexto estado da mesma ao qual a Química Oculta designa como Subatómico animado por Anupadaka-Tatva, segundo a Ciência Esotérica do Oriente que os Adeptos Perfeitos, através do eminente “Swami” Henrique José de Souza, trouxeram para o Ocidente Ibero-Ameríndio.

A presença leonina é uma constante no temário Mariz, não devendo esquecer dar-se um forte culto, em Vilar de Frades, a São Laurentino, santo claramente solar inspirado no mais antigo ligúrico: Lug.

Já as flores de rosa do brasão, unidas às vieiras em cruz, assinalam exactamente a ROSA+CRUZ, esta expressiva do TETRAGRAMATON como signa do “Homem Cósmico” ou Logos Planetário ADAM-KADMON, que na Terra é emblemática do supremo e alquímico mistério da Pedra Filosofal, lavrada e colhida da quintessência dos quatro elementos naturais (Terra, Água, Fogo, Ar), ou seja, o Éter, o mesmo Akasha dõs conhecimentos esotéricos do Oriente, portanto, o quinto elemento natural a quem os R+C chamavam de Vril e os priomitivos Iniciados atlantes de Mash-Mask. Trata-se, afinal, do 5.º Regato Vital ou PARDA por onde a 5.ª Corrente de Vida discorre promanada do seio do próprio “5.º Kumara em formação”, ARDHA-NARISHA-KUMARA – “O que está no Meio (Vau, expressivo do estado Andrógino) da Riqueza”. E Riqueza ou Relíquia é também a Tónica fundamental do 5.º Posto Sintriano Representativo da Obra do Eterno na Face da Terra (TEURGIA).

Essas mesmas rosas, já aqui herméticas (e significativamente todo o antigo tratado de Alquimia levava o sibilino mas significativo designativo de Roseiral Mariano… Maria, Maris, Mariz – Ave Mariz Nostra! – afinal, o Divino Espírito Santo, SHIVA, como a Terceira Hipóstase do Logos (donde SURA-LOKA, nome tradicional da Embocadura de Sintra, a hindustânica Kala-Shista ou Sishita, por manifestar o quinto estado de consciência Mental Superior, consequentemente manifestado desde o Sol Interno (Vishuda-Chakra) desta Montanha Sagrada pela Quinta Hierarquia Criadora dos Senhores do Mental, os ASSURAS, assessores directos de SHIVA, SIVA ou AVIS anagramaticamente, o Terceiro Logos, sim, a Avis Raris In Terris!), dizia, essas mesmas rosas estão patentes na abóbada do convento românico de Vilar de Frades, tendo ao centro os escudetes com a primitiva cruz de Portugal – assim designando o CRUZEIRO MÁGICO DE MARIZ A LUZIR nos céus da Lusitânia. E todo o corpo de nervuras abobadal prefigura a enigmática letra vatânica designativa do signo de Aquarius, mas também de Makara e de MAITREYA, o “Senhor dos Três Mundos”, o CRISTO UNIVERSAL.

Essa mesma letra está patente no pórtico românico da entrada dianteira na românica Sé de Barcelos, insculpida junta com rosáceas, vieiras e swástikas!… Ora a Confraria Mística da Rosa+Cruz, saída daquela outra dos Monges-Construtores que em Portugal foram os beneditinos e cistercienses feitores da monumentalidade arcaica e da espiritualidade arcana na Rota Jacobeia, constituiu-se um misto de ideário Templário e Grémio de Ofício que veio a coroar o final da Idade Média (século XV) e o início da Renascença (século XVI).

A Rosa+Cruz encontra-se igualmente representada, apesar de modo velado, na traça exterior da igreja paroquial de Mariz: sobre a entrada dianteira abre-se um óculo em rosácea, e a toda a volta do templo, como aro protector numa curta via crucis, dispõe-se uma fileira de 8 cruzes. Algarismo caríssimo aos Templários e seus protegidos, os Monges-Construtores, o 8 assinala a união do Sol com a Lua, do Macrocosmos com o Microcosmos, enfim, do Céu com a Terra como Aliança de Deus com o Homem!…

O Orago da aldeia de Mariz é Santo Emilião. A sua imagem está à esquerda do altar-mor da paroquial e apresenta-se vestido de beneditino com o báculo recto na sinistra e tendo à direita, aos pés, a mitra episcopal. A mitra deposta assinala a sua condição de bispo a qual terá recusado posteriormente, talvez por não querer trocar a sapiência pela confissão, a catequese dos simples pela teologia dos sábios, ou por outra, não querer recusar a Tradição da Cristandade pela Política do Clero.

O báculo erecto substitui aqui um outro seu atributo: uma trave de madeira, alusão hagiográfica a um milagre que terá feito: alongar uma trave que era curta para a construção de um templo. Esta é uma alusão clara à sua função de Arquitecto ou Grão-Mestre de Construtores, e mesmo que acaso não o tenha sido em vida certamente terá tido o padroado das Guildas de Ofícios em algum tempo da Idade Média. Talvez, ou decerto, por isso mesmo se apresenta à sua direita, no lado oposto do altar-mor, o Menino Cristo coroando com uma grinalda dourada (a Laurenta, Laurentino, Lourenço…) a São José, o Iose ou Ancião do Saber com a vara de medição na destra, deste modo assinalando a Cristandade patente no Companheirismo ou primitiva Maçonaria Operativa (donde descende a Maçonaria Especulativa), representada pela mesmo São José ou o Arche-Tekton, o “Grande Arquitecto”, que à pedra sobre pedra, dispõe trave sobre trave no levantamento do templo como Magister Carpentarius.

Santo Emilião (“Servo do Senhor”, em grego, Aimúlios, e por isso está à esquerda ou passiva do altar-mor para o Cristo na direita ou activa), tem ainda por atributos iconográficos dois leões deitados (não patentes nesta imagem na paroquial de Mariz), como memória de ter sido lançado às feras no coliseu de Roma e elas terem recusado atacá-lo (tal qual Daniel na Cova ou Loka dos Leões… de Fogo). Morreu às mãos do algoz, que só o pôde decapitar quando a Voz Divina chamou a si Emilião, o fiel Servo da Verdade Viva – Servitas fidelis vivum veritas.

O dia da sua festa litúrgica é o 8 de Fevereiro, logo após o dia da celebração das “Cinco Chagas do Senhor” (o Sangue Real ou Sang Greal, donde Santo Graal) e anterior ao de St.ª Apolónia, a Apola como mensageira e aspecto feminino (shakti) de Apolo, o Verbo Solar ou Deva-Vani.

Dessarte, tem-se Encarnação do Verbo Solar precisamente representada no Senhor das Chagas, crucificado sobre o altar-mor tendo atrás de si a sigla JHS, indicativa da Tríade Espiritual e de “Deus feito Homem”.

Revela-se neste templo um mundo de simbologia patrística ao par da Crística ou Galaica, no sentido de Ego Solar, não faltando um Sol dourado resplandecente sobre o “arco triunfal” separador da capela-mor da assembleia, o que me reporta à iconologia tradicional do galo, aliás, patente num silhar de azulejaria setecentista na igreja do Convento dos Beneditinos de Barcelos, vendo-se a ave fitando-se no speculum magicum e por debaixo a legenda: “Só se compõe Bem, quem se vê ao divino Espelho”.

