Festa de Holi (Carnaval hindu) – Por Vitor Manuel Adrião Terça-feira, Jan 26 2016 

Na noite de Lua Cheia do Carneiro de 1992 tive a grata satisfação de ser convidado por um teúrgico hindu shivaíta para assistir ao equivalente do Carnaval no Ocidente, a Festa de Holi, também conhecida como Festival das Cores, sendo que na Índia Ocidental e no Bangladesh é chamada Dolyatra (Doljatra) ou Boshonto Utsav, a Festa da Primavera.

Este Carnaval apesar de muitíssimo diferente do festejado no Ocidente, já sem qualquer resquício de sagrado ao contrário deste, contudo tem algumas parecenças com ele. Por exemplo, invés das máscaras vestem-se roupas velhas que depois são arrojadas à fogueira como quem despe a velha “persona” e renasce purificado pelas flamas de Agni, o Fogo Sagrado.

O festejo processa-se da maneira seguinte: em terreno aberto cava-se o chão abrindo uma cova ou loca (loka), depois enchida com grãos de bico e bagas de milho (expressando a fertilidade irrompendo do seio da Terra, justificando a festa móvel da Primavera). Em seguida, colocam-se quatro paus de sândalo em cruz (pramantha) por cima da cova e que irão servir de suporte ao montículo de qualquer outra lenha que será incendiada. Em volta desta fogueira será desenhado no solo um círculo largo feito com as oferendas dos devotos (bagas de milho, grãos de bico, tâmaras, cocos, bolos de açúcar, flores, moedas…), os quais terão de dar cinco voltas em torno dela (representativas dos cinco alentos ou hálitos vitais, tatvas ou “vibrações subtis da matéria”, animadores do Universo e do Homem – Pritivi, Apas, Tejas, Vayu, Akasha Tatvas, correspondendo aos elementos naturais Terra, Água, Fogo, Ar, Éter – em passadas ritmadas muito semelhantes aos “passos do Munindra”, como se quisessem evolar-se nos ares) antes de lançarem as suas oferendas ao Fogo Sagrado.

Depois vem a folia: as crianças dão o mote e atiram água e pós coloridos (gulal, assinalando todas as cores da Primavera) aos pais, irmãos, amigos e desconhecidos, e todos as imitam para no final ficarem completamente pintados e coloridos, com as roupas velhas manchadas de todas as cores que lhes dão um ar festivo, esfusiante de alegria contagiante com as pessoas cumprimentando-se dizendo Holi Hai, “festa feliz”. Revela-se nisso uma espécie de purificação pela água, uma iniciação lustral ou batismo colectivo, antes de libertar-se da velha personalidade, viciosa e viciada, sendo que só depois, já “purificado e liberto”, se fará o ágape ou “manjar divino”, espécie de hóstia sagrada por Agni, com as oferendas em torno da fogueira. O Holi (pronuncia-se hooli) ou Horî termina com cânticos de júbilo contidos nas escrituras sagradas vishnuítas, nas quais se encontra a origem desta festa em que Vishnu, o Segundo Aspecto do Logos Solar, é reconhecido na primitiva Aryavartha, a Índia, como o Deus Original da Criação.

Com efeito, o aparecimento do Holi remete para a época védica do temível rei Hiranyakashipu. Muito vaidoso, sedento de protagonismo e autossuficiência, queria que todos no seu reino o adorassem como líder incontestado e deus incontestável, mas seria justamente o seu filho Prahlad quem encetaria adoração a uma Entidade diferente chamada Vishnu, e que era puro Purusha ou Espírito. Hiranyakashipu, representação do estado mais denso da Matéria ou Prakriti como Assura revoltado por à mesma estar encadeado desde a sua Queda Celeste, ficou furioso e combinou com a sua terrível irmã Holika, possuidora do poder de não se queimar, que ela entraria numa fogueira com Prahlad em seus braços para matá-lo. Mas foi ela quem ardeu, porque ignorava que o seu poder de enfrentar o fogo seria anulado quando entrasse na fogueira com outra pessoa. O Deus Vishnu reconheceu a bondade e devoção de Prahlad, como Assura obediente ou fiel à Lei, e salvou-o. O festival, portanto, celebra a vitória de um Deus contra o outro e a vitória da devoção. A tradição da queima de Holika ou Holika Dahan vem dessa lenda de fundação da festividade.

Apesar de ser uma festa colorida, existem vários aspectos do Holi que a tornam importantíssima na cultura e religiosidade da Índia. Embora possa não estar evidenciado, o olhar atento e o entendimento das escrituras sagradas revelam o significado do Holi em mais de um aspecto, como o da celebração do episódio de Radha e Krishna, Avatara de Vishnu, retirado do Bhagavad-Gïta, o qual descreve o grande prazer que o Menino Krishna tinha na aplicação de cores sobre Radha e as Gopis ou “serviçais”. Essa brincadeira de Krishna mais tarde tornou-se uma tendência, tornando-se parte principal dos festejos de Holi indo marcar o seu final, envolvendo cores, no Radhapanchami ou Rangapanchami em um Panchami (quinto dia da Lua Cheia), quando as pessoas se borrifam com água e pós coloridos umas às outras, cumprimentando-se dizendo Holi Hai, “festa feliz”. Este dia, o principal do período, é chamado Dhulheti, Dhulandi ou Dhulendi, “festa de cores”.

Segundo o calendário lunar hindu, a Festa de Holi é comemorada na Lua Cheia do mês de Phalugna ou Falguna (Phalgun Purnima), geralmente caindo na parte posterior de Fevereiro ou Março, e muito possivelmente estará nela a origem do Carnaval no Ocidente, exportado do Oriente para Roma donde se espalhou pelo restante continente, cuja primeira versão carnavalesca entre os romanos teriam sido as lupercais e as bacanais. Haviam dois tipos de bacanais: as festas religiosas celebradas em época fixa em homenagem a Baco, e as festas vinícolas com orgias com bacantes do culto de Dionísio, que o Senado romano acabou proibindo no ano 186 a. C., hoje só restando a memória e os resquícios nos excessos carnavalescos da data que tem aí a sua origem.

O Holi remota ao período da primitiva Satya-Yuga, a Idade de Ouro, aquando a Paz, a Ordem e a Justiça imperavam sobre a Terra. Era então a Festa da Concórdia Universal, a da exaltação da Matéria ao Espírito, como seja de Prakriti indo unir-se a Purusha in do expressar, enfim o “adeus à carne”, a carnes vaal latina, donde carnaval

Este festejo iniciou-se com Prahlad ou Hiranyásh, literalmente, “aquele de olhos de ouro”, que terá se recolhido há cerca de 5000 anos, após o término da Satya-Yuga, à região subterrânea de Patala ou Naga-Loka, o Mundo Interior ou Inferior (Inferius, donde Inferno), onde reina como reinou na Aryavartha com a sua consorte Satî ou Satti, à letra, “esposa casta e virtuosa”. Satî foi sacrificada às mãos dos daityas decadentes da primitiva Raça Atlante ou Lunar (Chandra-Vansa) ao tentar proteger o esposo das suas investidas, postando-se no “umbral da porta de seu palácio” segundo o Mahabharata, nisto tanto valendo por umbral entre dois Ciclos Raciais, tendo sido trespassada por espadas afiadas e depois arrojada ao fogo. Foi quando Hiranyásh se recolheu ao Mundo Subterrâneo de Patala, levando consigo as sementes monádicas (assinaladas nos grãos vegetais que encherão a fogueira de Holi) da futura Raça Solar (Surya-Vansa).

O sacrifício de Satî às mãos dos degenerados atlantes, os daityas, com a chegada da Kali-Yuga ou Idade do Obscurantismo onde a superstição fanática se impôs à razão e à verdade dos acontecimentos já esquecidos na poeira do crencismo cego, originou o costume funesto da satî ou suttee, ritual macabro das viúvas serem cremadas vivas com os seus maridos defuntos, felizmente abolido na Índia moderna.

As pessoas de Prahlad e Satî (do devanagari Sat, Verdade) na história da Festa de Holi dispõem esta em relação com o quarto Avatara de Vishnu: Narasimha, o “Homem Leão”, manifestação que aconteceu na quarta Raça-Mãe Atlante no período que marcou a guerra entre os Adeptos da Boa Lei e os Adeptos Sombrios indo até afectar gravemente as Hierarquias Criadoras de Barishads lunares, Agnisvattas solares e Assuras saturninos, o que redundou no caos à escala planetária forçando a Grande Loja Branca – Shuda-Dharma-Mandalam – a recolher-se ao seio da Terra por falta de condições mentais e psicofísicas à superfície.

O Leão, zodiacalmente o quinto signo domicílio do astro-rei marcado pelas cinco voltas em torno da fogueira de Holi, representa-se no Ouro (Kryta) e no Sol (Satya, que como deus é Surya), como tal o seu Homem (Narasimha) foi Prahlad (in Bhagavad-Gïta, X, 30), ou seja, o Supremo Dirigente da Linha Solar Aditya oposta à Daitya, a Lunar dos “gigantes” ou homens de estatura desenvolta que caracterizaram a Raça Atlante. Prahlad ou Prahlâda viveu 15.000 anos, isto é, o tempo de duração da sua linhagem familiar e não de uma só pessoa, o que humanamente seria impossível. Com isto explica-se também a longevidade excessiva dos patriarcas bíblicos, nada mais sendo que quanto durou os seus clãs ou linhagens de que foram cabeças ou origens.

Sendo Prahlad o mesmo Hiranyásh esposo de Satî, como disse, ele era um divino Rei-Sacerdote (Rishi) em que se manifestara Nirsimha como quarta encarnação do Deus Vishnu, que na Trimurti hindu é equivalente ao Filho na Trindade cristã. O pai carnal de Hiranyásh era Hiranyakashipu, como também foi dito, igualmente chamado Daitya, por corporificar toda essa raça de ateus e degenerados de que era rei os quais pereceram no dilúvio universal que submergiu Kusha, a Atlântida.

Tudo quanto disse até aqui encontra-se na lenda simbólica de Nirsimha-Avatara, este último termo significando “A manifestação da Divindade”. Qual o hindu que não a conhece como a história de Prahlad? Tem-se nela tipificada a espiritualidade nascente que se revelaria nas raças mais evoluídas saídas dos daityas hoje reveladas nos aryas da quinta Raça-Mãe, formada na Meseta do Pamir.

É quase desnecessário para um hindu insistir-se nessa conhecida história do devoto de Vishnu; de como o seu pai Daitya esforçou-se para matá-lo por o nome de Hari (“Salve”, donde Hori e Holi, “Salvação”) estar sempre em seus lábios; como quis degolá-lo com a espada e esta quebrou-se quando o tentava fazer; com ele tentou envenená-lo e apareceu Vishnu e comeu em primeiro lugar o arroz envenenado, para depois o jovem comer o restante com o nome Hari sempre nos lábios; como o pai tentou esmagá-lo por meio de um elefante furioso, pelos dentes de uma serpente e atirá-lo de um precipício para que se esmagasse em baixo contra uma pedra. Mas o nome de Hari, Hari trazia-lhe a salvação, pois no elefante, nos dentes da serpente, no precipício e na pedra Hari estava sempre presente e o seu devoto seguro da Sua presença; e finalmente sabe-se como o pai, ao desafiar a Omnipresença Divina, apontou para um pilar e escarneceu: “O teu Hari também está neste pilar?”, tendo o jovem clamado: “Hari, Hari”, e o pilar quebrou-se saindo dele a figura possante de Nirsimha que matou o Daitya que duvidara, para finalmente todos conhecerem a Omnipresença do Deus Supremo. Uma lenda? São factos e não ficção, verdade e não fantasia; se os empedernidos homens de hoje conseguissem lembrar-se dos tempos dessas batalhas que opuseram homens e deuses, por certo nada de estranho ou anormal achariam nessa história, pois a veriam como episódio histórico que um dia no Passado longínquo levou à remissão da Terra e ao urgir de uma nova Humanidade, a actual.

Quanto ao mês Chaitra equivalente ao nosso Março (Mesha, em sânscrito) e ao período da Lua Cheia do Carneiro, Áries, Agnus ou Agni, equivale no Zodíaco Oriental ao signo do Dragão – o mesmíssimo de Ouro do Santuário Akdorge de Portugal junto ao qual os hindus locais celebraram o Holi para que fui convidado – de natureza expansiva ou yang (satva), afinal sendo o período onde o Sol transita influindo sobre a Terra com maior intensidade no plenilúnio afim ao início da Primavera.

Desse modo, tem-se a Festa de Holi igualmente associada à entrada do Ano Novo astrológico que inicia em 20/21 de Março, no primeiro signo do Zodíaco que é o Carneiro, fase em que começa uma vida nova ao despir-se das “velhas roupagens” para assumir-se novel consciência mais humanamente espiritual, sempre sob o olhar intenso do ígneo Dragão d´Ouro, Agni, afinal, a “Alma Gloriosa do Sol” crepitando em chamas brilhantes no imo de todas as criaturas.

A Maçonaria e a Teosofia – Por Alberto Henrique da Cruz Feliciano Domingo, Jan 10 2016 

Maçonaria Teosofia

Outubro de 1983

Através deste trabalho procuraremos analisar alguns aspectos que se relacionam com a Teosofia e a Maçonaria e, principalmente, as relações entre a Sociedade Teosófica Brasileira e a Maçonaria Brasileira, culminando com a fundação de uma Loja Maçónica de linha teosófica conhecida por Estrela do Ocidente, que teve por orientador e fundador o Professor Henrique José de Souza.

Para que possamos estabelecer as relações entre as duas Instituições, devemos reportar-nos às raízes da Sociedade Teosófica Brasileira e à pessoa do seu fundador, o Professor Henrique José de Souza.

DHÂRANÂ BUDISTA E MAÇÓNICA

A Sociedade Teosófica Brasileira (S.T.B.) teve como precursora a Dhâranâ – Sociedade Mental-Espiritualista, fundada em 10 de Agosto de 1924, com a finalidade de desenvolver mental e espiritualmente os seus associados e difundir entre os mesmos os ensinos esotéricos[1].

Dhâranâ, fundada por Henrique José de Souza, era a Quinta Rama das Confrarias Budistas do Norte da Índia e Oeste do Tibete e trazia para a América do Sul função importantíssima conhecida por Missão dos Sete Raios de Luz, assim chamada por ser dirigida pelos Sete Mestres do Mundo, com repercussão em sete países diferentes, dentre eles a Índia, Egipto, Rússia, Brasil, etc.

A Missão dos Sete Raios de Luz, embora relacionada com todos os países do Mundo, tinha em Dhâranâ o seu sustentáculo para a América Latina, com base no Brasil. Subordinada à Fraternidade Branca do Himalaia, tinha a missão de preparar o terreno onde a sétima sub-raça da quinta Raça-Mãe virá se implantar, sucedendo imediatamente à sexta sub-raça que haveria de sair da América do Norte.

O eminente teósofo espanhol Mário Roso de Luna, em suas Conferências Teosóficas na América do Sul, fala-nos que a futura sub-raça seria canadiana e que desenvolveria uma imensa civilização, porém seguir-se-ia, segundo revela Helena Petrovna Blavatsky na sua A Doutrina Secreta, a civilização sul-americana, sétima e última do Ciclo Ário.

A Rússia e o Brasil estavam ocultamente dirigidos pelo Mestre Rakowsky, que para os profanos chamava-se Justus. O Mestre Rakowsky representa a Linha Egípcia e, além de outros trabalhos ocultos, procura reerguer a Maçonaria[2].

Esse Mestre, que se acha à frente do grande Movimento oculto para a América Latina, ou seja, a parte do Mundo de onde sairá a sétima sub-raça ária, não é outro senão o mesmo infatigável Ego que em todos os tempos vem trabalhando em prol do progresso espiritual da Humanidade, já com o nome de Christian Rosenkreutz, já com o de Saint-Germain, de Hunjadi Jainos, de Bacon Verulânio, etc.

Annie Besant, que foi presidente da Sociedade Teosófica de Adyar, assim nos fala sobre Christian Rosenkreutz: “O fundador de todo o Movimento Espiritualista moderno foi Christian Rosenkreutz que, procedente do Oriente, criou com doze Mestres a célebre Instituição da Rosa+Cruz. Rosenkreutz reencarnou em Hunjadi Jainos, célebre defensor da Hungria contra os turcos, e depois em Bacon Verulânio, o grande escritor e filósofo inglês, fundador de outro organismo de carácter rosacruciano, e depois no húngaro Rakwsky, príncipe real que, desaparecendo a tempo da cena do mundo, salvou o seu país na luta contra a Áustria. A sua personalidade, continuando através dos séculos, é a mesma do Conde de Saint-Germain, no século XVIII, preclaro discípulo da Loja Branca ou dos Arhats.”