Para cá do altar-mor apresentam-se dois altares laterais, interessando-me principalmente o da direita. Vê-se nele as duas imagens do Sagrado Coração de Cristo, ornado por um Sol dourado resplandecente e assente sobre peanha verde, e do Sagrado Coração de Maria, ornada com uma Coroa prateada e assente sobre peanha vermelha. Tem-se, pois, CRISTO-MARIA, a Parelha Andrógina Cristosófica (JEPHER-SUS e MORIAH) cujo Coração Místico foi sempre referência ao SANTO GRAAL, não ao Graal-Objecto mas ao Graal-Consciência, de que Eles, encarnando Sol e Lua, estão à sua frente.

Adiante dessas imagens, no altar levanta-se um crucifixo companheiril onde o Senhor, irradiando um hausto dourado, jaze pregado no madeiro azul desfechado em traços vermelhos. Tem-se nisto a referência velada às três “qualidades subtis da matéria” (as GunasSatva para o Espírito, Rajas para a Alma e Tamas para o Corpo) dominadas pelo Homem das Dores transformadas em Delícias, o que tanto vale por MAITREYA, o Vencedor dos Três Mundos ou Mayas!…

Não deixa de ser profundamente significativa a Homenagem que o nosso Venerável Mestre JHS presta à Ordem de Mariz por meio da mecânica interna da Ordem dos Tributários por Ele fundada em 1952. Com efeito, as cores verde e vermelha das Energias universais FOHAT e KUNDALINI estão patentes nas faixas dos(as) Tributários(as) como defensivo “Círculo de Resistência” da Obra Divina, e “Círculo” inicialmente constituído de 17 Membros, número que, só por «acaso», é o do Biorritmo de Portugal (Arcano 17, “A IMORTALIDADE”: «Eu via o Sexto Sistema. Um Sol Central, tinha por embrião enorme Borboleta saindo de um Ser de aspecto feminino. Tive a impressão de que chocavam enorme Ovo, que era aquele mesmo Sol.» – JHS)!… Sendo a Ordem de Mariz de natureza andrógina, inicialmente foi-lhe “Círculo de Resistência” a Ordem do Templo (assinalada pela cor vermelha da sua Cruz, representando o Poder Temporal e consequentemente a Força Terrestre, Kundalini) e a Ordem de Avis (indicada pelo verde da sua Cruz signatária, cujo Orago São Bento assinalava a Autoridade Espiritual e desde logo a Luz Celeste, Fohat), logo, ambas  montando guarda à original Ordem Tributária a Melki-Tsedek: a MAÇONARIA UNIVERSAL CONSTRUTIVA DOS TRÊS MUNDOS, a dos TRAIXUS-MARUTAS, como 1.ª Rama da Grande Loja Branca dos Bhante-Jauls – cuja 5.ª Rama é a mesma ORDEM DE MARIZ  – cujo Grão-Chefe, Takura-Bey (de quem era avatara o Traixu-Lama), veio a servir de Sub-Aspecto, Veículo ou Tulku da Consciência Planetária de JÚPITER, representada na Terra por SAKIEL, o 5.º Dhyani-Cumara (ou Cume-Maris…) que, bem sabem os da Obra Divina de AKBEL… está intimamente relacionado ao Quinto Posto Representativo de SINTRA sob a égide de ALLAMIRAH, a Mãe Divina (MARIS), por cuja Montanha Sagrada se acede ao Quinto Templo Universal dos Sedotes da respectiva Cidade do Mundo de Badagas. Confere!

No extremo do templo em análise, oposto ao altar-mor tem-se a imagem de um São Sebastião, cuja simboplogia é notadamente drágona ou alegórica das forças telúricas do interior da Terra, por isso mesmo ligando-se ao tema do Mundo de AGHARTA. No santoral cristão, este foi um dos santos da especial predilecção dos Templários ibéricos. Pelo visto e atendendo a quanto já se disse e sugeriu, razões não lhes faltavam…

É sabido que onde existe um culto solar exterior há um culto lunar interior (e vice-versa…). Encontram-se indicativos deste último, além das imagens da Virgem e de São Sebastião defronte ao qual, do lado oposto, há uma pia de água benta em forma de seio de mulher (mama, mamãe, mãe…), nas águas telurizadas correndo sob o templo, dizendo o Padre Carvalho, na sua Corografia Portuguesa, que «tem uma fonte onde vão buscar água que benze o vigário para doentes, e tem muita virtude, particularmente para o fastio».

Era com as virtudes terapêuticas dessa “água santa” que se enchia a pia baptismal em formato de TAÇA octogonal representando, como recipiendário do Sacramento, o SANTO GRAAL dos Templários medievais cujos Grãos-Mestres Secretos eram os próprios Irmãos Maiores da Soberana ORDEM DE MARIZ, esses misteriosos Homens Representativos de nossa iniciática Portugalidade como Encobertos Obreiros do V IMPÉRIO no Mundo (ou o Quinto Reino Espiritual, na Terra representado pela própria supradita AGHARTA).

Acrescento, ainda, que a referida fonte hoje mesmo perdura no interior da sacristia da igreja. Tudo isso influindo no inconsciente colectivo local, levou a que a paróquia de Mariz fosse consagrada ao “Imaculado Coração de Maria” no dia 8 de Dezembro de 1987.

Ainda no sopé de uma cruz à entrada exterior do templo, lê-se uma inscrição semi-hieroglífica, semi-anagramática, traduzida como “M.el dOlivª 1727”, ou seja, “Manuel de Oliveira – 1727”, possivelmente nome do pároco na data possível da elevação de St.º Emilião a Orago da freguesia, significando a âncora num dos hieróglifos precisamente isso: a fixação patronal do santo.

Na verga transversal da porta dianteira, lê-se uma outra data: 1693, a da construção deste templo, pois a igreja paroquial desta freguesia era primitivamente no lugar das Fontainhas ou Lajinhas (de que há ainda vestígios), tendo sido mudada no século XVII para o sítio onde está: MARIZ, assento da venusta e Divina MÃE.

Junto à escada para a torre sineira, também na base e por baixo de uma caveira e duas tíbias gravadas no granito, lê-se a data: 1731, altura possível dos primeiros enterramentos no cemitério anexo.

Que Mariz (tanto a paróquia como a Ordem) era conhecida dos nossos egrégios mais insignes vinculados à Tradição do Santo Graal, é facto comprovado. O Condestável Santo do Reino, Nuno Álvares Pereira (intimamente relacionado à pessoa misteriosa de MALAQUIAS, Grão-Chefe dos Marizes), teve casa em Barcelos junto à Sé Catedral, e quase defronte à sua a dos Carvalho de Luzignano, ambas bem brasonadas para não restarem dúvidas!…

A escassos metros, na Catedral barcelense, lá está a capela lateral de São João Baptista que os peregrinos a Santiago de Compostela usavam e usam para as suas devoções ao Santo Yokanan ou “Arauto” da própria Divindade do Segundo Trono, imagem essa ladeada pelas de Nossa Senhora da Conceição e São Miguel, Orago Gémeo de Portugal, e cuja cabeça decapitada (tal como a de Santo Emilião) hoje mesmo é motivo de grande devoção que deverá recuar à época dos Templários e ao seu mistério terafínico da “cabeça falante”, ou seja, o baphometh, associado pelos Jacobeos a “Santiago Mata-Mouros” e que consta mesmo em dois outros brasões Marizes: um braço armado segurando uma cabeça de moiro, com barba ruiva, foteada de prata. Ou: um leão nascente, de azul, tendo na garra uma espada enfiada numa cabeça de moiro. Mas bafometaria era também o nome dado ao colégio de estudos corânicos, e nisto haverá uma aproximação entre os saberes da Cristandade e do Islão…