Esse Grande Senhor lançou mão, para o seu trabalho, das duas maiores Correntes ocultas, o Budismo e a Maçonaria, porque de facto elas representam as duas Colunas do Templo de Salomão que mantêm firme e de pé a Grande Obra da Humanidade. Elas representam ainda os dois Caminhos que conduzem o discípulo aos pés do Mestre, ou melhor, ao conhecimento de si mesmo.

Assim, o Mestre Rakowsky, que dirigia Dhâranâ, não só era o Chefe Supremo do Lamaísmo (Budismo do Tibete) como também da gloriosa e… pouco conhecida Agharta – a verdadeira Maçonaria Indiana, complemento da do Egipto, onde Christian Rosenkreutz e alguns outros foram beber na Fonte da Sabedoria Eterna todos os benefícios espirituais e materiais que vêm lançando ao Mundo durante séculos e mais séculos[3].

Desta forma, a Sociedade Dhâranâ era a um tempo Budista e Maçónica. Sim… porque uma só Coluna não mantém firme o Grande Templo da Verdade. A Agharta (Maçonaria, Força, Poder) é o complemento do Lamaísmo ou Budismo do Norte da Índia e Tibete, e a prova disto é que ambos são dirigidos pelo mesmo Grande Senhor já citado. O Budismo renovado que Dhâranâ pregava no Ocidente não era outro senão a Teosofia[4].

Helena Petrovna Blavatsky soube revelar de modo inimitável a Sabedoria dos Deuses, conservada durante séculos nos templos iniciáticos e nas misteriosas criptas da Índia e do Egipto, tal como atestam os seus dois gigantescos monumentos da literatura esotérica que se intitulam Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta, inesgotável manancial onde vão beber da Água da Sabedoria todos os sedentos de Luz. Era seu papel completar os grandes esdorços despendidos em exist~encias anteriores, já como teósofa, na pura acepção da palavra, já como maçona que sempre foi, pois a Teosofia e a Maçonaria são as duas Colunas que mantêm firme e resistente o majestoso Templo da Verdade, como nos esclarece Henrique José de Souza:

“A Teosofia é a Sabedoria dos Deuses, no seu duplo aspecto de Amor e de Verdade. A Maçonaria, por sua vez, é a gloriosa Mensageira da Verdade e do Bem, que através dos séculos vem abrindo largo sulco de caridade e de justiça.

“Ambas se fundem numa só Força e Poder, porquanto representamas mais valiosas Correntes para a organização do Edifício Social, os meios mais eficientes para a realização do sublime ideal da Hierarquia Oculta, a Fraternidade Humana, e ainda o poder mágico e infalível de cada homem poder decifrar o misterioso enigma da sua Esfinge interna.”[5]

Henrique José de Souza, comentando sobre os fundadores da Sociedade Teosófica no Norte-América, fala-nos que Helena P. Blavatsky era maçona ou aghartina e Henry S. Olcott era adepto do Budismo[6].

Diploma maçónico de Helena Petrovna Blavatsky

Diploma maçónico de Helena Petrovna Blavatsky

Os fundadores de Dhâranâ possuíam nomes idênticos, ou seja, Henrique (Director Chefe) e Helena (Zeladora do Templo), apenas com as polaridades trocadas[7]. Estes representavam as duas Colunas do Templo de Salomão, Jakim e Bohaz, Egipto e Índia, Maçonaria e Teosofia ou Budismo. O “H” de ambos tanto pode valer por Hermes como por Hamsa e até mesmo por Hiram. Henrique representava a Maçonaria Indiana e Egípcia, e Helena o Budismo ou Teosofia, a Sabedoria Mística, a Coluna B. Henrique figurava a Coluna J ou a Sabedoria do Mental, a Ciência; representava o S∴ I∴ (Superior Incógnito) ou a Maçonaria de Agharta, irmã gémea e defensora do Budismo. Eis porque Dhâranâ era Budista e Maçónica. O Grande Senhor que dirigia Dhâranâ os cognominou de “os dois Irmãos Gémeos Espirituais”.

A Agharta mantém 22 Templos, como os 22 Arcanos Maiores de Hermes ou as 22 letras de certos alfabetos sagrados. Um outro Templo encobre esses: é o da Maçonaria dos Traichu-Marus, cujos Ramos se estendem secretamente na Ásia e em muitos países cristãos. Esta Maçonaria, cujo Templo de J… se compõe de 33 Lojas, cada Loja de um Mestre e 33 Obreiros e cada Obreiro tendo 33 discípulos, possui atrás das suas 33 Lojas um Conselho presidido pelo Rei do Mundo ou Melkitsedek[8].

Podemos, assim, verificar que Dhâranâ reunia o conhecimento das duas Linhas fundamentais que derivaram da Atlântida antes da sua queda: a Linha Oriental, da Índia, que chegou até aos nossos dias como Teosofia, e a Linha Ocidental, do Egipto, chegando até nós pela Maçonaria[9].

Henrique José de Souza esteve ligado a estes mistérios desde a sua infância, pois uma Entidade de nome Samael o protegia, usando um objecto para preveni-lo dos perigos que o cercavam. Esse objecto era um punhal, que ora aparecia espetado no tecto, ora no chão, etc., com mensagens alertadoras.

O punhal é o símbolo da Maçonaria Oculta de Agharta, da qual Henrique era representante em Dhâranâ, tendo por isso às suas ordens as grandes forças dos Marus. Esse símbolo foi ainda usado por Cagliostro, com uma serpente enrolada e mordendo uma maçã (o “fruto do Bem e do Mal”) atravessada pelo punhal do Conhecimento. Tal emblema caracterizava Cagliostro como um Iniciado e Mensageiro da Fraternidade Oculta de Agharta[10].

S.T.B. TEOSÓFICA E MAÇÓNICA

Em 8 de Maio de 1928, Dhâranâ – Sociedade Mental-Espiritualista é remodelada, tomando o nome de Sociedade Teosófica Brasileira (S.T.B.), em homenagem a Helena Petrovna Blavatsky, pois o dia 8 de Maio, o Dia do Loto Branco, foi o dia em que Aquela que serviu de eco à voz dos Mestres de Sabedoria elevou-se às regiões sublimes da imortalidade.

Embora tenha mudado o nome, a Missão continuou a mesma. Da mesma forma, o carácter maçónico de Dhâranâ manteve-se na própria estrutura da S.T.B., como demonstra o seu primeiro estatuto:

“Para facilitar a realização dos seus objectivos, a Sociedade Teosófica Brasileira estabelecerá Ramas ou Lojas nos diversos Estados da União”…

“Nenhuma Loja da Sociedade Teosófica Brasileira poderá funcionar com número inferior a sete membros.”[11]

Joaquim Gervásio de Figueiredo, Grau 33.º, no seu Dicionário de Maçonaria, esclarece que a etimologia da palavra loja deriva do sânscrito loka, significando “mundo”, ou ainda, “lugar ou sítio circunscrito”, como também o diz H. P. Blavatsky no seu Glossário Teosófico.

Uma Loja Maçónica simboliza o Mundo ou o Universo e é o lugar onde se congregam os maçons, os “pedreiros livres”, para um trabalho específico, durante o qual a Loja permanece absolutamente fechada ou coberta, isto é, circunscrita àqueles participantes dos Mistérios.

Dizem os antigos manuais maçónicos que três maçons formam uma Loja Simbólica; cinco, uma Loja Justa; e sete, uma Loja Perfeita. Uma Loja Justa e Perfeita é constituída de pelo menos sete Mestres Maçons, reunindo-se nos trabalhos o mínimo de sete Irmãos. Para a formação de Lojas Maçónicas são necessários pelo menos sete Mestres Maçons.

A S.T.B. seguia esssas mesmas directivas. Formaram-se então várias Lojas, como a Loja Morya, no Rio de Janeiro, a seguir a Loja Kut-Humi, em Niterói, a Loja Hilarião, em Belém do Pará, e a Loja Serapis, no Rio de Janeiro. Com o tempo, passaram a chamar-se Ramas, Institutos Culturais e finalmente Departamentos. Algumas chamaram-se Casas Capitulares, lembrando os Capítulos Maçónicos que são Oficinas ou Lojas de Graus Superiores.

A S.T.B. possuía, ainda, uma Directoria composta de sete membros, como em Dhâranâ, seguindo os padrões maçónicos.

A S.T.B. compunha-se de cinco categorias de sócios, a saber: efectivos, correspondentes, tutelados, honorários e beneméritos. Os membros efectivos eram em número de 33, sendo os mantenedores e defensores da Obra em todos os sectores, e os únicos que possuíam o direito de assistir às reuniões privadas e assembleias. A S.T.B. era mantida materialmente por esses 33 membros, e moralmente por todos aqueles que quisessem se alistar em suas fileiras como membros correspondentes[12].

Esse esquema já era adoptado em Dhâranâ quando, em determinada época, foi emitido o seguinte aviso:

“A Sociedade Dhâranâ faz ciente a quem possa interessar que, por determinações superiores, não mais recebe inscrições de sócios efectivos e sim de correspondentes. Para a manutenção da parte esotérica da Obra, o número está completo, segundo a indicação do verdadeiro Dirigente de Dhâranâ. A Directoria.”[13]

Somente eram admitidos novos mebros efectivos no caso de se abrirem vagas, quer por morte ou outro motivo.

Existem Lojas Maçónicas que limitam a 33 o número de obreiros, podendo ser admitidos novos membros quando da abertura de vagas. Este esquema é o mesmo da Maçonaria dos Traichu Marus, como já comentámos.

O número 33 possui significado importante na Maçonaria, haja visto ser esse o seu mais alto Grau em muitos dos Ritos.

O número 33 é ainda o da idade da Libertação final do Ser, como a idade de Cristo e de Krishna; é a daquele que, tendo percorrido os 32 portais da Sabedoria, encontra-se no 33.º e último estágio. Esses 32 portais estão representados nos dentes da boca, 16 no maxilar e 16 na mandíbula, formando as 32 maneiras (22 letras e 10 números) de que o Espírito Divino, o 33.º, se utiliza para executar a Sua Obra na Terra.

Os sócios tutelados eram os menores de 21 anos, cuja admissão na S.T.B. só era permitida com a autorização por escrito dos pais. Na Maçonaria, como na S.T.B., somente são afmitidos maiores de 21 anos, os quais, tendo simbolicamente passado ou percorrido os 21 Arcanos Maiores, podem assim ingressar na Ordem para conhecer os Mistérios do Universo ou do Mundo, o 22.º. As Lojas Maçónicas podem adoptar menores de 21 anos, os lowtons, filhos de maçons entre os 7 e 14 anos de idade.

Em determinada fase da S.T.B. só deveriam ser admitidos em suas fileiras menores de 21 anos, preparando assim as sementes para a Sociedade Futura, para a Era de Aquarius, conforme preconiza o seu lema, Spes Messis in Semine, ou “A esperança da colheita reside na semente”.

A S.T.B. teve ainda sob a sua tutela, de acordo com os seus Estatutos, crianças que seriam educadas não só no programa de ensino do Governo, mas também, em idade apropriada, 21 anos, como se sujeitavam os 33 membros efectivos ou Irmãos Maiores, em ensinamentos mais profundos. Essas crianças deveriam ser também em número de 33 e seriam fiéis continuadoras do Ideal da S.T.B., como porta-vozes dos ensinamentos esotéricos. Por sua vez, tomariam a responsabilidade de educar outras crianças[14].

Muitas são as relações entre a S.T.B. e a Maçonaria, não sendo possível enumerar a todas sem que invadamos os seus mistérios intrínsecos, porém, não poderíamos deixar de comentar sobre o dia 24 de Junho.

Como sabemos, a data de 24 de Junho é dedicada a São João e é de fundamental transcendência para a S.T.B.,, por ser a da sua Fundação Histórica ou Cíclica: 24 de Junho de 1899.

Damos a palavra a quem de direito pode levantar os “véus da Ilusão” sobre esse dia, Henrique José de Souza:

“Erguem-se por toda a parte as fogueiras dedicadas a São João, principalmente no Brasil, como se fossem fachos enormes, iluminando aldeias, vilas, cidades, países inteiros. E as fogueiras continuam ensinando aos homens que devem ser iluminados pelo Fogo Divino, pela Essência Divina.

“Do mesmo modo, os fogos rasgando o espaço, em formas arabescas, como se quisessem inscrever na tradicional noite de São João tudo quanto de grandioso transcende do nome Tradição.

“O nome João só por si é uma legenda. Johan, Johanes, Jean, John, Jing, Dzyan, Dzin ou Djin, em várias línguas, não é mais do que o Génio ou Jina, que serve de guia aos homens vulgares da Terra.

João Batista

João Batista, Yokanan ou Anunciador do Avatara de Piscis

“A Igreja distingue o termo Yokanan do de João Batista. Mas a verdade é que o Arauto ou Anunciador do “Messias Prometido” possuía aquele título iniciático. E isto porque Yokanan ou Io-Canaan é o guia, além de arauto de um clã, família, etc., para a “Terra da Promissão”.

“Sobre João Batista, as duas iniciais por Ele adoptadas, como Io-Kanaan do Ciclo de Piscis, são as mesmas das Colunas do Templo de Salomão adoptadas pela Maçonaria, ou sejam, Jakim e Bohaz, uma de ouro, outra de prata (Sol e Lua); do mesmo modo que das cidades onde Jesus nasceu e morreu: Belém e Jerusalém. Jnana (o Conhecimento, a Sabedoria) e Bhakti (o Amor, a Devoção) são os dois Caminhos da Vedanta.

“Cagliostro, representante da Maçonaria Egípcia, adoptou como um dos seus pseudónimos o de José Bálsamo. Pelo que se vê, as duas iniciais, J e B, aparecem em toda a parte onde houver um motivo iniciático, ou melhor, alguém investido de poderes superiores, ou mesmo um lugar jina ou do mesmo carácter…

“No Templo da S.T.B. em São Lourenço, Minas Gerais, fundado em 24 de Fevereiro de 1949 e dedicado a todas as religiões do Mundo, figuram essas duas Colunas, além de nas mesmas estar impresso o signo de Aquarius, do futuro Avatara.

“Na Maçonaria, ainda, existe o Rito do Adonhiramita – Adon ou Adam, Hiram, o “Resssuscitado”, como dizem as suas próprias tradições… e Mita ou Mitra, que é um termo francamente solar, haja visto o número de Cristo ser o 608, ou seja, o de um ciclo solar.

“João Batista, como Arauto do Cristo, acha-se estreitamente ligado ao mistério das três iniciais de que se serviu o mesmo Cristo, senão vejamos de acordo com a lenda da sua “degolação”: João, Herodes e Salomé, formando o JHS.”[15]

São João é o Patrono da Maçonaria Simbólica. Nicola Aslan, em seu Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, explica-nos que São João é Padroeiro da Maçonaria desde a Idade Média. Há muito que os maçons celebram duas grandes festas anuais, chamadas indistintamente Festas de São João ou Festas da Ordem, durante as quais são eleitos e empossados os novos Grãos-Mestres. Essas festas correspondem à época dos solstícios, 24 de Junho, dedicado a São João Batista, e 27 de Dezembro, dedicado a São João Evangelista. São João Batista é o Patrono bem apropriado para a Instituição Maçónica, enquanto São João Evangelista, devido às suas epístolas, foi incluído nos calendários maçónicos depois do século VI.

Na Maçonaria, os três Graus primitivos do Simbolismo são chamados Graus de São João: Aprendiz, Companheiro e Mestre. Nestes Graus está contida toda a doutrina maçónica. Henrique José de Souza assim nos fala destes Graus:

Se partirmos da Unidade para a Diversidade, logo deparamos com a sua Tríplice Manifestação, com os nomes que lhe dão as várias escolas filosóficas e religiosas, como por exemplo: Vontade, Sabedoria e Actividade; Pai, Filho e Espírito Santo; a Trimurti hindu Brahma, Vishnu e Shiva, etc. E é partindo desse princípio que a Franco-Maçonaria adoptou os Graus do Aprendiz, Companheiro e Mestre, do mesmo modo expressos nos três Caminhos ou Veredas das Iniciações brahmânicas: Jnana, o Conhecimento, Bhakti, a Devoção, e Karma, a Acção, sendo que os dois laterais condizem perfeitamente com as Colunas do Templo de Salomão: Jakim e Bohaz[16].

“A esses três estados, ainda, relaciona-se a Pobreza do Aprendiz que começa; a Suprema Arte do Companheiro, que já dominou as ciências profanas, e finalmente a Morte, da qual triunfou o Mestre ressuscitado, como Jesus do seu sepulcro que outro não é senão o da carne ou corpo físico[17].”

Os Graus Iniciáticos da S.T.B. seguem o mesmo padrão. O Budismo adoptava quatro Graus Iniciáticos, que se chamavam: Anagamim, ou o adepto do 1.º Grau; Sartagamim, o adepto do 2.º Grau; Kurtagamim, ou o adepto do 3.º Grau; e finalmente Arhat ou adepto do 4.º Grau, também chamado de Arhat de Fogo, por ser o homem de inteligência elevada.

Esses Graus têm correspondência com os Graus Iniciáticos da S.T.B. e também da Administração Política: Manu, o Legislador; Yama, o Executor; Karuna, o Julgador; e finalmente Astaroth, termo que indica a perfeita Consciência, o princípio Coordenador e igualmente Moderador.

Os três Graus da Ordem do Santo Graal representam tanto as Leis Divinas como as Terrenas, portanto, o equilíbrio perfeito das coisas. Por isso, o homem que chegar a alcançar o 4.º Grau da Ordem do Santo Graal ( o Grau Real e não o Simbólico, evidentemente) é digno e capaz de arcar com todas as responsabilidades da vida, inclusive a de governar seja o que for, a começar pelos destinos da Pátria[18].

Os três Graus Iniciáticos fundamentais das duas Instituições que analisamos, formam a base dos conhecimentos que um homem deve ter para, numa quarta etapa, assumir o seu papel na sociedade. Astaroth, na Maçonaria, corresponde tanto aos altos Graus como à Venerança.

Como estamos vendo, a Teosofia e a Maçonaria se completam, ou melhor, se fundem em uma só, porque ambas representam no Mundo Humano o eco das vozes dos Adeptos que vivem no seio das verdadeiras Fraternidades Secretas, como Guias e Instrutores ocultos da Humanidade. Elas são, portanto, a ponte que conduz o Homem ao outro lado da Vida, isto é, ao Mundo da Verdade ou do Espírito[19].

Novo Esplendor Divino na Terra

Novo Esplendor Divino na Terra

De muita importância são os conhecimentos teosóficos para os maçons, pois com esses podem compreender a simbologia dos seus templos e ritos, assim como muito proveito têm os teósofos em conhecer a Maçonaria, pois poderão dar mais objectividade e força aos seus conhecimentos.

GRANDE OCIDENTE E GRANDE ORIENTE

O Professor Henrique José de Souza, profundo conhecedor da Sabedoria Iniciática das Idades e incansável batalhador em prol da Fraternidade Humana, expressou por várias ocasiões a necessidade da união dos ideais das duas Instituições que estamos analisando: a Sociedade Teosófica Brasileira, portadora da Missão dos Sete Raios de Luz para a América do Sul, conhecida também por Missão Y no seu aspecto mais abrangente e relacionado ao advento das sexta e sétima sub-raças (da quinta Raça-Raiz) nas Américas do Norte e do Sul, e a Maçonaria, que sempre combateu a ignorância, trabalhando pela liberdade, o triunfo e a vitória da razão, contribuindo em todas as épocas para a implantação da fraternidade entre os homens e a evolução dos povos.

A Ordem do Santo Graal, como complemento da S.T.B. e como Grande Ocidente que se tornou para melhor desenvolver as suas finalidades, manteve relações com o Grande Oriente (denominação dada à Grande Loja Maçónica, onde são celebradas as reuniões e de onde emanam os seus decretos) a fim de se lograr uma efectiva conscientização do povo brasileiro quanto ao seu futuro destino e responsabilidades no panorama mundial. Comprovando o que dizemos, damos a palavra a Henrique José de Souza:

“Cumpra-se a Lei que a tudo e a todos rege. Quem melhor nos poderia julgar era a Maçonaria, principalmente se tivesse lido com os olhos do Espírito o capítulo que lhe dedicamos em nossa obra Ocultismo e Teosofia, quando dissemos: a flor de acácia não deve mirrar nos túmulos dos nossos antepassados. Os de hoje tudo devem fazer para que a mesma floresça na Terra, pois a ela o mundo inteiro muito deve… Por isso mesmo, a nossa referida Mensagem intitulada Dies Irae [20] não incluía o respeitabilíssimo nome da verdadeira Maçonaria, à qual prestaremos sempre o nosso apoio quando de nós precisar. A hora é das mais dolorosas. E faz jus ao construtivo termo “unamo-nos para resistir”, em oposição ao destrutivo “dividamos para governar”.

“Entre o Grande Oriente e o Grande Ocidente não há nenhuma diferença, como possam julgar os não Iniciados nos Grandes Mistérios, inclusive o dos vários Ciclos em que é repartida a Vida Universal e, consequentemente, a manifestação dos Avataras.

“Sim, os Dois caminharão juntos sob a égide do Supremo Arquitecto. Pelicano e Pomba do Espírito Santo, mais que nunca, são Avis raris in Terris… O Grande Oriente mantém a Tradição do Passado. O Grande Ocidente mantém a do Presente, projectando-se no Futuro[21].

“Conhecendo-se o Passado, trabalharemos conscientes no Presente para construirmos o Futuro!”

Professor Henrique José de Souza em seu Retro-Trono de Agharta

Professor Henrique José de Souza em seu Retro-Trono de Agharta

O que vimos até aqui expondo é mais que suficiente para avaliarmos o que o fundador da Sociedade Teosófica Brasileira pensava da Maçonaria e da Teosofia, e o que significam estas duas Instituições em relação à Missão Y para o Brasil e a América do Sul. Estes conhecimentos constituem os ideais que inspiram as mentes daqueles que participam das fileiras da S.T.B., o que levou Henrique José de Souza a sugerir e recomendar a fundação de uma Loja Maçónica, como passaremos a relatar.

A LOJA PIONEIRA “ESTRELA DO OCIDENTE”

Três Mestres Maçons, desejosos do engrandecimento espiritual da Humanidade e conhecedores dos mistérios que envolvem a Missão Y, decidiram fundar uma Loja Maçónica de carácter espiritualista, onde seriam desenvolvidos trabalhos de importância para a sociedade brasileira[22].

Incentivados pelo Professor Henrique José de Souza, os maçons integrantes da S.T.B. formariam uma Loja que seria o corpo de uma importante missão para o povo brasileiro.

Os conhecimentos teosóficos relativos à Missão Y seriam vertidos nos modelos maçónicos, de forma a serem conhecidos por todas as Lojas do território nacional. O Professor, como era chamado, orientaria os maçons que estavam fazendo a ponte entre a S.T.B. e a Maçonaria, fornecendo as instruções necessárias aos trabalhos.

Afirmava que a Maçonaria estava vivendo das tradições dos grandes feitos do Passado e que se encontrava sem uma missão específica na época, mas que tinha função no Mundo por muito tempo. Era um corpo pronto para o Espírito habitar na hora que fosse preciso; e que os Irmãos Maçons se preparassem, pois assim que a Loja estivesse trabalhando a missão chegaria até eles.

A Loja Estrela do Ocidente seria o corpo, para a S.T.B. ser o cérebro. Iria difundir a Missão Y pelo Brasil através de todas as Lojas Maçónicas, e assim o povo brasileiro tomaria consciência dessa. A Maçonaria não deveria esmorecer neste final de Ciclo de Piscis, pois muito teria a fazer para o Novo Ciclo de Aquarius.

Os preparativos foram sendo feitos e participados ao Professor, que sempre completava as ideias com detalhes históricos e esotéricos de grande valor.

Foi escolhida uma data singular para a fundação da Loja Simbólica Estrela do Ocidente: 28 de Setembro de 1962. Esta data é de muita significação para a S.T.B., por em 28 de Setembro de 1921 ter ocorrido a sua Fundação Espiritual em São Lourenço, Minas Gerais.

Uma nova Estrela vinha brilhar nos céus do Ocidente, difundindo a Luz da Espiritualidade.

Em São Paulo, na Rua Conselheiro Crispiniano n.º 344, 2.º andar, conjunto 205, sala 1, Edifício JB, escritório do Doutor Raul Fernandes Cruz, Instrutor da S.T.B. e Mestre Maçom, é fundada a Loja Simbólica Estrela do Ocidente por 12 Mestres Maçons (12 signos do Zodíaco, 12 Apóstolos, 12 Cavaleiros da Távola Redonda, etc.), dentre eles Álvaro Solon Coelho e Ludgero Borges, membros da S.T.B., auxiliados pelo Doutor Raul Fernandes Cruz.

A Loja adoptou como Patrono o Professor Henrique José de Souza, por ser o seu Fundador Espiritual ou Mentor, como sendo o 13.º membro ou o Sol que percorre as doze casas zodiacais.

Loja Maçónica "Estrela do Ocidente"

Loja Maçónica Estrela do Ocidente

Assim foi constituída a Loja: Ven∴ Mest∴ Álvaro Solon Coelho M∴ M∴, 1.º Vig∴ Olímpio Gomes Marinho M∴ M∴, 2.º Vig∴ Silvio Rubini M∴ M∴, Orad∴ Ludgero Borges M∴ M∴, Secr∴ Nadir de Oliveira M∴ M∴, Tes∴ Alberto de Souza Bauk M∴ M∴, Chanc∴ José Lanzone M∴ M∴, Hosp∴ Carlos Piva M∴ M∴, Mest∴ de Cer∴ Kamel Madi M∴ M∴, 1.º Diac∴ Damião Rodrigues M∴ M∴, 1.º Exp∴ Ivan Neiva Neves M∴ M∴, Cobr∴ Oscar Cerqueira Cesar M∴ M∴

As iniciais dos nomes dos 12 fundadores da Loja foram assim analisadas:

1.º) Konj Sodiacal ou Koni Zodiacal, sendo o triângulo gerado pelas constelações, ou a Divindade sendo gerada, alimentada pelos 12 membros. Koni, do grego konos, significa sólido gerado por um triângulo rectângulo. Zodiacal é relativo ao Zodíaco, que é uma faixa ou zona circular no céu tendo por centro o plano da eclíptica e que contém as 12 constelações que o Sol percorre em um ano ou 12 meses;

2.º) Locas do Jakin ou lugar do Verbo Divino, ou o lugar da manifestação do Verbo Divino. Locas, do latim, significa lugar, e Jakin, da Coluna J a que já nos referimos, é a Palavra Sagrada que quer dizer Verbo Divino Manifestado.

A Sociedade Teosófica Brasileira ofertou um valioso presente à Loja: o Delta Sagrado, desenhado por H. J. Souza, possuindo o símbolo de Aquarius, do Novo Ciclo que estamos adentrando, encimado pelo Olho que a tudo e a todos vê.

Delta Sagrado da Loja Estrela do Ocidente

Delta Sagrado da Loja Maçónica Estrela do Ocidente

O estandarte da Loja foi preparado tendo por base as orientações do Professor Henrique José de Souza. Analisemos sinteticamente a simbologia do estandarte da Loja Estrela do Ocidente:

O estandarte, segundo o Dicionário de Maçonaria de Joaquim Gervásio de Figueiredo, 33.º, é uma insígnia usada pelas Lojas Maçónicas para figurar em suas sessões e servir-lhe de bandeira ao representar-se em algumas solenidades. É assim a Loja dedicada à Glória do Grande Arquitecto do Universo, geralmente expressando em seu estandarte o carácter do trabalho ou tónica que a Loja possui.

As cores utilizadas para a confecção do estandarte são as três cores primárias: amarela, azul e vermelha. Estas cores estão relacionadas, segundoa Filosofia Oriental, às três Gunas, qualidades ou atributos da Matéria Universal: Satva, a Inteligência, Rajas, a Emoção, Tamas, a Inércia ou Matéria bruta, ou ainda, o Espírito, a Alma e o Corpo.

As duas Colunas do Templo de Salomão, J e B, que temos comentado, representam os dois Caminhos da Vedanta: Jnana, o Conhecimento, e Bhakti, o Amor, a Devoção, além de outras correlações. Sustendo pelas colunas está um triângulo com as letras da palavra PAX inscritas, também em forma triangular, entre as hastes de um Y. Sebemos que PAX não só significa o vocábulo latino paz, mas também, do sânscrito, a suprema comunhão de pensamento, viver a Vida Una. O Y denota a ligação com a Missão Y que abrange as duas Américas do Norte e do Sul, para o desenvolvimento espiritual desses povos no advento das sexta e sétima sub-raças da Raça Ariana. O Y representa também os dois Caminhos da Vedanta a que já nos referimos, bem como as duas sub-raças a se encontrarem num só ramo sintético.

Dentro do “Templo” formado pelas colunas e o triângulo superior está o Delta Sagrado, emblema da Divindade, contendo o Olho que tudo vê. Os egípcios representavam Osíris com um Olho aberto, que jamais dorme, figurando a Omnisciência do Supremo Arquitecto. Além desse Olho, temos a representação do signo de Aquarius, formado por dois “MM” superpostos dos Mestres Maçons que trabalham pela Era de Aquarius.

Estandarte da Loja Maçónica Estrela do Ocidente

Estandarte da Loja Maçónica Estrela do Ocidente

Entre as colunas do “Templo” dedicado à Suprema Divindade Aquariana temos a Estrela de Salomão, com um 7 no centro ou ainda a letra hebraica iod, que também simboliza a Divindade. A estrela de seis pontas representa a união do Espírito com a Matéria. Deus manifestado no Universo. Da Divindade Una surgem o Espírito e a Matéria… Da estrela saem sete fulgurantes raios, a representar os 7 Dhyan-Choans saídos da Tríade Primordial – Divindade, Espírito, Matéria.

Ladeando, temos o Sol e a Lua. O Sol com os seus 32 Raios e a Lua tendo como fundo o Cruzeiro do Sul. Os 32 Raios da sabedoria, do Conhecimento, haja visto o Sol estar sobre a Coluna J, e a Lua representando a Emoção, o Amor, etc., sobre a Coluna B.

A faixa superior com o Ex-Occidente Lux reconhece que a Luz vem do Ocidente, ao invés do Oriente, ou ainda que os Pólos espirituais transladaram-se do Oriente para o Ocidente, trabalhando em prol da Missão Y nas Américas, palco onde se desenrola o desenvolvimento das raças futuras.

Por baixo das colunas estão o nome da Loja, a sua data de fundação, cidade e país.

O esquadro e o compasso formam o hexágono no plano inferior, o Eu Superior do Homem e o seu Eu Inferior; o esquadro do Eu Inferior deve ser alinhado pelo compasso do Espírito. Representam também os veículos do Homem, que são sete, em evolução.

Na parte inferior temos o LPD, as misteriosas iniciais que são uma chave cabalística adoptada pelos Adeptos. Cagliostro, Grão-Copta da Maçonaria Egípcia, trazia no peito um emblema donde refulgia a famosa frase Lillium Pedibus Destrue, pois com a destruição da Flor-de-Lis dos Bourbons adviriam proveitos materiais e espirituais para a França e o Mundo. A Revolução Francesa, além de um Movimento político foi também de ordem cultural e espiritual, cujo Chefe, possuidor do nome Lorenzo Paolo Domiciani, tinha por escudo o incompreendido Cagliostro, que adoptava por pseudónimo o nome José Bálsamo. O primeiro não é outro senão o Conde de Saint-Germain, que é o mesmo Rei do Mundo ou Melkitsedek… e paremos por aqui.

A Loja Estrela do Ocidente deliberou entregar aos maçons fundadores o título de Fundador, acompanhado de uma medalha comemorativa da fundação. Entregou também títulos e medalhas, tais como: Fundador Benemérito, ao Grão-Mestre do Grande Oriente de São Paulo; ao Dr. Raul Fernandes Cruz, da S.T.B. e Mestre Maçom; ao Sr. Ary Telles Cordeiro, Presidente da Rama Cruzeiro do Sul da S.T.B. Fundador Honorário ao Sr. Mário Paziente, Instrutor da S.T.B., e a diversas autoridades maçónicas. Fundador Espiritual ao Professor Henrique José de Souza, Grão-Mestre da Ordem do Santo Graal e Presidente da S.T.B.

Porém, o tempo corre mais que os homens e não foi possível homenagear em vida Àquele que tanto significou para a Loja. No dia 9 de Setembro de 1963, o Professor Henrique José de Souza cerrou os olhos deixando este Mundo em troca de outro, onde continua a cumprir a sua Missão em pról da Evolução Humana, da Paz e da Justiça no Mundo.

Nesse dia, durante as solenidades fúnebres que se realizavam no Templo da Sociedade Teosófica Brasileira em São Lourenço, Minas Gerais, foi entregue a medalha e o título à viúva, Dona Helena Jefferson de Souza.

A Folha do Povo, jornal de São Lourenço, em edição especial noticiou:

“De São Paulo, da Loja Maçónica Estrela do Ocidente, veio a comenda Estrela do Ocidente (Mentor), cujo diploma respectivo traz a assinatura do Ven∴ Mestre Álvaro Solon Coelho, os quais deveriam ter sido entregues ainda em vida ao Professor Henrique José de Souza, sendo deles portador o Ven∴ Ir∴ Raul F. Cruz, que com breves palavras os entregou à viúva.”[23]

Transcrevemos a seguir a homenagem da entrega da comenda:

“Dona Helena falou: “O Dr. Cruz é um enviado da Maçonaria. Ele foi incumbido pelos maçons de oferecer uma comenda, uma medalha da Maçonaria ao meu marido, o Professor. Mas, infelizmente, não deu tempo. Ele, então, neste momento entregará um diploma de honra, que depois eu guardarei como uma grande recordação de uma homenagem post-mortem”.