Ao simbolismo iniciático relacionado a São João Batista liga-se o Ritual de Iniciação do Chrestus ou Arhat de Fogo, geralmente celebrado pela Páscoa e que é, no final de contas, o Ritual Jina do Yokanan (DJINA-MASDHAR), em muito identificado ao Ritual  Maçónico do Adonhiramita de característica Andrógino (conforme testemunha a sua Lenda de Passagem, a qual se passa entre a Rainha de Sabá e o Rei Salomão), sendo o motivo sacrificial do pré-Apóstolo, J.oão B.aptista, quem estabelece a ponte entre as Escrituras Velha e Nova. No Ritual Djina-Masdhar o Yokanan sofre a “Degola” iniciática, isto é, faz florescer a Rosa no centro da Cruz quando o verbo por sua laringe entoa o ODISSONAI (“ESPAÇO SEM LIMITES” – PURUSHA, ESPÍRITO, PAI) e o ODISSONAL (“ESPAÇO COM LIMITES” – PRAKRITI, MATÉRIA, MÃE) a favor da defesa da Obra do Eterno na Face da Terra, logo também dele mesmo, Filho Eleito.

Consequentemente, em conformidade aos Ciclos de Iniciação, esse Ritual é realizado não karmicamente mas dhármica ou voluntariamente, conformado à Boa Lis ou Boa Lei, inclusive por preclaros Adeptos Independentes nos meados do século XX, por exclusivo amor e devoção ao Trabalho Avatárico do Senhor AKBEL e da Senhora ALLAMIRAH, servindo o Sangue Real de tais Seres para purgar o peso kármico imposto pela Humanidade ignara a tamanha e divina Obra. Assim foi, por exemplo, com os Barões da Silva Neves… mesmo que hoje e desde 1949 em outros corpos, ainda assim conservando os primitivos no Mundo das “Estátuas Vivas” que é o DUAT. Mistérios da Obra, enigmas dos Deuses!…

Isso mesmo, ainda em relação com os “Barões Assinalados” e o seu «sacrifício kármico na Cidade Badagas de ITAPIRA (Ita+Pira = Pira de Fogo), sob o solo itaparicano brasileiro», é desmentido e reiterado em primeira mão pelo nosso próprio Venerável Mestre JHS, numa sua Carta-Revelação de 11.09.1941:

«Como Refugium Peccatorum, não quer dizer que seja Lugar de Castigo. Puro engano! Mas antes de Purgação, de Elevação, de Destruição dos erros ou Karma, como o próprio Henrique Antunes da Silva Neves (o Santo Condestável) e Helena da Silva Neves (a Rainha Santa Isabel – Ísis Babel, Abel, etc.) se ocultarem até hoje, cercados de sua Corte, alguns Adeptos que auxiliaram, como Eles… os primeiros dias dos Gémeos, quando ambos de 15 para 16 anos de idade material ou humana… assumiram conscientemente a responsabilidade, indo PURGAR-se na referida Ilha (de Itaparica), desde que não podiam fazê-lo em Shamballah, nem mesmo na Agharta … S. Salvador fica fronteiriça, e passa por ser a «terra natal» de ambos, os Gémeos Espirituais ou Henrique e Helena, e como Eles, os dois prodigiosos Seres.»

Pois bem, nessa capela joanina da Catedral de Barcelos, Refugium Salvatorum, acendemos, eu e a minha companheira Ilda, cinco círios alvos e, de mão espalmada sobre o peito, saudámos a Divindade e seus digníssimos Representantes agradecendo todas as dádivas concedidas, dando assim por encerrada a nossa peregrinação a Terras de Nevia.

Saímos para o exterior, acompanhados de dois Jinas e o seu cão. A bruma voltava a cerrar, e nela empreendemos o regresso a Terras de Sintra, também estas pertença de CORDO MARIZ.

OBRAS CONSULTADAS

– Jorge Campos Tavares, Dicionário de Santos. Lello & Irmão – Editores, Porto.

– Juan Atienza, Santoral Diabólico. Ediciones Martínez Roca, S.A., Barcelona, 1988.

– Batalha Gouveia, O Etimólogo Emília. “Jornal do Incrível”, 28 de Janeiro de 1986.

Grande Enciclopédia Portuguesa-Brasileira, volume XVI. Editorial Enciclopédia, Limitada, Lisboa – Rio de Janeiro.

Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, volume 12. Editorial Verbo, Lisboa.

– Raúl Proença, Guia de Portugal (II-Minho), 4.º volume. Edição Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

– Teotónio da Fonseca, O Concelho de Barcelos Aquém e Além-Cávado, volume I. Reprodução facsimilada da edição de 1948. Barcelos – 1987.

Armorial Lusitano (Genealogia e Heráldica). Lisboa, 1961.

– Manuel de Sousa, As Origens dos Apelidos das Famílias Portuguesas. Sporpress – Sociedade Editorial e Distribuidora, Lda., Mem-Martins.

– Vitor Manuel Adrião, História Oculta de Portugal, 1.ª edição. Editora Madras, S. Paulo, 2000. Mistérios Iniciáticos do Rei do Mundo (História Oculta de Portugal), 2.ª edição, Editora Madras, S. Paulo, 2002.

– Vitor Manuel Adrião, Dogma e Ritual da Igreja e da Maçonaria. Edição Dinapress, Lisboa, 2002.

Textos Internos e Cartas-Revelações do Professor Henrique José de Souza e do Eng.º António Castaño Ferreira.

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Os Adeptos das Trevas (de Gohos a Theos) – Por Vitor Manuel Adrião Quinta-feira, Jul 5 2012 

Sintra, 1980

Assim como existe, distribuída estrategicamente por toda a superfície do Globo, a Excelsa Fraternidade Branca composta por divinas Criaturas já integradas conscientemente no seu Eu Superior, com isso palmilhando o Caminho de Volta ao Divino, o Logos Único em quem todos somos e temos o nosso Ser, consequentemente muitíssimo adiantadas em Vida e Consciência comparativamente à Humanidade comum, sendo assim os seus Irmãos Maiores, contudo não se deve ignorar haver também a sua eterna sombra nesta Kali-Yuga ou “Idade Sombria” que o Mundo atravessa, ou seja, a Grande Fraternidade Negra, opositora declarada daquela e de quantos a integram, desde o mais humilde Aspirante ao mais portentoso Adepto.

Nos dias de hoje, com a queda acelerada e consequente desaparecimento dum Ciclo “apodrecido e gasto” pelo dealbar doutro mais promissivo e feliz para o Mundo, o de Aquarius, que agora (2012) já entrou no seu Ciclo zodiacal e só falta entrar no Ciclo consciencial de um e todos, assiste-se, impávido ou aterrado, à agitação frenética dos humanos frutos amargos e até venenosos do Passado, debatendo-se pela sua sobrevivência à extinção total que já lhes está ditada pela Lei Maior, quando esta Julgou a Humanidade no ano de 1956 (21 de Março).

É assim, não raro com pasmo e susto dos muitos que ainda mantêm a lucidez d´alma, que hoje se assiste cada vez mais ao despontar agigantado das mais díspares e disparatadas seitas portadoras de «manás e bênçãos», de «escrituras novas e iniciações cósmicas», de «curas estelares e ocultismo cinematográfico», etc., etc., confirmando plenamente as palavras proféticas de Jesus o Cristo nas Escrituras: «No Final dos Tempos (isto é, do Ciclo) muitos serão os falsos profetas e messias que usarão do Meu nome mas que serão contra Mim»! As palavras textuais não são essas, mas o sentido sim. Seja como for, tais seitas fazem hoje a delícia psicossocial das massas impúberes que, além de sugadas na carteira (pois que para tais “espertalhões” exploradores do alheio não contam as palavras de Jesus, quando disse: «dai de graça o que de graça recebestes»), na sua ingénua ignorância mesmerizada servem de repasto psíquico a forças tenebrosas denunciadas pelas suas próprias teorias e práticas, pelo menos para quem vê na lucidez do desprendimento, sabendo que o Mundo da Alma não é como se pretende que seja, antes sendo como é em si mesmo, inteiramente aparte de quaisquer classificações mais ou menos tendenciosas que se lhe outorgue.

A América do Norte – alastrando-se à Central e à do Sul – e a Europa têm sido palco da acção infame e nefasta dos chamados Adeptos ou Nirmanakayas Negros, a qual se intensificou nos últimos decénios com eles agindo nos bastidores psicossociais de agrupamentos mais que duvidosos aos quais, confesso, gostaria de arrancar boa mas ingénua gente, em risco iminente de perder para sempre o seu quinhão evolutivo («o tesouro do Céu», diria Jesus) duramente ganho ao longo do seu extenso rosário de vidas sucessivas, e logo ter de recomeçar tudo do início numa próxima Cadeia ou Manvantara, o que implica um sofrimento indescritível por perda do Espírito e da Alma e ficar a Mónada vazia e abandonada num estado de Inércia Cósmica, Pralaya precoce ou antecipado, por ter ficado para sempre despojada dos seus veículos de manifestação que a vivência intensa e impenitente no Mal levou à perdição. Este é o Avitchi ou Inferno dantesco, ardente na consciência corroída pelo remorso do mal feito, gélido como espaço último do Universo ou “8.ª Dimensão”, “Zero Astro”, “Cone da Lua” ou, mais vulgarmente, “Astral Inferior”.

Escrevo estas palavras doloridas pensando naquelas outras do Mahatma Koot Hoomi Lal Sing, escritas no dia 5 de Agosto de 1881:

«Sentimos que o Tempo está próximo e que temos de escolher entre o Triunfo da Verdade ou o Reino do Erro – e do Terror. Ou deixamos entrar alguns Eleitos no Grande Segredo – ou permitimos aos infames Shammars que façam cair os melhores espíritos da Europa na superstição mais insensata e funesta – o espiritismo; e na verdade parece-nos que metemos uma carga de dinamite nas mãos daqueles que desejamos ver defender-se contra os Irmãos da Sombra de barretes vermelhos.»

Esses “barretes vermelhos” são os distintivos dos Rakshasas ou Magos Negros, os seguidores da “Via Sinistra” (Smritta, em sânscrito), mas igualmente referência à energia centrípeta de cor vermelha, Tamas, a força material de que estão impregnados como opositores à energia espiritual centrífuga, Satva, sendo amarela, cor dos barretes dos Gelung-Pa, liderados por Gelung, um dos Mahatmas da Linha Kut-Humpa, cujo Choan ou Líder Supremo é o próprio Koot Hoomi, logo sendo os Adeptos Vivos da “Via Direita” (Diritta, em sânscrito) como Senhores da Boa Magia Divina, Teúrgica.

Rakshasa na iconologia hindu

Como já apliquei a designação técnica e tradicional, e para melhor definição posterior de quanto tenho a dizer aqui, desde já explicarei o termo Nirmanakaya. Este define a Veste Física e os consequentes poderes físicos dum Adepto Perfeito (inclusive o de poder prolongar a vida física além do normal), seja vocacionado para o Bem ou para o Mal. Quando é para o Bem então ele será um Adepto Branco, e quando é para o Mal assume-se um Adepto Negro. Em ambos a disciplina é a mesma, só as intenções é que divergem…

Não pensar no Mal, realmente é não o alimentar psicomentalmente. Mas isso não contraria ou anula a sua existência organizada e propósito sinistro. Então, há que esclarecer para se saber por que assim é… mantendo sempre os sentidos vigilantes e tendo sempre em mente que o Mago Branco PROPÕE, enquanto o Mago Negro IMPÕE. Um é democrata respeitador do LIVRE-ARBÍTRIO alheio, outro é ditador desrespeitador do mesmo LIVRE-ARBÍTRIO alheio.

Como organização, têm a sua sede mundial no Monte Arfak, na Papua, Nova Guiné, onde se ocultam os restos humanos tenebrosos do Karma Lemuriano-Atlante, e como posto avançado a cidade de Changai, na China. A sua egrégora sinistra chama-se Gezebruth, a “Pedra Bruta” ou “Dragão Negro do Mal”, e o seu guardião psicomental toma a forma do sinistro “cão raivoso”, Pot-Alef. O seu supremo dirigente é o Nirmanakaya Negro (N.N.) B... B..., à dianteira dos Qliphoth ou “Consciências invertidas”, cuja hierarquia completa assim se dispõe:

Todos eles se manifestam por multivariadas formas humanas e sociais, todas elas avessas à Evolução Verdadeira, ou seja, querendo impor psicossocialmente a Anarquia à Sinarquia, a Discórdia à Concórdia Universal dos Povos.

Mesmo tendo pela frente a Fraternidade Jina de Sidney, na Austrália, impedindo-a de fazer mal maior e irreversível do que já faz, ainda assim a influência nefasta da Loja Negra não é só no Ocidente que se faz sentir. Não! Ela está patente em todo o Globo e em todas as latitudes (económicas, políticas, militares, culturais, religiosas, etc.).

Servindo-se de uma lógica profunda que, verdade se diga, nunca foi nem será sinónima de Verdade em qualquer proposição filosófica, os Rakshasas e os seus representantes na Terra, estes conscientes ou não dessa representação, não deixam de ser, afinal, o instrumento oculto e inconsciente do cumprimento implacável da Lei Kármica na Humanidade e no Globo, eles mesmos não deixando de ser os primeiros a sentir o vergástulo da Justiça Divina. A isso se referia Jesus quando afirmava: «O escândalo é necessário, mas ai por quem ele vier»…

Povo de Monte Arfak, Papua, Nova Guiné

Tenho ainda, em abono da Verdade e da Igreja Universal de Melkitsedek de quem sou sacerdote, ou seja da Mui Nobre, Augusta e Soberana Ordem do Santo Graal, a afirmar que os charlatães e seus associados mesmos esses não deixam de ser, sem o saber ou sequer sonhar, o véu que esconde os verdadeiros Adeptos Independentes, porque, como dizia o Venerável Mestre JHS, «detrás da mentira está a verdade». Acerca disso, afirmava ainda o Mestre Koot Hoomi em 15 de Outubro de 1880:

«Certamente que a segurança dos verdadeiros Ocultistas repousa sobre o cepticismo do público; os charlatães e os prestidigitadores são as defesas naturais dos “Adeptos”. A segurança pública fica assegurada ao mantermos secretas armas terríveis que, doutro modo, poderiam ser utilizadas contra ela as quais, como já dissemos, tornar-se-iam mortais nas mãos dos maus e egoístas.»