“A seguir falou o Dr. Raul F. Cruz:

“Este diploma foi-me incumbido hoje pelo V∴ Mestre da Loja de ser o portador, porquanto todos da Maçonaria de São Paulo reconhecem em nosso Mestre o seu Dirigente máximo. Assim, a Loja Estrela do Ocidente, recém-fundada, aliás, para ser preciso, fundada a 28 de Setembro de 1962, no ano passado, em São Paulo, esta Loja se propôs ser o corpo físico de tudo quanto o nosso Mestre ensinou, pregou e recomendou que fosse feito junto à Humanidade. Esta Loja conferiu ao Professor Henrique José de Souza este diploma de mérito onde se lêem, além dos nomes de todos os fundadores, as seguintes palavras: Via Veritas Vita.

“E para gozar dos direitos e regalias, é expedido o presente título, assinado pelas Luzes, ao Fundador Irmão Professor Henrique José de Souza, que também recebe a respectiva medalha Estrela do Ocidente, de Fundador.

Comenda Maçónica a JHS

“Dado e traçado na sessão desta Augusta e Respeitável Loja aos 27 dias do mês de Julho do ano cinco mil novecentos e sessenta e três da V∴ L∴

“Entrego o diploma e a medalha a Dona Helena.

“A Loja se propõe a estender esse movimento começado pelo Professor Henrique José de Souza por todo o Brasil.”[24]

Tanto a medalha como o título encontram-se actualmente no Museu do Templo da Sociedade Teosófica Brasileira, em São Lourenço, Minas Gerais.

Como recordação e homenagem ao Professor Henrique José de Souza, a Loja Estrela do Ocidente mantém desde a sua fundação um trono vazio. A respeito do trono vazio, adoptado tanto pela S.T.B. como pela Loja Estrela do Ocidente, o facto liga-se à tradição que remonta aos Mistérios Egípcios, conforme nos relata Manly P. Hall em sua obra Orders of the Quest:

“Um dos rituais anuais dos Maniqueístas (seguidores de Manes, que fundou uma doutrina no século III na Pérsia) era celebrado para comemorar a crucificação do Profeta. Consistia em colocar uma cadeira ou trono numa plataforma de 5 degraus. Aqueles membros da Ordem que se tinham purificado para a ocasião ajoelhavam-se diante dessa cadeira vazia, que simbolizava o “Mestre Invisível” da sua religião. Esta cadeira vazia é reminiscência do Trono Vazio de Osíris, do Ritual de Iniciação egípcio. Os seguidores de Manes eram chamados de os “Filhos da Viúva”, e o fundador era referido como o “Filho da Viúva”. Hórus, o Deus-Salvador dos Mistérios Osíricos do Egipto, era o “Filho da Viúva”. Ele foi concebido após a morte de Osíris por seu Espírito Santo. O fantasma de Osíris cobriu a sua esposa-irmã Ísis, que havia se vestido como viúva para lamentar a morte de seu marido. Hórus, tão estranhamente e imaculadamente concebido, foi destinado a tornar-se o “Herói do Mundo” e o vingador de seu Pai. De facto, acredita-se que Hórus fosse possuído pelo Espírito de seu próprio Pai. O hieróglifo de Osíris é o Olho que tudo vê, combinado com o Trono Vazio. Ísis é a Virgem do Mundo, que engendra a divina Criança sem perder a virgindade. É a Tradição Esotérica, que dá nascimento aos Adeptos pelo mistério do Espírito.”

Como podemos notar, os Mistérios do Cristianismo Primitivo, como os da Maçonaria, remontam a muitas Eras.

Trono Vazio de JHS no Museu do Templo de São Lourenço, Minas Gerais

Trono Vazio de JHS no Museu do Templo de São Lourenço, Minas Gerais

Além do Trono Vazio, a Loja Estrela do Ocidente mantém uma fotografia do Professor na sala que antecede a entrada no Templo Maçónico da Loja, que se chama Templo Ocidente.

NOVAS LOJAS: “GRAAL DO OCIDENTE” E “CAVALEIROS DO OCIDENTE”

Completando o trabalho de desenvolvimento da expansão da Filosofia Teosófica, outra Loja Maçónica é formada em São João Del Rey, Minas Gerais, no centro da Brasilidade cultuada pelos Inconfidentes: a Loja Graal do Ocidente, fundada em 21 de Abril de 1967, tomando por Patrono o Tiradentes.

Outra Loja vem formar a tríade de divulgação da Doutrina Teosófica, a Loja Cavaleiros do Ocidente, fundada em 7 de Setembro de 1971.

As três Lojas possuem funções específicas e complementares, onde a Estrela do Ocidente, qual Pilar da Sabedoria, representa a parte filosófica do Conhecimento Teosófico; a Cavaleiros do Ocidente, qual Pilar da Força, representa os protectores da Doutrina Teosófica, enquanto a Graal do Ocidente, qual Pilar da Beleza, empenha-se na comunhão espiritual da comunidade maçónica. Correspondem aos Goros, Arqueiros e Cavaleiros da Ordem do Santo Graal.

Estandarte da Loja Maçónica Graal do Ocidente

Estandarte da Loja Maçónica Graal do Ocidente

Uma quarta Loja veio sintetizar esse esquema, qual Olho do Triângulo, a Loja Ypiranga, uma das primeiras Lojas de São Paulo, fundada em 15 de Junho de 1847, tendo sido visitada por D. Pedro I quando ainda era o Clube Pátria. Interrompeu as suas actividades em 1936, vindo a ser reerguida em 21 de Abril de 1977 por 21 Mestres Maçons.

Podemos ainda comparar essas quatro Lojas às quatro Ordens derivadas ou complementares que compõem a Ordem do Santo Graal.

CONCLUSÃO

Para finalizar este trabalho, nada melhor do que as palavras de Henrique José de Souza:

Os Grandes Seres que dirigem o destino da Humanidade, principalmente Aquele que se acha à frente da Grande Obra para a América Latina, servem-se de todos os grandes centros de actividade espiritualista. A Maçonaria será talvez a que maiores serviços prestará à Causa que nos empolga, porém… já está entendido, passando pela grande reforma de que se vem ressentindo há tanto tempo.

Mister se faz que o “Ramo da Acácia” de todos os Tempos não venha a secar sobre os túmulos gloriosos dos seus antepassados!…

Os Tempos são chegados, Ir∴, e Hiram vai ressuscitar dentro de cada um daqueles que quiserem imitar o eterno gesto do Supremo Arquitecto: construir, edificar coisas belas e perfeitas para a Grande Obra do Humanidade… Maçons e Teósofos, uni-vos! Uni-vos na verdadeira Fraternidade, para construirmos um Brasil digno de ser o Berço da Nova Civilização, a Nação portadora da Espiritualidade para a Nova Era!…

NOTAS

[1] Estatutos da Sociedade Dhâranâ, Cap. I, Art. 1.º, publicado na revista Dhâranâ, número especial de apresentação, Agosto de 1925, pág. 25.

[2] A Missão dos Sete Raios de Luz, Henrique José de Souza, Dhâranâ n.º 8 a 12, págs. 9 e 10, 1926.

[3] Missão de Dhâranâ, H. J. Souza, Dhâranâ n.º 13 a 17, 1927.

[4] A Minha Mensagem ao Mundo Espiritualista, H. J. Souza, Dhâranâ n.º 25 a 28, pág. 40, 1928.

[5] A Minha Mensagem ao Mundo Espiritualista, H. J. Souza, Dhâranâ n.º 25 a 28, pág. 40, 1928.

[6] Sobre o assunto, consulte-se a obra do Doutor Mário Roso de Luna, Una Martir del Siglo XIX – Helena Petrovna Blavatsky, onde nos fala que tanto H. P. Blavatsky como Henry S. Olcott, os fundadores da Sociedade Teosófica, eram maçons. HPB, ainda, foi reconhecida como sendo do Grau 33 pela Maçonaria Inglesa, porém refutou tal qualificação esclarecendo que só tinha experiência na Maçonaria Oriental, embora não desconhecesse a Maçonaria Ocidental.

Basta manusearmos a sua obra máxima, A Doutrina Secreta, para notarmos as inúmeras referências à tradição maçónica. Na mesma obra de Roso de Luna, H. S. Olcott confidencia que “a maior desgraça que pesou sobre a Sociedade Teosófica desde o seu nascimento foi o facto de não ter sido organizada maçonicamente, ao tom das sábias e constantes tradições do Passado”. A falta de graus e hierarquia trazia profundos prejuízos à S.T. e era necessário transformá-la em uma Sociedade Secreta, com a instituição de sinais de passe, etc. Notamos que Henrique José de Souza era conhecedor deste facto e não deixou de dar um carácter maçónico à S.T.B., como vimos analisando.

Não devemos confundir a Sociedade Teosófica Brasileira com a Sociedade Teosófica no Brasil, Ramo da Sociedade Teosófica fundada em New York em 17 de Novembro de 1875 por H. P. Blavatsky e H. S. Olcott e que foi transferida para Adyar, Madras, na Índia, em 3 de Abril de 1905.

Henrique José de Souza participou de uma Loja Teosófica filiada à S.T. de Adyar, denominada Alcyone, tendo o mesmo H.J.S. fundado a 1.ª Loja da S.T. no Brasil.

As Lojas Teosóficas necessitam da autorização da S.T. para trabalhar, através da emissão de uma Carta Constitutiva. Este procedimento vem demonstrar que a S.T. passou a ter uma estrutura eminentemente maçónica.

Interessante ainda de se notar é que actualmente no Brasil temos duas Instituições difundindo a Teosofia; e a Maçonaria está também se desenvolvendo em dois tipos de Potências: Grandes Lojas e Grande Oriente.

[7] Contribuições para a Futura História da Sociedade Dhâranâ, António Castaño Ferreira (Dhâranâ n.º 18 a 20, pág. 15, 1927).

[8] O Rei do Mundo no centro e os dois Ministros nas extremidades formam a Tríade principal do Governo Oculto do Mundo. Deste mistério saíram as duas Colunas do Templo de Salomão, até hoje adoptadas pela Maçonaria, embora esteja bem longe de saber, com exactidão, o verdadeiro significado dos seus símbolos. Uma Coluna de Ouro ou Solar, e outra de Prata ou Lunar. Na Vedanta são os dois Caminhos: Jakim ou Jnana, Conhecimento, Iluminação, etc., e Bohaz ou Bhakti, Devoção, Mística, Amor, mas em verdade, Justiça. A expressão, portanto, do mesmo Rei Salomão: Justo e Sábio. O Grão-Mestre, nas Sociedades Secretas, representa o terceira Caminho da Vedanta, que é o de Karma. Por isso, toma lugar entre as duas Colunas. É ainda a haste central da Balança, cujas conchas de Sabedoria e Justiça devem estar equilibradas, sob pena de não ser um Adepto ou Homem Perfeito (Dhâranâ n.º 110, pág. 4, 1941).

[9] Kunaton ou Amenophis IV foi, pois, a origem de todas as associações verdadeiramente espiritualistas até hoje existentes no Mundo. Possuía dois Ministros ou “Colunas”, com os nomes egípcios Morirá, como sumo sacerdote, e Mirtabá, na administração e justiça do país. Os dois Ministros do Rei do Mundo ou Melkitsedek são Mahima e Mahinga. Em certo rito maçónico egípcio, tal Trindade é representada pelos nomes Memphis, Misraim, Maisim. É de se nota a coincidência da letra “M” para tais cargos (Dhâranâ n.º 110, pág. 66, 1941).

[10] Contribuições para a Futura História da Sociedade Dhâranâ, António Castaño Ferreira (Dhâranâ n.º 18 a 20, pág. 15, 1927).

[11] Estatutos da Sociedade Teosófica Brasileira (Dhâranâ n.º 29 a 36, pág. 90, 1928).

[12] Em 1952, 33 místicos cristãos, piedosamente reunidos em assembleia e com o pensamento no Redentor da Humanidade e nos seus Divinos Mistérios, resolveram fundar uma instituição que veio completar o trabalho da S.T.B.: a Ordem do Santo Graal. Desde 1921, a Ordem se mantinha de modo esotérico, passando em 24 de Junho de 1952 à condição de Ordem de carácter místico e hierático, com o fim de estabelecer um círculo de estudos sobre a tradição antiga do Cristianismo e da Sabedoria Antiga, além de trabalhar pela Fraternidade entre todos os homens, segundo os ensinamentos de Cristo (Luzeiro n.º 8/9, pág. 96, 1953).

[13] A S.T.B. e o Ano de 1956 (Dhâranâ n.º 9/10, pág. 179, 1955).

[14] Dhâranâ n.º 37 a 48, pág. 135, 1929.

[15] A Eterna Tradição, H. J. Souza (Dhâranâ n.º 3, pág. 59, 1954).

[16] A Minha Mensagem ao Mundo Espiritualista, H. J. Souza (Dhâranâ n.º 73/74, pág. 126, 1932).

[17] Explicações necessárias, H. J. Souza (Dhâranâ n.º 77, pág. 206, 1933).

[18] Ordem do Santo Graal, H. J. Souza (Dhâranâ n.º 15/16, pág. 268, 1956).

[19] A Minha Mensagem ao Mundo Espiritualista, H. J. Souza (Dhâranâ n.º 71, pág. 43, 1932).

[20] Dies Irae, Laurentus (Dhâranâ n.º 13/14, pág. 250, 1956).

[21] Ordem do Santo Graal, H. J. Souza (Dhâranâ n.º 15/16, pág. 268, 1956).

[22] A matéria aqui apresentada é fruto das entrevistas realizadas pessoalmente com os senhores Álvaro Solon Coelho, Ludgero Borges e Raul Fernandes Cruz.

[23] Folha do Povo, edição especial de 11 de Setembro de 1963, São Lourenço, Minas Gerais.

[24] Acta do Ritual realizado no dia 9 de Setembro de 1963, no Templo da Sociedade Teosófica Brasileira, em São Lourenço, Minas Gerais.

Em referência ao termo “Cristo” (dedicado à Maçonaria) – Por Henrique José de Souza Quinta-feira, Jan 7 2016 

título

Cristóvão Colombo, como um Grande Iniciado que foi, e a quem não podia deixar de caber o papel de Descobridor da América, o “Novo Mundo” – pois era justamente o Lugar onde deveria fazer o seu surto a Nova Civilização (para a qual foi fundada, por força de Lei, a Sociedade Teosófica Brasileira), tinha por “sigla” o termo grego CHRISTOFERENS, que significa “aquele que carrega (ou traz consigo) o Cristo”. E como CRISTÓVÃO, o santo da Igreja, tivesse o mesmo nome, logo houve a interpretação errónea (ou da “letra que mata”) de o referido santo carregar os necessitados, e até o “Menino Jesus” (na razão do termo “Cristo”), de uma margem à outra do rio. No entanto, o mesmo “santo” – como os demais em evidência no Catolicismo – “trazendo consigo o Cristo”, tem direito ao referido grau ou título.

O Livro dos Mortos (Livro da Santa Morada, etc.) do Antigo Egipto fala da “Barca de Osíris navegando no Rio Nilo carregada com as almas dos imortais para o Amenti”. É uma alegoria idêntica à frase anteriormente comentada. O termo “Nilo”, cujo significado não foi até hoje bem interpretado, poderia talvez ser traduzido pelo “nihil” latino, que quer dizer “nada”. Mas isto no sentido daquele “nada” ou aniquilamento a que se refere Gautama ou Gotama na sua incomparável Filosofia, ou seja, o do desaparecimento completo dos sentimentos terrenos, pois que Moksha (sânscrito) quer dizer “Libertação” (ou seja, fora da matéria), isto é, a mesma “Salvação eterna” da Igreja Católica. É um termo contrário, portanto, a outro sânscrito, que é Tanhâ, ou “desejo de viver”, apego à matéria.

Quanto à palavra “Barca”, que veio finalmente dar origem à chamada “Barca de S. Pedro”, é termo antigo, e sempre ligado à “salvação”, libertação, etc. Donde a Maha-Yana, ou “Grande Barca de Salvação” do Budismo do Norte da Índia, e a Hinayana, ou “Pequena Barca de Salvação” do Budismo do Sul.