O MAGO NEGRO, encarnado ou desencarnado, poderá ser uma entidade com um grande intelecto, mas SEM AMOR algum; poderá possuir grande determinação, mas SEM RESPEITO pelo seu próximo, não olhando a meios para alcançar os seus fins; poderá ter as melhores BOAS INTENÇÕES APARENTES, mas interiormente corrói-o a cobiça, a inveja, a avareza, o despotismo… ajuda em INTERESSE PRÓPRIO, sem deixar de cobrar em dobro… enfim, vive do ódio (que como o Amor são os únicos sentimentos que imortalizam e fazem um Nirmanakaya) e DESPREZA A COMPAIXÃO.

À medida que a Ronda Planetária se acerca do seu final, observa-se o reinado medonho dessas criaturas desmoronar-se e pressente-se que têm os seus dias medidos, pesados e contados. Por isso se agitam de maneira tão frenética intentando escapar à aniquilação cíclica que já lhes está decretada desde o Julgamento Cíclico da Humanidade, em 21 de Março de 1956, pelo próprio Rei do Mundo em pessoa.

O seu plano inicial era instaurar o Reinado da Anarquia sobre a Terra, mas a Luz Sacrossanta de SHAMBALLAH e do principal opositor de B.B., ou seja o divino BAAL-BEY ao lado de BAAL-MIRAH, como Imperador e Imperatriz das 7 Cidades ou LOKAS do Reino de AGHARTA, o gorou e acabará «cerrando as portas do Mal para todo o sempre», conforme a Evocação, as TALAS das cavernas sinistras onde se compraze o Mal. Ainda que embrionária, denota-se já um pouco por todo o planeta o esboço tímido da SINARQUIA.

Entrada de uma Tala sinistra no Monte Arfak, Papua, Nova Guiné

A face da Terra tem o seu duplo astro-etérico que se prolonga até ao espaço balizado pela Lua, e ele é o palco privilegiado da acção oculta dos magos negros, sempre encontrando pela frente a oposição tenaz dos Preclaros Adeptos Independentes e dos seus Insignes Discípulos, afinal, os únicos e consagrados “Guardiões da Luz Sagrada”, no dizer de Koot Hoomi cerca de 1881:

«A “Nova Civilização” não será senão filha da antiga, e só temos que deixar a Lei Eterna seguir o seu curso para que faça sair os nossos mortos das suas tumbas; se bem que seja verdade que “nos ligamos supersticiosamente às relíquias do Passado”, a nossa Ciência não desapareceu da vista dos homens. Ela é o “Dom dos Deuses” e a Relíquia mais preciosa de todas. Os Guardiões da Luz Sagrada não atravessaram com sucesso tantos séculos para virem esmagar-se contra o rochedo do cepticismo moderno. Os nossos Pilotos são navegadores muito experimentados, pelo que não acreditamos em tal desastre. Encontramos sempre voluntários para substituir as Sentinelas fatigadas, e o mundo, por muito mal que esteja no presente momento de transição, pode no entanto fornecer-nos alguns homens de quando em vez.»

Quanto à população do Mundo Astral, ela apresenta-se muito diversificada nos seus tipos humanos e não humanos, mas, ainda assim, poderei dar uma tabela geral da mesma:

Chegado a este ponto e em continuação deste estudo, passo a responder às seguintes questões que várias vezes me colocaram oral e por escrito:

– Como identificar no Astral um mago negro, já que ele é mestre na arte do embuste?

– Como conciliar a reencarnação com um mago negro?

– Com que tipos de forças opera a Via Sinistra?

Dirigindo-me à primeira questão, afirmo o princípio de que a Lei do Eterno é Justa e Perfeita a ponto de não deixar espaço mínimo à mentira triunfante em qualquer parte das dimensões do Universo.

No Plano Astral, um Rakshasa pode apresentar-se ao clarividente ou ao discípulo em desdobramento extra-corpóreo como uma criatura formosa, plena de vigor, conhecimento e poder, quase aparentando a forma de um Adepto Verdadeiro, porque, em verdade, ele é um Adepto… sinistro. Mas disse quase, visto haver sempre em sua forma psíquica ou emocional, de matéria maleável (o que se reflecte fisicamente…), algo contraditório da sua aparência soberba: ou possui uma mão (geralmente a direita, se foi homem, o inverso para a mulher) defeituosa (queimada, esmagada, em forma de garra, decepada, etc.), ou um pé igualmente defeituoso (na mesma direcção que para as mãos, quer em forma de pata de galinha, de porco, de garra, ou então queimado, esmagado, decepado, etc.), ou ambas as coisas, o que não é muito raro; ou ainda ostenta corcunda ou dificuldade em manter a coluna erecta, ou ambas as coisas: a corcunda indiciando o fardo pesadíssimo do seu karma e a coluna inclinada assinalando o seu afastamento do Reino Humano e aproximação ao do Animal. Pode também apresentar o rosto parcial ou totalmente disformado (queimadura, ferida, apodrecimento, etc.), ou ainda marcas de pus ou sangue, não raro ambas as coisas, no corpo que, quando é observado atentamente, vê-se que está em franco apodrecimento… Há, enfim, muitas maneiras de identificar à primeira vista um Rakshasa, visto os Devas Lipikas ou Senhores do Karma não deixarem impune a sua natureza conspurcada, e também para que não consiga ludibriar inteiramente, mesmo que faça recurso de mayas-vadas ou espelhismos astrais como “espelhos de ilusão e mentira”, a quem, por causas kármicas ou afins, com ele se cruze. Isto é válido não só para o Plano Astral como também para o Físico… não há como ser observador atento, mas sem cair na acusação sem tento, pois uma pessoa de quem não se goste, por exemplo, não significa isso que seja algum tipo de feiticeiro ou mago negro. Tudo tem a sua medida certa, e as palavras e actos dão a resposta…

Mago Negro de Xangai, China, numa caverna sinistra

Ademais, a aura do mago negro é o seu espelho denunciador a quem a saiba entender. Ele nunca ostenta cores brilhantes mas sempre pesadas e escurecidas. Por exemplo, se possuir um forte cabedal intelectual, discursivo, frio e sem bondade, apresentará um acinzentado amarelo ocre na sua aura astral, invés do amarelo dourado da Sabedoria. Caso as suas tendências apresentem propensão religiosa de teor exclusivista e fanático, ver-se-á nele o azul escuro e pesado típico nos “perigosos fanáticos armados”, ao contrário do azul céu luminoso do Amor característico do Místico verdadeiro. E ainda se poderá ver o vermelho lívido sangrento próprio de quem concentra toda a sua actividade vital nos baixos padrões passionais, invés do vermelho róseo, quase ou mesmo purpurino, de quem transmutou a energia kâmica ou passional em búdhica manifesta como actividade puramente espiritual, esta que é SUPRA-INTELIGÊNCIA, SUPRA-EMOÇÃO e SUPRA-VONTADE, respectivamente para o ESPÍRITO (Satva), a ALMA (Rajas) e o CORPO (Tamas).

Essas últimas são as qualidades da Tríade Espiritual do Homem que nele é a sua própria Individualidade imperecível, na qual o Teurgo ou Mago Branco possui focada a sua consciência imediata. A Ela o Goécio ou Mago Negro (Rakshasa em sânscrito, Shamar-Dad-Dugpa em páli e tibetano, Qliphoth em hebreu e Shaitan em árabe) não tem qualquer vínculo, por não ter ESPIRITUALIDADE – AMOR – SABEDORIA. Mesmo querendo alçar-se por meios inaturais à Mente Superior, fica-se pela mente inferior, não passando do nível mais baixo do Plano Mental ligado ao Emocional, portanto, da Região de Kama-Manas (Psicomental), na qual a personalidade perecível, porque transitória, encontra sempre estímulos para a criação de novos desejos ou nidanas, indo assim enriquecer essa mesma personalidade e empobrecer a Individualidade.

Sobre a diferença entre o Homem Verdadeiro e o Ilusório, escreveu o Mestre Koot Hoomi nos finais do século XIX:

«Falamos de “Individualidade” e “Personalidade”, de Amata-Yana e Paceka-Yana. Estes dois termos são a tradução fiel e literal dos nomes técnicos pális, sânscritos e mesmo sino-tibetanos atribuídos às numerosas entidades personais fundidas num única individualidade, ao longo das vidas emanando da mesma e imortal Mónada. Deveis lembrar-vos:

«1.º O Amata-Yana (em sânscrito, “Amrita”) é traduzido como o “Veículo Imortal” ou a Individualidade. O Ego Espiritual ou Mónada imortal, combinação dos quinto, sexto e sétimo princípios. Enquanto:

«2.º O Paceka-Yana (em sânscrito, “Pratyeka”) significa literalmente o “Veículo Personal” ou Alma Pessoal, a combinação dos quatro princípios inferiores.»

Ou seja:

Os corpos ou veículos da Consciência interpenetram-se por seu grau de subtilidade e diferenciam-se por seu grau de densidade, correspondente à vibração dos diversos estados ou planos que lhes são afins, dentro de um estado-limite de globo ou “círculo não se passa”. Essas sete expressões da Consciência Humana dividem-se em três partes constituindo o já chamado Espírito – Alma – Corpo, divisória feita já por São Paulo na sua Carta aos Hebreus, e que depois Papus alegorizava como o cocheiro (Espírito) conduzindo a carruagem (Alma) puxada por fogoso cavalo (Corpo). Assim, tem-se:

 O Rakshasa possui a sua consciência centrada exclusivamente no quaternário inferior, por isso é amigo da fenomenologia e tem mais propensão a provocá-la no Plano Físico que o Mago Branco, evitando-a por ser causadora de mayas ou ilusões e, sobretudo, por entender a causa, o nómeno mesmo, pelo que chega a desprezar completamente o fenómeno, qualquer que seja o seu tipo, hoje em dia o factor predilecto daplicado por certas seitas para deslumbrar, fascinar o povo ignorante do perigo mortal que corre.

O desmesurado crescimento da personalidade em detrimento da Individualidade, embrutecendo e fazendo feia, mesmo horrível, a alma pela ingestão constante das energias grosseiras corrompendo o maleável corpo kama-manásico, leva o mago negro a ostentar no Astral as mais hediondas formas animalescas e a assumir as atitudes mais nabalescas que, de serem tão horripilantes, não me atrevo a descrevê-las… para não horrorizar ainda mais o respeitável leitor.

Os seus «templos», “curros astrais” como lhes chamou JHS, cadinhos infernais onde se cozinha, tempera e serve a desgraça humana, apresentam invariavelmente as cores próprias da natureza bestializada, cada qual com o tom predominante afim à actividade que aí se exerce sobre os «mortos» e os «vivos». Por exemplo: cinzento significa ignorância a qual, quando levada ao extremo do ódio, torna a aura ambiental negra; castanho = inveja; vermelho escarlate = luxúria sexual; laranja ocre = intelectualidade despótica; roxo intenso = dor e sofrimento; verde lama = doença… e assim por diante, numa lista dantesca das cores áuricas reveladoras dos males psicomentais carregados pela criatura humana que ela própria os criou.

Quando um Ser de Luz aparece diante de uma dessas criaturas demoníacas, ela se contrai, aterroriza e acaba debandando ante a aparição do Testemunho do Poder Divino.

E debanda ou escapa de maneiras assaz curiosas: ou rastejando ou dando pulos, por estar agrilhoada, encadeada à matéria tamásica bruta que preenche inteiramente a sua alma corrompida. Mas, à medida que a sua consciência se volver à Luz de Deus tomando lucidez de si mesma, do porque da sua condição, consequência do arrependimento sincero fazendo nascer o Amor Divino em seu âmago profundo, indo inundá-la e purgá-la com interesses novos frutos de mais elevados pensamentos e sentimentos até então insuspeitados, essa mesma alma quebra o seu cascão de misérias, liberta-se dessa roupagem psíquica corrompida e faz-se mais rarefeita e límpida passando, finalmente, ao Plano Mental, ao Céu.

Dessa maneira, adentro a segunda questão. O livre-arbítrio é princípio universal que nenhum Adepto Verdadeiro ousa sonhar transgredir, pois que é a alavanca charneira para, através da multiplicidade de experiências realizadas, dar-se o processo vital de transformação da vida-energia em vida-consciência. Por ele todo o ser racional é livre, dentro do seu “limite não se trespassa”, de agir consoante as suas apetências. O bem ou o mal que daí resulte será colheita que lhe caberá como consequência kármica.

Quando um mago negro desencarna, ele poderá despertar imediatamente no Plano afim aos seus interesses e simpatias, se poderes de Imortalidade desenvolveu para tanto, ou então, e é o mais comum, entrar num longo período de hibernação astral (do qual nunca sairá, nos casos extremos), após o qual despertará no “habitat” kamásico que lhe é afim, arrastando as suas penas mas revoltado contra as mesmas indo culpar outros que não ele próprio… afinal, o único e verdadeiro culpado. Se quando encarnado desenvolveu os sidhis ou “faculdades psicomentais” no sentido egoísta do seu exclusivo proveito próprio, geralmente usados para ofender e violar a integridade dos seus semelhantes, esses mesmos sidhis irão ser o seu vergástulo implacável, que de revoltas a atribulações acabarão demonstrando-lhe o quão infame e conspurcador foi da Vida!

Aproximando-se o momento de nova reencarnação, o Ego Espiritual dessa criatura entra aos poucos em letárgio e adormecimento recolhendo-se sobre si mesmo até ficar do tamanho de uma «cabeça de alfinete», passando o seu átomo-semente causal a projectar de si mesmo os restantes átomos-sementes mental, astral e físico, indo constituir a nova personalidade. Quando mais uma vez nasce neste mundo, ele traz em si latentes todos os defeitos do passado (inclusive os sidhis desenvolvidos prematuramente na vida anterior). E quando os defeitos são mais que as virtudes, o seu karma irá levá-lo a ambientes afins à sua natureza e assim retomar o que a desencarnação anterior havia interrompido.

Todavia, a Lei Divina lhe infligirá pesados tributos de modo a fazê-lo ingressar no Caminho do Bem. O sofrimento, aguilhão indispensável para estes casos extremos, já fez com que muitos magos negros – alguns tristemente célebres, como foi o caso de Cipriano, acabando por se transformar em santo – volvessem as suas consciências para a Boa Lei, que é a regra da Moral Universal, estipulada pelo Eterno e mantida pelos Senhores do Karma.

Mas quando essas criaturas se mantêm renitentes e impermeáveis ao Bem Maior, aglomerando consecutivamente de vida em vida pesadas energias tamásicas até se tornarem insuportáveis, elas se lhes fazem funestas. Ante o desmesurado e excessivo peso da personalidade impermeável ao Ego Espiritual, impedindo-o de manifestar-se nela, ele acaba rompendo com ela, abandona definitivamente a sua ligação à Alma e assim sai do curso natural da Evolução. Enquanto surge um novo ente “desalmado”, de existência muito limitada, no palco terreno, a Mónada abandonada passa ao Pralaya ou estado de inércia, de “Repouso” Planetário precoce, ficando a aguardar prematuramente um novo Manvantara Planetário, ou seja, um futuro período de “Actividade” global. Isto equivale à entrada no “Cone da Lua”, na “8.ª ou Zero Dimensão”, o que acarreta sofrimentos indizíveis para a Mónada “expulsa para fora da Corrente”, os quais se podem traduzir, muitíssimo palidamente, por uma solidão cósmica cuja mortalha é o frio sideral para a agasalhar, para a envolver… se não a decrepitude de ficar para trás.