Para todos os efeitos, a Sociedade Teosófica Brasileira é a Grande Barca de Salvação em cujo bordo navega a prodigiosa Semente da Nova Civilização. O seu Timoneiro ou “Condutor” foi obrigado a visitar o Norte da Índia e a ligar-se, portanto, na adolescência ou dos 15 para os 16 anos de idade, à Escola anteriormente apontada, ou seja, a Maha-Yana, para depois ocupar o referido cargo ou função. Ressalta daí o mesmo significado de “pastor” usado pelo Catolicismo e o Protestantismo, embora muito antes dessas duas religiões já se aplicasse a Gautama, cujo nome não quer dizer outra coisa senão Condutor – Tama – e Gado – Go ou Gau. Em outras palavras, vaqueiro, pastor, etc. Essa é a razão porque o Arauto da Obra em que está empenhada a S.T.B. chamou de Cabrero (em espanhol) ao referido Chefe ou Dirigente de tão sublime Movimento.

O termo “Pontífice”, por sua vez, significando “construtor de pontes”, sujeita-se à mesma interpretação anteriormente feita, pois através de tal “ponte” (um verdadeiro traço de união ou ligação entre o Mundo Terreno e o Divino) vão sendo conduzidas ou salvas as almas que se acham sob a protecção ou guarda de Alguém ou alguma coisa. Ao “arco-íris” se dava o nome de “fio de navalha”, cuja finura ou estreiteza tornava difícil a passagem das almas a caminho do Divino ou da “Salvação”. E isto, ainda, porque a sua forma semicircular é uma alegoria à abóbada celeste… No Egipto já existiam os “Pontífices-Pyronis” que, idênticos aos Maha-Choans das teogonias orientais, representavam – através de uma série numeral cabalística – Seres de uma categoria superior ou divina. Foi desse termo e do seu sentido, que a Igreja copiou o de “Sumo Pontífice” para os seus Papas. “Construtores de pontes, obreiros, pedreiros do Edifício Humano” foram sempre os Maçons, embora os seus símbolos e iniciações, herdados do Antigo Egipto e cujo verdadeiro Patrono foi Amenófis IV, ou KUNATON, não sejam mais interpretados como outrora. Esta verdade, além do mais, está implicitamente apontada no termo “Filhos da Viúva”, porque nas referidas tradições egípcias Osíris (o Pai, o Sol) morre, e Ísis (a Mãe, a Lua) ficando “viúva” começa a procurar os “14 pedaços do esposo desaparecido” (as doze conhecidas e mais duas ocultas “casas solares” ou signos zodiacais, Hierarquias Ocultas, Avataras, etc.), sendo que o último (o “sexual”) foi encontrado no bucho de um peixe pescado no Rio Nilo. E isto porque Piscis ou Peixes é um signo positivamente “sexual”, como prova o facto de quando apresentaram a Jesus (Is, Iess, Jess, etc.) a mulher adúltera, que a plebe queria apedrejar, ter Ele traçado no solo um “peixe” e dito: “Aquele que estiver isento DESTE PECADO (e não “de pecado”, como querem muitos) que atire a primeira pedra”… O termo “pescador” também pode ser aplicado a tais Guias ou Condutores espirituais, do mesmo modo que “atirar a a rede (pela palavra, ou seja, pelo Verbo Divino, Luz que Moisés contemplou “face a face”) para apanhar as almas (ou “peixes”, já agora noutro sentido) que devem ser salvas”. São termos que se prestam maravilhosamente a tudo quanto vimos explanando até agora.

É que os homens desde os meados da terceira Raça-Mãe (Lemuriana) começaram a nascer desse modo e não como anteriormente, isto é, do suor, por cissiparidade como certas plantas. As mesmas teogonias orientais (donde surgiu todo o saber humano), referindo-se a esse período, apontam anteriormente os “Manasaputras” andróginos, ou “Filhos do Mental” (criados pelo “Poder de Kriyashakti”), no que está de pleno acordo o grande Marañon por ser um verdadeiro Teósofo (mesmo porque, além de tudo, foi amigo de Roso de Luna, nosso amigo também, e membro n.º 7 da nossa Instituição, como “Arauto da Missão em que a mesma está empenhada”).

O segundo nome de Cristóvão Colombo faz lembrar a Colomba, Colombina, pomba, ave, o que se torna evidente pelo facto de na sua “sigla” saudar o “Espírito Santo” que, como se sabe, é simbolizado por uma pomba. Isto também faz lembrar aquela simbólica “ave ou pomba” solta por Noé (lido anagramaticamente, é o ÉON grego, que significa “a manifestação da Divindade na Terra”), da qual é uma alegoria a famosa frase latina SIC ILLA AD ARCAM REVERSA EST (“Assim voltou ela para a arca”, isto é, portadora de um ramo de oliveira que, em verdade, se refere a um “Ramo Racial”, Família-Semente, e não apenas à família particular de Noé como muitos julgam do modo mais infantil possível… pois que Noé foi um Manu ou Condutor de Povo, assim como Moisés e outros). Tomé de Souza, como primeiro Governador da Bahia, colocou na sua bandeira a referida frase, além da Cruz da Ordem de Cristo, à qual ele pertencia. Tal frase começou, desde então, a ser usada pela Intendência Municipal da Cidade do Salvador (ou “de Tomé de Souza”).

Não é demais apontar ainda neste estudo o nome do fundador da Rosacruz alemã, CHRISTIAN ROSENKREUTZ, pois do primeiro termo sobressai o de CRISTO (Cristiano, Cristão) e do segundo a ROSA e a CRUZ, respectivamente, alegoria do AMOR UNIVERSAL – pois que a ROSA (vermelha, ígnea, etc.) se transforma em CORAÇÃO – e símbolo cósmico (Cruzeiro do Sul, etc.). De tal símbolo apropriou-se a Igreja para a imagem do “Coração de Jesus”, sendo que as “sete espadas (ou dores) da Virgem Maria”, atravessadas no seu coração, representam as sete Raças Cósmicas, estados de Consciência, e até as Sete Plêiades[1] como “Amas, Mamas, Marias” ou “Mães do Guerreiro Kartikeya” (o mesmo Maitreya, etc.), que receberam o nome de Kritikas nas escrituras orientais. A Igreja preferiu concebê-las como as “sete semanas da Quaresma”, dando-lhes os seguintes nomes: ANA, BAGANA, REBECA, SUSANA, LÁZARO, RAMOS e PÁSCOA. Em forma de verso:

Ana, Bagana,

Rebeca, Susana,

Lázaro, Ramos,

Na Páscoa estamos.[2]

Quanto ao nome de Maria, que Colombo também saudava na sua “sigla”, convém dizer que provém de Mare, o Mar, as águas, além de tudo, para fazer jus ao signo de Aquarius, francamente feminino. Daí as “águas do parto”, etc. Isto pode ser comprovado verificando as pias batismais das catedrais mais famosas do Mundo, nas quais se acham dois MM entrelaçados que o vulgo julga ser apenas o nome de Maria, mas que é a antiga maneira de se firmar o signo de Aquarius. E isto prova porque todas essas catedrais foram construídas por verdadeiros Mestres ou Maçons daquela famosa Ordem dos Monges-Construtores, da qual surgiu a própria ROSACRUZ…

No frontispício da igreja da Santa Cruz dos Militares, à Rua 1.º de Março, no Rio de Janeiro, figura um “girassol” – símbolo francamente maçónico. Como flor solar, o Helianto corresponde ao mistério do nome de CRISTO. De quem partiria, pois, semelhante ideia?…

Igreja da Santa Cruz dos Militares, Rio de Janeiro

Igreja da Santa Cruz dos Militares, Rio de Janeiro

Quanto a Cabral, deve-se assinalar que preferiu colocar “três cabritos no seu escudo”, não só para fazer jus ao seu nome como ao próprio Capricórnio (“Trópico de Capricórnio”, etc.), por sua vez relacionado com o termo sânscrito KUMARA (de cume, altura, etc.), ou seja, a Hierarquia de Seres que “construiu a Família Humana” justamente quando esta mereceu o referido nome, isto é, nos meados da Raça Lemuriana.

Como se sabe, os “caprinos” preferem viver no CUME DOS PENHASCOS, tendo juntas de tal modo as quatro patas que “mais parecem uma só”, o que equivale a dizer que o Quaternário Terreno (a Pedra Cública) ali está firmado na Unidade e no Ternário no CUME de uma Montanha, ou antes, na cúspide de uma Pirâmide.

Com o “compasso e o esquadro”, principais ferramentas dos pedreiros ou maçons, desde que entrelaçados e invertidos forma-se o Hexágono, símbolo precioso do Macrocosmos e do Microcosmos. Colocados em direcções horizontais e verticais, apresentam claramente a Rosa e a Cruz, desde que no centro se firme a FOLHA DE ACÁCIA.

Eis aí, pela primeira vez demonstrado, o símbolo geral da antiga Rosacruz e que hoje os seus não Iniciados sucessores desconhecem por completo, como desconhecem que as 4 letras secretas, que finalizam o alfabeto Devanagari, colocadas nas 4 direcções cósmicas, ou pontos cardiais, dão a mesma Rosa e a Cruz

Maçons do Brasil! Maçons de todas as partes do Globo! Quem vos dirige a Palavra é hoje Teósofo, portanto, para vos dizer que HIRAM, o “Filho da Viúva”, ressuscitou… E traz consigo o mais precioso de todos os símbolos que é o do Excelso TETRAGRAMATON, como expressão idoplástica do Homem Cósmico que é JEHOVAH!

Hiram, Kunaton, CHRISTIAN ROSENKREUTZ, SÃO GERMANO! Pouco importa o nome, pois que “Ele já veio e vós não O reconhecestes”… Mas, em breve, Ele voltará à sua Santa Morada, para fazer jus à antiga palavra franco-maçónica VITRIOL – composta de sete letras – com a qual era formada a frase mais secreta que se conhece, verdadeira “palavra de passe”, cujo sentido real até hoje não foi decifrado senão por Aqueles que têm o direito de penetrar no mais sublime de todos os Tabernáculos: VISITA INTERIORA (ou Inferiora, se o quiserdes) TERRAE RECTIFICANDO INVENIES OMNIA LAPIDEM.

Hoje não mais conheceis a “palavra de passe” egípcia, que era pronunciada à entrada do Templo. Substitui-a, pois, por aquela outra latina que prova “estar Justo e em Perfeito equilíbrio com o Templo, o obreiro ou construtor do Edifício Humano”.

Sim, JUSTUS ET PERFECTUS. A mão direita e o pé do mesmo lado firmavam na Terra o Compasso e o Esquadro, além do mais, para dignificar o “Quaternário Terreno”. Este está representado – na Tragédia do Gólgota – nas 4 letras J.N.R.J., que não querem dizer apenas JESUS NAZARENUS REX JUDEORUM (leia-se NAZAREUS, por ser Jesus da instituição dos “Nazar”, ou dos que traziam os cabelos rentes ao ombro), enquanto o indeformável Triângulo, que figura no Templo maçónico, está no mesmo “Corpo Eucarístico” (Eucrístico) de Jesus representado nas 3 letras: J.H.S. Entre os Dois Ladrões (que não têm a interpretação que se lhes dá, mas outra bem diversa…), erta ELE o Grão-Mestre ladeado pelas Duas Colunas (vivas) Jakim e Bohaz, cujas iniciais (J e B) também figuravam nas duas cidades onde o mesmo Jesus nasceu e morreu: Belém e Jerusalém. São ainda as mesmas iniciais de João Batista (o seu Arauto, Anunciador ou JOKANAN), que o batizou no Rio Jordão, momento em que “desceu sobre Jesus o Fogo do Espírito Santo”, muito bem simbolizado na Ave ou Pomba. Jesus, como todos os Grandes Iniciados, foi verdadeira AVIS RARIS IN TERRIS.

Quanto ao termo João Batista – hoje com significado mais misterioso que outrora e relacionado com o Culto de Melkitsedek ou MAÇONARIA UNIVERSAL (Grande Fraternidade Branca) – cumpre esclarecer que se acha estreitamente ligado ao Rito ADONHIRAMITA (Adam, Hiram e Ita, Mita ou Mitra).

Isso transparece, além de outras razões ocultas, nos seus sinais, inclusive no que deve ser feito na “garganta”, para indicar a maneira pela qual foi o “Arauto de Jesus” sacrificado, porque, em verdade, quando se põe em suas mãos um cordeiro é para provar que tanto o Anunciador como o Anunciado merecem a famosa frase latina: AGNUS DEI QUI TOLLIS PECCATA MUNDI – Miserere nobis (“Cordeiro de Deus que tirais nos pecados do Mundo, tende piedade de nós”). Todos esses Arautos têm o nome de Iokanãs ou Jokanãs – que não deve ser dado a nenhum ser, como julga a maioria, pois representa a função ou papel que incumbe a determinados Seres de alta Hierarquia que se confunde com a do próprio Anunciado, como acontecia com João Batista o que o obrigou a dizer que “não era digno de desafivelar os cordões das sandálias do Outro (Jesus), nem de beijar o pó que o mesmo pisasse”. Nos Movimentos cíclicos, como aquele em que a S.T.B. está empenhada, também existem os Arautos ou Iokanãs, papel este que, como já se disse, foi desempenhado pelo insigne Mário Roso de Luna através das suas Conferências Teosóficas na América do Sul.

Em resumo, IOKANÃ quer dizer: IO (Ísis, Lua, etc.) e KANÃ ou CANAÃ, “Promissão”. Em tradução livre: Aquele que conduz, anuncia, alguém ou alguma coisa pelo “Itinerário de Io ou Ísis”, ou seja, o “Caminho Real por onde tem de passar um novo Clã, Família, Raça”, como acontece com as SEMENTES arregimentadas pela mesma Sociedade Teosófica Brasileira. Donde o seu conhecido lema: SPES MESSIS IN SEMINE (“A esperança da colheita está na SEMENTE”). E tal a razão de ser dado ao Lugar onde foi construído o seu Templo o nome de VILA CANAÃ.

A palavra NITERÓI, onde foi fundada (com o nome Dhâranâ) materialmente a detentora desse Movimento, provém de três outras palavras extraídas de antiga língua sagrada, NISH – TAO – RAM, que querem dizer: “O Caminho Iluminado pelo Sol” (Espiritual, evidentemente). A prova é que o ano da sua fundação foi 1924, dirigido pelo Sol, e o mês o de Agosto (dia 10), ainda sob essa égide. E, finalmente, num domingo, como dia também do Sol. Três Sóis (como a própria Manifestação Divina) que, desde então, “começavam a iluminar o Caminho da Evolução Humana”!

jhs-supremo-mestre-secreto-da-mac3a7onaria-universal[1]

Como outrora no Egipto: MISRAIM – MÊNFIS – MAISIM![3]

E com isto, aceitai – velhos Irmãos e Amigos – as Homenagens de quem até hoje vos respeita e admira, mas que também pede que Homenagens, por sua vez, sejam prestadas Àqueles que já se foram, e sobre cujos respeitáveis Túmulos não devemos permitir que seque ou desapareça a simbólica e sagrada Flor da Acácia.

Com a destra voltada para o Céu e o polegar invertido para a Terra – contrariamente a quantas saudações caóticas foram instituídas pelas decadentes ideologias deste ciclo em franco declínio – maiores Homenagens devemos prestar ao mais Digno e Excelso de Todos os Construtores:

O SUP∴ ARCH∴

NOTAS

[1] As Plêiades constituem o grupo central de toda a simbologia sideral. Chefiando a constelação de Taurus, foram consideradas como o “grupo central da Via Láctea”, a “Grande Serpente Celeste”. Tanto para a Cábala como para o Esoterismo Oriental, elas são o “Septenário sideral” nascido do primeiro lado manifestado do “Triângulo Superior Oculto” (o mesmo que a Igreja apresenta como “Aquele em cujo centro figura o Olho da Divindade”, e a Maçonaria como o “Supremo Arquitecto”). Símbolo do UM (de preferência, do Uno-Trino), e também do ALEPH (primeira letra do alfabeto hebreu, com o sentido oculto de Deus, Allah, Brahma, Osíris, etc., segundo as teogonias orientais e ocidentais), o Touro ou Boi, cuja síntese é o DEZ (10) ou IOD (Iod ou Jod, tanto faz), como letra e número perfeitos. As Plêiades, principalmente Alcione, até mesmo pela Astronomia oficial “são consideradas como ponto central, em torno do qual gira toda a massa de estrelas fixas” que compõem o nosso Universo; o foco sobre o qual converge e age, incessantemente, o Divino Sopro (o “Sopro de Brahma ou Deus nas narinas de Adam” ou Adão, como quer a Igreja), que produz todo o movimento vital do Universo durante o presente Manvantara (período de actividade do Mundo, “Dia de Brahma”). Isto explica porque, nos simbolismos siderais da Filosofia Oculta, este círculo com a cruz de estrelas na sua face é “aquele que representa o papel principal”…

[2] Muito mais por “causalidade” do que por “casualidade”, o presente estudo foi publicado no jornal “O Arauto”, de São Lourenço, num DOMINGO DE RAMOS.