Isso é o Avitchi ou Inferno prematuro, a antítese do Nirvana ou Estado Espiritual mais elevado que a criatura humana pode almejar e alcançar, esse o Paraíso das delícias eternas dos Homens Superados.

Interior de uma Tala no Monte Arfak, Papua, Nova Guiné

Quando acontece o rompimento fatal do Espírito com a Alma, dá-se o fenómeno (hoje não raro) das “Almas sem Espírito”, que continuam vivendo na Terra até esgotar o prazo da encarnação vigente. Agirão como verdadeiros psicopatas, criaturas sem amor-próprio e infinitamente menos ao seu próximo, “títeres” do Mal, “bandeiras” rasgadas das hostes do vício e do crime não raras vezes, após esvaziadas do conteúdo espiritual, ocupadas por algum mago negro astral. Esse foi o caso de Hitler.

É desse modo que esses tulkus ou “aspectos” satânicos estabelecem e mantêm o vínculo psicofísico entre a Loja Negra na Terra e a sua contraparte no Astral. E como alimentam e animam tal vínculo? Vampirizando os vivos, instigando-os à luxúria, ao ódio e ao crime, estabelecendo para as nações o lema anárquico “dividir para governar”, invés do sinárquico “unir para reinar”.

Carrego a experiência vivida do que é o Mundo Oculto e sei do que falo. Só como exemplo, para quem ainda duvide, relato resumidamente um episódio que demonstra até onde pode levar a Goécia (nome oriundo do grego goetheia, “encantamento”, cujo diminutivo é gohes, “feiticeiro”, oriundo da raiz gon, donde gohos, “gemido, clamor”, referindo-se aos gritos e imprecações que os magos negros empregam para conjurar as potências malignas aos seus interesses, mas também aos gritos lancinantes das almas em sofrimento atroz nas regiões tenebrosas, aí onde só se ouve o clamor da “dor e ranger de dentes”).

Certa noite, após uma reunião espiritualista, foi-me apresentado certo indivíduo possuído de estranha particularidade: apesar de se apresentar pessoa asseada e bem trajada, no entanto ninguém conseguia estar junto dele muito tempo devido ao cheiro pestilento que emanava, certamente não do corpo físico mas… do etérico, tresandando a enxofre e terra queimada. Intrigado com o fenómeno, passei a observá-lo à distância e registei na sua aura astro-etérica sinais mágicos gravados por uma espada ou objecto pontiagudo, o que depois o próprio me confirmou sem que eu lhe dissesse coisa alguma. Adiantou-me ter sido iniciado numa seita satanista e afiliado às “falanges dos cemitérios”, as quais se dedicam por artes diabólicas a absorver as energias etéricas dos recém-falecidos aí enterrados, e a afligir quem ainda não se livrou completamente do corpo físico.

Esse indivíduo, desde que se filiara na dita seita (da qual tomara conhecimento através dum anúncio publicado num desses pasquins miseráveis que enchem as bancas de jornais hoje em dia), teve o seu comportamento cívico e moral alterado de modo nabalesco, o que o levou a perder o emprego e os amigos. Como se não bastasse, cortou violentamente as relações familiares ao extremo de ser abandonado pela esposa e o filhinho de tenra idade, que essa seita quis baptizar como «cabritinho» (termo técnico satanista, o que me leva a perguntar: alguém já supôs quem seja realmente o pretenso «Jesus» que comunica com certa pessoa muito conhecida na praça pública e lhe chama «cabrita»?…) e que adoeceu gravemente logo de seguida, motivo do corte das relações familiares e da mãe fugir com o filhinho para longe dos olhares satânicos da seita. Não sei que terá acontecido à criança…

Quanto a esse pobre que o Destino me pôs na frente, ao fim de conversa prolongada consegui convencê-lo a não voltar mais a esse antro de maldição, o que cumpriu nos dias seguintes. Confessava-me, então, sentir-se muito desejoso de lá voltar, como que puxado contra vontade. Igualmente sentia fortes impulsos para o suicídio. Eu sabia que os magos negros realizavam operações satânicas no intento de obrigarem o «filho pródigo» a regressar ao «lar». Decidi passar da verboterapia à Magia Talismânica, de modo ao objecto magnetizado ir criar um escudo magnético que o abrigasse dos impulsos das Trevas, pelo que ofereci ao infeliz determinada peça dourada com o Cristo em Glória. Ele passou a usá-la, e daí em diante a influência dos Rakshasas diminuiu consideravelmente até que o fedor áurico de cemitério desapareceu por completo. Este homem recomeçou os seus estudos académicos e conseguiu novo emprego. Seguiu o seu caminho… mas ficou-me na memória, aqui o registando para que sirva de exemplo a todos os presentes e futuros acaso sentindo inclinações para interesses do mesmo género.

Mas quantos desgraçados perdidos nas teias do Mal não têm, por razões kármicas, quem os ajude? Quantos e quantas?…

Veja-se o que aconteceu na Montanha Sagrada de Sintra, entre 1995 e 2000. Satanismo e criminalidade de todo o género à solta, uivando e destruindo por entre as fragas da Serra! Isso demonstrou bem que cada Loka ou “Embocadura” luminosa tem a sua respectiva Tala ou “Cova” sombria, razão para estar escrito num Livro Sagrado pertencente ao Mundo dos Jinas: «Sobre as cavernas tenebrosas riam e confabulavam os Deuses»! Se não tivesse defendido a Montanha Sagrada de Sintra como a defendi do Mal na virada do milénio, de espada tributária em punho envolvendo as Autoridades e o Governo da Nação, será que hoje as coisas estariam tão bem como estão? Fica a pergunta… que a resposta é demasiado óbvia.

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A “Gruta do Monge” na Serra de Sintra, no ano 2000, vítima do vandalismo da Magia Negra

Passo, finalmente, à terceira questão. Assim como há Involução Cósmica como descenso do Espírito à Matéria, igualmente há Evolução Cósmica como ascenso da Matéria ao Espírito.

No Período Involutivo da Humanidade várias Hierarquias Criadoras Espirituais, Cósmicas, ajudaram-na a constituir-se tal como hoje é. Essas Hierarquias, ao terminarem o seu trabalho, ficaram para trás na marcha avante da Evolução Planetária, pelo que pertencem ao Passado longínquo e prosseguem a sua Evolução Cósmica que, para nós, humanos, é um completo mistério. Nada têm a ver com o Presente e com essas Hierarquias que por ora auxiliam o Homem no Caminho de Retorno ao Espírito Universal.

Os “Irmãos Tenebrosos” e os seus discípulos costumam invocar nomes tais como Píton, Asmodeus, Lâmia, Belzebu… afinal, de quem se tratam? Tão-só de Seres Cósmicos auxiliares na formação da Terra e do Homem no Passado Cósmico longínquo de milhões e milhões de anos (para Eles, segundos…), nada tendo a ver com o Presente movimento planetário do qual, ademais, em sua grandiosidade nem sequer têm a mínima consciência da existência dele, tal qual o Homem não a possui de uma só célula do seu corpo… Contudo, permanecem as suas “sombras” ou chayas, e permanecem porque a Linha Negra se encarrega de as manter através dos seus vassalos, muitos deles usando pomposamente os nomes desses deuses.