[3] Os 3 termos Misraim – Mênfis – Maisim eram assinalados entre as Colunas do Templo maçónico por 3 MMM, que por sua vez tinham outras interpretações de imenso valor nos ritos egípcios.

Fernando Pessoa, ocultista e astrólogo – Por Vitor Manuel Adrião Sexta-feira, Jan 1 2016 

I

 De tanta tinta impressa e tantos discursos feitos sobre o Homem e a sua Obra, Fernando Pessoa, ainda assim rareiam aqueles que compreenderam e compreendem verdadeiramente o seu vulto, grandeza e até missão. Sobre esta, para uns ele não seria mais que um sonhador embriagado na “mania das grandezas” na miudeza de um “nacionalismo retrógrado”; outros têm-no como espécie de “Picasso literário”, cuja paranóia hipocondríaca revelaria no esdrúxulo demente e absurdo do seu pensamento afectado que as suas letras avulsas demonstram, isto sobretudo por ter-se aproximado e convivido com “excentricidades ocultistas ou esotéricas”, como dizem alguns demasiados preconceituosos e ignorantes que brincam com as palavras e letras em guisa de erudição vazia por afinal de contas nada significarem, nenhuma mais-valia humana conterem.

Fernando Pessoa, “blagueur” sobretudo de si mesmo, com a mesma blague re-velava a compostura discreta do que vive plena e intensamente uma disciplina interior, esotérica. Tal Esoterismo ficou reflectido na sua vasta obra literária disposta acima, muito acima de catalogações discursivas em dialécticas complicadas do que afinal é simples e só. Também há que o aperceba parcialmente simpatizante destas ou aquelas ciências ocultistas e assim pretendem-no, conforme as crenças postuladas, militante das respectivas organizações: ou espírita ou teosofista, ou maçom ou rosacruciano, ou isto ou aquilo… Filosofando a incongruência, poderei dizer que ele foi tudo isso e nada disso, mas sobretudo o Iniciado Real que como Livre-Pensador naturalmente dispunha-se além das afiliações humanas em quaisquer sociedades esotéricas, mesmo simpatizando com os postulados filosóficos das doutrinas de algumas delas.

Acerca do Espiritismo, é claríssima a sua posição em Hyram[1] quanto aos seus inconvenientes:

“Para as entidades que comunicam: intensificação das suas paixões e desejos inferiores pelo facto de voltarem a sua atenção para a vida terrestre, atraso na sua evolução espiritual, e muitas vezes o doloroso despertar de lindos sonhos em que a entidade está mergulhada. Para o médium e circunstantes: diminuição da vitalidade, desorganização orgânica, perturbações no funcionamento do sistema nervoso cardiovascular, nas funções psíquicas e finalmente a loucura.”

Essa é exactamente a mesmíssima opinião de Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica em 7 de Setembro de 1875 em Nova Iorque, América do Norte. Sobre a Teosofia, Fernando Pessoa admirava-a “pelo seu mistério e grandeza ocultista”, porém repudiava o seu lado moralista e conservador cujo puritanismo mostrava-se opositor de um mais amplo desenvolvimento mental, factor psicológico imposto no seio dessa Sociedade pós-Blavatsky pelo ex-sacerdote anglicano Charles Leadbeater.

Apesar de em 1935 ter defendido publicamente a Maçonaria (decerto exclusivamente pela sua vertente Tradicional e Iniciática, como o próprio revela)[2], quando foi aprovado o projecto-lei contra as Associações Secretas da autoria do deputado José Cabral, não deixou de escrever em Hyram: “Não sou mação nem pertenço a qualquer outra Ordem Maçónica”. Em carta a Casais Monteiro, volta a reiterar não pertencer a qualquer instituição esotérica[3].

De maneira que parece cair em “saco roto” a afirmação corrente de “Fernando Pessoa ter sido iniciado no rito inglês do Royal Arch”, pois o mais podendo dizer-se é que compreendia o sentido secreto e iniciático da Maçonaria e da sua importância na evolução mental e moral da Sociedade Humana, quase de certeza sendo essa a razão de tê-la defendido magistralmente como é do conhecimento geral.

A única filiação estabelecida por Fernando Pessoa nos anos 20 do século passado foi ao movimento mágico/rosacruciano/maçonista Golden Dawn[4], sediado em Londres, no qual terá realizado os seus graus esotéricos para em seguida se afastar, tanto por incompatibilidade mental como por espírito de independência. Realmente, Pessoa não era gente de agrupamentos e multidões. Todavia, apercebe-se a influência da doutrina da Golden Dawn na sua transposição ao Esoterismo Português, sobretudo nos seus espantosos ensaios O Caminho da Serpente e Iniciação, mais que nos outros afins à mesma temática[5].

Fernando Pessoa também foi um experiente astrólogo tendo chegado a tentar estabelecer-se como tal com o sub-heterónimo Raphael Baldaya, com consultório em Lisboa, experiência que fracassou ao fim de pouco tempo, e pelas centenas de cartas astrológicas que fez repara-se ter sido o primeiro a introduzir o planeta Plutão na Astrologia[6], tema a que voltarei mais adiante.

Raphael Baldaya, Astrólogo, anúncio feito por Fernando Pessoa

Raphael Baldaya, Astrólogo, anúncio feito por Fernando Pessoa

Peremptório na negação a filiação convencional a quaisquer organizações ocultistas, com tudo o poeta não deixava de reconhecer o grande proveito humano da fina essência de algumas delas, caso da Teosofia como Linha Oriental e da Maçonaria, como Linha Ocidental. Se houve alguma afiliação secreta além da esporádica à Golden Dawn, e ele deixa transparecer que sim, só poderá ter sido a essa secretíssima Confraternidade de Encapuçados operando no solo nacional sob o nome praticamente desconhecido Ordem de Mariz cujos preclaros Membros, diz a Tradição Iniciática, vinculam-se ao “Culto de Melkitsedek” (vd. Génesis, 14-18; Salmos, 110-4; Hebreus, 7-1 a 4) e possuíam a sua sede exotérica em Coimbra e a esotérica em Sintra. Com a mesma terá a ver o seu Tratado da Ordem do Sub-Solo, onde “está o Governo Supremo e Secreto da Maçonaria”[7], ou seja, a Maçonaria Universal Construtiva dos Três Mundos encravada no próprio seio da Terra, celebrizada no Oriente como a dos Traichus-Marutas sob a chefia do próprio Brahmatmã ou Rei do Mundo (Melkitsedek, no judaico-cristianismo), o Soberano Universal. Estará nisso o sentido último do seu poema Emissário de um rei desconhecido, escrito entre 1913 e 1916 como Soneto XIII – Passos da Cruz: “Emissário de um rei desconhecido, / Eu cumpro informe instruções de além, / […] sinto-me altas tradições”.

O Ocultismo também se manifesta nos heterónimos de Fernando Pessoa[8], posto por eles os expor veladamente em “os três caminhos para o Oculto” (em carta a Casais Monteiro) e que são “o Mágico, o Místico e Alquímico”. Nessa apreensão, pode dispor-se o heterónimo Ricardo Reis na Via Mágica ou Física, a mesma Karma-Marga que na Idade Média os travadores retratavam nas Cantigas de Amigo, sendo esse o heterónimo que mais tempo durou na vida do poeta, tanto quanto a influência da Magia. O seguinte, Álvaro de Campos, estará em conexão com o Caminho Místico, Emocional ou Bhakti-Marga, retratado nas antigas Cantigas de Amor, e finalmente Alberto Caeiro, o Mestre de todos, o “Outro”, afim à Via Filosofal ou Alquímica como Realização Mental ou Espiritual, Jnana-Marga, cantada nas Cantigas de Santa Maria. Na carta a Casais Monteiro, assim define Fernando Pessoa o Caminho da Alquimia: “E o que se chama o caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes com defesas que os outros não têm”.

Dessa maneira, reunindo e alinhando potencial e patente os três princípios Corpo, Alma e Espírito, Fernando Pessoa assume-se verdadeiro Iniciado cujos segredos d´Arte bem soube ocultar na sua Obra. Não esqueço ainda o heterónimo António Mora. Para Fernando Pessoa representava o super-pagão, o psíquico, a sua íntima fase «mediúnica» ou mediadora, que melhor ficaria como adjectivo. Daí ser pouco referido na sua Obra, tratando-se de um aspecto pessoal interiorizado que o impulsionaria aos mistérios abscônditos do Paganismo (interpretado como ante e além Cristianismo, ou seja, o Mistério Original), por ele temido por respeito e admiração, e pelo desassossego íntimo causado ao levantar o Véu de Ísis, a Sabedoria Primordial. Com tudo, assumindo a genialidade de Homem Superior (Jivatmã), arremeda o vaticínio no seu Ultimatum por Álvaro de Campos[9]:

“Proclamo a vinda de uma Humanidade matemática e perfeita!

“O Super-Homem será, não o mais forte, mas o mais completo.

“O Super-Homem será, não o mais duro, mas o mais complexo.

“O Super-Homem será, não o mais livre, mas o mais harmonioso.

“Proclamo isto bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas para a Europa, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstratamente o infinito.”

Portanto, defronte para o novo continente, para o Brasil que não é Português mas Portugal, derradeiro repositório das esperanças da Humanidade que um dia também será o “Super-Homem”, isto é, o Homem que, mercê do desenrolar evolucional dos ciclos que regem a Vida Universal, se transformou em Ser Perfeito na transformação da Vida-Energia (Jiva) em Vida-Consciência (Jivatmã). Esse destino último do Brasil é o próprio Fernando Pessoa a apontá-lo em texto precioso no seu espólio recolhido por Gustavo Morais:

“Em primeiro logar, e como já o notou João de Castro Osório, Portugal não é propriamente um paiz europeu: mais rigorosamente se lhe poderá chamar um paiz atlântico – o paiz atlântico por excellencia. (…) Além d´isso, Portugal, neste caso, quere dizer o Brasil tambem. Como o [V] Imperio, neste schema, é espiritual, não ha mister que seja imposto ou construido por uma só nação: pode se-lo por mais que uma, desde que espiritualmente sejam a mesma, que o são se falarem a mesma lingua.”[10]

Para arredar definitivamente qualquer imputação sócio-política à sua ideia sinárquica de V Império da Humanidade, Fernando Pessoa adianta ainda: “Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa”[11].

Fernando Pessoa (13.6.1888 – 30.11.1935)

Fernando Pessoa (13.6.1888 – 30.11.1935)

No seu poema S. João, datado de 9 de Junho de 1935, publicado por Yvette Kace Centeno[12], Fernando Pessoa dá a entender o seu estatuto iniciático: “Se és maçom, sou mais do que maçom – eu sou templário”, condição reiterada no seu “bilhete de identidade” escrito por ele próprio nesse mesmo ano final de sua vida, documento que pela importância maior ao entendimento real da personalidade esfíngica do poeta e vate, transcrevo in littera as partes consideradas atinentes ao assunto em pauta, o de Fernando Pessoa como Ocultista.

“BILHETE DE IDENTIDADE” DE FERNANDO PESSOA ESCRITO PELO PRÓPRIO

Ganhou o prémio Rainha Victória de estylo inglez na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

IDEOLOGIA POLÍTICA: Considera que o systema monarchico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarchia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebizcito entre regimens, votaria, embora com pena, pela Republica. Conservador do estylo inglez, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionario.

POSIÇÃO RELIGIOSA: Christão gnostico, e portanto inteiramente opposto a todas as Egrejas organizadas, e sobretudo à Egreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adeante estão implicitos, à Tradição Secreta do Christianismo, que tem intimas relações com a Tradição Secreta de Israel (a Santa Kaballah) e com a essencia oculta da Maçonaria.

POSIÇÃO INICIATICA: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos trez graus menores da (aparentemente extincta) Ordem Templaria de Portugal.

POSIÇÃO PATRIOTICA: Partidario de um nacionalismo mystico, de onde seja abolida toda infiltração catholica-romana, creando-se, se possivel for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catholicismo portuguez houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lemma: “Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação”.

POSIÇÃO SOCIAL: Anti-communista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vae dito acima.

RESUMO DE ESTAS ULTIMAS CONSIDERAÇÕES: Ter sempre na memoria o martyr Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus trez assassinos – a Ignorancia, o Fanatismo e a Tyrannia.

Lisboa, 30 de Março de 1935

Fernando Pessoa

Retenho três aspectos do posicionamento de Fernando Pessoa, um temporal, outro psíquico e um espiritual. O primeiro tem a ver com o seu “anti-comunismo e anti-socialismo”, certamente o sendo por o comunismo ser ateu e o socialismo laico, nisso indo contra a sua noção de “nacionalismo místico” por que entendia Portugal e o então Império, opondo-se que fossem os mais incapazes a governar os mais capacitados por isso ser uma inversão dos valores naturais afins à maior consciência alcançada, posto a força mental sobressair e dominar a força braçal. O segundo aspecto é o da sua hostilidade aparente ao catolicismo romano, por em seu tempo e desde há séculos andar ligado ao poder político de maneira a mais facilmente conseguir reprimir junto do povo quaisquer inovações criativas marginais aos limites estreitos da ortodoxia religiosa, assim transformada em política social da Igreja até hoje dominando ou tentando dominar através dos chamados partidos políticos de direita. Por fim, o terceiro aspecto: a Iniciação directa de Fernando Pessoa de Mestre a Discípulo revelou-se “através da sua janela”, isto é, da sua alma em comunicação directa com o Plano imediato ao Físico, como seja o Astral. Tratou-se de uma Iniciação Interna, Psicomental, onde o “Outro”, o Eu Superior, se manifestou ao extasiado Pessoa. Razão de afirmar-se “templário” de uma “Ordem aparentemente extinta”, que é dizer, ocultada nos Planos da Alma.

Mas o que é realmente a Iniciação? Será uma fórmula especulativa ou “retórica poética” adaptada a encenação ritualística de alguma espécie? Será mais que um formalismo intelectual posto em cena com laivos parecidos a religiosidade? Sim, o que é realmente a Iniciação?… Poderei dizer que o processo iniciático trabalha o interior de cada um, visando transformar a Vida-Energia externa em Vida-Consciência interna. Nisto, o Corpo físico é o suporte, a Alma a sede e o Espírito o objectivo da Iniciação. A Mente é a ferramenta utilizada para derrubar as barreiras da evolução: a ignorância, o egoísmo, os dogmas e apegos. A transformação real ocorre na Alma pela acção do Mental, facto muito bem representado na Mitologia Grega pela luta de Teseu contra o Minotauro. A Iniciação Verdadeira, ensinada pelo Professor Henrique José de Souza (JHS), é conhecida como Tríplice Iniciação e de uma forma ou de outra está presente em todas as modalidades religiosas e espirituais, cujos aspectos em guisa de tripeça são os seguintes:

Cada uma das três colunas agrupa aspectos que têm entre si um relacionamento directo para fortalecer cada uma das três bases da Iniciação: Mente – Emoção – Vontade, afins ao Espírito – Alma – Corpo. Observa-se agora em que consistem os três tipos de Iniciação:

INICIAÇÃO INDIRECTA

É a Iniciação pela própria Vida, onde o Homem recebe as cargas de sofrimento e de felicidade geradas respectivamente pelos seus próprios erros e acertos. É a mais sofrida, é aquela a que a Humanidade está sujeita. Todos estão se iniciando ao longo dos ciclos de reencarnações a fim de alcançar o padrão evolutivo final do 4.º Reino Hominal e que é conhecido na linguagem esotérica como Jivatmã.

INICIAÇÃO DIRECTA

É a que se processa através de um Colégio Iniciático, onde o discípulo interpreta os ensinamentos do mesmo segundo a sua própria capacidade. Também é chamada de Iniciação Simbólica por causa dos símbolos que são utilizados nos seus graus e ensinamentos ocultos. As práticas de yogas, rituais, cerimoniais, mantrans e instrução oculta, gradualmente aumentam o grau de consciência e capacitam o discípulo para entender a linguagem simbólica.

INICIAÇÃO REAL

É a que ocorre quando o discípulo decifra os símbolos, deparando-se assim com a Verdade. A meditação constante nos símbolos iniciáticos é, portanto, a chave que abre o Portal da Verdade, e esta é representada por um Mestre Real que lhe dará a Iniciação Real, sempre em conformidade à evolução já alcançada pelo discípulo no Caminho da Iniciação Verdadeira.

Essa última terá sido a que Fernando Pessoa recebeu desde os Planos subtis da Natureza. Iniciação verdadeira, em última e primaz análise, é a transformação das nidhanas em skandhas! Quando se reencarna, traz-se das vidas anteriores tendências negativas (nidhanas) e tendências ou qualidades positivas (skandhas). Nascemos sempre com as duas tendências. Nidhanas são forças vivas que pela força aglomerada não podem ser enfrentadas directamente, mas podem ser paulatinamente transformadas em skandhas pelo processo iniciático.