Píton, a Alma-Grupo das serpentes, será também um poderoso Arqueu ou Assura que auxiliou na formação do Mental no Homem. O seu “veneno” (venena bibas) é o Fogo da Razão que então nos faltava, e, curioso, as serpentes mais inteligentes e adiantadas são precisamente as mais venenosas.

Asmodeus, o “Espírito mau da concupiscência”, é afinal poderoso Arcanjo ou Agnisvatta que ajudou à constituição do Emocional (Psíquico ou Astral) no Homem.

Lâmia, a “Tentadora”, sendo da classe Barishad terá colaborado na elaboração do princípio Vital (Duplo-Etérico) no Homem, através das energias apásicas ou lunares.

Belzebu, também chamado “deus das moscas” e “senhor dos escaravelhos”, estes insectos considerados sagrados no Antigo Egipto por a sua função reprodutora ser semelhante ao encerrar da alma humana num corpo denso feito de lama, é também a designação da Alma-Grupo dos escaravelhos que iniciaram a sua evolução como moscas, e igualmente do Ser Cósmico que ajudou o Homem a ajustar-se a um veículo carnal.

Todas essas e outras mais divindades do já longínquo Período da Involução pertencem ao Passado, e querer importá-las ao Presente é sumamente contraproducente em termos de Evolução verdadeira, mais que para as Entidades em questão para os desgraçados invocadores assim retardando o seu progresso e de quantos os cercam, acarretando tais actos infames contra-natura quase por norma doença, loucura e morte.

A Magia Negra a é por se servir das energias do Passado invertendo (eis a razão das “missas negras” serem feitas às avessas, desde as paramentas do oficiante às palavras e actos rituais) o Poder Divino da TEURGIA (Theos+Ergon = Obra de Deus), assim se tornando instrumento de dinamização da personalidade baseado em métodos cruéis e imorais, em suma, destruidores de tudo quanto signifique e seja Evolução.

Da acção de Belzebu no Plano Físico, já tive provas visíveis e tangíveis da mesma através do caso seguinte: algumas pessoas minhas conhecidas seguidoras do movimento espiritista de Allan Kardec, certo dia convidaram-me para um piquenique no aprazível Parque da Pena, em Sintra, sendo o pretexto para nos revermos e trocarmos impressões. Aceitei e tudo correu muitíssimo bem, até a conversa se tornar mais séria. Obviamente que os meus argumentos não foram aceites, e gerou-se uma tensão hostil aos mesmos. Calei-me quando o tom das vozes subiu… nisto, irrompeu de todos os lados da mata um enorme enxame de vespas que envolveu a todos. Juro que não sofri uma só picada, mas o mesmo não posso dizer dos outros… cujas auras poluídas haviam desencadeado a fúria dos elementais do sítio. Afinal de contas, ou se é o não com a Natureza e, conforme as palavras de Koot Hoomi, «o médium e o munindra são diametralmente opostos».

Escuso dizer que nunca mais me convidaram, nem para piquenique, nem para coisa alguma… se calhar ainda fiquei com fama de «feiticeiro» ou coisa parecida. Amém à ignorância.

Quanto à influência de Píton parece que se faz sentir na moda hoje em dia dos «extraterrestres reptilários», demonstração cabal da ligação da consciência e da subconsciência de alguns às regiões mais baixas do Astral, onde o estado onírico se mistura inextrincavelmente com o de vigília imediata, para todos os efeitos… visivelmente atormentada.

Já escrevi noutra parte sobre essa questão intrincada dos «extraterrestres» e dos «óvnis», como também sobre os que atribuem a sua procedência a galáxias imaginárias ou, tão-só, longínquas, inalcançáveis… demonstração cabal de quanto a consciência onírica e física anseia uma salvação «extraterrestre» ou fora dos limites profanos e desesperançados em que está hoje o mundo imediato, por conseguinte, uma esperança em algo sobrenatural ou sobre-humano que a possa salvar e levar ao porto seguro dum mundo novo, livre do caos social que impera neste mundo velho.

Poderia contar muitíssimos mais casos como ilustração e exemplo destas minhas palavras, mas convém não exagerar na dose.

Para terminar, saiba-se que a Magia Branca da Excelsa Fraternidade Branca dos Sete Raios de Luz, empenhada na Missão Y ou da Mónada Peregrina pelo Itinerário de YO ou IO, assenta em três regras básicas:

1.ª – Vontade firme de fazer o Bem, a todos os níveis de consciência.

2.ª – Trabalho de salvação da Humanidade, instruindo-a e iniciando-a.

3.ª – Colaboração permanente com a Grande Loja Branca, nos planos social e espiritual.

Essas três regras cumpre-as o Teúrgico, como Obreiro do Eterno na Face da Terra, por via dos sistemas Yama e Niyama, inculcados por Patanjali, os quais constituem as bases da sua realização nesta mesma Obra Divina a qual se pode considerar, nesta época tempestuosa por que passa o mundo, a espiritual Barca de Salvação para todos quantos aspiram à Verdadeira Iniciação.

Os Teúrgicos, integrados no quadro dos Servidores da Nova Era de Promissão, desde há larguíssimos decénios que tecem e criam cada mais o Novo Pramantha a Luzir, ou seja, o Novo Ciclo de Evolução Universal, com regras e técnicas muito próprias em conformidade exclusiva ao que o Professor Henrique José de Souza (JHS) estipulou em pessoa, as quais levam a reduzir a cinzas, no Altar do Fogo Sagrado, as querelas e mazelas kármicas de quantos sofrem na vida, todos esses que, no final de contas, são nossos irmãos em Humanidade.

Ajudando-os ajudamo-nos, e comparticipamos activamente, por detrás do véu da discrição e anonimato, no Desígnio do Eterno na intenção nobilitante de tornar o Homem mais Homem e Deus mais Deus, concorrendo assim, no dizer do mesmo JHS, para a consumação da “Bastilha Universal”, aquando se dará a final e suprema Concórdia de todas as criaturas viventes da Terra.

A todos, pois, desejo muita Paz, Saúde e Progresso verdadeiro.

Tenho dito.

Bijam

OBRAS CONSULTADAS

Sebastião Vieira Vidal, Akbel – Novo Pramantha a Luzir (Novo Paluz). Aulas para a Série Interna da Sociedade Teosófica Brasileira, 1965. Edição reservada do texto original pela Comunidade Teúrgica Portuguesa.

Sebastião Vieira Vidal, Revolução Francesa – Ciclos da Obra. Edição reservada da Sociedade Teosófica Brasileira.

Sebastião Vieira Vidal, Série Magia. Edição reservada da Sociedade Teosófica Brasileira.

Sebastião Vieira Vidal, Série Ritualística. Edição reservada da Sociedade Teosófica Brasileira.

Alice Ann Bailey, Um Tratado sobre Magia Branca. Fundação Educacional e Editorial Universalista, Porto Alegre, Brasil.

Eliphas Levi, Dogma e Ritual da Alta Magia. Editora Pensamento, São Paulo.

Papus, Tratado Elementar de Magia Prática. Editora Pensamento, São Paulo.

Stanislas de Guaita, O Templo de Satã, volume I e II. Editora Três Ltda., São Paulo, 1984.