A Iniciação não visa despertar faculdades psicomentais e tornar o discípulo, por exemplo, clauriaudiente, clarividente ou sensitivo. Não, em tempo algum desde que existe a instituição dos Mistérios essa foi a finalidade. A acontecer o despertar das faculdades psicomentais (sidhis), elas serão consequência da evolução normal do discípulo, mas nunca anormalidades forçadas contra-Natura que assim poderão arrojá-lo fora da normalidade do curso da Iniciação. Há até casos, isto como exemplo, de discípulos dotados de elevada intelectualidade e distinta moralidade que jamais tiveram quaisquer sensações ou experiências psicomentais. Antes assim, pois é o melhor para chegar são e salvo ao fim do Caminho, sem correr o risco de algures cair no mediunismo puro e simples, atrofiar-se e perder o timão da sua alma… “Deixa os teus sidhis para a próxima vida”, aconselhava o Senhor Gautama, o Buda, ou seja, “vai protelando-os”. Tudo tem o seu momento justo para acontecer, pois em contrário é como “colher fruta verde antes da época da colheita”.

Por fim, no Caminho da Iniciação é importante que o discípulo observe sempre os três princípios imorredouros:

1.º) O Iniciado se faz, não é feito.

2.º) O sigilo deve ser absoluto, os Iniciados se calam.

3.º) Quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece.

Ciente da sua missão sebástica através das Letras por a “Alma Lusitana estar grávida de Divino”[13], Fernando Pessoa faz apelo à derradeira Demanda do Santo Graal assim preconizando o retorno às origens, à interioridade, ao arquétipo primordial da Nação no qual se regista o seu destino último visto ou intuído por quantos viram à mesma Luz e a glosaram em frases proféticas na mais genuína manifestação bandárrica.

“Bandarra é um nome colectivo, pelo qual se designa, não só o vidente de Trancoso, mas todos quantos viram, por seu exemplo, à mesma luz.”[14]

Diz mais ainda Fernando Pessoa no seu Tratado da Ordem do Sub-Solo: “O nome Bandarra que é de facto o apelido do sapateiro profeta, passou a designar, dentro da Ordem de Cristo, qualquer dos Irmãos que assumiram a mesma luz, ou, falando figurativamente, o mesmo grau”.

Foi este Fernando Pessoa “Bandarra” quem predisse no seu “Horóscopo de Portugal”[15] o adormecimento ou pralaya do País entre 1877 e 1978, daqui em diante despertando para os seus reais valores latentes capazes de o levarem a realizar a sua Missão Avatárica ou Messiânica de Quinto Império da Humanidade encabeçada pelo Menino-Messias, que tanto poderá ser um Movimento Espiritual como o seu Líder ou Guia. Segundo o pessoano “Horóscopo de Portugal”, entre 1877 e 1978 o Sol estaria na quarta casa do Zodíaco, correspondendo ao quarto signo do Caranguejo, por sinal o signo ascendente de Portugal. Em Astrologia Esotérica, pode dizer-se que o signo ascendente define o “material” com que a entidade encarnada procura realizar as metas definidas pelo seu signo natal, no caso de Portugal, os Peixes[16].

Horóscopo de Portugal feito por Fernando Pessoa

Horóscopo de Portugal feito por Fernando Pessoa

Caranguejo é também um signo de água, um hidrosigno. Considerado em astrologia profana, exotérica, como domicílio da exaltação da Lua (Ísis) e queda do Sol (Osíris), ele é, por excelência, passivo, receptivo, feminino. É a matriz onde o futuro se plasma.

Mas terá o Sol estado em “queda” para Portugal durante os 101 anos do horóscopo feito por Pessoa? O mais certo é Portugal ter estado em “queda” para o Sol, posto nunca o “superior” poder estar em queda para o “inferior”. A analogia mais evidente é a de que o Pai (Sol) ao passar pela casa da Mãe (Lua) a fecundou. Portanto, pode dizer-se que o trabalho realizado foi de procriação, lançando-se as sementes de alguma coisa futura por vislumbrar. O próprio número 101 é por si feminino, pois se lido alfabeticamente é IOI, lendo da mesma forma de trás para a frente e ao contrário IO, o mesmo que Ísis expressiva da Mónada peregrina ou Centelha Divina evoluindo pelos ciclos em que se reparte a Vida Universal.

O segundo período no horóscopo aponta a entrada de Osíris (Sol) na quinta casa, de 1978 em diante. A quinta casa é a do quinto signo do Leão. Este é considerado em astrologia profana, exotérica, como domicílio da exaltação do Sol e queda da Lua, precisamente o inverso da casa anterior. Particularmente, do ponto de vista nacional, marca o início do Novo Ciclo Português, a lenta saída de Portugal da sua 4.ª Iniciação, correspondendo à Crucificação, para a 5.ª Iniciação marcando a Ressurreição, esta cuja cumeeira será a coroação ou consumação definitiva da velha Lusitânia como cabeça toda da Europa inteira dando começo a um Novo Império ou Ciclo, o das Almas Superadas, o do “Super-Homem” de Álvaro de Campos.

Será então quando o sentido de Iniciação recuperará o seu real e único significado tanto para o colectivo quanto para o individual. Será quando o Homem poderá afirmar como afirmou Fernando Pessoa no seu poema Iniciação: “Neófito, não há morte!”, e apelar como ele apelou à derradeira boda alquímica de “Eros e Psique” que é a da União Real (Raja-Yoga) do Espírito com a Alma, já ciente da Gnose ou Sabedoria Divina (Teosofia) como Pessoa a definiu: “A Gnose é a libertação, no homem, de Deus; a crucificação do desfolhável, no morto; do perecível no perecido, para que nada pereça. A Gnose, em outras palavras, é a Criação de Deus”[17].

Avançando no seu Ensaio sobre a Iniciação (s/d):

“A união com Deus significa, portanto, a repetição pela Adepto do Acto Divino da Criação pelo qual ele é idêntico a Deus em acto ou em modo de acto, mas, ao mesmo tempo, uma inversão do Acto Divino pelo qual ele continua separado de Deus ou a ser o oposto de Deus; se não, seria o próprio Deus e não seria necessária qualquer união.”

Ou seja, a conquista gradual da Suprema Unidade, degrau a degrau, sempre unido interiormente e separado aparentemente, tonando-se o Homem mais Homem e Deus mais Deus, num Monopanteísmo igualmente aparente mas correcto do ponto de vista oculto, como Fernando Pessoa o justifica em carta a Adolfo Casais Monteiro (Lisboa, 13 de Janeiro de 1935):

“Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em existências de diversos graus de espiritualidade, subtilizando-se até chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este Mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não (…). Dadas essas escalas de seres, não creio na comunicação directa com Deus mas, segundo a nossa afinição espiritual, podemos ir comunicando com seres cada vez mais altos.”

Essa crença expô-la Fernando Pessoa num esquema seu sobre as Hierarquias Criadoras, na versão judaico-cristã, divulgado por Pedro Teixeira da Mota (ob. cit.), a qual não deixa de ser método teúrgico como comunicação com deuses cada vez mais elevados até alcançar a absorção em Deus Absoluto.

Ao manifestar-se o Pai na Terra significa que no Divino e no Celeste contém em Si o Espírito Santo e o Filho, conforme o esquema.

Seja de que maneira for, uma só certeza resta ao poeta vate, por certo a maior de todas:

Cheio de Deus, não temo o que virá,

Pois, venha o que vier, nunca será

Maior do que a minha Alma! [18]

II

Quando se compara o Horóscopo de Portugal com o de Fernando Pessoa, ambos feitos por ele próprio, de imediato detectam-se traços de aproximação entre ambos deveras perturbadores, em guisa de revelar o segundo como que possuído pela alma messiânica do primeiro.

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa no dia 13 de Junho de 1888 às 15:20 horas, no 4.º andar esquerdo do prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos, portanto, sob a influência do signo de Gémeos.

Em Janeiro de 1916, Fernando Pessoa instalou-se com astrólogo na capital e foi quando escreveu um Ensaio de Astrologia que assinou sob o sub-heterónimo Raphael Baldaya, no qual fez o seu próprio horóscopo vindo revelá-lo profundo conhecedor da Astrologia e do Ocultismo[19].

O próprio consignado Raphael Baldaya é deveras sugestivo do ponto de vista oculto: Raphael é o nome do Arcanjo Rafael relacionado a Mercúrio/Gémeos, domicílio natal do poeta. Baldaya tem a ver com o adjectivo baldeus relacionado à “transmissão”, função esta própria de Hermes ou Mercúrio como o transmissor ou medianeiro dos deuses junto dos homens, e vice-versa. Desde logo é, em toda a extensão, um sub-heterónimo mercuriano.

Como se sabe, o Sol demora um ano (365/66 dias) a percorrer as doze constelações do Zodíaco. Quando uma criança nasce, o seu signo natal é o que corresponde à constelação onde o Sol se encontra nesse dia: Carneiro, de 21 de Março a 19 de Abril; Gémeos, de 21 de Maio a 20 de Junho, etc. Além do signo natal, existem quatro pontos importantes num horóscopo: a constelação que se ergue a Este no momento do nascimento (Ascendente), a que se põe a Oeste e portanto é oposta àquela (Descendente), a constelação que se encontra no ponto mais alto do céu (Meio do Céu) e a que lhe é oposta (Fundo do Céu). Os eixos Ascendente-Descendente e Meio do Céu-Fundo do Céu dividem o horóscopo em quatro partes, ficando cada uma delas dividida em três o que no total dá doze casas. A primeira casa é situada a partir do Ascendente e desta maneira tem-se: entre o Ascendente e o Fundo do Céu estão as casas I, II e III; entre o Fundo do Céu e o Descendente ficam as casas IV, V e VI; entre o Descendente e o Meio do Céu situam-se as casas VII, VIII e IX; entre o Meio do Céu e o Ascendente dispõem-se as casas X, XI e XII. Não deve confundir-se a ordem dos signos do Zodíaco (de Áries a Piscis) com a das casas, que se calcula a partir do Ascendente podendo-se encontrar em qualquer dos signos[20].

No horóscopo de Fernando Pessoa (no qual previu com exactidão a data da sua morte), Leão encontra-se no Meio do Céu, Touro no Descendente, Aquário no Fundo do Céu e Escorpião no Ascendente.

A Cruz Fixa representa a própria fixação da Missão a cumprir, o Pramantha-Dharma como lhe chamam os Iniciados orientais, cujos signos fixos, espécie de “cravos” astrais, expressam a energia centrípeta (Tamas) radiando para o centro, que no horóscopo é a próprio Fernando Pessoa. Esta Cruz centra-se no aqui e agora, estando a energia muito concentrada sob o poder da pessoa, cuja inércia exterior transparecia no poeta sob a forma de discrição e timidez.

A Cruz Fixa é também a do Cristo Crucificado que a própria Humanidade representa na sua travessia da crise psicossocial de Iniciação Colectiva do 4.º Reino Humano ao 5.º Reino Espiritual[21], cuja integração pessoal e colectiva nele ficou definida até ao começo do ciclo de Aquarius, iniciada às 15 horas de 28 de Setembro de 2005. Neste sentido, Fernando Pessoa agiu como Arauto (Yokanan) da 5.ª Idade Universal, e fê-lo como sebástico da Portugalidade sob o influxo do 5.º Raio Divino caracterizado pela Riqueza (sobretudo a Espiritual para o vate, que a material sempre lhe foi míngua) cujo maior atributo é a Literatura[22].

Antes de adiantar mais, devo dizer que o Descendente relaciona-se às metas já alcançadas e o Ascendente às metas por alcançar, enquanto o Meio e o Fundo do Céu estabelecem as linhas coordenadoras do indivíduo face à sociedade e a si mesmo na vida que tem pela frente[23], sempre em conformidade à kármica Lei que a tudo e a todos rege.

Quanto aos eixos dos signos de oposição cujo atrito gera a acção tornando-os complementares entre si, o horizontal (Touro – Escorpião) relaciona-se com a aplicação imediata das conquistas obtidas no Descendente indo procurar a integração espiritual no Ascendente, de maneira a adquirir maior consciência egóica por uma presente transmutação dos desejos em tendências, o que vale por transformação das nidhanas em skandhas.

Esse segundo eixo do Zodíaco (Touro – Escorpião) representa a potência, a intensidade; intensidade nos sentimentos, abundância de sensações e de emoções (Touro), e intensidade na penetração espiritual (Escorpião), nisto representada pela Quinta Hierarquia Criadora, para Fernando Pessoa “as Potestades como Deus mantenedor deste Mundo”, para os Rosacruzes os Senhores da Forma e para a Obra Teúrgica os Makaras, pertencentes à Hierarquia dos Assuras ou Arqueus.

O eixo vertical é o mais subjectivo, por procurar a conciliação entre o Homem e a Sociedade, entre a criatura e a Natureza, enfim, neste conspecto particular entre Fernando Pessoa e o seu “Outro”, o seu encoberto mas desejado Eu Divino. O quinto eixo do Zodíaco (Leão – Aquário) é o da afeição: o amor aos amigos, à família, à pátria (Leão), e a amizade, a confraternidade e as afinidades espirituais (Aquário).

Essa quadratura é das mais aliciantes por designar o Novo Ciclo ou Pramantha urgindo já no horizonte das Tempos com Leão inclinando sobre Aquário, o signo da Nova Era[24]. Nisto, o facto do Leão imperar no Meio do Céu no horóscopo de Fernando Pessoa não é razão suficiente para atribuir-lhe a “mania das grandezas”, ao contrário do que pretendem certos impúberes psicofísicos de hoje, ademais e como dizia Paracelso, “os astros inclinam mas não obrigam” a quem sublimou o seu estado interior. A autoafirmação de Pessoa neste conspecto terá exclusivamente a ver com a afirmação da certeza íntima que possuía, sem deixar vagar ao dúbio incerto to bie or not to bie.

Horóscopo de Fernando Pessoa feito por ele próprio

Horóscopo de Fernando Pessoa feito por ele próprio

Esses quatro signos estão representados tanto nos quatro Evangelistas como na Esfinge de Gizeh, simbólica dos Poderes Espiritual e Temporal: a cabeça humana configura a sabedoria, e o corpo de touro a força; a cabeça é a autoridade espiritual que dirige, e o corpo é o poder temporal dirigido.

A Esfinge possui cabeça de Homem (Aquário, signo de Ar, afim a São Mateus), corpo de Touro (como signo é de Terra, empático a São Lucas), patas de Leão (como signo é de Fogo, relacionado a São Marcos) e asas de Águia (antiga representação do Escorpião, signo de Água, assinalado em São João). Esta simbologia é notável por representar o Universo vivente. Sem dúvida é a expressão sintética das 4 Manifestações de Deus como 4 Cadeias Planetárias já realizadas pela Terra neste 4.º Universo ou Sistema de Evolução Universal, com as suas 4 Humanidades hoje Hierarquias Criadoras. Assim, na Esfinge as asas de Águia representam a 1.ª Cadeia de Saturno e a sua Humanidade, os Assuras ou Arqueus; as patas de Leão expressam a 2.ª Cadeia Solar e a sua Humanidade, os Agnisvattas ou Arcanjos; a cabeça de Homem assinala a 3.ª Cadeia Lunar e a sua Humanidade, os Barishads ou Anjos; o corpo de Touro indica a presente 4.ª Cadeia Terrestre e o próprio Homem, a Hierarquia Jiva.

A Esfinge simboliza, pois, a Unidade, o Andrógino que se torna múltiplo através da Polaridade, mas vista aqui em Fernando Pessoa como valor único polarizado entre o Orpheu e a Ophélia – a Sabedoria Futurista e o Amor Ideal. Repare-se ainda que a Esfinge é sempre figurada em repouso, como seja a passividade ou dependência do Poder Temporal da Autoridade Espiritual[25], pela qual agiu idealmente Fernando Pessoa com aparente indiferença aos factores socioeconómicos de seu tempo, considerando-os meros instrumentos inconscientes ao serviço do soerguimento do futuro V Império do Mundo.

No horóscopo em causa, para cuja leitura tomarei como apoio Max Heindel[26], encontram-se as seguintes influências astrais ou planetárias que vieram a ditar em traços largos a Vida e a Obra de Fernando Pessoa:

ASCENDENTE

Casa 1 = Júpiter a 28 graus e 48 minutos de Sagitário.

Casa 2 = Sol a 17 graus e 50 minutos de Sagitário.

INTERPRETAÇÃO

Casa 1 = Júpiter nesta casa dá uma disposição natural e bondosa, uma natureza que respira cordialidade, honra e rectidão. A pessoa neste domicílio ama os prazeres naturais, particularmente os do campo, e é muito amiga das viagens. Possui uma capacidade considerável de execução e adaptabilidade.

Casa 2 = O Sol nesta casa indica que a pessoa terá um papel de liderança entre os amigos e familiares, e que encontrará a ajuda de pessoas capazes de melhorarem a sua posição material, todavia havendo a tendência do nativo em esbanjar o dinheiro por desinteresse pelo mesmo.

O Sol em Sagitário inspira aos ideais elevados e à nobre disposição espiritual de elevar o seu próximo. Torna a pessoa benévola, filantrópica e, portanto, amada pelos seus próximos. Não raro é designada para ocupar cargos de confiança ou desempenhar missões de natureza delicada, por ser alma de honra e de natureza expansiva no terreno que lhe é afim.

DESCENDENTE

Casa 7 = Neptuno a 0 graus e 39 minutos de Gémeos.

Casa 8 = Sol a 22 graus e 59 minutos de Gémeos.

Casa 8 = Vénus a 15 graus e 16 minutos de Gémeos.

Casa 9 = Mercúrio a 17 graus e 18 minutos de Caranguejo.

Casa 9 = Saturno a 4 graus e 5 minutos de Leão.

Casa 9 = Urano a 2 graus e 32 minutos de Leão.

São precisamente as casas 8 e 9 as de maior preponderância na vida e destino do poeta.

Casa 8 = Corresponde à morte e ao além-morte.

Casa 9 = Corresponde às grandes viagens (literárias ou reais valem o mesmo nesta leitura), à vida espiritual, à filosofia e à religiosidade.

Sendo o 8 e o 9 os algarismos predominantes no horóscopo de Fernando Pessoa, então o seu valor biorritmo é 17, precisamente o mesmo de Portugal!

INTERPRETAÇÃO

Casa 7 = Neptuno nesta casa indica o matrimónio com uma pessoa de natureza oculta e inspirada, geralmente uma união platónica cuja natureza é mais satisfatória para a alma. Também indica êxitos em assuntos ocultos e místicos.

Neptuno em Gémeos é uma das melhores indicações da posse de faculdades mentais extraordinárias, por Neptuno indicar a Intuição iluminando o Mental ou Mercúrio domiciliado em Gémeos. Esta posição desenvolve as faculdades ocultas, proféticas ou inspiradas. É um dos sinais do Génio ou Jina em qualquer dos sentidos do horóscopo. Concede o dom da oratória e uma enorme capacidade literária.

Casa 8 = O Sol nesta casa indica as forças actuantes em concordância com a morte, e como o Sol é o dador da vida torna-se evidente ser esta posição extremamente prejudicial no respeitante à vitalidade, acarretando constantemente o fim prematuro de uma vida prometedora. Também ocorre frequentemente que depois do Génio ter passado toda a vida mendigando e transposto o umbral da morte em obscuridade, consegue um reconhecimento póstumo, assim como fama e imortalidade devido a esta posição do Sol.

Funeral de Fernando Pessoa no Cemitério dos Prazeres, Lisboa, notícia que os jornais da época quase ignoraram

Funeral de Fernando Pessoa no Cemitério dos Prazeres, Lisboa,
notícia que os jornais da época quase ignoraram

Sol em Gémeos favorece a capacidade de escrever e de viajar. Dá uma disposição prazenteira e afável, que geralmente faz o nativo querido entre os seus familiares e amigos.

Casa 8 = Vénus nesta posição acarreta desgostos de amor e causas sociais perdidas.

Vénus em Gémeos mescla e funde a beleza com a habilidade de expressão. É uma das posições que faz os poetas, desde que, bem entendido, as outras posições do horóscopo coincidam com tal.

Casa 9 = Mercúrio favorece aqui o amor pela religião, pela ciência, pela literatura epistolar e pelo estudo das leis. Torna a mente estudiosa e capaz de penetrar profundamente nos problemas da vida e do ser, com tendências filosóficas e filantrópicas, com o desejo de viajar muito longe se for preciso para adquirir o conhecimento que persegue. Esta posição dá facilidade para a oratória e para escrever com êxito sobre religião e filosofia, sobre leis ou sobre ciências, por ser a mente ampla, flexível e adaptável.

Mercúrio em Caranguejo favorece um intelecto claro, uma boa memória e capacidade de adaptação. A pessoa nesta posição adapta-se por elasticidade mental a qualquer lugar e a qualquer consideração alheia, sem que tal signifique sujeição.

Casa 9 = Saturno proporciona nesta casa uma mente profunda, séria e reflectiva, com habilidade e inclinação para o estudo das leis, ciências e filosofias, tanto físicas como metafísicas. Semelhante pessoa sobressai sempre no mundo, em vida ou postumamente, segundo a natureza dos aspectos e das linhas de forças por que é regida.

Saturno em Leão proporciona diplomacia, discrição, capacidade, honradez e habilidade executiva. A constituição desta pessoa não é muito forte, porém pode manter uma boa saúde se conservar a energia indicada por Saturno.

Casa 9 = Urano concede aqui uma mente progressista e independente, com uma disposição original e criadora podendo elevar-se ao Génio. A espiritualidade e a intuição estão extraordinariamente desenvolvidas nesta pessoa. De qualquer modo, é sempre vista como excêntrica devido às suas ideias no presente utópicas por mostrarem-se demasiado avançadas para o estado actual dos comuns seres humanos, incapazes de compreendê-las e assim impossíveis de aprofundá-las. Esta é uma das melhores posições horoscópicas feitoras dos exploradores e percursores no descobrimento e povoamento de novas terras, sejam geográficas, sejam ideais.

Urano em Leão favorece uma natureza muito determinada, rebelde e impaciente face às restrições, com gostos e aversões muito fortes e uma extraordinária desconsideração pelos convencionalismos respeitantes à natureza passional. Por possuir carácter robusto e bem assente, esta pessoa ocorre constantemente no desgosto dos demais e consegue deles oposições frequentes. Indica um génio original e criativo, especialmente no respeitante às ideias educacionais e religiosas.

MEIO DO CÉU

Casa 10 = Lua a 8 graus e 23 minutos do Leão.

Casa 12 = Urano a 18 graus e 23 minutos da Balança.

Casa 12 = Marte a 18 graus e 4 minutos da Balança.

Também a 12.ª casa, em sua duplicidade sobrepondo-se à 10.ª, teve uma influência enormíssima na vida humana, lavrada de tragédia e incompreensão, do poeta.

Casa 12 = Corresponde às provações, às inimizades, aos sofrimentos.

INTERPRETAÇÃO

Casa 10 = A Lua nesta casa ocasiona popularidade levando a pessoa a sobressair de entre o público. Torna a mente profunda e diplomática, curiosa e inquisitiva. A pessoa é propensa a incorrer da hostilidade pública e a sofrer reveses da fortuna. Por vezes vê-se envolvida em escândalos públicos e sujeita a censuras.

A Lua em Leão tem influência na iluminação da mente. Daí uma disposição forte, confiante de si mesma e com boa capacidade para organizar, portanto, a pessoa com a Lua nesta posição geralmente sobressai e torna-se dirigente do círculo onde se desenvolveu. É honrada nos negócios financeiros e sociais, clara e magnânima nas suas relações com os outros e muito popular com as demais pessoas.

Casa 12 = Urano aqui concede êxito na relação com o Ocultismo e as Ordens Iniciáticas. Também origina enfermidades em períodos distintos da vida e desfecho final em algum sanatório, assim como desgostos e incompreensões provocados por inimigos.

Urano em Balança favorece a capacidade artística e literária de natureza original fora do comum, indicando também que a pessoa segue linhas independentes de esforço e expressão constantemente relacionadas ao Ocultismo. Esta posição concede igualmente uma intuição perspicaz e uma personalidade atractiva, assim como uma imaginação viva. Esta posição também provoca dores, desgostos e dificuldades familiares, acarretando a solidão.

Casa 12 = Marte faz aqui do nativo um proscrito social, proporcionando-lhe desgostos e inconvenientes durante toda a vida, constantemente suscitados pela inveja e inimizade d´outréns.

Marte em Balança favorece um amor entusiasta pela arte e pela beleza em todas as suas fases, tornando a pessoa popular ante o público geral e nas sociedades culturais e religiosas. Todavia, também acarreta impopularidade, oposição e crítica por parte dos seus conterrâneos desagravados.

Vê-se, dessa maneira, o carácter e vida de Fernando Pessoa expostos em traços gerais mas correctíssimos, porque a escritura de Deus que são os astros lavrados no Livro do Céu jamais falha ou erra[27]. Quanto ao determinismo fatal que brindou a vida do vate, apenas confirma que todo o Iniciado e mesmo um Mestre Espiritual, qualquer que seja, a partir do momento que se manifesta no Plano Físico fica automaticamente sujeito às leis físicas que regem a Humanidade, com as suas alegrias e tristezas, sucessos e insucessos, enfim, a Lei Kármica que a tudo e a todos rege com isto não exceptua ninguém, que mais evoluído que seja. Se assim não fosse, o Cristo escusava ser crucificado há dois mil anos, tanto como todos os outros Grandes Iluminados que se manifestaram neste “vale de dores e misérias” que é o palco imediato da Evolução Humana.

Mas também se vê a grandeza solene de um corpo pequeno demais para conter a chama inflamada de alma tão grande quanto a sua sebástica Obra Pátria, de vez para sempre o colocando entre os Maiores no panteão dos imortais da Portugalidade, da sua quintessência viva que Fernando Pessoa tão bem soube apreender, viver e promanar como Formula Mens Lusitaniae depressa sendo Formula Mens Humanitas.

Fernando Pessoa

Vítima da incompreensão de coevos e presentes, como é natural em todas as almas muito adiantadas para o seu tempo, Fernando Pessoa quis um Portugal divinamente grande perpassando as mínguas fronteiras geográficas adentrando plenamente o domínio do Espírito cujo Império sonhou. Só naturezas retrógradas, idólatras de si mesmas em autossatisfações lascívias de intelecto pequeno em grande preconceito revelando o pior da natureza pisciana do português, num eterno misto de intriguista e queixosa tanto de si como dos demais, no mais mínguo dos provincianismos, podem apodar Fernando Pessoa de todos males e erros que, afinal, as suas próprias almas ou naturezas íntimas reflectem. Também a esses o poeta responde, num texto indatado com a indicação Ecolalia Interior[28] com o qual finalizo:

O português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados. Partimos a cara a todos os ausentes, conquistamos de graça todas as mulheres sonhadas, e acordamos alegres, de manhã tarde, com a recordação colorida dos grandes feitos por cumprir. Cada um de nós tem um Quinto Império no bairro, e um auto-D. Sebastião em série fotográfica do Grandella. No meio disto (tudo), a República não acaba.

Somos hoje um pingo de tinta seca da mão que escreveu Império da esquerda à direita da geografia. É difícil distinguir se o nosso passado é que é o nosso futuro, ou se o nosso futuro é que é o nosso passado. Cantamos o fado a sério no intervalo indefinido. O lirismo, diz-se, é a qualidade máxima da raça. Cada vez cantamos mais um fado.

O Atlântico continua no seu lugar, até simbolicamente. E há sempre Império desde que haja Imperador.

NOTAS

[1] Fernando Pessoa, Hyram. Filosofia Religiosa e Ciências Ocultas. Notas e Postfácio de Petrus. “Tendências”, C.E.P., Porto (s/d).

[2] Fernando Pessoa, Associações secretas. Jornal Diário de Notícias, n.º 4388 de 4 de Fevereiro de 1935.

[3] João Gaspar Simões, Vida e Obra de Fernando Pessoa (História de uma Geração). Livraria Bertrand, SARL – Lisboa, 1980.

[4] Israel Regardie, A Golden Dawn – A Aurora Dourada. Madras Editora, São Paulo, 2008.

[5] Yvette Centeno, Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética. Editorial Presença, Lisboa, 1985.

[6] No espólio de Fernando Pessoa encontra-se um seu Tratado de Astrologia assinado com o sub-heterónimo Raphael Baldaya.

[7] Fernando Pessoa, Tratado Ordem do Sub-Solo. Textos recolhidos e coligidos por Yvette Centeno, ob cit.

[8] Obra em Prosa de Fernando Pessoa, Textos de Intervenção Social e Cultural (A Ficção dos Heterónimos). Introdução, organização e notas de António Quadros. Publicações Europa-América, Lda., Mem Martins, 1986.

[9] Fernando Pessoa, Portugal Futurista, n.º 1, Lisboa, 1917.

[10] Fernando Pessoa, Um Paiz Atlântico, s/d, doc. 125A – 43.

[11] Texto originalmente publicado em Descobrimento, revista de Cultura n.º 3, pp. 409-410, 1931, transcrito do Livro do Desassossego de Bernardo Soares (Fernando Pessoa).

[12] Yvette K. Centeno, Fernando Pessoa: Magia e Fantasia. Edições Asa, Porto, 2003.

[13] Fernando Pessoa, Sobre Portugal – Introdução ao Problema Nacional. Edições Ática, Lisboa, 1979.

[14] Fernando Pessoa, Prefácio à obra de Augusto Ferreira Gomes, O Quinto Império. Edição António Maria Pereira, Lisboa, 1934.

[15] Portugal – Pessoa responde ao inquérito “Portugal, Vasto Império”. Primeira publicação em O Jornal do Comércio e das Colónias, 73.º ano, n.º 21693, Lisboa, 28-5-1926. Segunda publicação por Augusto da Costa em Portugal, Vasto Império. Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 1934.

[16] Os dois peixes compondo o emblema do signo natal de Portugal, levam à extracção de diversas ilações. Bastará focar a sua relação com o elemento água, motivador profundo do pendor marítimo dos portugueses e verdadeiro centro radiante da Gesta das Descobertas. Sob o pretexto da chegada à Índia pelo Ocidente, pretendia-se dar a conhecer ao mundo geral um facto de há muito conhecido nos meios reservados: a existência do continente americano. Estudá-lo é penetrar no âmago da motivação secreta daquela já batizada de Gesta Henriquina.

Onde estará o outro peixe que puxa em sentido contrário, ao qual se está ligado pela boca, o verbo, a palavra? Imediatamente evoca-se o Brasil, e as mais remotas lendas irlandesas (não havendo a esquecer as relações entre a Península Ibérica e a Hibérnia, a Irlanda, desde as épocas mais recuadas) falam de uma ilha encantada, situada a Ocidente, chamada O´Brazil. Mas as analogias com o Brasil não aparecem tão evidentes como no caso de Portugal, sobretudo porque o Brasil é regido pela Virgem, signo oposto ou complementar do de Portugal, mas é precisamente na relação Peixes-Virgem que se poderá encontrar o significado real do binómio Portugal-Brasil. Quanto à entrada do Sol na quinta casa, repare-se que o mapa da nossa Pátria-Gémea imita perfeitamente a silhueta do Leão, o quinto signo indicativo do Quinto Reino a urgir na terra virgem do quinto continente, o que não deixa de ser profundamente significativo ao contexto bandárrico ou futurístico afim aos destinos imediatos do Mundo.

[17] Fernando Pessoa, Rosea Cruz. Textos estabelecidos e apresentados por Pedro Teixeira da Mota. Edições Manuel Lencastre, Lisboa, 1989.

[18] Fernando Pessoa, poema para ser publicado no Orpheu n.º 3, Lisboa, 1916, não o tendo sido e inserido na Mensagem com o título D. Fernando.

[19] Fernando Pessoa, A Procura da Verdade Oculta (Textos Filosóficos e Esotéricos). Introdução, organização e notas de António Quadros. Publicações Europa-América, Lda., Mem Martins, 1989.

[20] André Barbault, Manual Prático de Astrologia. Publicações Europa-América, Mem Martins, 1978.

[21] Alice A. Bailey, Astrologia Esotérica. Editorial Kier, Argentina, 1962.

[22] Fernando Pessoa, Portugal, Sebastianismo e Quinto Império. Introdução, organização e notas de António Quadros. Publicações Europa-América, Lda., Mem Martins, 1987.

[23] Omram Mikhaël Aïvanhov, O Zodíaco – Chave do Homem e do Universo. Edições Prosveta, Lisboa, 1985.

[24] Laurentus (pseudónimo de Henrique José de Souza), Ocultismo e Teosofia. Associação Editorial Aquarius, Rio de Janeiro, 1983.

[25] René Guénon, Autorité Spirituelle et Pouvoir Temporel. Guy Trédaniel, Éditions Véga, Paris, 1984.

[26] Max Heindel, El Mensage de las Estrellas. Editorial Kier, Argentina, 1946.

[27] Ilse Maria Spath, Astro-Psicologia. Fundação Educacional e Editorial Universalista, Porto Alegre, Brasil, s/d mas com o número 153.

[28] Fernando Pessoa, Sobre Portugal – Introdução ao Problema Nacional. Editora Ática, Lisboa, 1979.